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Numero do processo: 10980.006831/2004-94
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2004, 2005
INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. COMPROVAÇÃO DE NÃO EXECUÇÃO DE ATIVIDADE IMPEDITIVA.
Comprovado que, embora constassem do objeto social da empresa, atividades impeditivas de opção pelo Simples não foram por ela executadas, defere-se o pedido de inclusão retroativa nessa sistemática de tributação.
Numero da decisão: 1803-001.278
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004, 2005 INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. COMPROVAÇÃO DE NÃO EXECUÇÃO DE ATIVIDADE IMPEDITIVA. Comprovado que, embora constassem do objeto social da empresa, atividades impeditivas de opção pelo Simples não foram por ela executadas, defere-se o pedido de inclusão retroativa nessa sistemática de tributação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1200; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 133 1 132 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.006831/200494 Recurso nº 339.723 Voluntário Acórdão nº 180301.278 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de abril de 2012 Matéria SIMPLES INCLUSÃO RETROATIVA Recorrente SATECH SISTEMAS DE TELECOMUNICAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004, 2005 INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES. COMPROVAÇÃO DE NÃO EXECUÇÃO DE ATIVIDADE IMPEDITIVA. Comprovado que, embora constassem do objeto social da empresa, atividades impeditivas de opção pelo Simples não foram por ela executadas, deferese o pedido de inclusão retroativa nessa sistemática de tributação. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006831/200494 Acórdão n.º 180301.278 S1TE03 Fl. 134 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Ausente justificadamente o Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006831/200494 Acórdão n.º 180301.278 S1TE03 Fl. 135 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 34 e 35): Tratavase este processo, de início, de petição protocolizada em 26/05/2004 (fl. 3), pela qual a contribuinte solicita seu enquadramento no Simples, retroativo a 01/01/2003, em face do disposto na Lei nº 9.317, de 1996. A DRF, apreciando a petição como uma solicitação de inclusão retroativa no Simples (fl. 2), indeferiua, sob a fundamentação de que a pessoa jurídica desenvolve atividades de elaboração de projetos, assessoria e consultoria, as quais não podem optar pelo Simples, à luz do disposto no artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317, de 1996. Comunicada do indeferimento em 08/07/2004, a contribuinte manifestou seu inconformismo com o despacho denegatório em 06/08/2004 (fls. 16/20), alegando, em síntese, que esteve enquadrada no Simples desde 1997 até 1999, ocasião em que comunicou sua desistência ao benefício, face ter extrapolado o faturamento permitido. Voltando a faturar dentro dos limites admitidos pela sistemática, requereu seu novo enquadramento, o qual, em tese teria sido deferido, passando a recolher os tributos sob o código específico. Em 2004, quando tentou transmitir sua declaração referente ao anocalendário 2003, houve recusa do sistema, ao argumento de ter sido excluída do regime. Ocorre que não foi comunicada da exclusão, na forma como determina a legislação de regência, fato que, por si só, deixa de observar a garantia ao contraditório, além de acarretar prejuízos, posto estar em débito com o novo regime de tributação a que ficou vinculada. Quanto à justificativa do indeferimento, afirma que, embora conste de seu contrato social a previsão do exercício das atividades de projeto, assessoria e consultoria, estas nunca foram desenvolvidas e que está providenciando a alteração do contrato para a exclusão das mesmas, posto que somente agora lhe foi explicado ser este o motivo que veda sua permanência no Simples. Sustenta que não existem critérios para os atos da Receita Federal, uma vez que uma concorrente sua, que possui na razão social a previsão de planejamento e projetos de telecomunicações, continua constando como optante do Simples, conforme documentos em anexo. Por fim, pede que seja revisto o indeferimento. Junta ao processo os documentos de fls. 21/27. Em 03/09/2004, comparece novamente aos autos para pedir a anexação de sua Décima Segunda Alteração do Contrato Social, registrada em 30/08/2004, onde fez constara alteração do objeto social de: “industrialização, reparação de serviços de projetos, assessoria e consultoria em equipamentos de telecomunicações” para: “industrialização e comercialização de equipamentos e materiais na área de comunicação”. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 33): Fl. 144DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006831/200494 Acórdão n.º 180301.278 S1TE03 Fl. 136 4 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 EXCLUSÃO AO SIMPLES. ATIVIDADE VEDADA. PREVISÃO CONTRATUAL Se no contrato social consta atividade incompatível com o Simples, a prova de que não exerce tal atividade cabe ao contribuinte, não o fazendo, é lícito considerar válidas as informações constantes no contrato social. Solicitação Indeferida. 3. Cientificada da referida decisão em 19/07/2007 (fls. 40), a tempo, em 09/08/2007, apresenta a interessada Recurso de fls. 41 a 46, instruído com os documentos de fls. 47 a 49, nele argumentando, em síntese: a) que, na decisão da 2ª Turma de Julgamento, que ora se recorre, nada foi mencionado acerca da comunicação de desenquadramento, pois diz o parágrafo único do art. 23 da Instrução Normativa SRF nº 355/2003 que a exclusão de oficio do regime darseá mediante Ato Declaratório Executivo da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte; b) que, considerando os percentuais de impostos pagos a título de SIMPLES, conforme documentos anexos, a Recorrente pagou R$ 40.073,18 (quarenta mil, setenta e três reais e dezoito centavos), e o eventual pagamento pelo regime do Lucro Presumido, conforme planilha ora anexada ao feito, representaria o valor devido de R$ 38.532,21 (trinta e oito mil, quinhentos e trinta e dois reais e vinte e um centavos), o que acaba por indicar diferença insignificante de R$ 1.548,97 a menor em favor da Recorrente; c) que se reitera o pedido, aqui, para que o assunto seja baixado em diligência, para a efetiva comprovação de que não existem notas fiscais determinantes de exercício de atividade vedada, nos anos de 2003 e 2004; d) que a manutenção da exclusão não trará maiores valores de arrecadação ao Fisco, mas apenas e tão somente diversas retificações, correções, multas e demais obrigações acessórias, absolutamente onerosas à Recorrente, que já pagou o imposto devido de todo o período como SIMPLES, e não há razão plausível para tais correções daquilo que já é definitivo; e) que está habilitada, desde 14/05/2003, a usufruir os incentivos fiscais da Lei nº 8.248/1991, alterada pelas Leis nºs 10.176/01 e 11.077/04 – Lei de Informática, do Ministério da Ciência e Tecnologia, conforme Portaria 232, publicada no DOU; e Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006831/200494 Acórdão n.º 180301.278 S1TE03 Fl. 137 5 f) que, estando enquadrada no SIMPLES, não está usufruindo os benefícios, mas vem apresentando, todos os anos, os Relatórios Demonstrativos, nos termos da Lei (consoante documento anexo). 4. Consta, de fls. 51 a 52verso, Resolução nº 380100.011, da Primeira Turma Especial da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), convertendo o julgamento do processo em diligência, cujo atendimento se deu de fls. 55 e 57 a 59. Em mesa para julgamento. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006831/200494 Acórdão n.º 180301.278 S1TE03 Fl. 138 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 5. Em atendimento à diligência requerida, consta do despacho de fls. 55 o seguinte: Após alterar seu ramo de atividade para industrialização e comercialização de equipamentos e materiais na área de comunicação, solicitou inclusão retroativa a 1º/1/2003, optando, em 21 de dezembro de 2004, com efeitos a partir de 1º/1/2005, pois o exercício dessa nova atividade não constitui óbice à adesão.Teve êxito na opção realizada a partir de 2005, mas o pedido para ingresso a partir de 1º/1/2003 foi indeferido com fulcro no art. 92, inciso XIII, da Lei nº 9.317, de 1996. 6. Extraise, ainda, do Termo de Diligência Fiscal, de fls. 57 a 59, o que segue: Quanto à prestação de serviços e venda de produtos, observamos que, no exercício de 2003, os principais clientes de Satech foram EMBRATEL, GVT, INDEL e LAB SERVIÇOS Razão, fls. 39, 40 e 41 anexas se repetem em 2004 Razão, fls. 51, 52, 53 e 54 , com acréscimos de novos clientes (Zhone, SSH Tech, Telenge) (fls.111 a 117). Da análise das notas fiscais emitidas a partir de 2003, podese observar que os serviços prestados para a empresa EMBRATEL referemse a serviço de adequação de régua de voz em sua maioria, da INDEL INDÚSTRIA ELETRÔNICA, a confecção de fontes de alimentação, da GVT — GLOBAL VILLAGE TELECOM LTDA., o fornecimento de cabos assíncronos, unidades de ventilação, da LAB SERVIÇOS DE COMUNICAÇÕES LTDA., a confecção de unidades retificadoras e fontes de alimentação. Quanto ao ano de 2004, na análise das notas fiscais emitidas, os mesmos clientes estão sendo atendidos, e idênticos serviços prestados. Anexo duas cópias de notas fiscais emitidas em 2003 e 2004 da EMBRATEL e GVT, bem como contrato celebrado com a Embratel e pedido de compra da GVT, já que a mesma não fazia contrato diretamente — fls. 118 a 130. 7. Conforme se observa, ficou devidamente comprovado que, embora constassem do objeto social da Recorrente, nos anoscalendário de 2003 e 2004, as atividades de elaboração de projetos, assessoria e consultoria, impeditivas da opção pelo Simples, ela não os executou naqueles períodos. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10980.006831/200494 Acórdão n.º 180301.278 S1TE03 Fl. 139 7 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para admitir a inclusão retroativa da Recorrente no Simples desde 01/01/2003. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 18/04/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 12898.001983/2009-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1103-000.084
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 28 98 .0 01 98 3/ 20 09 -7 0 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001983/200970 Resolução nº 1103000.066 S1C1T3 Fl. 388 2 Relatório Tratase de autos de infração de Multas Isoladas por falta/insuficiência de recolhimentos de estimativas de IRPJ e CSLL durante o anocalendário 2005, nos valores de R$ 826.019,34 (oitocentos e vinte e seis mil, dezenove reais e trinta e quatro centavos) e R$ 298.447,06 (duzentos e noventa e oito mil, quatrocentos e quarenta e sete reais e seis centavos) (fls.69/78). O contribuinte foi cientificado em 26/11/09 (fls.72 e 76). No “Termo de Verificação e Constatação Fiscal” (fls.69/70), consignouse: “[...] Tratase de contribuinte submetido à sistemática de tributação pelo lucro real anual, e com base em balanço ou balancete de suspensão foram apurados débitos relativos ao imposto de renda da pessoa jurídica e contribuição social sobre o lucro liquido mensal por estimativa. Em 25/08/2008, o contribuinte foi regularmente intimado a esclarecer os fatos apurados durante Revisão Interna de suas declarações, DIPJ e DCTF, concernentes ao anocalendário 2005 (fls.43/45): 1) os valores nela informados referentes ao Imposto de Renda a Pagar, bem como os relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, apurados segundo regime de tributação por estimativa, constam como não pagos/recolhidos; 2) os valores referentes ao Imposto de Renda a Pagar, assim como os relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL nela informados, apurados na forma de lucro real anual, não constam como recolhidos integralmente (fls.63/68); e 3) relativamente à Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, também não foram o referido imposto e contribuição nela declarados integralmente — DIVERGÊNCIA ENTRE DIPJ E DCTF ( fls. 63/68). Após análise da documentação entregue foram ratificados os valores apurados como não declarados em DCTF e não recolhidos durante a referida Revisão Interna no que concerne ao pagamento mensal por estimativa, nos termos do art. 230 do RIR/99, abaixo discriminados (fls.63/68): TRIBUTO PERÍODO VALOR APURADO MULTA ISOLADA IRPJ JANEIRO/2005 1.126.720,97 563.360.48 IRPJ FEVEREIRO/2005 506.619,50 253.309,75 IRPJ MARÇO/2005 18.698,23 9.349,11 CSLL JANEIRO/2005 406.339,55 203.169,77 CSLL FEVEREIRO/2005 183.103,02 91.551,61 CSLL MARÇO/2005 7.451,36 3.725,68 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001983/200970 Resolução nº 1103000.066 S1C1T3 Fl. 389 3 Assim sendo, por não restar demonstrado nem tampouco comprovado o cumprimento da obrigação tributária concernente ao regime de tributação por estimativa mensal, está sendo constituído o crédito tributário relativo à multa de oficio isolada no percentual de 50% (cinqüenta por cento) por falta de recolhimento na data do vencimento do imposto e da contribuição social devida, nos termos do art. 44, §1º, inciso IV, da Lei n° 9.430, de 1996 com redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351, de 2007 c/c art. 106, inciso II, alínea "c” do CTN; arts. 222 e 843 do RIR199 e, na forma e condições constantes do demonstrativo acima.” O lançamento foi mantido pela Sexta Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.290/296): MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte e relativamente a qual foram efetuados pagamentos após a ciência do lançamento. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. A falta de recolhimento de estimativas mensais enseja a imposição de multa isolada, no percentual de 50% sobre o valor do pagamento que deixou de ser efetuado. Devidamente cientificado do acórdão em 20/07/12 (fl.302), o contribuinte tempestivamente interpôs Recurso Voluntário em 16/08/12 (fls.305/330), em que sustenta, em síntese: apurara as antecipações mensais com base em balancetes suspensão/redução, conforme comunicado à Receita Federal por meio da DIPJ 2006 (Fichas 11 e 16); reconhecera, por ocasião da impugnação, a insuficiência parcial das estimativas, tendo após a autuação realizado o que entendeu devido; teria cometido erro de fato por não considerar compensações a título de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas apuradas em períodos anteriores, o que deve ser considerado sob pena de exação indevida; “...ad argumentandum apenas para corroborar a impropriedade da decisão, que mantém cobrança das Multas Isoladas de IRPJ e CSLL na forma como lançada por meio dos AI’s, devese destacar que, de acordo com as decisões exaradas por esse E. CARF posteriormente ao lançamento tributário, firmouse o entendimento de que é indevida a cobrança de Multa Isolada de IRPJ e CSLL por falta de recolhimento de estimativa, quando se verifica a existência de Prejuízo Fiscal e BNCSLL, ao final do períodobase”; estaria equivocado o acórdão recorrido, vez que o livro Diário não se prestaria, para fins de conferir validade à apuração, à escrituração de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL; decisões da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferidas em outubro e novembro de 2011, corroborariam o entendimento de que “improcede a aplicação de penalidade isolada, quando se verifica existência de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL ao final do período”; Fl. 389DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001983/200970 Resolução nº 1103000.066 S1C1T3 Fl. 390 4 considerando a apuração de prejuízo fiscal e base negativa de CSLL no anocalendário 2004, no montante de R$ 10.098.323,13, conforme DIPJ (Doc.06 da Impugnação), não se poderia falar em insuficiência de saldo a impedir as compensações pleiteadas; decisões do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes fixariam que no lançamento de ofício a autoridade fiscal deve considerar os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas (acórdãos nº 10195.889, 10516.530 e 10515.484), tese igualmente adotada em julgados de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Em decorrência de recolhimentos realizados após os lançamentos tributários, a controvérsia cingese às seguintes exigências, consoante “Demonstrativo de Débito – Intimação nº 2012/” (fl.298, 382 e 383): PA Saldo (R$) IRPJ 01/2005 169.308,14 IRPJ 02/2005 76.292,95 IRPJ 03/2005 3.104,73 CSLL 01/2005 60.950,94 CSLL 02/2005 27.465,55 CSLL 03/2005 1.117,70 Como relatado, o sujeito passivo pleiteia, na composição da base de cálculo, o aproveitamento de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, acumulados em períodos anteriores. Verificase que na DIPJ/06 declarouse que as estimativas de janeiro a março/2005 haviam sido apuradas com base em balancetes (fls.09 e 14). Às fls.67 e 68, constam demonstrativos de apuração, cuja autoria da elaboração não se pode identificar, em que se visualizam valores a título de “compensação prejuízo fiscal” e “base de cálculo negativa CSLL”. Com a impugnação, acostaramse, por exemplo, “Memórias da Apuração do Lucro Real, Bases Negativas de CSLL e Balancetes” (fls.166/233), bem como cópia da DIPJ/05, em que se verifica a apuração de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa no ano calendário 2004 (fls.239/240). Considerando os indícios de que realmente pode haver saldos a título de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL, apurados em períodos anteriores e passíveis de aproveitamento, caso esta tese seja afinal vencedora, é razoável, como medida de cautela a fornecer elementos seguros de convencimento, e em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, que tal fato seja confirmado pela autoridade autuante. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12898.001983/200970 Resolução nº 1103000.066 S1C1T3 Fl. 391 5 Pelo exposto, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil: a) verifique, à luz da documentação acostada pelo sujeito passivo quando da impugnação, bem como à vista de seus sistemas de controle, se há valores disponíveis a título de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL, apurados em períodos anteriores; b) em caso afirmativo, confira se estão corretos os demonstrativos das apurações das estimativas de janeiro a março/05, elaborados pelo Recorrente no recurso voluntário, levando se em consideração, na apuração das bases de cálculo, as compensações no limite de 30% (trinta por cento), conforme dispõe a legislação vigente; c) verifique se há entrega de DIPJ 2006 (AC 2005) retificadora, devendo ser anexada cópia integral aos autos; d) adote providências adicionais que possam contribuir para a solução da controvérsia; e) descreva, em relatório circunstanciado, acompanhado das respectivas provas, as constatações decorrentes dos exames realizados; f) cientifique o Recorrente do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 391DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 19740.000113/2007-54
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO.
O direito creditório é limitado àquele que estiver disponível e devidamente declarado em obrigação acessória, em se tratando de saldo negativo, considerando inclusive o tributo declarado por terceiros, quando do saldo negativo houver imposto de renda retido na fonte por terceiros.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA.
O instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional alberga tão somente o caso em que o contribuinte, dando-se conta da existência do débito não declarado, efetua o recolhimento de pronto, antes que a autoridade fiscal o define, mesmo que posteriormente entregue a declaração retificadora dando conta da existência de referido débito. Súmula e Precedente representativo da controvérsia do STJ.
Numero da decisão: 1802-001.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marciel Eder Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Jose de Oliveira Ferraz Correa, Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. O direito creditório é limitado àquele que estiver disponível e devidamente declarado em obrigação acessória, em se tratando de saldo negativo, considerando inclusive o tributo declarado por terceiros, quando do saldo negativo houver imposto de renda retido na fonte por terceiros. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional alberga tão somente o caso em que o contribuinte, dando-se conta da existência do débito não declarado, efetua o recolhimento de pronto, antes que a autoridade fiscal o define, mesmo que posteriormente entregue a declaração retificadora dando conta da existência de referido débito. Súmula e Precedente representativo da controvérsia do STJ.
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SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. O direito creditório é limitado àquele que estiver disponível e devidamente declarado em obrigação acessória, em se tratando de saldo negativo, considerando inclusive o tributo declarado por terceiros, quando do saldo negativo houver imposto de renda retido na fonte por terceiros. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXIGÊNCIA DA MULTA DE MORA. O instituto da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional alberga tão somente o caso em que o contribuinte, dandose conta da existência do débito não declarado, efetua o recolhimento de pronto, antes que a autoridade fiscal o define, mesmo que posteriormente entregue a declaração retificadora dando conta da existência de referido débito. Súmula e Precedente representativo da controvérsia do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 01 13 /2 00 7- 54 Fl. 530DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Marciel Eder Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente da turma), Jose de Oliveira Ferraz Correa, Marciel Eder Costa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000113/200754 Acórdão n.º 1802001.674 S1TE02 Fl. 531 3 Relatório Tratam os presentes autos de pedido de compensação cujo crédito é suposto saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 e débito de IRPJ (Código DARF 23191), o qual, foi homologado parcialmente pela autoridade administrativa, pelo reconhecimento parcial do saldo negativo declarado. Pela clara descrição dos fatos, adoto o relatório proferido pela 8ª Turma da DRJ/SP1, constante às efls 440/444: Tratase de manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório de fls. 315/328, em que foram apreciadas as “Declarações de Compensação” (Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação Per/DCOMP) n°s 42538.15858.270906.1.7.026935 (retificadora da Per/DCOMP original nº 17483.06675.290704.1.3.027207 fls. 05 a 21) e 38647.82087.300704.1.3.027101 (fls. 22/24), que foram originalmente transmitidas em 29/07/2004 e 30/07/2004 respectivamente. Por intermédio das referidas DCOMPs, a contribuinte pretende compensar Saldo Negativo de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – SN IRPJ, apurado em 31/12/2003 na DIPJ Delcaração (sic) de Informações da Pessoa Jurídica do anocalendário de 2003, no valor total de R$ 1.455.257,89, com os seguintes débitos: PerDcomp Ativa Data da Compensação Créd. Original utilizado Código Débito P.A. Vencimento Valor (R$) 42538.15858.270906.1.7.02 6935 29/07/2004 209.317,26 23191 Fev/04 31/03/2004 723.823,14 38647.82087.300704.1.3.02 7101 30/07/2004 1.245.940,63 23191 Jun/04 30/07/2004 1.350.225,86 2. A autoridade competente para apreciação da pretendida compensação elaborou o Despacho Decisório que se encontra assim ementado (fl. 315): Assunto: Declaração de Compensação de Direito Creditório com origem SN IRPJ – 31.12.03 Ementa Homologação PARCIAL da compensação: Dispositivos Legais: CTN – art. 165, caput e inc. I, art. 168, caput e inc. I, 170, caput; art. 66, caput, da Lei nº 8.383/91; art. 73, caput Lei nº 9.430/96, art. 74, §§2°, 5° e 6° do RIR/99 – art. 2º, caput e §§3° e 4°, art. 6°, caput e par 1º, art. 218, art. 229, art. 231, caput e inc. III e IV, art. 900, inc. I. 2.1. No Despacho Decisório ora combatido, a autoridade fiscal, ao analisar o crédito, expõe que: Fl. 532DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 conforme DCTFs, as estimativas de junho e novembro de 2003 foram compensadas por meio de PerDComp que foram homologadas (PAFs nºs 19740.000006/200726; 19740.000320/200717 e 10768.0016667/200362) e, segundo a Ficha 11 da DIPJ 2004 a formação do saldo negativo deuse da seguinte forma: Estimativa de Nov/2003........................R$ 613.024,25 Estimativa de Jun/2003.......................R$ 143.313,38 R$ 756.337,63 Imposto Pago no Exterior..................R$ 615.671,76 IRRF..................................................R$ 203.375,90 IRRFOórgão (sic) Público...................R$ 9.594,04 IRPJ Devido.....................................R$ 440.632,63 DED. Incentivos Fiscais....................R$ 10.911,18 SN IRPJ – 31/12/2003.................R$ 1.455.257,88 do PAF nº 19740.000320/200717 constam documentos relativos à Cisão parcial ocorrida em 31/05/2003. Pelo “Laudo de Avaliação da Parcela Cindida do Patrimônio Líquido Contábil” e seu “Anexo II” verificase que o valor vertido correspondia a uma parcela dos “Investimentos do País” do “Ativo Permanente”. Assim sendo, o SN IRPJ 31.05.2003 do BANERJ não foi repassado para o Banco Itaú S/A nessa cisão; Intimado a comprovar o “Imposto pago no Exterior” (L 12B/07) em 12/11/2008, a contribuinte alegou erro no preenchimento da DIPJ, dizendo que o valor de R$ 915.671,76 deveria ser alocado nas linha 08 da ficha 12B e 09 da ficha 11 (fls. 242, 244246). Também apresentou “Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção do Imposto de Renda na Fonte”, cuja maioria constou nas DIRF entregues por terceiros (fls. 209224, 250275); Na “Demonstração de Resultado” (ficha 06B) da DIPJ de 31.12.03, o contribuinte não declarou nada de “Juros de Capital Próprio” pagos (L06B/45) e declarou “Receitas de Juros de Capital Próprio” (L06B/37) no total de R$ 2.756.482,66 (fl. 152). No entanto, na Ficha 43 – Demonstrativo do Imposto de Renda na Fonte, o banco declarou R$ 7.363.850,77 de rendimentos sob o mesmo código 5706(fls. 205208); Intimada, a fiscalizada apresentou cópia do Livro de Apuração do Lucro Real – Lalur – Parte A, na qual consta que, em 31.12.03, incluiu R$ 5.102.479,13 como Outras Adições de Receita de Juros sobre Capital Próprio na Base de Cálculo. E, em 30.09.04, deduziu o mesmo valor como Outras Exclusões de Receita de JCP Tributada em Exercícios Anteriores (fls. 299 305); Comparando o IRRF declarado nas Fichas 11, 12 e 43 das DIPJ, relativas aos Períodos de Apuração de 01.01.03 a 31.05.03 e de 01.06.03 a 31.12.03 (fls. 151157, 205208, 294 295), com as DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte entregues por terceiros, relativas ao ano 2003, por meio Fl. 533DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000113/200754 Acórdão n.º 1802001.674 S1TE02 Fl. 532 5 do sistema Dossiê Integrado (fls.209224), e com os comprovantes apresentados pelo contribuinte em 12.11.08 (fls. 250284), observamos algumas discrepâncias: No comprovante da “Tele Centro Oeste Celular Participações S.A.” CNPJ nº 02.558.132/000169, incluíramse os rendimentos e o IRRF relativo ao ano 2002 – R$ 4.334,74. Logo, reconhecemos apenas os R$ 17.818,00 que constou no comprovante e na DIRF relativos ao ano de 2003 (fls. 212, 276277); O comprovante e a DIRF da “Cia Energetica Minas Gerais” – CEMIG – CNPJ nº 17.155.730/000164 conferem, mantendose, portanto, o valor neles declarado de R$ 12.604,50 (fls. 216, 283284); No comprovante da “Telemar Norte Leste S/A RJ” – CNPJ nº 33.000.118/000179, foram declarados rendimentos líquidos no total de R$ 27.730,36, que correspondem a R$ 4.893,59 de IRRF. Na DIRF foi declarado R$ 4.893,55. Contudo, na DIPJ de 31.05.03, já havia sido deduzido R$ 4.776,46, restando apenas R$ 117,13 dedutíveis (fls. 219, 280281, 294295); Num quarto caso, o imposto – R$ 1,99, que deveria ter sido retido pela “Cia de Cimentos do Brasil” – CNPJ nº 10.919.934/000185, não constou em DIRF (fls. 216, 278 279); Na Ficha 43, consta mais R$ 9.237,81 declarado sob o código 8045 itens 0013/0032 e 0029/0032 e R$ 2.400,00, sob o código 1708 – item 0021/0032 (fls. 205208, 216, 220, 223, 257,264,272); De acordo com a documentação apresentada pelo interessado, poderia ter sido deduzido R$ 13.498,89 a título de IRRF por Órgão Público Federal – L11/09 e L12/09 (fls. 242, 246249); Portanto, a título de IRRF, IRRF por Órgão Público Federal e Imposto de pago no Exterior podia ser deduzido apenas R$ 1.119.801,87. Dessa forma, deve ser corrigida a apuração do saldo negativo de IRPJ em 31/12/2003, da seguinte forma: ITEM DIPJ DIPJ AJUSTADA Estimativa Compensada Imposto pago no Exterior IRRF IRRF – Órgão Público () IRPJ Devido Ded. Incentivos Fiscais (=) SN IRPJ31/12/2003 756.337,63 915.671,76 203.375,90 9.594,04 1.884.979,33 (440.632,63) 10.911,18 1.455.257,88 756.337,63 0,00 1.106.302,98 13.498,89 1.876.139,50 (440.632,63) 10.911,18 1.446.418,05 Fl. 534DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 2.2 Quanto aos débitos, informa a autoridade administrativa que apreciou os PerDComp que: Embora a contribuinte tenha declarado na PerDComp n° 17483.06675.290704.1.3.027207, retificada pela PerDComp n° 42538.15858.270906.1.7.026935, que a estimativa de IRPJ relativa a Fevereiro/04 vencesse em 29.07.04 (fls. 10,20), tal débito vencia, de fato, em 31.03.04. Tanto assim, que o próprio banco incluiu juros de mora devidos no período de Abril a Julho/04 – R$ 10.058,53 (4,64% s/ o valor principal R$ 216.778,59). Mas não incluiu a multa de mora devida – R$ 43.355,72 (fl. 138); Em 03.11.08, o P.A.F. nº 19740.0002771200439 foi juntado a este processo, por tratar mesma PerDComp nº 17483.06675.290704.1.3.027207. Na primeira folha desse processo, de 09.08.04, o banco declara que compensou a estimativa de Fevereiro/04 “com atraso em 29/07/2004”, “sem o pagamento de multa, em função do benefício concedido pelo art. 138 do “CTN”. A mesma alegação fora emitida neste processo, em 03.09.08 (fl. 127, 138139); Na DCTF original (de 13.05.04) e nas 1ª e 2ª retificadoras (de 29.07.05 e 22.11.07), a contribuinte declarou que a estimativa de Fevereiro/04 era R$ 1.360.415,53 e que fora liquidada por pagamento. Apenas após ter sido intimado a esclarecer a divergência entre a DCTF e a PerDComp, em 11.08.08 (fl.122), alterou o valor do débito para R$ 1.577.194,12, na 3ª retificadora da DCTF (de 10.10.08), declarando que a diferença deveria ser compensada pela PerDComp nº 17483.06675.290704.1.3.027207 (fls. 285291); Ressaltese, ainda, que ambos os débitos compensados com o SN IRPJ 31.12.03, são estimativas que compõe o SN IRPJ – 30.09.04 (P.A.F. 16327.001380/200651); com o qual, por sua vez, foram compensadas as estimativas de IRPJ e CSLL de Outubro/04 e a Cofins de Março/05 do Banco Itaú S/A (sucessor por cisão parcial). 2.3 Sob o tópico “Fundamentação Legal” a autoridade fiscal que apreciou as Dcomps baseouse no art. 61 da Lei nº 9.6430 (sic), de 1996, nos arts. 136 a 138 do Código Tributário Nacional (CTN), na jurisprudência e na doutrina, para demonstrar que a multa de mora não pode ser afastada pelo simples recolhimento em atraso, sob a alegação de que configuraria denúncia espontânea. Para aferição e reconhecimento de direito creditório e de saldo negativo de imposto de renda, reportase a autoridade fiscal aos artigos 2º, 6º e 74 da Lei nº 9.430, de 1996; aos arts. 218, 229 e 231 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3000, de 1999 (RIR/99); 165, inciso I, 168, inciso I, e 170 do CTN; e art. 21 da IN SRF nº 210, de 2002. 2.4 A interessada tomou ciência do Despacho Decisório em 26/03/2009, conforme Aviso de Recebimento – AR de fl. 339. 3. Em sua Manifestação de Inconformidade (fls. 340/348), protocolizada em 24/04/2009, a contribuinte requer a reforma do Despacho Decisório para que seja homologada a Fl. 535DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000113/200754 Acórdão n.º 1802001.674 S1TE02 Fl. 533 7 compensação vinculada ao PER/DCOMP nº 42538.15858.270906.1.7.026935. 3.1. Ao descrever os fatos, expõe que, conforme demonstrativo de fls. 374/376, o débito em cobrança (R$ 52.935,46) é composto de R$ 9.579,75 (R$ 8.839,84 do IRF glosado mais a atualização de R$ 739,91, até julho/04 que foi a data da compensação), mas R$ 43.355,71 correspondente à multa de mora compensada pela DEINF/SP no PER|DCOMP nº 17483.06675.290707.1.3.02 7207, retificado pelo PER|DCOMP nº 42538.15858.270906.1.7.026935. 3.1.1. Informa que, relativamente à glosa de IRRF no valor de R$ 9.579,75, a Manifestante efetuou o seu recolhimento, conforme documentos e guia anexa (docs de fls. 377/379); 3.1.2. Registra ainda que a Manifestação de Inconformidade prestase a demonstrar a espontaneidade do pagamento/compensação que afastaria a multa de mora, nos termos do artifgo (sic)138 do CTN. 3.2 Quanto ao direito, defende a impossibilidade de exigência da multa de mora, expondo que: * o débito de IRPJ, no valor de R$ 1.577.194,12, competência fevereiro /2004, foi quitado da seguinte forma: R$ 1.360.415,53, pago em DARF e R$ 216.778,59, quitado através do PER/DCOMP nº 17483.06675.290705.1.3.027207, transmitido em 29/07/2004 (doc. Fls. 380/387), ou seja, antes da prática de qualquer ato de fiscalização por parte da Receita Federal. Tal PER|DCOMP foi posteriormente retificado pelo PER/DCOMP nº 42538.15858.270906.1.7.026935 (doc. fls. 388/398); * na ocasião em que houve esse pagamento, via PER/DCOMP, o débito de IRPJ não havia sido declarado, conforme demonstram os documentos anexos, quais sejam: as DCTFs original e retificadoras, transmitidas em 13/05/04,26/07/05 e 22/11/07, nas quais não consta o débito (docs. de fls. 399 a 4100 e a DCTF retificadora onde consta o débito entregue à Receita Federal em 10/10/08 (doc. 411/414). Em 03/09/08, a Manifestante protocolou junto à autoridade competente, o comunicado sobre o pagamento espontâneo (doc. 415/418); * Contudo, neste pagamento, via compensação, ainda que intempestivo, não foi pago o valor relativo à multa moratória, uma vez que realizado com fundamento no art. 138 do Código Tributário Nacional, que prevê a exclusão da responsabilidade do contribuinte pela infração tributária cometida, caso dele a denuncie espontaneamente, antes de qualquer fiscalização da autoridade administrativa; * do art. 138 inserto na Seção IV, do CTN, que dispõe sobre a responsabilidade tributária por infrações à legislação tributária, vêse claramente que, à exceção dos juros de mora, nenhum outro ônus pode recair sobre o contribuinte que denunciou Fl. 536DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 espontaneamente seu débito e que, consequentemente, teve excluída a responsabilidade pela infração cometida; * o artigo 138 do CTN visa privilegiar os contribuintes que, agindo de boafé, dirigemse à Fazenda Pública e se dispõem a pagar tributos indiscutivelmente devidos – e já vencidos – não obstante ainda não terem sofrido qualquer tipo de fiscalização; * A intenção do legislador nestes casos, é justamente beneficiar aqueles que, antes de qualquer procedimento fiscalizatório, denunciam deliberadamente seus débitos, pagandoos; * reportandose à doutrina e a excertos e ementas de julgados, conclui restar evidente a ilegalidade da imposição da multa no presente caso, seja ela moratória ou punitiva, razão pela qual, requer o acolhimento da presente Manifestação de Inconformidade e reforma da decisão proferida pela DEINF/SP. Naquela oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade, conforme sintetizado pela seguinte ementa (efls 439): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2003 IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. Constatado que o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003 é menor que o declarado, deve a compensação pretendida ser homologada até o montante do crédito tributário reconhecido. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. A multa de mora é devida sempre que o pagamento/ a quitação de tributo ou contribuição se der após o vencimento. O instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do CTN, aplicase apenas às penalidades de natureza punitiva, não às de natureza moratória. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com a manutenção integral da exigência, da qual foi intimado em 14/02/2012, apresentou recurso voluntário em 15/03/2013, alegando em apertada síntese que possui a integralidade do direito creditório pleiteado e que, não havendo declarado o débito quando efetuou o pagamento, possui direito às benesses da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN. É o relato do essencial. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000113/200754 Acórdão n.º 1802001.674 S1TE02 Fl. 534 9 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Voto Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche aos requisitos de admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento. Como se extrai do relatório, a recorrente argui possuir saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 2003 no montante de R$ 1.455.257,88. A autoridade fiscal, porém, apurou um saldo negativo de R$ 1.446.418,05. Tal divergência se deve ao fato de que alguns recolhimentos a título de IRRF, IRRF por Órgão Federal e Imposto pago no Exterior que serviram de soma no saldo negativo anual do IRPJ apurado pela recorrente não foram devidamente consolidados pelos sistemas da Receita Federal, conforme quadro constante no relatório e que colaciono novamente a seguir: ITEM DIPJ DIPJ AJUSTADA Estimativa Compensada Imposto pago no Exterior IRRF IRRF – Órgão Público () IRPJ Devido Ded. Incentivos Fiscais (=) SN IRPJ31/12/2003 756.337,63 915.671,76 203.375,90 9.594,04 1.884.979,33 (440.632,63) 10.911,18 1.455.257,88 756.337,63 0,00 1.106.302,98 13.498,89 1.876.139,50 (440.632,63) 10.911,18 1.446.418,05 Deste fato, a recorrente procedeu ao pagamento do montante da diferença via DARF, conforme consta o comprovante de pagamento às efls. 506, efetuando o recolhimento de R$ 9.579,75 com as devidas atualizações, sob o seguinte argumento constante em seu recurso: Devido ao fato da Recorrente ter utilizado parte do seu saldo negativo, para compensar um débito de fevereiro, foi adotado o procedimento de atualizar a diferença obtida até julho de 2004, sendo devido o montante de R$ 9.579,72, que fora quitado via DARF (doc. 5) Descrição R$ Saldo Negativo Banerj 1.455.257,88 Saldo Negativo RFB 1.446.418,05 Montante Devido (8.839,83) Selic 8,37% Atualização Selic (739,89) Total (9.579,72) Assim, a parte do saldo negativo que não restou homologada pela autoridade fiscal, foi devidamente recolhida em DARF, não havendo mais litígio no que tange a este fato. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000113/200754 Acórdão n.º 1802001.674 S1TE02 Fl. 535 11 De outra sorte, persiste a questão com relação ao débito compensado, onde a recorrente registra no sistema PER/DCOMP, sem o cômputo da multa de mora (percentual de 20%) o débito, alegando possuir direito ao instituto da denúncia espontânea. Ora, para aproveitamento do instituto da denúncia espontânea, devese atentar ao que já sumulado pelo Superior Tribunal de Justiça: Súmula n° 360. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo.(Grifase) Assim, caso os débitos estejam regularmente declarados e pagos a destempo, fora do prazo, não cabe as benesses desse instituto. Nesse sentido é a decisão do Recurso Especial representativo da controvérsia (art. 543C do CPC) emitido pelo STJ: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). Fl. 540DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) Este também já foi o entendimento desta Turma, de que o instituto da Denúncia Espontânea tem cabimento na hipótese do débito não estar declarado, conforme colaciono a seguir: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTOS OCORRIDOS ANTES DE DECLARADOS EM DCTF E ANTES DO INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CABIMENTO. O pagamento de tributos sujeitos a lançamento por homologação feito em atraso, desde que não confessados em instrumento próprio e desde que ocorrido antes de iniciado procedimento fiscal tendente a consolidar o lançamento, estão albergados pelo instituto da denúncia espontânea. Inteligência do art. 138 do Código Tributário Nacional. Precedentes do STJ. (Acórdão nº 1802001.319, Processo 10070.000013/200793, Relator Conselheiro Marciel Eder Costa, 2ª Turma Especial, 2ª Câmara, 1ª Seção de Julgamento, CARF/MF/DF, julgado em 07.08.2012) Fl. 541DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 19740.000113/200754 Acórdão n.º 1802001.674 S1TE02 Fl. 536 13 In casu, a recorrente narra que os débitos não estavam declarados quando da compensação efetuada, juntando ao Recurso (efls 457), planilha elucidativa onde demonstra que a entrega da DCTF que alterou o valor devido, ocorreu em 10/10/2008, ou seja, depois da entrega da respectiva DCOMP retificadora (27/09/2006) – DCOMP nº 42538.15858.270906.1.7.026935. Em análise da documentação juntada pela recorrente, identificase a consonância de sua descrição no Recurso com as provas. Às efls 512, 516 e 520, constam as DCTF entregues em 22/11/2007, 26/07/2005 e 13/05/2005 respectivamente, registrando um saldo devedor de IRPJ para o 1º trimestre de 2004, no valor de R$ 7.036.351,17. O valor de R$ 7.253.129,76 (ou seja, 216.778,59 a mais) veio a constar somente na DCTF entregue em 10/10/2008. Portanto, em análise probatória, logra êxito a recorrente em demonstrar a denúncia espontânea em relação à DCOMP original nº 17483.06675.290704.1.3.027207, retificada pela DCOMP 42538.15858.270906.1.7.026935, cujo débito é o de IRPJ Código 23191, período de apuração de Fevereiro de 2004, devendose tão somente alterar a data de vencimento do referido tributo declarado em DCOMP para 31/03/2004, não havendo o que se considerar a multa moratória, no montante de R$ 226.837,12 (valor atualizado somente pelos juros SELIC). Vale como fecho, em virtude da sustentação da exigência por este argumento na instância administrativa anterior, destacar que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2113/2011, entendeu pela inexistência de distinção entre multa moratória e multa punitiva, devendo ambas serem excluídas em caso de configuração da denúncia espontânea. Tal fato se deve à pacificação do entendimento nas decisões junto ao STJ, de que, não há distinção entre ambas. Apenas por citar, colaciono uma das decisões citadas no parecer: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. EXCLUSÃO. 1. O art. 138 do CTN não estabelece distinção entre a multa moratória e a punitiva, de modo que ambas são excluídas pela denúncia espontânea. Precedentes. 2. Recurso especial não conhecido. (REsp – RECURSO ESPECIAL – 922206, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJE DATA: 22/08/2008). Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa Relator Fl. 542DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 12/07/2013 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10980.918867/2008-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
O despacho que indeferir pedido de compensação/ressarcimento deve ser motivado. A falta da motivação ou fundamentação implica em preterição do direito de defesa do contribuinte.
Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal.
É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa.
MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. PROVAS. NECESSIDADE.
No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos (art. 29 do Decreto no 70.235/1972), o julgador forma livremente o seu convencimento, porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados.
Trata-se de um sistema misto no qual o órgão julgador não fica adstrito a critérios valorativos prefixados em lei, antes, tem liberdade para aceitar e valorar a prova, desde que, ao final, fundamente sua convicção. E mais, a fundamentação deve ser clara o suficiente para que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 3202-000.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em anular o processo, a partir do Despacho Decisório, inclusive.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Correa.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. O despacho que indeferir pedido de compensação/ressarcimento deve ser motivado. A falta da motivação ou fundamentação implica em preterição do direito de defesa do contribuinte. Os princípios do contraditório e da ampla defesa se traduzem, por um lado, pela necessidade de se dar conhecimento da existência dos atos do processo às partes e, de outro, pela possibilidade das partes reagirem aos atos que lhe forem desfavoráveis no processo administrativo fiscal. É invalido o despacho decisório proferido em desobediência ao ditame constitucional do contraditório e da ampla defesa. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. PROVAS. NECESSIDADE. No sistema do livre convencimento motivado, adotado em nosso ordenamento jurídico, inclusive nos processos administrativos (art. 29 do Decreto no 70.235/1972), o julgador forma livremente o seu convencimento, porém dentro de critérios racionais que devem ser indicados. Tratase de um sistema misto no qual o órgão julgador não fica adstrito a critérios valorativos prefixados em lei, antes, tem liberdade para aceitar e valorar a prova, desde que, ao final, fundamente sua convicção. E mais, a fundamentação deve ser clara o suficiente para que não seja cerceado o direito de defesa do contribuinte. Processo Anulado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 88 67 /2 00 8- 46 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.918867/200846 Acórdão n.º 3202000.734 S3C2T2 Fl. 87 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em anular o processo, a partir do Despacho Decisório, inclusive. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Correa. Relatório O presente processo trata de Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI relativo ao 2º trimestre de 2004 (nºs 0693.676581.160704.1.1.011509 e 05310.11602.081004.1.1.011457), cumulado com Declaração de Compensação nº 28423.50531.151004.1.3016461 (cf. cópias às efls. 38/ss), onde o contribuinte pretende compensar débitos do PIS, para o período de apuração 09/2004, no valor de R$ 86.022,61. Por meio do Despacho Decisório eletrônico nº de rastreamento 804825420, de 07/11/2008 (efl. 37), a DRF – Curitiba homologou parcialmente a compensação declarada, no valor de R$ 45.961,97. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (efls. 01/ss), sendo então os autos encaminhados à DRJ – Ribeirão Preto. Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevese o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Relatório Em 07/11/2008, foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 35 (cópia), que reconheceu integralmente o montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 45.961,97 referente ao 2° trimestrecalendário de 2004, mas homologou parcialmente a compensação declarada em PERIDCOMP. O estabelecimento filial de CNPJ n° 33.033.028/008754 é o detentor do crédito. O processo em apreciação tem protocolo de 05/11/2008. São indicados os seguintes valores no saldo devedor consolidado: principal R$ 40.060,64, multa R$ 8.012,12, juros R$ 22.574,17. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.918867/200846 Acórdão n.º 3202000.734 S3C2T2 Fl. 88 3 Os detalhamentos da análise do crédito e da compensação e saldo devedor, presentes no sitio da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil, se encontram as fls. 47/49 (cópias). Inconformada com a decisão administrativa cientificada em 20/11/2008 conforme anotação na cópia desta à fl. 35, a requerente apresentou, em 22/12/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 01/18, subscrita pelo patrono da empresa munido da procuração de fl. 20, em que, em resumo, sustenta a nulidade da decisão, pois, embora o direito creditório tenha sido reconhecido, não há motivo explicitado para o indeferimento parcial da compensação declarada, sendo que o principio constitucional da ampla defesa não pode ser vulnerado, conforme doutrina aduzida; inexiste prova material nos autos contra os interesses da requerente; a compensação no valor de R$ 86.022,61, regular, foi declarada e transmitida em 15/10/2004, tendo sido transmitidos dois pedidos de ressarcimento: 303693.67658.160704.1.1.011509, R$ 45.961,97, 16/07/2004; 05310.11602.081004.1.1.011457, R$ 40.060,64, 08/10/2004; na existência de créditos do contribuinte, a Administração Pública deve efetuar compensações de oficio; por fim, requer o reconhecimento das preliminares arguidas, tendo em vista a inexistência de fundamentação do ato decisório e a ausência de provas, ou que seja, reformada a decisão proferida com a admissão da compensação, devendo ser admitidas todas as provas necessárias à comprovação das alegações, inclusive documentais e periciais. A 2ª. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, proferindo o Acórdão nº 1434.547 (efls. 52/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004a 30/06/2004 PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS ACIMA DO LIMITE DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. É passível de cobrança administrativa a parcela do débito de tributo compensada em montante superior ao limite do direito creditório reconhecido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste vulneração do direito de defesa se os demonstrativos de apuração que acompanham o ato decisório vergastado forem suficientes pra a compreensão da motivação deste. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.918867/200846 Acórdão n.º 3202000.734 S3C2T2 Fl. 89 4 Tendo em vista a superveniência da Preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, documentais ou periciais, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça de defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. A Recorrente foi cientificada do Acórdão em 21/09/2011 (efl. 61). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa interpôs Recurso Voluntário em 21/10/2008 (efls. 62/ss) onde alega, em apertada síntese: em preliminares: (i) o despacho eletrônico é nulo por ausência de motivação, uma vez que desconsiderou a DCOMP formulada pela Recorrente, sem checar a veracidade material das informações ali prestadas, denotando carência da necessária motivação dos atos administrativos; (ii) a inexistência de produção de prova contra a Recorrente, pelo fato do despacho decisório ter sido emitido sem estar amparado por qualquer prova relacionada a suposta inexistência dos créditos ofertados pela contribuinte à compensação. no mérito: (i) afirma que detém créditos suficientes e disponíveis para realizar a compensação mencionada, entretanto, ao realizar o preenchimento da DCOMP, equivocadamente, informou como origem do crédito no campo “PER/DCOMP Inicial” com o Pedido de Ressarcimento nº 30693.67658.160704.1.1.011509 (crédito do IPI no montante de R$ 45.961,97) e o campo “último PER/COMP” com o número do Pedido de Ressarcimento nº 05310.11602.081004.1.1.011457 (crédito de IPI no montante de R$ 40.060,64), os quais somados são suficientes para homologação total da compensação realizada. Entretanto, o sistema eletrônico da Receita Federal não localizou o pedido de ressarcimento realizado pelo PER 05310.11602.081004.1.1.011457, sendo que o crédito de ressarcimento deste PER também foi integralmente deferido pela Receita Federal, conforme extrato anexo ao Recurso; (ii) a fiscalização tem o dever de proceder as compensações de ofício quando da existência de créditos dos contribuintes. por fim, requer seja reformado o acórdão recorrido para o fim da homologação integral da declaração de compensação apresentada. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Assiste razão à Recorrente quando afirma que o despacho eletrônico é nulo por ausência de motivação. Vejamos. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.918867/200846 Acórdão n.º 3202000.734 S3C2T2 Fl. 90 5 O Despacho Decisório eletrônico nº de rastreamento 804825420, de 07/11/2008, indeferiu o pedido de ressarcimento com base na seguinte fundamentação (efl. 37): Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificada, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado R$ 45.961,97 Valor do crédito reconhecido: RS 45.961,97 O valor do credito solicitado/utilizado foi integralmente reconhecido. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 28423.50531.151004.1.3016461. Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 30633.67658.160704.1.1.01 1509 Valor devedor consolidado corresponde aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 28/11/2008. Deste modo, assim como a Recorrente, este Relator também não conseguiu decifrar como se chegou à constatação de que “o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo”. Qual o fundamento para essa afirmação? Quais os elementos probantes que embasaram esta assertiva? Qual foi a motivação para não aceitar os dois Pedidos de Ressarcimento de Créditos do IPI relativo ao 2º trimestre de 2004 nºs 0693.676581.160704.1.1.011509 e 05310.11602.081004.1.1.011457? (verificase nos autos que somente o primeiro PER foi aceito para compensar o tributo devido, mas não o segundo). Ressaltese que não se está aqui afirmando que o Recorrente tem ou não direito ao ressarcimento em relação ao segundo PER (nº 05310.11602.081004.1.1.011457), mas sim que não está plenamente fundamentado o despacho eletrônico da DRFCuritiba que denegou o pedido do contribuinte. Desta feita, entendo estar plenamente caracterizado o cerceamento do direito de defesa do contribuinte, o que implica na nulidade do Despacho Decisório da DRF – Curitiba, nos termos do que prescreve o inciso II do artigo 59 do Decreto 70.235/72 (PAF – Processo Administrativo Fiscal), verbis: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente e ou com preterição do direito de defesa. O contribuinte tem o direito constitucional (art. 5º, inciso LV, CF/88) de saber qual o motivo do indeferimento de seu pedido, até mesmo para poder elaborar sua defesa e apresentar sua versão dos fatos, contradizendo as alegações do Fisco. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.918867/200846 Acórdão n.º 3202000.734 S3C2T2 Fl. 91 6 O direito ao contraditório é o exercício da dialética processual, implica no direito que tem as partes de serem ouvidas nos autos, devendo o processo ser marcado pela bilateralidade da manifestação dos litigantes. Seu desígnio é oportunizar direito à parte demandada de ser informada a respeito do que está sendo alegado pelo demandante, a fim de que possa produzir defesa de qualidade e indicar prova necessária, lícita e suficiente para alicerçar sua peça contestatória. A ampla defesa também está intimamente ligada a outro princípio constitucional mais abrangente, qual seja o devido processo legal, pois é inegável que o direito a defenderse amplamente implica consequentemente na observância de providência que assegure legalmente essa garantia. Com o desiderato de dar cumprimento ao princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, o Despacho Decisório deveria ter demonstrado como chegou à conclusão apontada em seu texto, ou seja, deveria explicitar a motivação da decisão tomada, pois assim não fazendo, correse o risco do arbítrio, do subjetivismo, o que não se pode permitir. Conhecendose a motivação da decisão proferida, podem todos dela tomar conhecimento e concluir ter sido proferida em conformidade com a lei e as provas, concordando com ela, ou em caso contrário, apresentar suas razões de discordância. Neste sentido, no meu entender, o Despacho Decisório ao não explicitar o motivo pelo qual indeferiu o pedido de ressarcimento do contribuinte, é nulo por preterição do direito de defesa do contribuinte. O Despacho Decisório (emitido eletronicamente, portanto, sem maiores verificações dos fatos alegados) resignouse, apenas, em afirmar “o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados”, e mais nada! Não apontou elementos de prova para corroborar esta afirmação. As provas são dirigidas ao julgador que formará livremente sua convicção. Cabe às partes em litígio, Fisco e contribuinte, ao fazerem suas alegações e afirmações apresentarem as provas que as estribam. Devem demonstrar os fatos que alegam de forma a esclarecer o julgador, proporcionandolhe o conhecimento dos mesmos. A aplicação do direito ao caso concreto, para a solução do litígio, será efetuada a partir do conhecimento que se tem sobre os fatos ocorridos, que devem ser trazidos ao processo por meio das provas. Neste sentido afirmam Marinoni e Arenhart (A prova. 2ª. edição. Editora RT, São Paulo. p. 28) “o chamado ‘juízo de subsunção’ representa essa ideia: tomar o fato ocorrido no mundo físico e a ele dar a regra abstrata e hipotética prevista no ordenamento jurídico”. Destarte, diante de tudo o que foi exposto, acolhese a preliminar de cerceamento do direito de defesa por falta de fundamentação do Despacho Decisório da DRF – Curitiba e assim voto por declarar a nulidade do processo a partir do Despacho Decisório eletrônico nº de rastreamento 804825420, de 07/11/2008 (efl. 37), inclusive. O processo deverá retornar a DRF – Curitiba para que seja proferido novo Despacho Decisório. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 91DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10980.918867/200846 Acórdão n.º 3202000.734 S3C2T2 Fl. 92 7 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 07/06/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 15374.724414/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/01/2006
AÇÕES. AQUISIÇÃO COMO INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. VENDA. NATUREZA DA RECEITA.
Ações adquiridas e mantidas no patrimônio do adquirente até o fim do exercício seguinte devem ser escrituradas no ativo permanente e a receita de sua venda, quando ocorrer, é receita não-operacional e, como tal, não integra a base de cálculo da Cofins.
AÇÕES. AQUISIÇÃO E POSTERIOR REVENDA. NATUREZA DA RECEITA.
Ações adquiridas e revendidas até o final do exercício seguinte ao da aquisição deve ser escriturada no ativo circulante e a receita de sua venda é receita operacional e integra a base de cálculo da Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Gileno Gurjão Barreto, que negava provimento. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 29/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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AQUISIÇÃO COMO INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. VENDA. NATUREZA DA RECEITA. Ações adquiridas e mantidas no patrimônio do adquirente até o fim do exercício seguinte devem ser escrituradas no ativo permanente e a receita de sua venda, quando ocorrer, é receita nãooperacional e, como tal, não integra a base de cálculo da Cofins. AÇÕES. AQUISIÇÃO E POSTERIOR REVENDA. NATUREZA DA RECEITA. Ações adquiridas e revendidas até o final do exercício seguinte ao da aquisição deve ser escriturada no ativo circulante e a receita de sua venda é receita operacional e integra a base de cálculo da Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Gileno Gurjão Barreto, que negava provimento. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 44 14 /2 00 9- 01 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724414/200901 Acórdão n.º 3302002.055 S3C3T2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 29/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 26/07/2006 a empresa BNDES PARTICIPAÇÕES S/A BNDESPAR apresentou PER/DCOMP pleiteando a restituição de Cofins recolhido no dia 13/01/2006, relativo ao período de apuração de dezembro de 2005, alegando que havia incluído na base de cálculo da exação o valor da receita decorrente da venda de bens registrado no ativo permanente (ações) que, nos termos da Solução de Consulta SRRF 7ª RF nº 36/06, não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. A Demac/RJ indeferiu o pedido da recorrente, alegando que a receita da venda de ações realizada pela Recorrente é receita operacional, conforme Parecer Conclusivo nº 64/2011 (fls. 217/226) e Despacho Decisório de fl. 227. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 237/268, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 4a Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro RJ indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1340.617, de 02/03/2012, cuja ementa abaixo transcrevo: COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. A alienação de participação societária com características que atendem o objeto social da sociedade integra a sua receita operacional, sujeitandose à norma de incidência da Cofins. SOLUÇÃO DE CONSULTA. Não se aplica o disposto em solução de consulta quando esta versar sobre fato diverso do que se apresenta no contencioso. RESULTADO DE ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. RECEITA FINANCEIRA. Não se considera receita financeira o resultado de alienação de ações, quando decorrentes da atividade principal da sociedade. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A apresentação de manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos objeto de compensação. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724414/200901 Acórdão n.º 3302002.055 S3C3T2 Fl. 4 3 A empresa interessada tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 25/04/2012, conforme AR de fl. 404, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 24/05/2012, com o recurso voluntário de fls. 406/443, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade sobre a natureza da receita auferida, em dezembro de 2005, com a venda de ações registradas no ativo permanente, adquiridas até o ano de 2003, exatamente como decidido pela SRRF 7ª RF em solução de consulta formulada pela Recorrente, na qual ficou decidido que a receita com a venda de ações contabilizadas no ativo permanente, formado até 06/08/2001, não integra a base de cálculo da Cofins (fls. 76/84). Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais de admissibilidade. Dele se conhece. Como relatado, a empresa recorrente efetuou a venda, em dezembro de 2005, de ações. Tais ações foram adquiridas entre junho de 1998 e dezembro de 2004, estando registradas no ativo permanente da Recorrente. O parágrafo 33 do Parecer Conclusivo nº 64/2011, de 13/06/2011, da Diort/Demac/RJ concluiu que a receita auferida pela recorrente com a venda dessas ações integra a base de cálculo da Cofins não cumulativa, nos seguintes termos: Neste ponto, é importante referir que as receitas de participação societária ora analisadas são classificáveis no Ativo Circulante ou no Ativo Realizável a longo prazo, de conformidade com a orientação expedida pela CVM através do PO CVM nº 17/89, nos estritos termos do artigo 179 da Lei 6.404/76, e tidas como receitas operacionais nos termos da NPC nº 14 do IBRACON estão enquadradas na base de cálculo da COFINS não cumulativa determinada conforme o artigo 1º da Lei nº 10.833/2003, não havendo como enquadrálas no inciso II do § 2º, visto que são RECEITAS OPERACIONAIS. (grifos do original) Em sentido oposto a Difis/Demac/RJ, ao lavrar o Termo de Verificação Fiscal de fls. 342/352 (Processo nº 16682.720184/201016), relativo ao auto de infração de PIS e Cofins do mês de outubro/2005, concluiu que a receita da vendas das ações em tela, estas constantes do ativo permanente da recorrente, não integrava a base de cálculo do PIS e da Cofins. Diz a autoridade lançadora (fl. 351): Fl. 489DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724414/200901 Acórdão n.º 3302002.055 S3C3T2 Fl. 5 4 Em Novembro/2005, a receita bruta de venda de ações foi de R$ 42.478.400,00, e em Dezembro/2005, de R$ 269.467.163,97, sendo que todas as participações alienadas em Novembro/2005 e Dezembro/2005 estavam registradas no Ativo Permanente, razão pela qual as receitas correspondentes não integram as bases de cálculo de PIS e COFINS. (grifei). Por outro lado, a decisão recorrida foi tomada por maioria de votos, sendo vencido o julgador relator, Togo Paulo Penna Ricci, que julgava procedente a manifestação de inconformidade. Pois bem. Vamos aos fatos. Em dezembro de 2005, a recorrente vendeu ações da CCR (adquiridas em janeiro de 2002), da CELULAR CRT (adquiridas em março de 2003), da NET (adquiridas em agosto de 2002), da TELE SUDESTE CEL (adquiridas em dezembro de 2004), da TELEST CEL (adquiridas em julho de 2002) e da TRACTEBEL (adquiridas em junho de 1998), todas registradas no seu ativo permanente, conforme Termo de Verificação Fiscal lavrado pela Difis da Demac/RJ (vide fls. 340/352). No dia 13/12/2005 a recorrente efetuou a venda de ações adquiridas até o dia 06/08/2001, integrante de seu ativo permanente (participação societária permanente), e formulou consulta à RFB sobre a forma de tributar esta operação, quanto ao PIS e à Cofins. A resposta veio através da Solução de Consulta SRRF/7ªRF/DISIT Nº 36/06, de 06/02/2006, nos seguintes termos: 39. A receita decorrente da alienação, em 13 de dezembro de 2005, de participação societária permanente, formada até 06 de agosto de 2001, é não operacional, decorrente da venda de ativo permanente. Dessa forma, tal receita não integra as bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins A resposta dada a solução de consulta válida é de aplicação obrigatória por parte do contribuinte e da própria RFB. Neste passo, não há como pretender, sob qualquer pretexto, incluir na base de cálculo da Cofins a receita da venda das ações da TRACTEBEL, adquiridas em junho de 1998 e vendidas exatamente no dia 13/12/2005 e, também, no dia 27/12/2005, no valor de R$ 208.000.000,00 (duzentos e oito milhões de reais) e R$ 31.200.000,00 (trinta e um milhões e duzentos mil reais), respectivamente. O pagamento de Cofins sobre esta receita é indevido. Sobre a escrituração “correta” das operações de aquisição das ações objeto deste processo, não há como concordar com a tese do Parecer Conclusivo nº 64/2011, à exceção das ações da TELE SUDESTE CEL, adquiridas em dezembro de 2004 e vendidas em dezembro de 2005, que pode ser questionada. Como se disse nas soluções de consultas citadas no Voto Vencido da decisão recorrida, a manutenção de investimentos até o fim do exercício seguinte ao de sua aquisição caracteriza a intenção do investimento permanente. Ou seja, no caso de aquisição de ações, descaracteriza a intenção de vendêlas, à época em que foram adquiridas. Nestas condições, correta a sua escrituração no ativo permanente. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724414/200901 Acórdão n.º 3302002.055 S3C3T2 Fl. 6 5 A possibilidade aventada pela Diort/Demac/RJ de a recorrente possuir uma carteira de ações destinadas a negociação em bolsa (o que é compatível com a sua atividade) não se confunde com a também possibilidade de a recorrente possuir investimentos permanente em companhias abertas ou fechadas, também compatível com seu objeto social. O Parecer Conclusivo da Diort/Demac/RJ não prova que as ações vendidas integravam carteira de ações destinadas à venda. O caráter subjetivo do destino de uma ação adquirida (investimento permanente ou revenda) desaparece se, na virada do ano seguinte ao de sua aquisição, o título ainda permanece em poder do adquirente e registrado no seu ativo (permanente ou circulante). Se na aquisição da ação a empresa escrituroua no ativo permanente, é porque a compra foi feita como investimento permanente. Se escriturou no ativo circulante é porque pretendia revender. Se a venda se realizar até o final do ano seguinte ao da aquisição, independente da intenção do adquirente (fator subjetivo) fica provado que a aquisição foi feita para revenda e, portanto, o registro correto da aquisição é no ativo circulante. Se a escrituração foi feita no ativo permanente, deve ser feito a retificação. No entanto, se venda ocorrer após o ano seguinte ao da aquisição, não há como contestar o lançamento contábil da aquisição no ativo permanente. Nesta hipótese, a receita da venda do título é, sim, receita da venda de bens do ativo permanente e, portanto, deve ser excluída da base de cálculo da Cofins. No caso dos autos, com exceção das ações da TELE SUDESTE CEL, as ações vendidas em dezembro de 2005 foram adquiridas entre junho de 1998 e março de 2003. Portanto, as vendas ocorreram a partir do segundo exercício seguinte ao da aquisição. Estando registradas a operações de aquisição no ativo permanente, a receita auferida é de venda de bens do ativo permanente. Como a Difis/Demac/RJ constatou, as ações estavam escrituradas no ativo permanente da Recorrente e a receita de sua venda deve ser excluída da base de cálculo da Cofins. O valor recolhido a título de Cofins sobre esta receita é um pagamento indevido. Para as ações da TELE SUDESTE CEL, adquiridas em dezembro de 2004 e vendidas em dezembro de 2005, a recorrente as escriturou no ativo permanente, evidenciando a sua intenção (fato subjetivo e sem prova) de aquisição como investimento permanente. A venda das ações, antes do encerramento do ano seguinte ao da aquisição, prova o contrário: as ações foram adquiridas para revenda. Nestas condições, e em perfeita sintonia com o objeto da social da recorrente, não há como classificar essa venda como sendo de bens do ativo permanente, mesmo estando registrado nesta rubrica. A bem da verdade material, a receita da venda destas ações é receita da venda de bens do ativo circulante e, portanto, deve ser incluída na base de cálculo da Cofins. Por fim, esclareçase que o valor do indébito deve ser apurado pela Receita Federal do Brasil, considerando as exclusões da base de cálculo determinadas neste acórdão. Do valor apurado, cabe contestação pelo rito do Decreto nº 70.235/72. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do voto vencido do acórdão de primeira instância. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15374.724414/200901 Acórdão n.º 3302002.055 S3C3T2 Fl. 7 6 Por tais razões, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer como nãooperacional, decorrente da venda de ativo permanente, a receita da venda de ações realizada em dezembro de 2005, exceto das ações da empresa TELE SUDESTE CEL. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Declaração de Voto Transcorrido o prazo regimental de 15 (quinze) dias do julgamento, o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto não apresentou sua declaração de voto, razão pela qual o acórdão foi formalizado sem a referida declaração de voto, conforme autoriza os §§ 7º e 8º, do art. 63, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/09, com alteração da Portaria MF nº 586/10). Fl. 492DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10167.001534/2007-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 25/09/2000 a 20/11/2006
NULIDADE.
É nula a decisão que deixa de examinar documentos essenciais para o
deslinde do processo juntados na impugnação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.598
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a
decisão de primeira instância.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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É nula a decisão que deixa de examinar documentos essenciais para o deslinde do processo juntados na impugnação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10167.001534/200799 Acórdão n.º 2402002.598 S2C4T2 Fl. 69 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento realizado em 05/03/2007. O lançamento constitui crédito sobre os segurados empregados em obra de construção civil de propriedade de pessoa física. O recorrente, na condição de proprietário, sustenta não ser o responsável pela obra, que seria o contratado pela construção em regime de empreitada. Seguem transcrições do relatório fiscal: Relatório Fiscal: O Débito foi apurado com base no Custo Unitário Básico (CUB) — Tabela elaborada pelo Sindicato da Construção Civil (SINDUSCON),e Aviso para Regularização de Obra (ARO), originário de informação contida na Solicitação de Pesquisa Externa a favor da, relativas As parcelas da empresa, desconto de segurados e terceiros, referente às contribuições devidas pelo construtor, pessoa física, quando da construção do imóvel acima identificado, com área construída de 784,05 metros quadrados , na competência inserida no discriminativo anexo. A decisão de primeira instância foi no sentido da procedência do lançamento: CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA FÍSICA. O responsável por obra de construção civil está obrigado a recolher as contribuições arrecadadas dos segurados e as contribuições a seu cargo, incidentes sobre a remuneração dos segurados utilizados na obra. AFERIÇÃO INDIRETA.CUB. A falha de apresentação de documentos enseja a apuração das contribuições devidas pelo construtor pessoa física por meio de Aferição Indireta com base no Custo Unitário Básico (CUB). JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamenta. ... Os argumentos do impugnante, no instrumento de defesa, não trouxeram aos autos elementos capazes de elidir o crédito previdenciário. O procedimento utilizado pela fiscalização foi o correto, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação, efetuou o lançamento fiscal, uma vez que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, do CTN). Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Contra a decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais: Argumenta que o lançamento é nulo em razão de erro na identificação do sujeito passivo, vez que deveria ter sido direcionado ao construtor da obra Eng°. Francisco Antônio Cassiano, por força de contrato de empreitada, o qual ficou responsável pelo pagamento de todas as obrigações previdenciárias e/ou contribuições sociais, alem de outras, originárias da construção de sua residência. Que a obra erguida no lote de terras de sua propriedade obedeceu a todos os padrões necessários à sua inteira regularidade, mormente pelo fato de não ser admitida nenhuma construção naquele condomínio, sem os devidos projetos, Alvarás de licença, Habitese, Anotações de Responsabilidade Técnicas, sendo que todas as exigências legais são rigorosamente fiscalizadas pelo próprio condomínio. Portanto junta os documentos de que dispõe atualmente que corroboram suas alegações e, em homenagem aos princípios da ampla defesa e do contraditório, protesta pela juntada posterior de outros que ficaram de posse do construtor da obra e que até a apresentação O recorrente apresentou Alvará de Construção, Anotações de Responsabilidade Técnica, Contrato de Empreitada com responsabilidade exclusiva do construtor e outros documentos. É o Relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10167.001534/200799 Acórdão n.º 2402002.598 S2C4T2 Fl. 70 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao seu exame. Verifico que a decisão reafirma o arbitramento por falta de documentos pela proprietária da obra; no entanto, em sede de impugnação foram trazidos documentos como contrato de empreitada com disposições que denotam a integral responsabilidade do construtor pela realização da obra e também outros que indicam o período de realização da obra. Quanto ao término da obra, informa a fiscalização a data 20/11/2006, fs. 23, mas não indica de qual documento extraiu a informação. Afora a sustentação de que o recorrente deixou de apresentar documentos a fiscalização, a decisão recorrida não se pronuncia sobre os documentos juntados na impugnação, apenas diz que: O responsável por obra de construção civil está obrigado a recolher as contribuições arrecadadas dos segurados e as contribuições a seu cargo, incidentes sobre a remuneração dos segurados utilizados na obra, no caso, o responsável é o próprio proprietário. Os argumentos do impugnante, no instrumento de defesa, não trouxeram aos autos elementos capazes de elidir o crédito previdenciário. O procedimento utilizado pela fiscalização foi o correto, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação, efetuou o lançamento fiscal, uma vez que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, do CTN). Assim, entendo que a decisão contém vício insanável de nulidade. Deixou de examinar os documentos que constituem a essência da discussão sobre a relação jurídico tributária e o critério de realização do lançamento. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 05/06/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16095.000200/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/04/2010
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - NFLD CORRELATAS
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores.
SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32-A da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte deixou de apresentar Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social - GFIP com as informações relativas a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa mais benéfica a ser aplicada, o disposto no art. 32-A, II da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do cálculo da multa a contribuição omitida em relação a desconsideração da condição de isenta da entidade, mantendo-se a aplicação da mesma em relação a contribuição dos segurados empregados. (Processo n. 16095.000205/2010-01 - Acordão n. 2401-002.650). II) Por maioria de votos, aplicar a regra mais benéfica ao contribuinte e limitar o valor da multa nos termos do art. 32-A, inciso II da Lei nº 8.212/91. Vencidos ao conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Elias Sampaio Freire, que aplicavam a regra do art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa no AI de obrigação principal correlata. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Igor Araújo Soares Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. Mesmo considerando o provimento do recurso em relação a condição de isenta, o que exclui a aplicação da multa sobre os fatos geradores da obrigação patronal, deve persistir a autuação em relação a multa pela omissão da contribuição dos segurados empregados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/04/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NFLD CORRELATAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 02 00 /2 01 0- 71 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 2 A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.941/09. FUNDAMENTO LEGAL A SER UTILIZADO PARA O CÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA APLICADA AO CONTRIBUINTE. INFORMAÇÕES EM GFIP. ART. 32 A da Lei 8.212/91. Em razão da superveniência da Lei 11.941/09, uma vez verificado que o contribuinte deixou de apresentar Guias de Recolhimento de FGTS e Informações a Previdência Social GFIP com as informações relativas a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, deve ser considerado, para fins de recálculo da multa mais benéfica a ser aplicada, o disposto no art. 32A, II da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do cálculo da multa a contribuição omitida em relação a desconsideração da condição de isenta da entidade, mantendose a aplicação da mesma em relação a contribuição dos segurados empregados. (Processo n. 16095.000205/201001 Acordão n. 2401002.650). II) Por maioria de votos, aplicar a regra mais benéfica ao contribuinte e limitar o valor da multa nos termos do art. 32A, inciso II da Lei nº 8.212/91. Vencidos ao conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Elias Sampaio Freire, que aplicavam a regra do art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa no AI de obrigação principal correlata. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Igor Araújo Soares – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16095.000200/201071 Acórdão n.º 2401002.808 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado sob o n. 37.227.3424, em desfavor da recorrente originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 06, constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas: A presente autuação referese a falta de informação em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e à informação incorreta que altera o valor das contribuições devidas. 2 A empresa declarase na GFIP com o FPAS 639 relativo a Entidade Filantrópica e Entidade Beneficente de Assistência Social ( isentas). Ocorre que a isenção de contribuições sociais a que a empresa fazia j u s , foi cancelada pelo ATO 21. 625/001/1999. 3 Dessa forma, embora a empresa declare as bases de cálculo relativas aos salários pagos aos seus empregados e os pagamentos efetuados aos contribuintes individuais, a informação do FPAS faz com que o sistema deixe de calcular as contribuições devidas referentes à parte da empresa e SAT, bem como, a própria empresa deixa de Incluir essas parcelas na informação do cálculo da contribuição devida, informando nesse campo somente o valor da contribuição descontada dos segurados, com as devidas deduções de SalarioFamilia e SalárioMaternidade. 4 A empresa deixou ainda de declarar em GFIP, os valores referentes às bolsas de estudo concedidas aos filhos e cônjuges de seus funcionários e professores, sendo que a concessão das bolsas aos parentes dos segurados empregados da empresa, está prevista em Convenção Coletiva de Trabalho, acertada com o sindicato da categoria. A alínea "t" do parágrafo 9o. do art. 28 da Lei 8.212/91 , prevê que somente não incidirá contribuição previdenciária sobre valores relativos a plano educacional que vise à educação básica, e, no caso, tratase de educação de nível superior. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 31 a 42. Com relação a multa aplicada procedeu a autoridade fiscal ao comparativo de acordo com a lei 11.941/2009, nos termos abaixo expostos? Fl. 167DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 4 1 Para aplicação da multa pela infração de deixar a empresa de declarar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, foi feita uma comparação entre a multa a ser aplicada nos termos da legislação vigente à época da ocorrência da infração e a multa a ser aplicada nos termos da legislação atual, Lei 11.941/09 , que deu nova redação ao art. 32 da Lei 8.212/91. 2 A comparação se faz necessária para aplicação da multa mais benéfica ao autuado, conforme determina a alínea "c" do Inciso I I do art. 106 do CTN Código Tributário Nacional. 3 Conforme o quadro demonstrativo de Comparação das Multas, anexo a este A I , verificouse que a multa mais benéfica é aquela aplicada nos termos do parágrafo 5. do art. 32 da Lei 8 . 2 1 2 / 9 1 somada à multa pela falta de recolhimento, antes das alterações introduzidas pela Lei 11.941/09. 4 Verificase a multa mais benéfica, pela multa calculada conforme descrito nos itens 5 e 6 abaixo, somada à multa de 2 4 % sobre o valor não recolhido ( art. 35 da Lei 8 . 2 1 2 / 9 1 , antes das alterações da Lei 11.941/09) e a multa calculada nos termos da legislação vigente, na redação da Lei 1 1 . 9 4 1 / 0 9 , que é de 7 5% sobre o valor não recolhido. 5 O paragrafo 5. do art. 32 da Lei 8 . 2 1 2 / 9 1 , determina que a multa a ser aplicada pela infração cometida é de 1 0 0% da contribuição devida e não declarada, porém limitada a um valor máximo em função do número de segurados da empresa, por competência. 6 Em todo o período, a empresa teve entre 535 e 607 segurados portanto o valor máximo da multa a ser aplicado, de acordo com o parágrafo 4o. do art. 32 da Lei 8 . 2 1 2 / 9 1 , é de 20 vezes o valor mínimo, que atualmente é de R$ 1.410,79, totalizando o máximo aplicável, por competência de R$ 28.215,80. 7 Segue em planilha anexa a este relatório, o demonstrativo de cálculo da multa aplicada. Inconformado o contribuinte apresentou impugnação às fls. 61 a 75. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência parcial do lançamento, fls. 120 a 135. S S U N T O : O B R I G A Ç Õ E S A C E S S Ó R I AS Data do fato gerador: 26/04/2010 PREVÍDENCIÁRIO. FATO GERADOR. DECLARAÇÃO. GFIP. OBRIGATORIEDADE. DESCUMPRIMENTO. MULTA. Constitui infração, punível com multa pecuniária, a empresa deixar de declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP, dados relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias ou outras informações de interesse do INSS. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 168DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16095.000200/201071 Acórdão n.º 2401002.808 S2C4T1 Fl. 4 5 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 126 a 134 , contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, senão vejamos: 1. Nulo é o lançamento, pois o relatório fiscal não oferece quaisquer elementos técnicos ou fáticos, hábeis a identificar as razões que levaram a desconsiderar o código do FPAS utilizado, no caso, código 639; 2. Este Auto deve ser declarado improcedente em razão do cerceamento de defesa, tanto pela falta de motivação quanto ao novo enquadramento no FPAS, tanto por não ter sido observado o disposto nos §§ 3 o e 4 o do art. 111 da Instrução Normativa IN/RFB n° 971/2009. Consoante seus estatutos (cópia anexa) o código FPAS que mais se adapta à sua atividade é o 639; 3. A entidade atende a todas as exigências previstas no Código Tributário Nacional CTN e aplicáveis na espécie. Sendo que já usufruía da desobrigação do recolhimento da cota patronal antes do advento do Decreto n° 1.572/1977; 4. A informação do fisco de que há um Ato Cancelatório, lavrado nos idos de 1999, não pode ser considerado como juridicamente suficiente para legitimar a cobrança ora contraditada; 5. É do conhecimento do fisco que o contribuinte possui o certificado CNAS, ou seja, o CEAS, para o ano de 2007, e que, portanto, preencheu os requisitos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991; 6. À época da lavratura, ou seja, em 21071999, o INSS não ostentava legítimo direito a promover a cassação da isenção do contribuinte, ante a liminar concedida, cm 1407 2009, na ADIN n° 20285 pelo Supremo Tribunal Federal STF; 7. A verba fora paga de acordo com Convenção Coletiva de Trabalho, não integrando o saláriodecontribuição; 8. não se pode impor ao contribuinte, que inclusive tem ação judicial sentenciada a seu favor quanto a sua não obrigatoriedade aos recolhimentos da chamada "cota patronal"; e relativamente às bolsas de estudos, enquanto vigentes os termos da Convenção Coletiva de trabalho, devem os mesmos serem respeitados, restando, portanto, improcedente o lançamento. A unidade da DRFB encaminhou o processo a este CARF para julgamento. É o relatório. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 6 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 155. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Toda e argumentação do recorrente está baseada na condição de isenta da entidade, do fato de que as bolsas aos dependentes não constituírem salário de contribuição bem como questiona irregularidades na multa aplicada, requerendo o cancelamento da autuação. Primeiramente, o procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autodeinfração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita, inclusive observando a aplicação de norma mais benéfica para cálculo da multa aplicada. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) Segundo a fiscalização previdenciária a partir das informações contidas no Relatório Fiscal constatase que o recorrente deixou de informar o correto código FPAS, bem como deixou de informar os valores das bases de cálculo das contribuições incidentes sobre os as bolsas concedidas aos dependentes, o que gerou uma informação incorreta na GFIP, por omitir o cálculo da contribuição devida. Justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da AIOP que apreciou a questão da condição de entidade filantrópica, tendo em vista que o resultado dos autos de infração de obrigação acessória estão diretamente ligados ao resultado das obrigações principais. Senão vejamos: Processos 16095.000206/201048, Acordão 240102.649, já julgado por essa turma. Vejamos ementa do acordão proferido em relação a parcela patronal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO COTA PATRONAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. RETROATIVIDADE. LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO PROCEDIMENTAL A FATOS GERADORES PRETÉRITOS À SUA EDIÇÃO. AÇÃO FISCAL POSTERIOR À Fl. 170DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16095.000200/201071 Acórdão n.º 2401002.808 S2C4T1 Fl. 5 7 ALUDIDA LEGISLAÇÃO. ARTIGO 144, § 1o, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Tratandose de ação fiscal desenvolvida após a edição da Lei nº 12.101, de 27/11/2009, a qual, além de contemplar os requisitos para fruição da isenção da cota patronal, igualmente, estabeleceu novos procedimentos para obtenção e cancelamento da certificação de entidades beneficentes de assistência social, impõese à observância desse novo regramento aos fatos geradores ocorridos anteriormente à aludida lei, com esteio no artigo 144, § 1o, do Código Tributário Nacional. In casu, tendo a fiscalização que culminou com a lavratura do presente auto de infração transcorrido após a vigência da Lei nº 12.101/2009, inclusive, com o seu 1º Termo de Intimação Fiscal sido cientificado ao contribuinte bem após a vigência daquela lei, em 05/04/2010, deveria ter observado os procedimentos ali inscritos, exigindo um aprofundamento maior na matéria, ao rechaçar a condição de entidade isenta (autoenquadrada), dissertando a propósito dos pressupostos legais da isenção que teriam sido inobservados e para quais períodos, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. Recurso Voluntário Provido Processos 16095.000201/201015, em julgamento nesta sessão, acordão 2401002.807. Vejamos ementa do acordão proferido em relação a parcela patronal. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO COTA PATRONAL. NORMAS PROCEDIMENTAIS. RETROATIVIDADE. LEI 12.101/2009. APLICAÇÃO PROCEDIMENTAL A FATOS GERADORES PRETÉRITOS À SUA EDIÇÃO. AÇÃO FISCAL POSTERIOR À ALUDIDA LEGISLAÇÃO. ARTIGO 144, § 1o, CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Tratandose de ação fiscal desenvolvida após a edição da Lei nº 12.101, de 27/11/2009, a qual, além de contemplar os requisitos para fruição da isenção da cota patronal, igualmente, estabeleceu novos procedimentos para obtenção e cancelamento da certificação de entidades beneficentes de assistência social, impõese à observância desse novo regramento aos fatos geradores ocorridos anteriormente à aludida lei, com esteio no artigo 144, § 1o, do Código Tributário Nacional. In casu, tendo a fiscalização que culminou com a lavratura do presente auto de infração transcorrido após a vigência da Lei nº 12.101/2009, inclusive, com o seu 1º Termo de Intimação Fiscal sido cientificado ao contribuinte bem após a vigência daquela lei, em 05/04/2010, deveria ter observado os procedimentos ali inscritos, exigindo um aprofundamento maior na matéria, ao rechaçar a condição de entidade isenta (autoenquadrada), dissertando a propósito dos pressupostos legais da isenção que teriam sido inobservados e para quais períodos, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 8 SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUIÇÃO DESCONTADA E NÃO RECOLHIDA APURADA EM FOPAG – 13 SALÁRIO NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA A empresa é obrigada pelo desconto e posterior recolhimento das contribuições descontadas dos segurados empregados a seu serviço. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI. A mera alegação não desconstitui o lançamento, quando resta claro no lançamento, quais os fatos geradores lançados, o que permitiria ao recorrente apresentar os documentos capazes de desconstituir a AI de obrigação principal. ENTIDADE ISENTA OBRIGAÇÃO DE DESCONTO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS Independente da discussão acerca da condição de isenta da entidade, em restando constatada a existência de salário indireto por meio de bolsas aos dependentes, deve existir o recolhimento de contribuição previdenciária acerca da parcela do segurado empregado. O direito a isenção/imunidade, não alcança as contribuições descontadas, ou que deveriam ter sido descontadas como é o caso da bolsa destinada a dependentes dos segurados empregados. Dessa forma, o apreciação da isenção em nada afetaria o lançamento, posto a isenção referirse apenas a parcela patronal e destinada a terceiros. Recurso Voluntário Provido em Parte Já, a contribuição omitida em relação a contribuição dos segurados não descontada sobre as bolsas concedidas aos dependentes, encontrase no Processo n. 16095.000205/201001 – Acordão n. 2401002.650, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO CONTRIBUIÇÕES SOBRE A REMUNERAÇÃO PAGA AOS SEGURADOS EMPREGADOS SALÁRIO INDIRETO BOLSA DE ESTUDOS PARCELAS PAGAS EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. A empresa é responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados que lhe prestaram serviços. Quanto a apuração da contribuição sobre os valores bolsa de estudos uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado, não encontrase dentre as exclusões do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16095.000200/201071 Acórdão n.º 2401002.808 S2C4T1 Fl. 6 9 O ganho habitual sob a forma de utilidade configura base de cálculo de contribuições previdenciárias. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO NÃO DESCONTADA EM ÉPOCA PRÓPRIA ÔNUS DO EMPREGADOR O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. ENTIDADE ISENTA OBRIGAÇÃO DE DESCONTO E RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS Independente da discussão acerca da condição de isenta da entidade, em restando constatada a existência de salário indireto por meio de bolsas aos dependentes, deve existir o recolhimento de contribuição previdenciária acerca da parcela do segurado empregado. O direito a isenção/imunidade, não alcança as contribuições descontadas, ou que deveriam ter sido descontadas como é o caso da bolsa destinada a dependentes dos segurados empregados. Dessa forma, o apreciação da isenção em nada afetaria o lançamento, posto a isenção referirse apenas a parcela patronal e destinada a terceiros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE NÃO IDENTIFICAÇÃO DOS FATOS GERADORES AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA MUDANÇA DO FPAS EXISTÊNCIA DE ATO CANCELATÓRIO Em se tratando de notificação fiscal que tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito DAD, não há que se falar em falta de descrição de fatos geradores, muito menos cerceamento do direito de defesa. Recurso Voluntário Negado Dessa maneira, não tem porque o presente autodeinfração ser anulado em virtude da ausência de vício formal na elaboração, devendo apenas, ser excluído do ca´lculo da multa as contribuições sobre fatos geradores excluídos nos AI de obrigação Principal. Foi identificada a infração, havendo subsunção desta ao dispositivo legal infringido. Os fundamentos legais da multa aplicada foram discriminados e aplicados de maneira adequada. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 10 Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. MULTA Assim, entendo correto o procedimento adotado pelo auditor na multa aplicada, assim como descrito no relatório fiscal, que apurou a multa de acordo com as alterações promovidas pela MP 449, convertida na lei 11.941. Conforme descrito acima, a multa moratória é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Ademais, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Contudo, estamos falando em multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Quanto a multa aplicada, entendo que obedeceu o auditor os limites legais, não havendo qualquer irregularidade no procedimento adotado. Conforme descrito pelo auditor fiscal em seu relatório: “Com relação a aplicação da multa, considerando as penalidades previstas no Art. 32 e Art. 35 da Lei 8.212/91, de 24 de julho de 1991 e as alterações introduzidas pela Medida Provisória n°. 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei n°. 11.941, de 27 de Maio de 2009, considerando o que dispõe o inciso II, alínea "c" do art. 106 do CTN foi observado no resultado da presente ação fiscal a aplicação das penalidades mais benéficas ao sujeito passivo, procedeu o auditor a comparação da multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador e a imposta pela legislação superveniente.” Ou seja, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Primeiro a multa pelo não recolhimento na época oportuna era regulada originalmente pelo art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) Fl. 174DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16095.000200/201071 Acórdão n.º 2401002.808 S2C4T1 Fl. 7 11 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do Fl. 175DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 12 pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Contudo a MP 449/2008, considerando que inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 176DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16095.000200/201071 Acórdão n.º 2401002.808 S2C4T1 Fl. 8 13 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, conforme bem demonstrou a autoridade fiscal. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio do AI em questão e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Assim, encontrase correto o cálculo descrito pela autoridade fiscal , que procedeu ao comparativo da multa considerando a regra antiga, e a nova sistemática descrita pela norma, não havendo que afastar a aplicação da multa, posto que demonstrado que o recolhimento ocorreu a destempo. Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato o lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos dos AIOP lavrados durante o mesmo procedimento, haja vista que a sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 14 CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para excluir do cálculo da multa a contribuição omitida em relação a desconsideração da condição de isenta da entidade, mantendose a aplicação da mesma em relação a contribuição dos segurados empregados. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16095.000200/201071 Acórdão n.º 2401002.808 S2C4T1 Fl. 9 15 Voto Vencedor Conselheiro Igor Araújo Soares, Redator Designado Em que pese o costumeiro brilhantismo da Eminente Relatora, ouso dela divergir no que se refere ao fundamento legal a ser adotado para o recálculo da multa mais benéfica a ser aplicada ao contribuinte em decorrência das alterações legislativas trazidas à lume com a edição da Lei 11.941/09. Sobre o assunto, inicialmente, há que se considerar a redação dos artigos 32 A e 35A, respectivamente, acrescentados na Lei 8.212/91 em virtude da promulgação da Lei 11.941/09, os quais dispõem o seguinte: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 179DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES 16 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). “Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996”. Por sua vez, o art. 35A faz remição ao art. 44 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ No caso dos autos, tratase de auto de infração no qual fora lançada multa pelo descumprimento de obrigação acessória relativa a apresentação de GFIP’s com informações inexatas relativamente a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a que estaria sujeito o contribuinte. A meu ver, sobre o assunto não resta outra conclusão, senão acatar a tese sustentada no Recurso Voluntário. Das alterações levadas a efeito, a disposição contida no art. 32A da Lei 8.212/91, é específica para os casos de GFIP com informações inexatas ou mesmo omissões, quando comparada com as disposições do art. 35A da mesma legislação. Por tais motivos, a meu ver, deve ser esta, aquela cuja aplicação deve se dar no presente caso, obviamente caso venha a ser mais benéfica ao recorrente, na forma a ser apurada pela autoridade fiscal. Assim, conforme determinado pelo art. 106, III, “c” do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito, não vejo outra solução passível de ser adotada, senão pela aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 ao presente caso.Vejamos o que preleciona citado artigo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES Processo nº 16095.000200/201071 Acórdão n.º 2401002.808 S2C4T1 Fl. 10 17 Ante todo o exposto voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que seja efetuado o cálculo e comparação da multa mais benéfica a ser aplicada com base no disposto no art 32A, II, da Lei 8.212/91, acompanhado os demais argumentos constantes do voto da Em. Relatora. É como voto. Igor Araújo Soares. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por IGOR ARAUJO SOARES
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Numero do processo: 19515.003511/2004-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PERIODICIDADE MENSAL. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 38 DO CARF.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimento s apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
Recurso especial da Fazenda Nacional e do Contribuinte negados.
Numero da decisão: 9202-002.141
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos da Fazenda Nacional e do Contribuinte.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PERIODICIDADE MENSAL. INAPLICABILIDADE. SÚMULA 38 DO CARF. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimento s apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Recurso especial da Fazenda Nacional e do Contribuinte negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos da Fazenda Nacional e do Contribuinte. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator FORMALIZADO EM: 18/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Antonio Maurício Pereira de Almeida foi lavrado o auto de infração de fls. 06/15, objetivando a exigência de imposto de renda pessoa física dos anos calendário de 1998 a 2001, tendo sido apurada omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. A Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 10248.251, que se encontra às fls. 1.098/1.142 e cuja ementa é a seguinte: “IRPF DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A tributação das pessoas físicas sujeitase a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, lançamento é por homologação, regra que também se aplica aos rendimentos arbitrados com base na presunção legal do art. 42 da lei 9.430/1996 (depósitos bancários de origem.não comprovada). Sendo assim, o direito de a Fazenda nacional lançar decai após cinco anos contados de 31 de dezembro de cada ano calendário questionado. Salvo se comprovado dolo, fraude ou simulação, hipótese que desloca o início da contagem do prazo para o primeiro dia do ano seguinte, ou seja, nessa hipótese, a contagem do prazo é aumentada em um ano. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.003511/200443 Acórdão n.º 920202.141 CSRFT2 Fl. 2 3 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE — Somente é passível de ser anulada, por cerceamento do direito de defesa, a decisão de primeira instância que deixa de apreciar matérias questionadas na peça impugnatória. NORMAS PROCESSUAIS — AUTUAÇÃO COM BASE EM DEPOSITOS BANCÁRIOS APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N° 10.174, DE 2001 – A lei que dispõe sobre o Direito Processual Tributário tem aplicação imediata aos fatos pendentes. É legítimo o lançamento em que se aplica retroativamente a Lei n°. 10.174, de 2001, já que se trata do estabelecimento de novos critérios de apuração e processos de fiscalização que ampliam os poderes de investigação das autoridades administrativas. APRECIAÇÃO DA CONSTITUICIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS EM VIGOR — As DRJ, assim como o Conselho de Contribuintes, não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula nº 2 do Primeiro Conselho de Contribuintes). PRELIMINAR DE NULIDADE DA AÇÃO FISCAL POR OFENSA AO PRINCIPIO CONSTITUCIONAL DA IMPESSOALIDADE — O Código Tributário Nacional (CTN), o Decreto 70.235/1972 (PAF) e o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) não versam os sobre critérios de seleção de contribuintes para auditoria fiscal, não competindo ao Conselho de Contribuinte apreciar alegações de irregularidade nesse procedimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PORTARIA SRF N° 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual 'inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades, tampouco deslocar a data do inicio do procedimento fiscal no âmbito do processo administrativo. REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO INOCORRÊNCIA A determinação contida no artigo 11, §3º, da Lei 9.311/1996; na redação original, não se refere a concessão de isenção; sendo incabível o entendimento de revogação retroativa de isenção pela Lei 10.174/2001. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ARTIGO 42 DA LEI 9.430/1996 Caracterizam omissão de rendimentos valores remanescentes creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte ou seu representante, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RENDIMENTOS APURADOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMITIDOS NA DECLARAÇÃO DE IRPF Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE O fato de a fiscalização apurar sistemática omissão de rendimentos em face de depósitos bancários sem origem, não configura, por si só, a prática de dolo, fraude ou simulação, nos termos dos art. 71 a 73 da Lei 4.502 de 1964.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de cerceamento de defesa e nulidade da ação fiscal e, por maioria, rejeitou a preliminar de irretroatividade da Lei nº 10.174/2001, desqualificou a multa de ofício e acolheu a decadência do lançamento em relação ao ano calendário de 1999. No mérito, por maioria de votos, negou provimento ao recurso. Intimada pessoalmente do acórdão em 22/08/2007 (fls. 1.143) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 1.146/1.161, em que sustenta, em síntese, que a desqualificação da multa contraria a lei e a evidência das provas, bem como que a contagem do prazo decadencial deveria observar o disposto no artigo 173, I, do CTN. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 268, de 26/03/2008 (fls. 1.162/1.163). Intimada sobre o teor do v. acórdão recorrido bem como sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou os Embargos de Declaração de fls. 1.171/1.183, que foram rejeitados conforme despacho nº 500, de 08/07/2008 (fls. 1.189/1.196). Devidamente intimado em 07/08/2008 do despacho que rejeitou os embargos (fls. 1.199) o contribuinte interpôs seu recurso especial de fls. 1.200/1.358 suscitando, em apertada síntese, divergência jurisprudencial entre o v. acórdão recorrido e outras decisões do Colegiado em relação (i) à nulidade da decisão por não apreciar todos os argumentos do recurso voluntário, (ii) à ilegalidade na tributação anual quando o fato gerador do tributo é mensal, (iii) à impossibilidade de prosperar a autuação de valores cuja origem foi devidamente comprovada na pessoa jurídica da qual é sócio, e (iv) à impossibilidade de aplicação retroativa da Lei 10174/2001. O contribuinte apresentou, também, suas contrarazões ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 1.359/1.365). Ao Recurso Especial do contribuinte foi dado parcial seguimento, admitindo se somente a discussão em relação à ocorrência mensal do fato gerador, conforme Despacho nº 114, de 12/02/2009 (fls. 1.369/1.387). Intimada sobre o Recurso Especial do contribuinte a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões de fls. 1.392/1.396. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.003511/200443 Acórdão n.º 920202.141 CSRFT2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Inicialmente analiso a admissibilidade dos recursos especiais interpostos, nas matérias para as quais foi admitido seguimento. Como relatado anteriormente, a decisão proferida pelo v. acórdão recorrido se deu por maioria de votos. Dessa forma, nos termos do artigo 7º, inciso I, do antigo Regimento Interno deste Conselho, o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que buscou demonstrar a linha de argumentação para justificar a contrariedade à lei e às provas, preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O Contribuinte, por sua vez, somente teve seu recurso especial admitido em relação à alegação de apuração mensal do fato gerador, sendo reconhecida pelo despacho de admissibilidade a divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão nº 10616.035. O acórdão paradigma encontrase assim ementado: “(...) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MOMENTO DE INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Excetuadas as hipóteses expressamente definidas em lei como de fato gerador anual, a regra de tributação dos rendimentos percebidos pelas pessoas físicas é no momento da percepção do rendimento. De acordo com o § 4º do art 42 da Lei n° 9.430, na hipótese de presunção de omissão de rendimentos, caracterizada pela existência de depósitos em instituições financeiras sem comprovação da origem, o imposto incide no mês e tem por base a tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. (...)” Verifico, assim, que o paradigma trazido aos autos pelo contribuinte considera que a decadência deve ser apurada mensalmente, diferentemente do entendimento consolidado no v. acórdão recorrido. Entendo, portanto, caracterizada a divergência de interpretação, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pelo Contribuinte. Passo a seguir ao exame do mérito. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 No recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional a discussão cinge (i) ao dispositivo legal aplicável para contagem do prazo de decadência (art. 150, §4º ou 173, I, ambos do CTN) e (ii) ao restabelecimento da multa qualificada aplicada à contribuinte. No presente caso, entendeu a autoridade fiscal autuante caracterizado o evidente intuito de fraude, ante a conduta reiterada do contribuinte em omitir rendimentos, conforme se verifica no termo de fls. 866, razão pela qual aplicou a multa qualificada de 150%, in verbis: “10) DA QUALIFICAÇÃO Com relação às multa de oficio que esta sendo aplicada ( 150% , conf. art. 957, inc. II), sobre os impostos devidos , a qualificação se fez presente devido ao fato de que o contribuinte não declarou os valores dos recolhimentos obtidos nos referidos anos base de 1998, 1999, 2000 e 2001.” O v. acórdão recorrido afastou a multa qualificada imposta pela autoridade fiscal autuante, e, no tocante à decadência, determinou a aplicação da regra do § 4º do artigo 150 do CTN. Em seu recurso especial a Procuradoria da Fazenda Nacional requer a aplicação da sistemática de contagem do prazo decadencial do artigo 173, I do CTN, bem como o restabelecimento da multa qualificada. Considerando que a qualificação da multa implica o afastamento da aplicação da sistemática do artigo 150, §4º do CTN optei por primeiramente enfrentar esta questão. Qualificação da multa A penalidade em questão foi aplicada com base no art. 44, inciso II da Lei n. 9.430, de 1996, incorporado ao art. 957, II, do RIR/99, assim redigido (conforme redação em vigor à época dos fatos geradores): “Art. 957 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 44) (...) II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Os dispositivos referidos, vale dizer, os artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 1964, cuidam das figuras do dolo, fraude e sonegação, nos seguintes termos: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.003511/200443 Acórdão n.º 920202.141 CSRFT2 Fl. 4 7 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Já me manifestei em outras oportunidades no sentido de que, a teor da previsão legal acima, para que a multa de lançamento de ofício de 75% seja qualificada e elevada para 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude, demonstrado inequivocadamente nos autos a partir de elementos probatórios colacionados pela fiscalização. Essa posição é amplamente reconhecida pela jurisprudência deste E. Colegiado, restando incontroverso que a fraude não se presume, sendo necessário que sejam produzidas provas do evidente intuito a que se refere a norma legal, não bastando suspeitas. A experiência indica que o evidente intuito de fraude se configura nas situações em que demonstrado o emprego de meios ardis, como notas fiscais calçadas, recibos falsificados, etc. Ao contrário da responsabilidade pela obrigação tributária principal, que a teor do art. 136 do CTN não requer dolo ou culpa para sua configuração, bastando a prática da infração por qualquer meio, a aplicação da multa dita qualificada pressupõe dolo específico, no sentido de subtrair o imposto que se sabe devido pela utilização de meios fraudulentos. No caso presente, o recurso especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteia o restabelecimento da multa qualificada de 150% tendo em vista a conduta reiterada e sistemática do contribuinte que omitiu rendimentos nos anoscalendário de 1998 a 2001 (fls. 866). Entendo, no entanto, que a simples omissão de rendimentos, ainda que reiterada em vários exercícios, desacompanhada de outros elementos probatórios do evidente intuito de fraude, não dá causa para a qualificação da multa. Dentre outras razões, tal conclusão decorre do fato de que, se assim não fosse, não haveria hipótese para a aplicação da multa de ofício “não qualificada” de 75%. Com efeito, considero que para a correta aplicação da multa qualificada a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ato fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio por exemplo da utilização de documentos falsos, notas frias, interposição de pessoas, etc. Em se tratando de omissão de rendimentos decorrente de depósitos de origem não comprovada, cuja caracterizada é objeto de presunção legal relativa, não bastam as alegações de relevância econômica dos valores envolvidos e reiteração de conduta para a demonstração do evidente intuito de fruade. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 Como bem apontou com o usual brilhantismo o ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos em acórdão sobre o tema, se o entendimento sumular antes transcrito não permite a qualificação da multa de ofício quando presente uma simples omissão de rendimentos, como justificar a qualificação desse multa em uma presunção de omissão de rendimentos, em que não ficou demonstrada nenhuma fraude, e que a própria omissão de rendimentos é presumida? O evidente intuito de fraude não pode ser presumido, como ocorre com a presunção legal de omissão de rendimentos, mas minudentemente demonstrado. Entender diferente seria presumir a fraude em situação em que a própria hipótese de incidência – omissão de rendimentos por depósitos de origem não comprovada é presumida pela lei, situação que merece repúdio. Em resumo, entendo não ter a fiscalização logrado êxito em demonstrar evidente intuito de fraude na conduta do Recorrente a justificar a qualificação da penalidade, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso especial nesse quesito. Decadência Por outro lado, no tocante à decadência, já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Assim, no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 973.733, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.003511/200443 Acórdão n.º 920202.141 CSRFT2 Fl. 5 9 antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 10 Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contar se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo se inicia na data do fato gerador. Importante destacar que a decadência relativamente ao exercício de 1999 (anocalendário de 1998) foi reconhecida pela DRJ, não tendo sido objeto de recurso pelas partes, razão pela qual o presente recurso somente analisará a decadência em relação ao exercício de 2000 (anocalendário de 1999). Como se verifica da declaração de ajuste anual apresentada pela contribuinte constante às fls. 802, durante o anocalendário de 1999 ocorreu a antecipação do imposto de renda por meio das retenções sofridas durante o anocalendário. Logo, aplicase ao presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador, em consonância com o que foi decidido no v. acórdão recorrido. Na data em que a contribuinte tomou ciência do lançamento, 30/04/2005, os fatos geradores referentes ao ano calendário de 1999 encontravamse fulminados pela decadência, constatado que se passaram mais de cinco anos contados da data do fato gerador que se deu em 31/12/1999. Deve, assim, ser mantida a decisão recorrida, negandose provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. No recurso interposto pelo contribuinte, por outro lado, a discussão posta é, no caso de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, a ocorrência da decadência mensal. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 38, não cabendo acolher a pretensão do contribuinte: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Destarte, conheço dos recursos especiais interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pelo contribuinte para, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 9DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.003511/200443 Acórdão n.º 920202.141 CSRFT2 Fl. 6 11 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 11831.001087/2003-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 1992, 1993, 1994, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS ANTERIORMENTE À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N.118/2005.
No Recurso Extraordinário n. 566.621/RS, assentou-se pela sistemática de repercussão geral, ser inconstitucional a aplicação dos artigos 3º e 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005 às situações anteriores à 9 de junho de 2005. Para os pedidos de repetição de indébito protocolados anteriormente a essa data, o prazo é de 10 (dez) anos, contado do pagamento indevido.
COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA.
O gozo da isenção veiculada pelo art.6o da Lei Complementar n. 70/91 tinha como condicionantes que a sociedade fosse constituída exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País e registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, , independentemente do regime de tributação do imposto de renda a que estavam sujeitas.
COFINS. ISENÇÃO PARA AS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. LEI COMPLEMENTAR Nº 70/91. REVOGAÇÃO.
A isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6°, II, da LC n° 70/91 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96. Matéria julgada sobre a sistemática dos recursos repetitivos, art. 543- C do Código de Processo Civil, no Recurso Especial n. 826.428/ MG (DJe 01/07/2010).
Numero da decisão: 3201-001.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao parcial recurso, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 1992, 1993, 1994, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS ANTERIORMENTE À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N.118/2005. No Recurso Extraordinário n. 566.621/RS, assentouse pela sistemática de repercussão geral, ser inconstitucional a aplicação dos artigos 3º e 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005 às situações anteriores à 9 de junho de 2005. Para os pedidos de repetição de indébito protocolados anteriormente a essa data, o prazo é de 10 (dez) anos, contado do pagamento indevido. COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. O gozo da isenção veiculada pelo art.6o da Lei Complementar n. 70/91 tinha como condicionantes que a sociedade fosse constituída exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País e registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, , independentemente do regime de tributação do imposto de renda a que estavam sujeitas. COFINS. ISENÇÃO PARA AS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. LEI COMPLEMENTAR Nº 70/91. REVOGAÇÃO. A isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6°, II, da LC n° 70/91 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96. Matéria julgada sobre a sistemática dos recursos repetitivos, art. 543 C do Código de Processo Civil, no Recurso Especial n. 826.428/ MG (DJe 01/07/2010). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 10 87 /2 00 3- 27 Fl. 562DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/07/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao parcial recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Joel Miyazaki (Presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Mercia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Daniel Mariz Gudino. Relatório Versa o presente litígio sobre pedido de restituição, de 14/02/2003, de Cofins (DARFs às fls. 31 a 116), relativos a recolhimentos efetuados em 1992, 1993, 1994, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002, sob o fundamento de que a Recorrente é sociedade civil de profissão legalmente regulamentada, subsumindose aos preceitos do art.6o , II da Lei Complementar n. 70/91. O Despacho Decisório (fls. 280 a 292) da Delegacia de Administração Tributária –DERAT, de São Paulo, não homologou o pedido de restituição e as respectivas declarações de compensação da ora Recorrente, entendendo que: i. os pagamento efetuados antes de 14/02/1997 teria sido alcançados pela decadência; ii. a sociedade civil que optar por uma dos regimes de tributação do art. 2o da Lei n. 8541/1992 (lucro real ou presumido) não é isenta de Cofins; iii.a isenção para sociedade civil de profissão legalmente regulamentada deixou de existir com a revogação dos arts. 1o e 2o do Decretolei n. 2397, de 1987, pelo inciso XIV do art.88 da Lei n. 9430/1996,; iv. com a edição do art. 56 da Lei n. 9430/96 as sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentadas, passaram a contribuir para a seguridade social com base na receita bruta da prestação de serviços, observadas as normas da Lei Complementar n. 70/1991; v. com fulcro no art.61 da Lei n. 9430/96, deveria ser aplicada multa de mora, pelo atraso nos pagamentos. Na manifestação de inconformidade apresentada tempestivamente, a Recorrente alegou se enquadrar nas condições de isenção, que o art.56 da Lei n. 9430/96 não Fl. 563DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/07/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11831.001087/200327 Acórdão n.º 3201001.323 S3C2T1 Fl. 94 3 teria o condão de revogar o art. 6o, II da Lei Complementar 70/91, por ser lei de hierarquia inferior, prazo prescricional decenal A Delegacia de Julgamento de São Paulo I, em decisão de fls. 355 e ss, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, entendendo que: i. que parte do direito creditório teria sido atingido pela decadência, por terem transcorrido mais de cinco anos entre a data do pagamento antecipado, com fulcro no art.150, §§1o e 4o do CTN; ii. a partir de abril de 1997, com a entrada em vigor do art.46 da Lei n. 9430/96, não se caberia mais falar em isenção de sociedades civis de prestação de serviços legalmente regulamentadas, por força do art.111 do CTN, o que teria sido corroborado pelo Recurso em Agravo de Instrumento n. 456182/SC do Supremo Tribunal Federal; iii.que, na época de vigência da isenção, as sociedades civis de profissão legalmente regulamentadas apenas poderiam gozar desse direito, se não optassem pelo regime de tributação do imposto sobre a renda lucro real ou presumido por força do disposto nos arts. 6o , II da Lei Complementar n. 70/91 c/c com os arts. 1o, 2o e parágrafos do Decretolei n. 2397/87, art. 1o da Lei n. 8541/92 e Parecer Normativo COSIT n. 3/94; iv. a ciência do decisão que não homologa a compensação deve ocorrer antes de cinco anos, contados da data da entrega do pedido, conforme o §5o , do art. 74, da Lei n. 9430/96, de sorte que, a declaração de compensação, entregue em 25/04/2003, teria sido homologada tacitamente. No recurso voluntário apresentado, a ora Recorrente alegou que: i. sobre a decadência relativa aos pagamentos feitos anteriormente ao prazo de cinco anos da data do pedido de restituição (14/02/2003), não merece prosperar, sendo o prazo de dez anos ( cinco anos contados do fato gerador, acrescidos de cinco anos a contar da homologação tácita), pois a Lei Complementar n. 118/2005 apenas começou a produzir os seus efeitos em 09 de junho de 2005; ii. é inconstitucional a revogação da isenção veiculada pela Lei Complementar n. 70/91, por força do axioma da hierarquia das leis e a Segurança Jurídica; iii. a posição do Supremo Tribunal Federal sobre a revogação da isenção ofende a Segurança Jurídica, pois durante muito tempo vigorou a Súmula 276 do Superior Tribunal de Justiça ; iv. a análise da hierarquia deve ser feita em relação à sua validade no sistema, não sobre a sua eficácia; v.a lei complementar serve à Constituição Federal, enquanto a lei ordinária, aos interesses da União; vi.a eficácia plena não se mede, independentemente do veículo normativo utilizado; vii. pelo Princípio da Inafastabilidade da Jurisdição, tem direito a discutir as questões expostas, até que seja editada súmula vinculante sobre o tema. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/07/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a análise da controvérsia deve ser feita em dois momentos distintos: antes de março de 1997 e depois de março de 1997, quando entrou em vigor o parágrafo único do art. 56 da Lei n. 9430/96. No período anterior a março de 1997, duas questões põese: o prazo decadencial e condição para a isenção das sociedades civis de profissão legalmente regulamentadas. Em relação ao prazo decadencial, o Supremo Tribunal Federal, na sessão plenária de 4 de agosto de 2011, concluiu o julgamento do Recurso Extraordinário n. 566.621/RS, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, que é o paradigma de repercussão geral sobre o tema, que assentou ser inconstitucional a aplicação dos artigos 3º e 4º, segunda parte, da Lei Complementar n. 118/2005 às situações anteriores à vigência da norma, isto é, 9 de junho de 2005. Portanto, o prazo para a restituição dos indébitos é de dez anos contados dos pagamentos indevidos, ou seja, no caso dos autos, considerandose que a data do protocolo do pedido foi em 14/02/2003, não há que se falar em decadência dos pagamentos anteriores a 14/02/1998, como consta da decisão recorrida. Não obstante, considerandose que o pedido de restituição abrange pagamentos realizados em 1992, devem considerados atingidos pela decadência, os pagamentos efetuados anteriormente a 14/02/1993. Com relação a esses pagamentos, compreendidos entre fevereiro de 1993 a março de 1997, temse que, nos termos da legislação vigente à época, o art. 6o da Lei Complementar n. 70/91 c/c art. 1º do Decretolei n. 2.397/87, os pressupostos para as pessoas jurídicas fazerem jus à isenção em referência eram: i. ser sociedade civil prestadora de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada; ii. a sociedade deveria ser registrada no Registro Civil da Pessoa Jurídica; iii. a sociedade deveria ser constituída, exclusivamente, por pessoas físicas domiciliadas no País. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/07/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11831.001087/200327 Acórdão n.º 3201001.323 S3C2T1 Fl. 95 5 Portanto, tãosomente esses seriam os requisitos para o gozo de isenção não se cogitando que o artigo 6º da citada Lei Complementar tenha condicionado a isenção dessa contribuição ao regime de tributação do imposto sobre a renda adotado pelo contribuinte. Nesse sentido, em recente decisão, assim se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão n. 9303002.176, em sessão de 05 de fevereiro de 2013, cuja ementa transcrevemos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1993 a 31/12/1993 COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. As sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País e registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, até 31 de março de 1997, independentemente do regime de tributação do imposto de renda a que estavam sujeitas, faziam jus à isenção da Cofins. Recurso Especial do Procurador Negado. Finalmente, devem ser analisados os pagamentos realizados após março de 1997, quando entrou em vigor o art.56 da Lei n. .9430/96. Quanto a esse ponto, a despeito dos argumentos da Recorrente, segundos os quais haveria inconstitucionalidade e ilegalidade no dispositivo mencionado, mormente por ofensa à hierarquia das leis, o fato é que essa questão está sedimentada no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça, com repercussões na jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ademais, o Recurso Especial n. 826.428/ MG (DJe 01/07/2010), julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, retirou do campo de apreciação do contencioso administrativo, a matéria em foco, por força do art. 62 A do Regimento Interno do CARF: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. ISENÇÃO PREVISTA NO ARTIGO 6º, II, DA LEI COMPLEMENTAR Fl. 566DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/07/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 6 70/91. REVOGAÇÃO PELO ARTIGO 56, DA LEI 9.430/96. CONSTITUCIONALIDADE DA NORMA REVOGADORA RECONHECIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (RE 377.457/PR E RE 381.964/MG).REAFIRMAÇÃO DO ENTENDIMENTO EXARADO NO ÂMBITO DA ADC 1/DF. 1. A isenção da COFINS, prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91, restou validamente revogada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96 (Precedentes do Supremo Tribunal Federal submetidos ao rito do artigo 543B, do CPC: RE 377.457 e RE 381.964, Rel. Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, julgado em 17.09.2008, Repercussão Geral Mérito, DJe241 DIVULG 18.12.2008 PUBLIC 19.12.2008). 2. Isto porque: "... especificamente sobre a COFINS e a sua disciplina pela Lei Complementar 70, de 1991, a decisão proferida na ADC 1 (Rel. Moreira Alves, DJ 16.06.95), independentemente de qualquer possível controvérsia em torno da aplicação dos efeitos do § 2º, do art. 102 à totalidade dos fundamentos determinantes ali proclamados ou exclusivamente à sua parte dispositiva (objeto específico da RCl2.475, Rel. Min. Carlos Velloso, em curso no Pleno), foi inequívocaao reconhecer: a) de um lado, a prevalência na Corte das duas linhas jurisprudenciais anteriormente referidas (distinção constitucional material, e não hierárquica formal, entre lei complementar e lei ordinária, e inexigibilidade de lei complementar para a disciplina dos elementos próprios à hipótese de incidência das contribuições desde logo previstas no texto constitucional); e b) de outro lado, que, precisamente pelas razões anteriormente referidas, a Lei Complementar 70/91 é, materialmente, uma lei ordinária. Ora, as razões anteriormente expostas são suficientes a indicar que, contrariamente ao defendido pela recorrente, o tema do conflito aparente entre o art. 56, da Lei 9.430/96, e o art. 6º, II, da LC 70/91, não se resolve por critérios hierárquicos, mas, sim, por critérios constitucionais quanto à materialidade própria a cada uma destas espécies. Logo, equacionar aquele conflito é sim uma questão diretamente constitucional. Assim, verificase que o art. 56, da Lei 9.430/96, é dispositivo legitimamente veiculado por legislação ordinária (art. 146, III, 'b', a contrario sensu, e art. 150, § 6º, ambos da CF), que importou na revogação de dispositivo anteriormente vigente (sobre isenção da contribuição social), inserto em norma materialmente ordinária(artigo 6º, II, da LC 70/91). Fl. 567DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/07/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 11831.001087/200327 Acórdão n.º 3201001.323 S3C2T1 Fl. 96 7 Conseqüentemente, não existe, na hipótese, qualquer instituição,direta ou indireta, de nova contribuição social, a exigir a intervenção de legislação complementar, nos termos do art. 195, §4º, da CF." (RE 377.457/PR). 3. Destarte, a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS incide sobre o faturamento das sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, de que trata o artigo 1º, do DecretoLei 2.397/87, tendo em vista a validade da revogação da isenção prevista no artigo 6º, II, da Lei Complementar 70/91 (lei materialmente ordinária), perpetrada pelo artigo 56, da Lei 9.430/96. 4. Outrossim, impende ressaltar que o Plenário da Excelsa Corte, tendo em vista o disposto no artigo 27, da Lei 9.868/99, rejeitou o pedido de modulação dos efeitos da decisão proferida no Recurso Extraordinário 377.457/PR. 5. Consectariamente, impõese a submissão desta Corte ao julgado proferido pelo plenário do Supremo Tribunal Federal que proclamou a constitucionalidade da norma jurídica em tela (artigo 56, da Lei 9.430/94), como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnioa consagração da Isonomia Fiscal no caso sub examine. 6. Recurso especial desprovido, mantendose a decisão recorrida, por fundamentos diversos. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo aos pagamentos indevidos ocorridos entre 14/02/1993 até 31 de março de 1997. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 568DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/07/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 8 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 09/07/2013 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 02/07/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.908876/2009-26
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DESPACHO DECISÓRIO - NULIDADE
Não é nulo o despacho decisório que contenha informação que, mesmo de modo resumido, informe ao contribuinte os motivos da não-homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel E Eu, Sidney Eduardo Stahl
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. DESPACHO DECISÓRIO - NULIDADE Não é nulo o despacho decisório que contenha informação que, mesmo de modo resumido, informe ao contribuinte os motivos da não-homologação. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel E Eu, Sidney Eduardo Stahl
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. DESPACHO DECISÓRIO NULIDADE Não é nulo o despacho decisório que contenha informação que, mesmo de modo resumido, informe ao contribuinte os motivos da nãohomologação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 76 /2 00 9- 26 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel E Eu, Sidney Eduardo Stahl Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908876/200926 Acórdão n.º 3801001.962 S3TE01 Fl. 91 3 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto, assim expresso: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total à presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. A DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/07/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908876/200926 Acórdão n.º 3801001.962 S3TE01 Fl. 92 5 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário que resumidamente aponta que a parte não tem condições de se defender porque a autoridade julgadora não informou o por quê o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Que a r. decisão não possibilita à contribuinte, condições ideais para combatêla. No mérito, cita uma gama de conteúdo doutrinário e jurisprudência acerca do lançamento sujeito à homologação, decadência e o direito de compensar, requerendo, a final o provimento do recurso voluntário. Apresentado o Recurso Voluntário a DRF de Limeira entendeu por negar seguimento ao mesmo considerando o fato de que a DRJ não havia conhecido da manifestação de inconformidade. Em face dessa decisão a Recorrente interpôs Mandado de Segurança que determinou que se desse seguimento aos recursos da mesma e a sua remessa a esse Conselho. É o que importa relatar, Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conheço do recurso. Pelo que se pode defluir da peça recursal a Recorrente entende ser nulo o despacho decisório porque o mesmo não informou o motivo pelo qual a Fazenda concluiu que não sobreviera crédito para a compensação pleiteada. É verdade, conforme tenho e manifestado reiteradamente, que os malfadados “despachos eletrônicos” não correspondem ao mais adequado mecanismo de prestação de informações ao contribuinte/cidadão. Sabemos que as decisões devem ser suficientemente motivadas, não bastando que nelas se tenha um ‘porque sim’ ou um ‘porque não’ para darlhes validade, ou, como em casos semelhantes em “tem” ou “não tem” crédito. A ausência de fundamentação da decisão ou o semsentido dos argumentos utilizados para a sua fundamentação atentam contra a possibilidade de se recorrer da mesma, pois a ausência dos motivos que conduziram o julgador a seu ato decisório impedem a possibilidade de refutação do raciocínio, pois não é possível acesso ao raciocínio, e, conseqüentemente, à construção lógica que culminou na decisão. Entretanto, no caso em concreto, não é o que se opera. Estamos diante de uma declaração de compensação que se opera nos termos do artigo 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim expresso (os destaques são nossos): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. O despacho decisório nãohomologou a compensação sob o seguinte fundamento: “Diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada” Assim, de modo didático, se me permitem apontar meu raciocínio dessa forma, temos em confronto, por um lado, uma declaração da Contribuinte na qual informou um crédito e, por outro lado, uma decisão da autoridade que informou que esse crédito não existe em seus arquivos. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908876/200926 Acórdão n.º 3801001.962 S3TE01 Fl. 93 7 Temos também a informação prestada pela contribuinte de que nos autos existem ‘fartos’ documentos que, se analisados, nos permitiria inferir a existência do crédito. Como é sabido, na sistemática existente é a contribuinte que informa à Receita Federal os seus débitos e créditos através de inúmeras declarações e cabe à autoridade, se lhe interessar, fiscalizar a sua veracidade. Assim, se a autoridade não homologou a declaração da contribuinte pela inexistência de crédito é porque a própria contribuinte informou que esses créditos já haviam sido utilizados de algum modo, provavelmente na DCTF, que tem caráter de confissão de dívida. E é essa a informação do despacho decisório: a que não havia crédito disponível, é essa suficiente para avisar ao contribuinte o motivo da não homologação – a inexistência de crédito e ao contribuinte caberia contrapor essa informação demonstrando que tinha crédito. Nesse sentido, entendo não haver falta de fundamento que implique em nulidade. No mais, compulsando os autos, não fui capaz de encontrar um documento sequer que se relacione com a escrituração da Recorrente, cópia de pagamento, DCTF, DACON, uma planilha que informe a origem do crédito ou qualquer apontamento que possa nos dizer qual é esse crédito que a contribuinte está querendo compensar. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte, no mínimo, informar a origem de seu crédito, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório porque foi ele que declarou que o tinha. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo, a ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Assim, na hipótese da compensação declarada, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que provas e argumentos sejam carreados aos autos no sentido de refutar o procedimento fiscal e que essas se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente, apesar de ter apresentado Recurso Voluntário carregado de doutrina e jurisprudência escrito em linguagem profundamente empolada – quase um soneto de Francisco de Vasconcelos –, não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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