Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 19515.720305/2015-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
SIMULAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS.
A partir da análise dos documentos constantes dos autos conclui-se que houve de modo doloso bipartição artificial nos contratos denominados de afretamento e de prestação de serviços.
SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A partir da constatação do dolo escorreita a atuação da fiscalização, ao desvelar os fatos dissimulados, tomou os efeitos reais gerados pelos referidos contratos, de maneira a atribuir à autuada a titularidade das receitas deles decorrentes, recalculando os tributos que restaram sonegados à Fazenda Pública. A perpetração de atos simulados com o intuito de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de tributos devidos, bem como de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, justifica a imposição da multa de ofício qualificada de 150%.
(IN)ADEQUAÇÃO DO AGRAVAMENTO DA PENALIDADE.
Não se justifica a aplicação da multa de ofício agravada na medida em que a fiscalização teve acesso a todos documentos para exercício da atividade fiscalizatória.
EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado não podem ser pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias na medida em que não configurados os pressupostos legais do art.135, CTN.
INTERESSE COMUM. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA.
Comprovado nos autos que as pessoas jurídicas classificadas pela fiscalização como sujeitos passivos solidários atuaram de maneira unitária com a fiscalizada, assumindo reciprocamente direitos e obrigações que circunscreveram os fatos jurídicos que dão essência à obrigação tributária principal, resta configurado o interesse comum dos agentes. Correta, portanto, a responsabilização solidária levada a efeito com forte no art.124,
inciso I, CTN.
Numero da decisão: 1402-002.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para reduzir a multa ao percentual de 150% e manter a responsabilidade dos coobrigados pessoas jurídicas. Por maioria de votos, dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados pessoas físicas para excluí-los da relação jurídico tributária.Vencido o Conselheiro Evandro Correa Dias que votou por manter a responsabilização desses coobrigados.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013 SIMULAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. A partir da análise dos documentos constantes dos autos conclui-se que houve de modo doloso bipartição artificial nos contratos denominados de afretamento e de prestação de serviços. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A partir da constatação do dolo escorreita a atuação da fiscalização, ao desvelar os fatos dissimulados, tomou os efeitos reais gerados pelos referidos contratos, de maneira a atribuir à autuada a titularidade das receitas deles decorrentes, recalculando os tributos que restaram sonegados à Fazenda Pública. A perpetração de atos simulados com o intuito de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de tributos devidos, bem como de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, justifica a imposição da multa de ofício qualificada de 150%. (IN)ADEQUAÇÃO DO AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. Não se justifica a aplicação da multa de ofício agravada na medida em que a fiscalização teve acesso a todos documentos para exercício da atividade fiscalizatória. EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado não podem ser pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias na medida em que não configurados os pressupostos legais do art.135, CTN. INTERESSE COMUM. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Comprovado nos autos que as pessoas jurídicas classificadas pela fiscalização como sujeitos passivos solidários atuaram de maneira unitária com a fiscalizada, assumindo reciprocamente direitos e obrigações que circunscreveram os fatos jurídicos que dão essência à obrigação tributária principal, resta configurado o interesse comum dos agentes. Correta, portanto, a responsabilização solidária levada a efeito com forte no art.124, inciso I, CTN.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.720305/2015-54
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5794033
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1402-002.726
nome_arquivo_s : Decisao_19515720305201554.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515720305201554_5794033.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para reduzir a multa ao percentual de 150% e manter a responsabilidade dos coobrigados pessoas jurídicas. Por maioria de votos, dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados pessoas físicas para excluí-los da relação jurídico tributária.Vencido o Conselheiro Evandro Correa Dias que votou por manter a responsabilização desses coobrigados. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
id : 6992558
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049732025155584
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-10-12T12:52:00Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-10-12T12:52:00Z; Last-Modified: 2017-10-12T12:52:00Z; dcterms:modified: 2017-10-12T12:52:00Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:2e8fec4f-a3bd-4ed1-8915-8982bc011f58; Last-Save-Date: 2017-10-12T12:52:00Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-10-12T12:52:00Z; meta:save-date: 2017-10-12T12:52:00Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-10-12T12:52:00Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-10-12T12:52:00Z; created: 2017-10-12T12:52:00Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 81; Creation-Date: 2017-10-12T12:52:00Z; pdf:charsPerPage: 2465; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-10-12T12:52:00Z | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.111 1 1.110 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720305/201554 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.726 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2017 Matéria SIMULAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S/A; Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 SIMULAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. A partir da análise dos documentos constantes dos autos concluise que houve de modo doloso bipartição artificial nos contratos denominados “de afretamento” e “de prestação de serviços”. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A partir da constatação do dolo escorreita a atuação da fiscalização, ao desvelar os fatos dissimulados, tomou os efeitos reais gerados pelos referidos contratos, de maneira a atribuir à autuada a titularidade das receitas deles decorrentes, recalculando os tributos que restaram sonegados à Fazenda Pública. A perpetração de atos simulados com o intuito de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de tributos devidos, bem como de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, justifica a imposição da multa de ofício qualificada de 150%. (IN)ADEQUAÇÃO DO AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. Não se justifica a aplicação da multa de ofício agravada na medida em que a fiscalização teve acesso a todos documentos para exercício da atividade fiscalizatória. EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado não podem ser pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias na medida em que não configurados os pressupostos legais do art.135, CTN. INTERESSE COMUM. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Comprovado nos autos que as pessoas jurídicas classificadas pela fiscalização como sujeitos passivos solidários atuaram de maneira unitária com a fiscalizada, assumindo reciprocamente direitos e obrigações que circunscreveram os fatos jurídicos que dão essência à obrigação tributária principal, resta configurado o interesse comum dos agentes. Correta, portanto, a responsabilização solidária levada a efeito com forte no art.124, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 03 05 /2 01 5- 54 Fl. 3022DF CARF MF 2 inciso I, CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada para reduzir a multa ao percentual de 150% e manter a responsabilidade dos coobrigados pessoas jurídicas. Por maioria de votos, dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados pessoas físicas para excluílos da relação jurídico tributária.Vencido o Conselheiro Evandro Correa Dias que votou por manter a responsabilização desses coobrigados. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. Relatório Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto por SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S/A e demais responsáveis em face da r. decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ de Porto Alegre/ Rio Grande do Sul que por unanimidade de votos decidiu por (i) desconhecer das impugnações aos autos de embaraço; (ii) desconhecer das contestações pertinentes à representação fiscal para fins penais; (iii) indeferir o pedido de desentranhamento de documentos; (iv) considerar não formulado o pedido de perícia contido nos autos do processo 19515.720305/201554 e negar provimento ao pedido de perícia contido nos autos do processo 19515.721203/201556; (v) desconhecer dos pedidos de oitiva e de sustentação oral no julgamento de primeira instância; (vi) negar provimento às preliminares de nulidade e decadência e, no mérito, (vii) julgar procedente em parte as impugnações, de maneira a acatar as alegações pertinentes à ocorrência de erro material na apuração dos tributos devidos, o que deve repercutir no cancelamento da exigência fiscal pertinente aos fatos geradores ocorridos de 09/2010 a 03/2012 e no prosseguimento da cobrança dos valores relativos ao lançamento complementar formalizado nos autos do processo nº 19515.721203/201556 (fatos geradores relativos aos períodos 04/2012 a 12/2013). Adoto como ponto de partida o relatório da r. DRJ, complementandoo com aquilo que julgar necessário. I LINHAS GERAIS Esse acórdão tem por objeto julgar as impugnações apresentadas pela fiscalizada e pelas pessoas físicas e jurídicas arroladas pela fiscalização como responsáveis solidários, contra os lançamentos de ofício do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, consubstanciados nos autos de infração de fls. 02/97, e contra os termos de sujeição passiva solidária de fls. 98/442, que estão complementados no “Relatório Fiscal” – juntado por meio de arquivo não paginável ao presente eprocesso – aludido no termo de fl. 603, doravante referido por “RF”. O montante do crédito tributário lançado a título de IRPJ e reflexos é de R$ 1.613.524.913,66 (ver fl. 605), já incluídos os acréscimos legais, calculados até maio de 2015. Esse valor sofreu alterações em face da realização de lançamento complementar realizado em dezembro de 2015, conforme descrito adiante, no tópico “IV – Do encaminhamento dos autos em diligência, da formalização de lançamento complementar e das impugnações ao lançamento complementar” do presente relatório. Com vistas a organizar o enorme contingente de elementos de prova vinculados ao processo matriz, a fiscalização optou for formalizar processo administrativo autônomo – processo de provas nº 19515.721166/201403 – contendo as intimações, constatações, verificações da fiscalização e respostas da contribuinte. Em que pese o termo de início de fiscalização (fls. 56706 do processo nº 19515.720305/201554) ter sido lavrado em 01/12/2014, a autuação decorreu de ação fiscal iniciada em data pretérita – 23/11/2012 –, por meio da diligência fiscal de nº 08.1.90.002012051437 (fl. 25 de processo de provas). Ou seja, muitos dos elementos de prova relativos ao presente processo foram de fato gerados no contexto da diligência fiscal 08.1.90.002012051437. Fl. 3024DF CARF MF 4 Merece destaque o fato de que o processo 19515.720305/201554 contém 1.599 folhas e o processo 19515.721166/201403 contém 68.968 folhas. Cumpre registrar que, em 17/04/2015, foi protocolizado na 2ª Vara de Falências e Recuperação Judicial da Comarca da capital do estado de São Paulo, petição inicial com o pedido de recuperação judicial da Schahin Engenharia S/A, conjuntamente com as diversas pessoas jurídicas offshore referidas no relatório fiscal. Esse fato ocorreu antes da lavratura dos autos de infração que são objeto da presente lide. A esse respeito, a fiscalização encerra o seguinte comentário, junto ao item 5.12.7 do relatório fiscal: 5.12.7 Cumpre ressaltar que a SCHAHIN PETRÓLEO E GAS S/A não foi requerente do pedido de recuperação judicial, muito embora, e a SCHAHIN ENGENHARIA S/A (centro das decisões conforme se declara) assim enfatiza, todo o GRUPO SCHAHIN (nacional e internacional) se encontra envolvido das engrenagens do PROJETO GLOBAL, mesmo que como simples garantidora. Desta feita, considera a fiscalização imprescindível que conste também deste relatório fiscal as declarações da SCHAHIN ENGENHARIA S/A no contexto da recuperação judicial. II DA AUTUAÇÃO A ação fiscal teve por escopo a análise dos contratos apresentados à fiscalização no curso de diligência realizada junto às pessoas jurídicas SCHAHIN ENGENHARIA S/A e SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S/A, bem como as respectivas gênese e execução dessas avenças. Tratamse de contratos coligados de “afretamento” e de “prestação de serviços” ou “operação” de unidades de exploração e produção de petróleo, realizados ao abrigo do procedimento licitatório simplificado de que trata o Decreto nº 2.745/1998, capitaneados pela pessoa jurídica Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras), conforme quadro apresentado à fl. 110 do relatório fiscal, que reproduzo a seguir: Em face da aproximação do lapso decadencial, a fiscalização promoveu junto ao processo 19515.721387/201473 a constituição do crédito tributário em relação aos fatos geradores atinentes ao ano calendário de 2009, de titularidade da Schahin Engenharia S/A. Isso corresponde, no âmbito da fiscalização, aos fatos vinculados aos contratos de 2070.0031358.07.2 e 187.2.122.018, pertinentes à unidade autoelevatória NORTH STAR I e ao naviosonda SC LANCER, respectivamente. Fl. 3025DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.113 5 Já quanto aos fatos geradores havidos de 2010 a 2013, houve a formalização de processos distintos para tratamento dos fatos geradores atinentes à Schahin Engenharia S/A (processo nº 19515.320304/201518) e à Schahin Petróleo e Gás S/A (processo nº 19515.720305/201554). O raciocínio empreendido pela autoridade fazendária para entender caracterizada a hipótese de incidência que repercutiu nos lançamentos de ofício relativos aos fatos havidos no ano de 2009 na Schahin Engenharia S/A levou em consideração a análise dos fatos que circunscreveram todos os contratos relacionados na tabela acima. Assim, é possível afirmar que as premissas adotadas pela fiscalização para a constituição do crédito tributário em relação aos fatos geradores havidos de 2010 a 2013, tanto na Schahin Engenharia S/A (processo nº 19515.320304/201518), quanto na Schahin Petróleo e Gás S/A (presentes autos), são rigorosamente as mesmas que orientaram o lançamento havido no processo precedente, de 19515.721387/201473. O cenário em que inseridos esses contratos, em apertada síntese, é o seguinte: uma empresa nacional (no caso concreto, a Petrobras) contrata, por meio de procedimento licitatório simplificado, o afretamento de unidade operacional (NORTH STAR I, SC LANCER, SS PANTANAL, CERRADO e outras) a uma empresa residente no exterior (TURASORIA S/A LLC, SORATU DRILLING LLC, AIROSARU DRILLING LLC e outras) e, simultaneamente, contrata a prestação de serviços de operação dessa mesma unidade a empresa brasileira (Schahin Engenharia S/A ou Schahin Petróleo e Gás S/A). Sob o aspecto formal, esses contratos são independentes, de acordo com a figura juntada aos autos pela fiscalização à fl. 52 do relatório fiscal, que reproduzo a seguir: A alocação do preço global dos dois contratos é realizada na ordem de 90% para a atividade de “afretamento” e 10% para a atividade de “prestação de serviços”. Tal diretriz é fixada pela Petrobras, já na formalização do edital de contratação. De vez que as empresas fretadoras são domiciliadas no exterior (no caso específico dos autos, majoritariamente no estado americano de Delaware), não houve tributação a título de IRPJ e reflexos quanto às receitas vinculadas à atividade de afretamento, que representaram a maior parte dos pagamentos realizados no contexto dos contratos analisados. Tampouco houve retenção de imposto de renda na fonte quanto a esses pagamentos, em face do disposto no art. 691, I, do RIR/99, que atribui Fl. 3026DF CARF MF 6 alíquota zero em relação aos rendimentos derivados do afretamento de embarcações marítimas. Segundo a fiscalização, a estrutura bipartida adotada no caso concreto é artificial, de vez que a execução material de todo o projeto – em todos os contratos analisados no curso da auditoria – foi sempre levada a efeito pela empresa nacional do grupo Schahin (no caso dos autos, Schahin Petróleo e Gás S/A), inexistindo atuação efetiva por parte das fretadoras offshore. Nesse contexto, por entender caracterizada a “unicidade societária, volitiva, negocial, operacional, os interesses jurídicos, econômicos e financeiros em comum, a materialidade dos atos efetivamente praticados pelo contribuinte, e o claro e manifesto planejamento voltado a dissimilar a ocorrência do fato gerador, alterar a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária (destacadamente os aspectos: material, espacial e subjetivo) a fiscalização considerou para todos os fins, como sendo RECEITA OPERACIONAL DA SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S/A a RECEITA AUFERIDA pelas FRETADORAS "OFFSHORE" em contratos de FRETAMENTO de embarcações e plataformas para a PETROBRÁS envolvendo o GRUPO SCHAHIN em contrato coligado para a OPERAÇÃO (SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S/A) (...)”. [Grifos do original, fl. 880 do RF] Além da exigência fiscal dos tributos decorrentes da caracterização de omissão de receitas, a fiscalização entendeu caracterizada a hipótese (a) de aplicação de multa qualificada, de que trata o art. 44, I e §1º da Lei nº 9.430/1996, face à ocorrência de sonegação, fraude e conluio, e (b) de multa agravada, de que trata o art. 44, I e §2º da Lei nº 9.430/1996, em face da ausência de apresentação, pela fiscalizada, dos atos constitutivos, documentos comprobatórios da designação de administradores e procurações a representantes legais das fretadoras offshore, bem como de outros documentos e esclarecimentos requeridos por meio de intimações. A fiscalização entendeu, ainda, que as pessoas físicas MILTON TAUFIC SCHAHIN, SALIM TAUFIC SCHAHIN, CARLOS EDUARDO SCHAHIN e FERNANDO SCHAHIN praticaram atos em infração à lei, configurando a hipótese de responsabilização solidária de que trata o art. 135 do CTN, e que as pessoas jurídicas S2 PARTICIPAÇÕES LTDA e SCHAHIN HOLDING mantinham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, de maneira que também foram arrolados como responsáveis, com forte no art. 124, I, do CTN. A fiscalização apresentou extensa argumentação, lastrada em amplo manancial probatório, na defesa da tese de simulação. O RF, como referido acima, é composto por 963 páginas, com enfrentamento detalhado da matéria de fato. À vista do índice do RF, é possível distinguir que as razões da autoridade fazendária estão organizadas em dez capítulos centrais (consistindo o décimo primeiro capítulo em resumo dos anteriores), conforme discriminado a seguir. Vale registrar que o presente RF guarda total semelhança com aquele que deu suporte à autuação precedente, formalizada contra a pessoa jurídica Schahin Engenharia S/A, instruída junto ao processo 19515.721387/201473. Todavia, é relevante observar que, no novo relatório, a fiscalização reforçou a sua linha de argumentação mediante a utilização de elementos extraídos do pedido de recuperação judicial protocolizado em 17/04/2015, conforme descrito na sequência. Capítulo 1 do Relatório fiscal – Contratos Coligados O capítulo 1 tem por objeto a análise, sob o aspecto formal, dos contratos celebrados entre (i) Petrobras e fretadoras offshore e (ii) Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.114 7 Petrobras e operadora SCHAHIN, que, segundo a fiscalização, indicam confusão entre as partes, sócios, domicílio das fretadoras, objeto, obrigações e responsabilidades, como se vê nos excertos seguintes: “ (...) a análise meramente formal dos contratos celebrados entre PETROBRAS e FRETADORAS OFFSHORE e PETROBRAS e OPERADORA SCHAHIN, (...), já indica confusão entre partes, sócios, domicilio, objeto, obrigações e responsabilidades”. “(...) todos os contratos apresentados apresentam uma característica em comum, qual seja um padrão de formatação, um modelo que se repete a todos os casos, seja em afretamentos, seja em operação”. “Na qualificação das FRETADORAS, uma característica marcante é a presença de uma pessoa jurídica FRETADORA sempre sediada em zona de tributação favorecida”. “chama a atenção o fato de que praticamente todas as pessoas jurídicas sediadas no exterior (FRETADORAS) possuírem o mesmo domicilio contratual e legal (...): Corporation Trust Center, 1209, Orange Street, Wilmington, Delaware, 19801, USA”. “Também os representantes legais das FRETADORAS são na maioria das vezes as mesmas pessoas: Milton Taufic Schahin e Salim Taufic Schahin”. “(...) eventualmente os representantes legais da FRETADORA são prepostos dos sócios da SCHAHIN ou da SCHAHIN”. Ou seja: “os representantes legais das FRETADORAS que firmam tais contratos são rigorosamente os mesmos sócios administradores e representantes legais das pessoas jurídicas SCHAHIN ENGENHARIA S/A e SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S.A, pertencentes ao grupo SCHAHIN (OPERADORES)”. “há a cláusula de solidariedade através da qual o OPERADOR se solidariza com o AFRETADOR nos contratos desses últimos com a PETROBRAS e, correspondentemente, o FRETADOR se solidariza com o OPERADOR nos contratos desses últimos, conforme amostragem. “Todos os solidários (...) são responsáveis perante a PETROBRAS, pelo todo, independente de ordem de preferência”. “(...) a formalidade contratual está totalmente condizente com a alegação da fiscalização de que as FRETADORAS "OFFSHORE" são INOPERANTES em todos os sentidos. O centro emanador de decisões é a SEDE da SCHAHIN EM SÃO PAULO que, inclusive, efetiva todos os atos formais e materiais na consecução do PROJETO SCHAHIN PETROBRAS FRETADORAS ‘OFFSHORE’. Tal circunstância é formalmente reconhecida pela contribuinte junto à petição inicial da recuperação judicial formalizada em 17/04/2015, “NA QUAL A SCHAHIN RECONHECE A INOPERABILIDADE EM TODOS OS SENTIDOS DAS FRETADORAS "OFFSHORE". O CENTRO EMANADOR DE DECISÕES É A SEDE DA SCHAHIN EM SÃO PAULO”. “A cláusula de responsabilidade solidária possui o seguinte teor: ‘...como empresa juridicamente solidária quanto às obrigações dele decorrentes, independentemente de causa, origem, ou natureza jurídica...’. Ou seja, a solidariedade contratual é total e irrestrita”. “Chama a atenção a total desproporcionalidade em desfavor da OPERADORA SCHAHIN, já que as FRETADORAS OFFSHORE (...) não possuem patrimônio a responder contratualmente”. “No caso das FRETADORAS, a garantia nunca se dá sobre patrimônio algum (já que elas não detêm patrimônio), mas sempre se Fl. 3028DF CARF MF 8 resume à cessão condicionada de contratos de AFRETAMENTO, cessão fiduciária destes e conta bancária de recebíveis dos referidos contratos vinculada em poder de agentes administrativos representantes dos credores”. “Naturalmente, em caso de inadimplemento contratual, a PETROBRAS acionaria a parte solidária SCHAHIN para reivindicação da pretensão ressarcitória e indenizatória ou da própria execução contratual”. “(...) a SCHAHIN assume a questão obrigacional nos contratos de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO e também a responsabilidade, já que a solidariedade com quem não tem capacidade operacional nem patrimonial significa o mesmo que contrato único com a SCHAHIN. É nesta configuração em que se verifica a confusão entre os responsáveis pelo contrato de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO”. “(...) a SCHAHIN é a contratante originária do seguro global das embarcações/plataformas (FRETADORAS inertes como de costume) para posteriores endossos às FRETADORAS OFFSHORE no que se refere ao afretamento. Tal cronologia é incomum, já que as FRETADORAS são as responsáveis por colocar a embarcação/plataforma em posição e em condições de operação (SCHAHIN), ou seja, as FRETADORAS deveriam contratar o seguro originariamente para posterior endosso da parte que cabe à SCHAHIN correspondente ao rateio para a fase de OPERAÇÃO”. A questão da formalidade dos documentos comprobatórios do adimplemento contratual como faturas, notas fiscais, pagamentos e transferências também contém características que denunciam uma unidade administrativa concentrada na figura da empresa nacional do grupo Schahin em detrimento das fretadoras offshore. “No caso em destaque, a PETROBRAS apresentou as FATURAS emitidas, em tese, pelas FRETADORAS OFFSHORE em contrapartida dos pagamentos realizados pelo CONTRATO DE AFRETAMENTO. Como as FRETADORAS não tem representação no Brasil, em tese, deveriam emitir suas FATURAS na língua inglesa, o que não ocorre já que se apresentam em português. Mas não é esta a principal observação, mas sim o carimbo da SCHAHIN (diretores da SCHAHIN) atestando ou aprovando a FATURA. Ora, como pode ser possível, conforme a alegação da SCHAHIN de mera interveniência nos contratos de AFRETAMENTO, ter acesso na figura de um diretor da SCHAHIN para aprovar a emissão de FATURAS da FRETADORA OFFSHORE?” Capítulo 2 do Relatório fiscal – Confusão patrimonial No capitulo 2, a fiscalização aborda “a sistemática da unidade PATRIMONIAL entre SCHAHIN e FRETADORAS OFFSHORE, na qual o patrimônio da SCHAHIN é o único a responder perante as garantias dos credores financiadores do projeto, construção das embarcações/plataformas, os contratos de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO e suas execuções”, como se vê nas transcrições seguir: “A SCHAHIN (...) é responsável pela integral concepção do projeto de forma global, quer seja, desde o financiamento como fonte de recursos para a construção das embarcações/plataformas, passando pela consultoria licitatória do afretamento e operação, gestão de construção, transporte, homologação, comissionamento e operação das embarcações”. “Pois bem, a SCHAHIN ou o grupo SCHAHIN (mormente SCHAHIN HOLDING, SCHAHIN ENGENHARIA e ENGENHARIA PETRÓLEO E GÁS dentre outros do GRUPO) é a responsável por garantir o funcionamento de todo o sistema através de um sistema interligado de Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.115 9 garantias das mais variadas ordens, desde cessão fiduciária de créditos, alienação fiduciária de créditos, garantias reais, fianças, etc. Tal medida se faz necessária, pois as OFFSHORES não têm patrimônio relevante para obter por si, os recursos no mercado para empreendimentos de tamanha envergadura”. “Conforme cláusula uniforme e padrão tanto nos contratos de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO, há responsabilização solidária total e irrestrita correspectiva da SCHAHIN nos contratos de AFRETAMENTO e da FRETADORA OFFSHORE em contratos de OPERAÇÃO da SCHAHIN”. “Chama a atenção a total desproporcionalidade em desfavor da OPERADORA SCHAHIN, já que as FRETADORAS OFFSHORE cujas atas constitutivas foram obtidas possuem capital social de US$5.000,00 (SORATU DRILLING LLC) e US$10.000,00 (AIROSARU DRILLING LLC), ou seja, não possuem lastro patrimonial para se responsabilizar perante a PETROBRAS em contratos milionários ou bilionários”. “Incisivamente: é o patrimônio da SCHAHIN a responder pelo contrato alheio PETROBRAS FRETADORA (execução e possível responsabilização por inadimplemento). Essa a interpretação direta da cláusula contratual de SOLIDARIEDADE”. “E mais grave, não há nenhum indício ou comprovação de expertise das FRETADORAS na específica tarefa de afretamento marítimo. A PETROBRAS se recusa a apresentar documentos licitatórios, dentre os quais a qualificação técnica dos vencedores das licitações de AFRETAMENTO. Os sócios das OFFSHORES e também seus representantes também não se manifestaram a respeito”. “Não há registro nenhum de atividade material das OFFSHORES em território nacional. Aquelas que possuem CNPJ foram objeto de pesquisa nos sistemas internos e não há indícios de nenhuma movimentação em contratação de trabalhadores, recolhimento tributário, remuneração a pessoa jurídica, movimentação financeira em território nacional, absolutamente nada”. “A fiscalização constatou inúmeras ATAS DE ASSEMBLÉIA GERAL EXTRAORDINÁRIA realizadas pelo menos desde 2007 arquivadas na JUCESP comprovando de forma expressa, literal e inequívoca a deliberação por unanimidade de 100% do Capital Social de SCHAHIN ENGENHARIA e SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS (sócios e administradores Milton Taufic Schahin e Salim Taufic Schahin) de inúmeras garantias das mais variadas ordens de grandeza e modalidades às pessoas Jurídicas OFFSHORE, também conhecidas por FRETADORAS nos contratos com a PETROBRAS”. “Figura IX56 A SCHAHIN outorga GARANTIAS à CASABLANCA e reconhece suas AFILIADAS: DEEP BLACK DRILLING LLC. BAERFIELD, SORATU e TURASORIA”. “Figura IX58 SCHAHIN HOLDING S.A. outorga GARANTIAS à MS DRILLING LLC (FRETADORA DA NORTH STAR I)”. “A fiscalização também constatou que em Balanços Patrimoniais em Relatórios da Administração publicados pela própria SCHAHIN, constam NOTAS EXPLICATIVAS com expressa e explicita referência às garantias prestadas”. “Os RELATÓRIOS DA ADMINISTRAÇÃO naturalmente refletem a realidade pois constituem uma comunicação oficial ao mercado. E não poderia ser diferente na Petição Inicial da RECUPERAÇÃO Fl. 3030DF CARF MF 10 JUDICIAL protocolada em 17/04/2015, a SCHAHIN assevera que as FRETADORAS ‘OFFSHORE’, suas HOLDINGS e SUBHOLD1NGS integram o GRUPO SCHAHIN INTERNACIONAL”. “Há de se enfatizar que as declarações de SCHAHIN ENGENHARIA S/A e SCHAHIN PETRÓLEO S.A. em resposta aos Termos de Diligência Fiscal sempre foram no sentido de afirmar a sua mera interveniência nos contratos de AFRETAMENTO, inclusive tratandoos como contrato da PETROBRAS com ‘TERCEIROS’ dos quais não dispunham qualquer tipo de informações das ‘entidades’ FRETADORAS, embora essas sejam conhecidas de longa data pela SCHAHIN, inclusive para caucionamentos bilionáríos em dólares americanos expressos nos atos arquivados em junta comercial, diário oficial e relatórios da administração”. “Antes mesmo da análise das garantias nos processos do REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA prestadas pela SCHAHIN em beneficio das FRETADORAS, merece destaque o ADITIVO CONTRATUAL que estabelece tal procedimento. (...) Aditivo contratual do CONTRATO 2050.0042743.08.2 (AFRETAMENTO PETROBRAS E AIROSARU) no qual a SCHAHIN (OPERAÇÃO) se responsabiliza pelo cadastramento no Regime Aduaneiro especial e importação de bens relacionados ao contrato de AFRETAMENTO, no qual não é, em tese, parte executora”. Capítulo 3 do Relatório fiscal – Confusão na execução dos contratos de afretamento e operação No presente capítulo a fiscalização cuida da análise do que denomina “unidade operacional” ou “exclusividade executória” dos contratos de afretamento e operação pela SCHAHIN, conforme excertos a seguir: “Foi a SCHAHIN a executora dos contratos de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO indistintamente, realidade que só foi reconhecida cerca de 12 meses após o inicio da diligência fiscal pelo contribuinte SCHAHIN após as intimações enumerarem provas irrefutáveis de tal procedimento”. “Este o contexto [executora dos contratos de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO] no qual o GRUPO SCHAHIN (mormente SCHAHIN ENGENHARIA S/A e SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S/A) assume o papel de beneficiário do regime de admissão temporária para usufruir dos benefícios fiscais, atuando diretamente na operacionalização do empreendimento que envolve AFRETAMENTO e OPERAÇÃO conjuntamente de plataformas de perfuração, navios sonda e assemelhados”. “Notese que em diversas consultas a processos de requerimento de concessão do regime de admissão temporária relacionadas a embarcações envolvidas nos procedimentos de exploração de petróleo pela PETROBRAS, notadamente: Navio Sonda SC LANCER, (...), não há referência alguma aos FRETADORES (seus propostos ou terceiros contratados pelos mesmos) na identificação do interessado nos requerimentos e assunção de obrigações, responsabilidades ou garantias”. “Ou seja, quem efetua, firma o requerimento e assume as obrigações e responsabilidades, inclusive garantias decorrentes do regime especial é sempre o GRUPO SCHAHIN, inclusive, na listagem de materiais com ingresso submetidos ao regime especial é expressa a referência de material destinado ao cumprimento do contrato de AFRETAMENTO (PETROBRAS e FRETADORAS OFFSHORE)”. “Há de se enfatizar a severa contradição já que, contemporâneo aos fatos, na época dos requerimentos do RAT, as declarações da SCHAHIN são de que importará bens, peças e equipamentos para o Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.116 11 contrato de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO, indistintamente. Já nas declarações durante o procedimento de diligência fiscal, a SCHAHIN ENGENHARIA S/A e SCHAHIN PETRÓLEO S.A. sempre foram enfáticas até a resposta ao TIF04 (Termo de Intimação 04 emitido em 25/02/2014 e respondido em 20/06/2014) no sentido de afirmar a sua mera interveniência nos contratos de AFRETAMENTO, jamais assumindo o papel de participação ativa nesses contratos”. “A operacionalização de tudo [REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA NA PLATAFORMA SC LANCER (Processo 10730.727258/201127)] é promovida pela SCHAHIN conforme amostragem do processo nas figuras: Figura IX80, Figura IX81, Figura IX82, Figura IX83 e Figura IX84. 0 “Figura IX92 Processo de Concessão de Admissão Temporária 10715.725498/201347: este relacionado à embarcação CERRADO, a relação de bens do item 6 consta expressamente que o material refere se ao cumprimento dos contratos 2050.0042743.08.2 e 2050.0042744.08.2, ou seja, AFRETAMENTO (em tese, a cargo da AIROSARO DRILLING LLC) e OPERAÇÃO (em tese a cargo da SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS). “O TERMO DE RESPONSABILIDADE do Regime Especial de Admissão Temporária é sempre firmado por procuradores do GRUPO SCHAHIN ou pelo próprio representante legal. A declaração do GARANTIDOR é firmada pelos sócios e representantes legais do GRUPO SCHAHIN (Srs. Milton ou Salim Taufic Schahin). Inclusive como modalidade de garantia, normalmente em fiança idônea, é sempre prestado por pessoas jurídicas do GRUPO SCHAHIN”. “(...) a SCHAHIN realiza efetivamente a contratação de estrangeiros, a sua regularização em solo pátrio, desembolsam a remuneração que é paga no exterior, assumem total e irrestrita responsabilidade pelos estrangeiros e que trabalham nos contratos de AFRETAMENTO das OFFSHORES. Contrato este estranho à SCHAHIN, pelo menos formalmente, mas não na prática como podemos perceber com evidencia”. Exemplos de elementos de prova estão juntados junto às figuras IX100 e IX101, cujos títulos estão transcritos a seguir: • “Figura IX100 – (...) a SCHAHIN ENGENHARIA S/A estabelece como JUSTIFICATIVA para a contratação do estrangeiro, o CONTRATO DE AFRETAMENTO, do qual não é parte, mas o são PETROBRAS e TURASORIA S.A. LLC”. • “Figura IX101 EXEMPLO DE ESPECIALIDADE E DESCRIÇÃO DE ATIVIDADES RECORRENTES NOS PROCESSOS NO MTE DE TRABALHADORES ESTRANGEIROS. FUNÇÕES DE MONTAGEM, INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE RESPONSABILIDADE DO FRETADOR OFFSHORE DONO DA PLATAFORMA OU EMBARCAÇÃO. “Outrossim, a filial de MACAÉ RJ da SCHAHIN é a base de operações ONSHORE que propicia o suporte para todas as plataformas e embarcações no seu raio de alcance. Curiosa é a classificação CBO de empregados alocados nesta filial: há funções típicas de operação (responsabilidade da SCHAHIN ENGENHARIA S/A), mas também funções CBO típicas de atividades de docagem e manutenção (responsabilidade das FRETADORAS OFFSHORE)”. Capítulo 4 do Relatório fiscal – Organização global do projeto As considerações pertinentes ao capítulo 4 estão reunidas em 160 páginas e organizadas em 22 itens. As conclusões da fiscalização e os Fl. 3032DF CARF MF 12 elementos de prova relativos ao presente capítulo foram obtidos, fundamentalmente, mediante diligências a (a) instituições financeiras (mormente o Deutsche Bank S.A.), (b) a GUSTAVO AKIO SHINOHARA (executivo da SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S/A), (c) a KENJI OTSUKI (representante legal de fretadoras offshore), a (d) sócios e administradores da SCHAHIN e a (e) pessoas físicas que atuaram em postos relevantes na construção das embarcações. A fiscalização objetiva aqui evidenciar “a estrutura global do projeto” levado a efeito pelo grupo SCHAHIN, apresentandoo como uma “ORGANIZAÇÃO AMPLA que inclui a criação de um COMPLEXO SISTEMA FINANCEIRO que embasa a organização do projeto como um todo, participações e conquista de LICITAÇÕES na modalidade convite internacional junto à PETROBRAS, a busca por FINANCIADORES MÚLTIPLOS, inclusive do próprio construtor da embarcação/plataforma em alguns casos, prestação de GARANTIAS para caucionar tais credores, gerenciamento da CONSTRUÇÃO em estaleiros no exterior (China e Coréia do Sul, por exemplo), transporte, comissionamento, aceitação e homologação em águas brasileiras e finalmente o AFRETAMENTO e OPERAÇÃO e MANUTENÇÃO”. Em síntese, as conclusões do capítulo são as seguintes: “Logicamente que a SCHAHIN não atua tão somente na prestação de serviços de OPERAÇÃO conforme reiteradas alegações nesse sentido em diversas respostas aos Termos de Intimação, mas também na direção de todo o empreendimento desde a aprovação de garantias aos credores múltiplos, da organização societária das FRETADORAS OFFSHORE, da construção das embarcações/plataformas, das licitações, dos contratos de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO, manutenção, recebimentos, pagamentos dos credores, dos custos e despesas no exterior”. “Neste contexto, as empresas OFFSHORE possuem existência meramente formal a fim de possibilitar o recebimento dos numerários do CONTRATO DE AFRETAMENTO em solo livre de tributação ou com tributação favorecida, objetivo final não de planejamento tributário, mas de simulações sucessivas e encadeadas. Mas a bem da verdade, toda esta complexa estrutura foi delineada tendo somente os dois personagens: GRUPO SCHAHIN e PETROBRAS”. Os tópicos de maior relevo que embasam as conclusões da fiscalização são os seguintes: Do financiamento do projeto global “Dado que o DEUTSCHE BANK S.A. BANCO ALEMÃO consta em várias publicações de Atas de Assembleia Geral Extraordinária (JUCESP, DIÁRIO OFICIAL EMPRESARIAL, RELATÓRIOS DA ADMINISTRAÇÃO DO GRUPO SCHAHIN) como agente financiador (CREDOR) de inúmeras operações financeiras estruturadas em benefício do GRUPO SCHAHIN e FRETADORAS "OFFSHORES” e suas HOLDINGS, a instituição financeira foi intimada no âmbito de diligência fiscal a prestar esclarecimentos e apresentar documentos comprobatórios de tais operações”. “Com base nas informações obtidas em sede de diligência, observou se que “a SCHAHIN presta GARANTIAS nas operações financeiras estruturadas junto ao DEUTSCHE BANK e outros financiadores ou investidores para levantar recursos não só para viabilizar a construção das embarcações/plataformas, testes, comissionamento, transporte, aceitação, operação e manutenção, mas também rolagem de dívidas, refinanciamento de projetos em situação de "default", ou seja, inadimplidos ou com deficiência de caixa e emissão de títulos lastreados nas embarcações já em operação para fomentar outros Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.117 13 empreendimentos. Ou seja, a SCHAHIN é sempre garantidora em contratos das FRETADORAS OFFSHORE e o DEUTSCHE BANK tem presença constante na maioria dos contratos identificados seja como agente administrativo (representante dos credores), agende fiduciário ou agente de garantias e também como financiador”. Junto à tabela IX13, a descrição de operação financeira estruturada para financiar a construção da unidade SERTÃO: Do fluxo financeiro das operações A fiscalização teve notícia de que empresas vinculadas ao grupo SCHAHIN sofreram execução de sentença arbitral junto à Corte Distrital de Nova Iorque. Tal informação, assim como todas as peças processuais pertinentes ao procedimento, são de domínio público. Com forte na análise dessa execução, em particular as declarações prestadas junto à Corte Distrital pelo diretor financeiro da SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S/A – AKIO SHINOHARA (que foi posteriormente diligenciado pela fiscalização), o agente fiscal concluiu o que segue: “(...) a SCHAHIN, em sede de execução de sentença arbitral em território norte americano, foi obrigada a se defender de medidas constritivas patrimoniais que lhe atingiam e também às OFFSHORES e holdings dessas últimas, revelando alguns aspectos do funcionamento do financiamento e fluxo financeiro das operações”. “Em síntese, agentes financiadores múltiplos disponibilizavam os recursos financeiros mediante garantias das mais variadas ordens da Fl. 3034DF CARF MF 14 SCHAHIN, inclusive seus próprios contratos de OPERAÇÃO com a PETROBRAS em alienação fiduciária (...)”. “Mas para empreendimentos de tamanha envergadura, garantias nunca se bastam aos credores e também se estendiam às próprias contas bancárias dos mutuários e subsidiárias dos mutuários ("HOLDINGS OFFSHORE" como CASABLANCA, SEA BISCUIT, BLACK GOLD e suas subsidiárias FRETADORAS OFFSHORES como AIROSARU, SORATU, BAERFIELD, DLEIF) de tal sorte que, contratualmente estabelecido, as receitas ingressas não poderiam ser sacadas, transferidas, nem estavam à disposição dos mutuários contratantes com a PETROBRAS, mas em virtude de acordo prévio com credores seniores (originários e principais), deveriam ser direcionadas ao pagamento de principal e juros precipuamente para, "a posteriori", obedecerem a uma seqüência ordenada e prioritária de destinações, as chamadas "waterfalls" ou cachoeiras da conta principal. Ou seja, tudo deveria funcionar em sincronismo total: empréstimos deveriam ser saldados com receitas dos contratos com a PETROBRAS (AFRETAMENTO e OPERAÇÃO) e qualquer atraso no início ou desenvolvimento de qualquer fase poderia ocasionar um efeito cascata e paralisar recebimentos e pagamentos se os credores executassem as garantias”. Particularmente em relação ao navio sonda SC LANCER e à fretadora TURASORIA, as conclusões estão evidenciadas junto ao item 4.6 do RF: “Ou seja, a SCHAHIN [Schahin Engenharia S/A] constitui uma pessoa jurídica de propósito específico em Paraíso Fiscal (Ilhas Virgens Britânicas): LANCER FINANCE COMPANY com a justificativa na matéria de que isso possibilitaria a companhia acessar o mercado internacional de títulos ao invés de levantar fundos no Brasil, como se uma empresa brasileira não pudesse fazêlo sediada em território nacional. A LANCER FINANCE COMPANY é responsável pela emissão dos títulos garantidos pela: SCHAHIN ENGENHARIA S/A, TURASORIA S.A. (sediada no Panamá) e pela TURASORIA S.A. LCC (sediada em Delaware). Os objetos de garantia são: o contrato de AFRETAMENTO entre TURASORIA S.A. LCC e PETROBRAS, apólices de seguro da embarcação e contas bancarias. Não há dúvidas de que a SCHAHIN [Schahin Engenharia S/A] orquestra toda a estrutura de financiamento do PROJETO GLOBAL, constituindo empresas em Paraíso Fiscal, garantindo financiadores inclusive com ativos próprios”. “O relato da agencia MOODY´s é categórico: a RECEITA da SCHAHIN ENGENHARIA S/A pela operação da SC LANCER não consegue cobrir 40% dos custos operacionais, ou seja, a SCHAHIN [Schahin Engenharia S/A] tem prejuízo na operação brasileira, é deficitária para fins de tributação. O restante para cobrir tais despesas operacionais é resultado do saldo das contas "waterfall" no exterior, controlada pelos agentes representantes dos credores, após o direcionamento do principal, juros e demais encargos contratuais aos CREDORES (inclusive de portadores de títulos emitidos para captação de recursos). Este é o motivo da desproporcionalidade entre receitas de contratos de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO (9 para 1 aproximadamente): tornar a operação doméstica deficitária e a operação OFFSHORE altamente lucrativa e domiciliada em Paraíso Fiscal”. “É notória a unicidade do real beneficiário. Ora, os sócios da SCHAHIN [Schahin Engenharia S/A] são concomitantemente administradores das pessoas jurídicas TURASORIA S.A. e Fl. 3035DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.118 15 TURASORIA S.A LLC, além de sócios das mesmas indiretamente, através de suas holdings, ou seja, também proprietários do navio sonda (SC LANCER é de propriedade da TURASORIA S.A. que freta à TURASORIA S.A. LLC que por sua vez a freta à PETROBRAS). A SCHAHIN ENGENHARIA S/A, como agente garantidor, oferece um contrato de AFRETAMENTO da TURASORIA S.A. LLC (que, em tese e formalmente em nada se relaciona com a sua pessoa no que se refere às receitas decorrentes) em garantia, dispondo também das contas bancárias de recebimento do referido contrato e outras de titularidade da própria SCHAHIN [Schahin Engenharia S/A]”. A fiscalização esmiúça, ainda, as operações estruturadas vinculadas ao financiamento das embarcações PLATAFORMAS SS PANTANAL e SS AMAZÔNIA (item 4.7 do RF), VITÓRIA 10000 (item 4.8 do RF), CERRADO (item 4.9 do RF), SERTÃO (item 4.10 do RF), bem como as operações de “SBLC” (standby letter of credit”) e “trade finance” realizadas para fins de prover fundos para “contas reservas” e “compras e aquisições de equipamentos e spare parts”, respectivamente, em benefício das embarcações SC LANCER, CERRADO e SERTÃO (item 4.11 do RF). Para todas essas situações, minudentemente detalhadas, a conclusão foi de que “(...) toda a estrutura financeira e o fluxo financeiro foi planejado e executado pela SCHAHIN [grupo SCHAHIN] na figura de seus sócios e administradores MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN e FERNANDO TAUFIC SCHAHIN”. Diligência ao representante legal de fretadoras offshore Junto ao item 4.13, a fiscalização evidencia o resultado de diligência realizada junto a KENJI OTSUKI, de vez que este “consta em diversos contatos de financiamento declarando e assinando como representante legal ou administrador de algumas FRETADORAS "OFFSHORES" tais como BAERFIELD, SORATU, MS DRILLING, TURASORIA”. KENJI OTSUKI também consta em diversas procurações outorgadas pelos administradores da grande maioria das FRETADORAS OFFSHORE, os "managers" MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN. Relativamente às respostas providas pelo intimado, a fiscalização evidencia a negativa por parte do intimado em apresentar documentos requeridos pela fiscalização e classifica tal conduta como dolosa, como se vê a seguir: “o Sr. KENJI OTSUKI afirma que já foi empregado do GRUPO SCHAHIN como contador e atualmente presta serviços como pessoa jurídica à SCHAHIN ENGENHARIA S/A, SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS SA. e SCHAHIN HOLDING S.A. e TAMBÉM atuou de forma concomitante, ora como ADMINISTRADOR, ora como REPRESENTANTE, das FRETADORAS OFFSHORE MS DRILLING LLC., TURASORIA, BAERFIELD e SORATU, mas que não dispõe de nenhum documento comprovando tais representações”. “Portanto é nítida a manobra dolosa omissiva do diligenciado, impossível pois, que alguém represente sem que saiba quem representa, presente sem ter o poder de comando, pratique negócios jurídicos ou mesmo atos jurídicos sem que saiba quais poderes detém, quais os seus limites e qual a finalidade da sua declaração qualificada de vontade.” “Também resta caracterizado o conluio com a SCHAHIN [Schahin Engenharia S/A], tanto que efetuou a entrega do documento de resposta ao Termo de Intimação de diligência fiscal à pessoa física Fl. 3036DF CARF MF 16 KENJI OTSUKI por meio de portador da SCHAHIN, com rotulagem de envelope do Departamento Jurídico da SCHAHIN (...)”. Diligência nos sócios e administradores da Schahin A exemplo do tópico anterior, a fiscalização evidencia a conduta do intimado – MILTON TAUFIC SCHAHIN, administradorpresentante das empresas nacionais do grupo Schahin e sócio indireto das fretadoras – de deliberadamente não apresentar os documentos requeridos. Se não, vejamos: “Diante do robusto conteúdo probatório documental e material em destaque nos CAPÍTULOS anteriores, com o propósito de oferecer aos sócios administradores da SCHAHIN o contraditório e a ampla defesa, houve instauração de procedimento de diligência fiscal nos sócios: MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN”. “Em resposta à diligência fiscal, MILTON TAUFIC SCHAHIN respondeu de forma e evasiva e pouco enfática aos questionamentos e afirmações (...)”. “MILTON TAUFIC SCHAHIN reconhece que é administrador das FRETADORAS OFFSHORE, as quais celebram contratos da ordem de bilhões de dólares americanos embora "não possua documentação comprobatória". “Questionado sobre o fato do GRUPO SCHAHIN caucionar financiamentos nacionais e internacionais da ordem de bilhões de dólares americanos para o PROJETO GLOBAL das FRETADORAS OFFSHORE (que envolve inclusive a construção de plataformas e embarcações), MILTON TAUFIC SCHAHIN afirma desconhecer informações e documentos das fretadoras”. Consultoria nas licitações “A justificativa para a PETROBRAS fazer constar em seus cadastros para convite internacional empresas como AIROSARU, BAERFIELD, DLEIF, SORATU, TURASORIA com capital social de 10 e 5 mil dólares americanos, sem nenhuma experiência no ramo de embarcações de petróleo, sem patrimônio, corpo de funcionários, nem representação no Brasil ainda é fato obscuro, já que a PETROBRAS não revela a documentação do procedimento administrativo licitatório mesmo após 15 meses de insistentes intimações”. “Também é inexplicável que contratos juridicamente e materialmente independentes sob o ponto de vista dos licitantes (já que as licitações não são conjuntas para FRETAMENTO e OPERAÇÃO conforme cartas convite apresentadas pela PETROBRAS, ou seja, não há qualquer tipo de consórcio entre as FRETADORAS e SCHAHIN) tenham sido conquistados justamente aos pares que tanto interessam aos partícipes das licitações: sempre FRETADORA OFFSHORE do GRUPO SCHAHIN (como restará cabalmente demonstrado no CAPITULO 9) e OPERADORA SCHAHIN”. Participação decisiva da Schahin no projeto de construção das embarcações e plataformas “Conclusões na diligência na LA CONSULTORIA: A SCHAHIN efetivamente contrata pessoas, bens e serviços para aplicar na construção de embarcações da atividade de exploração de petróleo junto aos fabricantes no exterior. A participação não é de mera interveniência para prévio conhecimento de quem somente intenta executar isoladamente a fase de OPERAÇÃO no Brasil conforme as alegações da SCHAHIN em resposta aos Termos de Intimação iniciais”. “A SCHAHIN gerencia a construção em paralelismo com o estaleiro chinês, com voz decisória de dono. Fl. 3037DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.119 17 “A participação é efetiva na gestão e direção do projeto, com rigor de dono desde o nascedouro da plataforma, objeto de contratos formais com a PETROBRAS de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO. A SCHAHIN participa efetivamente da finalização da fabricação e liberação para o transporte para águas nacionais”. “A SCHAHIN também é responsável pela atividade de COMISSIONAMENTO, quer seja, testes e homologação de todas as especificações técnicas e operacionais, além de testes de aceitação pela PETROBRAS antes de ser colocada em funcionamento. “É também de suma importância a declaração de que a PETROBRAS realizava auditorias na obra no estaleiro asiático, ou seja, tinha perfeito conhecimento de tudo o que se passava cm termos de reais atribuições dos personagens do esquema contratual: PETROBRAS, FRETADORAS e OPERADORAS, estas duas últimas se FUNDINDO na figura exclusiva da SCHAHIN”. “Sintetizando: • A PETROBRAS não explica como as FRETADORAS OFFSHORE, vencedoras das licitações por convite internacional demonstraram suas aptidões jurídicas, técnicas, operacionais. • A PETROBRAS estipulou contratos coligados com FRETADORAS e SCHAHIN, ambas com mesmos sócios, representantes legais, responsabilidade solidária total e irrestrita. • A PETROBRAS tem conhecimento que a SCHAHIN é a gestora da construção em solo estrangeiro. • A PETROBRAS conhece os termos do projeto global orquestrado pela SCHAHIN e se alinha aos desígnios dos autores c criadores. “Por fim, nada impede que a SCHAHIN e a PETROBRAS contratem o que bem entendam (dentro do juridicamente permitido) para a fiel realização de suas necessidades negociais, mas se a SCHAHIN é mentora da estrutura financiadora, organiza as propostas vencedoras das licitações das FRETADORAS, gerencia a construção dos navios, testes e configurações, providencia o transporte da embarcação/plataforma, acompanha a homologação pela PETROBRAS no Brasil e promove também a OPERAÇÃO, qual a função da FRETADORA OFFSHORE? Mais uma comprovação de que as FRETADORAS somente emprestam a existência formal para receber a receita majoritária do projeto global em Paraíso Fiscal, livre de tributação”. Gestão de mão de obra da Schahin no exterior Com vistas a comprovar a relação diretiva da SCHAHIN na construção de embarcações/plataformas em estaleiros asiáticos, a fiscalização promoveu diligências junto a trabalhadores que atuaram nessa fase de construção como empregados ou prestadores de serviços diretos da SCHAHIN junto aos estaleiros no exterior. Abaixo, estão transcritos excertos das principais conclusões apuradas no tópico: “Para comprovar a relação diretiva da SCHAHIN na construção de embarcações/plataformas em estaleiros asiáticos foram coletados em diligência fiscal depoimentos dos trabalhadores que trabalharam nesta fase de construção como empregados ou prestadores de serviços diretos da SCHAHIN junto aos estaleiros no exterior. Como o período de trabalho foi prolongado e se deu recentemente, muitos diligenciados relataram com riqueza de detalhes e documentação idônea que comprovaram inequivocamente a exclusividade de execução da Fl. 3038DF CARF MF 18 SCHAHIN também nesta fase de Construção e a "ausência" de ação das FRETADORAS OFFSHORE em qualquer manifestação”. “O TRANSPORTE da plataforma até o Brasil (em tese, responsabilidade da FRETADORA (SORATU ou BAERFIELD), que durou 40 dias, foi contratado pela SCHAHIN diretamente com a proprietária de um navio DOCA que efetuou o serviço”. “Ainda após a fase de COMISSIONAMENTO, a SCHAHIN se encarregou da fase de ACEITAÇÃO E HOMOLOGAÇÃO (em tese, tarefa do AFRETADOR e da PETROBRAS), já que tal fase antecede também a OPERAÇÃO. A responsabilidade era da SCHAHIN em apresentar a plataforma 100% operacional”. “Segundo o depoimento [de funcionário da SCHAHIN que exercia a função de “coordenador da construção naval “, conforme item 4.17.1 do RF], a embarcação SC LANCER pertence à SCHAHIN ENGENHARIA S/A O funcionário da SCHAHIN afirma que desempenhou serviços de manutenção, reparo e docagem, o que, em tese, deveriam ser desempenhadas pela FRETADORA da SC LANCER, a OFFSHORE TURASORIA”. “A SCHAHIN fornecia a mão de obra especializada e toda a infra estrutura para seus colaboradores e a PETROBRAS acompanhava trimestralmente o desenvolvimento da construção, ou seja, possuía conhecimento de tudo o que se passava”. “Rigorosamente todos os trabalhadores diligenciados afirmam o corpo diretivo e gerencial da SCHAHIN desempenhando funções de direção e fiscalização com rigor de dono”. “A SCHAHIN era responsável por toda a infraestrutura que suporta o trabalhador em soloVestrangeiro”. “Os contratos de fornecimentos de materiais, equipamentos utilizados na construção das plataformas tinham como parte contratante as FRETADORAS OFFSHORE, mas eram elaboradas pelo departamento jurídico da SCHAHIN e gerenciados pela equipe comercial da mesma no Brasil. Ou seja, demonstra mais uma vez a total inoperabilidade da FRETADORA OFFSHORE. “A SCHAHIN controlava a parte técnica e financeira, em uma fase que, em tese, seria tarefa única e exclusiva da FRETADORA OFFSHORE”. “A PETROBRAS efetivamente tinha não só conhecimento dos papéis exatos desempenhados pela SCHAHIN como da inoperabilidade das FRETADORAS OFFSHORE, pois acompanhava de perto a fase de construção no exterior e demandava informações diretamente da SCHAHIN no Brasil”. “(...) o subordinado da SCHAHIN gerenciou CONTRATOS DE FRETAMENTO DAS OFFSHORE com a PETROBRAS, atestando óbvia confusão entre execução de contratos, inclusive com a confirmação de que a FRETADORA sequer zelou pelo adimplemento de suas obrigações contratuais”. “A SCHAHIN foi responsável pela abertura de uma empresa de apoio logístico para compras de material e equipamentos em HOUSTON TEXAS, EUA (região notabilizada pela indústria do petróleo), para atender exclusivamente os projetos de construção de embarcações e plataformas. Com tantas FRETADORAS em solo americano (DELAWARE), a SCHAHIN teve que se mobilizar para tal tarefa porque as OFFSHORE são inoperantes”. “A SCHAHIN participava ativamente da fase de ACEITAÇÃO da plataforma/embarcação, zelando pelas correções necessárias. Tarefa do FRETADOR e não do OPERADOR”. Gestão de fornecedores da Schahin aos estaleiros no exterior Fl. 3039DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.120 19 “Uma pessoa jurídica foi constituída no TEXASEUA especialmente para concentrar as compras de bens, produtos e equipamentos necessário às FRETADORAS (que tem sede em DelawareEUA). Esta empresa no TEXAS somente atendia aos contratos de FRETAMENTO da PETROBRAS coligados com a SCHAHIN”. “A SCHAHIN provia, ainda, suporte préoperacional junto aos fabricantes de equipamentos, especificações, encomendas e entregas nos estaleiros estrangeiros. Suporte técnico remoto para a fase pré operacional”. Na Figura IX206, a fiscalização descreve “os escritórios mantidos pela SCHAHIN e as funções nas diferentes fases PROJETO GLOBAL, inclusive construção, transporte e comissionamento, fases de responsabilidade das FRETADORAS ‘OFFSHORE’”. Comissionamento “(...) o COMISSIONAMENTO é atividade PRÉOPERACIONAL por definição, então deveria ser responsabilidade contratual da FRETADORA OFFSHORE, já que é dona e contratante direta do contrato de construção, mas, assim como todo o restante de todas as fases do projeto global, a SCHAHIN é a responsável pela execução também do COMISSIONAMENTO, o que pode ser incontestavelmente comprovado pelas conclusões de diligência fiscal na pessoa jurídica MODUSPEC, prestadora de serviços de comissionamento”. Da expertise das fretadoras No presente tópico, a fiscalização evidencia a total ausência de documentos comprobatórios a respeito da qualificação jurídica e capacidade técnica e operacional das fretadoras offshore, como se vê a seguir: “Os sócios da SCHAHIN, uma vez intimados, nada responderam. Os principais interessados permaneceram silentes diante da indagação: Qual a expertise das FRETADORAS? As FRETADORAS participaram de mais alguma licitação EXCETO as que geravam contratos coligados com a SCHAHIN, cujos sócios são comuns? Como as FRETADORAS comprovaram a capacidade técnica para vencer a licitação na modalidade convite internacional proposto pela PETROBRAS?” “(...) qual o papel das FRETADORAS além da existência meramente formal para receber a RECEITA DE AFRETAMENTOS em Paraísos Fiscais na proporção de 1/9 em relação à OPERAÇÃO (SCHAHIN)? Sendo que a SCHAHIN também executou todas as fases a cargo do FRETADOR tais como consultoria em licitação da PETROBRAS, construção, comissionamento, transporte, aceitação e homologação no Brasil e operação, além de somar seu contrato de OPERAÇÃO às garantias aos CREDORES dos financiamentos”. Diligência na Petrobras “Muito embora a Empresa Estatal (Sociedade de Economia Mista) esteja obrigada legalmente e constitucionalmente a proceder a procedimento licitatório, simplificado que seja, a PETROBRAS não apresentou os documentos obrigatórios e mínimos dos referidos procedimentos conforme o descrito e após as insistentes intimações. De outra forma, não apresentou a qualificação jurídica, que conteria obrigatoriamente os atos constitutivos, presentantes e representantes das pessoas jurídicas sediadas em Paraíso Fiscal (FRETADORAS OFFSHORES), não apresentou a habilitação técnica que atestaria a capacidade técnica das FRETADORAS OFFSHORES em desempenhar com eficiência seu desiderato em um contrato de interesse nacional e Fl. 3040DF CARF MF 20 estratégico. Tanto é certo que a PETROBRAS tem a posse de tais documentos que, no início da Diligencia Fiscal (respostas ao TIDF emitido em 04/07/2013 e recebido em 08/07/2013 e resposta ao TIDF01 emitido em 27/08/2013 e recebido cm 30/08/2013), a Empresa Estatal apresentou os atos constitutivos das seguintes FRETADORAS OFFSHORE: AIROSARU DRILLING LLC e SORATU DRILLING LLC, revelando seus sócios exclusivos os mesmos sócios da SCHAHIN. As seqüências de Termos emitidos com a mesma solicitação não foram mais atendidas em relação aos atos constitutivos das demais FRETADORAS OFFSHORE contratantes com a PETROBRAS. Também houve relato não escrito, por parte de funcionário da PETROBRAS por telefone de que os documentos eram submetidos de antemão à SCHAHIN para posterior aprovação para entrega”. “Após 20 meses de insistentes Termos de Intimação sem resposta da PETROBRAS aos quesitos dolosamente sonegados (qualificação do contratante e vencedor da licitação e demais dados obrigatórios na modalidade efetivada), foi lavrado Termo de Constatação Fiscal nº 04 (TCF04) e consequente Auto de Embaraço 01 (AE01), dando origem à Representação Fiscal para Fins Penais”. Capítulo 5 do Relatório fiscal – Das alegações contraditórias da Schahin “Teoria geral” No presente capítulo, a fiscalização colige elementos de prova no intuito de demonstrar a atuação direta da SCHAHIN em todas as fases dos processos licitatórios sob análise. Salienta que, na fase inicial da fiscalização, a contribuinte negava envolvimento direto e contratual com as fretadoras offshore, admitindo apenas a atuação como interveniente nos contratos, o que restou desmentido com o aprofundamento da auditoria: “(...) ao se verificar a resposta ao TIF01 (Termo de Intimação de Diligência Fiscal nº 01 emitido em 28/05/2013 e respondido em 18/06/2013), o contribuinte declara que é mero interveniente no contrato de AFRETAMENTO 2050.0042743.08.2”. “Tendo em vista as contradições diametrais verificadas e comprovadas durante o trabalho de fiscalização entre as alegações do contribuinte e os FATOS JURÍDICOS e MATERIAIS apurados, o próprio contribuinte SCHAHIN se incumbe de RECONHECER as declarações falsas emitidas até então, desmentindo a sua linha de argumentos e reconhecendo a existência de uma relação muito maior que simples interveniência (o que foi insistentemente sustentado desde o inicio dos trabalhos de diligência fiscal)”. “Temse aqui uma mudança no comportamento do contribuinte SCHAHIN. agora assumindo que o papel da SCHAHIN se estende muito além da simples interveniência no AFRETAMENTO, mas de efetivação de todo o processo, desde a consultoria em licitações da PETROBRAS, passando pela gestão da construção de embarcações/plataformas na China e Coréia do Sul, transporte, comissionamento e, finalmente a operação em águas brasileiras como se demonstrará adiante”. “A SCHAHIN também opera por meio de CONTRATOS DE GESTÃO E REEMBOLSO a tarefa de manutenção a cargo das FRETADORAS durante o contrato de OPERAÇÃO, sendo que a SCHAHIN assume a inteira obrigação e responsabilidade pela execução material da manutenção, recebem os reembolsos por isso e não receita de prestação de serviços”. “Em suma, as FRETADORAS operam formalmente suas funções através dos contratos e a SCHAHIN opera materialmente a execução Fl. 3041DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.121 21 de todas as fases do projeto de exploração da PETROBRAS de forma exclusiva e completa”. “Às FRETADORAS OFFSHORE cabem somente o papel de existência formal para possibilitar o recebimento da receita em Paraísos Fiscais, ou seja, com tributação claramente favorecida, simulando e alardeando as contratações e execuções de obrigações que lhe cabem em contratos de licitações, dissimulando a subcontratação da SCHAHIN que executa efetiva e materialmente todas as fases do projeto”. “Questão Casablanca” Aqui, a fiscalização colige elementos de prova no intuito de demonstrar a atuação da SCHAHIN já na fase que antecede a abertura de processo licitatório pela Petrobras: “É fato comprovado que a SCHAHIN ENGENHARIA executa as seguintes fases do projeto com a PETROBRAS: a) A SCHAHIN ENGENHARIA presta consultoria para EMPRESAS OFFSHORE (CASABLANCA e AIROSARU, por exemplo) participarem e vencerem licitações da PETROBRAS para contratar FRETADORES de embarcações/plataformas de exploração de petróleo. b) AIROSARU DRILLING LLC é subsidiária da holding CASABLANCA INTERNATIONAL HOLDINGS LTD conforme resposta de SCHAHIN. c) A CASABLANCA INTERNATIONAL HOLDING LTD. tem relação de CONTROLE COMUM com a SCHAHIN (controladora). d) AIROSARU tem com únicos sócios e acionistas os Srs. Milton Taufic Schahin e Salim Taufic Schahin conforme demonstrado nos ITENS 1.3.6 ao 1.3.8. “Contratos de gestão de construção” Na sequência, a fiscalização evidencia o mecanismo contratual que circunscreve os contratos de gestão de construção. Em que pese tome como exemplo contratos posteriores ao ano de 2009, salienta que o modus operandi é verificável em todas as negociações da espécie: “CONTRATO DE GESTÃO DE CONSTRUÇÃO No contrato de Gestão de Construção (de embarcação/plataforma) firmado em 04/01/2010 com a empresa estrangeira AIROSARU DRILLING LLC, a sociedade SCHAHIN ENGENHARIA S/A simplesmente assume todo o gerenciamento técnico, financeiro, orçamentário da construção de um navio de perfuração em águas profundas junto ao fabricante SAMSUNG HEAVY INDUSTRIES Co. Ltd. E a SCHAHIN procede assim para todos os demais contratos desta natureza”. “Entretanto, o contrato apresentado pelo contribuinte SCHAHIN ENGENHARIA S/A em resposta ao TIF07 em 12/06/2014 fere a lógica do razoável e a máxima da proporcionalidade. Neste contrato, a SCHAHIN ENGENHARIA S/A assume a obrigação contratual de promover a gestão de construção de uma embarcação na Coréia do Sul (Figura IX233 e Figura IX234) com o reembolso dos custos e despesas e remuneração por uma taxa de administração pelos serviços prestados de USS 1.000.00 por mês (Figura IX235, Figura IX236). “Repetindo o disparate: USS 1.000,00 mensais; essa é a receita auferida pela SCHAHIN para promover toda a complexa gestão da construção de uma embarcação de exploração de petróleo apesar de todas as obrigações e responsabilidades assumidas pela SCHAHIN no contrato com a OFFSHORE (Figura IX235 e Figura IX236)”. Fl. 3042DF CARF MF 22 “Dado de que a AIROSARU e a SCHAHIN possuem sócios rigorosamente em comum, não há o menor interesse em retirar recursos da AIROSARU em Delaware (sejam eles anteriores ou provenientes dos contratos de AFRETAMENTO com a PETROBRAS) e repassála para a SCHAHIN ("prestadora do serviço" de gestão de construção) como receita tributável no Brasil. Esta é a lógica perversa da receita pífia assumida pela SCHAHIN nos contratos diretos de GESTÃO DE CONSTRUÇÃO com as FRETADORAS OFFSHORE”. “Contratos de operação e reembolso” “(...) a OPERAÇÃO de uma embarcação/plataforma de exploração de petróleo, há despesas que são inerentes à OPERAÇÃO (assumidas pela SCHAHIN, como por exemplo bens consumíveis) e há despesas que são de responsabilidade da FRETADORA OFFSHORE, como por exemplo certas manutenções (benfeitorias necessárias)”. “Como a FRETADORA OFFSHORE não possui capacidade operacional, suas responsabilidades nesta fase também são assumidas pela SCHAHIN (OPERADORA) mediante contrato com o reembolso e pagamento da módica taxa de administração de 1% sobre os reembolsos”. “No CONTRATO DE GESTÃO E REEMBOLSO, a SCHAHIN desembolsa todos e quaisquer bens e serviços necessários para a manutenção da embarcação/plataforma. Aqueles de responsabilidade da FRETADORA OFFSHORE são reembolsados integralmente. A taxa cobrada pelo ‘serviço’ é de 1% sobre o total movimentado. Novamente a mesma lógica dos contratos de GESTÃO DE CONSTRUÇÃO: preços ínfimos para não internalizar receitas auferidas na sediada no exterior em Paraíso Fiscal e para restar o mínimo a ser tributado no Brasil como receita da SCHAHIN nos contratos de gestão e reembolso assim como os de gestão de construção”. “Manutenção e docagem” “(...) o PROJETO DE DOCAGEM é complexo e exige um trabalho intenso de planejamento e acompanhamento de riscos, o que uma empresa desprovida de capacidade operacional como as FRETADORAS OFFSHORE não teriam condições de executar. Por isso a SCHAHIN promove toda GESTÃO DO PROJETO DE DOCAGEM e as FRETADORAS OFFSHORE sequer são mencionadas na contratação ou gestão envolvendo as prestadoras de serviços de docagem. “Convém ressaltar que o PROJETO de DOCAGEM está sempre atrelado a questões de manutenção e reparos na plataforma/embarcação, mas tudo, em tese, tarefa do FRETADOR ou ‘dono do equipamento”. “Entretanto, foi confirmado que a SCHAHIN é a responsável pela contratação dos serviços de MANUTENÇÃO, DOCAGEM e REPAROS EM GERAL, além de comandar diretamente as atividades junto às empresas contratadas e também efetua os pagamentos conforme os extratos bancários apresentados em diligência fiscal nas referidas prestadoras de serviço”. “Ou seja, mais uma constatação de que as FRETADORAS OFFSHORE não emanam qualquer ato de vontade, decisão ou execução propriamente dita”. “CONCLUSÃO DA DILIGÊNCIA ENAVI REPAROS NAVAIS LTDA A SCHAHIN não só determina as condições, forma e procedimentos dos serviços a serem executados nas instalações da CONTRATADA ENAVI como também coordena e supervisiona a mão de obra própria da SCHAHIN e da CONTRATADA. Ademais, em relação aos Fl. 3043DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.122 23 pagamentos, efetua a movimentação financeira através de outras empresas do GRUPO SCHAHIN: HHS PARTICIPAÇÕES LTDA e CONSTRUTORA MOGNO LTDA atestando a confusão patrimonial entre empresas reconhecidamente do GRUPO c outras que a SCHAHIN não reconhece, mas pertencem aos sócios e administradores da SCHAHIN FRETADORAS OFFSHORE que, em tese deveriam arcar com estas despesas”. “Contradição na tese de defesa” Nos tópicos 5.9 a 5.12, a fiscalização toma por escopo os argumentos apresentados pela contribuinte na impugnação apresentada contra os autos de infração lavrados junto à Schahin Engenharia S/A no processo pretérito, de nº 19515.721387/201473. Evidencia que a contribuinte alega categoricamente ter efetuado planejamento tributário lícito e, principalmente, que “não tem restrições em apresentar prontamente informações referentes ao que considera legal e lícito aos ÓRGÃOS DE FISCALIZAÇÃO DO PODER PÚBLICO”. Todavia, a fiscalização salienta que, no curso da fiscalização, a conduta da contribuinte foi totalmente oposta a essa afirmação, na medida em que negouse a apresentar informações de relevo requeridas pelos agentes fazendários, conforme descrito a seguir: Junto ao tópico 5.9, evidencia que a contribuinte negouse a prestar “informações básicas, primárias, de cunho constitutivo” a respeito das sociedades de propósito específico (LANCER FINANCE COMPANY LIMITED e SCHAHIN II FINANCE COMPANY LIMITED) que foram responsáveis pela emissão dos títulos que financiaram os projetos globais. Junto ao tópico 5.10, evidencia que a contribuinte negouse a apresentar informações vinculadas à estrutura do grupo econômico SCHAHIN. Nesse particular, destaca que a fiscalizada negouse a apresentar “o ORGANOGRAMA COMPLETO do GRUPO ECONÔMICO em questão, inclusive com quadros de composição societária, apontando quem é o CONTROLADOR e quem são as COLIGADAS E CONTROLADAS”. Salienta que a contribuinte, “de maneira totalmente incoerente, apresentou um organograma contendo tão somente pessoas jurídicas com sede e administração no Brasil, se esquivando de apresentar as pessoas jurídicas ‘OFFSHORE’, cerne da fiscalização, ponto central dos lançamentos impugnados sob a exata alegação de pertencerem as ‘OFFSHORE’ a grupo econômico da SCHAHIN. Ainda no presente tópico salienta que a contribuinte negou se a apresentar quaisquer “ATOS CONSTITUTIVOS, QUADROS DE COMPOSIÇÃO SOCIETÁRIA, ALTERAÇÕES E CONSOLIDAÇÕES, ELEIÇÃO DE ADMINISTRADORES, PROCURAÇÕES, impedindo qualquer dialeticidade com a fiscalização”. Junto ao tópico 5.11 evidencia que a contribuinte negouse a prestar informações relativas às “funções desempenhadas por cada partícipe no PLANEJAMENTO GLOBAL”, alegando que “não localizou em seus arquivos a documentação relativa às empresas estrangeiras mencionadas (...)”. Todavia, a fiscalização junto aos autos cópia de arquivos de apresentação da estrutura do grupo, que era utilizada pela SCHAHIN na apresentação do projeto de financiamento a instituições financeiras, de maneira a certificar que a contribuinte agiu com dolo ao negar a prestação de informações que sabidamente detinha. Fl. 3044DF CARF MF 24 Junto ao tópico 5.12, a fiscalização salienta que, em 17/04/2015, “foi protocolado na 2ª VARA DE FALÊNCIAS E RECUPERAÇÃO JUDICIAL DA COMARCA DA CAPITAL DO ESTADO DE SÃO PAULO, petição inicial com o PEDIDO de RECUPERAÇÃO JUDICIAL da SCHAHIN ENGENHARIA S/A juntamente com diversas pessoas jurídicas ‘OFFSHORE’ já exaustivamente qualificadas neste Relatório Fiscal”. A fiscalização transcreve declarações prestadas em juízo que corroboram a efetiva existência de grupo econômico, com unidade de administração, que certificam a tese perfilada pela autoridade fazendária no relatório fiscal. Destaque para afirmação contida na figura IX295: “As requerentes integram as duas divisões referidas acima, sendo certo que suas estruturas gerenciais e financeiras estão sempre interligadas – direção única, caixa único e estratégia única”. “Conclusão do capítulo 5” “Em apertada síntese, as FRETADORAS OFFSHORES não dispõem de competência operacional (porque somente existem formalmente) em nenhuma fase do projeto, seja na fase précontratual (licitação), seja na gestão da construção junto aos estaleiros asiáticos, seja no transporte, comissionamento, operação no que se refere aos custos/despesas da FRETADORA nesta fase. Também é o caso o procedimento de DOCAGEM vista no ITEM 5.5”. “Na participação na licitação na modalidade convite internacional lançado pela PETROBRAS, a título de exemplo, a CASABLANCA contrata a SCHAHIN ENGENHARIA S/A para prestar consultoria, ou seja, elaborar a proposta técnica e demais detalhes”. “Na fase de construção das embarcações/plataformas, as FRETADORAS OFFSHORE contratam a SCHAHIN ENGENHARIA S/A para gerir a construção, assumindo a contratação de pessoas (empregados da SCHAHIN), fornecedores de materiais c equipamentos, abertura de escritórios internacionais na Ásia, além de promover acompanhamento gerencial juntamente com pessoas designadas da PETROBRAS do andamento do projeto. A receita da SCHAHIN neste complexo trabalho é de US$ 1.000,00 mensais”. “Na OPERAÇÃO, as responsabilidades materiais das FRETADORAS são assumidas pela SCHAHIN mediante reembolso integral e uma módica taxa de administração de 1% sobre o total reembolsado”. “Nestas operações com FRETADORAS três são características marcantes: • Desde a proposta da licitação a FRETADORA terceirizou o trabalho. • Receita mínima a ser tributada no Brasil (US$ 1.000.00 mensais como taxa de administração da SCHAHIN) nos CONTRATOS DE GESTÃO E CONSTRUÇÃO diante da sistemática de reembolso e não de receita de prestação de serviços sobre tudo (reembolso + taxa). • Receita mínima a ser tributada no Brasil (1% de taxa de administração da SCHAHIN sobre os reembolsos) nos CONTRATOS DE GESTÃO E REEMBOLSO diante da sistemática de reembolso e não de receita de prestação de serviços sobre tudo (reembolso + taxa). • Atividade de DOCAGEM. de elevada complexidade, praticamente um PROJETO PARALELO, é de planejamento, execução e controle de riscos da SCHAHIN. • Ausência COMPLETA de atividade operacional das FRETADORAS OFFSHORE mais uma vez constatada”. “Também nas tarefas de DOCAGEM, MANUTENÇÃO E REPAROS, a SCHAHIN assume a condição de CONTRATANTE das prestadoras de serviços, determina a coordenação e subordinação das pessoas da própria SCHAHIN ou das PRESTADORAS, pode decidir acerca da Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.123 25 contratação de TERCEIROS nas instalações da PRESTADORA e realiza os pagamentos de forma a utilizarse de outras empresas do GRUPO SCHAHIN para o desembolso do recurso (CONSTRUTORA MOGNO LTDA, HHS PARTICIPAÇÕES LTDA) ou mesmo terceiros estranhos a relação contratual (OPINIÃO S/A)”. “Após as conclusões relacionadas ao lançamento do crédito tributário associado aos fatos geradores de 2009, houve lavratura de autos de infração (...)”. “O contribuinte SCHAHIN e sócios responsabilizados solidariamente apresentaram IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA alegando, em apertada síntese: autonomia privada, liberdade de contratar, livre iniciativa, planejamento tributário lícito e grupo econômico para combater as constatações materiais da fiscalização. Entretanto, intimado a descrever em detalhes aspectos das tais ‘condutas lícitas, coadunadas com o ordenamento jurídico’, a SCHAHIN sempre, invariavelmente, respondeu com alegações evasivas, desprovidas em absoluto de comprovação documental ou fática, contradizendose a todo momento (...)”. “(...) a SCHAHIN ENGENHARIA S/A e algumas das FRETADORAS ‘OFFSHORE’ e suas HOLDINGS protocolaram recuperação judicial e descreveram, ainda que de modo breve e sucinto, rigorosamente todas as constatações probatórias desenvolvidas no curso da fiscalização por meio de inúmeras diligências fiscais em terceiros já que os principais sujeitos PETROBRAS e SCHAHIN sempre se recusaram a responder à fiscalização os pontos capitais caracterizadores do PROJETO GLOBAL DA SCHAHIN. Capítulo 6 do Relatório fiscal – Aspectos contábeis e os contratos No capítulo 6, a fiscalização procura demonstrar, fundamentalmente a partir da análise de contratos de “gestão e reembolso” (ver tabela abaixo, extraída do item 6.3.1 do RF) e sua respectiva contabilização, que “SCHAHIN e FRETADORAS se fundem na mesma pessoa no contexto do projeto global”. “De acordo com os contratos apresentados pela SCHAHIN (...), conforme exaustivamente abordado no ITEM 5.4 CONTRATOS DE OPERAÇÃO E REEMBOLSO, durante a OPERAÇÃO, a totalidade de custos e despesas a cargo da FRETADORA são desembolsados pela SCHAHIN, com posterior reembolso e incidência do percentual de 1% dos reembolsos corresponde à receita pela ‘prestação de serviços’ da SCHAHIN”. “Os contratos de gestão e reembolso apresentados foram celebrados com a BAERFIELD DRILLING LLC, SORATU DRILLING LLC e AIROSARU DRILLING LLC, curiosamente todos na mesma data: 17/01/2013 e durante o procedimento de diligência fiscal. Não foram apresentados CONTRATOS DE OPERAÇÃO E REEMBOLSO para as demais FRETADORAS, como por exemplo: MS DRILLING LLC, DEEP BLACK DRILLING LLC, DLEIF DRILLING LLC.” Fl. 3046DF CARF MF 26 “O contribuinte SCHAHIN não contabiliza a receita de taxa de administração de 1% sobre os reembolsos dos contratos de gestão e reembolso conforme resposta abaixo da própria SCHAHIN”. “Uma vez que a RECEITA deveria ser contabilizada no momento da PRESTAÇÃO DO SERVIÇO (PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE), foi constatado que mesmo após prestado o serviço e realizado o reembolso, ainda há omissão no lançamento da receita incorrida (receita de 1% sobre os reembolsos). “A SCHAHIN não tem o menor interesse em receber a sua receita de 1%, o que não é razoável dentro da normalidade negocial empresarial”. “INTEMPESTIVIDADE DO CONTRATO Considerando que a plataforma a SS PANTANAL (FRETADORA SORATU), por exemplo, iniciou sua operação em meados do 2º semestre de 2011 e o contrato de GESTÃO E REEMBOLSO somente foi celebrado em 17/01/2013 (durante a diligência fiscal), a SCHAHIN permaneceu 3,5 anos assumindo custos e despesas da SORATU. Custos e despesas de uma plataforma de petróleo”. “O contribuinte SCHAHIN além de não se interessar em receber sua receita de taxa de administração de 1% sobre os reembolsos (o que já denotaria uma anormalidade), muito mais impressionante do que isso, não se prontifica a receber o reembolso, ou seja, assume o custo/despesa de terceiros (FRETADORAS) em montantes elevadíssimos sem exigir o reembolso contratualmente pactuado”. “REEMBOLSOS DAS FRETADORAS PARA A SCHAHIN SEM CONTRATO Ademais, existem lançamentos contábeis cujo histórico remete a INVOICES da SORATU (PAGAMENTO DA "OFFSHORES" a titulo de reembolsos) muito antes do referido CONTRATO DE GESTÃO E REEMBOLSO (17/01/2013) e posteriores à entrada em funcionamento da SS PANTANAL AFRETADA pela SORATU (2º semestre de 2011), ou seja, durante a OPERAÇÃO da SCHAHIN. “Para contratos do valores tão expressivos, a SCHAHIN contratava verbalmente com uma FRETADORA OFFSHORE de capital social de 10 mil dólares? Não há a menor razoabilidade neste tipo de comportamento demonstrado pela SCHAHIN. Só há uma explicação para tanta displicência: a única a realmente operar e afretar é a SCHAHIN”. “IMPROPRIEDADE TÉCNICA NOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS O contribuinte SCHAHIN ressalta em resposta ao TIF07 em 19/08/2014 que lança todos os custos e despesas indiscriminadamente, sejam referentes à AFRETAMENTO, seja à OPERAÇÃO. Novamente tornando confuso e impróprio tecnicamente o lançamento contábil”. “Ora, se são custos e despesas da FRETADORA OFFSHORE desembolsados por questão contratual pela SCHAHIN e portanto reembolsáveis, jamais deveriam integrar lançamento de natureza de custos e despesas na SCHAHIN. O lançamento deveria envolver créditos de ATIVO CIRCULANTE da SCHAHIN (saída de bancos por exemplo) contra débito de uma conta do próprio ATIVO (valores a receber a título de reembolso, por exemplo), sem envolver contas de resultado”. “CONFUSOS CONTROLES INTERNOS DA SCHAHIN A SCHAHIN revela ainda que, para o devido REEMBOLSO, credita o custo/despesa (em espécie de estorno) e debita uma conta do ATIVO CONTAS A RECEBER. Não fosse apenas a impropriedade técnica já que não são custos ou despesas da SCHAHIN, ainda há nova confusão nos centros de custos ao não discernir exatamente qual o FRETADOR, misturando diversos em centros de custo iguais conforme se nota nas Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.124 27 figuras abaixo para SORATU e BAERFIELD conforme tabela de reembolsos anexada em resposta da SCHAHIN na Figura IX319 e Figura IX320”. “A SCHAHIN afirma que, para obter os reembolsos das FRETADORAS OFFSHORE, basta a comunicação de um totalizador de valores a serem pagos, pois os detalhamentos foram enviados de antemão, mas não apresenta tais detalhamentos e comprovantes”. “Intimada por meio do TIF09 a promover esclarecimentos acerca da sistemática de REEMBOLSOS nos lançamentos contábeis, a SCHAHIN não logrou êxito e demonstrou promover a organização contábil e da documentação que suporta os lançamentos durante o procedimento de fiscalização, o que é no mínimo incoerente, já que os custos e despesas a cargo das FRETADORAS OFFSHORE já foram desembolsados, reembolsados, contabilizados e a SCHAHIN ainda não sabe explicar como tudo se deu.” Em resumo: “A SCHAHIN não sabe discriminar CUSTOS e DESPESAS a cargo das FRETADORAS OFFSHORE dos seus custos e despesas”. “A SCHAHIN tem dificuldades em organizar algo que seria muito simples. Ora, se há o regime de REEMBOLSOS estabelecido, todos os custos e despesas já deveriam estar organizados no momento do desembolso pela SCHAHIN porque são pressupostos para a justificar e receber junto à FRETADORA OFFSHORE que contratou os serviços da SCHAHIN. Se a SCHAHIN não os organizou em época própria é porque não recebeu os reembolsos ou os recebeu de forma aleatória. Em ambos os casos demonstra que SCHAHIN e FRETADORAS se fundem na mesma pessoa no contexto do projeto global”. Adiante, sob o título “Companhia MS de Participações”, a fiscalização intenta demonstrar, subsidiariamente, a existência de confusão societária entre as partes “com o tratamento contábil de créditos a receber das FRETADORAS OFFSHORE no caso dos reembolsos”. “Surpreendente a contabilização na CIA MS DE PARTICIPAÇÕES que incorpora tais valores INVESTIDOS PELA SCHAHIN (contabilizados como recebimentos em ATIVO CIRCULANTE na SCHAHIN ENGENHARIA S/A) como RECURSOS DISPONIBILIZADOS PELOS SÓCIOS para elevar investimentos da CIA MS DE PARTICIPAÇÕES em sua investida (ATIVO PERMANENTE INVESTIMENTOS): SCHAHIN INTERNATIONAL S.A. Ora, são recursos disponibilizados de sócios ou títulos de DÍVIDAS DAS FRETADORAS OFFSHORE? “Ou seja, em última instância a SCHAHIN INTERNATIONAL S/A passa a ser CREDORA das FRETADORAS OFFSHORE. Como as FRETADORAS OFFSHORE estão sediadas principalmente em Delaware e a SCHAHIN INTERNATIONAL S/A em TORTOLA, ILHAS VIRGENS BRITÂNICAS, tornase impossível verificar a consolidação do pagamento deste TÍTULO DE DÍVIDA DAS FRETADORAS”. “Também não foi localizado no sítio da JUCESP nenhum ato que indique alteração do capital social da CIA MS DE PARTICIPAÇÕES registrado, fato que nos leva a conclusão de que os lançamentos efetuados, pela SCHAHIN ENGENHARIA S/A, em 30/12/2009, não se referem a aumento de sua participação societária na CIA MS DE PARTICIPAÇÕES”. “A integralização de capital em investidas por meio de TÍTULOS deve observar as formalidades legais na transmissão de tais títulos. Ou Fl. 3048DF CARF MF 28 seja, desde a emissão, com dados indeclináveis como emitente, data de emissão, valor, vencimento, o registro do titulo, a cessão do título, as garantias de existência e pagamento, o laudo de avaliação, enfim, nada disso foi apresentado apesar de intimada a CIA MS DE PARTICIPAÇÕES em diligência fiscal”. Capítulo 7 do Relatório fiscal – Confusão na responsabilidade civil extracontratual No presente capítulo, a fiscalização apresenta análise realizada quanto aos contratos de seguro das embarcações e plataformas, de maneira a evidenciar a atuação direta da Schahin (e nunca das fretadoras offshore) na contratação das apólices, desde a fase préoperacional do projeto. “Foram diligenciadas as seguradoras das embarcações e plataformas com a finalidade de se apurar informações sobre o objeto segurado, condições do contrato e a relação entre FRETADORAS OFFSHORE e OPERADOR (SCHAHIN)”. “A SCHAHIN ENGENHARIA S/A no contexto da contratação da Tabela IX1 acima, efetiva a contratação ORIGINÁRIA perante TOKIO MARINE SEGURADORA de praticamente todas as embarcações/plataformas objeto dos contratos com a PETROBRAS conforme a Coluna Objeto segurado da tabela da apólice 20.34.100032. Seqüencialmente são promovidos os ENDOSSOS às FRETADORAS OFFSHORE pela parte que lhes cabe. supostamente a parte do AFRETAMENTO no rateio durante a OPERAÇÃO”. “Não há motivos para a SCHAHIN constar como cossegurada antes da OPERAÇÃO. Durante a CONSTRUÇÃO, COMISSIONAMENTO, TRANSPORTE, ACEITAÇÃO E HOMOLOGAÇÃO da embarcação/plataforma, medidas préoperacionais. O PRÊMIO do seguro deveria ser obrigação tão somente da FRETADORA OFFSHORE, formalmente dona das plataformas (...)”. “Em suma, o ordinário seria o seguro originariamente proposto pelo dono "formal” do navio (FRETADORA OFFSHORE) para que posteriormente sejam feitos os devidos endossos para rateio da parte que cabe ao OPERADOR SCHAHIN em função da própria ordem natural, cronológica do projeto globalmente analisado”. “Nem isso a FRETADORA é capaz de promover, comprovando a total iniciativa por parte da SCHAHIN na condução de tudo, até mesmo do seguro da embarcação/plataforma”. As figuras apresentadas no tópico 7.4 ajudam na compreensão dos fatos: Capítulo 8 do Relatório fiscal – Confusão na responsabilidade civil extracontratual O capítulo 8 tem por objeto a apresentação de um litígio decorrente da execução na Corte Distrital de Nova Iorque de sentença arbitral formada e decidida contra os executados, mas não cumprida pela SCHAHIN e FRETADORAS OFFSHORE. Os executados são: SCHAHIN HOLDING S.A., SCHAHIN ENGENHARIA S/A, SEA Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.125 29 BISCUIT INTERNATIONAL INC., BLACK GOLD DRILLING LLC, BAERFIELD DRILLING LLC E SORATU DRILLING LLC. O exequente é o estaleiro chinês CIMC RAFFLES OFFSHORE LIMITED c YANTAI CIMC RAFFLES OFFSHORE LIMITED. Segundo a fiscalização, as declarações da SCHAHIN no processo jurisdicional na Corte Distrital de Nova Iorque ocorreram independentemente de intimação em diligência fiscal. Assim, “revelam muita informação narrativa dos reais procedimentos adotados e do verdadeiro papel desempenhado pela SCHAHIN, os quais foram omitidos e até dissimulados em respostas às diligências fiscais instauradas para apuração tributária”, como se vê a seguir: “Especificamente, na Corte Distrital de Nova Iorque, a SCHAHIN revela detalhes do funcionamento do fluxo financeiro e interligação de contas bancárias que jamais revelaria no âmbito de intimação de diligência fiscal”. “São duas as principais revelações que podem ser extraídas do processo litigíoso entre a parte exequenda CIMC RAFFLES (estaleiro construtor da SS PANTANAL e SS AMAZÔNIA) e a parte executada: SCHAHIN HOLDING S.A., SCHAHIN ENGENHARIA S/A, SEA BISCUIT INTERNATIONAL INC (HOLDING das FRETADORAS BAERFIELD e SORATU), BLACK GOLD DRILLING LLC (subsidiária integral da SEA BISCUIT), BAERFIELD DRILLING LLC e SORATU DRILLING LLC (FRETADORAS "OFFSHORE')”: • Os fluxos financeiros para as contas do PROJETO GLOBAL são compostos de receitas ONSHORE e OFFSHORE, ou seja, receitas provenientes dos contratos com a PETROBRAS de AFRETAMENTO e OPERAÇÃO. Ou seja. há DECLARADA confusão entre os contratos agora quanto ao resultado, a destinação das receitas. Percebese então que os contratos confundemse na questão meramente formal, na questão patrimonial das garantias, na execução, na destinação do resultado e, posteriormente (CAPITULO 9), encerraremos com a confusão societária. • As contas bancárias que recebem os fluxos financeiros de vários projetos de diferentes plataformas/embarcações também são INDISSOCIÁVEIS, tanto é verídica a informação, que o banco DEUTSCHE BANK acabou por bloquear todas as contas bancárias relacionadas ao GRUPO SCHAHIN, tendo por conseqüência a inviabilização da utilização de outros projetos relacionados a outras embarcações, principalmente SC LANCER, CERRADO, SERTÃO e VITÓRIA 10.000 que também utilizam a mesma sistemática, a da confusão financeira e bancária de mistura de recebimentos e pagamentos provenientes de contratos de FRETADORAS e OPERADORAS das plataformas com a PETROBRAS. Capítulo 9 do Relatório fiscal – Comprovação da unidade societária da SCHAHIN e fretadoras offshore Nesse capítulo, a fiscalização esmiúça os atos constitutivos de todas as empresas vinculadas ao grupo SCHAHIN, de maneira a demonstrar que “só há um agente a movimentar as engrenagens do projeto global: a SCHAHIN na figura de seus sócios MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN e as FRETADORAS OFFSHORE e suas HOLDINGS pertencentes aos sócios da SCHAHIN, sempre administradas pelos mesmos, com procuradores com vinculo de subordinação a eles sócios, que se desdobram em inúmeras contas Fl. 3050DF CARF MF 30 correntes no exterior para auferirem os resultados livres de muitas obrigações tributárias acessórias e principais”. As conclusões estão sintetizadas no quadro juntado ao item 9.26.4 do RF, que reproduzo a seguir: “Se na sua formação originária as FRETADORAS OFFSHORE eram pessoas jurídicas constituídas única e exclusivamente na figura dos sócios pessoas físicas da SCHAHIN (MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN), a exemplo da AIROSARU e SORATU; sequencialmente foram criadas HOLDINGS e SUBSIDIÁRIAS INTEGRAIS intermediárias que ‘distanciaram’ as pessoas físicas das FRETADORAS. Um claro estratagema para dificultar o acesso aos verdadeiros beneficiários do lucro auferido em Paraísos Fiscais uma vez que o Brasil não possui tratados ou parcerias internacionais com tais países que permitam o acesso direto à composição societária das pessoas jurídicas sediadas em solo com tributação favorecida. “O CAPITULO 9 é decisivo na comprovação de que todas as conclusões dos CAPÍTULOS anteriores só podem ser plenamente justificadas com a unidade societária. O destino comum dos recursos expatriados na forma de receita auferida pelas FRETADORAS OFFSHORE de forma desproporcional em relação à OPERAÇÃO é o GRUPO SCHAHIN, na figura última de seus sócios MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN”. “Este é o vínculo jurídico fundamental que denuncia o interesse jurídico, além do econômico e financeiro comum na situação que constitui o fato gerador tributário como se destacara na caracterização da solidariedade tributaria na sujeição passiva. Os sócios administradores da SCHAHIN também o são das FRETADORAS Fl. 3051DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.126 31 ‘OFFSHORE’ meramente formais, sem nenhuma atuação concreta no desempenho da atividade econômica organizada. “O PROJETO GLOBAL somente faz sentido com a configuração já exaustivamente prolatada: unicidade de sócios administradores, pluralidade fictícia de licitantes e contratantes com a PETROBRAS, desproporção entre receitas de FRETAMENTO e OPERAÇÃO (9:1), obrigatoriedade do FRETAMENTO se dar por pessoas jurídica sediada em Paraíso Fiscal para remessa de divisas sem tributação, subcontratando tudo para a SCHAHIN em solo pátrio com registros descompassados de reembolso só para figuração, com conseqüências danosas para o resultado da SCHAHIN no Brasil (que, tributado pelo lucro real recolhe menos imposto de renda e tributos associados), inflando a receita e lucro em Paraíso Fiscal. Ademais, o fluxo financeiro decorrente do projeto de sonegação tributaria também é utilizado para amortizar empréstimos que fomentaram empresas do GRUPO SCHAHIN no Brasil e foram, após cessões de crédito e débito programadas, quitadas por intermédio de simples transação financeira em Paraísos Fiscais livres de tributação e fiscalização. O destino comum dos recursos expatriados na forma de receita auferida pelas FRETADORAS ‘OFFSHORE’ de forma desproporcional em relação à OPERAÇÃO é o GRUPO SCHAHIN na figura última de seus sócios MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN. “O CAPITULO 9 é decorrência insuperável de que a unidade é também societária e não só negocial. Não existem diferentes pessoas jurídicas exercendo a livre iniciativa no mercado, todas disputando a contratação digna no regime administrativo da licitação. De fato: • Os serviços de afretamento e operação são efetivamente prestados à PETROBRAS, mas não com a ‘roupagem’ que se pretende ostentar. • Existem pagamentos, recebimentos e reembolsos simulados. • Existe formalmente a discriminação entre as receitas das FRETADORAS e receitas da SCHAHIN, mas fato é que tudo é desenvolvido pela SCHAHIN e PETROBRAS para que a parte majoritária do faturamento do PROJETO GLOBAL (AFRETAMENTO + OPERAÇÃO) seja expatriada para Paraíso Fiscal, concentrando na operação brasileira (SCHAHIN) os custos e despesas de todo o projeto e a mínima partição de receita (aproximadamente 10%), suficiente para operar em prejuízo controlado, sem tributação sobre o resultado no Brasil” (...). Capítulo 10 do Relatório fiscal – Do interesse jurídico comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal “A operação da SCHAHIN com a PETROBRAS, isoladamente, não se justifica. Não há propósito negocial em operar com prejuízo durante 4 anos consecutivos e no acumulado de 6 anos, sendo que nos anos de 2012 e 2013, há a maximização das receitas com a plena operação das plataformas e embarcações operadas pela SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS. Mas o fato é que o GRUPO SCHAHIN opera PREJUÍZOS em solo brasileiro porque a tributação lhe favorece neste cenário, daí a concentração de custos e despesas desembolsados na operação brasileira atrelada à desproporcional receita auferida com a OPERAÇÃO em detrimento do AFRETAMENTO. Mas o FRETAMENTO das OFFSHORE é confortavelmente LUCRATIVA em Paraíso Fiscal, com tributação francamente Fl. 3052DF CARF MF 32 favorecida. Este o motivo pelo qual é imprescindível que as licitações sejam vencidas e os contratos celebrados justamente aos pares: SCHAHIN E SUA OFFSHORE. Na realidade, o interesse jurídico é uno entre o GRUPO SCHAHIN e OFFSHORE”. “A questão da liquidez é resolvida também por meio do PROJETO GLOBAL e seus financiadores brasileiros e internacionais: empréstimos para capital de giro no Brasil são posteriormente ‘novados’ para contratos entre sujeitos no exterior (bancos brasileiros instalam sucursais em Paraísos Fiscais – ‘branch’ que acabam por inserir seus créditos nos financiamentos estruturados juntamente com sindicato de bancos e o grupo brasileiro cede a dívida para as OFFSHORE) para lá serem saldadas por meio de recursos de pagamentos da PETROBRAS às OFFSHORE”. Junto ao item 10.2.3 e seguintes, a fiscalização apresenta a descrição de um caso concreto, em que é evidenciada a participação das pessoas jurídicas SCHAHIN HOLDINGS S/A e S2 PARTICIPAÇÕES LTDA. na ‘articulação do movimento financeiro’ por meio do qual pessoas jurídicas offshore assumem dívidas do grupo SCHAHIN, originalmente contratadas no Brasil, para suprimento de capital de giro das empresas do grupo, viabilizando a liquidação dos empréstimos no exterior, com recursos destinados às fretadoras offshores. “(...) não obstante o exemplo concreto tenha se dado com o CREDOR ITAÚ BBA S/A NASSAU BRANCH, outros bancos atuaram no mesmo sentido: fomentar operações no Brasil a pessoas jurídicas do GRUPO SCHAHIN, mormente SCHAHIN HOLDING S/A e S2 PARTICIPAÇÕES LTDA, transferir tais CRÉDITOS a filiais em Paraísos Fiscais (Nassau) e aceitar a mutação subjetiva da parte devedora para recebimento proveniente de contas nestes Paraísos”. Em resumo, temse que “(...) os reais e finais beneficiários do PROJETO GLOBAL são os partícipes sociais que, neste caso, são também os administradores, aqueles que possuem o total poder de gestão, direção, controle e decisão. Este o interesse jurídico considerado o núcleo duro: INTERESSE SOCIETÁRIO E ADMINISTRATIVO”. “(...) além da unicidade na questão societária, MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN são invariavelmente FIADORES em muitos FINANCIAMENTOS ESTRUTURADOS viabilizadores das atividades de FRETAMENTO das ‘OFFSHORE’. Este o interesse jurídico conseqüente do anterior: INTERESSE CONTRATUALOBRIGACIONAL. III DAS IMPUGNAÇÕES 1 Da impugnação apresentada pela contribuinte SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S/A Schahin Petróleo e Gás S/A, por meio de seu representante legal, apresentou, tempestivamente, impugnação aos autos de infração em 14/07/2015 (ver fls. 1077/1385). Os argumentos centrais são os seguintes: 1.1 Questões preliminares A impugnante argumenta que a autuação configurase como “passível de nulidade em função da atipicidade da conduta atribuída à Impugnante (omissão de receitas) e também pela ausência de diploma legal que a fundamente (...)”. Salienta, em particular, que as receitas que a autoridade fazendária pretende transferir das fretadoras estrangeiras à fiscalizada dizem respeito a locação de embarcações/plataformas, sendo pois equivocada classificálas como “receita de vendas e serviços”, tal como levado a efeito na autuação. Fl. 3053DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.127 33 “(...) não existiu a expedição de nenhum Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) visando proceder fiscalização das Fretadoras Estrangeiras com o que seria possível oportunizálas em demonstrar sua existência legal e total regularidade (...)”. Tal ofensa ao exercício do contraditório e ampla defesa “eiva a pretensão de nulidade insanável”. “O erro na indicação do sujeito passivo é evidente”. “(...) “se houve algum planejamento tributário, este não foi arquitetado pela Impugnante, mas sim pelo órgão licitante na elaboração da modelagem contratual imposta por licitação”. “(...) considerando o envolvimento da Petrobras diante do quanto enfatizado pelo agente fiscal, necessário se faz oitiva para que o Presidente da Comissão de Licitações – Concorrência Internacional, que assim o era na época dos fatos, se faça presente para esclarecer todos os pontos colocados em dúvida pela fiscalização, especialmente no que tange a regularidade daquelas em que a Impugnante sagrouse vencedora nos certames. A negativa da adoção deste procedimento caracterizará cerceamento ao direito de ampla de defesa, contraditório e a busca da verdade material, asseverando aqui que esta oitiva é de suma importância para o deslinde até porque, evidenciará ainda mais toda sistemática e critérios de contratação”. A fiscalização juntou as autos documentos em língua estrangeira, sem que tenham sido vertidos para o vernáculo pátrio. “A juntada evidencia claro cerceamento de defesa e impede o exercício da ampla defesa e do contraditório”. “(...) a forma como apresentados os documentos evidenciam a intenção de tumultuar o processo e dificultar a defesa, ficando patente que a forma como se apresentam os documentos caracteriza cerceamento de defesa, vez que é praticamente impossível o exercício da ampla defesa e do contraditório porque não se conhece e identifica com precisão os documentos que embasaram as indigitadas constituições dos créditos tributários formalizados nos autos de infração”. A fiscalização “(...) relaciona documentos emitidos em 2007 e 2008, período já contemplado pela decadência e que sequer deveria ter sido referido no relatório fiscal por não guardar qualquer vinculação com os pretensos créditos tributários exigidos”. (...) “Aqui certamente os I. Julgadores entenderão e determinarão a nulidade dos autos de infração ou, se este não for o entendimento, que se determine então os devidos desentranhamentos dos elementos juntados e estranhos e que não guardam relação com os períodos e nem com os supostos créditos tributários, como é o caso contido neste tópico”. Junto ao item 12.1 do relatório fiscal, o autuante menciona que o relatório fiscal diz respeito ao lançamento de crédito tributário na Schahin Engenharia, e não à Schahin Petróleo e Gás S/A. Tal circunstância deve igualmente repercutir na nulidade do feito. Houve incorreção no tratamento relativo ao aspecto temporal da obrigação tributária, seja quanto ao IRPJ/CSLL, seja quanto às contribuições para o PIS e COFINS. Conforme disposto no art. 409 do RIR/99 e arts. 2º e 7º da Lei nº 9.718/1998, a tributação das receitas derivadas de contratos formalizados com a Petrobras poderia ocorrer pelo regime de caixa ou competência, a critério da contribuinte. No caso concreto, a fiscalização entendeu que a fiscalizada havia optado Fl. 3054DF CARF MF 34 por diferir a tributação até a data do pagamento (regime de caixa), o que não ocorreu de fato. Analisandose as planilhas de fls. 883 a 885, verificase haver incompatibilidade entre as datas de emissão das faturas e as datas consideradas como pagamento. Tal equívoco “compromete inexoravelmente a qualidade dos autos de infração e, também por esta razão deve ser considerada a hipótese de decretação de nulidade ou, determinarse seja o Relatório Fiscal devidamente retificado devolvendose o prazo integralmente à Impugnante para ampla defesa”. “(...) as receitas destinadas para as empresas de fretamento, com pagamentos efetuados diretamente pela Petrobras, foram devidamente contabilizadas na fretadora localizada no exterior e, por certo, contabilizadas e resultado apurado segundo os critérios universais contábeis, apurou seu resultado de lucro ou de prejuízo e, para isso, considerou seus custos e suas despesas. [sic.] Portanto, aqui, por mera presunção efetuar a transferência apenas de faturamento desconsiderando os custos e de despesas, ofende os mais comezinhos princípios não só de direito, mas também contábeis”. “(...) Por este prisma, verificase que é bastante relevante e compromete integralmente os autos de infração guerreados, porque os valores não correspondem ao conceito de lucro ou de acréscimo patrimonial, devendo ser decretada a sua imediata nulidade (...) ou então se determine que o agente fiscal proceda as diligências necessárias visando considerar os custos/despesas para fins de indicar o valor correto e apurado do lucro que deveria ser objeto de incidência de IRPJ/CSLL”. Raciocínio equivalente deveria ser empreendido em relação à apuração do PIS e da COFINS. A impugnante contesta a análise e as conclusões registradas pela fiscalização no tópico 10.3 do relatório fiscal, denominado “Da fundamental relação entre receitas, custos e despesas dos contratos de afretamento e operação – cerne da sonegação”. No referido tópico, a fiscalização conclui que “as receitas de pagamentos da PETROBRAS são insuficientes para cobrir os custos e despesas desembolsados pela operação e também aqueles atribuídos às OFFSHORE, mas assumidos pela SCHAHIN”. A análise da fiscalização está calcada, fundamentalmente, na verificação dos dados contidos nas GFIPs transmitidas pela contribuinte à RFB nos anos de 2008 a 2013. A autuada defende que “os dados apresentados são imprestáveis para o fim a que o fiscal se propôs porque nada prova e isto porque em momento algum apontou as fontes de onde obteve esses valores. Por exemplo, citese a questão da multa rescisória se refere a quais empregados (tem relação deles indicando os valores?) Por qual razão inclui dados de 2008 a 2010 se não houve receita proveniente dos pagamentos da Petrobras mas indicou valores de despesas, será que estas não se referem a custos decorrentes do contrato de Gestão de Construção? O agente fiscal analisou os documentos? Registros contábeis? Apurou na devida conformidade em homenagem ao princípio da verdade material? Pelo que se vê tratamse de valores extraídos ao seu talante? Ora, a apresentação de valores que reputa como verdadeiros tem que ter origem e comprovação. Elemento subjetivo é apenas uma pura presunção, portanto, para esse fim devem ser desconsiderados e as folhas correspondentes desentranhadas por serem elementos que não guardam similaridade com os fatos”. Ao final do tópico, conclui: “Sem qualquer sombra de dúvidas, essas questões preliminares por si sós já abalam a credibilidade da exigência apontada nos autos de infração e, outra não deverá ser a decisão dos I. Julgadores senão a que decretação de sua nulidade”. Fl. 3055DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.128 35 A impugnante contesta a análise e as conclusões firmadas pela fiscalização junto ao tópico 6 do relatório fiscal, denominado “Aspectos contábeis e os contratos”. No tópico 6, a autoridade fazendária analisa a sistemática de reembolsos pertinentes aos contratos de “gestão e construção” e de “gestão e reembolso” e conclui pela inexistência de controles contábeis que permitam correlacionar os gastos assumidos pela empresa brasileira com os correspondentes reembolsos que deveriam ser suportados pelas empresas estrangeiras. Para a impugnante, a fiscalização “não trouxe aos autos qualquer elemento proveniente de levantamento derivado de cruzamento de despesas registradas versus despesas reembolsadas que identifique com clareza os custos e/ou despesas, que afirma, foram assumidos pela Impugnante e não foram repassados para as Fretadoras”. Defende que o ônus da prova da espécie é da autoridade fazendária, de maneira que as considerações firmadas pelo agente fiscal devem ser desconsideradas. Defende que o prazo de 30 dias é insuficiente para o exercício do seu direito defesa, de vez que “o procedimento fiscal precedente à Ação Fiscal teve mais de dois anos duração, possuindo mais de 90.000 (noventa mil) páginas, sendo apenas o relatório fiscal composto de quase 1.000 (mil) páginas”. Requer, pois, a realização de (i) perícia independente e (ii) depoimento das pessoas envolvidas (Petrobras, Bancos, aquelas ouvidas em diligência fiscal), pois todas as provas coligidas no Procedimento Fiscal foram unilateral, inquisitivas, tomadas pelo Sr. Fiscal, de forma unilateral, sem o crivo do contraditório e da ampla defesa”. Na mesma toada, requer a apresentação de “prova pericial, testemunhal e documental durante a fase instrutória, e antes da tomada de decisão, como medida de direito”. Requer o desentranhamento dos documentos contidos entre as páginas 532 e 551, que, segundo entende, “não tem qualquer relação com os autos de infração ora combatidos porque diz respeito exclusivamente a ação de Recuperação Judicial cujo pólo ativo é Schahin Engenharia S/A (...)”. 1.2 Do mérito 1.2.1 Das razões que demonstram a insubsistência dos autos de infração. Inexistência de planejamento tributário. “A estrutura/modelo operacional adotado pela Impugnante decorre de prática comum às empresas do setor de Óleo e Gás e, principalmente das regras previstas nos convites de licitação internacional da Petrobras, nos termos do Decreto nº 2.745/98 e das condições dos contratos. Ou seja, nem a Impugnante e nem mesmo as empresas estrangeiras (Fretadoras) que corresponderia ao afretamento (e, igualmente, o percentual do valor do contrato de prestação de serviços), posto que a estrutura/modelo operacional foi previamente e integralmente definida em edital de licitação da Petrobras. Os contratos de afretamento e de prestação de serviços decorreram apenas de determinação prevista no edital de licitação da Petrobras, regulada pelo Decreto nº 2.745/98, e julgada com observância aos princípios da legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da publicidade, da igualdade, bem como da vinculação ao instrumento convocatório e da economicidade”. “Neste contexto, importante explicitar que o contrato de afretamento é celebrado entre a Petrobras e as empresas estrangeiras (Fretadoras) Fl. 3056DF CARF MF 36 e pago em dólares americanos, sendo que os recursos da Petrobras são enviados às empresas estrangeiras para com os valores dos alugueres custear [sic.] a construção das embarcações/anuidades e pagar o financiamento de longo prazo, para só depois, se restar lucro, ser distribuído aos acionistas das empresas titulares das embarcações/unidades. Por sua vez, a contratação de serviços de operação dos bens submetidos ao REPETRO é celebrada entre a Petrobras e a empresa no Brasil, no caso a Impugnante, e pago em moeda nacional diretamente à empresa prestadora de serviços (operadora). Ao impor a segregação do afretamento em dois contratos, a Petrobras ratifica a tese de que afretamento não é prestação de serviço e que o fornecimento de equipamentos/embarcações/unidades, não integra a atividade de prestação de serviços”. “(...) a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis ANP (órgão regulador das atividades que integram a indústria do petróleo e gás natural vinculada ao Ministério de Minas e Energia), no Ofício nº 143/2014/GABANP, em resposta (doe. anexo) ao Requerimento de Informações nº 825/14 da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito – CPMI da Petrobras no Senado Federal, instituída para investigar irregularidades envolvendo a Petrobras, atesta a normalidade da estrutura/modelo operacional em questão (...)”. “(...) referidas informações sustentam a possibilidade de os contratos de afretamento serem firmados fora do Brasil, em decorrência de autorização legal, definida em regime aduaneiro especial, especialmente destinado ao setor de Óleo e Gás, nos termos do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro) e aplicado de acordo com o estabelecido na Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil nº 1.415/2013”. “Esse modelo de contratação bipartida (contrato de afretamento e contrato de prestação de serviços) foi também chancelado pelo Ministério da Fazenda, por suas Secretarias de Acompanhamento Econômico e Direito Econômico CADE, no Parecer Técnico nº 06711/2010/RJ, ao analisar o Ato de Concentração nº 08012.006690/201063 (...). A modelagem contratual utilizada para segregação das atividades das empresas (afretamento e prestação de serviços) foi também legitimada pela Receita Federal do Brasil na Solução de Consulta COSIT 225/2014 (...)”. “(...) pondo uma pá de cal na questão da legalidade da contratação bipartida formatada e imposta pela Petrobras, a Lei nº 13.043/14, que alterou o art. 1º da Lei nº 9.481/97, normatizou a possibilidade de contratação segregada e simultânea de afretamento e de prestação de serviços relacionados à prospecção e exploração de petróleo e gás natural, celebrados, inclusive, entre pessoas jurídicas vinculadas (...)”. “Diante de todo o exposto, fica claro que a estrutura/modelo operacional das empresas do setor de Óleo e Gás decorre de imposição da Petrobras sociedade de economia mista, cujo controlador é a própria União (pessoa jurídica de direito público à qual estão vinculadas à ANP, o CADE e, sobretudo, a RFB), inexistindo, portanto, flexibilidade para a Impugnante alterar a modelagem contratual bipartida e a relação percentual entre as receitas de afretamento e de prestação de serviços. (...) Com efeito, se inexiste liberdade de auto organização da Impugnante (ausência de liberdade de escolha), não se verifica a nota determinante do conceito de planejamento tributário e, por conseguinte, fica claro o total descabimento da acusação fiscal neste sentido”. Fl. 3057DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.129 37 “(...) a alegação de planejamento tributário nos autos do processo nº 19515.721.387/201473, não configura uma confissão, mas sim uma técnica de defesa argüida pelos patronos de empresa Schahin Engenharia S/A, no processo em questão”. Constituição de SPEs para viabilização do Project Finance Essencialidade do percentual de 90% para as receitas do contrato de afretamento para remuneração da construção das embarcações/unidades e pagamentos dos financiamentos de longo prazo. A impugnante valese de informações prestadas pelo Presidente do BNDES, Luciano Coutinho, à CPMI da Petrobras na Câmara dos Deputados, sobre as operações de afretamento e de project finance, com o intuito de registrar que inexiste no caso concreto as alegadas "operações anormais" mencionadas pelo agente fiscal, “visto que a criação das empresas (Fretadoras) na forma de Sociedade de Propósito Especifico SPE no exterior, não é uma estrutura anormal (mera contas bancárias) e fora da prática de mercado, e sim bastante freqüente no sistema de financiamento internacional, que permite a estruturação financeira na qual o projeto em si garante o financiamento da construção das embarcações/unidades e não o balanço dos empreendedores”. “Portanto, totalmente infundada a acusação fiscal de que as empresas (Fretadoras Estrangeiras) foram constituídas com o ‘único fundamento de deslocar os pagamentos relativos aos contratos de afretamento para Paraísos Fiscais e viabilizar a mutação subjetiva da divida para se valer de recursos provenientes de sonegação fiscal’, pois conforme delineado acima, tratase de motivação justificada, tendo em vista que a estruturação societária e financeira objetivou atender as condições do Convite Internacional de licitação e viabilizar a construção e o fornecimento das embarcações/unidades à Petrobras e o cumprimento dos contratos firmados com esta”. Inexistência de artificialidade nos preços dos contratos de afretamento e de prestação de serviços “No que tange à fantasiosa tese do agente fiscal, de que houve artificialidade na determinação dos preços dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, a mesma não pode prosperar porquanto os percentuais relativos a cada contrato são estipulados no Convite Internacional de licitação, e estabelecidos previamente pela Petrobras, levandose em conta a importância de cada contrato no contexto da operação global (...)”. “(...) se verifica a total proporção entre o custo da embarcação e o valor do afretamento, pois o valor da embarcação é excessivamente superior ao preço do serviço de operação da embarcação”. “O agente fiscal não prova que os preços atribuídos aos contratos de afretamento não observaram as condições de mercado, pautandose em meras presunções, razão peta qual não se poderia concluir que os valores devidos pela prestação dos serviços estariam sendo dissimuladamente remetidos para Paraísos Fiscais para lesar o Fisco”. “Neste sentido, inclusive, há previsão legal no § 22 do art. 106 da Lei nº 13.043/14, definindo, expressamente, os percentuais máximos das parcelas relativas aos contratos de afretamento consoante a natureza da embarcação afretada, legitimando as proporções contratualmente Fl. 3058DF CARF MF 38 estabelecidas, mesmo quando houver vinculação entre as pessoas jurídicas afretadora estrangeira e prestadora de serviços nacional”. “Vale destacar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao analisar a mesma matéria, no julgamento do Processo nº 19395.720019/201213 (Acórdão nº 1402001.439), por unanimidade de votos negou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, conforme consignado pelo Ilustre Conselheiro Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva (...). Neste mesmo sentido, vale citar a ementa do Acórdão 1101001.105 (Processo nº 15521.000300/200761), de relatoria do Conselheiro Marcos Shigueo Takata, que analisou matéria análoga a dos autos (...). “Portanto, resta evidente que inexiste artificialidade nos preços dos contratos de afretamento, mas sim de preços decorrentes (i) de imposição com base em condições contratuais préestabelecidas em regular certame licitatório e (ii) de condições/práticas de mercado, que refletem a relação custo da construção das embarcações/unidades X custo dos serviços de operação”. “Além disso, não se desincumbiu o agente fiscal de indicar a fonte de onde tirou o que seria "normal" desta operação tão comum no mercado de Óleo e Gás. Com base em qual conhecimento teórico e técnico ele tirou estas conclusões de artificialidade entre os preços dos contratos, considerando suas distintas naturezas jurídicas? Também não indicou qual a empresa utilizada como modelo, para sustentar a referida desproporcionalidade entre os preços dos contratos de afretamento e de prestação de serviços de operação, bem como o parâmetro utilizado para ter chegado a esta conclusão? Afirmar e não provar é o mesmo que não alegar!” Da interpretação sistemática do artigo 77 da lei nº 12.973/2014 “(...) o artigo 77 da Lei 12.973/2014 dispensa a pessoa jurídica domiciliada no Brasil de incluir na base de cálculo do IRPJ e da CSLL a parcela do lucro de controladas ou coligadas no exterior relativa às atividades de afretamento”. “Assim, não cabe, ao agente fiscal pretender tributar as receitas relativas as atividades de afretamento por casco nu no Brasil, em assim o fazendo atuou contra legem”. Dos contratos coligados “(...) os indícios apontados pelo agente fiscal para concluir que no caso haveria um único contrato de prestação de serviços, que abarcaria o afretamento das embarcações, denota apenas a existência de contratos coligados, união de contratos com dependência recíproca necessária, amplamente conhecido pela doutrina e que nada tem de ilegal como tenta fazer crer o agente fiscal. Mesmo na hipótese de que os dois contratos fossem celebrados com as empresas estrangeiras (Fretadoras Estrangeiras), ainda assim tratarseia de dois contratos distintos formalizados em um único instrumento, ou contratos coligados, sendo um de prestação de serviços e outro de afretamento. “Assim, não é possível a desconsideração pelo agente fiscal da forma e substância dos contratos firmados com a Petrobras, a fim de alterar os respectivos conteúdos materiais previstos no direito privado, transmudando a natureza dos contratos de afretamento em contrato de prestação de serviços, visto que a liberdade do Fisco ao interpretar os fatos é vinculada à lei e sua discricionariedade não pode ultrapassar os alcances dos conceitos de direito privado, interferindo na autonomia privada da Impugnante, conforme previsto nos arts. 170 da CF/88 e 109 e 110 do CTN”. Da inconsistência da acusação fiscal quanto à ausência de propósito negocial Fl. 3059DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.130 39 A autuada defende que o Fisco somente poderá desconsiderar uma operação realizada pelo contribuinte quando não houver comprovação da existência do motivo e da finalidade (propósito negocial) para a realização de atos. No caso concreto, “a sintonia das operações realizadas pela Impugnante, é facilmente observada vez que possibilitou (i) a apresentação de proposta com o menor preço na licitação na modalidade Convite Internacional; (ii) a sua classificação no certame licitatório tipo melhor preço; (iii) construção das embarcações com menor custo de financiamento; e, (iv) o fornecimento das embarcações; (v) cumprimento dos contratos firmados com a Petrobras”. “De fato, resta demonstrado que a estruturação societária e financeira tidas como confusas e sem propósito negocial pelo agente fiscal, foram indispensáveis para a viabilizar a construção das embarcações/unidades com o menor custo de financiamento, e para atingir o objetivo perseguido pela Impugnante, qual seja, o fornecimento das embarcações e o cumprimento dos contratos firmados com a Petrobras”. Da inconsistência da acusação fiscal quanto ao artigo 116 do CTN “No que tange à alegação de violação ao disposto no artigo 116 do CTN, cabe ressaltar que tal dispositivo legal é inaplicável ao caso em tela, simplesmente em decorrência da não edição da Lei ordinária regulamentando os procedimentos relativos à desconsideração de negócios ou atos jurídicos”. “Mesmo que houvesse lei ordinária disciplinando o procedimento de desconsideração, ainda assim não poderia o agente fiscal autuante praticar o ato de desconsideração dos negócios praticados legalmente pela Impugnante e as Fretadoras Estrangeiras com a Petrobras no curso do procedimento de fiscalização, visto que o ato de desconsideração não poderia integrar o próprio ato de lavratura dos autos de infração combatidos, por se tratar de prérequisito para a lavratura do auto de infração”. (...) “Portanto, nulo é o procedimento de desconsideração realizado durante a ação fiscal que culminou na lavratura dos autos de infração guerreados, por não ter sido assegurados à Impugnante e às Fretadoras Estrangeiras, sobre as quais foi levantada a desconsideração, o due process of law, o contraditório e a plenitude de defesa, inclusive o direito a produção de provas, em procedimento autônomo”. 1.2.2 Da estrutura societária das fretadoras estrangeiras e das operadoras nacionais, e demais aspectos legais Considerações iniciais “Conclui o agente fiscal, de forma simplória e errônea, pela ilicitude da estruturação societária, contratual e financeira das atividades de Afretamento e Operação, inferindo ser a Impugnante a responsável única por ambos os serviços, e levantando ainda levianas suspeitas sobre a localização geográfica das Fretadoras Estrangeiras, posto que sediadas em Delaware, Estados Unidos da América, considerada desde a promulgação da Instrução Normativa RFB n 1037, em 4 de junho de 2010, um "regime fiscal privilegiado. Não trouxe o agente fiscal , no entanto, qualquer comprovação de seus fantasiosos argumentos e deliberações, ao contrário, posto ter carreado ao relatório fiscal inúmeros documentos desconexos (e que comprovarão adiante a licitude das ações da Impugnante), pretendendo fazer destes documentos uma verdadeira cortina de fumaça, com insinuações de Fl. 3060DF CARF MF 40 fraude, confusão e conluio que se mostram verdadeiramente temerárias, colorando irresponsavelmente em cheque a reputação de um conglomerado nacional de grande capacidade econômica e financeira com verdadeiras falácias”. “(...) tanto a Impugnante quanto as Fretadoras Estrangeiras se constituem em partícipes de um mesmo grupo de sociedades, sem, entretanto, relação de controle ou coligação entre elas”. (...) Importante frisar que tal informação não foi "sonegada" da fiscalização, como infere o relatório fiscal, apenas não foi propriamente requisitada pelo fiscal responsável”. “Ainda que ligadas, vez que impossível se prestar os serviços de Operação sem a existência da correspondente embarcação/unidade, tais atividades são distintas entre si, com responsabilidades, obrigações e direitos diferentes, de modo que a sua execução cabe perfeitamente a sociedades próprias e especializadas em cada qual dos casos”. (...)Neste sentido, a opção do grupo ao qual pertence a Impugnante foi de confiar a esta as atividades de Operação, dada a sua expertise, recursos materiais e humanos, conhecimentos e demais características, enquanto às Fretadoras Estrangeiras foi determinada a propriedade das embarcações/unidades, com todos os seus ônus e bônus, para a conseqüente atividade de Afretamento para a Petrobras”. “Ora, considerandose que as FPSOs mencionadas equivalem às embarcações/unidades, ou seja, correspondem aos equipamentos afretados, temse que a legislação pátria busca incentivar a prática de afretamento das embarcações/unidades de sociedades estrangeiras, tal como o perpetrado pelo grupo de sociedades ao qual pertence a Impugnante. (...) Cristalinamente se vê, pois, que a estruturação societária da Impugnante e das Fretadoras Estrangeiras se ajustou às condições legais incentivadas, em nada tendo sido imaginada para fins de burla ao fisco ou a quaisquer terceiros”. “Neste sentido, as Fretadoras Estrangeiras constituemse em verdadeiras Sociedades de Propósito Específico SPE, cujo objetivo é construir e ao final possuir a embarcação/unidade a ser utilizada pela Impugnante na prestação dos serviços de Operação. Temos, assim, a racionalidade da decisão do grupo ao qual fazem parte a Impugnante e as Fretadoras Estrangeiras em segregar distintas linhas de negócios sob sociedades diferentes. E o entendimento diverso do agente fiscal apenas demonstra uma inaceitável interferência fiscal na organização da Impugnante e o grupo de sociedades ao qual ela pertence, interferência esta ilegal, desprovida de qualquer razoabilidade e em completo desrespeito aos caros princípios da livre organização e livre iniciativa das sociedades e grupos privados, inscritos nos arts. 1º e 170 da Constituição Federal, pelo que deve ser totalmente rechaçada”. Da abusiva desconsideração das fretadoras estrangeiras “Adjudicase o agente fiscal o poder de desconstituir e desconsiderar a existência das Fretadoras Estrangeiras, tratandoas por ficção jurídica imaginadas unicamente para fins de receber a contraprestação pelo Afretamento em domicílio distinto daquele da Impugnante, em nome desta, permitindo assim a desoneração tributária sobre tais receitas, pugnando, pois, pela consideração de toda esta receita como receita tributável da Impugnante”. Da desconsideração da personalidade jurídica e sua inaplicabilidade “(...) o conceito da "desconsideração da personalidade jurídica" permite o levantamento do manto da segregação patrimonial entre sociedade e seus sócios, para alcançar o patrimônio dos segundos em determinados casos ou circunstâncias”. Fl. 3061DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.131 41 “(...) uma vez que há toda uma legislação de suporte da estruturação societária do grupo de sociedades ao qual pertence a Impugnante, não há que se falar em uso errado, excessivo ou injusto da personalidade jurídica das Fretadoras Estrangeiras. Da inocorrência de confusão patrimonial “Não há, portanto, como quer fazer crer o agente fiscal, qualquer Unidade em nome dos Srs. Milton Taufic Schahin e Salim Taufic Schahin, cabendo às Fretadoras Estrangeiras a integral propriedade das Unidades, tudo dentro da estruturação societária do grupo de sociedades ao qual pertence a Impugnante, de forma legal e legitima. Desta forma, afastada resta qualquer conclusão no sentido de confusão patrimonial queautorizaria a aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica, na forma do art. 50 do Código Civil Brasileiro”. Da inocorrência de confusão na execução do contrato “Uma vez finalizada a construção da Unidade, sendo esta colocada à disposição da Operadora, à Fretadora não cabe qualquer outra atividade técnica ou operacional, restando apenas a administração financeira dos recebimentos pertinentes. E tal administração financeira pode perfeitamente ser realizada por outras sociedades de seu grupo econômico, não restando razão para que a Fretadora disponha de funcionários ou instalações físicas!” “O trabalho técnicooperacional cabe inteiramente à Operadora, no caso, a Impugnante, que sim, deve manter corpo de funcionários aptos a prestarem contínua e diligentemente os serviços para os quais a Operadora foi contratada”. “(...)a alegação debochada do agente fiscal, dando conta que as Fretadoras nem sequer são capazes de promover a contratação de seguros, "demonstrando a total necessidade de iniciativa por parte da Schahin (a Impugnante) na condução de tudo, até mesmo do seguro da embarcação/plataforma (a Unidade), de propriedade alheia e antes de qualquer relação de Operação da plataforma" é contraditada pelo próprio, que compila em quadro informativo (Tabela IX32) seguros de vultosa monta cuja contratação se deu, exatamente, por Fretadoras Estrangeiras, nominalmente BAERFIELD DRILLING LLC, AIROSARU DRILLING LLC, DLEIF DRILLING LLC. Coincidentemente, são estas três Fretadoras Estrangeiras que constam como proprietárias de embarcações/unidades nos documentos carreados pelo próprio agente fiscal ao Relatório Fiscal em debate!” Da pertinência e complexidade das operações financeiras “Fosse o patrimônio da Impugnante o único a responder pelas dividas contraídas para fins de construção das embarcações/unidades, de propriedade das Fretadoras Estrangeiras, as quais, na visão do agente fiscal, existem apenas formalmente, não desempenhando qualquer papel na estrutura, qual a razão de se pode ler nas informações compiladas nas tabelas IX10,1X11, IX12 e IX13 que constam como garantidoras Fretadoras Estrangeiras, cujas garantias oferecidas constituemse em cessão fiduciária de direitos e créditos de recebíveis relativos a determinados contratos comerciais celebrados pelas garantidoras com a Petrobras? Ressaltese, ainda, o espanto do relatório fiscal ao relatar que as receitas provenientes de AFRETAMENTO correspondem a 90% (noventa por cento) de toda a remuneração dos contratos de Afretamento e Operação (pgs. 54, 575 e 852 do Relatório Fiscal). Sob esta ótica, parece cristalino que o maior Fl. 3062DF CARF MF 42 patrimônio sob risco na estrutura de garantias é exatamente aquele pertinente às Fretadoras Estrangeiras, já que a estas cabem 90% (noventa por cento) das receitas do projeto que compreende o Afretamento e a Operação das Unidades!” “Desta feita, às receitas da Impugnante cabe um papel secundário da estrutura de garantias, inteiramente pertinente dada a figuração em grupo de sociedades em conjunto com as Fretadoras Estrangeiras, desmistificando as afirmações do relatório fiscal sobre o tema”. “Quanto aos inúmeros documentos societários carreados ao Relatório Fiscal impugnado, verificase que tratam todos de levar ao conhecimento e aprovação dos sócios da Impugnante os complexos passos da estrutura de garantias, como convém a uma sociedade por ações, para fins de garantir a segurança das operações de garantia assumidas pela Impugnante”. Da situação geográfica das fretadoras estrangeiras “O que não notou o agente fiscal (ou negligenciou) foi a temporalidade da constituição das Fretadoras Estrangeiras frente à promulgação de legislação declarando o estado de Delaware, em relação a ‘Limited Liability Companies’, como local de ‘regime fiscal privilegiado’ Tal legislação foi promulgada na data de 4 de junho de 2010, por meio da Instrução Normativa RFB 1.037 (...).Ressaltese que a constituição das Fretadoras Estrangeiras precedeu a promulgação da referida Instrução Normativa”. “E mais! Independentemente de estarem em zonas de tributação favorecida, ou terem sido constituídas aproveitandose de incentivos tributários locais, ainda assim tal formatação não confere caráter de ilegalidade às Fretadoras Estrangeiras, tratando a legislação diferentemente a este respeito, o que se atacará alhures na presente impugnação”. “Como sagazmente notado pelo o agente fiscal as Fretadoras foram constituídas em territórios de países estrangeiros, lá mantendo seus domicílios. Desta maneira são elas reguladas pela legislação de seu domicílio, em nada se aplicando a elas a legislação pátria”. “Isto porque deixou o agente fiscal de observar as regras que pautam os procedimentos fiscalizatórios quanto às Fretadoras Estrangeiras. A uma, posto que não há qualquer notícia, nos autos impugnados e todos os seus atos correlatos, de qualquer abertura de termo de fiscalização próprio para com as Fretadoras Estrangeiras, não consta mandado de fiscalização, nem sequer as Fretadoras Estrangeiras foram regularmente intimadas a prestar esclarecimentos e apresentar documentos. Não se teria seguido, portanto, a determinação legal cominada no art. 196 do Código Tributário Nacional, nem tampouco na legislação correlata. Neste sentido, não houve a regular lavratura de termo de fiscalização, não se delimitou o objeto da mesma, o período em que ocorreria, entre outras formalidades legais!” “Logo, a existência de um MPF fiscalização atingindo a esfera jurídica de terceiro, ao caso, as Fretadoras Estrangeiras, mostrase nulo de pleno direito”. “Em assim sendo, com a exemplificação argumentativa acima trazida, a título meramente teórico posto que as Fretadoras Estrangeiras não são sujeitas à fiscalização, tanto em termos legais quanto em termos regimentais, ao arrepio da legislação, terseia uma verdadeira preterição do direito de defesa das Fretadoras Estrangeiras, o que nulificaria os autos de Infração atacado, ferindoo de morte, nos termos do art. 59, II, do Decreto 70.235/1972, (...)”. Conclusão do tópico Fl. 3063DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.132 43 “Diante de tudo o quanto argumentado e exposto, demonstrase a cabal, inapelável e inconteste lisura da atuação da Impugnante sob o projeto de exploração petrolífera representado pelos contratos de Afretamento e Operação mencionados no relatório fiscal, desmascarandose as fantasiosas, errôneas e ilógicas conclusões do relatório fiscal ora impugnado”. 1.2.3 Ilegalidade e nulidade dos lançamentos considerações sobre o REPETRO “Primeiro, de se notar que o diligente fiscal autuante pautou a fundamentação do lançamento fiscal, para desconsiderar os fatos, atos e negócios jurídicos praticado segundo as regras de Direito Civil, Comercial e Aduaneiro, mormente o regime especial Aduaneiro do REPETRO, com fundamento no parágrafo único do art. 116 do CTN. Não precisamos de grande digressão para apontar que aludido normativo carece de regulamentação legal e não tem validade jurídica. Segundo, olvidou da regra do artigo 109 do CTN (...)”. “Exatamente o que foi desconsiderado por completo pelo agente fiscal autuante, já que esse passa ao largo e não reconhece, não sabemos se de máfé ou por absoluta ignorância, o regime Especial do REPETRO e a Admissão Temporária nele previsto”. “Não cabe, assim, acusação de omissão de receitas somente com base em presunções e indícios, diante de meras dúvidas dos fatos e atos praticados, somente com base em prova indiciaria, inconclusiva, derivada da tese hipotética empreendida, abraçada e utilizada pelo trabalho fiscal, preterindo a forma e conceitos de outros ramos do Direito (art. 109 do CTN)”. “Na medida em que a fiscalização apoiou sua acusação em presunção, de que as receitas dos contratos de afretamento com a Petrobras são receitas operacionais da SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS, e, por conseqüência, caracterizadoras de omissão de receita, mas sem correlação natural lógica, racional e legal que permita tal conclusão, restam infirmadas todas as ilações e suposições levantadas pela construção fiscal, havendo de ser julgada absolutamente improcedente a ação fiscal, como passaremos a pontuar especificamente”. As características do REPETRO convalidam os atos praticados pela impugnante. “O REPETRO, assim, se traduz em regime aduaneirotributário diferenciado, concedido, principalmente, para a suspensão da integralidade da aplicação de tributos aduaneiros (tais como II, IPI importação, PIS/COFINS importação, ICMS importação), além do adicional de frete para renovação da marinha mercante (AFRMM), a fim de possibilitar importação de bens com a finalidade de serem utilizados na exploração petrolífera, seja pelos Regimes de (i) Drawback; (ii) Exportação com saída Reta; e (üi) Admissão Temporária. Tudo para reduzir os custos das atividades típicas do Setor de Petróleo e Gás brasileiro, de modo a atrair investimentos e fomentar o seu desenvolvimento. já que nossa indústria nacional, especialmente a de estaleiros, não tem expertise, qualidade e performance exigidas por esse mercado, extremamente desenvolvido internacionalmente. “Como se está a ver, para que uma empresa goze e seja outorgada ao REPETRO, deve passar por procedimentos e atendimentos de um sem numero de regras, fiscais, comerciais, civis, aduaneiras, precedido de licitação internacional. Fl. 3064DF CARF MF 44 Exatamente o que a Impugnante fez, atendendo com rigor a legislação referida, cujo arcabouço desemboca em vários órgãos regulatórios, como, Agência Nacional do Petróleo e Gás, Tribunal de Contas da União, Receita Federal do Brasil com competência para outorga do REPETRO, autoridade aduaneira da Receita Federal do Brasil com competência para deferir as Admissões Temporárias no REPETRO”. Da correção e legalidade dos atos e negócios jurídicos firmados com a PETROBRAS “(...) a operação de Afretamento de bens, em Admissão Temporária, no REPETRO, nada mais é do que a locação de uma embarcação específica ao setor de Óleo e Gás, seja de um navio sonda, navio perfuratriz, etc, bens do mais alto grau de tecnologia e complexidade, de uma empresa sediada no estrangeiro Fretadora, para que se dê sua utilização econômica (Admissão Temporária), em atividades de exploração de Petróleo e Gás, por uma concessionária e/ou terceiro subcontratado ou prestador de serviço, Fretadores, que explorem esse segmento, devidamente e previamente habilitados ao REPETRO. Ou seja, sendo as Fretadoras donas dos navios, casco nu, mera locadoras do bem a ser afretado, locação de coisa móvel, não se exige tenha grande estrutura e asseclas de empregados, demandandose apenas sua existência segundo as Leis estrangeiras e ser proprietária das embarcações”. “(...) Esse contexto negociai, operacional, societário e contratual permite presunção da prática de fraude? (...) Não. E a explicação é muito simples, pois decorre da Política Fiscal adotada pelo Governo brasileiro. Esse, exercendo sua soberania, criou regras jurídicas capazes de permitir a exploração da atividade de Petróleo e Gás em solo nacional, em ambiente de competitividade concorrencial e comercial frente aos conglomerados estrangeiros, os quais, poderiam afretar as embarcações no REPETRO e ainda usar a isenção da alíquota zero”. “Toda engenharia que venha a ser feita pelas Fretadoras Estrangeiras, com garantia de Operadores, dáse com base nas Leis encimadas, em razão da impossibilidade de que se construam e afretem embarcações em solo nacional. Nem mais, nem menos. Qualquer hipótese em contrário, de que tais operações seja prática de fraude, é acusação leviana e mendaz”. “Percebese, pois, a total incongruência e deficiência do trabalho fiscal, que pretende fossem as operações de Afretamento em Admissão Temporária do REPETRO, realizadas unicamente em solo brasileiro, ao tentar chancelar a absurda tese da Omissão de Receitas da Impugnante”. “Nesse confronto entre as ilações e argumentos fiscais, frente ao regramento legislativo próprio do regime de Afretamento, em Admissão Temporária, no REPETRO, não há dúvidas da absoluta legalidade e correção das operações da Impugnante, é do total absurdo e devaneio que é a Ação fiscal, que deverá ser julgada absolutamente improcedente. Desde já requerido”. Incompetência da autoridade lançadora para desconsiderar o REPETRO “O ato de lançamento desta Ação Fiscal é nulo de pleno direito, posto praticado por sujeito incompetente, no que atina à desconsideração do Regime do REPETRO e o Afretamento dos bens em Admissão Temporária”. (...) Face às razões alinhavadas, provase a absoluta nulidade do ato de lançamento desconsiderando Regime Aduaneiro próprio, há ser reconhecido ex officio. Desde já requerido. Fl. 3065DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.133 45 1.2.4 Inexistência de conduta caracterizadora de crime ou contravenção “Nos termos dos argumentos despendidos ao longo da presente impugnação, não é demais afirmar que toda a operação adotada pela impugnante se deu dentro dos mais valiosos parâmetros legais, contratuais e licitamente adotados no âmbito em que atua, respeitando se todas as regras fiscais, societárias e licitatórias”. Inexistência de fraude à licitação “(...) Pelo entendimento esposado, entendeu [a fiscalização] que pelo fato da Fretadora Estrangeira ter vencido o certame, figurando a empresa Schahin Petróleo e Gás como prestadora de serviço, em contratos aos pares, teriam incorrido em fraude ao certame. Entretanto, para chegar a tal conclusão, sequer analisa a validade e legalidade no atendimento dos requisitos do certame e dos termos dos contratos dele originado, os quais indubitavelmente foram submetidos aos requisitos da legislação de regência do processo licitatório da Petrobras, mas também amplamente aceitos e validados pela Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Fazenda e pela Agência Nacional do Petróleo (ANP)”. “Notase, entretanto, que o agente fiscal pressupõe a existência de fraude à licitação internacional, porém não se atenta para o fato de que procedimento se deu em completa conformidade com o que determina o Convite Internacional sendo que tais contratos de prestação de serviço e afretamento são elaborados também nas exatas determinações elaboradas pela licitante Petrobras, ou seja, atendem os requisitos impostos pelo próprio convite”. “(...) não há que se falar em qualquer ilegalidade pelo fato de que os contratos foram elaborados ‘aos pares’, em decorrência de uma fraude ao procedimento de licitação, notadamente porque estes atendem aos requisitos impostos pela própria Petrobras e pelas questões complexas da operação envolvidas. Destacase: são assim expressamente previstos em lei. De modo que se o agente fiscal autuante é contra a lei, tratase de um problema de ordem pessoal, não podendo desconsiderar o ordenamento jurídico nos trechos nos quais não concorda”. “(...) não há que se cogitar em eventual fraude a fim de vencer o certame internacional ou para defraudar concorrência, notadamente porque se, de um lado, a concorrência de fato existiu, de outro, venceu a concorrente que melhor atendeu os requisitos impostos pelo ente público contratante”. Inexistência de conluio “Ora, se a Petrobras se recusa a fornecer as informações solicitadas pelo agente fiscalizador, tal fato não pode ser sopesado negativamente contra a impugnante. Além do mais, a negativa de entrega de documentação por parte da empresa, em nada se relaciona com a atuação da impugnante e, mais ainda, em nada aponta a existência de ajuste doloso entre ambas. Se a empresa se furtou em colaborar com a fiscalização, tal fato deve ser Imputado à mesma e não considerado em desfavor da ora impugnante, muito menos ser entendido como um conluio”. “Do mesmo modo, respostas de pessoas físicas, sejam elas funcionários, exfuncionários, não importando qual seja a qualificação dos mesmos, assinando ou não contratos, também não demonstram qualquer pacto com o fito de fraude com a impugnante. O fato de informarem ao fisco não possuírem documentação ou não se Fl. 3066DF CARF MF 46 recordarem de operações, sequer indica burla para simular situação diversa da realidade. Se a autoridade fiscalizadora não se deu por satisfeita com as respostas fornecidas ou, o conteúdo das respostas não atendeu ao que pretendia e queria saber, não se pode atribuir isso como um conluio entre as partes”. “Neste mesmo giro, operações de financiamento com bancos brasileiros e estrangeiros, refinanciamento de dívida e cessões de crédito, apontados como ‘conluio’, tratamse meramente de operações financeiras, práticas naturais de um mercado que é altamente complexo pela vultuosidade das operações. De modo que houve um desvirtuando dessas operações usuais da prática negocial por parte da autoridade fiscalizadora, que desconsiderou todos esses aspectos do mercado, para dar uma roupagem de ajuste entre os supostos envolvidos. É da prática freqüente empresarial a aquisição de empréstimos, financiamentos e cessões de crédito”. “Ademais, o fato de determinada instituição financeira conceder empréstimos, aceitar a cessão de dívidas e abrir filial no exterior em nada se relaciona com a atividade da impugnante e, nem de longe, pode ser entendido como um pacto doloso entre as partes. A conduta adotada por uma instituição financeira, que sequer se sabe foi objeto da devida apuração pelos órgãos competentes, não pode ser considerada em desfavor da impugnante. A decisão de abertura de filiais no exterior, por instituições financeiras, sejam em paraísos fiscais ou não, não é motivo idôneo para embasar a atribuição de conspiração entre as partes”. “Vejase que imprescindível para a caracterização de conluio a existência de um prévio ajuste, doloso, entre pessoas jurídicas ou naturais, com o intuito de sonegar ou fraudar o fisco. Ora, nos termos do acima consignado, temse que toda a operação engendrada, desde a habilitação para a licitação, elaboração de contratos de fretamento e de prestação de serviço e pagamentos pelos serviços realizados, ocorreram dentro dos parâmetros legais determinados pelas regras licitatórias, contratuais, tributárias e civis. Ou seja, a impugnante atuou sempre no exercício de um direito reconhecido pela Administração Pública, o que afasta cabalmente a incidência em fraude ou fato ilícito. Não obstante, sequer constam nos autos subsídios que indiquem qualquer ajuste, combinação, acordo, concerto entre si ou pacto entre as partes! O que a autoridade fiscal autuante fez, indevidamente, foi desconsiderar todo o emaranhado legal ao qual a Impugnante atendeu, aduzindo a existência de conluio entre os agentes, mas sem qualquer elemento concreto. Deveria, ao menos, ter apontado através de provas idôneas uma verdadeira trama operada entre as partes, o que, de fato, não ocorreu!” Inexistência de organização criminosa e outras figuras penais apontadas no relatório fiscal “É um completo contrassenso a articulação concebida pela autoridade fiscalizadora, dando a entender pela existência de uma organização criminosa ou associação criminosa, sugerindo, ainda, a prática de lavagem de dinheiro. Frisase, primeiramente, que há um descompasso e confusão por parte do fiscal a respeito de figuras completamente distintas, quais sejam organização criminosa e associação criminosa. Em segundo, temse que o mesmo tão somente lança mão de tais entendimentos, completamente ao léu, primeiro falando em associação, depois em organização criminosa, sem o mínimo embasamento e lastro probatório, com nítido intuito de conferir gravidade aos fatos”. Fl. 3067DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.134 47 “No caso em discussão, a origem licita dos valores que se afirma branqueados, implica o reconhecimento da falta de justa causa para a imputação, que não se cerca de seus elementos típicos essenciais: origem ilícita do valor proveniente de crime, a teor do disposto no artigo 1º, da Lei nº 9.613/98”. 1.2.5 Da multa qualificada “Em primeiro, consignase que em nenhum momento restou impedido o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência de fato gerador. Ocorre que o agente fiscal autuante não se deu por satisfeito com todas as informações, esclarecimentos e documentos entregues pela Impugnante a respeito dos contratos de prestação de serviços à empresa estatal Petrobras. De modo que tudo o que restou apresentado por parte da empresa espelha efetivamente a sua situação real e fática”. “Não prospera, pois, o argumento de sonegação da empresa para impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuição social’, muito menos o alegado de que se ‘omitiu dolosamente para impedir a autoridade de conhecer as condições pessoais do contribuinte’ ou ‘se omitindo para responder â fiscalização para elucidar relações jurídicas’ e, tão pouco, que tenha, por atitude comissiva, fraudado com a ‘intenção de excluir ou modificar as características essências do fato gerador da obrigação tributária principal, a fazer crer que o sujeito passivo a realizar a receita de AFRETAMENTO com a PETROBRAS seriam as Fretadoras Estrangeiras, completamente independentes e dissociadas do GRUPO SCHAHIN, de modo a omitir por completo o montante do tributo devido’ ". “De posse dos conceitos quanto à relação tributária sancionadora e as condutas infracionais dos artigos 71, 72 e 73 encimados, temse clara prova de que não há qualquer condição de se manter a multa qualificada pela prática de condutas dolosas, fraudulentas, conluiadas e sonegadoras contra os Impugnantes, levando em conta a operação questionada e imputada de fraudulenta, no dizer da romancista ação fiscal. Em verdade, a conduta dos Impugnantes foi uma só, no sentido de cumprir regras e normas cogentes, no que tange à execução de contratos de Óleo e Gás, cujo bastião é erigido e desempenhado pelo próprio Poder Público”. “Frisese, ademais, posto importante, que o conceito de evidente intuito de fraude não se presume e escapa à simples omissão de informações, sendo injustificada a imposição de multa qualificada”. “Ademais, o agente fiscalizador sequer teria competência para julgar a existência de fraude, no caso em espécie, haja vista que teria de ser instaurado procedimento pertinente para a devida apuração, conservandose os direitos de produção de prova, ampla defesa e contraditório, nos termos do que determina a nova Lei Anticorrupção”. “Se a empresa estatal não prestou as informações que o fiscal julgou necessárias, tão pouco isso comprova qualquer ajuste ou pode ser entendido como um pacto com a 1' Impugnante a fim de sonegar ou fraudar o fisco”. “(...) pelo fato da pessoa Kenji Otsuki afirmar à diligência fiscal não possuir documentos ou por não ter demonstrado iniciativa em relatar sabese lá o que queria ouvir o fiscal, bem como a pessoa de José Mario Kannareli, mesmo atendendo ao que fora solicitado, prestando Fl. 3068DF CARF MF 48 as informações requeridas, por tais motivos, sem qualquer prova de ajuste entre as partes, entendeu existir conluio”. “Vejase, ainda, que o fiscal alargou ainda a existência de conluio, desta vez apontando para outras sociedades do Grupo Schahin, onde afirma que este se manifesta nas pessoas jurídicas do Grupo Schahin ‘Onshore’ uma vez que a Schahin Engenharia S/A, por meio da S2 Participações Ltda., financia capital de giro próprio obtido em bancos no Brasil na figura de financiamentos estruturados (Master Credit Agreement) tendo as ‘Offshore’ como devedoras, através de subsequentes cessões de crédito e débito até a transferência total da obrigação e seu adimplemento para Paraíso Fiscal. Ora, tal operação em absolutamente nada comprova a existência de conluio entre as partes para sonegar ou burlar o fisco”. “Tratamse de operações plenamente válidas, amparadas em regras normais e usuais do mercado financeiro. Logo, não é cabível ao fiscal da fazenda, desconsiderar negócios jurídicos absolutamente apropriados e legais, por concebêlos como um engano ao fisco. Aduzir de tal forma, é mera arbitrariedade do funcionário administrativo, inclusive passível de apuração de falta funcional.” “Causa maior surpresa, ainda, as acusações direcionadas para a existência de conluio com bancos brasileiros e estrangeiros, alegando que promoveram empréstimos à impugnante para capital de giro; figuraram como aceitantes em cessão de dívidas; abriram filiais em Paraíso Fiscal para lá receber pagamentos de valores oriundos de crimes; por cederem créditos concedidos no Brasil à agência filial, sucursal em Paraíso Fiscal. Tal assertiva beira a jocosidade, uma vez que a abertura de filial, no exterior, por uma instituição financeira brasileira, em nada indica acordo entre as partes para fraudar ou omitir receitas ao fisco ou, ainda, sequer possui qualquer relação com os fatos ora em debate”. “Aqui chegados, após as doutas lições acima, concluímos que o trabalho fiscal fez muita ilação, mas nada provou. Assim, não basta a mera transcrição dos arts. 71,72 e 73, da Lei 4.502/64, para que se tenha caracterizado sonegação, fraude e/ou conluio. Esses são figuras penais específicas que exigem a prática da conduta infratora imputada. Não se vê no trabalho fiscal qualquer referência às condutas individualizadas e específicas de cada um dos envolvidos, apenas menção genérica, objetiva, escuda na responsabilidade fiscal objetiva (art. 136 do CTN)”. “Pelo alinhavado, de rigor, por amor à lei e ao bom direito, anular se e cancelar por completo a multa qualificada, em não havendo qualquer conduta fraudulenta, sonegadora ou conluiada dos Impugnantes”. 1.2.6 Do embaraço à fiscalização e da multa agravada “Em que pese os aludidos termos de constatação e embaraço lavrados, ou a disposição legal encimada, andou muito mal a fiscalização ao acusar os Impugnantes de se recusarem a responder intimações e esclarecimentos, supostamente embaraçando o procedimento fiscal. Consignase que se a situação real e fática da empresa estava ‘comprovada com segurança e exatidão no procedimento de diligência fiscal’, sendo contraditória a afirmação que existiu comportamento doloso sonegatório ou mesmo embaraçoso por parte da impugnante. Tanto isso se verifica que através do procedimento instaurado, o fiscal sequer ficou impossibilitado de compreender os fatos e, ao final, efetuar o lançamento dos tributos. Se realmente tivesse ocorrido qualquer impedimento à fiscalização, ou Fl. 3069DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.135 49 dolo de sonegar informação, muito provavelmente o procedimento tributário teria sido frustrado”. “Ora, se a documentação ofertada e as informações prestadas não atendem aos interesses do fiscal, não cabe a impugnante buscar e tentar produzir dados que sequer são de seu conhecimento. Exigir isso seria impor a produção de prova negativa, para não se dizer, diabólica”. (...) Notase, portanto, que não houve frustração de fiscalização. Muito pelo contrário, a impugnante, todas as vezes que foi intimada e, possuindo a documentação pertinente, a entregou à autoridade fiscalizadora”. “Não concordando a fiscalização com suas justificativas, caberia aplicar a lei, mas, jamais, cogitar, subjetivamente, de embaraço e passar a discutir se a justificativa do contribuinte é boa ou ruim”. “Por outro viés, se quisesse o contribuinte negarse a prestar esclarecimentos que pudessem prejudicálo, teria pleno direito nesse proceder. Tal se dá porque o exercício ao direito em permanecer em silêncio e de não disponibilizar documentos fiscais, não autoriza aos órgãos estatais a dispensar qualquer tratamento coercitivo que implique restrição à esfera jurídica do contribuinte, para o fim de imputarlhe embaraço fiscal”. “(...) denotase que a frustração da fiscalização sob o auspicio do alegado embaraço dos Impugnantes não existiu. Tratouse, isto sim, de apego subjetivo do Fiscal, que não aceitou as justificativas e explicações apresentadas pelos Impugnantes. Se essas foram a contento ou não, tanto faz, e ainda quisessem negarse a fazêlo, tinham pleno direito, constitucionalmente e legalmente, assegurado”. “Portanto, a aplicação de sanção (embaraço à fiscalização) pela fiscalização é inválida, na medida em que ofende ao princípio da proporcionalidade, se, considerando as características peculiares da infração imputada aos Impugnantes, estes sempre se postaram ante o fisco, fornecendolhe todos os elementos necessários à ação fiscalizadora. Condição esta não observada pelo fisco, ao caracterizar embaraço à fiscalização, em não tendo os Impugnantes agido de maneira omissiva ou capaz de embaraçar, dificultar ou impedir o desenvolvimento da ação fiscal”. “Calha destaca que no presente procedimento de fiscalização, o agente da receita federal obteve nada menos do que aproximadamente 6 mil documentos através das mais diversas diligências e intimações!!! Tal aspecto, de plano, já desconfigura qualquer entendimento de embaraço a fiscalização!”. “Do exposto, quanto a esse tópico, exigese o cancelamento das penalidades imputadas por imaginário e inexistente embaraço à fiscalização”. 1.2.7 Da eventual conduta penal de prevaricação “Analisandose o relatório fiscal, observase que o agente fiscal, mesmo informando por diversas vezes que verificou irregularidades por parte da empresa estatal e até mesmo com demais supostos conluiados (bancos brasileiros e estrangeiros) deixou de adotar procedimentos fiscalizatórios contra estes. Isto é, escolheu, arbitrariamente a Impugnante para nela fazer recair todas as autuações derivadas de sua pseudo fiscalização”. “Nesse aspecto, a conduta de escolher contra quem investigar, imputar sérias acusações e impor sérios gravames decorrentes de Fl. 3070DF CARF MF 50 exigência infundadas de tributos e multas, além de juros (no caso de conluio como afirmado pelo agente fiscal, é como se só uma pessoa pudesse ser capaz de tal conduta seria o conluio consigo mesmo uma inovação por porte dele, criando uma nova ordem legal), deixando à margem a estatal Petrobrás, a verdadeira beneficiada com os contratos e procedimentos que adota faz muitos anos, pode possivelmente ser entendida como delito de prevaricação. E, eventualmente, até mesmo por parte das autoridades fiscais que tenham notícias desses fatos, as quais irão efetuar o julgamento do caso, e não adotarem providências para corrigir o equívoco até então praticado pelo agente fiscal”. 1.2.8 Dos termos de sujeição passiva solidária “Sem prejuízo das respectivas e individualizadas impugnações apresentadas em relação a cada um dos Termos de Sujeição Passiva Solidária, importante destacar em quaisquer dos casos a transferência de responsabilidade não se aplica uma que, conforme acima exaustivamente demonstrado e comprovado jamais houve ‘planejamento tributário abusivo’ a justificar sequer a imposição de omissão de receita, menos ainda de parte das pessoas jurídicas e físicas apressadamente responsabilizadas pela fiscalização”. “Assim, como resta demonstrado na presente impugnação inexiste infração que justifique as exigências formalizadas no lançamento ora impugnado, de igual em relação aos demais responsabilizados. A título de cogitação apenas, e, por apego à argumentação, na remota hipótese de se manter o lançamento, o que não se espera, ainda assim nenhuma das pessoas jurídicas e físicas devem ser responsabilizadas por absoluta falta de tipificação e comprovação cabal das condutas e práticas exigidas pela legislação de regência”. “Razão pela qual requer sejam cancelados TODOS os Termos de Sujeição Passiva Solidária que instruem o lançamento”. 1.3 Do pedido “Ante o exposto, requer seja recebida e regularmente processada a presente Impugnação, e sejam acolhidas as preliminares acima arguidas, determinandose o cancelamento dos autos de infração combatidos. Caso assim não entendam os I. Julgadores, o que não se espera, requer que no mérito, seja julgada integralmente procedente a Impugnação para o fim de determinar o cancelamento da exigência fiscal consubstanciada nos autos de infração e imposição de multa de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Por fim, protesta a Impugnante, pela produção de todos os meios de prova lícitas e em direito admitidas tais como perícia, cujos quesitos serão apresentados oportunamente bem como o assistente técnico; audiência das pessoas que participaram de procedimento inquisitório, representante da Petrobras para esclarecer sobre procedimentos licitatórios, existência de conluio e fraude em procedimentos licitatórios. audiência com representante do Banco Itaú S.A. para esclarecimentos sobre conluio e juntada de novos documentos, em homenagem aos princípios da verdade material, contraditório e da ampla defesa, para comprovação de suas alegações. Protesta ainda pela sustentação oral quando do julgamento em primeira instância administrativa”. 2 Das impugnações apresentadas pelas pessoas físicas e jurídicas classificadas como responsáveis tributários 2.1 Dos argumentos em comum As impugnações apresentadas pelas pessoas físicas e jurídicas classificadas como responsáveis solidários pela fiscalização compreendem um núcleo comum de argumentos, a saber: Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.136 51 A descrição dos fatos levada a efeito pela fiscalização é extensa e confusa, prejudicando o exercício da defesa dos interessados. A autoridade fazendária é incompetente para formalizar o lançamento em face de eventual responsável tributário. Houve a juntada aos autos de documentos em língua estrangeira sem tradução juramentada. Inexistem provas concretas que justifiquem a inclusão dos interessados no pólo passivo da exigência a título de responsáveis tributários. Em particular, não há elementos que caracterizem atos praticados em “infração à lei” ou mesmo que justifiquem a remissão ao conceito de “interesse comum” de que trata o art. 124 do CTN. O conceito de "interesse comum", previsto no art. 124 do CTN, está associado à realização propriamente dita pelos partícipes da situação que constitui a hipótese de incidência tributária, e não pelo mero "interesse econômico" que tangencia essa situação, tal qual sugerido pela fiscalização. Assim sendo, a participação de uma pessoa jurídica em um grupo de sociedades não repercute, de per si, na hipótese de responsabilização de que trata o art. 124 do CTN. Transcrevo a seguir excertos vinculados a esses argumentos. “Inicialmente cumpre arguir em sede de preliminar que o TSPS em referenda é nulo de pleno direito por ofensa aos artigos 10, inc. III, do Decreto 70.235/72 e 50 da Lei 9.784/99 (...)”. “Da leitura do TSPS, com o qual pretende a fiscalização atribuir responsabilidade solidária ao Impugnante, percebese desde logo que a descrição fática que lhe atribui a motivação obrigatória é por demais extensa e confusa impossibilitando a adequada e completa compreensão do lançamento, especialmente para o fim de se exercer em toda sua plenitude a inafastável garantia constitucional da ampla defesa e contraditório”. Cumpre reconhecer “a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária, sob o argumento da incompetência da autoridade fiscalizadora para formalizar o lançamento em face do eventual responsável tributário”. “(...) se a responsabilidade se transfere pela ocorrência de algum evento, o lançamento nestes casos deve ser realizado em nome do contribuinte, pois o responsável não integra o conceito de sujeito passivo eleito na norma que descreve a obrigação tributária. Somente após, na fase de cobrança, de competência da Procuradoria Nacional, é que o responsável por transferência seria chamado, nos termos do dispositivo acima transcrito, a fazer parte do pólo passivo como sujeito passivo, em razão da ocorrência de algum fato autorizador da transferência”. Os documentos que instruem o TSPS são desprovidos de validade, visto que contêm documentos em língua estrangeira que não foram objeto de tradução juramentada. “A responsabilização pessoal dos sócios e administradores etc, é sabido, contudo, em atendimento e homenagem ao primado da segurança jurídica só é admissível após procedimento administrativo em que se comprove: (i) atuação dolosa; (ii) a Identificação dos responsáveis pela prática do ilícito e (III) a demonstração cabal, inclusive, de que obtiveram vantagem pessoal com a inadimplência”. Todavia, no caso concreto, “(...) não há prova alguma que justifique a inclusão do Impugnante na condição de responsável solidário. O que há, são cópias de imagens de inúmeros documentos [considerando apenas parte deles, pois a sua enorme maioria sequer pode ser considerada dada sua absoluta nulidade eis que ausentes as inevitáveis Fl. 3072DF CARF MF 52 e obrigatórias traduções juramentadas, art. 22, § 1º, da Lei 9784/99] que nada mais demonstram que a prática de regulares atos de gestão praticados pelos então sócios e administradores na condução dos negócios reconhecidamente lícitos das pessoas jurídicas. Nada mais!” “A modalidade de responsabilização pretendida ['transferência' item 12.5.6 do Relatório Fiscal e item 5.6 do TSPS nº 3] em relação ao Impugnante SALIM exclui a responsabilidade das pessoas jurídicas”. “Sob o viés da acusação de "infração ò lei" notase que toda documentação colacionada e perturbadamente organizada para tanto, em nada socorre a pretensão fiscal. Tudo não passa de conclusões pessoais, unilaterais e arbitrárias, sim, porque ao Impugnante sequer fora dado oportunidade de contraprova houve sim, apenas repetidas intimações pessoais para esclarecimentos orientadas e dirigidas única e exclusivamente no interesse pessoal da fiscalização sem que ao Impugnante fosse dada a oportunidade real de conhecimento do andamento e conteúdo das diligências fiscais ferindo de morte a inafastável garantia constitucional à ampla defesa”. “Nessa linha resta clara a absoluta nulidade de todos os autos de embaraço, pelo simples fato de que a conduta do Impugnante em nada e, por nada, prejudicou o trabalho da fiscalização que culminou nas duas autuações contra as pessoas jurídicas e físicas formalizadas em dois processos administrativos que juntos somam uma quantidade Imensa de páginas”. “Todos os "interesses jurídicos" (CTN, art. 124. I) que fundam a tese fiscalista de que o impugnante deve ser responsabilizado solidariamente são de uma pobreza franciscana, quando menos confusas e redundante sem qualquer força minimamente dirimente”. “Os atos de gestão praticados pelo Impugnantes jamais extrapolaram quaisquer dos poderes que detinham, tampouco infringiram a legislação tributária de regência, eis que ambos atuaram conforme modelo então imposto por ocasião da contratação!” "O interesse comum não é revelado pelo interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização comum ou conjunta da situação que constitui o fato gerador". Além desses núcleo de argumentos em comum, destacamse alegações específicas, como as que seguem: 2.2 Aspectos específicos da impugnação apresentada por Fernando Schahin “O Impugnante, ao contrário do que concluiu apressado e tendenciosamente a fiscalização, não figurou como "... administrador e mentor da estruturação financeira do PROJETO GLOBAL da SCHAHIN, enquanto prestou serviços às empresas do Grupo Schahin. (...) O impugnante apesar de atuar como executivo contratado para estruturação dos financiamentos SEMPRE foi subordinado às deliberações dos acionistas controladores. Sempre se apresentou e atuou como tal para execução dos decisões/determinações superiores”. “Parece ter impressionado a fiscalização o 'trecho' da afirmação do Sr. Gustavo Shinohara, transcrita às fls. 52, no sentido de que a representação de todas as empresas do grupo Schahin é exercida pelos sócios e diretores estatutários, inclusive aqueles relacionados à área financeira. Com a devida vênia e respeito à nobre função da auditoria fiscal, nesse ponto ela não guarda nenhuma seriedade com a finalidade proposta. Ora, (i) a tal declaração [trecho de] ocorreu em 10/11/2014, muito posterior ao período fiscalizado, em contexto que se desconhece, portanto, de plano, inócua; (ii) é óbvio que qualquer executivo Fl. 3073DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.137 53 [contratado, estatutário, etc...], seja financeiro, jurídico, administrativo, em algum momento e para algum propósito representa a pessoa jurídica da qual integra”. “Sem prejuízo das preliminares de nulidade do TSPS. Em atendimento ao ônus processual da impugnação especifica, bem como da boafé processual, quase a totalidade das procurações que instruem o TSPS n° 07, referemse à outorga de poderes ao Impugnante para atuar junto aos agentes financeiros internacionais para a execução de atos regulares ao bom e correto funcionamento dos financiamentos”. “E mais, a quase totalidade das procurações referidas anteriormente são datadas [sem efeitos retroativos] e, portanto, válidas para períodos posteriores aos dos fatos geradores objeto da fiscalização, ou seja, TODAS datadas de julho de 2014, quando o lançamento se refere aos anos de 2010 a 2013. Imprestáveis para o desiderato fiscal! Apenas a procuração referente à empresa Turasoria antecede o período fiscalizado, sendo que inexiste qualquer indicio sequer que conduza a conclusão fiscal de que teria o Impugnante agido com excesso de poderes tampouco há qualquer apontamento ou descrição fática de conduta infracional à lei devida e expressamente individualizada”. “Há ainda expressa afirmação da fiscalização que o Impugnante teria sido partícipe da estrutura social da empresa DLEIF DRILLING LLC. subitem 11.2.3., fls. 69/70. Sem correta, confiável e segura análise do documento juntado e referido pela fiscalização, consta da figura 033, indexada pela própria autoridade lançadora, que o Impugnante integrou a sociedade no ano de 2006! Porém, estranhamente não evolui neste ponto para informar a saída da sociedade ocorrida em abril de 2008”. “(...) Ainda neste contexto de ficção acerca da ocorrência da omissão de receita, notadamente, que eventual ilícito tributário foi cometido pela sociedade em razão da atuação dentro dos limites de suas atribuições, ou seja, respeitadas as normas societárias e o contrato social, não sendo o caso de aplicação do art. 135. III do CTN porque o ilícito tributário foi cometido pela sociedade”. 2.3 Aspectos específicos da impugnação apresentada por Carlos Eduardo Schahin “O Impugnante, ao contrário do que concluiu apressada e tendenciosamente a fiscalização, nunca exerceu nenhum dos poderes que lhe foram outorgados nas procurações carreadas ao processo de prova do lançamento fiscal. Aliás, a fiscalização sequer acena qualquer prática a cargo do Impugnante durante todo extenso processo de prova”. “Com a devida vênia e respeito à nobre função da auditoria fiscal, neste ponto, não guarda nenhuma seriedade com a finalidade proposta. Ora, é óbvio que qualquer representante, independente do título do cargo, se contratado, estatutário etc, seja financeiro, jurídico, administrativo, em algum momento e para algum propósito representa a pessoa jurídica da qual integra — isto, nos termos do disposto no art. 135, II do CTN, bem como da sedimentada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não é suficiente para atribuirlhe responsabilidade solidária”. “(...) a quase totalidade das procurações que instruem o TSPS nº 06, são datadas de julho de 2014, quando o lançamento se refere aos anos de 2010 a 2013. Imprestáveis para o desiderato fiscal! Com exceção da procuração relativa à empresa Turasoria, outorgada em 2009, única Fl. 3074DF CARF MF 54 que antecede os fatos geradores, de igual, de parte da fiscalização, não há qualquer indício sequer que o Impugnante agira contrariamente à lei ou com excesso de poderes aos atos constitutivos. Na verdade, o Impugnante nunca atuou como Procurador das empresas”. “Sobre a alegação de que o Impugnante foi sócio da DLEIF DRILLING LLC, juntamente com Fernando Schahin, afirmando às fls. 67 que ambos, em 06/01/2006, detinham 100% do capital social, cujo intuito é demonstrar que o Impugnante perpetrava atos decisórios como representante do Grupo SCHAHIN [Engenharia e Petróleo e Gás] e das fretadoras OFFSHORE que operacionalizam o projeto global — importante registrar que, no entanto, omite que o Impugnante há muito não figura como sócio da DLElF, desde abril de 2008, conforme cópia da Ata de assembléia de retirada da sociedade acompanhada da tradução juramentada (doe). "A propósito dos Termos de Intimações citados pela fiscalização como não atendidos, esclarece o impugnante que JAMAIS foi intimado pela fiscalização em quaisquer das etapas das diligências fiscais junto às empresas". 2.4 Aspectos específicos das impugnações apresentadas por SCHAHIN HOLDING S/A e S2 PARTICIPAÇÕES LTDA. "A fiscalização (...) aponta que a impugnante teria engendrado um 'estratagema' financeiro para manterse em permanente crise financeira para escapar à tributação diante de bases de cálculo negativas, de tal forma que o inconveniente de crise de liquidez se resolve com financiamento estruturado do projeto global e pagamentos 'expatriados' pela Petrobras às OFFSHORE. (...) De parte da impugnante, nenhuma irregularidade se verifica na prática de cessão de débitos (ainda que oriundo de empréstimos feitos no Brasil), seja para a S2 Participações, seja para a DEEP BLACK e a SOUTH EMPIRE. De igual forma, a cessão de crédito de parte dos bancos então credores da Impugnante. A cessão de débito que por fim é incluído no financiamento estruturado e pago pela empresa estrangeira que recebe o passivo, não revela (...) interesse jurídico da Impugnante na ocorrência do fato gerador (...). Ora, a transferência do passivo e assunção de parte da cessionária excluem a Impugnante do rol de interessados jurídicos (...)". IV DO ENCAMINHAMENTO DOS AUTOS EM DILIGÊNCIA, DA FORMALIZAÇÃO DE LANÇAMENTO COMPLEMENTAR E DAS IMPUGNAÇÕES AO LANÇAMENTO COMPLEMENTAR Em face dos argumentos levantados pela impugnante junto ao tópico “Incorreção no tratamento relativo ao aspecto temporal da obrigação tributária”, os autos foram encaminhados em diligência (ver documento de fls. 1635/1636) para manifestação da autoridade autuante. As considerações da fiscalização estão relatadas junto à “Informação fiscal” de fls. 1642/1652. Em síntese, a autoridade lançadora (a) ratificou o entendimento de que as receitas do afretamento devem ser apuradas pelo regime de caixa e (b) certificou a existência de diversos erros materiais na elaboração das planilhas informadas junto à Tabela XI3 do relatório fiscal (ver fls. 883/885 do RF), que repercutiram em erro na apuração das bases de cálculo lançadas de ofício originalmente. Com vistas a promover os ajustes cabíveis em relação à exigência fiscal, a autoridade fazendária lavrou autos de infração complementares, com fundamento no art. 18, caput e §3º, do Decreto nº 70.235/1972, que restaram formalizados junto a novo processo Fl. 3075DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.138 55 administrativo fiscal – de nº 19515.721203/201556 – que encontrase em apenso aos presentes autos. Intimados do lançamento complementar, a contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram impugnações autônomas, que foram juntadas ao novel processo nº 19515.721203/201556. Relativamente à matéria modificada, os argumentos apresentados foram os seguintes: “A teor da informação fiscal que instruiu o referido Despacho, após análise do item VI8, da Impugnação originária, com fundamento no art. 18, § 3º, do Decretolei 70.235/72, a fiscalização lavrou descabido e incorreto Auto de Infração Complementar ao lançamento originário objeto do processo nº 10515720.305/201554”. “Em que pese a informação constante do quadro "Contexto" do Despacho da fiscalização em que se informa seja o processo nº 19515 721.203/201556, relativo a auto de Infração Complementar ao processo do Auto de Infração Originário nº 19515720.305/201554, lastreado no mesmo processo de provas nº 19515721.166/201403, fundamentado no art. 18, § 3º, do Decretolei nº 70.235/72, EM VERDADE, referese a NOVO LANÇAMENTO”. “Com efeito, a afirmação de que "... não subsistem créditos tributários oriundos do lançamento no PROCESSO 19515 720.305/201554.", resultando inevitável reconhecimento de que houve anulação do lançamento originário. Portanto, não se trata de lançamento complementar previsto no art. 18, § 3º do Decretolei 70.235/72”. “(...) (i) Inexiste lançamento complementar com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72 que não decorra de uma perícia, inclusive com seu rito adequado e acompanhamento do Contribuinte que deveria ter sido intimado, inclusive seu perito, para em prazo fixado apresentar seu laudo em prazo comum”. “Ora, SE NÃO SUBSISTEM CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS isso é outra forma de dizer que não subsiste o lançamento fiscal pois, não pode este existir com valor ZERO”. “Não obstante tenha havido a devolução do prazo para impugnação, o fato é houve subversão invencível do rígido procedimento administrativo para constituição do crédito tributário. A situação de anulação (insubsistência) dos créditos objeto do lançamento originário remete à necessidade de novo lançamento com todas as fases procedimentais necessárias, especialmente a expedição de novo Mandado de Procedimento Fiscal, a fim de que se respeite o efetivo exercício das garantias constitucionais ao devido processo legal, ampla defesa e contraditório”. “Assim, é completamente nulo este indevidamente denominado Lançamento Complementar contra o qual se volta a presente impugnação, cujo reconhecimento revelase inevitável em sede de preliminar de mérito nos termos expostos e que inelutavelmente deve também ser declarado insubsistente”. Quanto aos demais tópicos, os impugnantes reproduziram ou reforçaram os argumentos apresentados originalmente, a exemplo do que se vê no tópico “Aplicação extraterritorial da lei brasileira – descabimento – nulidade do auto de infração”, presente à fl. 760 do processo 19515.721203/201556. Ao final, a impugnante principal apresenta requerimento de perícia e diligências (ver fl. 1020/1027), com suporte no seguinte fundamento: Fl. 3076DF CARF MF 56 Tendo em vista a necessidade em se esclarecer pontos de vital importância para a Impugnante, objetivando corroborar sua defesa, pontos estes que se consubstanciam em confirmar os critérios de contratação pela Petrobras por meio de contrato de afretamento e de operação, se as contratações ocorreram por meio de concorrência internacional ou se existe outra forma em se efetuar as contratações, se o modelo de contratos adotados no caso de Impugnante, um para afretamento com empresas localizadas no exterior e de operação com empresa brasileira é o adotado pela empresa em todos os contratos de embarcações ou se no caso da Impugnante esse modelo foi adotado exclusivamente, se a modelagem de contratação afretamento/operação é adotado pela Petrobras há quanto tempo e ainda para que se possa comprovar a existência substancial das empresas estrangeiras e a efetiva comprovação quanto as suas regularidades através de informação sobre operações bancárias, registros contábeis; também para se comprovar que se eventualmente as presumidas receitas classificadas indevidamente como omissas, fossem consideradas como realizadas no Brasil, quais seriam as efetivas e reais base de cálculo para fins de incidência de tributos envolvidos, considerando custos, despesas, para apuração das bases de cálculo, daí a imprescindibilidade da realização da perícia e eventuais ou possíveis diligências (...) O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 SIMULAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. A análise dos elementos de prova carreados aos autos pela fiscalização permite concluir que os contratos denominados “de afretamento” e “de prestação de serviços”, no caso concreto, revelam uma bipartição artificial, levada a efeito de maneira dolosa. Nesse contexto, é correto o procedimento fiscal que, ao desvelar os fatos dissimulados, tomou os efeitos reais gerados pelos referidos contratos, de maneira a atribuir à autuada a titularidade das receitas deles decorrentes, recalculando os tributos que restaram sonegados à Fazenda Pública. SIMULAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A perpetração de atos simulados com o intuito de impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador de tributos devidos, bem como de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, justifica a imposição da multa de ofício qualificada de 150%. AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. Justificase a aplicação da multa de ofício agravada quando o contribuinte não fornece, nos prazos definidos, os esclarecimentos exigidos em intimação fiscal. ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado. INTERESSE COMUM. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Comprovado nos autos que as pessoas jurídicas classificadas pela fiscalização como sujeitos passivos solidários atuaram de maneira unitária com a fiscalizada, assumindo reciprocamente direitos e obrigações que circunscreveram os fatos jurídicos que dão essência à obrigação tributária principal, resta configurado o interesse comum dos agentes. Correta, portanto, a responsabilização solidária levada a efeito com forte no art.124, inciso I, do CTN. LANÇAMENTO COMPLEMENTAR. Fl. 3077DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.139 57 Nos casos em que forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, deverá ser efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar. ERRO MATERIAL. Deve ser ajustado o lançamento de ofício, em vista de erro material havido na apuração do tributo devido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Em face deste Acórdão, contribuinte e responsáveis apresentaram Recursos voluntários. A contribuinte SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S/A em sede preliminar alega o direito à prova, ampla defesa e contraditório, o que não teria sido respeitado haja vista a extensão do procedimento (70.000 páginas) e do relatório (1.000 páginas). Alega a nulidade em razão da utilização de documentos em inglês, o que desrespeitaria previsão do Código Civil, bem como o cerceamento de defesa em razão do indeferimento de seu pedido de produção de provas, o que seria necessário para: (1) confirmar os critérios impostos pela Petrobras nas contratações de afretamento e operação; (2) se as contratações ocorrem por meio de concorrência internacional ou se existe outra forma em se efetuar as contratações; (3) se o modelo de contratação adotado no caso da Recorrente, ou seja, um para afretamento com empresas localizadas no exterior e outro de operação com empresa brasileira é o adotado pela empresa em todos os contratos de embarcações ou; (4) se no caso da Recorrente esse modelo foi adotado em caráter exclusivo; (5) se a modelagem de contratação – afretamento/operação é adotado pela Petrobras há quanto tempo; (6) comprovar a existência substancial das empresas estrangeiras; (7) efetiva comprovação quanto as suas regularidades através de informação sobre operações bancárias, registros contábeis; (8) comprovar que, se eventualmente as presumidas receitas classificadas indevidamente como omissas, fossem consideradas como realizadas no Brasil, quais seriam as efetivas e reais base de cálculo para fins de incidência de tributos envolvidos, considerando custos, despesas, para apuração das bases de cálculo, daí a imprescindibilidade da realização da perícia e eventuais ou possíveis diligências. Afirma ainda que: “diante do cenário proposto no acórdão recorrido, de duas, uma das possibilidades deve prevalecer: (i) se afastada a afirmação de que as circunstâncias que se pretende provar em relação às empresas estrangeiras não são negadas Fl. 3078DF CARF MF 58 pela fiscalização e, tampouco, contrariadas, o lançamento é nulo de pleno direito, pois a regularidade reconhecida veda à fiscalização, sem prova de simulação ou fraude dolosa desconsidere o negócio jurídico para atribuir à Recorrente as receitas das empresas afretadoras; ou (ii) se mantida a tese de irregularidade das empresas estrangeiras, o acórdão também está acometido da nulidade referente à negativa de produção de prova que irradia seus efeitos na negativa de vigência dos dispositivos constitucionais e infraconstitucionais que impõem o acatamento obrigatório aos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal”. Requer a oitiva de testemunhas para esclarecer: (i) contratos firmados com a Petrobras; (ii) como se processa a concorrência; (iii) se o procedimento adotado quanto aos contratos da Recorrente e com as Fretadoras, se incluem no padrão adotado; (iv) qual o critério estabelecido em licitações de concorrência internacional; (v) como são efetuados os pagamentos para as Fretadoras e para a Operadora; (vi) se houve conluio entre as empresas Fretadoras e Operadora com a Petrobras ou se as concorrências vencidas pelas Fretadores foram fraudulentas; (vii) outros pontos análogos e referentes; e, (viii) quanto as operações com o Banco Itaú BBA para que os representantes esclareçam os critérios adotados para abertura de agências e/ou sucursais no exterior e, no caso da que opera com as Fretadoras, se a abertura da respectiva filial ocorreu em conluio do Banco com as Fretadoras para movimentação dos valores e suas aplicações. Alegase ainda a nulidade do auto complementar, por se tratar de NOVO lançamento, tendo sido desrespeitado o art. 18, § 3º do Decretolei 70.235/72. Afirma ainda que não existe conluio entre a Petrobras e a recorrente, afirmando que as operações em análise não estão no contexto de investigação da operação lavajato. No mérito, alega a inexistência de artificialidade, simulação e conluio na bipartição dos contratos de afretamento e de prestação de serviços. Inclusive tal modelo de contratação estaria previsto no art. 106 da Lei n. 13.043/2014. Que a segregação serve a atender os requisitos do REPETRO. Conclui que “não se verifica no caso dos autos a ocorrência do suposto conluio e a prática de atos simulados, até porque já foi aceito pelo acórdão recorrido que a estrutura bipartida decorreu de imposição legal e das normas vinculantes COSIT e que a Recorrente não teve qualquer ingerência na fixação dos percentuais de 90% e 10%, razão pela qual o acórdão recorrido não pode subsistir, devendo ser reformado a fim de cancelar o auto de infração guerreado”. Fl. 3079DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.140 59 Passo seguinte afirma a inexistência de artificialidade, simulação e conluio no rateio dos preços praticados, pois de antemão já era sabido que a Petrobras destinaria 90% do preço contratado para pagamento do afretamento e 10% para a remuneração da prestação de serviços, independentemente da empresa que saísse vencedora do certamente. Que os contratos celebrados apenas refletem com absoluta fidelidade as regras impostas pela Petrobras e formalizadas nos instrumentos convocatórios elaborados com base em minutas que o instruíram, repitase, unilateralmente elaborados pela Petrobras com a aquiescência da União sua principal acionista. Concluindo que inexiste, portanto, simulação ou fraude, pois a matéria como já dito, não envolve planejamento tributário ilícito de parte da Recorrente, que apenas se habilitou em processo licitatório regular e válido, sendo inadmissível tentar lhe imputar a responsabilidade por uma estrutura contratual e legalmente imposta pela Petrobras sociedade de economia mista com a aquiescência da União sua principal acionista. Defende ainda a inexistência de simulação na utilização de o project finance, modelo implementado para redução de riscos financeiros do projeto, cujos aspectos principais seriam: (a) segregação do empreendimento; (b) alavancagem financeira; (c) financiamento garantido pelo empreendimento; e (d) rede complexa de contratos interligados. No caso a utilização da SPE serviria justamente ao propósito de alocar os riscos, resguardando o patrimônio dos empresários. Afirma que no caso concreto para a consecução dos contratos de afretamento, optaram as pessoas controladoras em última instância da Recorrente (e do grupo econômico ao qual pertence) pela estruturação de Project Finances específicos para cada contrato deste tipo, buscando, com isso, custear a construção e disponibilização das unidades necessárias ao cumprimento das obrigações sob referidos contratos. Que a incorporação das SPEs em território estrangeiro buscava garantir segurança jurídica na interpretação e aplicação da lei. Passa então a discorrer sobre a inexistência de simulação e de unicidade dos contratos bipartidos, uma vez que a DRJ considerou que (i) as Fretadoras Internacionais seriam apenas empresas “de papel”, sem qualquer operação ou atividade; (ii) os contratos celebrados aos pares (afretamento e prestação de serviços) têm características de unicidade, sendo as atividades a eles inerentes praticadas inteiramente pela Recorrente; (iii) pelas características dos contratos celebrados, não existiu sequer afretamento “a casco nu”; (iv) os valores alocados Fl. 3080DF CARF MF 60 para a remuneração dos contratos de afretamento são injustificadamente maiores do que aqueles destinados à remuneração dos serviços prestados, à razão de 9/1. Sustenta ainda que não se aplica ao caso o art. 167, §1, I do Código Civil. Que são as fretadoras que comprometem seu patrimônio na operação, como bem ilustraria a ação de reintegração de posse que seus credores interpuseram. Quanto a existência de afretamento a casco nu, rebate os fundamentos do acórdão recorrido afirmando que: (i) A participação na gestão e direção do projeto pela recorrente “com rigor de dono” decorre de sua posição de corresponsável nos contratos afeitos a cada qual das Fretadoras; (ii) A atuação da Recorrente nas atividades de comissionamento decorre de suas próprias obrigações sob os contratos de prestação de serviços coligados aos contratos de afretamento respectivos; (iii) A participação e atuação no requerimento de concessão do regime de admissão temporária da embarcação é diretamente relacionada ao teor da legislação de suporte do REPETRO, conforme exaustivamente debatido na impugnação apresentada pela Recorrente; (iv) A contratação de estrangeiros que trabalham no atendimento a obrigações pertinentes ao contrato de afretamento igualmente decorre de suas obrigações contratuais, adicionadas à falta de atenção da fiscalização quanto a estas no âmbito do relatório fiscal, convalidado pelo acórdão aqui rebatido; (v) A assunção de cláusula de solidariedade no contrato de afretamento decorre da estrutura contratual determinada pela Petrobras, entidade contratante que detém, por lei, a discricionariedade para a definição das cláusulas e condições sob as quais particulares lhe prestarão serviços, em ambiente verdadeiramente monopsônico, como igualmente debatido na impugnação apresentada pela ora Recorrente; e (vi) a contratação originária do seguro global das unidades decorre igualmente de comando contratual presente nos contratos de prestação de serviços, que determinam a contratação dos seguros aplicáveis à prestação dos serviços, o que permite deduzir incluir o seguro das unidades, tal como um locatário segura o bem locado, ressaltando ainda a Recorrente que os contratos são celebrados conjuntamente com os contratos de afretamento. Afirma ainda que sendo as Fretadoras Internacionais donas dos navios, casco nu, mera locadoras do bem a ser afretado, locação de coisa móvel, não se exige tenha grande estrutura e de empregados, demandandose apenas sua existência segundo as Leis estrangeiras e ser proprietária das embarcações. Discute ainda a inexistência de simulação por assinatura do termo de responsabilidade do REPETRO. O que a Recorrente fez foi seguir as regras específicas e previstas para fins de exploração de atividades de óleo e gás, por meio do Regime de Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.141 61 Admissão Temporária do REPETRO, que exigia fossem os contratos bipartidos, simultâneos e conexos, e os bens de propriedade da Fretadora Internacional, valendose da isenção prevista às receitas de afretamentos de embarcações marítimas ou fluviais, conforme dispõe o art. 1o, inciso I, da Lei no 9.481/97, e art. 691, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Que ao assinar o Requerimento de Admissão Temporária (RAT) exigido pela legislação, ao contrário do alegado pelo acórdão recorrido, a Recorrente agiu apenas e tão somente no estrito cumprimento às normas do REPETRO. Igualmente, a subscrição da Recorrente nos Termos de Responsabilidade e Garantia relativos aos tributos suspensos nas importações do REPETRO decorre de expressa previsão do art. 20 da IN 1.415/2013. Ao fim, retoma discussão quanto a inexistência de fraude, simulação, conluio ou abuso. Afirma a existência de erro formal contido no auto de infração, haja vista desconsiderar as despesas e dos custos da fretador e decorrente ofensa ao art. 43 do CTN. Alegase ainda efetivação do confisco., inobservância da capacidade contributiva., ofensa ao direito de propriedade e ausência de proporcionalidade e razoabilidade. Alega ainda que não houve qualquer confusão contábil como crer fazer crer o acórdão recorrido (fl. 90), todos os registros estão efetuados em contas próprias, as faturas emitidas para fins de reembolso são acompanhadas dos respectivos discriminativos, demonstrando as origens das despesas e, portanto, não há como afirmar a imprestabilidade da contabilidade como assevera o acórdão fustigado (fl.91). Clama ainda a inaplicabilidade da multa qualificada prevista no art. 44 da Lei 9.430/96, e a inexistência de embaraço a fiscalização. Os responsáveis CARLOS EDUARDO SCHAHIN, SALIM TAUFIC SCHAHIN, MILTON TAUFIC SCHAHIN, FERNANDO SCHAHIN, SCHAHIN HOLDING SA e S2 PARTICIPAÇÕES LTDA alegam preliminarmente a nulidade do termo de sujeição passiva por ofensa ao art. 10, III, do Decreto 70.235/72 e art. 50 da Lei 9.784/99, por ausência de descrição clara dos fatos e de motivação explicita e congruente, além disso afirmam que o auditor fiscal não é competente para atribuir responsabilidade solidária, que os documentos utilizados pelas autoridades administrativas para imputar a responsabilidade solidária estariam Fl. 3082DF CARF MF 62 em língua estrangeira, sem tradução juramentada. Alegam ainda que não estão presentes os pressupostos fáticos para incidência dos arts. 124, I, e 135, III ambos do CTN. Especificamente em relação ao Sr. FERNANDO SCHAHIN, alegase que os documentos utilizados pela fiscalização não passariam de procurações outorgadas após o período da fiscalização e que sequer tem a ver com o caso. Especificamente em relação à SCHAHIN HOLDING S/A e S2 PARTICIPAÇÕES LTDA, afirmase que a cessão de débitos à empresa nacional ou estrangeira não configura interesse comum para fins de aplicação do art. 124, I do CTN. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em que pugna inicialmente a validade do trabalho fiscal, que não há prejuízo para a Recorrente, de sorte que não há que se falar em nulidade do auto por cerceamento de defesa. No mérito apresenta como precedente o Acórdão 3403002.702 em que a bipartição de contratos em afretamento e prestação de serviços foi tida como artificial. Nesses processos, foi constatada a seguinte situação: uma única prestação de serviço é desmembrada em dois contratos, um firmado entre a Petrobrás e a sociedade estrangeira fretadora, totalizando 90% da remuneração, e o outro entre a Petrobrás e a prestadora de serviços no Brasil, com o restante (10%) dos recursos. O objetivo é enviar para o exterior a maior parte dos valores envolvidos, sob alcance de alíquota zero, que impede a retenção na fonte para receitas de afretamento de embarcações marítimas. Afirma ainda que a Recorrente afirmou em processo de recuperação que o Grupo Schahin realizava a atividade de operação e de fretamento das unidades de forma conjunta e indissociável (fls. 552). Do que decorreria a aplicabilidade do art. 167, § 1, I do CC ao caso concreto. Sustenta ainda que no processo precursor nº 19515.712387/201473, defendeu que competia às fretadoras o exercício de várias atividades do afretamento, já na impugnação apresentada nestes autos trouxe o inovador argumento de que todo o trabalho técnicooperacional cabia à operadora, ora fiscalizada, e não às fretadoras. Sustenta ainda que fretadoras offshores são dirigidas e representadas pelos sócios administradores da SCHAHIN – Milton Taufic Schahin e Salim Taufic Schahin –, interpostas pessoas com nítida intenção de simular negócio jurídico de modo a transferir Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.142 63 grande parte das receitas para o exterior. Não bastasse essa identidade de representação, os mesmos sócios se declararam proprietários da embarcação CERRADO afretada pela offshore Airosaru Drilling LLC e operada pela Schahin e, de igual modo, ainda se declararam proprietários também da embarcação SERTAO afretada pela Dleif Drilling LLC e operada pela própria fiscalizada acima indicada (item 1.5.2, pag. 95). Afirma ainda haver mistura de registros das afretadoras e da prestadora como se fossem uma só pessoa jurídica, sem nenhuma distinção, sendo todos os custos e despesas contabilizados à débito na conta de resultado da Schahin. Afirma ainda que há identidade na qualificação dos representantes legais (os mesmos para FRETADORAS e OPERADORAS), identidade de domicilio contratual (todas as FRETADORAS com o mesmo domicilio), identidade societária (FRETADORAS e SCHAHIN comprovadamente com os mesmos e únicos sócios), identidade também relativa à propriedade do objeto do contrato (embarcações), em ao menos 2 casos a propriedade foi declarada pelos sócios da SCHAHIN (Milton Taufic Schahin e Salim Taufic Schahin) como sendo da AIROSARU DRILLING LLC e DLEIF DRILLING LLC, FRETADORAS para PETROBRAS, cujos sócios são os mesmos da SCHAHIN. E ainda restou evidenciada a unidade em cláusulas de responsabilidade pelo adimplemento, em cláusulas de seguro e em cláusulas de mandatário judicial. Em relação à atribuição de responsabilidade, afiram que tendo a fiscalizada gerado vantagens ilícitas a terceiros por meio de operações fraudulentas, não é crível que os seus sócios administradores tenham ignorado esse fato; ao contrário, o natural é que os sócios administradores tenham o controle gerencial sobre as operações comerciais realizadas supervisionando sua execução. Transcrevo ainda parte das contrarrazões em que aponta os motivos de incluir os demais responsáveis: Os sócios da SCHAHIN são concomitantemente, portanto, administradores e sócios das pessoas jurídicas SORATU e BAERFIELD, além de sócios das HOLDINGS muitas vezes de forma indireta, ou seja, também proprietários das plataformas SS PANTANAL e SS AMAZÔNIA. E de igual forma, KENJI OTSUKI, mostravase como administrador de algumas fretadoras “offshore” e representante de outras nos contratos de afretamento com a PETROBRAS conforme as demonstrações do ITEM 4.13. Não obstante se apresentar como antigo contador do GRUPO SCHAHIN e ser representante de algumas sociedades “OFFSHORE” (presidente ou diretor), com poderes diretivos portanto, Fl. 3084DF CARF MF 64 KENJI OTSUKI afirmou em resposta à diligência fiscal não possuir absolutamente nenhum documento que evidenciasse tal condição, se limitando em dizer que nada tinha a declarar. Ora, tratase de presidente e diretor de pessoas jurídicas detentoras de plataformas de petróleo, tomadoras de empréstimos bilionários e signatário de contratos da ordem de bilhões de dólares, o que evidencia seu poder diretivo e ainda afasta a alegação de inexistência de documentação hábil que o qualificasse na condição de “manager” (administrador). FERNANDO SCHAHIN, por sua vez, é filho de SALIM TAUFIC SCHAHIN e, embora não conste como sócio administrador do GRUPO, é diretor financeiro e, portanto, administrador e também mentor da estruturação financeira do PROJETO GLOBAL da SCHAHIN. E nesse sentido, Gustavo Akio Shinohara, na condição de diretor financeiro da SCHAHIN, em processo jurisdicional na Corte Distrital de Nova Iorque, foi intimado a prestar esclarecimentos e assim asseverou que a liderança e a gestão dos projetos de financiamento/empréstimo era incumbida a Fernando Schahin (Chief Financial Officer do Grupo Schahin). Na mesma linha, CARLOS EDUARDO SCHAHIN também consta como outorgado de procurações atribuindo amplos poderes para representar a TURASORIA S/A LLC (afretadora da SC LANCER para a PETROBRAS) e para agir em nome da SCHAHIN PETRÓLEO E GÁS S/A e SCHAHIN ENGENHARIA S/A em procurações ainda em vigor, tendo como outorgantes: MILTON TAUFIC SCHAHIN e SALIM TAUFIC SCHAHIN (fls. 969/970). E somado a tudo isso, a FERNANDO SCHAHIN e CARLOS EDUARDO SCHAHIN foram outorgadas várias procurações com amplos poderes para atuar em favor das fretadoras “sobretudo na operacionalização da estrutura financeira no exterior apta a ocultar as receitas remetidas pela PETROBRAS, garantir o pagamento aos CREDORES de diversas preferências, pagar custos e despesas operacionais e transferir os saldos de livre movimentação da SCHAHIN para outras contas, elevando a capilaridade da movimentação financeira e dificultando ainda mais qualquer identificação, conforme fl. 971 do relatório fiscal. Além disso, a fiscalização verificou a efetiva participação dos supracitados na organização societária das ditas fretadoras e suas holdings, bem como a participação deles na integralização do capital social da DLEIF DRILLING LLC. Quanto às sociedades SCHAHIN HOLDING S/A e S2 PARTICIPAÇÕES LTDA, o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal também é evidente. Isso porque subsidiárias integrais da SCHAHIN HOLDING S/A (Schahin Engenharia S/A E Schahin Petróleo e Gás S/A) mostramse sempre deficitárias, posto que suas receitas provenientes do pagamento da PETROBRAS pela OPERAÇÃO não cobrem seus custos operacionais, sequer os encargos e tributos da folha de pagamentos, os quais são apenas parte dos custos e despesas totais. Aufere, desse modo, base de cálculo negativa, o que é solucionado através DO FINANCIAMENTO ESTRUTURADO DO PROJETO GLOBAL e pagamentos expatriados pela PETROBRAS às “OFFSHORE”. Ao final, os recursos enviados pela Petrobras para pagamento das fretadoras offshores no exterior do contrato de afretamento são utilizados para “quitar” os empréstimos tomados pela Schahin HOLDING internamente no país, culminando com a volta desses recursos ao país na forma de pagamento desse financiamento estruturado. Afirma que tal estrutura demonstra a utilização de laranjas para redução de carga tributária, o que implicaria na responsabilização de seus sócios. Sustenta por fim a manutenção da multa qualificada e agravada pelo embaraço, pois em inúmeras ocasiões a recorrente deixou de atender às solicitações realizada ou as atendeu de maneira insatisfatória. Que razão principal e subjacente para a presente multa agravada, conforme descrito no item 12.6.4 do RF, decorre da negativa da contribuinte Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.143 65 em apresentar “esclarecimentos e os próprios documentos” relativamente aos “ATOS CONSTITUTIVOS, ELEIÇÃO DE ADMINISTRADORES, PROCURAÇÃO A REPRESENTANTES LEGAIS (...) DAS FRETADORAS OFFSHORE. Clama por fim a higidez da multa de ofício e dos juros de mora. É o relatório. Fl. 3086DF CARF MF 66 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: Os Recursos Voluntários são tempestivos e assinados por patronos devidamente habilitados aos autos. 2. PRELIMINARES: Em sede de seu Recurso Voluntário a sociedade empresária autuada Schahin Petróleo e Gás sustenta uma série de supostas nulidades que estariam a macular o procedimento de fiscalização ao que passo a enfrentar cada uma dessas pontualmente: 2.1 NULIDADE: CERCEAMENTO DE DEFESA – PRODUÇÃO DE PROVAS: Afirma a recorrente que não houve paridade no processo de produção de provas (19515721166/201403), dado que o Auditor Fiscal responsável por lavrar o Auto de Infração teve 2 anos e todos os meios possíveis para realizar seu trabalho, enquanto a Recorrente contou com prazo exíguo de 30 dias para entender as 70.000 páginas do procedimento e 1000 do relatório fiscal para elaborar sua defesa e produzir provas. A alegação da recorrente chegar ser de certa forma contraditória considerando que um procedimento fiscal com 70 mil laudas, autuado, inclusive, em processo autônomo de provas (19515721.166/201403), ainda que de caráter inquisitório, contou com a participação do contribuinte, que teve conhecimento de sua ocorrência durante todo o período de diligências, de sorte que não há que se falar em um período de 30 dias para compreensão do processo e produção de provas. Temse, ainda, que as razões ou fatos dignos de comprovação ou confirmação apresentados que justificariam o carreamento de uma perícia, a nosso ver já estão devidamente comprovados nos documentos juntados aos autos. Eventual perícia e até mesmo oitiva de testemunhas para comprovação/confirmação dos fatos alegados somente atrasaria o deslinde da controvérsia sem nada acrescentar aos autos. 2.2 NULIDADE: AUSÊNCIA DE DOCUMENTOS EM VERNÁCULO PÁTRIO: Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.144 67 Muito embora, de fato, constem alguns documentos fora do vernáculo em descompasso com o previsto nos arts. 1567 do CPC, que prescrevem a obrigatoriedade de utilização de documentos em vernáculo pátrio, NÃO há prejuízo algum a defesa da recorrente na medida em que tratamse de documentos relacionados à atividade e firmados pela própria Recorrente. Desse ponto, portanto, não decorre a nulidade dos autos na medida em que não representou prejuízo algum à ampla defesa da recorrente. Ademais, tais documentos não são determinantes para autuação da recorrente e ainda que cogitese em seu desprezo com a desconsideração de eventuais provas não versadas em vernáculo pátrio ou desacompanhadas de tradução juramentada não houve prejuízo algum à recorrida de modo que subsistente a autuação. 2.3 NULIDADE: NOVO LANÇAMENTO Em que pesem as alegações da recorrente, tratase lançamento complementar oriundo de diligência realizada para verificação de eventuais inexatidões, cotejandose os dados levantados até a data do lançamento com informações fornecidas pela Petrobrás, como bem aponta o Acórdão da DRJ: O lançamento complementar levado a efeito junto ao processo nº 19515.721203/201556 teve por escopo tãosomente promover os devidos ajustes materiais pertinentes aos erros de transcrição cometidos quando da elaboração da planilha constante da Tabela XI3 do Relatório Fiscal e seus consectários, tendo sido realizado com estrita observância ao disposto nas normas reguladoras do PAF – Processo Administrativo Fiscal. A realização de lançamento complementar encontra guarida na legislação processual tributária justamente ante diligências posteriores surgir a necessidade de supressão de inexatidões, surgidas com o pedido de Recuperação Judicial (RJ), encontrando pleno respaldo nos termos do prescrito no art.41, do Dec n.70.235, vejamos: Art. 41. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões, de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será efetuado lançamento complementar por meio da lavratura de auto de infração complementar ou de emissão de notificação de lançamento complementar, específicos em relação à matéria modificada (Decreto no 70.235, de 1972, art. 18, § 3o, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o). § 1o O lançamento complementar será formalizado nos casos: I em que seja aferível, a partir da descrição dos fatos e dos demais documentos Fl. 3088DF CARF MF 68 produzidos na ação fiscal, que o autuante, no momento da formalização da exigência: a) apurou incorretamente a base de cálculo do crédito tributário; ou b) não incluiu na determinação do crédito tributário matéria devidamente identificada; ou (...) § 2o O auto de infração ou a notificação de lançamento de que trata o caput terá o objetivo de: I complementar o lançamento original; ou II substituir, total ou parcialmente, o lançamento original nos casos em que a apuração do quantum devido, em face da legislação tributária aplicável, não puder ser efetuada sem a inclusão da matéria anteriormente lançada. § 3o Será concedido prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência complementar, para a apresentação de impugnação apenas no concernente à matéria modificada. (...) Temse que as razões de decidir lançadas em sede da decisão proferida pela DRJ são deveras procedentes ao peço vênia aos colegas Conselheiros: Ou seja, ao contrário do que alega a impugnante, o fato de o lançamento complementar ter sido formalizado em processo apartado, com indicação de que seja cancelado integralmente o crédito exigido no lançamento original, não significa que tenha havido um “novo lançamento”. Pelo contrário, tal possibilidade está expressamente prevista no art. 41 do Decreto nº 7.574/2011 e tem por fundamento o fato de que o liame existente entre o lançamento original e o complementar permanece hígido no curso do procedimento, em face de os dois lançamentos decorrerem dos mesmos fatos e elementos de prova, como se disse acima. Todavia, ainda que assim não o fosse, e que restasse vencedora a tese de que a fiscalização promoveu de fato um “novo lançamento”, ainda assim seria improcedente a reclamação quanto à nulidade da exigência fiscal, visto que a constituição do novel crédito tributário teria ocorrido mediante observância de todos os requisitos formais previstos no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN e no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. E a tese da contribuinte de que o “novo lançamento” seria nulo por ausência de expedição do novo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF restaria igualmente improcedente, por dois motivos: (a) primeiro, porque o MPF original (nº 08.1.90.00 20140028793) alcançava todo o conjunto de fatos geradores que foram objeto de lançamento; (b) segundo, porque a eventual ausência de expedição de MPF não é vício que macula o lançamento de ofício, visto que se trata de mero instrumento de controle interno do órgão fazendário. Inexistiria tampouco decadência, de vez que os “novos” fatos geradores teriam ocorrido dentro do quinquênio legal previsto no art. 150, §4º, do CTN. Seja entendida como lançamento complementar ou como “novo lançamento”, a exigência fiscal formalizada nos autos do processo nº 19515.721203/201556 foi devidamente cientificada à contribuinte e aos responsáveis solidários, tendolhes sido concedido prazo de trinta dias para impugnação. Improcedentes, pois, as alegações de que teria Fl. 3089DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.145 69 havido prejuízo ao “pleno exercício da garantia constitucional da ampla defesa e ao contraditório” ou “subversão” ao devido processo legal”. De vez que o entendimento esposado no presente voto é de que a exigência fiscal formalizada em dezembro de 2015 configura – sim – lançamento complementar do lançamento originalmente cientificado à contribuinte em junho de 2015 [em que pese tenha sido formalizada em processo apartado], o litígio consubstanciado pelas impugnações apresentadas junto aos dois processos será objeto de um único acórdão, conforme orientado no §5º do art. 41 do Decreto nº 7.574/2011. Do exposto, afasto todas as preliminares suscitadas tendo em conta pela higidez formal do lançamento realizado. 3. MÉRITO: Antes de ingressar no enfrentamento do mérito propriamente do presente RV impende trazer esclarecimento acerca da independência de instâncias na medida em suscitado pelo recorrente que inaplicável as imputações lançadas em face da recorrida no âmbito da "Operação LAVAJATO" que conforme a recorrente não pode ser utilizada como premissa para indicar um suposto conluio entre a PETROBRÁS e as fretadoras off shores. Vigora no sistema persecutório brasileiro, como consectário do princípio da separação dos poderes (art.1º, parágrafo único, CRFB/1988), a regra da independência das instâncias penal e administrativa de modo que a apuração administrativa de tal fato não se encontra vinculada ao resultado da persecução penal salvo quando julgada improcedente ação penal por negativa de autoria ou ausência de materialidade. Em sede de ação penal ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) a recorrente e seus sóciosadministradores tem denúncia processada na Justiça Federal do Paraná em função de supostas práticas criminosas no superfaturamento na construção de naviosonda que em nada se relaciona às embarcações dos presentes autos utilizadas em "engenharia contratual" junto à PETROBRÁS. Ao fato da contratante ser a mesma não constitui indício de conluio entre esses e a PETROBRÁS na medida em que o objeto contratual é absolutamente diverso, bem como, as condições pactuadas. Fl. 3090DF CARF MF 70 Em vista do exposto, tenho para mim que o deslinde do presente processo administrativo – atinente à autuação fiscal levada a efeito contra o Recorrente e responsáveis– não encontra vínculo algum com persecução penal instaurada em face dos recorrentes. Conforme o minucioso relatório da DRJ a “engenharia contratual” concebida consistia na PETROBRÁS contratante de afretamento e outros serviços com OFF SHORES de controle comum à SCHAHIN Petróleo e Gás que, formalmente celebrava junto à PETROBRÁS contrato de operação. Ambos os contratos, de Afretamento e de Prestação de Serviços, possuem cláusulas que os vinculam entre si. As fretadoras OFF SHORES possuem mesmos dirigentes tendo todas o mesmo domicílio em Dellware, enquanto, a sociedade empresária SCHAHIN Petróleo e Gás ON SHORE na cidade de Macaé/RJ onde prestado todo apoio operaionais às OFF SHORES. É bem sabido que os contratos firmados com a PETROBRÁS tratamse de contratos de adesão na medida em que seguem um padrão de contratação estabelecido pela sociedade de economia mista e que se repete com inúmeros outros prestadores de serviço da petroleira. Sob um modelo de contrato de adesão a PETROBRÁS dois contratos distintos: um de afretamento de embarcações com as OFF SHORES e outro com a empresa sediada no Brasil SCHAHIN Petróleo e Gás, ora recorrida, responsável pela prestação de serviços. O primeiro contrato, de afretamento, representa cerca de 90% do somatório dos valores envolvidos; já o segundo, de prestação de serviços, importa no complemento, ou seja, cerca de 10% do total contratado. A sociedade empresária SCHAHIN Petróleo e Gás opera, sistematicamente, no prejuízo, ano após ano, mantendose apenas graças a aportes financeiros das fretadoras OFF SHORES (decorrente de supostos reembolsos). O direcionamento ao exterior da maior parte dos valores contratados por meio das OFF SHORES, é “isento” do pagamento do imposto de renda retido na fonte (IRRF), haja vista que em tais operações (afretamento de embarcações) a alíquota é zero, por força do disposto no art. 1º, inciso I, da Lei nº 9.481/97. Além do mais, as OFF SHORES tem sede em Dellaware, jurisdição de regime fiscal favorecido. Fl. 3091DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.146 71 Inicialmente, temse que não há vedação legislativa para que o contribuinte reparta sua operação em afretamento e prestação de serviços. Muito pelo contrário, o art. 1 da Lei n. 9.481/1997, com redação dada pela Lei n. 13.043/2014, incluiu expressamente embarcações utilizadas na exploração e produção de petróleo no rol de hipóteses em que a alíquota restou reduzida a zero. A própria COSIT em já mais de uma ocasião manifestouse pela possibilidade de as empresas de óleo e gás adotarem a referida estrutura negocial com repartição entre prestação de serviços e afretamento, é o que se lê no próprio acórdão da DRJ: E mais recentemente, a COSIT adotou, mediante aprovação da Solução de Consulta nº 12/2015, o entendimento de que “plataformas semissubmersíveis estão incluídas no disposto no inciso II do §2º do art. 1º da art. 1º da Lei nº 9.481/1997, alterado pela Lei nº 13.043/2014”, o que deve vir a pacificar a discussão no âmbito administrativo, quanto a esse particular. Verificase também manifestação recente da COSIT quanto à bipartição dos contratos de exploração em contratos de afretamento e operação, o que deve orientar a conduta da administração no enfrentamento de negócios jurídicos da espécie. Nos termos da Solução de Consulta nº 225, de 19 de agosto de 2014, decidiuse por admitir a possibilidade jurídica da contratação de navios sonda para operação, mediante a formalização de dois contratos distintos, como se vê da redação do item 16: “(...) em princípio, não se vislumbra nenhum óbice que, na gestão de seus negócios, determinada empresa opte por efetuar dois contratos com empresas distintas, uma para afretamento do bem e outra para sua operação”. A partir disso temse que a mera bipartição de contratos, não conduz necessariamente à consideração de tratarse de operação simulada. Outro ponto que a Recorrente pontua em seu RV que pode ter dado azo ao reconhecimento da simulação foi a proporção entre os valores: 90% para afretamento e 10% para a prestação de serviços. Ainda que se trate de contrato de adesão submetendose a contratante Petrobrás à controle dos órgãos competentes a repartição desproporcional dos valores é indiciária de simulação, inclusive, quando comparadas com outros contratos de afretamento marítimo e prestação de serviços firmados Fl. 3092DF CARF MF 72 pela mesma contratatante com outras sociedades empresárias; já objetos de apreciação deste mesmo colegiado quando a distribuição de valores girava em torno de 70% para afretamento e 30 % para prestação de serviços (PAF n.19396.720090/201494). A princípio não é um problema que as fretadoras se localizem nos chamados paraísos fiscais ou sujeitas a regimes de tributação favorecida. O sistema tributário nacional possui em seu bojo regras de contenção para combater abusos em sua utilização, são as chamadas normas antielisivas específicas, em que podemos citar alíquotas diferenciadas na retenção na fonte, regras de preço de transferência, subcapitalização mais restritas e mesmo a impossibilidade de grupos econômicos consolidarem as receitas para fins de aplicação das normas de tributação em bases universais. Dessa forma, a mera utilização destes regimes não implica em operações abusivas. A existência de uma longa folha de pagamento ou estrutura mais robusta que uma caixa de correio, ou seja, a necessidade de substância exigida deve estar em linha com atividade que a empresa exerce. No caso, para a atividade de afretamento não é suficiente a existência da caixa de correio e a existência dos sócios, haja vista inclusive as obrigações contratuais assumidas com a Petrobras, de manutenção e revisão das embarcações. O mero fato de haver obrigações símiles na prestação de serviço não é de se estranhar na medida em que o compartilhamento de custos (cost sharing) constitui medida de eficiência econômica ao utilizarse, por exemplo, mesmo corpo funcional técnico. O que causa estranheza, ainda que se esteja diante de um grupo econômico, é imputar referido custo à sociedade empresária que possui menor receita e que opera em déficit, a ponto de concluir empréstimos para arcar com seus gastos rotineiros. Senão bastasse isso, temse, ainda, que as fretadoras OFFSHORES quem liquidavam tais débitos. Chamo atenção para o que dispôs a Solução de consulta COSIT referendada no acórdão da DRJ: “a presente consulta também não se presta para verificar se as remunerações pactuadas nos contratos de afretamento e operação dos navios sonda são compatíveis com as atividades e responsabilidades assumidas por cada contratada, de forma a não configurar hipótese de manipulação de contratos” (ver redação do item 20). Ainda que se trate de elaborado Project Finance, utilizado para alocação de riscos e alavancagem monetária, não justifica a assunção de custos da empresa relacionada no Brasil, indiretamente por meio do pagamento de suas dívidas. Em que pese os elaborados argumentos aduzidos pela Recorrente, as provas colacionadas aos autos depõem pela ausência de substância e Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.147 73 certa confusão patrimonial e obrigacional das empresas, o que é apontado pela PGFN em suas contrarrazões: De mesmo modo, a identidade na qualificação dos representantes legais (os mesmos para FRETADORAS e OPERADORAS), identidade de domicilio contratual (todas as FRETADORAS com o mesmo domicilio), identidade societária (FRETADORAS e SCHAHIN comprovadamente com os mesmos e únicos sócios), identidade também relativa à propriedade do objeto do contrato (embarcações), em ao menos 2 casos a propriedade foi declarada pelos sócios da SCHAHIN (Milton Taufic Schahin e Salim Taufic Schahin) como sendo da AIROSARU DRILLING LLC e DLEIF DRILLING LLC, FRETADORAS para PETROBRAS, cujos sócios são os mesmos da SCHAHIN. E ainda restou evidenciada a unidade em cláusulas de responsabilidade pelo adimplemento, em cláusulas de seguro e em cláusulas de mandatário judicial. Nesse passo, evidenciando que fretadoras/offshores e operadoras/prestadoras formavam um único grupo, com interesses comuns, todas as garantias que caucionavam empréstimos, construção de navios e adesão ao REPETRO eram fornecidas pelo Grupo SHAHIN em benefício das fretadoras offshores. Em outras palavras, podese afirmar que o patrimônio da SCHAHIN garante o adimplemento contratual e os múltiplos financiadores do projeto global, inclusive porque as fretadoras não possuem patrimônio algum. A fiscalização trouxe também a demonstração do comando gerencial do Grupos Schahin na arquitetura financeira do projeto, na gestão do fluxo financeiro para a manutenção da integridade do sistema, na relação diretiva que possui a SCHAHIN no gerenciamento de construção de embarcações segundo as especificações técnicas da PETROBRAS em estaleiros asiáticos. Receitas e despesas devem ser alocadas de acordo com a realidade dos fatos e não mera conveniência dos contribuintes. Embora possa existir uma razão econômica e jurídica real para a bipartição dos contratos e das atividades, no caso concreto, ante as provas presentes nos autos, de se afirmar que as empresas se confundiram, sendo as offshores utilizada apenas para alocação de receitas. Fl. 3094DF CARF MF 74 Notese que nem mesmo a alegação de ocorrência de afretamento a casco nu seria capaz de ilidir a simulação verificada no caso real. Pois até o exercício das decisões relacionadas ao afretamento a casco nu foram delegadas para a Schahin no caso concreto, o que significa dizer que era ela a única empresa operacional, possuía os meios, expertise e determinava as decisões da empresa de afretamento, concentrando, portanto, todas as obrigações. Diante de todo o exposto, não prosperam os argumentos veiculados pela recorrente dado que flagrante a prática de simulação realizada no caso concreto. Este mesmo CARF já teve oportunidade de examinar tal estrutura contratual entendendo que presente bipartição artificial de contratos: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRATO DE “AFRETAMENTO” DE PLATAFORMAS DE PETRÓLEO. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PRODUÇÃO E PROSPECÇÃO DE PETRÓLEO. NATUREZA DOS PAGAMENTOS PARA FINS TRIBUTÁRIOS. A bipartição dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação (navios sonda, plataformas semissubmersíveis, navios de apoio à estimulação de poços e unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência) e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções. O fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados, razão pela qual os pagamentos efetuados ao amparo dos contratos ditos de “afretamento” sujeitamse à incidência da Contribuição. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. A incidência da Contribuição, na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO. REAJUSTAMENTO. ILEGALIDADE. A base de cálculo da CIDE é o valor da remuneração do fornecedor domiciliado no exterior estipulada em contrato, sendo ilegais tanto a adição quanto a exclusão do IRRF da sua base de cálculo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Acórdão n. 3403002.702) Sustenta ainda a recorrente eventual ofensa ao art.43, do CTN, no sentido de que mesmo nula a simulação realizada mediante a bipartição artificial de contratos deve persistir os Fl. 3095DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.148 75 efeitos da operação dissimulada, isto é, o reconhecimento das despesas imputadas às fretadoras offshores à empresa brasileira como se ela as tivesse realizado. A desconsideração das despesas empreendidas não implica em anulação dos contratos apresentados apenas não há como acolher os efeitos pretendidos pela recorrida na medida em que não se trata de despesa necessária nos termos do que prevê a legislação tributária de regência. Este E. CARF já teve a oportunidade de analisar tais modelos de execução contratual e planejamento negocial das mesmas partes com idêntico acervo probatório, todavia no exercício de 2008, proferindo o entendimento pela indedutibilidade das despesas dado que não necessárias na medida em que consistem despesas de terceiros ao que oportuna se faz a transcrição do voto vencedor do Conselheiro Waldir Veiga: Em se tratando da dedutibilidade de custos/despesas, é pacífico que o ônus da prova recai sobre aquela que apropria dos gastos e deles se beneficia, reduzindo a base tributável. No caso, a interessada Maré Alta do Brasil Navegação Ltda. Pois bem. Ainda no curso do procedimento fiscal, foi constatada a sobreposição (ou, na melhor das hipóteses, uma falta de definição) de atribuições nos contratos firmados entre a Petrobrás e as contratadas Java Boat e Maré Alta (solidárias), quando comparados aos contratos firmados entre a Petrobrás e a Maré Alta, na qualidade de armadora. Os contratos eram simultâneos, diziam respeito sempre à mesma embarcação e um fazia menção ao outro, mas não restava clara a divisão de atribuições entre as contratadas. Intimada a prestar esclarecimentos, a própria Maré Alta apresentou ao Fisco o Instrumento Particular de acordo entre empresas, datado de janeiro/2002, firmado entre Java Boat e Maré Alta. Tal contrato, naquele momento dado por válido pela própria Maré Alta, definia com clareza quais encargos e atribuições recairiam sobre cada uma das partícipes. Especificamente, à Java Boat eram atribuídos todos os custos e obrigações relativos à operacionalização das embarcações. Além disso, o contrato estabelecia renovação automática, sempre que fossem inseridos no “Anexo A” novos afretamentos, e dispunha que o fim do vínculo contratual deveria ser objeto de comunicação por escrito (cláusula 2C). O Fisco também identificou várias transferências de recursos da Java Boat para a Maré Alta, a título de reembolso de diversas despesas decorrentes dos contratos de afretamento e que haviam sido pagas pela Maré Alta, inclusive com notas fiscais emitidas em nome da Maré Alta. Após a autuação, a Maré Alta passou a afirmar que o Instrumento Particular de acordo entre empresas não mais estaria em vigor, tendo sido derrogado pelos contratos de afretamento firmados posteriormente, Fl. 3096DF CARF MF 76 nos quais a atribuição dos encargos entre as contratadas disporia de modo diferente. No entanto, ao analisar as alegações das partes e os documentos trazidos aos autos, entendeu o Colegiado que a interessada não se desincumbiu adequadamente do ônus de provar que as despesas em questão seriam suas, por contrato. Inicialmente, como bem já havia pontuado o acórdão recorrido, o Instrumento Particular de acordo entre empresas não foi expressamente revogado, por escrito, conforme suas próprias disposições. Por certo se poderia, em tese, admitir que o contrato houvesse sido revogado tacitamente, desde que as partes contratantes houvessem passado a agir de modo diferente, sem qualquer oposição da outra parte. Mas não há prova disso nos autos. As glosas abrangeram custos/despesas de 23 embarcações, mas somente foram trazidos aos autos os contratos do navio Carline Tide, pelo que não é possível daí extrair conclusões para os demais. Além disso, mesmo a análise dos contratos dessa única embarcação não esclarece as dúvidas suscitadas pelo Fisco. O único documento que dispõe com clareza acerca das obrigações e encargos para operacionalização das embarcações é o Instrumento Particular de acordo entre empresas. A linha de defesa da recorrente deveria estar lastreada em prova detalhada e inconteste, baseada em seus assentamentos contábeis e documentação de suporte, para todas as 23 embarcações, de que os custos e despesas por ela contabilizados foram de fato incorridos, em decorrência de operações que geraram receitas próprias (e não da Java Boat), e que os vários repasses de numerário recebidos da Java Boat não se destinaram ao ressarcimento de gastos por ela adiantados mas que, de fato, seriam de responsabilidade da outra empresa do grupo econômico. E essa prova não encontro nos autos. (...) Diante de tudo isso, a constatação de que a Maré Alta assumiu mais de 70% dos dispêndios relacionados aos contratos com a Petrobrás, enquanto as receitas deles decorrentes estavam concentradas na Java Boat assume grande relevância. Se os custos decorrentes das contratações geraram receitas para a empresa estrangeira, tais custos não poderiam ser apropriados ao resultado da Maré Alta. ( Processo n.19395.720288/201216, Acórdão n.1302001.321, rel. designado Conselheiro Waldir Veiga Rocha) Além do julgado da 3ª Câmara desta 1ª Secção com voto vencedor acima transcrito temse que este nosso colegiado entendeu no mesmo sentido ao julgar caso praticamente idêntico de contratadas da Petrobrás em percuciente análise pelo Conselheiro Luiz Augusto Souza Gonçalves restando a decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS CONSIDERADAS DESNECESSÁRIAS. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.149 77 Não restando comprovado por parte da contribuinte ser a efetiva responsável pelos custos/despesas glosados, correta a interpretação dada pela fiscalização quanto ao caráter de falta de necessidade das mesmas, haja vista ter assumido obrigações que não lhe cabiam por força contratual. Em assim fazendo, a recorrente reduziu indevidamente a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. GLOSA DE EXCLUSÃO. DESPESAS CONSIDERADAS DESNECESSÁRIAS. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. A exclusão objeto de glosa, tendo por origem e natureza os mesmos custos/despesas considerados desnecessários pela fiscalização, apesar de relativos ao ano calendário imediatamente anterior, deve ser mantida com base nos mesmos fundamentos. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Anocalendário: 2007 LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase aos tributos lançados reflexamente ao IRPJ os mesmos fundamentos para manter a exigência, haja vista a inexistência de matéria específica, de fato e de direito a ser examinada em relação a eles. (Processo n. 19395.720084/201102, Cons.Luiz Augusto Souza Gonçalves) O parecer contábil colacionado aos autos pela recorrente não tem o condão de tornar as despesas dedutíveis acolhendose, assim, os argumentos da recorrente; o que implicaria em anuir com que esta se valha de sua própria torpeza; o que vedado em nosso ordenamento jurídico tanto que o ato nulo não é apto a produzir efeito algum. DAS MULTAS QUALIFICADA E AGRAVADA: Em relação à qualificação da multa, concordo com as conclusões da DRJ quando afirma que a autuação não trata, como é óbvio, de mera inadimplência, como afirma a recorrente, mas sim, a simulação amplamente comprovada nos autos, visando a evasão tributária, o que justifica a qualificação das multas. Temse, ainda, que no esquema simulado houve a utilização de estruturas empresariais offshores sem qualquer atividade operacional com simulação de atividades que nunca desempenharam e, simultaneamente, oneração de despesas fictícias em sociedade empresária deficitária com o único propósito de sonegação fiscal; o que justifica a qualificação da multa. Fl. 3098DF CARF MF 78 No que se refere à suposta natureza de confisco do percentual de multa, tratase de arguição de inconstitucionalidade das normas que estabelecem a incidência dessa penalidade, tema esse ao qual falece competência a esta Corte para apreciação, nos termos da Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, enquanto não houver manifestação definitiva do STF ou STJ em sentido contrário, é impossível negarse aplicação a dispositivos legais plenamente inseridos no ordenamento jurídico pátrio. Portanto, presente a simulação, deve ser mantida a multa qualificada. A multa agravada, por sua vez, pressupõe que o contribuinte tenha agido de forma a retardar ou atrasar a fiscalização. A leitura dos autos demonstra que o contribuinte forneceu as informações que entendia disponíveis quando solicitadas. Segundo a PGFN: E a razão principal e subjacente para a presente multa agravada, conforme descrito no item 12.6.4 do RF, decorre da negativa da contribuinte em apresentar “esclarecimentos e os próprios documentos” relativamente aos “ATOS CONSTITUTIVOS, ELEIÇÃO DE ADMINISTRADORES, PROCURAÇÃO A REPRESENTANTES LEGAIS (...) DAS FRETADORAS OFFSHORE (...)”. [Grifos do original]. Por exemplo, vejase a resposta apresentada à fiscalização: 4. Apresentar planilha com todas as pessoas jurídicas domiciliadas no exterior nas quais qualquer dos sócios acionistas ou quotistas de pessoas jurídicas do GRUPO SCHAHIN possua participação societária, direta ou indireta. Na mesma planilha, indicar as receitas totais auferidas em contratos com parte sediada no Brasil nos anos de 2008 a 2013. A Declarante não possui a relação indicada. Ora, como se viu no trabalho fiscal, a fiscalizada e as afretadoras são partes relacionadas, condição esta que se mostrou fundamental para a elucidação e formação do convencimento do lançamento, todavia, referida condição foi estrategicamente omitida pela autuada. Do exposto, não vislumbro razão para agravamento da multa ante suposto embaraço à fiscalização na medida em que o contribuinte, também, não pode ser compelido à produzir prova contra si conforme a máxima do direito sancionador; ainda que tributo não seja sanção de ato ilícito. A autoridade fiscal atribui responsabilidade solidária aos sócios e/ou administradores CARLOS EDUARDO SCHAHIN, SALIM TAUFIC SCHAHIN, Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.150 79 MILTON TAUFIC SCHAHIN, FERNANDO SCHAHIN pelo fato de participarem dos quadros societários e em atividades das sociedades empresárias envolvidas. A responsabilidade restou mantida em sede da decisão da DRJ ao que objeto de Recursos Voluntários de cada um dos responsáveis que passo a analisar conjuntamente, em sede preliminar e no mérito, na medida em que veiculados basicamente os mesmos argumentos: Os responsáveis solidários são unânimes em apontar a nulidade do termo de sujeição passiva por ausência de motivação e cerceamento de defesa, decorrentes do grande número de páginas e da utilização de documentos em língua estrangeira visàvis o prazo para manifestação. Quanto à utilização de documentos em língua estrangeira já me manifestei pela sua desconsideração nos autos em epígrafe. Quanto ao número de número de páginas em relação ao tempo necessário para produção da defesa, entendo que o argumento não merece guarida. Visto que ninguém entende mais de sua operação que o próprio recorrente, além do que, assumir que o prazo se limitou aos 30 dias de impugnação seria aceitar que o contribuinte não teve qualquer ação durante todo o prazo de fiscalização. De per se seria de difícil aceitação dada a necessidade de o contribuinte levantar a documentação exigida e acompanhar a própria fiscalização. Assim, ante a ausência de prejuízos ao contribuinte, afasto a preliminar suscitada. Não assiste razão aos Recorrentes, o art. 142 do CTN é claro em atribuir competência a autoridade administrativa para identificar o sujeito passivo, que pode ser contribuinte ou responsável, nos ditames do art. 121 do CTN. Por essa razão afasto a preliminar suscitada. No mérito temse que muito embora o detalhado trabalho desenvolvido pela fiscalização não restou comprovado, a meu ver, os requisitos dos art. 124, I e 135, III, do CTN. O próprio parecer n. 180/2010 da PGFN elenca como requisito para atribuição de responsabilidade a ocorrência de ao menos uma das quatro situações a seguir: I – excesso de poderes; II infração à lei; III infração ao contrato social ou estatuto; IV dissolução irregular da pessoa jurídica. No último caso adicionase que os sóciosgerentes e os Fl. 3100DF CARF MF 80 terceiros não sócios com poderes de gerência à época da dissolução, bem como do fato gerador, deverão ser considerados responsáveis solidários. A Fiscalização não comprovou, entretanto, que houve quaisquer atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos pelos indivíduos responsabilizados nos autos. Entendo que não há interposição de “laranja” no caso concreto, a utilização de offshores é exigência do próprio certame da Petrobras. O que houve no caso concreto é a confusão entre as empresas que resultou na simulação acima assinalada. Ausentes os requisitos para atribuição de responsabilidade às pessoas físicas sócias e/ou administradoras deve esta ser afastada. A fiscalização atribuiu, também, responsabilidade solidária às companhias SCHAHIN HOLDING S/A e S2 PARTICIPAÇÕES com fulcro no art. 124, I do CTN, dado que referidas empresas teriam sido utilizadas como meio para transferir débitos da empresa localizada no Brasil para as off shores no exterior. De fato, a empresa brasileiro era deficitária, mas continuava suas atividades normalmente tomando empréstimos para financiar suas atividades. Bem resume a operação a PGFN: A SCHAHIN HOLDING S/A realizava empréstimos com instituições financeiras do Brasil e, posteriormente, cede a dívida à S2 PARTICIPAÇOES LTDA. De outro lado, as instituições financeiras cedem o crédito a receber a suas filiais, agencias e sucursais em paraíso fiscal no exterior. Desse modo, o credor é uma filial de banco brasileiro em Paraiso Fiscal e o devedor é a S2 PARTICIPAÇÕES LTDA. Esta (S2 Participações), por sua vez, cede mais uma vez a dívida à DEEP BLACK DRILLING LLC e SOUTH EMPIRE INTERNATIONAL (HOLDING da DEEP BLACK). Nesse denominado financiamento estruturado, o inicial capital de giro tomado pela SCHAHIN HOLDING S/A, através da S2 PARTICIPAÇÕES LTDA, é financiado e pago pela fretadora “OFFSHORE” DEEP BLACK (FRETADORA da embarcação VITORIA 10000) com recursos remetidos pela PETROBRAS em função do contrato de AFRETAMENTO. Ao final, os recursos enviados pela Petrobras para pagamento das fretadoras offshores no exterior do contrato de afretamento são utilizados para “quitar” os empréstimos tomados pela Schahin HOLDING internamente no país, culminando com a volta desses recursos ao país na forma de pagamento desse financiamento estruturado. O STJ tem entendimento consagrado de que o interesse comum não é o mero interesse econômico, pressupondo um interesse jurídico. Do transcrito nas contrarrazões da PGFN tem se que cristalino a configuração de grupo econômico a demonstrar a presença de interesse Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 19515.720305/201554 Acórdão n.º 1402002.726 S1C4T2 Fl. 1.151 81 jurídico pela própria engenharia contratual orquestrada entre as sociedades empresárias integrantes do grupo econômico. Portanto, configurado interesse comum das empresas para fins de aplicação do t. 124, I do CTN e consequente atribuição da responsabilidade solidária. 3. CONCLUSÃO: De todo o exposto voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário da pessoa jurídica autuada para reduzir a multa ao percentual de 150% e manter a responsabilidade dos coobrigados pessoas jurídicas. Por maioria de votos, dar provimento aos recursos voluntários dos coobrigados pessoas físicas para excluílos da relação jurídico tributária. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 3102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003903/2003-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL.
1- Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
2- A decisão do STJ no Resp n° 973.733/SC não veio para colidir com o disposto no art. 173, I, do CTN, e nem visou interpretar esse dispositivo legal de forma diferente daquela dada por sua própria literalidade. Não há nenhuma razão para isso. Ao contrário, o comando do STJ é justamente para garantir aplicação ao art. 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. Nessa situação, a decadência é contada a partir "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". E o "exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" deve ser identificado a partir do próprio fato gerador, e não a partir da homologação tácita do crédito tributário a ele correspondente. É isso o que disse o STJ, com efeito vinculante para o CARF.
3- Uma vez afastada a decadência, os autos devem ser devolvidos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais matérias constantes do recurso voluntário, cuja análise restou prejudicada em razão do que lá foi decidido anteriormente.
Numero da decisão: 9101-003.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL. 1- Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. 2- A decisão do STJ no Resp n° 973.733/SC não veio para colidir com o disposto no art. 173, I, do CTN, e nem visou interpretar esse dispositivo legal de forma diferente daquela dada por sua própria literalidade. Não há nenhuma razão para isso. Ao contrário, o comando do STJ é justamente para garantir aplicação ao art. 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. Nessa situação, a decadência é contada a partir "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". E o "exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" deve ser identificado a partir do próprio fato gerador, e não a partir da homologação tácita do crédito tributário a ele correspondente. É isso o que disse o STJ, com efeito vinculante para o CARF. 3- Uma vez afastada a decadência, os autos devem ser devolvidos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais matérias constantes do recurso voluntário, cuja análise restou prejudicada em razão do que lá foi decidido anteriormente.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.003903/2003-21
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5798087
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-003.118
nome_arquivo_s : Decisao_19515003903200321.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 19515003903200321_5798087.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
id : 7009029
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049732306173952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2381; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.003903/200321 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.118 – 1ª Turma Sessão de 3 de outubro de 2017 Matéria DECADÊNCIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ULTRADATA S/C LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL. 1 Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN), nos casos em que constatado dolo, fraude ou simulação do contribuinte, ou ainda, mesmo nas ausências desses vícios, nos casos em que não ocorreu o pagamento antecipado da exação e inexista declaração com efeito de confissão de dívida prévia do débito, conforme entendimento pacificado pelo E. Superior Tribunal de Justiça ao julgar o mérito do Recurso Especial nº 973.733/SC, na sistemática dos recursos repetitivos previstos no artigo 543C do CPC e da Resolução STJ nº 08/2008. Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que determina o §2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. 2 A decisão do STJ no Resp n° 973.733/SC não veio para colidir com o disposto no art. 173, I, do CTN, e nem visou interpretar esse dispositivo legal de forma diferente daquela dada por sua própria literalidade. Não há nenhuma razão para isso. Ao contrário, o comando do STJ é justamente para garantir aplicação ao art. 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. Nessa situação, a decadência é contada a partir "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". E o "exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" deve ser identificado a partir do próprio fato gerador, e não a partir da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 03 /2 00 3- 21 Fl. 964DF CARF MF Processo nº 19515.003903/200321 Acórdão n.º 9101003.118 CSRFT1 Fl. 3 2 homologação tácita do crédito tributário a ele correspondente. É isso o que disse o STJ, com efeito vinculante para o CARF. 3 Uma vez afastada a decadência, os autos devem ser devolvidos à Turma Ordinária do CARF para que sejam examinadas as demais matérias constantes do recurso voluntário, cuja análise restou prejudicada em razão do que lá foi decidido anteriormente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente à contagem de prazo decadencial para constituição de crédito tributário. A recorrente insurgise contra o Acórdão nº 1803000.773, de 26/01/2011, por meio do qual a 3a Turma Especial da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário apresentado pela contribuinte acima identificada, para fins de reconhecer a decadência de crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurada no anobase de 1997, com lançamento realizado em 30/10/2003. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: Exercício: 1998 Ementa: DECADÊNCIA. CSLL. FALTA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I, DO CTN. Fl. 965DF CARF MF Processo nº 19515.003903/200321 Acórdão n.º 9101003.118 CSRFT1 Fl. 4 3 Embora a CSLL seja tributo sujeito à sistemática de lançamento por homologação, a contagem do prazo decadencial deve ser submetida à regra contida no artigo 173, I, do CTN, vez inexistir pagamento parcial a ser homologado. O dies a quo do lustro de caducidade se identifica ao primeiro dia do exercício subsequente àquele em que ocorrido o fato gerador, na forma consagrada pelo STJ (REsp nº 973.733), de observância compulsória pelo CARF (artigo 62A do RICARF). A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à contagem do prazo decadencial pela regra do art. 173, I, do CTN, em cumprimento ao que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 973.733/SC. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL POR DIVERGÊNCIA com base no art. 173, I, do CTN, o colegiado declarou a decadência do lançamento de CSLL apurada em 31/12/1997, conforme se lê no voto condutor, proferido pelo Relator, nos seguintes termos: [...]; primeiramente, cumpre esclarecer que a controvérsia não diz respeito à norma aplicável ao caso, pois o acórdão corretamente se fundamentou no art. 173, I, do CTN, incidente à espécie, tendo em vista a ausência de pagamento antecipado do tributo; neste ponto, não se trava nenhuma discussão. Contudo, a decisão recorrida, data vênia, aplicou de modo equivocado a aludida norma na contagem do prazo decadencial, à luz do Recurso Especial Repetitivo n. 973.733; como se vê, a questão controvertida reside na forma de aplicação da regra prescrita pelo art. 173, I, do CTN quanto ao fato gerador ocorrido em dezembro; para satisfazer esta exigência de comprovação de dissídio jurisprudencial, apresentase o acórdão paradigma n. 240101.759 (cópia em anexo), cuja ementa abaixo se reproduz em sua integralidade: [...]; para melhor configurar a divergência jurisprudencial, convém transcrever o voto vencedor do precedente supra indicado, no seguinte trecho: "Divirjo do entendimento adotado pelo ilustre relator quanto ao alcance da decadência quinquenal aplicada a luz do art. 173, I do CTN abordada no Recurso Repetitivo, REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), donde o relator entendeu que a aplicação do art. 173, I do CTN determinaria a contagem do prazo decadência de 5 anos, a partir do fato imponível, o que resultou na exclusão por decadência também da competência dezembro. No caso, entendo que a divergência reside simplesmente na exclusão da competência 12/2001, por entender que a tese esboçada no referido recurso repetitivo, quando estabelece que a aplicação do art. 173, I do CTN, teria por inicio da data do fato imponível, não quis estabelecer nova contagem do prazo decadencial, mas tão somente rechaçar a tese à época defendida pela Procuradoria da Fazenda Nacional de que a contagem do prazo Fl. 966DF CARF MF Processo nº 19515.003903/200321 Acórdão n.º 9101003.118 CSRFT1 Fl. 5 4 decadencial obedeceria a teoria cumulativa/concorrente dos prazos do art. 150, § 4°, e 173, I do CTN (teoria dos 5 mais 5 anos). Dita conclusão nos parece clara ao ler o próprio texto do voto do ilustre ministro, REsp 973.733/SC, Rei Min. Luiz Fux, senão vejamos: (...) O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. É sabido que a contagem do art. 173, I do CTN, tem por início o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado. Neste caso, a competência 12 (dezembro), só pode ser exigida a partir do seu vencimento, que dáse em janeiro do ano subsequente. Assim, a contagem para aplicação da decadência na competência 12/2001, só teve inicio em 1° de janeiro de 2003, findando em 31/12/2007. Esse raciocínio acabou sendo esclarecido nos embargos de declaração EDcl no AgRg no Recurso Especial n° 674.497 PR (2004/01099782) de relatoria do ministro Mauro Campbell Marques, acatados: SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. (grifo nosso) 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1°.1.1995, expirandose em 1°.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, tem se por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial.(...) O SENHOR MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o Fl. 967DF CARF MF Processo nº 19515.003903/200321 Acórdão n.º 9101003.118 CSRFT1 Fl. 6 5 REsp 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN). Confirase a ementa do julgado: [...]; Na espécie, os fatos geradores do tributo ern questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve inicio somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Com efeito, é cediço que, excepcionalmente, emprestamse efeitos infringentes aos embargos de declaração para correção de premissa equivocada sobre a qual se funda o julgado impugnado, quando tal efeito for relevante para o deslinde da controvérsia. (grifo nosso) [...] Isso posto, ACOLHO os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial, tão somente, para afastar a decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. (grifo nosso) Excluída, por derradeiro, a multa de 1% (um por cento) aplicada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC. É como voto. Assim, o lançamento em questão foi cientificado em 31/07/2007 e o período do credito é de 05/2000 a 09/2003, sendo assim, devem ser excluídas a luz do art. 173, I do CTN as contribuições até 11/2001." em ambos os casos analisados pelos acórdãos em cotejo, houve a análise da aplicação do art. 173, I, do CTN segundo a tese firmada no Recurso Repetitivo n. 973.733 Contudo, os órgãos julgadores decidiram de forma diversa, especialmente quanto ao fato gerador ocorrido em dezembro; de um lado, o colegiado a quo empreendeu uma interpretação extremamente literal da decisão do STJ, quando considerou que aplicandose o art. 173, I, do CTN para o mês de dezembro, o prazo decadencial já inicia a ser contado em 01 de janeiro do ano subseqüente; Fl. 968DF CARF MF Processo nº 19515.003903/200321 Acórdão n.º 9101003.118 CSRFT1 Fl. 7 6 de outro lado, no paradigma, o órgão julgador confere uma interpretação mais condizente com a norma insculpida no art. 173, I do CTN, ao estabelecer que quanto a dezembro, como o lançamento somente poderia se realizar no ano seguinte, a contagem do prazo decadencial se inicia no exercício subseqüente, ou seja, o termo a quo se daria em 01 de janeiro do segundo ano posterior ao fato gerador de dezembro; dessa forma, demonstrada a divergência entre o aresto recorrido e a decisão paradigma, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial, consoante o disposto nos artigos 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 256/2009); DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO o impasse diz respeito à interpretação do art. 173, I, do CTN, em face do entendimento adotado pelo Superior Tribunal de Justiça, ao julgar recurso representativo da controvérsia (Resp n° 973.733/SC, Rel. Min. Luiz Fux), de observância obrigatória pelos órgãos do CARF, por força do disposto no art. 62A do RICARF, acrescentado pela Portaria MF n° 586, de 21 de dezembro de 2010; o colegiado a quo sustenta que o art. 62A do RICARF impõe a mera reprodução do acórdão firmado em recurso repetitivo pelo STJ, o que afasta a aplicação do conteúdo expresso do art. 173, I, do CTN, segundo o qual "o direito de a Fazenda PúblIca constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", prevalecendo a assertiva encontrada naquele acórdão, no sentido de que "o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível"; por outro lado, o acórdão paradigma, acertadamente a nosso sentir, preceitua que o acórdão do STJ deve ser devidamente interpretado, sobretudo considerandose a própria jurisprudência mansa e pacifica daquela Corte, mesmo em período posterior ao julgamento do Resp n° 973.733/SC, que determina a contagem da decadência regida pelo art. 173, I, do CTN, nos precisos termos de sua redação, isto é, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; a Fazenda Nacional passa a expor as razões pelas quais entende que o disposto no inteiro teor do acórdão do Resp n° 973.733/SC não impede que o CARF continue a aplicar ao instituto da decadência o sentido constante na redação do art. 173, I, do CTN; O ART. 62A do RICARF, ACRESCENTADO PELA PORTARIA MF n° 586, de 21 DE DEZEMBRO de 2010, E SUA INTERPRETAÇÃO TELEOLÓGICA. a solução a ser dada à presente controvérsia pressupõe a devida compreensão da finalidade do art. 62A do RICARF, verbis: [...]; a finalidade da norma veiculada pelo art. 62A é evitar que o litígio administrativo prossiga, inutilmente, no âmbito do Poder Judiciário, acarretando prejuízos sucumbenciais à União. Com efeito, dada a força persuasiva dos acórdãos firmados sob o regime do art. 543C do CPC, de nada adiantaria ao CARF decidir em favor da constituição definitiva do credito tributário, quando fosse certo o desfecho em sentido contrário na demanda judicial posteriormente ajuizada; Fl. 969DF CARF MF Processo nº 19515.003903/200321 Acórdão n.º 9101003.118 CSRFT1 Fl. 8 7 não atende ao sentido teleológico da norma a ideia de que o art. 62A impõe como dever ao julgador administrativo a mera cópia do acórdão do STJ, quando é evidente, inclusive por afirmações posteriores do próprio Tribunal, que o sentido daquela decisão não foi devidamente reproduzido no momento da publicação; a simples reprodução, num ato consistente em "copiar e colar", dissociada do verdadeiro sentido do precedente judicial, a rigor, afronta o comando regimental em questão; o art. 62A do RICARF passou a exigir do julgador administrativo o conhecimento da jurisprudência dos Tribunais Superiores em matéria tributária e a devida compreensão do que foi efetivamente objeto de debate no precedente que o vincula; TERMO INICIAL DA DECADÊNCIA, SEGUNDO O ART. 173, I, do CTN, Ã LUZ DO ACÓRDÃO PROFERIDO NO JULGAMENTO DO RESP N° 973.733/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, JULGADO SOB 0 REGIME DO ART. 543C do CPC. a análise detida do inteiro teor do acórdão, associada ao conhecimento da jurisprudência reiterada do STJ, revela, com toda certeza, que a decisão do Tribunal, no Resp n° 973.733/SC, não colide com o disposto no art. 173, I, do CTN, verbis: [...]; em primeiro lugar, é imperioso compreender que a afirmação contida no acórdão, no sentido de que "o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o 'primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado' corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível", vem em resposta às razões do Recorrente (INSS), conforme destacado no relatório do Min. LUIZ FUX: [...]; a Autarquia sustentava a tese de que o prazo previsto no art. 173, I, do CTN, somente teria inicio após o decurso dos 5 (cinco) anos para o lançamento por homologação, o que implicaria um prazo decadencial de 10 (dez) anos a contar do fato gerador; diante disso, o acórdão buscou repelir o entendimento de que o termo inicial da decadência para o lançamento de oficio somente começaria após o lapso do prazo quinquenal para a homologação tácita, tendo assentado o seguinte: [...]; "O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, verbis: (...) Assim é que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração previa do débito. (...) Outrossim, impende assinalar que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado "corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte Fl. 970DF CARF MF Processo nº 19515.003903/200321 Acórdão n.º 9101003.118 CSRFT1 Fl. 9 8 ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro'', 34 ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário ", 34 ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (grifou se) ao mencionar que o dies a quo, segundo o art. 173, I, do CTN, corresponderia ao primeiro dia do exercício seguinte ao fato imponível, quis o STJ afastar a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Código Tributário; este foi o objetivo da afirmação em foco, o que fica aclarado pela leitura completa do período; aliás, consideradas as circunstancias fáticas, a dubiedade da redação tornou se irrelevante, pois consta que se julgavam fatos "imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001". tendo o fato gerador mais recente (dezembro de 1994) ocorrido em 31/12/1994, a fixação do termo inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I) não afastaria a decadência, pois o prazo para o lançamento encerrouse em 31/12/2000; destaque se que nenhum dos autores citados pelo acórdão defende a identificação do termo inicial da decadência, de acordo com o art. 173, I, a partir do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível; as duas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, órgão prolator do acórdão em tela, mesmo após o referido julgamento, vem reiteradamente aplicando corretamente o art. 173, I, do CTN, merecendo destaque a expressa referencia de que este foi o entendimento esposado no Resp nº 973.733. Confirase: [...] (AgRg no REsp 1219461/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/04/2011, DJe 14/04/2011); a Primeira Turma do STJ, em sessão realizada quando o Min. LUIZ FUX, Relator do Resp n° 973.733/SC, ainda compunha o órgão, manifestou o mesmo entendimento: [...] (AgRg no REsp 1050278/RS, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA TURMA, julgado cm 22/06/2010, DJe 03/08/2010); como se percebe, ao contrário do que foi ventilado nos debates ocorridos na última sessão da 1ª Turma da CSRF, não se trata de modificação, pelas Turmas do STJ, do entendimento assentado no julgamento do recurso repetitivo, mas, em verdade, de autêntica interpretação proferida pelos mesmos Ministros que compõem a Primeira Seção daquela Corte e da reiteração de sua jurisprudência mansa e pacifica; ante o exposto, dúvidas não há de que a observância do art. 62A do RICARF, diante do que decidiu o STJ no Resp n° 973.733/SC, conduz conclusão de que o Fl. 971DF CARF MF Processo nº 19515.003903/200321 Acórdão n.º 9101003.118 CSRFT1 Fl. 10 9 termo inicial da decadência, segundo o art. 173, I, do CTN, corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; voltandose a atenção para o caso em concreto, verificase que a autuação, cientificada ao sujeito passivo em 30/10/2003, foi completamente tempestiva, pois, como se refere à CSLL apurada em 31.12.1997, o prazo decadencial inicia a ser contado em 01.01.1999, primeiro dia do exercício seguinte a 1998, quando o lançamento poderia ter sido realizado, encerrandose em 31/12/2003; PEDIDO diante do exposto, com base na divergência suscitada, requer a União (Fazenda Nacional) seja admitido o presente recurso e, no mérito, que lhe seja dado provimento para reformar o r. acórdão recorrido, afastandose a decadência nestes autos. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1400 00.560, de 19/04/2012, admitiu o recurso com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] O acórdão recorrido recebeu a ementa abaixo: [...] Nos termos do voto condutor, aplicouse entendimento esposado pelo Superior Tribunal de Justiça, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, no sentido de que o dies a quo do prazo decadencial seria o “primeiro dia do ano seguinte ao da ocorrência do suporte imponível, em 1º de janeiro”. Por sua vez, a recorrente aduz haver interpretação divergente conferida por outro colegiado à lei tributária, consubstanciada no seguinte julgado: [...] Neste paradigma, ao contrário do acórdão recorrido, distinta foi a interpretação conferida àquela decisão do STJ, especificamente com relação ao início da contagem do prazo decadencial. Em vez do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador, adotouse o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vejamos o respectivo voto vencedor, in verbis: [...] Logo, com razão a PGFN, que comprovou o dissídio jurisprudencial quanto à interpretação do art.173, I, do Código Tributário Nacional, à luz de entendimento do Superior Tribunal de Justiça, obrigatoriamente prestigiado pelo CARF por força de norma regimental. Presentes os requisitos de admissibilidade, PROPONHO, com base no artigo 25 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256, de 22/06/09, c/c itens 4.1 e Fl. 972DF CARF MF Processo nº 19515.003903/200321 Acórdão n.º 9101003.118 CSRFT1 Fl. 11 10 4.3 da Ordem de Serviço CARF nº 01, de 22/10/09, seja ADMITIDO o recurso especial interposto. Em 05/11/2012 (segundafeira), a contribuinte foi cientificada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e em 21/11/2012 (quartafeira) ela apresentou as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DA INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO DA PGFN preliminarmente, cumpre se verificar, desde logo, a intempestividade do recurso fazendário; em 18/ago/2011, a Fazenda Nacional retirou os autos em carga, tendo interposto o presente recurso especial somente em 26/09/2011, ou seja, após cerca de 40 (quarenta) dias da sua intimação, quando o prazo previsto no art. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de apenas 15 (quinze) dias; considerando que a Fazenda Nacional teve ciência do acórdão recorrido em 18/ago/11 (fls. 733), e o presente recurso foi interposto apenas em 26/set/11 (fls. 735/750), quando já transcorridos cerca de 40 dias, de rigor seja reconhecida sua intempestividade; DA FALTA DE SIMILITUDE FÁTICA COM O ACÓRDÃO ELEITO COMO PARADIGMA o acórdão eleito como paradigma (Acórdão n° 240101.759 / PA n° 14485.000538/200716 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Julgamento em 13/04/2011) trata de contribuição previdenciária. Já o presente caso diz respeito à CSLL é evidente a inexistência de similitude entre ambos os arestos, por tratarem de tributos distintos, submetidos a regimes legais diversos; DA DECADÊNCIA a hipótese dos autos versa, em última análise, sobre a revisão, de ofício, de lançamento anterior, na modalidade 'por homologação'; a própria Administração tributária, nessa instância máxima de julgamento, firmou entendimento de que, "se o sujeito passivo cumpriu a obrigação acessória com a apresentação da declaração de rendimentos, independentemente do pagamento do imposto, a homologação do lançamento se dá com o decurso do prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador mensal." A partir daí, "o lançamento está definitivamente constituído e não pode mais ser alterado, independentemente do pagamento do imposto." (Conselho de Contribuintes, 1º Conselho, Ac. 10193.576, pág. 28, Rel. Cons. Kazuki Shiobara, g. n.); no lançamento por homologação, essa Câmara Superior de Recursos Fiscais há muito assentou o entendimento de que a contagem do prazo decadencial observa o parágrafo 4º do art. 150 do CTN. A contagem do prazo só se deslocaria para o art. 173 do Código se comprovada fraude, dolo ou simulação, que não é o caso dos autos; essa orientação não se altera quando não haja antecipação de pagamento porque o que se homologa é a atividade do contribuinte: "A classificação do lançamento, se por homologação e portanto com o prazo de decadência fixado pelo art. 150, parágrafo Fl. 973DF CARF MF Processo nº 19515.003903/200321 Acórdão n.º 9101003.118 CSRFT1 Fl. 12 11 4º, do CTN, não depende do recolhimento do tributo. Tributo sujeito por homologação é aquele em que a lei estabelece ao contribuinte o dever de apurar e recolher o tributo independentemente de ato administrativo prévio. Recurso especial negado." (CSRF. 1ª. Turma, Recurso 101122.277, acórdão CSRF/0105.464, CSRF/0105.464, sessão de 19/06/2006 g. n.); nesse mesmo diapasão, inúmeros julgados do Primeiro Conselho: [...]; indubitável, pois, que o termo inicial da contagem do prazo é a data de ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150, §4º do CTN (e não nos moldes do art. 173, I), revelandose decaído o direito da Fazenda Nacional de exigir os créditos tributários em cobro, relativos ao anocalendário de 1997; ad argumentandum, caso se entenda que seria aplicável ao caso a regra contida no art. 173, I, do CTN, ainda assim o crédito se encontra prescrito; é que, como bem assinalado pelo acórdão recorrido, "cuidandose de exação cujo fato imponível se materialize, complexivamente, no último dia do anocalendário como é a CSLL o átimo de início do lustro de caducidade se confundiria com o dia 1° da janeiro do anobase ulterior", sendo que, "in casu, considerandose que os lançamentos guerreados tocam à CSLL apurada no anobase de 1997, a contagem do quinquênio decadencial, na compulsória orientação adotada pelo e. STJ, deveria começar no dia 01/01/1998, esgotandose em 01/01/2003. O auto de infração em julgamento, todavia, por ter sido cientificado à peticionária em 30/01/2003, não poderia ser formalizado, sendo evidente a nulidade da exigência ali consignada"; DO PEDIDO diante de todo o exposto, tendo em vista a intempestividade do recurso fazendário e a ausência de identidade fática entre o presente caso e o acórdão eleito como paradigma, de rigor seja negado seguimento ao recurso especial fazendário; ou, quando muito, diante do acerto da decisão recorrida, que reconheceu a decadência do lançamento fiscal em questão, de rigor a sua manutenção, negandose provimento ao aludido recurso especial; caso assim não se entenda, o que se admite exclusivamente à guisa de argumentação, mister a devolução dos presentes autos à Col. Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento desse Eg. CARF para que prossiga na apreciação dos demais argumentos deduzidos no recurso voluntário da ora recorrida, notadamente o de POSTERGAÇÃO, sob pena de supressão de instância. É o relatório. Fl. 974DF CARF MF Processo nº 19515.003903/200321 Acórdão n.º 9101003.118 CSRFT1 Fl. 13 12 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurada em relação ao ajuste anual do ano calendário de 1997, com fato gerador ocorrido em 31/12/1997. A autuação fiscal foi motivada pelo fato de a contribuinte ter realizado a compensação de bases negativas de períodos anteriores sem observar o limite legal de 30%. Essa compensação foi realizada com base em liminar concedida em recurso de apelação pelo TRF da 3ª Região nos autos do Mandado de Segurança n. 95.00335875. Nesse contexto, para prevenir a decadência, a Fiscalização lavrou o auto de infração sem multa de ofício e com a exigibilidade suspensa, conforme determina o artigo 63 da Lei n. 9.430/96, com redação alterada pela Medida Provisória n. 2.15835/2001. O contencioso administrativo seguiu o seu curso normal em relação a matérias não abrangidas na demanda judicial. A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito à contagem do prazo de decadência do crédito tributário. O lançamento foi realizado em 30/10/2003. O acórdão recorrido, aplicando o prazo previsto no art. 173, I, do CTN, reconheceu a decadência, sustentando que, na forma consagrada pelo STJ (REsp nº 973.733), de observância compulsória pelo CARF (artigo 62A do RICARF), "o dies a quo do lustro de caducidade se identifica ao primeiro dia do exercício subsequente àquele em que ocorrido o fato gerador". Assim, iniciando a contagem no dia 01/01/1998, entendeuse que o termo final do prazo previsto no art. 173, I, do CTN seria 01/01/2003. Como a ciência do lançamento ocorreu em 30/10/2003, a conclusão foi de que o crédito tributário estava decaído. A PGFN procura reverter essa decisão, alegando que o acórdão do STJ deve ser devidamente interpretado, considerando sobretudo a própria jurisprudência mansa e pacifica daquela Corte, mesmo em período posterior ao julgamento do Resp n° 973.733/SC, que determina a contagem da decadência regida pelo art. 173, I, do CTN, nos precisos termos de sua redação, isto é, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. De acordo com a PGFN, o termo inicial para a contagem da decadência deveria ser 01/01/1999 (e não 01/01/1998, como consignado no acórdão recorrido), o que afastaria a decadência do crédito tributário em questão. Fl. 975DF CARF MF Processo nº 19515.003903/200321 Acórdão n.º 9101003.118 CSRFT1 Fl. 14 13 A contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso, mas elas são intempestivas. Em 05/11/2012 (segundafeira), a contribuinte foi cientificada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e ela apresentou as contrarrazões em 21/11/2012 (quartafeira), mas o prazo regimental de 15 dias esgotouse no dia 20/11/2012. De qualquer forma, as questões que a contribuinte suscita na referida peça processual podem ser perfeitamente apreciadas nesse julgamento, não apenas por sua natureza e conteúdo, mas também por sua conexão com o próprio mérito do recurso a ser examinado. Já de início, registro que o recurso especial da PGFN realmente foi apresentado tempestivamente, conforme consignado no despacho monocrático que examinou a sua admissibilidade. O Decreto nº 70.235/1972 prevê as seguintes regras para a ciência dos Procuradores da Fazenda Nacional em relação às decisões do antigo Conselho de Contribuinte, e que hoje se aplicam ao CARF: Art. 23. Farseá a intimação: [...] §7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (grifos acrescidos) Pois bem, os autos foram entregues à PGFN, na forma prevista no §8º acima transcrito, em 18/08/2011, de modo que a ciência ficta iria ocorrer em 17/09/2011. E é a partir dessa data de ciência ficta que se inicia a contagem do prazo regimental de 15 dias para a apresentação do recurso. Vêse que os autos foram devolvidos ao CARF, com o recurso especial, em 28/09/2011, ou seja, dentro do prazo de quinze dias contados da ciência ficta acima referida. Fl. 976DF CARF MF Processo nº 19515.003903/200321 Acórdão n.º 9101003.118 CSRFT1 Fl. 15 14 A Procuradora da Fazenda Nacional registrou ainda uma ciência pessoal em 16/09/2011, o que nada muda em relação à tempestividade do recurso. Mesmo que seja usada essa data de ciência pessoal, antecipando em um dia a data de ciência ficta, o prazo regimental de 15 dias para apresentação do recurso continua sendo observado. A divergência jurisprudencial também está devidamente caracterizada. O fato de as decisões cotejadas tratarem de diferentes tributos é completamente irrelevante para a constatação da divergência sobre a contagem da decadência. Para tanto, o que importa é que o acórdão recorrido, aplicando decisão do STJ proferida na sistemática dos recursos repetitivos (Resp nº 973.733/SC), entendeu que o dies a quo do prazo decadencial seria o “primeiro dia do ano seguinte ao da ocorrência do suporte imponível, em 1º de janeiro”, enquanto que o acórdão paradigma, aplicando essa mesma decisão, adotou como dies a quo o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O que também deve ficar bem esclarecido é que o recurso especial sob exame não traz questões sobre a aplicação do art. 150, §4º, do CTN. Com efeito, a divergência jurisprudencial apontada pela PGFN não diz respeito a esse dispositivo legal, porque o reconhecimento da decadência pelo acórdão recorrido já se deu com base no art. 173, I, do CTN, tendo em vista a ausência de pagamento antecipado do tributo. O que a PGFN (recorrente) questionou, especificamente, é o modo como foi aplicada a referida norma, à luz da referida decisão do STJ (Recurso Especial Repetitivo nº 973.733/SC). A questão controvertida reside na forma de aplicação da regra prescrita pelo art. 173, I, do CTN quando o lançamento não pode ser realizado no próprio ano em que o fato gerador ocorreu. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC firmou o seguinte entendimento em relação à questão da decadência: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fl. 977DF CARF MF Processo nº 19515.003903/200321 Acórdão n.º 9101003.118 CSRFT1 Fl. 16 15 Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008). Essa interpretação deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. De acordo com o STJ, devese aplicar o artigo 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. No sentido inverso, há duas condições para a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN: 1) haver pagamento ou 2) haver declaração prévia que constitua crédito tributário. Não se pode, portanto, deixar de reconhecer a relevância da existência ou não de pagamento ou declaração/confissão (ainda que parciais) para fins de definição do critério para a contagem de prazo decadencial. Aliás, vale frisar que todo esse debate em torno da relevância do pagamento ou da confissão de débito para análise de decadência de lançamento posteriormente realizado pelo Fisco pressupõem pagamento e/ou confissão parciais mesmo. Até porque o Fisco não realizaria nenhum lançamento de ofício para constituir crédito tributário que já foi em momento anterior integralmente pago ou confessado pelo contribuinte. No caso em análise, pela própria infração autuada, restou claro que não houve pagamento antecipado da CSLL que está sendo exigida nos presentes autos. Em razão disso, o acórdão recorrido já aplicou corretamente a regra do art. 173, I, do CTN. Como já mencionado, a divergência apontada pela PGFN diz respeito ao modo como foi aplicado o referido dispositivo, à luz do que decidiu o STJ no julgamento do Resp 973.733/SC. A questão controvertida reside na definição do termo inicial para a contagem da decadência quando o lançamento não pode ser realizado no próprio ano em que o fato gerador ocorre. A causa da controvérsia é que embora o STJ tenha dito no item "1" da ementa da referida decisão que "o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, [...]", no item "3" da mesma ementa consta que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível". Fl. 978DF CARF MF Processo nº 19515.003903/200321 Acórdão n.º 9101003.118 CSRFT1 Fl. 17 16 Tem razão a PGFN quando alega que a informação constante nesse item "3" vem em resposta às razões do Recorrente (INSS) naquele processo julgado pelo STJ, onde se sustentava a tese de que o prazo previsto no art. 173, I, do CTN, somente teria inicio após o decurso dos 5 (cinco) anos para o lançamento por homologação, o que implicaria um prazo decadencial de 10 (dez) anos a contar do fato gerador. O referido texto teve a finalidade específica de demonstrar que a contagem do prazo previsto no art. 173, I, do CTN deve ter como referência inicial o próprio fato gerador e não a homologação tácita do crédito tributário a ele correspondente, sem prejuízo, obviamente, de todo o mecanismo de contagem dado por aquele dispositivo legal. A leitura completa do item "3" da ementa do referido julgado deixo isso bastante evidente: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (grifos acrescidos) Tanto é assim, que as duas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, órgão prolator da referida decisão vinculante, vem reiteradamente aplicando o art. 173, I, do CTN, na sua literalidade, conforme as decisões citadas pela PGFN. Nesse sentido, confirase o que consta no EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 674497 / PR, relator Ministro Mauro Campbell Marques, data do julgamento 09/02/2010, DJe 26/02/2010: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Fl. 979DF CARF MF Processo nº 19515.003903/200321 Acórdão n.º 9101003.118 CSRFT1 Fl. 18 17 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Com toda certeza, a decisão do STJ no Resp n° 973.733/SC não veio para colidir com o disposto no art. 173, I, do CTN, e nem visou interpretar esse dispositivo legal de forma diferente daquela dada por sua própria literalidade. Não há nenhuma razão para isso. Ao contrário, o comando do STJ é justamente para garantir aplicação ao art. 173, I, do CTN, quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito capaz de constituir o crédito tributário. Nessa situação, a decadência é contada a partir "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". E o "exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" deve ser identificado a partir do próprio fato gerador, e não a partir da homologação tácita do crédito tributário a ele correspondente. É isso o que disse o STJ, com efeito vinculante para o CARF. No caso, o lançamento da CSLL com fato gerador em 31/12/1997 só poderia ser efetuado em 1998. Portanto, "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" só pode ser o dia 01/01/1999. Sendo assim, na data do lançamento, 30/10/2003, o crédito tributário ainda não estava decaído. Finalmente, registro que há questões que deixaram de ser apreciadas no julgamento do recurso voluntário (juros e postergação), em razão do que restou decidido naquela fase do processo. Desse modo, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN, para afastar a decadência, e determinar o retorno dos autos à Turma Ordinária, para exame das questões suscitadas no recurso voluntário e que deixaram de ser apreciadas, após ter sido dada ciência desta decisão. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 980DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001732/2010-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
Numero da decisão: 9303-006.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201712
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11020.001732/2010-85
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5826836
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-006.045
nome_arquivo_s : Decisao_11020001732201085.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : VANESSA MARINI CECCONELLO
nome_arquivo_pdf_s : 11020001732201085_5826836.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
id : 7104607
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049732387962880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2252; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 292 1 291 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.001732/201085 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.045 – 3ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2017 Matéria PIS/Pasep Restituição Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA SANTA CLARA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 17 32 /2 01 0- 85 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11020.001732/201085 Acórdão n.º 9303006.045 CSRFT3 Fl. 293 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 208 a 226) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802001.619 (fls. 197 a 206) proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 28/02/2013, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito de PIS/Pasep relativo às aquisições de “pallets” de madeira, plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch”. O acórdão recebeu ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 11020.001732/201085 Acórdão n.º 9303006.045 CSRFT3 Fl. 294 3 EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratandose, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 208 a 226), alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito ao crédito de PIS/Pasep com relação aos matérias de embalagem, acondicionamento e transporte – empregados na “palletização” – concedidos em sede de julgamento de recurso voluntário. Colacionou como paradigmas os acórdãos 3302002.027 e 310100.795. Nas razões recursais, a Fazenda Nacional sustenta, em síntese, que: (a) conforme entendimento explicitado nos acórdãos paradigmas, não podem ser considerados insumos as embalagens de transporte, pois não são incorporadas ao produto no processo de industrialização; Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11020.001732/201085 Acórdão n.º 9303006.045 CSRFT3 Fl. 295 4 (b) a decisão de piso entendeu que a Contribuinte não se desincumbiu do ônus da prova em relação ao material utilizado para fins de embalagem, pois não juntou documentos atestando a incorporação dos materiais de acondicionamento na venda do produto ao consumidor final. Por essa razão, não devem ser considerados como insumos; (c) na sistemática do conceito de insumos para o PIS e a COFINS não cumulativos fazse necessário o emprego das embalagens diretamente na fabricação de produtos destinados à venda e desde que não contabilizados no ativo permanente e sofram alterações como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. Os bens e serviços não utilizados diretamente na fabricação ou produção dos bens e serviços destinados à venda não podem ser considerados como insumos, devendo ser mantida a glosa dos créditos efetuada pela Fiscalização; (d) após discorrer sobre o conceito de insumos a ser adotado, adotando uma posição intermediária entre a legislação restritiva do IPI e da posição mais abrangente do IRPJ, defende que para serem considerados como insumos os bens ou serviços devem ter vinculação com a atividade fim da empresa e aplicação direta dos mesmos no processo produtivo dos bens destinados à venda, razão pela qual não são insumos as embalagens de transporte; (e) requer seja dado provimento ao recurso especial e mantida a glosa realizada pela Fiscalização. Foi admitido o recurso especial da Fazenda Nacional por meio do despacho nº 320000.054, de 12 de agosto de 2014 (fls. 229 a 233), proferido pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação à possibilidade de creditamento com relação aos matérias utilizados na “palletização” – material de embalagem, acondicionamento e transporte. A Cooperativa Santa Clara apresentou contrarrazões (fls. 239 a 259) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. Na mesma oportunidade, apresentou a Contribuinte recurso especial, tendo lhe sido negado seguimento, razão pela qual não será objeto de exame por este Colegiado. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11020.001732/201085 Acórdão n.º 9303006.045 CSRFT3 Fl. 296 5 Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS/Pasep os gastos incorridos com os materiais utilizados para a “palletização” – material de embalagem, acondicionamento e transporte dos produtos finais para a venda. Cumpre observar ter sido deferido nos presentes autos o direito ao creditamento das aquisições de matérias de embalagem (pallets de madeira), plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch”, com fulcro na atividade econômica desempenhada pela Contribuinte; na essencialidade dos referidos insumos para a produção e, ainda, nas exigências sanitárias correspondentes para o processo produtivo e de transporte, além da própria estocagem no estabelecimento industrial. Para o reconhecimento do direito ao crédito e reforma da decisão proferida pela DRJ, o acórdão recorrido passou ao largo da apresentação de provas pela Contribuinte, razão pela qual esse aspecto encontrase superado na presente demanda. Portanto, a discussão a ser travada no recurso especial referese à possibilidade de deferimento de créditos de PIS/Pasep dos valores relativos à aquisição de “pallets” de madeira, plástico de coberto e colocação do plástico filme “stretch”. Inicialmente, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Fl. 296DF CARF MF Processo nº 11020.001732/201085 Acórdão n.º 9303006.045 CSRFT3 Fl. 297 6 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotar se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11020.001732/201085 Acórdão n.º 9303006.045 CSRFT3 Fl. 298 7 definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processo no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11020.001732/201085 Acórdão n.º 9303006.045 CSRFT3 Fl. 299 8 [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11020.001732/201085 Acórdão n.º 9303006.045 CSRFT3 Fl. 300 9 n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou se) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11020.001732/201085 Acórdão n.º 9303006.045 CSRFT3 Fl. 301 10 pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; [...] Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11020.001732/201085 Acórdão n.º 9303006.045 CSRFT3 Fl. 302 11 de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matérias primas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS nãocumulativos. Com relação a esse item, essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu decisão em casos análogos, nos processos administrativos nºs 10925.720046/201212 e 10925.720686/201222, na sessão realizada, em que receberam a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito DO PIS/COFINS. PIS/COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, indiscutivelmente, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, adquiridos de não contribuintes farão jus ao crédito presumido no percentual no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11020.001732/201085 Acórdão n.º 9303006.045 CSRFT3 Fl. 303 12 PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS As leis instituidoras da sistemática nãocumulativa das contribuições PIS e COFINS, ao exigirem apenas que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de bens, não condicionam a tomada de créditos ao "consumo" no processo produtivo, entendido este como o desgaste em razão de contato físico com os bens em elaboração. Comprovado que o bem foi empregado no processo produtivo e não se inclui entre os bens do ativo permanente, válido o crédito sobre o valor de sua aquisição. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Nos termos do § 4º do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes". Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. REP Provido em Parte e REC Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo, nos seguintes termos: I) recurso especial da Fazenda Nacional: a) limpeza e desinfecção: por maioria, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto; b) embalagens utilizadas para transporte: por maioria em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Carlos Alberto Freitas Barreto; c) despesas de períodos anteriores: por maioria, em negar provimento. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; d) serviços de lavagem de uniformes: pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e) percentual de crédito presumido: por unanimidade, em negar provimento; f) juros sobre multa de ofício: por maioria, em dar provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e II) recurso especial do sujeito passivo: a) indumentária: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto; e b) pallets: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designados para redigir os votos vencedores o Conselheiro Júlio César Alves Ramos em relação às letras "a", “b” e “c” do item I e letra “b” do item II; e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho em relação à letra a do item II. (grifouse) Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11020.001732/201085 Acórdão n.º 9303006.045 CSRFT3 Fl. 304 13 Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000961/2006-18
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO.
O conhecimento do recurso especial exige que se demonstre a dissensão jurisprudencial. Para tanto, essencial que as circunstâncias fáticas identificadas no acórdão paradigma e no acórdão recorrido sejam passíveis de comparação. Identificadas ocorrências flagrantemente distintas nas decisões comparadas, que, a toda evidência, ensejaram interpretação diferente das disposições legais pertinentes, inevitável que se considere descumprido requisito essencial ao conhecimento do recurso.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96.
Numero da decisão: 9303-005.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige que se demonstre a dissensão jurisprudencial. Para tanto, essencial que as circunstâncias fáticas identificadas no acórdão paradigma e no acórdão recorrido sejam passíveis de comparação. Identificadas ocorrências flagrantemente distintas nas decisões comparadas, que, a toda evidência, ensejaram interpretação diferente das disposições legais pertinentes, inevitável que se considere descumprido requisito essencial ao conhecimento do recurso. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16004.000961/2006-18
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805476
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.901
nome_arquivo_s : Decisao_16004000961200618.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 16004000961200618_5805476.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
id : 7047865
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049732393205760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2045; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16004.000961/200618 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.901 – 3ª Turma Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria Auto de Infração IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PAMIRO AGRO INDÚSTRIA S.A. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. DISSENSÃO JURISPRUDENCIAL. REQUISITO. O conhecimento do recurso especial exige que se demonstre a dissensão jurisprudencial. Para tanto, essencial que as circunstâncias fáticas identificadas no acórdão paradigma e no acórdão recorrido sejam passíveis de comparação. Identificadas ocorrências flagrantemente distintas nas decisões comparadas, que, a toda evidência, ensejaram interpretação diferente das disposições legais pertinentes, inevitável que se considere descumprido requisito essencial ao conhecimento do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI Nº 9.363/96. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO LITERAL. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. IMPOSSIBILIDADE. Em face da necessidade de interpretação literal de normas tributárias que dispõem sobre benefícios fiscais, não é possível a inclusão dos gastos com industrialização por encomenda na base de cálculo para apuração do crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Demes Brito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 09 61 /2 00 6- 18 Fl. 730DF CARF MF Processo nº 16004.000961/200618 Acórdão n.º 9303005.901 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3403002.548, de 22 de outubro de 2013, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/03/2001 a 10/10/2002 IPI. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONFIGURAÇÃO. CONFRONTO ENTRE CRÉDITOS E DÉBITOS. Em relação ao IPI, por causa de sua sistemática peculiar de apuração, baseada no princípio constitucional da não cumulatividade, o lançamento por homologação configurase quando o pagamento ocorre na forma do confronto entre créditos e débitos, disto decorrendo a ausência de valor a recolher. Inteligência do art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN c/c o art. 124 do RIPI/2002. Precedentes. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES. PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. O Superior Tribunal de Justiça firmou, pelo regime de recursos repetitivos, o entendimento de que devem ser incluídos, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, o valor das aquisições de insumos que não sofreram a incidência do PIS e Cofins, de Fl. 731DF CARF MF Processo nº 16004.000961/200618 Acórdão n.º 9303005.901 CSRFT3 Fl. 4 3 modo que devem ser computadas as aquisições de pessoas físicas e cooperativas (REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010 e Sumula STJ 494). Entendimento que este Tribunal Administrativo reproduz em respeito ao art. 62A do Regimento Interno. CREDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES QUE DÃO DIREITO DE CRÉDITO. CONFIGURAÇÃO DE MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM. AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO. ÔNUS DA PROVA. Apenas geram crédito presumido as aquisições de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, tal como conceituados pela legislação do IPI, apenas sendo alcançados por estes conceitos aqueles bens que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização, em contato direto com o produto. É ônus do contribuinte demonstrar que os bens concretamente adquiridos enquadramse estes conceitos. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96. ENERGIA ELÉTRICA. SÚMULA CARF Nº 19. Apenas em relação aos contribuintes que fazem a opção expressa pelo regime alternativo da Lei 10.276/2001 é que se permite que as aquisições de energia elétrica e de combustíveis gerem direito ao crédito presumido de IPI. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei 9.363/96, as aquisições de combustíveis e energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI 9.363/96. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. POSSIBILIDADE. Tratandose, a industrialização por encomenda, de aprimoramento a que se submete a matériaprima, deve o seu Fl. 732DF CARF MF Processo nº 16004.000961/200618 Acórdão n.º 9303005.901 CSRFT3 Fl. 5 4 valor integrar as aquisições para o cálculo do credito presumido. Precedente do Superior Tribunal de Justiça (REsp 752888/RS, DJe 25/09/2009). MULTA DE OFÍCIO. EFEITO DE CONFISCO. RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE, LEGALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. A multa de ofício tem natureza punitiva, motivo pelo qual não se lhe aplica o princípio do não confisco previsto no art. 150, VI, da Constituição, que se refere exclusivamente a tributos. Arguir o princípio constitucional do não confisco, da razoabilidade, da proporcionalidade ou da legalidade para afastar a aplicação do dispositivo de lei que determinada a aplicação da multa de 75% envolveria inequívoco juízo de inconstitucionalidade da Lei, que está fora do âmbito de competência deste Conselho, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 2. Recurso parcialmente provido. A divergência suscitada no recurso especial (efolhas 698 e segs) referese ao reconhecimento (i) da decadência para os fatos geradores anteriores à 13/11/2001, pela aplicação da norma do § 4º do art. 150, tendo em vista a realização de compensação parcial e (ii) do direito ao creditamento dos valores correspondentes à industrialização por encomenda. O Recurso especial foi admitido conforme despacho de admissibilidade de e folhas 716 e segs. A contribuinte não apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Fl. 733DF CARF MF Processo nº 16004.000961/200618 Acórdão n.º 9303005.901 CSRFT3 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. Admissibilidade O recurso interposto pela Fazenda Nacional não pode ser conhecido na parte em que controverte o dies a quo do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário. Além de não haver similitude fática entre o acórdão paradigma e a decisão recorrida, também não se identifica divergência de interpretação da legislação tributária. De início, releva destacar que, neste, discutese a aplicação de disposição legal peculiar, própria do Imposto sobre Produtos Industrializados, que iguala a inexistência de saldo devedor no período de apuração a pagamento de tributo. Não se sabe de legislação de outro tributo que equipare esses dois eventos. Pois bem. É justamente essa equiparação que dá ensejo a toda a discussão que ora se trava. Se o Imposto é considerado pago quando não houver saldo a recolher em determinado período de apuração, a decadência do direito da Fazenda rever os créditos escriturados pela contribuinte regese pelas disposições do art. 150 ou do art. 173 do CTN? Não fosse por essa particularidade, não haveria razão para ampliação do debate sobre o assunto. Bastaria que se apurasse a ocorrência ou não de antecipação do pagamento do tributo para decidir por uma outra regra de contagem do prazo decadencial. A recorrente, a despeito disso, arriscase na comparação do caso concreto com uma decisão que trata da compensação de PIS. Para essa Contribuição, contudo, não há disposição legal que equipare a apuração de saldo credor ou nulo a pagamento de tributo. Mas isso não é tudo. O crédito controvertido no paradigma foi, sim, examinado dentro do prazo decandencial, pelo menos em relação à parcela que a contribuinte pretendia utilizar na compensação da contribuição devida. Observemse os argumentos apresentados pela autuada em sede de recurso voluntário. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 16004.000961/200618 Acórdão n.º 9303005.901 CSRFT3 Fl. 7 6 a) O objeto deste auto de infração é a cobrança dos valores referentes a débitos tributários com fatos geradores ocorridos em 30/04/2004, 31/05/2004 e 30/06/2004, que totalizam o valor de R$ 30.959,29 (trinta mil novecentos e cinquenta e nove reais com vinte e nove centavos); b) Estes débitos foram devidamente compensados pela Recorrente no ano de 2006, mediante o aproveitamento de crédito de PIS que a Recorrente tinha para com a Receita Federal. Essa compensação está atualmente em análise no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; E, de fato, por óbvio, se houve apresentação de uma declaração de compensação, ou ela foi examinada dentro do prazo de cinco anos contados da data de registro ou ocorreu a homologação tácita, extinguindo o crédito tributário declarado e afastando em definitivo o direito que detinha a Fazenda de glosar o crédito utilizado pela contribuinte na compensação do tributo devido (há exceções previstas em lei). A linha de raciocínio adotada pelo Relator do acórdão paradigma não adentra a essas questões. Segundo entende, a compensação se equivale a pagamento do tributo para efeito de atração do prazo decandencial previsto no art. 150 do CTN. Partindo desse pressuposto, decide, contudo, que, naquele caso específico, deveria ser aplicado o prazo do art. 173, na medida em que, embora a contribuinte houvesse pleiteado a compensação, os créditos de que dispunha não foram reconhecidos. Observese. Lá, discutiase o prazo decadencial para constituição de crédito tributário não pago nem compensado. A contribuinte havia intentado sua compensação com créditos reexaminados e rejeitados dentro do prazo de cinco anos, contados do registro da declaração de compensação. Aqui, discutese o prazo decadencial/prescricional para revisão de créditos escriturados pela contribuinte na apuração do IPI. Esses créditos fizeram com que o saldo final no período de apuração fosse credor ou nulo e o tributo considerado pago. Como se vê, tratamse de abordagens absolutamente distintas. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 16004.000961/200618 Acórdão n.º 9303005.901 CSRFT3 Fl. 8 7 No mais, demonstrada a dissensão jurisprudencial quanto à apropriação de crédito presumido de IPI na industrialização por encomenda e tendo o recurso sido apresentado dentro do prazo legal, dele tomo conhecimento. Mérito Esta matéria não é nova no CARF e eu me filio à corrente de que, no regime da Lei nº 9.363/96, tal apropriação está desamparada de previsão legal. Inicialmente partilho do entendimento de que qualquer modalidade de incentivo ou benefício fiscal deve estar sujeito a regras de interpretação literal da legislação que o concede. Não creio que está correta a conclusão de que as formas de exclusão do crédito tributário sejam somente as previstas no art. 175 do CTN. Na minha opinião o art. 175 do CTN somente estabeleceu que a isenção e a anistia excluem o crédito tributário, mas por evidente, não são as únicas formas existentes de exclusão do crédito tributário. A concessão de crédito presumido de IPI é uma forma indireta de excluir o crédito tributário, na medida em que permite se apropriar de um crédito antes inexistente para ser compensado com tributos devidos. Fosse correta a conclusão de que as únicas formas de exclusão do crédito tributário são a isenção e a anistia, penso que a redação do art. 111 do CTN seria muito infeliz em prever no seu inciso II uma regra que já se encaixava no próprio inciso I, ou seja, seria desnecessário constar no inciso II que se interpreta literalmente as regras de outorga de isenção já que esta é uma forma de exclusão do crédito tributário já contemplado no inciso I. Veja como é a redação do art. 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Portanto entendo que no presente caso deve se dar interpretação literal à norma tributária que concede o benefício fiscal nos exatos termos de que dispõe o art. 111 do CTN. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de Fl. 736DF CARF MF Processo nº 16004.000961/200618 Acórdão n.º 9303005.901 CSRFT3 Fl. 9 8 normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Estabelecido esta premissa, vejamos então como o crédito presumido do IPI está disciplinado na Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 Fl. 737DF CARF MF Processo nº 16004.000961/200618 Acórdão n.º 9303005.901 CSRFT3 Fl. 10 9 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A interpretação literal que se extrai do comando normativo acima transcrito é que gera direito ao crédito presumido do IPI os valores decorrentes da aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para aplicação no processo produtivo das empresas produtoras e exportadoras. A industrialização por encomenda é um serviço prestado ao industrial e não se identifica definitivamente com qualquer dos itens citados na norma, quais sejam matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Portanto mesmo que nessa prestação de serviço possa se agregar algum insumo ou mesmo que do serviço resulte uma matériaprima a ser utilizada no seu processo produtivo próprio, entendo que a lei não permitiu essa apropriação. Tanto é verdade, que posteriormente à edição do referido benefício fiscal, sobreveio por meio da Lei nº 10.276/2001, uma forma alternativa de apuração do crédito presumido, desta feita prevendo expressamente a possibilidade de se apropriar do valor correspondente aos serviços com industrialização por encomenda. Segue transcrição do dispositivo legal: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às Fl. 738DF CARF MF Processo nº 16004.000961/200618 Acórdão n.º 9303005.901 CSRFT3 Fl. 11 10 contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) § 5o Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei no 9.363, de 1996. Ora, na minha opinião, evidente que se o contribuinte quiser se apropriar dos valores gastos com industrialização por encomenda é obrigatório que ele faça a opção pelo cálculo do crédito presumido do IPI na forma alternativa proposta pela Lei nº 10.276/2001. Ou seja, ao optar pela fórmula de cálculo da Lei nº 9.363/96 não há possibilidade desse aproveitamento por absoluta falta de previsão legal. Tal como consta à efolha 256 do processo, na corpo da Informação Fiscal, a matéria em litígio foi objeto de consulta perante a Secretaria da Receita Federal, e recebeu o seguinte tratamento. Questão no 723 Perguntas e Respostas do Programa de Imposto de Renda PIR 2001, in verbis: 723) No caso de industrializa por encomendada a outra empresa, de produtos intermediários (ou seja, de produtos que Fl. 739DF CARF MF Processo nº 16004.000961/200618 Acórdão n.º 9303005.901 CSRFT3 Fl. 12 11 sofrerão ainda algum processo de industrialização no estabelecimento encomendante), com remessa de todos os insumos pelo encomendante (produtor exportador), o valor correspondente à mãodeobra, destacado na nota fiscal do industrializador, poderá integrar o total das aquisições? R) Não. O valor a ser considerado, neste caso, para efeito de cálculo do crédito presumido é o exato custo de aquisição dos insumos constante do documento fiscal, emitido pelo fornecedor destes insumos. No caso em que o encomendante remete os insumos com suspensão do IPI ao executor da encomenda (hipótese prevista no art. 40, incisos VII e VIII do RIPI/98) e o executor da encomenda remete os produtos com suspensão, não há que se falar em inclusão do valor cobrado pelo encomendante na base de cálculo do crédito presumido. Tratase de mera prestação de serviços e não de aquisição de matériaprima, material de embalagem e produto intermediário. (destaques do original) Por todo o exposto voto por conhecer apenas em parte o recurso especial interposto pela Fazenda Nacinal e, na parte conhecida, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Fl. 740DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.908298/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007
EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. EFEITOS.
O lapso material no relatório do acórdão recorrido enseja a devida correção, por acolhimento dos Embargos Inominados, sem, todavia, alterar os resultados, posto que os fundamentos da decisão recorrida não foram, no caso concreto, maculados pelo erro.
Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3201-003.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. EFEITOS. O lapso material no relatório do acórdão recorrido enseja a devida correção, por acolhimento dos Embargos Inominados, sem, todavia, alterar os resultados, posto que os fundamentos da decisão recorrida não foram, no caso concreto, maculados pelo erro. Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes. Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13819.908298/2009-71
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5794024
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-003.155
nome_arquivo_s : Decisao_13819908298200971.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCELO GIOVANI VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13819908298200971_5794024.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 6992549
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049732471848960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1448; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 200 1 199 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13819.908298/200971 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201003.155 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria PIS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Embargante FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO. EFEITOS. O lapso material no relatório do acórdão recorrido enseja a devida correção, por acolhimento dos Embargos Inominados, sem, todavia, alterar os resultados, posto que os fundamentos da decisão recorrida não foram, no caso concreto, maculados pelo erro. Embargos acolhidos, sem efeitos infringentes. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 82 98 /2 00 9- 71 Fl. 201DF CARF MF 2 Relatório Reproduzo, primeiramente, o relatório da primeira instância: Tratase de Declaração de Compensação — DCOMP, com base em suposto crédito de PIS do período de apuração 05/2007, no montante de R$ 263.153,30, decorrente de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 263.153,30 A partir das características do DARF discriminado lio PER/DCOMP acima identificado, foram localizados uni ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensa cão dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que seu direito creditório decorre do não aproveitamento, na apuração do PIS não cumulativo, de créditos decorrentes de serviços utilizados como insumos em seu processo produtivo, e créditos referentes aos fretes pagos nas operações de venda, conforme autorização do art. 3° da Lei no 10.637, de 2002, com a redação conferida pela Lei n° 10.865, de 2004, e do art. 3° da Lei no 10.833, de 2003. Assim, efetuou a revisão dos valores originalmente apurados e pagos de PIS, e embora tenha procedido a retificação do Dacon pertinente, não retificou a DCTF, razão que teria levado a não homologação da compensação. Informa que a origem de seus créditos pode ser comprovada pelas respectivas notas fiscais, as quais coloca a disposição para verificação fiscal, assinalando a enorme quantidade de documentos fiscais envolvidos. Alega que a ausência de retificação da DCTF não tem o condão de inviabilizar o reconhecimento de seu direito creditôrio. Requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto destes autos até o julgamento da manifestação de inconformidade. Fl. 202DF CARF MF Processo nº 13819.908298/200971 Acórdão n.º 3201003.155 S3C2T1 Fl. 201 3 Ao final, requer, em caso de não ser reformada a decisão combatida, a realização de perícia, indicando os quesitos a ser respondidos, os quais comprovariam a existência de seu crédito. A DRJ/Campinas/SP decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. Para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, deve ser demonstrada a liquidez e certeza de crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditério Não Reconhecido O contribuinte interpôs Recurso Voluntário, onde repete os argumentos de defesa contidos na Manifestação de Inconformidade, reitera o pedido de perícia e invoca o princípio da verdade material. A 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Carf, em 25/04/2013, decidiu por negar provimento ao Recurso. Segue a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2007 a 31/05/2007 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Houve então a interposição de Embargos Declaratórios, no qual a embargante alega omissão quanto ao pedido de perícia, e lapso material, porque, ao relatar o processo, o Conselheiro relator apontou como matéria de direito a exclusão, da base de cálculo do Pis, da comissão paga aos concessionários nas vendas diretas. Aduz a embargante que, neste processo, o direito se refere a insumos cujo direito de crédito, embora legalmente permitido, não fora usufruído, e também a direito de crédito sobre fretes na venda. O Presidente da 3ª Seção admitiu os Embargos como Inominados, apenas para a matéria apontada como de lapso material do acórdão embargado, e determinou o sorteio no âmbito da 3ª Seção. Fl. 203DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Juízo de Conhecimento Os Embargos Inominados apontam erro material no relatório do acórdão embargado, e como tais foram admitidos. Com efeito, o relatório do acórdão embargado diz (fl. 156) Irresignado o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega resumidamente que: a. ao detectar a incorreção cometida na apuração da contribuição dos valores pagos aos concessionários pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI, efetuou a retificação do Dacon, mas deixou de promover a retificação da DCTF; b. apesar da expressa autorização legal para a exclusão da comissão dos concessionários nas vendas diretas de caminhões da base de cálculo da contribuição, apenas com o advento da Instrução Normativa SRF nº 594, de 26/12/2005, foi que a Recorrente constatou o equívoco cometido e promoveu a revisão e a correção da apuração da contribuição;: Porém, na Manifestação de Inconformidade, o erro apontado como gerador do indébito foi a falta de aproveitamento de crédito sobre alguns insumos e sobre fretes na venda (fl 17). Constatado o erro material, acolho os Embargos Inominados para constar corretamente os fatos relatados, conforme já foi feito. Não obstante, tal alteração não acarreta efeitos infringentes ao acórdão embargado. Com efeito, o fundamento da decisão permanece, qual seja, a ausência de provas do indébito alegado. A controvérsia em foco não é, como entende a embargante, o direito de crédito sobre insumos e sobre fretes. A controvérsia é quanto à prova desses insumos e desses fretes. Não há, nos autos, qualquer informação sobre quais seriam esses insumos que, primeiramente a embargante não utilizou como geradores de crédito, e, posteriormente, passou a considerar como geradores de crédito. Também não apresentou qualquer prova quanto a existência dos fretes alegados. Consta apenas um planilha que lista as diferenças de Darfs (fl 74/75). O débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13819.908298/200971 Acórdão n.º 3201003.155 S3C2T1 Fl. 202 5 Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). Pelo exposto, acolho os Embargos Inominados, sem efeitos infringentes, para corrigir o relatório do acórdão recorrido, mantendo o resultado, a ementa e o dispositivo. Marcelo Giovani Vieira, Relator 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000474/2005-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 30/06/2000 a 31/12/2001
CPMF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DILIGÊNCIA. PROVAS. DIREITO INCONTROVERSO.
O extrato da conta corrente mostra que houve o estorno do débito da CPMF, evidenciando que o ônus do pagamento do tributo foi da instituição financeira responsável.
É de se reconhecer o direito referente aos pagamentos realizados pelo contribuinte, mediante apresentação de provas, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-004.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e DAR-LHE PARCIAL provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 30/06/2000 a 31/12/2001 CPMF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DILIGÊNCIA. PROVAS. DIREITO INCONTROVERSO. O extrato da conta corrente mostra que houve o estorno do débito da CPMF, evidenciando que o ônus do pagamento do tributo foi da instituição financeira responsável. É de se reconhecer o direito referente aos pagamentos realizados pelo contribuinte, mediante apresentação de provas, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10840.000474/2005-36
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5799282
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.769
nome_arquivo_s : Decisao_10840000474200536.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10840000474200536_5799282.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e DAR-LHE PARCIAL provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7014383
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049732704632832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1524; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 437 1 436 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.000474/200536 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.769 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria CPMF AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente JOSÉ FRANCISCO DE FÁTIMA SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 30/06/2000 a 31/12/2001 CPMF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. DILIGÊNCIA. PROVAS. DIREITO INCONTROVERSO. O extrato da conta corrente mostra que houve o estorno do débito da CPMF, evidenciando que o ônus do pagamento do tributo foi da instituição financeira responsável. É de se reconhecer o direito referente aos pagamentos realizados pelo contribuinte, mediante apresentação de provas, limitado ao valor ratificado pelo próprio Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e DARLHE PARCIAL provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 04 74 /2 00 5- 36 Fl. 437DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase o presente processo de Auto de Infração lavrado contra o Sr. JOSÉ FRANCISCO DE FÁTIMA SANTOS, referente a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira CPMF (fls. 04/17), que constituiu o crédito tributário no valor total de R$ 317.674,39, somados o principal, multa de ofício e juros de mora. Por bem descrever os fatos contidos nos autos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 294/300): "(...) No corpo do Auto de Infração a autoridade fiscal informa que o contribuinte teve suspensa a retenção da contribuição por força de decisão judicial, decisão posteriormente revogada. Intimado, o sujeito passivo apresentou cópias de extratos bancários e alegou que a contribuição devida fora debitada. Confrontados os dados sobre a contribuição devida e a recolhida, conclui que: O contribuinte em foco, conforme consta em DCPMF, informou estar beneficiado por decisão judicial que lhe permitia a não incidência da CPMF sobre parte de sua movimentação financeira. Ocorre que a liminar pleiteada judicialmente no trâmite do processo n” 1999.61.02.0115711 foi indeferida em 14/nov/1999. Concedida a segurança em 14/abril/2000 esta se manteve até 18/abril/2001, quando sobreveio acórdão do TRF 3° Região declarando constitucional e legítima a cobrança 'in casu 'para a contribuição guerreada. O referido acórdão transitou em julgado em 24Ú'unho/2003. Elaboramos o 'DEMONSTRATIVO DA BASE DE CÁLCULO DA CPMF MOVIMENTAÇÃO SOB JUDICE' a partir das DCPMFs apresentadas pelas instituições bancárias com que o interessado mantinha conta corrente no período focado. A partir de tal demonstrativo, observamos que a existência de movimentação bancária a ser oferecida à tributação no período: de jun/2000 até dez/2001. Por todos os fatos descritos acima, em respeito às decisões judiciais aqui envolvidas, sito na ação judicial de n” 1999.61.02.0115711 e buscando salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional no que se refere à decadência do direito de lançamento dos valores apurados, foi lavrado o presente auto de infração, com a constituição do crédito tributário com exigibilidade plena, referente à CPMF (..) correspondente aos períodos de apuração: de jun/2000 até dez/2001. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10840.000474/200536 Acórdão n.º 3402004.769 S3C4T2 Fl. 438 3 Cientificado do lançamento em 02/03/2005, o sujeito passivo apresentou impugnação em 30/03/2005, fls. 135/138, alegando, em síntese: (...) mesmo não tendo sido retida a CPMF em época própria, por força de decisão Judicial que suspendia a sua exigência, a Contribuinte, posteriormente, acabou por sofre a cobrança dos valores então devidos, o que foi feito diretamente pelos Bancos. Concluise, desta forma, que a Contribuinte não deva mais nenhuma importância em favor da União Federal, a titulo de CPMF, decorrente do período em que esteve protegida por decisão judicial, vejamos: Numa palavra, as Instituições Financeiras apuraram e cobraram o valor que anteriormente tinham deixado de ser retidos, talvez, até por força do risco de terem de responder deforma solidária. Conforme se verifica pelos valores apresentados pela própria fiscalização, a Contribuinte teria deixado de recolher a importância original de R$ 156.310,91 (vide relação anexa coluna DCPMFDOC 2). Pelos extratos obtidos pela Contribuinte, não obstante ainda faltem alguns, que só não foram conseguidos em face do tempo exíguo, o mesmo recolheu de CPMF a importância de R$ 128.872,24 (vide a mesma relação acima referida – doc. 01 coluna CPMF paga), conforme comprovam as planilhas e extratos bancários anexos. Assim, sem prejuízo da possibilidade de juntada de novos documentos, por ora já é possível demonstrar, no mínimo, uma cobrança a maior feita pela fiscalização. Requer que sejam analisados todos os comprovantes de retenção anexos, onde se apurará o valor total retido pelas Instituições Financeiras, a título de CPMF, como dito, de R$ 128.872,24. Portanto, considerando o volume de movimentação financeira da Contribuinte. no período objeto da autuação, bem como o percentual a ser aplicado a título de CPMF, e deduzidos os valores retidos ou recolhidos, conforme comprovam os extratos anexos, chegase à conclusão que o Contribuinte apenas teria em aberto, como saldo devedor junto à Receita Federal, a importância de RS 27.438,67. Esta diferença será objeto de pagamento caso não se consiga localizar outros extratos, com retenção de CPMF, já solicitados aos respectivos bancos. Examinados os elementos que integram os autos, foi o julgamento convertido em diligência por meio da Resolução n° 1.959, da Terceira Turma da Delegacia de Julgamento em Campinas, fls. 206/207. Diz o voto condutor da Resolução: Fl. 439DF CARF MF 4 Os extratos bancários indicam retenções de CPMF relacionadas às contribuições que deixaram de ser recolhidas por força de suspensão de exigibilidade determinada em decisão judicial, assim como retenções decorrentes da movimentação normal da contribuinte. Por outro lado, os valores constantes nos extratos não são coincidentes com os que constam dos demonstrativos apresentados pelo impugnante. Na ação fiscal, o contribuinte foi intimado somente a apresentar os documentos e informações referentes à ação judicial, não lhe sendo exigido que apresentasse informações acerca de eventuais retenções/recolhimentos da contribuição. Por seu turno, as informações constantes do Dossiê Integrado dão conta apenas da Futuros ' constantes dos extratos do banco BCN Úls. 192/199), embora os valores relativos aos juros da CPMF não retida tenham sido considerados na mesma imputação, tudo conforme consta nos demonstrativos de fls. 234 a 239. Aofim de tudo, observo que a nova relação de créditos tributários apurada é a que se encontra assinalada à fl. 234 destes autos. Encaminhados os autos para prosseguimento, foi constatado que os resultados da diligência não foram cientificados ao sujeito passivo. Ato contínuo, foram os autos devolvidos à autoridade preparadora, fl. 243, para a ciência. Cientifica, o contribuinte apresentou o documento de fl. 251, no qual requer: ... a juntada aos autos dos documentos fornecidos pelo Banco Bradesco S/A (sucessor do Banco BCN), os quais comprovam a inexistência de débitos de CPMF, e, por conseguinte, a juridicidade do inconformismo do Contribuinte. ... Assim, documentalmente comprovada a inexistência de débitos de responsabilidade do Contribuinte, requer seja reconhecida a insubsistência da autuação. O contribuinte fez juntar os extratos bancários de fls. 252/282. No entanto, os argumentos do Recorrente foram parcialmente acatados pela DRJ em Campinas (SP), que julgou procedente em parte a Impugnação, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO ou TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA – CPMF Período de apuração: 30/06/2000 a 31/12/2001 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ã autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10840.000474/200536 Acórdão n.º 3402004.769 S3C4T2 Fl. 439 5 Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. LANÇAMENTO DE OFICIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. RETENÇÃO. Constatada a falta ou insuficiência de recolhimento de tributo devido, correta a sua constituição de ofício, cumulado com os acréscimos legais.Excluise a parcela cuja retenção foi comprovada. Lançamento Procedente em parte Em 08/09/2009, o Recorrente foi cientificado da decisão da primeira instância, conforme consta às fls. 305 (cópia do AR). Inconformado com a decisão da DRJ/CPS, em 23/00/2009 (fl. 308) apresentou recurso voluntário a este CARF (fls. 308/317), argumentando em suas razões que: a) quando da instituição da CPMF, por não concordar com referida exação, questionou a constitucionalidade da referida exigência junto ao Poder Judiciário. No curso da referida ação judicial, o Recorrente obteve pronunciamento jurisdicional favorável, e, por um determinado período, não se submeteu ao recolhimento da CPMF. Contudo, a referida Decisão foi revista, passando, a partir de então, ser promovida a cobrança. Outrossim, o STF pacificou o tema, reconhecendo a legalidade do tributo; b) em razão disso, as Instituições Financeiras apressaramse em calcular e cobrar os valores de CPMF que até então não haviam sido retidos nas contas correntes dos contribuintes. Assim, posteriormente, referidos valores foram integralmente calculados e cobrados pelas instituições financeiras, com acréscimos de juros cobrados. Portanto, os valores ora cobrados pela fiscalização fazendária, já foram cobrados e pagos pelo Recorrente; c) que não possui sustentação a alegação de que os débitos ocorridos em 04 e em 17 de janeiro de 2002, somam a movimentação normal ao pagamento dos valores que haviam tido sua exigibilidade suspensa e que não podem ser identificados posto que efetuados sob a rubrica lançamentos futuros, posto que tal estaria relacionado a evento incerto e eventual, manifestamente inconstitucional, o que torna evidente o manifesto equívoco do julgador; d) aduz que houve presunção por parte do Fisco, e que a vista dos documentos apresentados, e ainda que a fiscalização (RFB) dispõe das informações fornecida pelos Bancos, fica evidente que houve o regular recolhimento da CPMF devida referente ao período de outubro de 2000 a janeiro de 2002, havendo prova idônea nos autos do seu integral pagamento; e) é patente que é vedado à Administração Pública qualquer apreciação subjetiva no exercício da atividade de verificação da eventual ocorrência do fato imponível e aplicação da lei, o que acarreta subordinação do processo administrativo tributário aos Princípios da busca pela verdade material, da ampla defesa e do devido processo legal. Pelo exposto, requerse o regular processamento do recurso, com a conseqüente reforma da Decisão de 1ª instância, a fim que seja julgada procedente a Impugnação ofertada, reconhecendose a insubsistência do lançamento. Fl. 441DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade e deve, portanto, ser conhecido. 2. Do objeto do processo Tratase de Auto de Infração formalizado para a constituição de créditos tributários relativos à CPMF do período de junho/2000 a dezembro/2001, em face do seu não recolhimento pelas instituições bancárias, com as quais o contribuinte operou no período. A motivação do não recolhimento decorreu de decisão no âmbito do MS de nº 1999.61.02.0115711, de modo que, indeferida inicialmente a liminar, houve a concessão da segurança pleiteada, que perdurou até 18/04/2001. Intimado, o sujeito passivo apresentou cópias de extratos bancários e alegou que a contribuição devida fora debitada em sua conta corrente. A controvérsia trata que, junto com a apresentação da Impugnação e das diligências promovidas pela DRJ, o Recorrente não apresentou documentos capazes de comprovar as alegações elencadas em sua peça impugnatória. A decisão recorrida concluiu que em relação as provas, a jurisprudência administrativa não reconhece força probatória na simples juntada de documentos, sem a necessária demonstração do efeito extintivo ou modificativo que estes possam produzir no crédito tributário. Diante disso, acatouse a impugnação apenas na medida em que as retenções puderam ser efetivamente comprovadas e o crédito exigido foi modificado parcialmente. 3. Análise do RV e eventos ocorridos após Decisão da DRJ Verificase nos autos que em 23/12/2009, o Recorrente apresenta requerimento, solicitando, a desistência parcial do recurso de forma irrevogável, para aderir a Lei n° 11.041/09 (Parcelamento do REFIS), desistência essa que limitase à autuação com relação ao não recolhimento de CPMF incidente sobre as movimentações financeiras havidas na conta corrente nº 109.131, então mantida junto ao Banco BCN, conforme trecho abaixo transcrito: "(...) JOSE FRANCISCO DE FATIMA SANTOS, vem respeitosamente à presença de V. Sª., por intermédio de seu procurador infra assinado, requerer, para efeito do que dispõe a Lei n. 11.941/ 09, em conformidade com o disposto no art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/ RFB n. 13/09 e no art.2 da Portaria Conjunta PGFN/ RFB n. 6/09, a desistência parcial do recurso de forma irrevogável, desistência essa que limitase à autuação com relação ao não recolhimento de CPMF incidente sobre as movimentações financeiras havidas na conta corrente nº 109131 então mantida junto ao Banco BCN. Assim, no que concerne ao objeto da desistência, o Recorrente, paralelamente, renuncia as alegações de direito sobre as quais se fundam o recurso interposto. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10840.000474/200536 Acórdão n.º 3402004.769 S3C4T2 Fl. 440 7 Outrossim, quanto às demais impugnações objeto do recurso, as ~ quais merecem ser conhecidas, inegável a procedência do Recurso interposto. E tal porque, conforme amplamente exposto e documentalmente comprovado, houve recolhimento da integralidade da CPMF que se fez devida, com os acréscimos de estilo, conforme, inclusive, comprovam os documentos novos entregues pelo Banco Bradesco (sucessor do Banco BCN) e que instruem a presente". Na seqüência, apresenta documento, emitido pelo Banco Bradesco, datado de 16/10/2009, nos seguintes termos: “(...) Reportandonos à correspondência que V.Sa. enviou à nossa Agência de Bebedouro, relativamente às contas de sua titularidade junto à Agência 183 do ExBanco BCN, prestamos abaixo os devidos esclarecimentos, conforme cada item mencionado na carta: Estamos anexando cópia dos extratos contendo as movimentações financeiras das contas 1091316, 1101977, 1106588, 1106596, 1106618, 1107029, 1110003, 1114388 e 24872033 no período de outubro de 2000 a janeiro de 2002; O referido Ofício do Banco Bradesco, nos itens 2, 3, 4 e 5, faz ainda referências a diversas situações objetivando esclarecer diversos pontos questionados pela empresa e também pelo Fisco. Encerra o documento com a seguinte informação: “(...) Com relação ao processo 1999.61020115711. com vigência no período de 27.07.2000 a 05.12.2001, os valores foram debitados das respectivas contas em janeiro de 2002. conforme constam nos extratos e também nas planilhas que anexamos, sendo repassados à Receita Federal. exceto da conta 1091316, cujo débito não foi efetuado por insuficiência de saldo”. Junto com o documento, foi anexado aos autos, planilha formulada pelo Banco Bradesco, junto com extratos bancários, informando a relação dos valores NÃO cobrados, face a insuficiência de saldos na conta corrente (agência 183 – BCN, c/c nº 109.131) e não repassados à Receita Federal do Brasil RFB (fls. 325/329). Da mesma forma, juntou a Relação de valores cobrados e repassados à RFB, juntamente com os extratos bancários (fls. 330/363). Então, o PAF que se encontrava em julgamento no CARF, retornou a Unidade de origem para análise da solicitação da desistência parcial do recurso. O resultado foi que o Recorrente efetivamente aderiu ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009 e apresenta desistência parcial do recurso interposto, limitandose à autuação com relação ao não recolhimento da CPMF conta corrente 109131 BCN, sendo que às demais impugnações objeto do recurso devem prosseguir no julgamento. Observada as transcrições do despacho, advindas da ARF em Bebedouro (SP), foi realizado o quadro de apuração de fl. 370, informando os valores a serem apartados do processo, conforme desistência do interessado. Cientificado do despacho, o Recorrente apresentou em 27/05/2010, suas contrarazões aos valores apurados, nos seguintes termos (fl. 374): (...) Nesse diapasão, mister ressaltarse que o Contribuinte desistiu do recurso e renunciou as alegações de direito sobre as quais o mesmo se fundava com relação, Fl. 443DF CARF MF 8 EXCLUSIVAMENTE, a CPMF incidente sobre _as movimentações financeiras havidas na conta corrente n.° 109131 então mantida junto ao Banco BCN. Contudo, a análise da planilha apresentada pela fiscalização fazendária demonstra que o valor apurado a título de CPMF corresponde à soma da CPMF incidente sobre a movimentação financeira havida em todas contas correntes mantidas pelo Contribuinte junto ao BCN (e não somente sobre a conta corrente 11." 109131), com o que não se pode concordar. Destarte, impugnase os cálculos apresentados às fls. 357, os quais requerse sejam retificados/e, após, seja dado regular processamento ao recurso interposto, o qual deve ser integralmente acolhido, o que requerse”. Em 14/07/2010, o Recorrente se manifesta novamente, através da petição protocolada, onde aduz que (fls. 377/380): (...) Nesse diapasão, e, para que não hajam confusões, ressaltase que, conforme comprovam os extratos de débitos de CPMF emitidos pela Banco Bradesco S/A, sucessor do Banco BCN, a base de cálculo para apuração de CPMF após cassação do processo judicial que havia suspendido a exigência desse tributo foi de $ 35.252.895,71, e, portanto, o valor de CPMF correspondente era de $ 121.178,84. (...)Portanto, efetivamente, a diferença de $ 26.186,57 não foi paga, posto que a conta corrente BCN 109131, agência 183, não tinha saldo suficiente para a realização do débito na data de 04/01/2002, e também não foi debitado posteriormente quando o saldo na contacorrente já tinha saldo suficiente para o referido débito. Assim, ratificase que a desistência parcial do recurso levada a efeito restringese à autuação com relação ao não recolhimento de CPMF incidente sobre as movimentações financeiras havidas na conta corrente n.° 109131, então mantida junto ao Banco BCN, na importância de R$ 26.186,57, devendo, assim, o saldo de $ 92.268,79 prosseguir no julgamento, assim como com relação a todas as demais exigências efetuadas. O interessado foi cientificado da planilha elaborada pelo Fisco, referente aos débitos da CPMF a serem apartados. Não concordando, protocolou requerimento, onde apresentou seu demonstrativo e explicações relativas a desistência do recurso em relação aos valores devidos na movimentação da conta do Banco BCN n° 109.131. Verificase que a DRF acatou o demonstrativo apresentado pelo Recorrente. Assim, o Fisco efetuou novo DEMONSTRATIVO da CPMF, que foi apartada do processo nº 10840.000474/200536, considerando a DESISTÊNCIA PARCIAL do recurso apresentado pelo Recorrente (opção pela Lei nº 11.941/2009), e transferindo para um novo processo nº 13854.000241/201030 (fls. 386/391). O processo então retornou a este CARF, para prosseguimento. Pois bem. Neste passo, considerando a solicitação no recurso bem como os dados e informações registrados nos documentos anexado aos autos às fls. 325/363 e 377/380, visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo agente fazendário da origem, o processo foi convertido em diligência, conforme Resolução nº 3402000.747, de 28/01/2016 (fls. 393/401), para que com base naqueles documentos apensados aos autos (fls. 325/363 e 377/380), confirmar as alegações trazidas pelo Recorrente e ao final elaborar demonstrativo e parecer, concluindo se as informações lançadas pelo Recorrente em seu Recurso Voluntário e documentos seguintes, refletem a realidade dos fatos apontados, para fins de análise frente ao presente recurso. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10840.000474/200536 Acórdão n.º 3402004.769 S3C4T2 Fl. 441 9 Os autos foram encaminhados à DRF em Ribeirão Preto (SP), que nos termos do Registro de Procedimento Fiscal Diligência de nº 08.109.002017000472 (anexo ao presente processo), em 15/02/2017, realizou e conclui a Diligência, relativamente à coleta de informações e a realização dos procedimentos de saneamento do processo nº 10840.000.474/200536, conforme determinado pela Resolução nº 3403000.747, da 4ª Câmara /2ª Turma Ordinária do CARF (fls. 393/401), elaborando o Termo de Conclusão de DILIGÊNCIA FISCAL de fls. 422/424. Em face da diligência de saneamento determinada pelo CARF e convencido da veracidade do conjunto de informações constantes dos documentos juntados aos autos a fim de comprovar as alegações do contribuinte (doc. fls. 140/199, 221/228, 252/282 e 312/351), a fiscalização efetuou os procedimentos de imputação dos valores retidos em sua conta, a título de CPMF por reversão de decisão judicial, contra os créditos tributários exigidos neste processo, conforme a sequência de procedimentos abaixo reproduzido: I Dos valores relativos aos créditos tributários, originalmente constituídos no presente auto de infração, foram retirados os valores dos créditos tributários controlados no processo de nº 13854.000.254/201014, que diz respeito à parte que foi objeto de desistência do contribuinte e de pedido de parcelamento especial, conforme demonstrativo de fl. 405; II – Foram levantados, também, todos os valores das retenções da CPMF, devida pelo contribuinte em razão da reversão da suspensão obtida pelo MS de nº 1999.61.02.0115711, desde que relativas aos períodos de apuração exigidos no presente auto de infração, ou seja, referentes às competências de junho/2000 a dezembro/2001, conforme demonstrativo de fl. 406 e os anexos de fls. 407 a 411; III – Efetuouse, no documento de fls. 412/418, a imputação dos créditos tributários ainda discutidos no presente processo, remanescentes da apuração ocorrida na forma do item I (acima), contra as retenções da CPMF, ocorridas no âmbito do MS de nº 1999.61.02.0115711 para os períodos de apuração junho/2000 a dezembro/2001, comprovadas na forma do procedimento do item II (acima); IV – Demonstrouse, na forma do documento de fl. 419, que todas as retenções da CPMF utilizadas na imputação foram integralmente consumidas; V – Demonstrouse, ainda, na forma do documento de fl. 420, que para os períodos de apuração de outubro/2001 a dezembro/2001, há resíduos relativos aos respectivos créditos tributários a serem recolhidos ou contestados pelo contribuinte; VI – Os créditos tributários remanescentes da imputação efetuada foram consolidados e atualizados para o efeito de recolhimento, no documento de fl. 421 (Grifei). A Informação Fiscal foi juntado aos autos do processo 10840.000.474/2005 36 e enviado à Agência da Receita Federal do Brasil em Bebedouro/SP para ciência do contribuinte interessado e abertura do prazo de 30 (trinta) dias para eventual contestação, conforme Intimação nº 18/2017 (fl.428), sendo recebido por AR em 03/05/2017 (fl.429). Em 30/03/2017, o Recorrente protocola documento de fl. 430, CONCORDANDO com o resultado da diligência efetuada, conforme pode ser verificado nos trechos abaixo reproduzido: Fl. 445DF CARF MF 10 Posto isto, verificase que restou a comprovação cabal da existência de parte dos pagamentos alegados no recurso, o que pode ser confirmados parcialmente, conforme restou demonstrado na análise da documentação (extratos) apresentada pelo Recorrente, concluindo que há resíduos no valor de R$ 20;141,13 (valores originários) a serem recolhidos (fl. 420), nos exatos termos como restou consignado nos demonstrativos e no ralatado na Informação Fiscal de Diligência prolatada pelo Fisco: "(...) ainda, na forma do documento de fl. 420, que para os períodos de apuração de outubro/2001 a dezembro/2001, há resíduos relativos aos respectivos créditos tributários a serem recolhidos ou contestados pelo contribuinte". Ressaltase que a Recorrente manifestouse sobre essa conclusão e informa que está "de acordo" com o resultado apurado pelo Fisco. 4. Dispositivo Diante do acima exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário apresentado, para ser liquidado nos exatos termos como restou consignado no TERMO DE CONCLUSÃO DE DILIGÊNCIA FISCAL prolatada pelo Fisco às fls. 422/424 destes autos. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 446DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002776/2010-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o prequestionamento das matérias recorridas.
Numero da decisão: 9202-006.234
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva, em relação ao recurso do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o prequestionamento das matérias recorridas.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13896.002776/2010-59
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5820845
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.234
nome_arquivo_s : Decisao_13896002776201059.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 13896002776201059_5820845.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva, em relação ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
id : 7085948
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049732818927616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1963; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 558 1 557 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13896.002776/201059 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9202006.234 – 2ª Turma Sessão de 28 de novembro de 2017 Matéria 67.636.4010 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PENALIDADES/RETROATIVIDADE BENIGNA AIOP/AIOA: FATOS GERADORES ANTERIORES À MP Nº 449, DE 2008. 67.622.4022 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EXCLUSÃO SIMPLES APROPRIAÇÃO VALORES RECOLHIDOS. Recorrentes FAZENDA NACIONAL GP SOLUTION SERVIÇOS DE TELEMARKETING LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o prequestionamento das matérias recorridas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 27 76 /2 01 0- 59 Fl. 558DF CARF MF 2 retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva, em relação ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Do auto de infração ao recurso voluntário Trata o presente processo de auto de infração AI, DEBCAD nº 37.311.862 7, à efl. 03, no qual foram constituídos créditos referentes a contribuições a cargo da empresa, parte Patronal, e contribuição da empresa para financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa, destinadas à Seguridade Social, parte Patronal. O crédito lançado tem como base de cálculo dos fatos geradores das contribuições lançadas, as remunerações pagas aos segurados acima citados, obtidas das informações de GFIP's entregues, sendo conferidas com as folhas de pagamento e lançamentos contábeis. Tendo em vista a falta de opção ao regime de tributação pelo SIMPLES em 2006, foram considerados incorretos os códigos de SIMPLES, informados nas GFIP 's. Ao presente processo foram apensados os de números: 13896.002777/2010 01, 13896.002778/201048, e 13896.002781/201061, conforme informado nos termos de apensação às efls. 372, 373 e 376, emitidos em 10/05/2012 . O auto de infração foi cientificado à contribuinte em 09/12/2010 (efl. 127) e constituiu créditos, para o período de 01/2006 a 12/2006, incluindo a competência 13/2006, com multa e juros no valor de R$ 724.740,15, consolidados em 22/11/2010, e tem seu relatório fiscal de infração posto às efls. 24 a 31. O auto de infração foi impugnado, às efls. 137 a 146. Já a 7ª Turma da DRJ/CPS, no acórdão nº 0533.833, prolatado em 26/05/2011, às efls. 282 a 297, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 16/08/2011, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 380 a 410, argumentando, em apertada síntese: Fl. 559DF CARF MF Processo nº 13896.002776/201059 Acórdão n.º 9202006.234 CSRFT2 Fl. 559 3 · a contribuinte se enquadra nos moldes da tributação pelo regime do Simples, efetuou pagamentos de acordo e o Fisco aceitou tais pagamentos sinalizando a aceitação; · que a contribuição não pode incidir sobre o valetransporte, vale refeição e participação nos lucros e resultados; · não concordar com a exigência de inscrição no PAT como requisito para desfrutar da isenção quanto aos valores pagos a título de auxílio alimentação; · que o valetransporte tem natureza indenizatória e não poderia compor a base de cálculo da contribuição previdenciária; · que os valores pagos aos trabalhadores a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) não tem natureza salarial por conta de previsão constitucional; e · quanto ao SAT, argumenta ainda que a definição de grau de risco não poderia ser feita por Decreto. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 10/07/2012, resultando no acórdão 2301003.297, às efls. 166 a 171, que tem as seguintes ementas: NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. EXISTÊNCIA. A alegação genérica de descumprimento de legislação não permite ao contribuinte a compreensão das infrações que lhes são imputadas e provoca o cerceamento de defesa a exigir a nulidade dessa parte do lançamento. OPÇÃO PELO SIMPLES. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DE FORMALIDADES. A opção pelo SIMPLES deve ser feita formalmente pela empresa que cumprir os requisitos legais, não sendo suficiente a realização de pagamentos com base em tal sistemática sem que tenha havido a opção formal. MAJORAÇÃO DA MULTA POR DESATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. APLICAÇÃO A FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. POSSIBILIDADE SOMENTE SE FOR MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. A majoração da multa de ofício prevista no §2º do art. 44 da Lei 9.430/96 só é aplicável no lançamento das contribuições previdenciárias para fatos geradores anteriores a 12/2008 se esta penalidade revelarse mais benéfica ao contribuinte em demonstrativo presente nos autos. Sem a caracterização de benefício ao contribuinte, a multa não pode retroagir. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR Fl. 560DF CARF MF 4 A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em anular o lançamento por vício material, nas rubricas PR, PR1, DD, DD1, VT, VT1, RF e RF1, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento ao recurso; b) em conhecer da questão sobre a multa mais benéfica, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram em não conhecer da questão; c) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; d) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto Fl. 561DF CARF MF Processo nº 13896.002776/201059 Acórdão n.º 9202006.234 CSRFT2 Fl. 560 5 do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao recurso, nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator; c) Por unanimidade de votos: a) em retirar o agravamento da multa, nos termos do voto do Relator. RE da Fazenda A Procuradoria da Fazenda foi intimada do acórdão nº 2301003.297 em 13/01/2014 (efl. 429) e interpôs recurso especial de divergência, em 14/02/2014, às efls. 430 a 441. Em seu recurso, aponta entendimento expresso em acórdãos paradigmas de números: 2401002.453 e 920202.086, que vão de encontro ao recorrido. Segundo a Procuradora, o Colegiado no acórdão recorrido entendeuse que, para os fatos geradores anteriores à vigência da MP nº 449/2008 (convertida na Lei nº 11.941/2009), ao adotarse a multa mais benéfica à contribuinte, devese comparar a nova norma com os artigos a ela anteriores e, em resumo: a) na hipótese de lançamento de ofício de obrigação principal, a comparação deverá ser feita entre a multa por descumprimento de obrigação principal prevista no art. 35, revogado, com o novo art. 35 na Lei nº 8.212/1991, enquanto o art. 35A da Lei deve ser sempre ignorado na comparação entre as multas; b) na hipótese em que houve lançamento de ofício da obrigação principal, bem como lançamento da obrigação acessória, análise da penalidade aplicável deve se fazer de forma totalmente isolada, sustentando, pois ser desnecessária a soma da multa da obrigação principal com a multa da obrigação acessória para efeitos de comparação com o que dispõe o art. 35A da lei nº 8.212/91. Já os acórdãos paradigmas de números: 2401002.453 e 920202.086, vão de encontro a esse entendimento e tratam a matéria com o seguinte entendimento: a) Na hipótese em que houve o lançamento de ofício de obrigação principal, para aferição da penalidade mais benéfica ao contribuinte, o procedimento correto consiste em comparar a multa de mora por descumprimento de obrigação principal prevista na sistemática antiga (art. 35, II) com a multa de mora atualmente prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela MP nº 449/2008). A multa de mora prevista no art. 35 da Lei n. 8.212/91 na atual redação, que faz referência ao art. 61 da Lei n. 9.430/96, não se aplica em casos de lançamento de ofício. b) Na hipótese em que houve lançamento de ofício da obrigação principal, bem como lançamento da obrigação acessória, deve se efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35 e art. 32 da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Fl. 562DF CARF MF 6 Por fim, requer que seja provido o seu recurso especial para reforma do acórdão a quo a fim de que prevaleça a forma de cálculo utilizada pela autoridade fiscal para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa SRF nº 1.027/2010. O RE da Procuradora foi apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, no despacho nº 2300174/2014, às efls. 444 a 448, datado de 27/02/2014, entendendo por lhe dar seguimento, ao vislumbrar similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma e o recurso cumprir os demais requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte Houve encaminhamento de intimação (efl. 454) do acórdão nº 2301 003.297, do recurso especial de divergência da Fazenda e do despacho de admissibilidade 2300174/2014, da qual a contribuinte teve ciência em 26/08/2016 (efl. 457). Em 12/09/2016, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da Procuradoria, às efls. 484 a 507. Preliminarmente, pleiteia a que o referido recurso especial não seja conhecido, em razão de falta de prequestionamento quanto à aplicação de penalidades mais benéficas à luz das alterações legislativas posteriores aos fatos geradores. Ainda nessa seara, afirma que o recurso especial de divergência não apresentou o devido cotejo analítico entre os paradigmas e o recorrido, o que também impediria seu conhecimento, não havendo verdadeira divergência entre eles. Afirma (efl. 495): "...em momento algum o v. acórdão recorrido pautou a aplicação das multas mais benéficas considerando a existência ou não de lançamento de ofício e ausência de recolhimento espontâneo da contribuição previdenciária, pontos tratados nos acórdãos paradigma e não tratados no v. acórdão recorrido. (...) ...o CARF não avaliou ou julgou, no v. acórdão recorrido, qualquer ponto atinente à consideração das penalidades mais benéficas ao contribuinte sob o enfoque do lançamento de ofício realizado." Já quanto ao mérito, afirma que a aplicação de penalidades deve ser mantida conforme o recorrido, pois a interpretação dos paradigmas levaria à aplicação da legislação vigente após a MP nº 449/2008 aos fatos geradores a ela anteriores, haja vista que não havia lançamento de multa de ofício e a multa do art. 32 da legislação antiga só poderia se substituída pela do art. 32A da Lei nº 8.212/1991. Por fim, caso seja considerado procedente o recurso especial que ela combate, quer ver julgados em conjunto este processo e os de nº 13896.002780/201017 e 13896.002779/201092 e que sejam considerados improcedentes por tratarem de multas isoladas por descumprimento de obrigações acessórias, em face da interpretação posta no acórdão nº 920202.086, da qual se conclui que a aplicação da multa do art. 35A abrange de Fl. 563DF CARF MF Processo nº 13896.002776/201059 Acórdão n.º 9202006.234 CSRFT2 Fl. 561 7 forma conjunta o não pagamento do tributo e a não apresentação da declaração ou declaração inexata. Finaliza requerendo o não conhecimento do recurso especial de divergência da Fazenda e, caso conhecido, que seja ele improvido. RE da contribuinte A contribuinte interpôs recurso especial de divergência, também em 12/09/2016, às efls. 459 a 474. Em seu recurso especial o representante da empresa salienta, à efl. 466: No entanto, a despeito de não considerar a Recorrente como optante pelo SIMPLES, o v. acórdão recorrido desconsiderou que os pagamentos realizados sob essa sistemática (art. 3º e 23 da Lei nº 9.317/96) deveriam ser abatidos do montante lançado a título de contribuição previdenciária. Afirma a existência de prequestionamento a respeito da matéria, pois em seu recurso voluntário ao tratar de sua opção pelo Simples teria deixado claro que "a documentação apresentada pela Recorrente não deixa dúvidas de que tenha de fato optado pelo Simples porquanto assim declarou e recolheu todos os tributos pertinentes." Aponta a divergência de entendimentos com base no acórdão nº 240202.565 da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Segunda Seção de Julgamento, que para situação similar entendeu que se deveria deduzir do montante lançado os valores correspondentes à contribuição social, recolhidos pela sistemática do Simples. Invoca também o entendimento expresso na Súmula nº 76 do CARF que dispõe: Súmula CARF nº 76: Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. Afirma ser evidente na legislação a existência de parcela relativa à contribuição social na tributação pelo Simples, bem como a facilidade de sua individualização para deduzíla do lançamento de ofício e não efetuar a dedução em razão de não haver opção formal pelo Simples representaria punir com duas vezes o mesmo fato, o que é vedado em nosso ordenamento jurídico. O RE da contribuinte foi apreciado por este Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de efls. 543 a 548, datado de 09/06/2017, entendendo por darlhe seguimento. Contrarrazões da Procuradoria Em 05/07/2017, A procuradoria da Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões ao recurso especial da contribuinte, às efls. 550 a 555. Fl. 564DF CARF MF 8 Em breve resumo, argumenta pela não admissibilidade do recurso, haja vista inexistir prequestionamento da matéria, pois não foi ela abordada no acórdão recorrido e inexistiu qualquer embargo de declaração para que o colegiado se manifestasse sobre o tema. Além disso, na eventualidade de ser apreciada a matéria, há que se considerar que o valor que se afirma pago referiase a contribuição previdenciária dos segurados, enquanto o lançamento sob testilha era referente à contribuição patronal. Assim, seria impossível o aproveitamento pretendido pela contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Passo a analisar os recursos na ordem em que foram interpostos.. RE da Fazenda Conhecimento O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Quanto aos requisitos para o conhecimento do recurso especial, os argumentos trazidos pela contribuinte em nada alteram o entendimento de que deva ser admitido. Observase de plano que houve demonstração analítica da divergência, até mesmo com descrição de partes dos votos dos paradigmas, que confortam entendimento distinto ao do acórdão recorrido, para situação de fato semelhante. Quanto à alegada falta de prequestionamento, razão não assiste à contribuinte. Com efeito, o requisito de prequestionamento somente é exigido no caso de Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015. E não poderia ser outra a regra, visto que a Fazenda Nacional somente se manifesta nos autos, na qualidade de recorrente, em sede de recurso especial. Para fins de esclarecimento, o referido dispositivo se encontra a seguir reproduzido, na parte que interessa: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ... § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. (grifos na transcrição). Fl. 565DF CARF MF Processo nº 13896.002776/201059 Acórdão n.º 9202006.234 CSRFT2 Fl. 562 9 Outrossim, entendo haver claro prequestionamento da matéria. Salientese que o prequestionamento tem que estar presente no acórdão recorrido, ou seja, tem de haver manifestação específica sobre a matéria e, de fato, tal manifestação está nele explícita, aliás, já se encontra até mesmo na ementa, sendo inclusive esta matéria a mais longamente abordada no voto do relator. Quanto ao pleito para que se julgue em conjunto este processo e os de nº 13896.002780/201017 e 13896.002779/201092, isso não é matéria para contrarrazões, porque ausente do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda e, além disso, nem mesmo pode ser tomado como embargos de declaração no presente processo, pois não atende aos requisitos dos arts. 65 e 66 do RICARF. Assim, considero presentes todos os requisitos para conhecer do recurso especial de divergência da Procuradora. Mérito A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. Fl. 566DF CARF MF 10 A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da Fl. 567DF CARF MF Processo nº 13896.002776/201059 Acórdão n.º 9202006.234 CSRFT2 Fl. 563 11 contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, Fl. 568DF CARF MF 12 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 13896.002776/201059 Acórdão n.º 9202006.234 CSRFT2 Fl. 564 13 ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e Fl. 570DF CARF MF 14 aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a Fl. 571DF CARF MF Processo nº 13896.002776/201059 Acórdão n.º 9202006.234 CSRFT2 Fl. 565 15 publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, há que se aplicar a de retroatividade benigna em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009 e o que se observa na apuração da multa, às efls. 98 e 99, é que foi esse o critério adotado pela fiscalização no presente processo. Por essas razões, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradora e darlhe provimento para reformar o acórdão a quo, retomando o critério utilizado no auto de infração. RE da contribuinte Conhecimento O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. A despeito de ter dado seguimento, originariamente, ao recurso especial, em face dos argumentos da Procuradoria da Fazenda em contrarrazões, na análise agora realizada para prolação do acórdão, me vejo forçado a rever minha posição. Compulsando o acórdão a quo, nele não se encontra qualquer manifestação quanto à dedutibilidade dos valores de contribuições pagas pela sistemática do Simples e isso revela a falta de prequestionamento da matéria, para que seja enfrentada em sede de recurso especial. Ainda que, como mera especulação e como deseja a contribuinte, se acatasse a tese de que o prequestionamento foi implícito por estar presente no recurso voluntário e não na decisão, o que não se admite nos tribunais judiciários, ela não teria razão, pois ao afirmar que em seu recurso voluntário realizou este prequestionamento, se equivocou. Transcrevese do seu recurso, à efl. 383: Ora, a documentação apresentada pela Recorrente não deixa dúvidas de que tenha de fato optado pelo Simples porquanto assim declarou e recolheu todos os tributos pertinentes, o que Fl. 572DF CARF MF 16 impõe seja declarada a improcedência da autuação e a sua reforma por meio do presente recurso. (Negritei.) É evidente que ela lá se reportava a razões para que o lançamento fosse considerado improcedente, não para que fosse ele corrigido por qualquer dedução de valores eventualmente pagos. Claramente, em momento algum, antes do recurso especial, existe tal argumento. E, ainda que entendesse ter havido equívoco na decisão recorrida, por não ter sido considerado o pedido acima referido (de improcedência do lançamento por conta de recolhimentos) como um pedido implícito de imputação dos valores recolhidos aos tributos devidos, deveriam ter sido manejados embargos de declaração, com alegação de omissão quanto a esse suposto pedido implícito. Em outras palavras, para que houvesse possibilidade de apreciação dessa matéria, haveria a contribuinte ao menos que manejar embargos de declaração sobre a matéria e só a partir do resultado dos embargos poderia almejar a existência de prequestionamento que permitisse o conhecimento do recurso especial de divergência que agora é interposto. Como nada disso ocorreu, revejo minha posição e voto para não conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por: a) conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional, para darlhe provimento e reformar o acórdão a quo, devendo a DRF de jurisdição da contribuinte seguir as disposições da Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, no momento da cobrança dos débitos ; e b) não conhecer do recurso da contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 573DF CARF MF Processo nº 13896.002776/201059 Acórdão n.º 9202006.234 CSRFT2 Fl. 566 17 Fl. 574DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11030.001770/2009-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11030.001770/2009-85
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5789433
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.728
nome_arquivo_s : Decisao_11030001770200985.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11030001770200985_5789433.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6987458
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049732883939328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1627; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11030.001770/200985 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.728 – 2ª Turma Sessão de 30 de agosto de 2017 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA MISTA TRAB AUTÔNOMOS ALTO URUGUAI ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 17 70 /2 00 9- 85 Fl. 294DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.225.7615, Código de Fundamentação Legal nº 68, lavrado contra o contribuinte identificado acima em decorrência de infringência ao art. 32, IV e §5° da Lei nº 8212/91 c/c o artigo 225, IV, §4° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, em razão de ter a empresa apresentado GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 01/2004 a 11/2008.. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS julgado a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário apurado. Importante salientar que a DRJ Santa Maria/RS proferiu acórdão conjunto de parcial procedência para os processos nºs 11030.001768/200914 (DEBCAD nº 37.225.7631 – processo principal), 11030.001769/2009 51 (DEBCAD nº 37.225.7593 – processo apensado) e 11030.001770200985 (DEBCAD nº 37.225.7615 – processo apensado). Assim, quando do julgamento do processo principal nº 11030.001768/2009 14 no CARF, restou o acórdão 2403000.453, prolatado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara em 16/03/2011. Houve dúvida se o mesmo também referiase aos outros dois processos apensados, como havia procedido a DRJ Santa Maria/RS. Em Despacho de nº 2403.056, de 02/09/2013 (fl.150), o relator do processo principal informou que tal acórdão referiase exclusivamente ao processo principal de nº 11030.001768/200914. Assim, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário referente a esse processo especificamente, sendo os autos encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 11/09/2014, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.741, com o seguinte resultado: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.” O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2008 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 9202005.728 CSRFT2 Fl. 3 3 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A decisão deve ser tomada com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. A Administração tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 02/12/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 22/12/2015, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400009, da 4ª Câmara, de 23/03/2015. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2403002.741, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 16/07/2015, o contribuinte não apresentou contrarrazões, nem Recurso Especial da parte que lhe foi desfavorável no acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 296DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 223. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Primeiramente, convém lembrar que o recurso especial ora sob análise é de autoria da Fazenda Nacional, o que impede a este colegiado, sejam apreciadas questões de mérito trazidas pelo sujeito passivo em sede de contrarrazões que ultrapassem a matéria objeto do recurso. Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido, restabelecendo a multa lançada, entendo que razão assiste ao recorrente. Vejamos o decisum que determinou o recálculo da multa: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Andrea Brose Adolfo e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; b)em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei nº 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, nos termos do voto do Relator (...). Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 9202005.728 CSRFT2 Fl. 4 5 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 298DF CARF MF 6 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 9202005.728 CSRFT2 Fl. 5 7 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 300DF CARF MF 8 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 9202005.728 CSRFT2 Fl. 6 9 do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 302DF CARF MF 10 § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, assim como já realizado no próprio lançamento fiscal, já que efetuado sob o égide da nova lei. Por fim, apenas para esclarecimento à Unidade Preparadora, o lançamento em questão não se refere a contribuição de 15% pela contratação de cooperativas de trabalho, o que foi alvo de declaração de inconstitucionalidade por parte do Supremo Tribunal Federal STF analisando o recurso extraordinário (re) 595838, com repercussão geral reconhecida, mas sim a multa pela ausência de informações em GFIP sobre fatos geradores devidos pela cooperativa de trabalho em relação a contratações diretas, o que a coloca na situação de equiparada a "empresa". Senão vejamos termos do relatório fiscal: 4.2 O lançamento consubstanciado no presente Auto de Infração resultou da constatação pela fiscalização de fatos que demonstram que a relação estabelecida entre a COMTAU e os seus associados é de natureza empregatícia não obstante o rótulo de cooperativa de trabalho formalmente outorgado à empresa pois presentes os requisitos inerentes da relação de emprego. Esta constatação é corroborada por várias sentenças proferidas em processos de reclamatórias trabalhistas movidos por trabalhadores que lhe prestaram serviço no período do lançamento fiscal e tiveram os vínculos reconhecidos pela Justiça do Trabalho nas mais diversas varas. Os fatos estão demonstrados no relatório fiscal do Auto de Infração AI DEBCAD 37.225.7631 onde foi constituído o crédito referente ã obrigação principal. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11030.001770/200985 Acórdão n.º 9202005.728 CSRFT2 Fl. 7 11 4.4 — Os nomes dos segurados e as remunerações recebidas pelos mesmos, bem como bases de cálculo apuradas e que foram utilizadas para cálculo do valor omitido encontramse no anexo VIII apensado ao processo principal. 4.5 — Portanto os valores apurados pela fiscalização e que foram lançados no Auto de Infração AI DEBCAD 37.225.7631 não estão informados em GFIP conforme prevê a Lei 8.212/91, art.32, inc. IV e § 6°,acrescido pela Lei 9.528/97, c/c art. 225, IV e § 40 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.038/99. 4.6 Os elementos de provas que respaldam o lançamento efetuado neste Auto de Infração, por serem os mesmos, estão anexados ao processo principal AI DEBCAD 37.225.7631 no qual foi constituído o crédito referente às contribuições sociais previdenciárias. O presente Auto de Infração está apensado ao processo principal devido à razão citada. Porém, mostrase igualmente relevante destacar que a multa ora lançada tem estreita ligação com o processo nº 11030.001768/200914, DEBCAD no 37.225.7631, referente a obrigação principal, já julgado, sendo que, assim como descrito na parte dispositiva, a multa deve ser recalculada observando os termos decididos na obrigação principal Accórdão 240300.453. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002027/2003-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário: 2002, 2003, 2004
IRRF. COMPROVAÇÃO.
Comprovada pela Receita Federal do Brasil, após realização de diligência, a retenção do Imposto de Renda Retido por Órgão Público, objeto do litígio, é cabível o reconhecimento do direito creditório dela decorrente para fins da restituição/compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1401-000.579
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sala de Sessões, em 27 de maio de 2011.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2002, 2003, 2004 IRRF. COMPROVAÇÃO. Comprovada pela Receita Federal do Brasil, após realização de diligência, a retenção do Imposto de Renda Retido por Órgão Público, objeto do litígio, é cabível o reconhecimento do direito creditório dela decorrente para fins da restituição/compensação pleiteada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 11516.002027/2003-02
conteudo_id_s : 5821113
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.579
nome_arquivo_s : Decisao_11516002027200302.pdf
nome_relator_s : Eduardo Martins Neiva Monteiro
nome_arquivo_pdf_s : 11516002027200302_5821113.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sala de Sessões, em 27 de maio de 2011.
dt_sessao_tdt : Fri May 27 00:00:00 UTC 2011
id : 7085963
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049732933222400
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1557; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 243 1 242 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.002027/200302 Recurso nº 171.498 Voluntário Acórdão nº 140100.579 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de maio de 2011 Matéria PER/DCOMP Recorrente SANTA CATARINA PARTICIPAÇÃO E INVESTIMENTO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 IRRF. COMPROVAÇÃO. Comprovada pela Receita Federal do Brasil, após realização de diligência, a retenção do Imposto de Renda Retido por Órgão Público, objeto do litígio, é cabível o reconhecimento do direito creditório dela decorrente para fins da restituição/compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Sala de Sessões, em 27 de maio de 2011. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11516.002027/200302 Acórdão n.º 140100.579 S1C4T1 Fl. 244 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição protocolizado em 04/09/03, inicialmente formulado nos seguintes termos: “Imposto de Renda Retido na Fonte sobre aplicações financeiras no Fundo Inv. Fin – Dívida Pública Estadual – FAE, referentes aos exercícios de 2002 e 1º semestre de 2003” (fl.01). A Seção de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis passou a tratar o pleito como decorrente de saldo negativo de IRPJ. Além disso, esclareceu: “Os pedidos de restituição e compensação/DCOMP que tramitavam nesta seção, através de outros processos, de interesse deste contribuinte, foram anexados ao presente processo (fls. 84), em cumprimento à disposição da Portaria SRF no 6.129, de 2 de dezembro de 2005, no sentido de que serão objeto de um único processo administrativo os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas.” Em 01/03/07, por meio de Despacho Decisório (fls.163/168), houve reconhecimento parcial do direito creditório, no montante de R$ 98.688,73, tendo sido homologadas as compensações até tal limite. Quanto ao valor do Imposto de Renda Retido na Fonte por Órgão Público Federal no 4º trimestre de 2003 (R$538.395,88), “...Em consulta ao sistema SIEF/DIRF foi verificado que não consta que o interessado constitua o beneficiário de tal retenção, tampouco a citada Fonte Pagadora, segundo o mencionado sistema, promoveu a retenção requerida. Destarte, não foi comprovado mediante DIRF o IRRF por Órgão Público”. Na Manifestação de Inconformidade (fls.178/180) reafirmouse tal retenção na fonte, tendo o contribuinte anexado suposto comprovante de rendimentos, sem assinatura da fonte pagadora e em desconformidade com o modelo estabelecido na Instrução Normativa SRF nº 41, de 22/04/98, ao tempo em que requereu: “Intimação da CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA – CELESC – 83.878.892/000155 com o objetivo de sanar as irregularidades existentes, para comprovar o recolhimento e/ou retificar a DIRF dos Anoscalendário 2003 (R$538.395,88), (...), identificando como beneficiária a INVESC – CNPJ 00.897.864/000158 com código de retenção 5706 (Juros sobre o capital próprio da Empresa CELESC), conforme comprovante de rendimentos pagos ou creditados e de retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica (cópias anexas)”. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11516.002027/200302 Acórdão n.º 140100.579 S1C4T1 Fl. 245 3 Em primeira instância mantevese a decisão da DRF – Florianópolis (SC), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.199/205): COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO – LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para ensejarem compensação como forma de extinção da obrigação tributária, devem estar revestidos de liquidez e certeza. Assim, os tributos e contribuições sociais retidos na fonte sobre quaisquer rendimentos poderão ser utilizados para fins de compensação ou restituição, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. PEDIDO DE DILIGÊNCIA – INDEFERIMENTO. A diligência não se presta a suprir omissão do contribuinte na produção de provas que tinha obrigação de trazer aos autos. No Recurso Voluntário (fls.210/211) objetivamente aduziuse: “1 – Considerando os termos do último parágrafo do acórdão, alegando ausência de comprovação da retenção e recolhimento dos valores requeridos para restituição, anexamos ao presente recurso cópia assinada dos Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – Pessoa Jurídica, dos anos – calendários de 2003, 2004, 2005 e 2006. 2 – Declaração assinada pelo Chefe do Departamento de Contabilidade Financeira das Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A, informando sobre a retificação da DIRF, dos exercícios de 2003, 2004, 2005 e 2006, relativo aos valores retidos e informados nos comprovantes acima citados. 3 – Cópia dos DARFs para comprovar o efetivo recolhimento das retenções efetuadas.” Na sessão de julgamento realizada em 02/09/2010, o colegiado converteu o julgamento em diligência com os seguintes comandos dirigidos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis (SC): a) confirme se a recorrente e as demais pessoas arroladas à fl.221 constam como beneficiárias de DIRF – Retificadora relativa ao anocalendário 2003, apresentada por Centrais Elétricas de Santa Catarina S.A (CNPJ nº 83.878,892/000155); b) confirme o recolhimento no valor de R$ 1.972.710,80 (fl.213), bem como, perante a respectiva pessoa jurídica, a emissão do Informe de Rendimentos (fl.216) e da Declaração (fl.212) acostados pelo recorrente; c) adote medidas outras que entender pertinentes ao deslinde da controvérsia; d) descreva, em relatório circunstanciado, todas as providências adotadas; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11516.002027/200302 Acórdão n.º 140100.579 S1C4T1 Fl. 246 4 e) cientifique o interessado do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. Aquela unidade da Receita Federal produziu o Relatório de fls.238/239. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. De acordo com relatório supra, o litígio resumese à comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte por Órgão Público, relativo ao 4º trimestre de 2003, supostamente retido por Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A, no montante de R$538.395,88, não aceito pelas instâncias inferiores. Com o recurso voluntário foram trazidos aos autos informes de rendimentos, DARFs e declarações que teriam sido emitidas pelo Departamento de Contabilidade Financeira daquela sociedade, em que se noticia inclusive a retificação das Declarações de Impostos Retidos na Fonte – DIRF antes da decisão de primeira instância, o que motivou a conversão do julgamento em diligência para que a Receita Federal do Brasil se pronunciasse sobre a documentação. De acordo com o relatório decorrente da diligência realizada, concluiuse pela confirmação das informações do recorrente, ou seja, pela comprovação da retenção no valor de R$ 538.395,90. In verbis: “(...) Tendo em vista os documentos apresentados pelo contribuinte em seu recurso, a 1ª Seção da 4ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determinou a conversão do julgamento em diligência, solicitando à Delegacia de Receita Federal do Brasil em Florianópolis, as informações listadas a fls. 225, razão pela qual é realizado o presente relatório. Foi verificado que, quando da emissão do Despacho Decisório por este SEORT, a requerente não constava como beneficiária de retenção de Juros sobre Capital Próprio (Cod. Receita 5706) na DIRF ativa (Recibo nº 18.13.83.75.5077) da declarante Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A, referente ao mês de dezembro de 2003, conforme documento juntado a fls. 227/228. Posteriormente, a declarante ingressou com 02 (duas) DIRF retificadoras, em 02/10/2007 e 07/11/2007 (fls.233/234). A DIRF ativa (fls.234), transmitida em 07/11/2007, informa como beneficiários da referida retenção os contribuintes a seguir listados: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11516.002027/200302 Acórdão n.º 140100.579 S1C4T1 Fl. 247 5 CNPJ/CPF NOME EMPRESARIAL / NOME CÓDIGO DE RECEITA RENDIMENTO TRIBUTÁVEL (R$) IMPOSTO RETIDO (R$) 00.001.180/000207 Centrais Elét. Do Brasil S/A 5706 3.124.471,70 468.670,76 683.534.86987 Márcia Regina Probst 5706 65.079,40 10.239,81 00.897.864/000158 Santa Catarina Part. Invest. 5706 3.589.305,98 538.395,90 33.754.482/000124 Cia Bras de Liquid. e Custódia 5706 15.784.369,67 941.348,21 Total 22.563.226,75 1.958.654,68 Considerando a tabela supra, verificase que há divergências entre o valor informado em DIRF e aquele listado no documento de fls. 221 para a beneficiária Márcia Regina Probst, e também em relação ao montante retido informado. A diferença reside na linha "outros”, listada na tabela de fls. 221 (R$14.228,72) e na beneficiária mencionada. No que concerne à contribuinte cujo crédito é analisado pelo presente processo, os valores foram confirmados. Apesar das divergências acima apresentadas, em consulta ao sistema DCTF foi constatado que a DCTF ativa (ND 1000.000.2009.1770480080) declara o montante de R$1.972.710,80, como informado pelo contribuinte no documento de fls. 221, restando a ínfima diferença de R$ 0,15, declarado a maior em DCTF. Da mesma forma, foi confirmado o recolhimento juntado a fls. 213, que se encontra totalmente vinculado ao débito declarado em DCTF (vide fls.236/237). Ante os fatos acima expostos opinamos ser procedente as alegações do contribuinte no que diz respeito à comprovação do Imposto de Renda retido na Fonte sobre Juros sobre o Capital Próprio (Cód. Receita 5706), no valor de R$ 538.395,90 (quinhentos e trinta e oito mil, trezentos e noventa e cinco reais e noventa centavos), relativo ao mês de dezembro de 2003, pela declarante Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A, CNPJ n° 83.878.892/000155.” (destaquei) Pelo exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para reconhecer o IRRF no valor de R$ 538.395,90, relativo ao 4º trimestre de 2003, e o direito creditório dele decorrente. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 22/06/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 06/07/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 10835.004312/2008-99
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10835.004312/2008-99
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805740
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-006.086
nome_arquivo_s : Decisao_10835004312200899.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10835004312200899_5805740.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7052387
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049732965728256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2049; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10835.004312/200899 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.086 – 2ª Turma Sessão de 25 de outubro de 2017 Matéria CSP RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CALIMAN & CIA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 43 12 /2 00 8- 99 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10835.004312/200899 Acórdão n.º 9202006.086 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10835.004312/200899 Acórdão n.º 9202006.086 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10835.004312/200899 Acórdão n.º 9202006.086 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10835.004312/200899 Acórdão n.º 9202006.086 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10835.004312/200899 Acórdão n.º 9202006.086 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10835.004312/200899 Acórdão n.º 9202006.086 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10835.004312/200899 Acórdão n.º 9202006.086 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
