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Numero do processo: 10880.914221/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2000
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-006.155
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2000 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 42 21 /2 00 9- 07 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10880.914221/200907 Acórdão n.º 3402006.155 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1630.039, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP, que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação pretendida. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Com fulcro na Lei 9.430/96 e alterações posteriores, apresentou diversos pedidos de compensação de créditos tributários oriundos de pagamento indevidos de tributos, os quais foram utilizados para compensação de débitos tributários decorrentes de suas atividades empresariais; ii) O agente administrativo limitouse a lançar um despacho padronizado indeferindo as compensações sob o argumento de que não existia o crédito perseguido pelo contribuinte; iii) Em nenhum momento foi propiciado à Recorrente a oportunidade de demonstrar o seu crédito, se limitando a Autoridade Administrativa a consultar os sistemas informatizados do próprio Fisco; iv) O julgado foi precipitado e invocou como fundamento o fato (verdadeiro) que para homologar as compensações é imprescindível a demonstração pelo contribuinte da "liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas."; v) O objeto do presente processo administrativo é justamente garantir ao contribuinte a oportunidade de demonstrar a liquidez e certeza de seus créditos. Todavia, da maneira em que conduzido o processo não está sendo permitido ao contribuinte demonstrar o seu crédito e usase a falta dessa prova para indeferir o pedido. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.914221/200907 Acórdão n.º 3402006.155 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.148, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.686726/200968, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.148): "Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório o recurso é tempestivo, bem como o preenche os demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Mérito Da análise dos autos, constatase que o objeto principal deste litígio se resume ao ônus da prova sobre o direito creditório perseguido pela Contribuinte. Cabe observar que a origem da base de cálculo do crédito e inconstitucionalidade do artigo 3°, § 2°, inciso III da Lei 9.718/98 não é ponto controvertido a ser analisado, uma vez que não foi a razão do indeferimento e tampouco matéria enfrentada em razões recursais. Em síntese, o argumento principal da parte em Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário versa sobre a conclusão da Autoridade Administrativa pela inexistência do crédito "sem sequer solicitar ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito utilizado na compensação". A Contribuinte havia requerido em Manifestação de Inconformidade a anulação do despacho decisório e a determinação para que a Autoridade Fiscal efetuasse as diligências necessárias para comprovar a origem e a existência do crédito utilizado nas compensações ou, alternativamente, a homologação da compensação efetuada. Por sua vez, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância salientou que a compensação que se pretende é a proveniente de lançamento por homologação, em que o Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.914221/200907 Acórdão n.º 3402006.155 S3C4T2 Fl. 0 4 contribuinte apura por sua conta e risco o valor a ser restituído e efetua a compensação, incumbindo ao Fisco verificar se o encontro de contas foi realizado corretamente ou não, consoante o artigo 66 da Lei n° 8.383/1991. Com efeito, em razão da busca pela verdade material, sempre deverá prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para comprovação do direito pleiteado. Constatase que a Recorrente instruiu tanto a manifestação de Inconformidade quanto o Recurso Voluntário apenas com o instrumento de procuração, identificação da procuradora, cópias das decisões recorridas, identificação dos sócios proprietários e atos constitutivos da empresa. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente em nenhum momento anexou aos autos quaisquer documentos e/ou planilhas de apuração, tampouco apresentou retificação da DCTF para demonstrar o crédito perseguido. Ou seja, não há nos autos sequer um indício da existência de tal crédito. Aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 9303007.218, proferido pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais1. Com isso, está correta a decisão de primeira instância. Dispositivo Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.914221/200907 Acórdão n.º 3402006.155 S3C4T2 Fl. 0 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907464/2012-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
Numero da decisão: 2202-004.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 74 64 /2 01 2- 62 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10920.907464/201262 Acórdão n.º 2202004.977 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis / SC – DRJ/FNS, que considerou improcedente, por unanimidade de votos, manifestação de inconformidade do contribuinte em face de Despacho Decisório eletrônico que não homologou compensação informada em PER/DCOMP. 2. A seguir reproduzse o relatório do Acórdão da DRJ/FNS , o qual retrata adequadamente os fatos ocorridos. Relatório (...) Por intermédio de DESPACHO DECISÓRIO eletrônico a autoridade administrativa assim se manifestou: "Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN)." A Contribuinte – em sua contestação – alega ter efetuado “pagamento indevido ou a maior”, em recolhimento operado com o código de arrecadação 0481 – JUROS E COMISSÕES EM GERAL. Diz que, desde sua fundação, em 2000, “foi obtendo de sua sócia majoritária italiana, remessas para sua ampliação, os quais foram sendo tratados como dívida em aberto e com incidência de juros, sem prefixação de data para devolução do principal e juros incidentes.”. Mais adiante afirma que os valores devidos foram convertidos em “aumento de capital da sociedade Marcegaglia do Brasil Ltda.” Aduz que o Banco Central do Brasil exigiu a prova do pagamento do imposto de renda na fonte incidente sobre remessas ao exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962: Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10920.907464/201262 Acórdão n.º 2202004.977 S2C2T2 Fl. 4 3 Art. 9º As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferências para o exterior a título de lucros, dividendos, juros, amortizações, royalties assistência técnica científica, administrativa e semelhantes, deverão submeter aos órgãos competentes da SUMOC e da Divisão do Impôsto sôbre a Renda, os contratos e documentos que forem considerados necessários para justificar a remessa.(Redação dada pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964)(Vide Decreto nº § 1º As remessas para o exterior dependem do registro da emprêsa na SUMOC e d eprova de pagamento do impôsto de renda que fôr devido.(Renumerado pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) (...) § 3º No caso previsto pelo parágrafo anterior, as transferências sempre dependerão de prova de quitação do Impôsto de Renda.(Incluído pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) Diz que operou o recolhimento do IRRF “sem questionar a existência ou não do fato gerador para a incidência da tributação do imposto de renda, na espécie, são: ‘as remessas para o exterior’.” Entende que, se não houve remessa ao exterior, em razão de haver sido convertida em capital a dívida então existente, não há fato gerador do referido tributo. Em razão disso requer o reconhecimento do indébito e o deferimento de “ressarcimento” dos valores pagos. 3. A DRJ/FNS considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos da Ementa da decisão abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A conversão dos juros de empréstimos em participação no capital social de empresa brasileira por pessoa jurídica com sede no exterior constitui fato gerador do IRRF, art. 702 do RIR/99, na medida em que configura quitação da dívida por compensação de maneira equivalente, o que também pode ser definido como pagamento 4. Destaquemse também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/FNS: (...) De início, para esclarecimento, é bom que se diga que o Despacho Decisório eletrônico considerou a inexistência do crédito em razão de haver a vinculação na DCTF, do pagamento com o respectivo débito. (...) Quanto a este fato – exigência do Banco Central do Brasil – da prova do pagamento do IRRF, é prevista no art. 880, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10920.907464/201262 Acórdão n.º 2202004.977 S2C2T2 Fl. 5 4 Art.880. O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do País, sem a prova de pagamento do imposto (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 125, parágrafo único, alínea "c", e Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, art. 57, parágrafo único). Parágrafo único.Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato. Como se vê, o parágrafo único vem relativizar tal exigência, autorizando a entrega de declaração que comprove a isenção, dispensa ou não incidência. Não há nos autos prova de apresentação de tal declaração ao BCB. (...) Ocorre que em 19 de junho de 2008, em reunião na sede da quotista majoritária, Marcegaglia S.p.A, na cidade de Gazoldo Degli Ippoliti – Itália, restou decidido que os empréstimos então concedidos seriam convertidos em participação societária. A Contribuinte entende que em não havendo remessa – dos juros – ao exterior não teria ocorrido hipótese de incidência do IRRF, pois, subentende que a remessa ao exterior é elementar da hipótese de incidência, e, portanto, razão pela qual não teria emergido o fato gerador. Em análise ao texto legal que veicula a norma de incidência tributária em questão, há que se discordar da Impugnante: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Primeiro registro a fazer referese à multiplicidade de ações que o legislador empregou para expressar a tipicidade tributária. Percebese que a remessa ao exterior é uma das hipóteses. Pagar, creditar, entregar ou empregar importâncias ao exterior, a título de juros, também constituem fatos imponíveis da obrigação tributária em exame. Portanto, em conformidade com o art. 702 do RIR/99, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento,crédito, entrega, emprego ou remessa, desses fatos, o que ocorrer primeiro. (...) Pagar juros ao exterior, neste contexto legal, significa adimplir a obrigação de pagar juros a pessoa domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento, de modo que pode haver incidência do imposto, inclusive, sem que em nenhum momento haja a efetiva remessa de recursos ao exterior. Além disso, não se pode perder de vista o interesse jurídico tributário subjacente à norma de incidência do IRRF. O interesse jurídico em questão é o rendimento de pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte situada no País, independentemente de esse rendimento auferido ter sido, ou não, remetido ao exterior. A remessa ao exterior não é a única elementar da incidência tributária em exame. (...) Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10920.907464/201262 Acórdão n.º 2202004.977 S2C2T2 Fl. 6 5 No presente caso, a pessoa jurídica credora dos empréstimos optou por empregálos – incluídos aí dos juros – no aumento de sua participação do capital a empresa brasileira. A capitalização dos empréstimos pode ser entendida como quitação ou pagamento da dívida, com juros. O ato de pagar pode ser também compreendido como compensação de maneira equivalente de benefícios econômicos. (...) Posto isto, podese afirmar que houve sim a ocorrência de fato gerador [pagamento de juros] para a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte e que, desta forma, eram sim devidas as importâncias cuja restituição era pleiteada pela Contribuinte. Manifestome pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. 5. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte repisa as questões trazidas na Manifestação de Inconformidade e infere ter comprovado do direito creditório pleiteado, uma vez que à época realizou o recolhimento integralmente, de forma equivocada. 6. Requer, por fim, que seja acolhido o recurso com o reconhecimento do indébito, e o deferimento de ressarcimento pelos meios disponíveis. 7. É o relatório." Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10920.907464/201262 Acórdão n.º 2202004.977 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON – Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Ressalto que a recorrente não levanta questões preliminares. 10. Quanto ao Mérito, entendo que não existe razão ao pleito da recorrente e não há motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação. 12. Não obstante a contribuinte argüir no sentido de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte foi equivocado, por apenas ter aplicado valores de empréstimos no aumento de seu capital, que a seu ver não seria equiparável às remessas ao exterior, para comprovação do alegado deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas alegações sobre as operações. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, e não apenas Ata de Reunião de Sócios Quotistas e Alteração e Consolidação do Contrato Social, conforme realizado. 13 No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10920.907464/201262 Acórdão n.º 2202004.977 S2C2T2 Fl. 8 7 que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. 14. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, como não resta o crédito devidamente comprovado nestes autos, entendo por não haver motivos para a reforma do Acórdão da DRJ e por não reconhecer o indébito. Conclusão 15. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima." Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON– Relator Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13890.720002/2018-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
Numero da decisão: 2002-000.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente ROBERTO LOPES DE MORAES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 0. 72 00 02 /2 01 8- 11 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13890.720002/201811 Acórdão n.º 2002000.859 S2C0T2 Fl. 48 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 6/10), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2013. A autuação implicou na redução do imposto a restituir de R$42.063,45 para R$1.375,01. Em decorrência da falta de apresentação de laudo médico emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, Distrito Federal ou Município, que atestasse a moléstia grave para fins de isenção do IR, a autuação noticia a omissão de rendimentos tributáveis, no valor de R$207.023,83. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 20/2/2018, a NL foi objeto de impugnação, em 20/3/2018, às fls. 4/16 dos autos, na qual o contribuinte afirmou que os rendimentos seriam provenientes de aposentadoria de portador de moléstia grave e que naquela ocasião juntava laudo pericial que o comprovaria. A impugnação foi apreciada na 20ª Turma da DRJ/RJO que, por unanimidade, julgoua improcedente (fls. 30/33). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 27/8/2018 (fl. 35), o contribuinte, em 26/9/2018 (fl. 38), apresentou recurso voluntário, às fls. 38/42, no qual indica a juntada de novo laudo, de forma a sanar a falha apontada pela DRJ, de que o documento anterior juntado não consignava a data de sua emissão. Ressalta que se trata de laudo emitido por serviço médico oficial do Município de Rio Claro. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio versa sobre a omissão de rendimentos. O recorrente não concorda com tal infração, argumentando que seria isento do IR, por ser portadora de moléstia grave prevista em lei. A autuação consigna que não foi apresentado laudo médico oficial de forma a atestar a existência da moléstia grave. Na apreciação da impugnação, a DRJ registra: Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13890.720002/201811 Acórdão n.º 2002000.859 S2C0T2 Fl. 49 3 No presente caso, o interessado traz ao processo cópia de laudo pericial (fl.15) e outros documentos (fls. 11/14), que se revelam insuficientes, à vista do laudo se encontrar não datado, para comprovar que os rendimentos em questão, no valor de R$ 207.023,83, pagos ao contribuinte no anocalendário de 2013 pela entidade SÃO PAULO PREVIDÊNCIA – SPPRE (09.041.213/000136) corresponderiam a rendimentos isentos. Sobre essa matéria, trago a Súmula CARF nº 63, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Quanto à natureza dos rendimentos, não houve questionamento, seja pela autuação, seja pela DRJ. De qualquer forma, registro que os documentos de fls. 13 e 14 registram sua condição de aposentado, bem como seu comprovante de rendimento consigna a existência de parcela isenta de aposentadoria (fl.12). Em seu recurso, o recorrente junta novo laudo médico emitido por serviço médico oficial do Município de São Paulo, que atesta ser ele portador de cardiopatia grave desde 30/5/2012 (fl.40). Dessa feita, é de se reconhecer à isenção para os rendimentos auferidos pelo recorrente, sendo de se cancelar a omissão de rendimentos apontada na autuação. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907457/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
Numero da decisão: 2202-004.970
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
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IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 74 57 /2 01 2- 61 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10920.907457/201261 Acórdão n.º 2202004.970 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis / SC – DRJ/FNS, que considerou improcedente, por unanimidade de votos, manifestação de inconformidade do contribuinte em face de Despacho Decisório eletrônico que não homologou compensação informada em PER/DCOMP. 2. A seguir reproduzse o relatório do Acórdão da DRJ/FNS , o qual retrata adequadamente os fatos ocorridos. Relatório (...) Por intermédio de DESPACHO DECISÓRIO eletrônico a autoridade administrativa assim se manifestou: "Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN)." A Contribuinte – em sua contestação – alega ter efetuado “pagamento indevido ou a maior”, em recolhimento operado com o código de arrecadação 0481 – JUROS E COMISSÕES EM GERAL. Diz que, desde sua fundação, em 2000, “foi obtendo de sua sócia majoritária italiana, remessas para sua ampliação, os quais foram sendo tratados como dívida em aberto e com incidência de juros, sem prefixação de data para devolução do principal e juros incidentes.”. Mais adiante afirma que os valores devidos foram convertidos em “aumento de capital da sociedade Marcegaglia do Brasil Ltda.” Aduz que o Banco Central do Brasil exigiu a prova do pagamento do imposto de renda na fonte incidente sobre remessas ao exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10920.907457/201261 Acórdão n.º 2202004.970 S2C2T2 Fl. 4 3 Art. 9º As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferências para o exterior a título de lucros, dividendos, juros, amortizações, royalties assistência técnica científica, administrativa e semelhantes, deverão submeter aos órgãos competentes da SUMOC e da Divisão do Impôsto sôbre a Renda, os contratos e documentos que forem considerados necessários para justificar a remessa.(Redação dada pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964)(Vide Decreto nº § 1º As remessas para o exterior dependem do registro da emprêsa na SUMOC e d eprova de pagamento do impôsto de renda que fôr devido.(Renumerado pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) (...) § 3º No caso previsto pelo parágrafo anterior, as transferências sempre dependerão de prova de quitação do Impôsto de Renda.(Incluído pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) Diz que operou o recolhimento do IRRF “sem questionar a existência ou não do fato gerador para a incidência da tributação do imposto de renda, na espécie, são: ‘as remessas para o exterior’.” Entende que, se não houve remessa ao exterior, em razão de haver sido convertida em capital a dívida então existente, não há fato gerador do referido tributo. Em razão disso requer o reconhecimento do indébito e o deferimento de “ressarcimento” dos valores pagos. 3. A DRJ/FNS considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos da Ementa da decisão abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A conversão dos juros de empréstimos em participação no capital social de empresa brasileira por pessoa jurídica com sede no exterior constitui fato gerador do IRRF, art. 702 do RIR/99, na medida em que configura quitação da dívida por compensação de maneira equivalente, o que também pode ser definido como pagamento 4. Destaquemse também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/FNS: (...) De início, para esclarecimento, é bom que se diga que o Despacho Decisório eletrônico considerou a inexistência do crédito em razão de haver a vinculação na DCTF, do pagamento com o respectivo débito. (...) Quanto a este fato – exigência do Banco Central do Brasil – da prova do pagamento do IRRF, é prevista no art. 880, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10920.907457/201261 Acórdão n.º 2202004.970 S2C2T2 Fl. 5 4 Art.880. O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do País, sem a prova de pagamento do imposto (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 125, parágrafo único, alínea "c", e Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, art. 57, parágrafo único). Parágrafo único.Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato. Como se vê, o parágrafo único vem relativizar tal exigência, autorizando a entrega de declaração que comprove a isenção, dispensa ou não incidência. Não há nos autos prova de apresentação de tal declaração ao BCB. (...) Ocorre que em 19 de junho de 2008, em reunião na sede da quotista majoritária, Marcegaglia S.p.A, na cidade de Gazoldo Degli Ippoliti – Itália, restou decidido que os empréstimos então concedidos seriam convertidos em participação societária. A Contribuinte entende que em não havendo remessa – dos juros – ao exterior não teria ocorrido hipótese de incidência do IRRF, pois, subentende que a remessa ao exterior é elementar da hipótese de incidência, e, portanto, razão pela qual não teria emergido o fato gerador. Em análise ao texto legal que veicula a norma de incidência tributária em questão, há que se discordar da Impugnante: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Primeiro registro a fazer referese à multiplicidade de ações que o legislador empregou para expressar a tipicidade tributária. Percebese que a remessa ao exterior é uma das hipóteses. Pagar, creditar, entregar ou empregar importâncias ao exterior, a título de juros, também constituem fatos imponíveis da obrigação tributária em exame. Portanto, em conformidade com o art. 702 do RIR/99, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento,crédito, entrega, emprego ou remessa, desses fatos, o que ocorrer primeiro. (...) Pagar juros ao exterior, neste contexto legal, significa adimplir a obrigação de pagar juros a pessoa domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento, de modo que pode haver incidência do imposto, inclusive, sem que em nenhum momento haja a efetiva remessa de recursos ao exterior. Além disso, não se pode perder de vista o interesse jurídico tributário subjacente à norma de incidência do IRRF. O interesse jurídico em questão é o rendimento de pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte situada no País, independentemente de esse rendimento auferido ter sido, ou não, remetido ao exterior. A remessa ao exterior não é a única elementar da incidência tributária em exame. (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10920.907457/201261 Acórdão n.º 2202004.970 S2C2T2 Fl. 6 5 No presente caso, a pessoa jurídica credora dos empréstimos optou por empregálos – incluídos aí dos juros – no aumento de sua participação do capital a empresa brasileira. A capitalização dos empréstimos pode ser entendida como quitação ou pagamento da dívida, com juros. O ato de pagar pode ser também compreendido como compensação de maneira equivalente de benefícios econômicos. (...) Posto isto, podese afirmar que houve sim a ocorrência de fato gerador [pagamento de juros] para a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte e que, desta forma, eram sim devidas as importâncias cuja restituição era pleiteada pela Contribuinte. Manifestome pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. 5. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte repisa as questões trazidas na Manifestação de Inconformidade e infere ter comprovado do direito creditório pleiteado, uma vez que à época realizou o recolhimento integralmente, de forma equivocada. 6. Requer, por fim, que seja acolhido o recurso com o reconhecimento do indébito, e o deferimento de ressarcimento pelos meios disponíveis. 7. É o relatório." Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10920.907457/201261 Acórdão n.º 2202004.970 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON – Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Ressalto que a recorrente não levanta questões preliminares. 10. Quanto ao Mérito, entendo que não existe razão ao pleito da recorrente e não há motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação. 12. Não obstante a contribuinte argüir no sentido de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte foi equivocado, por apenas ter aplicado valores de empréstimos no aumento de seu capital, que a seu ver não seria equiparável às remessas ao exterior, para comprovação do alegado deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas alegações sobre as operações. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, e não apenas Ata de Reunião de Sócios Quotistas e Alteração e Consolidação do Contrato Social, conforme realizado. 13 No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10920.907457/201261 Acórdão n.º 2202004.970 S2C2T2 Fl. 8 7 que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. 14. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, como não resta o crédito devidamente comprovado nestes autos, entendo por não haver motivos para a reforma do Acórdão da DRJ e por não reconhecer o indébito. Conclusão 15. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima." Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON– Relator Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907482/2012-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO.
A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona-se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor.
Numero da decisão: 2202-004.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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IRRF. ONUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE DE HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo condiciona se à liquidez do direito, através da comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O ônus da prova incumbe ao autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 74 82 /2 01 2- 44 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10920.907482/201244 Acórdão n.º 2202004.995 S2C2T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão de Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis / SC – DRJ/FNS, que considerou improcedente, por unanimidade de votos, manifestação de inconformidade do contribuinte em face de Despacho Decisório eletrônico que não homologou compensação informada em PER/DCOMP. 2. A seguir reproduzse o relatório do Acórdão da DRJ/FNS , o qual retrata adequadamente os fatos ocorridos. Relatório (...) Por intermédio de DESPACHO DECISÓRIO eletrônico a autoridade administrativa assim se manifestou: "Diante da inexistência do crédito, INDEFIRO o Pedido de Restituição. Enquadramento legal: Art. 165 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN)." A Contribuinte – em sua contestação – alega ter efetuado “pagamento indevido ou a maior”, em recolhimento operado com o código de arrecadação 0481 – JUROS E COMISSÕES EM GERAL. Diz que, desde sua fundação, em 2000, “foi obtendo de sua sócia majoritária italiana, remessas para sua ampliação, os quais foram sendo tratados como dívida em aberto e com incidência de juros, sem prefixação de data para devolução do principal e juros incidentes.”. Mais adiante afirma que os valores devidos foram convertidos em “aumento de capital da sociedade Marcegaglia do Brasil Ltda.” Aduz que o Banco Central do Brasil exigiu a prova do pagamento do imposto de renda na fonte incidente sobre remessas ao exterior, nos termos do art. 9º da Lei nº 4.131, de 3 de setembro de 1962: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10920.907482/201244 Acórdão n.º 2202004.995 S2C2T2 Fl. 4 3 Art. 9º As pessoas físicas e jurídicas que desejarem fazer transferências para o exterior a título de lucros, dividendos, juros, amortizações, royalties assistência técnica científica, administrativa e semelhantes, deverão submeter aos órgãos competentes da SUMOC e da Divisão do Impôsto sôbre a Renda, os contratos e documentos que forem considerados necessários para justificar a remessa.(Redação dada pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964)(Vide Decreto nº § 1º As remessas para o exterior dependem do registro da emprêsa na SUMOC e d eprova de pagamento do impôsto de renda que fôr devido.(Renumerado pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) (...) § 3º No caso previsto pelo parágrafo anterior, as transferências sempre dependerão de prova de quitação do Impôsto de Renda.(Incluído pela Lei nº 4.390, de 29.8.1964) Diz que operou o recolhimento do IRRF “sem questionar a existência ou não do fato gerador para a incidência da tributação do imposto de renda, na espécie, são: ‘as remessas para o exterior’.” Entende que, se não houve remessa ao exterior, em razão de haver sido convertida em capital a dívida então existente, não há fato gerador do referido tributo. Em razão disso requer o reconhecimento do indébito e o deferimento de “ressarcimento” dos valores pagos. 3. A DRJ/FNS considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos termos da Ementa da decisão abaixo transcrita: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA. A conversão dos juros de empréstimos em participação no capital social de empresa brasileira por pessoa jurídica com sede no exterior constitui fato gerador do IRRF, art. 702 do RIR/99, na medida em que configura quitação da dívida por compensação de maneira equivalente, o que também pode ser definido como pagamento 4. Destaquemse também alguns trechos relevantes do voto do Acórdão proferido pela DRJ/FNS: (...) De início, para esclarecimento, é bom que se diga que o Despacho Decisório eletrônico considerou a inexistência do crédito em razão de haver a vinculação na DCTF, do pagamento com o respectivo débito. (...) Quanto a este fato – exigência do Banco Central do Brasil – da prova do pagamento do IRRF, é prevista no art. 880, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10920.907482/201244 Acórdão n.º 2202004.995 S2C2T2 Fl. 5 4 Art.880. O Banco Central do Brasil não autorizará qualquer remessa de rendimentos para fora do País, sem a prova de pagamento do imposto (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 125, parágrafo único, alínea "c", e Lei nº4.595, de 31 de dezembro de 1964, art. 57, parágrafo único). Parágrafo único.Nos casos de isenção, dispensa ou não incidência do referido tributo deverá ser apresentada declaração que comprove tal fato. Como se vê, o parágrafo único vem relativizar tal exigência, autorizando a entrega de declaração que comprove a isenção, dispensa ou não incidência. Não há nos autos prova de apresentação de tal declaração ao BCB. (...) Ocorre que em 19 de junho de 2008, em reunião na sede da quotista majoritária, Marcegaglia S.p.A, na cidade de Gazoldo Degli Ippoliti – Itália, restou decidido que os empréstimos então concedidos seriam convertidos em participação societária. A Contribuinte entende que em não havendo remessa – dos juros – ao exterior não teria ocorrido hipótese de incidência do IRRF, pois, subentende que a remessa ao exterior é elementar da hipótese de incidência, e, portanto, razão pela qual não teria emergido o fato gerador. Em análise ao texto legal que veicula a norma de incidência tributária em questão, há que se discordar da Impugnante: Art. 702. Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de quinze por cento, as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no País, a título de juros, comissões, descontos, despesas financeiras e assemelhadas. Primeiro registro a fazer referese à multiplicidade de ações que o legislador empregou para expressar a tipicidade tributária. Percebese que a remessa ao exterior é uma das hipóteses. Pagar, creditar, entregar ou empregar importâncias ao exterior, a título de juros, também constituem fatos imponíveis da obrigação tributária em exame. Portanto, em conformidade com o art. 702 do RIR/99, o imposto deve ser retido por ocasião do pagamento,crédito, entrega, emprego ou remessa, desses fatos, o que ocorrer primeiro. (...) Pagar juros ao exterior, neste contexto legal, significa adimplir a obrigação de pagar juros a pessoa domiciliada no exterior, independentemente da forma de pagamento, de modo que pode haver incidência do imposto, inclusive, sem que em nenhum momento haja a efetiva remessa de recursos ao exterior. Além disso, não se pode perder de vista o interesse jurídico tributário subjacente à norma de incidência do IRRF. O interesse jurídico em questão é o rendimento de pessoa jurídica domiciliada no exterior, oriundo de fonte situada no País, independentemente de esse rendimento auferido ter sido, ou não, remetido ao exterior. A remessa ao exterior não é a única elementar da incidência tributária em exame. (...) Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10920.907482/201244 Acórdão n.º 2202004.995 S2C2T2 Fl. 6 5 No presente caso, a pessoa jurídica credora dos empréstimos optou por empregálos – incluídos aí dos juros – no aumento de sua participação do capital a empresa brasileira. A capitalização dos empréstimos pode ser entendida como quitação ou pagamento da dívida, com juros. O ato de pagar pode ser também compreendido como compensação de maneira equivalente de benefícios econômicos. (...) Posto isto, podese afirmar que houve sim a ocorrência de fato gerador [pagamento de juros] para a incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte e que, desta forma, eram sim devidas as importâncias cuja restituição era pleiteada pela Contribuinte. Manifestome pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. 5. Cientificado da decisão a quo, o contribuinte repisa as questões trazidas na Manifestação de Inconformidade e infere ter comprovado do direito creditório pleiteado, uma vez que à época realizou o recolhimento integralmente, de forma equivocada. 6. Requer, por fim, que seja acolhido o recurso com o reconhecimento do indébito, e o deferimento de ressarcimento pelos meios disponíveis. 7. É o relatório." Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10920.907482/201244 Acórdão n.º 2202004.995 S2C2T2 Fl. 7 6 Voto Conselheiro RONNIE SOARES ANDERSON – Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10920.907456/201216, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202004.969, de 14 de fevereiro de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202004.969 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "8. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 9. Ressalto que a recorrente não levanta questões preliminares. 10. Quanto ao Mérito, entendo que não existe razão ao pleito da recorrente e não há motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, que não homologou a compensação. 12. Não obstante a contribuinte argüir no sentido de que o recolhimento do imposto de renda retido na fonte foi equivocado, por apenas ter aplicado valores de empréstimos no aumento de seu capital, que a seu ver não seria equiparável às remessas ao exterior, para comprovação do alegado deveria ter juntado elementos mínimos de prova documental que fundamentassem plenamente suas alegações sobre as operações. Seria necessário que tivessem sido colacionados aos autos, no momento oportuno, documentos hábeis à comprovação dos registros contábeis relativos à operação, e não apenas Ata de Reunião de Sócios Quotistas e Alteração e Consolidação do Contrato Social, conforme realizado. 13 No caso de pedido de compensação, a liquidez do direito há de ser provada pela comprovação documental do quantum compensável pelo contribuinte. O art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, dispõe que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Em idêntico sentido atua o Decreto nº 70.235, de 1972, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10920.907482/201244 Acórdão n.º 2202004.995 S2C2T2 Fl. 8 7 que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que os recursos administrativos devem trazer os elementos de prova. 14. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, como não resta o crédito devidamente comprovado nestes autos, entendo por não haver motivos para a reforma do Acórdão da DRJ e por não reconhecer o indébito. Conclusão 15. Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima." Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON– Relator Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13702.000883/2002-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.771
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Cynthia Elena de Campos e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (Suplente convocada), Thais de Laurentiis Galkowicz, Cynthia Elena de Campos e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto, até aquela fase processual: Tratase de Auto de Infração eletrônico decorrente do processamento da DCTF do anocalendário 1997, lavrado em 14/05/2002, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 811.586,74, discriminado em Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, multa de ofício vinculada e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 02 .0 00 88 3/ 20 02 -6 2 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13702.000883/200262 Resolução nº 3402001.771 S3C4T2 Fl. 246 2 juros de mora, relativo a falta de recolhimento e declaração inexata de débitos do 3º trimestre/97 (PA 0107/97 a 0109/97), porque não comprovado o processo judicial (nº 95.02.008294) que ensejou a compensação sem DARF do crédito tributário, cuja infração foi enquadrada nos dispositivos legais indicados no demonstrativo de efls. 21. A contribuinte foi cientificada do auto de infração, por via postal, em 18/06/2002, conforme despacho de fls. 118. Inconformada, apresentou impugnação, em 12/07/2002, acompanhada de documentos. Alega ter ingressado com ação judicial (MS nº 94.00014880) “para fazer valer o seu direito de compensar os montantes recolhidos a maior a título de Finsocial decorrentes da aplicação de alíquotas superiores a 0,5%, com débitos vincendos de Contribuição Social para financiamento da Seguridade Social – COFINS”. E que, tendo sido negada a segurança, impetrou Recurso de Apelação (nº 95.02.008294), o qual foi provido para assegurar à Impetrante o direito de realizar as compensações. Acrescenta ter sido interposto Recurso Especial pela União, o qual não foi admitido, de sorte que, não havendo Agravo de Instrumento, ocorreu o trânsito em julgado da ação em 28/05/1999. Demais disso, alega que a própria RFB convalidou tal procedimento de compensação, nos termos da IN SRF nº 32, de 09/04/1997. Encerra protestando pelo cancelamento do auto de infração. Apresenta os seguintes documentos em comprovação: [...] Em seu despacho de encaminhamento a autoridade preparadora presta as seguintes informações: “Cuidase de impugnação administrativa aos lançamentos de ofício consubstanciados pelo presente administrativo e seus apensos, consolidados nos autos de infração nº 0020364 e 0011385, referentes à COFINS no período de apuração compreendido entre 04/1997 a 09/1997. Referidas exações foram encetadas tendo em vista a constatação da exigibilidade do crédito tributário suspenso sponte propria na DCTF daquele período, após exame das alegações de que a decisão judicial proferida no âmbito da ação mandamental tombada pelo nº 94.00014880 afastava a regra matriz de incidência tributária. Para melhor elucidação dos fatos, impende compendiar o andamento da indigitada demanda judicial, cuja baixa data de 15/03/1999, em razão do trânsito em julgado. Pois bem, o objeto da lide se subsume à declaração de inexistência de relação jurídica tributária adstrita à incidência do FINSOCIAL, sobejamente no que tange à majoração da alíquota de 0,5 por cento e, por desdobramento, o direito à compensação tributária com débitos vincendos de COFINS. Em 30/05/1994, a sentença denegou a segurança, o que foi reformado pela superior instância, em 03/09/1996, com o provimento do recurso de apelo da autora, assegurando o direito líquido e certo de efetuar as pretendidas compensações. Após a interposição de recurso especial pela União, o qual foi inadmitido, e do regular agravo de instrumento, houve o trânsito em julgado nos termos e limites do acórdão proferido anteriormente, ou seja, colocouse a cobro a possibilidade de compensar eventuais valores recolhidos com a aplicação da alíquota majorada, com débitos da mesma espécie, procedimento sob ulterior apreciação da autoridade administrativa acerca dos encontros de contas. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13702.000883/200262 Resolução nº 3402001.771 S3C4T2 Fl. 247 3 Ocorreu que, inicialmente, ao compulsar os administrativos, não se verificou a existência de quaisquer elementos que trouxessem certeza e liquidez ao direito creditório perquirido, como os livros contábeis (diário e razão) onde se encontram açambarcadas as rubricas ligadas ao faturamento do contribuinte, memórias de cálculo, DARFs de recolhimento (os quais sequer foram confirmados na base de pagamentos) e mapa de compensação, tendo em vista que, à época dos fatos, observavamse os ditames introduzidos pelo art. 66 da Lei 8383/91, compensação realizada internamente na própria escrituração e apuração fiscal, considerando subsequente apuratório acerca dos débitos de mesma espécie. Ante a referida ausência, o que inquinava a formação de um acurado juízo de valor sobre a certeza e liquidez do direito creditório, intimouse o contribuinte a apresentar livros e documentos que comprovassem a tese do recolhimento indevido albergada na decisão judicial definitiva. Em resposta, contribuinte apresentou cópias de DARFs de recolhimentos – vale dizer, tais pagamentos não foram localizados na base de dados RFB, planilhas com a demonstração dos encontros de contas, quedandose inerte, contudo, na apresentação dos livros comerciais que amparassem os lançamentos ínsitos à base de cálculo do FINSOCIAL. Registrese que, em substituição a estes documentos, trouxe aos autos cópias do livro registro de apuração do IPI, o que em nada contribui para o deslinde dos fatos, pois, como se sabe, deve ser considerada a efetiva base de cálculo do tributo definida no art. 1º do Decretolei nº 1940/82, bem como a aferição da natureza das operações engendradas, de modo que se possa concluir se há somente venda de mercadorias, de prestação de serviços, ou ambas, o que tem relação escorreita com a majoração declarada inconstitucional. Neste sentido, verificase a impossibilidade fática de se realizar uma análise acerca do direito creditório alegado, de modo que não há possibilidade de se produzir os efeitos fiscais pretendidos, não obstante o provimento jurisdicional favorável, em face da incerteza do quantum debeatur, não havendo falar em anulação do auto de infração regularmente lavrado anteriormente. Pelo exposto, considerando que a impugnação administrativa inaugura a fase litigiosa do procedimento, por força do art. 14 do Decreto nº 70235/72, pugna se pela manutenção do lançamento de ofício, bem como pelo posterior encaminhamento à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/RJ 2), para que aquele colegiado aprecie as questões de fato e de direito encartadas naquela peça recursal e profira exame de legalidade do ato administrativo, de acordo com suas atribuições regimentais.” (destaques acrescidos) A 11ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 1461.095 (fls. 120 a 125), sessão de 30 de maio de 2016, julgou parcialmente procedente a Impugnação e manteve parcialmente o crédito tributário, cancelando a multa de lançamento de ofício, sem prejuízo da incidência da multa de mora. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1997 DÉBITO DECLARADO EM DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO COMPROVADA. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13702.000883/200262 Resolução nº 3402001.771 S3C4T2 Fl. 248 4 Mantémse a exigência fiscal dos valores declarados em DCTF, cuja compensação não tenha sido comprovada na escrituração. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de pagamentos não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Regularmente cientificada Acórdão de Impugnação, o contribuinte apresentou tempestivamente seu Recurso Voluntário (fls. 133 a 154), com as seguintes alegações, em síntese: (i) preliminarmente, a divergência entre a motivação/fundamento da autuação e do acórdão recorrido; (ii) a suficiência dos documentos apresentados pela Recorrente de forma a demonstrar o direito creditório do FINSOCIAL a que fazia jus para extinguir débitos de outros tributos federais; (iii) a decadência do direito da Fazenda Nacional em constituir crédito de FINSOCIAL, não podendo a fiscalização questionar os valores apresentados no momento da compensação efetivada pela Recorrente; e (iv) a conversão em diligência, para que a autoridade fiscal analise os documentos juntados (livro Diário), em complemento com os DARF’s anteriormente apresentados, a fim de comprovar seu direito creditório. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. A questão devolvida a este colegiado cingese a quantificação do direito creditório da Recorrente, a partir do trânsito em julgado de decisão favorável prolatada no MS 94.00014880, cujo objeto era o direito de compensar os valores recolhidos a maior a título de FINSOCIAL com débitos de COFINS. A Recorrente foi autuada após o procedimento de auditoria interna da DCTF por não ter conseguido comprovar a origem do crédito de FINSOCIAL utilizado na compensação dos valores devidos de COFINS. Devido ao não atendimento satisfatório de intimações para comprovar a certeza do direito creditório alegado, especialmente quanto à correta base de Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13702.000883/200262 Resolução nº 3402001.771 S3C4T2 Fl. 249 5 cálculo do FINSOCIAL, de forma a confrontar com os valores efetivamente recolhidos, a autoridade fiscal não reconheceu o valor do crédito em face da incerteza da quantia devida da contribuição. Apesar de reconhecer a validade do direito à compensação pela decisão judicial, sob ulterior apreciação da autoridade administrativa acerca dos encontros de contas, o julgador a quo confirmou o entendimento da autoridade fiscal no sentido de ausência da comprovação do indébito de forma a processar a pretendida compensação dos débitos, devido à falta da apresentação da sua escrituração contábil e fiscal. Também foi alegada a falta de localização dos pagamentos de FINSOCIAL. Transcrevo excerto da decisão recorrida com seu fundamento: “Nesse contexto, à falta da escrituração pertinente, bem como à falta da localização dos pagamentos de FINSOCIAL, inexiste nos autos a comprovação do direito líquido e certo acerca do indébito de FINSOCIAL alegado e da sua efetiva utilização no encontro de contas com a COFINS, razão porque correta se mostra a lavratura do auto de infração.” Entretanto, a Recorrente alega que apresentou os DARF’s de recolhimento, e que não lhe foram imputados qualquer falsidade material. Quanto à escrituração contábil, apesar de alegar que não precisaria apresentála, tendo em vista a apresentação dos comprovantes de recolhimento, junta cópia do livro Diário às fls. 162 a 213. Dessa forma, tornase imprescindível, para o deslinde da questão e cumprimento do disposto na decisão judicial, a apreciação da autoridade fiscal dos novos documentos apresentados de forma a recompor a base do FINSOCIAL, em complemento dos anteriormente apresentados, e verificar se haveria valores recolhidos a maior de forma a compensar os valores de COFINS, conforme alegado pela Recorrente. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para a autoridade preparadora: (i) analisar os documentos apresentados juntamente com o recurso voluntário (fls.162 a 234), de forma a recompor a base de cálculo do FINSOCIAL; (ii) analisar os comprovantes de recolhimento apresentados, confrontandoos com os valores registrados nos sistemas informatizados da RFB, e sua autenticidade, e confirmar sua idoneidade ou falsidade, inclusive anexando as telas dos sistemas de recolhimento de tributos; (iii) apresentar novo demonstrativo do direito creditório e compensações, considerando a recomposição da base de cálculo do FINSOCIAL e os valores efetivamente recolhidos e compensados. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. Fl. 249DF CARF MF Processo nº 13702.000883/200262 Resolução nº 3402001.771 S3C4T2 Fl. 250 6 É a resolução. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 250DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.003587/2006-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE.
Estando comprovado que serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento, integram o processo produtivo para a produção do Caulim, necessário reconhecer o direito aos créditos apurados no regime da não-cumulatividade do PIS e da Cofins.
Numero da decisão: 9303-008.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE. Estando comprovado que serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento, integram o processo produtivo para a produção do Caulim, necessário reconhecer o direito aos créditos apurados no regime da não-cumulatividade do PIS e da Cofins.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1600; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10280.003587/200667 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.044 – 3ª Turma Sessão de 20 de fevereiro de 2019 Matéria CONCEITO DE INUMOS PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PARÁ PIGMENTOS S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. POSSIBILIDADE. Estando comprovado que serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento, integram o processo produtivo para a produção do Caulim, necessário reconhecer o direito aos créditos apurados no regime da não cumulatividade do PIS e da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 35 87 /2 00 6- 67 Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10280.003587/200667 Acórdão n.º 9303008.044 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3402003.034, de 27/04/2016, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Caulim extração de minério Resultado de diligência os serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento integram o processo produtivo da empresa para a produção do caulim, bem como demonstram que os valores pleiteados pela empresa como crédito de PIS nos autos/processos citados, no ano período a que se referem, coincidem com o montante informado em DACON. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO O recurso especial fazendário, admitido pelo então presidente substituto da 3ª Selção de Julgamento, insurgese contra o conceito de insumos adotado no referido acórdão. Em contrarrazões o contribuinte pede o não conhecimento do recurso especial e, caso conhecido, o seu improvimento. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial da Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. Como visto a discussão devolvida a esse colegiado trata do conceito de insumos à luz da não cumulatividade do PIS, Lei 10.637/2002, mais especificamente sobre o direito ao crédito relativo aos serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento que foram concedidos ao contribuinte pelo acórdão recorrido. A Fazenda Nacional apresentou dois acórdãos paradigmas na tentativa de comprovar a divergência e ambos foram aceitos pelo despacho de admissibilidade proferido Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10280.003587/200667 Acórdão n.º 9303008.044 CSRFT3 Fl. 4 3 pelo então presidente substituto da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Concordo com o contribuinte ao defender que o acórdão paradigma nº 330101519 não serve para comprovar a divergência, pois nele a discussão fática é diferente do presente processo. Nele, foi definido, que a terraplanagem trata se de serviço cujo resultado gerou um ativo imobilizado. Esta conclusão não existe no presente processo, muito pelo contrário. Porém o acórdão paradigma nº 20312.473 comprova a divergência ao aplicar o conceito de insumos previsto nas IN SRF nº 247/2002 e 358/2003, o qual prevê a necessidade de que o insumo se desgaste em contato direto com o bem em produção, conceito muito conhecido advindo da legislação do IPI. Óbvio que, se o acórdão recorrido, tivesse adotado o mesmo entendimento, não teria concedido os créditos que estão em discussão, pois serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento não são consumidos diretamente em contato com o Caulim, produto final do processo produtivo. Diante do exposto, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. Mérito Conceito de Insumos Antes de adentrar aos itens específicos deste processo, necessário se faz abordar alguns pontos genéricos a respeito do conceito de insumos: Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pósindustriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10280.003587/200667 Acórdão n.º 9303008.044 CSRFT3 Fl. 5 4 NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Sobre o assunto, a Fazenda Nacional editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado na citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10280.003587/200667 Acórdão n.º 9303008.044 CSRFT3 Fl. 6 5 aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindo se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10280.003587/200667 Acórdão n.º 9303008.044 CSRFT3 Fl. 7 6 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Analisando o caso concreto apreciado pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, observase que estava em discussão os seguintes itens que a recorrente, uma empresa do ramo de alimentos, mais especificamente, avicultura, pleiteava: " 'Custos Gerais de Fabricação' (água, combustíveis, gastos com veículos, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI, materiais de limpeza, ferramentas, seguros, viagens e conduções) e 'Despesas Gerais Comerciais' (combustíveis, comissão de vendas a representantes, gastos com veículos, viagens e conduções, fretes, prestação de serviços PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone, comissões)". Ressaltese que referido acórdão reconheceu a possibilidade de ser possível o creditamento somente em relação aos seguintes itens: água, combustíveis e lubrificantes, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI e materiais de limpeza. De plano percebese que o acórdão, apesar de aparentemente ter reconhecido um conceito de insumos bastante amplo ao adotar termos não muito objetivos, como essencialidade ou relevância, afastou a possibilidade de creditamento de todas as despesas gerais comerciais, aí incluídas despesas de frete e outras que se poderiam acreditar relevantes ou essenciais. Anote ainda que, mesmo para os itens teoricamente aceitos, devolveuse para que o Tribunal recorrido avaliasse a sua essencialidade ou relevância, à luz da atividade produtiva exercida pelo recorrente. Assim, uma conclusão inequívoca que penso poder ser aplicada é que não é cabível o entendimento muito aventado pelos contribuintes e por alguns doutrinadores, de que todos os custos e despesas operacionais seriam possíveis de creditamento. De forma, que doravante, à luz do que foi decidido pelo STJ no RESP Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10280.003587/200667 Acórdão n.º 9303008.044 CSRFT3 Fl. 8 7 1.221.170/PR, adotarei o critério da relevância e da essencialidade sempre indagando a aplicação do insumo ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços. Por exemplo, por mais relevantes que possam ser na atividade econômica do contribuinte, as despesas de cunho nitidamente administrativo e/ou comercial não perfazem o conceito de insumos definidos pelo STJ. Da mesma forma, demais despesas relevantes consumidas antes de iniciado ou após encerrado o ciclo de produção ou da prestação de serviços. Com o conceito de insumos acima delineado, passemos a analisar o caso concreto em discussão. Neste recurso especial discutese a possibilidade de créditos sobre despesas com serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento. O acórdão recorrido concedeu o crédito após ter solicitado diligência para perquirir o que significam tais itens dentro do processo produtivo do contribuinte. A diligência foi solicitada nos seguintes termos: (...) Entretanto, dado a peculiaridade da atividade da empresa Recorrente, proponho a conversão do julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que se traga aos autos a diligência concluída nos processos 10.280.003595/20011, 10280.003596/200658 e 10.280.003594/200669 quanto a terraplanagem, bem como, se complete a diligência no mesmo sentido, ou seja: comprovar que os serviços de sondagem, topografia e bombeamento, constantes dos presentes autos no ano fiscalizado coincidem com o montante informado em DACON e pleiteado pelo contribuinte e finalmente que esses serviços integram o processo produtivo da Recorrente. (...) A conclusão da diligência consta do relatório fiscal, efl. 304, e está assim concluída: (...) Os documentos/informações fornecidos pela interessada foram anexados aos dois processos eletrônicos anteriormente enumerados, e que atendem, salvo melhor juízo, à necessidade de comprovar que os serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento integram o processo produtivo da empresa para a produção do caulim, bem como demonstram que os valores pleiteados pela empresa como crédito de PIS nos autos/processos citados, no ano período a que se referem, coincidem com o montante informado em DACON. (...) Portanto, a conclusão da diligência comprova que os serviços de terraplanagem, sondagem, topografia e bombeamento integram o processo produtivo do Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10280.003587/200667 Acórdão n.º 9303008.044 CSRFT3 Fl. 9 8 Caulim e, nessa condição, fazem jus ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, apurados no regime da não cumulatividade de que tratam os inc. II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 476DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.722688/2014-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009
Resultado da Diligência.
Uma vez constatada, em diligência fiscal, que o direito a créditos da não cumulatividade eram valores superiores aos que tinham sido considerados, na ocasião da ação fiscal que resultou em auto de infração, é lícito excluí-los do valor da exigência formalizada no auto de infração.
Numero da decisão: 3302-006.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Uma vez constatada, em diligência fiscal, que o direito a créditos da não cumulatividade eram valores superiores aos que tinham sido considerados, na ocasião da ação fiscal que resultou em auto de infração, é lícito excluílos do valor da exigência formalizada no auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Corintho Oliveira Machado. Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 26 88 /2 01 4- 14 Fl. 2351DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 144 2 Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Tratase de Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins dos períodos de apuração março/2009 a dezembro/2009, por meio do qual foi constituído crédito tributário no importe de R$ 70.732.299,49, incluídos principal, multa no percentual de 75% e juros de mora calculados até março de 2014. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 22/27, o auditor fiscal assim fundamenta a autuação (os destaques são do original): CONTEXTO "No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil AFRFB, em cumprimento à MPF acima e no art. 7o da Lei nº 2.354/54 c.c. art. 7º do Decreto nº 70.235/72, junto à empresa em epígrafe, constatamos ao examinar os procedimentos da fiscalizada no cumprimento de suas obrigações tributárias, relativamente ao anocalendário de 2009, os fatos relatados a seguir: I COFINSFATURAMENTO INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA GLOSAS DE CRÉDITO E INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO A DOS FATOS. A partir do Arquivo Magnético entregue pela fiscalizada à Receita Federal do Brasil, contendo o Livro de Entradas e Saídas resumido por CFOP, autenticado pelo sistema SVA da RFB, foram processadas as informações e obtido o Livro de Entradas e Saídas, resumido por Código Fiscal de Operações e Prestações CFOP, conforme Planilha anexa denominada "Livro de Entrada_Saida". Os registros obtidos nesta planilha foram confrontados com os CFOP, publicados no Anexo 9 do Decreto n° 14.876/91, com as alterações introduzidas pelos DECRETOS: nº 24.787/2002; nº 25.068/2003; nº 26.020/2003; nº 26.174/2003; nº 26.810/2004; nº 26.955/2004; nº 27.995/2005; nº 28.868, de 31/01/2006; nº 30.861/2007; nº 32.653, de 14/11/2008; nº 34.490 de 30/12/2009, utilizados pela Receita Federal do Brasil RFB, para definição da base de cálculo do PIS, conforme consta da Tabela de CFOP do SPED Sistema Público de Escrituração Digital. Em outras palavras a partir do Livro "resumido" de Entradas e Saídas, após confrontado com os CFOPS que geram direito a crédito, conforme acima mencionado, foram refeitas as DACON(Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais) do anocalendário 2009, exclusivamente para efeito desta auditoria fiscal, que em comparação com a DACON, apresentada pelo contribuinte à RFB, resultou na apuração de insuficiência de recolhimento e, ainda, Glosas de crédito Fl. 2352DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 145 3 utilizado indevidamente, originada do saldo a recolher da exação em confronto com a DCTF(Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), constantes dos Sistemas da RFB, conforme quadros expostos abaixo neste Termo. O Crédito do COFINS auditado segundo a metodologia acima descrita, está consolidada no quadro (203) anexa a este relatório e do eprocesso corresponde à planilha 203_vl_glosas_credito_cofins.xls. A Dacon refeita após auditoria, para efeito de demonstração dos valores apurados está consignada no quadro (221) anexa a este relatório e constante do eprocesso (221_es_dacon_cofins_refeito.xls). Na planilha (222) anexa a este relatório e constante do e processo (222_es_cofins_safira_a_recolher.xls) está Demonstrado o Valor da Cofins devida a Recolher, já deduzidos dos valores declarados em DCTF: Notas explicativas sobre a planilha 222: 1) Coluna "Vlr_crédito_disponivel_mês_anterior_auditado", valores obtidos da ficha 24 DACONCOFINS; 2) Coluna "Vl_Crédito_Total_Dacon_Apurado_no mês_ficha_24_COFINS", valores obtidos da ficha 24 DACON COFINS, linha : "TOTAL DE CRÉDITO APURADO NO MÊS" 3) Coluna "Glosas_Crédito_Compras_COFINS" Valores oriundos das planilhas: "01_es_Créditos_validos_por_cfop"; "02_es_Créditos_validos_por_rubrica"; "201_dacon_x_es_Créditos_COFINS_auditados_por_rubrica"; "202_total_nf_Créditos_auditados_COFINS" e "203_vlr_Glosass_Crédito_COFINS"; 4) Coluna "Demais Glosass Crédito COFINS" outras Glosas adicionadas manualmente pelo Auditor (NÃO HOUVE). 5) Coluna "VLR_COFINS_Dacon_total_auditado" Contribuicao_COFINS_Dacon_apurada_mês Dacon_Débito_COFINS_receita _ total_ficha_25b, linha "TOTAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O Cofins APURADA NO MÊS" a) VLR_COFINS_outras_contribuições dacon_COFINS_outros_Débitos, Ficha`='25b', Linhas : CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS A PAGAR DE SCP, CONTRIBUIÇÃO PARA O COFINS A PAGAR RETIDA DE COOPERADOS', 'Contribuição para o COFINS Alíquotas Diferenciadas', 'Contribuição para o COFINS Alíquotas por Unidade de Medida de Produto' dacon_COFINS_outros_Débitos_resumo Fl. 2353DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 146 4 b) Adição_Débito_Cofins Planilha 211_es_COFINS_vendas, Sendo: ..Base_COFINS_Receita_Dacon = dacon_Débito_COFINS_receita_vendas_fichas_17_18_19. Receita (V1 = Receita de vendas); ..Base_COFINS_Arquivo_Mag = 03_es_Débitos_Válidos_por_cfop 04_es_Débitos_Válidos ..VL_Adição_COFINS_Débito_Vendas 3,6% X (Diferença de Base = Base_COFINS_Arquivo_Mag Base_COFINS_Receita _Dacon, se > 0) Planilha212_es_valor_Débito_COFINS_auditado Sendo : Contribuicao_COFINS_Dacon_apurada_mês (item "a" acima) VL_Adição_COFINS_Débito_Vendas (item "c" acima) Demais_adicao_Débito = demais_Glosas_adicao_COFINS (arquivo de auditoria física do Auditor Fiscal); Adicao_Débito_COFINS = VL_Adição_COFINS_Débito_Vendas + Demais_ adicao_ Débito c) 213_es_valor_total_Débito_COFINS_auditado = Contribuicao_COFINS_Dacon_apurada_mês (item a) + VL_COFINS_ outras_ contribuicoes (item b) + Adicao_Débito_COFINS (item c). 6) Coluna "VL_Dacon_Deducao_COFINS" ( não houve) 7) Coluna "Vl_saldo_final_credor_auditado" (não houve) 8) Coluna "DCTF_Débito_Apurado" Valores declarados na DCTF pelo contribuinte. 9) Coluna "Saldo_Tributo_retido_na_fonte" (não houve). 10) Coluna "VL_COFINS_Safira_a_Recolher" Valores de COFINS a recolher a ser lançado de ofício. II DOS ANEXOS Acompanham este Termo de Verificação, sob forma de planilhas que detalham as diversas colunas acima, explicitadas os Anexos abaixo mencionados, que fazem parte integrante deste e consequentemente do Auto de Infração da COFINS: Planilhas 01;02;201;202;203;211;212;213 Fl. 2354DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 147 5 Conforme podemos inferir pelos Demonstrativos retro evidenciados o contribuinte é devedor da Fazenda Nacional, cujo crédito tributário originário será constituído de ofício sobre as diferenças apuradas. (...) IV OUTROS ELEMENTOS OBTIDOS DIRETAMENTE DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL: Diversas informações foram obtidas diretamente nos meios magnéticos da Receita Federal do Brasil e utilizados na presente fiscalização, entre os quais: 1) DIRPJ dos anoscalendários de 2009; 2) DACON de 2009; 3) Sped Contábil de 2009; 4) Sped Fiscal de 2009; 5) DIRF de 2009; V DO ENQUADRAMENTO LEGAL Está descrito nas folhas de continuação do Auto de Infração do qual este termo faz parte integrante. VI – DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS E, para constar e produzir os efeitos legais, lavro o presente Termo em 02 (duas) vias de igual forma e teor, assinadas por mim, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e pelo representante legal do contribuinte, que reteve uma das vias ou enviada pelo Correio com aviso de Recebimento (AR)". Cientificada do auto de infração em 31/03/2014, no dia 30/04/2014 a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 965/987, na qual contesta a exigência fiscal alegando, basicamente, a nulidade do auto de infração e a legitimidade dos créditos apurados, os quais não teriam sido devidamente analisados pela fiscalização. Após sustentar a tempestividade da impugnação e apresentar um resumo da autuação, a contribuinte alega que o auto de infração seria nulo, por “ausência de motivação clara e precisa da autuação”. Menciona os elementos indispensáveis do Auto de Infração, previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, registra a necessidade de que o auto de infração contenha “todos os elementos indispensáveis à identificação da obrigação surgida”, sendo ainda indispensável que a descrição do fato que ensejou a autuação seja clara e precisa. Esta exigência, diz, decorre dos princípios constitucionais do direito ao contraditório e à ampla defesa e do devido processo legal. Fl. 2355DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 148 6 Cita doutrina e sustenta que o Auto de Infração “não contém todos os elementos que lhe são pertinentes, pois não é claro, preciso e explícito, no que se refere à justificativa para a glosa de parte do crédito de COFINS declarado em DACON”, pois o Termo de Verificação Fiscal teria se limitado a “apontar o valor do crédito encontrado pela fiscalização, sem trazer qualquer motivação que justifique a diferença entre o crédito declarado pela Requerente em sua DACON e o crédito encontrado pela fiscalização”, o que traria enormes prejuízos à contribuinte, uma vez que esta não teria “elementos suficientes para saber do que tem que se defender”. Prossegue dizendo que devido à forma como foi feita a autuação, “não lhe restará outra saída senão provar que a composição do crédito de COFINS declarado na DACON atendeu aos ditames da lei” e que, por tal razão, “a presente defesa será uma extensão da fiscalização, ou seja, do que deveria ter sido feito/solicitado na fase fiscalizatória”, fato este que, por si só, justificaria a nulidade da autuação. Acrescenta que a fiscalização não teria apontado as despesas que teriam sido consideradas pela contribuinte na composição dos créditos e que não teriam sido aceitas pela fiscalização por falta de base legal ou de provas. Teria a fiscalização se limitado a alegar “que a Requerente aproveitouse de créditos indevidos, porém sem discriminar quais seriam os CFOPs glosados”. Que “a simples apresentação de planilha comparativa entre os créditos de COFINS declarados em DACON e os ‘créditos auditados’” não seria suficiente ao entendimento das razões da glosa. Sustenta que não teria sido demonstrada pela fiscalização a forma pela qual obteve determinados valores indicados nas planilhas anexas ao Termo de Verificação Fiscal. Que o fato de a fiscalização relacionar em uma das planilhas anexas ao Auto de Infração quais seriam os CFOPs que não dariam direito a crédito “não auxilia a Requerente na identificação dos valores glosados”, pois a maioria dos CFOPs indicados naquela planilha “não fazem parte do crédito declarado pela Requerente, ou seja, a Requerente não se aproveitou dos créditos decorrentes destas operações”. Prossegue (destaques no original): 24. Nesse cenário, a Requerente se encontra em uma situação em que precisa se defender do desconhecido, em nítida violação ao seu direito de ampla defesa. A simplória conclusão da D. Fiscalização de que os créditos de COFINS apurados pela Requerente teriam causado "insuficiência de recolhimento" não é suficiente para que a Requerente exerça plenamente o seu direito de defesa. 25. Cabia à D. Fiscalização motivar a sua conclusão, apontando as razões que embasam seu entendimento de que os valores não oferecidos à tributação deveriam ter composto a base de cálculo da COFINS, o que não foi feito, pois a partir da análise do Termo de Verificação Fiscal não é possível saber a natureza Fl. 2356DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 149 7 (CFOP's) dos créditos glosados. É necessário que a D. Fiscalização esclareça de modo compreensível os motivos de possuir entendimento diverso da Requerente no que se refere ao aproveitamento de créditos de COFINS na modalidade não cumulativa, trazendo fundamentos jurídicos e fáticos que dão suporte ao seu entendimento e, mais que isso, indicando expressa e objetivamente quais as despesas que, em sua visão, não dão direito a crédito. Cita jurisprudência e conclui (destaques no original): 27. O adequado conhecimento dos fatos que ensejaram a autuação é essencial para que a Requerente exerça sua defesa na esfera administrativa de forma completa. Por oportuno, vale dizer que a mera apresentação da presente Impugnação não tem o condão de afastar o cerceamento do direito de defesa, até porque o fato de a Requerente ter de supor quais foram as razões que levaram a D. Fiscalização a glosar determinados créditos de COFINS, já que a motivação da autuação foi inadequada, demonstra que houve prejuízo em seu direito de defenderse. 28. Assim, resta demonstrado que o Auto de Infração é nulo e deve ser integralmente cancelado, uma vez que não se reveste das formalidades essenciais impostas pela legislação tributária. Caso esse não seja o entendimento de Vossa Senhoria, o que se admite apenas por argumentação, a Requerente passa a demonstrar os motivos que justificariam o cancelamento da presente exigência fiscal, com base no que foi possível inferir do Termo de Verificação Fiscal. Assim, no mérito, a Requerente demonstrará e comprovará que os créditos de COFINS declarados na DACON observaram o artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29.12.2003 (“Lei 10.833/03”), bem como a Jurisprudência administrativa e judicial. Sob o título “MOTIVOS DETERMINANTES PARA O CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA FISCAL”, passa a contestar o mérito das glosas efetuadas. Inicia com um tópico denominado “(a) Validação dos créditos de COFINS declarados em DACON”. Afirma que, com base na Lei nº 10.833, de 2003, recolheu a COFINS sobre suas receitas e apropriouse de créditos em relação a custos e despesas contemplados no texto legal citando como exemplos os insumos, fretes, energia elétrica, entre outros. Apresenta um quadro demonstrativo indicando os valores declarados em Dacon (COFINS apurada, créditos descontados e valor a pagar) e em DCTF. Esclarece ter ocorrido equívoco no preenchimento da DCTF relativa ao mês de setembro/2009: (...) Acrescenta estar anexando, com o intuito de possibilitar a análise dos créditos declarados em Dacon, um “resumo com indicação da natureza das operações e os respectivos CFOP's que a Requerente considerou para composição do crédito no período questionado”, e “planilhas mensais com discriminação Fl. 2357DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 150 8 detalhada de todas as operações que fizeram parte da composição do crédito de COFINS”. Reitera que a fiscalização não teria discriminado os créditos glosados, cujo aproveitamento pela contribuinte foi considerado indevido, tendo se limitado a relacionar em planilha os CFOPs que não dariam direito a crédito, planilha esta cujo exame permitiu à interessada constatar “que não se aproveitava do crédito decorrente da maioria dessas operações”. Informa ter elaborado “planilha que aponta os CFOP's e valores das operações decorrentes de CFOP's supostamente controversas” e salienta que “do total glosado pela fiscalização, R$ 3.754.735,82 corresponderiam à glosa destes CFOP's de frete e energia elétrica”. Conclui: 36. Embora a fiscalização tenha apontado que a Requerente não teria direito ao crédito, a Requerente demonstrará que tem direito ao crédito sobre tais operações, a saber: (i) frete; e (ii) energia elétrica. Assim, nos próximos itens, a Requerente demonstrará seu direito, reiterando que as demais operações que geraram crédito para a Requerente referemse à insumos (bens e serviços), importações, aluguéis, aquisição de equipamentos para o ativo fixo, dentre outros. 37. Diante do exposto, a Requerente pleiteia a conversão do Julgamento em diligência para que a D. Fiscalização possa efetuar o trabalho de validação dos créditos declarados pela Requerente, tendo em vista a composição mensal ora apresentada e demais informações/documentos que poderão ser solicitados pela D. Fiscalização para a confirmação da exatidão dos valores declarados pela Requerente. Reiterese que tais informações não foram solicitadas no curso da fiscalização. Abre novo tópico, intitulado “(b) A natureza das despesas que deram origem aos créditos de COFINS glosados pela D. Fiscalização”, no qual inicialmente discorre de forma genérica e sintética sobre o regime da não cumulatividade, limitandose na verdade, a transcrever parcialmente o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, e concluir (destaques no original): 39. Notase que, no que interessa a presente defesa, o legislador autoriza expressamente a tomada de créditos em relação a bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, dentre eles o frete (artigo 3º, incisos II e IX), bem como a energia elétrica consumida nos estabelecimentos (artigo 3º, inciso III). A seguir, no subtópico “(b.1) Energia Elétrica”, contesta as glosas que, como diz, “supõe” que teriam sido efetuadas sobre suas despesas com aquisição de energia elétrica. Inicialmente ressalta que a contestação se refere a glosas que “supõe” que tenham sido efetuadas (o destaque é do original): Fl. 2358DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 151 9 40. Com base nas planilhas anexadas ao Auto de Infração pelo I. Fiscal, a Requerente supõe que dentre os créditos glosados se encontram créditos decorrentes de despesas com a aquisição de energia elétrica por estabelecimento comercial e industrial (CFOP's 1253/2253 estabelecimento comercial e 1252/2252 estabelecimento industrial), que foram considerados na composição do crédito declarado pela Requerente. Primeiramente, é importante destacar que provavelmente houve erro na utilização dos CFOP's 1253/2253, uma vez que a empresa é comprovadamente Industrial e, portanto, toda a aquisição da energia elétrica deveria ter sido feita sob os CFOP's 1252/2252. [Obs.: a nota de rodapé a que remete o texto tem os seguintes dizeres: “Em especial a planilha ‘inconsistencia_cfop_sem_direito_credito’”] Diz então que, não obstante o possível erro quanto ao CFOP indicado, não concorda com as glosas, uma vez que a legislação expressamente autoriza o aproveitamento de créditos calculados sobre despesas com aquisição de “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica”. Pleiteia o reconhecimento do direito ao crédito e o cancelamento da exigência fiscal. No subtópico seguinte “(b.2) Frete”, contesta as glosas que, em suas palavras, “supõe” terem sido efetuadas sobre tais despesas. Novamente inicia ressaltando que a contestação se refere a glosas que “supõe” que tenham sido efetuadas (destaque no original. 43. Na linha do que foi mencionado acima, a Requerente também supõe que a D. Fiscalização tenha considerado indevidos os créditos aproveitados pela Requerente relacionados com despesas com frete (CFOP's 1353/2353 aquisição de serviço de transporte por estabelecimento comercial 1352/2352 aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial e 1932/2932 aquisição de serviço de transporte iniciado em unidade da federação diversa). Primeiramente, é importante destacar que provavelmente houve erro na utilização dos CFOP's 1352/23523(sic), uma vez que a empresa é comprovadamente industrial e, portanto, toda a aquisição de frete deuse por estabelecimento industrial. Afirma que “independente da ressalva acima, no que se refere às despesas com frete, a Lei 10.833/03 permite o desconto dos créditos (i) no frete referente à aquisição de insumos para a produção ou bens adquiridos para revenda, (ii) no frete quando é um bem ou serviço utilizado como insumo na prestação de serviços ou na produção de um bem, e (iii) no frete da operação de venda”. Observando que o direito ao crédito sobre despesas com fretes é reconhecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, cita soluções de consulta e também jurisprudência do STJ. Invocando jurisprudência do CARF, sustenta ainda o direito a créditos calculados sobre despesas com “frete interno”, Fl. 2359DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 152 10 assim entendido o frete referente ao transporte de bens entre estabelecimentos diversos da mesma pessoa jurídica. Conclui: 48. Portanto, resta comprovado o direito da Requerente aos créditos relativos a desposas com frete na aquisição de insumos (inciso II); transferência entre estabelecimentos para posterior operação de venda (frete interno inciso IX); e na operação de venda (inciso IX). Ressaltese que tais valores de frete são suportados pela Requerente e, por esse motivo, a Requerente teria direito ao crédito. Inicia então novo subtópico, intitulado “(b.3) Bens e serviços utilizados como insumo no processo produtivo”, novamente registrando a suposta dificuldade em exercer seu direito de defesa: 49. Além da glosa de créditos decorrentes de operações de aquisição de energia elétrica e frete, a D. Fiscalização glosou outros créditos sem, contudo, especificar suas operações. Mesmo sem poder exercer o seu direito à ampla defesa, na medida em que não conseguiu identificar na autuação os motivos que levaram o I. Fiscal a glosar tais créditos, a Requerente assevera que o inciso II do artigo 3º da Lei 10.833/03 estabelece a possibilidade de aproveitamento de créditos em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Observando que o texto legal não define o conceito de insumo nem estabelece quais seriam os bens e serviços passíveis de creditamento, alega que a fiscalização, na linha do estabelecido pelas Instruções Normativas SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, “considera insumo apenas os bens ou serviços diretamente utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados à venda, ou aplicados ou consumidos na prestação do serviço”, ntendimento este que estaria equivocado por divergir “da posição atualmente firmada pela outrina e jurisprudência administrativa sobre o conceito de Insumo”. Discorrendo exaustivamente sobre o tema e trazendo à colação doutrina e jurisprudência, defende, basicamente, que “o conceito de insumo deve estar atrelado à noção e empreendimento, ou seja, de tudo aquilo que colabora de forma imprescindível (essencial) à formação de receita e faturamento”, e que, deste modo “é possível afirmar que esse conceito deve incorporar todos os gastos ou custos que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade”. Não se abstém de sustentar, como é praxe na defesa desta tese, que “o conceito de ‘insumo’ para fins de PIS e COFINS pode ser assemelhado aos conceitos de ‘custo da produção’ e ‘despesas necessárias’ previstos nos artigos 290, I, e 299 do Regulamento do Imposto de Renda (‘RIR/99’)”. Assim conclui este ponto (com os destaques do original): Fl. 2360DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 153 11 63. Diante disso, o conceito de insumo, para fins de creditamento da contribuição da COFINS, deve ser entendido como correspondente a todos os gastos, custos ou despesas que sejam indispensáveis (essenciais) para a comercialização de mercadorias. Ou seja, são insumos aqueles gastos, custos ou despesas sem os quais não seria possível para a empresa fabricar e comercializar suas mercadorias ou ainda prestar serviços. 64. Em síntese, conceitualmente, identificase um “insumo” a ser utilizado na fabricação de produtos quando restar demonstrada a essencialidade ou imprescindibilidade desse custo ou despesa para a respectiva operação. 65. Assim, caso a D. Fiscalização tenha glosado créditos decorrentes de bens ou serviços que se enquadram no conceito de insumo admitido pelos Tribunais Administrativos ou Judiciais, a Requerente pleiteia que tal glosa seja desconsiderada, cancelandose a exigência fiscal de COFINS, uma vez que a legislação permite a tomada de crédito sobre bens e serviços utilizados como insumo no processo produtivo e a jurisprudência aplica conceito mais amplo ao termo insumo justamente para permitir que todas as despesas necessárias e essenciais ao processo produtivo dêem direito a crédito. 66. Não obstante isso, considerando a imprecisão da presente autuação, a conversão do julgamento em diligência é medida que se impõe para que seja possível identificar as operações que tiveram seus créditos glosados, permitindo que a Requerente demonstre que atendeu aos ditames da lei. A seguir, contesta a “INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO”, dizendo que: • a multa configura penalidade e não tem natureza tributária e, portanto, não há razão para ser aplicada sobre seu valor a referida taxa de juros; o aumento da multa pela aplicação de taxa de juros caracteriza o agravamento da sanção, o que é inaceitável; • a Lei nº 9.250, de 26.12.1995, que instituiu o uso da taxa SELIC para correção de débitos tributários, somente é aplicável ao valor principal, ou seja, somente é aplicável aos tributos e contribuições propriamente ditos; “a multa aplicada não é débito decorrente de tributos e contribuições a possibilitar a aplicação da norma legal. Repitase: multa é penalidade e, como tal, não há lei que autorize sua correção pela taxa SELIC”; • referida taxa de juros também não pode ser aplicada com base na “previsão do artigo 43 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996 (...), pois tal norma apenas autoriza a aplicação dos juros SELIC quando a multa é lançada isoladamente, sem tributo principal devido”, que não é o caso dos autos. Fl. 2361DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 154 12 Cita jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e diz restar “evidente a impossibilidade de cobrança de juros SELIC sobre a multa aplicada no presente caso, caso seja mantida a exigência fiscal, o que se alega apenas para fins de argumentação”. Apresenta então suas conclusões e pedidos (destaques no original): 72. Diante de todo o exposto, a Requerente tem como demonstrado em preliminar, a nulidade do Auto de Infração tendo em vista a ausência de motivação clara e precisa da autuação, já que a D. Fiscalização não demonstrou as operações que tiveram seus créditos glosados e, além disso, não apresentou elementos que permitissem com que a Requerente identificasse as operações em questão. Tal fato prejudica sensivelmente o direito de defesa da Requerente. Portanto, de plano, se requer a declaração de nulidade da autuação. 73. No mérito, caso a autuação não seja anulada, o que se alega apenas para fins de argumentação, a Requerente apresentou planilhas e informações da composição mensal do crédito para que sejam validados/confirmados os valores dos créditos de COFINS declarados pela Requerente na DACON e os recolhimentos efetuados. Na hipótese, a Requerente trouxe a apuração mensal do crédito de COFINS discriminando todas as operações, sendo que tais operações dão direito a crédito nos termos do artigo 3º da Lei 10.833/2003. Assim, a Requerente pleiteia a conversão do julgamento em diligência para que o trabalho de validação/confirmação seja feito pela D. Fiscalização e os créditos controversos sejam devidamente discriminados para possibilitar a defesa da Requerente. 74. Neste ponto, a Requerente demonstrou seu direito a[o]s créditos de Cofins sobre despesas com energia elétrica e frete, nos termos do artigo 3º, incisos I, II, III e IX da Lei 10.833/03; e despesas essenciais e imprescindíveis para a manutenção de suas atividades e que, portanto, geram direito a crédito de COFINS, nos termos do artigo 3º, incisos I e II, da Lei 10.833/03. 75. Por fim, a Requerente demonstrou que (i) a multa de ofício no valor de 75% da exigência é excessiva e extrapola os limites razoabilidade e da proporcionalidade, devendo ser reduzida; e (ii) se aplicável a taxa SELIC, ela somente poderá incidir sobre o crédito tributário principal, não podendo recair sobre o valor da multa de ofício, que é penalidade e não tem natureza tributária. 76. Pelo exposto, caso a nulidade acima seja superada, a Requerente pleiteia a conversão do julgamento em diligência, nos termos do artigo 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, e do artigo 57, inciso IV, do Decreto nº 7.574/11, cumulados com o artigo 38 da Lei nº 9.784/99. A conversão do processo em diligência e/ou a realização de uma perícia contábil é necessária para que a totalidade dos documentos possa ser analisada e não Fl. 2362DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 155 13 restem dúvidas acerca da improcedência da cobrança, haja vista a validade dos créditos de COFINS utilizados pela Requente e a correção da apuração das contribuições no período de março a dezembro de 2009. 77. A Requerente indica como assistente técnico o Sr. Antônio Marchi Bastos Neto, brasileiro, com escritório na Avenida Juscelino Kubitschek, 1.309, 9º andar, Vila Nova Conceição, CEP 04543011, telefone (11) 35689147 e email: antonio.marchi@unilever.com e anexa os Quesitos (doc. nº 21) formulados para realização de diligência, protestando pela apresentação de quesitos suplementares ou elucidativos. 78. Por fim, comprovada a exatidão dos procedimentos adotados pela Requerente, bem como a total improcedência do Auto de Infração ora impugnado, pleiteia a Requerente seja INTEGRALMENTE ACOLHIDA a presente Impugnação para que seja cancelada a exigência fiscal e determinado o arquivamento do respectivo processo administrativo. 79. Em atenção ao principio da verdade material que deve orientar todo o processo administrativo fiscal e com fundamento no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, a Requerente protesta ainda pela juntada posterior de documentos a corroborar seu direito. Por meio da Resolução nº 3.163, de 10/11/2014 (fls. 1940/1946), a então 16ª Turma desta DRJ/Ribeirão Preto decidiu converter o julgamento em diligência, solicitando à DRF de origem que: • discrimine, com totalizações mensais, quais lançamentos de insumos ou despesas foram desconsiderados, ocasionando a lavratura do auto de infração, esclarecendo, inclusive, o tipo/natureza deles, bem como a razão pela qual tais “insumos” não dão direito a crédito para apuração do PIS/Pasep e da Cofins na modalidade não cumulativa; • manifestese a respeito dos documentos apresentados pela contribuinte, bem como das alegações quanto à desconsideração de aquisições de bens e serviços cujos CFOP, em princípio, gerariam crédito; • em havendo divergências entre as bases de cálculo da contribuição utilizadas pela contribuinte e as consideradas pela fiscalização, elabore demonstrativos das receitas que, no entendimento da fiscalização, devem compor a base de cálculo da contribuição, discriminandoas por CFOP, com totalizações mensais, e quadros comparativos com os valores considerados pela contribuinte; • elabore Relatório Fiscal conclusivo, devidamente fundamentado, pronunciandose sobre os pontos acima referidos, bem como acerca da validade e dimensão dos créditos da não cumulatividade informados no Dacon de maio a dezembro de 2009, e da correspondente repercussão sobre o crédito tributário lançado. Fl. 2363DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 156 14 Após as providências que considerou adequadas ao atendimento do quanto solicitado na referida resolução, o AuditorFiscal incumbido da diligência emitiu a Informação Fiscal de fls. 2086/2092. Após breve introdução na qual relata o objeto do procedimento, o AuditorFiscal esclarece novamente a metodologia adotada por ocasião da ação fiscal da qual resultou a lavratura do Auto de Infração, expõe a base legal dos créditos da não cumulatividade da Cofins que foi adotada na diligência, e passa então a descrever as análises efetuadas. Informa acerca das intimações efetuadas à contribuinte bem como de suas respostas, e prossegue: Na análise efetuada, constatouse que a contribuinte aproveitou créditos de PIS e COFINS referentes a serviços em CFOPs que originalmente não dão direito a crédito e que, por essa razão não haviam sido considerados pela fiscalização quando da lavratura do auto de infração, o que gerou, grosso modo, as diferenças apresentadas à época, quais sejam: CFOP 1.999 e 2.999, que no período em análise (março a dezembro/2009) totalizou R$ 226.019.667,77 e R$ 38.878.660,68 de base de crédito respectivamente, conforme o já referido DOC Nº 8 da Impugnação (fl. de nº 2075 ). Analisando as planilhas mensais com discriminação de todas as operações que fizeram parte da composição do crédito do P1S/COFINS declarado, apresentadas pela contribuinte junto à sua correspondência recepcionada em 28/12/2016, não foi constatada divergência para os CFOPs geradores de créditos, com exceção, claro, dos acima mencionados. Como no DACON da Contribuinte, todos os serviços encontram se declarados na Linha 3 das Fichas 6 A (PIS) e 16 A (COFINS) “SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS”, nesses valores estão inclusos os CFOPs 1.933, 2.933 (que originariamente geram créditos) e também os valores declarados nos CFOPs 1.999 e 2.999 (não originariamente geradores de crédito). Considerando que a contribuinte apresentou relação analítica de todas as operações incluídas nesses CFOPs, discriminadas por NF de cada serviço tomado, que serviu de base para a tomada de crédito, procedemos análise de todas essas operações, com a segregação dos serviços, que pela legislação pertinente e narrada anteriormente, dão direito a crédito das operações, e que pela mesma legislação, não dão direito a crédito. Em decorrência, elaboramos as planilhas mensais “AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS COM DIREITO A CRÉDITO” (Termo de Anexação de Arquivo NãoPaginável fl. de nº 2082) e em contrapartida, as planilhas mensais “AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS SEM DIREITO A CRÉDITO” (Termo de Anexação de Arquivo NãoPaginável fl de nº 2083). Fl. 2364DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 157 15 Com base nas referidas planilhas, procedemos à elaboração do quadro resumo denominado “DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DAS BASES DE CÁLCULO GLOSADAS E ACEITAS, CONFORME ANEXOS” (fl. de nº 2084), no qual se encontram os valores mensais das bases de cálculo declaradas pela contribuinte em DACON, o valor da base de cálculo, cuja glosa foi mantida e ainda, a parte da base de cálculo aceita nesta diligência. A título de ilustração, citamos alguns itens que segundo a contribuinte geraram crédito, mas que por sua natureza, sem dúvida se situam à margem da legislação que rege o aproveitamento de crédito, tais como: notas fiscais de serviços administrativos relacionados a publicidade e propaganda, honorários advocatícios, despesas com pessoal, serviços de informática, etc... conforme se depreende da Planilha "AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS SEM DIREITO A CRÉDITO". Ainda na referida listagem (CFOPs 1.999 e 2.999), constam ao longo do período, valores relevantes de serviços ligados ao ativo imobilizado — Serviços de montagem de equipamentos, Serviços de Engenharia/Instalação de máquinas e equipamentos, etc... que isoladamente ou em seu conjunto, deveriam integrar o Ativo Imobilizado da contribuinte, para posterior depreciação ou amortização. A manutenção da glosa do crédito tanto do PIS quanto da COFINS, decorre do fato de que a contribuinte simplesmente não procedeu à sua imobilização, considerandoos diretamente como despesas ou custos e dessa forma, aproveitando integralmente e de única vez os créditos decorrentes. Ora, o aproveitamento de crédito decorrente do ativo imobilizado, no regime não cumulativo, passa primeiro pela sua imobilização e se dará ao longo do tempo, quer seja pelas regras do art. 3º, Inciso VI das leis 10.637/2002 – PIS e 10.833/2003 – COFINS, através da depreciação ou amortização desses bens ou, de forma alternativa, pelo regime de aquisição (1/48 avos) ao mês, conforme artigo 3º, § 14 da lei 10.833/03 e estendido ao PIS pelo Inciso II do artigo 15 desta mesma lei. Concluídos os levantamentos, procedemos ao demonstrativo a seguir com a nova situação dos valores do auto de infração (valor principal), que no entender desta fiscalização devem persistir. Fl. 2365DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 158 16 Importante observar que estando a matéria em fase de julgamento, os conceitos de “VALOR ACEITO” e “VALOR MANTIDO”, visam tão somente apresentar subsídios aos doutos julgadores. Entretanto, a segregação foi realizada, segundo entendimento desta fiscalização, à luz da legislação já citada. Finalmente, cabe observar que o auto de infração foi lavrado com base exclusivamente nas divergências encontradas nas bases de cálculo das operações de crédito. Portanto, não houve constituição de crédito com base em receitas. Em atendimento ao disposto na Resolução DRJ/RPO nº 3.163, de 10 de novembro de 2014 (fls. nºs 1940 a 1946), damos ciência, à contribuinte com envio do presente relatório circunstanciado, por via postal, sobre o resultado da diligência fiscal, abrindolhe prazo de 30 (trinta) dias, a contar do recebimento deste, para que possa apresentar, se de seu interesse for, manifestação com relação ao presente feito. Cientificada em 10/07/2017, conforme Termo de Ciência de fls. 2100/2101, no dia 08/08/2017 a contribuinte apresentou o aditamento à impugnação de fls. 2105/2122. Alega tempestividade, reportase resumidamente aos “fatos precedentes”, desde a ação fiscal até a Resolução desta DRJ por meio da qual o julgamento foi convertido em diligência e passa a manifestarse acerca do “Relatório de Diligência de fls. 2086/2092”. Fl. 2366DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 159 17 Menciona os esclarecimentos fornecidos pelo AuditorFiscal sobre os documentos utilizados na execução da diligência bem como as planilhas que resultaram da análise efetuada, e assevera que, analisandoas, “é possível afirmar que a D. Fiscalização analisou a DACON da Requerente e apontou quais créditos, no seu entender, não poderiam ter sido aproveitados, com a recomendação de redução do crédito tributário objeto da autuação”. Manifesta então sua “concordância com relação às glosas canceladas pela D. Fiscalização, uma vez que, conforme afirmado no relatório fiscal, representam insumo relacionado à atividade produtiva da Requerente” e pleiteia o cancelamento da exigência no tocante às glosas que, na diligência, a fiscalização entendeu que deveriam ser canceladas. Manifesta, contudo, sua discordância quanto às glosas mantidas. Diz que os créditos glosados, de um modo geral, “podem ser classificados como: (i) serviços prestados por terceiros; (ii) bens adquiridos para serem aplicados no processo produtivo; (iii) publicidade e propaganda; e (iv) frete”. Acrescenta que embora a DRJ tivesse solicitado a indicação dos motivos das glosas, “constou no relatório fiscal apenas que as despesas que deram origem aos créditos glosados não se enquadrariam no conceito restritivo de insumo (i.e. conceito decorrente das Instruções Normativas – ‘IN’ – nº 247/2002 e 404/2004)”, e que, além disso, a fiscalização “afirmou que alguns créditos não poderiam ter sido utilizados pois alguns decorreriam de serviços (engenharia, instalação de máquinas e equipamentos, etc.) que deveriam integrar o Ativo Imobilizado da contribuinte”. Conclui: 18. Diante disso, a Requerente apresenta este aditamento à Impugnação, reiterando as alegações/documentos apresentados na Impugnação de 30.4.2014, nos termos a seguir exposto e requerendo que os aspectos abaixo indicados também sejam considerados no julgamento em primeira instância administrativa. Alega a “NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO”, nos seguintes termos (os destaques são do original): 19. A Requerente demonstrou em sua impugnação que a metodologia utilizada pela D. Fiscalização para elaboração do Auto de Infração enseja a nulidade da autuação, já que cerceia o direito de defesa da Requerente e viola o artigo 10 do Decreto 70.235/72. Nesse sentido, a Requerente reitera todos os termos do item 3 de sua Impugnação. 20. Apenas para que não haja dúvidas, a Requerente destaca que a nulidade da autuação foi comprovada por meio da realização de diligência. Isso porque, para atender à determinação da DRJ(sic), a D. Fiscalização precisou analisar as planilhas que demonstram a composição do DACON da Requerente para, então, discordar de alguns créditos. Ou seja, apenas com base no trabalho fiscal que resultou na autuação, a D. Fiscalização Fl. 2367DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 160 18 não conseguiria cumprir o que foi determinado pela DRJ (apontar quais créditos foram glosados e explicar o motivo). 21. Reiterese que o I. Agente Fiscal responsável pela diligência, ciente da determinação da DRJ, deparouse com a mesma dificuldade que a Requerente teve para elaborar a sua Impugnação: não sabia quais créditos tinham sido glosados, se levasse em consideração apenas o trabalho fiscal que ensejou a autuação. Precisou, pois, utilizar as planilhas apresentadas pela Requerente em sua Impugnação e que demonstram a composição do DACON. 22. Portanto, após a realização da diligência, não há qualquer dúvida de que o Auto de Infração é nulo, já que a metodologia adotada pelo I. Agente Autuante não apresenta a motivação da autuação, tampouco fornece os documentos que permitem a compreensão dos fatos que levaram à exigência fiscal, o que viola o artigo 10 do Decreto 70.235/72. Passa então à discussão do mérito no tocante às “GLOSAS MANTIDAS PELA D. FISCALIZAÇÃO”. Após mencionar que a fiscalização admitiu parte dos créditos e glosou outros, recomendando significativa redução dos valores lançados, registra novamente sua discordância quanto às glosas mantidas, observa que a fiscalização expressamente afirmou ter utilizado o conceito de insumo previsto nas instruções normativas, conceito este com o qual não concorda e, “por esse motivo, reitera e ratifica todos os termos do item IV de sua Impugnação, no intuito de que também seja confirmado a indevida glosa da parcela mantida”. Observa ainda que “o novo trabalho fiscal indicou quais créditos houve a manutenção da glosa (que constam na planilha ‘AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS SEM DIREITO A CRÉDITO’ fl. 2083) e, portanto, neste aditamento a Requerente se defenderá com relação a estes”. Contesta o conceito de insumo adotado pela fiscalização, que se encontra previsto nas Instruções Normativas RFB nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004. Registra que os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, autorizam o aproveitamento de créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”, porém não definem o conceito de insumo. Sustenta que seria restritivo o conceito de insumo estabelecido nas referidas instruções normativas, segundo as quais somente são considerados insumos “os bens ou serviços diretamente utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados à venda ou aplicados/consumidos na prestação do serviço”. Diz que este conceito decorre daqueles definidos nas legislações do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS e do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI. Como o ICMS incide sobre a circulação de mercadorias e o IPI sobre a operação de industrialização de produtos, é Fl. 2368DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 161 19 inadequada a adoção deste conceito de insumo para as contribuições em questão, que incidem sobre o faturamento. Assim, “é plausível que o conceito de insumo para essas contribuições deva assemelharse aos conceitos de ‘custo de produção’ e ‘despesas necessárias’ previstos nos artigos 290, I, e 299 do Decreto 3000, de 26.3.1999 (‘Regulamento do Imposto de Renda’ ou ‘RIR’)”. Prosseguindo nesta linha de argumentação, diz ser “defensável que o conceito de insumo no âmbito do PIS e da COFINS deve ser interpretado de forma ampla, nos termos do RIR, para que contemple todos os custos e despesas com bens e serviços que sejam imprescindíveis à consecução de seu objeto social”, reitera que as leis de regência não definiram o conceito de insumo e acrescenta que estas, no entanto, “também não apresentaram ressalvas”. Deste modo, as Instruções Normativas SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, teriam inovado e desrespeitado o princípio da estrita legalidade. Traz à colação doutrina e jurisprudência em apoio à sua tese de que deve ser adotado um conceito amplo de insumo de modo a contemplar “todos os custos e despesas com bens e serviços que sejam imprescindíveis à consecução de seu objeto social”. Sustenta então que, mesmo não sendo admitida a “interpretação ampla do conceito de insumo”, não deve prevalecer a interpretação “restritiva” adotada na diligência, pois “há acórdãos do E. CARF adotando interpretação intermediária, na medida em que atualmente afasta tanto a regência das regras do IRPJ, quanto a aplicação restritiva das regras do IPI, fixando o entendimento de que o conceito de insumos para fins de PIS e COFINS deve obedecer a regras próprias”, entendimento que também vem sendo adotado por alguns Ministros do STJ, que menciona. Cita jurisprudência neste sentido e conclui: 40. Concluise, portanto, que a interpretação atual do conceito de insumo está vinculada à essencialidade ou imprescindibilidade do custo ou despesa para a respectiva operação. Admitida esta interpretação, restará comprovado o direito aos créditos de PIS e COFINS apurados pela Requerente em relação ao período de março a dezembro de 2009 e a indevida glosa realizada pela D. Fiscalização via diligência. (destaques no original) Passa, a seguir, à defesa do “direito aos créditos cuja glosa foi mantida pela D. Fiscalização”. À guisa de introdução ao tema diz que do exame da “planilha ‘AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS SEM DIREITO A CREDITO’ (fl. 2083)” verificase que a fiscalização “manteve a glosa dos créditos relacionados a: (i) serviços prestados por terceiros; (ii) bens adquiridos como insumos; (iv) publicidade e propaganda; (v) locação de veículos e equipamentos de áudio e vídeo; e (vi) frete”. Ainda em sede de introdução, registra que na época dos fatos geradores “era empresa que se dedicava, dentre outras atividades, à fabricação, transformação, beneficiamento, conservação, armazenagem, transporte, distribuição, importação, exportação, comércio e Fl. 2369DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 162 20 divulgação de diversos tipos de produtos (produtos de limpeza e higiene doméstica, produtos alimentícios, produtos de perfumaria, etc), conforme descrito em seu contrato social, anexado à Impugnação ora aditada”. Inicia um tópico intitulado “(A) Serviços prestados por terceiros e utilizados como insumos”, dizendo serem indevidas as glosas de créditos que “decorrem de serviços prestados por terceiros, como instalação de máquinas e equipamentos, montagem, serviço de isolação térmica, assistência técnica (trabalhista, tributária), construção civil e pintura, limpeza e conservação, transporte de pessoal, análise de amostras, dentre outros”, uma vez que “todos esses serviços são essenciais à sua atividade”. A título de exemplo, referese aos serviços de conservação e limpeza. Diz que, como na época industrializava e comercializava produtos alimentícios, “a limpeza e conservação de seus estabelecimentos é imprescindível à sua atividade e está diretamente ligada ao processo produtivo da empresa”, devendo, assim, ser caracterizados como insumos os materiais e serviços utilizados nesta atividade, sendo, portanto, legítimos os créditos calculados sobre tais dispêndios. Invoca jurisprudência do STJ que entende corroborar sua tese. No mesmo sentido é a defesa relativa aos créditos calculados sobre despesas com “manutenção de máquinas e equipamentos”: 46. Além disso, a Requerente incorreu com gastos que visavam à manutenção de máquinas e equipamentos utilizados em seu processo produtivo, seja para garantir a segurança dos funcionários (manutenção de equipamentos de segurança, elevadores, letreiro) ou dos equipamentos utilizados na consecução das atividades da Requerente (equipamento para escritório, carrinhos, quiosques, etc). A Requerente não teria como fabricar produtos de limpeza, higiene e alimentícios, por exemplo, na situação hipotética em que seus equipamentos não funcionam. Cita jurisprudência e, com argumentos semelhantes, quais sejam, a indispensabilidade de tais serviços para a consecução de seu objeto social, defende o direito aos créditos calculados sobre serviços de transporte de funcionários, de assessoria jurídica e técnica e de publicidade e propaganda. Vejase: (...) Neste ponto da manifestação de inconformidade a linha de defesa difere apenas no tocante às despesas com serviços de construção civil e de pintura, em relação aos quais diz entender “que possui direito aos créditos decorrentes dessas despesas”, uma vez que o art. 3º, VII, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, “permite créditos de PIS e COFINS sobre edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros”. Assim conclui este tópico: Fl. 2370DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 163 21 53. Enfim, todos os serviços prestados por terceiros que glosados pela D. Fiscalização geram créditos de PIS e COFINS, nos termos do artigo 3º, II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03, já que caracterizam insumos ao processo produtivo da Requerente. Em novo tópico, “(B) Bens utilizados como insumos”, contesta as glosas que teriam sido mantidas sobre os créditos apropriados a este título. Apresenta uma relação, a seguir reproduzida, de produtos cujas glosas considera indevidas: (...) Diz que, “aos menos aos leigos, a utilização de fosfato tricalcio, carboximetil celulose ou glutamato monossodico, por exemplo, só faz sentido no cenário de um processo industrial”, e que se a fiscalização tivesse dúvidas “quanto à utilização desses bens no processo produtivo da Requerente, deveria ter solicitado esclarecimentos”. Conclui: 57. Diante disso, as despesas incorridas para a aquisição desses bens devem ser caracterizadas como insumos aplicados no processo produtivo, uma vez que são efetivamente essenciais às atividades da Requerente, nos termos do artigo 3º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. No tópico seguinte, “(C) Frete”, contesta as glosas sobre despesas com fretes que afirma terem ocorrido, embora não tenham sido mencionadas pela fiscalização, nos seguintes termos (os destaques são do original): 58. Embora a D. Fiscalização não afirme textualmente que glosou créditos de frete, é possível verificar nas planilhas “AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS SEM DIREITO A CRÉDITO” que despesas de frete foram, de fato, glosadas. 59. Para comprovar essa afirmação, a Requerente destaca as seguintes glosas que constam na planilha referente ao mês de maio (citada a titulo exemplificativo para construção de argumento que se aplica a todo o período discutido neste feito): Fl. 2371DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 164 22 60. Ou seja, verificase pela razão social do prestador de serviço e pelo seu CNPJ (docs. nº 2 e 3) que várias despesas de frete foram glosadas, ainda que a descrição do produto/serviço não o faça parecer. 61. Nesse sentido, é fato que a despesa incorrida com frete gera créditos de PIS e de COFINS, seja nos termos do artigo 3º, IX, da Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03 (que autoriza crédito do frete incorrido na operação de venda), seja nos termos da jurisprudência do E. CARF (que autoriza crédito de frete decorrente da aquisição de insumos e da transferência de produtos entre plantas). 62. Portanto, em relação às despesas que decorrem de frete (ainda que a descrição do produto/serviço não seja precisa), a glosa efetuada pela D. Fiscalização deverá ser cancelada, ficando ainda reiterados todos os argumentos desenvolvidos na impugnação que tratam do tema (especialmente item IV, “b.2”). Apresenta contestação genérica sobre outras glosas que teriam sido feitas: 63. Embora a Requerente tenha dado especial destaque à questão dos serviços e bens utilizados como insumos, isso foi feito apenas como forma de demonstrar a improcedência das glosas de créditos de COFINS apontadas na diligência. Nesse sentido, a Requerente, por meio desta manifestação, impugna todas as glosas realizadas pela D. Fiscalização e que foram mantidas, ainda que não tenham sido expressamente mencionadas, sem prejuízo de análise individualizada das despesas pelos DD. Julgadores. Fl. 2372DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 165 23 64. Frisese que todos os créditos aproveitados pela Requerente encontram respaldo na legislação e no conceito de insumo adotado pela jurisprudência atualmente, razão pela qual todo o crédito tributário deverá ser cancelado, inclusive no que se refere ao “remanescente” indicado no relatório de diligência. Por fim, apresenta suas conclusões e pedidos: 65. Este aditamento à Impugnação é tempestivo e deve ser integralmente conhecido, apreciado e acolhido em suas razões de fato e de direito, que demonstram a nulidade da presente autuação e a total improcedência da exigência fiscal. 66. Diante do exposto, a Requerente pleiteia o acolhimento integral do presente aditamento à Impugnação para que, somado aos argumentos/documentos da Impugnação, seja anulada a presente autuação fiscal ou cancelada a sua exigência fiscal, com o consequente arquivamento do processo administrativo. A Requerente protesta ainda pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários, nos termos do artigo 16, § 4º, alínea “a” do Decreto 70.235/72, bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. 67. Por fim, a Requerente reitera mais uma vez todos os argumentos dispostos em sua Impugnação. A 11ª Turma da DRJ Ribeirão Preto julgou a impugnação procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 1472.746, de 26 de outubro de 2017, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada em procedimento fiscal a falta de declaração e/ou recolhimento e a declaração inexata de tributo e/ou contribuição é cabível a aplicação da multa de 75%. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Fl. 2373DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 166 24 Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. PROVA. A prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa os custos, encargos e despesas expressamente previstos na legislação de regência. Para efeito da apuração de créditos no regime não cumulativo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente como aqueles bens e serviços diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços a terceiros. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS, PARTES E PEÇAS UTILIZADAS NA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO E PINTURAS. Os serviços, partes e peças utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos diretamente utilizados na fabricação ou produção de bens ou serviços destinados à venda, que importem aumento da vida útil superior a um ano, devem ser incorporados ao ativo imobilizado, para, só então, passarem a gerar créditos da não cumulatividade, os quais deverão ser calculados sobre os encargos de depreciação ou amortização. Igualmente, os serviços de construção e pintura somente geram créditos após sua incorporação ao ativo imobilizados, calculados também sobre os respectivos encargos de depreciação ou amortização. Fl. 2374DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 167 25 NÃO CUMULATIVIDADE. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. CRÉDITOS SOBRE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS COM BASE NO VALOR DE AQUISIÇÃO. No regime da não cumulatividade, apenas os bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito calculado sobre os encargos de depreciação ou calculado com base no valor de aquisição. É vedado o desconto de créditos relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS. ASSESSORIA TÉCNICA E JURÍDICA. PUBLICIDADE E PROPAGANDA. TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS. CONSERVAÇÃO E LIMPEZA. GESTÃO ADMINISTRATIVA. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Dispêndios com aquisição de serviços de transporte de funcionários, de conservação e limpeza, de publicidade e propaganda, de assessoria jurídica ou técnica, bem como de gestão administrativa, não dão direito a créditos da não cumulatividade, por inexistência de autorização legal expressa para o cálculo de créditos sobre tais despesas, e, ainda, por se tratarem de serviços que não se caracterizam como insumos, eis que não são empregados diretamente na fabricação ou produção de bens ou serviços destinados à venda. FALTA DE RECOLHIMENTO. APROPRIAÇÃO INDEVIDA DE CRÉDITOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS VERIFICADOS EM DILIGÊNCIA FISCAL. DESCONTOS. EXONERAÇÃO. No julgamento administrativo são considerados válidos os créditos da não cumulatividade apurados em procedimento de diligência fiscal, devendo ser exonerados da exigência os valores correspondentes aos créditos cuja legitimidade foi reconhecida no referido procedimento. O acórdão foi submetido ao recurso necessário em vista do valor exonerado, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72, em conformidade com o disposto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. É o breve relatório. Voto Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 168 26 Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso de ofício foi apresentado com observância dos requisitos de admissibilidade, de forma que passo a análise O recurso de ofício trata da reconhecimento de créditos das contribuições apuradas no regime da não cumulatividade, após realização de diligência fiscal proposta pela instância a quo. Conforme já relatado, a 11ª Turma da DRJ Ribeirão Preto baixou os autos à unidade preparadora para que fosse realizada diligência fiscal e sanar lacunas na instrução processual de forma a dar supedâneo a formação da convicção do citado órgão julgador. Pelo relatório da diligência, o sujeito passivo possuía créditos da não cumulatividade a seu favor. Diante da constatação, a instância a quo excluíu da exigência fiscal os créditos reconhecidos em sede de diligência. Contudo, fez algumas observações sobre a planilha apresentada pela fiscalização, pois a mesma continha erros nos cálculos, conforme trecho abaixo reproduzido, verbis: Como visto, na diligência fiscal realizada, em face dos esclarecimentos e documentos apresentados pela contribuinte, o AuditorFiscal reconheceu o direito a créditos da não cumulatividade em valores superiores aos que tinham sido considerados por ocasião da ação fiscal de que resultou a lavratura do Auto de Infração, conforme o quadro demonstrativo apresentado na Informação Fiscal de fls. 2086/2092. Estes valores devem, portanto, ser excluídos da exigência formalizada no Auto de Infração. Por outro lado, conforme acima exposto, não puderam ser acolhidos os argumentos apresentados pela contribuinte em defesa da legitimidade dos créditos que havia informado em Dacon. Assim, os únicos valores a serem excluídos da exigência fiscal são os valores correspondentes aos créditos da não cumulatividade reconhecidos pela fiscalização no procedimento de diligência fiscal, conforme o quando demonstrativo abaixo. PA Lançado Excluído Mantido 03/2009 2.553.474,73 1.056.593.28 1.486.881,45 04/2009 2.563.040,21 861.067,28 1.701.972.93 05/2009 3.955.939,13 1.643.301,86 2.312.637,27 06/2009 3.099.198,99 740.281,21 2.358.917,78 07/2009 3.173.159,79 855.777,52 2.317.382,27 08/2009 3.020.372,20 1.235.477,81 1.784.896,39 09/2009 5.182.616,93 3.390.585,96 1.792.030,97 10/2009 2.848.928,33 1.124.005,16 1.724.923,17 11/2009 2.532.501,63 1.086.682,95 1.445818,68 12/2009 3.741.953,91 1.996.169,62 1.745784,29 Total 32.671.187,85 13.989.942,65 18.681.245,20 A respeito deste quadro é oportuno observar que o mesmo apresenta duas diferenças com relação ao quadro apresentado pela fiscalização (fl. 2091). O valor total do crédito tributário excluído constante do quadro acima difere da soma dos totais Fl. 2376DF CARF MF Processo nº 10314.722688/201414 Acórdão n.º 3302006.738 S3C3T2 Fl. 169 27 constantes nas colunas “Valor Aceito Serviços” e “Valor Aceito Demais Insumos”, devido a erro cometido pela fiscalização na totalização da coluna “Valor Aceito Demais Insumos”. Outro erro de cálculo verificado na planilha de fl. 2091 é o valor que a fiscalização aponta como devendo ser mantido no mês de março/2009, que não corresponde à diferença entre o valor lançado e os créditos reconhecidos na diligência. Após analisar planilha que consta no relatório de diligência, identifico o mesmo erro apontado pela DRJ, o resultado da diferença entre o valor lançado e o valor reconhecido no mês de março de 2009 contém um erro de cálculo. Sendo assim, como o cancelamento da exigência fiscal, objeto deste recurso de ofício, tem por lastro a profunda análise da Autoridade Fiscal, não vislumbro reparos a fazer no acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento. Neste norte, nego provimento ao recurso de ofício. É como voto. Gilson Macedo Rosenburg Filho Valor Lançado Valor Excluído Serviços Valor Excluído Demais Insumos Total Valor Excluído Valor Mantido Diligência 2.553.474,73 131.250,34 925.342,94 1.056.593,28 1.477.881.45 DRJ 2.553.474,73 1.056.593,28 1.496.881,45 Fl. 2377DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.723105/2013-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2012
PRAZO RECURSAL. TEMPESTIVIDADE. a legislação - artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 c/c o regramento dos arts. 210 do CTN e 5° do Decreto n° 70.235, de 1972 e a jurisprudência deste CARF fixou o entendimento de que, quando a intimação pessoal ou por via postal é feita em dia não útil (sábados, domingos ou feriados) ou em dia de expediente anormal, considera-se efetivada a intimação no primeiro dia útil seguinte. E o prazo para iniciar a contagem recursal se inicia no próximo dia útil após a ciência/intimação do Contribuinte.
LANÇAMENTO FISCAL. FATO GERADOR. PRESUNÇÃO. POSSIBILIDADE.
Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias previdenciárias, têm o dever legal e funcional de, verificando a ocorrência de fato gerador de contribuição para a previdência social, efetuar o correspondente lançamento tributário e aplicar as sanções legalmente previstas. A presunção legal relativa prevista nos §§ 3º e 6º, do art. 33 da Lei nº 8.212/91 é recurso legalmente admitido como meio de prova supletiva, e utilizado quando o fato discutido não se possa provar por meios diretos, mas que todo o conjunto de situações que o circundam não possibilite conclusão diversa, senão a da ocorrência da situação presumida, havendo a possibilidade de se trazerem outras provas em sentido contrário.
PAGAMENTO DE PLANO DE SAÚDE MÉDICO HOSPITALAR E ODONTOLÓGICO. REMUNERAÇÃO INDIRETA.
Salário-de-contribuição é toda a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, conforme art. 28 da Lei nº 8.212/1991. O pagamento de remuneração de forma indireta, por meio de custeio de planos de saúde médico hospitalar e odontológico que não contemple a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa não está excluído do conceito de salário-de-contribuição, não estando inserido nas hipóteses de exclusão previstas no § 9º do art. 28, da Lei nº 8.212/91.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL VALETRANSPORTE PAGAMENTO EM PECÚNIA. SÚMULA CARF Nº 89. "A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia."
EMPRÉSTIMOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Os pagamentos registrados na contabilidade da empresa devem ser demonstrados mediante a exibição dos comprovantes dos respectivos lançamentos de modo a provar que se tratam efetivamente de empréstimos, bem como deve ser comprovado que os mesmos foram devidamente quitados pelos beneficiários.
CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO.
Para ter eficácia perante terceiros o contrato de mútuo deve atender aos requisitos da legislação civil, estar devidamente contabilizado e registrado. Caso contrário os pagamentos devem ser considerados como remuneração paga aos sócios e contribuintes individuais pelos serviços prestados, passível de incidência de contribuições previdenciárias.
INDENIZAÇÕES TRABALHISTAS - ÔNUS DA PROVA É do contribuinte sob ação fiscal ou em sede de defesa o ônus de comprovar, através de documentação idônea, a natureza indenizatória de verbas rescisórias lançadas em sua escrita contábil.
FRETES E CARRETOS.
É devida pela empresa a contribuição sobre a remuneração paga devida ou creditada ao condutor autônomo de veículo rodoviário, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros.
TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. FRETES.
O salário-de-contribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário, conforme estabelecido no § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social/RPS, Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, corresponde a 20% do valor bruto auferido pelo freto carreto ou transporte.
Numero da decisão: 2401-005.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os valores relativos à rubrica vale transporte. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente convocada). Ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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TEMPESTIVIDADE. a legislação artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 c/c o regramento dos arts. 210 do CTN e 5° do Decreto n° 70.235, de 1972 e a jurisprudência deste CARF fixou o entendimento de que, quando a intimação pessoal ou por via postal é feita em dia não útil (sábados, domingos ou feriados) ou em dia de expediente anormal, considerase efetivada a intimação no primeiro dia útil seguinte. E o prazo para iniciar a contagem recursal se inicia no próximo dia útil após a ciência/intimação do Contribuinte. LANÇAMENTO FISCAL. FATO GERADOR. PRESUNÇÃO. POSSIBILIDADE. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias previdenciárias, têm o dever legal e funcional de, verificando a ocorrência de fato gerador de contribuição para a previdência social, efetuar o correspondente lançamento tributário e aplicar as sanções legalmente previstas. A presunção legal relativa prevista nos §§ 3º e 6º, do art. 33 da Lei nº 8.212/91 é recurso legalmente admitido como meio de prova supletiva, e utilizado quando o fato discutido não se possa provar por meios diretos, mas que todo o conjunto de situações que o circundam não possibilite conclusão diversa, senão a da ocorrência da situação presumida, havendo a possibilidade de se trazerem outras provas em sentido contrário. PAGAMENTO DE PLANO DE SAÚDE MÉDICO HOSPITALAR E ODONTOLÓGICO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. Saláriodecontribuição é toda a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, conforme art. 28 da Lei nº 8.212/1991. O AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 31 05 /2 01 3- 92 Fl. 675DF CARF MF 2 pagamento de remuneração de forma indireta, por meio de custeio de planos de saúde médico hospitalar e odontológico que não contemple a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa não está excluído do conceito de saláriodecontribuição, não estando inserido nas hipóteses de exclusão previstas no § 9º do art. 28, da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL VALETRANSPORTE PAGAMENTO EM PECÚNIA. SÚMULA CARF Nº 89. "A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia." EMPRÉSTIMOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os pagamentos registrados na contabilidade da empresa devem ser demonstrados mediante a exibição dos comprovantes dos respectivos lançamentos de modo a provar que se tratam efetivamente de empréstimos, bem como deve ser comprovado que os mesmos foram devidamente quitados pelos beneficiários. CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros o contrato de mútuo deve atender aos requisitos da legislação civil, estar devidamente contabilizado e registrado. Caso contrário os pagamentos devem ser considerados como remuneração paga aos sócios e contribuintes individuais pelos serviços prestados, passível de incidência de contribuições previdenciárias. INDENIZAÇÕES TRABALHISTAS ÔNUS DA PROVA É do contribuinte sob ação fiscal ou em sede de defesa o ônus de comprovar, através de documentação idônea, a natureza indenizatória de verbas rescisórias lançadas em sua escrita contábil. FRETES E CARRETOS. É devida pela empresa a contribuição sobre a remuneração paga devida ou creditada ao condutor autônomo de veículo rodoviário, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros. TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. FRETES. O saláriodecontribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário, conforme estabelecido no § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social/RPS, Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, corresponde a 20% do valor bruto auferido pelo freto carreto ou transporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os valores relativos à rubrica vale transporte. Solicitou fazer declaração de voto o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente Fl. 676DF CARF MF Processo nº 18470.723105/201392 Acórdão n.º 2401005.984 S2C4T1 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente convocada). Ausente a Conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking Relatório Contra o contribuinte acima identificado foram lavrados Autos de Infração em função de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativas às Contribuições Sociais Previdenciárias de responsabilidade da empresa, destinadas à Seguridade Social, inclusive aquelas destinadas ao financiamento do beneficio previsto nos artigos 57 e 58 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1991 e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, as contribuições dos segurados, bem como as contribuições destinadas a outras entidades e fundos, todas incidentes sobre os valores das remunerações a estes pagas, conforme abaixo especificado: Obrigação Principal: · DEBCAD 51.019.6071 – lavrado em 23/05/2013 no valor total de R$ 1.691.756,12 – (fls. 321/355) Contribuição previdenciária da empresa e do empregador; · DEBCAD 51.019.6080 – lavrado em 23/05/2013 no valor total de R$ 272.042,17 (fls. 356/373) Contribuição para outras entidades e fundos; · DEBCAD 51.019.6098 – lavrado em 23/05/2013 no valor total de R$ 718.729,93 (fls. 374/393) Contribuição Previdenciária – Segurados; Além disso, foram também lavrados os Autos de Infração por descumprimento de obrigações acessórias abaixo relacionados: · DEBCAD 51.019.5989 – lavrado em 23/05/2013 no valor total de R$ 24.384,94 (fls. 394) apresentação de arquivo digital que não atende à forma estabelecida pela RFB; · DEBCAD 51.019.6055 – lavrado em 23/05/2013 no valor total de R$ 10.832,50 (fls. 395) apresentação de arquivo digital com omissão ou incorreção; · DEBCAD 51.019.6004 – lavrado em 23/05/2013 no valor total de R$ 1.717,38 (fls. 396) elaboração de folha de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal; Fl. 677DF CARF MF 4 · DEBCAD 51.019.6012 – lavrado em 23/05/2013 no valor total de R$ 17.173,58 (fls. 397) deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; · DEBCAD 51.019.6039 – lavrado em 23/05/2013 no valor total de R$ 17.173,58 (fls. 398) não apresentação de livro ou documento relacionado com as Contribuições Previdenciárias; · DEBCAD 51.019.6063 – lavrado em 23/05/2013 no valor total de R$ 1.717,38 (fls. 399) deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto nas remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço; · DEBCAD 51.019.6047 – lavrado em 23/05/2013 no valor total de R$ 3.000,00 (fls. 400) apresentar GFIP com incorreções e omissões. Dos débitos acima descritos, encontramse extintos pelo pagamento conforme despacho às fls. 525 e telas do sistema Sinal às fls. 515/516: DEBCAD 51.019.6039 – lavrado em 23/05/2013 no valor total de R$ 17.173,58; DEBCAD 51.019.6047 – lavrado em 23/05/2013 no valor total de R$ 3.000,00; DEBCAD 51.019.6004 – lavrado em 23/05/2013 no valor total de R$ 1.717,38; e DEBCAD 51.019.6055 – lavrado em 23/05/2013 no valor total de R$ 10.832,50 De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 05/35), a Fiscalização informa os seguintes fatos: Verificouse que a empresa efetuou recolhimentos mediante GPS em valores superiores aos declarados em GFIP por competência. Intimada a esclarecer os fatos geradores referentes aos recolhimentos a maior e retificar a GFIP, se assim coubesse (Termo de Intimação nº 04, fls. 48/49), a impugnante não se manifestou. A solicitação foi refeita através do Termo de Intimação nº 06, fls. 79/80, também não atendida pela empresa autuada; Da análise das folhas de pagamento apresentadas, a fiscalização constatou que não foram incluídos nestas a totalidade dos contribuintes individuais, especialmente os sócios da pessoa jurídica; Foram constatadas inconsistências em relação às folhas de pagamento e os resumos sintéticos. A impugnante foi, então, intimada, através do Termo de Intimação nº 06, fls. 79/80, a corrigir tais inconsistências, mas não procedeu ao solicitado; Outros erros e omissões foram constatados pela fiscalização que, através dos Termos de Intimação números 04 a 08, fls. 49/113, intimou a fiscalizada a corrigilos, mas nenhum dos termos foi atendido; Fl. 678DF CARF MF Processo nº 18470.723105/201392 Acórdão n.º 2401005.984 S2C4T1 Fl. 4 5 Comparando as remunerações declaradas na folha de pagamento com aquelas declaradas em GFIP, a fiscalização constatou que não foram registrados todos os segurados a serviço da impugnante, bem como foram registradas remunerações inferiores às efetivamente pagas. Constatouse que algumas rubricas presentes na folha de pagamento não foram contabilizadas na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, tais como, 0267 – Assist Méd Depend Férias e 0072 – Despesas com Viagem. Intimada, através do Termo de Intimação nº 08, fls. 110/113, a esclarecer as razões para não oferecimento de tais rubricas à tributação, bem como apresentar comprovantes das despesas correlatas, a impugnante não atendeu à intimação; Rubrica 0267 – Assistência Médica Depend. Férias. De acordo com a fiscalização, os pagamentos referentes a tal rubrica foram realizados diretamente aos segurados e não a um prestador de serviço por um benefício. Além disso, os pagamentos foram feitos a apenas alguns segurados. Mesmo que fosse extensivo a todos, entendeu a fiscalização que o pagamento configura remuneração em espécie e não concessão de um benefício e que, portanto, integra a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. Rubrica 0072 – Despesas com viagem. Inicialmente esclareceu o Auditor Fiscal que as despesas de viagem têm caráter ressarcitório, destinadas a custear gastos realizados pelos trabalhadores na execução do trabalho e, assim, tornálo viável. Desta forma, não têm natureza salarial as despesas de viagem sujeitas à prestação de contas. Entretanto, as despesas referentes a viagens alheias à relação de trabalho, pagas pela empresa, integram a remuneração. Desta forma, necessária a comprovação acerca da natureza da viagem custeada, se necessária ao trabalho ou se consiste em remuneração por esse trabalho. Todavia, o sujeito passivo não atendeu ao Termo de Intimação nº 08 (fls. 110/113), através do qual foi intimado a apresentar documentos ou esclarecimentos para comprovar a existência de despesas a ser reembolsadas e a necessidade das viagens para trabalho. Em razão do não atendimento à referida intimação, os valores pagos foram considerados como remuneração dos segurados empregados. Foram constatadas divergências entre a conta 510101020050005 – Salários e os valores informados na folha de pagamento na rubrica 001 – Salário Normal. Intimada, através do Termo de Intimação nº 07 (fls. 92/93), a apresentar na folha de pagamento as informações referentes a todos os registros contáveis feitos na conta 51010102005005 – Salários, além de esclarecer e comprovar as diferenças apontadas entre a contabilidade e a folha, a autuada não atendeu à intimação. Em função das divergências encontradas, a fiscalização concluiu que a folha de pagamento elaborada pelo sujeito passivo não registra a remuneração de todos os segurados a seu serviço ou registra remuneração inferior à efetivamente paga. Valores registrados na conta 510101030050006 – Férias, cujas contrapartidas são a conta CAIXA, não foram informados na folha de pagamento nem em GFIP; Fl. 679DF CARF MF 6 Também foram detectadas inconsistências referentes ao pagamento de Vale Transporte, cujos esclarecimentos e comprovantes foram solicitados através do Termo de Intimação nº 07, fls. 92/107. Entretanto, a intimação não foi atendida. Considerando que é vedado ao empregador substituir o valetransporte por antecipação em dinheiro, a fiscalização considerou que tais pagamentos integram a remuneração do trabalhador e são, portanto, base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. Não foram declarados em GFIP os valores correspondentes aos serviços prestados pela cooperativa de trabalho médico UNIMED, bem como não foram realizados os recolhimentos tendo como base a alíquota de 15% sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas; A Fiscalização identificou uma saída de caixa no valor de R$ 20.000,00 que, de acordo com o histórico da conta 110402000010155 – S. R. Produções, seria um empréstimo contraído pelo sujeito passivo. Diante do não atendimento ao Termo de Intimação nº 07 (fls. 92/107), através do qual foi solicitada a documentação suporte dos registros feitos na citada conta, o Auditor Fiscal entendeu tratarse o pagamento de remuneração paga a segurado contribuinte individual, sujeito, portanto, à incidência de contribuições previdenciárias; No grupo Ativo Realizável a Longo Prazo foi identificada a conta 120105000010101 – FINANCIAMENTO, cujo saldo inicial no anocalendário 2009 foi de R$ 196.471,40 e o saldo final foi de R$ 361.473,72. O histórico dos registros tratam de financiamento vencido concedido pelo sujeito passivo. A empresa autuada não atendeu ao Termo de Intimação nº 07 (fls. 92/107), através do qual foram solicitadas a documentação suporte e os registros contábeis do ano de 2008 que comprovem o saldo inicial desta conta em 2009, os contratos de financiamento envolvidos e as baixas de ativo, ainda que ocorrida em período posterior a 2009. Diante da constatação da existência de ativo não devolvido, constituído de pagamentos a beneficiários não identificados, a fiscalização considerou tais saídas como remuneração paga a segurado contribuinte individual não identificado, sujeito à incidência de Contribuição Previdenciária; Raciocínio semelhante foi aplicado às contas 120104000010100 – Consórcio RODOBENS e 120106000010102 – Leasing, cuja documentação suporte para os registros foi solicitada através do citado Termo de Intimação nº 07, incluindo, entre outros, os contratos de consórcio e leasing, bem como a baixa do ativos, ainda que ocorrida em período posterior a 2009. Diante do não atendimento à intimação, a fiscalização concluiu tratarse de remuneração paga a segurado contribuinte individual, revestida na forma de consórcio ou leasing cujo beneficiário não foi identificado, sujeita, portanto, à incidência de Contribuição Previdenciária; Também foram objeto de intimação (Termo de Intimação nº 07, fls. 92/107), com solicitação de documentação suporte dos registros contábeis, as contas do passivo 210502000020023 – Honorários a pagar, 210510000020031 – Indenizações a pagar e 210512000020033 – Férias a pagar; A conta do passivo 210901000020300 – Diversas a pagar tinha saldo inicial de R$ 785.919,78; não sofreu qualquer aumento ao longo de 2009 e foi integralmente baixada ao longo do ano, sendo que R$ 332.019,78 foram pagos em dinheiro ou cheque e R$ 453.900,00 foram transferidos para a conta de passivo 210902000020301 – Cenerios e Cenas Cons. Asses. Quanto ao valores pagos em dinheiro e cheque, os pagamentos se refeririam a devoluções de empréstimos contraídos junto a diversas empresas do mesmo grupo econômico do sujeito passivo e a uma pessoa física (Valentim Júlio G. de Souza). Intimada, através do Termo de Intimação nº 07 a apresentar os documentos correspondentes aos respectivos Fl. 680DF CARF MF Processo nº 18470.723105/201392 Acórdão n.º 2401005.984 S2C4T1 Fl. 5 7 registros contábeis, a fiscalizada não atendeu à intimação. Em função da omissão do sujeito passivo, a fiscalização entendeu que os referidos pagamentos foram efetuados a segurados contribuintes individuais não identificados, sujeitos à incidência de Contribuição Previdenciária; Conta 210902000020301 – Cenerios e Cenas Cons. Asses: o histórico da conta descreve que as baixas se referem a devoluções de empréstimos contraídos junto a empresas do mesmo grupo econômico do sujeito passivo. Intimada, através do Termo de Intimação nº 07 (fls. 92/107), a apresentar os documentos correspondentes aos respectivos registros contábeis, a autuada não atendeu à intimação. Em função da omissão do sujeito passivo, a fiscalização entendeu que os referidos pagamentos foram efetuados a segurados contribuintes individuais não identificados, sujeitos à incidência de Contribuição Previdenciária; Conta 510102010050042 – Aluguéis e encargos: os históricos dessa conta descrevem pagamento de aluguéis. Dentre esses pagamentos foram identificados alguns referentes a aluguéis de galpões usados nas atividades da empresa, mas, também, outros referentes a pagamentos de aluguéis e condomínios que, no entendimento da fiscalização, podem estar beneficiando pessoa físicas. Intimada, através dos Termos de Intimação número 05 (fls. 61/76) e 07 (fls. 92/107), a apresentar, dentre outros documentos suporte dos registros contábeis, os contratos celebrados com os locadores e os comprovantes dos pagamentos efetuados, o sujeito passivo não atendeu às intimações. Em função disso, a fiscalização segregou os pagamentos em relação aos quais ficou evidente o pagamento de aluguel de galpões e instalações de uso comum da atividade da empresa autuada. Para os demais registros, concluiu a fiscalização, que houve pagamentos que beneficiaram contribuintes individuais não identificados, sujeitos, portanto, à incidência de Contribuição Previdenciária; Conta 510102090050050 – Fretes e Carretos PF: os históricos dos registros descrevem pagamentos de frete de caminhão e van, mas os valores não foram declarados em GFIP. Intimada, através dos Termos de Intimação número 05 (fls. 61/76) e 07 (fls. 92/107), a apresentar, dentre outros documentos suporte dos registros contábeis, os contratos correspondentes, a impugnante não atendeu às intimações. Em função disso, a fiscalização concluiu trataremse de pagamentos efetuados a prestadores de serviço pessoa física (segurado contribuinte individual), sujeito à incidência de Contribuição Previdenciária, sendo que o salário de contribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário corresponde a 20% do valor bruto auferido com o frete; Conta 510102130050054 – Material de Consumo: a conta apresenta um lançamento de despesa no valor de R$ 8.243,83, feito em conjunto com o pagamento do 13º salário, cujo histórico descreve pagamento de material de consumo. Intimada, através dos Termos de Intimação número 05 (fls. 61/76) e 07 (fls. 92/107), a apresentar a documentação suporte dos registros contábeis, a impugnante não atendeu às intimações. Em função da não apresentação de documentação comprobatória, a fiscalização concluiu tratarse de pagamentos a beneficiários empregados não identificados; Conta 510102180050059 – Seguros: os históricos descrevem pagamentos referentes a seguro de vida e seguros de veículos. Um dos registros evidencia um desconto referente a benefício pago a empregado. Intimada, através do Termo de Intimação número 05 (fls. 61/76), a apresentar, dentre outros documentos suporte dos registros contábeis, os Fl. 681DF CARF MF 8 contratos celebrados, a relação dos beneficiários dos pagamentos efetuados e os comprovantes de propriedade dos veículos segurados, a impugnante atendeu parcialmente às intimações. Considerando que parte dos registros evidencia pagamento de seguro de vida em grupo, a empresa foi intimada, através do Termo de Intimação número 07 (fls. 92/107), a apresentar a relação dos beneficiários incluídos nas apólices de seguro de vida, os contratos celebrados, a relação de segurados cobertos pela apólice e os motivos para eventual não inclusão de algum empregado. Diante do não atendimento total das intimações, não foi possível determinar se o benefício é extensível a todos os segurados, condição para que não incida Contribuição Previdenciária. Por tal motivo, a fiscalização concluiu tratarse de remuneração na forma de benefícios pagos a empregados, sujeitos à incidência de Contribuição Previdenciária. Conta 510102190050060 – Luz, Gás e Água: segundo a fiscalização, os históricos não permitiram concluir que os pagamentos referemse ao consumo em imóveis de uso do sujeito passivo, sendo que alguns históricos descrevem pagamentos de contas de água de casas, as quais poderiam pertencer a pessoas físicas ligadas ao sujeito passivo e sem relação com a atividade da empresa. Intimada, através dos Termos de Intimação número 05 (fls. 61/76) e 07 (fls. 92/107), a apresentar os documentos suporte dos registros contábeis, a fiscalizada não atendeu às intimações. Diante do não atendimento às intimações, a fiscalização considerou que os valores das despesas registradas na conta 510102190050060 – Luz, Gás e Água são remunerações na forma de utilidades, pagas a segurados contribuintes individuais, sujeitas à incidência de Contribuição Previdenciária. Conta 510102210050062 – Telefone e Telex, Fax: segundo a fiscalização, não foi possível determinar, pelos históricos dos registros, que os telefones são de uso do sujeito passivo. Intimada, através do Termo de Intimação nº 05 (fls. 61/76), a apresentar a documentação suporte dos registros contábeis e a definir os usuários dos telefones relacionados, a empresa atendeu à intimação. Dentre a documentação apresentada, encontram se Notas Fiscais emitidas em nome dos sócios da impugnante, Abel Silveira Gomes e Sheila Lourenço da Roza, referente aos serviços de telefonia na residência destes (que são casados e moram no mesmo endereço). Outros registros referemse a pagamentos de contas de telefone da empresa Alphagolf Montagens Ltda, CNPJ 09.307.713/000177, cujos sócios possuem o mesmo sobrenome dos sócios da empresa autuada. Novamente intimada acerca da referida conta, através do Termo de Intimação nº 07 (fls. 92/107), a fiscalizada atendeu parcialmente à intimação. Da análise dos documentos apresentados, constatouse que a impugnante realizou, além do pagamento de contas de telefone dos próprios sócios, pagamento de contas de telefone do Sr. Flávio Francisco da Roza Machado, sócia da empresa Alphagolf Montagens Ltda. Desta forma, concluiu a fiscalização que tais pagamentos configuram remuneração na forma de utilidades pagas a contribuintes individuais. Conta 510101080050011 – Indenizações: segundo os históricos, todos os pagamentos referemse a processos trabalhistas. Intimada, através do Termo de Intimação nº 07 Fl. 682DF CARF MF Processo nº 18470.723105/201392 Acórdão n.º 2401005.984 S2C4T1 Fl. 6 9 (fls. 92/107) a apresentar a documentação suporte dos registros contábeis, incluindo petições iniciais, decisões judiciais, GPS de recolhimento, a impugnante não atendeu à intimação. Considerando que não ficou comprovado que os valores registrados na conta em análise se referem ao pagamento determinado em processos trabalhistas ou a indenizações, a fiscalização considerou que os valores das despesas registradas na referida conta são remunerações pagas a segurados empregados não identificados, sujeitas à incidência de Contribuições Previdenciárias; Outra conta em relação à qual a empresa fiscalizada foi intimada, através do Termo de Intimação nº 07 (fls. 92/107), a apresentar a documentação suporte dos registros contábeis, foi a conta 51010000050041 – Despesas Gerais. Da análise dos documentos apresentados em relação a esta conta, constatou se a compra de ingressos para o carnaval cujo beneficiário foi o sócio do sujeito passivo, Abel Silveira Gomes, além do pagamento de presente à pessoa física Attila Neves Neto. Diante da natureza das despesas, estas foram consideradas como remuneração na forma de utilidades, pagas a contribuintes individuais, sujeitas à incidência de Contribuição Previdenciária. Conta 510102260050067 – Desp. Conservação e Manutenção: considerando que o histórico de algumas operações não mencionam notas fiscais, a fiscalização considerou que tais pagamentos poderiam ter sido realizados a pessoa físicas. Intimado, através do Termo de Intimação nº 07 (fls. 92/107), a apresentar a documentação suporte dos registros contábeis, bem como definir e comprovar quem seriam os beneficiários dos serviços prestados, a autuada não atendeu à intimação. Em função de tal omissão, os pagamentos registrados na conta 510102260050067 – Desp. Conservação e Manutenção foram considerados como remunerações pagas a segurados contribuinte individuais pela prestação de serviços diversos, sujeitas à incidência de Contribuições Previdenciárias; Conta 510102430050200 – Condução e Transporte: intimada, através do Termo de Intimação nº 07 (fls. 92/107), a apresentar a documentação suporte dos registros contábeis, bem como definir e comprovar quem seriam os beneficiários dos serviços prestados, a empresa fiscalizada não atendeu à intimação. Por este motivo, todos os pagamentos registrados na referida conta foram considerados como remunerações na forma de utilidades para a segurados empregados, sujeitas à incidência de Contribuição Previdenciária. Conta 510301100050140 – Previdência Privada: intimada, através do Termo de Intimação nº 07 (fls. 92/107), a apresentar a documentação suporte dos registros contábeis, a empresa apenas informou que os beneficiários são as pessoas físicas Fernando Silveira de Souza e Valentim Júlio Silveira Gomes. Desta forma, os valores das despesas registradas na referida conta foram considerados remunerações na forma de utilidades pagas a segurados contribuintes individuais, sujeitas à incidência de Contribuição Previdenciária. Fl. 683DF CARF MF 10 Autos de Infração por descumprimento de obrigações acessórias: DEBCAD 51.019.5989: apresentação de arquivo digital que não atende à forma estabelecida pela RFB; DEBCAD 51.019.6004: elaboração de folha de pagamento em desacordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal; DEBCAD 51.019.6012: deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; DEBCAD 51.019.5954: não apresentação de livro ou documento relacionado com as Contribuições Previdenciárias; DEBCAD 51.019.6055: apresentação de arquivo digital com omissão ou incorreção; DEBCAD 51.019.6063: deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto nas remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço; DEBCAD 51.019.6047: apresentar GFIP com incorreções e omissões; Devidamente cientificada do lançamento em 31/05/2013 (fl. 411), a Interessada apresentou impugnação tempestiva em 02/07/2013 (fls. 424/433), por intermédio de procurador regularmente constituído, alegando o que segue: (i) Que grande parte do lançamento foi executado com base em presunção, pela falta de apresentação das informações solicitadas nos diversos Termos de Intimação Fiscal; (ii) Que os lançamentos referentes a contribuições da previdência social tanto relativa à empresa, como a segurados e terceiros não permitem uma identificação precisa das suas bases de cálculo; (iii) Que o fiscal autuante não considerou os valores referentes às contribuições já declaradas e que são objeto do processo de Execução Fiscal nº 00190871 2012.4.02.5101, que tramita na 7ª Vara Federal de Execução Fiscal do Rio de Janeiro, que contempla contribuições das competências 11/2008 a 01/2010; (iv) Que o fiscal autuante lavrou algo como 13 (treze) Termos de Intimação Fiscal/TIF, com solicitações a ser cumpridas, de 4 a 15 pontos diferentes, em prazo invariável de 5 dias úteis; (v) Que foi lavrado um TIF para que o sócio Abel apresentasse ou esclarecesse fatos, mas que o sócio Abel não constava do MPF citado na intimação; (vi) Que não foram considerados os valores das contribuições previdenciárias espontaneamente declaradas em GFIP, inclusive objeto da execução fiscal mencionada, e que fica bastante difícil saberse que importância efetivamente deve ser contestada e se esses valores que vão ser contestados dizem respeito unicamente às diferenças encontradas na Fl. 684DF CARF MF Processo nº 18470.723105/201392 Acórdão n.º 2401005.984 S2C4T1 Fl. 7 11 própria folha de pagamento ou se esse montante corresponde às diferentes contas que foram objeto da auditoria; (vii) Quanto à afirmação da fiscalização de que a folha de pagamento do sujeito passivo não registra a remuneração de todos os segurados a seu serviço ou registra remuneração inferior a efetivamente paga, contesta argüindo que isto não está provado nos autos e que os documentos consubstanciados nas planilhas apresentadas pela empresa indicam que estas diferenças não existem quando se trata de folha de pagamento; (viii) Quanto ao fato do sujeito passivo não ter oferecido à tributação as rubricas 0267 – Assistência Médica, dependente e férias e 0072 – Despesas com viagem, afirma que são verbas que não estão submetidas à tributação pois significam meros ressarcimentos de gastos realizados que não integram, a qualquer título, os salários pagos; (ix) Quanto à conta 210506000020027 – Retiradas a pagar, admite que houve um engano por parte da contabilidade, mas afirma que o valor correspondente ao pagamento das retiradas sofreu a retenção da Contribuição Previdenciária; (x) Que as diferenças apontadas na planilha 07, fls. 224, inexistem e que tudo foi recolhido completamente; (xi) Quanto à conta 51010103005000 – Férias, admite a diferença no que se refere a Marcelo Braga; (xii) Não entende que se tome o vale transporte como salário pois não foi pago em dinheiro como supõe o fiscal, tendo em vista que a impugnante nunca paga tal benefício em dinheiro mas sim em vales transporte; (xiii) Quanto ao plano de saúde UNIMED, que não houve, de fato, retenção, pois a UNIMED não destacou o valor em suas notas fiscais; (xiv) Conta 110402000010155 – SR Produções: tratase de recursos repassados entre as empresa em função de empréstimo tomado e pago dentro do mesmo mês; (xv) Financiamento e Consórcio Rodobens e Leasing: há apenas suposições de que se trata de remuneração indireta aos sócios da autuada. Alega que junta documentos para comprovar que tal entendimento não é real; (xvi) Quanto à conta Indenizações a pagar, informa que registra apenas as rescisões trabalhistas e que a impugnante apresentou, ao auditor fiscal, os termos de rescisão trabalhista, não tendo apresentado apenas os termos daqueles que ingressaram com reclamação trabalhista pois, nestes casos, os termos de rescisão integram o processo trabalhista. Informa, ainda, que o saldo da conta representa essas reclamações, pendentes de liquidação; (xvii) Quanto à conta Férias a pagar, alega que também se trata de mera suposição do auditor fiscal de tratarse de pagamento de férias a segurados empregados não identificados; (xviii) Quanto à conta Diversas a pagar, afirma tratarse de empréstimos entre empresas do grupo, interpretada pelo fiscal como pagamento a segurados contribuintes individuais não identificados; Fl. 685DF CARF MF 12 (xix) Quanto à conta 210902000020301 – Cenários e Cenas, informa que se trata de empresa do grupo com à qual foi realizada uma operação de empréstimo; (xx) Que a empresa não realiza pagamentos em dinheiro vivo mas mediante emissão de cheque; (xxi) Que o conjunto de contas de resultado formado pelas contas aluguéis e encargos, fretes e carreto, material de consumo, seguros, luz, gás, água, telefone, fax, indenizações, despesas de manutenção e conservação, condução e transporte e previdência privada foi objeto de tributação baseado exclusivamente na presunção de impedir a incidência de Contribuição Previdenciária; (xxii) Que os autos de infração referentes às obrigações acessórias devem ser analisados no contexto da existência ou não das obrigações principais, com exceção daquele referente ao MANAD, caso em que admite haver inconsistência em função de não constar o item K200; (xxiii) Solicita diligências fiscais necessárias a complementação dos autos e para apresentar as questões que a impugnante gostaria de ver encaminhadas; (xxiv) Por fim, requer o cancelamento dos autos de infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0128.314 da 4ª Turma da DRJ/BEL, às fls. 529/533, não conhecendo da impugnação apresentada, por intempestiva, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Confirase: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARGÜIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. EFEITOS. A impugnação intempestiva com argüição de tempestividade tem o condão de instaurar o contencioso administrativo tãosomente em relação à alegação de tempestividade. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão acima, a autuada apresentou Recurso Voluntário (fls. 537/550), defendendo a tempestividade da sua peça impugnatória. Diante das alegações do contribuinte em relação à tempestividade da impugnação, esta 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/CARF, através do Acórdão 2401004.730 (fls. 581/592), de 04/04/2017, anulou a decisão de 1ª instância, devolvendo o presente processo à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém, para análise da integralidade das alegações da defesa. Recordese: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 686DF CARF MF Processo nº 18470.723105/201392 Acórdão n.º 2401005.984 S2C4T1 Fl. 8 13 Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NORMAS PROCESSUAIS. INTIMAÇÃO. ENVIO DE DOIS AVISOS DE RECEBIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE AFIRMAR O CONTEÚDO DE CADA UM. ADMISSÃO DO ÚLTIMO AR PARA FINS DE CONTAGEM DO PRAZO DE DEFESA. Uma vez comprovado o envio de 02 (dois) Avisos de Recebimento abarcando os documentos pertinentes aos Autos de Infração e ação fiscal sob análise, não havendo condição de se afirmar, com a segurança que o caso exige, o conteúdo de cada um dos AR, impõese admitir como termo inicial do prazo de defesa a data da entrega do último Aviso de Recebimento, especialmente em razão do contribuinte não poder ser penalizada pela dubiedade do procedimento adotado pela fiscalização.” Em seguida, os autos retornaram à primeira instância administrativa para julgamento. Dessa vez, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0134.565 da 4ª Turma da DRJ/BEL, às fls. 602/621, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo, entretanto, parcialmente o crédito tributário exigido: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS PERÍODO: 01/01/2009 A 31/12/2009 LANÇAMENTO FISCAL. FATO GERADOR. PRESUNÇÃO. POSSIBILIDADE. No exercício da competência de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias previdenciárias, os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil têm o dever legal e funcional de, verificando a ocorrência de fato gerador de contribuição para a previdência social, efetuar o correspondente lançamento tributário e aplicar as sanções legalmente previstas. A presunção legal relativa prevista nos §§ 3º e 6º, do art. 33 da Lei nº 8.212/91 é recurso legalmente admitido como meio de prova supletiva, e utilizado quando o fato discutido não se possa provar por meios diretos, mas que todo o conjunto de situações que o circundam não possibilite conclusão diversa, senão a da ocorrência da situação presumida, havendo a possibilidade de se trazerem outras provas em sentido contrário. PAGAMENTO DE PLANO DE SAÚDE MÉDICO HOSPITALAR E ODONTOLÓGICO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. Entendese por saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, conforme art. 28 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 687DF CARF MF 14 O pagamento de remuneração de forma indireta, por meio de custeio de planos de saúde médico hospitalar e odontológico que não contemple a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa não está excluído do conceito de saláriodecontribuição, não estando inserido nas hipóteses de exclusão previstas no § 9º do art. 28, da Lei nº 8.212/91. VALE TRANSPORTE. Integram o saláriodecontribuição previdenciário os valores pagos a título de valetransporte em desacordo com a legislação própria. EMPRÉSTIMOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os pagamentos registrados na contabilidade da empresa devem ser demonstrados mediante a exibição dos comprovantes dos respectivos lançamentos de modo a provar que se tratam efetivamente de empréstimos, bem como deve ser comprovado que os mesmos foram devidamente quitados pelos beneficiários. CONTRATO DE MÚTUO. COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros o contrato de mútuo deve atender aos requisitos da legislação civil, estar devidamente contabilizado e registrado. Caso contrário os pagamentos devem ser considerados como remuneração paga aos sócios e contribuintes individuais pelos serviços prestados, passível de incidência de contribuições previdenciárias. INDENIZAÇÕES TRABALHISTAS ÔNUS DA PROVA É do contribuinte sob ação fiscal ou em sede de defesa o ônus de comprovar, através de documentação idônea, a natureza indenizatória de verbas rescisórias lançadas em sua escrita contábil. FRETES E CARRETOS. É devida pela empresa a contribuição sobre a remuneração paga devida ou creditada ao condutor autônomo de veículo rodoviário, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros. TRANSPORTADOR AUTÔNOMO. FRETES. O saláriodecontribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário, conforme estabelecido no § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social/RPS, Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, corresponde a 20% do valor bruto auferido pelo frete, carreto ou transporte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte” Do resultado do julgamento, o Contribuinte Recorrente acessou o teor dos documentos na data 07/09/2017, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), através da opção Consulta Comunicados/Intimações ou Consulta Processos, os quais já se encontravam disponibilizados desde 06/09/2017 na Caixa Postal do Domicílio Tributário Eletrônico. (fls. 649/650). Fl. 688DF CARF MF Processo nº 18470.723105/201392 Acórdão n.º 2401005.984 S2C4T1 Fl. 9 15 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 10/10/2017 (às fls. 655/669), inicialmente apresentando idênticos argumentos da sua peça impugnatória, no seguinte sentido: (i) Que grande parte do lançamento foi executado com base em presunção, pela falta de apresentação das informações solicitadas nos diversos Termos de Intimação Fiscal; (ii) Que os lançamentos referentes a contribuições da previdência social tanto relativa à empresa, como a segurados e terceiros não permitem uma identificação precisa das suas bases de cálculo; (iii) Que o fiscal autuante não considerou os valores referentes às contribuições já declaradas e que são objeto do processo de Execução Fiscal nº 00190871 2012.4.02.5101, que tramita na 7ª Vara Federal de Execução Fiscal do Rio de Janeiro, que contempla contribuições das competências 11/2008 a 01/2010; (iv) Que o fiscal autuante lavrou algo como 13 (treze) Termos de Intimação Fiscal/TIF, com solicitações a ser cumpridas, de 4 a 15 pontos diferentes, em prazo invariável de 5 dias úteis; (v) Que foi lavrado um TIF para que o sócio Abel apresentasse ou esclarecesse fatos, mas que o sócio Abel não constava do MPF citado na intimação; (vi) Que não foram considerados os valores das contribuições previdenciárias espontaneamente declaradas em GFIP, inclusive objeto da execução fiscal mencionada, e que fica bastante difícil saberse que importância efetivamente deve ser contestada e se esses valores que vão ser contestados dizem respeito unicamente às diferenças encontradas na própria folha de pagamento ou se esse montante corresponde às diferentes contas que foram objeto da auditoria; (vii) Quanto à afirmação da fiscalização de que a folha de pagamento do sujeito passivo não registra a remuneração de todos os segurados a seu serviço ou registra remuneração inferior a efetivamente paga, contesta argüindo que isto não está provado nos autos e que os documentos consubstanciados nas planilhas apresentadas pela empresa indicam que estas diferenças não existem quando se trata de folha de pagamento; (viii) Quanto ao fato do sujeito passivo não ter oferecido à tributação as rubricas 0267 – Assistência Médica, dependente e férias e 0072 – Despesas com viagem, afirma que são verbas que não estão submetidas à tributação pois significam meros ressarcimentos de gastos realizados que não integram, a qualquer título, os salários pagos; (ix) Quanto à conta 210506000020027 – Retiradas a pagar, admite que houve um engano por parte da contabilidade, mas afirma que o valor correspondente ao pagamento das retiradas sofreu a retenção da Contribuição Previdenciária; (x) Que as diferenças apontadas na planilha 07, fls. 224, inexistem e que tudo foi recolhido completamente; (xi) Quanto à conta 51010103005000 – Férias, admite a diferença no que se refere a Marcelo Braga; Fl. 689DF CARF MF 16 (xii) Não entende que se tome o vale transporte como salário pois não foi pago em dinheiro como supõe o fiscal, tendo em vista que a impugnante nunca paga tal benefício em dinheiro mas sim em vales transporte; (xiii) Quanto ao plano de saúde UNIMED, que não houve, de fato, retenção, pois a UNIMED não destacou o valor em suas notas fiscais; (xiv) Conta 110402000010155 – SR Produções: tratase de recursos repassados entre as empresa em função de empréstimo tomado e pago dentro do mesmo mês; (xv) Financiamento e Consórcio Rodobens e Leasing: há apenas suposições de que se trata de remuneração indireta aos sócios da autuada. Alega que junta documentos para comprovar que tal entendimento não é real; (xvi) Quanto à conta Indenizações a pagar, informa que registra apenas as rescisões trabalhistas e que a impugnante apresentou, ao auditor fiscal, os termos de rescisão trabalhista, não tendo apresentado apenas os termos daqueles que ingressaram com reclamação trabalhista pois, nestes casos, os termos de rescisão integram o processo trabalhista. Informa, ainda, que o saldo da conta representa essas reclamações, pendentes de liquidação; (xvii) Quanto à conta Férias a pagar, alega que também se trata de mera suposição do auditor fiscal de tratarse de pagamento de férias a segurados empregados não identificados; (xviii) Quanto à conta Diversas a pagar, afirma tratarse de empréstimos entre empresas do grupo, interpretada pelo fiscal como pagamento a segurados contribuintes individuais não identificados; (xix) Quanto à conta 210902000020301 – Cenários e Cenas, informa que se trata de empresa do grupo com à qual foi realizada uma operação de empréstimo; (xx) Que a empresa não realiza pagamentos em dinheiro vivo mas mediante emissão de cheque; (xxi) Que o conjunto de contas de resultado formado pelas contas aluguéis e encargos, fretes e carreto, material de consumo, seguros, luz, gás, água, telefone, fax, indenizações, despesas de manutenção e conservação, condução e transporte e previdência privada foi objeto de tributação baseado exclusivamente na presunção de impedir a incidência de Contribuição Previdenciária; (xxii) Que os autos de infração referentes às obrigações acessórias devem ser analisados no contexto da existência ou não das obrigações principais, com exceção daquele referente ao MANAD, caso em que admite haver inconsistência em função de não constar o item K200; (xxiii) Solicita diligências fiscais necessárias a complementação dos autos e para apresentar as questões que a impugnante gostaria de ver encaminhadas; Somente após copiar integralmente a sua impugnação, é que a Recorrente apresenta as seguintes argumentações: DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Fl. 690DF CARF MF Processo nº 18470.723105/201392 Acórdão n.º 2401005.984 S2C4T1 Fl. 10 17 (a) O que se observa é que a decisão não contempla nenhum argumento, hipótese ou situação levantados na impugnação. O auto de infração está completo e acabado, não merecendo qualquer reparo. Seguiuse e apoiouse a estratégia, aparentemente traçada pelo Fiscal Autuante, qual seja, avolumase os mais diferentes casos, situações erros ou inconsistências ou pretensas falhas, e traz para os autos diversas contas e despesas, não importa se não, idealmente, aquelas que são propriamente dita relacionadas com o fato gerador das contribuições previdenciárias mas dá uma suposta aparência de acúmulo de irregularidades e, sob alegada presunção do Autuante, procedese o lançamento; (b) A presunção para cada fato objeto do auto é correta não pode ser objeto de questionamento, de vez a legislação ampara induvidosamente a presunção relativa da validade do ato administrativo consubstanciado no lançamento, como traduz a ementa da decisão abaixo. [...] (c) Mas, “o lançamento, enquanto ato jurídico administrativo, deve ser devidamente fundamentado, ou seja, o fisco tem que oferecer prova concludente de que o evento ocorreu na estreita conformidade da previsão genérica da hipótese normativa, conforme lição de Paulo de Barros Carvalho (1998)”. (d) A possibilidade existe, contudo, “o lançamento pressupõe que todas as investigações eventualmente necessárias tenham sido feitas e que o fato gerador tenha sido identificado nos seus vários aspectos subjetivo, material, quantitativo, especial, temporal, pois só com essa prévia identificação é que o tributo pode ser lançado”. (e) Não parece à ora Recorrente que essa linha tenha sido os pressupostos observados para a lavratura do Auto de Infração, objeto da decisão ora recorrida. (f) Por outro lado, ao não admitir a necessidade de diligências, nos termos da quesitação proposta, a decisão reavaliou todo o resultado da fiscalização, a não merecer qualquer contradita, razão porque a Recorrente insiste, como preliminar que este E CARF determine sua realização, até, pelo menos, certificar de que os débitos já sob execução, referente ao período fiscalizado não contempla valores constantes do cos autos infração, consubstanciados nos processo acima referenciado. (g) Não parece razoável que a decisão ora recorrida se baseie unicamente numa afirmação não de comprovável de que os lançamento deriva de fatos que não estavam inseridos na GFIP. Fazse importante uma apreciação mais própria e inteiriça sobre atos. (h) São essas considerações mínimas que a ora Recorrente entende e deseja que sejam avaliadas por este E.CARF, ao analisar os argumentos, como propostos na Impugnação por refletirem a realidade fática da Recorrente. (i) Isto posto, requer a ora Recorrente que esta Colenda Turma, utilizando dos subsídios acumulados em julgamento que tais, possa reformar a decisão de primeira instância para determinar o cancelamento dos autos de infração acima referenciados, por ser medida inteira de JUSTIÇA. É o relatório. Voto Fl. 691DF CARF MF 18 Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE No caso em exame, a tempestividade do recurso voluntário, aferese a contar da data do segundo dia útil após o primeiro dia útil que o contribuinte tiver aberto a mensagem eletrônica em sua Caixa Postal Eletrônica (DTE), lida em 07/09/2017 (quintafeira), feriado nacional, por procurador – 039.451.54804 – Antonio Milao Rodrigues Lima, assim, a data em que se considera formalmente intimado é 08/09/2017, e o prazo começa a fluir no próximo dia útil, que é 11/09/2017, inaugurando, assim, o prazo recursal. Logo, o termo de início para a contagem de prazo recursal iniciouse em 11/09/2017 (segundafeira). Levandose em consideração o lapso temporal para a interposição do Recurso Voluntário (artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 c/c o regramento dos arts. 210 do CTN e 5° do Decreto n° 70.235, de 1972), o termo final seria o dia 10/10/2017 (terça). Assim, tendo em vista que no Processo Administrativo Fiscal os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, o dies a quo da contagem de prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de Recurso Voluntário seria o dia 10/10/2017 (terçafeira). Tendo em vista que o presente recurso fora interposto no dia 10/10/2017 (fl. 670), ou seja, dentro do prazo, preenchendo assim. os requisitos legais para seu conhecimento, passo a analisálo. 2. DAS PRELIMINARES Do lançamento com base em presunção O Recurso Voluntário limitase a alegar que o lançamento foi realizado com base em presunção pelo fato da recorrente não apresentar os esclarecimentos solicitados. De acordo com o reportado no Relatório Fiscal, o contribuinte não atendeu à maior parte dos termos de intimação a ela encaminhados e mesmo nas situações em que apresentou documentos e/ou informações, estes atenderam apenas de forma parcial ao determinado pelo auditor fiscal, incluindo as determinações para correção de informações prestadas por meio de apresentação de declarações. Da Possibilidade de Autuação com Base em Presunções Dispõe o Código de Processo Civil, Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, serem hábeis para provar a verdade dos fatos em que se funda a ação todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados naquele código (art. 369) e, ainda, que em falta de normas jurídicas particulares, o juiz aplicará as regras de experiência comum subministradas pela observação do que ordinariamente acontece (art. 375). Assim sendo, a presunção é recurso legalmente admitido como meio de prova supletiva, e utilizado quando o fato discutido não se possa provar por meios diretos, mas que todo o conjunto de situações que o circundam não possibilite conclusão diversa, senão a da ocorrência da situação presumida, havendo a possibilidade de se trazerem outras provas em sentido contrário. Os §§ 3º e 6º, do art. 33 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, demonstram a legalidade do emprego de presunção legal relativa no âmbito previdenciário, bem como o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de março de 1999, em seu art. 233, caput e parágrafo único, e no art. 235. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 18470.723105/201392 Acórdão n.º 2401005.984 S2C4T1 Fl. 11 19 Em todas as hipóteses tratadas nos parágrafos acima transcritos, o legislador admitiu o emprego da presunção para reconhecer a existência de fato gerador da contribuição previdenciária em face de condutas irregulares do contribuinte. Obviamente que poderá o contribuinte rejeitar a presunção, apresentando elemento seguro de prova em contrário. No entanto, a recorrente não apresentou, seja no curso da ação fiscal, seja em anexo ao presente recurso voluntário, documentos e esclarecimentos devidos para elucidar as operações descritas em sua escrituração contábil e que contradissessem as conclusões do auditor fiscal. Desta forma, a negativa reiterada por parte da recorrente no sentido de não atender aos termos de intimação encaminhados pelo auditor fiscal, não apenas justifica o aplicação da presunção para reconhecimento do fato gerador da contribuição previdenciária como, também, configura embaraço à fiscalização, nos termos do inciso I, art. 33, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Da intimação ao sócio Abel Silveira Gomes A Recorrente alega que o sócio Abel Silveira Gomes foi intimado a prestar esclarecimentos, embora não constasse de Mandato de Procedimento Fiscal/MPF que deu suporte à ação fiscal. A alegação, entretanto, não procede tendo em vista não ter sido localizado nenhum Termo de Intimação que solicitasse esclarecimentos do Sr. Abel Silveira Gomes, mas sim o Termo de Intimação, nº 05, fls. 61 a 76, através do qual foi solicitada a apresentação da documentação suporte dos registros contábeis constantes da planilha 06 a ele anexa, referente a operações registradas na conta 510102210050062 – Telefone, telex e fax, na qual foram detectados pagamentos relacionados a notas fiscais de prestação de serviços de telefonia na residência das pessoas físicas Abel Silveira Gomes e Sheila Lourenço da Roza, sócios da Recorrente. Da impossibilidade de identificação das bases de cálculo Improcedente a alegação da recorrente quanto à impossibilidade de identificação precisa das bases de cálculo das Contribuições Previdenciárias. No Relatório Fiscal, fls. 5 a 35, o auditor fiscal especificou cada uma das omissões e rubricas presentes na folha de pagamento ou no Livro Diário que a recorrente não contabilizou na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, bem como os documentos solicitados nos termos de intimação e, ainda, as conclusões adotadas diante da omissão da Recorrente. No relatório fiscal, nas planilhas 1 a 32, fls. 196 a 253 e nos Discriminativos de Débito, fls. 322 a 391, estão perfeitamente identificadas as bases de cálculo utilizadas, de acordo com os levantamentos realizados pelo auditor fiscal, conforme planilhas 30 a 32. Quanto aos créditos tributários oriundos do processo de Execução Fiscal nº 001908.71.04.201.4.02.5101, da análise dos documentos apresentados às fls. 482 a 502, entendese que tratase de cobrança de valores de Contribuições Previdenciárias declaradas em GFIP e não recolhidas, posteriormente inscritas em Dívida Ativa para execução fiscal, incluídas competências de 11/2008 a 01/2010. Nesse diapasão temos que o lançamento aqui em discussão referese a diferenças de base de cálculo de Contribuições Previdenciárias não declaradas em GFIP, concluemse que tais créditos tributários não se confundem. Do atendimento aos termos de intimação Quanto às alegações da impugnante acerca da quantidade de Termos de Intimação Fiscal e de documentos solicitados pelo auditor fiscal, para atendimento no prazo de 05 dias úteis, informamos que este prazo está de acordo Fl. 693DF CARF MF 20 com o estabelecido no art. 19, caput e § 1º, da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958, o qual dispõe que, no caso de informações e documentos que digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo para apresentação da documentação e dos esclarecimentos solicitados será de cinco dias úteis contados da data da ciência do respectivo termo. A Recorrente poderia, ainda, solicitar prorrogação de prazo para atendimento das intimações. Considerando que a ação fiscal foi iniciada em 20/07/2012 e encerrada em 23/05/2013, a requerente teve tempo hábil para apresentação de toda a documentação solicitada. Desta forma, nem o prazo de 5 dias úteis nem a quantidade de documentos e esclarecimentos solicitados constituem justificativa para o não atendimento dos termos de intimação encaminhados pelo auditor fiscal. 3. DO MÉRITO Das contribuições declaradas em GFIP A recorrente alega que não foram considerados os valores das Contribuições Previdenciárias espontaneamente declaradas em GFIP, inclusive aquelas objeto do processo de execução fiscal acima exposto. Conforme já exposto, o lançamento tem como objeto remunerações pagas pela empresa não incluídas em GFIP, ou seja, não aplicadas como base de cálculo das Contribuições Previdenciárias. Assim sendo, concluise que os créditos objeto do presente lançamento e os créditos declarados em GFIP não se confundem. Das rubricas da folha de pagamento não contabilizadas na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias Quanto à afirmação do auditor fiscal de que as folhas de pagamento não registram a remuneração de todos os empregados a serviço da empresa ou registram remunerações inferiores ao efetivamente pago, alega a recorrente que isto não está provado nos autos e que os documentos consubstanciados nas planilhas apresentadas pela empresa, indicam que essas diferenças não existem quando se trata de folha de pagamento. Não restou identificadas as planilhas às quais a recorrente se refere. Se, por ventura, tratamse daquelas constantes às fls. 435 a 440, estas nada explicam ou acrescentam à lide. O auditor fiscal cita como exemplo de rubricas não oferecidas à fiscalização: 0267 – Assistência Médica, depend férias e 0072 – Despesas com viagem. Ao contrário do que afirma a recorrente, tais pagamentos não significam meros ressarcimentos de gastos realizados. Analisemos a questão do fato gerador das Contribuições Previdenciárias de acordo com a Constituição Federal e a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio. Constituição Federal Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 694DF CARF MF Processo nº 18470.723105/201392 Acórdão n.º 2401005.984 S2C4T1 Fl. 12 21 a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) ... Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral,de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios quepreservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. As normas acima transcritas explicitam que as Contribuições Previdenciárias incidem sobre o total da remunerações pagas, a qualquer título, o que significa dizer que, além dos pagamentos diretos, o salário de contribuição abrange também os salários indiretos, os quais representam vantagens proporcionadas pelo empregador, com o objetivo de aumentar a remuneração do trabalhador, a sua satisfação, a preservação da mãodeobra e a melhoria nas relações de trabalho. Alguns empregadores, além da remuneração básica, oferecem aos trabalhadores bens in natura, serviços e outras formas de retribuição, como, escola, aluguel, energia elétrica, telefone, consórcio, cartão de crédito, clube, previdência privada, assistência à saúde gratuita ou subsidiada, alimentação, transporte, habitação, venda do próprio produto abaixo do custo e cessão de empréstimo sem juros ou com juros abaixo do mercado, etc. São estas, no dizer da melhor doutrina, toda e qualquer vantagem atribuída ao trabalhador. Vale aqui transcrever as lições de Wladimir Novaes Martinez e Mozart Victor Russomano, a respeito de salário indireto: Pagamentos indiretos são vantagens materiais ou imateriais, proporcionadas pelo empregador, mediante ajuste expresso ou tácito, com o fito de aumentar a remuneração do trabalhador, seu nível de satisfação, atraílo ou preserválo e de melhorar as relações de trabalho com vistas no aumento da produtividade." (MARTIINEZ, Wladimir Novaes, Comentários à Nos poucos casos em que a defesa difere da mera alegação de presunção, como,por exemplo, em relação à conta salários, em que simplesmente alega que as diferenças apontadas pelo auditor fiscal não existem e que tudo foi pago, a impugnante não apresenta qualquer informação ou documento comprobatório para corroborar suas afirmações. Noutro giro, a conta 5101011100050013 – Vale Transporte, no que tange à incidência de contribuições previdenciárias sobre valetransporte pago em pecúnia ou não, após Fl. 695DF CARF MF 22 exaustivo debate, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais firmou seu posicionamento em sentido favorável aos contribuintes. Adotando entendimento pacificado pelos Tribunais Superiores, foi publicada a Súmula CARFnº 89 cujo teor expressa que "A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia." Nesse diapasão, os valores referentes à essa rubrica de valetransportes devem ser excluídos do presente lançamento. Quanto às contas 1104020000101155 SR Produções, 120105000010101 – Financiamento, 210901000020300 Diversas a pagar e 210901000020301 – Cenários e Cenas Cons. Asses, cabe alguns comentários. De acordo com o Relatório Fiscal, as contas se referem a empréstimos concedidos pela impugnante, sendo que aquele registrado na conta 1104020000101155 SR Produções teria sido quitado no mesmo mês, enquanto que com relação ao registrado na conta 120105000010101 – Financiamento, do Ativo Realizável a Longo Prazo, não foi verificada informação acerca de devolução. Já as contas 210901000020300 Diversas a pagar e 210901000020301 – Cenários e Cenas Cons. Asses, refeririamse ao pagamento de empréstimos contraídos junto a empresas do grupo econômico do sujeito passivo (Alphagolf, SR Promoções, SR Prom Culturais, Cenários e Cenas) e à pessoa física Valentim Júlio G. De Souza. Embora a contabilidade faça prova legal a favor da interessada, deve estar lastreada em documentação autêntica, que reflita com fidelidade os fatos nela registrados. Em hipótese de erro ou equívoco de algum registro contábil, a reversão da presunção de veracidade depende da apresentação de documentação comprobatória respectiva, tais como os contratos de mútuos, recibos e comprovantes dos pagamentos vinculados aos referidos empréstimos e outros documentos que comprovassem que as operações efetivamente se tratavam de empréstimos. Para ter eficácia perante terceiros o contrato de mútuo deve atender aos requisitos da legislação civil, estar devidamente contabilizado e registrado. Caso contrário os pagamentos devem ser considerados como remuneração paga aos sócios e contribuintes individuais pelos serviços prestados, passível de incidência de contribuições previdenciárias. Com relação a Conta 510102090050050 – Fretes e Carretos PF temos que, de acordo com o histórico dos registros contábeis, os pagamentos referemse à prestação de serviços de frete. Diante da omissão da recorrente quanto a apresentar os documentos solicitados através dos Termos de Intimação nº 05 e 07, fls. 92 a 107, a fiscalização considerou que os prestadores de serviço são pessoa físicas, enquadrados como contribuintes individuais nos termos do art. 12, inciso V, alínea “g”, da Lei 8.212/91, bem como a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, art. 9º, incisos I e XXVI. Demonstrado que os condutores autônomos de veículos rodoviários são segurados obrigatórios da Previdência Social, na categoria contribuintes individuais, resta acrescentar que a exigência do desconto da contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais está prevista na alínea “b”, inciso I, artigo 30, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 18470.723105/201392 Acórdão n.º 2401005.984 S2C4T1 Fl. 13 23 Assim sendo e diante de todos os fatos relatados e da conduta sistemática da recorrente de não apresentar qualquer documentação ou argumentação com força probatória para afastar as conclusões da auditoria, fica mantido o lançamento baseado nas verbas apontadas pelo auditor fiscal como não consideradas na base de cálculo das Contribuições Previdenciárias, com exceção dos pagamentos efetuados ao Plano de Saúde UNIMED, excluídos da base de cálculo dos presentes lançamentos por força da Resolução do Senado nº 10/2016 que suspende, nos termos do art. 52, inciso X, da Constituição Federal, a execução do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Os pagamentos efetuados à UNIMED compunham a base de cálculo apenas do DEBCAD 51.019.6071, referente às Contribuições Previdenciárias de responsabilidade da empresa, conforme apontado nas planilhas 30 a 31, fls. 251 a 253, conforme Discriminativo de Débito, fls. 322 a 353, para exclusão da base de cálculo do referido DEBCAD fim, declaro indeferido o pedido de diligência apresentado pela requerente, com base no disposto no caput do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, tendo em vista que os questionamentos apresentados não justificam sua execução, sugerindo propósito meramente protelatório, considerando que: · Conforme já exposto anteriormente, as bases de cálculo dos lançamentos estão devidamente apresentadas no relatório fiscal, nas planilhas 01 a 32 e nos Discriminativos de Débito, às fls. 322 a 353 (questão 1) e se referem a fatos geradores de Contribuição Previdenciária não declarados; · Em função do acima exposto e quanto ao processo de execução fiscal nº 00190871 2024025101 (questão 2 e 3) é de responsabilidade da impugnante apurar os débitos nele inclusos caso pretenda comprovar que os créditos tributários ali contemplados equivalem ao apurado nas folhas de pagamento e no Livro Diário apresentados ao auditor fiscal, bem como se estes estariam, de alguma forma, incluídos no presente lançamento. Quanto às alegações acerca dos pagamentos efetuados pela recorrente terem sido realizados mediante dinheiro ou cheque, tal verificação é irrelevante para o resultado da fiscalização. Além disso, as conclusões do auditor fiscal foram baseadas na escrituração da própria empresa. Forte nessas razões, entendo que não ha elementos de prova capazes de modificar a conclusão do Acórdão ora recorrido. 4. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto para CONHECER DO RECURSO e no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para excluir o lançamento realizado sobre a rubrica valetransporte, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 697DF CARF MF 24 Declaração de Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Não obstante as sempre bem fundamentadas razões da ilustre Conselheira Relatora, gostaria de explicitar meu voto em relação à apreciação da tempestividade. No caso concreto, temos a seguinte situação: consulta ao endereço eletrônico atribuído ao contribuinte pela administração tributária foi efetuada na quintafeira dia 07/09/2017. Os dias 08/09/2017, sextafeira, 11/09/2017, segundafeira, e 10/10/2017, terça feira, foram dias úteis e não consta nos autos informação de expediente anormal. Segundo o órgão preparador (fls. 672), o recurso voluntário é intempestivo, pois "na intimação por meio eletrônico, a contagem dos prazos processuais previstas no processo administrativo fiscal, se inicia sempre no dia seguinte, e se encerra no trigésimo dia, mesmo se essas datas recaírem em dia não útil". Além disso, o Despacho de fls. 672 informa que o quadro "Acompanhar Ciência" constante do sistema eprocesso evidenciaria a intempestividade (fls. 671). Sobre as informação em questão, a Nota eProcesso n° 021, de 2014, disponível em Ajuda Normatização no sistema eprocesso, assevera: Contagem dos Prazos 14. O sistema eProcesso passará a registrar a “Data Final para Manifestação”, calculada a partir da data de cientificação informada pelo Caixa Postal, adicionado o prazo (em dias) indicado no acionamento da Ciência Eletrônica, de acordo com normal legal respectiva, observando as datas de feriados e dias não úteis dispostas em tabela específica para este propósito do sistema Sidat, considerando o domicílio tributário do contribuinte/destinatário da ciência constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). Esta tabela é a mesma utilizada pelos sistemas de cobrança da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). O quadro "Acompanhar Ciência", portanto, pressupõe a correção das tabelas que o alimentam, bem como a observância das normas legais aplicáveis. Antes de mais nada, transcrevo as regras do processo administrativo fiscal pertinentes ao caso em tela. Código Tributário Nacional Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 18470.723105/201392 Acórdão n.º 2401005.984 S2C4T1 Fl. 14 25 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato Decreto n° 70.235, de 1972, ainda dispõe: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23 (...) § 2° Considerase feita a intimação: III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; Decreto n° 7.574, de 2011 Art. 9o Os prazos serão contínuos, com início e vencimento em dia de expediente normal da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 5º). Parágrafo único. Na contagem dos prazos, é excluído o dia de início e incluído o de vencimento. Art.11. Considerase feita a intimação: (Redação dada pelo Decreto nº 8.853, de 2016) III se por meio eletrônico: a) quinze dias, contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pelo Decreto nº 8.853, de 2016) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea “a”; ou (Redação dada pelo Decreto nº 8.853, de 2016) Abro um parêntesis. Apesar do disposto no art. 224, caput e § 1°, da Lei n° 13.105, de 2015 (Código de Processo Civil, CPC), não há como se aplicar supletiva e subsidiariamente o CPC, eis que sua sistemática é incompatível com a adotada pelo Decreto n° 70.235, de 1972. Explico. O CPC considera feita a intimação no dia útil seguinte à consulta ao teor da intimação (CPC, art. 231, V), ou seja, o dia do começo é o dia útil seguinte ao que o decreto 70.235, de 1972, considera como dia de começo (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 23, § 2°, III, b). Além disso, a sistemática de contagem é incompatível, pois para o novo CPC todo o dia a ser contado deve ser dia útil (CPC, art. 219), ou seja, os prazos não são contínuos (CTN, art. 210, caput). Logo, em face do novo CPC, não se cogita da questão constante dos autos, eis que o primeiro dia a ser contado, como todos os dias a serem contados, tem de ser necessariamente dia útil. Fl. 699DF CARF MF 26 Logo, a questão em tela deve ser apreciada à luz das normas do processo administrativo tributário e, desde o início da década de 1980, a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes fixou o entendimento de que, quando a intimação pessoal ou por via postal é feita em dia não útil (sábados, domingos ou feriados) ou em dia de expediente anormal, considerase efetivada a intimação no primeiro dia útil seguinte, como revela a seguinte decisão: PRAZO DE IMPUGNAÇÃO CONTAGEM. Se o contribuinte é notificado em um sábado, dia em que não há expediente na repartição fisca1, a contagem do prazo para impugnação só se inicia na terçafeira seguinte, porque adiado início foi a segundafeira (sede expediente normal) e está excluído da contagem (art. 210 e parágrafo único do CTN). VOTO (...) Diz o parágrafo único do art. 210 do CTN que os prazos só se iniciam e vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Ora, é sabido que sábado não é dia de expediente normal; logo, não pode ser dia de início de prazo, passando para a segundafeira, no caso, dia 28 de julho de 1980. Excluído o dia do início, a contagem se iniciou na terçafeira, dia 29, encerrandose o prazo de 30 dias em 27 de agosto de 1980, quando a impugnação foi apresentada em órgão da DRF no Rio de Janeiro, sendo, portanto, tempestiva. Esse entendimento tem sido vitorioso neste Conselho, como é exemplo o recente Acórdão n° 10303.174, da 3ª. Câmara, datado de 10 de novembro de 1980. (Acórdão n° 104.1.990, de 04 de maio de 1981) A Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso especial contra o Acórdão n° 104.1.990, de 04 de maio de 1981, no Acórdão n° CSRF/01 0.188, de 26 de novembro de 1981, como se observa: PRAZO DE IMPUGNAÇÃO Contagem Os prazos somente se iniciam ou se vencem em dias. de expediente normal da repartição pública onde devam ser cumpridas. VOTO (...) A notificação de lançamento foi recebida pelo Sujeito passivo em 26 de julho de 1980, sábado, conforme "AR"de fls. 23 verso. Segundo a regra contida no art. 15 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição de impugnação é de 30 dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Por sua vez, o art. 59 do referido Decreto 72.235/72 dispõe que os prazos são contínuos e na sua contagem excluemse o dia do inicio e incluemse o do vencimento e s6 se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deve ser praticado o ato (art. 210, § único, CTN). É público e notório que aos sábados não há expediente normal nas Repartições Públicas, motivo pelo qual esse dia não poderá ser dia de início de prazo, cuja contagem deverá ser no dia 29 de julho de 1980, uma vez que no dia anterior, ou seja dia 28 de Fl. 700DF CARF MF Processo nº 18470.723105/201392 Acórdão n.º 2401005.984 S2C4T1 Fl. 15 27 julho de 1980, que caiu numa segundafeira, foi o dia de início, o qual, entretanto, deverá ser excluído. Assim, contando 30 dias a partir do dia 29 de julho de 1980 para apresentar a impugnação, o seu termo darseá no dia 27 de agosto de 1980. Entretanto, foi exatamente isso que ocorreu nestes autos, conforme se evidencia à fl. 1. Portanto, a impugnação do sujeito passivo foi apresentada dentro do prazo de 30 dias que alude o art. 15 do Decreto 70.235/72. Portanto, a jurisprudência em tela interpreta o art. 210 do CTN e art. 5º do Decreto n° 70.235, de 1972, no sentido de que o dia da intimação é o dia de início do prazo, dia este a ser excluído da contagem do prazo. Como o prazo só se inicia em dia de expediente normal, o dia da intimação (=dia do início do prazo) deve ser útil. Daí, operada a intimação em sábado, domingo, feriado, ponto facultativo ou dia em que por qualquer outro motivo não houve expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato, a intimação será considerada efetivada no primeiro dia útil seguinte, dia este a ser excluído da contagem. Em relação ao dia do inicio da contagem, ou seja, em relação ao primeiro dia contado no prazo, a jurisprudência administrativa tem expressamente exigido que o mesmo seja dia de expediente normal: TERMO INICIAL. Segundo o entendimento dos tribunais administrativos, consagrado em jurisprudência mansa e pacífica, a contagem dos prazos para apresentação de impugnação e recurso só se inicia em dia de expediente normal na repartição fazendária federal. Nestes autos, a recorrente tomou ciência do auto de infração numa sextafeira iniciandose a contagem na terçafeira, porque na segundafeira foi feriado na cidade, não tendo funcionado a repartição federal preparadora. (Acórdão n° 1047.212, DOU 07/06/91, p. 10.985, do Conselho de Contribuintes). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. INOCORRÊNCIA. Segundo o artigo 5° do Decreto n° 70.235, de 1972, os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Segundo o seu parágrafo único, os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No caso, a intimação se deu numa sexta feira, razão pela qual o termo inicial se deu no primeiro dia útil seguinte. (...) VOTO É tempestivo, data vênia, não obstante a observação feita pela DRF de Caxias do Sul em sentido contrário, haja vista que, tendo sido recebido o Acórdão da DRJ na data de 09/05/2003, uma sextafeira (AR à fl. 94), o termo inicial da contagem dos trinta dias se iniciou no primeiro dia útil seguinte, ou seja, na segundafeira, dia 12/05/2003. Isso porque, segundo as regras Fl. 701DF CARF MF 28 de contagem dos prazos previstas no artigo 5o do Decreto n° 70.235, de 1972, "os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do inicio e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato". Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez López, in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, ed. 2004, p. 100, assim se manifestam a respeito do tema: "Com relação à contagem dos prazos, esta se faz continuadamente, computandose também os dias feriados. O dia inicial (dies a quo) excluise da contagem, contandose, porém, o do vencimento (dies ad quem). Portanto, o começo da contagem só se perfaz a partir do dia seguinte. Mas é preciso que esse dia seja útil", (grifei) Assim, tendo a recorrente formalizado a entrega de seu Recurso no dia 11/05/2003, atendido restou o prazo estatuído pelo PAF no seu artigo 33, razão pela qual afasto a perempção levantada pela DRF de origem. (...) (Acórdão n° 20312.528, de 19/10/2007, do Conselho de Contribuintes) A perfeita compreensão dessa jurisprudência demanda o estudo da Súmula n° 310 do Supremo Tribunal Federal: Súmula STF n° 310 Quando a intimação tiver lugar na sextafeira, ou a publicação com efeito de intimação for feita nesse dia, o prazo judicial terá início na segundafeira imediata, salvo se não houver expediente, caso em que começará no primeiro dia útil que se seguir. Para tanto, se faz necessário ter em mente a legislação apreciada nos precedentes da Súmula em questão. Consolidação das Leis do Trabalho Art. 775 Os prazos estabelecidos neste Título contamse com exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento, e são contínuos e irreleváveis, podendo, entretanto, ser prorrogados pelo tempo estritamente necessário pelo juiz ou tribunal, ou em virtude de força maior, devidamente comprovada. (Redação dada pelo Decretolei nº 8.737, de 19.1.1946) Parágrafo único Os prazos que se vencerem em sábado, domingo ou dia feriado, terminarão no primeiro dia útil seguinte. (Redação dada pelo Decretolei nº 8.737, de 19.1.1946) Código de Processo Civil DecretoLei n° 1.608, de 1039 Art. 27. Na contagem dos prazos, salvo disposição em contrário, excluirseá o dia do começo e se incluirá o do vencimento. Se este cair em dia feriado, o prazo considerarseá prorrogado até o primeiro dia util. Os prazos fixados por hora contarseão de minuto a minuto. (Redação dada pelo DecretoLei nº 4.565, de 1942). Art. 28. Salvo disposição em contrário, os prazos para as partes contarseão, conforme o caso, da citação, notificação ou Fl. 702DF CARF MF Processo nº 18470.723105/201392 Acórdão n.º 2401005.984 S2C4T1 Fl. 16 29 intimação (art. 168 e seus parágrafos). (Redação dada pelo DecretoLei nº 4.565, de 1942). Lei n° 1.408, de 1951 Art. 1º Sempre que, por motivo de ordem pública, se fizer necessário o fechamento do Fôro, de edifícios anexos ou de quaisquer dependências do serviço judiciário ou o respectivo expediente tiver de ser encerrado antes da hora legal, observar seá o seguinte: a) os prazos serão restituídos aos interessados na medida que houverem sido atingidos pela providência tomada; b) as audiências, que ficarem prejudicadas, serão realizadas em outro dia mediante designação da autoridade competente. Art. 2º O fechamento extraordinário do Fôro e dos edifícios anexos e as demais medidas, e que se refere o Art. 1º, poderão ser determinados pelo Presidente dos Tribunais de Justiça, nas Comarcas onde êsses tribunais tiverem a sede e pelos juízes de Direito nas respectivas Comarcas. Art. 3º Os prazos judiciais que se iniciarem ou vencerem aos sábados, no Fôro, onde o expediente se encerre ao meio dia, serão prorrogados de um dia útil. Art. 4º Se o jornal, que divulgar o expediente oficial do Fôro, se publicar à tarde, serão dilatados de um dia os prazos que devam correr de sua inserção nessa fôlha e feitas, na véspera da realização do ato oficial, as publicações que devam ser efetuadas no dia fixado para êsse ato. Diante dessas normas podemos apreciar o AI 27777 EI, eis que dos três precedentes relacionados para a Súmula n° 310 do STF é o de maior relevância, transcrevo: Ementa: RECEBIMENTO DE EMBARGOS DA LEI 623. TEMPESTIVIDADE DE RECURSO. (...) VOTO O SENHOR MINISTRO RIBEIRO DA COSTA (RELATOR): Data venia tem razão a embargante que, na minuta de agravo assim argumentara: "...tendo a conclusão do acórdão embargado sido publicada no Diário da Justiça de uma sextafeira (dia 12.8.60), o prazo de 5 (cinco) dias para embargar não poderia jamais iniciarse no dia seguinte isto é, 13 de agosto, por ser um sábado, dia em que não há expediente na Justiça do Trabalho. "Não poderia aquêle prazo, ainda, iniciarse a 14, domingo, nem a 15, segundafeira, porque que neste último também não houve expediente na Justiça em geral, comemorativo que foi da Assunção de Nossa Senhora. "Em conseqüência, o prazo recursal iniciouse tão somente a 16.8.1960, isto é, terçafeira seguinte, fazendo com que o seu término ocorresse a 20 do mesmo mês. (...) Fl. 703DF CARF MF 30 A contagem do prazo, corretamente, deve ser assim entendida, tendo em atenção o disposto na línea a do art. 1° da Lei n° 1.408, de 1951: art. 1° Sempre que, por motivo de ordem pública se fizer necessário o fechamento do Fôro, de edifícios anexos, ou de quaisquer dependências do serviço judiciário ou o respectivo expediente, tiver de ser encerrado antes da hora legal, observar seá o seguinte: a) os prazos serão restituídos aos interessados na medida que houveram sido atingidos pela providência tomada. Nesta conformidade, recebo os embargos a fim de determinar que o recurso se processe nestes autos de agravo (...) O SENHOR MINISTRO VICTOR NUNES Sr. Presidente, em torno da Lei 1.048, ainda existe, neste Tribunal, uma grande controvérsia. A lei prevÊ dois casos de acréscimo de um dia no prazo: fechamento do foro ao meio dia, no sábado, para o prazo que se iniciar ou vencer nesse dia (art. 3°); circulação à tarde do jornal oficial, de cuja publicação se deva contar o prazo (art. 4°). As dúvidas mais sérias surgiram nos casos em que a publicação, ou intimação pessoal, era feita na sextafeira. Como o art. 27 do Cod. Proc.Civil manda excluir da contagem do prazo o dia do começo, fica se na dúvida se, em tais casos, o início do prazo é a própria sextafeira, dia da intimação ou publicação, que se excluiu, ou o dia imediato, sábado, hipótese em que se deveria observar a Lei 1.408. Estas e outras controvérsias têm motivado decisões divergentes, como so pode ver nos seguintes acórdãos: (...) Embora tenha sustentado, com muito ardor, ponto de vista divergente, não terei a menor dúvida em acolher a solução proposta pelo eminente Ministro Ribeiro da Costa, que já foi aceita pela 1ª Turma, posteriormente ao julgamento do Recurso de HabeasCorpus 39.043, em que o assunto foi amplamente discutido (...) O SENHOR MINISTRO RIBEIRO DA COSTA: O que ocorreu foi o seguinte: publicado o despacho na sextafeira, o prazo, na realidade, começou a correr no sábado, porque não se pode contar o dia da publicação, nem pela regra do art. 27. O sábado é um dia que, pela lei, não se conta. Se não se conta, como se inicia o prazo? Vamos eliminar o sábado, e começar pela segundafeira. (...) O SENHOR MINISTRO VICTOR NUNES: Poderíamos resumir o nosso entendimento nesta fórmula: Quando a intimação tiver lugar na sextafeira, ou a publicação com efeito de intimação for feita nesse dia, o prazo judicial terá início na segunda feira imediata, salvo se não houver expediente forense, caso em que começará no primeiro dia útil que se seguir. Portanto, a súmula tem por premissa, em face do Código de Processo Civil de 1939, que o prazo se conta da citação, notificação ou intimação (art. 28) e o dia do começo deve ser excluído (art. 27). Há uma segunda premissa: "o sábado é um dia que, pela lei, não se conta", com lastro no disposto nos arts. 1° , a, e 3° Lei n° 1.408, de 1951. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 18470.723105/201392 Acórdão n.º 2401005.984 S2C4T1 Fl. 17 31 Nesse ponto, transcrevo novamente a redação do art. 3° da Lei n° 1.408, de 1951, considerada pelo Supremo Tribunal Federal, mas também a atual redação: Lei n° 1.408, de 1951 Art. 3º Os prazos judiciais que se iniciarem ou vencerem aos sábados, no Fôro, onde o expediente se encerre ao meio dia, serão prorrogados de um dia útil. (Redação original) Art. 3º Os prazos judiciais que se iniciarem ou vencerem aos sábados serão prorrogados por um dia útil. (Redação dada pela Lei nº 4.674, de 1965) Em tal contexto, foi publicado em 27/10/1966 o Código Tributário Nacional, que adotou no parágrafo único do art. 210 a seguinte redação: Art. 210. (...) Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato Por conseguinte, a dicção legal do CTN de que os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal deve ser compreendida à luz da contemporânea Súmula 310 do STF (jurisprudência que interpreta a dicção do art. 3° da Lei n° 1.408, de 1951), a alcançar não apenas o dia de início a ser excluído, mas também o dia de início da contagem, ou seja, o primeiro dia a ser contado tem de ser também dia de expediente normal. No âmbito da Receita Federal, cursos e treinamentos de Processo Administrativo Fiscal têm invocado a jurisprudência dos antigos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais para esclarecer que, quando a intimação é feita em dia não útil (sábados, domingos ou feriados) ou em dia de expediente anormal, a intimação deve ser considerada como efetivada no primeiro dia útil seguinte (segundafeira, se dia de expediente normal) e como o dia de início (dia da intimação) é excluído da contagem, o prazo deve ser contado a partir da terçafeira (se dia de expediente normal). Contudo, a resposta 003 do Capítulo II do Perguntas e Respostas Pessoa Jurídica Edição de 2018 aparentemente destoa desse entendimento, transcrevo o Capítulo em questão: Capítulo II Contagem de Prazos 2018 001 Como se procede à contagem de prazos na legislação tributária? Os prazos da legislação tributária são contínuos (sem qualquer interrupção em sábados, domingos ou feriados), excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o dia do vencimento. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Caso o termo inicial ou final do prazo ocorra em dia de sábado, domingo, feriado, ou em que o expediente da repartição não seja normal, considerase o prazo prorrogado para o primeiro dia útil subsequente, ou em que a repartição funcione normalmente. Fl. 705DF CARF MF 32 Notas: Caso se trate de pagamento de tributos, deverá ser levado em conta o funcionamento da rede bancária local (e não o funcionamento da repartição). Assim, vencendo o prazo para recolhimento de tributo em uma quintafeira, dia de ponto facultativo nas repartições públicas federais, se as agências bancárias estiverem funcionando normalmente, não haverá prorrogação (o prazo para recolhimento se encerra na própria quintafeira). Normativo: Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), art. 210; Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), art. 5º (c/ as alterações da Lei nº 8.748, de 1993) reproduzido no Decreto nº 7.574, de 2011, art. 9º. 002 Quais os fatores que a legislação tributária leva em consideração para contagem de prazos? Os fatores que influenciam a contagem de prazo, de acordo com a legislação tributária, são: a) o dia do início do prazo: é o dia seguinte ao da notificação ou intimação para a prática do ato (desde que neste o expediente seja normal); b) o dia do vencimento do prazo (se não houver expediente no dia de vencimento, prorrogase para o primeiro dia útil); c) não interrupção ou suspensão da contagem, uma vez iniciada, pois os prazos são contínuos, conforme art. 210 do Código Tributário Nacional (CTN). 003 O que significa excluir o dia de início de contagem do prazo? Dia de início é o dia do fato ou da notificação ou intimação do contribuinte para praticar determinado ato, como p.ex. recolher o tributo devido, prestar informações etc. Excluise esse dia e começa a contagem do prazo a partir do dia seguinte. Ex. Se a notificação ou intimação se der numa quintafeira, o primeiro dia da contagem será sextafeira. Como os prazos só se iniciam em dias úteis, se a notificação ou intimação ocorrer numa sextafeira (ou no sábado, ou em véspera de feriado), o primeiro dia da contagem será o dia útil seguinte. (destaque não original) Logo, se não houve erro, perdeuse a real dimensão do parágrafo único do art. 210 do CTN. O mesmo pode ser dito sobre a contagem do sistema eprocesso, ou seja, se não houve erro na alimentação do sistema ou de programação, perdeuse a compreensão da norma veiculada no parágrafo único do art. 210 do CTN. Acrescentese que não é pertinente ao caso concreto a afirmativa sustentada pelo órgão preparador de que "na intimação por meio eletrônico, a contagem dos prazos processuais previstas no processo administrativo fiscal, se inicia sempre no dia seguinte, e se encerra no trigésimo dia, mesmo se essas datas recaírem em dia não útil". Essa afirmativa diz respeito ao prazo da alínea a do inciso III do § 2° do art. 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, ou seja, ao prazo de 15 dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário eletrônico do sujeito passivo. Isso porque esta contagem envolve a data em que se considera intimado o sujeito passivo, não se referindo à prática em si de atos processuais, tais como a impugnação, o pagamento ou o recurso Fl. 706DF CARF MF Processo nº 18470.723105/201392 Acórdão n.º 2401005.984 S2C4T1 Fl. 18 33 voluntário; logo não é objeto das regras especiais de contagem do art. 210 do CTN e do art. 5° do Decreto n° 70.235, de 1972, terminando, impreterivelmente, no décimo quinto dia seguinte à prática do ato na forma legal. No caso concreto, estamos diante da contagem do prazo do art. 33 do Decreto n° 70.235, de 1972, sendo irrelevante para tanto se a intimação se operou por via pessoal, postal ou meio eletrônico, isto é, a contagem deve observar o regramento dos arts. 210 do CTN e 5° do Decreto n° 70.235, de 1972. Pelo exposto, efetuada a consulta ao endereço eletrônico na quintafeira dia 07/09/2017 (feriado), a intimação se consumou em 08/09/2017, sextafeira, dia este excluído da contagem. Logo, o início da contagem se operou em 11/09/2017, segundafeira, primeiro dia contado. E, o prazo para recorrer encerrouse em 10/10/2017 (terçafeira). Com a explicitação em tela, acompanho o voto da Conselheira Relatora por conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir do lançamento os valores relativos à rubrica valetransporte. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 707DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000299/2006-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO -.
A origem dos depósitos bancários deve ser demonstrada com elementos de prova objetivos que permitam estabelecer correspondência individualizada entre os créditos e as origens alegadas.
Numero da decisão: 2301-005.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
(assinado digitalmente)
João Mauricio Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Mauricio Vital (Presidente), Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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COMPROVAÇÃO . A origem dos depósitos bancários deve ser demonstrada com elementos de prova objetivos que permitam estabelecer correspondência individualizada entre os créditos e as origens alegadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) João Mauricio Vital Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Mauricio Vital (Presidente), Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa e Juliana Marteli Fais Feriato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 02 99 /2 00 6- 44 Fl. 311DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física do anocalendário 2002 decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O contribuinte apresentou impugnação aduzindo: Na sua DIRPF/2002, anobase 2001, constou patrimônio declarado e comprovado de R$ 793.851,23, e na DIRPF/2003, anobase 2002, infonnou patrimônio de R$ 368.480,00; A redução patrimonial foi de expressivos R$ 425.371,23, sendo mais de 50% efetivada por alienações de imóveis, devidamente comprovadas pela Fiscalização, conforme Relatório de Fiscalização; A fiscalização também comprovou que existiram empréstimos bancários da ordem de R$ 53.543,19, além de pesados encargos financeiros em função dos saldos negativos de contas correntes bancárias; Nesta época, o limite de crédito de uma conta bancária servia para cobrir o “estouro” de limite de crédito de outra conta bancária, de outra instituição financeira, fato devidamente comprovado pela Fiscalização (transferência entre contas); Portanto, não existiu a omissão de rendimentos apurada pela Fiscalização, tendo ocorrido, apenas, que o impugnante não justificou para o agente fiscal os depósitos efetivados; As origens dos recursos depositados são certas e justificadas, inclusive pela própria Fiscalização: é proveniente da redução patrimonial, efetivada por alienações de imóveis; por empréstimos bancários, alguns não quitados e com execução; e por transferências entre contas correntes, conforme a seguir: i) R$ 71.620,07 de janeiro/2002 proveniente de empréstimo de Wilson Luis Mato Grosso Pereira, em espécie, e de diversos valores, depois liquidado com imóveis; ii) R$ 8.491,10 de fevereiro/2002 proveniente de empréstimo de Wilson Luis Mato Grosso Pereira, em espécie, e de diversos valores; iii) R$ 74.905,13 de março/2002 proveniente de adiantamentos de alienação de imóvel a Alexandre Casali Neto, parte emprestado a terceiros; iv) R$ 85.462,57 de abril/2002 proveniente de adiantamentos de alienação de imóveis a Alexandre Casali Neto e Marcos Velasco, empréstimos bancários, devolução de empréstimos de terceiros; parte emprestado a terceiros; v) R$ 30.823,49 de maio/2002 proveniente de adiantamentos de alienação de imóveis a Alexandre Casali Neto e Ma.rcos Velasco, empréstimos bancários, devolução de empréstimos de terceiros; e emprestado a terceiros; Fl. 312DF CARF MF Processo nº 14120.000299/200644 Acórdão n.º 2301005.846 S2C3T1 Fl. 3 3 vi) RS 41.093,98 de junho/2002 proveniente de adiantamentos de alienação de imóveis a Alexandre Casali Neto e Marcos Velasco, empréstimos bancários, devolução de empréstimos de terceiros; parte emprestado a terceiros; vii) R$ 54.225,40 de julho/2002 proveniente de adiantamentos de alienação de imóveis a Alexandre Casali Neto e Marcos Velasco, empréstimos bancários, devolução de empréstimos de terceiros; parte emprestado a terceiros; viii) RS 9.389,36 de agosto/2002 proveniente de sobras de adiantamentos de alienação de imóveis a Alexandre Casali Neto e Marcos Velasco,empréstimos bancários, devolução de empréstimos de terceiros; parte emprestado a terceiros; ix) R$ 8.357,00 de setembro/2002 proveniente de sobras de adiantamentos de alienação de imóveis a Alexandre Casali Neto e Marcos Velasco, empréstimos bancários, devolução de empréstimos de terceiros; parte emprestado a terceiros; x) R$ 7.720,00 de outubro/2002 empréstimos bancários, devolução de empréstimos de terceiros; parte emprestado a terceiros; xi) R$ 35.017,38 de novembro/2002 empréstimos bancários, devolução de empréstimos de terceiros; parte emprestado a terceiros; xii) R$ 30.129,15 de dezembro/2002 empréstimos bancários, devolução de empréstimos de terceiros; parte emprestado a terceiros. Após a impugnação a DRFB de Julgamento em Campo Grande (MS) manteve a autuação (efls.269/274) e o contribuinte apresentou recurso à este conselho onde alega em síntese: Em sede preliminar informa que o recurso está sendo apresentado pelo herdeiro do autuado em virtude do falecimento deste. A presunção legal de omissão de rendimentos não comporta erro de fato, como o que ocorre com o levantamento efetuado pela autoridade administrativa fiscal. Que o levantamento realizado pela autoridade fiscal foi parcial como demonstraremos a seguir. Alguns fatos, no caso em tela, são relevantes omissão na descaracterização da de rendimentos baseada exclusivamente na movimentação financeira. O primeiro deles referese à existência de limites de saques a descoberto (cheque especial), no montante de R$ 40.000,00, divididos nos seguintes estabelecimentos bancários: Banco Finasa R$ 5.000,00; BIC Banco R$ 10.000,00; Banco Sudameris R$ 20.000,00; e, Banco do Brasil R$ 5.000,00. O segundo, no inicio do exercicio financeiro, em 02/01/2002, os limites que estavam sendo usados montavam a importância de R$ 15.767,94, nos seguintes estabelecimentos: Banco Finasa R$ () 2.710,25; BIC Banco R$ () 8.046,72; Banco Sudameris R$ () 5.010,97, Fl. 313DF CARF MF 4 O terceiro, realizou operações crediticias no montante de R$ 136.291,91, sendo R$ 19.826,51 no Banco Finasa, em 01/04/2002 (fl. 55); R$ 9.988,52, em 22/02/2002 (fl. 66), R$ 8.989,67, em 22/03/2002 (fl. 68), R$ 18.847,72, em 30/04/2002 (fl. 70), totalizando R$ 37.825,91 no BIC Banco; R$ 15.000,00, em 21/06/2002 (fl. 98), R$ 47.639,49, em 23/12/2002 (fl. 116), totalizando R$ 62.639,49 no Banco Sudameris; e, R$ 4.000,00 , 28/02/2002 em 25/O2/2002; R$ 2.500,00, em (fl. 158), R$ 9.500,00, em 29/07/2002 (fl. 168), totalizando R$ 16.000,00 no Banco do Brasil. O quarto, como está assente nos autos, realizou operações de venda de imóveis no montante de R$ 456.000,00. Portanto, recursos para movimentação financeira no ano de 2002 montavam a importância de R$ 632.291,91, se apenas fosse feita a análise da circulação dos recursos uma única vez, isto é, apenas um depósito e a disponibilidade fosse toda gasta, sem nenhuma movimentação entre contas, este montante já cobriria toda a movimentação financeira do auto de infração. Releva dizer, ainda, que, apenas, a movimentação financeira não justifica a imposição tributária. Afirma que a simples movimentação financeira não é matéria tributável do imposto de renda, da imposição tributária! Ela se constitui no primeiro passo para levantamento No mérito reitera os mesmos argumentos contidos na impugnação e requer o cancelamento do auto de infração. É o relatório Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Da Omissão de Rendimentos A presente autuação decorreu de omissão de rendimentos provenientes de valores depositados em contas correntes ou de investimento mantidas em instituições financeiras, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações não foi comprovada mediante documentação hábil. A autuação teve como fundamentação legal a Lei n° 9.430/1996, art. 42, com a alteração introduzida pelo art. 4° da Lei n° 9.481/1997, que assim dispõe: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 14120.000299/200644 Acórdão n.º 2301005.846 S2C3T1 Fl. 4 5 § 1° 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submetersedo ás normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica, II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente ex época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Logo, à partir da referida Lei, a existência de depósitos não escriturados, ou de origens não comprovadas tomouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de rendimentos, que veio se juntar ao elenco já existente; com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao Fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi ao seu cargo. Antes, tal previsão não existia, e com isso o fisco precisava, nos estritos termos do parágrafo 5° e do caput do artigo 6° da Lei n° 8.021/90, não apenas constatar a existência dos depósitos, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre estes depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse ter dado ensejo à omissão de receitas. Há, portanto, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, devendo o contribuinte fazer prova em contrário, através de documentação idônea, das razões para a não incidência do tributo. A referida presunção se opera quando presentes os seguintes requisitos: a) existência de depósitos em contas bancárias, cuja origem a Fiscalização, pelo confronto com as informações de que disponha, não conseguir identificar, mormente havendo disparidade entre a movimentação financeira e os rendimentos declarados pelo contribuinte; b) intimação regular ao contribuinte para fazer a comprovação da origem Fl. 315DF CARF MF 6 dos valores depositados; e c) falta de comprovação pelo contribuinte por meio de documentação hábil. Do que se depreende dos autos o recorrente, não logrou comprovar, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória nem na recursal, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados na contacorrente mantida em instituição financeira e os citados recebimentos de empréstimos e devoluções de empréstimos concedidos, aplicações de valores, e transferências interbancárias, até o momento não foram devidamente comprovadas, conforme afirma o próprio recorrente, não há como acolher suas pretensões devendo a autuação ser mantida. No presente caso, a discrepância entre os valores movimentados nas contas bancárias e os rendimentos informados na declaração de ajuste anual é manifesta, bastando para comproválo comparar os dados inseridos na declaração de ajuste do exercício 2003 (fls. 197 a 202), que informava um rendimento tributável de R$ 22.125,86, com as somas movimentadas no mesmo período nos bancos onde possuía contas de depósito ou investimento, que atingiram R$ 1.319.081,19. O recorrente não teve a preocupação de trazer aos autos os documentos comprobatórios, se referindo a cada depósito considerado no lançamento com coincidência de datas e valores. E essa providência é indispensável para afastar a presunção. Não há como, partindose simplesmente de meras alegações, considerar justificados os inúmeros depósitos bancários relacionados pela Fiscalização. Somente alegações não poderão ser aceitas pela autoridade julgadora, em face do princípio da verdade material que norteia o processo administrativo. Como dito anteriormente, cabia a ele demonstrar a correlação entre os depósitos constantes da sua contacorrente e as alegadas alienações de imóveis e operações de empréstimos, acompanhada de documentação comprobatória, e demonstrar a coincidência de datas e valores. Ante ao exposto Voto por Negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 316DF CARF MF
score : 1.0
