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Numero do processo: 10283.002757/92-18
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 1994
Numero da decisão: 108-00.055
Decisão: RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Renata Gonçalves Pantoja
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DRF em PELOTAS - RS R E S O L U C ã O NR. 108,00,055 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COAR - AVIAÇãO AGRICOLA LTDA. RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.' ••~' . Sala das Sessões em 17 de maio de 1994. ~ ~ / •...•.... JACK N GUEDES FERREIRA - PRESIDENTE ~Gqn~1~' RENATA GONÇALVES~PAN~JA - RELATORA. PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL BRANDÃOVISTO EM SESSãO DE: I. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: ADELMO MARTINS SILVA, PAULO IRVIN DE CARVALHO VIANNA, JOSE CARLOS PASSUELLO, MARIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR, SANDRA MARIA DIAS NUNES E LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, eMINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo nr: 10283/002.757/92-18 '. Resolução nr: 108.00.055 R E L A T O R I O Trata-se de processo fiscal originado da DRF em Pelo- tas/RS, em que a contribuinte foi autuada por irregularidades na es- crituração fiscal nos exercícios de 1987 e 1988. Houve impugnação par- cial às fls. 38/41, sendo mantida a,ação fiscal" ante a falta de docu- mentos comprobatórios das alegações da autuada. Intimada da decisão, a recorrente fez juntar os docu- mentos de fls. 50/82 e, após, apresentou o recurso parcial de ~ 83/84, onde pede a reforma da decisão apenas nos pontos em que inadmi- tiu a dedução de despesas com a manutenção (pintura) das aeronaves, • por falta de comprovação da despesa. ;e?~ E o Relatório. " 'MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo nr: 10283/002.757/92~18 Resolução nr: 108.00.055 v O T O Conselheira RENATA GONÇALVES PANTOJA: Relatora. O processo administrativo, conforme ensina a doutrina, é informal e voltado para a verdade material, visto que seu objetivo é formar a vontade do Estado para o caso concreto. Como não é interesse deste cobrar impostos além do que estipula a lei, ou de fatos incorri- dos, deve-se, sempre, buscar a verdade objetiva. E claro, que o processo deve, também, terminar, pelo que, não é possível permitir uma infindável busca de provas, daí por- que existe um rito. Todavia, não se pode superestimar a importância do rito, de modo a que se julgue procedente uma ação fiscal, havendo pro- va indubitável de sua improcedência, apenas porque esta veio a destem- po. Inclusive, assim fazendo, estar-se-ia criando uma ofensa ao inte- resse público, eis que, obrigado a cobrar o tributo, o Estado seria condenado em custas e honorários, ante a ação anulatória ou os embar- gos do devedor, onde a prova, intempestiva no processo fiscal, seria tempestiva, levando àquela conclusão que deixou-se de tomar em sede administrativa por puro apego ao formalismo. No presente caso, a recorrente nada provou com sua im- pugnação. Todavia, trouxe com seu recurso os documentos de fls. 75/82 que, somados aos de fls. 50/71, levam a conclusão de que a despesa houve, de fato. E verdade que os recibos não estão corretos, já que, na espécie, deveria ser utilizado RPA. Não obstante, há relação dos cheques, com cópias de controle interno, documentos que, se não forem ve.iríd~~ certamente configurarão o crime de falsidade ideológica. ~~~ . I' '. • '. ,'MINISTERIO DA FAZENDA,.PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo nr: 10283/002.757/92-18 Resolução nr: 108.00.055 Sendo verídicos os controles de cheque, poderá ter havido falta de re- tenção na fonte, ou falta de desconto da contribuição previdenciária, mas, sem dúvida, terá havido despesa dedutível. Consta, por conseqüinte, do processo, cópia de docu- mentos relativos à matéria glosada (fls. 50 a 82) cuja apreciação não foi feita pela autoridade julgadora. Como tal é importante para a so- lução, voto no sentido de que o presente julgamento seja convertido em diligência para que a DRF de origem mande promover a verificação da veracidade dos documentos apresentados. Deverá, no entanto, ser elaborado relatório circuns- tanciado, levado à ciência do contribuinte, para, querendo, manifes- tar-se sobre o mesmo no prazo de 30 (trinta) dias, retornando a este Conselho o processo devidamente instruido e em condições de 'ser julga- do. E o meu voto. Brasília/DF, 17 de maio de 1994. ~ G ~ CLt--l.f.ot~ RENATA GONÇALVES PANTÕJA~Relatora. ~ 00000001 00000002 00000003 00000004
score : 1.0
Numero do processo: 11128.004214/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/07/2008
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA.
Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.
Numero da decisão: 3301-003.994
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros
José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 16/07/2008 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVO-TRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas e e f do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 241 1 240 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.004214/200981 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301003.994 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de agosto de 2017 Matéria MULTA REGULAMENTARAUTO DE INFRACAO ADUANEIRO OUTROS IMPOSTOS Recorrente WILSON SONS AGENCIA MARITIMA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/07/2008 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÃO ANTERIORMENTE PRESTADA. Alteração ou retificação das informações prestadas anteriormente pelos intervenientes não configura prestação de informação fora do prazo, para efeito de aplicação da multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 42 14 /2 00 9- 81 Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11128.004214/200981 Acórdão n.º 3301003.994 S3C3T1 Fl. 242 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da DRJ/FOR, (fls. 88/98): O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização. Da Autuação De acordo com as informações contidas no campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, o Auto de Infração foi lavrado com base nos fundamentos a seguir sintetizados. 1) A empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, a retificação de dados já incluídos no sistema informatizado de controle de cargas. Na documentação que acobertou a carga objeto da mencionada correção consta como agência de navegação responsável a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA., sujeito passivo da autuação. 2) A Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007, estabelece as regras que disciplinam o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga, o qual é feito por meio do sistema Siscomex Carga, que deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no Comércio Exterior, na forma e no prazo ali estabelecidos. 3) Os prazos para prestar informações sobre as cargas transportadas estão fixados no art. 22 da IN RFB 800/2007, o qual passou a vigorar apenas em 1/4/2009. Até essa data, tais dados deveriam ser fornecidos até a atracação do veículo transportador, consoante determina o art. 50, II, da referida IN. 4) Nos termos do art. 45 da IN RFB nº 800/2007, a alteração em manifesto ou conhecimento eletrônico (CE) após o prazo para fornecimento do dado alterado também configura prestação extemporânea de informação, que dessa forma abrange a retificação, a inclusão, a exclusão, a vinculação, a associação e a desassociação de dados. 5) No presente caso, não ocorreu nenhuma das situações excludentes da penalidade definidas no Ato Declaratório Executivo Corep nº 3, de 28/3/2008. 6) As obrigações acessórias instituídas no âmbito do Siscomex Carga se prestam para assegurar o adequado controle sobre as operações no âmbito do comércio internacional, e são Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11128.004214/200981 Acórdão n.º 3301003.994 S3C3T1 Fl. 243 3 necessárias, sobretudo, para possibilitar a atuação preventiva da Aduana na coibição de ilícitos e para imprimir maior agilidade aos despachos aduaneiros de importação e de exportação. Para estimular o cumprimento dessas obrigações é que foi editada a Lei nº 10.833/2003, estabelecendo penalidades aos intervenientes que descumprem os ditames aduaneiros. 7) A Lei nº 10.833/2003 alterou a redação do art. 37 do DecretoLei nº 37/1966, que impõe ao transportador a obrigação de prestar informações sobre a carga transportada, e também a do art. 107 desse mesmo Diploma Legal, definindo o descumprimento dessa obrigação como infração autônoma, sujeita à multa, nos termos do inciso IV, alínea “e”, desse artigo. 8) A autuação foi realizada em conformidade com o entendimento formalizado na Solução de Consulta Interna nº 08, de 14/2/2008, por meio da qual a CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) se posicionou pela aplicação da penalidade em foco levando em consideração a carga cujos dados exigidos não foram informados tempestivamente, e não a quantidade de informações sobre essa carga prestadas a destempo. 9) O lançamento também considerou as disposições contidas no art. 136 do Código Tributário Nacional (CTN). Portanto, materializada a infração, a aplicação da multa é cabível, independentemente da apuração de dolo ou culpa do interveniente, bem como da efetividade e extensão dos efeitos do ato infracionário. No caso, não há dúvidas que as informações foram prestadas pela autuada após o prazo estabelecido para esse fim. 10) Em relação aos intervenientes no comércio exterior, assim são consideradas todas aquelas pessoas indicadas pela legislação, como é o caso das citadas no § 2º do art. 76 da Lei nº 10.833/2003 e nos artigos 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. O lançamento foi formalizado em nome da autuada porque ela figurava como agência de navegação responsável no conhecimento eletrônico referente à carga, razão pela qual era obrigação dela prestar as informações exigidas no prazo fixado. Diante dos fatos apurados, a autoridade lançadora lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 5/3/2009 e apresentou impugnação (fls. 4953) em 21/7/2009, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) O atraso na prestação da informação se deu por razões alheias à vontade da impugnante, pois os dados que deveriam ter sido disponibilizados pelos exportadores no porto de origem não foram apresentados a tempo. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11128.004214/200981 Acórdão n.º 3301003.994 S3C3T1 Fl. 244 4 b) A conduta da impugnante (atraso no pedido de retificação) não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação nem causou embaraço ou impedimento à fiscalização, e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. c) Mesmo que essa conduta pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. d) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente. Por meio do Acórdão no 0826.780 7ª Turma da DRJ/FOR (fls. 88/98), julgouse improcedente a impugnação com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/07/2008 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/07/2008 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre carga transportada na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11128.004214/200981 Acórdão n.º 3301003.994 S3C3T1 Fl. 245 5 denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 81/91), que teve provimento por meio do Acórdão no 3801003.269– 1ª Turma Especial (fls.122/130), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/07/2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Cientificada do acórdão mencionado, o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 157/164 ), suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei no 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de Despacho 3100415 – 1ª Câmara (fls 152/153), e o Recorrente apresentou contrarrazões (fls 166/167). O Recurso Especial foi provido em parte, por meio do Acórdão no 9303003.624– 3ª Turma (fls. 221/229) com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/07/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Determinouse ainda na referida decisão o seguinte (fl. 229): Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11128.004214/200981 Acórdão n.º 3301003.994 S3C3T1 Fl. 246 6 Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Dessarte, conforme determinado pelo acórdão referido, os autos do processo em referência foram reencaminhados a esta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a mim distribuídos, para apreciação das questões trazidas no Recurso Voluntário do Recorrente que não foram objeto de deliberação. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário (fls. 88/98) o Recorrente, além da denúncia espontânea, que não constitui matéria da presente decisão, alega falta de fundamento legal para o lançamento da multa e ilegitimidade passiva. A Instrução Normativa Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, determinava que a retificação de conhecimento de embarque fora do prazo configurava prestação de informação fora do prazo, nos seguintes termos: Art. 45. O transportador, o depositário e o operador portuário estão sujeitos à penalidade prevista nas alíneas "e" ou "f" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, e quando for o caso, a prevista no art. 76 da Lei nº 10.833, de 2003, pela não prestação das informações na forma, prazo e condições estabelecidos nesta Instrução Normativa. § 1º Configurase também prestação de informação fora do prazo a alteração efetuada pelo transportador na informação dos manifestos e CE entre o prazo mínimo estabelecido nesta Instrução Normativa, observadas as rotas e prazos de exceção, e a atracação da embarcação. (grifouse) No entanto, o artigo transcrito foi revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 02 de junho de 2014. Ademais, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Solução de Consulta Interna nº 2Cosit, de 4 de fevereiro de 2016, consolidou entendimento que a multa em pauta não se e aplica ao caso de retificação de informação já prestada pelo interveniente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CONTROLE ADUANEIRO Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11128.004214/200981 Acórdão n.º 3301003.994 S3C3T1 Fl. 247 7 DAS IMPORTAÇÕES. INFRAÇÃO. MULTA DE NATUREZA ADMINISTRATIVOTRIBUTÁRIA. A multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alíneas “e” e “f” do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, é aplicável para cada informação não prestada ou prestada em desacordo com a forma ou prazo estabelecidos na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. Dispositivos Legais: DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966; Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. (grifouse) Dessarte, com supedâneo no art. 106, II, do CTN, na Instrução Normativa RFB nº 1473, de 2014 e na Solução de Consulta Interna nº 2 Cosit, de 2016, voto por afastar a penalidade e dar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.006168/2008-75
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2007
ATIVIDADE VEDADA. INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS.
Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, corretor, de despachante ou de qualquer tipo de
intermediação de negócios.
Numero da decisão: 1801-000.457
Decisão: ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Editado em 25/01/2011. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Sandra Maria Dias Nunes e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra a decisão da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Campinas/SP que, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade da interessada apresentada contra a negativa do pleito de inclusão no Simples Nacional, exarado pela Campinas/SP, em razão da atividade econômica exercida, de representante comercial e agente do comércio de têxteis, vedada para ingresso na sistemática. Na manifestação de inconformidade apresentada contra o indeferimento do pleito a interessada alega praticar atividade não impeditiva, de prestação de serviços, comercialização e revenda na área de tecidos e vestuários. Apreciando o litígio a DRJ/CPS indeferiu a solicitação ao argumento de que não haveria, nos autos, prova da prática de atividade não vedada. Cientificada, em 05/05/2009, do indeferimento de sua solicitação, como comprova o Aviso de Recebimento de fl. 18, apresenta, a contribuinte, em 28/05/2009, Recurso Voluntário em face deste Colegiado. Alega que o código CNAE-Fiscal consignado na ficha de inscrição estaria errado, uma vez que exerceria a atividade principal de prestação de serviços a outras empresas. Em suas palavras: “... ou seja, faz demonstração dos produtos das empresas em loco como representante, comercialização e revenda, xérox em anexo, portanto não pratica serviços de corretor e de intermediação de negócios.” Teria efetuado diversas tentativas, sem sucesso, para corrigir o CNAE-Fiscal e que a 2 a . Câmara do então Conselho de Contribuintes já teria se pronunciado no sentido de que a atividade de representante comercial não se assemelharia à de corretagem, o que permitiria seu acesso ao sistema. Ao final pugna pelo deferimento do pleito. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10830.006168/2008-75 Acórdão n.º 1801-00.457 S1-TE01 Fl. 27 3 O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. No mérito verifica-se que a empresa recorrente teve indeferido seu pleito de inclusão na sistemática do Simples Nacional por praticar atividades consideradas vedadas pela legislação de regência. De acordo com a cópia da Declaração de Firma Individual, à fl. 06, espelho do que consta nos documentos de constituição da empresa, restou consignada a prática da seguinte atividade: “Representação comercial por conta própria e de terceiros, comercialização e revenda na área de tecidos e vestuários.” A Lei Complementar no. 123, de 14 de dezembro de 2006, que instituiu o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, ao dispor sobre as vedações ao ingresso no Simples Nacional, assim determinou no artigo 17, inciso XI: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ... XI – que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; ... As atividades descritas no objeto social definido nos atos constitutivos da pessoa jurídica, e consignada na Declaração de Firma Individual – fl. 06, relacionam-se diretamente, à de intermediação de negócios, o que foi reconhecido pela própria interessada nas razões de recurso voluntário, quando afirmou: “... ou seja, faz demonstração dos produtos das empresas em loco como representante, comercialização e revenda, xérox em anexo, portanto não pratica serviços de corretor e de intermediação de negócios.” A atividade de intermediação de negócios, sob qualquer forma ou denominação, é vedada para ingresso na sistemática do Simples Nacional, conforme descrito no citado inciso XI do artigo 17 da Lei Complementar no. 123, de 2006. Ademais, a interessada não trouxe aos autos qualquer prova que confirme sua alegação de praticar atividade não vedada. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 25 de janeiro de 2011. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 11065.724308/2012-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3302-000.660
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Trata o presente de Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, relativos ao período de janeiro/2009 a dezembro/2011. As infrações autuadas corresponderam a: 1. Glosas de custos e despesas administrativas, conforme efls. 3206 a 3213; 2. Glosas de depreciações de veículos, móveis e utensílios, equipamentos de informática, telefones, programas de computação, marcas e patentes, sem amparo legal, reconhecendo créditos relativos a prédios Filial 1, máquinas e equipamentos, prédios e instalações, conforme efls. 3219/3220; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 24 30 8/ 20 12 -5 8 Fl. 4174DF CARF MF Processo nº 11065.724308/201258 Resolução nº 3302000.660 S3C3T2 Fl. 4.175 2 3. Falta de declaração em DCTF de valores informados em Dacon informados de contribuição devida, conforme efls. 3222/3223; A fiscalização ainda informou a existência de dcomps consideradas não declaradas, relativas a débitos do período julho/2010 a dezembro/2011, por utilização de créditos não permitidos em legislação, com decisão administrativa definitiva desfavorável ao contribuinte, exarada no processo nº 11065.720780/201211. Em impugnação, a recorrente aduziu que: 1. Que o conceito de insumos se pauta pelo princípio da essencialidade vinculada ao exercício da atividade do contribuinte, correspondendo a todos os custos de produção e despesas operacionais dedutíveis segundo a legislação do IRPJ, pleiteando a reversão da glosa sobre custos e despesas vinculados à produção (efls. 3273 a 3288), sobre bens e serviços vinculados à comercialização dos produtos fabricados (efls. 3288 a 3295), sobre bens e serviços vinculados ao setor administrativo (efls. 3295 a 3301); 2. Que a glosa dos encargos de depreciação é indevida, pois que tais encargos compõem o custo de produto, para fins de definição da margem de lucro e do preço de venda, sendo devido o reconhecimento de créditos sobre todo os bens do imobilizado; 3. A necessidade de realização de diligência, em razão de o lançamento ter sido efetuado de forma global, considerando todos os valores contabilizados em determinadas contas, o que dificultou a elaboração da peça impugnatória; De forma apartada, apresentou impugnação relativa à falta de declaração em DCTF, pleiteando a correção da compensação efetuada mediante a entrega das DCOMPs consideradas não declaradas, em razão da natureza tributária dos créditos dos título públicos utilizados nas referidas DCOMPs. A Segunda Turma da DRJ em Porto Alegre proferiu o Acórdão nº 1042.472, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA CONCESSÃO SEGUNDO PREVISÃO E REGULAMENTAÇÃO. Os créditos da contribuição não cumulativa devem ser concedidos e negados nos termos da previsão legal e regulamentação normativa sobre o assunto. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA CONCESSÃO SEGUNDO PREVISÃO E REGULAMENTAÇÃO. Os créditos da contribuição não cumulativa devem ser concedidos e negados nos termos da previsão legal e regulamentação normativa sobre o assunto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Fl. 4175DF CARF MF Processo nº 11065.724308/201258 Resolução nº 3302000.660 S3C3T2 Fl. 4.176 3 Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando, preliminarmente, a necessidade de diligência, em razão de o lançamento ter sido efetuado de forma global e refutando as conclusões do acórdão recorrido, no sentido de não ter a recorrente efetuado correlação entre as provas apresentadas e os valores glosados. Para espancar qualquer dúvida, a recorrente juntou ao recurso um demonstrativo correlacionando as despesas glosadas com os documentos apresentados, por amostragem, em razão da quantidade excessiva de documentos. No mérito, reproduziu as razões já expostas em impugnação quanto ao conceito de insumos, concernentes às glosas vinculadas à produção, às vinculadas à comercialização e às vinculadas ao setor administrativo, bem como quanto às glosas de depreciação. Além da peça recursal relativa às glosas de créditos da nãocumulatividade, a recorrente apresentou, apartadamente, outra peça referente à contestação do lançamento por falta de declaração em DCTF, na qual deduziu o seguinte: 1. Inconformismo contra a afirmação do acórdão recorrido de que as compensações pleiteadas pela recorrente deveriam ser confessados em DCTF; 2. A recorrente não questionou os valores lançados, mas apenas que os extinguiu por compensação; 3. Justifica a não inclusão em DCTF por já ter informado em declarações de compensação que constituíam em confissão de dívida; 4. Referente aos valores julgados não contestados pelo acórdão recorrido, informa que medidas administrativas já foram tomadas, não cabendo pronunciamento desse colegiado a respeito; 5. Que há recurso hierárquico no processo 11065.723339/201291 pendente de decisão. Quanto a esta parte do recurso, pede a anulação da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente dividiu seu recurso em duas partes: uma relativa à glosa de créditos da nãocumulatividade e a definição de insumos para a legislação do PIS e Cofins não cumulativos, e outra relativa à falta de declaração em DCTF de valores informados no Dacon. Passase à primeira matéria, qual seja, a glosa de créditos da não cumulatividade. Concernente à glosa de insumos, a recorrente separou sua impugnação e Fl. 4176DF CARF MF Processo nº 11065.724308/201258 Resolução nº 3302000.660 S3C3T2 Fl. 4.177 4 recurso voluntário em três partes distintas: a) Créditos de bens e serviços vinculados à produção; b) Créditos de bens e serviços vinculados à comercialização dos produtos fabricados; e c) Créditos de bens e serviços vinculados ao setor administrativo. A recorrente defende a tese de que insumos correspondem aos custos, encargos e despesas essenciais ao efetivo exercício das atividades da empresa, a saber, industrialização de calçados, bolsas e cintos, sua comercialização e exportação, ou seja, todos os custos de produção e despesas operacionais dedutíveis segundo a legislação do IRPJ, especialmente os artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99). Passando à análise dos pontos controvertidos, reitero meu entendimento sobre a definição de insumos, conforme exposto no Acórdão nº 3302003.096, que abaixo reproduzo. A nãocumulatividade das contribuições, embora estabelecida sem os parâmetros constitucionais relativos ao ICMS e IPI, foi operacionalizada mediante o confronto entre valores devidos a partir do auferimento de receitas e o desconto de créditos apurados em relação a determinados custos, encargos e despesas estabelecidos em lei. A apuração de créditos básicos foi dada pelos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, cujas atuais redações seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 4177DF CARF MF Processo nº 11065.724308/201258 Resolução nº 3302000.660 S3C3T2 Fl. 4.178 5 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado Fl. 4178DF CARF MF Processo nº 11065.724308/201258 Resolução nº 3302000.660 S3C3T2 Fl. 4.179 6 de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) A regulamentação da definição de insumo foi dada pelo artigo 66 da IN SRF nº 247/2002, e artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, de forma idêntica: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...]§ 5º Para os efeitos da alínea " b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Fl. 4179DF CARF MF Processo nº 11065.724308/201258 Resolução nº 3302000.660 S3C3T2 Fl. 4.180 7 Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...]§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. A partir destas disposições, três correntes se formaram: a defendida pela Receita Federal, corroborada em julgamentos deste Conselho, que utiliza a definição de insumos da legislação do IPI, em especial dos Pareceres Normativos CST nº 181/1974 e nº 65/1979. Uma segunda corrente que defende que o conceito de insumos equivaleria aos custos e despesas necessários à obtenção da receita, em similaridade com os custos e despesas dedutíveis para o IRPJ, dispostos nos artigos 289, 290, 291 e 299 do RIR/99. Por fim, uma terceira corrente, defende, com variações, um meio termo, ou seja, que a definição de insumos não se restringe à definição dada pela legislação do IPI e nem deve ser tão abrangente quanto a legislação do imposto de renda. Constatase também que há divergência no STJ sobre o tema, tendo a matéria sido afetada como recurso repetitivo no REsp 1.221.170/PR. Assim, verificase que no REsp 1.246.317MG, de relatoria do Ministro Mauro Campbell, decidiuse pela ilegalidade parcial do artigo 66º da IN SRF nº 247/2002 e do artigo 8º da IN SRF nº 404/2004, na parte em que trata do conceito de insumos, adotando no acórdão um mais abrangente: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. Fl. 4180DF CARF MF Processo nº 11065.724308/201258 Resolução nº 3302000.660 S3C3T2 Fl. 4.181 8 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. De forma antagônica, no REsp Nº 1.128.018 RS, decidiuse pela legalidade das referidas INs e do conceito restrito de insumos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. Fl. 4181DF CARF MF Processo nº 11065.724308/201258 Resolução nº 3302000.660 S3C3T2 Fl. 4.182 9 MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. Inexiste violação do art. 535 do CPC quando o Tribunal de origem se manifesta, fundamentadamente, sobre as questões que lhe foram submetidas, apreciando de forma integral a controvérsia posta nos presentes autos. 2. “Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo tribunal a quo” (Súmula 211/STJ). 3. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumos previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. 5. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos os bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 6. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 7. Recurso especial a que se nega provimento. Dado o panorama, entendo que a melhor interpretação está com a terceira corrente, pelos motivos a seguir. Ressaltase, ainda, que a matéria também está submetida à repercussão geral no STF no RE com Agravo nº 790.928. Inicialmente, destacase que a materialidade do fato gerador dos tributos envolvidos é distinta, isto é, a incidência sobre o produto industrializado para o IPI, sobre o lucro (real, presumido ou arbitrado), para o IRPJ, ao passo que o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre a receita bruta. Esta distinção se refletiu na redação original do artigo 3º, na definição das hipóteses de crédito, especialmente a relativa a insumos, dada por "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes". De plano, salta aos olhos a impropriedade de utilização da legislação do IPI como parâmetro, em razão da inclusão de serviços na mesma categoria normativa de bens, inaplicável à definição de IPI dada a bens. Fl. 4182DF CARF MF Processo nº 11065.724308/201258 Resolução nº 3302000.660 S3C3T2 Fl. 4.183 10 Outra distinção marcante relativo ao IPI reside na inclusão de combustíveis e lubrificantes na definição de insumos. A legislação do IPI delimitou o alcance da definição, especialmente no Parecer Normativo CST nº 65/1979, em função do contato físico direto com o produto em fabricação, o que levou à impossibilidade de tomada de crédito de IPI sobre tais bens, inclusive objeto de edição da Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. É cediço que combustíveis não entram em contato físico direto com os produtos durante o processo produtivo, razão pela qual não podem ser inseridos no conceito de insumo adotado pelo IPI. Sendo assim, concluise que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ao inserirem os termos combustíveis e lubrificantes na categoria de insumo, estabelecem um marco jurídico distinto da legislação do IPI. Verificase que, de fato, a própria Receita Federal flexibilizou a questão do contato direto com o produto em fabricação. Vejamos a Solução de Divergência nº 14/2007 e nº 35/2008, as quais permitem a dedução de partes e peças de reposição de máquinas e equipamentos, desde que não incluídas no imobilizado: Solução de Divergência nº 14/2007: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: Crédito presumido da Cofins. Partes e peças de reposição e serviços de manutenção. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam incluídas no ativo imobilizado. Solução de Divergência nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Esta distinção fica evidenciada na redação da Lei nº 10.276/2001, ao estabelecer o regime alternativo de crédito presumido de IPI sobre o ressarcimentos das contribuições para o PIS e a Cofins, delimitando a definição de insumos para o IPI a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, excluindo a energia elétrica e os combustíveis, Fl. 4183DF CARF MF Processo nº 11065.724308/201258 Resolução nº 3302000.660 S3C3T2 Fl. 4.184 11 distinguindose da redação dos incisos II dos artigos terceiros das leis instituidoras da não cumulatividade, a qual inclui combustíveis na qualidade de insumos. Por outro lado, a tese de que insumo equivaleria a custos e despesas dedutíveis necessários à obtenção da receita é por demais abrangente e não reflete a estrutura do artigo 3º das referidas leis. Este enumera as hipóteses de creditamento, sendo que todas se referem a custos ou despesas necessárias, o que afasta a definição abrangente, já que todas as demais hipóteses estariam abrangidas no inciso II, revelandose, assim desnecessárias. Assim, energia elétrica, aluguéis, contraprestação de arrendamento relativas a área administrativa são despesas necessárias, mas entretanto não são insumos e somente geram crédito por estarem previstas em hipóteses autônomas. O mesmo ocorre com a despesa de armazenagem e frete na operação de venda. A terceira corrente, buscando uma definição própria para insumos, se refletiu em vários acórdãos deste conselho, em maior ou menor abrangência: Acórdão nº 930301.740: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Acórdão nº 3202001.593: CONCEITO DE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS O conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção; por outro lado, também não é qualquer bem ou serviço adquirido pelo contribuinte que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. Ambas as posições (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado. Fl. 4184DF CARF MF Processo nº 11065.724308/201258 Resolução nº 3302000.660 S3C3T2 Fl. 4.185 12 No caso do PIS/Pasep e da Cofins, a partir dos enunciados prescritivos contidos nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, devem ser construídos critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições. As contribuições incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Recurso Voluntário parcialmente provido. Acórdão nº 3201001.879: COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. CONCEITO. O conceito de insumos no contexto da Cofins nãocumulativa é mais abrangente do que o conceito da legislação do IPI, devendo ser admitido todo dispêndio na contratação de serviços e aquisição de bens essenciais ao processo produtivo do sujeito passivo, independentemente de ter contato direto com o produto em fabricação. Acórdão nº 3401002.860: CONCEITO DE INSUMOS PARA FINS DE APURAÇÃO DE CRÉDITO DE PIS E COFINS NÃOCUMULATIVOS. O conceito de insumo deve estar em consonância com a materialidade do PIS e da COFINS. Portanto, é de se afastar a definição restritiva das IN SRF nºs 247/02 e 404/04, que adotam o conceito da legislação do IPI. Outrossim, não é aplicável as definições amplas da legislação do IRPJ. Insumo, para fins de crédito do PIS e da COFINS, deve ser definido como sendo o bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente na produção de bens ou prestação de serviços, sendo indispensável a estas atividades e desde que esteja relacionado ao objeto social do contribuinte. Acórdão nº 3301002.270: COFINS/PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. A legislação do PIS/Cofins atribuiu conceito próprio de insumos para o fim de aproveitamento dos créditos da não cumulatividade. Este conceito não é tão restritivo quanto o da legislação do IPI e nem tão amplo quanto à legislação do imposto de renda. Acórdão nº 3403003.629: NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Fl. 4185DF CARF MF Processo nº 11065.724308/201258 Resolução nº 3302000.660 S3C3T2 Fl. 4.186 13 Entendo, pois, que a expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente de ter havido contato direto com o produto fabricado, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes, expressos no texto legal Assim, devem ser entendidos como insumos, os custos de aquisição e custos de transformação que sejam inerentes ao processo produtivo e não apenas genericamente inseridos como custo de produção. Esta distinção é dada pela própria lei e também pelo STJ (AgRg no REsp nº 1.230.441SC, AgRg no REsp nº 1.281.990SC), quando excluem, por exemplo, dispêndios com valetransporte, valealimentação e uniforme da condição de insumos, os quais poderiam ser considerados custos de produção, mas que somente foram alçados a insumos a partir da Lei nº 11.898/2009, e apenas para as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação, manutenção. Destacase, ainda, que determinados custos de estocagem, embora, sejam considerados para avaliação de estoques, não podem ser considerados custos de transformação, pois são aplicados aos produtos já acabados. Estabelecidas as premissas acima, passase à análise específica dos pontos controvertidos. Recordase que a própria recorrente separou sua defesa em três grupos: a) Créditos de bens e serviços vinculados à produção; b) Créditos de bens e serviços vinculados à comercialização dos produtos fabricados; e c) Créditos de bens e serviços vinculados ao setor administrativo. De plano, entendo que os bens e serviços vinculados ao setor administrativo item 3.5 da peça recursal (honorários advocatícios, assessoria administrativa, serviços de informática e material de expediente), embora possam consistir em despesas operacionais necessárias, não são bens e serviços utilizados na produção ou fabricação de bens destinados à venda nem na prestação de serviços, razão pela qual não podem gerar créditos como insumos. Ademais, não se enquadram em outra hipótese de creditamento prevista nos artigos 3º das Leis n 10.637/2002 e nº 10.833/2003. No mesmo sentido, os bens e serviços vinculados à comercialização item 3.4 do recurso voluntário (despesas de propaganda e marketing, feiras e exposições, comissões sobre vendas, despesas de exportação, viagens e comunicação) não podem ser considerados insumos por não serem utilizados na produção ou fabricação de bens destinados à venda nem na prestação de serviços. Como confirmado pela recorrente, são despesas operacionais incorridas após a produção e não se enquadram em qualquer outro inciso dos artigos 3º das leis acima referidas. Já em relação ao grupo "bens e serviços vinculados à produção", a recorrente discriminaos como: serviços de terceiros, serviços técnicos, serviços de vigilância, honorários médicos, despesas com veículos e transporte de pessoal, gastos com pessoal de produção, alimentação e reciclagem de lixo. Serviços de Terceiros A recorrente alegou que os serviços de terceiros, que foram objeto de glosa nas efls. 1609/1673, 1715/1720, 1758/1770, 2003/2007, 2078/2083, se referem a a) corte de calçados, acabamento de couro e fabricação de partes e peças de alçados, b) assistência técnica Fl. 4186DF CARF MF Processo nº 11065.724308/201258 Resolução nº 3302000.660 S3C3T2 Fl. 4.187 14 e manutenção de máquinas e equipamentos do parque industrial; c) conserto de solas e saltos; d) controle de remessa e retorno de mercadorias em fase de produção; e) préinspeções realizadas nas mercadorias destinadas aos clientes da Recorrente; f) garantia de capacitação, qualidade e quantidade de mão de obra (operacional e técnica); e, por fim, g) modelagem de calçados. Informou ainda que os serviços terceirizados nada mais são que serviços de industrialização por encomenda e que os gastos com manutenção e reparo são utilizados na atividade produtiva. No doc. 4 da impugnação juntou algumas notas fiscais que, aparentemente, se referem a manutenção e serviços vinculados à área produtiva da empresa e ao final do recurso, apresenta planilha com a correlação destas notas com as glosas efetuadas, indicando a página do arquivo magnético correspondente. Já a autoridade fiscal elencou estas glosas nos itens 3.1.1 1 Serviços Terceiros PJ Produção, informando tratarem de despesas administrativas com informática, assessorias, transportes etc; 3.1.1 8 Serviços Terceiros PJ Vendas, informando tratarem de despesas administrativas com vendas; 3.1.1 13 Serviços Terceiros PJ Adm, informando tratarem de despesas administrativas; 3.1.1 33 Serviços Terceirizados PJ Filial 1 Produção, informando tratarse de despesas administrativas; 3.1.1 38 Serviços Terceirizados PJ Filial 2 Produção, informando tratarse de despesas administrativas. Constatase que nos arquivos de Livro Razão juntados aos autos não é possível identificar a natureza das despesas ali escrituradas, nem se se tratam de custos ou despesas, pois não localizei o plano de contas contábil, embora as glosas 3.1.1 1, 3.1.1 33 e 3.1.1 38 aparentemente, referemse a centros de custos de produção. Destacase ainda que a natureza das despesas alegadas pela recorrente é completamente divergente da natureza informada pela autoridade fiscal. Seria possível, a meu ver, o creditamento relativo a: corte de calçados, acabamento de couro e fabricação de partes e peças de calçados, assistência técnica e manutenção de máquinas e equipamentos do parque industrial; conserto de solas e saltos; controle de remessa e retorno de mercadorias em fase de produção e modelagem de calçados. Por outro lado, préinspeções realizadas nas mercadorias destinadas aos clientes da Recorrente aparentam se tratar de despesa sobre produtos acabados antes da remessa aos clientes. Já para garantia de capacitação, qualidade e quantidade de mão de obra (operacional e técnica), não consigo identificar do que efetivamente se trata. Das notas apresentadas e correlacionadas com os arquivos denominados Razão, vislumbrase passíveis de creditamento, por exemplo, a NF 9604 REMAQ que trata do conserto de bomba hidráulica, montagem e desmontagem, NF 10649 IF FORAMS formas plásticas para calçados, NF 1856 ATOM assistência técnica, embora haja outras que não se amoldam à definição como a NF 094 LOPESME que trata de serviços de consultoria, NF 3094 INICIATIVA CONSULTORES que trata da contratação de gerente de compras e outras. Assim, fazse necessária uma diligência para que a recorrente demonstre quais glosas se referem aos serviços acima passíveis de creditamento, fazendo a correlação entre o documento fiscal a ser apresentado e a linha de glosa dos arquivos juntados aos autos (3.1.1 1, 3.1.1 8, 3.1.1 13, 3.1.1 33, 3.1.1 38), bem como descrevendo de forma mais detalhada e informando em que parte do processo produtivo ocorreu sua aplicação, de tal modo que a Fl. 4187DF CARF MF Processo nº 11065.724308/201258 Resolução nº 3302000.660 S3C3T2 Fl. 4.188 15 autoridade fiscal possa certificar a correlação e a compatibilidade entre o documento e a aplicação informada, devendo disponibilizar a documentação probatória para a fiscalização certificar as informações prestadas. Serviços Técnicos Quanto a estes, a recorrente informou que correspondem ao Livro Razão de e fls. 1.674/1.695; 1.696/1.698; 1.699/1.701; 1.702/1.704; 1.725/1.734; 1.799 e 2.095/2.096. Alegou que se tratam de: a) revisão e controle do processo de corte e bordado de calçados; b) acompanhamento e controle de qualidade de préfabricado produzido em atelieres; c) controle de remessa e retorno de mercadorias em fase de produção; d) controle de acabamento de calçados em couro; e) manutenção de máquinas e equipamentos no parque fabril da matriz e filiais; f) planejamento e operação da produção da planta industrial da matriz e filiais; g) desenvolvimento de estratégias para aumento da produtividade e qualidade e diminuição de custos internos; h) fiscalização dos prazos de produção, especificações técnicas e expedição de mercadorias; i) garantia de capacitação, qualidade e quantidade de mão de obra (operacional e técnica); j) orientação e acompanhamento técnico na fabricação de calçados; k) apoio e controle no setor de desenvolvimento, previsão de materiais e cores, projeção de consumo por produto, acompanhamento da revisão da qualidade e controle de amostras; I) apoio e controle na elaboração de fichas técnicas, criação de elenco de produtos e subprodutos, controle do cadastro dos mesmos no sistema para geração correta da programação de produção; m) assessoria na área de compras, gerenciamento e controle da área de materiais, estocagem e logística; n) orientação e acompanhamento técnico no desenvolvimento das coleções de calçados; o) programação, acompanhamento de produtividade e desempenho do setor de montagem; p) elaboração e montagem de fichas técnicas dos modelos, composição de combinações de materiais e cores, acompanhamento do detalhamento de materiais para elaboração de construção de palmilhas e montagem de solados, desenvolvimento de novas linhas de produtos; e q) treinamento em segurança do trabalho e meio ambiente. A recorrente fez a correlação das notas fiscais juntadas na impugnação com os arquivos de livro Razão utilizados para glosa, identificando que tais notas estão inseridas nos referidos arquivos. Da análise dos documentos acostados aos autos, efls. 3337 a 3419, considero que os contratos relativos à prestação de serviço por Marcelo Molz (revisão e controle do corte e bordado), por Silva Calçados, relativo a controle de qualidade na produção de calçados, por Cristiane dos Santos Martins por manutenção das unidades industriais, por Hanka Gestão Empresarial relativo a planejamento e operação da planta industrial da matriz e filiais, por Zortti Calçados relativo a corte de calçados, RF Assistência Técnica na fabricação de calçados, prestado por Roberto Germano Schmitt relativo a revisão e acompanhamento da produção e qualidade. Por outro lado, o serviço prestado por C&I Apoio Administrativo relativo a apoio e controle administrativo no setor de desenvolvimento, previsão de materiais; por João Carlos Ferreira Massas relativo a orientação e acompanhamento técnico o desenvolvimento de coleções de calçados; por RMC Serviços Administrativos relativo a administração e fechamento de programas para faturamento e acompanhamento, prestado por GE Geraldo Elizerto Ltda relativo a apoio e controle administrativo de programação, acompanhamento de produtividade e desempenho, prestado por Up to Date relativo à assessoria na área de compras e estocagem e logística, prestado por J.J.Smaniotto relativo a apoio e controle administrativo Fl. 4188DF CARF MF Processo nº 11065.724308/201258 Resolução nº 3302000.660 S3C3T2 Fl. 4.189 16 do setor de desenvolvimento (etapa de pesquisa e desenvolvimento anteriormente caracterizadas como ativo diferido, portanto, anterior à produção), prestado por Gervásio Muller de Oliveira relativoa a apoio e controle administrativos no setor de desenvolvimento, revisão de mostruário a representantes, prestado por Gerson Luis Hack relativo a despesas com desenvolvimento de produtos (contabilizável outrora no extinto ativo diferido), prestado por Rodrigo Rafael Dreher relativo a apoio e controle administrativo no setor de desenvolvimento e no setor de vendas pelos representantes, prestado por João Álvaro da Silva, por Vanessa Benetti, similar ao prestado por Rodrigo Rafael, não se amoldando à definição de insumos, bem como treinamentos em segurança do trabalho. Assim, é necessária diligência para que a recorrente demonstre quais glosas se referem aos serviços acima passíveis de creditamento, fazendo a correlação entre o documento fiscal a ser apresentado e a linha de glosa dos arquivos juntados aos autos, bem como descrevendo de forma mais detalhada e informando em que parte do processo produtivo ocorreu sua aplicação, de tal modo que a autoridade fiscal possa certificar a correlação e a compatibilidade entre o documento e a aplicação informada, devendo disponibilizar a documentação probatória para a fiscalização certificar as informações prestadas. . Despesas de Veículos A recorrente alegou que se tratam de aquisições de combustíveis, lubrificantes e serviços de manutenção e reparo de veículos que compõem sua frota, conforme glosa nos arquivos 1800/1823 e 2010/2011. A autoridade fiscal informou que se tratavam de despesas administrativas com veículos nas contas 430 Despesas de veículos Prod. Já as efls. 2010/2011 se referem a despesas de comunicação já acima tratadas. Afirmou, ainda, que são veículos destinados a transportar matériasprimas, material de embalagem, produtos intermediários, bem como de produtos acabados aos clientes. Em princípio, os valores relativos aos dispêndios com veículos destinados ao transporte de matériasprimas, material de embalagem, produtos intermediários e produtos em elaboração poderiam ser considerados insumos. Assim, baixase em diligência para que a recorrente demonstre a natureza (manutenção, combustível etc) e segregação das despesas de veículos incorridas com transporte de matériasprimas, material de embalagem, produtos intermediários, produtos em elaboração, bem como de produtos acabados, devendo disponibilizar à fiscalização a documentação probatória para certificação das informações. Diante do exposto, voto para converto o julgamento em diligência para: 1. Juntar o plano de contas contábil completo e a descrição do funcionamento das contas relativas às glosas efetuadas; 2. Que a recorrente demonstre quais glosas se referem a corte de calçados, acabamento de couro e fabricação de partes e peças de calçados, assistência técnica e manutenção de máquinas e equipamentos do parque industrial; conserto de solas e saltos; controle de remessa e retorno de mercadorias em fase de produção e modelagem de calçados (serviços de terceiros dentro do item 3.3 do recurso voluntário), fazendo a correlação entre o documento fiscal a ser apresentado e a linha de glosa dos arquivos juntados aos autos (3.1.1 1, Fl. 4189DF CARF MF Processo nº 11065.724308/201258 Resolução nº 3302000.660 S3C3T2 Fl. 4.190 17 3.1.1 8, 3.1.1 13, 3.1.1 33, 3.1.1 38), bem como descrevendo de forma mais detalhada e informando em que parte do processo produtivo ocorreu sua aplicação, de tal modo que a autoridade fiscal possa certificar a correlação e a compatibilidade entre o documento e a aplicação informada, devendo disponibilizar à fiscalização a documentação probatória para certificação das informações e juntar ao processo a documentação que considerar adequada em relação à correlação ou à aplicação no processo produtivo (sem considerar a necessidade de contato direto com o produto em fabricação); 3. Que a recorrente demonstre quais glosas se referem aos serviços prestados por Marcelo Molz (revisão e controle do corte e bordado), por Silva Calçados, relativo a controle de qualidade na produção de calçados, por Cristiane dos Santos Martins por manutenção das unidades industriais, por Hanka Gestão Empresarial relativo a planejamento e operação da planta industrial da matriz e filiais, por Zortti Calçados relativo a corte de calçados, RF Assistência Técnica na fabricação de calçados, prestado por Roberto Germano Schmitt relativo a revisão e acompanhamento da produção e qualidade, bem como treinamentos em segurança do trabalho específico do setor produtivo (serviços técnicos dentro do item 3.3 do recurso voluntário), fazendo a correlação entre o documento fiscal a ser apresentado e a linha de glosa dos arquivos juntados aos autos, bem como descrevendo de forma mais detalhada e informando em que parte do processo produtivo ocorreu sua aplicação, disponibilizando a documentação probatória, de tal modo que a autoridade fiscal possa certificar a correlação e a compatibilidade entre o documento e a aplicação informada, devendo juntar ao processo a documentação que considerar adequada em relação à correlação ou à aplicação no processo produtivo (sem considerar a necessidade de contato direto com o produto em fabricação). 4. Que a recorrente demonstre a natureza (manutenção, combustível etc) e segregação das despesas de veículos incorridas com transporte de matériasprimas, material de embalagem, produtos intermediários, produtos em elaboração, bem como de produtos acabados, devendo disponibilizar à fiscalização a documentação probatória para certificação das informações e juntar ao processo a documentação que considerar adequada. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 4190DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.003086/2009-72
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PESSOA FÍSICA. EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADE MERCANTIL. EMPRESA
INDIVIDUAL. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA.
Equiparam-se às pessoas jurídicas, nos termos da legislação em vigor, as empresas individuais, assim consideradas as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO
COMPROVADA.
A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratando-se de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastá-la, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazê-lo, fica
caracterizada a omissão de receitas.
Tributam-se como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea.
ARBITRAMENTO DOS LUCROS.
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 529 e 530, III).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006
NULIDADES DA AUTUAÇÃO.
Não se verifica nulidade do procedimento fiscal, tampouco resta
caracterizado cerceamento do direito de defesa, quando se encontra acostada aos autos farta documentação produzida pelo Fisco comprovando a prática do ilícito tributário, sobre a qual o sujeito passivo teve a oportunidade de se manifestar e apresentar suas contraprovas, durante o procedimento fiscal e após a instauração do contencioso administrativo.
NULIDADE DA DECISÃO DE 1A. INSTÂNCIA.
A validação, pela autoridade julgadora a quo, dos elementos de prova angariados pela fiscalização e, como conseqüência, das próprias exigências formalizadas faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, como tal, não pode ser motivo para anulação de decisão.
Tendo sido a decisão da autoridade julgadora de 1º. Instância proferida com observância dos pressupostos legais e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto no. 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade da decisão.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS.
O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep.
Numero da decisão: 1801-000.437
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 PESSOA FÍSICA. EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADE MERCANTIL. EMPRESA INDIVIDUAL. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. Equiparam-se às pessoas jurídicas, nos termos da legislação em vigor, as empresas individuais, assim consideradas as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratando-se de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastá-la, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazê-lo, fica caracterizada a omissão de receitas. Tributam-se como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 529 e 530, III). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 NULIDADES DA AUTUAÇÃO. Não se verifica nulidade do procedimento fiscal, tampouco resta caracterizado cerceamento do direito de defesa, quando se encontra acostada aos autos farta documentação produzida pelo Fisco comprovando a prática do ilícito tributário, sobre a qual o sujeito passivo teve a oportunidade de se manifestar e apresentar suas contraprovas, durante o procedimento fiscal e após a instauração do contencioso administrativo. NULIDADE DA DECISÃO DE 1A. INSTÂNCIA. A validação, pela autoridade julgadora a quo, dos elementos de prova angariados pela fiscalização e, como conseqüência, das próprias exigências formalizadas faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, como tal, não pode ser motivo para anulação de decisão. Tendo sido a decisão da autoridade julgadora de 1º. Instância proferida com observância dos pressupostos legais e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto no. 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade da decisão. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-07T18:54:49Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2480222_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-07T18:54:49Z; Last-Modified: 2011-01-07T18:54:49Z; dcterms:modified: 2011-01-07T18:54:49Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2480222_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:0441517d-2a25-4ca6-9757-d093c8924b2f; Last-Save-Date: 2011-01-07T18:54:49Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-07T18:54:49Z; meta:save-date: 2011-01-07T18:54:49Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2480222_0.doc; modified: 2011-01-07T18:54:49Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-07T18:54:49Z; created: 2011-01-07T18:54:49Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2011-01-07T18:54:49Z; pdf:charsPerPage: 2236; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-07T18:54:49Z | Conteúdo => S1-TE01 Fl. 495 1 494 S1-TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.003086/2009-72 Recurso nº 207.939 Voluntário Acórdão nº 1801-00.437 – 1ª Turma Especial Sessão de 15 de dezembro de 2010 Matéria AI - IRPJ - Omissão de Receitas - Empresa Individual - Equiparação Recorrente JOSÉ ALVES DO NASCIMENTO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 PESSOA FÍSICA. EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADE MERCANTIL. EMPRESA INDIVIDUAL. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. Equiparam-se às pessoas jurídicas, nos termos da legislação em vigor, as empresas individuais, assim consideradas as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratando-se de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastá-la, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazê-lo, fica caracterizada a omissão de receitas. Tributam-se como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da Fl. 556DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 529 e 530, III). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 NULIDADES DA AUTUAÇÃO. Não se verifica nulidade do procedimento fiscal, tampouco resta caracterizado cerceamento do direito de defesa, quando se encontra acostada aos autos farta documentação produzida pelo Fisco comprovando a prática do ilícito tributário, sobre a qual o sujeito passivo teve a oportunidade de se manifestar e apresentar suas contraprovas, durante o procedimento fiscal e após a instauração do contencioso administrativo. NULIDADE DA DECISÃO DE 1A. INSTÂNCIA. A validação, pela autoridade julgadora a quo, dos elementos de prova angariados pela fiscalização e, como conseqüência, das próprias exigências formalizadas faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, como tal, não pode ser motivo para anulação de decisão. Tendo sido a decisão da autoridade julgadora de 1 a . Instância proferida com observância dos pressupostos legais e não havendo prova da violação das disposições contidas no artigo 59 do Decreto no. 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade da decisão. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS E COFINS. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 557DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10510.003086/2009-72 Acórdão n.º 1801-00.437 S1-TE01 Fl. 496 3 Editado em 15/12/2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, André Almeida Blanco, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata-se de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 368 a 399), que exigem da contribuinte acima identificada o crédito tributário no valor total de R$ 721.068,38, aí incluídos o principal a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas no ano-calendário 2006, descritas no Relatório Fiscal de fls. 362 a 367, parte integrante das exigências. Relata a auditoria que foi lavrado o Termo de Início da Ação Fiscal, em 16/03/2009, pelo qual foi solicitada a apresentação de extratos bancários do sujeito passivo dentre diversos outros documentos. De posse dos extratos o agente fiscal elaborou demonstrativo para que o contribuinte apresentasse justificativas e comprovações a respeito da origem dos créditos neles consignados. Em resposta, o sujeito passivo teria apresentado diversas notas fiscais avulsas emitidas para a Distribuidora de Produtos Kero Kero Ltda, referentes à venda de feijão e mais uma centena e meia de cópias de pedidos, a maior parte com valores de dezenas de milhares de reais, referentes à comercialização de feijão e milho, tendo o sujeito passivo afirmado, no item III da resposta, que “atuando em nome de outras pessoas, enviou mercadorias - especificamente feijão - para os seus verdadeiros compradores, tendo recebido destes todos os recursos financeiros constantes dos extratos bancários já em poder da Receita Federal do Brasil”. Consignou o auditor que, estaria, assim, caracterizada a exploração habitual de atividade econômica de natureza comercial pelo Sr. José Alves do Nascimento, motivo pelo qual teria sido intimado a providenciar inscrição no CNPJ ou efetivar a transferência de endereço da firma individual JOSE ALVES DO NASCIMENTO ME, CNPJ 11.606.738/0001- 13, de Itaíba/PE, para o seu atual domicílio em Sergipe. Atendendo a nova intimação da auditoria fiscal o sujeito passivo teria informado que os recursos movimentados em suas contas bancárias não lhe pertenceriam, e teriam, apenas, transitado por suas contas correntes, em razão da necessidade de comprar e vender produtos para os seus destinatários, os quais não puderam ser identificados pelo contribuinte, mas que seriam os verdadeiros “donos do dinheiro”, representando, os depósitos, pagamentos por cereais efetuados por pessoas e empresas dos Estados do Rio Grande do Norte, Maranhão e Pará. Novamente, a fiscalização teria intimado o sujeito passivo a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, cada um dos valores creditados em Fl. 558DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 suas contas bancárias, ao que, novamente, o contribuinte teria respondido que os recursos utilizados nos créditos bancários não lhe pertenceriam, tendo, apenas, transitado por suas contas em razão da necessidade de vender produtos aos seus destinatários. Não tendo sido atendida a solicitação para efetivar a transferência de endereço da firma individual JOSE ALVES DO NASCIMENTO ME, CNPJ 11.606.738/0001- 13, de Itaíba/PE, para o seu atual domicílio em Sergipe, foi protocolizada representação fiscal para que tal alteração fosse efetuada de ofício, tendo-se concretizado em 27/07/2009, com a situação cadastral de INAPTA, vez que a entrega da última DIPJ referir-se-ia ao exercício de 1992. Foi providenciada a intimação da Distribuidora de Produtos Kero Kero Ltda. que, em resposta, afirmou ter efetuado pagamentos ao seu corretor, Jose Alves do Nascimento, pela aquisição de mercadorias, remessas de feijão e milho, conforme as respectivas notas fiscais avulsas. Em 29/07/2009 teria sido emitido MPF para fiscalização na firma individual de José Alves do Nascimento ME, CNPJ 11.606.738/0001-13, e, no termo de início, solicitada a apresentação de livros de sua escrituração comercial e fiscal. Em respostas datadas de 26/08/2009 e 31/08/2009, teria sido afirmado que a empresa não dispunha da documentação solicitada. Teria restado, assim, caracterizada a omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. Diante da impossibilidade de se distinguir, quais créditos bancários seriam oriundos da venda de feijão, milho, ou outros cereais, como “favita”, foram exigidos o PIS e a COFINS sobre as receitas omitidas e apuradas por presunção legal, além do IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Os créditos bancários considerados foram consolidados nos demonstrativos que compõe os anexos I e II do Termo de Intimação lavrado em 22/04/2009, e constam do Relatório Fiscal, às fls. 366 e 367. Cientificado das exigências, por via postal, em 14/09/2009, como comprova a cópia do AR à fl. 401, o contribuinte apresentou, em 08/10/2009, impugnações, uma para cada auto de infração, mas de idêntico teor, acostadas às fls. 404 a 454. Afirma, em sua defesa, que os depósitos bancários tem origem comprovada na sua atividade empresarial de compra e venda de cereais e foram recebidos da Distribuidora Kero Kero, do Rio Grande do Norte, Vilá, do Maranhão, Liêda, do Maranhão, e Irmãos Lopes, do Pará e que depósitos de origens não comprovadas seriam os feitos por traficantes, bandidos e por lavagem de dinheiro. Aduz que apresentou documentos hábeis e idôneos a comprovar a origem do numerário que, no entanto, não foram aceitos pela auditoria sem qualquer justificativa ou explicação, o que caracterizaria verdadeira perseguição do funcionário público. A recusa em aceitar os elementos de prova oferecidos levaram a qualificar como receitas omitidas os valores relativos aos créditos bancários plenamente identificados. Observa a ocorrência de efeito cascata em relação ao montante de R$ 5.000.000,00 considerados como receitas omitidas, pois, tais valores seriam “recorrentes, ou seja, entravam nas contas num dia e no outro já saiam e logo depois entravam novamente e assim num ciclo contínuo, de sorte que em média se movimentava cerca de R$ 400.000.00 (quatrocentos mil reais) por mês”. Fl. 559DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10510.003086/2009-72 Acórdão n.º 1801-00.437 S1-TE01 Fl. 497 5 E prossegue: “[...] Assim, o dinheiro que era recebido hoje, na conta bancária, era utilizado para pagar a mercadoria que seria adquirida no campo amanhã; esta mercadoria uma vez adquirida, era novamente enviada para o comprador e dono dos recursos que, ao recebê-la e, vendida ela e apurado o dinheiro respectivo, necessitando adquirir mais, novamente reenviava o dinheiro apurado com a dita venda para a mesma conta bancária e o ciclo novamente se reiniciava”. Pondera que os mesmos recursos adentravam e saíam de suas contas correntes, diversas vezes, ao longo do ano, não havendo, pois, ingresso de novo numerário. Conclui que, ainda que se considere que os recursos lhe pertenceriam, deveria ser considerada como receita a quantia de R$ 400.000,00, pois teria sido esse o capital efetivo da empresa. Pugnou, ao final, pela anulação dos autos de infração. Apreciando o litígio a 2 a . Turma da DRJ em Salvador/BA proferiu o Acórdão no. 15-22.048, de fls. 457 a 463, julgando procedente as exigências. Em preliminares afastou a nulidade dos lançamentos e, no mérito, reafirmou que as atividades de natureza comercial praticadas pela pessoa de José Alves do Nascimento se equiparam às de empresa individual, dado o caráter habitual e profissional com que foram exercidas, o que teria restado plenamente caracterizado e comprovado pelos elementos angariados no procedimento fiscal. A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996 não teria sido afastada pela defesa, resultando na confirmação da omissão de receitas. A forma de apuração adotada pela auditoria fiscal também restou validada, face à ausência de regular escrituração comercial e fiscal, assim como o percentual de arbitramento para a correspondente atividade, nos termos da legislação de regência. Intimada da decisão, em 19/01/2010, como se verifica pela cópia do AR anexada à fl. 471, foi formalizado, em 18/02/2010, o Recurso Voluntário em face daquela decisão, acostado às fls. 473 a 482. Como razões de defesa reproduz aquelas oferecidas na impugnação e acrescenta que o parágrafo 5 o . do artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, determina que, quando provado que os valores creditados nas contas de depósitos pertencem a terceiros, evidenciando a interposição de pessoas, o lançamento deve ser feito contra o terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. Defende que estaria comprovado pelos documentos acostados aos autos que os valores creditados em suas contas correntes pertenceriam a terceiros, empresas distribuidoras que remetiam os recursos para a aquisição de mercadorias. No seu entender não se poderia exigir que prestasse contas de operações praticadas há mais de três anos, sobre as quais não possuía nenhuma contabilidade e que o Acórdão combatido se assemelharia a uma cópia dos autos de infração, por apegar-se às formalidades da lei. Protesta, ainda, sob o argumento de que nenhum dos elementos oferecidos foram aceitos como prova da improcedência das autuações pela auditoria fiscal ou pelo julgador “a quo”. Fl. 560DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 Invoca a nulidade dos lançamentos e da decisão de 1 a . instância por desrespeito ao comando inserto no parágrafo 3 o ., inciso II do artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, pois não teriam sido excluídos dos totais os valores inferiores a R$ 1.000,00. Repete os argumentos a respeito do “efeito cascata” da autuação, uma vez que os mesmos recursos adentravam e saíam de suas contas correntes, diversas vezes ao longo do ano e não haveria, pois, ingresso de novo numerário, assim como para que sejam considerados como recursos apenas a quantia de R$ 400.000,00, pois teria sido esse o capital efetivo da empresa pugnando. Pede ao final, também, pela desconsideração dos valores inferiores a R$ 1.000,00. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. 1 Preliminarmente. 1.1 NULIDADE DA AUTUAÇÃO. NULIDADE DA DECISÃO DE 1 A . INSTÂNCIA. No que respeita à invocada nulidade do procedimento cumpre examinar, inicialmente, se no presente caso teriam sido observados os requisitos legais pertinentes à constituição do Crédito Tributário pela Fazenda Pública, conforme estabelecido no Decreto no. 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF, bem como se teriam sido atendidas as exigências presentes no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN - Lei no. 5.172, de 1966. Esta é a redação dos dispositivos mencionados: Decreto no. 70.235/72 – PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; Fl. 561DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10510.003086/2009-72 Acórdão n.º 1801-00.437 S1-TE01 Fl. 498 7 VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Lei no. 5.172/66 – Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse aspecto, não se verifica nos autos a ausência dos elementos essenciais à formalização do crédito tributário, eis que presentes a descrição das irregularidades com a identificação da ocorrência dos fatos geradores, das matérias tributáveis, como também a determinação das bases de cálculo e alíquotas aplicáveis, o cálculo dos tributos exigidos, a correta identificação do sujeito passivo e a imposição da penalidade cabível. Assim, o ato praticado no presente processo revestiu-se de todas as formalidades para sua validade, não se detectando nos autos qualquer das hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto no. 70.235, de 1972, abaixo transcrito, uma vez que o ato foi formalizado por pessoa competente, o AFRFB, e foi assegurado aos autuados o direito de defesa. Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ...omissis... Da mesma forma, as decisões administrativas somente podem ser objeto de anulação se também restar caracterizada afronta às disposições do artigo 59, inciso II, acima transcrito. Não se verifica, in casu, incompetência da autoridade julgadora de 1 a . instância. Tampouco a decisão foi proferida com preterição do direito de defesa da contribuinte. Nesse contexto cumpre consignar que a validação, pela DRJ em Salvador/BA, das exigências formalizadas pela auditoria fiscal, faz parte do campo do livre convencimento do julgador e, como tal, não pode ser motivo para anulação de decisão. Aquela autoridade teria ficado convencida, pelos fatos narrados pelo agente fiscal e pelos elementos constantes dos autos, que houve omissão de receitas e o arbitramento dos lucros ocorreu por estrita observância das normas legais que o determinam. Os elementos de prova angariados pela auditoria fiscal foram considerados como suficientes à manutenção das exigências, ou seja, no entendimento do julgador de 1 a . instância, provaram a procedência da autuação. E aqui se adentra, novamente, no campo do Fl. 562DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 8 livre convencimento do julgador que, como consignado, não pode ser motivo para anulação de qualquer decisão. Afasto, assim, a preliminar de nulidade da autuação e da decisão de 1 a . Instância. 2 Mérito. 2.1 PESSOA FÍSICA. EXPLORAÇÃO DE ATIVIDADE MERCANTIL. EMPRESA INDIVIDUAL. EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA. Nos termos da legislação em vigor devem ser equiparadas às pessoas jurídicas as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei no. 4.506, de 1964, art. 41, parágrafo 1 o ., alínea “b” – artigo 150, parágrafo 1 o ., inciso II do RIR/99). A própria recorrente admitiu, em inúmeras oportunidades, que os valores auferidos tem origem na sua atividade empresarial de compra e venda de cereais por encomenda de distribuidoras localizadas em vários estados do Norte e Nordeste do país. Assim, as exigências fiscais foram corretamente lavradas contra a pessoa jurídica, por equiparação, José Alves do Nascimento ME. 2.2 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL O Direito Tributário admite a utilização das presunções na construção da norma individual e concreta de constituição, de ofício, do crédito tributário. Algumas dessas presunções estão previstas e discriminadas na própria legislação. De fato, presunções legais são meios indiretos de prova da ocorrência do evento descrito no fato jurídico. A presunção pauta-se numa relação jurídica de probabilidade fática que é composta por um ou mais fatos indiciários, dos quais se tem conhecimento, que implicam, juridicamente, na existência de um outro fato, indiciado, que se pretende provar. A prova indiciária é uma espécie de prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação de fatos secundários indiciários, a existência do fato principal. Importa consignar que, na data da ocorrência dos fatos geradores, a legislação em vigor permitia a presunção de omissão de receitas, formulada a partir da verificação de depósitos bancários de origem não identificada, independentemente do estabelecimento de “liame” entre os depósitos e os fatos geradores dos tributos. É a seguinte a redação do art. 42, caput, da Lei no. 9.249, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira,em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Diante das expressas disposições legais, a autoridade fiscal está autorizada a presumir a ocorrência de omissão de receitas, quando o titular de conta de depósito ou de Fl. 563DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10510.003086/2009-72 Acórdão n.º 1801-00.437 S1-TE01 Fl. 499 9 investimento, apesar de regularmente intimado, não conseguir comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, mediante documentação hábil e idônea. Assim, é do sujeito passivo o ônus de provar que os valores depositados/creditados nas contas correntes não são receitas, ou que foram devidamente oferecidos à tributação. Tal preceito legal veio, justamente, dispensar o Fisco de produzir a prova do nexo de causalidade ou do liame entre o valores depositados/creditados e as receitas auferidas pela empresa. Basta o Fisco intimar a empresa a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados e, diante da falta de comprovação, torna-se juridicamente válida a imputação de omissão de recitas. A partir da edição do art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, se o contribuinte não fizer prova da origem dos recursos depositados em suas contas correntes e de investimentos, pode a autoridade fiscal presumir a omissão de receitas, fato integrante da base de cálculo dos tributos em discussão. Para a refutação dos fatos indiciários, que levaram ao conhecimento jurídico do fato qualificador da norma de incidência tributária, in casu, a omissão de receitas, caberia à recorrente, provar que os indícios são falsos ou que não haveria nexo de implicação entre os fatos diretamente provados – depósitos bancários não comprovados - e indiretamente provados – omissão de receitas. Quanto ao pleito da recorrente para que seja aplicado, in casu, as disposições do parágrafo 5 o . do artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, cumpre esclarecer que a interposição de pessoas é caracterizada pelo ato pelo qual uma pessoa, de forma fraudulenta, se utiliza do nome de outra, com ou sem o consentimento desta última, com o objetivo de praticar atos em relação aos quais deseja manter-se oculta e, assim, obter vantagens. Dito de forma direta: é procedimento fraudulento, simulatório e, nessas condições, sujeito a ser tipificado como crime contra a ordem tributária. O que não é o caso em apreço uma vez que restou demonstrado nos autos que as operações de intermediação de compra e venda de mercadorias foram praticadas por José Alves do Nascimento, assim como está comprovado que as contas correntes objeto de análise são tituladas e movimentadas pelo contribuinte equiparado a empresa individual. As reiteradas alegações da recorrente vão no sentido de que os valores movimentados em suas contas correntes são oriundos da atividade de intermediação de negócios, da intermediação da venda de mercadorias a outras empresas, no caso, distribuidoras. Isto estaria comprovado pelas notas fiscais avulsas de venda Em verdade o que faltou à defesa, numa linguagem bem clara, foi fazer a prova que “liga”, que “conecta” as vendas das mercadorias, consignadas nas notas fiscais avulsas de vendas e nos pedidos, aos valores depositados nas contas-correntes. Há que se identificar, individualmente, um a um, cada valor ingressado a crédito nas contas correntes. In casu, o valor de cada nota fiscal deveria coincidir com o valor creditado na conta corrente, tanto na data, quanto no montante. Aqui se comprova a necessidade de se manter um controle rígido, retratado na manutenção de escrituração nos moldes das leis comerciais e fiscais, nos quais sejam consignados os lançamentos diários das operações realizadas, assim como a identificação de Fl. 564DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 10 toda a movimentação financeira. No presente caso, se o contribuinte possuísse escrituração regular, a movimentação financeira estaria toda registrada na escrituração. Imaginando-se, in casu, a existência de tais controles rígidos, seriam facilmente identificados em sua escrituração, grosso modo, os valores recebidos das distribuidoras de alimentos, a título de receitas e, a título de custo ou despesas os valores pagos pelas mercadorias vendidas e enviadas às distribuidoras. Os valores das receitas, assim auferidas, corresponderiam, exatamente, aos valores creditados nas suas contas-correntes, coincidentes em valores e datas. Na contabilidade, constariam nos lançamentos diários com a descrição da data, do número da nota fiscal, do valor e dos lançamento a crédito e a débito de cada conta. Da mesma forma, os custos, ou seja, os valores desembolsados para a aquisição das mercadorias remetidas às distribuidoras seriam plenamente identificados nas notas fiscais de compra das mercadorias, assim como nos extratos bancários, nos valores lançados à débitos, coincidente em datas e valores com as notas de compras dos produtos adquiridos para posterior envio aos que os encomendaram e também estariam identificados na contabilidade, com registros diários, da mesma forma como descrito no item anterior. A legislação é clara ao estabelecer a necessidade de identificação de cada valor creditado. Vejamos, a propósito, o parágrafo 3 o . do artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996: Parágrafo 3o. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualmente, observado que não serão considerados: [...] (destaques acrescidos) Não é a Receita Federal que determina a guarda de comprovantes que identifiquem os depósitos. É a Lei. Também não se admite alegações de desconhecimento da Lei. A ninguém é dado invocar o desconhecimento da legislação a fim de livrar-se do cometimento de infrações e de possíveis punições. Ademais, há que se assinalar, que, ainda que a origem dos recursos seja identificada, nos moldes exigidos pela lei, e restar comprovado que tais recursos se referem a receitas auferidas e não oferecidas à tributação, a auditoria fiscal deverá submetê-las à tributação de ofício. É o que determina o parágrafo 2o. do mesmo artigo 42: Parágrafo 2o. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se- ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Ressalte-se, a propósito, que a empresa individual José Alves do Nascimento ME, encontrava-se omissa na entrega de declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, desde o ano-base de 1992, não tendo oferecido à tributação nenhum valor, a partir dessa época, razão pela qual foi declarada INAPTA. O que se verifica, portanto, é que os valores auferidos com a intermediação de negócios de venda de mercadorias, nunca foram submetidos à tributação, nem na pessoa física de José Alves do Nascimento, nem na pessoa jurídica, firma individual, José Alves do Nascimento ME. Portanto, comprovado está que houve omissão de receitas. Fl. 565DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10510.003086/2009-72 Acórdão n.º 1801-00.437 S1-TE01 Fl. 500 11 A falta de manutenção de escrituração mínima obrigatória, nos termos das leis comerciais e fiscais, fato admitido pela própria defesa, determina o arbitramento dos lucros, nos termos da legislação em vigor já amplamente reproduzida nestes autos e justificados nos fatos apurados e vastamente relatados pela auditoria fiscal. Afasto, também, a invocada aplicação do parágrafo 3 o ., inciso II do artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, ora reproduzido: § 3 o . Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Tal dispositivo somente tem aplicação no caso de procedimento fiscal desenvolvido junto a pessoas físicas. No caso em apreço, como já restou consignado, a pessoa física José Alves do Nascimento, à época dos fatos, explorava, em nome individual, habitual e profissionalmente, atividade econômica de natureza comercial, mediante venda de bens a terceiros, razão pela qual, o procedimento teve continuidade na pessoa jurídica, por equiparação, culminando com os lançamentos formalizados em face da empresa, José Alves do Nascimento ME. 2.3 LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS. No que tange aos autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, destaque-se que se tratam de exigências reflexas que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Em assim sendo, a decisão de mérito prolatada em relação à exigência matriz constitui prejulgado na decisão das exigências reflexas. Por todo o exposto, voto no sentido negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 15 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 566DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 12 Fl. 567DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 07/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 11/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 13609.001333/2008-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2009 EXCLUSÃO POR DÉBITO COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL CUJA EXIGIBILIDADE NÃO ESTEJA SUSPENSA De acordo com o inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Uma vez comprovado que o débito pelo qual se mantinha o Ato de Exclusão já estava com a exigibilidade suspensa antes mesmo da ciência daquele ato, deve ser revertida a exclusão do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1802-000.918
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 EXCLUSÃO POR DÉBITO COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL CUJA EXIGIBILIDADE NÃO ESTEJA SUSPENSA De acordo com o inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa. Uma vez comprovado que o débito pelo qual se mantinha o Ato de Exclusão já estava com a exigibilidade suspensa antes mesmo da ciência daquele ato, deve ser revertida a exclusão do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 10/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13609.001333/200814 Acórdão n.º 180200.918 S1TE02 Fl. 142 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Gilberto Baptista e Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 10/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13609.001333/200814 Acórdão n.º 180200.918 S1TE02 Fl. 143 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que indeferiu a solicitação da Contribuinte para que fosse mantida no regime simplificado de tributação Simples Nacional, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123/2006. Os fundamentos para a exclusão do regime simplificado e os primeiros argumentos de defesa apresentados pela Contribuinte estão descritos na decisão de primeira instância, Acórdão nº 0224.295 (fls. 44 a 46): Por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/STL Nº 058331, de 22 de agosto de 2008 (fls. 2), a contribuinte foi excluída do regime especial a partir de 1º de janeiro de 2009, em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, com fundamento no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e na alínea “d” do inciso II do art. 3° c/c o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007. Os referidos débitos poderiam ser consultados pela contribuinte no endereço eletrônico da RFB na internet, e encontramse relacionados no extrato de fls. 2. Cientificada da exclusão em 04/09/2008, conforme aviso de recebimento de fls. 37, ora juntado, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1, contestando a referida exclusão, com a alegação de que o débito previdenciário apurado pela RFB no processo nº 361061404, no valor de R$ 29.766,20 foi parcelado e está sendo pago conforme guias anexadas Como já mencionado, a DRJ Belo Horizonte/MG manteve o ato de exclusão, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Simples Nacional Anocalendário: 2009 EXCLUSÃO POR DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL. FALTA DE REGULARIZAÇÃO. Não poderá permanecer no Simples Nacional a empresa excluída em razão de débitos sem exigibilidade suspensa, se não comprovar ter regularizado, no prazo de trinta dias após a ciência da exclusão, os débitos motivadores da exclusão. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 10/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13609.001333/200814 Acórdão n.º 180200.918 S1TE02 Fl. 144 4 Em sua decisão, a Delegacia de Julgamento discriminou os débitos que motivaram o ato de exclusão e registrou as informações abaixo: De acordo com o § 3º do art. 29 da Lei complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, a exclusão de ofício deve ser realizada na forma regulamentada pelo Comitê Gestor. Nesse sentido, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN) estabeleceu que a pessoa jurídica poderá permanecer no regime especial se comprovar ter regularizado, no prazo de trinta dias a partir da ciência da exclusão, os débitos motivadores da exclusão, nos termos do § 5º do art. 6º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007: “Art. 6º A exclusão das ME e das EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) § 5º Na hipótese do inciso V do caput, será permitida a permanência da ME e da EPP como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito no prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da ciência da exclusão.” No caso concreto, levandose em conta que a data ciência do ato de exclusão foi 04/09/2008 (quintafeira), o prazo de trinta dias para a regularização dos débitos encerrouse em 06/10/2008 (segundafeira). Em nova consulta ao sistema Sivex (doc. de fls. 30), consta a informação de que após o prazo para a regularização dos débitos motivadores da exclusão, restou ainda o débito não previdenciário correspondente ao período de apuração de abril de 2006, no valor de R$ 803,44 e código de recolhimento 3373. Verificase, ainda, da consulta atual aos sistemas Sief e Informações de Apoio para Emissão de Certidão, que tal débito continua em aberto até a presente data (docs. de fls. 38 e 41, ora juntados). Considerando que à época da exclusão a contribuinte possuía débitos com a Fazenda Pública Federal cuja exigibilidade não estava suspensa, e tendo em vista que a interessada não comprovou ter regularizado tal situação dentro do prazo permitido pela legislação, é devida a exclusão do regime especial, nos termos do disposto na Lei Complementar nº 123/2006, art. 17, V. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 13/11/2009, a Contribuinte apresentou em 11/12/2009 o recurso voluntário de fls. 65 a 67, com os argumentos descritos a seguir: quando de sua opção pelo Simples Nacional a Contribuinte solicitou o Parcelamento Simples Nacional e iniciou os pagamentos das parcelas em 20.08.2007 no valor Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 10/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13609.001333/200814 Acórdão n.º 180200.918 S1TE02 Fl. 145 5 de R$ 100,00 cada parcela, vindo a pagar religiosamente até o dia 31.07.2008, totalizando 12 parcelas no valor total de R$ 1.209,72 (hum mil, duzentos e nove reais e setenta e dois centavos, incluindo juros em parcela paga no dia 31.07.2008; como a empresa ainda não havia transmitido as DCTFs dos respectivos períodos, o Parcelamento não foi consolidado, conforme extrato em anexo; diante da não consolidação do Parcelamento, a empresa ficou com um crédito junto à Secretaria da Receita Federal no valor original de R$ 1.209,72, e conforme orientação de funcionários da Receita Federal foi solicitada a compensação via PROCESSOS ADMINISTRATIVOS protocolados em data tempestiva (21.08.2008) do débito de R$ 803.44, que atualizado até 31.08.2008 passou a ser de R$ 1.170,29, que originaram os processos abaixo enumerados: 1 13609.001180/200813 2 13609.001181/200850 3 13609.001182/200802 4 13609.001183/200849 5 13609.001184/200893 6 13609.001185/200838 7 13609.001186/200882 8 13609.001187/200827 9 13609.001188/200871 10 13609.001189/200816 11 13609.001190/200841 12 13609.001191/200895 conforme telas em anexo, os referidos processos continuam “em andamento”, e o “débito em aberto”, ocasionando a suposta exclusão do Simples Nacional; os demais débitos foram regularizados através de 03 (três) parcelamentos ordinários em 01.10.2008, sendo que a empresa já liquidou 2 (dois) parcelamentos e continua a pagar regularmente o terceiro parcelamento; os débitos previdenciários foram regularizados através de parcelamento solicitado em 20.08.2007 e consolidado em 21.11.2007, sendo que a empresa está pagando as parcelas regularmente; portanto, a empresa regularizou todos os seus débitos em data tempestiva, conforme provas anexadas. Este é o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 10/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13609.001333/200814 Acórdão n.º 180200.918 S1TE02 Fl. 146 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a validade do Ato Declaratório Executivo n° 058331, de 22 de agosto de 2008, que promoveu a sua exclusão do Simples Nacional com efeitos a partir de 01/01/2009. A exclusão foi motivada pela existência de débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, nos termos do inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e da alínea “d” do inciso II do art. 3° c/c o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007. De acordo com a decisão recorrida, os débitos que motivaram o ato de exclusão são os seguintes: PERÍODO CÓDIGO VALOR (R$) 07/2006 5856 308,81 08/2006 5856 626,88 09/2006 5856 661,82 10/2006 5856 512,33 11/2006 5856 283,85 12/2006 5856 361,54 04/2006 3373 803,44 04/2006 6012 482,06 A decisão de primeira instância esclareceu que nos termos do § 5º do art. 6º da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, a Contribuinte tinha até 06/10/2008 (30 dias após a ciência do ato de exclusão) para promover a regularização dos débitos, e que após este prazo restava ainda em aberto o débito nãoprevidenciário correspondente ao período de apuração de abril de 2006, no valor de R$ 803,44 e código de recolhimento 3373, condição que teria se mantido até a data daquela decisão. Constatase, portanto, que houve a regularização eficaz da maioria dos débitos acima identificados, restando em aberto apenas o débito no valor de 803,44, com o código 3373, referente ao IRPJ do segundo trimestre (abr a jun) de 2006. Quanto a esse débito, e para fornecer subsídio à análise do caso, a Delegacia de origem juntou aos autos o Memorando nº 219/2009/DRF/STL/Saort, de 17/12/2009 (fl. 47), consignando as seguintes informações: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 10/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13609.001333/200814 Acórdão n.º 180200.918 S1TE02 Fl. 147 7 Durante a análise das declarações de compensação apresentadas pelo contribuinte acima identificado, nesta DRF/Sete Lagoas/MG, em 21/08/2008, cujas cópias seguem anexas, foi constatado que o débito compensado pelo contribuinte, de código 3373 (IRPJ), PA 30/06/2006, vencimento 31/07/2006 e valor de R$ 803,44, permaneceu de 21/08/2008 até 07/12/2009, indevidamente, em cobrança no sistema SIEF/FISCEL, tendo em vista que o mesmo se encontra, desde 21/08/2008, extinto sob condição resolutória de ulterior homologação da compensação. Conforme pesquisas anexas, em 07/12/2009, o débito mencionado foi "suspenso" por compensação no sistema SIEF/FISCEL e cadastrado no processo n° 13609.720812/2009 14 na situação “Aguardando RDC/Apreciação do pedido (crédito)”. Considerando que o débito em questão constou da pesquisa SIVEX, menu “Consulta débitos após prazo para regularização” como motivo excludente do Simples Nacional, solicito que o presente memorando seja juntado ao processo de contestação à exclusão do Simples Nacional n° 13609.0013333/200814, localizado nesta SACAT/DRF/STL, com a finalidade de fornecer subsídios à análise do mesmo. Assim, nos termos da informação prestada pela Delegacia de origem, vêse que o débito de R$ 803,44, no código 3373, referente ao IRPJ do segundo trimestre de 2006, já estava com a exigibilidade suspensa desde o dia 21/08/2008, ou seja, antes mesmo da ciência do ato declaratório de exclusão, que ocorreu em 04/09/2008 (AR à fl. 37), e, portanto, não poderia figurar entre aqueles débitos que motivaram o referido ato. Como todos os outros débitos foram regularizados em tempo hábil, conforme consignado na própria decisão de primeira instância, cabe aqui reverter a exclusão do Simples Nacional. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 10/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13609.001333/200814 Acórdão n.º 180200.918 S1TE02 Fl. 148 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 10/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10925.900313/2012-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL E A SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIDO.
Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015.
No caso dos autos, não se verifica a divergência jurisprudencial, pois há convergência de entendimentos entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas. Além disso, nos acórdãos paradigmas há substrato fático distinto daquele existente no caso em análise, razão pela qual não é possível estabelecer-se a comparação necessária para fins de comprovação do dissenso interpretativo.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.215
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. Recorrente APC DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 RECURSO ESPECIAL. AUSENTE A DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL E A SIMILITUDE FÁTICA. NÃO CONHECIDO. Para que seja conhecido o recurso especial, imprescindível é a comprovação do dissenso interpretativo mediante a juntada de acórdão paradigma em que, na mesma situação fática, sobrevieram soluções jurídicas distintas, nos termos do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria nº 343/2015. No caso dos autos, não se verifica a divergência jurisprudencial, pois há convergência de entendimentos entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigmas. Além disso, nos acórdãos paradigmas há substrato fático distinto daquele existente no caso em análise, razão pela qual não é possível estabelecerse a comparação necessária para fins de comprovação do dissenso interpretativo. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 03 13 /2 01 2- 33 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10925.900313/201233 Acórdão n.º 9303005.215 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte APC DO BRASIL LTDA. com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do então vigente Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802003.318 proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de julgamento, em 22/07/2014, que negou provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF. Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto à obrigatoriedade de retificação da DCTF para compensação de pagamento indevido ou a maior. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou os acórdãos paradigmas nºs 3302002.226 e 3102001.790. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: (a) no ano de 2009, procedeu à revisão de seus livros de apuração do PIS e da COFINS, verificando pagamentos a maior no ano de 2006. Para aproveitar referido crédito, formalizou requerimento de compensação, procedendo à retificação dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON. No entanto, não procedeu à alteração das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, pois transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos, tendo requisitado a alteração de ofício; Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10925.900313/201233 Acórdão n.º 9303005.215 CSRFT3 Fl. 4 3 (b) o acórdão recorrido reputa imprescindível a retificação da DCTF para análise do pedido de compensação, bem como entende que no caso dos autos houve omissão da Contribuinte na apresentação de provas demonstrando o erro nas informações prestadas na DCTF, sendo o ônus de prova quanto a tal fato inteiramente do Sujeito Passivo; (c) quanto à necessidade de retificação na DCTF para homologação do pedido de compensação, não há óbice legal à apuração do crédito do Contribuinte, mesmo que a DCTF retificadora não tenha sido transmitida e/ou seja adotada a providência após o despacho decisório; (d) o entendimento da decisão recorrida privilegia a forma em detrimento do conteúdo, objetivo contrário ao do processo administrativo e que viola o princípio do formalismo moderado insculpido no art. 2º, §único, inciso IX, da Lei nº 9.784/99; (e) no que tange à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pretendido restituir pela Contribuinte, aduz que, diversamente do processo judicial, na esfera do contencioso administrativo federal, a prova, em princípio, é de iniciativa do julgador, consoante art. 29 da Lei nº 9.784/99. Assim, a Contribuinte juntou aos autos os documentos que considerava hábeis para comprovar a certeza e liquidez do indébito tributário; nesse caso, entendendo o órgão julgador serem os mesmos insuficientes, providência que se impunha era a intimação da parte para apresentar outros documentos, de modo a apurar o crédito em discussão, e não simplesmente negar o pedido de compensação; (f) por fim, requer o provimento do recurso especial, determinandose o retorno dos autos à origem para apuração da liquidez e certeza do crédito do Contribuinte. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 29 de junho de 2015, proferido pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação à possibilidade de homologação do pedido de compensação sem a prévia retificação da DCTF e de o órgão julgador solicitar outros documentos que entendia necessários para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial e, no mérito, a sua negativa de provimento. É o Relatório. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10925.900313/201233 Acórdão n.º 9303005.215 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.213, de 20/06/2017, proferido no julgamento do processo 10925.900311/201244, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.213): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando analisarse o atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. O acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário com base nos seguintes fundamentos: (a) a Contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório para demonstrar a certeza e liquidez do indébito tributário, pois ausente a comprovação de erro ou pagamento a maior que teriam originado o indébito pretendido compensar; (b) embora não tenha transmitido a DCTF retificadora, por força do princípio da verdade material, a empresa teria direito à compensação se demonstrados os atributos de certeza e liquidez do crédito tributário, não tendo se limitado a indeferir o pedido tão somente pela inexistência da DCTF retificadora. Para elucidar a assertiva, segue a transcrição de trechos do voto proferido pelo Colegiado a quo para manter o indeferimento do pedido de compensação, in verbis: [...] Ocorre que, como já assentado pela autoridade julgadora a quo, insatisfeito, o contribuinte instaurou o presente processo com o fundamento de que o valor informado por ele em DCTF é maior do que o valor devido. Aponta a origem do erro, que como já frisado, seria a revisão de seus débitos fiscais do PIS e da COFINS no anocalendário de 2006. Porém não demonstra a sua existência, ou seja, a forma como isso foi apurado. Apenas noticia que o valor correto é aquele constante no DACON retificador transmitido em 2009 (fls. 32/51) do respectivo período e não junta cópia de documentos aos autos atestando com isso comprovar o pagamento a maior, a não ser a cópia do despacho decisório, do DARF pago, do Dacon retificador e a DCTF. (fls. 30/94). Afirma em seu recurso que “ (...) pois a certeza e a liquidez estão devidamente demonstrados através do DACON que demonstra que nada tem a pagar das guias pagas indevidamente a maior” pois com isso considera ser suficientes elementos para demonstrar os créditos apurados. O DACON trazido aos autos é retificador e verificase que foi entregue antes da ciência do despacho decisório. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10925.900313/201233 Acórdão n.º 9303005.215 CSRFT3 Fl. 6 5 Muito embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF. Quando muito, a incoerência do contribuinte macula de dúvida as informações por ele prestadas, o que afasta a certeza do crédito pleiteado. Verificase, ainda, que o contribuinte tentou retificar a supracitada DCTF para adequála ao pedido em tela e aos dados do Dacon. Contudo, não obteve sucesso (a transmissão não foi concluída), uma vez que havia se esgotado o prazo (05 anos) para que a recorrente tivesse o direito de apresentar ou retificar a DCTF (fl. 48). Ressaltamos que à época vigorava a IN RFB no 1.110/2010, cujo artigo 9, § 1º, embora ressaltasse, quanto à DCTF retificadora, sua condição de “(...) mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (...)”, prescrevia que a apresentação de retificação, dentre outras hipóteses, que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, não produziria qualquer efeito (art. 9, § 2º, I, “c”). A mesma instrução normativa exigia também que a retificação da DCTF viesse acompanhada de retificação da DIPJ e do DACON (este efetivado) do período, conforme artigo 9, § 6º, da citada Instrução Normativa. De fato, detectado qualquer erro no preenchimento da referida declaração, o sujeito passivo tem a possibilidade de retificar sua DCTF antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização ou que decorra o prazo para a homologação do “lançamento” por ela praticado. Sendo a correção destinada a reduzir ou excluir tributo, a retificação somente será admitida se houver comprovação do erro e realizada antes da notificação do lançamento, conforme preceituado no art. 147, §1º, do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento (grifo nosso). Resta claro, portanto, que acarretando a redução de tributo, a admissão da retificação é condicionada à comprovação do erro cometido, cujo ônus incumbe ao interessado na aludida redução (o contribuinte que promove a retificação), sendo, no entanto, excepcionalmente admitida sua retificação após o início do procedimento revisional em privilégio ao princípio da verdade material, conforme decidido já reiteradamente por esta Eg. Turma Especial, em consonância com todo o CARF. Nesse sentido, imprescindível analisar se o contribuinte recompôs nos autos o crédito alegado, a fim de se confirmar a materialidade do crédito que ele alega ser habilitado para compensação. Visando verificar o seu direito, ao apreciar o material probante juntado pelo sujeito passivo, notase que o Recorrente, à época de sua manifestação de inconformidade, não apresentou documentação hábil a comprovar a legitimidade dos dados declarados na DCTF retificadora. Embora tenha juntado naquela Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10925.900313/201233 Acórdão n.º 9303005.215 CSRFT3 Fl. 7 6 oportunidade documentos intitulados “Cópia do Despacho Decisório, DARF pago, Dacon Retificador e DCTF (retificadora não processada)”. Todavia, neste recurso nenhum novo documento foi juntado ao processo, ou seja, não foi anexado aos autos documentos comprobatórios, tais como demonstrativos de cálculos, a DIPJ retificada, cópia de Livros Fiscais, notas fiscais e dos documentos contábeis como os Livros Diário e Razão, balancete, etc). Ora, não pode ser atribuída ao julgador – até pelo momento processual, em que apenas excepcionalmente seria aceita a juntada de prova, por haver comprovação de plano da materialidade do crédito – a tarefa de conferir e comprovar à diferença desses montantes para fins da recomposição do faturamento do Recorrente. Ou seja, a recorrente não apresentou nenhuma explicação a respeito do suposto erro incorrido para justificar a recomposição de seu faturamento. Vêse que o contribuinte teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez de forma satisfatória. Dessa forma, fica afastada a possibilidade de utilização da referida DCTF (retificadora) como prova no presente processo. Insta salientar que a simples tentativa de transmissão de declaração retificadora com redução do valor do débito anteriormente confessado, não é documentação hábil a legitimar a compensação efetuada, sendo necessária a juntada de prova inquestionável de que houve erro no preenchimento da DCTF e de que o valor do PIS e da COFINS era efetivamente devido. Tal se dá pelo simples fato de que o processo administrativo de revisão da compensação não faz – como não o poderia – às vezes de mero retificador de DCTF após o prazo ordinário. A retificação da DCTF pode até ser acatada pelo revisor; todavia, para que tal aconteça, é cabal que o contribuinte demonstre que faz jus a essa excepcionalidade. Vale frisar, sem embargo, que no que tange ao instituto da compensação é ônus do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza, na forma do art. 170 do CTN. Salientamos que o ônus da prova do direito é da Recorrente, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Vêse que o contribuinte teve a oportunidade de juntar os documentos que julgasse relevantes e não o fez de forma satisfatória. Neste espeque, repisese que a Recorrente não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que houve erro na composição da base de cálculo do PIS e da COFINS declarado na DCTF originária. Por consequência, tampouco restou comprovado o direito creditório pleiteado, posto que supostamente decorrente do erro cometido na apuração do tributo, que reduziu sua base de cálculo, nos termos da DCTF que a recorrente pretende retificar. Assim sendo, não há fundamentos para que se aceite agora a retificação extemporânea da DCTF e a homologação da compensação promovida pela Recorrente. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 10925.900313/201233 Acórdão n.º 9303005.215 CSRFT3 Fl. 8 7 Logo, tendo disposto de todas as oportunidades para comprovar seu direito creditório, e não o fazendo no momento devido, limitandose a Recorrente em trazer arguições perfunctórias e destituídas de validade jurídica para fins de apuração da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, e, por conseguinte, da compensação declarada, deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário ora analisado. [...] (grifouse) Depreendese da análise do julgado, portanto, que o indeferimento do pedido de compensação não se embasou exclusivamente na ausência de transmissão de DCTF retificadora, mas também por não ter o Contribuinte provado a certeza e liquidez do indébito tributário pretendido restituir. Inclusive, destacou o Colegiado a quo ser possível a aceitação da compensação independente da retificação da DCTF, em hipóteses excepcionais, quando devidamente comprovado o crédito alegado, em vista do princípio da verdade material. Nessa esteira, o confronto do acórdão recorrido com os acórdãos paradigmas revela a inexistência de dissenso interpretativo, requisito indispensável à interposição do recurso especial de divergência. Verificase existir, entre os julgados, convergência de entendimentos, na medida em que os paradigmas apresentados compartilham do entendimento explicitado na decisão recorrida no sentido de ser imprescindível, para ser deferido o pedido de compensação, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário, devendo ser apreciadas as provas trazidas aos autos e, se necessário, solicitadas outras. Além disso, em todos os julgados, paradigmas e recorrido, foi consignado que a DCTF e a DACON, retificadoras ou originais, embora sejam fontes de informação válida para o Fisco, não são documentos hábeis para comprovar por si só a certeza e liquidez do indébito pretendido ressarcir. Para elucidar a assertiva, seguem transcritas as ementas dos acórdãos paradigmas: Acórdão nº 3302002.226 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2007 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E DACON. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou da DACON, que contenham erro material. A DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicitar outras sempre que necessário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acórdão nº 3102001.790 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 30/11/2003 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DA PROVA DOCUMENTAL INDEPENDENTE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Caso exista a apresentação de documentos que possam comprovar o direito creditório, estes Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10925.900313/201233 Acórdão n.º 9303005.215 CSRFT3 Fl. 9 8 deverão ser analisados pelas instâncias julgadoras, independente da existência de retificação da DCTF. Recurso Voluntário Provido em Parte Inexistente, portanto, a divergência jurisprudencial a justificar a interposição e o prosseguimento do recurso especial. Além disso, conforme se verifica dos acórdãos paradigmas, naqueles autos houve a juntada de documentação comprobatória da certeza e liquidez do crédito tributário pelo contribuinte, a qual, entretanto, não foi analisada pela DRJ no julgamento das manifestações de inconformidade, tendo se embasado unicamente nos dados constantes em DCTF. Também por esta razão é que no acórdão paradigma nº 3302002.226 foi consignado competir ao julgador analisar a prova trazida aos autos pelo Sujeito Passivo e, se entender necessário outros elementos para o seu convencimento, intimálo a apresentar no processo. Seguem excertos dos acórdãos paradigmas para ilustrar a assertiva: Acórdão nº 3302002.226 [...] Considerado cientificado dessa decisão em 22/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 23/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 6, acrescida de documentação anexa. A contribuinte alega que houve inúmeros erros na consolidação dos dados da apuração da contribuição, o que teria originado o crédito pleiteado. Retificou a Dacon do período para demonstrar o valor que seria realmente devido. Anexa cópias das declarações retificadas. Ao final, requer: a) Caso não haja satisfeita com as provas juntadas a esta, solicitar procedimento fiscalizatório para confirmalas, voltando a vosso crivo com o objetivo de confirmar as compensações e cassando o despacho decisório; b) Ou satisfeito com os documentos ora anexados confirmar as compensações cassando o despacho decisório. [...] Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. A existência de informação na DCTF ou na DACON, em nada altera a existência ou não do pagamento a maior, ainda mais quando se tratarem a DCTF e a DACON, de instrumentos de controle da própria Receita Federal. [...] Acórdão nº 3102001.790 [...] Cientificada da decisão, a empresa interpôs recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando que não utilizou o seu direito de crédito quando da apuração do PIS, estando correto os valores informados na declaração de compensação, anexando ao recurso, cópias do livro Razão, Livro Diário e planilha de cálculo. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10925.900313/201233 Acórdão n.º 9303005.215 CSRFT3 Fl. 10 9 [...] Ressalto que a apresentação genérica de argumentos, alegando simplesmente ilegalidade no procedimento fiscal, sem apontar fatos concretos ou quaisquer provas que indiquem erro na decisão prolatada pelo Fisco, não pode prosperar, visto que, a produção de provas é obrigação de quem contesta e não da autoridade julgadora. O fato que estamos discutindo na presente lide é se foram apresentadas provas e se estas são suficientes para a comprovação das alegações constantes do Recurso. [...] Diante do exposto, entendo que o mérito do direito creditório deva ser analisado e tendo em vista que a autoridade de piso não se manifestou sobre esta matéria, voto no sentido de determinar o retorno dos autos a autoridade a quo para que seja realizado novo julgamento apreciando o mérito do direito creditório pleiteado pela Recorrente a luz dos documentos apresentados. No caso dos autos, por sua vez, a Recorrente não logrou êxito em demonstrar, mediante a devida produção de provas nas oportunidades que teve para se manifestar no processo, a certeza e liquidez do indébito tributário, o que resultou no indeferimento de sua pretensão pelos julgadores. Portanto, não foi apenas o fato de não ter apresentado a DCTF retificadora que fulminou a sua pretensão, mas também não ter se desincumbido da apresentação de provas, as quais seriam consideradas à luz do princípio da verdade material, norteadora do processo administrativo fiscal. Assim, não merece ter prosseguimento o recurso especial da Contribuinte, tendo em vista: a ausência de divergência jurisprudencial e a inexistência de similitude fática entre os julgados paradigmas e o acórdão recorrido. Diante do exposto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 191DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.001512/2003-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA-PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições isentas de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, mesmo que oriundas da Zona Franca de Manaus, não garantem crédito de IPI, por ausência de previsão legal específica.
Numero da decisão: 3401-003.871
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, mantendo as glosas referentes a créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus, vencidos o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl.
ROSALDO TREVISAN (PRESIDENTE) - Presidente.
AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA - Relator.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições isentas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, mesmo que oriundas da Zona Franca de Manaus, não garantem crédito de IPI, por ausência de previsão legal específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, mantendo as glosas referentes a créditos decorrentes de aquisições da Zona Franca de Manaus, vencidos o relator e os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Robson José Bayerl. ROSALDO TREVISAN (PRESIDENTE) Presidente. AUGUSTO FIEL JORGE D' OLIVEIRA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 15 12 /2 00 3- 78 Fl. 557DF CARF MF 2 ROBSON JOSÉ BAYERL Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre de Pedido de Ressarcimento de Saldo Credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”) relativo ao 1º Trimestre do ano de 2003, no valor de R$ 5.736.818,36, que teriam origem em: (i) benefício fiscal concedido pelo artigo 4° da Lei n° 8.248/1991; e (ii) operações de aquisição de insumos isentos do IPI provenientes da Zona Franca de Manaus (“ZFM”), nos termos do artigo 9° do DecretoLei n° 288/67, com a redação que lhe foi dada pelo artigo 1° da Lei no 8.387/91. Conforme despacho decisório de fls. 324 e seguintes, o direito de crédito foi reconhecido em parte, no valor de R$ 4.252.265,99, e as declarações de compensação de débitos apresentadas em conjunto ao pedido de ressarcimento foram homologadas parcialmente, tendo em vista o acolhimento dos créditos com fundamento no artigo 4° da Lei n° 8.248/1991 e a não aceitação dos créditos relativos aos insumos isentos adquiridos da ZFM. Após ter sido cientificada dessa decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente, em 21/12/2011, pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto ("DRJ”), em acórdão que possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. RESSARCIMENTO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI”. O contribuinte, ora Recorrente, foi cientificado dessa decisão em 16/01/2012, conforme "INTIMAÇÃO SAORT MCF Nº 27/2012” de fls. 443, apresentando tempestivo Recurso Voluntário de fls. 444 e seguintes, em 15/02/2012 (fls. 444), no qual requer a reforma Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10860.001512/200378 Acórdão n.º 3401003.871 S3C4T1 Fl. 537 3 da decisão recorrida, defendendo o seu direito de crédito decorrente das aquisições de insumos isentos advindos da Zona Franca de Manaus, com fundamento no artigo 153, § 3°, inciso II, da Constituição Federal, artigo 11 da Lei n° 9.779/99 e artigo 237 do Regulamento do IPI de 2010 (Decreto nº 7.212/2010), e pedindo a correção pela taxa SELIC sobre o valor do crédito de IPI a ser ressarcido. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") e distribuídos à relatoria do Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça, que propôs, em 14/10/2014, a conversão do julgamento em diligência, o que foi acolhido por unanimidade pela Turma, pelas seguintes razões: “(...) não é possível identificar quem assinou o recurso voluntário, pois consta como subscritor a própria empresa “LG ELETRONICS DE SÃO PAULO LTDA”. Isto é, não é possível saber se a pessoa que escreveu e assinou o recurso é uma das outorgadas na procuração e nos substabelecimentos. (...) Diante disso, o julgamento do recurso deve ser convertido em diligência, para que os autos retornem à delegacia de origem e a Recorrente seja intimada para que, no prazo de 10 (dez) dias, esclareça quem é o seu representante legal que subscreve o recurso voluntário e apresente o substabelecimento que lhe dá poderes”. Com isso, os autos retornaram à origem, tendo o Recorrente esclarecido a questão da representação processual e juntado a documentação solicitada, conforme petição de fls. 493 e seguintes. Após, os autos foram novamente remetidos ao CARF e redistribuídos à minha relatoria. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Augusto Fiel Jorge d' Oliveira O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, para que o Colegiado aprecie a matéria principal discutida nesses autos, relativa ao direito de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus, além da matéria relativa à correção pela SELIC do valor objeto de pedido de ressarcimento. Direito de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus A questão que se coloca nesses autos é se, à luz do ordenamento jurídico vigente, a Recorrente faz jus ao direito de crédito de IPI decorrente de operações de aquisição de insumos oriundos da Zona Franca de Manaus. Fl. 559DF CARF MF 4 Impende esclarecer que não há qualquer questionamento quanto à isenção fruída pelos fornecedores da Recorrente, tendo a Fiscalização se voltado apenas contra o direito de crédito de IPI escriturado pela Recorrente. Também, apesar de a Recorrente mencionar, em seu Recurso Voluntário, o artigo 237 do Regulamento do IPI, em nenhum momento a Recorrente afirma, muito menos, apresenta notas fiscais e outros documentos comprobatórios, no sentido de que as aquisições se deram com amparo no artigo 6º, parágrafo 1º, do Decreto Lei nº 1.435/1975, dispositivo que prevê o direito de crédito em operações específicas. Desse modo, a discussão se cinge à análise do direito de crédito em aquisições de insumos isentos da Zona Franca de Manaus, considerando a isenção na saída do fornecedor como válida e diferente da isenção prevista no artigo 6º, do DecretoLei nº 1.435/1975. A Constituição da República prevê, em seu artigo 153, parágrafo 3, inciso II, que o IPI será "será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores" (grifos nossos). Já com relação ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e sobre prestações de Serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação ("ICMS"), a não cumulatividade encontra assento constitucional no artigo 155, parágrafo 2º, inciso I, da Constituição da República, que determina que o ICMS "será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal" (grifos nossos). Porém, em relação ao ICMS, de forma diversa do que ocorre com o IPI, há uma ressalva expressa ao direito de crédito em relação à isenção, pois, de acordo com o artigo 155, parágrafo 2º, inciso II, da Constituição da República, "II a isenção ou nãoincidência, salvo determinação em contrário da legislação: a) não implicará crédito para compensação com o montante devido nas operações ou prestações seguintes; b) acarretará a anulação do crédito relativo às operações anteriores". Essa ressalva vem de antes da Constituição de 1988, mais precisamente, decorre da Emenda Constitucional nº 23/1983, conhecida como "Emenda Passos Porto", e alterou unicamente a disciplina de créditos e débitos do ICMS, para transformar o que era regra direito de crédito nas aquisições isentas em exceção, mantendo incólume a disciplina de créditos e débitos referente ao IPI. Nas palavras do Ministro Marco Aurélio: "Deuse a transformação da regra em exceção, como disse: a isenção ou a não incidência implicará crédito e estou modificando a ordem das expressões "não implicará" é a regra "crédito de imposto para abatimento daquele incidente nas operações seguintes, salvo determinação em contrário da legislação". O crédito, portanto, tãosomente no tocante ao ICM, só poderia decorrer de disposição legal. Houve modificação, em si, quanto ao IPI? Não. O IPI continuou com o mesmo tratamento que conduziu esta Corte a assentar uma jurisprudência tranquilíssima no sentido do direito ao crédito. Não houve mudança. A Emenda Constitucional nº 23 apenas alterou o preceito da Carta então em vigor que regulava o ICM"1. Como se verifica, existia uma jurisprudência firme, no sentido de que a aquisição de insumo isento gerava direito de crédito de IPI, com fundamento direto no princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI, previsto no artigo 153, parágrafo 3º 1 RE 212.4842. Data de Julgamento: 05/03/98. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10860.001512/200378 Acórdão n.º 3401003.871 S3C4T1 Fl. 538 5 inciso II, da Constituição da República, considerando ainda que o legislador constituinte quando pretendeu ressalvar esse direito em relação à isenção, o teria feito de forma expressa, como se deu em relação ao ICMS. Entretanto, no ano de 2007, houve uma guinada no entendimento do Supremo Tribunal Federal ("STF"), por ocasião dos Recursos Extraordinários nº 353.657/PR e nº 370.682/SC, passando o STF a não reconhecer o direito de crédito de IPI não somente nas aquisições isentas, mas também nas aquisições sujeitas à alíquota zero e não tributadas, conforme ementas de julgados a seguir: "IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. (...) (RE 353.657, Rel. Min. Marco Aurélio, Tribunal Pleno, DJe 7.3.2008) ***** "Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido". (RE 370682, Rel. Min. Ilmar Galvão, Relator(a) p/ Acórdão: Min. Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, DJe 19.12.2007) Essa jurisprudência foi reafirmada no ano de 2015, em processo de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, em que foi reconhecida a repercussão geral do tema, em decisão que possui a ementa a seguir: "Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência". (RE 398365 RG, Relator: Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/08/2015) Com base nesse entendimento do STF, a Fazenda Nacional defende a impossibilidade de os contribuintes escriturarem crédito de IPI em decorrência de aquisições isentas de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus. Segundo a Fazenda, tal como decidido pelo STF, o princípio constitucional da não cumulatividade não albergaria o direito de crédito em aquisições isentas, sendo necessário para o surgimento do direito de crédito que a operação anterior esteja sujeita ao efetivo pagamento do IPI. Portanto, a ausência de direito de crédito nas aquisições isentas da Zona Franca de Manaus teria como fundamento o artigo 153, parágrafo 3, inciso II, da Constituição da República. Fl. 561DF CARF MF 6 Além disso, os defensores dessa corrente, muitas vezes, apontam o artigo 150, parágrafo 6ª, da Constituição da República2, como um fundamento adicional para não se reconhecer o direito de crédito em tais situações, pois esse dispositivo constitucional exigiria lei específica para a concessão do direito de crédito. No CARF, o entendimento quanto à matéria também vacilou, ao longo dos anos, seguindo as oscilações ocorridas no âmbito do Poder Judiciário. No ano passado, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais teve a oportunidade de apreciar novamente a matéria, firmando o entendimento, por maioria de votos, favorável à tese da Fazenda Nacional, em decisão que possui a seguinte ementa: Ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 IPI. CRÉDITOS DE PRODUTOS ISENTOS. AMAZÔNIA OCIDENTAL. ZFM. IMPOSSIBILIDADE. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito ficto ou presumido de IPI depende de autorização de lei específica a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF, o que não acontece no caso dos produtos adquiridos da ZFM e da Amazônia Ocidental, uma vez que não satisfizeram as condições estabelecidas no art. 82, inc. III do RIPI/2002". (Acórdão nº 9303004.205; Sessão de 09/08/2016; Relatora: Vanessa Marini Cecconello; Redator Designado: Andrada Márcio Canuto) Trecho do Voto Vencedor: "Como a sistemática da nãocumulatividade não dá direito à apropriação de crédito de IPI em entradas de insumos não tributados por tal imposto, este creditamento só poderá ser admitido quando autorizado por lei específica, pois a Constituição Federal proíbe expressamente a concessão de crédito presumido ou ficto, sem lei que autorize, conforme dispõe o §6º do art. 150 da CF, situação que se harmoniza com a opção do constituinte pelo sistema de crédito para efetivação do princípio da nãocumulatividade. (...) Desta forma, para que haja o direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos desonerados, a título de crédito presumido, fazse necessário lei específica nesse sentido. Por esta razão que, o Regulamento de IPI de 2002, em seu art. 175, estabeleceu o benefício de creditamento ficto de IPI, como se devido fosse, nas aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, de fornecedores situados na Zona Franca de Manaus, apenas 2 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10860.001512/200378 Acórdão n.º 3401003.871 S3C4T1 Fl. 539 7 quando da ocorrência de isenção prevista no inciso III do art. 82 do RIPI/2002". Contudo, a situação jurídica da Zona Franca de Manaus é peculiar, de modo que não se pode olhar para as aquisições de insumos isentos daquela região do país e de seus efeitos, no que dizem respeito à tributação do IPI, da mesmo forma que se olha para as demais aquisições isentas de insumos. Tanto é assim que o Ministro Marco Aurélio deixou claro, no julgamento dos Embargos de Declaração no Recurso Extraordinário nº 566.819 que naquele recurso não se estava em jogo situação jurídica regida "por legislação especial acerca da Zona Franca de Manaus", a indicar que, não se poderia aplicar diretamente, sem um detido exame de todos os nuances envolvidos, a tese firmada pelo STF quanto à generalidade dos casos de aquisições isentas às aquisições isentas da Zona Franca de Manaus. Como bem observado em seu Voto, nos debates ocorridos em sessão de julgamento, após o Ministro Marco Aurélio fazer essa ressalva, também a Ministra Cármen Lúcia admitiu, dizendo "o caso da Zona Franca, por exemplo, que aí é outra coisa". Aliás, os precedentes do STF que firmaram a tese pela ausência de direito à crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos não tinham como origem fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus. Portanto, é inegável a particularidade existente quanto ao regime jurídico das aquisições de insumos isentos daquela região, para efeito de direito de crédito de IPI, o que decorre da realidade histórica, geográfica, econômica e social da Região Norte do país, que desde a Constituição de 1946 (artigo 199) merece atenção especial dos Poderes Legislativo e Executivo, com vistas ao seu desenvolvimento, proteção e integração ao território nacional. Em 1953, foi editada a Lei nº 1.806/1953, que dispôs sobre o Plano de Valorização Econômica da Amazônia, criou a superintendência da sua execução e deu outras providências. Após, veio a Lei nº 3.173/1957, que cria uma zona franca na cidade de Manaus. Em seguida, a Lei nº 5.173/1966, que tratou do Plano de Valorização Econômica da Amazônia, extinguiu a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA) e criou a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM). Finalmente, foi editado o DecretoLei nº 288/1967, que regula a Zona Franca de Manaus e, em seu artigo 9º, confere a isenção de IPI da qual se discute a possibilidade de gerar direito de crédito para o adquirente, nos seguintes termos: "Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional". Essa isenção, e aqui começa a distinção que é necessária ser feita, não é uma isenção de natureza fiscal, portanto, não é regida diretamente pelo artigo 176 e seguintes do Código Tributário Nacional. É uma isenção de natureza extrafiscal que tem como fundamento de validade o artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, in verbis: Fl. 563DF CARF MF 8 "Art. 43. Para efeitos administrativos, a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social, visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais. § 1º Lei complementar disporá sobre: I as condições para integração de regiões em desenvolvimento; II a composição dos organismos regionais que executarão, na forma da lei, os planos regionais, integrantes dos planos nacionais de desenvolvimento econômico e social, aprovados juntamente com estes. § 2º Os incentivos regionais compreenderão, além de outros, na forma da lei: (...) III isenções, reduções ou diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas". (grifos nossos) Na realidade, tratase de uma isenção de incentivo regional que tem matriz na própria Constituição, não se sujeitando, portanto, ao requisito de estar prevista em lei específica, tal como determina o artigo 150, parágrafo 6º, da Constituição da República. É da própria Constituição que essa isenção emana, com o objetivo de efetivar os objetivos fundamentais da República, listados no artigo 3º, da Constituição3. Além disso, o regime jurídico aplicável à Zona Franca de Manaus foi expressamente recepcionado pela Constituição de 1988, que no artigo 40 do ADCT afirma: "Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus". E, depois, as Emendas Constitucionais de nº 42/2003 e 83/2014, incluíram os artigos 92 e 92A, para ampliar o prazo previsto no artigo 40 do ADCT, primeiro, por mais 10 (dez) anos, e depois, por mais 50 (cinquenta) anos, o que resulta na manutenção da Zona Franca até o ano de 2073. Sobre esse ponto, a Ministra Carmen Lúcia já teve a oportunidade de afirmar: "Para preservar o projeto desenvolvimentista concebido sob a vigência da ordem de 1967 para a região setentrional do país, o poder constituinte originário tornou expressa a manutenção, por tempo determinado, da disciplina jurídica existente, afirmando a finalidade de apoio ou fomento para a criação de um centro industrial, comercial e agropecuário na região da Zona Franca de Manaus. O quadro normativo préconstitucional de incentivo fiscal à Zona Franca de Manaus foi alçada à estatura constitucional pelo art. 40 do ADCT, adquirindo, por força dessa regra transitória, natureza de imunidade tributária". (ADI nº 310; julgada em 19/02/2014) 3 Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I construir uma sociedade livre, justa e solidária; II garantir o desenvolvimento nacional; III erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10860.001512/200378 Acórdão n.º 3401003.871 S3C4T1 Fl. 540 9 Portanto, a isenção e demais benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus possuem estatura constitucional, com fundamento de validade nos artigos 43, parágrafo 2º, III, da Constituição da República e artigos 40, 92 e 92A, do ADCT. Agora, com relação à isenção de IPI, a sua particularidade reside justamente na necessidade de estar acompanhada do direito de crédito do adquirente para que tenha efetividade, devendose, portanto, fazer a distinção e afastar a aplicação da jurisprudência que se firmou para a generalidade dos casos. Como mencionado, o objetivo da isenção é extrafiscal, no sentido de estimular a instalação de um pólo industrial na região, ocupála para garantir a segurança nacional e a proteção da Floresta Amazônica e de toda a sua biodiversidade, gerar desenvolvimento econômico e social na região, diminuir a pobreza e fazer a integração dessa região com o restante do país. Porém, nesse caso, se a isenção não andar junta, de mãos dadas, com o direito de crédito, perdese o benefício almejado. A única forma da isenção ser efetiva é acompanhada do direito de crédito. Para ilustrar, peço vênia para tomar emprestado o exemplo singelo, porém, interessante, levantado pelo Ministro Luís Roberto Barroso, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 592.891, que será novamente mencionado adiante. A situação hipotética colocada é a seguinte: uma indústria em São Paulo, capital, tem a opção de comprar ordinariamente um determinado insumo que custa sem o IPI $100. De um fornecedor localizado em Santo André, SP, incide IPI no valor de $20, o que resulta em um custo total de R$120, com a possibilidade de crédito de $20. Portanto, um custo efetivo de $100. Já o fornecedor localizado na Zona Franca de Manaus está beneficiado pela isenção, portanto, $0 (zero) a título de IPI. Admitindose que a isenção não gera direito de crédito ao adquirente, os dois fornecedores ofertariam o insumo a um mesmo custo à indústria de São Paulo, capital, pelo valor de $100, sendo a única vantagem de se comprar na Zona Franca de Manaus um diferimento no desembolso do IPI. Enquanto ao se comprar do fornecedor de Santo André, SP, a indústria deverá desembolsar o IPI de forma imediata, na compra de fornecedor da Zona Franca de Manaus, a indústria só teria que fazer o desembolso na operação seguinte. A pergunta que deve ser feita é se esse mero diferimento seria incentivo suficiente para que se adquira insumos na Zona Franca de Manaus ou para que determinada empresa se instale na Zona Franca e tenha condições de oferecer com competitividade seus produtos no mercado. A resposta é não. Nesse cenário, as empresas localizadas na Zona Franca de Manaus perdem, por completo, qualquer atratividade, levando em consideração que elas já largam em desvantagem e nunca conseguiriam ter o mesmo preço sem IPI de uma empresa localizada, por exemplo, em Santo André, SP, em razão de custos de logística, como frete e seguros no transporte. Enquanto a distância entre Manaus e São Paulo, capital, gira em torno de 4.000km, a depender do trajeto, a distância entre Santo André e São Paulo, capital, é de 20km. Mas não é só. A distância do mercado consumidor é apenas uma entre as diversas dificuldades enfrentadas por aqueles que empreendem naquela região, existindo inúmeros desafios a serem enfrentados na instalação e desenvolvimento de um projeto industrial naquela parte do país, como dificuldades para obtenção de mãodeobra especializada, de fornecedores de bens e serviços etc. Fl. 565DF CARF MF 10 Por todas essas dificuldades e tendo em vista os objetivos fundamentais da República, arrolados no artigo 3º, da Constituição, é que um plano de desenvolvimento para a região foi concebido, vem sendo pensado, aprimorado e implementado por todas essas décadas. Portanto, a isenção sem que venha acompanhada do direito de crédito, perde se, por completo, e o direito de crédito existe justamente para, em conjunto com outros incentivos, anular esse custo de logística e tentar colocar as empresas lá localizadas em grau de competitividade com empresas localizadas em outros lugares do país. Não por outro motivo, o Ministro Marco Aurélio, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 212.4842, afirmou: “não podemos confundir isenção com diferimento, nem agasalhar uma óptica que importe reconhecerse a possibilidade de o Estado dar com uma das mãos e retirar com a outra”. Nessa linha de entendimento, oportuno citar o alentado voto do Juiz Federal Roberto Jeuken, no julgamento da Apelação em Mandado de Segurança nº 1999.61.00.014490 0, pela 3ª Turma do Tribunal Regional da 3ª Região: “De fato, as isenções de produtos oriundos das chamadas zonas livre de comércio, qualificamse como um incentivo regional assegurado diretamente no corpo da lei maior, conforme se depreende da análise do art. 43 e § 2º, não obstante a necessidade da lei instituidora, inclusive porque a opção poderá se dar em face dos outros benefícios assegurados no mesmo preceptivo, esmaecendose, portanto as objeções que pudessem ser opostas em face do art. 150, § 6° da mesma, na redação conferida pela EC. 03, de 17.03.93. Não se cuida portanto de desoneração emergida da vontade discricionária do legislador ordinário, com fundamento direto nas raias do art. 176 do CTN, onde a previsão do art. 150 § 6º opera seus efeitos e sim de outorga derivada daquele assento constitucional, desde a promulgação do vigente ordenamento, revestindose assim de igual estatura e de maior antigüidade em relação a exigência contida neste outro cânone magno.(...) Portanto, poderá ser afirmado que a migração destas isenções para o âmbito da lei maior, confere as mesmas, relevo superior ao já desfrutado no âmbito do parágrafo único do artigo 176 do CTN, onde dotada de características especiais, frente as demais normas isentivas, fundadas no seu caput.. Tal peculiaridade coloca estas desonerações de caráter regional, por força daquele preceito, no mesmo patamar constitucional da incumulatividade, em ordem a que a desconsideração dos créditos dela advindos, substanciaria a prática de dar com uma mão e tirar com a outra (voto do Ministro Marco Aurélio no RE 212.484), não admitida no Excelso Pretório. (...) Contudo, naqueles casos onde a outorga deita lastro no art. 43 da lei maior, a atuação legislativa processase no patamar da própria Constituição, e em sede privativa da União, a qual tem dentre suas elevadas funções, a de promover a unidade nacional através do desenvolvimento regional. Portanto, neste contexto, o direito ao crédito emerge das próprias finalidades que estão subjacentes a este especial atuar, proporcionando a efetividade do benefício. De sorte que, no caso, o direito ao crédito é o discrímen que qualifica a utilização destes créditos e não aquele direito fundado tão somente na primeira parte do inciso II do art. 153, §3º (será nãocumulativo) então Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10860.001512/200378 Acórdão n.º 3401003.871 S3C4T1 Fl. 541 11 erigido ao patamar de um princípio absoluto, intocável e balizador da compensação que efetivarseá ao em olvido a técnica indicada na mesma sede e no mesmo dispositivo, porém considerada como de uma categoria, mera regra de aplicação de um princípio maior, a ser ajustada consoante farto entendimento doutrinário pátrio, para contemplar crédito de imposto e não imposto pago. Portanto, no caso daquelas isenções concedidas as empresas situadas na Zona Franca de Manaus, a exemplo do que também ocorreria nas chamadas Zonas Livres de Comércio, é preciso ter presente que a desoneração tem objetivos de desenvolvimento regional, colaborando de molde a baratear a aquisição dos insumos, e a obtenção de preço final mais competitivo, nos produtos resultantes do processo de industrialização, na medida em que o adquirente não precisa pagar o valor do imposto. De fato, se as empresas, adquirindo o produto intermediário a preços mais vantajosos, não pudessem creditarse do montante que seria devido à título de IPI, que se erigia no diferencial que motivara a aquisição de empresa situada em local distante, se tomado em conta as regiões sul e sudeste, por certo ela acabaria mudando de fornecedor, tendo em vista outras indústrias do mesmo ramo, situadas na mesma região, barateando o transporte. Portanto, a finalidade buscada com a isenção, barateamento do custo de produção, restaria frustrado e aquelas empresas lá situadas, que fizeram elevados investimentos para iniciar a produção em locais que no muito das vezes, além de distantes, são inóspitos e não possuem mão de obra qualificada, não iriam adiante”. (grifos nossos) Verificase, por conseguinte, que a isenção deve estar acompanhada do direito de crédito, sob pena de se tornar inócua, não atingindo as finalidades para as quais foi instituída, tornando letra morta todo o regime jurídico cuidadosamente editado com esse objetivo e os dispositivos constitucionais que o recepcionaram e lhe deram vida longa até 2076. Além disso, nesse caso, a não aceitação do direito de crédito implica a transformação da figura da isenção e uma figura de mero diferimento que, muito embora seja uma espécie de benefício fiscal, não foi aquele escolhido pelo legislador para o atingimento do fim por ele pretendido. Observem que o legislador possui, nos termos do artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, três instrumentos para atingir o desenvolvimento e reduzir as desigualdades regionais: a isenção, a redução de tributos e o diferimento de tributos. Ao ter escolhido a isenção, que é o maior incentivo possível e adequado ao atingimento dos fins almejados, não se pode interpretar a sua aplicação, de um modo que a torne ineficaz, esvaziada, com a mesma força de um benefício de diferimento que é uma mera alteração no prazo de pagamento do tributo ou na data de ocorrência do fato gerador , justamente o menor incentivo, a arma de menor calibre, dentre os que poderia o legislador se utilizar. E o único modo de a isenção ser plena, na sistemática própria do IPI, é que venha acompanhada do respectivo direito de crédito. Portanto, ante o exposto, podese concluir que: (i) a isenção do artigo 9º DecretoLei nº 288/1967 se qualifica como uma isenção para incentivo regional e tem fundamento direto no artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, sendo Fl. 567DF CARF MF 12 recepcionada na ordem constitucional vigente, conforme artigos 40, 92 e 92A, do ADCT; (ii) não tem como fundamento legal, dessa forma, no artigo 176 e seguintes do CTN, não se sujeitando, assim, ao disposto no artigo 150, parágrafo 6º, da Constituição da República; (iii) nesse caso, a outorga de isenção para incentivo regional só é eficaz e produzirá os efeitos pretendidos, atingindo os fins para os quais foi concebida, se acompanhada do direito de crédito, que não tem como fundamento o princípio da não cumulatividade previsto no artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Constituição da República, mas encontra fundamento de validade de igual estatura, qual seja, o no artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, considerandose ainda a especial posição que ocupa a Zona Franca de Manaus e seu regimento jurídico no ordenamento jurídico pátrio. Por fim, cabe ressaltar que esse entendimento está em linha com as manifestações do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.819, no qual a Ministra Relatora Rosa Weber já proferiu seu voto, reconhecendo o direito de crédito nas aquisições de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus, sendo seguida pelos Ministros Edson Fachin e Luís Roberto Barroso. Todavia, o julgamento foi interrompido com um pedido de vistas do Ministro Teori Zavascki, que expôs que seu entendimento até o início do julgamento era pelo não reconhecimento do direito de crédito, mas que, diante dos debates, havia pensado ser mais prudente pedir vistas para aprofundar seus estudos sobre a matéria. A grande preocupação que o Ministro Teori Zavascki externou dizia respeito ao fundamento para amparar o direito de crédito, já que o direito de crédito no caso não possuía assento no princípio da não cumulatividade, artigo 153, parágrafo 3º, inciso II, da Constituição da República, sendo certo que o artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República, prevê apenas a isenção e não a isenção acompanhada pelo direito de crédito. Com relação a esse ponto, na linha do que já se expôs, acredito que o direito de crédito tenha fundamento no próprio artigo 43, parágrafo 2º, inciso III, da Constituição da República e artigo 9º, do DecretoLei nº 288/1967, pois essa isenção, para ser efetiva e atingir o seu objetivo de incentivo regional, deve obrigatoriamente estar acompanhada do direito de crédito. Por esse motivo, quando, anos mais tarde, o legislador tratou de projetos específicos para produção de “produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária” e outorgou a isenção na saída dos produtos da Zona Franca de Manaus, ele deixou claro que aquela isenção era acompanhada do direito de crédito (artigo 6, caput, e parágrafo 1º, do Decreto nº 1.435/1975), não havendo razões para se impor tratamento diferenciado para um e outro caso. Além disso, à época da edição da legislação que inseriu a isenção que está a se tratar, o entendimento era firme no sentido de que, ao determinar a isenção em uma operação, a operação seguinte fruiria direito de crédito de IPI, pois, como lembrado pelo Ministro Marco Aurélio no julgamento do RE nº 212.4842, até determinado momento, a "jurisprudência tranquilíssima no sentido do direito ao crédito". Assim, o emprego de uma interpretação histórica, levando em conta a intenção original do legislador e a norma que se extraía da legislação à época e que foi considerada por aqueles que se instalaram na região setentrional, também levaria a essa conclusão. Ademais, o direito de crédito guarda ainda fundamento nos artigos que alçaram o regime jurídico da Zona Franca de Manaus à estatura constitucional, artigos 40, 92 e 92A do ADCT, que indicam e garantem uma proteção e irredutibilidade de direitos que visem o desenvolvimento e proteção da Zona Franca de Manaus. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10860.001512/200378 Acórdão n.º 3401003.871 S3C4T1 Fl. 542 13 Pelo exposto, entendo que o Recorrente tem direito de crédito de IPI sobre as aquisições de insumos isentas oriundas da Zona Franca de Manaus, motivo pelo qual o pedido de ressarcimento formulado merece ser deferido, homologandose as compensações correspondentes. Correção do valor objeto de pedido de ressarcimento pela SELIC A Recorrente alega que deveria ser aplicada a correção monetária pela taxa SELIC no saldo credor, apontando o histórico da legislação que permite a correção monetária em pedidos de restituição e argumentando, no caso, que negar o direito à correção monetária violaria, inclusive, o princípio da isonomia, pois os contribuintes com débitos suficientes a compensar já utilizariam desde logo o saldo credor, enquanto que a Recorrente só utilizaria em momento posterior, pelo ressarcimento, e em valor menor, diante da negativa da Fazenda em corrigir tais valores. A decisão recorrida negou esse pedido da Recorrente, por suposta inexistência de “previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI”. A matéria referente a atualização pela SELIC de valores objeto do pedido de ressarcimento de IPI já foi pacificada pelo e. Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847 RS, de relatoria do Ministro Luiz Fux, cujo acórdão foi submetido ao regime de recursos repetitivos do artigo 543C, do CPC e possui a seguinte ementa: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, Fl. 569DF CARF MF 14 julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008". (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Em julgados mais recentes, o STJ deixou claro que (i) a atualização dos pedidos de ressarcimento de IPI aplicase também aos processos administrativos iniciados antes da vigência da Lei nº 11.457/2007, que estipula em seu artigo 24 que os pedidos administrativos deveriam ser apreciados dentro do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias4; e (ii) o termo inicial para aplicação da SELIC, índice a ser adotado a partir de 1996, é a data de protocolo do pedido de ressarcimento. Nesse sentido, podese citar o precedente abaixo, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS DE IPI. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. PROTOCOLO DOS PEDIDOS ADMINISTRATIVOS DE RESSARCIMENTO. 1. Em que pese o julgamento do Recurso Representativo da Controvérsia REsp. n. 1.138.206/RS (Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.8.2010), onde se definiu que o art. 24 da Lei 11.457/2007 se aplica também para os feitos inaugurados antes de sua vigência, o prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias para o fim do procedimento de ressarcimento não pode ser confundindo com o termo inicial da correção monetária e juros SELIC. "Quanto ao termo inicial da correção monetária, este deve ser coincidente com o termo inicial da mora. Usualmente, tenho conferido o direito à correção monetária a partir da data em que os créditos poderiam ter sido aproveitados e não o foram em virtude da ilegalidade perpetrada pelo Fisco. Nesses casos, o termo inicial se dá com o protocolo dos pedidos administrativos de ressarcimento" (EAg nº 1.220.942/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 10.04.2013). 2. Agravo regimental não provido". (AgRg no REsp 1554806/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/10/2015, DJe 05/11/2015) Esse posicionamento decorre da distinção entre créditos escriturais de IPI e créditos não escriturais. Os créditos escriturais, ou seja, aqueles recebidos e inseridos na escrita fiscal da empresa em um período de apuração para efeito de dedução dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos industrializados em períodos de apuração subseqüentes, não são passíveis de atualização, por ausência de previsão legal. 4 Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10860.001512/200378 Acórdão n.º 3401003.871 S3C4T1 Fl. 543 15 Situação distinta ocorre com os créditos escriturais que passam a ser objeto de pedido de ressarcimento, em razão da impossibilidade de serem utilizados na dedução de débitos de IPI, quando as saídas estão sujeitas à alíquota zero ou à isenção, ou quando a diferença entre o volume de créditos e débitos resulta na acumulação de saldo credor. Nessa hipótese, tais créditos deixam de ser escriturais e passam a ser um direito de crédito do contribuinte contra o Fisco, que deve ser atualizado, desde o protocolo do pedido, pois, caso contrário, haveria um enriquecimento sem causa do Fisco. É que, nessas hipóteses, em que há "pedido de ressarcimento de créditos de IPI, PIS/COFINS (em dinheiro ou via compensação com outros tributos) e esses créditos são reconhecidos pela Receita Federal com mora, essa demora no ressarcimento enseja a incidência de correção monetária, posto que caracteriza a chamada "resistência ilegítima" (REsp 1216129/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011), a atrair a aplicação da Súmula STJ nº 411, com a seguinte redação: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco". Oportuno destacar que a resistência ilegítima fica caracterizada pelo reconhecimento do pedido, com mora, porém, em valor histórico, o que gera uma defasagem no valor do crédito a ser recebido pelo contribuinte, não havendo que se esperar determinado lapso de tempo na apreciação do pedido para que a mora fique caracterizada. A respeito, merece destaque a doutrina de Eduardo Domingos Bottallo5, ao tratar da correção monetária nos pedidos de restituição, mas que, pelos mesmos fundamentos, entendo se aplicar aos casos de pedidos de ressarcimento: "A ausência de correção monetária nas obrigações pecuniárias em geral, inclusive, as de índole tributária, acarreta enriquecimento ilícito do devedor, ao que se soma, quando se trata do Poder Público, verdadeiro confisco. Ao revés, sua incidência não configura aumento patrimonial, porém simples mecanismo tendente a retratar, em unidades monetárias atuais, o valor representado por uma quantia identificada no passado. Na antiga lição de Amílcar de Araújo Falcão, ela é a técnica pelo direito consagrada de traduziremse em termos de idêntico poder aquisitivo, quantias ou valores que, fixados pro tempore, se apresentam expressos em moeda sujeita à depreciação. (...) Portanto, se os débitos fiscais ficam sujeitos a atualização monetária a partir do momento que devem ser satisfeitos, o mesmo há de ocorrer com os créditos dos contribuintes, até por força da analogia (ubi eadem ratio, ibi eadem juris dipositio), e da própria regra de isonomia que deve orientar as ações do Poder Público em seu relacionamento com a sociedade: "mais do que ninguém, o administrador público tem o dever de probidade e de seriedade no trato com a coisa pública. Em conseqüência, não pode pensar em não pagar a correção monetária de seus débitos, sob pena de se beneficiar indevidamente com o atraso no pagamento". 5 Bottalo, Eduardo Domingos. "Fundamentos do IPI". São Paulo. Editora Revista dos Tribunais. 2002. p. 136137. Fl. 571DF CARF MF 16 Como se verifica, se o contribuinte deixa de adimplir sua obrigação tributária dentro do prazo de vencimento está sujeito ao recolhimento do tributo com a aplicação da SELIC, correta a aplicação do mesmo índice para atualização do crédito detido pelo contribuinte contra a Fazenda, pago no âmbito de pedidos de ressarcimento de IPI. Ademais, o artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 prevê que o saldo credor do IPI "poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996", que são as normas que tratam da compensação e restituição de tributos federais. Por sua vez, o artigo 39, § 4º, da Lei nº 9.250/1995, estabelece que "§ 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Desse modo, se a aplicação da SELIC aos pedidos de ressarcimento de IPI já não tivesse fundamento no princípio da isonomia e no que veda o enriquecimento sem causa, a própria remissão do artigo 11, da Lei nº 9.779/1999 às normas que tratam de restituição e compensação seria fundamento legal suficiente ao seu reconhecimento. Conclusão Pelo exposto, proponho ao Colegiado conhecer e dar provimento ao Recurso Voluntário, para (i) deferir o pedido de ressarcimento formulado, diante do reconhecimento do direito de crédito de IPI decorrente das aquisições de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus, homologandose as compensações correspondentes; e (ii) corrigir pela SELIC exclusivamente valores relativos ao pedido de ressarcimento (não se aplicando, portanto, ao valores objeto de pedido de compensação), da data de protocolo do ressarcimento até o efetivo pagamento. Augusto Fiel Jorge d' Oliveira Relator Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10860.001512/200378 Acórdão n.º 3401003.871 S3C4T1 Fl. 544 17 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Com relação ao exame do direito de crédito de IPI pelas aquisições isentas de matériasprimas, materiais intermediários e de embalagem da Zona Franca de Manaus – ZFM, temse que a não cumulatividade do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI vem fixada no art. 153, § 3º, II da CF/88, como princípio vetor do tributo, nos seguintes termos: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)” (destaquei) Como se observa do preceptivo em destaque, a apuração não cumulativa do IPI, que ora interessa, se dá pelo abatimento do valor cobrado nas aquisições e o valor devido pela saída do produto tributado, de modo que é pressuposto inarredável para o direito ao creditamento, na etapa seguinte do ciclo produtivo, que tenha havido cobrança de imposto na etapa imediatamente anterior e não a mera incidência tributária. Fl. 573DF CARF MF 18 Neste sentido a redação do art. 49 do Código Tributário Nacional: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transferese para o período ou períodos seguintes.” A própria norma legal impositiva do imposto em comento, Lei nº 4.502/64, de maneira transversa, sinaliza nessa direção, quando determina que seja estornado o crédito do imposto relativo aos insumos empregados na fabricação de produtos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, nestes termos: “Art. 25. A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados, no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) § 1º O direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento. (Redação dada pelo DecretoLei nº 1.136, de 1970) § 2º (Revogado pelo DecretoLei nº 2.433, de 1988) § 3º. O Regulamento disporá sobre a anulação do crédito ou o restabelecimento do débito correspondente ao imposto deduzido, nos casos em que os produtos adquiridos saiam do estabelecimento com isenção do tributo ou os resultantes da industrialização estejam sujeitos à alíquota zero, não estejam tributados ou gozem de isenção, ainda que esta seja decorrente de uma operação no mercado interno equiparada a exportação, ressalvados os casos expressamente contemplados em lei. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989)” Com efeito, se se deveria estornar o crédito efetivo pela aquisição tributada de matériaprima, produto intermediário e material embalagem aplicados na industrialização de produtos que não sofriam a incidência do tributo, lato senso, com mais razão ainda na hipótese em que a própria aquisição do insumo já ocorresse de forma desonerada do imposto, raciocínio não prejudicado pelo advento do art. 11 da Lei nº 9.779/99. Como se observa dos textos legais, é condição sine qua non para aproveitamento dos créditos de IPI, pela sistemática de apuração não cumulativa, a efetiva cobrança do imposto na aquisição, aqui entendida na acepção de exigir, fazer com que seja pago, e não simplesmente que incida a norma tributária, de modo que a isenção, a não tributação ou a sujeição à alíquota zero, não garantem direito de crédito pela sistemática não cumulativa de apuração do IPI. Essa é a orientação contemporânea do Supremo Tribunal Federal, fixada no RE 398.365/RS, e também no CARF, como exposto no voto vencido, a partir da análise histórica da jurisprudência pátria acerca do tema. Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10860.001512/200378 Acórdão n.º 3401003.871 S3C4T1 Fl. 545 19 Abro um parêntese apenas para dissentir da afirmação que era firme a jurisprudência do STF, desde a promulgação da CF/88, no sentido de admitir o crédito presumido pelas aquisições isentas de IPI, ante a inexistência de vedação constitucional semelhante àquela prevista para o ICMS (art. 155, § 2º, II, “a”), ao passo que esse entendimento somente se sedimentou com a decisão prolatada no RE 212.484/RS, em 05/03/98. Tocante à apropriação do crédito presumido de IPI pelas aquisições de insumos, isentas, provenientes da ZFM, especificamente, a questão está afetada à sistemática da repercussão geral no RE 592.891/SP, porém, pendente de decisão de mérito. Portanto, inexiste qualquer precedente judicial, com força vinculante, que submeta este tribunal administrativo a conferir o direito de crédito em debate, a teor do art. 62 do RICARF/15 (Portaria MF 343/2015) e 26A do Decreto nº 70.235/72. Respeitante ao exame históricoeconômico da criação da ZFM engendrado pelo i. Relator, como fundamento para o reconhecimento do direito de crédito, entendo que as razões ali arroladas não são suficientes para garantir o pretendido creditamento, uma vez que não há, na legislação de regência daquela área, qualquer dispositivo que estipule o direito vindicado. Consoante art. 150, § 6º da CF/88, qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só pode ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias taxativamente enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, de sorte que o reconhecimento do crédito ficto pelas aquisições de insumos isentas da ZFM, a meu sentir, viola o texto constitucional. Mesmo a alegação de pretensa extrafiscalidade da isenção sub examine não se apresenta como fundamento ao deferimento do crédito, isto porque a envergadura constitucional da ZFM, como elemento catalisador do desenvolvimento econômico e social da região amazônica, não arrima essa conclusão, porquanto os incentivos fiscais criados pelo DL 288/67 e legislação correlata, como instrumentos para alcance daquele objetivo, não elencam esse crédito presumido (ou ficto, como preferem alguns) dentre eles. Com efeito, quando assim o quis, o legislador textualmente implementou crédito dessa natureza, como ocorreu no art. 6º, § 1º do DecretoLei nº 1.435/75, verbis: “Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o ‘caput’ deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. Fl. 575DF CARF MF 20 § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA.” Outrossim, não se pode olvidar que os benefícios fiscais da ZFM não se limitam à isenção do IPI pelas saídas de produtos industrializados para outros ponto do território nacional, mas se estendem à isenção pelas aquisições de insumos, por parte de empresas localizadas na ZFM, de qualquer parte do território nacional ou mesmo do exterior, com garantia de isenção, também, do Imposto de Importação respectivo. Essas medidas necessariamente redundam em desoneração tributária de toda a cadeia produtiva, com claros ganhos de produtividade para empresas instaladas na área de abrangência da ZFM, daí porque a análise de cunho econômico não pode ser, com o devido respeito, simplista, como no exemplo proposto pelo voto vencido, sem considerar todas as demais variáveis. Outrossim, aspectos de natureza econômica, ao menos em sede contenciosa administrativa, não servem de sustentáculo à concessão do crédito postulado. Mesmo porque, se enveredarmos por essa trilha, algumas situações reais constatadas causariam espécie e obnubilariam o pretenso direito creditório arguido, como se verifica, p.e., nesse mesmo processo, relativo a pedido de ressarcimento, onde a apropriação de créditos pelas aquisições isentas da ZFM resultou em elevação do saldo credor apurado e requerido, de maneira que a União foi instada a devolver, sob forma de ressarcimento, valores que nunca adentraram os cofres públicos. Ou seja, pretendese o ressarcimento ou devolução do que nunca foi pago, por força da isenção, o que, a meu sentir, carece de lógica jurídica. Demais disso, os ganhos decorrentes desses incentivos regionais poderiam ser qualificados também como financeiros, pela ótica da ausência de desembolso por parte dos adquirentes, acarretada pela desoneração, dos tributos incidentes diretamente sobre as aquisições. Por esse ângulo, perde força o argumento de necessidade de reconhecimento do direito de crédito como forma de não equiparálo a mero diferimento, como anotado no voto vencido, isso porque, a análise conjuntural exige a avaliação de todas as variantes econômicas, aí incluída a integralidade dos incentivos da ZFM, e não apenas a isenção do IPI pelas saídas de produtos industrializados, isoladamente. Não se pode perder de vista, ainda, que o princípio da seletividade interfere nessa equação, ao estabelecer alíquotas distintas para os produtos, em função da sua essencialidade, ao invés de uma alíquota linear ou única, o que resulta na possibilidade de, em certa etapa do ciclo produtivo, posterior àquela beneficiada com isenção, que incida uma alíquota menor que as etapas anteriores ou até mesmo uma alíquota zero, profligando qualquer possibilidade de se verificar diferimento do tributo. Noutro giro, reconhecer o crédito presumido/ficto pelas aquisições isentas de matériaprima, produto intermediário e embalagens da ZFM equivale, por via oblíqua, a investir o julgador administrativo em legislador ordinário, ao passo que, como enfadonhamente repetido, não existe qualquer dispositivo que, explícita ou implicitamente, confira o direito de crédito ora altercado, seja pela leitura do art. 43, § 2º da CF/88, seja pelos arts. 40, 92 e 92A do ADCT. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10860.001512/200378 Acórdão n.º 3401003.871 S3C4T1 Fl. 546 21 Por esse motivo, compartilho a mesma perspectiva do saudoso Min. Teori Albino Zavascki, citado pelo i. Relator, segundo o qual, mesmo tomando o art. 43, § 2º da CF/88 como lastro constitucional para as vantagens fiscais atribuídas à ZFM, de modo a pretensamente afastar o art. 153, § 3º e sua regulação ordinária do princípio da não cumulatividade, o seu texto prevê tãosomente que os incentivos regionais compreenderão, dentre outros, isenções, reduções ou diferimento de tributos, nada mencionando sobre créditos presumidos ou fictos. Notese que a própria dicção do sobredito artigo, consubstanciado na expressão “dentre outros”, conduziria à possibilidade de criação do indigitado direito de crédito, ao estabelecer que os incentivos regionais não se limitam àqueles catalogados, todavia é mister do legislador ordinário a sua implementação, não do julgador administrativo. Em apertada síntese: a apropriação de créditos pelas aquisições isentas de insumos da Zona Franca de Manaus carece de respaldo legal, devendo ser mantida a glosa realizada pelas autoridades fiscais. Com essas considerações, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, em razão do não reconhecimento do direito de creditamento de IPI por aquisições isentas, mesmo que originárias da Zona Franca de Manaus – ZFM. Robson José Bayerl Fl. 577DF CARF MF
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Numero do processo: 13401.000507/00-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/1999
DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Não há homologação tácita das declarações de compensação quando a autoridade administrativa, por meio de despacho decisório, indefere integralmente os créditos em que se fundam referidas DCOMP.
CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Não caracteriza cerceamento do direito de defesa a rápida análise e indeferimento do pedido de ressarcimento, sobretudo porque o indeferimento foi decorrente da falta dos documentos indispensáveis à análise do pleito.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. ALEGAÇÃO.
Nos termos da Súmula CARF nº 11, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimento e compensação quando o contribuinte, mesmo intimado, deixa de apresentar os livros e documentos indispensáveis à análise do pleito.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA.
Não há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre o valor pedido de crédito presumido de IPI. A partir do pedido, poderá haver incidência quando ocorrer oposição estatal ilegítima ao aproveitamento do crédito. RESP nº 1035847 julgado pelo STJ na sistemática do art. 543-C do CPC.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Paulo César França da Silva, OAB/PE nº 22772.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não há homologação tácita das declarações de compensação quando a autoridade administrativa, por meio de despacho decisório, indefere integralmente os créditos em que se fundam referidas DCOMP. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa a rápida análise e indeferimento do pedido de ressarcimento, sobretudo porque o indeferimento foi decorrente da falta dos documentos indispensáveis à análise do pleito. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. ALEGAÇÃO. Nos termos da Súmula CARF nº 11, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu direito creditório. Devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimento e compensação quando o contribuinte, mesmo intimado, deixa de apresentar os livros e documentos indispensáveis à análise do pleito. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. Não há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre o valor pedido de crédito presumido de IPI. A partir do pedido, poderá haver incidência quando ocorrer oposição estatal ilegítima ao aproveitamento do crédito. RESP nº 1035847 julgado pelo STJ na sistemática do art. 543C do CPC. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 1. 00 05 07 /0 0- 75 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13401.000507/0075 Acórdão n.º 3301002.354 S3C3T1 Fl. 1.025 2 Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Paulo César França da Silva, OAB/PE nº 22772. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Andrada Márcio Canuto Natal Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martinez Lopez, José Adão Vitorino de Morais, Fábia Regina Freitas, Antônio Mário de Abreu Pinto e Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13401.000507/0075 Acórdão n.º 3301002.354 S3C3T1 Fl. 1.026 3 Relatório Tratase de pedidos de ressarcimento de créditos presumidos de IPI relativos ao período de 01/01/1995 a 31/03/1999, atualizados por juros Selic, no total de R$ 4.362.961,44. Constam do processo administrativo, ainda, múltiplas declarações de compensação. Após realizar diligência para verificar a certeza e liquidez do crédito presumido de IPI, a Delegacia da Receita Federal de Cabo de Santo Agostinho, indeferiu o pedido de ressarcimento, fundamentado na Informação Fiscal de fls. 65/78. A principal motivação para o indeferimento integral do direito creditório foi a ausência de apresentação de documentos indispensáveis à apuração do valor do crédito presumido do IPI em cada período de apuração. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 97/109, a qual foi indeferida por meio do Acórdão nº 0126.368, da 3ª Turma da DRJ/Belém, de 28/05/2013, assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/1999 PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. REQUISITOS. Consideramse não formulados os pedidos de perícia ou diligência que deixem de atender aos requisitos previstos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/1972, também se fazendo incabível sua realização quando reputados incabíveis. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ressarcimento de créditos presumidos de IPI vinculase ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária que rege a matéria devendo ser indeferido quando não reste comprovada sua existência. Em sede de ressarcimento, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação dos referidos créditos. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13401.000507/0075 Acórdão n.º 3301002.354 S3C3T1 Fl. 1.027 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com referida decisão apresentou recurso voluntário, por meio do qual, traz as seguintes questões em síntese: solicita o reconhecimento da homologação tácita de suas declarações de compensação constantes do presente processo, pois o despacho decisório indeferiu somente o pedido de ressarcimento, sendo silente a respeito das declarações de compensação. Segundo consta as Dcomp foram enviadas em 23/11/2000 e só obtiveram pronunciamento por parte da Receita Federal, por meio do Parecer de fls. 792/794, em 23/06/2006, assim elas estariam homologadas tacitamente a teor do disposto no art. 74, caput e §§2º e 5º da Lei nº 9.430/96. Cita julgado do STJ a este respeito; afirma que, apesar das dificuldades impostas pelo longo prazo em que a RFB iniciou as análises de seu direito creditório, apresentou toda a documentação que foi possível, alegando que houve dificuldades de apresentação de alguns documentos em razão de alguns referiremse a mais de 10 anos e também pela deterioração de alguns documentos face à calamidade pública que se operou no município de sua sede. Alega que faltou razoabilidade, ferindolhe o seu direito de defesa, pois em apenas cinco dias após a entrega da documentação houve a análise e indeferimento de seu pedido; argumenta a ocorrência da prescrição intercorrente no presente processo administrativo, com base no art. 1º, § 1º da Lei nº 9.873/99, pois o processo ficou parado por mais de três anos após o despacho de fl. 795; o contribuinte discorre sobre os fundamentos legais do seu direito creditório, afirmando que o crédito tributário abrange o total das aquisições, inclusive de pessoas físicas, citando jurisprudência do STJ e administrativa do CARF sobre o tema; por fim, faz algumas considerações a respeito dos débitos constantes do presente processo administrativo e pugna pelo deferimento integral do seu pedido de ressarcimento, o qual deve ser atualizado pela taxa Selic. É o relatório. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13401.000507/0075 Acórdão n.º 3301002.354 S3C3T1 Fl. 1.028 5 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DAS DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO Neste ponto o contribuinte solicita a homologação tácita das DCOMP apresentadas no presente processo, com o argumento de que o Despacho Decisório só indeferiu o pedido de ressarcimento, não se pronunciando a respeito da homologação ou não das compensações efetuadas. Segundo ele entre a apresentação das DCOMP em, em 23/11/2000, e o primeiro pronunciamento a respeito delas por meio do Parecer de fls. 792/794, em 23/06/2006, decorreram mais de 5 anos, desta forma estariam homologadas tacitamente a teor do disposto no art. 74, caput e §§2º e 5º da Lei nº 9.430/96. Não há como concordar com esta conclusão. As compensações efetuadas pelo contribuinte especificam como origem do crédito o valor pleiteado de ressarcimento do crédito presumido do IPI. O Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal de Cabo de Santo Agostinho, fl. 79, faz referência expressa de que trata de “Pedidos de Ressarcimento e Compensação – Crédito Presumido do IPI nas Exportações”. As declarações de compensações, como é notório, é um batimento entre créditos a que teria direito o contribuinte com débitos de tributos por ele confessados. Portanto o objeto de análise em uma DCOMP é sobre a existência do crédito, necessário e suficiente para a homologação integral ou não das compensações. Assim, a autoridade administrativa, por meio do citado despacho decisório, indeferiu a totalidade de seu crédito, não havendo homologação de compensação a ser efetuada. Apesar de não constar expressamente no despacho decisório que não houve a homologação das compensações declaradas, esta conclusão sobressai do ato administrativo de forma inequívoca. O fato de não constar esta expressão na parte dispositiva do despacho não traz qualquer cerceamento do direito de defesa ao contribuinte. Ao tomar ciência desta decisão em 10/11/2005, AR de fl. 84, o contribuinte tomou conhecimento do indeferimento integral do seu crédito presumido do IPI e, por conseqüência, da não homologação das compensações pleiteadas no presente processo. Tanto é assim que, no prazo legal, apresentou a sua manifestação de inconformidade no qual escreveu em seu preâmbulo fl. 97 : “vem, respeitosamente, no prazo legal interpor esta Manifestação de Inconformidade, contra o DESPACHO DECISÓRIO/Cabo referente negativa de compensação do ressarcimento de crédito presumido do IPI – período janeiro de 1995 a março de 1999 – consoante documentos anexos (doc. 02), pelas razões que seguem:” (Destaquei). Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13401.000507/0075 Acórdão n.º 3301002.354 S3C3T1 Fl. 1.029 6 Posteriormente, por meio da petição de fl. 845, o contribuinte pediu desistência de parte dos débitos confessados nas DCOMP para inclusão em parcelamento. Ou seja, o contribuinte sempre teve ciência de que suas compensações não foram homologadas. O contribuinte estribase também no fato de que a DRJ/Belém, no Acórdão recorrido, teria declarado que não haveria litígio ou controvérsia a respeito das declarações de compensação apresentadas no presente processo, o que levou o recorrente a concluir pela sua homologação tácita. Com todo respeito ao contribuinte, da leitura do acórdão recorrido, não chegamos à mesma conclusão. Veja duas referências sobre o assunto constantes do acórdão da DRJ: (...) “Cientificado, o sujeito passivo apresentou o documento de fls. 812/813 em que se limita, exclusivamente, a requerer a suspensão da exigibilidade dos débitos inseridos em DCOMP, tratandose a operacionalização de tal efeito, contudo, de matéria afeta à unidade de origem, a qual inclusive, inferese dos autos, já adotou as providências que entendeu cabíveis ao caso concreto, inexistindo, pois, litígio quanto a este ponto.” (...) Desta feita, resta a conclusão de que a presente matéria não subiu à DRJ/Belém, inexistindo litígio que tenha sido estabelecido acerca do tratamento conferido pela unidade de origem às declarações de compensação que também constam do processo administrativo. (Destaquei)” Está claro que a DRJ estabeleceu que não haveria litígio a respeito do tratamento dado às declarações de compensação pela autoridade administrativa, não quanto ao seu mérito, que é a homologação ou não em face do indeferimento integral do pedido de ressarcimento. O Acórdão recorrido discorreu corretamente sobre todos os pontos abordados pela defesa e conclui pela manutenção do indeferimento integral do pedido de ressarcimento. Efetivamente não houve a homologação tácita das DCOMP declaradas, pois foram apresentadas em 23/11/2000 e tiveram o seu crédito indeferido em 19/10/2005, cuja ciência ao contribuinte foi efetuada em 10/11/2005 – AR fl. 84, antes portanto do prazo de cinco anos da homologação tácita prevista no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. FALTA DE RAZOABILIDADE NO INDEFERIMENTO DO RESSARCIMENTO O contribuinte afirma que, apesar das dificuldades impostas pelo longo prazo em que a RFB iniciou as análises de seu direito creditório, apresentou toda a documentação que foi possível, alegando que houve dificuldades de apresentação de alguns documentos em razão de alguns referiremse a mais de 10 anos e também pela deterioração de alguns documentos face à calamidade pública que se operou no município de sua sede. Alega que faltou razoabilidade, ferindolhe o seu direito de defesa, pois em apenas cinco dias após a entrega da documentação houve a análise e indeferimento de seu pedido. Neste ponto o argumento central é que em face de todas estas peculiaridades acima citadas, o contribuinte teria sido prejudicado no seu direito de defesa. Também não concordo com a argumentação do contribuinte. O ressarcimento de crédito presumido de IPI solicitado foi referente a janeiro/95 a março/99. O contribuinte só protocolou o seu pedido em novembro/2000, mais de cinco anos portanto dos primeiros períodos de apuração que ele se Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13401.000507/0075 Acórdão n.º 3301002.354 S3C3T1 Fl. 1.030 7 achava no direito. Se o próprio contribuinte demorou cinco anos para apresentar o seu pedido, certamente a DRF/Cabo de Santo Agostinho também poderia demorar um pouco mais para iniciar a análise de seu pedido, sobretudo quando é notório o excesso de demanda de serviços aliada a pequena disponibilidade de servidores para atendimento da demanda. A demora na análise não caracteriza cerceamento do direito de defesa. O contribuinte foi intimado e reintimado a apresentar toda a documentação necessária à análise do seu direito creditório. Esta documentação deveria estar organizada desde a data de seu pedido, porém requereu prazo adicional de 90 dias para atender o termo de início de fiscalização. A sua solicitação foi atendida parcialmente, sendo lhe concedido prazo adicional de 30 dias, em 02/08/2005. Vencidos os 30 dias, em 02/09/2005, apresentou informação que estaria providenciando toda a documentação solicitada. Por fim em 14/10/2005, informou que estaria entregando todos os documentos referentes à análise do presente processo. Sem contar que apenas 4 dias após a lavratura do Termo de Início de Fiscalização, protocolizou um Comunicado de que uma enchente ocorrida a cerca de um mês antes teria deteriorado diversos livros e documentos referentes ao período abrangido pelo ressarcimento. Está claro, pelos elementos relatados, que o contribuinte teve diversas oportunidades de manter em boa guarda e disponibilizar todos os documentos necessários à análise do seu pedido de ressarcimento. Porém, resta claro, que estes documentos não foram disponibilizados integralmente para a fiscalização. Houve inclusive, do meu ponto de vista, até uma protelação desnecessária, com pedidos de prazo sem justificativas, já que conforme noticiou boa parte dos documentos teriam sido deteriorados, o que já era do seu conhecimento, e em relação aos documentos apresentados, se estavam sob a sua guarda, deveriam ter sido entregues imediatamente. Por fim, o indeferimento realizado em apenas cinco dias após a entrega da documentação também não é situação que gere prejuízos à sua defesa. Claro que só foi possível o indeferimento em prazo tão rápido em decorrência exatamente da falta de apresentação de documentos considerados imprescindíveis á análise do pleito. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE O contribuinte solicita o reconhecimento da prescrição intercorrente do presente processo administrativo, com base no art. 1º, § 1º da Lei nº 9.873/99, pois o processo ficou parado por mais de três anos após o despacho de fl. 795. A prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal. Esta situação já está pacificada no âmbito deste órgão de julgamento administrativo, por meio da Súmula Carf nº 11, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO O contribuinte faz um longo arrazoado sobre os fundamentos legais de seu direito creditório. Afirma que a base de cálculo do crédito presumido do IPI abrange o total das Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13401.000507/0075 Acórdão n.º 3301002.354 S3C3T1 Fl. 1.031 8 aquisições, inclusive de pessoas físicas. Neste sentido, cita a legislação pertinente à matéria, inclusive o RESP nº 993164 MG julgado pelo STJ e submetido ao regime do artigo 543C do CPC, que reconhece o direito de inclusão na base de cálculo do crédito presumido nas aquisições de pessoas físicas. Cita também julgados do CARF que adotaram esta mesma linha de raciocínio. Solicita a reforma da decisão recorrida e do despacho decisório para que seja adicionado ao valor das aquisições, além das efetuadas junto a pessoas físicas, todas os demais insumos relacionados pois referemse a matériaprima, produto intermediário e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo da recorrente. Boa parte das considerações efetuadas pelo contribuinte podem ser consideradas corretas do ponto de vista legal e jurisprudencial. Porém esbarra no elemento fundamental que é a prova documental que ampara o seu direito creditório. As provas carreadas ao processo em sua manifestação de inconformidade resumemse a planilhas de sua lavra demonstrando a pretensa apuração do crédito presumido por período de apuração, além de diversas notas fiscais que comprovam que no período examinado o contribuinte efetuou exportações de açúcar. Porém não são suficientes para demonstrar a perfeita apuração da base de cálculo do crédito presumido do IPI. Neste sentido, transcrevo abaixo trecho da Informação Fiscal, fls. 65/78, no qual a fiscalização cita os documentos que não foram apresentados pelo contribuinte: (...) “Assim sendo e ainda alegando a perda ou a deterioração de certos documentos, notas e livros fiscais, segundo consta de Comunicado da Requerente (fls. 54 e 55), deixaram de ser entregues a esta Fiscalização, não obstante o dilatado prazo concedido: a) as Notas Fiscais de Entrada (originais ou cópias) de toda a matéria prima (canadeaçúcar) adquirida pela Requerente no período pleiteado, conforme art. 3 o da MP n° 948/95 e art. 3 o da Lei n° 9.363/96; b) as Notas Fiscais de Entrada dos demais insumos (produtos intermediários e materiais de embalagem) adquiridos pela Requerente no período pleiteado, contendo a razão social do fornecedor/remetente, a descrição do produto adquirido, sua classificação na TIPI, o valor da operação, o número de série e a data de emissão das notas, conforme art. 3o da MP n° 948/95 e art. 3 o da Lei n° 9.363/96; c) a relação de todos os produtos químicos adquiridos pela Requerente no período pleiteado, que foram efetivamente empregados, como insumos, no processo de industrialização do açúcar exportado, com a sua respectiva descrição, classificação na TIPI, alíquota de IPI aplicável (se tributado) e finalidade industrial, conforme art. 3 o da MP n° 948/95 e art. 3o da Lei n° 9.363/96; d) os valores contábeis dos estoques inicial e final dos insumos adquiridos pela Requerente no período pleiteado, com os correspondentes documentos ou livros onde foram contabilizados ou escriturados, conforme art. 3o , §§ 7 o e 14, da Portaria MF n° 38/97; e) os valores referentes aos custos dos insumos adquiridos pela Requerente e utilizados na industrialização do açúcar nãoacabado ou do açúcar acabado e não vendido, no último trimestre em que a Requerente tenha efetuado exportação de açúcar ou no último trimestre de cada ano, com os correspondentes documentos ou Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13401.000507/0075 Acórdão n.º 3301002.354 S3C3T1 Fl. 1.032 9 livros onde foram contabilizados ou escriturados, conforme art. 3o , §§ 3o e 14, da Portaria MF n° 38/97; f) os Livros de Registro de Apuração do IPI no período pleiteado; g) os Livros de Registro de Inventário no período pleiteado; h) a declaração de que a Requerente não se encontra com processo judicial ou com procedimento administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito tributário de IPI, em que a decisão definitiva a ser proferida pelo Poder Judiciário ou pelo Segundo Conselho de Contribuintes possa alterar o valor do ressarcimento solicitado, conforme art. 8o , §§ 6 o e 7 o , da IN SRF n° 21/97 c/c art. 18, caput e §§ 6 o e 7 o , da IN SRF n° 23/97; e i) a Certidão Negativa de Débitos com o INSS, conforme art. 8o , § 3o , I, da IN SRF n° 21/97 c/c art. 18, caput e §§ 6 o e 7o , da IN SRF n° 23/97.” (...) A informação fiscal já mencionada citou toda a legislação pertinente à apuração do crédito presumido de IPI, por período de apuração e extraise dos requisitos legais que o benefício fiscal instituído inicialmente pela MP nº 948/95 e posteriormente pela Lei nº 9.363/96 só pode ser concedido após cumpridos todos aqueles requisitos. Não é possível apurar o crédito presumido sem verificar e quantificar os valores dos insumos que dão direito ao crédito. É necessário verificar quais produtos estão sendo considerados como insumos pelo contribuinte, o valor de seus estoques no final de cada período de apuração, sendo que estas informações fundamentais à apuração do crédito presumido estão ausentes dos presentes autos. Nos processos de restituição, ressarcimento e compensação, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do contribuinte. Assim dispõe o art. 36 da Lei nº 9.784/99: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Neste mesmo sentido o art. 333 do Código de Processo Civil, Lei nº 5.869/73: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Para a administração tributária o direito ao ressarcimento e correspondente compensação tributária só pode ser autorizado mediante a prova da liquidez e certeza do crédito tributário, nos termos do disposto no art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13401.000507/0075 Acórdão n.º 3301002.354 S3C3T1 Fl. 1.033 10 Portanto, por absoluta ausência de prova do direito creditório, entendo correto o indeferimento do ressarcimento do crédito presumido do IPI e correspondente não homologação das compensações, nos termos realizados pelo despacho decisório e acórdão recorrido. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI – INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC Desde o início, no cálculo do seu crédito presumido, o contribuinte já fez incidir a taxa de juros Selic. Como já dito o crédito presumido do IPI é um benefício fiscal e não existe amparo legal para a incidência de juros Selic sobre o valor a ser ressarcido. Portanto não há que se falar de juros aplicados da data dos períodos de apuração até a efetiva entrada do pedido de ressarcimento efetuado pelo contribuinte. No caso o contribuinte demorou mais de cinco anos em relação aos primeiros períodos de apuração para dar entrada no pedido. Esta mora jamais pode ser atribuída ao Estado. A demora foi única e exclusiva de responsabilidade do contribuinte. Fiz estas considerações, porque o STJ em sede de recurso repetitivo, reconheceu que não há incidência de correção monetária sobre os créditos escriturais do IPI, a não ser que tenha havido oposição ilegítima por parte do fisco ao aproveitamento dos créditos, o que acarretaria a obrigação de incidência dos juros Selic, contados a partir desta oposição. Abaixo transcrevo a ementa do julgamento proferido pelo STJ no RESP nº 1035847, julgado sob a sistemática do art. 543C do CPC: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS Processo nº 13401.000507/0075 Acórdão n.º 3301002.354 S3C3T1 Fl. 1.034 11 José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Como no presente caso não houve o reconhecimento da existência de qualquer direito creditório ao contribuinte, não há que se falar em resistência ilegítima da fiscalização e muito menos da incidência de juros Selic. Assim, diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 24/ 06/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por RODRIGO DA COSTA PO SSAS
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Numero do processo: 16095.000246/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/01/2004, 31/12/2004
EMENTA.
VALE TRANSPORTE. Matéria sumulada pelo CARF, onde não há incidência de contribuição social na exação vale-transporte. Súmula 89/CARF.
Numero da decisão: 2301-003.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, [da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
]
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel coelho Arruda Júnior, Mauro José da Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/01/2004, 31/12/2004 EMENTA. VALE TRANSPORTE. Matéria sumulada pelo CARF, onde não há incidência de contribuição social na exação vale-transporte. Súmula 89/CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, [da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). ] MARCELO OLIVEIRA - Presidente. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel coelho Arruda Júnior, Mauro José da Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
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