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Numero do processo: 10580.006998/2004-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/05/2004
COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. MULTA
A multa de 75% do valor do tributo que se pretendeu compensar com créditos de terceiros aplica-se apenas às declarações entregues a partir da entrada em vigor das alterações promovidas pelos arts. 4º e 18 da Lei 11.051, respectivamente, nos arts. 74 da Lei 9430 e 90 da MP 2.158, isto é, apenas a partir de 29 de dezembro de 2004.
Numero da decisão: 9303-004.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas- Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Da Costa Possas (Presidente Em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Charles Mayer De Castro Souza, Robson Jose Bayerl e Valcir Gassen e as Conselheiras Erika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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MULTA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CLÍDIO CETTOLIN COMÉRCIO LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/05/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. MULTA A multa de 75% do valor do tributo que se pretendeu compensar com créditos de terceiros aplicase apenas às declarações entregues a partir da entrada em vigor das alterações promovidas pelos arts. 4º e 18 da Lei 11.051, respectivamente, nos arts. 74 da Lei 9430 e 90 da MP 2.158, isto é, apenas a partir de 29 de dezembro de 2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Da Costa Possas (Presidente Em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Charles Mayer De Castro Souza, Robson Jose Bayerl e Valcir Gassen e as Conselheiras Erika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 69 98 /2 00 4- 68 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório A Fazenda Nacional contesta o acórdão 20403.273 proferido, em 2008, pela maioria dos conselheiros membros da Quarta Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes. No julgamento, o colegiado afastou a exigência de multa sobre lançamento decorrente de compensação indevida com créditos de terceiros, por retroatividade benigna das disposições das Leis 10.833/2003, 11.051/2004 e 11.488/2007. Em seu recurso, a representação fazendária defende, basicamente, que a situação se enquadra nas hipóteses previstas "na legislação" como impeditivas de compensação por força do que dispunha a IN SRF 210/2002, o que a equipararia à compensação não declarada, apesar de reconhecer que a entrega da Dcomp, e mesmo o lançamento efetuado, ocorreram antes da edição da Lei 11.051, que criou a figura da declaração não declarada. Em consequência, dado que a hipótese continuou a existir mesmo com a edição da MP 351, convertida na Lei 11.488, não caberia falar em retroatividade benigna. Ele é apresentado por contrariedade à lei, na forma prevista no regimento vigente à época da prolação da decisão. Nele a Fazenda postula que teriam sido contrariados os arts. 18 da Lei 10.833 e o art. 106 do CTN. Não constam dos autos contrarrazões do contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator O recurso foi bem admitido, porquanto a decisão foi proferida por maioria vencida a Conselheira Nayra Manatta e indica, com clareza, os dispositivos legais que, no entender da Fazenda Nacional, foram contrariados. Dele conheço. Mas a ele não se pode dar provimento pelas precisas considerações da decisão recorrida, da qual, aliás, participei. Com efeito, tratase de compensação declarada em maio de 2004, quando vigente a redação do art. 90 da MP 2.15835 alterada pela Lei 10.833: Art. 18. O lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n 4.502, de 30 de novembro de 1964. Dentre as hipóteses aí ventiladas, certo que apenas se pode cogitar de o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição de lei. E é nele que a Fazenda Nacional pretende que a situação se enquadre, embora reconheça que a proibição expressa Fl. 141DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.006998/200468 Acórdão n.º 9303004.186 CSRFT3 Fl. 141 3 apenas conste de IN da Receita Federal e não de lei em sentido estrito. Com essa equiparação, não concordo. Ocorre que a mesma Lei 10.833 também trouxe expressiva alteração no artigo regulador da figura da compensação art. 74 da Lei 9.430 que, salientese, já havia sofrido alteração pelo art. 49 da Lei 10.637, em 2002. Dizia o dispositivo quando entregue a declaração: Art. 17. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. ........................................................................... ........................................................................... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: ........................................................................... III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV os créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal com o débito consolidado no âmbito do Programa de Recuperação Fiscal Refis, ou do parcelamento a ele alternativo; e V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. ........................................................................... § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição." Vêse que a nova redação acrescenta diversas situações à expressa vedação de compensação que passara a existir com a Lei 10.637, mas restrita a débitos de IR e de imposto de importação e entre elas não se encontra a utilização de créditos de terceiros. Para alguns e a dra. Nayra era a principal defensora dessa posição essa ausência deviase ao próprio caput do artigo, que já limitaria tal utilização aos créditos apurados pelo próprio sujeito passivo postulante da compensação. Esse argumento é, a meu ver, bem mais forte do que o postulado pela representação fazendária que requer que se equipare IN a lei, com o que não concordo e merece, pois, mais atenção. Em meu entender, contudo, e com todas as vênias aos que pensam diferentemente, ela não resiste à nova alteração de redação produzida nesse mesmo artigo 74, agora pela Lei 11.051: Art. 4o O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. ............................................................................ ............................................................................ § 3o ............................................................................ ............................................................................ IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridaLde competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.006998/200468 Acórdão n.º 9303004.186 CSRFT3 Fl. 142 5 ............................................................................ § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do Decreto Lei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação." (NR) Vejase que, sem alterar o caput, o dispositivo acrescenta outras três hipóteses de vedação expressa (§ 3º) e nelas, mais uma vez, não figura a de que cuidamos. Entretanto, aparece ela agora, expressamente, no § 4º, no qual se institui a figura da compensação não declarada. Como se sabe, duas consequências extremas advêm da inclusão nessa última figura: a manutenção da multa e a impossibilidade de apresentação de manifestação de inconformidade. A primeira consequência passou a existir por meio da mesma Lei 11.051, cujo art. 18 alterou novamente o art. 90 da MP 2.158, que passou a prever: "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. ................................................................... § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 ............................................................................ § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) Ou seja, é unicamente por força do parágrafo quarto acima negritado, e que só passou a existir com a Lei 11.051, que, para as compensações consideradas não declaradas, cabe a penalidade mesmo que não se lhes atribua atitude dolosa por parte do declarante ou falsidade na declaração entregue. Em suma: é apenas a Lei 11.051, publicada somente em 29 de dezembro de 2004, que a) cria a figura da compensação não declarada e b) prevê a manutenção da multa tratada no art. 90 da MP 2.158 mesmo que não se configure a hipótese do caput. E a inclusão desses dispositivos, a meu ver, fulmina o entendimento de que, mesmo antes, se pudesse exigir a multa na hipótese aqui considerada. Esses os argumentos que me levaram a concordar com as conclusões do n. relator da decisão recorrida no sentido de que a multa, quando lançada, somente poderia se referir a uma das hipóteses do caput do artigo 90 e que foram afastadas pela legislação superveniente quando não comprovada a ocorrência de falsidade na declaração entregue. Não tendo eu alterado esse entendimento, cabeme votar pelo não provimento do recurso da Fazenda Nacional. E é como voto. Júlio César Alves Ramos Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 03/08/2 016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10508.720559/2014-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3302-000.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, que dava provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral: Dr. Victor Bovarotti Lopes - OAB 247.161 - SP.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, que dava provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral: Dr. Victor Bovarotti Lopes - OAB 247.161 - SP. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, que dava provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral: Dr. Victor Bovarotti Lopes OAB 247.161 SP. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de autos de infração (fls. 3/126), em que formalizada a exigência do Imposto sobre a Importação (II), da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da Cofins Importação, que acrescido da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros moratórios, resultou no valor total de R$ 87.471.720,01. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 127/146), que integra o auto de infração, o motivo da autuação foi o não cumprimento do requisito da vinculação física entre os insumos importados pela autuada, com os benefícios do regime drawback suspensão, e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 08 .7 20 55 9/ 20 14 -1 4 Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.789 2 os produtos por ela manufaturados e exportados (manteiga, licor, torta e pó de cacau etc.). Segunda a fiscalização, com a realização da mistura de amêndoas importadas e nacionais, conforme verificado na visita no estabelecimento fabril e admitido pela fiscalizada, no momento que foi dado saída para exportação dos produtos manufaturados, a empresa substituíra indevidamente insumo importado com benefício do regime por insumo nacional, em consequência, quando deu saída para o mercado interno do produto manufaturado, ela também cometera infração, por ter destinado o insumo importado com o benefício, para o mercado interno sem o devido pagamento dos tributos suspensos. Em apertada síntese, a autoridade fiscal assim resumiu a irregularidade motivadora da autuação no excerto que segue transcrito: O contribuinte, por meio das Declarações de Importação abaixo citadas, registradas no período de fevereiro/2008 a março/2010, submeteu ao regime aduaneiro especial de drawback, na modalidade suspensão, AMÊNDOAS DE CACAU, mercadorias classificáveis no código NCM/TEC 1801.00.00, amparandose, nos Atos Concessórios citados no Termo de Verificação Fiscal e seus Anexos. Não obstante o “aparente” cumprimento, pelo beneficiário, dos compromissos quantitativos de exportação estabelecidos nos Atos Concessórios em comento, dentro dos prazos acordados, constatouse o descumprimento de um dos requisitos estabelecidos para a fruição do benefício, qual seja, aquele que determina a “utilização integral dos produtos importados ao amparo deste regime especial na industrialização de produtos destinados à exportação. Em sede de impugnação, a autuada apresentou as seguintes razões de defesa: 1) em sede de prejudicial de mérito, com respaldo no art. 150, § 4º do CTN, alegou decadência do direito de lançar os créditos tributários referentes às operações de importação registradas antes de 4/12/2009, pois, quando a autuada fora cientificada da lavratura dos autos de infração, em 4/12/2014, já havia transcorrido o prazo de quinquenal de decadência, contado da data do registro das respectivas Declarações de Importação (DI), considerada a data do fato gerador dos tributos lançados. Em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, somente nos casos de dolo, fraude ou simulação, aplicarseia o prazo decadencial contado do “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, na forma estabelecida no art. 173, I, do CTN, o que não ocorrera na autuação em apreço. 2) No mérito, a autuada alegou que: 2.1) no regime drawback suspensão era o Decex quem autorizava que os insumos importados, aplicados na produção de produtos a serem exportados, fossem adquiridos com suspensão do pagamento dos tributos e fixava um prazo para a sua utilização na fabricação desses produtos, impondo à beneficiária o dever de provar a aquisição dos insumos e sua utilização na elaboração dos produtos exportados, que, uma vez comprovado, o Decex procedia a baixa do respectivo Ato Concessório (AC), convertendo a suspensão em isenção; 2.2) a Portaria Secex 25/2008, em seus arts. 129 a 136, que dispõem sobre os documentos que devem ser apresentados pela beneficiária do regime drawback suspensão, assim como os simétricos preceitos normativos das Portarias Secex 10/2010 e 23/2011, que Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.790 3 sucederam a primeira, não impunha a apresentação de qualquer prova de cumprimento da vinculação física entre as importações de insumos e exportações de produtos manufaturados; 2.3. Se a vinculação física fosse uma condição a ser preenchida ou um requisito a ser cumprido pela interessada, nos termos do art. 179 do CTN, tal comprovação deveria ser exigida quando da baixa do ato concessório, o que jamais ocorrera. Logo, revelavase irrazoável exigir dos exportadores o controle da vinculação física, porque desprovido de qualquer sentido ou justificativa econômica; 2.4) se no prazo concedido no ato concessório a interessada comprovasse a realização da importação dos insumos e a exportação dos produtos finais nos valores e quantidades definidos no AC, bem como o ganho cambial exigido, estaria cumprido o regime de drawback suspensão; 2.5) a demonstração da vinculação física, conforme exigia o fisco, onerava em demasia a beneficiária, na medida em que implicava na obrigatoriedade de segregar seus estoques de insumos importados por cada ato concessório a fim de permitir individualizar em quais produtos manufaturados tais insumos foram utilizados e em quais Registros de Exportação (RE) foram exportados, o que não era razoável nos dias de hoje em que se busca sempre o aumento da produtividade e a redução de custos; 2.6) o fato de não constar no produto acabado, indicado no respectivo RE, a utilização do insumo importado sob o regime drawback suspensão, mas outro fungível, ou seja, idêntico no gênero, na qualidade e na quantidade, não era motivo suficiente para inviabilizar a baixa do respectivo ato concessório, especialmente, tendo em conta que esse fora expressamente ratificado pela Lei 12.350/2010, ao alterar o art. 17 da Lei 11.774/2008; 2.7) as amêndoas de cacau adquiridas por meio de operações não vinculadas ao drawback suspensão eram fungíveis com aquelas adquiridas sob o referido regime, porque: a) se tratava de uma commodity agrícola negociada em bolsa de valores; b) a IN 38/2008 do MAPA, que aprovou o “Regulamento Técnico da Amêndoa de Cacau”, classificava o produto em Tipos 1, 2 e 3 ou como Fora de Tipo, independentemente da origem ser nacional ou importada, de acordo com os percentuais de tolerância de defeitos admitidos para cada uma das referidas categorias; e c) aferia os lotes de amêndoas adquiridos, para conhecer o seu nível de acidez e dureza, a fim de atender às especificações de seus clientes, pois era inerente à amêndoa de cacau apresentar diferentes níveis de acidez e dureza, independentemente de sua origem, porém tal característica não impedia que fossem bens fungíveis; 2.8) possuía capacidade de rastrear os lotes de amêndoas de cacau utilizadas na fabricação de cada lote de produto final, mas não possuía um controle específico de vinculação física, o que a impossibilitava de informar o percentual de amêndoas de origem nacional e de origem importada utilizadas na fabricação dos produtos exportados sob cada um de seus atos concessórios; 2.9) na legislação não existia determinação à beneficiária do regime que a obrigasse de manter referido sistema de controle, o que redundaria na impossibilidade de a fiscalização simplesmente revogar o incentivo fiscal concedido à impugnante por meio do drawback suspensão; 2.10) caso se entendesse que a vinculação física era um requisito para a utilização do regime de drawback suspensão, o que aventava, mas não admitia, era necessária a Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.791 4 realização de perícia técnica, com base nos controles da impugnante, para fim de determinar a quantidade de amêndoas de cacau por ela adquiridas sob o regime de drawback suspensão que foram efetivamente utilizadas na fabricação dos produtos exportados sob o referido regime, para o que indicou perito, conforme exigia o art. 16, IV, do Decreto 70.235/1972; 2.11) não podia subsistir a cobrança dos valores da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação, calculada sobre o valor do ICMS, porque a inclusão do valor desse imposto na base de cálculo das referidas contribuições fora declarada inconstitucional pelo STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 559.937, cuja de repercussão geral foi reconhecida pelo referido tribunal. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1669/1699), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário lançado mantido, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/02/2008, 16/04/2008, 17/04/2008, 17/07/2008, 07/11/2008, 19/12/2008, 21/01/2009, 26/02/2009, 06/08/2009, 29/09/2009, 18/01/2010, 08/02/2010, 31/03/2010 PRODUÇÃO DE PROVA. PERÍCIA TÉCNICA. COMPLEMENTAÇÃO. Dispensável a produção de provas, por meio de perícia, quando os fatos e os elementos que compõem os autos do processo revelamse suficientes para formação da convicção e conseqüente julgamento do feito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/02/2008, 16/04/2008, 17/04/2008, 17/07/2008, 07/11/2008, 19/12/2008, 21/01/2009, 26/02/2009, 06/08/2009, 29/09/2009, 18/01/2010, 08/02/2010, 31/03/2010 DECADÊNCIA. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DRAWBACK SUSPENSÃO. INOCORRÊNCIA. Somente operase a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário depois do transcurso de cinco anos, sendo o dies a quo do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário decorrente do inadimplemento do regime aduaneiro especial de drawbacksuspensão tornase passível de ser exigido. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 14/02/2008, 16/04/2008, 17/04/2008, 17/07/2008, 07/11/2008, 19/12/2008, 21/01/2009, 26/02/2009, 06/08/2009, 29/09/2009, 18/01/2010, 08/02/2010, 31/03/2010 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. DRAWBACK SUSPENSÃO. VINCULAÇÃO FÍSICA. FUNGIBILIDADE. NÃO COMPROVAÇÃO. Para que se configure o aperfeiçoamento do regime aduaneiro especial de drawbacksuspensão se faz necessária efetiva comprovação da estrita vinculação física entre o insumo importado com suspensão dos tributos incidentes e o produto exportado, para que se concretize o benefício da isenção tributária. Para que se possa atribuir eficácia à Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.792 5 pretendida fungibilidade entre o insumo importado sob a égide deste regime suspensivo e o produto manufaturado destinado à exportação, é determinante, para além do cumprimento do ordenamento jurídico vigente à época, comprovar a similaridade/identidade em quantidade e qualidade entre estes, bem como a compatibilidade de sua utilização com o ciclo produtivo da mercadoria exportada, pois do contrário não há como considerar adimplido o compromisso assumido em ato concessório, sob pena de desnaturar a própria essência do regime suspensivo pleiteado. DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAR. O descumprimento das condições estabelecidas em ato concessório e na legislação de regência do regime aduaneiro especial de drawback suspensão enseja a exigência dos tributos suspensos por ocasião da importação dos respectivos insumos estrangeiros, acrescidos dos demais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A autuada foi cientificada da decisão de primeira instância em 9/6/2015 (fls. 1700/1701). Inconformada, em 8/7/2015, protocolou o recurso voluntário de fls. 1703/1744, em que reafirmou os argumentos aduzidos na peça impugnatória atinentes à decadência e às questões de mérito. Em aditamento, a recorrente alegou, em preliminar, nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, sob argumento de que o indeferimento da perícia técnica solicitada na peça impugnatória havia impossibilitado a cabal comprovação de que ao menos uma expressiva parcela das amêndoas de cacau importadas, sob o regime de drawback suspensão, fora utilizada na fabricação dos produtos exportados, o que atestaria o atendimento do suposto requisito da vinculação física com relação a tal parcela das amêndoas importadas. Porém, caso não fosse esse o entendimento deste Colegiado, em observância ao princípio da economia processual, era imperioso que o julgamento do presente recurso voluntário fosse convertido em diligência, para a realização da perícia técnica requerida, pois, dessa forma, poderseia sanear o vício do cerceamento do direito de defesa que maculou a presente discussão administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Conforme delineado no relatório precedente, a lide envolve questões preliminares e de mérito, que serão a seguir analisadas. I Das Questões Preliminares Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.793 6 Em sede de preliminar, a recorrente alegou a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa e a decadência do direito de proceder ao lançamento do crédito tributário relativo às operações de importação, cujas DI foram registradas antes de 4/12/2009. Da nulidade da decisão de recorrida. A recorrente a alegou nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de defesa, baseada no argumento de que o indeferimento da perícia técnica solicitada na peça impugnatória havia impossibilitado a cabal comprovação de que ao menos uma expressiva parcela das amêndoas de cacau importadas, sob o regime de drawback suspensão, fora utilizada na fabricação dos produtos exportados, o que atestaria o atendimento do suposto requisito da vinculação física com relação a tal parcela das amêndoas importadas. O referido pedido de produção da prova pericial visava a apuração, com base nos controles de estoque da autuada, da quantidade de amêndoas de cacau, importadas com o benefício fiscal do drawback suspensão, foram utilizadas na elaboração dos produtos exportados no âmbito do citado regime aduaneiro especial. Na motivação do indeferimento do pedido, o nobre Relator do voto condutor da decisão recorrida, com respaldo no art. 18 do Decreto 70.235/1972, alegou que a realização da prova pericial requerida era absolutamente prescindível para a solução do litígio, uma vez que os elementos trazidos aos autos pela fiscalização e pela contribuinte, na fase investigatória, permitiam o exame da matéria, notadamente, quanto à questão atinente à vinculação física e à fungibilidade do insumo utilizado na produção dos produtos exportados. Alegou ainda o nobre Relator, que o referido pedido de perícia era desprovido de qualquer elemento que ensejasse dúvida quanto à correção dos procedimentos realizados na fase investigatória e, conforme se depreendia dos autos, idênticas informações foram reiteradamente sonegadas pela beneficiária do regime, não obstante as exaustivas tentativas da fiscalização em obtêlas. Em face desses consistentes fundamentos, a decisão do órgão julgador de primeiro grau não merece qualquer reparo, especialmente porque, no âmbito do processo administrativo fiscal federal, a decisão quanto ao deferimento ou não da realização de prova pericial constitui uma faculdade da autoridade julgadora, que, na atividade de apreciação da prova, tem toda liberdade para formar livremente a sua convicção acerca dos fatos controversos. E a justifica para atribuição dessa faculdade encontra respaldo na circunstância de ser a autoridade julgadora a destinatária, por excelência, da prova a ser produzida nos autos. Ademais, essa liberdade do julgador não se restringe a mera análise do pedido de produção de prova realizado pela parte, pois, ainda que não exista pedido de realização de diligência ou de produção de prova pericial nos autos, de ofício, a autoridade julgadora poderá determinar a sua produção. Esse é o entendimento que se extrai da interpretação combinada dos arts. 18, 28 e 29 do Decreto 70.235/1972, com as alterações posteriores, que seguem transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. [...]Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.794 7 o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Assim, por estar devidamente fundamentado o indeferimento da realização da produção da prova pericial requerida, fica demonstrada a improcedência do pedido de nulidade da decisão recorrido, por cerceamento do direito de defesa da recorrente. Da decadência parcial do crédito lançado. Em sede de preliminar, a recorrente alegou que, na data em que fora cientificada do lançamento (4/12/2014), o direito de constituir o crédito, relativo às operações de importação, cujas DI foram registradas antes 4/12/2009, encontravase extinto pela decadência, pois já tinha transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos, contado a partir do registro das respectivas DI, que ocorrera entre 14/2/2008 e 29/6/2009. Para a recorrente, como se tratava de tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, o termo inicial do quinquídio do referido prazo decadencial seria contado da data do fato gerador dos tributos lançados (a data do registro das DI) e não partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ser efetuado, conforme estabelecido no art. 173, I, do CTN, porque, este último critério de contagem representava a regra geral de contagem do prazo decadencial, que só seria aplicável “se não tivesse havido o fornecimento de informações capazes de possibilitar a homologação do lançamento por parte da fiscalização ou deliberada ausência de recolhimento mediante dolo, fraude ou simulação”. Sabidamente, a contagem do prazo decadencial do lançamento por homologação, em regra, aplicase aos tributos devidos na operação de importação que, por determinação legal, estão sujeitos ao pagamento antecipado, sem prévio exame da autoridade fiscal, conforme estabelecido no caput do art. 150 do CTN. Acontece que, no âmbito dos referidos tributos, esse procedimento geral de contagem tem aplicação restrita às operações de importação submetidas ao regime de importação comum, que se caracteriza pelo pagamento dos tributos devidos previamente ao início do despacho aduaneiro, isto é, antes do registro da Declaração de Importação (DI). No caso de regime suspensivo de tributação ou regime aduaneiro especial suspensivo, a dita regra geral abre exceção para a aplicação dos critérios atinentes ao lançamento de ofício, previstos no inciso I do art. 173 do CTN. Esse critério de contagem do prazo decadencial, inequivocamente, aplicase à operação de importação realizada sob o regime aduaneiro especial drawback, modalidade suspensão, haja vista que os tributos incidentes na operação de importação ficam com a exigibilidade suspensa até o prazo final do regime, que se dará de duas formas distintas: a) mediante o adimplemento total do regime dentro do prazo do regime, com o cumprimento integral das condições e dos requisitos estabelecidos no ato concessório e na legislação. Neste caso, a suspensão convertese em isenção, excluindo em definitivo a exigência dos tributos incidentes na operação; ou b) com o vencimento do prazo do regime, Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.795 8 sem o cumprimento parcial ou total do compromisso de exportação assumido. Nesta hipótese, a totalidade ou parte dos tributos suspensos passam ser exigíveis mediante lançamento, com os devidos acréscimos legais. Dessa forma, ainda que os tributos incidentes na operação de importação estejam sujeitos ao lançamento por homologação, na ausência da antecipação do pagamento, deve ser afastado o critério geral de contagem do prazo decadencial estabelecido para esta modalidade lançamento, prevista no § 4º do art. 150 do CTN, e adotada a regra excepcional de contagem do prazo de caducidade estabelecida para o lançamento de ofício, fixada no art. 173, I, do CTN, que determina que o prazo quinquenal de decadência deve ser contado a partir “do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Esse entendimento foi pacificada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial no 973.733/SC, realizado sob o regime do recurso repetitivo, disciplinado no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), conforme exposto no enunciado da ementa que segue transcrito: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.796 9 dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...]7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) – Grifos não originais. Desse modo, em cumprimento ao disposto no art. 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aplicase o entendimento explicitado no âmbito do referido julgado, no sentido de que, sem a realização do pagamento antecipado, o dies a quo do prazo quinquenal de decadência, regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, e passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. No caso, como não há controvérsia quanto a inexistência de pagamento, ao lançamento em questão aplicase a regra de contagem do prazo decadencial estabelecida no art. 173, I, do CTN. Além disso, no que tange ao regime drawback, modalidade suspensão, os tributos suspensos somente se tornam exigíveis e, portanto, sujeitos a lançamento de ofício, depois de esgotado o prazo de adoção das providências facultadas ao beneficiário do regime no sentido de regularizar eventual inadimplemento do regime. Em consequência, somente após esgotado o prazo de 30 (trinta) dias, contado da data do vencimento do ato concessório, fixado no inciso art. 3902, I, do Regulamento Aduaneiro de 2009 (RA/2009). Segundo o citado preceito regulamentar, configurado o inadimplemento do compromisso de exportar, total ou parcial, o beneficiário do regime dispõe do prazo de trinta dias, contados data do vencimento do ato concessório, para adotar uma das seguintes providências em relação às mercadorias admitidas no regime que, no seu todo ou em parte, não tenham sido empregadas no processo produtivo ou empregadas em desacordo com o 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." 2 "Art. 390. As mercadorias admitidas no regime que, no todo ou em parte, deixarem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas aos seguintes procedimentos: I no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, em até trinta dias do prazo fixado para exportação: a) devolução ao exterior; (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). c) destinação para consumo das mercadorias remanescentes, com o pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos; ou (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). d) entrega à Fazenda Nacional, livres de quaisquer despesas e ônus, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebêlas; (Incluído pelo Decreto nº 7.213, de 2010). [...]" Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.797 10 estabelecido no ato concessório: (i) devolução ao exterior ou reexportação; (ii) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; (iii) destinação para consumo interno, mediante o pagamento dos tributos suspensos, com os acréscimos legais devidos; ou d) entrega à Fazenda Nacional, livres de quaisquer despesas e ônus, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebêlas. Somente após o término do referido prazo de 30 (trinta) dias e se não comprovada a adoção de uma das providências relacionadas no referido preceito legal, estarão configurados tanto o vencimento quanto o inadimplemento, parcial ou total, do regime aduaneiro especial em apreço, podendo a autoridade fiscal, a partir de então, proceder ao lançamento do respectivo crédito tributário. Da mesma forma, dispõe o art. 154, combinado com o disposto no art. 152, II, ambos da Portaria Secex 25/2008, que o inadimplemento do regime de drawback, modalidade suspensão, somente será declarado no caso de não adoção de uma das providências acima mencionadas, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da data limite para exportação (data do vencimento do ato concessório). Logo, transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias, previsto para a regularização espontânea do inadimplemento do compromisso de exportação, sem que o beneficiário do regime tenha adotado uma das providências citadas, estará definitivamente configurado o inadimplemento do regime e, no dia seguinte, a autoridade fiscal está autorizada a proceder ao lançamento de ofício, nos termos do art. 149, V, do CTN. Cabe ainda ressaltar que, transcorrido o referido prazo, o lançamento de ofício do crédito tributário, em decorrência do inadimplemento, total ou parcial, do regime drawback, modalidade suspensão, pode ser formalizado pela autoridade fiscal competente, independentemente de comunicação formal por parte da Secex aos órgãos da Administração aduaneira vinculados à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). De todo modo, após a configuração do inadimplemento do regime em destaque, a partir do primeiro dia seguinte, a fiscalização poderá dar início ao procedimento fiscal e proceder ao lançamento do crédito tributário suspenso em face da aplicação do regime, com vista à cobrança da totalidade ou parte dos tributos suspensos, conforme o caso. Em razão dessa particularidade, resta demonstrado que a contagem do prazo de decadência do direito de lançar eventual crédito tributário, por descumprimento da modalidade de drawback em referência, deve ser feita segundo a forma estatuída no art. 173, I, do CTN. Aliás, esse entendimento está em consonância com o disposto no art. 752 do RA/2009, a seguir transcrito: Art. 752. O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados (DecretoLei no 37, de 1966, art. 138, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 4o; e Lei no 5.172, de 1966, art. 173, caput): I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado; ou II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.798 11 [...]§ 3o No regime de drawback, o termo inicial para contagem a que se refere o caput é, na modalidade de: I suspensão, o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação; e II isenção, o primeiro dia do exercício seguinte à data do registro da declaração de importação na qual se solicitou a isenção. (grifos não originais) Dessa forma, por se tratar regra de contagem de prazo decadencial, expressamente, positivada em decreto, fora das exceções previstas no art. 26A do Decreto 70.235/1972, é vedado aos órgãos de julgamento da esfera administrativa federal afastar a sua aplicação ou deixar de observála, ainda que, eventualmente, conflitante com disposições do CTN, o que, certamente, não ocorreu no caso em tela. No seu recurso, a recorrente alegou ainda que, consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), externado no julgamento do Recurso Especial (Resp) nº 1.259.346, mesmo diante da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o Fisco estava autorizado a efetuar o lançamento com vistas a prevenir a decadência. Sem razão à recorrente. O referido julgado trata da decadência do direito de constituir o crédito tributário em que houve pagamento antecipado de parte do crédito devido e parte remanescente compensada, com exigibilidade suspensa em razão do disposto no art. 151 do CTN. Portanto, situação distinta da aqui analisada. Com essas considerações, resta demonstrado que, no âmbito do regime drawback suspensão, o prazo decadencial do direito de lançar o crédito tributário (i) tem início a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo dia após o vencimento do prazo para exportação, fixado no ato concessório, e (ii) término no último dia do quinto ano seguinte. Como base nessa conclusão, passase analisar se houve ou não decadência nos lançamentos objeto das autuações em questão. No caso, os atos concessórios com prazo de vencimento mais antigo foram os de nºs 20070154341 e 20070154350, cujo o prazo final estipulado para realização das exportações compromissadas expirou no dia 5/3/2010. Logo, somente trinta dias após essa data, ou seja, a partir de 3/4/2010, o lançamento dos tributos suspensos, em decorrência da aplicação do regime drawback suspensão, poderia ser realizado. Assim, com base na regra de contagem retrodefinida, temse que termo inicial e final do prazo decadencial do direito de lançar os tributos suspensos, referentes às importações amparadas pelos Atos Concessórios nº 20070154341 e 20070154350, foram 1/1/2011 e 31/12/2015, respectivamente. Como o auto de infração foi concluído no dia 4/12/2014, data da ciência do da recorrente, não havia sequer transcorrido o prazo decadencial dos tributos suspensos, em razão do processamento das importações mais antigas, ou seja, aquelas processadas pelas DI nº 08/02358475, 08/02358513, 08/02358580, 08/02358645, 08/02358670 e 08/02358726, registradas em 14/2/2008, cujas operações foram realizadas ao amparo dos Atos Concessórios nº 20070154341 e 20070154350. Com base no exposto, resta demonstrada a improcedência da alegada decadência suscitada pela recorrente. Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.799 12 II Das Questões de Mérito No mérito, a controvérsia cingese às seguintes questões: a) a vinculação física como requisito do regime drawback suspensão; b) a fungibilidade das amêndoas de cacau utilizadas como insumos de produção dos produtos industrializados e exportados pela recorrente; c) a existência de controle de estoque específico, para atender o requisito da vinculação física; e d) inclusão do valor do ICMS na base de cálculo da Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação. Da vinculação física como requisito do drawback suspensão. A recorrente alegou que nas Portarias Secex, vigentes na data das baixas dos atos concessórios, não havia exigência de apresentação de qualquer prova de cumprimento da vinculação física entre as importações dos insumos e as exportações dos produtos industrializados e exportados sob o regime de drawback suspensão. Além da previsão nas portarias da Secex, a vinculação física entre o insumo importado e o produto final exportado é um requisito do regime drawback suspensão, estabelecido no por expressa determinação legal, que se encontra estabelecida no art. 78, II, do Decretolei 37/1966, a seguir transcrito: Art. 78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: (...) II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; [...] (grifos não originais) Em consonância com o disposto no referido preceito legal, no período de período de vigência do regime drawback suspensão em apreço, o assunto estava regulamentado nos arts. 341 e 342 do Regulamento Aduaneiro de 20023 (RA/2002) e nos arts. 389 e 390 do Regulamento Aduaneiro de 20094 (RA/2009), ainda vigentes. Como os referidos preceitos regulamentares apresentam a mesma redação, em benefício da objetividade e da concisão, serão transcritos, a seguir, apenas os preceitos do ainda vigente RA/2009: Art. 389. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Parágrafo único. O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos tributos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com os acréscimos legais devidos. 3 Veiculado pelo Decreto 4.543/2002, com as alterações posteriores. 4 Veiculado pelo Decreto 6.759/2009, com as alterações posteriores. Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.800 13 Art. 390. As mercadorias admitidas no regime que, no todo ou em parte, deixarem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas aos seguintes procedimentos: I no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, em até trinta dias do prazo fixado para exportação: a) devolução ao exterior; (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). c) destinação para consumo das mercadorias remanescentes, com o pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos; ou (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). d) entrega à Fazenda Nacional, livres de quaisquer despesas e ônus, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebêlas; (Incluído pelo Decreto nº 7.213, de 2010). II no caso de renúncia à aplicação do regime, adoção, no momento da renúncia, de um dos procedimentos previstos no inciso I; e III no caso de descumprimento de outras condições previstas no ato concessório, requerimento de regularização junto ao órgão concedente, a critério deste. (grifos não originais) A simples leitura combinada dos referidos preceitos legal e regulamentar, deixa claro que o cumprimento do regime drawback suspensão depende da comprovação de que o insumo importado foi utilizado integralmente no processo de industrialização do produto exportado, ou seja, após ser submetido a processo de beneficiamento ou utilizado diretamente na fabricação do produto exportado, integrandoo fisicamente, ou, no mínimo, sendo consumido no processo produtivo do produto exportado, conforme estabelecido no ato concessório emitido pela Secex. Assim, se a regra legal determina a vinculação física entre insumo importado e produto exportado, não tem relevância o nome atribuído ao requisito da vinculação física (se princípio da vinculação física ou da identidade, ou regra ou critério da vinculação física etc), mas o fato de que o insumo importado deve ser integralmente aplicado no processo de fabricação do produto exportado, de acordo com o estabelecido no ato concessório do regime. Em consonância com o requisito da vinculação física, no caso de inadimplemento total ou parcial do compromisso de exportar, ao beneficiário do regime é permitido regularizar a totalidade ou parte do insumo importado mediante as seguintes providências: a) devolução ao exterior; b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; c) destinação para consumo das mercadorias remanescentes, com o pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos; ou d) entrega à Fazenda Nacional, livres de quaisquer despesas e ônus, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebêlas. Entretanto, se configurado o inadimplemento total ou parcial do regime, sem adoção das referidas providências, dentro do prazo de até 30 (trinta) dias contado a partir da data limite para a exportação fixada no ato concessório, os tributos suspensos em razão da Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.801 14 aplicação do regime passam ser imediatamente exigíveis por meio de lançamento de ofício, com os acréscimos legais devidos, conforme anteriormente demonstrado. Por força da referida exigência legal, as portarias editadas pela Secex também condicionam o adimplemento do regime drawback suspensão ao cumprimento do requisito da vinculação física. A título de exemplo, citase o art. 155 da Portaria Secex 25/2008, a seguir transcrito: Art. 155. O inadimplemento do regime será considerado: I total: quando não houver nenhuma exportação que comprove a utilização da mercadoria importada ou adquirida no mercado interno, se no regime de drawback verdeamarelo ou integrado; (alterado pela Portaria SECEX n° 09, de 06 de maio de 2009, que entra em vigor no dia 18 de maio de 2009) II parcial: se existir exportação efetiva que comprove a utilização de parte da mercadoria importada ou adquirida no mercado interno, se no regime de drawback verdeamarelo ou integrado. (alterado pela Portaria SECEX n° 09, de 06 de maio de 2009, que entra em vigo r no dia 18 de maio de 2009) § 1º O inadimplemento poderá ocorrer em virtude do descumprimento de outras condições previstas no ato de concessão. § 2º O DECEX, por meio do SISCOMEX, poderá promover o inadimplemento automático, quando o AC contiver importação efetiva vinculada e não possuir registro de exportação averbado ou nota fiscal lançada pela empresa, exceto quando observado o art. 152. (grifos não originais) Portanto, diferentemente do alegado pela recorrente, havia sim nas portarias da Secex vigentes na data da concessão do regime e do registro das operações de importação determinação expressa, que condicionava o adimplemento do regime drawback suspensão (comum) à comprovação da utilização integral do insumo importado no produto exportado. E se a comprovação fosse parcial, da mesma forma, o do regime também seria adimplido apenas parcialmente. Assim, se os referidos preceitos normativos exige o integral cumprimento do requisito da vinculação física entre insumo importado e produto exportado, logo, não era permitida a substituição do insumo importado por outro insumo, idêntico ou equivalente, da mesma espécie, qualidade e quantidade, nacional ou estrangeiro, este importado ou adquirido no mercado interno. Somente a partir de 28 de julho de 2010, data da vigência do art. 8º da Medida Provisória 467/2010, que deu nova redação ao art. 17 da Lei 11.774/2008, o critério da vinculação física do drawback suspensão foi flexibilizado, para, em caráter excepcional, permitir que os insumos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes pudessem “ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes”, desde que atendidas as condições e as formalidades estabelecidas em ato conjunto da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.802 15 A redação definitiva do art. 17 da Lei 11.774/2008 foi dada pelo art. 32 da Lei 12.350/2010, resultante da conversão da referida Medida Provisória, o qual passou a ter o seguinte teor, in verbis: Art. 17. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação nos regimes aduaneiros suspensivos, destinados à industrialização para exportação, os produtos importados ou adquiridos no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídos por outros produtos, nacionais ou importados, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importados ou adquiridos no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 1o O disposto no caput aplicase também ao regime aduaneiro de isenção e alíquota zero, nos termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. (Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 12.350, de 2010) § 2o A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a Secretaria de Comércio Exterior disciplinarão em ato conjunto o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) grifos não originais. Atualmente, a matéria encontrase regulamentada no art. 402A do RA/2009, incluído pelo Decreto 8.010/2013, que tem a redação que segue transcrita: Art. 402A. Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação no regime de drawback, na modalidade de suspensão, as mercadorias importadas ou adquiridas no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídas por outras mercadorias equivalentes, conforme definição constante do § 1º do art. 383, importadas ou adquiridas sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes (Lei nº 11.774, de 2008, art. 17, caput, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 32). (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 1º O disposto no caput aplicase também ao regime de drawback na modalidade de isenção (Lei nº 11.774, de 2008, art. 17, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 32). (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 2º A aplicação do disposto neste artigo fica condicionada à edição de ato normativo específico conjunto da Secretaria da Receita Federal do Brasil e da Secretaria de Comércio Exterior (Lei nº 11.774, de 2008, art. 17, § 2º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 32). (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Portanto, a partir da referida data, para fins de adimplemento do compromisso de exportação assumido no âmbito do regime do drawback suspensão, os preceitos legal e regulamentar referenciados, expressamente, permitem a substituição dos insumos importados ou adquiridos no mercado nacional, com suspensão do pagamento dos tributos incidentes, por outros equivalentes, destinados à industrialização para exportação, desde que atendidos os termos, limites e condições estabelecidos pelo Poder Executivo. Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.803 16 Porém, por ter eficácia limitada, a aplicação da referida norma ficou na dependência do cumprimento das condições e dos requisitos formais estabelecidos em ato normativo específico a ser editado conjuntamente pela RFB e Secex, o que ocorreu por meio da edição da Portaria Conjunta RFB/Secex 1.618/2014, que inclui na Portaria Conjunta RFB/Secex 467/2010 o art. 5ºA5, em que fixadas as condições para o adimplemento do regime drawback suspensão, e o art. 6ºA6, em que estabelecidos os requisito formais para a fiscalização do cumprimento do compromisso de exportação do regime. 5 Art. 5ºA Para efeitos de adimplemento do compromisso de exportação no regime de que trata o art. 1º, as mercadorias importadas ou adquiridas no mercado interno com suspensão do pagamento dos tributos incidentes podem ser substituídas por outras, idênticas ou equivalentes, nacionais ou importadas, da mesma espécie, qualidade e quantidade, importadas ou adquiridas no mercado interno sem suspensão do pagamento dos tributos incidentes. (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) § 1º Poderão ser reconhecidas como equivalentes, em espécie e qualidade, as mercadorias que, cumulativamente: (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) I sejam classificáveis no mesmo código da NCM; (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) II realizem as mesmas funções; (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) III sejam obtidas a partir dos mesmos materiais; (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) IV sejam comercializadas a preços equivalentes; e (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) V possuam as mesmas especificações (dimensões, características e propriedades físicas, entre outras especificações), que as tornem aptas ao emprego ou consumo na industrialização de produto final exportado informado. (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) § 2º O disposto no caput: (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) I não alcança a hipótese de empréstimo de mercadorias com suspensão do pagamento dos tributos incidentes entre pessoas jurídicas distintas; (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) II admitese também nos casos de sucessão legal, nos termos da legislação pertinente; (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) III poderá ocorrer, total ou parcialmente, até o limite da quantidade admitida sob o amparo do regime, apurada de acordo com a unidade de medida estatística da NCM prevista para cada mercadoria. (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) § 3º Ficam dispensados, para fins de verificação de adimplemento do compromisso de exportação, controles segregados de estoque das mercadorias fungíveis referidas no caput, sem prejuízo dos controles contábeis previstos na legislação. (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) § 4º A apuração da equivalência de preços mencionada no inciso IV do § 1º será efetuada descontandose a variação cambial, podendo ainda ser acatadas alterações no preço da mercadoria de até 5% (cinco por cento) em relação ao valor das mercadorias originalmente adquiridas no mercado interno ou importadas. (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) § 5º Não se aplica o disposto no inciso IV do § 1º às mercadorias idênticas, assim consideradas aquelas iguais em tudo, inclusive nas características físicas, qualidade e reputação comercial, admitidas pequenas diferenças na aparência. (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) § 6º O disposto neste artigo aplicase a fatos geradores ocorridos a partir de 28 de julho de 2010, desde que cumprida a formalidade prevista no parágrafo único do art. 6ºA. (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) § 7º Não será considerada a equivalência de mercadorias nas operações em que for constatada a ocorrência de fraude ou prática de preços artificiais, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) 6 Art. 6ºA Para fins de fiscalização do cumprimento do compromisso de exportação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) levará em consideração as operações cursadas ao amparo do regime segundo o critério contábil de ordem primeiro que entra, primeiro que sai (PEPS). (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) Parágrafo único. O beneficiário do regime deverá prestar, na forma e nos prazos estabelecidos pela RFB, informações adicionais relativas às operações conduzidas ao amparo desta Portaria. (Incluído(a) pelo(a) Portaria Conjunta RFB Secex nº 1618, de 02 de setembro de 2014) Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.804 17 Assim, a partir da vigência e plena eficácia desse novo arcabouço normativo, inequivocamente, o critério ou princípio da fungibilidade ou equivalência, antes restrito ao drawback isenção, também passou a ser admitido, em caráter excepcional, no âmbito do regime drawback suspensão, desde que atendidas as condições e os requisitos estabelecidos na citada Portaria Conjunta RFB/Secex. Ao flexibilizar a aplicação do requisito da vinculação para os insumos equivalentes, a novel redação do art. 17 da Lei 11.774/2008, atribuída pelo art. 32 da Lei 12.350/2010, ratifica o entendimento aqui esposado, no sentido de que, antes de 28 de julho de 2010, data da vigência e plena eficácia da citada norma, por expressa determinação legal, o regime drawback suspensão era incompatível com a regra ou princípio da fungibilidade ou equivalência. No caso em tela, como as operações de importação foram registradas entre 14/2/2008 e 31/3/2010, a recorrente estava obrigada a cumprir o requisito da vinculação física, sem qualquer flexibilização, haja vista que os fatos geradores dos tributos objeto das presentes autuações ocorreram antes de 28 de julho de 2010, data que entrou em vigor o novo regramento legal em comento. Assim, por se tratar de incentivo fiscal efetivado por meio de isenção concedida de forma individualizada, conforme admitido pela própria recorrente, por força do art. 179 do CTN, regulamentado pelo art. 121, caput, do RA/2009, a autuada estava obrigada a provar, perante a autoridade fiscal, o cumprimento do requisito da vinculação física do regime drawback suspensão, que lhe fora concedido por meio dos atos concessórios de fls. 254/935. No entanto, embora intimada pela fiscalização, no curso do procedimento fiscal, a comprovar o cumprimento do requisito da vinculação, a recorrente informou que: a) utilizara na produção dos produtos exportados amêndoas estrangeiras, importadas ao amparo do regime, e amêndoas nacionais, adquiridas no mercado interno; e b) não possuía controle específico, para fim de observância do requisito da vinculação física, porque não havia necessidade da segregação entre as amêndoas importadas e as adquiridas no mercado nacional, porque se tratava de insumo fungível, uma vez que possuía a mesma qualidade técnica. No recurso em apreço, a recorrente alegou que não estava obrigada a cumprir o requisito da vinculação física, porque a comprovação das condições e requisitos do regime drawback suspensão somente poderia ser exigida pelo Decex (órgão pertencente à Secex), no momento da baixa do ato concessório. Porém, como não havia exigência da apresentação de qualquer prova do cumprimento do referido requisito perante o citado órgão, fosse nas Portarias Secex 25/2008, 10/2010 e 23/2011, vigentes no período de baixa dos atos concessórios, que ocorrera no período de 25/5/2010 a 18/7/2011, ou em qualquer outro ato normativo ou legal. No âmbito do regime drawback suspensão, a atividade do Decex limitase à concessão do regime e ao acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar (art. 517 da Portaria Secex 25/2008), o que é feito com base nas informações eletrônicas prestadas pelo próprio beneficiário do regime no módulo específico de drawback no Siscomex (“Módulo Drawback Suspensão Web”). E ao assim proceder, o beneficiário do 7 Art. 51. Compete ao DECEX a concessão do regime de drawback, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.805 18 regime fica dispensado da apresentação de documentos impressos, tanto na fase de habilitação, quanto na fase de comprovação das operações amparadas pelo regime. Porém, tais documentos deverão ser mantidos em poder do beneficiário do regime, para eventual verificação por parte do Docex (art. 125 da Portaria Secex 25/2008). Logo, de acordo com o art. 131 da Portaria Secex 25/2008, a atividade de verificação do adimplemento do compromisso de exportação pelo Decex é feita com base apenas nas informações eletrônicas, prestadas pelo próprio beneficiário do regime, sobre as importações e as exportações realizadas. E se os valores e quantidades constantes do compromisso assumido forem idênticos aos valores das importações e exportações registrados no sistema, automaticamente, o sistema emite a comprovação. Dessa forma, fica demonstrado que a atividade do Decex limitase a concessão do regime e, posteriormente, a verificação do adimplemento do compromisso de exportar, com base nas informações eletrônicas prestadas pelo próprio beneficiário do regime no Siscomex. Em razão da precariedade desse controle, que se limita a mera confrontação de informações prestadas pelo próprio beneficiário do regime, há no parágrafo único do art. 152 do da Portaria Secex 25/2008, expressa ressalva que, por estar sujeita a verificação posterior por RFB, o Decex não fornece atestado de adimplemento do regime. Nesse sentido, confira a redação do citado preceito normativo, que segue transcrito: Art. 152. A liquidação do compromisso de exportação no regime de drawback, modalidade suspensão, ocorrerá mediante: [...] Parágrafo único. O DECEX não fornecerá atestado comprovando o adimplemento do regime, uma vez que a situação do ato concessório de drawback ficará registrada no módulo específico drawback do SISCOMEX, e estará disponível à Secretaria da Receita Federal e aos demais órgãos ou entidades envolvidas no controle, por acesso eletrônico no SISCOMEX, para as providências cabíveis. Portanto, ao contrário do alegado, os atos normativos editados pela Secex reconhecem a competência da RFB para fiscalizar o cumprimento do regime. Tal competência também foi expressamente atribuída pelo art. 3º da Portaria MEFP 594/1992, a seguir transcrito: Art. 3o Constitui atribuição do Departamento da Receita Federal – DpRF8 a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, nesta compreendidos o lançamento de crédito tributário, sua exclusão em razão de reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente. (grifos não originais) De acordo com o citado comando normativo, é da RFB a competência para fiscalizar o regular cumprimento dos requisitos e condições do regime drawback suspensão, com a finalidade de verificar o adimplemento das obrigações assumidas no ato de concessão do regime, bem como o cumprimento das condições e requisitos estabelecidos na legislação, especialmente, o requisito da vinculação física entre insumo importado e produto exportado. 8 Secretaria da Receita Federal do Brasil, atualmente. Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.806 19 Da leitura do inteiro teor da referida Portaria, que dispõe sobre o regime aduaneiro especial drawback, inferese que a atuação dos dois órgãos ocorre em momentos distintos e de forma complementar. À Secex compete a concessão, acompanhamento e verificação do compromisso de exportação, logo, ela atua na fase anterior, durante e após a vigência do regime. À RFB compete a aplicação e a fiscalização do cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos no ato concessório e na legislação, portanto, ela atua durante o regime (na fase de despacho aduaneiro, ao reconhecer a suspensão dos tributos) e após o término do regime (normalmente, após a emissão o Decex pronunciarse sobre o adimplemento total ou parcial do compromisso de exportação), quando procede a fiscalização das importações e exportações vinculadas ao regime, para verificação do cumprimento dos requisitos e condições do regime, o lançamento dos tributos devidos ou o reconhecimento definitivo do benefício fiscal etc. No mesmo sentido, já se manifestou a Coordenação de Tributação (Cosit) da RFB, por meio do Parecer Cosit 53/1999, de onde se extrai os seguintes trechos relevantes: 6.5 De conformidade com o art. 2o da Portaria MEFP no 594, de 25 de agosto de 1992, “constitui atribuição da Secretaria Nacional de Economia SNE, nos termos do art. 2o da Lei no 8.085, de 23 de outubro de 1990, a concessão do regime, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar”. 6.6 Acrescentese que essa atribuição da Secretaria Nacional de Economia, exercida anteriormente pelo Departamento de Comércio Exterior (Decex), é da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), que com a extinção da SNE pela Lei no 8.490, de 19 de novembro de 1992, atualmente detém a competência para a concessão do regime de drawback. 6.7 O art. 3o da referida Portaria MEFP no 594, de 1992, determina que “constitui atribuição do Departamento da Receita Federal DpRF a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, nesta compreendidos o lançamento de crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente”. 6.8 O art. 6o da citada Portaria MEFP no 594, de 1992, estabelece que “a SNE (atual Secex) fará constar de documento específico, que instruirá o despacho aduaneiro das mercadorias importadas, a concessão do benefício e sua modalidade”, ao passo que, de conformidade com o art. 8o, “a aplicação do regime de “drawback”, pela repartição aduaneira basearseá nas informações contidas no documento referido no art. 6o.” 6.9 O órgão detentor da competência para concessão do regime de drawback a Secex, compreendidos nessa competência tanto os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização quanto o acompanhamento e a verificação do compromisso de exportar, ou seja, é o órgão responsável pelo controle administrativo, tais como: prazo de exportação e demais compromissos assumidos, análise dos Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.807 20 comprovantes de exportação e conclusão pela adimplência ou inadimplência do compromisso de exportar. 6.10 A Secex examina as questões relativas ao plano de exportação, vinculação dos insumos importados ao produto a ser exportado, processo produtivo, prazo para exportação, e emite um documento específico, com todos esses dados, especificando, ainda, a modalidade de drawback concedida. Portanto, a emissão do ato concessório é feita pela Secex e a aplicação do regime, baseada nas informações contidas no referido ato, é feita pela repartição aduaneira (SRF). 6.11 O ato concessório de drawback um documento obrigatório para instrução do despacho aduaneiro, juntamente com o requerimento do importador, por meio do qual é solicitada a isenção ou suspensão dos tributos, com base na concessão do regime pela Secex. Dessa forma, o ato concessório é um pressuposto para o requerimento de isenção e suspensão, e não um ato constitutivo de seu direito, que somente se efetiva após a aprovação do citado requerimento pela autoridade fiscal. 6.12 Esclareçase que, no despacho aduaneiro de mercadoria importada ao amparo de drawback, deverá ser requerida, conforme o caso: a suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação, para a mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou que se destine à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; a isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento do produto exportado. Já na modalidade restituição, o interessado requer o incentivo num prazo não superior a 90 dias contados da data da exportação e nesse momento deverá comprovar o desembaraço aduaneiro dos insumos ou matériasprimas utilizados no produto exportado. 6.13 À SRF compete a aplicação do regime mediante reconhecimento do benefício, se verificada a compatibilidade da legislação às mercadorias objeto do ato concessório; a fiscalização das importações vinculadas ao regime; o lançamento dos tributos, que abrange o lançamento do crédito tributário e sua exclusão em razão do reconhecimento do benefício fiscal. 6.14 O reconhecimento da isenção ou redução do imposto será, na forma do art. 134 do Regulamento Aduaneiro, efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade fiscal, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão (Lei no 5.172, de 1966, art. 179 CTN). Além disso, não se pode olvidar que as prerrogativas da RFB e de seus Auditores Fiscais, em matéria de competência para fiscalizar o cumprimento da legislação relativa a tributos tem precedência sobre os demais órgãos e é de índole constitucional, uma vez que expressamente atribuída no art. 37, XVIII, da Constituição Federal de 1988. Com base nessa competência, uma vez constatada qualquer irregularidade, que implique exigência de crédito tributário, a autoridade fiscal tem o poderdever de realizar o lançamento do crédito Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.808 21 tributário, sob pena de responsabilidade funcional, conforme expressamente dispõe o art. 142 do CTN. E por ser o regime drawback suspensão uma espécie de isenção sob condição resolutória, portanto, sujeita a evento futuro e incerto (adimplemento dos requisitos e condições do regime), em conformidade com disposto no art. 179, § 2º, combinado com o artigo 155, ambos do CTN, o crédito tributário, obrigatoriamente, deverá ser lançado sempre que constatado que o contribuinte não cumpriu ou deixou de satisfazer os requisitos legais para concessão de tal benefício fiscal. Enfim, cabe ressaltar ainda que o entendimento aqui esposado está em consonância com a jurisprudência deste Conselho, explicitada por meio da Súmula CARF nº 100, de obrigatória adoção pelo membros deste Órgão de julgamento, cujo enunciado segue transcrito: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Com base nessas considerações, chegase a conclusão de que, ao contrário do que alegou a recorrente, a RFB tem sim competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos e condições da modalidade do regime drawback suspensão, incluindo o requisito da vinculação física. De outra parte, por força do disposto no art. 179 do CTN, regulamentado pelo art. 121, caput, do RA/2009, a recorrente e beneficiária do regime estava obrigada a comprovar que os insumos importados foram integralmente exportados, sob a forma de produtos acabados. Do pedido de produção de prova pericial. Em caráter alternativo, a recorrente alegou que, caso este Colegiado não acatasse a alegação de nulidade da decisão recorrida e entendesse que a vinculação física era um requisito do regime drawback suspensão, era imperioso que o julgamento fosse convertido em diligência, para realização de perícia técnica, com vistas a determinar, com base nos seus controles, a quantidade de amêndoas de cacau importadas, sob o regime de drawback suspensão, que foram efetivamente utilizadas na fabricação dos produtos exportados no âmbito do referido regime. Previamente, cabe informar que o presente pedido de perícia atende os requisitos formais do art. 16, IV, do Decreto 70.235/1972, uma vez que formulado o quesito a ser respondido e indicado o nome, o endereço e qualificação do profissional do seu perito. E, nos tópicos precedentes, a alegação de nulidade da decisão recorrida foi rejeitada e a necessidade do cumprimento do requisito da vinculação física pelo beneficiário do regime devidamente demonstrada. Entretanto, em face das características do objeto a ser analisado (sistema de controle de estoque), este Relator entende que, revelase de todo dispensável a realização de prova pericial, porque, sabidamente, a produção desse tipo de prova somente se revela necessária quando a especificidade ou a complexidade da matéria a ser examinada demanda a Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.809 22 participação de pessoas especializadas no assunto. Dada essa peculiaridade, o deferimento da realização desse tipo de prova somente se justifica se presente a necessidade de conhecimento técnicos ou científicos sobre o objeto a ser examinado, o que, obviamente, não se vislumbra no caso em tela, posto que se trata da análise de um mero sistema de controle de estoque, que a recorrente alegou possuir e que a autoridade fiscal confirmou a sua existência, segundo exposto nos excertos extraídos do Termo de Verificação Fiscal, que seguem transcritos: 1. A referida empresa mantém controles e registros dos seus estoques de amêndoas de cacau (segregadas por origem) importadas sob o regime aduaneiro de drawback, bem como de todas as amêndoas de cacau adquiridas no mercado interno, que ficam armazenadas por origem e por lotes, cujas amostras foram previamente analisadas e classificadas, segundo suas diferentes propriedades. 2. Quanto aos produtos acabados, constatouse que a empresa possui controles eficazes para identificar a alocação que foi feita de amêndoas importadas e nacionais, inclusive quanto à classificação por tipo, com exatidão, em cada produto produzido. Esta afirmação se baseia no controle existente no depósito das amêndoas (segregadas por origem, classificação e propriedades orgânicas) e no controle com base na “Planilha de Linha” que estabelece o percentual de cada lote de amêndoas que alimenta a fábrica com base nessas mesmas características, inclusive segregando por origem (se nacionais ou importadas). E, na outra ponta, os produtos acabados são identificados com um código que informa o dia do ano em que foi produzido, a unidade fabril e a linha de produção utilizada (conjunto de máquinas especializada naquele tipo de produto) e, ainda, o turno de trabalho (o horário em que foi produzido). Ou seja, há um número de série que individualiza os produtos acabados. Portanto, perfeitamente rastreáveis. 3. E há necessidade e interesse da fiscalizada em individualizar e identificar seus produtos acabados, pois precisam atender às características negociadas com seus clientes quando da formalização dos pedidos, conforme nos informou o Sr. Uildson, Supervisor de Produção da Fábrica. Também foinos informado que a razão da mistura das amêndoas de cacau no processo produzido também se deve a dosagens de níveis de acidez, unidade e teor de gordura, além de outras propriedades naturais diferenciadas por origens de colheita que são influenciadas por características de solo, clima, técnicas agronômicas e variedades de planta. De acordo com as características dos produtos acabados negociados com os clientes, é preciso fazer composições por características de amêndoas conjugadas com processos químicos adequados para obterse o tipo negociado. Um dado obtido com o Sr. Uildson e que ilustra essa necessidade é que, quase sempre, as amêndoas produzidas na Bahia possuem nível de acidez menor do que as produzidas no resto do mundo, variando até 20% em média menor. E esta é uma característica da matériaprima que impacta diretamente na qualidade do produto final. 4. Outro ponto que facilita a rastreabilidade da composição das amêndoas de cacau (em percentual de origens nacionais e importadas, inclusive propriedades orgânicas) é o fato de que cada receita de composição que alimenta as linhas de produção permanece sem alteração por dias, semanas ou até meses, dependendo das Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.810 23 características e propriedades das amêndoas de cacau disponíveis serem compatíveis com as características dos produtos acabados que se deseja produzir, segundo nos foi informado durante esta visita. 5. Portanto, diante do conjunto de informações acima, esta fiscalização chegou à conclusão de que a fiscalizada tem controle eficiente com o objetivo de garantir aos seus clientes que os produtos acabados possuem determinadas características em função das seguintes variáveis: dos tipos de amêndoas de cacau utilizadas (tipos I, II, III ou não conforme, ou combinação de tipos), das propriedades orgânicas (níveis de acidez, unidade e teor de gordura, além de outras propriedades naturais diferenciadas por origens) e dos processos químicos utilizados. Esta garantia é dada em função do controle por código de rastreamento de determinado momento da produção, acima citado, que garante um número de série para cada produto, mediante o qual se consegue saber, com exatidão, a composição de todas essas variáveis em cada lote (composto por pacotes/caixas individualmente identificados e empilhados em palets) de cada produto. Este código de rastreamento (expresso em número e em código de barras) é o mecanismo de identificação que diferencia cada produto com diferentes padrões de composição e qualidade que, no plano negocial, justifica, perante seus clientes, as diferenças dos tipos de pó, torta, manteiga ou líquor produzidos. Conseqüentemente, a rastreabilidade das amêndoas de cacau por origem (nacionais ou importadas) é, sem sombra de dúvidas, inerente ao controle existente, proporcionando saber (há qualquer momento) qual a quantidade de amêndoas importadas (inclusive o país de origem) que foi utilizada para produzir determinado lote de pó de cacau, via número de série de cada lote de produto acabado (que informa o dia da produção) combinada com a “Planilha de Linha” (que informa os percentuais de amêndoas nacionais e importadas) que alimentaram a fábrica naquele momento. (grifos do original) Cabe ainda esclarecer que as constatações resumidas nos excertos transcritos foram obtidas pela autoridade fiscal durante visita ao estabelecimento fabril da recorrente, para fim de conhecer o seu processo produtivo. O relato completo e pormenorizado da citada visita, além das fotos e cópias de documentos de controle da matériaprima e da qualidade dos produtos acabados, encontrase registrado no Termo de Visita e Constatação de fls. 182/193. A autoridade fiscal ainda relatou que, durante a referida visita, constatou que a recorrente possuía um sistema de controle rígido de separação das matériasprimas por origem e por classificação de tipos (qualidade), inclusive quanto às características orgânicas (físicas) decorrentes de origem e de qualidade, o que provava que as amêndoas de cacau de diversas origens e classificação não eram equivalentes nem fungíveis. De outra parte, embora intimada a apresentar os Livros Registro de Controle de Produção e Estoque do período fiscalizado, a recorrente limitouse a apresentar “Relatório de Controle de Produção e Estoque”, que, segundo a fiscalização, não atendia (em nenhum aspecto formal ou de conteúdo) ao que fora por ela solicitado, principalmente, por não conter os lançamentos operação por operação, nem as totalizações diárias, e deste modo não refletia a realidade fabril da fiscalizada, o que o tornava imprestável para averiguar o cumprimento do requisito da vinculação física entre matériaprima importada e produto exportado. Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.811 24 Com base nessas constatações, a autoridade fiscal chegou a conclusão de que a escrituração do controle de produção apresentado apenas servira para evidenciar que, a margem da escrituração fiscal regular, a fiscalizada possuía um sistema de controle e segregação de todos os insumos e produtos manufaturados, com rastreabilidade total do insumo utilizado, inclusive quanto à origem deste insumo, conforme dados apresentados no “Relatório de Resumo Mensal” e “Relatório de Posição Diária de Fábrica” colacionados aos autos (fls. 936/1479). E partir do confronto desses dois relatórios com o citado Termo de Visita e Constatação, concluiu que a fiscalizada detinha “registros confiáveis e com rastreabilidade capaz de afirmar a vinculação física das matériasprimas de diversas origens e características orgânicas com os produtos acabados exportados.” Porém, apesar de possuir tais controles, asseverou que a fiscalizada não se dignara apresentálos, em cumprimento ao que determinava o art. 179 do CTN, nem eles estavam refletidos na contabilidade e na escrituração fiscal, principalmente, nos Livros Registro de Controle de Produção e Estoque. De outra parte, no recurso em apreço, a autuada alegou que: a) era capaz de rastrear os lotes de amêndoas de cacau utilizados na fabricação de cada lote de produto final, pois este controle era imprescindível na indústria alimentícia, especialmente para fins rastreamento, caso fosse identificado algum problema em determinada amostra do produto final; b) não possuía um controle específico de vinculação física, porque tal controle não lhe era exigido pela legislação, conforme previa o art. 113, § 2º, do CTN, entretanto, c) os controles que possuía não lhe permitia informar prontamente, tal como solicitado pela fiscalização, o percentual de amêndoas de origem nacional e o correspondente às amêndoas importadas utilizadas na fabricação dos produtos exportados sob cada um de seus atos concessórios de drawback; d) no entanto, caso esse Colegiado entendesse que a vinculação física era um requisito do regime drawback suspensão, o que aventava, mas não admitia, asseverou que era necessária a elaboração de uma perícia técnica nos referidos controles de estoque, para fim de “determinar a quantidade de amêndoas de cacau por ela adquiridas sob o regime de drawback que foram efetivamente utilizadas na fabricação de produtos exportados sob o referido regime.” Embora a legislação não tenha especificado um sistema controle específico de vinculação física, para fim de comprovação do requisito da vinculação física, certamente, a recorrente deveria dispor de um sistema de controle de estoque que possibilitasse a fiscalização confirmar o cumprimento do referido requisito. E no caso em tela, a própria fiscalização informou que a recorrente dispunha de um sistema de controle de estoque que permitia a “rastreabilidade das amêndoas de cacau por origem (nacionais ou importadas)”, e que, no curso do procedimento fiscal, os dados do referido sistema lhe foram apresentados no “Relatório de Resumo Mensal” e “Relatório de Posição Diária de Fábrica” colacionados aos autos (fls. 936/1479). Da conclusão. Por todo o exposto, votase pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a fiscalização da unidade da Receita Federal de origem, com base no Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10508.720559/201414 Resolução nº 3302000.542 S3C3T2 Fl. 1.812 25 “Relatório de Resumo Mensal” e “Relatório de Posição Diária de Fábrica” colacionados aos autos (fls. 936/1479), proceda a apuração da quantidade e do valor dos insumos importados que entraram na composição dos produtos exportados. Entretanto, se os dados contidos nos citados relatórios revelaremse insuficientes para tal apuração, a recorrente deverá ser intimada a apresentar, em meio magnético e de acordo com as especificações da fiscalização, os elementos necessários para a realização da referida apuração, que deverá ser atendido dentro do prazo estabelecido. De qualquer forma, se os dados obtidos revelaremse suficientes para apuração dos insumos importados e incorporados aos produtos exportados, a fiscalização deverá refazer os demonstrativos de apuração do II (Anexo III fls. 1481/1482) e da Contribuição para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação (Anexo IV fls. 1483/1484). Após, com ou sem a realização da referida apuração, a fiscalização deverá elaborar relatório fiscal conclusivo e cientificar a recorrente de todo o trabalho realizado para, se desejar, dentro do prazo de 30 (trinta) dias), manifestarse a respeito. Enfim, com ou sem manifestação da recorrente, os autos deverão retornar a este Colegiado, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19 /10/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2016 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 13864.720159/2014-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não é inquinada de nulidade a decisão que adota, parcial ou integralmente, excertos de outras decisões ou o relatório da acusação fiscal, se, comprovadamente, foram apreciados pelos julgadores, todos os fatos, argumentos e provas trazidos aos autos.
ÁGIO. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO
No caso da amortização do ágio, independentemente do ano em que o mesmo tenha sido gerado, o Fisco somente pode verificar a regularidade da dedução a partir do momento em que o sujeito passivo passa a deduzi-lo de seus resultados, fluindo, a partir daí, o início do prazo de decadência, e não da data do registro do ágio.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO - DEDUTIBILIDADE.
A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, absorver o patrimônio de outra que dela detenha participação societária adquirida com ágio, poderá amortizar o valor do ágio, cujo fundamento seja o de expectativa de rentabilidade futura, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, conforme artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532, de 1997.
Numero da decisão: 1402-002.336
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as arguições de nulidade e de decadência e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não é inquinada de nulidade a decisão que adota, parcial ou integralmente, excertos de outras decisões ou o relatório da acusação fiscal, se, comprovadamente, foram apreciados pelos julgadores, todos os fatos, argumentos e provas trazidos aos autos. ÁGIO. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO No caso da amortização do ágio, independentemente do ano em que o mesmo tenha sido gerado, o Fisco somente pode verificar a regularidade da dedução a partir do momento em que o sujeito passivo passa a deduzilo de seus resultados, fluindo, a partir daí, o início do prazo de decadência, e não da data do registro do ágio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO DEDUTIBILIDADE. A pessoa jurídica que, em virtude de incorporação, absorver o patrimônio de outra que dela detenha participação societária adquirida com ágio, poderá amortizar o valor do ágio, cujo fundamento seja o de expectativa de rentabilidade futura, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, conforme artigos 7º e 8º, da Lei nº 9.532, de 1997. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 01 59 /2 01 4- 30 Fl. 2966DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.967 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as arguições de nulidade e de decadência e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei. Fl. 2967DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.968 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 5ª Turma da DRJ/RPO em sessão de 26 de maio de 2015 (fls. 2867/2890)1, que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve os lançamentos perpetrados pelo Fisco, em Acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 AUDITORIA FISCAL EM PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Desse procedimento somente não pode implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos passados. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN) ou do fato gerador (art. 150, §4o. do CTN), conforme o caso. IRPJ E CSLL. GLOSA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. RENTABILIDADE FUTURA NÃO COMPROVADA. LAUDOS EXTEMPORÂNEOS. Correta a glosa de amortização de ágio cuja rentabilidade futura não restar comprovada ao tempo da operação. MULTA DE OFICIO ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFICIO PROPORCIONAL. À luz da legislação vigente, inclusive Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal, que deve ser observada pelo julgador administrativo de 1ª Instância, é cabível a exigência da multa de oficio isolada concomitante com a multa de oficio proporcional, em face das mesmas infrações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido São três as infrações imputadas pela Fiscalização, conforme autos de infração de IRPJ e CSLL (fls. 2395/2415), a saber: 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 2968DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.969 4 Infração 0001 – Adições não Computadas na Apuração do Lucro Real – Despesas Indedutíveis (Ágio) Infração nº 0002 – Compensação indevida de Prejuízo – Saldo insuficiente Infração nº 0003 – Multa Isolada – Falta ou Insuficiência de Recolhimentos de Estimativas De se destacar que as infrações nº 0002 e 0003 são decorrentes da infração nº 0001, ou seja, só se exteriorizam em razão dos lançamentos perpetrados pelo Fisco em razão de possível não adição às bases imponíveis de IRPJ e CSLL de despesa indedutível (ágio). DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo o Relatório Fiscal (fls. 2361/2383), as irregularidades foram assim descritas: “ATIVIDADE ECONÔMICA DA FISCALIZADA: Tratase de empresa pertencente agrupo multinacional norte americano, e que atua no ramo de engenharia mecânica, com destaque na área de tecnologia e sistemas de movimento e controle para os setores automobilístico, industrial e aeroespacial. A empresa obteve receita bruta de R$ 690 milhões em 2010. LANÇAMENTO DE OFÍCIO: Em decorrência da conclusão da fiscalização pela não dedutibilidade fiscal de despesas com ágio na aquisição de participações societárias. Os ágios foram amparados em laudos técnicos extemporâneos e com valor de avaliação da adquirida superior ao devido, além de não ter havido o pagamento integral do quantum da aquisição utilizado para o cálculo do ágio de uma das adquiridas. Foi lavrado em 20/03/2013 Termo de Início de Fiscalização, através do qual o sujeito passivo foi intimado a apresentar demonstrativos de valores informados nas suas DIPJ, mormente relativos a despesas dedutíveis. (...) O sujeito passivo pediu em 25/09/2013 uma prorrogação de prazo para atendimento, e em 07/10/2013 protocolizou resposta juntando documentos referentes às aquisições societárias e comprovações dos pagamentos das referidas aquisições. Foram solicitados por novo Termo de Intimação Fiscal lavrado em 27/11/2013 os balancetes mensais do ano de 2008 da adquirida Detroit Plásticos e Metais S.A., o que a fiscalizada atendeu em 10/01/2014. (...) Novo Termo de Intimação Fiscal foi lavrado em 14/03/2014, solicitando a apresentação dos cálculos relativos aos ágios, os períodos de apuração em que os valores foram deduzidos e Fl. 2969DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.970 5 esclarecimento a respeito de parte do valor da aquisição da Detroit. A fiscalizada protocolizou resposta em 25/04/2014. Em 08/05/2014 foi lavrado outro Termo de Intimação Fiscal, desta vez questionando a existência de outras documentações além dos laudos técnicos apresentados e também solicitando esclarecimentos a respeito de lançamento contábil no balancete de dezembro de 2008 da empresa Detroit e outros detalhes a respeito de parte do valor de aquisição da Detroit. Não tendo havido resposta para esta última intimação, em 26/06/2014 foi lavrado Termo de Reintimação Fiscal. (...) Em 18/07/2014 o sujeito passivo solicitou prorrogação de prazo para atendimento, tendo sido concedida pela fiscalização extensão até o dia 25/07/2014. Contudo, a empresa não respondeu a estes últimos questionamentos da fiscalização. Transcorridos os prazos para a ampla manifestação do sujeito passivo, considerou a fiscalização que as informações e documentações obtidas nos autos se faziam suficientes para a devida análise e conclusão do procedimento fiscal, dentro do seu escopo estabelecido. (...) 2.1 – DOS VALORES DEDUZIDOS A TÍTULO DE DESPESAS COM ÁGIOS PAGOS EM AQUISIÇÕES SOCIETÁRIAS Considerando as intimações realizadas pela fiscalização no curso do procedimento fiscal e as respectivas respostas do sujeito passivo, verificase que a empresa considerou como despesas dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido as seguintes despesas com amortização de ágio: (...) 2.2 – DA DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS COM ÁGIO PAGO NA AQUISIÇÃO DA EMPRESA DETROIT A Detroit Plásticos e Metais S.A, CNPJ 02.495.590/000104, era empresa industrial produtora de válvulas, conexões e materiais termoplásticos principalmente para o setor automobilístico, com receita líquida de R$ 40 milhões no ano de 2008. A fiscalizada PARKER HANNIFIN adquiriu, em 01/12/2008, a totalidade das ações da Detroit, em tese, pelo preço de R$ Fl. 2970DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.971 6 67.000.000,00 conforme item 3 do respectivo Contrato de Compra e Venda de Ações. Através de Termos Fiscais o sujeito passivo foi intimado a apresentar os documentos comprobatórios da origem do ágio (aquisição) e de seu custo (valor original pelo qual ingressou em seu patrimônio) e, quanto à sua amortização, justificar, comprovando, sua condição de despesa dedutível. Para comprovar a aquisição, o sujeito passivo apresentou em 07/10/2013 cópias de Atas e Alterações de Contrato Social e cópias dos comprovantes de pagamento das aquisições e em 25/04/2014 uma cópia parcial do Contrato particular de Compra e Venda de Ações. Em síntese, abaixo, constam os termos da aquisição: Com base nisso, o sujeito passivo, conforme planilha entregue em anexo à sua petição de resposta entregue em 25/04/2014, calculou nos termos abaixo o ágio pago e a potencial despesa dedutível: A potencial amortização do ágio pago teria se tornado possível com a incorporação da adquirida (DETROIT) pela adquirente (PARKER) em 30/12/2008, ou seja apenas um mês após a aquisição, nos termos aprovados pela 33ª Alteração do Contrato Social da fiscalizada. Em seguida, a fiscalização analisa a dedutibilidade fiscal das despesas referentes à amortização de ágio com a aquisição da empresa DETROIT. 2.2.1 – DA INADEQUABILIDADE DO LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO DA EMPRESA DETROIT Fl. 2971DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.972 7 No Regulamento do Imposto de Renda, a aquisição de participação societária em empresas controladas ou coligadas é tratada no Subtítulo III (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção IV (Outros Resultados Operacionais). Ao que importa de momento, dispõe o art. 385: (...) Em síntese, a legislação exige que, quando da ocasião da aquisição da participação societária, a mesma seja desdobrada, havendo que se registrar contabilmente o ágio e o seu respectivo fundamento econômico, lançamentos estes que devem estar amparados em documento técnico hábil. O sujeito passivo alega que a referida aquisição da DETROIT foi realizada com ágio, e que este estaria fundamentado em expectativa de rentabilidade futura da adquirida. Para tanto, apresentou, em resposta protocolizada em 12/07/2013, cópia de Laudo de Avaliação EconômicoFinanceira da empresa DETROIT, efetuado pela empresa BDO Consultores. Entretanto, o referido Laudo foi finalizado e entregue pela BDO Consultores em 30/09/2009, portanto, 10 (dez) meses após a data em que foi firmada a aquisição (01/12/2008). Assim, fica claro que a aquisição, quando realizada, não se baseou em perspectiva de rentabilidade futura da companhia, pelo menos em bases concretas. Notese que a lei exige que o fundamento do ágio esteja amparado tecnicamente, não bastando a mera suposição ou pressentimento do adquirente. Destacase que o contribuinte foi intimado através de Termo lavrado em 08/05/2014 a apresentar qualquer outro demonstrativo técnico que amparasse o ágio pago na aquisição da Detroit, termo este não atendido. Posteriormente, em 26/06/2014, foi reintimado a fazêlo, e, apesar de ter solicitado uma prorrogação de prazo, ainda assim restou silente. Fato é que o art. 20 do Decreto nº 1.598, de 1977, acolhido no RIR, transcrito acima, fixa clara e taxativamente o momento em que se deve desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio líquido e em ágio ou deságio, assim como o seu fundamento econômico: por ocasião da aquisição da participação. Ademais, a posterioridade do referido laudo não se coaduna com a boa prática contábil. O princípio da oportunidade de que trata o art. 6º da Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993, reza que: (...) Pelo exposto, sendo extemporâneo o laudo técnico de avaliação apresentado pelo sujeito passivo, não há suporte legal para eventual dedutibilidade para fins fiscais das despesas de amortização com o ágio da DETROIT. De toda forma, apenas para argumentar, ainda que fosse possível à fiscalização aceitar o referido laudo para os fins desejados pelo sujeito passivo, as questões a seguir abordadas Fl. 2972DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.973 8 inviabilizam a aceitação na íntegra dos valores deduzidos a título de ágio da DETROIT. 2.2.2 – DO NÃO PAGAMENTO NA ÍNTEGRA DO PREÇO DE COMPRA ACORDADO PARA A AQUISIÇÃO DA EMPRESA DETROIT Conforme consta do item 3.1 do Contrato Particular de Compra e Venda de Ações entre a PARKER e os então acionistas da Detroit, conforme resumo à Tabela 2 acima, o preço de compra acordado para 100% das ações era de R$ 67.000.000,00, conseqüentemente com ágio de R$ 49.245.366,70, conforme se vê pela Tabela 3 supra. Destacase que a amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do resultado. A possibilidade de deduzila prevista no art. 386, III, do RIR/99 art. 7º, III, da Lei 9.532/97 e art. 10 da Lei 9.718/98 submetese a condições, entre as quais se encontra a efetivação de investimento, com pagamento de ágio por rentabilidade futura. Ou seja, é pré requisito que tenha havido o efetivo pagamento do custo total da aquisição, inclusive do ágio. Em petição protocolizada nesta repartição fazendária em 07/10/2013, o sujeito passivo juntou, anexas, cópias de comprovantes de depósito e extratos bancários que corroborariam o pagamento da aquisição da empresa Detroit. Ocorre que, compulsando tal documentação, estão comprovados pagamentos que totalizam a monta de R$ 58.800.000,00, conforme tabela abaixo: Tal montante coincide, na verdade, com o total exposto no item 3.3 do Contrato Particular de Compra e Venda de Ações. No mesmo contrato se verifica que a diferença, no valor de R$ 8.200.000,00, se constituiu de “garantia” retida pelo adquirente para a cobertura de eventual necessidade de pagamento de indenizações. Ao que importa, ao menos quando da ocorrência da aquisição, não houve o pagamento dos R$ 67.000.000,00, e sim de R$ 58.800.000,00. Por isso, através de Termo de Intimação lavrado em 08/05/2014 o contribuinte foi intimado a informar quanto e quando foram pagos os valores referentes à chamada “garantia” de R$ Fl. 2973DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.974 9 8.200.000,00, termo aliás não atendido. Posteriormente, em 26/06/2014, foi reintimado a fazêlo, e, apesar do pedido de prorrogação de prazo, se absteve de apresentar resposta a este item. É de se notar que, conforme cronograma constante do item 7.1.2, o 5º aniversário do referido Contrato se sucedeu em 01/12/2013. Por outro lado, embora pesquisas nos sistemas da RFB tenham indicado, através de retenções de IR a título de ganho de capital em nomes dos acionistas vendedores (Tabela 4), a possibilidade de que uma parte (pequena) do montante da “garantia” tenha sido paga, os dados não foram conclusivos e, ademais, como se descreveu, o contribuinte foi intimado e reintimado a esclarecer a questão mas preferiu não fazêlo. Não resta outra opção a não ser considerar que o valor do pagamento da aquisição societária da Detroit foi de R$ 58.800.000,00, visto que não pode a fiscalização considerar qualquer espécie de acordo entre as partes que amplie o valor da aquisição sem o efetivo pagamento do mesmo. Afinal, a referida “garantia” poderia ser acordada em qualquer valor, mas ao fisco cabe levar em conta o efetivo pagamento ocorrido pela aquisição. Em decorrência disso, o cálculo da amortização mensal da Tabela 3 não é válido para fins de dedução fiscal, pois somente o valor positivamente pago pode ser utilizado para o cálculo do ágio. Dentro deste contexto que, reitera a fiscalização, apenas serve para fins de argumentação em tese, seria o seguinte a parcela dedutível do ágio da Detroit caso o laudo técnico não fosse extemporâneo (item 2.2.1 deste Relatório). Considerando o valor amortizável mensal de R$ 684.089,44 do ágio da Detroit ao invés dos R$ 820.756,11 calculados inicialmente pelo sujeito passivo, concluise que o montante anual dedutível seria em tese de R$ 8.209.073,34 (e não R$ 9.849.073,32 conforme consta na Tabela 1). Assim, caso o laudo da BDO não fosse extemporâneo, ainda não seria dedutível do IRPJ e da CSLL a despesa de ágio no quantum anual de R$ 1.639.999,98, que deveria ser glosado e acrescido na base de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anos sob ação fiscal (no caso 2009, quando se iniciou a amortização do ágio da Detroit, e 2010). Entretanto, ainda que não fosse considerado precluso o laudo da BDO, e mais ainda, que fosse comprovado o pagamento integral da chamada “garantia” retida pela adquirente quando da compra das ações da Detroit, ainda assim a amortização, Fl. 2974DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.975 10 como pretendida pelo sujeito passivo, não poderia ser aceita nos termos iniciais, em razão do que se expõe a seguir. 2.2.3 – DA INCORREÇÃO DO VALOR DO EQUITY VALUE APURADO NO LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO DA EMPRESA DETROIT Como destacado no item anterior, a legislação permite em tese que a partir de incorporação de empresa controlada, eventual ágio pago quando da aquisição venha a partir de então ser amortizado para fins fiscais, desde que o fundamento para o pagamento do ágio tenha sido a perspectiva de rentabilidade futura da adquirida. E tal fundamento deve estar comprovado por demonstrativo a ser arquivado juntamente com a escrituração contábil. Obviamente, a idéia é a de que o pagamento de ágio esteja justificado em bases técnicas, sem o que o mesmo (o ágio) não teria o condão de ser posteriormente amortizado e deduzido para fins fiscais. Ou seja, é prérequisito a lisura na avaliação da empresa adquirida. Conseqüentemente, para uma aquisição societária feita em valor superior ao patrimônio líquido da adquirida ter o ágio pago dedutível, é essencial a existência de demonstrativo (laudo técnico hábil e isento, por exemplo) que demonstre a perspectiva futura de rentabilidade da adquirida, e mais ainda, qual seria o valor presente da adquirida sob esta perspectiva. Uma vez conhecido este valor presente, a adquirente poderia atribuir de forma consciente uma proposta de compra sob esta perspectiva (de rentabilidade futura). Assim, qualquer valor pago acima do valor presente da rentabilidade futura da adquirida trazida a valor presente, embora sendo ágio, não estaria sujeito a dedutibilidade fiscal. Como visto no item anterior, a PARKER não tinha como ter adquirido a empresa DETROIT baseada em perspectiva futura de rentabilidade simplesmente porque o laudo técnico apresentado não existia à época da aquisição. Mas, supondo, apenas para argumentar, que o laudo da BDO existisse à época dos fatos. O referido laudo efetuou a avaliação da adquirida utilizando a metodologia de fluxo de caixa descontado (Discounted Cash Flow). Com base em projeções futuras para um determinado horizonte de projeção, obtevese o Fluxo de Caixa Livre (FCL), que é trazido a valor presente (VP) a uma adequada taxa de desconto. O mesmo se faz com o valor residual (além do horizonte de projeção), no caso o fluxo de caixa considerado padrão pode ser perpetuado após o último ano de projeção. A soma do VP do FCL e do VP da perpetuidade resulta no Enterprise Value, que no caso do laudo da BDO foi de R$ 69,862 milhões (conforme fl. 73 do mesmo). Na última etapa, se determina o Equity Value, ou seja, o “valor final” da empresa. Fl. 2975DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.976 11 Para isso, é deduzida do Enterprise Value a dívida líquida, sendo ainda somados e/ou subtraídos os ativos e os passivos não operacionais existentes na database da avaliação. Ocorre que, conforme premissas constantes da fl. 59 do referido laudo, a database da avaliação foi 31/12/2008, tendo sido utilizados os balancetes de 31 de dezembro de 2006, 2007 e 2008. Nestes termos, verificase a necessidade de se proceder a uma correção no cálculo do Equity Value. Isto porque, detendonos ao balancete em 31/12/2008 da Detroit, apresentado pelo sujeito passivo em anexo à resposta de 10/01/2014, notase que o valor referente à rubrica de “Outras Obrigações”, no Exigível a Longo Prazo do Balancete, é de R$ 18,910 milhões, e não de R$ 1,000 milhão, conforme considerado no cálculo do Equity Value pelo laudo. Não há dúvida de que se trata da mesma conta, visto que a 3ª nota de rodapé ao cálculo (fl. 73 do laudo), informa que o valor se refere a “empréstimos com empresas coligadas”. Por esta razão, recalculandose o Equity Value, se tem: Portanto, ao invés do valor de R$ 72,774 milhões (conforme consta da conclusão do laudo à fl. 79 do mesmo), o Equity Value recalculado é de R$ 54,865 milhões. No caso em questão, tal diferença é relevante, pois, segundo consta da Tabela 2, o preço total da aquisição teria sido de R$ 67.000.000,00 (ou R$ 58.800.000,00 conforme item 2.2.2 do presente Relatório). Pelo acima exposto, considerando que o valor pago pela Detroit foi superior ao VP da adquirida considerando a sua rentabilidade futura (Equity Value), o cálculo da amortização mensal da Tabela 3 não é válido para fins de dedução fiscal. Embora o montante da linha 3 da Tabela 3 possa se considerar ágio, não seria a sua totalidade que seria dedutível, mas somente aquela parcela supostamente amparada por laudo técnico referente à rentabilidade futura da adquirida, conforme determina a legislação. Neste escopo que, reafirma a fiscalização, tão somente se presta para fins de argumentação em tese, seria a seguinte a parcela dedutível do ágio da Detroit caso o laudo técnico da BDO não fosse extemporâneo (item 2.2.1 deste Relatório). Fl. 2976DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.977 12 Considerando o valor amortizável mensal de R$ 618.500,00 do ágio da Detroit ao invés dos R$ 820.756,11 calculados inicialmente pelo sujeito passivo, concluise que o montante anual dedutível seria em tese de R$ 7.422.000,00 (e não R$ 9.849.073,32 conforme consta na Tabela 1). Assim, mesmo que o laudo da BDO fosse tempestivo, não seria dedutível do IRPJ e da CSLL a despesa de ágio no quantum anual de R$ 2.427.073,32, que deveria ser glosado e acrescido na base de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anos sob ação fiscal (no caso 2009, quando se iniciou a amortização do ágio da Detroit, e 2010). 2.3 – DA DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS COM ÁGIO PAGO NA AQUISIÇÃO DA EMPRESA ATENAS A Atenas – Indústria e Exportação Ltda., CNPJ 61.071.114/000117, era empresa industrial produtora de componentes para refrigeração, com receita líquida de R$ 4,5 milhões no ano de 2001. A fiscalizada, PARKER HANNIFIN, adquiriu, em 04/10/2001, a totalidade das ações da Detroit, pelo preço de R$ 5.256.744,27. Através de Termos Fiscais o sujeito passivo foi intimado a apresentar os documentos comprobatórios da origem do ágio (aquisição) e de seu custo (valor original pelo qual ingressou em seu patrimônio) e, quanto à sua amortização, justificar, comprovando, sua condição de despesa dedutível. Para comprovar a aquisição, o sujeito passivo apresentou em 07/10/2013 cópias de Atas e Alterações de Contrato Social, cópia do comprovante de pagamento da aquisição e uma cópia do Contrato de Subscrição de Ações. Em síntese, abaixo, constam os termos da aquisição: Com base nisso, o sujeito passivo, conforme planilha entregue em anexo à sua petição de resposta entregue em 25/04/2014, Fl. 2977DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.978 13 calculou nos termos abaixo o ágio pago e a potencial despesa dedutível: A potencial amortização do ágio pago teria se tornado possível com a incorporação da adquirida (ATENAS) pela adquirente (PARKER) em 30/12/2004, nos termos aprovados pela 26ª Alteração do Contrato Social da fiscalizada. Em seguida, a fiscalização analisa a dedutibilidade fiscal das despesas referentes à amortização de ágio com a aquisição da empresa ATENAS. 2.3.1 – DA INADEQUABILIDADE DO LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO DA EMPRESA ATENAS No Regulamento do Imposto de Renda, a aquisição de participação societária em empresas controladas ou coligadas é tratada no Subtítulo III (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção IV (Outros Resultados Operacionais), conforme art. 385 supra transcrito (item 2.2.1 do presente Relatório). Em síntese, a legislação exige que, quando da ocasião da aquisição da participação societária, a mesma seja desdobrada, havendo que se registrar contabilmente o ágio e o seu respectivo fundamento econômico, lançamentos estes que devem estar amparados em documento técnico hábil. O sujeito passivo alega que a referida aquisição da ATENAS foi realizada com ágio, e que este estaria fundamentado em expectativa de rentabilidade futura da adquirida. Para tanto, apresentou, em resposta protocolizada em 12/07/2013, cópia de Laudo de Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira da ATENAS, efetuado pela empresa Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda. Entretanto, o referido Laudo foi finalizado e entregue pela Deloitte em 14/03/2006, portanto, 4 (quatro) anos 5 (cinco) meses após a data em que foi firmada a aquisição (04/10/2001). Assim, fica claro que a aquisição, quando realizada, não se baseou em perspectiva de rentabilidade futura da companhia, pelo menos em bases concretas. Notese que a lei exige que o fundamento do ágio esteja amparado tecnicamente, não bastando a mera suposição ou pressentimento do adquirente. Destacase que o contribuinte foi intimado através de Termo lavrado em 08/05/2014 a apresentar qualquer outro demonstrativo técnico que amparasse o ágio pago na aquisição da Detroit, termo este não atendido. Posteriormente, em Fl. 2978DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.979 14 26/06/2014, foi reintimado a fazêlo, e, apesar de ter solicitado uma prorrogação de prazo, ainda assim restou silente. Fato é que o art. 20 do Decreto nº 1.598, de 1977, acolhido no RIR, transcrito acima, fixa clara e taxativamente o momento em que se deve desdobrar o custo de aquisição em valor de patrimônio líquido e em ágio ou deságio, assim como o seu fundamento econômico: por ocasião da aquisição da participação. Ademais, a posterioridade do referido laudo não se coaduna com a boa prática contábil. É o que ensina o princípio da oportunidade (vide item 2.2.1 do presente Relatório). Pelo exposto, sendo extemporâneo o laudo técnico de avaliação apresentado pelo sujeito passivo, não há suporte legal para eventual dedutibilidade para fins fiscais das despesas de amortização com o ágio da ATENAS e, portanto, não é dedutível do IRPJ e da CSLL a despesa de ágio no quantum anual de R$ 795.348,91 (Tabela 1), que deve ser glosado e acrescido na base de cálculo do IRPJ e da CSLL do ano de 2009 sob ação fiscal (no caso o ano de 2009 foi quando se encerrou a potencial amortização do ágio da Atenas, iniciado em janeiro de 2005, após a incorporação da mesma pela fiscalizada em 30/12/2004). 3 – DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE IRPJ E CSLL 3.1 – DESPESA DE ÁGIO NÃO DEDUTÍVEL – ADIÇÃO AO LUCRO REAL O contribuinte optou pelo lucro real anual tanto para o ano calendário 2009, conforme DIPJ ND 0001012721, quanto para o anocalendário 2010, DIPJ ND 0001480281. Os valores de IRPJ e CSLL apurados nas DIPJ estão de acordo os valores declarados nas DCTF, juntadas aos autos. No ano de 2009 as amortizações de ágio na aquisição das empresas Detroit e Atenas foram lançadas como despesas para a apuração do lucro operacional, enquanto que em 2010 foram lançadas as amortizações de ágio na aquisição da Detroit (o ágio referente à aquisição da Atenas terminou em 12/2009). Ocorre que, conforme o exposto no item 2 deste Relatório, as referidas despesas não cumpriram as disposições dos arts. 385 e 386 do RIR, caracterizandoas como não dedutíveis do ponto de vista fiscal. Por esta razão, deve a fiscalização recompor o lucro real e a base de cálculo da CSLL dos anos de 2009 e 2010, por meio de adição, nos termos do art. 249 do mesmo Regulamento: (...) 3.2 – COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL EM 2010 Conforme a Tabela 10 do item 3.1, houve redução no prejuízo fiscal e na base de cálculo negativa da CSLL do contribuinte para o ano de 2009. Fl. 2979DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.980 15 Ocorre que, considerando estas glosas e os saldos de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL que o sujeito passivo em questão detinha até o anocalendário de 2008, ele não possuía os montantes utilizados para compensação do IRPJ e CSLL apurados no ano de 2010, motivo pelo qual se faz necessário proceder à glosa destas compensações com conseqüente lançamento de ofício dos tributos devidos, conforme a tabela abaixo: (...) 3.3 – VALORES DO AUTO DE INFRAÇÃO Com base nos valores das “Tabelas 10, 11 e 12” supra, procedese ao lançamento de ofício do IRPJ e CSLL pela adição de despesas de amortização de ágio não dedutíveis (item 3.1) e por saldo insuficiente de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL (item 3.2): (...) DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA Sobre os valores apurados através de lançamento de ofício foi acrescida multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), definida no inc. I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, além de juros de mora à taxa Selic, devidos nos termos do art. 61, §3º da Lei nº 9.430/96, tudo conforme demonstrativos constantes dos Autos de Infração. 5 – DO LANÇAMENTO DE MULTAS ISOLADAS Em decorrência do exposto nos itens 3.1 e 3.2, a fiscalização recompôs a base de cálculo mensal do IRPJ e da CSLL do contribuinte nos anos sob fiscalização, nos termos constantes dos Anexos I (ano de 2009) e II (ano de 2010). DA IMPUGNAÇÃO (fls. 2427/2466) Contrapondose ao trabalho fiscal, a autuada interpôs impugnação (com juntada de documentos às fls. 2467/2646), assim resumida, conforme relatado pela decisão recorrida: “...no momento da aquisição de participações societárias sujeitas à equivalência patrimonial, as pessoas jurídicas brasileiras são obrigadas a desdobrar o custo de Fl. 2980DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.981 16 aquisição em valor de patrimônio líquido do investimento adquirido e ágio (sendo este equivalente à diferença entre o preço de aquisição da participação societária e o valor de patrimônio líquido da participação adquirida). Então, caso haja liquidação do investimento adquirido com ágio mediante incorporação, fusão ou cisão, envolvendo a empresa adquirente e a empresa/participação societária adquirida, a pessoa jurídica sobrevivente tem o direito de amortizar o ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura em, no mínimo, cinco anos, desde que exista demonstração suportando o mesmo ágio em expectativa de rentabilidade futura da empresa/participação adquirida. E há somente quatro requisitos para o registro e amortização de ágio baseado em expectativa de rentabilidade futura: (i) a aquisição de participação societária; (ii) custo de aquisição superior ao valor de patrimônio líquido da participação societária adquirida; (iii) fundamento do ágio decorrente de expectativa de rentabilidade futura e (iv) liquidação do investimento adquirido mediante incorporação, fusão ou cisão envolvendo a empresa adquirente. No presente caso o questionamento das dd. autoridades fiscais está limitado apenas e tãosomente ao cumprimento dos requisitos "ii" (determinação do efetivo custo de aquisição da participação societária na Detroit) e "iii" (comprovação de que o ágio amortizado em razão da aquisição das empresas Detroit e Atenas tem por fundamento a expectativa de rentabilidade futura destas). Dessa forma, não há dúvida de que os demais requisitos mencionados acima ("i" e "iv) foram integralmente observados pela Impugnante, motivo pelo qual sequer serão abordados na presente impugnação. Diante desse cenário, a Impugnante passa a demonstrar que (i) o ágio amortizado está suportado na expectativa de rentabilidade futura das empresas Detroit e Atenas, (ii) que não há razão para exclusão do montante de R$ 8.200.000,00 do custo de aquisição da Detroit, bem como que (iii) o ajuste feito pelas dd. autoridades fiscais no valor da Detroit referente a rubrica "Outras Obrigações" do Exigível a Longo Prazo é improcedente. (...) Resta claro, portanto, que nas operações sob análise, realizadas em período anterior à vigência Lei n.° 12.973/14, não havia data limite para apresentação do laudo de suporte do ágio, carecendo de fundamento legal as acusações fiscais nesse sentido. Mas não é só! A afirmação das dd. autoridades fiscais de que a aquisição das empresas Detroit e Atenas não teria sido baseada na expectativa de rentabilidade futura destas, além de infundada, não condiz com a realidade dos fatos. Fazse necessário ressaltar, desde já, que, embora evidente, a I Impugnante não desembolsaria qualquer valor, principalmente o vultoso montante de R$ 72.256.744,27, sem realizar a prévia avaliação das referidas empresas e, conseqüentemente, sem precisar o correto valor de mercado destas. Ainda, tratandose de participação societária detida por terceiros, por óbvio que a Impugnante somente realizaria a aquisição das empresas Detroit e Atenas se Fl. 2981DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.982 17 houvesse a expectativa de obter um retorno sobre tais investimentos. Assim, o simples fato de a Impugnante ter decidido adquirir tais empresas por preço acordado com os vendedores já é suficiente para concluir ou ao menos supor que havia expectativa de rentabilidade futura. Nesse cenário, devese ressaltar que em momento anterior à aquisição das empresas Atenas e Detroit a própria administração da Impugnante já havia realizado extensos estudos econômicos e financeiros para avaliálas e, consequentemente, para definir o I preço de compra. É o que se verifica da apresentação anexa (Doc. 02), preparada pela Impugnante em 15 de agosto de 2008, quem contém uma síntese da avaliação da empresa Detroit. Referida apresentação foi elaborada com base em análises financeiras e de mercado realizadas pela Impugnante e submetida à sua matriz, sediada nos Estados Unidos da América, para que esta analisasse e, caso estivesse de acordo, aprovasse a aquisição da Detroit. Oportuno ressaltar que, conforme se verifica da apresentação em referência, a possível compra da Detroit já era considerada pela Impugnante desde outubro de 2005 e somente não foi concretizada por determinação da matriz da Impugnante. Aludida apresentação contemplou as seguintes informações: (i) aspectos gerais da Detroit (i.e. data de fundação, número de funcionários, linha de produtos); (ii) motivação para aquisição; (iii) volume de vendas, percentual de margem bruta, retorno i sobre as vendas, número de dias necessários para venda do inventário, número de dias necessários para recebimento do pagamento após a venda e a taxa composta de crescimento anual; (iv) projeção de crescimento anual de vendas, de crescimento da margem bruta, de despesas administrativas, gerais e de vendas, de lucro antes de juros e impostos, de retorno em ativos líquidos e retorno em capital investido; (v) a previsão do fluxo de caixa descontado para o período e o valor para a aquisição; (vi) conclusões da due diligence e considerações adicionais. Cumpre ressaltar que o preço de compra da Detroit foi definido com base na metodologia do fluxo de caixa descontado — método mundialmente aceito para se obter o valor econômico de uma empresa de acordo com sua expectativa de geração de caixa (rentabilidade) no futuro devidamente suportada por planilha elaborada pela Impugnante para lastrear a recomendação de aquisição da empresa Detroit (Doc. 03). A análise da planilha em questão permite verificar que, com base na expectativa de rentabilidade futura, o valor de mercado da Detroit seria de R$ 79.807.301,56. Assim, considerando que o valor efetivamente pago pela Impugnante para aquisição da referida empresa foi de R$ 67.000.000,00, fica absolutamente claro que o ágio correspondente à diferença entre o preço e o valor patrimonial da empresa corresponde a expectativa de rentabilidade futura. Exatamente a mesma conclusão é verificada em relação à aquisição da empresa Atenas. Para essa aquisição, a Impugnante também preparou apresentação (Doc. 04) contendo um resumo da avaliação da Atenas, que foi submetida à sua matriz para aprovação da aquisição. Em tal apresentação foram contempladas as seguintes informações: (i) preço de aquisição (valor de mercado, valor a ser pago, múltiplo de EBTIDA); (ii) sumário da avaliação; (iii) projeção de retorno sobre os ativos líquidos; (iv) histórico da Fl. 2982DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.983 18 empresa; (v) motivos para aquisição da empresa e (vi) projeção de aumento de vendas. (...) Nessa análise, as empresas independentes concluíram que: (i) o valor de mercado da Detroit seria de R$ 72.774.000,00 e (ii) o valor de mercado da Atenas seria de R$ 5.595.000,00. A despeito de os valores de mercado apontados pelas empresas independentes terem sido inferiores àqueles projetados internamente pela Impugnante (aproximadamente 10% para a Detroit e 20% para a Atenas), tal fato não teve impacto na determinação do fundamento econômico do ágio, pois o preço pago na aquisição das empresas foi inferior ao valor de mercado indicado nos laudos. Concluise, portanto, que (i) os ágios registrados com base em expectativa de rentabilidade futura estão devidamente suportados pelos estudos realizados internamente pela Impugnante, bem como que (ii) os laudos de avaliação econômica preparados pela BDO Consultores Ltda. e pela Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda. apenas confirmaram a avaliação realizada pela Impugnante. Por fim, não se pode deixar de ressaltar que as dd. autoridades fiscais não apresentaram qualquer argumento técnico que pudesse invalidar os estudos apresentados pela Impugnante e, principalmente, a expectativa de rentabilidade futura projetada nos referidos estudos. (Como se verifica da autuação, o único questionamento técnico das dd. autoridades fiscais em relação aos laudos recaiu sobre o valor considerado a título "Outras Obrigações", do Exigível a Longo Prazo para a determinação do valor da Detroit. Além de essa alegação ser improcedente conforme será demonstrado pela Impugnante em tópico adiante fica claro que as dd. autoridades fiscais não questionaram os métodos ou as premissas adotados pela Impugnante, pela BDO Consultores e pela Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda. para a avaliação das empresas. Assim, concluise, novamente, pela regularidade do ágio registrado e amortizado pela Impugnante, devendo ser afastada a glosa pretendida pelas dd. autoridades fiscais. a.2. Do valor pago para aquisição da empresa Detroit As dd. autoridades fiscais afirmam, também, que para fins de registro e amortização de ágio, a Impugnante não deveria ter considerado como valor pago para aquisição da Detroit o montante de R$ 67.000.000,00, mas sim a importância de R$ 58.800.000,00, pois o valor de R$ 8.200.000,00 referese ao depósito realizado para garantia de eventual obrigação por parte dos vendedores, a qual não teria sido efetivamente pago. De acordo com o entendimento das dd. autoridades fiscais "somente o valor positivamente pago para aquisição pode ser utilizado para o cálculo do ágio". É importante salientar, desde já, que do valor total mantido em garantia (R$ 8.200.000,00), já foi transferido aos vendedores o montante de R$ 1.748.774,30, conforme se verifica da notificação de pagamento anexa (Doe. 07), emitida para o Deutsche Bank SA., bem como dos comprovantes de pagamento para os antigos acionistas (Doc. 08). Fl. 2983DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.984 19 Dessa forma, mesmo sob a ótica das dd. autoridades fiscais, não há discussão sobre essa parte do preço de aquisição das ações da Detroit, de forma que o respectivo ágio deve ser de pronto reconhecido. Portanto, eventual discussão referente ao depósito efetuado deve se restringir ao montante de R$ 6.451.225,70. Contudo, conforme será demonstrado a seguir, não há justificativa para dedução de qualquer quantia do preço de aquisição da Detroit. Como é sabido, em operações de aquisição de participação societária é prática comum a existência de condição, na qual se estabelece que parte do preço devido aos vendedores permanece depositado em conta bancária administrada por um terceiro, a fim de garantir que o comprador seja indenizado por eventuais contingências da empresa adquirida referentes ao período anterior à aquisição. Tal montante permanece depositado pelo tempo acordado entre as partes e a sua destinação dependerá do resultado das contingências identificadas. Ou seja, se I estas não se confirmarem o montante depositado será destinado ao vendedor; por outro lado, se for verificado algum evento que dê direito a indenização ao comprador, o valor depositado poderá ser sacado por ele. No presente caso, como já informado acima, a Impugnante e os antigos acionistas da Detroit acordaram que o valor de R$ 8.200.000,00 permaneceria depositado em conta administrada pelo Deutsche Bank SA, e somente poderia ser liberado com a anuência de ambas as partes, nas condições previstas no contrato (Doc. 09). Confirase: (...) A leitura da cláusula transcrita acima deixa claro que o preço para compra da totalidade das ações da Detroit foi de R$ 67.000.000,00, sendo que R$ 58.800.000,00 foram diretamente destinados aos vendedores e R$ 8.200.000,00 foram I depositados em conta bancária administrada pelo Deutsche Bank S.A. ("Agente Depositário") para assegurar que a Impugnante seria indenizada por eventuais obrigações dos vendedores referentes ao período anterior à aquisição. j Independentemente da destinação posterior dos valores depositados, não resta dúvida que para a aquisição da Detroit a Impugnante desembolsou, imediata e integralmente, o preço acertado de R$ 67.000.000,00, de forma que a segregação acima referese somente a quem os valores foram destinados: parte aos vendedores e parte ao agente depositário. O fato de que parte do preço foi segregado para garantia de eventuais obrigações dos vendedores e, mais, o fato de parte do preço não ter sido pago imediatamente aos vendedores em nada altera o custo de aquisição da participação societária. (...) Assim, se é certo que tal montante foi desembolsado pela Impugnante para adquirir a Detroit e não lhe será restituído, é evidente que deverá ser considerado como parte do custo de aquisição. Em vista do exposto, sob qualquer ângulo que se analise o presente assunto, fica claro que o custo de aquisição do investimento na Detroit foi de R$ 67.000.000,00, sendo esse o valor de referência para determinação do ágio nos termos do artigo 385 do Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 2984DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.985 20 Por fim, a d. autoridade fiscal aponta que o valor de mercado da Detroit teria sido incorretamente determinado no laudo de avaliação econômicofinanceira elaborado pela BDO, na medida em que foram consideradas "outras obrigações" no valor de R$ 1.000.000,00, quando supostamente deveriam ter sido consideradas obrigações de R$ 18.910.000,00. Com o devido respeito, equivocase a d. autoridade fiscal, uma vez que a diferença acima apontada (R$ 17.910.000,00) não se refere a uma obrigação da Detroit. Como já esclarecido acima, a BDO se utilizou da metodologia de fluxo de caixa futuro descontado a valor presente para apurar o valor da Detroit. Após projetar o montante relativo ao fluxo de caixa descontado, a BDO identificou os ativos e passivos não operacionais para obter o valor final da Detroit, conforme sintetizado no quadro abaixo, extraído do laudo de avaliação: (...) Entre os ajustes considerados pela BDO, vêse que foi subtraído valor final da Detroit o montante de R$ 1.000.000,00, referente a "Outras Obrigações" Exigível a Longo Prazo. O referido valor referese a empréstimo concedido pela Impugnante à Detroit em duas parcelas de R$ 500.000,00, nos dias 01 e 02 de dezembro de 2008, conforme se verifica dos lançamentos efetuados no Livro Razão (Doc. 10), registrados na conta contábil "Empréstimos com Empresas Ligadas" (20.01.05.04.05). Contudo, a d. autoridade fiscal afirma que no balancete da Detroit de 31 de dezembro de 2008, na conta contábil "Contas Correntes Intercompanhias" do Exigível a Longo Prazo, constava o valor de R$ 18.910.135,44, razão pela qual este deveria ter sido o montante subtraído no ajuste realizado BDO. Ocorre que, ao contrário do que afirma a d. autoridade fiscal, apenas o montante de R$ 1.000.000,00 referese a empréstimos de empresas ligadas. Os demais lançamentos efetuados em 31 de dezembro de 2008 na referida conta contábil, no valor de R$ 17.910.135,44, decorrem de ajustes contábeis realizados em razão da incorporação da Detroit pela Impugnante. Com efeito, conforme se verifica da cópia extraída do Livro Razão (Doc. 11), tais lançamentos referemse à baixa (i) do capital social da Detroit, no valor de R$ 15.710.024,09, (ii) do lucro do exercício, no valor de R$ 2.183.611,28 e (iii) das contais de apuração de IRPJ e CSLL, no montante de R$ 16.500,07. Resta claro, portanto, que os valores lançados na referida conta não representam qualquer ativo ou passivo nãooperacional da Detroit e, por tal motivo, não foram e nem deveriam ter sido considerados na avaliação conduzida pela BDO. Dessa forma, concluise que a acusação fiscal é improcedente também nesse aspecto, inexistindo qualquer incorreção no valor apurado no laudo de avaliação da empresa Detroit. b. Da decadência do direito do Fisco de questionar o ágio registrado em 2001 e 2008 Como exaustivamente demonstrado acima, a principal alegação das dd. autoridades fiscais com relação ao ágio associado à aquisição das empresas Fl. 2985DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.986 21 Detroit e Atenas consiste na suposta extemporaneidade dos laudos de avaliação que fundamentariam a expectativa de rentabilidade futura. Ocorre que se o ágio ora questionado foi registrado contábil e fiscalmente em 2001 (Atenas) e 2008 (Detroit), devese analisar a possibilidade de as dd. autoridades fiscais questionarem, em agosto de 2014, atos realizados em 2001 e 2008. Com efeito, a despeito de a amortização do ágio ter gerado efeitos tributários em 2009 e 2010, é incontestável o fato de as autoridades fiscais estarem questionando, em sua essência, um ato praticado e declarado às autoridades fiscais em 2001 e 2008. (...) Assim, o prazo quinquenal para que as autoridades fiscais pudessem validamente questionar o registro do ágio com relação à Atenas e à Detroit se encerrou em 31 de dezembro de 2006 e em 31 de dezembro de 2013, respectivamente. (...) Dessa forma, na esteira do entendimento do tribunal administrativo, devese reconhecer a impossibilidade de as dd. autoridades fiscais questionarem o ágio relativo à aquisição da participação societária na Detroit e Atenas, em razão do decurso do prazo decadencial para tanto, devendo, também por este motivo, ser cancelado o lançamento fiscal. c. Da impossibilidade de aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada Além da aplicação da multa de oficio de 75% sobre os valores de IRPJ e CSLL considerados como não recolhidos pela Impugnante, as dd. autoridades fiscais aplicaram multa isolada de 50% sobre a suposta insuficiência dos recolhimentos mensais por estimativa desses tributos. As multas que somadas representam o gravoso montante de 125% sobre a mesma situação fática, por ferir claramente os princípios da razoabilidade, do não confisco e da proporcionalidade esculpidos na Constituição Federal e de observância obrigatória pelos agentes da administração pública. Pelo exposto acima, caso as exigências de IRPJ e CSLL sejam mantidas o que se admite novamente por mera hipótese requerse seja determinado o cancelamento da multa isolada de 50%, em virtude da impossibilidade de sua exigência conjuntamente com a multa de ofício de 75%”. DA DECISÃO RECORRIDA (fls. 2867/2890) Analisando o litígio, a 5ª Turma da DRJ/RPO frisa, por seu voto condutor (fls. 2882), que “a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações da defesa, nem a todos os fundamentos nela indicados, ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão”, afasta arguições acerca de constitucionalidade de normas vigentes, por incompetência do julgador Fl. 2986DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.987 22 administrativo sobre elas se manifestar e rejeita a preliminar de “decadência” proposta pela defesa, fundandose em que “o registro do ágio na contabilidade não implica em redução de crédito tributário, em majoração de prejuízo fiscal ou em causa para lançamento de multa isolada. Repitase: o simples registro do ágio na contabilidade não implica em fato gerador de obrigação tributária ou em alteração, de qualquer ordem, na base de cálculo do IRPJ e da CSSL daquele período. Ao adquirir uma participação societária com ágio, a lei autoriza a pessoa jurídica a amortizar esse valor, na apuração dos tributos por ela devidos sobre os lucros em períodos futuros, sob determinadas condições, isso porque foi exatamente a expectativa desse lucro que justificou o ágio. Apenas nessa hipótese, o ágio pago, que nunca foi e nunca será fato gerador de nenhuma obrigação tributária, passa a influenciar na apuração da base de cálculo dos tributos devidos pela empresa que o pagou (...): o que é homologado pelo Fisco é a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte, não o ágio registrado, ou qualquer outro elemento patrimonial, ainda que definitivamente constituído. O prazo decadencial corre em face do fato gerador da obrigação tributária, e não sobre qualquer operação contabilizada”. No mérito, lembra que os lançamentos foram perpetrados em razão da inexistência de laudo contemporâneo os fatos e discorre (fls. 2887): “No entendimento majoritário deste Colegiado, as alegações da impugnante não podem prosperar, até mesmo por questão lógica. Ora, a Lei não exige um laudo, mas sim uma demonstração da expectativa de rentabilidade futura. Todavia, tal documento deve ser produzido e contabilizado ao tempo da aquisição. Do contrário, o fundamento da contabilização do ágio jamais poderia ser pela "expectativa de rentabilidade futura". Cita decisões do CARF e segue: “O voto condutor do aludido Acórdão chegou as mesmas conclusões que este colegiado de 1a. instância, qual seja: Em que pese o fato de seus aspectos extrínsecos e intrínsecos não estarem em discussão, a sua elaboração dois meses após a formalização das operações societárias que deram ensejo ao surgimento do ágio, impede, por questão lógica, que seja este o documento hábil para informar o fundamento econômico que justificou o pagamento do ágio. A inexistência do documento hábil à época da operação fere ao disposto no § 3º do art. 385 do RIR/1999, que estabelece: (...) Tal qual asseverado também no citado Acórdão CARF, resta evidente que a demonstração do fundamento deve ao mínimo ser contemporânea ao reconhecimento do ágio na escrita contábil do contribuinte. Se a legislação atual não estabelece a forma dessa demonstração, é possível deduzir do dispositivo legal que essa demonstração deva existir ao menos na data do registro da aquisição da participação societária, com vistas ao seu desdobramento contábil. Enfim, submeto ao entendimento deste Colegiado, no sentido de que apresentação de laudos produzidos extemporaneamente, ou seja, em data bem posterior à concretização do negocio, não é hábil para justificar a contabilização do ágio a título de rentabilidade futura. Quanto as demais constatações da Fiscalização entendo que também não merecem reparos, pelo que peço vênia para adotar como "razões adicionais de Fl. 2987DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.988 23 decidir”, os embasados fundamentos do Relatório Fiscal de fls. 2361/2384, acima transcritos nessa decisão. É de se registrar que tais fundamentos podem ser perfeitamente adotados neste voto, conforme disposto no art. 50 Lei 9.784 de 1999, que se aplica subsidiariamente ao PAF(verbis): Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)§ 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito”. Em relação às exigências de “multas isoladas”, assim se posicionou o I. Relator de 1º Piso (fls. 2889): “Quanto a essa matéria meu entendimento pessoal é do conhecimento de todos e também foi manifestando em dezenas de acórdãos no CARF. Todavia, a Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, ao tratar da falta ou insuficiência de pagamento da estimativa, em seus arts. 15 e 16, esclareceu que, verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa após o término do ano calendário, o lançamento de ofício abrangerá tanto a multa de ofício isolada sobre a estimativa não recolhida como o imposto devido com base no lucro real apurado no encerramento do anocalendário, acrescido de multa de ofício e de juros de mora: (...) Na antiga redação não havia clareza quanto à independência da multa isolada e daquela recolhida juntamente com o tributo. Nos incisos I e II só estavam relacionadas as multas de 75% e 150%, que incidiam sobre o valor do tributo devido. Era perfeitamente possível interpretar o § 1º como um dispositivo que apenas explicitava a forma pela qual seriam exigidas as multas: ou de forma conjunta com o tributo devido, quando não houvesse o seu prévio recolhimento; ou de forma isolada, quando não houvesse necessidade de cobrança do tributo, porque já recolhido o principal, ou porque nada seria devido a título de principal. Desta forma, o § 1º não traria uma nova hipótese de cabimento de multa. Com a nova redação tornase clara a distinção entre as duas multas, que referemse a infrações distintas: falta de recolhimento do pagamento mensal e falta de recolhimento do tributo devido ao final do ano calendário. Logo, submetendome ao disposto no art. 7o, inciso V, da Portaria MF N° 341/2011, cumpre manter a multa de oficio isolada”. Fl. 2988DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.989 24 Para concluir (fls. 2890), que, “diante do exposto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação interposta pela Contribuinte, para manter integralmente as exigências consubstanciadas no presente processo”. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do R. decisum em 09/06/2015 (fls. 2901), a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 07/07/2015 (fls. 2904/2949), no qual, preliminarmente requer, com fulcro no artigo 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/1972 (PAF) a decretação de “nulidade” da decisão recorrida por entender: a) que as autoridades julgadoras “sequer apreciaram os argumentos e as provas produzidas pela Recorrente”; b) que a Relatoria dedicou “grande parte do voto para afirmar que o julgador não está obrigado a se manifestar sobre todas as alegações de defesa”; c) ter demonstrado, na impugnação, que as alegações do Fisco de que os laudos não serviriam para fundamentar o ágio foram improcedentes; d) que já havia realizado extensos estudos econômicofinanceiros para avaliar as futuras aquisições das duas empresas (Detroit e Atenas); e) que, “para a surpresa da Recorrente”, as autoridades julgadores mantiveram a autuação afirmando somente e de forma genérica “que a apresentação de laudos produzidos extemporaneamente não é hábil para justificar a contabilização do ágio a título de rentabilidade futura, sem tecer qualquer comentário sobre os demais argumentos e documentos apresentados com a impugnação”; f) ser de fácil verificação não ter havido pela decisão recorrida, “ainda que minimamente, qualquer análise (...) das questões postas pela Recorrente em sede de impugnação”, pelo que, “é cristalina a ofensa aos princípios da motivação, do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, sendo de rigor o reconhecimento da nulidade da r. decisão (...), por inobservância ao disposto no artigo 31 do decreto 70.235/72”; g) que a decisão recorrida, ao invés de se aprofundar na análise da impugnação e dos documentos apresentados pela recorrente, preferiu acolher, “sumariamente, os argumentos trazidos no Relatório Fiscal, com base no parágrafo 1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/99 (...) que sequer é aplicável ao presente caso, pois (...), deve ser utilizado apenas de forma subsidiária no processo administrativo fiscal”; h) que, “o Relatório Fiscal é elaborado pela d. autoridade fiscal no mesmo momento em que o auto de infração é lavrado, ou seja, em momento anterior à apresentação da impugnação e, consequentemente, não contempla a análise dos argumentos de defesa produzidos pelo contribuinte”; Fl. 2989DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.990 25 i) que, assim, “é evidente que as dd. autoridades julgadoras não podem adotar como razão de decidir um documento produzido pela autoridade fiscal sem que as razões de defesa apresentadas pela contribuinte sequer tenham sido analisadas”; j) que, a se admitir tal procedimento, “as dd. Autoridades julgadoras poderiam proferir decisão administrativa simplesmente apontando que o Relatório Fiscal estaria correto, sem realizar qualquer exame de provas e dos argumentos de defesa e, a decisão estaria motivada”. k) que, contrariamente ao afirmado pela decisão recorrida, “não há qualquer dispositivo legal que desobrigue as dd. autoridades julgadoras de analisar todas as alegações e provas apresentadas em sede de defesa”. No mérito, repisa basicamente os mesmos argumentos apostos por ocasião da impugnação apresentada junto à DRJ, reclama ter havido “decadência”, o que impediria a consecução dos lançamentos e, por fim, insurgese contra os lançamentos de multas isoladas, por pugnálas indevidas e em duplicidade. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 2990DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.991 26 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Começo pelo pedido da recorrente de que “seja decretada a nulidade da decisão recorrida em razão de possível não apreciação das arguições, documentos e provas acostadas à impugnação, especialmente pelo fato de, “sumariamente” ter adotado “os argumentos trazidos no Relatório Fiscal, com base no parágrafo 1º do artigo 50 da Lei nº 9.784/99 (...) que sequer é aplicável ao presente caso, pois (...), deve ser utilizado apenas de forma subsidiária no processo administrativo fiscal”, além de assentar que “o julgador não está obrigado a se manifestar sobre todas as alegações de defesa”. Embora possa não ser usual, o fato de a decisão exarada adotar trechos, excertos ou mesmo amplamente o teor do TVF (ou do RF no caso), não inquina o Acórdão exarado de nulidade, desde que as razões de decidir se baseiem no rol de informações, argumentos e documentos presentes nos autos, ainda que, “sumariamente”, como dito pela defesa, apenas a elas faça referência, inclusive apoiandose em legislação subsidiária do processo administrativofiscal (Lei 9.784/1999). Assim fosse, milhares de decisões padeceriam do mesmo efeito anulatório, posto ser absolutamente corriqueiro e habitual que Acórdãos e votos adotem e sustentemse em outras decisões, outros acórdãos e outros pareceres e relatórios. Na verdade, o que importa é que o julgador tenha se debruçado sobre as provas e documentos – como provavelmente ocorreu no presente caso – e exare a sua decisão que pode ser – ou não – de sua lavra pessoal ou repetindo texto que tenha entendido cabível e inerente ao caso tratado. Assim, a Turma Julgadora de 1ª Instância, por sua Relatoria, exarou sua decisão e, em parte dela, certamente por entender pertinente ao que se apreciava – ao invés de redigir texto com o mesmo teor – preferiu assumir a dissertação desenvolvida pela Autoridade Fiscal, não significando, com isso, que não tenha ocorrido análise documental ou conceitual. Em outras palavras, por concordar com o teor da acusação fiscal naquilo que assumiu como razões de decidir, a Turma Julgadora acolheu a manifestação fiscal. E, convenhamos, que diferença faria se, ao invés de reconhecer, explícita e transparentemente, que, “quanto as demais constatações da Fiscalização entendo que também não merecem reparos, pelo que peço vênia para adotar como "razões adicionais de decidir”, os embasados fundamentos do Relatório Fiscal de fls. 2361/2384, acima transcritos nessa decisão”, o I. Relator de 1º Grau tivesse escrito, de sua própria lavra, um texto diferente no vocabulário, mas idêntico no conteúdo? Certamente nenhuma. Pelo exposto afasto a preliminar de nulidade. Em relação à outra preliminar suscitada, “decadência”, reversamente ao pensar da recorrente de que “o prazo quinquenal para que as autoridades fiscais pudessem Fl. 2991DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.992 27 validamente questionar o registro do ágio com relação à Atenas e à Detroit se encerrou em 31 de dezembro de 2006 e em 31 de dezembro de 2013, respectivamente”, há que se alertar a interessada que, como bem assentado pela decisão recorrida, “o que é homologado pelo Fisco é a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte, não o ágio registrado, ou qualquer outro elemento patrimonial, ainda que definitivamente constituído. O prazo decadencial corre em face do fato gerador da obrigação tributária, e não sobre qualquer operação contabilizada”. A recorrente alega que, em 2014, a fiscalização não poderia questionar os atos jurídicos que levaram à formação de um ágio ocorrida em 2001 e 2008, pois já haveria transcorrido o prazo de cinco anos entre tal evento e o lançamento. Com a devida vênia a este entendimento, o prazo decadencial para que a Fazenda Nacional efetue o lançamento deve ser contado, na regra geral do art. 150, § 4º, do CTN, a partir da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. No caso da amortização do ágio, independentemente do ano em que o mesmo tenha sido gerado, o Fisco somente pode verificar a regularidade da dedução a partir do momento em que o sujeito passivo passa a deduzilo de seus resultados. Antes disso, não deflui qualquer prazo decadencial em relação ao direito do Fisco verificar a regularidade do lançamento por homologação realizado pelo Sujeito Passivo. Assim, ao examinar a dedução do ágio, incumbe ao Fisco examinar por completo as operações que lhe dariam suporte, ainda que ocorridas há mais de cinco anos da data em que o lançamento vier a ser efetuado. As mutações patrimoniais verificadas na contabilidade do sujeito passivo somente têm interesse fiscal e podem ser objeto de verificação pelo Fisco a partir do momento em que produzam efeitos nos resultados tributáveis apurados pelo sujeito passivo, como ocorre, por exemplo, na depreciação dos bens adquiridos para o ativo permanente. Somente após o registro das quotas de depreciação como despesas tem o Fisco o interesse na verificação de sua regularidade, independente da data em que tal bem tenha sido adquirido. Raciocínio similar ocorre em relação à tributação do lucro inflacionário, cujo prazo decadencial somente se conta a partir do período de sua efetiva apuração, conforme Súmula 10 do CARF. Precedente deste Colegiado confirmam o tema (Ac.1402000.802): O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento do Fl. 2992DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.993 28 correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN). Ante ao exposto e tendo o lançamento sido realizado dentro do prazo decadencial previsto no art. 150,§ 4º, do CTN, voto por rejeitar a preliminar de mérito relativa à decadência. Passo ao mérito. Cuidase de apreciar a dedutibilidade das despesas com ágio contabilizadas e aproveitadas pela recorrente na composição de suas bases imponíveis de IRPJ e de CSLL nos anoscalendário de 2009 e 2010, relativamente às incorporações das empresas Detroit e Atenas. Segundo o Fisco, tais dispêndios careceriam do benefício da dedutibilidade fiscal em razão de que, em relação à aquisição da DETROIT, o laudo que justificaria o fundamento econômico (rentabilidade futura) do investimento só teria sido “finalizado e entregue pela BDO Consultores em 30/09/2009, portanto, 10 (dez) meses após a data em que foi firmada a aquisição (01/12/2008)”, ficando claro “que a aquisição, quando realizada, não se baseou em perspectiva de rentabilidade futura da companhia, pelo menos em bases concretas. Notese que a lei exige que o fundamento do ágio esteja amparado tecnicamente, não bastando a mera suposição ou pressentimento do adquirente”. No pertinente à aquisição da ATENAS, o “Laudo de Relatório de Avaliação EconômicoFinanceira da ATENAS, efetuado pela empresa Deloitte Touche Tohmatsu Consultores Ltda (..) foi finalizado e entregue pela Deloitte em 14/03/2006, portanto, 4 (quatro) anos 5 (cinco) meses após a data em que foi firmada a aquisição (04/10/2001). Assim, fica claro que a aquisição, quando realizada, não se baseou em perspectiva de rentabilidade futura da companhia, pelo menos em bases concretas. Notese que a lei exige que o fundamento do ágio esteja amparado tecnicamente, não bastando a mera suposição ou pressentimento do adquirente”. Mais ainda, diz o Fisco, haveria equívocos na elaboração do laudo da Detroit, especialmente pela “necessidade de se proceder a uma correção no cálculo do Equity Value”, tema sobre o qual disserta longamente. E complementa suas críticas ao procedimento da recorrente aduzindo que o valor efetivamente pago pela aquisição da Detroit foi de R$ 58.800.000,00 e não de R$ 67.000.000,00, posto que R$ 8.800.000,00 teriam ficado como garantia e retidos pela adquirente (recorrente), para cobertura de eventuais indenizações do negócio. De seu lado, a recorrente afirma a idoneidade e justeza dos cálculos dos laudos, diz que, na verdade, estes foram providenciados para comprovar a correção dos valores das aquisições societárias e que, na forma da legislação então vigente, sequer haveria necessidade de laudo “formal”, mas, apenas, de “demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração” (art. 385, § 3º, in fine, do RIR/1999). Principio pela análise da obrigatoriedade ou não da existência dos laudos e sua contemporaneidade às aquisições societárias havidas. A respeito prescreve a legislação (RIR/1999): Fl. 2993DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.994 29 Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II – ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I – valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II – valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III – fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). (destacouse) De prefácio, é inequívoco não haver imposição legal a que haja “laudo”, entendido este como “peça escrita, fundamentada, na qual os peritos expõem as observações e estudos que fizeram e registram as conclusões da perícia” (cf. Aurélio), mas, sim, “demonstração” (certamente mais informal) e que seja “arquivada como comprovante da escrituração”. Ora sem maiores digressões, evidente que o texto legislativo é vago e poderia dar margem a interpretações ao sabor de cada analista. Afinal, o que seria “demonstração”? Uma simples planilha matemática com números? Balanços e Demonstrações de Resultados da adquirida? Sua participação no mercado em que atua? Sua intangível “marca”? Na mesma linha, o que significaria “arquivar”? Colocar no “armário”? Na “gaveta”? Definição ainda mais subjetiva nos dias de hoje com a informatização nos níveis em que se encontra e sequer imaginável quando da edição do Decretolei nº 1.598, nos idos de 1977. Luís Eduardo Schoueri, na obra Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários), Dialética: São Paulo, 2012, assim se manifesta acerca do tema (requisitos legais fixados para o laudo de avaliação pg. 33): “A exigência legal de uma fundamentação, quando da própria formação do ágio, impõe que se identifique um instrumento para a documentação daquela motivação. Não cuidou o legislador de disciplinar a forma como a fundamentação deveria ser comprovada. O texto do parágrafo 2o do art. 20 do Decretolei n° 1.598/1977 é singelo, determinando a indicação do fundamento do ágio Fl. 2994DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.995 30 por ocasião de sua contabilização. O parágrafo 3º complementao, ao deixar a cargo do contribuinte o ônus da prova, dispondo: "§ 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração." A expressão "demonstração" é bastante ampla. Não se indica como se faz a prova. Basta que se demonstrem o lançamento e seus fundamentos. A falta de disciplina legal do tema leva à conclusão de que o contribuinte tem ampla liberdade na forma como comprovará a fundamentação adotada. O legislador impõe que se indique o fundamento por que houve o pagamento do preço, sendo rigoroso quanto ao seu aspecto temporal (no momento da aquisição, já se deve fazer o desdobramento, indicando o fundamento do ágio) mas silenciando quanto à forma. Também exige o arquivo da "demonstração". Mas não diz como deve ser feita. Ingressase no delicado tema da prova. Se é verdadeiro que o contribuinte pode valerse de qualquer meio de prova em direito admitido, não se pode deixar de observar que se está diante da prova de uma motivação, i.e., do motivo determinante da aquisição. Não há na lei qualquer requisito quanto à forma do estudo ou seu conteúdo, implicando ampla liberdade nesse aspecto”. [...] (destaques acrescidos). Já Edmar Oliveira Andrade Filho2 pontua: “A rigor, a legislação não exige a confecção de um laudo de avaliação quando diz que o contribuinte deve ter um demonstrativo do ágio apurado. No entanto, é recomendável a preparação de um laudo de avaliação com esmero técnico porque isto traz segurança jurídica para o contribuinte”. (sublinhouse). O tema foi magnificamente bem resumido em voto da Conselheira Edeli Pereira Bessa, exarado no Ac. 1101000.899 da hoje extinta 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 1ª Sejul, sessão de 11 de junho de 2013 (destaques não são do original): “Isto porque a exigência legal é no sentido de que a contribuinte mantenha comprovante de escrituração que demonstre o fundamento do ágio pago. Este comprovante deve expressar razões que justifiquem a aquisição, mas não precisa ser, necessariamente, elaborado antes ou concomitantemente com a operação. 2 “Imposto de Renda das Empresas” 10ª Ed. 2013 Atlas – SP – pg.720 Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.996 31 “A contribuinte pode possuir, apenas, estudo interno que lhe demonstre a rentabilidade futura, e depois buscar laudo técnico que o corrobore, desde que não se valha de premissas impraticáveis no passado”. Ainda no CARF, no acórdão prolatado sob nº 1102001.018, Relatoria do Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, a matéria foi enfocada: “A acusação fiscal reconhece a existência desse ágio, mas não admite a sua fundamentação e dedução com base em expectativa de rentabilidade futura, pois o laudo de avaliação apresentado para justificar o ágio foi elaborado apenas em 2006. A defesa afirma que o laudo foi elaborado em 2006, mas com data base em 30/12/2004, e que seu conteúdo foi confirmado com uma avaliação complementar, elaborada após a lavratura do auto de infração. De início, há que se ressaltar que o simples fato de o laudo ter sido el aborado posteriormente à criação do ágio não impede sua utilização para esse fim. Observese que o § 3º do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, exige que o lançamento do ágio, com a indicação de seu fundamento, deve ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Assim, a lei não exige que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço pela expectativa de resultados futuros”. (destacouse). Luís Eduardo Schoueri, na obra citada, pg. 35, leciona: “No caso da fundamentação do ágio, como visto, não há qualquer menção a laudo; basta uma demonstração, arquivada junto com os demais documentos contábeis. É prática comum, em operações societárias de maior porte, que os compradores e vendedores se façam valer da assessoria de especialistas, no mercado que se denomina mergers and acquisitions. Em circunstâncias normais, os assessores avaliarão a empresa a ser adquirida (target company), propondo ao comprador uma certa margem(range) para a fixação do preço. Ocorrendo tais circunstâncias, a apresentação à fiscalização, pelo contribuinte, do relatório que levou à tomada de sua decisão parecer ser elemento importantíssimo para a prova da fundamentação do ágio pago. A documentação assim apresentada não precisa, portanto, ter necessariamente, a forma de um laudo. Muitas vezes, a decisão se faz a partir de uma apresentação de slides, quando muito corporificados em um Fl. 2996DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.997 32 Relatório Executivo (Executive Summary), onde os principais elementos para a tomada de decisão surgem como meros tópicos (bullet points). Se essa é a prática empresarial, a exigência de um laudo de avaliação revelase formalidade descabida. A “demonstração” se faz com os documentos que de fato serviram para a tomada de decisão. Não é incomum que, depois da conclusão do negócio, produzamse laudos de avaliação com a finalidade exclusiva de atender à fiscalização. Não se pode condenar essa cautela e o laudo assim elaborado, desde que fiel às circunstâncias do negócio, pode complementar os elementos de prova, de modo a permitir que se alcance o elemento subjetivo – motivo determinante do pagamento do ágio”. (negrito acrescido). Pois bem, nos autos constam os dois “laudos” (tidos pelo Fisco como extemporâneos) fls. 121/199 (Detroit) e 200/234 (Atenas) e, em contraparte, há a juntada, pela recorrente, de centenas de documentos às fls. 2538/2574, 2659/2713, 2714/2775, 2776/2836, 2837/2862 que mostram as avaliações por ela procedidas antecipadamente à aquisição das empresas Detroit e Atenas e, óbvio, precedentemente aos laudos depois elaborados. E aí cabe a pergunta central destes autos: seriam os documentos de fls. 2538/2574, 2659/2713, 2714/2775, 2776/2836, 2837/2862 suficientes para se entender como atendidos os preceitos do § 3º, do artigo 20, do DL nº 1.598/1977, ou os “laudos” (que, na visão fiscal, são extemporâneos), seriam obrigatórios para que a dedutibilidade das despesas geradas pela amortização do ágio se confirmasse? Diversamente do pensamento da Autoridade Fiscal e da decisão recorrida e, em comunhão com as posições jurisprudencial e doutrinária, antes reproduzidas, penso que sim, os documentos (ou demonstrativos) juntados se prestam ao atendimento do citado dispositivo legal. É vero que os laudos foram elaborados após os eventos, em um caso, 10 meses depois, e, no outro, mais de quatro anos. Porém, também é inegável até pela omissão da Lei , que demonstrativos ou demonstrações, arquivadas ou exibidas ao Fisco, DESDE QUE CONTEMPORÂNEAS AOS FATOS, prestamse a suprir a exigência. Concretamente, há troca de informações entre a adquirente (recorrente) e sua matriz norteamericana expondo, detalhadamente, as mais diversas nuances envolvendo as duas empresas que a recorrente tinha interesse em adquirir a participação societária, contendo histórico, evolução patrimonial, participação no mercado, capacidade produtiva, prestígio da marca, saúde financeira, passivo sob controle e, até minúcias como as que se vêem às fls. 2557: Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.998 33 Ou às fls. 2561: E fls. 2843/2844/2845: Fl. 2998DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 2.999 34 Assim, impende ver se tais documentos internos (“demonstrações”, no dizer do art. 385, § 3º, do RIR/1999), seriam “contemporâneos” aos eventos ou, a exemplo dos “laudos” que as sucederam, teriam sido elaboras a destempo. Dentro do princípio da boa fé que deve nortear as relações Fisco e contribuinte, é lícito presumir que tais documentos sejam efetivamente contemporâneos aos fatos, como se vê, por exemplo, às fls. 2659 e 2694, para o caso da Detroit. Já para o caso da aquisição da Atenas, cujo laudo foi elaborado quase cinco anos depois da operação, o documento de fls. 2608/2616 demonstra o efetivo interesse da recorrente na compra da participação societária da referida empresa ainda em 2001, inclusive com vários cálculos e projeções que antecederam à operação. Neste ponto, impende salientar que o documento interno de fls. 2608/2616 data de 28/08/2001 e antecede a operação de transferência do controle acionário, ocorrida em 04/10/2001. Confirase: Como tais documentos compuseram o rol probatório apresentado pelo procurador da recorrente, é razoável presumir, por analogia (portanto, aproveitável à parte), que eles sejam verdadeiros e se revistam de fé pública, na forma do disposto no artigo 425, IV, do CPC. (Da Força Probante dos Documentos Art. 425. Fazem a mesma prova que os originais: IV – as cópias reprográficas de peças do próprio processo judicial declaradas autênticas pelo próprio advogado sob sua responsabilidade pessoal, se não lhes for impugnada a autenticidade). No mesmo segmento, a dicção do artigo 5º do NCPC “Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé”, o que, no dizer de Humberto Theodoro Júnior significa, a “adoção de comportamentos que não quebrem a proteção da confiança e que obstem o recorrente comportamento não cooperativo de todos os sujeitos processuais” (in Novo CPC Fundamentos e Sistematização – Forense – 2ª Ed. pg. 201). Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 3.000 35 Tema que, na lição de Daniel Amorim Assumpção Neves, implica na “colaboração das partes (...) levando aos autos alegações e provas que auxiliarão o juiz na formação de seu convencimento” (Novo Código de Processo Civil Comentado artigo por artigo – Ed. JuzPodium – Salvador – BA 2016 – pg.15). Por tudo isso, penso devam ser aceitos referidas demonstrações como antecedentes à consumação das aquisições e que visaram projetar cálculos apontando perspectivas de obtenção de resultados futuros. Superado este aspecto da contemporaneidade documental, há que se analisar o cumprimento de outros requisitos legais que permitam a dedução do ágio amortizado, afinal tais documentos poderiam apenas significar eventual interesse na aquisição societária e, sabe se, o que é fundamental para que a amortização do ágio se torne dedutível, é aferir se a “demonstração arquivada” foi realizada com a previsão de “rentabilidade futura” das sociedades investidas, na forma do Decretolei nº 1.598/1977, artigo 20, e Lei nº 9.532/1977, artigos 7º e 8º: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: Fl. 3000DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 3.001 36 a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Pois bem, conforme se vê às fls. 2659/2862, tais demonstrações foram elaboradas utilizandose a metodologia do “fluxo de caixa descontado” (no caso da Detroit), aceito de forma geral, inclusive neste Colegiado; para a Atenas, foi adotado o preço de aquisição (valor de mercado, valor a ser pago, múltiplo de EBTIDA), com projeção de retorno sobre os ativos líquidos e de aumento de vendas. Pois bem, “rentabilidade futura” é conceito de cunho subjetivo que exige sua análise à frente dos fatos e documentos que compõem determinado processo. Como pondera Andrade Filho (obra citada, pg. 675), “o significado de rentabilidade deve ser entendido como sendo algo que é determinado “com base na previsão de resultados”. Que acrescenta, trazendo ensinamento de Bulhões Pedreira3: “A decisão da investidora de pagar determinado preço pela participação pode basearse também em previsão dos resultados da sociedade objeto do investimento – o custo de aquisição é determinado em função do valor dos resultados previstos para determinados exercícios futuros. Esse valor tanto pode ser superior quanto inferior ao de patrimônio líquido contábil, justificando, respectivamente, ágio ou deságio na aquisição”. Ainda Bulhões, em coautoria com Lamy Filho: “O valor de rentabilidade baseiase no direito de participar nos lucros e é igual ao valor atual (descontado) do fluxo de renda que no futuro caberá à ação. Depende, 3 Pedreira, José Luiz Bulhões. Finanças e Demonstrações Financeiras da Companhia (conceitos fundamentais) – RJ – Forense – 1989 pg. 698 Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 3.002 37 portanto, das perspectivas de rentabilidade da companhia e da fração do lucro que é o objeto do direito4”. Em suma, a metodologia do “fluxo de caixa descontado” visa a projetar valores ao longo de uma determinada linha de tempo, e, nesse caso, como é certo, por não se poder comparar montantes de hoje (valor presente) com importes futuros (previstos), há que se expurgar efeitos financeiros e inflacionários, caso contrário não se estará atendendo ao preceito legal. Conforme ainda Andrade Filho, “é necessário trazer os valores projetados ao valor presente na data da aquisição da participação societária” (op. cit. pg. 677). Em suma, o método utilizado no caso da Detroit foi ao encontro da permissão legal (fluxo de caixa descontado), pelo que deve, a princípio, ser considerado correto. Entretanto, o Fisco, em sua acusação (RF), embora alertando que “sendo extemporâneo o laudo técnico de avaliação apresentado pelo sujeito passivo, não há suporte legal para eventual dedutibilidade para fins fiscais das despesas de amortização com o ágio da DETROIT” (RF – fls. 2367), resolveu “apenas para argumentar”, partir para a análise do referido laudo, assentando “ainda que fosse possível à fiscalização aceitar o referido laudo para os fins desejados pelo sujeito passivo, as questões a seguir abordadas inviabilizam a aceitação na íntegra dos valores deduzidos a título de ágio da DETROIT” (RF – fls. 2368). Pois bem, a princípio entendia ser desnecessária a análise deste item do libelo acusatório, afinal os lançamentos foram perpetrados em vista da extemporaneidade dos laudos e não por erros, equívocos ou incorreções conceituais ou matemáticas. De qualquer modo, o motivo principal para a não aceitação do laudo sob o ângulo de sua valoração prendeuse a possível erro na composição das contas, especificamente no passivo, rubrica de “Outras Obrigações”, no Exigível a Longo Prazo, quando, segundo a Fiscalização foi tomado o montante de 1 milhão de reais, sendo correto R$ 18,910 milhões. Contrapondose a esta posição, a recorrente afirmou – e comprovou pelas demonstrações que a diferença R$ 17.910 milhões “não se refere a uma obrigação da Detroit”, mas, sim, “decorrem de ajustes contábeis realizados em razão da incorporação da Detroit pela Impugnante”. Ou seja, como não eram passivos ou ativos operacionais da Detroit, não poderiam, mesmo, compor a avaliação. Assim, deveriam ser desconsiderados, como corretamente fez a recorrente. Finalmente, acerca do valor de R$ 8.200.000,00, retido inicialmente pela compradora (recorrente), e depositado junto ao Deutsche Bank como forma preventiva a eventuais compromissos supervenientes, entendo que não desnatura o valor apurado e avençado, até porque, por ocasião deste julgamento, parte destas retenções já havia sido liberada (fls. 2625/2637). 4 Pedreira, José Luiz Bulhões; e, Lamy Filho, Alfredo. A Lei das S.A.: pressupostos, elaboração, aplicação. – RJ – Renovar – 1992 – pg. 501 Fl. 3002DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 3.003 38 Ademais, tratase de cláusula com nítido caráter de condição resolutiva (dependente de evento futuro) e que, se descumprida, implicará nas consequências que derivarem deste fato, cabendo à recorrente recompor o seu ativo com o reingresso do numerário, estornar parte da operação de ágio, reverter os registros contábeis e adicionar os valores antes deduzidos das bases imponíveis de IRPJ e de CSLL, recolhendo os tributos e encargos pertinentes. E, caso isso não ocorra voluntariamente, disporá o Fisco do tempo necessário que a lei lhe faculta para realizar – de ofício – os lançamentos devidos e impor as penalidades cabíveis. Assim, não vejo as restrições que a Autoridade Fiscal enxergou neste ato e que pudessem modificar a estrutura da aquisição de controle acionário ocorrida. Deste modo, em relação à Detroit, as demonstrações que sustentaram o ágio apurado devem ser aceitas. Já no que tange à aquisição da Atenas, a aferição fezse com base no EBITDA, procedimento que sofre restrições por parte do Fisco para justificar o ágio apurado5. Embora este Relator também tenha certas reservas em relação a tal metodologia, por entender que nela se desconsideram determinadas despesas e receitas, ainda assim o Fisco não fez qualquer restrição ao citado método (EBITDA)6 e nem constou da acusação fiscal alguma ressalva sobre sua utilização, tendo se limitado a Autoridade lançadora a expor que “sendo extemporâneo o laudo técnico de avaliação apresentado pelo sujeito passivo, não há suporte legal para eventual dedutibilidade para fins fiscais das despesas de amortização com o ágio da ATENAS (...) que deve ser glosado e acrescido na base de cálculo do IRPJ e da CSLL no ano de 2009” (Relatório Fiscal – fls. 2376). Digase, a acusação pautouse na extemporaneidade do laudo e não no método assumido. Assim, não fazendo parte da acusação e nem sendo objeto de discussão pela recorrente a utilização do método EBITDA, não cabe a este Colegiado sobre ele se pronunciar. 5 Todavia, em acórdão desta mesma Turma, sob a Relatoria da exConselheira Albertina Silva Santos de Lima (Ac. 140200.342, de 15/12/2010), por exclusão, o EBITDA foi aceito tendo em vista não haver na legislação determinação específica sobre “a metodologia de avaliação a ser adotada e os requisitos que devem ser atendidos”. 6 EBITDA – expressão da língua inglesa (Eearnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization) ou LAJIDA (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização). Corresponde, num sentido mais estrito, ao fluxo de caixa proveniente das atividades operacionais da empresa, apurado antes dos tributos sobre a renda. Na sua obra “Contabilidade Básica, Pag. 592, 7ª edição”, o Professor Ricardo Ferreira explica a EBITDA: “O lucro antes das despesas financeiras, impostos sobre o lucro (IR e CSLL), depreciação e amortização (Eearnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization EBITDA) é apurado por meio da eliminação desses valores do resultado, mediante a adição dos juros, IR, CSLL, depreciação e amortização ao lucro líquido... A eliminação das despesas financeiras permite que sejam consideradas no resultado apenas as despesas necessárias à manutenção regular das atividades da empresa. É uma forma de se visualizar, por exemplo, qual teria sido o resultado apurado se a companhia não tivesse de incorrer em juros de empréstimos. A eliminação da depreciação e amortização, que não afetam o fluxo financeiro, permite que se tenha uma idéia mais apropriada do fluxo de caixa gerado pelo resultado.” Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 3.004 39 Na mesma linha e por consequência, entendo que os laudos (não compulsórios, à época, relembrese) acabaram por compor e reforçar o rol probatório trazido pela recorrente no sentido de que os valores originalmente apurados em suas demonstrações internas tiveram fundamentação e suporte à vista de relatórios e pareceres exarados por conceituas empresas independentes de auditoria/consultoria/avaliação patrimonial. Como já trazido neste voto, na visão de Luís Eduardo Schoueri, mas que ora se repete para melhor fixação do tema: “É prática comum, em operações societárias de maior porte, que os compradores e vendedores se façam valer da assessoria de especialistas, no mercado que se denomina mergers and acquisitions. Em circunstâncias normais, os assessores avaliarão a empresa a ser adquirida (target company), propondo ao comprador uma certa margem(range) para a fixação do preço. Ocorrendo tais circunstâncias, a apresentação à fiscalização, pelo contribuinte, do relatório que levou à tomada de sua decisão parecer ser elemento importantíssimo para a prova da fundamentação do ágio pago. (...) Não é incomum que, depois da conclusão do negócio, produzamse laudos de avaliação com a finalidade exclusiva de atender à fiscalização. Não se pode condenar essa cautela e o laudo assim elaborado, desde que fiel às circunstâncias do negócio, pode complementar os elementos de prova, de modo a permitir que se alcance o elemento subjetivo – motivo determinante do pagamento do ágio”. (negrito acrescido). Indubitavelmente, parece ser este exatamente o caso. Tanto isso é verdade que as distorções entre as demonstrações de cunho interno elaboradas pela recorrente, os laudos formais emitidos pela BDO Trevisan e Deloitte Touche Tohmatsu (fls. 121/199 e 200/234) e os montantes efetivamente pagos apresentam variações aceitáveis, até pela subjetividade conceitual e aritmética imprimida à dita “rentabilidade futura”. Vejase: Comparativo entre os Valores Projetasdos e os Efetivamente dipendidos nas Aquisições Societárias Adquirida 1 2 3 4 5 Vlr. Aquisição Projeções Internas Projeções Laudos Diferença (12) Diferença (13) Detroit 67.000.000,00 79.807.301,56 72.774.000,00 12.807.301,56 5.774.000,00 Atenas 5.256.744,27 6.881.400,00 5.595.000,00 1.624.655,73 338.255,73 Além disso, como é da natureza humana, provavelmente desde imemoriais tempos em que se praticava o escambo, quem se propõe a dispor de um bem quer sempre obter mais por ele e quem o adquire busca empurrar para baixo o seu valor. Fl. 3004DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 3.005 40 Situação que se estampa no cotidiano de pessoas físicas e jurídicas, de pequenas ou grandes posses, microcósmicas ou megaempresas e que se repete, talvez mais agressivamente ainda, nas operações que envolvam atos de controle acionário. Neste cenário, natural que os valores projetados pelas demonstrações internas da recorrente e razoavelmente ratificados pelos laudos da BDO Trevisan e Deloitte Touche não tenham chegado aos mesmos números, até porque, além das inúmeras variáveis do mercado, “projeções”, ainda que fortemente sustentadas por preceitos e regras serão, sempre e sempre, “projeções”, por isso sujeitas a diferenças entre o estimado e o realizado. E assim é por se tratar de matéria de cunho extremamente subjetivo e altamente sujeita a influências as mais diversas. Fábio Konder Comparato ressalta que “as perspectivas de rentabilidade constituem um fator meramente estimativo e, portanto, impreciso, cuja realização é sujeita à influência decisiva de circunstâncias inteiramente alheias à vontade dos acionistas, ou da administração da companhia”. (in revista de direito mercantil, industrial, econômico e financeiro nº 81 – SP – RT – 1990 – pgs. 7986). Assim, como pontifica Andrade Filho, em texto exemplar e que bem resume o tema: “Logo, não é razoável imaginar que os avaliadores estejam obrigados a acertar sempre, ou seja, que as premissas adotadas ex ante dos fatos que pretendem avaliar e valorar venham a ser confirmadas. Os avaliadores, assim como aqueles que os contratam, estão sujeitos à álea da vida em sociedade, de modo que o passado nem sempre determina o futuro. Todavia, é exigível que os avaliadores tenham reputação (isto é, sejam sérios) e façam seu trabalho com esmero e responsabilidade porque o resultado deste pode ser visto como uma fairness opinion e servirão de prova. O resultado das avaliações deve ser credível, ou seja, elas devem basearse em elementos reais e comprováveis segundo regras técnicas ou de experiência, não sendo válidas as que decorram de estimativas fora da realidade ou com base em critérios inadequados ou falsificados”. (op. cit. pg. 681). Portanto, diferenças, desde que parametrizadas dentro da razoabilidade, são aceitáveis e, mais ainda, perfeitamente naturais, sendo estranhável, de outro lado, se os números projetados e os valores efetivamente pagos na aquisição de participação societária atinjam a simetria perfeita. Neste caso, sim, é muito mais razoável se levantar dúvidas de que as demonstrações internas ou os laudos tenham elaborados pósevento e visaram apenas dar cobertura a operação já transcorrida. Não me parecer ser o cenário que se estampa nos autos. Quanto aos demais aspectos que frequentam operações em que surge o ágio, também restaram atendidos seus requisitos, a saber: 1. houve aquisição efetiva dos controles acionários; 2. o custo de aquisição foi superior ao patrimônio líquido das participações societárias adquiridas; 3. houve fundamento econômico baseado na expectativa de rentabilidade futura; Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 13864.720159/201430 Acórdão n.º 1402002.336 S1C4T2 Fl. 3.006 41 4. houve efetivo pagamento, conforme documentos comprobatórios acostados aos autos (por exemplo – fls. 444/464 – 465/477 – 621/629) com recolhimento de IRPF sobre ganhos de capital (fls. 2300/2306); 5. houve incorporação total pela incorporadora das incorporadas; e, 6. houve extinção das incorporadas, via incorporação integral. Por todo o exposto, entendo cumpridos os preceitos exigidos para o aproveitamento da amortização do ágio para fins de dedução das bases imponíveis de IRPJ e CSLL e VOTO por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Consequentemente, as demais imputações presentes na acusação (compensação indevida de prejuízos e multas isoladas) restaram prejudicadas e, igualmente, devem ser cancelados os lançamentos, posto que originárias do tema já apreciado. É como voto. Brasília (DF), em 05 de outubro de 2016. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Relator Fl. 3006DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000384/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DECLARATÓRIOS - EXISTÊNCIA DE VÍCIO MATERIAL .
Diante da inexistência do pagamento, o prazo inicial para a contagem da decadência deve ser regida pelo artigo 173, I, do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3302-004.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, foram acolhidos os embargos inominados, para retificar o acórdão embargado, negando-lhe provimento.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Diante da inexistência do pagamento, o prazo inicial para a contagem da decadência deve ser regida pelo artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos, foram acolhidos os embargos inominados, para retificar o acórdão embargado, negandolhe provimento. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 03 84 /2 00 9- 15 Fl. 599DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos inominados, que teve como origem despacho da unidade, em face do Acórdão 3302003.153, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2004 a 31/07/2004 TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Para tributos lançados por homologação, quando há o pagamento antecipado, a regra para a contagem do prazo inicial é pelo art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional; já quando não há pagamento, a regra para a contagem do prazo inicial é o art. 173, I, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/07/2004 ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. USINAS. REGIME CUMULATIVO. As receitas de venda de álcool para fins carburantes pelas pessoas jurídicas produtoras (usinas e destilarias) são apuradas pela sistemática cumulativa, mesmo após a instituição do regime nãocumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2004 a 31/07/2004 Ementa: ÁLCOOL PARA FINS CARBURANTES. USINAS. REGIME CUMULATIVO. As receitas de venda de álcool para fins carburantes pelas pessoas jurídicas produtoras (usinas e destilarias) são apuradas pela sistemática cumulativa, mesmo após a instituição do regime nãocumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da Cofins. No caso em análise, é impossível executar o acórdão pela existência de erro material em relação aos pagamentos, conforme as seguintes informações da unidade, fls. 588 e seguintes. Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Da admissibilidade dos embargos inominados Fl. 600DF CARF MF Processo nº 16004.000384/200915 Acórdão n.º 3302004.317 S3C3T2 Fl. 3 3 Houve admissibilidade dos embargos inominados, fls. 385, pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, com fundamento no artigo 66, do Anexo II, do Regimento Interno do Carf. 2. Do erro material No acórdão nº 3302003.153 foi reconhecida a decadência parcial e a possibilidade de imputação de pagamento, vide trechos do referido acórdão, fls. 569, 570 decadência e fls. 573 dedução do pagamento: Decadência O auto de infração foi lavrado em 29 de junho de 2009 e houve ciência em 30 de junho de 2009, sendo que a Recorrente alega que houve decadência nos períodos de 1º a 29 de junho de 2004. A Recorrente constituiu o crédito tributário das contribuições ao PIS e da COFINS na sistemática nãocumulativa por meio da apresentação das DCTFs, lançando os valores de receitas no mercado interno referentes a junho de 2004 na quantia de R$ 628.811,82 e R$ 1.307.229,55 referente a julho de 2004. Tais valores também estão declarados na DIPJ ano calendário 2004, exercício 2005 e no DACON. Tais valores foram os apurados pela fiscalização e utilizados como base de cálculo para a apuração da COFINS e da contribuição ao PIS no sistema cumulativo. (...) Da análise dos autos, percebese pela DCTF em relação ao 2º trimestre de 2004, que houve o pagamento mediante DARF do imposto sobre a renda retido na fonte IRRF e da contribuição ao PIS fls. 374/380. Assim, não há informações no processo do pagamento, ainda que de modo errôneo, da COFINS no período de 1º a 29 de junho do ano de 2004. Desta feita, reconhecese a decadência em relação ao PIS com fundamento no art. 150, § 4º, do CTN e não em relação à COFINS por falta de instrução probatória, a qual deve ser regida pelo art. 173, inciso I, do CTN. Dedução do pagamento A Recorrente alega que a fiscalização desconsiderou os valores lançados via DACON, que foi acostada ao presente recurso voluntário. Nesse aspecto, consultando os autos, houve declaração das receitas, ainda que de forma errônea, tanto por meio do DACON, como por meio da DIPJ. Nesse sentido, deve ser realizada uma dedução tributária via imputação de pagamento dos valores, efetivamente, pagos de contribuição ao PIS e da COFINS no sistema nãocumulativo com os valores que deveriam ter sido pagos no sistema cumulativos. A imputação deve ser realizada de forma proporcional nos termos do Parecer PGFN/CAT nº 74/2012. Fl. 601DF CARF MF 4 Ocorre que a unidade, em uma análise mais minuciosa, averiguou que não houve qualquer tipo de recolhimento da contribuição para o PIS/PASEP seja no regime cumulativo, seja no regime nãocumulativo, o que prejudica a contagem do prazo decadencial pelo artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, e a dedução do pagamento. Vide trechos da informação fiscal, fls. 588/590: Tratase do despacho de encaminhamento para análise, tendo em vista a impossibilidade de cumprimento do Acórdão CARF nº 3302003.153 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 27 de abril de 2016, fls. 566/574, pela suposta falta de pagamento do PIS, com a não localização dos DARF´s informados na DCTF – código de receitas “59792”. (...) 5. No processo consta o extrato do declarante – grupo de tributo PIS/PASEP, com o código de receita 59792, que se refere ao “PIS – RETENÇÃO sobre pagamento a Pessoa Jurídica”, fls. 42/43, serviços prestados por outro pessoa jurídica PJ à contribuinte, obrigada da retenção das contribuições sobre o valor dos serviços prestados, que constam declarados em DCTF, fls. 374/380, assim como as demais retenções legais como o Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF sobre trabalho assalariado (0561) e não assalariado (0588). 6. Logicamente tais pagamentos e seus códigos de receita, por si só, comprovam, que nada tem a ver com o PIS/PASEP pelo regime cumulativo aqui em questão, fato relatado pelo auditor no lançamento (que não houve nenhum recolhimento de PIS e Cofins do período, e nem mesmo sua declaração em DCTF), inclusive observado pela DRJ/RPO no relato do acórdão acima, cuja pesquisa no sistema informatizado confirmam a inexistência de pagamentos a título de PIS/PASEP ou COFINS, quer pelo regime cumulativo ou não cumulativo, fls. 579/586. Desta forma, s.m.j., que cabe o retorno do presente processo ao CARF, para eventual análise e manifestação mediante revisão de ofício quanto à decadência, fato gerador com fechamento em 30/06/2004 mensal, contrário ao decidido como diário 01 a 29/06/2004, ainda pela constatação de nenhum pagamento. 7. Merece destacar que a contribuinte informa que utilizou a 'declaração de compensação' para quitar outros tributos com os créditos PIS exportação, da qual trata o processo nº 13870.000137/200407, período de apuração apenas Junho de 2004, atualmente no CARF, aguardando apreciação do recurso voluntário referente a 'glosa dos créditos' efetuados pela auditoria fiscal, que tem relação direta com o presente lançamento. Ademais, a unidade colaciona as telas do sistema, fls. 586, que demonstram que não houve pagamento por parte da contribuinte. Diante da inexistência do pagamento e com a finalidade de poder executar o acórdão, retificao com o reconhecimento de que não houve pagamento. Como não há o pagamento, a contagem do prazo decadencial modificase para o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, onde o dies a quo passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: Fl. 602DF CARF MF Processo nº 16004.000384/200915 Acórdão n.º 3302004.317 S3C3T2 Fl. 4 5 Código Tributário Nacional Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Tal entendimento está em conformidade com a Súmula 555, do Superior Tribunal de Justiça, advinda do Repetitivo 163: "Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa." No caso dos autos, o auto de infração foi lavrado em 29 de junho de 2009 e houve ciência em 30 de junho de 2009. O fato jurídico lançado para a contribuição para o PIS/Pasep é de 30.06.2004 e de 31.07.2004, fls. 192. Assim, tendo como termo inicial o ano de 2005, a fiscalização teria até o ano de 2010 para realizar o lançamento. Portanto, o período, anteriormente reconhecido como atingido pelos efeitos da decadência pela realização de pagamento, não foi atingido, pois não houve o pagamento. Ademais, retificase o acórdão também no que concerne à imputação de pagamento, como não houve qualquer recolhimento por parte da contribuinte, não há o que ser imputado. 3. Conclusão Diante do exposto, acolhemse os embargos inominados, concedendoo efeitos infringentes para retificar o acórdão, negando provimento total. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 603DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.100480/2008-47
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF.
Aplica-se a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfazer fora dos prazos determinados em lei.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO.
A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
Numero da decisão: 1803-001.834
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Meigan Sack Rodrigues
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplica-se a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfazer fora dos prazos determinados em lei. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1718; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 110 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.100480/200847 Recurso nº Acórdão nº 1803001.834 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de setembro de 2013 Matéria IRPJ Recorrente GREMIO FOOTBALL PORTO ALEGRENSE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA REGULAMENTAR. ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. Aplicase a penalidade disposta no artigo 7° da Lei 10.426/2002, sempre que o cumprimento da obrigação acessória se perfazer fora dos prazos determinados em lei. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. A nulidade do auto de infração ocorrerá tão somente quando este não preencher os requisitos disciplinados no artigo 59 do Decreto 70.235/72. Não havendo vício em sua forma, não há que se falar em nulidade do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 10 04 80 /2 00 8- 47 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Marcos Antônio Pires e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento Eletrônica de exigência de "Multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF 2006", no valor de R$ 30.040,07, referente ao mês de junho de 2006. Devidamente notificada do lançamento, a empresa recorrente apresentou impugnação, alegando, em síntese, que o auto de lançamento contém vicio insanável por descumprimento de requisito indispensável previsto no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, notadamente no que diz respeito ao inciso IV deste diploma legal eis que não contém a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, em consequência deve ser declarada a sua nulidade. Ainda, refere que o arbitramento da multa no percentual de 20%, incidente sobre o valor já pago a titulo de encargos tributários da empresa naquele período por descumprimento de obrigação acessória, ignora os princípios da razoabilidade e proporcionalidade que regem a Administração Pública, assumindo caráter confiscatório. Aduz que a pena aplicada decorre de critério de arbitramento previsto em lei, mas eivado de inconstitucionalidade e, por isto, deve ser revisto o lançamento para afastar a sanção aplicada ou, caso assim não seja entendido, que seja, ao menos, compatível com a infração praticada, atribuindoa no patamar mínimo previsto. Cita jurisprudência do então Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça, bem como doutrina. Por fim, requer a empresa recorrente que seja declarada nula a presente notificação de lançamento em face do vício formal apontado e caso superada essa questão que 2 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 a sanção aplicada seja afastada ou reduzida pela inconstitucionalidade da base de cálculo prevista em lei e por atentar contra princípios da proporcionalidade e razoabilidade, norteadores da Administração Pública. Em ato contínuo, requer que em caso de subsistência, que seja arbitrada a sanção em consonância com a relevância cometida, reduzindoa ao valor mínimo previsto de R$500,00. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem de mandar a multa aplicada. Afere o julgador que descabe o postulado da empresa de que estaria nulo o auto de infração por falta de assinatura, vez que segundo determina o artigo 11, do Decreta 70.235/72, em seu parágrafo único, prescinde de assinatura a notificação de lançamento quando emitida por processo eletrônico. Finaliza repisando que notificação, ora em apreço, preenche in totum os requisitos legais preconizados em lei. Já no que diz respeito às alegações da empresa quanto à penalidade aplicada, de que a mesma viola os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e tem caráter confiscatório, afere a autoridade julgadora de primeiro grau que está alicerçada em diploma legal válido, eficaz, oponível erga omnes e que, em momento algum foi declarada, pelo órgão de controle repressivo de constitucionalidade, sua inadequação ou afronta à ordem constitucional pátria. Ainda, em apreciação do art. 7° da Lei 10.426/2002, penalidade aplicada na notificação em tela, o julgador a quo conclui que guarda estrita observância com as disposições legais. Assim a respeito da alegação da empresa recorrente de constituise a penalidade aplicada multa confiscatória, o julgador aduz que é dever de todo o contribuinte adimplir com suas obrigações perante o fisco, quer sejam elas de natureza principal ou acessória. Esclarece que possui a empresa recorrente duas obrigações com o fisco: uma obrigação denominada principal, que é a de verter os tributos devidos, outra denominada acessória, distinta da primeira, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos referidos tributos, é o que dispõe o art. 113 do CTN. Nesse caminho, frisa o julgador que o Estado tem o poderdever de estabelecer mecanismos de coação, a fim de proteger os interesses da sociedade, e o faz através da imposição de penalidades inibidoras das ações ilícitas. Preconiza que em matéria tributárias, esta se consubstancia na instituição de multas pecuniárias, visando a evitar ou reparar o dano que lhe é consequente. Assim, a sobre a alegação de inconstitucionalidade dos dispositivos legais que regem a matéria, a discussão está além das possibilidades de juízo deste órgão julgador. No âmbito do procedimento administrativo tributário cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do Fisco está, ou não, conforme a lei, sem emitir juízo de legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasaram aquele ato. Atenta para o fato de que a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao poder Judiciário, sendo inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar textos legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. 3 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Quanto ao pedido de redução da multa ao valor mínimo previsto no § 3° do art. 70 da Lei n° 10.426/2002, assevera o julgador a quo ser inaplicável ao presente caso, posto que os valores mínimos estabelecidos somente serão imputados às infrações cuja multa resulte em valor inferior ao mínimo o que, à evidência, não se amolda à situação verificada. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, postulando a nulidade do lançamento por falta da presença do agente administrativo quando do lançamento, já que se trata de lançamento eletrônico. Ainda, insurgese a empresa recorrente contra a impossibilidade dos órgãos administrativos de julgamento examinarem matéria constitucional e no mérito repete o já referido na manifestação de inconformidade ao salientar a nulidade da multa por descumprimento de obrigação acessória, quando da inexistência de prejuízo ao erário público. A empresa prossegue aduzindo a necessária proporção entre infração e pena, já que seria proibido o Bis In Iden. E por fim pede o cancelamento da autuação. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase o presente processo de auto de infração para cobrança de multa decorrente da apresentação em atraso da DCTF. A empresa recorrente insurgese alegando ser a multa descabida por ferir preceitos constitucionais, tais como da razoabilidade e proporcionalidade, entre outros. Discussão de Constitucionalidade da Norma Primeiramente há que se atentar para o fato de que discussão referente à constitucionalidade de lei ou mesmo de artigo de lei não é da competência dessa esfera administrativa, posto cumprir ao Poder Judiciário analisar e determinar a constitucionalidade de norma a ser aplicada no sistema jurídico pátrio. Nesse contexto, deixo de abordar as argumentações da empresa recorrente no tocante à constitucionalidade da aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF, haja vista esta estar preceituada no dispositivo legal elencado 4 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 no auto de infração: art. 7º da Lei n. 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004. Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Discussão sobre a Nulidade do Auto de Infração Alega a empresa recorrente ser nulo o auto de infração por ser o mesmo eletrônico, ou seja, não ter sido emitido por agente da administração tal como preconizado pelas normas pátrias. Ocorre que discordo da arguição de nulidade do auto de infração arguido pela empresa recorrente, porquanto que não vislumbro o desrespeito a nenhum dos disciplinamentos dispostos no artigo 59 do Decreto 70.235/72, norma que dispõe sobre a nulidade do auto de infração, tema ora abordado. Neste contexto, cumpre referir que o auto de infração foi perfeitamente lavrado e encontrase em conformidade com os determinantes legais para a sua formalização, haja vista que a empresa foi legalmente intimada, do contrário não teria apresentado suas razões de defesa em seara de impugnação e também em recurso voluntário. Ainda, o auto de infração encontrase dirigido ao sujeito passivo de direito, legitimamente constituído para recebêlo, consta a data e o local da sua lavratura, está descrito, de forma circunstanciada. O fato imponível do tributo está devidamente cobrado, bem como perfeitamente fundamentado com a capitulação estipulada na norma, na qual se enquadra a imputação legal. Tudo de acordo com o artigo 59 do Decreto 70.232/72, conforme já fora referido. Assim, descabida a argumentação de nulidade do auto pela recorrente sob essa fundamentação, apenas por tratarse de auto de infração eletrônico, há muito já admitido dentro do ordenamento pátrio. Discussão de Mérito Já tocante ao mérito da demanda, qual seja: multa pelo atraso na entrega da DCTF, temos que a autuação está correta, haja vista que a empresa entregou a DCTF com atraso, de forma intempestiva, vinte e quatro meses após o prazo regulamentar, definido pela legislação e determinado a todos os contribuintes. A norma disciplinada no artigo 7° da Lei n° 10.426/2002, é clara ao dispor: “Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, 5 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; II de 2%(dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). (...) Em outras palavras, o sujeito passivo que deixar de apresentar DCTF nos prazos fixados sujeitarseá às multas dispostas na legislação de regência, no caso em tela, a disciplinada no artigo supra citado. Neste caminho, não podemos olvidar de destacar que a entrega da DCTF fora do prazo não está albergada pelo instituto da denuncia espontânea, sendo essa a posição da Súmula Carf nº 49, tal como segue: “Sumula 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. 6 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 De igual modo, importa em citar a jurisprudência pacífica, em ambas as turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculadas diretamente do fato gerador da obrigação principal: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA. SÚMULA 83/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Aresto recorrido que se encontra em consonância com a jurisprudência assente do STJ no sentido de que não se mostra desarrazoada a aplicação de multa em razão do atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. Precedentes. 2. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 985.433/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do 7 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 19/02/2009)” Diante do exposto, voto do sentido de Negar Provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira 8 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/10/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/10/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 18471.001583/2007-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Constatada omissão no acórdão recorrido, acolhem-se os Embargos de Declaração para que o vício apontado seja sanado.
OPERAÇÕES DE MÚTUO. EMPRESAS CONTROLADORAS, CONTROLADAS, COLIGADAS OU INTERLIGADAS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. VIGÊNCIA.
O art. 77, inciso II, da Lei 8.981, de 1995, que previa isenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, não foi revogado tacitamente pelo art. 5º, da Lei nº 9.779, de 1999, mas tão somente, e de forma expressa, a partir de 30/12/2003, pelo art. 94, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003. Se a lei não aplicou o princípio da anterioridade, não cabe ao intérprete fazê-lo, mormente tratando-se de isenção, e em face de posicionamento reiterado do Poder Judiciário em sentido contrário.
Numero da decisão: 9202-005.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram. No mérito, acordam, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9202-005.144, de 24/01/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão anterior para dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, exonerando apenas o fato gerador de 31/12/2002, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que acolheram os embargos sem efeitos infringentes. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. Ausente, momentaneamente, a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, momentaneamente, a conselheira Patrícia da Silva.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada omissão no acórdão recorrido, acolhem-se os Embargos de Declaração para que o vício apontado seja sanado. OPERAÇÕES DE MÚTUO. EMPRESAS CONTROLADORAS, CONTROLADAS, COLIGADAS OU INTERLIGADAS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. VIGÊNCIA. O art. 77, inciso II, da Lei 8.981, de 1995, que previa isenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, não foi revogado tacitamente pelo art. 5º, da Lei nº 9.779, de 1999, mas tão somente, e de forma expressa, a partir de 30/12/2003, pelo art. 94, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003. Se a lei não aplicou o princípio da anterioridade, não cabe ao intérprete fazê-lo, mormente tratando-se de isenção, e em face de posicionamento reiterado do Poder Judiciário em sentido contrário.
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OMISSÃO. Constatada omissão no acórdão recorrido, acolhemse os Embargos de Declaração para que o vício apontado seja sanado. OPERAÇÕES DE MÚTUO. EMPRESAS CONTROLADORAS, CONTROLADAS, COLIGADAS OU INTERLIGADAS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. VIGÊNCIA. O art. 77, inciso II, da Lei 8.981, de 1995, que previa isenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, não foi revogado tacitamente pelo art. 5º, da Lei nº 9.779, de 1999, mas tão somente, e de forma expressa, a partir de 30/12/2003, pelo art. 94, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003. Se a lei não aplicou o princípio da anterioridade, não cabe ao intérprete fazêlo, mormente tratandose de isenção, e em face de posicionamento reiterado do Poder Judiciário em sentido contrário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer dos Embargos de Declaração, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que não conheceram. No mérito, acordam, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9202005.144, de 24/01/2017, com efeitos infringentes, alterar a decisão anterior para dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, exonerando apenas o fato gerador de 31/12/2002, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que acolheram os embargos sem efeitos infringentes. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. Ausente, momentaneamente, a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 83 /2 00 7- 90 Fl. 716DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, momentaneamente, a conselheira Patrícia da Silva. Relatório Tratase de exigência de multa isolada por falta de retenção de Imposto de Renda na Fonte, relativamente aos fatos geradores ocorridos em 31/12/2002 e 31/12/2003, incidente sobre rendimentos decorrentes de contratos de mútuo celebrados com a controladora Tele Norte Leste Participações S/A, nos termos do artigo 5º, da Lei nº 9.779, de 1999, que teria revogado tacitamente a dispensa de retenção, estabelecida no art. 77, inciso II, da Lei 8.981, de 1995. A ciência do lançamento ocorreu em 06/12/2007 (fls. 252). Em sessão plenária de 24/01/2017, foi julgado o Recurso Especial do Contribuinte, prolatandose o Acórdão nº 9202005.144, assim ementado: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS Não há que se falar em dar interpretação divergente à legislação tributária, quando estão em confronto julgados exarados à luz de arcabouços normativos diversos, regulando incidências diferentes, sendo que a lei que orientou o acórdão recorrido sequer era vigente quando dos fatos geradores dos paradigmas. OPERAÇÕES DE MÚTUO. EMPRESAS CONTROLADORAS, CONTROLADAS, COLIGADAS OU INTERLIGADAS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. O art. 77, inciso II, da Lei 8.981, de 1995, que previa isenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos nas operações de mútuo realizadas entre controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, não foi revogado tacitamente pelo art. 5º, da Lei nº 9.779, de 1999, mas tão somente, e de forma expressa, pelo art. 94, inciso III, da Lei nº 10.833, de 2003." A decisão foi assim registrada: Fl. 717DF CARF MF Processo nº 18471.001583/200790 Acórdão n.º 9202005.439 CSRFT2 Fl. 717 3 "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do contribuinte, quanto à revogação da Lei n° 8.981, de 1995, tacitamente pela Lei n° 9.779, de 1999, ou expressamente pela Lei n° 10.833, de 2003. No mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencido o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior, que lhe negou provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri." O processo foi encaminhado à PGFN em 13/02/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 692). Assim, conforme o art. 7º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a Fazenda Nacional poderia opor Embargos de Declaração até 20/03/2016, o que foi feito em 16/03/2017 (fls. 693 a 696), conforme o Despacho de Encaminhamento de fls. 697. Nos Embargos de Declaração a Fazenda Nacional argumenta, em síntese: "Na parte relativa à incidência de Imposto de Renda na Fonte sobre pagamentos de juros decorrentes de mútuos entre empresas ligadas, os julgadores deram provimento ao recurso especial, sob o entendimento de que a isenção subsistiu até o advento da Lei nº 10.833/2003, norma por meio da qual se veicula a revogação expressa do art. 77, inciso II, da Lei nº 8.981, de 1995. Nesse contexto, há de ser mantido o fato gerador ocorrido em 31/12/2003, quando já estava em vigor a Lei nº 10.833/2003, que passou a produzir efeitos a partir de sua publicação em 30/12/2003. Uma vez que a partir de 30/12/2003, não mais subsistia a isenção prevista no art. 77, II, da Lei nº 8.891/1995, em razão de sua revogação expressa pela Lei nº 10.833/2003, deve ser mantido o lançamento em relação ao fato gerador de 31/12/2003. Contudo, o colegiado deu provimento ao recurso especial do contribuinte, sem fazer qualquer ressalva ao fato gerador ocorrido em 31/12/2003. Nesse ponto, o acórdão incorre em omissão relevante, que merece ser sanada por meio dos presentes embargos de declaração." Os Embargos de Declaração foram admitidos pelo Sr. Presidente da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme despacho de 10/04/2017 (fls. 699 a 701). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Fl. 718DF CARF MF 4 Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 9202005.144, de 24/01/2017, por meio do qual reconheceuse que a revogação do art. 77, inciso II, da Lei 8.981, de 1995, somente ocorreu com a edição da Lei nº 10.833, de 2003 (revogação expressa). Nesse passo, deuse provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, nesta parte, exonerandose os únicos fatos geradores que restaram em litígio submetido à Instância Especial, ocorridos em 31/12/2002 e 31/12/2003. A Embargante argumenta que a lei revogadora entrou em vigor em 30/12/2003, portanto o último dos fatos geradores, tendo ocorrido em 31/12/2003, não mais estaria acobertado pelo benefício, porém o acórdão recorrido nada aduziu sobre essa questão. Com efeito, esse ponto específico já havia sido suscitado em sede de Contrarrazões (fls. 650 a 656), em que a Embargante assim argumentou: "Conforme sólida construção pretoriana, sobre o tema o art. 77, II da Lei 8.981/1995, norma concessiva de isenção do IRPF para os mútuos realizados entre empresas vinculadas, foi revogado pelo art. 5º da Lei nº 9.779/1999, não devendo ser acolhida a tese sustentada pela contribuinte de que a norma de isenção, ora em discussão, teria sido somente revogada expressamente pelo art. 94, III, da Lei nº 10.833/03, com efeitos a partir de 01.01.2004. Sobre a tese defendida pela recorrente, é bom registrar que os efeitos prospectivos somente foram previstos para os dispositivos elencados no art. 93 da Lei nº 10.833/2003, não havendo nenhuma previsão de modulação temporal para o art. 94 da mesma da norma legal. Logo, diferentemente do alegado pelo sujeito passivo, a data de 01.01.2004 não se aplica como marco para o início da eficácia da revogação expressa do art. 77, II, da Lei 8.981/1995." Assim, ocorreu efetivamente a omissão apontada pela Embargante, no que tange à vigência da revogação tácita da isenção em tela, questão cuja análise envolve o fato gerador de 31/12/2003, portanto conheço dos Embargos e lhes dou provimento, para que seja examinada a questão suscitada. Adentrando ao mérito dos Embargos, constatase que a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, publicada em 30/12/2003, que revogou a isenção em tela, efetivamente não aplicou o princípio da anterioridade, já que não concedeu efeito modulador ao art. 94. Confira se: "Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeito, em relação: I aos arts. 1o a 15 e 25, a partir de 1o de fevereiro de 2004; II aos arts. 26, 27, 29, 30 e 34 desta Lei, a partir de 1o de fevereiro de 2004; III ao art. 1o da Lei no 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e ao inciso I do art. 52 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelos arts. 42 e 43, a partir de 1o de janeiro de 2004; IV aos arts. 49 a 51 e 53 a 58 desta Lei, a partir do 1o dia do quarto mês subseqüente ao de sua publicação; Fl. 719DF CARF MF Processo nº 18471.001583/200790 Acórdão n.º 9202005.439 CSRFT2 Fl. 718 5 V ao art. 52 desta Lei, a partir do 1o dia do segundo mês subseqüente ao de publicação desta Lei; VI aos demais artigos, a partir da data da publicação desta Lei. Art. 94. Ficam revogados: I as alíneas a dos incisos III e IV e o inciso V do art. 106, o art. 109 e o art. 137 do DecretoLei no 37, de 1966, este com a redação dada pelo art. 4o do DecretoLei no 2.472, de 1988; II o art. 7o do DecretoLei no 1.578, de 11 de outubro de 1977; III o inciso II do art. 77 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995; IV o art. 75 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; V os §§ 5o e 6o do art. 5o da Lei no 10.336, 28 de dezembro de 2001; e VI o art. 6o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, a partir da data de início dos efeito desta Lei. Destarte, constatase que efetivamente não foi aplicada qualquer modulação ao art. 94, inciso III, que trata da revogação em questão. Assim, é de se entender que o legislador determinou a aplicação imediata da revogação, a partir da publicação da lei, em 30/12/2003, de sorte que o fato gerador ocorrido em 31/12/2003 já não mais se encontrava albergado pelo benefício. É verdade que o Supremo Tribunal Federal, em decisão recente, alterou a jurisprudência que lá imperava, no sentido de que a revogação de isenção não estaria sujeita ao princípio da anterioridade, uma vez que não se trata de nova incidência e sim de imposto já existente. Tratase de julgado exarado pela Primeira Turma, conforme consta inclusive do Informativo 757, do STF: "ICMS: revogação de benefício fiscal e princípio da anterioridade tributária Configura aumento indireto de tributo e, portanto, está sujeita ao princípio da anterioridade tributária, a norma que implica revogação de benefício fiscal anteriormente concedido. Com base nessa orientação, a 1ª Turma, por maioria, manteve decisão do Ministro Marco Aurélio (relator), que negara seguimento a recurso extraordinário, por entender que o acórdão impugnado estaria em consonância com o precedente firmado na ADI 2.325 MC/DF (DJU de 6.10.2006). Na espécie, o tribunal “a quo” afastara a aplicação — para o ano em que publicados — de decretos estaduais que teriam reduzido benefício de diminuição de base de cálculo do ICMS, sob o fundamento de ofensa ao princípio da anterioridade tributária. A Turma afirmou que os mencionados atos normativos teriam reduzido benefício fiscal vigente e, em consequência, aumentado indiretamente o aludido imposto, o que atrairia a aplicação do princípio da Fl. 720DF CARF MF 6 anterioridade. Frisou que a concepção mais adequada de anterioridade seria aquela que afetasse o conteúdo teleológico da garantia. Ponderou que o mencionado princípio visaria garantir que o contribuinte não fosse surpreendido com aumentos súbitos do encargo fiscal, o que propiciaria um direito implícito e inafastável ao planejamento. Asseverou que o prévio conhecimento da carga tributária teria como base a segurança jurídica e, como conteúdo, a garantia da certeza do direito. Ressaltou, por fim, que toda alteração do critério quantitativo do consequente da regra matriz de incidência deveria ser entendida como majoração do tributo. Assim, tanto o aumento de alíquota, quanto a redução de benefício, apontariam para o mesmo resultado, qual seja, o agravamento do encargo. Vencidos os Ministros Dias Toffoli e Rosa Weber, que proviam o agravo regimental. Após aduzirem que benefícios fiscais de redução de base de cálculo se caracterizariam como isenção parcial, pontuavam que, de acordo com a jurisprudência do STF, não haveria que se confundir instituição ou aumento de tributos com revogação de isenções fiscais, uma vez que, neste caso, a exação já existiria e persistiria, embora com a dispensa legal de pagamento. (RE 564225 AgR/RS, relator Min. Marco Aurélio, 02/09/2014) Entretanto, não se trata de decisão que vincule o CARF, além de representar alteração de jurisprudência tradicional do Excelso Pretório, razão pela qual entende esta Conselheira que, por força do art. 62, do Anexo II, do Ricarf, este Colegiado está adstrito ao cumprimento da lei, que nesse caso não postergou a vigência para além de 30/12/2003. Em consideração ao argumento da Contribuinte, em sede de sustentação oral, no sentido da aplicação do princípio da anterioridade, previsto no art. 104, inciso III, do CTN, entende esta Conselheira que os princípios em matéria tributária são dirigidos, primeiramente, ao legislador. Nesse passo constatase que, no presente caso, o legislador expressamente deixou de aplicar o princípio da anterioridade, vez que modulou a vigência de diversos dispositivos, sem qualquer menção ao dispositivo ora tratado, incluído na regra geral de vigência na data da publicação da lei. E se o próprio legislador deixou de aplicar o princípio, não cabe ao intérprete fazêlo, mormente em matéria de isenção, adstrita ao art. 111, do CTN. Diante do exposto, conheço e dou provimento aos Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, concedendolhes efeitos infringentes para, alterando a decisão anterior, dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, exonerando apenas o fato gerador de 31/12/2002. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Fl. 721DF CARF MF Processo nº 18471.001583/200790 Acórdão n.º 9202005.439 CSRFT2 Fl. 719 7 Em que pese o excelente voto da relatora peço vênia para divergir; primeiro no tocante ao conhecimento do Recurso Especial e depois quanto aos efeitos infringentes a ele imputados. Quanto ao conhecimento, na minha análise não há que se falar em omissão do acórdão recorrido. Observo que houve uma manifestação daquele colegiado (composição anterior desta Câmara Superior) para os quais a alteração discutida pela Fazenda não produziria efeitos diversos no julgado, ou seja, não se trata de omissão, mas sim de opção de voto. Contudo, vencida no conhecimento também divirjo no mérito. A própria relatora reconhece que o Supremo Tribunal Federal, em decisão recente alterou a jurisprudência, no sentido de que a revogação de isenção não estaria sujeita ao princípio da anterioridade, uma vez que não se trata de nova incidência e sim de imposto já existente. (RE 564225 AgR/RS, relator Min. Marco Aurélio, 02/09/2014). Decidir contrariando posicionamento recente da Corte Máxima significa a meu ver um atraso do Tribunal Administrativo, que obriga os Contribuintes forçosamente a procurar a via judicial, elevando também os custos da Administração Pública com custas processuais e honorários advocatícios. Como bem defendo neste Conselho e repito, o Tribunal Administrativo precisa ser útil a sociedade e buscar o melhor deslinde das demandas em busca da pacificação social e do interesse público, com base nos princípios sólidos de nossa Constituição Federal e da Lei dos Processos Administrativos Federais (Lei 9784/99). O argumento recorrente de que a Fazenda Nacional não pode buscar o judiciário, e que por isso prescinde de um tratamento protetivo no tribunal administrativo é lacônico, caso contrário, bastaria então que se mantivessem todas as autuações fiscais e que o Contribuinte fosse redirecionado automaticamente para o Poder Judiciário, o que sem dúvida alguma, não é o interesse da nossa legislação, muito menos dos administrados. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 722DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13204.000147/2005-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha).
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.767
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÕES. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). Recurso Especial do Procurador Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rodrigo da Costa Possas e Júlio César Alves Ramos, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 01 47 /2 00 5- 78 Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13204.000147/200578 Acórdão n.º 9303004.767 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3403002.039, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas a parte da ementa que interessa ao presente julgamento: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 (...) CRÉDITOS. SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação ao serviço de remoção de lama vermelha, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (alumina). (...) Recurso Provido em Parte. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra o direito de crédito das contribuições não cumulativas quanto às despesas com serviço de remoção de lama vermelha. Alega divergência de interpretação em relação aos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.754, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 13204.000007/200508, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, em parte, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação da questão do direito de crédito sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13204.000147/200578 Acórdão n.º 9303004.767 CSRFT3 Fl. 4 3 Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.754): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, com relação à remoção de resíduos industriais (lama vermelha), enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. No concernente ao segundo tema, o acórdão recorrido entendeu que somente se deveria reconhecer as receitas financeiras provenientes de variações cambiais quando da liquidação do contrato ou da obrigação. Já o Acórdão nº 20180.817, concluiu que, por expressa previsão legal (art. 92 da Lei n2 9.718/98), a variação cambial ativa equiparase à receita financeira e deve tributada pelo PIS da mesma forma que for tributada pelo IRPJ e pela CSLL: regime de caixa ou de competência, conforme o caso. Conhecido na integralidade, entendemos assistir, em parte, razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Com relação ao primeiro tema, depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13204.000147/200578 Acórdão n.º 9303004.767 CSRFT3 Fl. 5 4 Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13204.000147/200578 Acórdão n.º 9303004.767 CSRFT3 Fl. 6 5 Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo de serviços de remoção de resíduos industriais. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos (exceto, como se verá, quanto a um dos itens). Com relação à remoção dos resíduos industriais, diferentemente do que se deu noutros processos do mesmo contribuinte, o crédito sobre este serviço foi expressamente reconhecido pela Câmara baixa, com base nos seguintes fundamentos, replicados de outros acórdãos da mesma turma: “Deve ser reconhecido o direito de crédito em relação ao pagamento pela prestação de serviço de remoção de rejeitos industriais, visto que tal atividade deve ser considerada como inserida no contexto da produção, tal como sustenta o Recorrente (fl. 464/465). Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois os serviços de transporte dos resíduos industriais configuram atos que viabilizam e integram a atividade produtiva. Não apenas o transporte de matériaprima destinada ao processo produtivo, mas também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configura ato que viabiliza e integra o processo produtivo. Este tema foi enfrentado logo nos primeiros julgados deste Conselho a respeito do regime nãocumulativo, concluindose que “Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002)” (trecho do voto proferido no Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008). Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13204.000147/200578 Acórdão n.º 9303004.767 CSRFT3 Fl. 7 6 Entendo, pois, que deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de remoção de resíduos em questão. Nos autos do processo administrativo nº 10280.722274/200954 – que envolveu a mesma contribuinte e a mesma controvérsia –, o il. Conselheiro Antônio Carlos Atulim ainda teceu as seguintes considerações a respeito: Relativamente aos serviços de transporte de rejeitos industriais, a análise da descrição do processo produtivo revela que ele gera os detritos lama vermelha, areia e crosta, que depois de serem devidamente tratados, vão para os tanques de rejeitos industriais a fim de serem descartados. Estando esses rejeitos umbilicalmente ligados à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04. Não há como se concordar com a alegação da Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, no sentido de que custos incorridos após a obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto incorrido na atividademeio. Observese que o rendimento da bauxita está na razão de 5:1. Isso significa, em um cálculo grosseiro, que para produzir uma tonelada de alumina, são necessárias cinco toneladas de minério. O minério não se encontra na natureza em estado puro. Ele se encontra disperso no solo e vem contaminado com impurezas. Após a retirada da tonelada de alumina, as quatro toneladas restantes são rejeitos industriais aos quais a empresa é obrigada a dar destino adequado, a fim de evitar problemas ambientais. Isso não é um gasto com atividademeio. Ainda que se considere que os gastos com esses rejeitos são posteriores ao processo produtivo, é fora de qualquer dúvida que eles decorrem do processo produtivo, pois os rejeitos somente deixariam de existir se a linha de produção parasse. Por isso o gasto com o serviço de retirada desses rejeitos é um custo de produção da alumina que se enquadra no art. 290, I do RIR/99. (g.n.) Considerando, pois, que a remoção dos resíduos industriais que resultam da produção da alumina revestese de particularidades que a afastam das verificadas nos processos que comumente chegam a este Colegiado, entendemos correto o acórdão recorrido, ao conferir ao contribuinte, quanto a este item, o direito ao crédito do PIS/Cofins. Com relação ao segundo tema, assim dispôs o acórdão recorrido: (...) Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, apenas para que as receitas decorrentes das variações cambiais obedeçam ao regime de competência, em conformidade com a opção realizada pela contribuinte." Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13204.000147/200578 Acórdão n.º 9303004.767 CSRFT3 Fl. 8 7 No caso destes autos, deixouse de transcrever a parte do voto do paradigma que apreciou o segundo tema (variações cambiais), por tratarse de questão não travada no presente processo, cujo litígio, como relatado, restringese ao direito de crédito das contribuições sobre os serviços de remoção de rejeitos industriais (lama vermelha). Como na decisão do paradigma o direito de crédito sobre esses serviços foi reconhecido, no presente processo deve ser negado provimento (total) ao especial da Fazenda. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, mas, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 360DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000855/2004-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999
NÃO CONHECIMENTO - RECURSO ESPECIAL - AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA - IRPJ E LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL, PIS E COFINS.
Para que seja conhecido Recurso Especial de divergência deve ser demonstrada a similitude fática entre Acórdãos recorrido e paradigma.
No presente caso não restou demonstrada tal similitude fática, pois o Acórdão paradigma apresentado trata de não recolhimento de contribuição previdenciária sobre a rubrica auxílio alimentação, enquanto que a discussão acerca do pagamento sobre determinada rubrica não cabe em sede de discussão de decadência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS.
Numero da decisão: 9101-002.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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Para que seja conhecido Recurso Especial de divergência deve ser demonstrada a similitude fática entre Acórdãos recorrido e paradigma. No presente caso não restou demonstrada tal similitude fática, pois o Acórdão paradigma apresentado trata de não recolhimento de contribuição previdenciária sobre a rubrica auxílio alimentação, enquanto que a discussão acerca do pagamento sobre determinada rubrica não cabe em sede de discussão de decadência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 08 55 /2 00 4- 91 Fl. 1762DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase o presente de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão no 110200.314, por meio do qual os membros do Colegiado acordaram em, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência e cancelar o lançamento, com fulcro no art. 150, §4º, do CTN. Na origem, tratase de Auto de Infração lavrado para cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, e consectários legais, pela apuração de omissão de receitas caracterizada: a) pela falta de comprovação dos valores computados como devolução de mercadorias vendidas; b) falta de comprovação dos abatimentos incondicionais. Ciente em 01/09/2004, o Contribuinte apresenta impugnação alegando, em síntese, a preliminar de decadência do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário no período de janeiro a dezembro 1998 e de janeiro a agosto de 1999, nos termos do § 4° do artigo 150, do CTN, dentre outras matérias. A DRJ julgou o lançamento procedente. Inconformado, o Contribuinte apresentou, tempestivamente, o competente Recurso Voluntário, arguindo, novamente, a decadência, dentre outras matérias. No julgamento do Recurso a 2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento acolheu a preliminar de decadência, cancelando, em parte, o lançamento, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 e 1999 PAF — PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO Os princípios são as diretrizes que devem ser observadas pelo administrador tributário. A constituição traz em si normas e princípios jurídicos vinculantes que apontam o sentido no qual a decisão deve seguir. PAF NULIDADES — Não provada violação as regras do artigo 142 do CTN nem dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, não há que se falar em nulidade, do lançamento, do procedimento fiscal que lhe deu origem, ou do documento que formalizou a exigência fiscal. IMPOSTO DE RENDA/CSLL PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de oficio, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária, que no caso das empresas que Fl. 1763DF CARF MF Processo nº 18471.000855/200491 Acórdão n.º 9101002.843 CSRFT1 Fl. 1.764 3 optam em apurar seus resultados em base anual, ocorre ao final do anocalendário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RECEITA. DESCONTOS CONDICIONAIS COMPROVAÇÃO – 0 fato da contribuinte alegar que emite as notas fiscais pelo valor liquido, já expurgadas as devoluções, mas que as contabiliza pelo valor bruto menos desconto, sem contudo provar tais fatos, autoriza o lançamento das deduções não comprovadas. DESPESAS DEVOLUÇÕES CONCEITO E DEDUTIBILIDADE argumento de que o fisco estadual desobriga a emissão de nota de entrada dos jornais e periódicos devolvidos, não pode ser oposto ao fisco federal que tem regras especificas quanto a forma de procedimento nesses casos (notas fiscais de entrada e/ou laudos de destruição de inserviveis). DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Súmula Vinculante n2 8, O Supremo Tribunal Federal consagrou que o prazo decadencial e prescricional das contribuições previdencidrias, entre as quais de inclui o PIS e a COFINS prevalece aqueles estabelecido no Código Tributário Nacional. Preliminar de decadência acolhida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência dos fatos geradores do IRPJ e CSLL para os fatos geradores ocorridos até 31/12/1998 e para o PIS e COFINS, até o mês de agosto de 1999, no mérito, por maioria de votos NEGAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Frederico que aplicava o artigo 148 CTN. Declarouse impedido o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” Cientificada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando rediscutir a matéria decadência. Para demonstração da divergência a Fazenda apresenta o Acórdão 2301 00253 como paradigma, argumentando que o entendimento foi totalmente oposto àquele contido no recorrido, no sentido de que configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Nesse contexto, a Fazenda Nacional requer o conhecimento de seu Recurso Especial. Em suas razões, alega, em suma: Fl. 1764DF CARF MF 4 ü Os relatórios e demonstrativos apresentados pela fiscalização apontam que a antecipação do recolhimento dos tributos não ocorreu nas competências descritas no lançamento, motivo pelo qual, tornase necessária a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN e não, do art. 150, § 4° do CTN; ü O Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4° e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173 do CTN; ü O aludido provimento concedeu à contribuinte urna decisão muito mais favorável do que ela obteria junto ao próprio Poder Judiciário. A Autoridade competente deu seguimento ao Recurso Especial, nos seguintes termos: “No exame dos autos observase que o Termo de Constatação e Verificação às fls. 451/452 identifica como autuado Infoglobo Comunicações Ltda, CNPJ 00.396.253/000126, ao passo que os pagamentos apresentados se referem a Infoglobo Comunicações Ltda, mas sob CNPJ 33.100.967/000102. Demais disso, ao recurso voluntário estão juntados, apenas, comprovantes de recolhimento de COFINS (código 2172) de janeiro/98 a março/98, maio/98 a março/99, maio/99 a junho/99 e agosto/99 a dezembro/99 (fls. 1278/1287), além de abril/98 (fl. 1290) e julho/99 (fl. 1297) e outubro/99 (fl. 1298); e de Contribuição ao PIS (código 8109) de janeiro/98 a março/99, maio/99 a setembro/99 e novembro/99 e dezembro/99 (fls. 1288/1298), além de outubro/99 (fl. 1299). Assim, ainda que se admita que a exigência teve em conta a apuração do CNPJ nº 33.100.967/000102, não há prova de recolhimento da COFINS e da Contribuição ao PIS devidas no período de apuração de abril/99, nem de IRPJ e de CSLL devidos no anocalendário 1998. Ainda assim, foi aplicado o art. 150, §4º do CTN, mormente tendo em conta as declarações prestadas pelo sujeito passivo, especialmente a DIPJ admitida como instrumento de confissão de dívida pelo voto condutor do julgado questionado. Constato, ante o exposto, que o recurso é tempestivo e que a recorrente identifica validamente a divergência, razão pela qual DOU seguimento ao recurso especial.” Regularmente intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões, alegando e requerendo, em suma: ü O Recurso não deve ser conhecido por tratar de situação fática distinta da presente, pois tratou especificamente de não recolhimento de contribuição previdenciária sobre a rubrica auxílio alimentação; a discussão acerca do pagamento sobre determinada rubrica não cabe em sede de discussão de decadência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS; Fl. 1765DF CARF MF Processo nº 18471.000855/200491 Acórdão n.º 9101002.843 CSRFT1 Fl. 1.765 5 ü O não conhecimento do recurso, dado que o entendimento do Acórdão paradigma já foi superado pela Súmula 99; ü No caso, o Contribuinte juntou aos autos comprovantes de recolhimento do PIS e da COFINS do período de 01/1998 a 08/1999, bem como DIPJ e DCTF do anocalendário 1998; ü A autoridade fiscal não identificou os pagamentos tendo em vista que buscou recolhimentos em nome da Recorrida, porém estes foram efetuados pela empresa que cometeu as infrações e que fora incorporada pela Recorrida no ano 2000; ü Nesse contexto, plenamente aplicável ao caso o §4º, do artigo 150, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Quanto à admissibilidade, entendo prudente algumas considerações. O acórdão paradigma tratou da decadência do direito de constituição de crédito tributário de contribuições previdenciárias, na hipótese em que o recolhimento realizado pelo contribuinte considerou apenas rubricas específicas, conforme se pode ver da ementa abaixo: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. ALIMENTAÇÃO. NÃO INSCRIÇÃO NO PAT. PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. No presente caso, a recorrente não estava inscrita no PAT, requisito essencial para desfrutar do beneficio fiscal. Recurso Voluntário Negado" Fl. 1766DF CARF MF 6 Vale destacar que a tese defendida no acórdão recorrido foi superada com a edição da Súmula CARF 99, aprovada pela 2ª Turma da CSRF em sessão de 09/12/2013, com a seguinte redação: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.(g.n) A par disso, o fato é a matéria discutida no julgamento do acórdão paradigma tratase de matéria totalmente distinta daquela discutida nos presentes autos. Não se discute incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sobre rubricas pagas a trabalhadores, matéria exclusivamente relacionada à base de cálculo de contribuições previdenciárias. Logo, de fato referido acórdão não é suficiente para demonstrar a divergência de interpretação da Lei tributária, não servindo como paradigma apto ao conhecimento do Recurso Especial nos presentes autos. Nesse contexto, voto não conhecer o recurso da União. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 1767DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.722594/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2301-000.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, em decorrência da juntada de novas provas ao processo, vencida a relatora, que votou pelo prosseguimento do julgamento, por preclusão temporal para a apresentação de provas no processo. Designado redator do voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora.
(assinado digitalmente)
Julio Cesar Vieira Gomes - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, em decorrência da juntada de novas provas ao processo, vencida a relatora, que votou pelo prosseguimento do julgamento, por preclusão temporal para a apresentação de provas no processo. Designado redator do voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício e Relatora. (assinado digitalmente) Julio Cesar Vieira Gomes Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente em Exercício e Relatora), Fabio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente convocada). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 22 59 4/ 20 09 -5 8 Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2301000.649 S2C3T1 Fl. 371 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal Auto de Infração, (AI) DEBCAD nº 37.183.5739, lavrado pela fiscalização contra a empresa em epígrafe, no montante R$ 285.621,76 (duzentos e oitenta e cinco mil e seiscentos e vinte e um reais e setenta e seis centavos).consolidado em 28/12/2009, relativo às contribuições previdenciárias devidas pelos empregados e contribuintes individuais à Seguridade Social, incidentes sobre o total de suas remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, no período de 01/2004 a 12/2006, não declaradas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. 2. De acordo com o Relatório Fiscal, constituem fatos geradores apurados, através dos seguintes levantamentos: • CI CONTRIBUINTE INDIVIDUAL DIRF remuneração paga aos prestadores de serviço, segurados contribuintes individuais, conforme declarado na DIRF, nas competências 10/2004, 03/2005, 04/2005, 07/2005, 08/2005, 09/2005, 12/2005 e 01/2006, com aplicada multa anterior (24%). • CI1 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL DIRF remuneração paga aos prestadores de serviço, segurados contribuintes individuais, conforme declarado na DIRF, nas competências 01/2004, 06/2004, 08/2004, 04/2006, 05/2006, 06/2006, 08/2006 e 10/2006, com aplicada multa de oficio (75%). • PS PRESTADOR DE SERVIÇO PF relacionado às remunerações pagas aos demais contribuintes individuais por serviços prestados sem vinculo empregatício, nos meses de 10/2004, 02/2005, 03/2005, 05/2005, 07/2005, 08/2005, 12/2005, 01/2006 e 03/2006, verificados na contabilidade e na Relação de Pagamento a Autônomos, com aplicação de multa anterior (24%). • PS1 PRESTADOR DE SERVIÇO PF relacionado às remunerações pagas aos demais contribuintes individuais por serviços prestados sem vínculo empregatício, nos meses de 01/2004, 02/2004, 06/2004, 08/2004 09/2004 04/2006, 08/2006, 09/2006, verificada na contabilidade e na Relação de Pagamento a Autônomos, com aplicada multa de ofício (75%). • FP DIVERGÊNCIA DIARIO X GFIP relativo às diferenças de remuneração verificada entre GFIP e os lançamentos contábeis registrados nas contas4010101, 4010102, 4010103, 4010109, 4010121, 2010701 4010129 4010130, 4010131, 2010712, 2010713, 4010137, 4010138, 4010139, 4010140, 2010405, 4010122, 2010702 e 2010408, relativos às competências: 10/2004, 02/2005 a 05/2005, 08/2005 a 10/2005, 01/2006, 03/2006 e 12/2006, com aplicação de multa anterior (24%). • FP1 DIVERGÊNCIA DIARIO X GFIP relativo às diferenças de remuneração verificada entre GFIP e os lançamentos contábeis registrados nas contas4010101, 4010102, 4010103, 4010109, 4010121, 2010701 4010129 4010130, 4010131, 2010712, 2010713, 4010137, 4010138' 4010139' 4010140, 2010405, 4010122, 2010702 e 2010408, relativos às Fl. 396DF CARF MF Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2301000.649 S2C3T1 Fl. 372 3 competências: 08/2004, 04/2006, 09/2006, 10/2006 e 13/2006, com aplicação de multa de ofício (75%). • IH INCENTIVE HOUSE FLEXCARD referentes a pagamentos efetuados a segurados empregados a título de incentivo à produtividade prêmio realizados mediante a utilização de cartões personalizados denominados "FLEXCARD" e "PREMIUM CARD" por intermédio da empresa Incentive House S/A (CNPJ 00.416.126/000141) identificado na contabilidade através dos lançamentos efetuados nas contas: 401050505 (Serviços de Pessoas Jurídicas), 4010112 (Serviços de Pessoas Jurídicas), 2010201 (Fornecedores), 2010703 (Provisões Diversas), 2010709 (Provisão Comissões p/Canais CP), 2010608 (Credores Diversos), 4010143 (Benefícios), relativo aos meses de 10/2004, 02/2005, 04/2005, 01/2006 e 03/2006, com aplicação de multa anterior (24%). • IH1 INCENTIVE HOUSE FLEXCARD referentes a pagamentos efetuados a segurados empregados a título de incentivo à produtividade prêmio realizados mediante a utilização de cartões personalizados denominados "FLEXCARD" e "PREMIUM CARD" por intermédio da empresa Incentive House S/A (CNPJ 00.416.126/000141) identificado na contabilidade através dos lançamentos efetuados nas contas: 401050505 (Serviços de Pessoas Jurídicas), 4010112 (Serviços de Pessoas Jurídicas), 2010201 (Fornecedores), 2010703, (Provisões/Diversas), 2010709 (Provisão Comissões p/Canais CP), 2010608 (Credores Diversos), 4010143 (Benefícios), relativo aos meses de 06/2004 a 08/2004, 11/2004, 04/2006 e 06/2006 a 09/2006, com aplicação de multa de ofício (75%). • PP PREVIDÊNCIA PRIVADA relativo a pagamentos efetuados a segurados empregados a título de previdência privada, benefício não estendido a todos os segurados, constituindo salário indireto, verificado na escrituração contábil através dos lançamentos efetuados nas contas: 4010133 (Previdência Privada), 2010709 (Provisão Comissões p/Canais CP) 2010201 (Fornecedores), 4010146 (RH Indireto Previdência Privada)' 2010616 (Previdência) referente ao período de 10/2004, 12/2004 02/2005 a 12/2005, 01/2006 e 03/2006. Valores não declarados nas GFIP, com aplicação de multa anterior (24%). • PP1 PREVIDÊNCIA PRIVADA relativo a pagamentos efetuados a segurados empregados a título de previdência privada, benefício não estendido a todos os segurados, constituindo salário indireto, verificado na escrituração Privada), 2010709 (Provisão Comissões p/Canais CP), 2010201 (Fornecedores), 4010146 (RH Indireto Previdência Privada), 2010616 (Previdência) referente ao período de 05/2004 a 09/2004, 11/2004, 01/2005, 02/2006 e 04/2006 a 12/2006, com aplicação de multa de ofício (75%). • GF DECLARADO EM GFIP relativo às remunerações e contribuição dos segurados declarados em GFIP. Levantamento criado para apropriar os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo para a correta confrontação dos valores das contribuições devidas apurados durante a auditoria. As planilhas que constituem os anexos: SC (demonstra a composição do total das remunerações) e QSC (que demonstra as diferenças entre os valores declarados em GFIP e os montantes apurados na escrita contábil); SCI a SCVII", contém informações acerca dos lançamentos contábeis considerados no levantamento tais como: data, valor, código da conta, descrição da conta, número do lançamento. A multa de ofício aplicada sobre as contribuições lançadas no presente auto de infração, relativas às competências 01/2004 e 02/2004, 05/2004 a 09/2004. 11/2004, 01/2005, Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2301000.649 S2C3T1 Fl. 373 4 02/2006, 04/2006 a 11/2006 e 13/2006 foi aumentada da metade, passando a ser de 112,5% (cento e doze vírgula cinco por cento), na forma que dispõe o art. 44, § 2º, incisos I e II, combinado com o art. 44, inciso I, todos da Lei n° 9.430/96, com a redação trazida pela Lei n° 11.488/2007. Tal agravamento decorreu da conduta da empresa em: a) não fornecer a relação discriminando os valores pagos, por segurado e competência relativos às notas fiscais emitidas pela Incentive House, referentes aos valores pagos em 25/04/2006, no valor de R$ 8.526,00 lançado na conta 4010143 e em 31/07/2006, no valor de R$ 6.330,00 escriturado na conta 401050505, impossibilitando a correta identificação dos segurados abrangidos por esses pagamentos; b) não fornecer a relação dos beneficiários de plano de previdência privada por nota fiscal indicando os valores dos prêmios e descontos, relativo às empresas Icatu Hartford e Vera Cruz Seguradora; e c) apresentação tardia (em 06/07/2009) das informações em meio digital no leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD da Secretaria da Receita Previdenciária SRP, cujo prazo para apresentação expirou em 28/02/2008. Cientificada em 04/01/2010, a autuada apresentou impugnação de efls. 157/173, com juntada de documentos de efls. 174/221, onde traz as alegações à seguir sintetizadas, nos termos do relatório do acórdão atacado: Preliminarmente: • INEXISTÊNCIA DE CONDUTA DOLOSA PELO SUJEITO PASSIVO: 7.1. De acordo com os fatos expostos no Relatório Fiscal, não houve evidente intuito de fraude pela impugnante a justificar a acusação de que pelo fato das contribuições previdenciárias lançadas neste Auto de Infração não terem sido recolhidas nem declaradas em GFIP, configurouse, em tese, o ilícito descrito no artigo 337A, do Decreto Lei n° 2.848/40 (Código Penal Brasileiro), tendo sido emitida Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), e encaminhada ao Ministério Público Federal. 7.2. Entende a defesa, que a autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar a existência da fraude, razão pela qual devem ser anulados os efeitos jurídicos de tal declaração, em especial no que diz respeito à contagem do prazo decadencial, a qual deveria aplicar o §4º do artigo 150 do CTN. Cita doutrina e jurisprudência. • DA DECADÊNCIA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ANO DE 2004): 7.3. O Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do Recurso Especial n° 973733, publicado em 18.09.2009, decidiu que, nos casos em que não há qualquer pagamento antecipado, aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação o prazo decadencial previsto no artigo 173 inciso I, do CTN, e não aquele previsto no artigo 150, § 4º, do mesmo diploma legal. Referida decisão está submetida ao regime do artigo 543C do Código de Processo Civil, que dispõe sobre os recursos repetitivos, de modo que a referida decisão é aplicável aos demais recursos com fundamento em idêntica controvérsia. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2301000.649 S2C3T1 Fl. 374 5 7.4. No caso sob exame, o lançamento decorre da insuficiência do recolhimento do tributo, em razão da homologação parcial das GFIP's transmitidas, tendo sido reconhecido o recolhimento, ainda que insuficiente, de contribuições previdenciárias no período objeto da Fiscalização (janeiro de 2004 a dezembro de 2006), consoante reconhecido pela própria Autoridade Fiscal em seu relatório. 7.5. A impugnante, portanto, recolheu a totalidade da contribuição previdenciária apurada e declarada segundo os critérios de apuração por ela adotados, devendo ser aplicado o prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4º, do CTN. Havendo pagamento, ainda que parcial, o termo inicial para contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação deve ser a data da ocorrência do fato gerador, conforme entendimento adotado pelo CARF o qual cita acórdão. 7.6. De acordo com o artigo 30 da Lei n° 8.212/1991, o período de apuração das Contribuições Previdenciárias das empresas e dos segurados (empregado e contribuinte individual) é mensal, devendo ser este o termo início da contagem do prazo decadencial para a constituição dos respectivos créditos tributários. 7.7. Assim, tendo em vista que a impugnante foi cientificada do lançamento no dia 04.01.2010. à época, já estavam atingidos pela decadência os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a dezembro de 2004. Quanto ao mérito: • DO ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO: IMPROCEDÊNCIA DOS VALORES LANÇADOS. 7.8. No caso em questão, conforme previsto no artigo 22 da Lei nº 8.212/91, a base de cálculo da contribuição em referência é o valor das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que prestem serviços à empresa. 7.9. No período fiscalizado, a IMPUGNANTE realizou pagamentos à ICATU HARTFORD (CNPJ n° 42.283.770/000139) e à VERA CRUZ SEGURADORA S/A (CNPJ 54.484.753/000149), a título de previdência privada, os quais foram considerados como salários indiretos. 7.10. Contudo, em sua análise, em relação à rubrica Previdência Privada, a Fiscalização considerou, erroneamente, a realização de pagamentos àquelas empresas no valor de R$ 3.958.476,32, quando, na verdade, o valor efetivamente pago foi R$ 2.673.967,03, sendo à R$ 2.235.114,26 à ICATU HARTFORD; e R$ 438.852,77 à VERA CRUZ SEGURADORA S/A. 7.11. O erro na apuração da base de calculo decorre da incorreta interpretação dos lançamentos para apuração proporcional das despesas, de acordo com respectivo centro de custos, tendo os "Lançamentos para Reversão" sido computados como novos Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2301000.649 S2C3T1 Fl. 375 6 pagamentos às empresas ICATU HARTFORD e VERA CRUZ SEGURADORA S/A. 7.12. Como decorrência, em face da adição de "Lançamentos de Reversão" aos pagamentos realizados às empresas de previdência privada, a base de cálculo da contribuição previdenciária foi majorada em R$ 1.284.509,29, gerando um ônus excessivo à Impugnante, ante a imposição da cobrança da exação sobre valores decorrentes de mero ajuste contábil e que, portanto, não compõem a base de cálculo da contribuição. 7.13. Para comprovar o alegado, a defesa apresenta Declaração da empresa VERA CRUZ SEGURADORA S/A, e da ICATU HARTFORD, com a indicação dos valores recebidos da IMPUGNANTE, a título de previdência complementar, no período fiscalizado. 7.14. Por todo exposto, ao considerar meros ajustes contábeis como base de cálculo da contribuição previdenciária, houve erro na construção do lançamento, eivandoo de vício material insanável, razão pela qual deve ser cancelado o auto de infração. De acordo com o artigo 142 do CTN, a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação e a determinação da matéria tributável são, entre outros, elementos essenciais e intrínsecos do lançamento, conforme entendimento do CARF, o qual cita ementa. 7.15. Portanto, apesar de a Fiscalização ter considerado documentos de caráter gerencial, a autoridade fiscal não compreendeu a existência de dois lançamentos para um mesmo fato contábil um após o outro (mas, o mesmo fato) sendo o segundo lançamento realizado unicamente para obedecer ao critério de rateio por centro de custos (divisão gerencial, apenas). Assim, na composição da base de cálculo da contribuição previdenciária, em relação aos pagamentos de previdência privada, foram computados valores que não correspondem aos efetivamente incorridos pela IMPUGNANTE, posto que decorriam de uma mesma obrigação (e não de duas, como interpretou a Fiscalização). • DA IMPROCEDÊNCIA DA PENALIDADE AGRAVADA: 7.16. A autoridade fiscal aplicou, ao presente caso, a penalidade de ofício agravada, no percentual de 112,5%, sob o fundamento de que a Impugnante apresentou, fora do prazo, as informações relativas à folha de pagamento em meio digital; e deixou de apresentar a relação dos valores pagos, por segurado e competência, relativos às notas previdência privada, por nota fiscal, indicando os valores dos prêmios e descontos, relativos às empresas ICATU HARTFORD E VERA CRUZ SEGURADORA. 7.17. Com relação ao atraso na entrega de informações em meio digital este decorreu do exíguo prazo 3 dias estipulado pela Fiscalização. Tão logo dispôs dos referidos documentos, estes foram apresentados à fiscalização. Quanto aos relatórios citados, não foi possível atender à solicitação, por não dispor a IMPUGNANTE dos documentos solicitados. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2301000.649 S2C3T1 Fl. 376 7 7.18. Frisese que não restou configurado qualquer propósito protelatório da IMPUGNANTE, com a intenção de dificultar a fiscalização. A falta de apresentação de documentos, por si só, não enseja a aplicação da penalidade agravada. A jurisprudência do CARF afasta o agravamento da multa de ofício "quando a conduta do contribuinte não causa embaraço ou dificuldade ao trabalho da autoridade autuante, consubstanciado na posse pela autoridade de todos os elementos para concretizar o lançamento" (Recurso n° 159003, de 05 de fevereiro de 2009). Como exemplo, vejamos a decisão a seguir: 7.19. Desse modo, inexistindo qualquer embaraço à Fiscalização, tendo o lançamento, inclusive, se baseado na documentação fornecida pela RECORRENTE, a penalidade de ofício deve ser reduzida ao percentual de 75%. • DO PEDIDO 7.20. Ante o exposto, a impugnante requer seja dado provimento a presente impugnação, para que seja reconhecida: (i) a decadência parcial do crédito tributário, relativamente ao período de janeiro a dezembro de 2004, em conformidade com o artigo 150, § 4º, do CTN; (ii) no mérito, a improcedência do presente lançamento, em razão do erro na construção do lançamento, em afronta ao artigo 142 do CTN; e (iii) caso seja mantida a exigência tributária, a improcedência da penalidade agravada, devendo o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba DRJ/CTA, em sessão de 20/09/2013, julgou procedente em parte a impugnação, excluindo as competências de 01/2004 a 11/2004, em virtude da decadência, alterando o valor originário de R$ 142.013,30 para R$ 118.609,83, nos termos do Acórdão nº 0643.862 (efls. 222/245), assim redigido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO (AI).SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. O Auto de Infração (AI) encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequadas motivações jurídicas e fáticas, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da Lei. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória (art.142, parágrafo único do CTN). DECADÊNCIA. FATOS GERADORES LANÇAMENTO DE OFICIO Sujeitase ao lançamento de ofício os fatos geradores não declarados em GFIP e identificados pela fiscalização, através de documentos entregues pela empresa (folha de pagamento, RAIS, DIRF, contabilidade, etc), caso em que se aplica o prazo decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme artigo173, inciso I, do CTN. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2301000.649 S2C3T1 Fl. 377 8 SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. DEVER DE OFÍCIO. É dever dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, sob pena de responsabilidade funcional, formalizar Representação Fiscal para Fins Penais sempre que no exercício de suas atribuições verificarem, em tese, a ocorrência de conduta típica definida em lei como crime contra a Seguridade Social. LANÇAMENTOS CONTÁBEIS. APURAÇÃO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. A contabilidade do Contribuinte, por si só, consubstanciase na prova material necessária da ocorrência dos eventos ali registrados, constituindo a fonte de informações de que se utiliza a fiscalização. MULTA AGRAVADA. O percentual da multa de ofício será aumentado de metade quando o contribuinte deixar de apresentar tempestivamente os arquivos digitais . ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados na Contabilidade, nas Folhas de Pagamento, Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) e Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS), de sua própria elaboração. PRECLUSÃO TEMPORAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros da 5ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, considerar a IMPUGNAÇÃO PROCEDENTE EM PARTE, MANTENDO EM PARTE O CREDITO TRIBUTÁRIO, com exclusão das competências de 01/2004 a 11/2004, em virtude da decadência, alterando o valor originário de R$ 142.013,30 para R$ 118.609,83, devendo ser adicionados a este os devidos acréscimos legais. Sendo a impugnação parcial, o órgão preparador, se entender cabível, deve adotar as providências de sua alçada (Decreto nº 70235/72, artigo 21, caput e §1º). Vencido o julgador José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro apenas na prejudicial de mérito, por considerar que o prazo do art. 173, I, da Lei n° 5.172, de 1966, foi interrompido, quando da cientificação do Termo de Início de Procedimento Fiscal, por força do parágrafo único do art. 173 da Lei n° 5.172, de 1966 (REsp 766.05/PR e REsp 973.733/SC). Cientificada da decisão em 15/10/2013 (efls. 256/257), apresentou Recurso Voluntário em 13/11/2013 (efls. 266/287), repisando as alegações da impugnação. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2301000.649 S2C3T1 Fl. 378 9 Em 06/11/2014, resolveram os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento converter o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 2302000.365 (efls. 325/329), para que a Fiscalização se manifestasse acerca da base de cálculo utilizada para obterse o montante do crédito tributário lançado. Em 10/05/2016 a autoridade autuante anexou Informação Fiscal de efls. 331/334 na qual ratifica as bases de cálculo utilizada no Auto de Infração, conforme abaixo transcrito: 6.4.Importante frisar que os valores dos prêmios (previdência privada) considerados como integrante do saláriodecontribuição (base de cálculo), bem como a origem contábil indicados nas planilhas (anexos) demonstram que não houve ocorrência de mais de um lançamento para o mesmo fato. 6.5.Por outro lado, compulsando os autos, também não identificamos nenhum documento ou cópia da escrituração contábil que comprovassem a argumentação de que os "lançamentos de reversão" foram adicionados indevidamente a base de cálculo. Ao contrário, as planilhas elaboradas (fls. 100 a 153) comprovam que não existem lançamentos em duplicidade, tampouco de lançamentos de reversão que foram considerados na base de cálculo. 6.6.Verificamos que a recorrente, por sua vez, apresenta as mesmas alegações quando da impugnação dos AIOP DEBCAD 37.057.2416, 37.183.5747 e AIOA 37.200.3095, quanto ao erro na apuração da base de cálculo do lançamento relativo aos pagamentos efetuados aos seus empregados a título de previdência privada. Nesse aspecto, importante destacar que os Acórdãos n° 0643.861, n° 0643.860 e n° 0643.863, respectivamente, proferidos pela 5a Turma de Julgamento em Curitiba (PR) afastaram estas mesmas argumentações, ora questionadas neste auto, de modo que não restam dúvidas à procedência do lançamento do crédito tributário. Assim sendo, as alegações apresentadas na peça recursal não são suficientes para afastar o procedimento adotado que teve como base a escrituração contábil da recorrente. ... 6.13.Diante do acima exposto, improcede a argumentação da recorrente de erro na base de cálculo. Dessa forma não havendo retificação a ser feita na base de cálculo o crédito tributário lançado no Auto de infração n° 37.183.5739 deve ser mantido integralmente. A recorrente apresentou nova manifestação (efls. 338/345) alegando que a informação fiscal juntada "não atende ao solicitado na decisão do CARF, não informa a correta base de cálculo das contribuições previdenciárias ou a forma como foi realizada a sua apuração". Também que "a diligência não aprofundou a análise da contabilidade da CONTRIBUINTE, mesmo com a apresentação de documentos que esclarecem os lançamentos efetuados e tampouco explicou como foi realizada a apuração da base de cálculo, a ponto de demonstrar que os valores contabilizados como "reversão" não foram considerados nos cálculos." É o relatório. Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2301000.649 S2C3T1 Fl. 379 10 Voto Vencido Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Admissibilidade Verificados os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a sua análise. Preliminares Decadência Alega a recorrente que, por força da aplicação do art. 150, §4º, do CTN, estaria decaída também a competência 12/2004, além das já reconhecidas pela DRJ/Curitiba. Da análise dos autos, podese verificar a existência de pagamentos parciais para o período em questão (efl. 15), portanto aplicável a Súmula CARF nº 99. Súmula CARF nº 99:Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Assim, considerandose a ciência do lançamento em 04/01/2010, estão decaídos todas as competências até 12/2004, inclusive. Isto porque o termo inicial da contagem do prazo decadencial da competência 12/2004 é 31/12/2004, portanto, referido prazo encerrou em 31/12/2009. Portanto, acolho a preliminar de nulidade para considerar decaída também a competência 12/2004, além das já declaradas pela decisão de piso. Inexistência conduta dolosa ou fraudulenta pelo Sujeito Passivo Alega a recorrente que a mera inadimplência não caracteriza a ocorrência, em tese, da prática de sonegação fiscal, "uma vez que o mero inadimplemento do tributo não importa em infração legal ou em fraude por parte do sujeito passivo". Que para a tipificação da fraude caberia à autoridade fiscal demonstrar a conduta dolosa impetrada pela recorrente, de modo a configurar o tipo penal de sonegação fiscal, a justificar a emissão da Representação Fiscal para Fins Penais, bem como o agravamento da multa. Conforme item 11.3 do Relatório Fiscal (efl. 70), " Considerando que as contribuições previdenciárias lançadas neste Auto de Infração não foram recolhidas e nem declaradas em GFIP, configurase, em tese, o ilícito descrito no art. 337A do DecretoLei nº 2.848/40 (Código Penal Brasileiro), tendo sido emitida a Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), e encaminhada ao Ministério Público Federal." Por seu turno o art. 337A do Código Penal assim dispõe: Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2301000.649 S2C3T1 Fl. 380 11 Sonegação de contribuição previdenciária(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Art. 337A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas:(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I – omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II – deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III – omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias:(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Portanto, tratandose "em tese" do ilícito previsto no art. 377A, do Código Penal, correto o entendimento da DRJ acerca do dever do AuditorFiscal em formalizar a Representação Fiscal para Fins Penais ao Ministério Público Federal. Ademais, por força da Súmula CARF nº 28 (Vinculante), este Conselho não é competente para se manifestar acerca de controvérsia referente a processo administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Acerca do agravamento da multa, a questão será analisada em tópico posterior. Nulidade da autuação por erro na construção do lançamento Improcedência de valores lançados. A recorrente sustenta que o auto de infração encontrase eivado de nulidade por vício material, uma vez que a base de cálculo das contribuições previdenciárias referente à Previdência Privada estaria incorreta porque foram considerados "valores decorrentes de mero ajuste contábil, que não compõem a remuneração efetivamente paga/devida aos empregados e prestadores de serviços". Apresenta a seguinte tabela: Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2301000.649 S2C3T1 Fl. 381 12 Traz ainda as seguintes considerações: 32.1. Em sua análise, em relação à rubrica "previdência privada", a fiscalização considerou, erroneamente, a realização de pagamentos àquelas empresas no valor total de R$ 3.958.476,32, quando, na verdade, o valor efetivamente pago foi R$ 2.673.967,02, sendo R$ 2.235.114,26 à ICATU HARTFORD, e R$ 438.852,77 à VERA CRUZ SEGURADORA S.A. 32.2.O erro na apuração da base de cálculo decorreu da incorreta interpretação dos lançamentos para apuração proporcional das despesas, de acordo com respectivo centro de custos, tendo os "Lançamentos para Reversão" sido computados como novos pagamentos às empresas ICATU HARTFORD e VERA CRUZ SEGURADORA S/A. 32.3.Assim, em face da adição de "Lançamentos de Reversão" aos pagamentos realizados às empresas de previdência privada, a base de cálculo da contribuição previdenciária foi majorada em R$ 1.284.509,29, gerando um ônus excessivo à RECORRENTE, ante a imposição da cobrança da exação sobre valores decorrentes de mero ajuste contábil e que, portanto, não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 33.Para comprovar o alegado, a RECORRENTE apresentou, juntamente à sua impugnação, planilhas esclarecendo os lançamentos efetuados em sua contabilidade e declarações das próprias empresas VERA CRUZ SEGURADORA S/A e ICATU HARTFORD (fls. 3085 a 3091 dos autos), com a indicação dos valores recebidos da RECORRENTE, a título de previdência privada, no período fiscalizado. 34.Dessa feita, restando demonstrado o erro na construção do lançamento, em virtude da incorreta identificação da matéria tributável, é de se decretar a nulidade do auto de infração lavrado em face da RECORRENTE por vício insanável, em consonância com o art. 142 do CTN e com o entendimento adotado por este Conselho, que se extrai dos seguintes julgados: (...) Por sua vez, a autoridade fiscal instada a se manifestar sobre a base de cálculo do lançamento por meio da Resolução nº 2302000.365 (efls. 325/329), ratifica os valores lançados, e esclarece que: Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2301000.649 S2C3T1 Fl. 382 13 6.2.As bases de cálculo das contribuições dos segurados empregados, bem como o cálculo das contribuições dos segurados empregados, objeto do presente questionamento, estão demonstradas nos seguintes anexos: Anexo PPCS I Relação dos Beneficiários de Previdência Privada 2004 (fls. 100 a 103); Anexo PPCSII Cálculo das contribuições dos segurados sobre a remuneração paga a título de Previdência Privada 2005 Icatu Hartford S/A (fls. 104 a 129); Anexo PPCSIII Cálculo das contribuições dos segurados sobre a remuneração paga a título de Previdência Privada 2006 Icatu Hartford S/A (fls. 130 a 132); Anexo FPW2005 Cálculo das contribuições dos segurados sobre a remuneração paga a título de Previdência Privada 2005 Vera Cruz Seguradora S/A MAPFRE (fls. 133 a 146); Anexo FPW2006 Cálculo das contribuições dos segurados sobre a remuneração paga a título de Previdência Privada 2006 Vera Cruz Seguradora S/A MAPFRE (fls. 147 a 153). 6.3.Nesses anexos constam todas as informações necessárias para identificação do fato gerador, a saber: número do certificado, nome do segurado; número do boleto, valor do prêmio, a conta contábil e a data do lançamento; o número da nota fiscal, o número do contrato, o total da remuneração, o valor da contribuição devida, o valor da contribuição descontada e a diferença, ou seja, o valor da contribuição não declarada e não recolhida, objeto do lançamento. 6.4.Importante frisar que os valores dos prêmios (previdência privada) considerados como integrante do saláriodecontribuição (base de cálculo), bem como a origem contábil indicados nas planilhas (anexos) demonstram que não houve ocorrência de mais de um lançamento para o mesmo fato. 6.5.Por outro lado, compulsando os autos, também não identificamos nenhum documento ou cópia da escrituração contábil que comprovassem a argumentação de que os "lançamentos de reversão" foram adicionados indevidamente a base de cálculo. Ao contrário, as planilhas elaboradas (fls. 100 a 153) comprovam que não existem lançamentos em duplicidade, tampouco de lançamentos de reversão que foram considerados na base de cálculo. Analisando as planilhas apresentadas pela recorrente (efls. 215/221) verificase que constam apenas os totais das contas contábeis utilizadas no lançamento, sem a demonstração da composição dos alegados lançamentos de reversão ( Ano 2005 R$ 735.311,46; Ano 2006 R$ 536.370,00). Por sua vez, a autoridade fiscal nos Anexos PPCSI, PPCSII, PPCSIII, FPW2005 e FPW2006 (efls. 100/153) demonstra nominalmente todos os beneficiários dos planos de previdência privada, com base nos lançamentos contábeis que foram considerados na base de cálculo para fins de constituição do crédito tributário e não há nenhum lançamento que possa ser identificado como de reversão a fim de justificar o alegado pela recorrente. Nesse ponto, importante salientar que o ônus da prova incumbe a quem alega. Assim, a autoridade fiscal, no curso do procedimento fiscal tem o dever de instruir corretamente o processo trazendo aos autos todas as provas que possui para conferir robustez ao lançamento fiscal; por outro lado, após a emissão do auto de infração, o ônus da prova Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2301000.649 S2C3T1 Fl. 383 14 invertese. Agora quem tem que provar a inveracidade do documento público constituído é o sujeito passivo, no caso, a recorrente. Entretanto simples alegações não se sustentam se não houver uma prova trazida aos autos da incorreção apontada. E aqui, peca a recorrente, pois alega sem fazer prova de suas alegações. Ademais, tanto na peça impugnatória quanto na recursal, a alegação é apenas refutando o lançamento por incorreção na apuração da base de cálculo, sem adentrar no mérito. Portanto, entendo que não assiste razão à recorrente, uma vez que esta não se desincumbiu do ônus de demonstrar quais os lançamentos que teriam integrado incorretamente a base de cálculo do levantamento Previdência Privada no auto de infração em análise. Agravamento da Multa Com relação ao agravamento da multa, alega que, apesar do atraso na prestação as informações/documentos solicitados pelo fisco, não restou configurado qualquer efeito protelatório, com intenção de dificultar a fiscalização. Também que a falta de apresentação de alguns documentos, por si só, não enseja a aplicação da penalidade agravada. Conforme item 9 do Relatório Fiscal (Do Agravamento), a aplicação da multa agravada não decorreu da falta de pagamento, mas sim da prática de condutas que, no entender do Auditorfiscal, enquadramse no que dispõe o art. 44, § 2º, incisos I e II, combinado com o art. 44, inciso I, todos da Lei n° 9.430/96, com a redação trazida pela Lei n° 11.488/2007 (dificultar a ação fiscal). Lei nº 9430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nosarts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1odeste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para:(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2301000.649 S2C3T1 Fl. 384 15 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam osarts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Tais condutas, no caso sob exame, seriam: a) não fornecer a relação discriminando os valores pagos, por segurado e competência relativos às notas fiscais emitidas pela Incentive House, referentes aos valores pagos em 25/04/2006, no valor de R$ 8.526,00 lançado na conta 4010143 e em 31/07/2006, no valor de R$ 6.330,00 escriturado na conta 401050505, impossibilitando a correta identificação dos segurados abrangidos por esses pagamentos; b) não fornecer a relação dos beneficiários de plano de previdência privada por nota fiscal indicando os valores dos prêmios e descontos, relativo às empresas Icatu Hartford e Vera Cruz Seguradora; e c) apresentação tardia (em 06/07/2009) das informações em meio digital no leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Digitais MANAD da Secretaria da Receita Previdenciária SRP, cujo prazo para apresentação expirou em 28/02/2008. Verificase que as multas foram agravadas com base no disposto nos incisos I e II do §2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, que trazem condutas exatamente idênticas às praticadas pela recorrente. Salientese que não se trata da multa qualificada, fundamento do § 1º do mesmo artigo 44, na qual há a vinculação expressa à necessidade de comprovação da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Portanto, não assiste razão à recorrente. Mérito O recurso interposto não apresenta alegações quanto ao mérito do lançamento, limitandose às questões preliminares antes analisadas, portanto considerase que a matéria não foi contestada de forma adequada, tornandose incontroversa na esfera administrativa. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e darlhe parcial provimento, reconhecendo a decadência da competência 12/2004. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10480.722594/200958 Resolução nº 2301000.649 S2C3T1 Fl. 385 16 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes Redator A divergência cingese à possibilidade de conhecimento dos documentos juntados pelo recorrente já na fase de julgamento pelo CARF. Quanto a preclusão temporal, a matéria tem disciplina no Decreto nº 7.574/2011: Art.57. A impugnação mencionará (Decreto no 70.235, de 1972, art. 16, com a redação dada pela Lei no 8.748, de 1993, art. 1o, e pela Lei no 11.196, de 2005, art. 113): ... §4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: I fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; II refirase a fato ou a direito superveniente; ou III destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente caso, os documentos levados ao conhecimento do colegiado têm relação direta com o fato gerador da obrigação principal e, de fato, vêm complementar as demais provas já juntadas aos autos quando da impugnação. Tendo a decisão recorrida rejeitado todas as alegações na impugnação com vasta fundamentação, o recorrente buscou elucidar os pontos mais relevantes e, naturalmente, trouxe aos autos documentos que entende melhor ajudam na compreensão. Entendo escusável a juntadas de provas após a impugnação desde que pelos fundamentos da decisão recorrida sejam mais oportunas à época do recurso voluntário e pela sua relevância sejam hábeis para a solução do caso. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que as provas juntadas sejam examinadas pela fiscalização e, após, seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 410DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.720526/2010-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009
CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 - eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda - quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda - quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS-PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS
Os fretes na transferência de matérias-primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matéria-prima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.
PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins.
Numero da decisão: 9303-005.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, (i) quanto a despesas com fretes de transferência de matéria-prima entre os estabelecimentos, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deu provimento e (ii) quanto a despesas com fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto a despesas com fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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CONCEITO DE INSUMOS. Recorrentes SLC ALIMENTOS S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matéria prima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 05 26 /2 01 0- 63 Fl. 2739DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 3 2 ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, (i) quanto a despesas com fretes de transferência de matériaprima entre os estabelecimentos, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), que lhe deu provimento e (ii) quanto a despesas com fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto a despesas com fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins, o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Fl. 2740DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 4 3 Relatório Tratamse de Recursos interpostos pelo sujeito passivo e Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3302002.780, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que acordaram dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: 1) Por maioria votos, para reconhecer o direito ao crédito normal em relação: (i) à aquisição de arroz em casca em cuja nota fiscal não consta que a operação foi realizada com suspensão do PIS e da Cofins, (ii) em relação às despesas com fretes de transferência de matériaprima entre os estabelecimentos da Recorrente, (iii) em relação aos fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins; 2) Pelo voto de qualidade, para negar provimento quanto aos créditos relativos às despesas com pragas e armazenagem/serviços de terceiros; 3) Por maioria de votos, para negar provimento quanto ao crédito relativo às despesas de fretes na transferência de produtos acabados. 4) Por unanimidade de votos, para negar provimento quanto à demais matérias. Foi consignada, assim, a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. Para fins de cálculo na apuração do valor das contribuições para o PIS e Cofins, segundo o regime da não cumulatividade, a pessoa jurídica somente poderá descontar os créditos expressamente autorizados na legislação de regência. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS.CONCEITO Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração das contribuições de PIS e/ou Cofins não cumulativos, os bens e serviços Fl. 2741DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 5 4 adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. MOVIMENTAÇÃO E ACONDICIONAMENTO DE MERCADORIAS. As despesas com a movimentação e o acondicionamento de mercadorias não podem ser descontadas como crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, por não se configurarem como despesas de armazenamento. DESPESAS COM ARMAZENAGEM DE CARGAS x DESPESAS COM MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS. SOLUÇÃO DE CONSULTA. VINCULAÇÃO. Vinculase a contribuinte à solução de consulta por ela formulada que decide que as despesas com a movimentação e o acondicionamento de mercadorias não podem ser descontadas como crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, por não se configurarem como despesa de armazenamento. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO. INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO (ALÍQUOTA ZERO. SUSPENSÃO). Com o advento da Lei nº 10.865, de 2004, que introduziu o parágrafo 2º, aos arts. 3º da Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (PIS) e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (COFINS), há impedimento para apuração de créditos relativos às contribuições para o PIS e Cofins decorrentes de aquisições de insumos não sujeitos ao pagamento das contribuições (alíquota zero, suspensão e isenção) utilizados na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. CRÉDITO. FRETE NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS PRONTOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA Fl. 2742DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 6 5 Inexiste previsão legal para a utilização de créditos relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, não clientes, como forma de dedução para a apuração das Contribuições de PIS e Cofins não cumulativos. DESPESAS COM ALUGUEL DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO Na apuração do PIS e Cofins não cumulativos, é incabível o desconto de créditos calculados em relação ao valor incorrido no mês relativo aos aluguéis de veículos, posto não se confundir com o termo “máquinas” utilizados ao longo de toda legislação. CRÉDITO. NOTA FISCAL SEM RESSALVA. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO. Não tendo o fornecedor exigido e nem o comprador fornecido a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e não constando da nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, presumese normal a operação de compra e venda e o respectivo crédito básico. Crédito concedido. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o acórdão proferido que reconheceu o direito ao crédito em relação às despesas com fretes de transferência de matériaprima entre os estabelecimentos e com fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins. Traz em seu Recurso Especial, em síntese, que: · O regime da não cumulatividade busca desonerar a cadeia produtiva mediante a atribuição de crédito na aquisição dos insumos que serão utilizados no ciclo de produção de bens e serviços e esse é o entendimento dispensado ao creditamento das indigitadas contribuições tanto pela Lei 10.637/02, como pela Lei 10.833/03; · Referidas leis, ao definirem a possibilidade de creditamento de insumos, destacaram que estes serão, portanto, os bens e serviços, inclusive Fl. 2743DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 7 6 combustíveis e lubrificantes, utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; · As hipóteses de desconto de créditos na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas são exaustivamente estabelecidas pela Lei, não cabendo alteração por interpretação extensiva; · A título de interpretação e regulamentação do tema, a Receita Federal do Brasil editou as IN´s SRF 247/02 e 404/04, determinando que os bens e serviços utilizados como insumos e que ensejam o direito ao crédito destas contribuições devem: (i) ter interferido diretamente sobre o serviço ou produto vendidos, cuja receita de venda configurará base de cálculo dessas contribuições; (ii) ter sido utilizados na produção do bem ou na prestação do serviço que configuram a atividade fim da empresa, e não meras atividades acessórias. Em Despacho às fls. 2394 a 2398, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Continuando, o sujeito passivo traz manifestação de que no âmbito do contencioso administrativo foi definitivamente julgado, em seu favor, o direito ao crédito em relação à aquisição de arroz em casca. O que requer que seja determinada a baixa do processo à instância de origem para apuração e disponibilização do valor do crédito já reconhecido – devidamente acrescido pela Taxa Selic desde a data do protocolo do Pedido de Ressarcimento e antes da apreciação do Recurso Especial interposto. Insatisfeito também, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o acórdão que entendeu não haver direito ao crédito de PIS e de Cofins sobre as despesas com fretes de transferência de produtos acabados entre os seus estabelecimentos. Traz, entre outros, que é legítima a apropriação de crédito de frete para transferência de produtos para o Centro de Distribuição, eis que seria mero desdobramento de operação de venda, encontrando previsão legal nos arts. 3º, inciso IX e 15, inciso II, da Lei 10.833/03. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo, aduzindo, entre outros, que: Fl. 2744DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 8 7 · Para se determinar o que seria insumo gerador do crédito do PIS e da Cofins é necessário verificar se o bem ou o serviço é essencial ao processo produtivo, ainda que dele não participe diretamente; · A essencialidade significa considerar todos os bens e serviços empregados direta ou indiretamente na fabricação do bem e na prestação do serviço cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes; · O insumo não precisa ser necessariamente aplicado ou consumido no processo produtivo, podendo abranger os custos indiretos da produção, conforme ocorre com o tratamento de efluentes – resíduos industriais · O sujeito passivo tem como atividade econômica a industrialização, a comercialização, a exportação e a importação de produtos de alimentação; · Por vezes, contrata os serviços de prestação de transporte para o fim de remessa e retorno da matériaprima, que após sofrer determinada etapa de industrialização, retornará para a conclusão. A transferência de matéria prima são serviços que envolvem as etapas de industrialização e é parte fundamental do processo produtivo; · Quanto as despesas de fretes nas aquisições de bens com alíquota zero de PIS e Cofins, o sujeito passivo adquiriu produtos sujeito à alíquota zero e às suas expensas contratou prestação de serviços de transporte de tais mercadorias apurando crédito sobre tais despesas. · O creditamento observou tão somente os valores referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Proveitoso trazer que consta dos autos desse processo: · A discussão judicial motivada pelo sujeito passivo acerca da atualização do crédito concedido em acórdão de recurso voluntário e que não fora objeto de nova rediscussão nessa Câmara, eis que não houve interposição Fl. 2745DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 9 8 de recurso especial pela Fazenda Nacional em relação à determinada parte concedida pela turma a quo; · Manifestação do sujeito passivo acerca da compensação pretendida pela autoridade fazendária ao desejar ver seu direito constituído em relação a parte que efetivamente “ganhou” de forma definitiva quando da decisão proferida pela Câmara abaixo, esclarecendo que os débitos que entende a autoridade já foram objeto de quitação com adesão ao PRORELIT. Em Despacho, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo, entre outros, que: · Somente poderiam gerar direito a crédito da contribuição para o PIS as despesas com frete que estivessem estritamente relacionadas com operações de venda, a teor do inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03; · Não há direito a crédito, já que se trata de uma etapa anterior à produção, sendo a fase de aquisição de insumos uma fase prévia, de modo que os gastos se referem à custo de aquisição e não a custo de produção. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise dos Recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlos, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade dispostos pelo art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/15 com alterações posteriores. Fl. 2746DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 10 9 No que tange ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, é de se recordar que tal recurso traz a discussão acerca da constituição de crédito das contribuições em relação às: · Despesas com fretes de transferência de matériaprima entre os estabelecimentos; e · Despesas com fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins. Quanto às discussões suscitadas pela Fazenda Nacional, para se comprovar o dissenso em relação à 1ª matéria foram colacionados como paradigmas os Acórdão nºs 3801 002.668 e 3301002.298. Depreendendose da leitura dos acórdãos indicados como paradigmas, é de se trazer que, no acórdão recorrido, foi concedido o crédito sobre os fretes de transporte de insumo matériaprima para depósitos/estabelecimentos do sujeito passivo. Enquanto, nos acórdãos indicados como paradigmas, decidiuse que os valores com gastos com fretes somente geram direito de descontar créditos da contribuição se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor, bem como que os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, no qual se incluem os insumos não tributados, sujeitos a suspensão decorrente do crédito presumido ou alíquota zero, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. No que tange à discussão acerca da existência de créditos em relação aos fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins, vêse que para se comprovar o dissenso foram colacionados como paradigmas do recurso os acórdãos 3801002.668 e 3301002.298. Da leitura dos arestos, temse que o acórdão recorrido decidiu que cabe crédito integral de PIS e Cofins não cumulativos sobre o frete, independentemente de o insumo transportado não ser tributado ou estar sujeito ao crédito presumido ou alíquota zero. Fl. 2747DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 11 10 Enquanto, os acórdãos indicados como paradigmas contemplaram entendimentos divergentes – eis que se decidiu que os valores com gastos com fretes somente geram direito de descontar créditos da contribuição se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor, bem como que os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, no qual se incluem os insumos não tributados, sujeitos a suspensão decorrente do crédito presumido ou alíquota zero, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. Em vista do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em sua integralidade. Ventiladas tais considerações, passo a analisar o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, que ressurgiu com a discussão acerca do direito ao crédito de PIS e de Cofins sobre as despesas com fretes de transferência de produtos acabados entre os seus estabelecimentos. No que tange a esse tema, para se comprovar o dissenso foi colacionado, como paradigma no recurso, o acórdão 3301001.577 – o que cabe recordar que no acórdão recorrido entendeuse que não há previsão legal para a constituição de crédito de PIS e de Cofins sobre os valores de fretes de produtos acabados realizados entre os estabelecimentos da mesma empresa, somente tendo direito de crédito o frete contratado para entrega de mercadorias aos clientes, na venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Enquanto no acórdão paradigma entendeuse que as despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do sujeito passivo, pagas e/ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS e Cofins. Sendo assim, é de se conhecer o Recurso interposto pelo sujeito passivo. Quanto às Contrarrazões apresentadas, não se devem ignorálas, pois foram apresentadas tempestivamente pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo. Fl. 2748DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 12 11 Ventiladas tais considerações, importante, a priori, discorrer sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03, bem como para a aplicação do art. 3º, inciso IX, das Leis (“IX – armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”). Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: Fl. 2749DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 13 12 "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, em respeito a segurança jurídica das jurisprudências emitidas pelo Conselho e pelo Tribunal Superior, é de se atestar a observância do princípio da essencialidade para a adoção do conceito de insumo, afastando o entendimento restritivo dado pela autoridade fazendária na IN SRF 247/02. Não obstante a esses pontos, ressurgindome à questão posta, passo a discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, Fl. 2750DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 14 13 inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Fl. 2751DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 15 14 Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. É de se lembrar ainda que o IPI é um imposto que onera efetivamente o consumo, diferentemente do PIS e da Cofins que são contribuições que incidem sobre a receita, nos termos da legislação vigente. E nessa senda, haja vista que o IPI onera efetivamente o consumo, vêse que a não cumulatividade relacionase ao conceito de insumo como sendo o de bens que são consumidos ou desgastados durante a fabricação de produtos. Enquanto a sistemática não cumulativa das contribuições ao PIS e a Cofins está diretamente relacionada às receitas auferidas com a venda desses produtos. Sendo assim, resta claro que a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que Fl. 2752DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 16 15 já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Fl. 2753DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 17 16 Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, Fl. 2754DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 18 17 em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. A Receita Federal do Brasil extrapolou sua competência administrativa ao “legislar” limitando o direito creditório a ser apurado pelo sujeito passivo. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Fl. 2755DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 19 18 Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Nesse ínterim, cabe trazer que a observância do critério de se aplicar o conceito de “despesa necessária” para a definição de insumo, tal como preceituado no art. 299 do RIR/99 não seria a mais condizente, pois direciona a sistemática da não cumulatividade das referidas contribuições à sistemática de dedutibilidade aplicada para o imposto incidente sobre o lucro. O que, entendo que não há como se conferir que os custos ou despesas destinadas à aferição e lucro possam ser considerados como insumos necessários para o aferimento da receita. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: Fl. 2756DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 20 19 · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, Fl. 2757DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 21 20 respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Fl. 2758DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 22 21 Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Fl. 2759DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 23 22 Dessa forma, para fins de se elucidar a atividade do sujeito passivo, importante recordar que o sujeito passivo é pessoa jurídica de direito privado, dos ramos de indústria, comércio, importação e exportação de alimentos, em especial, o arroz. Passadas tais considerações, no que tange ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, recordase que tal recurso traz a discussão acerca da constituição de crédito das contribuições em relação às: · Despesas com fretes de transferência de matériaprima entre os estabelecimentos; e · Despesas com fretes na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão do PIS e da Cofins. Ambos os fretes são essenciais para a atividade do sujeito passivo, pois estão vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, sendo enquadrados tais custos como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, das Leis 10.833/03 e 10.637/02. Vêse que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a produção de determinada mercadoria. Ora, nesse caso, as matérias primas são direcionadas de um estabelecimento para o outro para a continuidade da industrialização/beneficiamento do produto. O que resta tratar esses custos como insumos. Ademais, é de se atentar que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição – art. 3º, § 2º, inciso II, das Leis 10.637/02 e 10.833/03. No caso vertente, o sujeito passivo adquiriu produtos sujeito à alíquota zero e às suas expensas contratou prestação de serviços de transporte de tais mercadorias apurando crédito sobre tais despesas. O que não há vedação legal e tais custos são essenciais à sua atividade. É de se clarificar que a constituição do crédito observou tão somente os valores Fl. 2760DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 24 23 referentes às despesas de fretes dos produtos, e não os valores de aquisição dos insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e negarlhe provimento. Em relação ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, que ressurgiu com a discussão acerca do direito ao crédito de PIS e de Cofins sobre as despesas com fretes de transferência de produtos acabados entre os seus estabelecimentos, entendo que lhe assiste razão. Eis que os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: · Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, Centro Oeste e Nordeste do país; · Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; · O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Fl. 2761DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 25 24 Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: · A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; · A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Dessa forma, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. Em vista de todo o exposto, concluo pelo conhecimento de ambos os recursos: · Negandolhe provimento ao recurso da Fazenda Nacional; · Dandolhe provimento ao recurso do sujeito passivo. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 2762DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 26 25 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Fui designado redator somente da parte em que a relatora foi vencida no recurso especial da Fazenda Nacional no que se refere à possibilidade de aproveitamento de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins sobre serviços de frete na aquisição de insumos tributados com alíquota zero ou adquiridos com suspensão das referidas contribuições. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, não concordo com suas conclusões de que é possível tal creditamento. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previstos nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Como visto a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Conforme relatado o contribuinte adquire insumos com alíquota zero ou com suspensão da incidência do PIS e da Cofins e pretende creditarse dos serviços de frete contratados para o transporte desses insumos. Porém como veremos mais a frente não há previsão legal para o aproveitamento destes créditos no regime da não cumulatividade. A partir destes fatos, importante transcrever os artigos da legislação que tratam do creditamento de PIS e Cofins. Transcrevo somente os artigos da Lei 10.833/2003, da Cofins, pois repetem basicamente o que dispõe a Lei 10.637/2002 do PIS. Lei 10.833/2003: Fl. 2763DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 27 26 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Portanto da análise da legislação, entendo que o frete na aquisição de insumos só pode ser apropriado integrando o custo de aquisição do próprio insumo, ou seja, se o insumo é onerado pelo PIS e pela Cofins, o frete integra o seu custo de aquisição para fins de cálculo do crédito das contribuições. Não sendo o insumo tributado, como se apresenta no presente caso, não há previsão legal para este aproveitamento. Neste sentido destaco alguns trechos do voto vencido do acórdão recorrido, os quais espelham bem o meu entendimento a respeito do assunto: (...) Conforme já registrado alhures, repitase, sendo taxativas as hipóteses contidas nos incisos dos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS) referente à autorização de uso de créditos aptos a serem descontados quando da apuração das contribuições, somente geram créditos os custos e despesas explicitamente relacionados nos incisos do próprio artigo, salvo se os custos e despesas integrarem os valores dos insumos utilizados na produção de bens ou na Fl. 2764DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 28 27 prestação de serviços, de acordo com a atividade da pessoa jurídica. Assim, se dá com os valores referentes aos fretes. Também já foi manifestado acima que, em conformidade com o prescrito no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e 10.883/2003 (COFINS), somente em duas situações é possível creditarse do valor de frete para fins de apuração do PIS e COFINS: 1) Quando o valor do frete estiver contido no custo do insumo previsto no inciso II do referido art. 3º, seguindo, assim, a regra de crédito na aquisição do respectivo insumo; 2) Quando se trate de frete na operação de vendas, sendo o ônus suportado pelo vendedor, consoante previsão contida no inciso IX do mesmo artigo 3º. Se o frete pago pelo adquirente (como se dá no presente caso, segundo afirma a recorrente) compõe o valor do custo de aquisição do insumo e sendo este submetido à tributação do PIS e COFINS na sistemática da não cumulatividade, então o crédito a ser deduzido terá como base de cálculo o valor pago na aquisição do bem, que, por lógica, incluirá o valor do frete pago na aquisição de bens para revenda ou utilizado como insumo, posto que este valor do frete se agrega ao custo de aquisição do insumo. Para a apuração do crédito, aplicase, então, sobre tal valor de aquisição do insumo a alíquota prevista no caput do art. 2º das Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS). É o que prescreve o dispositivo no §1º do art. 3º das leis de regência do PIS e COFINS não cumulativos: (...) Se o insumo tributado para as contribuições do PIS e Cofins, no entanto, está sujeito à alíquota zero ou à suspensão, o crédito encontrase vedado por determinação legal contida no Art. 3° §2° inciso II das Leis nº 10.637/02 (PIS) e nº 10.833/03 (COFINS). (...) Tal orientação consta no ajuda do preenchimento da DACON, conforme destacou a auditora fiscal na sua informação fiscal que a seguir se transcreve: “O frete faz parte do custo de aquisição dos bens e produtos adquiridos para revenda ou utilizados como insumos sendo essa a única forma que esses fretes entram na base de cálculo dos créditos, ou seja, como custo de aquisição e não como serviços utilizados como insumos e tal orientação inclusive consta do Ajuda do Dacon – Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sóciais. AJUDA DO DACON – INSTRUÇÕES DE PREENCHIMENTO BASE DE CÁLCULO DOS CRÉDITOS À ALÍQUOTA DE 1,65% Linha 06A/01 – Bens para Revenda Informar nesta linha o valor das aquisições, efetuadas no mercado interno, de bens ou mercadorias para revenda. Atenção: 1) ... 2) ... Fl. 2765DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 29 28 3) Integram o custo de aquisição dos bens e das mercadorias o seguro e o frete pagos na aquisição, quando suportados pelo comprador. Linha 06A/02 – Bens Utilizados como Insumos Informar nesta linha o valor das aquisições, efetuadas no mercado interno, de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. (..) 3) Integram o custo de aquisição dos insumos o seguro e o frete pagos na aquisição, quando suportados pelo comprador”. Não obstante tenha a recorrente alegado que o transportador das mercadorias constitui fato distinto da aquisição dos insumos, não comprovou ter contratado diretamente este serviço. Contudo, mesmo que houvesse comprovado, tal alegação é irrelevante para o presente caso. Pois que, em sendo de fato operação distinta da aquisição dos insumos, não compondo o frete em questão o custo de aquisição dos insumos, tal frete não poderia servir de base de apuração de crédito para dedução do PIS e COFINS, por total falta de previsão legal, já que não estaria inserta em nenhuma das hipóteses legais de crédito referente à frete acima mencionadas, sendo indevida a sua dedução. (...) Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional em relação a esta matéria. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 2766DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 30 29 Declaração de Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Considerei conveniente explicitar as razões do meu voto, que pode parecer contraditório com outros que proferi. Como acredito já ser de conhecimento pleno, adoto como critério para definição do crédito de insumos a execução do serviço durante o processo produtivo. Acolhoo, portanto, sempre que o processo já tenha iniciado e ainda não tenha acabado. Créditos em outras situações, só com expressa previsão legal. Por isso, tenho reiteradamente reconhecido a possibilidade de crédito relativo a fretes nas transferências entre estabelecimentos ocorridas após o início do processo produtivo, isto é, aquelas que se refiram a movimentações de produtos em elaboração, em que o processo se inicia em um estabelecimento e tem prosseguimento e conclusão em outro(s). Com esse mesmo critério, tenho negado tal crédito quando as transferências se referem a produtos já acabados, pois, nesse caso, o processo já está encerrado, não se podendo enquadrar como insumo o frete a ele relativo, e tampouco se aplicando ao caso, em meu entender, o crédito do frete em operação de venda, pois venda alguma ainda se consumou. E também o nego quanto ao frete pago na aquisição de matérias primas, quando o processo sequer se iniciou. Por fim, e a meu ver, nenhuma relevância tem para tal definição que o produto que está sendo transportado (ou aquele que dele resultará) sofra uma efetiva incidência da contribuição em tela, bastando que o frete em si o seja e esteja na sistemática da não cumulatividade. Com essas balizas em mente é que aceitei o crédito nas transferências entre estabelecimentos de produtos em elaboração, ainda que não sofram a incidência da contribuição, e o neguei nas outras duas hipóteses, também independente de ser ele tributado ou não. Fl. 2767DF CARF MF Processo nº 11080.720526/201063 Acórdão n.º 9303005.152 CSRFT3 Fl. 31 30 Acredito não sejam essas, exatamente, as razões dos demais conselheiros que votaram dando provimento ao recurso do contribuinte e provimento parcial ao da Fazenda, daí a validade dessa declaração de voto. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Fl. 2768DF CARF MF
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