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Numero do processo: 10680.011755/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/10/2005
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições.
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da
Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplica-se o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação.
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-000.894
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente SIDERURGIA SÃO SEBASTIÃO DE ITATIAIUÇU S/A Recorrida DRJBELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/10/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Edgar Silva Vidal, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.011755/200766 Acórdão n.º 230200.894 S2C3T2 Fl. 141 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo dos segurados, bem como as decorrentes de sub rogação na aquisição de produtos rurais, cujos valores foram declarados em GFIP e constantes em folhas de pagamento, referente ao período compreendido entre as competências maio de 2004 a outubro de 2005, conforme relatório fiscal às fls. 31 a 32. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 35 a 58. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte exarou a Decisão, que confirmou a procedência do lançamento, fls. 90 a 97. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 99 a 120. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: • São inconstitucionais as cobranças das contribuições para Terceiros bem como a taxa Selic; • Não há discriminação do montante a Terceiros, nem do montante sobre o qual incidiu os juros de mora; • Inexistindo dolo não há crime; • O carvão vegetal é produto industrializado; • É ilegal a contribuição para o SAT; • É inconstitucional a contribuição sobre o 13º salário; • A taxa Selic é inconstitucional; Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 139. Pressuposto de admissibilidade superado, passo ao exame das questões recursais. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.011755/200766 Acórdão n.º 230200.894 S2C3T2 Fl. 142 5 Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais A contribuição relativa ao SENAR foi exigida por subrogação relativamente à aquisição de produto rural de pessoa física. Estando expressamente prevista no ordenamento jurídico brasileiro, não cabe o afastamento da exação pelo argumento de inconstitucionalidade pelos motivos já expostos. Ao contrário do afirmado pela recorrente estão discriminados os valores devidos a Terceiros, bem como a base de incidência de juros. Conforme fls. 06 a 08, estão discriminados por competência os valores referentes a Terceiros sobre a base de cálculo de aquisição de produção rural. Os valores referentes aos juros estão expressamente dispostos às fls. 09 a 10 por competência e com discriminação da base correspondente. Quanto aos argumentos de que não teria havido dolo, devendo ser afastada a responsabilização criminal, não cabe tal análise na esfera administrativa. A representação é uma simples comunicação da ocorrência, em tese, de crime, pois a fiscalização não possui competência para apuração da materialidade ou da autoria; mas possui obrigação legal de realizar a delatio criminis. A apuração da ocorrência ou não do crime, se houve ou não o dolo, é reservado à ação penal, se for o caso de recebimento da denúncia, cuja competência de oferecimento é do Ministério Público Federal. Ao contrário do afirmado pela recorrente, o carvão vegetal não se enquadra como produto industrializado. Conforme previsto no art. 247 da Instrução Normativa INSS n 100 de 2003, a produção rural é definida como os produtos de origem animal ou vegetal, em Fl. 5DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou de industrialização rudimentar, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos por esses processos. De acordo com o inciso V do art. 247 da referida Instrução Normativa, considerase industrialização rudimentar, o processo de transformação do produto rural, realizado pelo produtor rural pessoa física, alterandolhe as características originais, tais como a pasteurização, o resfriamento, a fermentação, o carvoejamento, o cozimento, a destilação, a moagem, a torrefação, a cristalização, a fundição, entre outros similares. (grifei) Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em ralação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.011755/200766 Acórdão n.º 230200.894 S2C3T2 Fl. 143 7 II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, Fl. 7DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Fl. 8DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10680.011755/200766 Acórdão n.º 230200.894 S2C3T2 Fl. 144 9 Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. In casu, está se cobrando a alíquota referente a 0,1% em virtude de essa contribuição ser devida pelo produtor rural, e a recorrente é responsável tributária pela retenção e recolhimento. Há incidência de contribuição previdenciária sobre a parcela referente ao décimo terceiro salário, conforme previsão no art. 7º da Lei 8.620/1993, nestas palavras: Art. 7º O recolhimento da contribuição correspondente ao décimoterceiro salário deve ser efetuado até o dia 20 de dezembro ou no dia imediatamente anterior em que haja expediente bancário. § 1° Nos casos da rescisão do contrato de trabalho o recolhimento deve ser efetuado na forma da alínea b do inciso I do art. 30 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação desta Lei. § 2° A contribuição de que trata este artigo incide sobre o valor bruto do décimoterceiro salário, mediante aplicação, em separado, das alíquotas estabelecidas nos arts. 20 e 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. § 3° A atualização monetária será devida a contar da data prevista no caput deste artigo, utilizandose o mesmo indexador definido para as demais contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social. Nesse sentido já se posicionou o STF por meio da Súmula nº 688, nestas palavras: É LEGÍTIMA A INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE O 13º SALÁRIO. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 9DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 17/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Assinado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000092/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IRPJ – LANÇAMENTO – BALANÇOS DE SUSPENSÃO E REDUÇÃO – Encerrado o ano-calendário, o lançamento do IRPJ deve ter por base o lucro
real anual sendo incorreta a autuação com base na soma de diferenças mensais devidas pelo balanço de suspensão e redução, tanto mais pelos inúmeros equívocos de cálculo.
IRPJ – DEPOSITO JUDICIAL – SUSPENSÃO – AUTO-LANÇAMENTO.
O valor de IRPJ depositado judicialmente constitui auto-lançamento
e suspende a exigibilidade do crédito tributário, razão pela qual está incorreto o lançamento desses valores com multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-000.479
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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IRPJ – DEPOSITO JUDICIAL – SUSPENSÃO – AUTOLANÇAMENTO. O valor de IRPJ depositado judicialmente constitui autolançamento e suspende a exigibilidade do crédito tributário, razão pela qual está incorreto o lançamento desses valores com multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Irineu Bianchi, Wilson Fernandes Guimarães, Eduardo de Andrade, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU 2 Relatório A ação fiscal aqui em comento teve por objetivo regularizar a exigência do crédito tributário, objeto de processo distinto deste, considerado nulo por erro na identificação do sujeito passivo. Na ocasião, o lançamento deveria ter contemplado no pólo passivo da autuação a empresa AXA SEGURO BRASIL S/A, e não a MOTOR UNION SEGUROS S/A, face à ocorrência da sucessão jurídica. Observase que a atual razão social da empresa AXA SEGURO BRASIL S/A é AZUL COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS, empresa identificada no pólo passivo deste presente processo. Discutese neste momento o Recurso de Ofício acerca de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que julgou improcedente o Auto de Infração lavrado em nome do contribuinte AZUL COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS, formalizando a exigência do montante de R$ 1.732.466,42, referente a IRPJ, relativo a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1998 e 1999. Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 5/6), a autuação teve origem na falta de recolhimento de imposto de renda pelo balanço de suspensão e redução em alguns meses desses anos calendários, por parte do contribuinte. “A constituição do credito tributário relativamente ao IRPJ, exigido de ofício, neste ato e na forma da legislação vigente, darseá no presente auto de infração que, à exceção do pólo passivo, tomou por base os mesmos elementos (fato gerador, planilhas de apuração do IRPJ, fundamentação legal) e documentos comprobatórios constantes do processo de n° 10768.003504/200152 (ver termo de verificação e o respectivo lançamento às fls. 129 a 136), objeto de notificação de lançamento cancelado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeiro RJ. Foram objeto de lançamento os seguintes: fatos geradores ocorridos nos anoscalendários de 1998 e 1999: PERÍODO IRPJ (R$) 31/05/98 742.554,49 30/09/98 11.780,87 31/10/98 37.960,66 28/02/99 257.385,92 31/12/99 682.856,48 Este Termo de Verificação Fiscal constitui parte integrante e inseparável do auto de infração bem como o processo 10768.003504/200152 que, neste momento, é juntado por apensação.” O contribuinte ingressou com Mandado de Segurança para poder deduzir na apuração do imposto de renda o valor da contribuição social sobre o lucro líquido, combatendo assim a Lei nº 9.316/96, vigente desde janeiro de 1997. Foi proferida liminar concedendo parcialmente a segurança para suspender o pagamento da CSLL com efeito “ex nunc”. O contribuinte interpôs agravo de instrumentos ao TRF 2ª Região, recebido com efeitos suspensivos, tendo tido posteriormente decisão desfavorável. Ciente do Auto em 18/04/2001, o contribuinte apresentou, em 18/05/2001, a impugnação (fls 142/155) cujos argumentos eu aqui apresento, em síntese. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU Processo nº 19740.000092/200777 Acórdão n.º 1302000.479 S1C3T2 Fl. 66 3 I. A decisão de 29 de junho de 1998, no sentido de autorizar à impetrante a proceder as deduções dos valores da CSLL, com eficácia ex nunc, foi cassada pelo TRF 2ª Região. II. Em 3 de março de 2000, o contribuinte efetuou o depósito judicial de todas as parcelas que tinham sua exigibilidade suspensa em virtude da liminar. III. Assim, considerações sobre a eficácia da liminar “caem por terra”, uma vez que agora a suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorre do depósito judicial e não mais da liminar. IV. Quanto ao valor do IRPJ no mês maio de 1998, este teria sido recolhido em parcelas pontuais pelo contribuinte em 01/07/1998 e 03/03/2000. Assim, somando se os valores recolhidos no mês referente e posteriores somase a quantia de R$ 1.524.112,06, superior inclusive ao montante que o termo de verificação considerou como devido: R$ 1.359.478,13 V. Quanto ao mês de setembro de 1998, ocorreu erro formal na planilha preparada pelo Auditor Fiscal, uma vez que constam antecipações no valor total de R$ 2.293.655,78, sendo o correto R$ 2.452.896,30. VI. Novamente, por erro na planilha constante do Auto de Infração, constam valores inferiores àqueles devidos. Estes erros apontados, considerados nos meses subseqüentes, causariam distorção, uma vez que as antecipações de IR serão sempre inferiores àquelas feitas pelo contribuinte. VII. Quanto ao mês de outubro de 1998, há também erro na planilha. Porém, o imposto verdadeiramente devido fora depositado integralmente à ordem judicial em 03/03/2000, inclusive acrescido da multa moratória e dos juros SELIC. VIII. Em fevereiro de 1999, temse mais erros, com valores a menor. O IR retido na fonte fora de R$ 4.536,38 e não R$ 28.800,25. Quanto ao IR a recolher, o contribuinte recolheu a parcela incontroversa de R$ 341.750,00 e fez o depósito judicial, em 03/03/2000, do valor de R$ 34.860,60. A diferença estaria parcialmente coberta pelo saldo do mês de janeiro de 2000. IX. Quanto ao mês de dezembro de 1999, os mesmos erros são constatados, sendo o equívoco no valor de IRRF. O valor correto seria de R$ 79.991,95 e não R$ 108.792,20. Também, restou inobservada a dedução do IR pago no anocalendário de 1998, no valor de R$ 709.256,47. X. Assim, restou um IR a recolher de R$ 68.771,82. Este total fora depositado a ordem judicial em 03/03/2000, inclusive em montante superior: R$ 122.117,55. XI. Concluise que foram completamente desconsiderados os depósitos judiciais realizados pelo contribuinte. XII. Somente seria possível a lavratura do Auto de Infração nos termos do §2º do art. 63 da Lei 9.430/96, sem multa e juros moratórios, uma vez que existe o depósito do montante integral do crédito tributário em questão. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU 4 XIII. Por fim, requereu o contribuinte o seguinte: 1. sejam reconstituídas as planilhas do Auto de Infração, 2. devem ser elaboradas com base nos balanços de redução e suspensão do imposto; 3. devem ser levados em consideração os recolhimentos do imposto efetuado por DARF e depósitos judiciais; 4. devem ser aceitas as comprovações apresentadas, reconstituindo o Auto de Infração à vista da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A Delegacia da Receita Federal do Rio de Janeiro acordou, por maioria de votos, por julgar improcedente o lançamento efetuado, vencido o relator do processo que votou pela procedência da autuação, e prevalecendo o voto nos termos que aqui sintetizo. XIV. A autuação tem como base a questão da não dedutibilidade da CSSL da base de cálculo do IRPJ. XV. Tal enunciado foi inovação legislativa trazida pelo art. 1º da lei 9.316/1996, que entrou em vigor a partir de 01/01/1997. XVI. O contribuinte ingressou com ação pela via judicial visando desobrigarse do enunciado legislativo referido, não havendo ainda, até a presente data, ocorrido o trânsito em julgado da ação ajuizada. XVII. A autoridade fiscal efetuou o cálculo do IRPJ referente aos anoscalendários de 1998 e 1999 pelos balanços de suspensão e redução, sendo o lançamento resultado da adição da CSLL na base do IRPJ. XVIII. Da análise dos demonstrativos no processo originário, é possível constatar que os valores lançados neste processo foram calculados a partir do IRPJ que seria devido conforme balancetes de suspensão nos meses de maio/98, setembro/98, outubro/98, fevereiro/99 e dezembro/99. XIX. É, porém, equivocado tal procedimento, visto que, para os anos em referência, o contribuinte é optante pelo Lucro Real Anual. XX. Tendo em vista o manifesto equívoco quanto à metodologia do cálculo adotada, votou, a relatora do voto vencedor, por cancelar a exigência. É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU Processo nº 19740.000092/200777 Acórdão n.º 1302000.479 S1C3T2 Fl. 67 5 Efetivamente, é certo que a Lei 9.430/96 e a Lei 9.249/95 estabelecem a obrigação do contribuinte de pagar o imposto de renda mensalmente, mas também é certo que esse pagamento ocorre a título de antecipação do devido no final do ano. Após o encerramento do período base de apuração do IRPJ, a autoridade fiscal somente pode autuar eventual diferença do tributo devido no final do ano e, se entender aplicável, eventuais multas isoladas por falta ou insuficiência de apuração mensal. O cômputo do IRPJ no final do ano difere do cômputo mensal, pois parte do efetivo lucro real apurado no fim do ano a partir do fechamento e aprovação do lucro contábil, e não das estimativas mensais feitas com base no lucro mensal computado pela administração da empresa. Além disso, na apuração anual há adições e exclusões específicas não efetuadas ao longo dos meses, são compensadas todas as antecipações mensais de IRPJ de todos os meses, os impostos de renda pagos a maior dos anos anteriores, aqueles retidos na fonte, são feitas as compensações de prejuízos, as deduções e reduções IRPJ. Só então é possível apurar o tributo devido em 3112. Neste caso, antes de fazer tal lançamento, o fiscal deveria ainda ter considerado o valor dos depósitos judiciais efetuados pelo contribuinte, já que o depósito judicial consiste em auto lançamento e suspende a exigibilidade do crédito tributário. Neste caso, a autoridade fiscal não fez esses procedimentos fiscais exigíveis nos termos da Lei vigente para apurar o IRPJ devido e não pago em 3112. Na autuação de 1998 e 1999, basicamente o que a autoridade fiscal fez foi somar diferenças mensais de IRPJ que deixara de ser adiantado pelo balanço de suspensão ou redução por força da dedução da CSLL e autuar essas diferenças somadas no final do ano. O procedimento está incorreto, mesmo a despeito: (i) dos diversos equívocos de cálculo alegados pela contribuinte e (ii) da inobservância do depósito judicial suspendendo a exigibilidade dos créditos tributários residuais. Nesse sentido, o pagamento a menor de antecipações mensais não é fundamento bom para o lançamento em 3112, sem a devida conferência do IRPJ efetivamente devido nessa ocasião. O procedimento adotado pela autoridade fiscal para cômputo do IRPJ devido portanto está incorreto. Voto assim por negar provimento ao recurso de ofício. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGU
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Numero do processo: 10855.001428/2003-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003
DILIGÊNCIA. PEDIDO. ATENDIMENTO. INOVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Descabe falar em inovação de fundamentos na situação em que, atendendo pedido formulado pelo contribuinte, por meio de diligência são colhidas informações que, antes, não se encontravam disponíveis nos autos, eis que o
procedimento em referência (diligência) visa, em regra, complementar dados que viabilizem a prolação da decisão.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. CADUCIDADE. INOCORRÊNCIA.
O contribuinte deve manter em ordem e boa guarda os documentos que comprovam os valores que concorreram para a formação dos créditos objeto de repetição, não merecendo acolhida o argumento de caducidade do direito para obstar a sua apresentação ou para impedir o Fisco de aferir a sua existência.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO AOS CRÉDITOS INDICADOS NO PEDIDO. DESCONSIDERAÇÃO.
Comprovado nos autos que a autoridade administrativa, ao promover as compensações tributárias, levou em consideração débitos indicados em processos administrativos distintos que não guardam relação com os créditos objeto de reconhecimento parcial, há que se revisar o procedimento para que possa deferir em maior extensão o encontro de contas requerido pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1302-000.567
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reconhecer os direitos creditórios de R$ 1.005.828,40 e R$ 366.367,10 a título de saldos negativos de IRPJ e de CSLL do ano-calendário de 2002, respectivamente. Determinar ainda que, na compensação, sejam observados os limites dos créditos ora reconhecidos e que tal procedimento leve em consideração, tão-somente, os débitos apontados no presente processo
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 DILIGÊNCIA. PEDIDO. ATENDIMENTO. INOVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Descabe falar em inovação de fundamentos na situação em que, atendendo pedido formulado pelo contribuinte, por meio de diligência são colhidas informações que, antes, não se encontravam disponíveis nos autos, eis que o procedimento em referência (diligência) visa, em regra, complementar dados que viabilizem a prolação da decisão. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. CADUCIDADE. INOCORRÊNCIA. O contribuinte deve manter em ordem e boa guarda os documentos que comprovam os valores que concorreram para a formação dos créditos objeto de repetição, não merecendo acolhida o argumento de caducidade do direito para obstar a sua apresentação ou para impedir o Fisco de aferir a sua existência. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO AOS CRÉDITOS INDICADOS NO PEDIDO. DESCONSIDERAÇÃO. Comprovado nos autos que a autoridade administrativa, ao promover as compensações tributárias, levou em consideração débitos indicados em processos administrativos distintos que não guardam relação com os créditos objeto de reconhecimento parcial, há que se revisar o procedimento para que possa deferir em maior extensão o encontro de contas requerido pelo contribuinte.
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PEDIDO. ATENDIMENTO. INOVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Descabe falar em inovação de fundamentos na situação em que, atendendo pedido formulado pelo contribuinte, por meio de diligência são colhidas informações que, antes, não se encontravam disponíveis nos autos, eis que o procedimento em referência (diligência) visa, em regra, complementar dados que viabilizem a prolação da decisão. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DOS CRÉDITOS ENVOLVIDOS. CADUCIDADE. INOCORRÊNCIA. O contribuinte deve manter em ordem e boa guarda os documentos que comprovam os valores que concorreram para a formação dos créditos objeto de repetição, não merecendo acolhida o argumento de caducidade do direito para obstar a sua apresentação ou para impedir o Fisco de aferir a sua existência. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO AOS CRÉDITOS INDICADOS NO PEDIDO. DESCONSIDERAÇÃO. Comprovado nos autos que a autoridade administrativa, ao promover as compensações tributárias, levou em consideração débitos indicados em processos administrativos distintos que não guardam relação com os créditos objeto de reconhecimento parcial, há que se revisar o procedimento para que possa deferir em maior extensão o encontro de contas requerido pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10855.001428/200323 Acórdão n.º 130200.567 S1C3T2 Fl. 7.09 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reconhecer os direitos creditórios de R$ 1.005.828,40 e R$ 366.367,10 a título de saldos negativos de IRPJ e de CSLL do anocalendário de 2002, respectivamente. Determinar ainda que, na compensação, sejam observados os limites dos créditos ora reconhecidos e que tal procedimento leve em consideração, tãosomente, os débitos apontados no presente processo “documento assinado digitalmente” Marcos Rodrigues de Mello Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello, Wilson Fernandes Guimarães, André Ricardo Lemes da Silva, Irineu Bianchi e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10855.001428/200323 Acórdão n.º 130200.567 S1C3T2 Fl. 8.09 3 Relatório ZF SISTEMAS DE DIREÇÃO LTDA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que indeferiu os pedidos veiculados por meio de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Sorocaba, também em São Paulo. Trata o processo de pedido de restituição de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativo a saldos negativos do anocalendário de 2002, cumulado com pedido de compensação. A Delegacia da Receita Federal em Sorocaba, unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela contribuinte, os deferiu parcialmente, reconhecendo, dos montantes pleiteados de R$ 1.018.678,50 (IRPJ) e R$ 372.791,24 (CSLL), os valores de R$ 943.706,48 (IRPJ) e R$ 345.801,32 (CSLL), promovendo a homologação das compensações requeridas até o limite desses créditos. Diante do deferimento parcial dos pedidos formulados, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 346/350), momento em que ofereceu, em apertada síntese, os seguintes argumentos: que a autoridade fiscal teria se baseado em informações equivocadamente transmitidas por ela própria na DIPJ do anocalendário de 2002; que teria informado como devidos, no mês de junho de 2002, para o IRPJ e CSLL, os valores de R$ 49.742,96 e de R$ 23.183,08, respectivamente; que os valores compensados no mês de junho de 2002 foram, em realidade, R$ 124.714,98 e R$ 50.173,00, para o IRPJ e para a CSLL; que ela reconhecia a incorreção do procedimento anteriormente adotado e que efetuaria a retificação da DIPJ do anocalendário de 2002, de modo a conformar as informações lá constantes com aquelas corretamente informadas na DCTF; que a autoridade fiscal teria se equivocado ao proceder a compensação dos saldos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002; que a autoridade fiscal teria procedido a compensação dos referidos saldos negativos de IRPJ e CSLL, do anocalendário de 2002, com valores de IRRF e IPI, objeto dos processos fiscais n° 10855.000779/200317, 10855.001096/200387 e 10855.001526/200361; que o crédito, utilizado nos processos supra citados, teria origem totalmente distinta, pois tratarseia de imposto de renda retido na fonte do anocalendário de 2001 e cujo saldo de imposto a compensar era de R$ 105.762,21; que referido saldo teria sido objeto de compensação nos processos n° 10855.000779/200317, 10855.001096/200387 e 10855.001526/200361, erroneamente Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10855.001428/200323 Acórdão n.º 130200.567 S1C3T2 Fl. 9.09 4 informados por ela como se referindo a "juros sobre capital próprio" ou ao próprio saldo negativo de IRPJ e CSLL de períodos anteriores; que admitia ter falhado na apresentação de informações ao FISCO, sem, todavia, ter tido a intenção de burlar a lei ou falsear o valor passível de aproveitamento; que estaria providenciando a retificação dos pedidos. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, apreciando os argumentos expendidos pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 14 18.253, de 25 de janeiro de 2008, pela improcedência dos pedidos, conforme ementa a seguir transcrita. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez do crédito junto à Fazenda Pública do qual solicita restituição. A restituição do saldo negativo da CSLL condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação de que as estimativas devidas, utilizadas como dedução na apuração deste valor, foram efetivamente pagas/compensadas. SALDO NEGATIVO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez do crédito junto à Fazenda Pública do qual solicita restituição. A restituição do saldo negativo do IRPJ, apurado na declaração de rendimentos, condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação de que as estimativas devidas, utilizadas como dedução na apuração deste valor, foram efetivamente pagas/compensadas. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da manifestação de inconformidade é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PERANTE A AUTORIDADE JULGADORA. Caracteriza novo pedido, a exigir os trâmites próprios, a pretensão de reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, formulado na manifestação de inconformidade. Inconformada, a contribuinte impetrou o recurso voluntário de fls. 424/431, por meio do qual sustentou: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10855.001428/200323 Acórdão n.º 130200.567 S1C3T2 Fl. 10.09 5 que, diante dos equívocos cometidos na transmissão das informações à Receita Federal, o valor do IRPJ e da CSLL, recolhidos pelo regime de estimativa no anocalendário de 2002, seria conforme demonstrado abaixo: Período de Apuração (2002) IRPJ DARF COMPENSAÇÃO TOTAL CSLL DARF COMPENSAÇÃO TOTAL JANEIRO FEVEREIRO MARÇO ABRIL MAIO JUNHO JULHO AGOSTO SETEMBRO OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO 251.402,62 251.402,62 182.958,65 182.958,65 224.547,75 224.547,75 327.817,93 327.817,93 197.423,38 197.423,38 124.714,98 124.714,98 8.933,34 8.933,34 106.024,99 106.024,99 91.224,94 91.224,94 66.585,11 66.585,11 81.557,20 81.557,20 118.734,45 118.734,45 71.792,42 71.792,42 50.173,00 50.173,00 4.032,79 4.032,79 12.647,56 27.197,72 39.845,28 TOTAL 1.184.150,33 239.673,31 1.423.823,64 442.541,68 81.403,51 523.945,19 que a explicação acima e os documentos juntados anteriormente esclareceriam as dúvidas quanto à composição do saldo negativo de tributos sobre o lucro, no anocalendário em referência, como se denotaria do seguinte demonstrativo: IRPJ CSLL TOTAL Tributo Devido 415.222,07 151.153,95 566.376,02 Outras Deduções (10.076,93) (10.076,93) IRPJ/CSLL Estimativa 1.423.823,64 523.945,19 1.947.768,83 Saldo Negativo (1.018.678,50) (372.791,24) (1.391.469,74) que estando o saldo negativo devidamente comprovado, apesar de erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP, não haveria razão alguma para dar continuidade à cobrança dos valores não homologados nesse processo, "não podendo o erro de fato fundamentar qualquer exação tributária, devendo ser corrigido a qualquer tempo, quer por iniciativa do sujeito passivo, quer de oficio" (Recurso n.° 125.691 Acórdão n.° 14018.553 23.01.2002 DOU 08.05.2002); que se deveria respeito ao principio da verdade material, pois quando da verificação de eventuais erros de fato na PER/DCOMP e o teor da DIPJ apresentada, tais erros deveriam ser considerados como meros erros formais, não podendo gerar a obrigação de pagar o imposto, haja vista a comprovação do direito creditório e a conseqüente compensação; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10855.001428/200323 Acórdão n.º 130200.567 S1C3T2 Fl. 11.09 6 que os casos de erros de fato contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame, deveriam ser retificados, de oficio, pela autoridade administrativa a quem competisse a revisão, conforme disposto no artigo 147, § 2° do CTN; que, no caso em tela, o erro de fato constante na Declaração Eletrônica de Compensação apresentada por ela seria facilmente identificado, bastando, para tanto, que se analisasse simultaneamente tal declaração com a DIPJ apresentada; que da análise da planilha supracitada, em conjunto com a DIPJ apresentada, seria possível identificar os erros formais de preenchimento da PER/DCOMP incorridos por ela, aferindose que as obrigações foram cumpridas; que as compensações teriam sido realizadas nas datas aprazadas, bem como teria sido evidenciada a exatidão da compensação e comprovado o erro de fato, que não seria passível de fundamentar qualquer exação, conforme julgados que citou; que o mero erro formal no preenchimento da Declaração Eletrônica de Compensação não seria apto a afastar o saldo credor apurado, devendo este ser homologado até o montante informado; que, em adição ao exposto acima, caberia informar que a D. Autoridade Fiscal, data venia, igualmente teria se equivocado ao proceder à compensação dos saldos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, objeto do presente processo, com valores oriundos de outros processos de compensação; que na "Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes", anexa ao Despacho Decisório n° 341/2005, informa a D. Autoridade ter procedido à compensação de valores de IRRF e IPI, objeto dos processos fiscais nºs 10855.000779/200317, 10855.001096/200387 e 10855.001526/200361, com os referidos saldos negativos; que tais créditos, porém, tiveram origem totalmente distinta, qual seja, a incidência de imposto de renda na fonte a compensar sobre aplicações financeiras, cujo rendimento foi incluído no resultado do período de apuração de 2001, e cujo saldo de imposto a compensar, no anocalendário de 2001, era de R$ 105.762,10; que, no decorrer do anocalendário de 2002, ela compensou diversos tributos e contribuições, aproveitando o referido saldo – ressaltou que nenhuma das compensações teve relação com o IRPJ e a CSLL devidos por estimativa, no mesmo anocalendário – resultando no saldo, em 1° de fevereiro de 2003, de R$ 98.467,67; que referido saldo, por sua vez, foi objeto dos processos de compensação nºs 10855.000779/200317, 10855.001096/200387 e 10855.001526/200361 – erroneamente informados por ela como se referindo a "juros sobre capital próprio" ou ao próprio saldo negativo de IRPJ e CSLL de períodos anteriores – que, por sua vez, absorveram totalmente o valor lá informado, conforme se denotaria do demonstrativo abaixo: DATA DESCRIÇÃO PROCESSO Nº TOTAL (R$) DOC. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10855.001428/200323 Acórdão n.º 130200.567 S1C3T2 Fl. 12.09 7 01.02.2003 Saldo a compensar 98.467,67 05.03.2003 Compensação IRRF 10855.000779/200317 (13.373,07) 08 05.03.2003 Saldo a compensar 85.094,60 31.03.2003 Compensação IRRF 10855.001096/200387 (11.454,64) 09 05.03.2003 Saldo a compensar 73.639,96 07.05.2003 Compensação IRRF 10855.001526/200361 (11.692,94) 10 07.05.2003 Saldo a compensar 61.947,02 04.06.2003 Compensação IRRF 10855.001526/200361 (12.078,68) 11 04.06.2003 Saldo a compensar 49.868,34 02.07.2003 Compensação IRRF 10855.001526/200361 (12.613,69) 12 10.07.2003 Compensação IPI 10855.001526/200361 (20.988,06) 13 10.07.2003 Saldo a compensar 16.266,59 06.08.2003 Compensação IRRF 10855.001526/200361 (13.516,31) 14 06.08.2003 Saldo a compensar 2.750,28 03.09.2003 Compensação IRRF 10855.001526/200361 (2.750,28) 15 03.09.2003 Saldo a compensar que, também aqui, admitia ter falhado na apresentação das informações ao Fisco, sem, todavia, ter a menor intenção de burlar a lei ou falsear o valor passível de aproveitamento, através dos processos de compensação acima mencionados; que entendia que os documentos juntados à Manifestação de Inconformidade seriam suficientes para demonstrar a existência do seu crédito, ao contrário do exposto na decisão combatida; que, caso não fosse esse o entendimento desse Conselho, requeria fosse o processo baixado em diligência, a fim de que fossem analisados os documentos fiscais/contábeis que se entendesse necessários para dirimir a questão. Esta Segunda Turma Ordinária, por meio da Resolução nº 130200.038 (sessão de 20 de maio de 2010), decidiu pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição da Recorrente adotasse as seguintes providências: 1. esclarecesse, em razão da informação contida no documento de fls. 293, quais os efetivos valores, relativos aos saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, que foram considerados para fins de compensação; 2. certificasse, por meio de análise de documentação contábil e controles internos, que: a) os valores devidos a título de IRPJ e CSLL do período de apuração de junho de 2002 foram compensados nos montantes de R$ 124.714,98 e R$ 50.173,00, respectivamente, como consignado no documento de fls. 371 e registrado nos de fls. 374 e 375; e b) confirmada a compensação, informasse se ela havia sido feita de forma regular, em especial no que dizia respeito à existência de direito creditório disponível; 3. confirmasse que os créditos indicados no presente processo, oriundos de saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, não haviam sido utilizados para compensação com débitos indicados em outros processos administrativos. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba produziu a INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 493/497, da qual releva transcrever os seguintes excertos: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10855.001428/200323 Acórdão n.º 130200.567 S1C3T2 Fl. 13.09 8 ... Com relação ao item 1. foi constatada a utilização para fins de compensação do saldo total pleiteado de IRPJ e CSLL nos valores respectivos de R$ 1.018.678,50 e R$ 372.791,24 e não os valores reconhecidos na decisão de primeira instância de R$ 943.706,48 e R$ 345.801,32 (fls 293 a 297). Em atendimento ao item 3. foi verificado que o crédito pleiteado neste processo, oriundo de Saldos Negativos apurados pela empresa ZF Sistemas de Direção Ltda, CNPJ: 02.771.736/0001 99 incorporada pela ZF Sistemas de Direção Ltda, CNPJ: 01.930.685/000138 foi utilizado para compensar os débitos constantes dos processos administrativos n°s 10855.000779/200317, 10855.001096/2003437 e 10855.001526/200361 sendo que tais processos se referem a crédito da sucessora. Na análise efetuada para atender o item 2. verificouse que, na DCTF válida, transmitida em 24/01/2003, consta como estimativas de 1RPJ e CSLL do mês de junho/2002 os valores de R$ 124.714,98 e R$ 50.173,00. Cabe acrescentar que consta na ficha 12 A da DIPJ/2002, relativa à apuração do Saldo Negativo de IRPJ, Imposto de renda mensal pago por estimativa no total de R$ 1.423.823,64 e na ficha 17, relativa à apuração do Saldo Negativo de CSLL, CSLL paga por estimativa no total de R$ 523.945,19, valores estes que incluem as estimativas de IRPJ e CSLL de junhol/2002 declarados em DCTF e não o valor constante na DIPJ (fls. 193 e 204) o que comprova a alegação do contribuinte de erro no preenchimento da referida declaração. Tal alegação também pode ser comprovada nas cópias de livros fiscais enviadas pelo contribuinte (fl. 377). Também verificase nas cópias enviadas pelo contribuinte (fls. 371 a 373) a compensação na própria contabilidade das estimativas de IRPJ e CSLL de junho/2002, sendo que a legislação vigente até setembro/2002 permitia a compensação na própria contabilidade apenas de débitos da mesma natureza. Percebeuse também o creditamento em tal conta de IRRF de aplicações financeiras quando do resgate sendo que tal retenção deveria compor o Saldo Negativo do período. Em que pese as informações constantes na conta enviada efetuamos a análise da existência do direito creditório relativa ao AC 2002 baseada nas informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte. Iniciamos tal análise calculando os Saldos Negativos de IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário 2000, já que estes foram utilizados para compensar parte das estimativas de 2001. ... Sendo assim, os Saldos Negativos de IRPJ e CSLL referentes ao anocalendário 2002 apurados foram de R$ 1.005.828,40 e R$ 366.367,10 respectivamente, conforme tabelas abaixo. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10855.001428/200323 Acórdão n.º 130200.567 S1C3T2 Fl. 14.09 9 Cientificada da INFORMAÇÃO FISCAL em referência, a contribuinte aditou, em apertada síntese, os seguintes argumentos: que D. Autoridade Fiscal trouxe à baila, em sua explanação, fatos que em momento algum no decorrer do presente processo haviam sido abordados, como justificativa para manutenção, ainda que parcial, da autuação; que a referida autoridade alega a existência de diferenças de IRPJ e CSLL, apuradas nos anoscalendário de 2000 e 2001 os quais não são, e nunca foram, objeto de questionamento no processo em epígrafe; que, com base nessas supostas divergências, foi "reconstruído" o saldo tributos a compensar no ano de 2002; que o fundamento jurídico original da exigência, no curso do julgamento de primeira instância qual seja, a existência de divergências de valor entre os valores dos saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, todas devidamente esclarecidas ao longo do presente processo – foi substancialmente alterado pela Fiscalização, para estabelecer uma nova origem de diferenças, não devidamente explicitadas por aquelas Autoridades; que deve ser ressaltada a não apresentação no corpo da Intimação DRF/SOR/SEORT n° 1809/2010 das evidências que levaram à apuração de divergências no cálculo do IRPJ e da CSLL nos anoscalendário de 2000 e 2001, mormente a alegada compensação das estimativas do período de apuração de 2000 com créditos oriundos de ressarcimento de IPI; que, nos termos do artigo 145 do CTN, com a regular notificação do contribuinte, o ato administrativo do lançamento se torna definitivo, não podendo mais ser alterado pela autoridade administrativa, exceto nas hipóteses de impugnação do sujeito passivo, recurso de oficio ou por iniciativa de oficio da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149; que o critério jurídico do lançamento somente pode ser alterado em relação a fatos geradores futuros e em decorrência de mudança do critério interpretativo, como reza o artigo 146, do CTN; que em relação a fatos geradores já ocorridos, o lançamento tributário defeituoso somente admite alterações para corrigir erros de fato, relacionados com aspectos formais, nunca erros de direito, que, enquanto que a alegação de lançamento constante na peça acusatória é uma (divergência de informação entre os valores compensados declarado na DCTF do ano calendário de 2002, e aquele constante da DIPJ do mesmo exercício), a Fiscalização, em sua resposta à diligência, utiliza outra (supostas diferenças de valor apuradas em 2000 e 2001), às quais jamais se fez menção anteriormente; que o correto, aqui, seria decretar a nulidade da exigência constante do Despacho Decisório n° 341/2005; que, caso se admita a possibilidade de aperfeiçoamento da exigência fiscal original para incluir diferenças de IRPJ e CSLL levantadas em 2000 modificandose, com Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10855.001428/200323 Acórdão n.º 130200.567 S1C3T2 Fl. 15.09 10 isso, o valor dos débitos originalmente exigidos para R$ 12.850,10 e R$ 6.424,14, respectivamente , vale salientar que a mesma estaria alcançada pela decadência; Ao final, assinala a Recorrente: 26. Requer, assim, a Recorrente seja acolhida a ocorrência da decadência e, caso ultrapassada, no mérito, seja, anulado o Auto de Infração originalmente lavrado, tendo em vista a substancial alteração das alegações oferecidas para o lançamento tributário. 27. Caso não seja este o entendimento de V.Sas., requer a Recorrente lhe seja concedido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias, contados do recebimento da Intimação DRF/SOR/SEORT n° 1809/2010, para que possa preparar e oferecer defesa fundamentada, rebatendo as alegações da D. Autoridade Fiscal apresentando a justificativa para as diferenças apontadas. É o Relatório. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10855.001428/200323 Acórdão n.º 130200.567 S1C3T2 Fl. 16.09 11 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de reconhecimento parcial de direito creditório, relativo ao ano calendário de 2002, e, por decorrência, de homologação parcial de compensações pleiteadas. Em sede de recurso voluntário, renovando razões expendidas na peça de defesa dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a contribuinte sustenta que cometeu equívocos na transmissão das informações à Receita Federal. Nessa linha, argumenta que a explicação trazida na peça recursal e os documentos juntados anteriormente esclarecem as dúvidas quanto à composição do saldo negativo de tributos sobre o lucro. Diz que, estando o saldo negativo devidamente comprovado, apesar do erro de fato no preenchimento da PER/DCOMP, não há razão alguma para dar continuidade à cobrança dos valores não homologados. Adita, a exemplo do que fez na manifestação de inconformidade anteriormente apresentada, que a Autoridade Fiscal igualmente equivocouse ao proceder à compensação dos saldos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, objeto do presente processo, com valores oriundos de outros processos de compensação. Em conformidade com os documentos de fls. 185 e 187, a contribuinte apresentou saldos negativos de IRPJ e CSLL, no anocalendário de 2002, nos montantes de R$ 1.018.678,50 e R$ 372.791,24, respectivamente. Referidos saldos negativos decorreram de recolhimentos efetuados por antecipação (estimativas). Na declaração que serviu de base para apuração dos referidos saldos, foram consignados os seguintes valores: R$ 1.423.823,64, a título de estimativa de IRPJ; e R$ 523.945,19, a título de estimativa de CSLL. Tomando por base elementos disponíveis em sistemas internos e documentação apresentada pela contribuinte, a Delegacia da Receita Federal em Sorocaba, esclarecendo que os valores informados como compensados pelo contribuinte foram limitados, em cada mês, ao montante apurado como devido a título de estimativa no respectivo mês e informado em DCTF, concluiu pelo reconhecimento parcial do crédito, a partir da consideração dos seguintes valores a título de estimativas efetivamente pagas (recolhidas por meio de documento de arrecadação e compensadas): IRPJ: R$ 1.348.851,62 CSLL: R$ 496.955,27 Em sede de Manifestação de Inconformidade a contribuinte trouxe, como argumento básico, a informação de que a decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal havia sido fundada em informações equivocadas prestadas por ela própria, eis que, Fl. 11DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10855.001428/200323 Acórdão n.º 130200.567 S1C3T2 Fl. 17.09 12 especificamente em relação ao mês de junho de 2002, informou como devidos os valores de R$ 49.742,96 para o IRPJ, e de R$ 23.183,08 para a CSLL, porém, incorreu em erro na respectiva declaração, tendo em vista que os valores compensados, na realidade, foram de R$ 124.714,98 para o IRPJ, e de RS 50.173,00 para a CSLL. Para comprovar tal afirmação, juntou cópia de folhas do Razão, DCTF entregues e planilhas demonstrativas (fls. 371/377). Não obstante, o voto condutor da decisão exarada em primeira instância assinalou: ... As razões de defesa, como visto, estão no sentido de que os valores corretos são aqueles informados na DCTF e não aqueles informados na DIPJ. Ademais, a contribuinte assevera que os valores lançados na DCTF, do 2° trimestre de 2002, foram objeto de compensação com créditos decorrentes de saldo negativo de imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro apurados no anocalendário de 2001, invocando como prova desse crédito, unicamente, sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais de fls.374/375 e planilhas genéricas de fls. 371/373. É certo que, à época da noticiada compensação (junho de 2002) e desde que envolvidos tributos da mesma espécie, não exigia a legislação que a contribuinte solicitasse o encontro de contas à Receita Federal, a ver pelo artigo 14 da IN/SRF/N° 21/97. Em se tratando de saldo negativo este podia, à opção da contribuinte, ser compensado com resultados positivos de períodos subseqüentes, ou compensado com outros tributos, e até mesmo restituído, dependendo, nas duas últimas hipóteses, de requerimento à Administração. No caso dos autos, não creio que a mera afirmação da existência de saldo negativo de IRPJ e CSLL se prestem à homologação da compensação alegada, que para tanto exige liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, a ver pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional. Indiscutivelmente, a utilização de pretensos créditos é uma opção do contribuinte, que pode ou não ser exercida. Ademais, crédito dessa estirpe se comprova com registros contábeis, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, tudo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo de IRPJ e CSLL declarado. Daí porque seria imprescindível que viessem aos autos as provas, notadamente contábeis, mesmo porque a contribuinte é pessoa jurídica sujeita ao regime do Lucro Real, para a qual a lei exige contabilidade regular. No caso presente, a recorrente, inicialmente, nada trouxe com seu pedido, ancorandoo unicamente em cópia de sua declaração de rendimentos. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10855.001428/200323 Acórdão n.º 130200.567 S1C3T2 Fl. 18.09 13 Posteriormente, a fim de comprovar o direito à restituição pleiteada, a autoridade fiscal intimou a contribuinte, por duas vezes (fls. 102 e 154), para apresentação de informações complementares que julgou necessárias para subsidiála no exame de mérito do processo. Quanto à primeira intimação (fl. 102), a interessada solicitou, em razão do grande volume de documentos, prazo adicional para que pudesse atendêla integralmente. Em 30/05/2005, a autoridade fiscal efetuou nova intimação (fl. 154). A contribuinte apresentou os documentos de fls. 156/175. Todavia, não consta dos documentos apresentados os registros contábeis, como lançamentos em contas do ativo do IRPJ e da CSLL a recuperar, respectivas compensações, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, etc. Ao contrário, a interessada informa que a empresa ZF Nacan Sistemas de Direção Lida (ZF Nacan), CNPJ: 02.771.736/000199, teve origem apenas em 31/12/2002, com a incorporação da ZF Sistemas de Direção Ltda (ZF Sistemas), CNPJ: 01.771.736/000199, não comprovando, dessa forma, a origem dos créditos que foram objeto de compensação no ano calendário de 2002. Cumpre, ainda, observar que com o recurso a esta instância julgadora, a contribuinte não apresentou qualquer registro contábil comprovando referidas compensações. Nessa esteira, registrese que a certeza e liquidez de crédito a título de saldo negativo de IRPJ e CSLL, para fins da compensação aqui pretendida, não se configura em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas em relação ao quantum comprovado pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos e os pagamentos por estimativa mensal apenas elementos indicativos da apuração do tributo. Como não constam dos autos elementos que possam infirmar que havia saldo negativo de IRPJ e CSLL, no anocalendário de 2001, suficientes para compensar os valores declarados, vez que esta informação somente veio à tona no momento da manifestação de inconformidade, nem tampouco se preocupou a recorrente em trazer qualquer elemento contábilescritural que pudesse embasar seu entendimento de existência de irregularidades no despacho decisório de fls. 217/221, os saldos negativos de IRPJ e CSLL, apurados no ano calendário de 2002, não podem ser reconhecidos integralmente, nem homologadas as declarações de compensação na sua totalidade. ... Diante desse quadro, entendendo que o processo não se encontrava em condições de ser julgado, o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade administrativa de jurisdição da contribuinte adotasse as seguintes providências: Fl. 13DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10855.001428/200323 Acórdão n.º 130200.567 S1C3T2 Fl. 19.09 14 1. esclarecesse, em razão da informação contida no documento de fls. 293, quais os efetivos valores, relativos aos saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, que foram considerados para fins de compensação; 2. certificasse, por meio de análise de documentação contábil e controles internos, que: a) os valores devidos a título de IRPJ e CSLL do período de apuração de junho de 2002 foram compensados nos montantes de R$ 124.714,98 e R$ 50.173,00, respectivamente, como consignado no documento de fls. 371 e registrado nos de fls. 374 e 375; e b) confirmada a compensação, informasse se ela havia sido feita de forma regular, em especial no que dizia respeito à existência de direito creditório disponível; 3. confirmasse que os créditos indicados no presente processo, oriundos de saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, não haviam sido utilizados para compensação com débitos indicados em outros processos administrativos. Em atendimento, foi trazida ao processo a INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 493/497. Para que não se possa excluir dos autos as conclusões trazidas pela diligência requisitada por este Colegiado, refuto, primeiramente, os argumentos da contribuinte acerca do procedimento em referência. A Recorrente, insurgindose contra a Informação Fiscal apresentada pela Delegacia da Receita Federal em Sorocaba, entende ter havido inovação de fundamentos na determinação do montante de crédito a ser reconhecido, motivo pelo qual requer a nulidade da exigência constante do Despacho Decisório n° 341/2005. Alega, ainda, caducidade em relação às diferenças apontadas para o anocalendário 2000 e solicita prazo adicional para contestar as diferenças apontadas. A meu ver, os argumentos e pedidos acima explicitados não merecem acolhida, haja vista que: 1. a autoridade julgadora de primeira instância, ao proferir a sua decisão, asseverou de forma expressa que um dos motivos para não aceitar os valores pleiteados pela contribuinte residia no fato de não terem sido carreados aos autos prova da sua existência, pois, à Manifestação de Inconformidade, só foram juntadas cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais e planilhas genéricas; 2. resta claro, assim, que já por ocasião da apresentação da citada Manifestação de Inconformidade a contribuinte tinha conhecimento de que a aceitação dos valores pleiteados passava, necessariamente, pela análise dos elementos formadores de tais montantes; 3. a autoridade julgadora de primeira instância chegou até mesmo a explicitar os elementos que poderiam ter sido juntados pela contribuinte para comprovar os valores pleiteados (registros contábeis dando conta da existência de imposto e contribuição a recuperar, balanços ou balancetes); 4. a inovação referenciada, a bem da verdade, foi efetivada pela própria Recorrente, pois foi por meio da Manifestação de Inconformidade que foi trazida aos autos a informação acerca de erro no preenchimento da declaração; Fl. 14DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10855.001428/200323 Acórdão n.º 130200.567 S1C3T2 Fl. 20.09 15 5. admitindo a possibilidade de os documentos aportados aos autos não serem suficientes para comprovar as suas alegações, foi a própria Recorrente que pediu para que o processo fosse baixado em diligência a fim de que fossem analisados os documentos fiscais/contábeis que se entendesse necessários para dirimir a questão; 6. a conversão do julgamento em diligência efetivada por este Colegiado, portanto, nada mais fez do que oportunizar à contribuinte momento para que fossem reunidos aos autos elementos capazes de aferir a certeza e liquidez dos valores apontados na sua Manifestação de Inconformidade; 7. não há que se falar em caducidade do direito, eis que o presente processo não trata de constituição de crédito tributário, mas, em essência, de reconhecimento de direito creditório, devendo o requerente, nesse caso, manter em ordem e boa guarda os documentos que direta ou indiretamente viabilizem a aferição da certeza e liquidez dos créditos indicados no pedido. Entendo, pois, que não há que se falar em inovação de fundamentos, vez que as investigações complementares, além de terem sido promovidas a partir de alteração dos elementos formadores dos créditos feita pela própria contribuinte, convergiram para pedido trazido por meio da peça recursal apresentada. Improcedentes, também, a solicitação de nulidade da exigência constante do Despacho Decisório n° 341/2005 e de prazo adicional para contestar as diferenças apontadas. A primeira, pelas razões acima expostas, e, a segunda, por entender que a Recorrente, desde o momento em que tomou conhecimento da decisão exarada em primeira instância foi cientificada de que deveria, a partir da alegação de ter cometido erro na prestação de informação ao Fisco, comprovar a certeza e liquidez dos créditos retificados. Ultrapassadas tais questões, observo que as controvérsias postas para apreciação dizem respeito a dois aspectos, quais sejam: montante do crédito passível de ser reconhecido e regularidade das compensações promovidas pela autoridade administrativa. No que tange ao montante de crédito, acolho por inteiro as conclusões trazidas pela Delegacia da Receita Federal em Sorocaba na INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 493/497, eis que precedidas de análise detalhada de documentário de natureza contábil e fiscal e não foram, como já visto, adequadamente contestadas pela ora Recorrente. Relativamente às compensações empreendidas, cabem as seguintes considerações: A) restou confirmado pela diligência feita pela Delegacia da Receita Federal em Sorocaba que, em desacordo com o que havia sido decidido em primeira instância, foi promovida a compensação levandose em conta os totais de créditos pleiteados pela contribuinte (R$ 1.018.678,50 para o IRPJ, e R$ 372.791,24 para a CSLL), e não o valor efetivamente deferido (R$ 943.706,48 para o IRPJ, e R$ 345.801,32 para a CSLL); B) constatou também a Delegacia da Receita Federal em Sorocaba que os créditos apontados pela Recorrente foram equivocadamente utilizados para compensar débitos constantes dos processos administrativos nºs 10855.000779/200317, 10855.001096/2003437 e 10855.001526/200361, visto que nesses processos os créditos indicados foram apurados pela Fl. 15DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10855.001428/200323 Acórdão n.º 130200.567 S1C3T2 Fl. 21.09 16 própria Recorrente (CNPJ nº 01.930.685/000138), diferentemente dos apontados no presente processo, que foram apurados pela empresa incorporada (CNPJ nº 02.771.736/000199); C) a inclusão de compensações relativas a débitos apontados em outros processos foi promovida, ao que tudo indica, com base no entendimento de que os créditos apontados nos referidos processos diziam respeito aos saldos negativos do anocalendário de 2002; D) a ilação acima decorre da interpretação feita ao despacho dado no processo administrativo nº. 10855.000779/200317 (fls. 15), abaixo reproduzido; Trata o presente processo, assim como os processos 10855.001096/200387 e 10855.001526/200361 a este apensados, de Declarações de Compensação através das quais o contribuinte intenta compensar créditos que compõem suposto Saldo Negativo de IRPJ e CSLL referente ao anocalendário 2002 com IRRF incidente sobre trabalho assalariado retido e a recolher. Todavia, o saldo negativo em questão (anocalendário 2902) já se encontra sob análise através do processo administrativo 10855.001428/200323, devendo estes processos tornarse dependentes do processo em que se analisa o crédito. Sendo assim, PROPONHO juntar por apensação o presente processo, e todos os demais processos a este apensados, ao processo No. 10855.001428/200323, para que a análise do crédito referente a Saldo Negativo de IRPJ e CSLL prossiga no âmbito do processo raiz e a decisão proferida seja aproveitada por todos os demais processos vinculados ao mesmo crédito. E) a partir de tais constatações, revelamse impróprias as considerações feitas no voto condutor da decisão de primeiro grau acerca de uma suposta retificação dos créditos utilizados nas declarações de compensação apresentadas nos processos 10855.000779/200317, 10855.001096/200387 e 10855.001526/200361. Diante de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para reconhecer os direitos creditórios de R$ 1.005.828,40 e R$ 366.367,10 a título de saldos negativos de IRPJ e de CSLL do ano calendário de 2002, respectivamente. Determinar ainda que, na compensação, sejam observados os limites dos créditos ora reconhecidos e que tal procedimento leve em consideração, tãosomente, os débitos apontados no presente processo. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2011 “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Fl. 16DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10855.001428/200323 Acórdão n.º 130200.567 S1C3T2 Fl. 22.09 17 Fl. 17DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Assinado digitalmente em 02/06/2011 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, 02/06/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 44023.000048/2006-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/02/2003 a 31/03/2003
Ementa:
PROGRAMA DE INCENTIVO. PRÊMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza remuneratória.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2302-000.947
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1343; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 84 1 83 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 44023.000048/200629 Recurso nº 260.076 Voluntário Acórdão nº 230200.947 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2011 Matéria Salário Indireto Prêmiação Incentivo Recorrente BANCO INDUSTRIAL DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002, 01/07/2002 a 31/07/2002, 01/02/2003 a 31/03/2003 Ementa: PROGRAMA DE INCENTIVO. PRÊMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza remuneratória. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior, Edgar Silva Vidal. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 44023.000048/200629 Acórdão n.º 230200.947 S2C3T2 Fl. 85 3 Relatório Trata a presente notificação lavrada e cientificada ao sujeito passivo em 27/10/2006, de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados por meio de cartões de premiação, contratados com a empresa de marketing promocional, INCENTIVE HOUSE S/A, nas competências de 01/2002, 07/2002, 02/2003 e 03/2003. O lançamento teve por base a contabilidade da empresa e as notas fiscais de prestação de serviço. Após a apresentação da defesa, DecisãoNotificação de fls. 52/59, julgou o lançamento procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde se reporta aos termos da defesa apresentada, reafirmando que a verba paga referiase a ganhos eventuais e abonos desvinculados do salário e por isso não integrantes do salário de contribuição. Que somente à justiça do trabalho é dado julgar questões de emprego e requerendo a reforma da decisão para julgar insubsistente o lançamento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Cumpridos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Primeiramente, é de se notar que o levantamento referese a pagamento de remuneração a segurados empregados, através de cartões de premiação contratados com empresa de marketing promocional, não havendo que se falar em configuração de relação de emprego como argumenta a recorrente em suas razões. É incontroverso que os segurados, cujas remunerações constam da presente notificação, são empregados da recorrente e não se trata da caracterização de relação de emprego. A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Seguridade Social, o AuditorFiscal da Previdência Social (há época do lançamento), examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o pagamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o AFPS deverá inscrever de ofício a importância que refutar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa do INSS de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, e art. 33, §§ 3°e 6º da Lei n 8.212/91, conforme já citado em parágrafo anterior. De acordo com o Relatório Fiscal, a recorrente concedeu premiação a seus empregados no período fiscalizado, através de créditos em cartões eletrônicos efetivada por intermédio da empresa Incentive House S.A. Os valores pagos através de cartões de premiação foram considerados salário, e passíveis de incidência contributiva previdenciária por se enquadrarem no conceito de salário de contribuição e por não constarem das excludentes legais de tal conceito. "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 44023.000048/200629 Acórdão n.º 230200.947 S2C3T2 Fl. 86 5 coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A Constituição Federal, no seu artigo 195, I, alínea “a”, estabelece: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) O dispositivo constitucional transcrito cuida não de “remuneração”, não de “folha de pagamento”, mas fala de “folha de salários”. A “folha de salários” é composta por lançamentos onde constam o nome dos trabalhadores e todas as parcelas devidas a estes em decorrência do serviço executado. Assim, qualquer tipo de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais faz parte da “folha de salários”, que, nos termos da Carta Política de 1988, é a base de incidência da contribuição social devida pelos empregadores. Ainda, para que não restasse dúvidas sobre a amplitude da base de incidência da contribuição social em questão, o dispositivo constitucional transcrito acrescentou “....e demais rendimentos do trabalho”. Além da “folha de salários e demais rendimentos do trabalho”, também integram a base de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do § 11 do artigo 201 da Constituição Federal, os “ganhos habituais do empregado, a qualquer título”. A seu turno, a Lei 8.212, de 24/07/1991, dispõe em seu artigo 22: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação alterada pela Lei nº 9.876, de 26/11/99) Assim, todas as parcelas que fazem parte da remuneração, creditadas a qualquer título, são base de incidência constitucional da contribuição em questão, excluídas apenas as arroladas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, face à isenção concedida por lei, entre as quais não se encontram os prêmios concedidos para incremento da produtividade: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a)os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, Lei nº 9.528, de 10/12/97) 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 5. recebidas a título de incentivo à demissão; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 44023.000048/200629 Acórdão n.º 230200.947 S2C3T2 Fl. 87 7 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 9 recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 8 empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) É inquestionável, portanto, a natureza salarial da verba premial de incentivo à produtividade. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 8DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 44023.000048/200629 Acórdão n.º 230200.947 S2C3T2 Fl. 88 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 08/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001522/2008-17
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2007
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N 2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.418
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput da Lei 8.212/91, com prevalência da mais benéfica ao
contribuinte. Vencido na questão da multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro
Monteiro.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Cid Marconi Gurgel de Souza
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AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao Art. 35, caput da Lei 8.212/91, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido na questão da multa de mora o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Eivanice Canário da Silva (suplente). Ausentes os conselheiros: Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10950.001522/200817 Acórdão n.º 2403000.418 S2C4T3 Fl. 75 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.254 a 263 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS (fls.244 a 247) que julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento constante na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 37.105.6799, no valor originário de R$ 199.160,96 (cento e noventa e nove mil, cento e sessenta reais e noventa e seis centavos), sendo tal numerário reduzido para R$ 127.184,80 (cento e vinte e sete mil, cento e oitenta e quatro reais e oitenta centavos) após essa decisão de 1 instância. Segundo o relatório fiscal às fls.108 a 112, a cobrança referese à contribuição previdenciária da empresa incidente sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais (profissionais autônomos), no período de 01/1998 a 12/2007; e a contribuição previdenciária do contribuinte individual, no período de 04/2003 a 12/2007. O lançamento foi composto por três levantamentos: I PGTO AUTÔNOMOS SERV DIVERSOS (contribuição da empresa no período anterior à implantação da GFIP) – competências: 01/1998 a 12/1998; II PGTO AUTÔNOMOS SERV DIVERSOS (contribuição da empresa relativa aos valores não declarados em GFIP) – competências: 01/1999 a 12/2007; III CONTR SEGURADOS AUTÔNOMOS (contribuição do contribuinte individual, não declarada em GFIP) competências: 04/2003 a 12/2007. Desta autuação, a recorrente apresentou impugnação às fls. 156 a 172 alegando em síntese: Preliminarmente: Que a prescrição/decadência do direito do fisco constituir o crédito tributário é de apenas 5 (cinco) anos, e que o art.45 e 46 da Lei n 8.212/91 são inconstitucionais; No Mérito: Ser inconstitucional a norma que determina a incidência de contribuição social sobre as remunerações pagas aos contribuintes individuais (autônomos); Por fim, requereu o recebimento da peça de impugnação para que fosse instaurada a fase litigiosa administrativa e, ao final o julgamento pela improcedência dos lançamentos. Protestou ainda provar o alegado por todos os meios de prova, inclusive prova pericialcontábil. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 7° Turma da DRJ/Porto Alegre/RS proferiu acórdão (n°1016.945) nos seguintes termos: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2007 Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n.° DEBCAD 37.105.6799. 1. DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias estão sujeitas aos prazos decadenciais estabelecidos nos artigos 150, parágrafo 40, ou 173 do Código Tributário Nacional, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente. 2. CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. 3. PRODUÇÃO DE PROVAS. É de nenhum efeito o protesto genericamente formulado no tocante à produção de provas. Ademais disso, em se tratando apenas de questões de direito, a produção de provas é prescindível. Lançamento Procedente em Parte Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.254 a 263, argumentando tão somente a inconstitucionalidade da norma que determina a incidência de contribuição social sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (autônomos); tendo em vista que, em sede de preliminar, a 1 instância reconheceu a decadência total para o levantamento PGTO AUTÔNOMOS SERV DIVERSOS (01/1998 a 12/1998) e parcial para o levantamento PGTO AUTÔNOMOS SERV DIVERSOS (01/1999 a 11/2002), com base no art.173, inciso I, do Código Tributário Nacional. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10950.001522/200817 Acórdão n.º 2403000.418 S2C4T3 Fl. 76 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I – DA IMPOSSIBILIDADE DO CARF MANIFESTARSE ACERCA DE (IN)CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS: Considerando que o único argumento trazido à baila pela recorrente foi a suposta inconstitucionalidade da norma que determina a incidência de contribuição social sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (autônomos), instituída pela Lei n° 9.876/99, devese destacar que todas as normas infraconstitucionais, quando vigentes no ordenamento jurídico, são para ser cumpridas, não podendo, em nenhuma hipótese a autoridade administrativa exercer juízo de valor e afastar a aplicação da norma, tendo em vista sua atividade como agente público ser vinculada à lei. Desse modo, é a atividade do agente público um poderdever, não podendo haver discricionariedade para a aplicação da lei, o que só é admitido quando a própria norma autoriza. Assim, estando a legislação vigente, deparandose o agente administrativo com uma situação que lhe exija a aplicação de norma infraconstitucional, esta será aplicada em todos os termos, sendo vedada a conduta de afastar a incidência dessa norma, sob pena de violação ao Princípio da Legalidade. Ademais, a Portaria RFB n° 10.875, de 16 de agosto de 2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os arts. 2° e 3° da Lei n° 11.457/2007, veda, em seu art.18, que o Contencioso Administrativo Federal afaste aplicação de lei por inconstitucionalidade ou ilegalidade: Art. I8 É vedado à autoridade julgadora afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: 1 tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal (STF); em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; II haja decisão judicial, proferida em caso concreto, afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República ou, nos termos do art. 4 2 do Decreto n2 2.346, de 10 de outubro de 1997, pelo Secretário da Receita Federal do Brasil ou pelo ProcuradorGeral da Fazenda NacionaL. Além disso, vale destacar que a Portaria n 256 do Ministério da Fazenda, que aprovou o Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62, veda aos julgadores do Contencioso Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 Administrativo Federal afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal acima citado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Para haver harmonia nos julgamentos, conforme artigo 72 do Regimento Interno, o CARF emitirá súmulas para decisões reiteradas e uniformes, de observância obrigatória pelos membros do CARF. Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Nesse sentido, o CARF sumulou a matéria em comento, Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; Dessa forma, não há como se acolher a pretensão do contribuinte em relação à possibilidade da autoridade julgadora afastar norma infraconstitucional, sob o argumento da Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10950.001522/200817 Acórdão n.º 2403000.418 S2C4T3 Fl. 77 7 norma aplicável à multa ter supostamente caráter confiscatório, pois analisar essa natureza da multa seria função do judiciário, que goza da liberdade para decidir, desde que haja motivação em suas decisões. II – DA APLICAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: Considerando, portanto, o prosseguimento da cobrança da NFLD em tela, há que se destacar que esses débitos serão recolhidos com a incidência de multa e juros na forma da legislação, Lei n 8.212/91: Lei N 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional. Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registrese que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que o CARF aprovou Súmula nº 04, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10950.001522/200817 Acórdão n.º 2403000.418 S2C4T3 Fl. 78 9 Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é devida e tem amparo legal com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. III – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratandose de ato pendente de julgamento, há que se observar alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verificase que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei n 11.941/2009. Deste modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei n 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, de modo que a cobrança da NFLD nº 37.105.6799 seja mantida, devendose proceder ao recálculo da multa de mora previsto no art.35 da Lei n 8.212/91 com base na redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a legislação mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 29/03/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000172/2008-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CRÉDITOS. INSUMOS.
Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e
serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou
fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas
legais.
RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA.
Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic
sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de Cofins.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.112
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam
provimento parcial.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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INSUMOS. Somente geram crédito de Cofins os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de Cofins. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto, que davam provimento parcial. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 08/07/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem relatar os fatos até a manifestação de inconformidade, adoto e ratifico o relatório da decisão de primeiro grau. “Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da COFINS Mercado Externo (fls. 02/06), relativo ao 4º trimestre/2007, apurado no regime de incidência não cumulativa, com fundamento na Lei nº 10.833/2003. A contribuinte, também, protocolizou as Declarações de Compensação de fls. 198/233 e 235/240 para utilização dos créditos acima referidos. A DRF em Londrina/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 255 e em conformidade com a Informação Fiscal de fls. 185/195 e com o Parecer SAORT/DRF/LON n° 549/2008 de fls. 251/254, deferiu parcialmente o Pedido de Ressarcimento, reconhecendo o crédito de COFINS, referente ao 4° trimestre de 2007, no valor de R$ 2.907.877,76, o qual foi utilizado para homologar as Declarações de Compensação objeto de análise neste processo, restando o crédito de R$ 2.262.710,50, cujo pagamento à contribuinte foi realizado em 12/09/2008, conforme comunicado de fl. 287. De acordo com a mencionada Informação Fiscal (fls. 185/195), a autoridade administrativa, em observância à legislação de regência, glosou os créditos concernentes a insumos sujeitos à alíquota zero da contribuição e serviços de corretagens e outros fretes não considerados insumos, bem como considerou, para efeitos de base de cálculo da contribuição, relativamente aos mês de dezembro de 2007, receitas diversas constantes do balancete contábil (fls. 107). Cientificada da Intimação n° 1.273/2008 de fl. 273, em 02/09/2008 (fl. 275), a interessada, por intermédio do procurador habilitado (doc. fl. 300), apresentou, em 30/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 289/298, cujo teor será, a seguir, sintetizado. Aduz que é equivocado o entendimento do fisco a respeito de que somente os insumos que tenham ação direta no processo de fabricação do produto são passíveis de crédito da COFINS apurada sob o regime nãocumulativo. Defende que além dos insumos que se integram ao produto final (matérias primas e produtos intermediários e material de embalagem), quaisquer outros bens (ou seja, os outros insumos) necessários para a industrialização do produto geram direito ao crédito, haja vista que a lei inclui expressamente o crédito sobre combustíveis c Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16366.000172/200830 Acórdão n.º 330201.112 S3C3T2 Fl. 2 3 lubrificantes, que, na maioria das vezes, são materiais auxiliares ou intermediários (art. 3º, II, da Lei n.º 10.833/2003). Contesta a desconsideração de créditos provenientes das despesas com corretagem e outros fretes. Diz que a Lei n.º 10.833/2003 padece de certos vícios pois listou hipóteses taxativas de tomadas de créditos, deixando de fora uma série de notórias despesas inerentes e necessárias à atividade empresarial, ainda mais depois da edição da Emenda Constitucional nº 42/2003, que não teria previsto hipóteses de restrição. Assim, diante do considerável aumento da alíquota, entende que a incidência da COF1NS nãocumulativa sobre a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente da denominação ou classificação contábil (art. 1º, § 1º, da Lei n.º 10.833/03), deve ser neutralizada pela concessão de créditos, os quais devem ser calculados sobre a totalidade dos custos/despesas inerentes à atividade da pessoa jurídica. Por isso, requer seja levado em conta o crédito proveniente dos gastos com corretagem, já que, além de inexistir expressa restrição na lei, a corretagem é inerente à consecução da atividade econômica empresarial. Também, argumenta que não há qualquer fundamento para vedar os créditos oriundos de valores de frete relativos ao transporte de produtos entre seus estabelecimentos (no caso, do parque fabril [matriz] para depósitos [filiais]), sejam estes destinados à venda ou à industrialização, posto que tais transportes seriam etapas essenciais à sua atividade econômica c, portanto, os gastos correlatos devem ser computados no cálculo dos créditos. Reclama a atualização do valor do Pedido de Ressarcimento mediante a aplicação da taxa SELIC a partir do protocolo do referido pedido, conforme art. 39, §4° da Lei n° 9.250/95 e jurisprudência dominante dos tribunais administrativos. Pelo exposto, requer seja reconhecido o direito ao ressarcimento pleiteado na inicial”. A DRJ, por unanimidade de votos, não acolheu as razões da manifestação de inconformidade, em acórdão com a seguinte ementa: “BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do COFINS, o sujeito passivo poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos à COFINS, por falta de previsão legal. Solicitação Indeferida”. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, repisando os mesmos argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. No tocante as glosas de créditos concernentes aos serviços de corretagens e outros fretes, conforme se verá adiante, não assiste razão à Recorrente.. Em sua defesa, a Recorrente parte de um equivocado conceito de insumo empregado na Lei nº 10.833/03 para fins de aproveitamento de crédito de Cofins, pois defende que além dos insumos que se integram ao produto final (matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem), quaisquer outros bens necessários para a industrialização do produto geram direito ao crédito. Afirma que a lei ao incluir expressamente o crédito sobre combustíveis e lubrificantes (materiais mormente auxiliares ou intermediários) estende o creditamento aos demais materiais utilizados, direta ou indiretamente, no processo produtivo. A propósito, vejamos o que reza(va) a lei nº 10.833/03 quanto aos créditos que podem ser descontados, in litteris: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória nº 413, de 2008)(Vide Lei nº 11.727, de 2008). b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 16366.000172/200830 Acórdão n.º 330201.112 S3C3T2 Fl. 3 5 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) Da leitura dos excertos acima defluise, com relação aos insumos e ponderado as exceções, que só é permitido o desconto de créditos relativos a bens e serviços, utilizados como insumos consumidos ou aplicados diretamente na produção ou fabricação de bens e produtos destinados à venda. A lei ao se referir a “... inclusive combustíveis e lubrificantes...”, o faz a título de exceção; esta menção, ao contrário do que prega a Recorrente, em absoluto, estende o creditamento além das exceções que enumera. Quaisquer outros dispêndios, seja qual for a denominação, alheios ao que está enumerado na lei, não dá direito ao creditamento. Destarte, as despesas realizadas com os bens e serviços em apreço não geram direito a crédito ou por não se constituírem em insumo, ou por falta de expressa previsão legal, ou, ainda, por existir expressa vedação legal. No que tange a pretensão da recorrente em incidir a taxa selic no valor do ressarcimento pleiteado, o art. 13 da Lei nº 10.833/2003 veda expressamente a atualização monetária ou a incidência de juros sobre os valores objeto de ressarcimento, vejamos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Portanto, ao contrário do entendimento da recorrente, há proibição legal para a incidência de juros, calculado pela selic ou por outro índice qualquer, no ressarcimento de Cofins nãocumulativa. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde processual, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 10410.002730/2004-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2000
Ementa: IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Em condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o
pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante de indícios de
irregularidades, é lícito ao Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados, sem os quais é cabível a glosa da dedução.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-001.141
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
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DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante de indícios de irregularidades, é lícito ao Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados, sem os quais é cabível a glosa da dedução. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rayana Alves de Oliveira França, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Gustavo Lian Haddad. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 08/06/2011 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe e Rayana Alves de Oliveira França. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 Relatório OSWALDO AUGUSTO LEITÃO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJRECIFE/PE (fls. 32) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 26/30, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2000, no valor de R$ 622,32, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 3.314,74. A infração que ensejou o lançamento está assim descrita no auto de infração: Dedução indevida a título de despesas médicas em virtude de o Contribuinte ter sido intimado a apresentar documentação comprobatória dos serviços prestados pelo profissional Jairo Vieira da Silva, em virtude de haver dúvidas quanto aos serviços prestados por este profissional e, no caso, o Contribuinte só apresentou o simples recibo, não apresentando outros elementos de prova que pudessem comprovar a efetiva prestação dos serviços. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que não atendera à intimação sobre a comprovação dos serviços médicos prestados pelo profissional Jairo Vieira da Silva porque a prova já se encontra no recibo apresentado, de acordo com as orientações dos manuais. Afirmou que a rejeição dos recibos não poderia ocorrer com base em meras suspeitas, sem uma investigação pormenorizada, já que se sobreleva no ordenamento constitucional, o consagrado principio de inocência. Argumentou que o recibo foi passado por profissional de saúde, onde constata que os serviços foram prestados durante o ano de 1999, e se o contribuinte fosse obrigado a descer a tais detalhes e comprovar o que fora prestado em relação ao serviço, deixaria de ser um mero contribuinte; argumenta também que a Fiscalização é que deveria comprovar a inidoneidade do recibo. A DRJRECIFE/PE julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que, de acordo com o art. 8º, § 2º da Lei nº 9.250, de 1995, são dedutíveis como despesas médicas os pagamentos “comprovados e especificados” e que, no caso, o recibo apresentado não especifica os serviços prestados. A DRJ registrou também a desproporção das despesas médicas com relação à renda declarada, superior a 25%, o que justificaria a cautela adicional do Fisco. Concluiu, então, que o Contribuinte deveria comprovar por outros meios, além dos recibos, a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos declaradamente efetuados. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 31/10/2007 (fls. 41) e, em 29/11/2007, interpôs o recurso voluntário de fls. 42/47, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fl. 68DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10410.002730/200417 Acórdão n.º 220101.141 S2C2T1 Fl. 2 3 Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre da glosa de despesas médicas, devido à falta de comprovação da efetividade da prestação dos serviços. O Contribuinte apresentou recibo, que não foi considerado suficiente como meio de prova, conclusão contra a qual se insurge o Autuado. Sobre esta questão, tenho me posicionado no sentido de que, em regra, os recibos fornecidos pelos profissionais são suficientes para comprovar a prestação dos serviços e os respectivos pagamentos e, portanto, para comprovar a despesa. Porém, diante de indícios de que pode não ter havido tal prestação de serviços ou pagamento, é lícito o Fisco exigir elementos adicionais de prova. Vejase como exemplo, os seguintes julgados: IRPF DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO DOCUMENTOS INIDÔNEOS Em condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante das evidências de que o profissional praticava fraude na emissão de recibos, tendo sido formalmente declarada a inidoneidade dos documentos por ele emitidos, é lícito o Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e do pagamento realizado. (Ac. 10421838, de 17/08/2006) DEDUÇÕES DESPESA MÉDICA GLOSADA ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. (Ac. 10246467, de 22/03/2006) A teoria da prova distingue a prova em si, que é a demonstração de um fato, dos meios de prova, que são os recursos que se pode lançar mão para fazer tal demonstração. Pois bem, o processo administrativo tributário brasileiro, por um lado, admite variados meios de prova: documento, diligência,. perícia, indício, presunção, e, por outro lado, atribui ao julgador a liberdade de apreciar e valorar essas provas de acordo com o seu livre convencimento, que, por sua vez, deve ser fundamentado. A legislação do Imposto de Renda, ao tratar da dedução de despesas médicas, é clara ao determinar a necessidade da comprovação da despesa pelo contribuinte, como não poderia deixar de ser, mas em momento algum especifica o recibo como meio de prova; o dispositivo referese a “documentação”, e elege a cópia do cheque como meio de prova que pode substituir todos os demais. Vejamos: Lei nº 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames Fl. 69DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: [...] III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Não há dúvidas, portanto, de que um recibo supostamente emitido por um profissional da saúde, atestando que prestou serviços a uma determinada pessoa e que recebeu dela certa quantia, como remuneração, é um elemento de prova, mas não é a prova em si. Dito isto, penso que, em condições normais, quando há proporcionalidade entre a dedução pleiteada e os rendimentos declarados, quando os valores e os procedimentos envolvidos são compatíveis com no que se verifica entre as pessoas comuns, e não se identifica nenhum outro indício de irregularidade, não há razão para não se aceitar o recibo como elemento suficiente para comprovar essa despesa. Porém, considerando operações envolvendo valores relativamente elevados, que comprometam parcela da renda acima do comum, é lícito ao Fisco exigir outros elementos de prova, e cabe ao julgador valorar as provas levando em conta essas circunstâncias especiais. Por outro lado, não se pode desprezar o fato de que é comum a prática de emissão de recibos inidôneos e/ou fornecidos graciosamente por alguns profissionais os quais são utilizados por alguns contribuintes para pleitear deduções indevidas, fato, aliás, bastante conhecido pelos Conselheiros desta casa que, não raro, de deparam com processos envolvendo este tipo de situação. Ignorar este fato e pretender que o Fisco, como regra, admita o recibo como prova suficiente da despesa, ainda que diante de indícios em sentido contrário, implica em favorecer a prática desse tipo de infração. Notese que não se trata aqui de simplesmente recusar o recibo como meio de prova, de assumir que o documento é frio, inidôneo, mas de buscar elementos adicionais de convencimento que dissipem dúvidas que eventualmente pairem a respeito da efetividade da operação, o que não deveria significar nenhuma dificuldade para o contribuinte. A reunião de elementos de prova da efetividade de um pagamento em valores significativos não é algo tão difícil e poderia ser feita, por exemplo, mediante a indicação de cópia de cheque ou da transferência bancária dos recursos. A propósito desse ponto, embora não haja obrigatoriedade de que os contribuintes realizem seus pagamentos por meio de operação bancária, podendo fazêlo em espécie, convenhamos que tal prática nos dias atuais, tratandose de valores expressivos, é excepcional, para dizer o mínimo. Mas, mesmo assim, mesmo no caso de pagamentos em espécie, é possível reunir elementos de prova outros, como, por exemplo, a indicação da origem dos recursos: a conta bancária, por exemplo. Em reforço do entendimento acima, cabe mencionar, também, que a própria legislação tributária tem disposição expressa inibindo a prática de deduções exageradas em relação aos rendimentos. É o que reza o art. 73, § 1º do RIR/99, cuja matriz legal é o art. 11, § 1º da Lei nºn 5.844, de 1943, in verbis: Fl. 70DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10410.002730/200417 Acórdão n.º 220101.141 S2C2T1 Fl. 3 5 Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. No presente caso, tratase de recibo no valor de R$ 8.500,00 (fls. 03) no qual está especificado apenas, genericamente, que se trata de honorários referentes a tratamento odontológico, sem especificar o paciente. Também, como observou a DRJ, o total das deduções como despesas médicas, quando confrontado com os rendimentos tributáveis declarados, é superior a 25%, o que, a meu juízo, já é indício suficiente para justificar a cautela do Fisco. O que se observa, portanto, é que o recibo não especifica a natureza dos serviços prestados e não identifica o beneficiário destes serviços. Por outro lado, verificase que o Contribuinte foi intimado especificamente a comprovar a efetividade do pagamento (fls. 10) e nada apresentou. Pois bem, nestas condições, penso que se justificava a cautela do Fisco em solicitar a comprovação da efetividade dos pagamentos, mediante operações financeiras, como cópias de cheques, transferências bancárias ou, ainda, mediante demonstração da relação entre saques e pagamentos. Como o Contribuinte nada apresentou, agiu com acerto a autoridade lançadora ao proceder à glosa. Considerando a soma desses fatores, penso que o Contribuinte não logrou comprovar a realização das despesas e, portanto, deve ser mantida a glosa. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 71DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 30/06/2011 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 04/07/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 19647.002734/2004-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
IRPF. VERBAS TRABALHISTAS. DESCONTO PREVIDENCIÁRIO.
A Guia de Recolhimento da Previdência Social – GPS recolhida pela pessoa jurídica em processos trabalhistas não significa necessariamente que o montante tenha sido de fato descontado do contribuinte, posto que sobre o total de recolhido está incluída a parcela relativa à empresa e a quantia referente ao contribuinte. Portanto, para fins de redução da base de cálculo do imposto de renda o contribuinte poderá deduzir apenas a parcela relativa a segurados.
Numero da decisão: 2201-001.133
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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VERBAS TRABALHISTAS. DESCONTO PREVIDENCIÁRIO. A Guia de Recolhimento da Previdência Social – GPS recolhida pela pessoa jurídica em processos trabalhistas não significa necessariamente que o montante tenha sido de fato descontado do contribuinte, posto que sobre o total de recolhido está incluída a parcela relativa à empresa e a quantia referente ao contribuinte. Portanto, para fins de redução da base de cálculo do imposto de renda o contribuinte poderá deduzir apenas a parcela relativa a segurados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 05/08), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, no qual reduziu o valor imposto a restituir apurado pelo contribuinte de R$ 67.284,56 para R$ 12.256,35. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, apurou omissão de rendimentos tributáveis e glosa parcial da Contribuição à Previdência Social, conforme constam dos demonstrativos das infrações de fls. 06/08. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância: ... que o valor apurado pela fiscalização não está correto, pois se somando os valores recebidos através dos alvarás e mais R$ 9.000,00 de rendimentos de trabalho autônomo totaliza em R$ 246.056,91, e não R$ 341.053,93, constante ao auto de infração, juntando para comprovação cópias dos alvarás de autorização expedidos pela 5ª Vara do Trabalho do Recife. Com relação à alteração da dedução da Contribuição Previdenciária Social de R$ 34.639,15, para R$ 8.533,58, o contribuinte acata, pois para demonstrar que o valor dos rendimentos tributáveis era de R$ 246.056,91, apresentou demonstrativo através do Sistema IRPF/2002, no qual considerou com dedução da contribuição o valor apurado pela fiscalização. Portanto, matéria não contestada. Conclui pelo cancelamento do auto de infração, seja restabelecido o valor do imposto a restituir para R$ 40.855,53, e que no sentido de dirimir duvidas, poderá ser efetuado consulta junto ao TRT 6ª Região, sobre os valores constantes do processo RE 05.001.01132/95. A 1ª Turma da DRJ em Recife/PE julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS AÇÃO TRABALHISTA Há que se manter a omissão apontada no lançamento uma vez não constar dos autos, elementos que demonstrem não serem isentos os rendimentos recebidos a título de indenização trabalhista. São tributáveis, na fonte, na declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária, os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença,, quaisquer outras indenizações por atraso no pagamento de rendimentos provenientes do trabalho assalariado, das remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções, quaisquer proventos ou Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19647.002734/200498 Acórdão n.º 220101.133 S2C2T1 Fl. 2 3 vantagens,,exceto aqueles cor respondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização DEDUÇÃO CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA SOCIAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA Considerase não contestada a matéria sobre a qual o contribuinte não se manifesta expressamente. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância em 29/07/2009 (fl. 72), Gabriel Muniz de Souza apresenta Recurso Voluntário em 18/08/2009 (fl. 74), sustentando, essencialmente, verbis: Considerando que o valor recebido de no Demonstrativo das Alterações na Declaração de Ajuste Anual, foi considerado pela Receita Federal como R$ 341.053,93 verificase que o desconto previdenciário foi de aproximadamente quase 11% (alíquota previdenciária da época). Considerando ainda que este é o momento para tal discursão, vem o requerente postular a devolução de R$ 26.105,57 (vinte e seis mil, cento e cinco reais e cinqüenta e sete Centavos), devidamente corrigidos até a data do efetivo pagamento, como desconto efetuado e apresentado no DARF e desconsiderado no Demonstrativo. Este dinheiro foi recolhido para os cofres do Governo Federal, cuja centralização de tal receita hoje está sob a égide da Receita Federal do Brasil, pelo que solicitamos a devolução do dinheiro por uma questão justa de direito, pago pelo contribuinte no momento da dedução e desconsiderado na época da apuração. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal alterou os dados da Declaração de Ajuste do recorrente com base nas informações constantes do processo judicial. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Fundamentalmente, entendeu a autoridade fiscal que o contribuinte recebeu dois alvarás nos valores de R$ 70.000,00 e R$ 167.056,91. Além do mais, foi retido a título de Imposto de Renda na Fonte a quantia de R$ 95.463,44 e relativa a Contribuição à Previdência Social o montante de R$ 8.533,58. Portanto, o valor recebido pelo recorrente a título de Rendimentos Tributários Recebidos de Pessoa Jurídica representou R$ 341.053,93. Por outro lado, alega o recorrente que “... o valor recebido no Demonstrativo das Alterações na Declaração de Ajuste Anual, foi considerado pela Receita Federal como R$ 341.053,93 verificase que o desconto previdenciário foi de aproximadamente quase 11% (alíquota previdenciária da época). Considerando ainda que este é o momento para tal discursão, vem o requerente postular a devolução de R$ 26.105,57 (vinte e seis mil, cento e cinco reais e cinqüenta e sete Centavos), devidamente corrigidos até a data do efetivo pagamento, como desconto efetuado e apresentado no DARF e desconsiderado no Demonstrativo.” Portanto, entende o recorrente que em função do desconto previdenciário de quase 11%, ou seja, R$ 34.639,15 faz jus a uma restituição de R$ 26.105,57. Pois bem, compulsandose a Guia da Previdência Social – GPS, fl. 39, verificase que efetivamente o valor original recolhido representou o montante de R$ 34.639,15. Contudo, do recolhimento da GPS, fl. 39, não significa necessariamente que o montante tenha sido de fato descontado do recorrente, posto que sobre o referido valor está também incluído a parcela relativa à contribuição previdenciária da empresa. Com efeito, conforme cálculos constantes do processo n° 1132/95 (fl. 4), o valor total descontado do contribuinte representou o montante de R$ 103.937,82, ou seja, R$ 95.463,44, relativo ao imposto de renda retido na fonte acrescido de R$ 8.474,38, referente ao recolhimento do INSS parcela do segurado. Destarte, o valor efetivamente descontado do recorrente a título de recolhimento previdenciário foi de R$ 8.474,38. Ante ao exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 30/05/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 29/05/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001758/2003-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
IRRETROATIVIDADE. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se
retroativamente. (Súmula CARF Nº 35, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009)
DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF Nº 26, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009)
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE
DE R$80.000,00.
Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$80.000,00,dentro do ano-calendário.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONFISCO.
A vedação constitucional ao confisco aplica-se tãosomente
à instituição do tributo, em nada limitando a instituição das sanções de caráter eminentemente repressivo.
JUROS MORATÓRIOS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF Nº 4, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009)
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-001.056
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e a multa de ofício do carnê-leão, vencida a Conselheira Núbia Matos Moura (relatora) que somente cancelava a omissão de rendimentos vinculada aos depósitos bancários. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 IRRETROATIVIDADE. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF Nº 35, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009) DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF Nº 26, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$80.000,00,dentro do ano-calendário. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação constitucional ao confisco aplica-se tãosomente à instituição do tributo, em nada limitando a instituição das sanções de caráter eminentemente repressivo. JUROS MORATÓRIOS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF Nº 4, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. (Súmula CARF Nº 35, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009) DEPÓSITO BANCÁRIO. TRIBUTAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF Nº 26, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$80.000,00,dentro do anocalendário. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação constitucional ao confisco aplicase tãosomente à instituição do tributo, em nada limitando a instituição das sanções de caráter eminentemente repressivo. JUROS MORATÓRIOS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial Fl. 192DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF Nº 4, publicada no DOU de 22 de dezembro de 2009) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e a multa de ofício do carnêleão, vencida a Conselheira Núbia Matos Moura (relatora) que somente cancelava a omissão de rendimentos vinculada aos depósitos bancários. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Assinado digitalmente Rubens Maurício Carvalho – Redator designado. EDITADO EM: 29/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório Contra LUIZ CIPRINO DE SÁ foi lavrado Auto de Infração, fls. 04/09, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativo ao ano calendário 1998, no valor total de R$ 37.434,55, incluindo multa de ofício, proporcional e exigida isoladamente, e juros de mora, estes últimos calculados até 30/04/2003. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.001758/200338 Acórdão n.º 210201.056 S2C1T2 Fl. 181 3 As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação e Constatação, fls. 85, foram omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, dedução indevida de dependentes e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 42/48, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1727.787, de 25/09/2008, fls. 133/145. O crédito tributário foi julgado, por unanimidade de votos, procedente em parte, reduzindose o percentual da multa de ofício exigida isoladamente de 75% para 50%. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 16/10/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 147, o contribuinte apresentou, em 03/11/2008, recurso voluntário, fls. 149/174, no qual traz as seguintes alegações: A garantia da imutabilidade dos direitos e obrigações relacionados com fatos futuros e pretéritos é essencial para o cumprimento do princípio fundamental da segurança jurídica, de forma que a aplicação retroativa da Lei Complementar n°105/2001 no caso em tela é flagrantemente inconstitucional, o que torna o presente processo administrativo NULO de pleno direito. Inexiste no presente processo qualquer identificação da ocorrência do critério material da regramatriz de incidência tributária pelo Recorrente, qual seja o acréscimo patrimonial, visto que movimentação financeira não representa acréscimo patrimonial. Não há nos autos qualquer comprovação de sinais exteriores de riqueza, caracterizados pela realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte, o que demonstra a total nulidade do presente. Conforme jurisprudência pacifica do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, por si só, depósitos bancários, cheques emitidos e aplicações financeiras não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O lançamento de imposto de renda no caso em tela, desprezando a inexistência de sinais exteriores de riqueza, feriu frontalmente o principio da capacidade contributiva, visto que a importância encontrada como a soma de todos os créditos em conta nenhuma relação possuem com o patrimônio da Recorrente. Inaplicável a conjugação da multa no percentual de 75%, visto que a base de incidência dessa penalidade não possui relação com o Recorrente, ante o descumprimento do principio da capacidade contributiva. Fazse necessário a exclusão da aplicação da Taxa Selic, como forma de atualização, frente ao entendimento esboçado pelo Superior Tribunal de Justiça. Fl. 194DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 É o Relatório. Fl. 195DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.001758/200338 Acórdão n.º 210201.056 S2C1T2 Fl. 182 5 Voto Vencido Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Inicialmente, cumpre destacar que quase todas as teses defendidas pelo contribuinte em seu recurso cuidam de matérias já pacificadas neste Conselho, de sorte que já se encontram sumuladas, conforme Consolidação publicada no DOU em 22 de dezembro de 2009. Assim transcrevemse a seguir as súmulas que se aplicam ao caso: Irretroatividade da Lei nº 10.174, de 2001: Súmula CARF Nº 35 O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Depósito bancário não é renda: Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Ilegalidade dos juros cobrados com base na taxa Selic Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Logo, as teses defendidas pelo contribuinte, no que diz respeito às matérias já sumuladas não podem prosperar. Outrossim, embora a defesa não tenha argüido, verificase, no que se refere à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, que, individualmente, os créditos os quais serviram de base para o lançamento são todos inferiores a R$ 12.000,00 (planilhas, fls. 86/90), sendo que a infração totalizou a quantia de R$ 53.648,37. Nesse contexto, importa observar o comando do art. 42 e seu parágrafo 3º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 19961. Dos citados dispositivos inferese que, no caso de 1 Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou deinvestimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 pessoas físicas, não se admite a presunção de omissão de rendimentos, relativamente aos créditos de valor individual inferiores a R$ 12.000,00, cuja soma não atinja o montante de R$ 80.000,00, no anocalendário. E este é o caso que se apresenta, dado que o valor individual dos créditos havidos nas contascorrentes examinadas eram todos inferiores a R$ 12.000,00 e o somatórios dos valores levados à tributação sob a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada atingiu o valor de R$ 53.648,37. Desta forma, devese excluir do lançamento a infração de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Por fim, devese analisar a alegação do recorrente de que o percentual da multa de ofício exigida no lançamento é de caráter confiscatório e ofende ao princípio da capacidade contributiva. De plano, cumpre salientar que é dever de todo contribuinte pagar o tributo que decorre de lei. A não realização do comportamento desejável e devido, ou seja, o não cumprimento de tal dever, implica em prejuízo a toda a sociedade. Por isso tem o Estado o poderdever de estabelecer mecanismos de coação, a fim de proteger os interesses da sociedade, e o faz através da imposição de penalidades inibidoras das ações ilícitas. Em matéria tributária, esta se consubstancia, basicamente, na instituição de multas pecuniárias, visando a evitar ou reparar o dano que lhe é conseqüente. A norma jurídica que veicula a multa de ofício tem esta finalidade. A vedação constitucional ao confisco aplicase tãosomente à instituição do tributo (valor principal do crédito tributário), em nada limitando a instituição das sanções de caráter eminentemente repressivo, como é o caso das penalidades tributárias. A multa pecuniária é penalidade tributária, com evidente caráter repressivo, e sanções dessa ordem podem ser, até mesmo, expressamente confiscatória, tal é o caso da pena de perdimento prevista no Regulamento Aduaneiro (artigos 617 a 627 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002). Portanto, a exigência da multa de ofício, no percentual de 75%, deve ser mantida, nos termos em que consubstanciada no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por DAR provimento parcial ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora (...) §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...)II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Voto Vencedor Fl. 197DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.001758/200338 Acórdão n.º 210201.056 S2C1T2 Fl. 183 7 Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Inicialmente, devo esclarecer que este voto cingese, tãosomente, ao cancelamento da multa isolada. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Verificase na autuação impugnada, cobrança da multa exigida isoladamente concomitantemente com a multa de ofício, que voto pelo seu cancelamento, pelo Princípio da Moralidade e para adequarse à jurisprudência dessa turma julgadora e da Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA ISOLADA Art. 44, I, da Lei 9430/96 – Inaplicabilidade. NÃO CUMULATIVIDADE A multa isolada prevista no artigo 44 § 1º, somente pode ser exigida uma vez não podendo portanto ser aplicada quando a base para seu lançamento já tiver sido parâmetro para exigência da mesma multa por falta de pagamento de tributo. O legislador, quando quer, determina a cumulatividade de multas, na ausência de previsão legal, sobre o mesmo fato somente pode ser lançada uma multa.( Acórdão: CSRF/0105.078) CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO CANCELAMENTO DA MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. Em relação às demais questões suscitadas pelo recorrente, acompanho a i. Conselheira relatora. Assinado digitalmente Rubens Maurício Carvalho Relator Fl. 198DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 29/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 29/03/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 30/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001356/2005-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Exercício: 2005
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2004 LIVROS.
EXTRAVIO:-PROVA DOCUMENTAL.MOMENTO.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — PRECLUSÃO
CONSUMATIVA — Descabe conhecer, no âmbito deste litígio, razões oferecidas referentes a suposto roubo de documentos fiscais, quando não há juntada de boletim de ocorrência, nem observância do disposto no artigo 246 § 1 °. a 3 °. do RIR/1999.
Numero da decisão: 1102-000.412
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro
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Recorrida 5ª TURMA DE JULGAMENTO DA DRJ EM FLORIANÓPOLISSC ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SISTEMA. SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A DEZ POR CENTO DO CAPITAL DE OUTRA EMPRESA E RECEITA BRUTA GLOBAL SUPERIOR AO LIMITE. MARCO TEMPORAL DOS EFEITOS. É vedada a opção ou permanência no regime do SIMPLES à pessoa jurídica que possua sócio com participação em quadro societário de outra empresa em monta superior a 10% (dez por cento) e que a soma das respectivas receitas bruta ultrapasse o limite de fruição deste regime incentivado. Os efeitos da exclusão do regime simplificado, neste caso, operamse desde o momento em que for incorrida a situação excludente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. José Sérgio Gomes Relator. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/03/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR Processo nº 11516.002394/200560 Acórdão n.º 110200.411 S1C1T2 Fl. 71 2 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente), João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes (Relator), Silvana Rescigno Guerra Barreto e Manoel Mota Fonseca. Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis/SC que julgou procedente a exclusão de ofício da contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) efetuada em 07 de agosto de 2003 pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2002. O ato fiscal consistiu na exclusão do regime de tributação incentivada em face da constatação de sócio Jocelito Daros, inscrito no Cadastro de Pessoa Física (CPF) nº 625.069.51920, participar com mais de 10% (dez por cento) do capital social de Concretar Concreto Usinado Ltda, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) nº 01.273.320/000139, sendo que a soma da receita bruta dessas pessoas jurídicas no ano calendário de 2001 ultrapassou o limite legal do regime. Impugnando o ato de exclusão a contribuinte alegou que a interpretação da lei sempre foi no sentido de vedação de sócio de empresa optante pelo SIMPLES participar do capital social de outra sociedade empresária igualmente integrante do mesmo regime, enquanto no seu caso a pessoa jurídica Concretar Concreto Usinado Ltda. encontrase sujeita a sistema de tributação ordinária. Pugnou, também, pelo fato de que a opção pelo SIMPLES se deu no dia 12/07/2001 e a exclusão somente foi comunicada no mês de agosto de 2003, representando o passar deste tempo de dois anos verdadeira homologação tácita por parte da Fazenda. Disse, ainda, que logo após a ciência da exclusão providenciou a alteração de seu contrato social para a retirada dos sócios em comum e com isso mostrando boa vontade em se adequar às exigências fiscais. No que toca aos efeitos da exclusão entende ser razoável que estes se operem a partir da ciência do ato fiscal e não a partir do motivo que a determinou, sendo inconstitucional a lei que assim determina. Ao final, requereu a anulação do ato declaratório de exclusão e a relevação dos motivos que a determinaram e, sucessivamente, ao menos que os efeitos se operem a partir da notificação fiscal, ocorrida em 30/08/2003, com o arbitramento das exações devidas, isentas de juros e multa de mora. Aquele Colegiado (5ª Turma de Julgamento) admitiu a impugnação e entendeu procedente o ato de exclusão, assim ementando o Acórdão nº 0717.694, tomado por unanimidade de votos: Fl. 78DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/03/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR Processo nº 11516.002394/200560 Acórdão n.º 110200.411 S1C1T2 Fl. 72 3 “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Anocalendário: 2002 VEDAÇÃO. ARTIGO 9°, INCISO IX, DA LEI N° 9.317/1996. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II, do artigo 2° da Lei n° 9.317/1996. TERMO INICIAL DOS EFEITOS DA EXCLUSÃO DE OFíCIO. Para a pessoa jurídica enquadrada na hipótese impeditiva elencada no inciso IX, do artigo 9°, da Lei n° 9.317/1996, que tenha optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão darseá a partir de 1° de janeiro de 2002, quando a situação excludente já tiver se configurado antes de 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de atos legais regularmente editados.” Ciente do decisório em 24 de novembro de 2009, oportunidade na qual fora intimada para recolher as contribuições sociais devidas (PIS, COFINS e CSS) e o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro líquido pelo regime de apuração do Lucro Presumido ou Lucro Real, bem assim a apresentar as declarações inerentes, a contribuinte apresentou em 22 do mês seguinte o recurso de fls. 56/64 no qual reprisa suas razões de impugnação e pede, ao final, a reforma da decisão recorrida e o deferimento dos pleitos já formulados, inclusive os de caráter sucessivo. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/03/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR Processo nº 11516.002394/200560 Acórdão n.º 110200.411 S1C1T2 Fl. 73 4 A Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, dispôs sobre o regime tributário das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte e instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Em seus artigos 9º, 12, 13, 14 e 15 previu o legislador os impedimentos, hipóteses de exclusão e efeitos desta, a saber: “Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: I na condição de microempresa, que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); (.......................................................................) IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ; (........................................................................) Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de ofício. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º; (......................................................................) § 1º A exclusão na forma deste artigo será formalizada mediante alteração cadastral. § 2º A microempresa que ultrapassar, no anocalendário imediatamente anterior, o limite de receita bruta correspondente a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) estará excluída do SIMPLES nessa condição, podendo mediante alteração cadastral, inscreverse na condição de empresa de pequeno porte. § 3º No caso do inciso II e do parágrafo anterior, a comunicação deverá ser efetuada: Fl. 80DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/03/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR Processo nº 11516.002394/200560 Acórdão n.º 110200.411 S1C1T2 Fl. 74 5 a) até o último dia útil do mês de janeiro do anocalendário subseqüente àquele em que se deu o excesso de receita bruta, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; b) até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que houver ocorrido o fato que deu ensejo à exclusão, nas hipóteses dos demais incisos do art. 9° e da alínea "b" do inciso II deste artigo. (.......................................................................) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2º do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (............................................................................) Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (...........................................................................) II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9º (..........................................................................)” Além disso, diz o artigo 16 da norma em comento que a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. No caso em questão restou incontroverso que o sócio Jocelito Daros participava à época dos fatos do quadro societário de outra empresa, em proporção maior que 10% (dez por cento) do capital social, bem assim, que a somatória da receita bruta das pessoas jurídicas envolvidas extrapola o limite legal. Assim, enquadrada a situação fática nos contornos da norma incide a impossibilidade jurídica de fruição do regime incentivado. Tenho, por sua vez, que não se sustenta a tese de que o espírito da lei encontrase no sentido de ambas empresas estarem no regime do SIMPLES, pois, se assim fosse, a norma expressaria tal comando restritivo. Igualmente não me parece que houve homologação tácita pelo decurso do prazo de dois anos entre a opção efetuada pela contribuinte e a apuração fiscal da condição impeditiva eis que o ilícito, como cediço, repele a figura da homologação. Ademais, a própria norma de regência estatui que o regime incentivado deixa de ser aplicável desde o momento em que incorrida a situação impeditiva, é dizer, não quando da eventual denúncia espontânea por parte da contribuinte ou por ocasião da apuração fiscal. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/03/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR Processo nº 11516.002394/200560 Acórdão n.º 110200.411 S1C1T2 Fl. 75 6 Como visto, não se pode dizer que está ocorrendo interpretação retroativa, o que é vedado à Administração pelo inciso XIII do artigo 2º da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1.999, ou que estaria havendo aplicação retroativa da lei para prejudicar a contribuinte, eis que desde a data da opção pelo Simples já havia o impedimento ao ingresso e à permanência dele na sistemática de tributação incentivada. O fato de ter procedido à exclusão do sócio comum de seu quadro social não legitima o pretérito, mas apenas possibilita reingresso no regime incentivado, desde que cumpridos os demais requisitos, a partir do anocalendário seguinte à regularização. Assim, e com base na legislação retrotranscrita, a sua exclusão do SIMPLES, a partir de 12/07/2001, data em que a contribuinte formalizou sua opção pelo regime incentivado, está perfeitamente sintonizada às regras de regência. Todavia, os efeitos da exclusão foram beneficamente prorrogados para 01/01/2002 por intermédio da Instrução Normativa SRF nº 355, de 29 de agosto de 2003, que em seu artigo 24 assim dispôs: “Art. 24. A exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: ....................................................................................................... II a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XVIII do art. 20; ....................................................................................................... Parágrafo único. Para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 20, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão dar seá a partir: I do mês seguinte àquele em que se proceder a exclusão, quando efetuada em 2001; II de 1º de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002.” Por fim, sou pelo indeferimento do pedido de isenção de juros e multa moratória sobre as diferenças dos tributos que venham a ser apuradas, eis que a incidência desses acréscimos se opera ex lege em vista do não cumprimento da obrigação tributária a tempo e modo. No que toca à apontada inconstitucionalidade ou ilegalidade da Lei nº 9.317, de 1996, observo que a mesma vige regularmente no ordenamento jurídico. Assim, o pedido encontrase fora da alçada de julgamento por força do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, o qual prevê que as súmulas são de observância obrigatória por seus membros. Registro, pois, o teor da Súmula nº 2 desta Corte administrativa: “Súmula CARF nº 2 Fl. 82DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/03/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR Processo nº 11516.002394/200560 Acórdão n.º 110200.411 S1C1T2 Fl. 76 7 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Com tais razões, VOTO pelo improvimento do recurso. José Sérgio Gomes Fl. 83DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 03/03/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 14/03/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MON TEIR
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