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Numero do processo: 10580.720306/2009-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 9202-000.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Câmara de origem para exame de petição e posterior retorno ao colegiado.
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Câmara de origem para exame de petição e posterior retorno ao colegiado. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Câmara de origem para exame de petição e posterior retorno ao colegiado. (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 280203.132, prolatado pela 2a Turma Especial da 1a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 10 de setembro de 2014 (efls. 256 a 270). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário de forma a se excluir a multa de ofício do lançamento, na forma de ementa e decisão a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 20 30 6/ 20 09 -0 1 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720306/200901 Resolução nº 9202000.020 CSRFT2 Fl. 446 2 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE . DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS. OMISSÃO INEXISTENTE. O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pelo impugnante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. In casu, o acórdão de primeira instância enfrentou suficientemente a questão ventilada. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DA UNIÃO PARA EXIGÊNCIA DE TRIBUTO QUE DEVERIA SER RETIDO NA FONTE POR ESTADO DA FEDERAÇÃO. DESCABIMENTO. É de se rejeitar a alegação de ilegitimidade ativa da União Federal, uma vez que a atribuição de titularidade do produto da arrecadação do imposto de renda retido na fonte toca apenas à repartição de receitas tributárias, não repercute sobre a legitimidade da União Federal para exigir o imposto de renda sujeito ao ajuste anual. IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. IRPF. JUROS DE MORA. PAGAMENTO FORA DO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. No caso dos autos a verba não foi recebida no contexto de rescisão de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, de forma que incide o imposto de renda sobre as parcelas intituladas juros de mora, conforme jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça STJ. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE LEI EM SENTIDO FORMAL E MATERIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO MANIFESTADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ AO JULGAR O RESP 1.118.429/SP. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720306/200901 Resolução nº 9202000.020 CSRFT2 Fl. 447 3 Em que pese a referência a uma ação judicial e a natureza trabalhista das verbas, a fonte obrigacional do pagamento dos rendimentos objeto do lançamento decorreu diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial, hipótese na qual deverseia observar o regime estabelecido pelo art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil, não se aplica, portanto, o entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ no RESP 1.118.429/SP. IRPF. VERBAS ISENTAS E TRIBUTADAS EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. DOCUMENTOS EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA COM INFORMAÇÕES DIFERENTES. ÔNUS DO RECORRENTE DE PROVAR SUAS ALEGAÇÕES. PREVALÊNCIA DE DOCUMENTO CONFORME ANÁLISE DOS AUTOS. PLEITO RECURSAL NÃO ATENDIDO. Cabe ao recorrente provas suas alegações. Ao juntar aos autos documento emitido pela fonte pagadora que contradiz outro de mesma origem, o recorrente tem o ônus de justificar a discrepância. Indefere se o pleito com base em análise comparativa de ambos os documentos que deu prevalência ao documento original em razão das deficiências do segundo. MULTA DE OFÍCIO. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS COM ERRO. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL CONFORME OS COMPROVANTES EMITIDOS PELA FONTE PAGADORA. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. TRIBUTAÇÃO DE VERBAS REMUNERATÓRIAS. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAR ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Reputado que as verbas são remuneratórias e que o lançamento tem amparo em lei, não cabe ao CARF aferir inconstitucionalidade. Recurso provido em parte. Decisão: Por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir a multa de ofício, nos termos do voto do relator. Enviados os autos à contribuinte para fins de ciência do decisum, ciência esta ocorrida em 28/10/2014 (efl. 282), a autuada apresenta, em 31/10/2014 (efl. 284), Recurso Especial, com fulcro nos arts. 64, II e 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Fl. 447DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720306/200901 Resolução nº 9202000.020 CSRFT2 Fl. 448 4 Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 284 a 327). Alegase, no pleito: a) Divergência em relação ao decidido no âmbito do Acórdão no. 210201.687, de lavra da 2a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF, que teria reconhecido a não incidência do IRPF sobre as verbas recebidas referentes a abono variável pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, a partir de uma interpretação extensiva da Resolução STF no. 245, de 2002. A seguir, reproduzse a ementa e decisão deste primeiro Acórdão Paradigma, datado de 30 de novembro de 2011: Acórdão 210201.687 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos Membros do Ministério Público local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na formada Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Voluntário Provido. Decisão: por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Nesta seara, defende a contribuinte o caráter compensatório da URV, que no entender da recorrente, não representa qualquer acréscimo patrimonial, produto do capital ou trabalho, mas ressarcimento pelo erro no cálculo da remuneração, possuindo caráter indenizatório, citando a propósito, a mencionada Resolução STF no. 245, de 2002, que sustentaria seu posicionamento e que, posteriormente, foi objeto de extensão também aos membros do Ministério Público da União, consoante despacho do Sr. Procurador da República. Ainda a propósito, entende que a qualificação jurídica estabelecida pela Lei Complementar no. 20, de 2003, em seu art. 2o. (que define a referida verba como indenizatória), não poderia ser afastada pelo Fisco federal, que deveria, previamente, buscar a inconstitucionalidade do referido dispositivo, o que não ocorreu. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720306/200901 Resolução nº 9202000.020 CSRFT2 Fl. 449 5 Entende que "(...)Se a interpretação conferida às diferenças auferidas pelos Membros do MPF, com base no ar. 2o da Lei n° 10.477/2002, foi de que tais parcelas possuem natureza indenizatória, igual entendimento deve ser adotado em relação às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia, com base na Lei Complementar Estadual n° 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve necessariamente haver o mesmo direito", sob pena de violação ao princípio constitucional da isonomia, o qual restaria também violado pelo tratamento diferenciado conferido entre os membros da Magistratura Federal e os membros do Ministério Público do Estado da Bahia, como a recorrente. Tece, ao final, longa argumentação acerca da similitude fática entre os membros da Magistratura Federal e do MPF e os membros do Ministério Público do Estado da Bahia. Rechaça, ainda, que, quando do reconhecimento do caráter indenizatório da verba em questão, se possa cogitar de violação ao princípio da legalidade tributária, uma vez que esta foi reconhecida não por diploma legal, mas por Resolução do Supremo Tribunal Federal. b) Divergência em relação ao estabelecido pela 1a. Turma Especial da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento no âmbito do Acórdão 2801003.595, de 17 de julho de 2014 (ementa e decisão a seguir transcritas), no sentido de que, consoante posicionamento firmado pelo STJ por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (de obediência obrigatória neste CARF por força do art. 62A do Regimento Interno deste Conselho então em vigor), o imposto de renda incidente sobre benefícios pagos acumuladamente deveria ser calculado pelo regime de competência, decorrendo daí, no entendimento do Colegiado paradigmático (também defendido pela recorrente), a necessidade de cancelamento do auto de infração; Acórdão 2801003.595 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. Conforme entendimento fixado pelo STJ, em sede de recursos repetitivos, o imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado pelo regime de competência, tendo em vista que o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 disciplina o momento da incidência, e não a forma de calcular o imposto. Recurso Voluntário Provido. Decisão: por maioria de votos,dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Votou pelas conclusões o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que dava provimento parcial aorecursoparaexcluiramultadeofíciode75%. c) Finalmente, entende a recorrente estar caracterizada divergência entre o recorrido e o decidido no âmbito do Acórdão no. 2801002.264, de lavra da 1a. Turma Especial da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF, datado de 12 de março de 2012, de ementa e decisão que se seguem. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720306/200901 Resolução nº 9202000.020 CSRFT2 Fl. 450 6 Acórdão 2801002.264 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. LANÇAMENTO. ACÓRDÃO DRJ. INOCORRÊNCIA. Não procedem as alegações de nulidade quando não se vislumbra nos autos nenhuma uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL. A repartição da receita tributária pertencente à União com outros entes federados não afeta a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Portanto, não implica transferência da condição de sujeito ativo. ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As verbas recebidas por membros do Ministério Público do Estado da Bahia não têm natureza indenizatória do abono variável previsto pelas Leis nº s 10.474 e 10.477, de 2002, sendo incabível excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. JUROS MORATÓRIOS. AÇÃO TRABALHISTA. Os juros moratórios recebidos acumuladamente em decorrência de sentença judicial, não se sujeitam à incidência do Imposto de Renda. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo lançada a parcela referente aos juros moratórios e, sobre a parte mantida, excluir a multa de ofício de 75%. Vencidos os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre (Relator), Sandro Machado dos Reis e Luiz Cláudio Farina Ventrilho, que davam provimento ao recurso. Designada redatora do voto vencedor a Conselheira Tânia Mara Paschoalin. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720306/200901 Resolução nº 9202000.020 CSRFT2 Fl. 451 7 Ressalta que, no âmbito do paradigma acima, a decisão do Colegiado de exclusão dos valores recebidos a título de juros do valor objeto de tributação baseouse também em decisão em sede de recurso repetitivo (sistemática estabelecida pelo art. 543C do CPC) no âmbito do STJ (REsp 1.227.133/RS), de adoção obrigatória por parte deste CARF. Ainda, ressalta seu entendimento no sentido dos juros de mora possuírem caráter indenizatório, destinandose a recompor os danos emergentes pelo não uso, pelo credor, do patrimônio, pela mora do devedor, abarcando tais juros, ainda, com a evolução doutrinária e jurisprudencial, eventuais danos morais suportados pelo mesmo credor. Reproduz voto do Min. do STJ César Asfor Rocha, no âmbito do julgamento do referido REsp, que sustentaria tal posicionamento, ressaltando inexistir qualquer acréscimo patrimonial ou renda decorrente do recebimento de tais juros moratórios. Reitera, ainda, a desnecessidade de verificação da natureza jurídica da verba principal para que se estabeleça a natureza jurídica dos juros em questão, tendo restado tal posição vencida no âmbito do referido REsp, devendo, assim, os juros, serem aferidos de forma autônoma e independente no que diz respeito à necessidade de seu oferecimento à tributação. Assim, entende que, uma vez necessariamente de se adotar o entendimento esposado pelo STJ no âmbito do exaustivamente mencionado REsp 1.227.133/RS, de se excluir a parcela referente aos juros moratórios da tributação, em linha com o realizado pelo Acórdão Paradigma. Resumidamente, destarte, requer que o recurso seja conhecido e provido. para que : a) seja reformado in totum o acórdão recorrido, declarando a não incidência do Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos pelo ora Recorrente à título de "diferenças de URV", conforme posicionamento exposto no Acórdão no. 210201.687 pela 2a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento do CARF ou, b) caso assim não entenda este Ilustre Conselho, seja reformado o acórdão ora vergastado, para determinar o cancelamento da exigência fiscal, em virtude da adoção de regime de apuração equivocado para o caso concreto, estando o auto de infração maculado por erro de cunho material, em consonância com o exposto no Acórdão no. 2801003.595, proferido pela 1a. Turma Especial da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento do CARF ou, c) por fim, caso os paradigmas apresentados não sejam acolhidos, requer seja parcialmente reformado o acórdão ora vergastado, para determinar a exclusão da parcela referente aos juros moratórios, em consonância com o exposto no acórdão no. 280102.264 pela 1a. Turma Especial da 2a. Seção de Julgamento do CARF. O recurso foi parcialmente admitido pelos despachos de efls. 384 a 392, exclusivamente quanto às seguintes matérias: a) não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória (Acórdão paradigma no. 210201.687) e b) caso se entenda pela incidência, que seja rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora (Acórdão paradigma no. 2801002.264). Fl. 451DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720306/200901 Resolução nº 9202000.020 CSRFT2 Fl. 452 8 Entendeuse não ter satisfatoriamente restado demonstrada a divergência para a matéria referente ao cancelamento do auto de infração, consoante excerto de efls. 388/389, verbis: "(...) Com efeito, os acórdãos recorrido e paradigma não discordam quanto à aplicação das tabelas da época aos rendimentos em geral, recebidos acumuladamente. Todavia, no acórdão recorrido entendeuse que tal forma de tributação não seria aplicável ao caso concreto, em que o recebimento de referida verba pelos Membros do Ministério Público da Bahia teria decorrido diretamente de Lei em sentido formal e material, e não diretamente de uma condenação judicial. Cumpre ressaltar que a demonstração de divergência é ônus da Contribuinte, de acordo com o previsto no §8º do art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, abaixo transcrito: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido.” (Negrito) Ressaltese que tal requisito já estava presente no §6º do art. 67, do Anexo II, do RICARF anterior, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, conforme reproduzido abaixo: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido.” (Negrito) Destarte, no presente caso, a divergência somente estaria demonstrada se a Contribuinte evidenciasse que o paradigma teria tratado da mesma espécie de verba, ou seja, de rendimentos referentes a diferenças de URV, recebidos por membro do Ministério Público da Bahia. Entretanto, a peça recursal não permite que se chegue à conclusão de que o paradigma teria tratado de caso desta espécie. Ressaltase que os trechos do paradigma transcritos pela Contribuinte apenas demonstram a aplicação do recurso repetitivo, sem qualquer apontamento acerca da especificidade do caso concreto. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720306/200901 Resolução nº 9202000.020 CSRFT2 Fl. 453 9 Assim, não tendo sido demonstrada a divergência, o recurso não pode ter seguimento em relação à segunda matéria suscitada pela Contribuinte (necessidade de cancelamento do lançamento, por erro material). (...)"Encaminhados os autos ao autuado, para fins de ciência dos despachos de admissibilidade recursal, ciência esta ocorrida em 11/09/2015 (efl. 396), a contribuinte apresentou requerimento de efls. 398 a 404, insurgindose contra a negativa de seguimento de seu pleito no que tange à necessidade de cancelamento do lançamento por erro material, alegando que se tratou das mesmas verbas tanto no Acórdão recorrido como no paradigma e, anda, repisando a argumentação quanto ao tema já trazida em sede de Recurso Especial. Encaminhados os autos à PGFN em 13/10/2015, esta apresenta contrarrazões tempestivas, datadas de 22/10/2015 (efls. 425 a 443), onde: a) Traça histórico legislativo do abono variável em questão, ressaltando que só caberia discutir ofensa ao princípio da isonomia caso, uma vez reconhecida a não incidência para os membros de determinada carreira (p. ex. do MPF), algum Procurador da República se visse excluído do benefício, não pertencendo, todavia, a autuada a qualquer das duas carreiras para os quais se reconheceu a não incidência tributária, através dos Pareceres PGFN 529/2003 e 923/2003. Entende que a pretensão da contribuinte no sentido de não incidência violaria os arts. 150, §6o. da CRFB, 97 e 111 do CTN, bem como o disposto nos arts. 3o. c/c 9o. a 14 da Lei no. 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Ainda, ressalta a Fazenda Nacional a impossibilidade de lei estadual dispor acerca da incidência ou não de IRPF, sob pena de violação ao art. 153, III da CRFB, caracterizada, nesta hipótese, invasão da esfera de competência tributária da União; b) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros moratórios, ressalta que o disposto no mencionado REsp 1.227.133/RS foi esclarecido, também em sede de recurso repetitivo, através do decidido no âmbito do REsp 1.089.720/RS, restando ali determinado que o imposto de renda somente não incide sobre os juros de mora em duas hipóteses: A primeira é condenação judicial no contexto de perda de emprego ou rescisão contratual. A segunda hipótese ocorre quando a verba principal for isenta ou estiver fora do campo de incidência do imposto de renda. Segue a Fazenda Nacional que, no caso em questão, a verba principal tem nítido caráter salarial, uma vez que corresponde a diferenças de remuneração ocorridas na conversão de Cruzeiro Real para URV. Assim, considerandose ainda o disposto no art. 92 da Lei no. 10.406, de 10 de janeiro de 2002, nos arts. 43, §3o. e 55, XIV do Decreto no. 3.000, de 26 de março de 1999 (em especial, a matriz legal do referido art. 55, XIV, a saber, o art. 16, parágrafo único da Lei no. 4.506, de 30 de novembro de 1964), bem assim o teor dos art. 97, II e 111, II do CTN e do art. 150 § 6o. da CRFB, os juros moratórios, acessórios da verba principal recebida (de natureza salarial), devem, por expressa disposição legal, sofrer incidência do IRPF, não se podendo cogitar de isenção aplicável a tal parcela. Requer, assim, a Fazenda Nacional que seja negado provimento ao pleito da contribuinte. É o relatório. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10580.720306/200901 Resolução nº 9202000.020 CSRFT2 Fl. 454 10 Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço quanto às matérias para a qual se deu seguimento. Todavia, faço notar, quanto à petição (pedido de reconsideração) de efls. 398 a 404 da contribuinte, que ainda que o despacho de reexame de admissibilidade de efls. 391 e 392 possua caráter definitivo, com base no art. 71, § 3o. do Regimento (em vigor à época de lavratura e ciência dos exame/reexame de admissibilidade em questão), não houve qualquer manifestação no âmbito deste CARF acerca do referido pleito, sendo que o entendimento deste Colegiado é de que a competência para tal apreciação foge a esta Turma, sendo praxe, em situações semelhantes à presente, a retirada do feito de pauta para fins de apreciação do expediente pelas autoridades demandadas (Sra. Presidente da 2a. Câmara da 2a. Seção e Sr. Presidente do CARF), com posterior retorno a este Colegiado, para fins de prosseguimento na análise recursal. Assim, preliminarmente à análise de mérito, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à Câmara de origem para exame de petição, com posterior retorno ao colegiado para fins de prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Fl. 454DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 11070.720968/2012-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
RECURSO DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA.
Acórdãos paradigmas que não analisaram situações fáticas similares não se prestam a demonstrar divergência de interpretação da legislação.
ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE A 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO.
O encerramento das atividades da pessoa jurídica não é exceção ao dispositivo legal que limita a compensação de prejuízos acumulados ao percentual de 30% do lucro líquido ajustado (trava dos 30%).
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006, 2007
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
O dolo é a intenção do injusto que está subjacente ao mecanismo utilizado para ocultar ou mitigar o fato gerador do tributo, evidenciado nos atos circunstanciais que extrapolam a expectativa associada a operações usuais na atividade empresária. Verificado o dolo, a multa de ofício deve ser exasperada.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2006, 2007
CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 9101-002.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, (1) em relação à trava de 30%, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento; (2) em relação à qualificação da multa, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, em relação às infrações de glosa de custos/despesas relativas à parcela de mais-valia, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 RECURSO DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Acórdãos paradigmas que não analisaram situações fáticas similares não se prestam a demonstrar divergência de interpretação da legislação. ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE A 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. O encerramento das atividades da pessoa jurídica não é exceção ao dispositivo legal que limita a compensação de prejuízos acumulados ao percentual de 30% do lucro líquido ajustado (trava dos 30%). Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. O dolo é a intenção do injusto que está subjacente ao mecanismo utilizado para ocultar ou mitigar o fato gerador do tributo, evidenciado nos atos circunstanciais que extrapolam a expectativa associada a operações usuais na atividade empresária. Verificado o dolo, a multa de ofício deve ser exasperada. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2006, 2007 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 RECURSO DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. Acórdãos paradigmas que não analisaram situações fáticas similares não se prestam a demonstrar divergência de interpretação da legislação. ENCERRAMENTO DE ATIVIDADES. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. LIMITE A 30% DO LUCRO LÍQUIDO AJUSTADO. O encerramento das atividades da pessoa jurídica não é exceção ao dispositivo legal que limita a compensação de prejuízos acumulados ao percentual de 30% do lucro líquido ajustado (trava dos 30%). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. O dolo é a intenção do injusto que está subjacente ao mecanismo utilizado para ocultar ou mitigar o fato gerador do tributo, evidenciado nos atos circunstanciais que extrapolam a expectativa associada a operações usuais na atividade empresária. Verificado o dolo, a multa de ofício deve ser exasperada. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006, 2007 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 09 68 /2 01 2- 91 Fl. 7269DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.269 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, (1) em relação à trava de 30%, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento; (2) em relação à qualificação da multa, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei, que lhe deram provimento. Acordam, ainda, em relação às infrações de glosa de custos/despesas relativas à parcela de maisvalia, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal De Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório JOHN DEERE BRASIL LTDA. recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. 6650 e ss., contra o acórdão nº 1302001.522 (efls. 6587 e ss.), de 23/09/2014, pelo qual foi prolatada a seguinte decisão: Acordam os membros do colegiado: a) pelo voto de qualidade, manter os lançamentos referentes ao ano de 2006, vencidos os conselheiros Guilherme Pollastri, Márcio Frizzo e Hélio Araújo que afastavam a qualificação da multa e sustentavam a decadência dos fatos geradores do ano de 2006; b) por maioria, manter os lançamentos do ano de 2007, vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo e Hélio Araújo que cancelavam o auto de Infração do IRPJ a fls. 6165 e da CSLL a fls. 6171 e os itens 001 e 006 do auto de infração do IRPJ a fls.6175 e os itens 002, 006, 007 e 008 do auto de infração da CSLL a fls. 6189; c) por unanimidade, afastar o agravamento da multa; e d) pelo voto de qualidade, manter a multa qualificada no percentual de 150%, vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri e Hélio Araújo. Os Conselheiros Guilherme Pollastri e Márcio Frizzo fizeram decLaração de voto. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: Fl. 7270DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.270 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO. Comprovada a ocorrência de simulação, aplicase a regra decadencial do art. 173, I, ambos do CTN. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. INCORPORAÇÃO LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS APLICÁVEL. Os prejuízos fiscais não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda, constituindose, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada. AVALIAÇÃO A VALOR DE MERCADO. INCORPORAÇÃO. ART. 37 do DL nº 1.598/77. GLOSA DE DESPESA DE DEPRECIAÇÃO. Deve ser glosado o excesso de encargos de depreciação, resultante da avaliação a valor de mercado de bens vertidos ao patrimônio da incorporadora, se não observado o disposto no art. 37 do DL 1.598/77. AVALIAÇÃO A VALOR DE MERCADO. INCORPORAÇÃO. ART. 37 do DL nº 1.598/77. GLOSA DE CUSTO DE BEM ALIENADO. Para fins de apuração do ganho de capital, deve ser glosado o excesso de custo do bem alienado, resultante da sua avaliação a valor de mercado para fins de versão ao patrimônio da incorporadora, se não observado o disposto no art. 37 do DL 1.598/77. GLOSA DE DESPESA. Deve ser glosada o valor lançado como despesa se resta demonstrado se tratar de preço residual de aquisição de participação societária. RECEITAS FINANCEIRAS. CONTAS DE RESULTADO. LUCRO REAL. Os juros relativos a depósitos judiciais devem ser contabilizadas em contas de resultado, integrandose à base de cálculo do IRPJ. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Fl. 7271DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.271 4 Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. O presente processo reúne quatro autos de infração. Os dois primeiros lançamentos dizem respeito ao IRPJ e CSLL cobrados em virtude de glosa por não observância da trava de 30%, praticada pela pessoa jurídica (John Deere Brasil Participações Ltda) incorporada pela contribuinte ora recorrente, em relação ao fato gerador ocorrido em 30/7/2007(efls. 6.164 a 6.174); correspondem, portanto, a apurações na pessoa jurídica sucedida que, em razão da incorporação, foram lançadas em nome da sucessora, porém com multa de 75%. Esta matéria foi questionada e admitida no recurso especial. Já os dois últimos autos (efls. 6.175 e ss), dizem respeito a lançamentos também de IRPJ e CSLL, porém em razão das seguintes infrações imputadas à recorrente: 1) Glosa de custos relativa a parcelas de maisvalia integrante da depreciação de bens do ativo imobilizado, que foram consideradas indedutíveis. Essa maisvalia decorreu de incorporação de bens da sociedade SLC S.A a valor de mercado, sem o correspondente reconhecimento de reserva de reavaliação na incorporadora, que é a autuada, conforme detalhado no Termo de Constatação Fiscal. Os fatos geradores são de 31/12/2006 e 31/12/2007, ambos lançados com multa de 225%; este item foi objeto do recurso especial, na parte admitida. 2) Glosa de custos/despesas de produtos vendidos, por se entender como não necessários os gastos de natureza societária atrelados a Contrato de Subscrição de Ações, celebrado em 30/6/1999, conforme detalhado no Termo de Constatação Fiscal. O fato gerador foi em 31/12/2007, lançado com multa de 150%; esta infração não é objeto da parte conhecida no presente recurso. 3) Glosa de despesas consideradas não necessárias reconhecidas pela contribuinte em rubrica de recuperação de despesas, no grupo de outras receitas operacionais, relacionadas ao repasse de valores relativos a ganhos contingentes em processos judiciais, também em referência ao mencionado Contrato de Subscrição de Ações, celebrado em 30/6/1999, conforme detalhado no Termo de Constatação Fiscal. O fato gerador foi em 31/12/2007, lançado com multa de 150%; esta infração não é objeto da parte conhecida no presente recurso. 4) Glosa de gastos considerados não necessários relativos a repasses de natureza societária em razão do mencionado contrato, desta feita reconhecidos em conta retificadoras de receitas financeiras. O fato gerador foi em Fl. 7272DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.272 5 31/12/2007, lançado com multa de 150%; esta infração não é objeto da parte conhecida no presente recurso. 5) Receitas financeiras relativas a juros e atualização monetária de depósitos judiciais, contabilizada em contas de redução de despesa. O fato gerador foi em 31/12/2007, lançado com multa de 75%; esta infração não é objeto da parte conhecida no presente recurso. 6) Glosa de parcela da maisvalia que foi contabilizada como custo, uma vez que a contribuinte baixou/alienou os bens vertidos na incorporação sem proceder a nenhum ajuste de realização de reserva de reavaliação, por adição no LALUR, tendo em vista que não constituiu essa reserva, conforme detalhado no Termo de Constatação Fiscal. Os fatos geradores são de 31/12/2006 e 31/12/2007, ambos lançados com multa de 225%; este item foi objeto do recurso especial, na parte admitida. Além desses itens, foi admitida a divergência no recurso especial no tocante à multa qualificada, com repercussão na discussão quanto ao prazo decadencial. Assim, as matérias que serão objeto de análise no presente recurso são: i) a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL além do limite de 30%, quando se tratar de uma pessoa jurídica incorporada; ii) as infrações relacionadas ao ágio; e iii) multa qualificada ( a agravada foi exonerada pelo colegiado recorrido). No que diz respeito às infrações que dizem respeito à matéria admitida, a Fiscalização, após analisar os atos societários de constituição da autuada, resumiu as operações da seguinte forma (efls. 5926 e ss.) : “a) na referida operação, adquirente (sociedade sediada no exterior) aporta recursos em subsidiária no Brasil (1ª empresa interposta), parte em forma de capital, parte em forma de empréstimos; b) cedente (por meio da 1ª sociedade interposta) e adquirente, por meio de nova sociedade interposta, integralizam, respectivamente, recursos financeiros e participação societária a ser transferida; c) em momento seguinte, por meio de cisão parcial, a parte adquirente se retira da sociedade interposta, com o patrimônio que a outra parte havia integralizado originalmente – participação societária), incorporandose tal patrimônio na 1ª sociedade interposta (da qual foram aportados os recursos financeiros à 2ª sociedade interposta); d) quando do aporte de capital da 1ª sociedade interposta (com recursos da compradora) na 2ª sociedade interposta, foi efetuado um cálculo de paridade de participação societária, de Fl. 7273DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.273 6 tal forma que a sociedade que aportou recursos financeiros apurasse um ágio na aquisição de participação societária em valor igual ao ganho de capital que deixaria de ser reconhecido pela sociedade cedente da participação societária efetivamente negociada; e) posteriormente, a 1ª sociedade interposta, que apurou ágio na aquisição de investimento e que mantinha empréstimos captados junto à sua controladora, foi incorporada pela empresa operacional – a contribuinte – (aquela cuja participação societária foi negociada); f) a empresa operacional – a contribuinte (aquela cuja participação societária foi negociada), passou a aproveitar fiscalmente a despesa com o ágio apurado em suas próprias operações.” Depois de analisar outros documentos que obteve perante o 3º Ofício de Registro de Títulos e Documentos Civil de Pessoas Jurídicas de São Paulo, perante a Junta Comercial do Rio Grande do Sul, além de documentos resultantes de diligências realizadas em outras pessoas jurídicas do grupo, a Fiscalização concluiu que houve: “ (...) uma operação de aquisição de participação societária revestida da forma de diversos atos societários isolados, ocorrida entre os anoscalendário de 1995 e 1996, com o fito de afastar a tributação do ganho de capital para o alienante e permitir o aproveitamento de dispêndio de ágio para o adquirente na forma de realização de ativos.” E descreveu a operação nos termos que ora colo: Fl. 7274DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.274 7 Na seqüência, ela detalha as operações e respectivas pessoas jurídicas envolvidas, que resumo conforme a seguir. O grupo John Deere iniciou suas atividades no Brasil de forma associada ao grupo Schneider Logemann, quando a Deere & Cia (D&C) comprou 20% do capital social da SLC S. A (que atualmente é a empresa autuada, John Deere Brasil Ltda). Até 1995, com a denominação anterior de SLC S.A. Indústria e Comércio (SLC), a empresa autuada tinha como sócias a empresa brasileira Schneider Logemann e Cia. Ltda (SL), com 80% do capital, e a Fl. 7275DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.275 8 empresa americana Deere & Cia (D&C), com 20% do capital. Essa aquisição se deu por subscrição e integralização de capital com ágio, que foi suportado e reconhecido no exterior. SL D& C SLC ( SLC é a autuada) Das operações realizadas em 1995 e 1996: foram realizadas operações que resultaram em incorporações pela autuada as quais, de acordo com a Fiscalização, tinham como efeito final aumentar a participação do Grupo John Deere no capital social da contribuinte, de 20% para 40%. 1. Em 31/03/1995, foi constituída a empresa Jonh Deere Brasil Participações Ltda (JDP), com capital de R$ 12.667.485,00 dividido em 12.667.485 quotas de R$ 1,00. A D&C integralizou 12.667.484 quotas, por meio da cessão de 6.540.000 ações ordinárias da SLC, e a empresa americana Deere Payroll Services Inc. (DPS) integralizou uma quota por meio do pagamento de R$ 1,00. Nessa operação, a JDP apurou um deságio de R$ 28.689.581,84, correspondente à diferença entre o valor nominal das quotas integralizadas pela D&C e o valor nominal das ações da SLC utilizadas nessa integralização. De acordo com a Fiscalização: “Esse deságio foi escritural, não foi suportado por movimentação financeira. Não houve um desembolso de recursos a menor que o valor patrimonial do investimento”. Assim, a JDP passou a ser sócia da SLC (autuada), com 20% do seu capital, em substituição à D&C (efl. 5990). SL D&C SLC DPS JDP 2. Em 03/05/1995, foi criada a empresa John Deere Latin America Participações Ltda. (JDL), com capital de R$ 100,00 dividido em 100 quotas de R$ 1,00. A JDP integralizou 99 quotas e a DPS integralizou 1 quota do capital (efl. 5993). Essa JDL, no seu objeto social, era uma holding, que representava outras sociedades nacionais ou estrangeiras. Fl. 7276DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.276 9 SL D&C SLC DPS JDP JDL 3. Em 17/11/1995, foi criada a empresa SLCJohn Deere S/A (SLCJD), com capital de R$ 100,00 dividido em 100 ações ordinárias nominativas, sem valor nominal, as quais foram adquiridas por duas pessoas físicas (efl. 5995). Nessa mesma data, a AGE da SLC (autuada) deliberou a eliminação do valor nominal das ações emitidas pela companhia, o que levou a Fiscalização a concluir nos seguintes termos: 4. Em 26/12/1995, a SLCJD ampliou o seu capital de R$ 100,00 para R$ 66.192.068,48, por meio da emissão de 99.900 ações, todas adquiridas pela SLC por meio da cessão integral de seus estabelecimentos, avaliados pelo valor contábil líquido, por um Laudo de Avaliação, que tem a mesma data da AGE que indicou a empresa especializada para fazer esse laudo. (efl. 5996). Fl. 7277DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.277 10 SL D&C SLC DPS JDP JDL SLCJD 5. Em 28/12/1995, a JDP ampliou o seu capital de R$ 12.667.485,00 para R$ 17.510.635,48, por meio da emissão de 4.843.150 quotas, no valor de R$ 1,00 cada, todas integralizadas pela D&C por meio da remessa de US$ 5.000.000,00 (efl. 5999). Assim, DPS continuou a deter 1 quota no valor de R$ 1,00 e todas as demais quotas de JDP pertencia a D&C. 6. No mesmo dia 28/12/1995, a JDL ampliou o seu capital de R$ 100,00 para R$ 10.223.027,00, por meio da emissão de 10.222.927 quotas, no valor de R$ 1,00 cada, todas integralizadas pela JDP por meio de pagamento em moeda corrente (efl. 6000). Assim, DPS continuou a deter 1 quota no valor de R$ 1,00 e todas as demais quotas de JDL pertenciam a JDP. A respeito desses itens 5 e 6 a Fiscalização consigna: 7. Ainda no mesmo dia 28/12/1995, a SLCJD ampliou novamente o seu capital, agora de R$ 66.192.068,48 para R$ 76.414.995,93, por meio da emissão de 15.444 ações, todas adquiridas pela JDL por meio de pagamento em moeda corrente oriundo de aplicações financeiras que esta detinha no exterior. “O preço de subscrição das ações foi de R$ 3.233,11636 por ação, sendo R$ 661,93521 a título de capital e R$ 2.582,18115 a título de ágio, tendo sido creditada a importância de R$ 39.879.205,62 em reserva de capital (na Fl. 7278DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.278 11 investida SLC – John Deere S/A)”. Com isso, a JDL passou a ser sócia da SLCJD, juntamente com a SLC (efl. 6001). Do Termo de Constatação colo: Fl. 7279DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.279 12 SL D&C SLC DPS JDP JDL SLCJD 8. E complementa a Fiscalização: 9.Em 13/03/1996, a JDP ampliou novamente o seu capital, agora de R$ 17.510.635,48 para R$ 17.608.985,00, por meio da emissão de 98.350 quotas, no valor de R$ 1,00 cada, todas integralizadas pela D&C por meio da remessa de US$ 100.000,00 (efl. 6006). 10. Em 15/04/1996, a SLC ampliou o seu capital de R$ 120.000.000,00 para R$ 148.000.000, 00, sem emissão de novas ações, pois essas não mais possuíam valor nominal, mas sim por meio da capitalização de reservas patrimoniais. Na mesma data, foi aprovada a redução do Fl. 7280DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.280 13 capital social considerado excessivo, resultando no cancelamento de 22.349.932 ações e na devolução do correspondente valor de R$ 40.000.000,00 ao acionista SL, com a concordância do outro acionista JDP. O cancelamento das ações da SL causou a redução de sua participação no capital da SLC, de 80% para 75% (efl. 6006). Em consequencia, o capital social da SLC foi reduzido de R$ 148.000.000,00 para R$ 108.000.000,00. Em termos de participação dos acionistas na sociedade autuada, temse: Fl. 7281DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.281 14 11. Em 30/04/1996, quinze dias após ter reduzido o seu capital, a SLC ampliou esse capital, agora de R$ 108.000.000,00 para R$ 118.408.613,00, por meio da emissão de 5.853.445 ações, todas adquiridas pela JDP por meio da cessão de suas quotas na JDL. E a Fiscalização destaca: 12. Com essa cessão de quotas que a JDP tinha na JDL à SLC, a SLC incorporou a JDL (ambas sócias da SLCJD) e a extinguiu, de forma que a SLC voltou a ser a única sócia da SLCJD. Em razão dessa operação, a participação da SL no capital da SLC foi novamente reduzido, agora de 75% pata 71%. Também nessa operação, o ágio da JDL foi transferido para a SLC (efl. 6012). SL D&C SLC JDP SLCJD DPS 13. No mesmo dia 30/04/1996, a SLC incorporou a SLCJD, por meio da extinção desta e da devolução à SLC de seus estabelecimentos, agora avaliados pelo valor de mercado (por R$ Fl. 7282DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.282 15 155.664.961,55). O Protocolo da incorporação justificava, como todos os demais, que a operação integrava um projeto de reestruturação societária para aumentar a eficiência operacional, administrativa e financeira; no entanto, observou a Fiscalização: Fl. 7283DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.283 16 SL D&C SLCJD DPS JDP (SLCJD é a autuada) 14. Nessa oportunidade, a SLC passou a adotar a denominação da incorporada SLCJD (efl. 6019), o que levou a Fiscalização a reforçar sua tese de que a SLCJD, incorporada, era uma empresa veículo, “destinada a portar patrimônio, para proporcionar, mesmo que indiretamente, o aproveitamento de ágio pela incorporadora.” Além disso, a Fiscalização destaca que o laudo de avaliação teve como data, como em todas as outras incorporações, a mesma data em que foi aprovada a empresa especializada, para promover essa avaliação: Fl. 7284DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.284 17 15. Por esses fatos, a Fiscalização constatou que essa incorporação (da SLCJD pela SLC) a valor de mercado representou uma reavaliação de ativos, que deveria ter observado o art. 37 do DecretoLei nº 1.598, de 1977 (art. 440 do RIR/99), porque deveria ser controlada em reserva de reavaliação, sem gerar efeitos fiscais), e afirmou: (...) Fl. 7285DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.285 18 16. E complementa a Fiscalização: Como se pode verificar, a fiscalização formou sua convicção por dois caminhos de raciocínio: a) um tomando o beneficio econômico em proveito da Schneider Logemann S.A. em relação ao valor patrimonial da participação transferida; e b) outro deduzindo do ágio contabilizado pela John Deere Latin America Participações Ltda. o proveito com o ágio registrado revertido em benefício do próprio grupo "Deere" (adquirente). Tais progressões lógicas levam à mesma conclusão: de que o ágio efetivamente praticado na operação é inferior àquele registrado contabilmente pela sociedade John Deere Latin America Participações Ltda. Em complemento, esclarecido está que houve a reversão da parcela do ágio em proveito das empresas subsidiárias (direta e indireta) da própria adquirente Deere & Company, sendo que o ágio reconhecido na operação de integralização de capital na SLCJohn Deere S.A. (CNPJ n° 00.961.019/000102) reflete um mecanismo de reconhecimento de dispêndio escritural. Esse ágio contabilizado não representou um desembolso financeiro em favor da alienante da participação societária, mas foi apurado com base em um desembolso intermediário de recursos (RS 50.102.133,07) que beneficiou a John Deere Brasil Participações Ltda. subsidiária dos interesses de Deere & Company (a adquirente) e investidora indireta da SLC John Deere S.A. por meio da SLC S.A. Indústria e Comércio, na proporção em que participava indiretamente naquela sociedade com 17.324417P337668%, equivalente a 20% sobre 86.6220851688341%. Cabe mencionar ainda que a diferença de R$ 3.876.226,12 entre o ágio na aquisição de investimento reconhecido pela John Fl. 7286DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.286 19 Deere Latin America Participações Ltda. em seu ativo, no montante de R$ 36.002.979,50 e o ágio na emissão de ações reconhecido como reserva de capital pela SLC John Deere S.A., no montante de R$ 39.879.205,62, decorre da parcela da reserva de capital da investida que reverteu em proveito da própria investidora (John Deere Latin America Participações Ltda.) quando integralizou capital (efeito "circular" proporcionado pelo ágio desembolsado, que reverteu em benefício da própria sociedade que realizou o desembolso). A despeito do ágio contabilizado em proveito da própria adquirente das participações societárias, o total de R$ 36.002.979,50 foi levado ao ativo imobilizado como contrapartida do registro dos bens ao valor de mercado (uma legítima reavaliação de ativos) quando da incorporação de bens da SLC John Deere S.A. e, posteriormente, quando tais bens passaram a ser realizados (por depreciação/amortização, baixa ou alienação), o referido montante passou a compor as bases para o reconhecimento de tais encargos no resultado para fins de tributação do IRPJ e da CSLL. 17. Ao final da sua explanação sobre esse conjunto de operações realizadas entre 1995 e 1996, a Fiscalização concluiu que os efetivos motivos eram o de uma só operação: “compra e venda de participação societária”. Neste período, foram transferidos 20% do capital social da SLC que pertenciam à SL, para a D&C, por meio da JDP. Nas operações que ocorreram entre 1988 e 1999, foi concluída a transferência da totalidade da participação societária remanescente, por meio de um Contrato de Subscrição de Ações, firmado em 30/6/1999. Das operações realizadas a partir de 1999 18. Em 10/07/1998, foi criada a empresa Aços Planos do Sul S/A, com capital de R$ 100,00 dividido em 100 ações, as quais foram adquiridas por duas pessoas físicas (efls. 6051 e ss). 19. Em 31/08/1998, a Aços Planos do Sul S/A alterou sua denominação para Evaux Participações S/A (Evaux), efls. 6053 e ss. 20. Em 03/02/1999, foi criada a empresa Sassatune Comercial Ltda., com capital de R$ 100,00 dividido em 100 quotas, as quais foram adquiridas por duas pessoas físicas (efls. 6053 e ss). 21. Em 15/06/1999, a Sassatune Comercial Ltda. alterou sua denominação para John Deere do Brasil Ltda (JDB, que é a autuada) e seus sócios originais cederam as respectivas participações para as empresas D&C, com 99 quotas, e DPS, com 1 quota (efls. 6054 e ss). 22. Em 25/06/1999, a Evaux ampliou o seu capital de R$ 100,00 para R$ 149.117.338,00, por meio da emissão de 621.321.825 ações, todas adquiridas pela empresa SL por meio da cessão de 62.102.108 ações da empresa SLCJD. Com isso, a Evaux passou a ser sócia da SLC, juntamente com a JDP (efls. 6055 e ss). Fl. 7287DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.287 20 SL D&C SLCJD D PS JDBEVAUX J D 23. Em 28/06/1999, a JDB ampliou o seu capital de R$ 100,00 para R$ 154.558.300,00, por meio da emissão de 154.558.200 quotas, todas adquiridas pela empresa D&C por meio de remessa no valor de US$ 86.500.000,00. No decorrer do mesmo mês, a JDB obteve empréstimo da empresa John Deere Intl. Inv. C.V. (Netherlands) no valor de US$ 87.000.000,00 (efls. 6057 e ss). 24. Em 30/6/1999 foi firmado um Contrato de Subscrição de Ações entre SL e D&C; nesse, foram mencionadas relações societárias preexistentes, em que JDP e SL eram as únicas acionais de SLC –JD (novo nome da SLC, que é a autuada), que SL detinha 99,99% das ações de Evaux Participações S.A e que SLCJD detinha 100% das ações da Sileia, 46,94%, que depois se tornariam 100% da Fundição Missões S.A (ambas sediadas no Uruguais), 100% do Banco Agroinvest e 100% da SLC Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Esse contrato vedava que a Evaux realizasse qualquer tipo de negócio ou emitisse ação represententativa de seu capital, sem observar o que estava ali disposto e que não poderia deter qualquer ativo ou passivo, além das ações conferidas, caixa e capital, o que fez com a Fiscalização assim concluísse: Da análise das cláusulas desse contrato a Fiscalização destacou: Fl. 7288DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.288 21 (...) Fl. 7289DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.289 22 Concluiu, então, a Fiscalização que o contrato também revelava que toda a operação societária havia sido montada para transferir participação societária e que nessa parte a empresa Evaux serviria de sociedade interposta, para afastar o ganho de capital da vendedora (SL). 25. No mesmo dia 30/06/1999, a Evaux ampliou o seu capital de R$ 149.117.338,00 para R$ 221.892.584,00, por meio da emissão de 303.230.193 ações, todas adquiridas pela empresa JDB por meio de pagamento no valor de R$ 305.542.800,00, sendo que desses, RE 72.775.246,00 foram destinados ao capital social, e R$ 232.767.554,00 foram destinados para reserva de ágio, para futura capitalização (efls. 6057 e ss). Com isso, a JD B passou a ser sócia da Evaux. SL D&C SLCJD D PS JDB EVAUX J D Fl. 7290DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.290 23 Fl. 7291DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.291 24 (...) 26.Em 01/07/1999, foi realizada a cisão parcial da Evaux, de forma que o patrimônio constituído pelas ações representativas do capital social da SLCJD foi apartado e transferido para o sócio JDB, reduzindose o capital social da Evaux (efls. 6060 e ss.). SL D&C SLCJD D PS JDBEVAUX J D Fl. 7292DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.292 25 A Fiscalização observou que, embora o Protocolo e Justificação dessa cisão da Evaux se baseasse no projeto de reestruturação societária, o que permitiria a cada uma delas concentrarse nos seus respectivos ramos, um mês após tal operação, a empresa foi extinta por incorporação. 27. A respeito das deliberações dessa AGE, ainda consignou a Fiscalização: 28. Em decorrência dessa cisão parcial, parcela do patrimônio da Evaux, no valor de R$ 149.117.238,00, correspondentes a ações de emissão da SLCJD foram vertidas para JDB. Essa versão ocorreu sem qualquer alteração do capital social, pois a JDB só substituiu, em seus registros contábeis, a participação que detinha da Evaux, pela parcela que lhe foi vertida do patrimônio desta, o que levou a Fiscalização a concluir que estava caracterizada uma operação com “casasepara”, com o único objetivo de obter vantagem fiscal, mediante o uso de interposta pessoa. A vantagem seria o ganho de capital auferido pela SL, que não o tributou, e que não está sendo cobrado na presente autuação, quer seja por se tratar, a autuada, de pessoa jurídica diversa, quer seja em razão do prazo decadencial, como se pode observar do seguinte trecho: 29. Em 31/07/1999, a SLCJD incorporou a JDB, que foi extinta e teve todo o seu patrimônio migrado para aquela. Em contrapartida, a SLCJD emitiu novas ações, as quais foram integralizadas pela D&C e pela DPS, por meio da cessão de suas ações na empresa Fl. 7293DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.293 26 incorporada (JDB). Nessa oportunidade, a DPS cedeu à D&C a sua participação na empresa incorporadora (SLCJD) (efls. 6067 e ss.). SL D&C SLCJD D P EVAUX JDP 30. A respeito dos instrumentos legais assinados e respectivos laudos de avaliação, observou a Fiscalização: (...) (...) Fl. 7294DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.294 27 31. A partir dessa incorporação ocorrida em 31/7/1999, a SLC – JD (autuada), passou a amortizar o ágio escriturado em seus livros, deduzindo da apuração do IRPJ e da CSLL. Porém a amortização do ágio decorrente da incorporação foi objeto de outro lançamento (PAF nº 11070.722318/201107). No presente processo, em relação às operações relacionadas com as incorporações, a Fiscalização glosou as despesas de depreciação, bem como as baixas ou alienações reconhecidas pela contribuinte nos anoscalendário de 2006 e 2007 (conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal efls. 6.115 e seguintes), pois, como já dito nos itens 7 a 15 deste relatório, a contribuinte registrou a contrapartida da maisvalia da reavaliação de bens vertidos por incorporação (ao seu valor de mercado) como “ágio na aquisição de ações”, e nos anoscalendário subseqüentes à incorporação, procedeu ao reconhecimento dos encargos de depreciação e baixas/alienação dos referidos bens, sem proceder a nenhum ajuste de realização de reserva de reavaliação por adição no LALUR, tendo em vista que não constituiu essa reserva. Por seu turno, a contribuinte afirma a legalidade de todas as operações realizadas, inclusive a amortização do ágio na oportunidade em que os respectivos bens eram parcialmente realizados por depreciação. Transcrevese trecho da impugnação (efls. 6235): 91. De acordo com o artigo 20 do Decretolei n° 1.598/77, o legislador deixou claro que o ágio mencionado naquele dispositivo referese à diferença positiva entre o custo incorrido na aquisição de uma determinada participação societária e o seu correspondente patrimônio líquido. Confirase: ... 92. Portanto, a discussão a respeito de a participação societária na SLCJD ter sido adquirida pela JD Latin com ágio depende necessariamente pela avaliação de qual seria o custo de aquisição da participação societária detida na SLCJD pela JD Latin, que agora detém o investimento. 93. Se o custo de aquisição da participação que a JD Latin passou então a deter na SLCJD for superior ao patrimônio Fl. 7295DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.295 28 líquido da SLCJD, como de fato o era, a JD Latin tinha a obrigação legal de contabilizar essa diferença como ágio relativo ao investimento que passou a deter na SLCJD. A existência do ágio pago pela JD Latin, portanto, é inquestionável. ... 99. As DD. Autoridades Fiscais sustentam, com base no disposto no artigo 388 do RIR/94 (introduzido pelo artigo 37 do Decreto Lei n° 1.598/ 1977), que a incorporação de bens a valor de mercado deve gerar uma reserva de reavaliação que irá anular fiscalmente os efeitos da reavaliação dos bens. Vejamos: ... 100. Ocorre que o artigo acima, ao falar de reavaliação em incorporação, apenas é aplicável nos casos em que o investimento esteja registrado na incorporadora a valor contábil (sem ágio), de modo a haver uma diferença com o valor de mercado a ser registrado como reavaliação dos bens. Esse, no entanto, não é o caso dos presentes autos. 101. A JD Latin, ao subscrever participação societária na SLC JD em 28.12.1995 a valor de mercado, registrou a participação recebida pelo valor de conferência (o próprio valor de mercado), de modo que apurou o ágio, descrito no tópico anterior. 102. Quando a SLC incorporou a JD Latin em 30.4.1996, a SLC sucedeu também o ágio registrado na JD Latin, de modo que o valor de mercado da SLCJD também já passou a ser registrado na SLC Exatamente por esse motivo, quando a SLC incorporou também a SLCJD, em 30.4.1996, a SLC não apurou nem perda e nem ganho de capital, uma vez que o valor de mercado da SLCJD já havia sido registrado na SLC. 103. Desse modo, com a incorporação da SLCJD pelo seu valor de mercado, o que aconteceu na SLC foi apenas a troca de seu investimento na SLCJD pelos bens (ativos) recebidos com a incorporação. Em outras palavras, o ágio suportado pelo investimento na SLCJD foi transferido para o custo dos bens da SLCJD (o ágio passou a incorporar o valor desses bens), uma vez que eram tais ativos que suportavam a existência desse ágio. Na decisão recorrida, a respectiva exigência foi mantida com os seguintes fundamentos (efls. 6617): Isso é importante, no presente caso, porque, antes da SLC ter incorporado a SLCJD, ela incorporou a JD Latin, tornandose assim sucessora do ágio que a JD Latin pagou na aquisição de ações da SLCJD (10º evento das Operações 1995/1996). Todavia, como ainda não vigorava a Lei 9532/97 (os art. 7º e 8º da Lei 9.532/97 só entraram em vigor em 1998), não havia previsão legal, à época dessa incorporação 1996, que autorizasse a SLC a deduzir das bases tributáveis despesas de Fl. 7296DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.296 29 amortização do ágio incorporado ao valor do ativo, aliás, para fins tributário, sequer havia previsão de registro do ágio em contrapartida da conta que registrasse o ativo da SLCJD vertido ao seu patrimônio. Ademais, ao compulsar os autos diversas vezes, não logrei encontrar laudo ou qualquer outro documento que fundamentasse o ágio pago pela JD Latin (na aquisição das ações da SLCJD), com fundamento na diferença entre o valor de mercado e o valor contábil daqueles ativos da SLCJD que depois vieram a ser avaliados a valor de mercado, quando da incorporação da SLCJD pela SLC. Ou seja, não há sequer elementos nos autos, s.m.j, que sustentem o fundamento do ágio pago pela JD Latin na maisvalia daqueles específicos ativos que foram avaliados a valor de mercado quando da incorporação da SLCJD pela SLC. Além disso, ainda que aplicável fosse o art. 7º da Lei 9.532/97 na espécie, se houve avaliação a valor de mercado dos ativos da incorporada (SLCJD), deveria ser observado o disposto no art. 37 do Decretolei nº 1.598/77 (base legal do art. 440 do RIR/99). Ora, os ativos poderiam ser vertidos ao patrimônio da SLC a valor de mercado, mas haveria de ser registrada a reserva de reavaliação, de forma que o excesso de encargos de depreciação/amortização fossem anulados por proporcionais realizações da reserva de reavaliação. Assim, perfeitos os cálculos das bases tributáveis realizado pelo autuante nas tabelas a fls. 6031 e 6037 do TCF. (Negritei) No presente recurso especial, a contribuinte reconhece que as operações foram complexas, mas frisa que se tratam, de operações de compra e venda de participações societárias, destacando que o Grupo John Deere não tinha qualquer relação de dependência com o vendedor, Schneider Logemann. Eram grupos econômicos distintos. Combate, então, as glosas de despesas com base em dois fundamentos alternativos. No primeiro deles, afirma que estão equivocados o acórdão recorrido e a fiscalização quando exigem a constituição de reserva de reavaliação para possibilitar a amortização do ágio, conforme os seguintes termos (efl. 6689): 91. Assim, quando da incorporação da JDL na SLC, a empresa incorporadora passou a deter ágio registrado pela JDL, por conta da sucessão universal havida na incorporação societária. Ou seja, nesse momento, em que a SLCJD passou a ser integralmente detida pela SLC, o valor de mercado do investimento que antes era detido pela JDL em relação à SLC JD passou a ficar registrado na SLC. 92. Por conta disso, quando da incorporação da SLCJD na SLC, incorporação ocorrida a valores de mercado, a sociedade incorporadora não apurou qualquer ganho (ou perda) de capital, na medida em que o investimento na SLCJD já estava registrado a valores de mercado. 93. Como consequência da incorporação da SLCJD na SLC, houve troca de investimento detido pela SLC na SLCJD pelos Fl. 7297DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.297 30 ativos recebidos na incorporação, de forma que o ágio anteriormente suportado pela JD Latin na aquisição do novo investimento foi incorporado ao valor dos ativos recebidos pela SLC na incorporação da SLCJD. 94. Ora, admitida a legitimidade do ágio gerado na aquisição do investimento pela JD Latin, temse que não houve qualquer ganho gerado na incorporação da SLCJD pela SLC, mesmo que realizada a valores de mercado. Isso porque, simplesmente, a SLCJD lá estava registrada pelo seu respectivo valor de mercado na SLC, por conta da anterior incorporação da JD Latin (sociedade que registrou o ágio na aquisição do novo investimento) na própria SLC. ... 98. Ora, se o investimento na sociedade investidora já se encontra a valores de mercado, com o registro de um ágio fundamentado no valor de mercado dos ativos da investida, a constituição de conta de reserva de reavaliação implicaria em duplicidade artificial de um patrimônio. E destaca que, não obstante os comentários feitos pelo acórdão recorrido no sentido de que faltaria um laudo, o fato é que houve laudo, sim, elaborado pela empresa Ernst & Young, que foi juntado aos autos e por esse laudo o valor de mercado é suficiente para suportar o ágio incorrido pela JDL. Sendo legítimo o ágio, entende que é de se reconhecer que, na incorporação da SLCJD pela SLC, houve troca de investimento detido pela SLC na SLCJD pelos ativos recebidos na incorporação, com a incorporação do ágio anteriormente suportado pela JDL, na aquisição do novo investimento. Assim, a dedução da maisvalia seria legítima. Alternativamente, a recorrente afirma que, mesmo que o ágio seja considerado indevido e que tenha havido uma reavaliação dos bens, ainda assim, não há cabimento para a glosa, uma vez que o procedimento correto da fiscalização seria a tributação do ganho de capital na data da apontada reavaliação. Isso porque, de acordo com o art. 388 do RIR/94 (art. 37 do DecretoLei nº 1.598, de 1977), a contrapartida do aumento do valor do ativo deveria ficar contabilizada como reserva de reavaliação, para influenciar o lucro nas hipóteses do art. 383 do RIR/94 (art. 35, §1º, do Decreto Lei nº 1.598, de 1977, e art. 1º, inciso VI, do DecretoLei nº 1.730, de 1979). Por conseguinte, o efeito imediato da falta de constituição da reserva seria a tributação imediata da reavaliação e não a negativa de uma base maior para fins de dedução. Todavia, isso não seria mais possível, em razão da decadência. Transcrevese trecho correspondente no recurso especial (efls. 6691 e ss.): 104. Ainda que a incorporação tenha ocorrido a valor de mercado, não há dúvidas de que a sociedade incorporadora (no caso, a SLC) não procedeu à constituição de conta de reserva de reavaliação, fato este que é, inclusive, destacado pelo trabalho da D. Fiscalização e pelo r. Acórdão recorrido. Ou seja, se não admitido o ágio discutido acima, temse que a operação Fl. 7298DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.298 31 configuraria uma reavaliação sem constituição de reserva de reavaliação pela sociedade incorporadora. 105. Eventualmente, poderia ser considerado que, diante da falta de constituição da reserva de reavaliação, a contrapartida da reavaliação dos ativos da sociedade incorporada teria sido registrada na forma de capital. Em outras palavras, na prática, seria como se tivesse ocorrido uma reavaliação com a capitalização do seu resultado. 106. Em ambas as situações, diante da legislação tributária vigente ao tempo da ocorrência dos fatos, a consequência fiscal seria a mesma: o ganho de capital auferido por conta da reavaliação dos ativos deveria ter sido submetido à tributação pelo IRPJ e pela CSL. ... 111. Repitase, a legislação tributária não estabelecia como consequência da falta de constituição de reserva de reavaliação a indedutibilidade dos valores dos bens reavaliados. Em nenhum momento os dispositivos acima impedem a dedução com base no custo majorado por conta da reavaliação, estabelecendo única e tão somente a tributação da contrapartida dessa reavaliação. 112. Esse efeito fiscal de tributação imediata decorrente da capitalização da reserva de reavaliação só foi alterado no ano calendário de 2000, com a edição do art. 4o da Lei 9.959/00, o qual passou a estabelecer que a tributação da contrapartida da reavaliação só deve ocorrer quando da efetiva realização dos bens reavaliados. ... 117. Sem o reconhecimento do ágio para fins fiscais, não há como admitir que não houve uma reavaliação de bens sem o reconhecimento da respectiva reserva de reavaliação. Neste caso, nos termos da legislação tributária, o efeito não seria a glosa da dedução com base no custo majorado por conta da reavaliação, mas sim a tributação do ganho no ano em que a contrapartida foi convertida em capital (à época dos fatos, ainda não estava em vigor o art. 4o da Lei 9.959/00). Ocorre que, nesse caso, como o fato gerador da obrigação tributária teria ocorrido no anocalendário de 1996, diante do art. 150, § 4o, do CTN, restaria claro que as autoridades fiscais não poderiam mais exigir tal tributação em 2012. Assim é que, mesmo neste caso, em que não se leve em consideração o ágio incorrido pela JD Latin, as despesas com base no custo majorado por conta da reavaliação dos bens devem ser aceitas como válidas. Destaca também que, ainda que se considere toda a operação como “casa e separa” (o que admite apenas para fins argumentativos), a recorrente neste caso é a compradora da participação societária, em uma operação entre partes não relacionadas e com efetivo pagamento do preço. Da infração de inobservância do limite de incorporação Fl. 7299DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.299 32 Em 30/07/2007, a SLCJD (agora com a nova denominação John Deere Brasil Ltda. JDB) incorporou a JDP por meio da extinção desta e da migração do seu patrimônio para aquela. Nessa oportunidade, a JDP possuía prejuízos acumulados, que foram integralmente compensados no momento da incorporação, superando o limite de 30% do lucro tributável (efls. 6142 e ss.), o que foi objeto dos primeiros autos de infração. Por seu turno, a contribuinte afirma que o limite legal de compensação não veio com a intenção de impedir a integral compensação dos prejuízos, o que ocorreria se a trava valesse para a empresa em extinção, conforme o seguinte trecho da impugnação (efls. 6250): 143. Com isso, a partir de 1995, a compensação dos prejuízos fiscais e da base negativa de CSLL em cada anocalendário, passou a ser limitada a apenas 30% do lucro líquido do exercício fiscal em que se dê a compensação, conforme ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação fiscal. 144. Entretanto, conforme a Requerente irá demonstrar a seguir, essa limitação não se aplica aos casos em que a sociedade que possui prejuízos fiscais é incorporada por outra empresa. 145. Isso porque, a aplicação desse dispositivo legal ao caso de incorporação da sociedade detentora de prejuízos resulta na impossibilidade de aproveitamento integral dos referidos prejuízos fiscais, já que os mesmos não podem ser aproveitados na sociedade incorporadora por força do artigo 514 do RIR/99, 146. E não é isso que se pretende com a limitação de 30% prevista na Lei n° 9.065/95. A intenção do legislador em limitar a compensação dos prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL em 30% do lucro tributável foi estabelecer uma tributação mínima para as empresas e assegurar um fluxo de recolhimento de tributos para a União. O Acórdão recorrido manteve o lançamento tributário, por entender que não há exceção para o limite legal de compensação de prejuízos, conforme o seguinte trecho (efls. 6616): Todavia, a questão principal não gira em torno do art. 33 do DL 2.341/87, mas da total falta previsão legal para que se afaste a regra geral da trava de 30% no último período de apuração da empresa a ser incorporada. Isso mesmo, não há previsão legal, mas um mero esforço exegético de alguns, o qual desborda os parâmetros hermenêuticos das normas de regência da matéria. ... Vale ainda ressaltar que, quando o legislador ordinário quis, ele expressamente afastou a trava de 30%. Refirome ao art. 95 da Lei 8.981/95. Assim, nem mesmo o Poder Judiciário poderia chegar tão longe a ponto de criar, por jurisprudência, uma nova exceção à regra trava de 30%, sob pena de se estar legislando positivamente. Fl. 7300DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.300 33 No recurso especial, o contribuinte reafirma a impossibilidade de se impor a trava dos 30% no caso de extinção da empresa, conforme a seguinte transcrição (efls. 6706 e ss.): 159. Assim, no entendimento da Recorrente, a constitucionalidade da regra que impõe o limite de 30% para fins de aproveitamento dos saldos de prejuízo fiscal repousa no pressuposto de que o direito do contribuinte em aproveitar esses saldos não é limitado pelo tempo. Ou seja, ainda que os tributos sejam recolhidos pelo contribuinte com respeito da trava de 30%, o direito de compensar os saldos de prejuízo deve permanecer como um ativo do contribuinte, direito este que será exercido no futuro. ... 166. Sc houver a possibilidade de compensação de parte do lucro real com prejuízos fiscais acumulados de períodos anteriores, a empresa utiliza apenas em parte um direito, diferindose a parcela restante para o período seguinte. NJO obstante, no caso de extinção da pessoa jurídica, caso o prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSL acumulados não puderem ser utilizados até o montante, cumulativamente, da sua existência e dos lucros auferidos até a data da extinção da pessoa jurídica, a incidência dos tributos não se dará sobre um aumento patrimonial, mas sobre o patrimônio, simplesmente porque se trata de excepcional situação em que o "ativo" deixará de ser um ativo, em razão da impossibilidade de compensação do prejuízo fiscal e base de cálculo negativa para a pessoa jurídica sucessora. ... 168. Por essa razão, o prejuízo fiscal e a base negativa de CSL são pressupostos para a apuração da materialidade da tributação sobre a renda e, no caso de comprovada impossibilidade de utilização futura desses prejuízos, a trava não deve ser aplicada. A trava na compensação é sempre aplicada no pressuposto da continuidade da pessoa jurídica, justamente porque não prejudica o direito à compensação nos períodos seguintes. Da multa qualificada A Fiscalização fundamenta as multas qualificadas no item 20 do Termo de Constatação Fiscal (efl. 6.151 e ss), fazendo referência ao item 10, “Das provas identificadas pela fiscalização no contexto das operações societárias realizadas e sociedades constituídas nos anoscalendário de 1995 e de 1996”, para dizer que as condutas se enquadram nas hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, acrescentando: “A saber, decorre também da convicção formada pela fiscalização o entendimento de que as operações societárias realizadas em seqüência e todo o instrumental societário e empresarial criado indicam a predeterminação dos agentes, a vontade deliberada de praticar os atos (conhecendo as exatas Fl. 7301DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.301 34 conseqüências), o que caracteriza, portanto, a conduta dolosa, realizada com o intuito de reduzir ou suprimir pagamento de tributo”. A recorrente também se insurge contra a multa de ofício qualificada, afirmando que as operações de aquisição de participação societária em tela, intituladas casae separa, ocorreram em época em que não havia qualquer sinalização jurisprudencial de que elas poderiam ser consideradas ilegais, de forma que o contribuinte não agiu com dolo, conforme o seguinte excerto (efls. 6712): 185. Caso os valores de principal aqui discutidos sejam mantidos, o que se admite apenas para fins de argumentação, no mínimo a multa qualificada aplicada deve ser reduzida para os patamares normais de 75%, na medida que não houve dolo, fraude ou simulação no presente caso. 186. As operações em análise no presente processo devem ser analisadas no contexto em que ocorreram, nos anoscalendários de 1995 a 1999. Naquele tempo, em que ainda não havia discussão sobre a necessidade de propósitos negociais para realização das operações, a estrutura utilizada pela Recorrente era reconhecida como válida pela jurisprudência administrativa e pela doutrina. 187. No presente caso, e no contexto a ser considerado, não houve ilicitude nas operações examinadas, pois a Recorrente não tinha conhecimento da suposta ilicitude do negócio ao tempo em que os fatos ocorreram. Nesse sentido, a Recorrente transcreve abaixo jurisprudência da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS que demonstra a inocorrência de fraude nesses casos: Destaca ainda a Recorrente que, uma vez afastada a multa qualificada, devem ser canceladas as exigências relativas ao anocalendário de 2006, haja vista que o auto de infração foi lavrado em 28/6/2012. Pede, por fim, seja dado provimento integral ao recurso, reformandose o acórdão recorrido e, por conseqüência, cancelandose a totalidade do auto de infração. O recurso foi admitido por meio do despacho de efls. 7.205/7.217, do qual a Fazenda Nacional foi cientificada e não apresentou contrarrazões (efl. 7218). É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. O recurso é tempestivo e foi apresentado por pessoa hábil a representar a parte. O atendimento aos demais requisitos de admissibilidade depende da análise dos argumentos expendidos na peça recursal, que será efetuada após a descrição das infrações imputadas que remanesceram após a apreciação em segunda instância de julgamento. Fl. 7302DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.302 35 Infrações Imputadas e Matéria Tributável Remanescente Como dito no relatório, as infrações imputadas à contribuinte fiscalizada, em conformidade com os autos de infração de fls. e6164/6202, foram as seguintes: i) Compensação Indevida de Prejuízos Fiscais e Bases Negativas de CSLL, haja vista a inobservância do limite de 30% (TRAVA); ii) Glosa de Despesa de depreciação correspondente à parcela da mais valia de bens do ativo imobilizado integrante do custo, haja vista a ausência de constituição e concomitante tributação de reserva de reavaliação multa de ofício qualificada e agravada (225%); iii) Glosa de despesa relativa a dispêndios atrelados a contrato de subscrição de ações de 30/06/1999 (indenização) multa de ofício qualificada (150%); iv) Insuficiência de reconhecimento de receita financeira relativa a juros e atualização monetária sobre depósitos judiciais; v) Glosa de custo relativa a parcela da mais valia de bens do ativo imobilizado baixados ou alienados multa de ofício qualificada e agravada (225%). O acórdão combatido manteve as infrações imputadas, porém, não acolheu o agravamento da penalidade, motivo pelo qual reduziu o percentual da multa de ofício relativa às infrações "i" e "v" para 150%. Pressupostos de Admissibilidade Em sua peça recursal, a contribuinte aponta divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1. Qualificação da multa de ofício e conseqüente caducidade do direito de se efetuar o lançamento tributário relativo aos fatos geradores ocorridos em 2006; 2. Mais Valia relacionada aos bens da sociedade incorporada; 3. Dedutibilidade das indenizações; 4. Trava de 30% para compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL da sociedade incorporada; 5. Reconhecimento a menor de juros e atualização monetária sobre depósitos judiciais. Relativamente às matérias indicadas nos itens 3 e 5 acima, o recurso especial não foi admitido, conforme despachos (definitivos) de fls. e7.205/7.216. Embora não tenham sido objeto de contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, debruçome sobre as matérias em relação às quais foi dado seguimento ao recurso especial, haja vista o fato de terem sido suscitados questionamentos em sede de sustentação oral. Fl. 7303DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.303 36 Trava de 30% Reconheço a divergência pelos mesmos fundamentos que o fiz por ocasião do despacho de admissibilidade do recurso. Qualificação da Multa de Ofício e Caducidade Reconheço a divergência pelos mesmos fundamentos que o fiz por ocasião do despacho de admissibilidade do recurso. Não me parece restar dúvida que a manutenção da qualificação da penalidade aplicada e, por consequência, do não reconhecimento da decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em 2006, deramse em virtude do entendimento de que as operações societárias levados a efeito pela recorrente representaram um conjunto de ato simulados, caracterizadores do planejamento tributário denominado CASASEPARA. Nessa linha, considerados os pronunciamentos submetidos a exame (acórdãos nºs 140100.582 e 140100.155, de 29/06/2011 e 28/01/2010, respectivamente), penso que encontrase comprovado o dissídio jurisprudencial, vez que apreciando circunstâncias fáticas semelhantes à retratada nos presentes autos, a Turma Julgadora decidiu de forma diversa, relativamente à qualificação da penalidade aplicada. No acórdão nº 140100.582, a decisão pela desqualificação da penalidade partiu de uma distinção entre NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO e SIMULAÇÃO. Ali, o entendimento foi no sentido de que no planejamento conhecido como CASASEPARA estaríamos diante de negócio jurídico indireto, não cabendo, assim, a exasperação da penalidade. O acórdão 140100.155, por sua vez, que também cuida de planejamento do tipo CASASEPARA, embora emita pronunciamento no sentido de que não se trata de negócio jurídico indireto, reduz o percentual da multa para 75% com base no entendimento de que, apesar dos atos praticados pela contribuinte terem sido considerados sem intenção negocial e, em um segundo momento, simulados, não há como evidenciar o intuito de fraude, uma vez que esses atos foram objeto de ampla publicidade. Sustenta, esse segundo julgado, que a "a sonegação importa necessariamente em práticas de encobrir o fato realizado, de forma a que a conduta do Contribuinte tenha necessariamente de vir acobertada por um doloso véu de ocultação". Comprovada, pois, a meu ver, a divergência. MAIS VALIA relacionada aos bens da sociedade incorporada No que tange à matéria em relevo, o acórdão atacado pronunciase pela manutenção da exigência, reduzindo, contudo, o percentual da multa aplicada de 225% para 150%. O juízo acerca da procedência da autuação, contudo, tem por suporte os seguintes fundamentos: a) a incorporação da SLCJD pela SLC, que representa a situação fática propulsora da imputação das infrações relacionadas à MAIS VALIA, ocorreu em 1996, antes, portanto, da vigência da Lei nº 9.532, de 1997, de modo que não existia previsão legal, à época, Fl. 7304DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.304 37 para amortização de ágio fundamentado na MAIS VALIA da incorporada, pois seu valor só poderia ser recuperado em caso de alienação; b) não foi localizado nos autos LAUDO ou qualquer outro documento capaz de fundamentar o ágio pago pela JD LATIN na aquisição das ações da SLCJD, de modo que não haveria elementos capazes de sustentar o fundamento do ágio pago pela JD LATIN na MAIS VALIA dos ativos que foram avaliados a valor de mercado quando da incorporação da SLCJD pela SLC; e c) em conformidade com o disposto no art. 37 do DecretoLei nº 1.598/77, os ativos poderiam ser vertidos ao patrimônio da SLC a valor de mercado, mas seria necessário constituir reserva de reavaliação, de forma que o excesso de encargos de depreciação/amortização fossem anulados por proporcionais realizações da citada reserva. Com o intuito de comprovar a divergência, a recorrente indica os acórdãos nºs 10705.875 e 10194.136 para contestar o fundamento descrito na letra "a" acima, e o de nº 10709.545, que pronuncia entendimento diverso do refletido na letra "c". Revisitando os autos, penso que o dissídio jurisprudencial não foi comprovado, haja vista a ausência de similitude fática entre o acórdão recorrido e os indicados como paradigmas. O acórdão recorrido, servindose do Termo de Constatação Fiscal, assinala, relativamente aos fatos que serviram de lastro à imputação das infrações: [...] Para uma melhor compreensão dos atos praticados pela recorrente em "reestruturação societária", fazse necessário um aprofundamento de todos os eventos ocorridos, sendo, inicialmente, necessário separarmos as operações de reorganização societária em dois momentos: a) primeiro, as operações realizadas em 1995 e 1996, as quais geraram um ágio no valor de R$ 39.978.205,62, decorrente da aquisição das ações da SLCJD pela JDLatin; b) segundo, as operações realizadas em 1999, as quais resultaram na aquisição da SLCJD pelo Grupo John Deere. OPERAÇÕES DE 1995/1996 Quanto ao primeiro momento, para uma melhor compreensão dos fatos, vale trazer a lume os seguintes excertos do Termo de Constatação Fiscal, in verbis: “Em razão da análise da documentação disponibilizada pelos ofícios de registro, a fiscalização pôde ter a completa visualização da ocorrência de uma operação de aquisição de participação societária revestida da forma de diversos atos societários isolados, ocorrida entre os anoscalendário de 1995 e 1996, com o fito de afastar a tributação do ganho de capital para o alienante e permitir o aproveitamento de dispêndio de ágio para o adquirente na forma de realização de ativos. Essa operação é aqui também resumidamente descrita e detalhadamente esmiuçada ao longo do presente Termo: Fl. 7305DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.305 38 1. inicialmente foram constituídas 3 sociedades interpostas (uma holding, que teria vida mais longa, e cuja participação não contribuiu diretamente para as vantagens auferidas com a operação de alienação; uma sociedade veículo, criada para portar ágio gerado em integralização de capital; e outra sociedade veículo criada para receber, em um primeiro momento, a integralização de capital em bens da sociedade operacional cuja participação foi negociada e, em segundo momento, a integralização de capital da sociedade veículo referida anteriormente com ágio); 2. o ágio incorrido na integralização de capital foi gerado pela maisvalia dos bens dados em integralização pela sociedade operacional (diferença entre o seu valor contábil e o seu valor de mercado); 3. a sociedade que acolheu as integralizações operou por 4 meses; 4. houve redução de capital pela sociedade operacional em favor da sociedade alienante da participação societária, mas com desproporção entre o percentual de redução do patrimônio líquido e o percentual de redução das ações canceladas, o que proporcionou a ocultação do ganho de capital pela alienante. A redução de capital abarcou todo o ganho (o lucro) na alienação da participação societária; 5. uma parcela remanescente das ações negociadas foi transferida por operação de compra e venda realizada por valor praticamente igual ao seu valor patrimonial, já que o ganho foi canalizado pela operação anterior. Tal operação também teve como objetivo ocultar o ganho de capital para a alienante; 6. após tal período, a sociedade que apurou o ágio foi incorporada pela sociedade operacional e, na mesma data, horas depois, foi incorporada pela mesma sociedade operacional a sociedade que recebeu as integralizações de capital (em bens e, posteriormente, em recursos financeiros); 7. na última incorporação, os bens foram vertidos ao valor de mercado, sob o respaldo de lei nova, inaugurada recentemente no ordenamento jurídico; 8. ao acolher os bens da última incorporação, a sociedade operacional, ao invés de reconhecer a maisvalia dos bens do imobilizado em contrapartida de rubrica de reserva de reavaliação, no patrimônio líquido, o fez em contrapartida da rubrica de ágio recentemente reconhecida pela versão do patrimônio da sociedade veículo incorporada anteriormente; 9. daí em diante, a sociedade operacional (a contribuinte) passou a aproveitar os encargos (despesas ou custos) em decorrência da realização de bens do ativo imobilizado em sua integralidade (inclusive considerando a parcela calculada sobre a maisvalia dos bens incorporados ao valor de mercado) sem a Fl. 7306DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.306 39 realização de reserva de reavaliação e, portanto, sem adição no Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR. A interpretação da Fiscalização dos fatos ocorridos, acima transcrita, leva à conclusão de que se tratou de uma operação casasepara, em que se dissimulou o ganho de capital na alienação de 20% do capital social da SLC, pela Schneider Logemann ao Grupo e, por outro lado, simulouse ágio a ser aproveitado pela adquirente (a recorrente). ... OPERAÇÕES DE 1999 Por último, quanto ao segundo grupo de operações (realizadas em 1999), tem razão o Termo de Constatação Fiscal, quando o qualifica como uma operação casa separa, se não vejamos o seguinte excerto: “a análise do contrato permitiu à fiscalização identificar que, em determineto (sic) da forma como as operações foram realizadas, ocorreu a denominada operação casa/separa’, porém, sem uma visão completa da mesma. Para aprofundar o entendimento, a fiscalização diligenciou junto à sociedade Evaux Participações S.A (CNPJ nº 02.699.849/000120), conforme Termo de Diligência/Solicitação de Documentos, de 29/08/2011 (fls. 1788 a 1789) no sentido de obter os atos societários da mesma e esclarecer tais operações. Somente em dezembro de 2011, mediante acesso a atos societários da sociedade John Deere do Brasil Ltda (CNPJ 02.978.822/000177) (fls. 4150 a 4213) é que a fiscalização pode ter a completa visualização da ocorrência da seguinte operação, aqui resumidamente descrita e detalhadamente esmiuçada ao longo do presente Termo: a) na referida operação, adquirente (sociedade sediada no exterior) aporta recursos em subsidiária no Brasil (1ª empresa interposta), parte em forma de capital, parte em forma de empréstimos; b) cedente (por meio da 1ª sociedade interposta) e adquirente, por meio de nova sociedade interposta, integralizam, respectivamente, recursos financeiros e participação societária a ser transferida; c) em momento seguinte, por meio de cisão parcial, a parte adquirente se retira da sociedade interposta, com o patrimônio que a outra parte havia integralizado originalmente – participação societária), incorporandose tal patrimônio na 1ª sociedade interposta (da qual foram aportados os recursos financeiros à 2ª sociedade interposta); d) quando do aporte de capital da 1ª sociedade interposta (com recursos da compradora) na 2ª sociedade interposta, foi efetuado um cálculo de paridade de participação societária, de tal forma que a sociedade que aportou recursos financeiros apurasse um ágio na aquisição de participação societária em valor igual ao ganho de capital que deixaria de ser reconhecido pela sociedade cedente da participação societária efetivamente negociada; e) posteriormente, a 1ª sociedade interposta, que apurou ágio na aquisição de investimento e que mantinha empréstimo captados junto à sua controladora, foi incorporada pela empresa operacional – a contribuinte – (aquela cuja participação societária foi negociada); Fl. 7307DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.307 40 f) a empresa operacional – a contribuinte (aquela cuja participação societária foi negociada), passou a aproveitar fiscalmente a despesa com o ágio apurado em suas próprias operações.’ (Grifei) Como se vê, nos termos da autuação objeto de enfrentamento pelo acórdão recorrido, os objetivos pretendidos por meio dos atos societários praticados foi afastar a tributação do ganho de capital para o alienante e permitir o aproveitamento de despesas com ágio por parte do adquirente, a partir da realização de ativos. O acórdão nº 10705.875 cuida da situação em que a fiscalizada adquiriu empresa que se encontrava desativada e com patrimônio líquido negativo, supostamente com interesse em reduzir a sua base tributável, seja em razão de apropriação de perda de capital, seja por meio do aproveitamento de prejuízos fiscais preexistentes. No caso, a autuação foi direcionada no sentido de questionar a fundamentação do ágio que integrou o custo de aquisição do investimento, não havendo, em conformidade com o voto condutor da decisão veiculada pelo acórdão em referência, discussão acerca da efetividade das operações realizadas, especialmente no que tange à prática de simulação. A passagem abaixo transcrita, extraída do voto condutor do acórdão nº 107 05.875, ratifica o acima afirmado: ..., a autoridade de fiscalização, na motivação do lançamento, em nenhum momento negou a efetividade das operações realizadas, muito menos fez qualquer referência a que estas teriam sido simuladas. Glosou o ágio porque não concordou com a motivação a ele dada pela recorrente. Assim, a fundamentação do voto vencedor desse acórdão para cancelar o lançamento foi de que a Fiscalização não fez qualquer acusação de simulação, tendo, apenas, discordado da motivação do ágio. No processo ora em apreço, a Fiscalização afirma que as operações societárias foram simuladas e objetivaram afastar a tributação de um ganho de capital e obter um benefício indireto por meio de uma amortização (indevida) de ágio. Logo, os colegiados se debruçaram sobre acusações fiscais totalmente distintas, motivo pelo qual chegaram a conclusões também distintas. O acórdão nº 10194.136, naquilo que interessa à presente análise, trata também de glosa de perda de capital, perda esta apurada a partir de aumento de capital e posterior incorporação de empresas com patrimônio líquido negativo, que, a juízo da autoridade fiscal, decorreram de ato de mera liberalidade. Tanto esse acórdão, como o anterior, envolviam um planejamento tributário de aproveitamento de prejuízos fiscais e geração de perda de capital artificial. Aumentavase capital em empresas com patrimônio líquido negativo, para, no momento seguinte, incorporar essa empresa e apurar uma perda de capital (ficta). É de se constatar que o relator do acórdão afastou o lançamento que se calcava em mera liberalidade com base nos elementos de prova que foram carreado aos autos daquele processo, aduzindo: Fl. 7308DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.308 41 “Assim, ainda pelos argumentos anteriormente despendidos no item precedente, entendo que não há impedimento legal na subscrição e aumento de capital de empresa controlada que venha a ser incorporada posteriormente pela controladora, mormente se não há mais sinais de existência de irregularidade nas operações ou existência inequívoca de ato de liberalidade.” Ou seja, partiu de uma conclusão de que não havia irregularidade naquelas operações, que, destacase, em nada se assemelham ao caso trazido nos presentes autos. O acórdão nº 10709.545, por sua vez, cuida de operações societárias geradoras do que se denomina "ágio de si próprio" e a autuação ali levada a efeito não cuidou de analisar a natureza do ágio constituído, seu fundamento e sua compatibilização com a legislação de regência. No caso, os lançamentos tributários tiveram por base uma suposta incorporação de acervo a valor contábil e a identificação de erro de cálculo na determinação da parcela do custo relativa ao ágio. Buscando evidenciar as distinções aqui referenciadas, apresento o quadro abaixo, no qual encontramse descritos os principais atos praticados em cada uma das situações enfrentadas pelos acórdãos apreciados. ACÓRDÃO RECORRIDO ACÓRDÃO Nº 107 05.875 ACÓRDÃO Nº 101 94.136 ACÓRDÃO Nº 107 09.545 Constituição de sociedades interpostas. Aquisição, por meio de ordem de pagamento, de sociedade com patrimônio líquido negativo, que encontravase com as suas atividades paralisadas. Integralização de capital, com ações de sociedade do mesmo Grupo econômico, por parte de acionistas pessoas físicas e jurídicas detentoras da titularidade do capital de sociedade também integrante do referido Grupo. Integralização de capital por meio de bens reavaliados da sociedade operacional. Aumento de capital da sociedade adquirida com recursos tomados a título de empréstimo em instituição financeira, tornando positivo o patrimônio líquido da investida. Segregação do valor empregado no "investimento" em valor de patrimônio líquido e ágio. Redução de capital pela sociedade operacional em favor do alienante de participação societária, com desproporção entre o percentual de redução do patrimônio líquido e o percentual de redução das ações canceladas. Registro da aquisição e do aumento de capital segregado em valor de patrimônio líquido e ÁGIO. Embora o referido acórdão seja sucinto quanto à descrição dos fatos, naquilo que guarda referência com a pretensão da contribuinte de utilizá lo como PARADIGMA, constatase que a matéria enfrentada diz respeito à GLOSAS DE DESPESAS incorridas em incorporações de empresas com PATRIMÔNIO LÍQUIDO NEGATIVO. A exemplo da situação enfrentada pelo acórdão nº 107 05.875, as incorporações das empresas foram precedidas de aumentos de capital, o que leva a crer que as Incorporação da sociedade investida com extinção da participação societária Fl. 7309DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.309 42 Transferência de parcela remanescente das ações negociadas por meio de operação de compra e venda, por valor praticamente igual ao valor patrimonial. Incorporação da sociedade adquirida com extinção da participação societária e registro de PERDA DE CAPITAL. Fatiamento do ágio para sociedades integrantes do Grupo. Incorporação pela sociedade operacional da sociedade que apurou o ágio e, na mesma data (horas depois), da que recebeu as integralizações de capital (em bens e, posteriormente, em recursos financeiros). Transferência dos recursos utilizados no aumento de capital para fins de liquidação do empréstimo anteriormente tomado. Sucessivas operações societárias envolvendo as sociedades integrantes do Grupo, das quais emergiram ágios, entre os quais o que passou a ser amortizado por uma dessas integrantes do referido Grupo econômico. A sociedade operacional (fiscalizada) passa a aproveitar os encargos (despesas/custos) em decorrência da realização de bens do ativo, inclusive sobre a parcela reavaliada). A autuação fiscal foi direcionada para as seguintes imputações: glosa de custo em razão de absorção de acervo a valor contábil em incorporação com extinção de participação societária; e glosa de custo em decorrência erro no cálculo da equivalência patrimonial, que resultou em apuração de ágio em montante superior ao efetivamente existente. Planejamento tributário conhecido como CASA/SEPARA. glosas recaíram sobre as PERDAS DE CAPITAL apuradas. Planejamento tributário conhecido como ÁGIO DE SI MESMO ágios gerados internamente no GRUPO ECONÔMICO por meio de uma sucessão de eventos de reorganização societária. Fl. 7310DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.310 43 OBJETIVO: afastar a tributação do ganho de capital para o alienante e permitir o aproveitamento de despesas com ágio por parte do adquirente, a partir da realização de ativos. OBJETIVO: reduzir a base tributável, seja em razão de apropriação de perda de capital, seja por meio do aproveitamento de prejuízos fiscais preexistentes de empresa incorporada. OBJETIVO: reduzir a base tributável por meio da apropriação de perda de capital. OBJETIVO: reduzir a base tributável por meio da criação (artificial) de despesa com amortização de ágio. Notase, assim, que as situações enfrentadas pelos acórdão apontados como paradigmas em nada se assemelham à refletida nos presentes autos. Tratandose de situações fáticas distintas, não se pode pretender que a norma aplicada a uma dessas situações seja estendida sem qualquer modulação à outra, cujos fatos são absolutamente diversos. À evidência, para que a divergência fique devidamente demonstrada é vital que os fatos em relação aos quais a norma tributária foi aplicada sejam de elevada semelhança, o que, como restou verificado, não ocorre em relação à matéria sob análise. Assim, embora os acórdãos nºs 10705.875, 10194.136 e 10709.545 apresentem entendimento em sentido diverso ao que foi esposado no acórdão atacado, eles não se prestam a servir de paradigmas, eis que trataram de circunstâncias fáticas que em nada se assemelham às enfrentadas no presente processo. Assinalo que, em que pese possam ser identificadas passagens em que o fato isoladamente considerado assemelhase ao enfrentado pelo acórdão recorrido, a comprovação da divergência não pode ser levada a efeito abandonandose o contexto fático em que essas passagens encontramse inseridas. Tal consideração é de especial relevância, haja vista o fato de que, no acórdão paradigma nº 10709.545, fazse referência, na linha do sustentado pela recorrente, à desnecessidade de constituição de reserva de reavaliação apesar da incorporação darse a valor de mercado. É preciso destacar, contudo, que as situações fáticas, como já dito, revelamse absolutamente distintas, sobretudo, porque no caso em apreço, houve duas incorporações, como ressaltou a Fiscalização (efl. 6.023 e ss): A própria seqüência das incorporações não foi deliberação casual, pois pelos interesses daqueles que as estruturaram e as levaram a efeito, como forma de obter vantagem fiscal, era necessário que primeiramente fosse incorporada a sociedade que portava o ágio de R$ 36.002.979,50 (John Deere Latin América Participações Ltda. – CNPJ nº 00.627.447/000195) Fl. 7311DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.311 44 para somente depois incorporar a sociedade que recebeu os bens que serviram de base para o referido ágio (SLC – John Deere S.A – CNPJ 00.961.019/00102). ...................................................... Cabe referir também que especial ênfase deve ser dada ao procedimento contábil da escrituração da segunda incoprotação ocorrida no dia 30/4/1996, a da sociedade SLC – JOHN Deere S. A (CNPJ nº 00.961.019/000102). ........................................................................................................ Cabe referir que dos bens, direitos e obrigações que foram vertidos da sociedade incorporada, somente os bens do ativo imobilizado é que apresentaram valores de mercado diferentes dos valores contábeis que figuraram na DIPJ (evento especial) da sociedade incorporada (fls. 4411 a 4414). Há que se comentar que em uma operação de incorporação a valor de mercado de uma investida por sua investidora em condições normais (de sobrevalia e de bens a valor de mercado), no pressuposto de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial, o patrimônio líquida sociedade incorporadora deveria sofrer alterações, uma vez que o investimento na incorporadora estaria avaliado ao seu valor contábil, sendo que os bens, direitos e obrigações vertidos a valor de mercado seriam trazidos por valores diferentes daquele valor contábil que antes era refletido na rubrica de investimentos da sociedade investidora. Restaria, assim, reconhecer a variação entre o valor contábil e o valor de mercado do patrimônio vertido como mutação no patrimônio líquido da incorporadora. No acórdão paradigma nº 10709.545, todavia, não ocorreram duas incorporações. No acórdão recorrido, as referências feitas à artificialização do ágio decorrem do conjunto de atos simulados praticados no contexto do planejamento tributário conhecido como CASASEPARA, não se podendo olvidar, entretanto, que nele o ágio surgiu originariamente de operação de subscrição de capital em que o preço foi integralmente pago em moeda corrente, conforme assinalado às fls. 7 do Termo de Constatação Fiscal (fls. e 6002), o que o distancia da circunstância fática retratada no acórdão nº 10709.545, eis que neste estamos diante de um ÁGIO DE SI PRÓPRIO, sem pagamento e sem sacrifício de ativo de qualquer natureza, gerado a partir de integralização de capital intragrupo por meio de conferência de ações reavaliadas que foi, posteriormente, "fatiado" entre empresas da mesma forma integrantes do Grupo. Como assinala o próprio voto condutor do acórdão nº 10709.545, nos autos por ele enfrentado "a fiscalização pretendeu glosar o ágio no grupo VONPAR, cujos efeitos se deram, efetivamente, já em uma das investidas operacionais (REFRESCOS), anos depois e sob a égide de nova legislação permissiva da amortização (Lei nº 9.532/97)". Fl. 7312DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.312 45 O acórdão recorrido, por sua vez, trata de circunstância que tem como elemento propulsor a geração de ágio, com sacrifício de ativo, em período em que inexistia a autorização para a sua amortização trazida pela Lei nº 9.532/97, sendo este, inclusive, um dos fundamentos nele esposado para considerar procedente os lançamentos tributários. No caso do acórdão paradigma nº 10709.545, repiso, existe uma discussão em torno do fato de que se a incorporação se dá a valor de mercado, não há a necessidade de constituição de reserva de reavaliação. Ocorre, entretanto, que, no caso em apreço, a conclusão a que chegou a Fiscalização foi de que o ágio que surgiu nessas operações não poderia produzir efeitos fiscais porque foi suportado por uma pessoa jurídica estrangeira e transferido para a JD Latin, que na verdade, era uma empresa veículo. Ou seja, esse contexto fazia parte da acusação fiscal do caso em apreço, e inexistia no paradigma. Além disso, na 2ª incorporação, ou seja, quando a SLC incorporou a SLCJD, os bens foram vertidos a valor de mercado, em decorrência de uma nova reavaliação (conforme fls. 95 a 100 do Termo de Constatação Fiscal). E esse aspecto não se verifica no caso da VONPAR, em que houve apenas uma incorporação de bens que já estavam refletidos reavaliados a valor de mercado. O item “22. Conclusão” do Termo de Constatação Fiscal (efl. 6.153 e seguintes) deixa bastante claro que a autuação decorre de todo o conjunto de operações nos termos ali tratados. Em conclusão, registro que, tratandose de comprovação de dissenso jurisprudencial, não basta a identidade de normas nos atos decisórios comparados, é necessário, fundamentalmente, que os fatos sobre os quais referidas normas incidiram sejam idênticos ou, ao menos, semelhantes, circunstância que, a meu juízo, não restou verificada em relação ao presente item. Assim, não conheço do recurso no que diz respeito à parte que discute a maisvalia e, por conseguinte, às glosas de despesas e custos a elas relacionadas, e conheço no tocante à multa qualificada e à inobservância à trava de 30%. Mérito Limite de compensação de prejuízos (trava de 30%) Conforme já relatado, a SLCJD incorporou a JDP em julho de 2007. Naquela ocasião, a JDP possuía prejuízos acumulados, que foram integralmente compensados. A fiscalização glosou essa compensação naquilo que ultrapassou o limite de 30% do lucro, apontando como fundamento o artigo 250, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99). O contribuinte se insurge contra essa exigência, afirmando que o referido dispositivo legal não alcança a compensação mediante o encerramento das atividades da empresa, no caso, a sua incorporação. Essa questão é muito bem conhecida desse colegiado, já tendo sido debatida e decidida nas reuniões de janeiro e fevereiro deste ano, ocasião em que foram exarados os Acórdãos nº 9101002.153, nº 9101002.207, nº 9101002.208, nº 9101002.210 e nº 9101 Fl. 7313DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.313 46 002.211, todos no sentido de que o artigo 15 da Lei nº 9.065/95, fundamento legal do referido artigo 250, III, do RIR/99, alcança inclusive as empresas que encerraram suas atividades. Destarte, alinhada com o que já foi decidido, entendo que não assiste razão à recorrente, vez que a Lei nº 9.065/95 é muito clara no sentido de estabelecer a trava sem qualquer exceção, senão vejamos: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Produção de efeito (Vide Lei nº 12.973, de 2014) Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Se a lei ofende ou não o art. 43 do CTN, não compete a este Colegiado tal juízo, pois é vedado a este tribunal afastar lei vigente. Contudo, apenas para título de argumentação, se a trava de 30% estivesse afastando o conceito de renda, ela não o estaria fazendo apenas para a situação de extinção da pessoa jurídica, já que no que diz respeito ao fato gerador do IRPJ/CSLL, que tem delimitação temporal, ela está limitando a compensação dos prejuízos no período, independe de qualquer evento societário. Na esteira desse raciocínio, convém trazer à colação voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, segundo o qual: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se Fl. 7314DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.314 47 não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer “credito” contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa nos anos anteriores.” E é na linha da “benesse tributária” que o Supremo Tribunal Federal tem tratado a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, como se depreende dos RE 344.994/PR e 545.308/SP, e demais julgados posteriores daquele tribunal. Por oportuno, transcrevo: EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido. ( RE 545.308, 8/10/2009, Rel. P/ acórdão Min. Cármen Lúcia) EMENTA Agravo regimental no recurso extraordinário. Demonstrações financeiras. Saldos de prejuízos fiscais do IRPJ e das bases negativas da CSLL. Natureza de benefício fiscal. Correção monetária. Revogação. Questão infraconstitucional. Ausência de previsão legal. Impossibilidade de atuação do Poder Judiciário como legislador positivo. Precedentes da Corte. 1. A questão alusiva à revogação da correção monetária pelo art. 4º da Lei nº 9.249/95 repousa na esfera da legalidade. A afronta ao texto constitucional, se ocorresse, seria meramente reflexa ou indireta. 2. Nos julgamentos do RE nº 344.994/PR e do RE nº 545.308/SP, o Tribunal concluiu que a dedução de prejuízos de exercícios anteriores da base de cálculo do IRPJ e a compensação das bases negativas da CSLL constituem favores fiscais. 3. Impossibilidade de atualização monetária do saldo a ser compensado em períodos futuros, por ausência de previsão legal. 4. Agravo regimental não provido. (AgR no RE 807.062, 2/9/2014, Rel. Min. Dias Tóffoli) Fl. 7315DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.315 48 É oportuno também ponderar que, se quisesse o legislador ressalvar a possibilidade de, na incorporação, fusão ou cisão, permitir a compensação integral, teria feito de forma expressa, como o fez por ocasião do art. 1º da Lei nº 9.065/95, em relação às empresas inseridas no Befiex. Assim, inexiste fundamentação legal que autorize este colegiado a afastar os arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995 do presente caso. Multa de ofício qualificada A recorrente afirma que o procedimento adotado, depois conhecido como "casaesepara", não era considerado irregular naquela época e que não contém dolo, fraude ou simulação. Em que pese o fato de o entendimento da recorrente encontrar ressonância em certos julgados, penso de forma diversa. O Termo de Constatação Fiscal, em seu item 10, fls. e6073/6087, reúne elementos que ilustram bem o planejamento arquitetado pelos grupos econômicos envolvidos e que demonstram, a meu ver, a intenção deliberada de eliminar ou reduzir a incidência tributária, circunstância essencial à qualificação da penalidade. Nessa linha, naquilo que guarda relação com as infrações submetidas a exame no presente pronunciamento, destaco: a) as atividades e efemeridade da JDL no período compreendido entre a sua constituição e incorporação pela SLC, tornam incontestável a conclusão de que ela foi constituída com o objetivo específico de servir de base para a realização de investimento na SLCJD, com ágio, para que, posteriormente, por incorporação, tal sobrepreço fosse vertido para a sociedade operacional, oportunizando, assim, a sua amortização pela contrapartida do registro da maisvalia dos bens do ativo imobilizado vertido em razão da incorporação da própria SLCJD; b) de igual forma, a SLCJD, que foi beneficiária dos recursos da JDL, foi constituída em 17/11/1995 e incorporada em 30/04/1996 (prazo de duração: quatro meses) e recebeu, em integralização de capital, os bens do ativo imobilizado da SLC pelo VALOR CONTÁBIL, para, por meio de incorporação, restituílos a VALOR DE MERCADO momento depois, o que indica claramente a artificialidade da operação na busca da vantagem fiscal (dedução de encargos de depreciação e baixa/alienação de ativos tomandose por base os bens reavaliados); c) as pessoas e empresas que participaram das operações societárias residiam ou estavam sediadas em endereços que indicavam uma mesma localização, cabendo ressaltar que testemunhas dos contratos de constituição de empresas tidas como "de passagem" (Vera Lúcia Jacob e Marilda Ramos) eram empregadas do escritório Pinheiro Neto Advogados desde 1992 (o referido Termo de Constatação Fiscal registra ainda uma série de outras intervenções do referido escritório, que indicam a efetiva participação do referido escritório no planejamento dos atos societários praticados, merecendo destaque o fato de o Sr. Carlos Alberto Moreira Fl. 7316DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.316 49 Lima Junior, procurador/gerentedelegado das empresas integrantes do Grupo D&C no Brasil, ser sócio do escritório em referência desde 1993); d) as operações de incorporação da JDL e da SLCJD, subordinadas à simultaneidade de datas, de cronologia em curtos períodos de tempo e que envolveram pessoas jurídicas distintas, mas com agente coincidente (Sr. Carlos Alberto Moreira Lima Junior), representam indicativo claro que referidos atos foram previamente arquitetados e que objetivaram a obtenção de proveitos meramente tributários; e) é indubitável que os motivos consignados nos protocolos de incorporação das sociedades não guardam relação com as circunstâncias materiais das operações realizadas, merecendo destaque o fato de que, em quase todos os seus dispositivos, o correspondente ao JDL é idêntico ao da SLCJD; e f) a artificialidade das operações revelase patente também na emissão dos laudos de avaliação relativos às incorporações, que foram emitidos na mesma data em que a empresa especializada pela elaboração foi escolhida, tendo esta emitido dois laudos em 30/04/1996. Assim, em que pese estarmos tratando de uma operação cujo efeito final foi a venda de participações societárias e ainda que estivéssemos tratando de pessoas jurídicas integrantes de grupos econômicos distintos, com pagamento de valores, o fato é que, em razão das operações realizadas, o adquirente pagou, mas recuperou o valor sob a forma de amortização do ágio, e o alienante vendeu, mas não sofreu tributação sobre o ganho de capital. No que diz respeito à alegação de serem grupos econômicos distintos, ainda faço a seguinte consideração: o grupo John Deere iniciou suas atividades no Brasil de forma associada ao grupo Schneider Logemann, quando a Deere & Cia (D&C) comprou 20% do capital social da SLC S. A (que atualmente é a empresa autuada, John Deere Brasil Ltda). Nesse sentido, se o que está sendo questionado é tudo o que surgiu depois da venda de mais 20%, ou seja, do que foi alienado além dos 20% que já existiam, na verdade, a esse tempo (1995), os dois grupos já estavam associados, o que corrobora a tese da Fiscalização de uma simulação, inclusive, no que diz respeito à acusação fiscal de conluio. Assim, a complexidade do mecanismo permite, sim, vislumbrar uma finalidade consciente e volitiva de ocultar o fato gerador dos tributos, o qual seria evidente em uma operação convencional de aquisição de participação societária. Essa premeditação se torna inquestionável quando se olha os detalhes das operações, tais como destaco mais uma vez, de forma resumida: i) a utilização de empresas veículos, de pouca duração; ii) eliminação do valor nominal das ações, permitindo redução e devolução de capital sem apuração de ganho de capital; iii) as avaliações patrimoniais realizadas na mesma data em que a AGE aprovava a empresa e com um resultado de avaliação coincidente com o valor do aumento de capital previamente pactuado; iv) as reuniões quase simultâneas com as mesmas pessoas em locais muito distantes; Fl. 7317DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.317 50 v) uma única pessoa representando várias empresas, assumindo papeis empresariais e advocatícios cumulados. Ora, há uma convergência de indícios que apontam para a prática, intencional de atos tendentes a alterar as características dos fatos, para serem enquadrados de outra forma. Logo, entendo que os autos contêm evidências suficientes do dolo, que a acusação aponta a intenção dolosa com propriedade e que a defesa da contribuinte não logrou trazer elementos suficientes para afastar esse entendimento. O fato de eventualmente existirem acórdãos que corroboram o procedimento adotado não elide a intenção porque o conjunto probatório é robusto no sentido de demonstrar uma intenção de simulação de atos. Quanto às operações societárias ocorridas em 1999, as provas indicam que compõem um mecanismo que teve a finalidade de viabilizar a alienação, para a D&C, de toda a participação societária ainda detida pela SL na SLCJD. Da mesma maneira, a complexidade do mecanismo também permite vislumbrar uma finalidade consciente e volitiva de ocultar o fato gerador de tributos, ou seja, do dolo. Os mesmos detalhes supracitados evidenciam ainda mais essa premeditação, mas ela se torna inquestionável em razão da existência de um contrato prévio, formalizado, de compromissos recíprocos e objetivo claro, qual seja, a alienação da participação societária da SL na SLCJD. Ademais, como não falar em dolo quando o contribuinte diluiu em várias contas contábeis, redutoras do seu lucro real, o pagamento de uma obrigação contratual estabelecida entre terceiros, que em nada afeta a sua capacidade de atingir o objetivo social da empresa. Mais uma vez, entendo que os autos contêm evidências suficientes do dolo, que a acusação aponta a intenção dolosa com propriedade e que a defesa do contribuinte não logrou trazer elementos suficientes para afastar esse entendimento. Verificada a ocorrência de dolo, posicionome pela manutenção da multa qualificada e por afastar a ocorrência da decadência, esta levantada em conjunto pelo recorrente. Por oportuno, destaco que a multa foi qualificada em razão do todo o conjunto probatório que envolveu as operações. Tanto é assim, que o acórdão recorrido manteve a qualificação da multa sobre todas as infrações em que esta foi aplicada, analisando a operação como um todo; da mesma forma, a Recorrente trouxe como paradigma para discutir a qualificação na CSRF apenas acórdãos relativos à operação CasaSepara. Dessa forma, mantenho a multa qualificada sobre todas as infrações para as quais ela foi aplicada: itens 1, 2, 3, 4 e 6 do auto do infração do IRPJ e respectivos lançamentos reflexos de CSLL. Fl. 7318DF CARF MF Processo nº 11070.720968/201291 Acórdão n.º 9101002.481 CSRFT1 Fl. 7.318 51 Em face do exposto, voto no sentido de CONHECER EM PARTE o Recurso Especial da Contribuinte e, na parte conhecida, negar provimento, mantendose a exigência tributária na forma em que foi decidida pelo acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 7319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720571/2013-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LIVRO CAIXA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. As despesas necessárias à percepção de rendimento do trabalho não-assalariado somente podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda se estiverem escrituradas em livro caixa e comprovadas por documentos hábeis e idôneos.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. EMOLUMENTOS. APURAÇÃO DOS VALORES.
É lícito ao Fisco apurar os valores recebidos a título de emolumentos por tabelião tomando por base os livros de Registro de Imóveis, Livro de Registro de Títulos e Documentos e Livros de Registro de Protestos.
MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Caso seja cominada multa, esta se torna obrigação principal, nos termos do art. 113, §3º, do CTN. Por sua vez, o art. 139 do mesmo diploma determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal. Considerando ainda o texto das Súmulas CARF nº 4 e 5, bem como os acórdãos que as embasam, é patente a possibilidade de incidir juros sobre multa.
Numero da decisão: 2202-003.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a para o percentual de 75%; vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator) Junia Roberta Gouveia Sampaio e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir os juros de mora sobre a multa de ofício. Foi designado o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LIVRO CAIXA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. As despesas necessárias à percepção de rendimento do trabalho nãoassalariado somente podem ser deduzidas da base de cálculo do imposto de renda se estiverem escrituradas em livro caixa e comprovadas por documentos hábeis e idôneos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. EMOLUMENTOS. APURAÇÃO DOS VALORES. É lícito ao Fisco apurar os valores recebidos a título de emolumentos por tabelião tomando por base os livros de Registro de Imóveis, Livro de Registro de Títulos e Documentos e Livros de Registro de Protestos. MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. NÃO OCORRÊNCIA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Inexiste o dolo que autorizaria a qualificação da multa quando a conduta é estranha à relação tributária entre os sujeitos ativo e passivo. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Caso seja cominada multa, esta se torna obrigação principal, nos termos do art. 113, §3º, do CTN. Por sua vez, o art. 139 do mesmo diploma determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal. Considerando ainda o texto das Súmulas CARF nº 4 e 5, bem como os acórdãos que as embasam, é patente a possibilidade de incidir juros sobre multa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 05 71 /2 01 3- 21 Fl. 3068DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201321 Acórdão n.º 2202003.571 S2C2T2 Fl. 3.052 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%; vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator) Junia Roberta Gouveia Sampaio e Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado), que deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir os juros de mora sobre a multa de ofício. Foi designado o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o Relator. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15586.720571/201321, em face do acórdão nº 1049.884, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Lançamento – Auto de infração Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (fls. 2934 a 2945 e 2949 a 2986) referente a imposto sobre a renda de pessoa Fl. 3069DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201321 Acórdão n.º 2202003.571 S2C2T2 Fl. 3.053 3 física do anocalendário 2008, no qual foi apurado imposto no valor de R$2.078.688,04 acrescido de multa de ofício e juros de mora e multa exigida isoladamente no valor de R$1.885.238,21 em decorrência da apuração de omissão de rendimentos de rendimentos recebidos de pessoas físicas, dedução indevida despesas do livro caixa e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê´leão, na forma dos dispositivos legais sumariados na peça fiscal. Foi aplicada multa de ofício qualificada de 150% sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas. Impugnação O interessado apresentou impugnação da exigência de fls. 2989 a 3004. Suas alegações estão, em síntese, a seguir descritas. Dos pressupostos de qualquer exigência tributária Ocioso transcrever os artigos 97 e 142, ambos da Lei n° 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional, os quais evidenciam os pressupostos de qualquer exigência tributária: a legalidade estrita e objetiva (CTN, artigo 97 só a lei pode estabelecer tributo, base de cálculo, alíquota, etc), e, a verdade material, (CTN, art. 142) incumbe à autoridade administrativa a verificação da efetiva ocorrência da hipótese de incidência prevista na legislação. Isto é, a efetividade, não, a presunção, do fato gerador do tributo. A necessária consequência prática de tais pressupostos de uma exigência tributária deságua na necessária produção de prova objetiva e concreta, por parte da autoridade lançadora, da efetiva ocorrência da hipótese legal de incidência do tributo, mesmo quando se tratar de presunção legal autorizada de renda, porquanto, mesmo as presunções legais são lastreadas em fatos concretos e objetivos. Se a legislação autoriza lançamento tributário com fundamento em omissão de renda, conforme dispõe o artigo 841, VI, do Decreto nº3.000, de 1999, importa que a fiscalização produza nos autos prova objetiva e inconteste, da ocorrência de qualquer dessas hipóteses. Tratase, pois, de matéria factual que fundamente o lançamento. Apresenta jurisprudência administrativa. A fiscalização não esclarece objetivamente quais teriam sido os elementos que levaram à conclusão de que houve omissão de receita. Não há prova objetiva e inconteste de tal ocorrência, de modo que, neste particular, a autuação não pode subsistir. Dos equívocos incorridos pela fiscalização. Fl. 3070DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201321 Acórdão n.º 2202003.571 S2C2T2 Fl. 3.054 4 De acordo com a fiscalização, a causa da não aceitação das deduções realizadas pelo Defendente foi a não apresentação do Livro Caixa do Cartório do ano de 2008 Da intervenção no cartório de 1º ofício de Ccariacica diário em poder do interventor do cartório Como comprovou, em 23 de novembro de 2010, o Cartório de 1o Ofício de Cariacica sofreu intervenção da Corregedoria de Justiça do Estado do Espírito Santo. Em consequência de tal ato, o Impugnante foi afastado de suas funções do Cartório e proibido de ter acesso às suas dependências, bem como a retirar do Cartório qualquer documento. Daí que, ao ser solicitado pela fiscalização a apresentar o Livro Caixa do ano de 2008, o Impugnante justificou sua impossibilidade de fazêlo em razão de toda a documentação solicitada encontrarse em poder do interventor do Cartório, Dr. Evandro Sarlo Antonio. De fato, no mês de julho de 2009, o Contador encarregado da contabilidade do cartório, Dr. José Adolfo Silva, no término de seu contrato de prestação de serviços, entregou toda a documentação contábil em seu poder, do que apresentou cópia do recibo pertinente à fiscalização, que consignou o fato em seu relatório, na fl. 2960 dos autos administrativos. Evidenciase equívoco quanto à glosa dos valores de dedução advindos de 2008. É que o fisco assim procedeu sem qualquer fundamento objetivo, e sem que se estivesse diante de informações falsas prestadas pelo Impugnante. No contexto, desnecessário reproduzir a disposição constante do artigo 845, § 1 o, do Decreto no 3.000, de 1999. No caso da autuação impugnada, as informações cuja ausência redundaram em penalização para o Impugnante deveriam ter sido exigidas da Corregedoria de Justiça do Estado do Espírito Santo, que está de posse de todos os documentos solicitados durante a fiscalização. Da mesma maneira como consolidou os valores relativos aos repasse de FARPEN e FUNEPJ, a fiscalização poderia (deveria) ter procedido da mesma maneira com relação às despesas deduzidas da base de cálculo do imposto, como os valores pagos a título de aluguel do imóvel em que funcionava o cartório, a folha de pagamento de pessoal e os pagamento feitos a concessionárias de serviços públicos, como a fornecedoFra de energia elétrica. O efetivo dispêndio de tais valores também poderia ter sido inferido da análise dos relatórios enviados pelo Cartório à Corregedoria de Justiça, e, mais importante, não foi apresentada Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201321 Acórdão n.º 2202003.571 S2C2T2 Fl. 3.055 5 qualquer documentação pela fiscalização que pudesse elidir os valores deduzidos originalmente pelo Impugnante. Dos juros sobre a multa Os juros calculados com base na taxa Selic não podem ser exigidos sobre multa de ofício, por absoluta ausência de previsão legal. O artigo 13 da Lei 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic, remete ao artigo 84 da Lei 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Demonstrado que multa não é tributo e que só há previsão legal para que os juros calculados à taxa Selic incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa, que se verifica no cálculo da RFB para atualização dos créditos tributários objeto do presente processo, desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 5o, II, e 37 da Constituição Federal, o que não pode ser deve ser rechaçado. Nesse sentido já decidiu o Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da penalidade qualificada Os fatos postos pela autoridade fiscal como forma de qualificar a multa de ofício se mostra deturpada e contrária às provas contidas aos autos e fatos que efetivamente ocorreram. Ainda que houvesse a suposta omissão de receita a que se refere a Fiscalização, o que comprovadamente não é o caso, certo é que não se justificaria per si motivo à qualificar a multa, conforme Súmula n° 14/CARF. Inexiste qualquer motivo que justifique a aplicação da multa de ofício qualificada, uma vez que não restam caracterizados requisitos estabelecidos pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502/64, posto que não impediu ou retardou o conhecimento da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto. A comprovação da intenção dolosa, com efeito, não foi efetivada pela fiscalização. A jurisprudência administrativa já se consolidou no sentido de que a multa exacerbada de 150% somente terá lugar quando ficar demonstrado a conduta capaz de ensejar a multa qualificada. [...] A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 3.034/3.045, onde são reiterados os argumentos já lançados em impugnação. Fl. 3072DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201321 Acórdão n.º 2202003.571 S2C2T2 Fl. 3.056 6 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar 1. Alegações de inconstitucionalidade As questões relacionadas aos princípios constitucionais não podem ser analisados pelo julgador da esfera administrativa. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. Entendo que deve ser aplicado ao caso a Súmula 02 deste Conselho, que dispõe o seguinte: SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Afasto, portanto, a presente preliminar, por não ser este Conselho competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Mérito 2. Rendimentos recebidos de pessoas físicas Afirma o recorrente que a fiscalização não esclareceu quais os elementos levaram à conclusão de que houve omissão de receitas, inexistindo prova objetiva da ocorrência da omissão. Transcrevese, inicialmente, os dispositivos sobre a matéria, contidos no Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/1999: Fl. 3073DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201321 Acórdão n.º 2202003.571 S2C2T2 Fl. 3.057 7 “Art. 38 A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º)”. “Art. 45. São tributáveis os rendimentos do trabalho não assalariado, tais como (Lei n. º 7.713/88, art. 3º, § 4º): (...) IV emolumentos e custas dos serventuários da Justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; ““. “Art. 76 (...). § 2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134/1990, art. 6º, § 2º).” “Art. 106. Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no País, tais como (Lei nº 7.713, de 1988, art. 8º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 24, § 2º, inciso IV): I os emolumentos e custas dos serventuários da Justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos;” Verificase que a fiscalização em um trabalho minucioso descreveu de forma detalhada todos os fatos que motivaram a presente autuação, demonstrou por meio de planilhas as bases de cálculo, identificou a origem dos valores e apresentou o imposto devido. Foi efetuado o levantamento dos valores dos rendimentos recebidos pelo titular do cartório a título de emolumentos, com base nos livros de títulos protestados, títulos pagos,títulos cancelados, títulos retirados, no Livro de Registro de Notificações de Títulos e Documentos e no Livro de Protocolo de Registro de Imóveis. Para a apuração total dos rendimentos recebidos pelo titular do cartório foram adicionados aos valores dos emolumentos dos Títulos(Protestados + Retirados +Cancelados +Pagos), os emolumentos dos Livros de Registro de Notificações(Títulos e Documentos) e do Livro de Registro de Geral de Imóveis, conforme demonstrativo constante do Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fl. 2964). Há, portanto, prova material robusta do recolhimento de valores sobre receitas não levadas à tributação. Se os valores declarados pelo contribuinte são menores que os valores dos emolumentos apurados pela fiscalização e não restou demonstrado com documentos hábeis que Fl. 3074DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201321 Acórdão n.º 2202003.571 S2C2T2 Fl. 3.058 8 o contribuinte não auferiu a receita correspondente aos valores dos emolumentos, forçoso concluir que o contribuinte deixou de declarar valores recebidos. 3. Despesas do Livro Caixa O contribuinte que percebe rendimentos do trabalho não assalariado, como é o caso do presente processo, pode deduzir da receita de sua atividade as despesas de custeio necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, tais como, aluguel, água, luz, telefone, material de expediente ou de consumo. Sobre o assunto, cabe transcrever o artigo 6º da Lei nº 8.134/1990: “Art.6º O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade : I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. § 1º. O disposto neste artigo não se aplica: I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de caixeirosviajantes, quando correrem por conta destes; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 9º e 10 da Lei nº 7.713, de 1988. § 2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência. § 3º As deduções de que trata este artigo não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes, até dezembro, mas o excedente de deduções, porventura existente no final do ano base, não será transposto para o ano seguinte.” Da leitura do referido texto legal devese ter presente, preliminarmente, os três requisitos cumulativos para a dedutibilidade das despesas: a) devem ser necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora; b) devem estar escrituradas em livro caixa; Fl. 3075DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201321 Acórdão n.º 2202003.571 S2C2T2 Fl. 3.059 9 c) devem ser comprovadas mediante documentação idônea. Para serem dedutíveis, as despesas devem estar escrituradas no livro caixa e devidamente discriminadas e identificadas em documentos hábeis e idôneos, para que possam ser comprovados os desembolsos e analisada a pertinência da despesa. Através de termos de intimações e diligências a fiscalização solicitou o Livro Caixa ao contribuinte, ao interventor, ao contador e aos peritos. Transcrevese trecho do Relatório de Encerramento de Ação Fiscal com as respostas obtidas. a) Fiscalizado. Termo de Início da Ação Fiscal 01122/2001 que "atualmente, por força de decisão proferida pelo Exmo. Sr. Dr. Corregedor às fls. 204 do Processo 1330261, o Cartório de Primeiro Ofício de Cariacica encontras. sob intervenção , estando o Sr. Carlos Alberto dos Santos Guimarães impossibilitado de lá adentrar, assim como obter a documentação relativa ao exercício de 2008. Por esta razão, requer sejam tais documentos, em papel , sejam solicitados ao interventor do Cartório." Termo de Intimação Fiscal 4122/ 2012, não foi apresentado resposta . b) Interventor. Termo Diligência FiscalReintimação 01166/2012 ao Cartório do 1° ofício de CariacicaES, em cartaresposta recebida em 25/05/2012 (fls.449) foi informado que não poderia ser atendido pelo signatário, tendo em vista que o Livro Caixa não se encontrava nos arquivos da Serventia e , que não foi elaborado inventário dos documentos da serventia quando iniciada a intervenção e a intervenção não significa transmissão de acervo, pois o interventor atua no sentido de apurar eventuais irregularidades, permanecendo a Serventia sob a titularidade e responsabilidade do delegatário afastado. Termo de Diligência Fiscal 02166/2012 ao Cartório do 1° ofício de CariacicaES, em resposta (fls.455/456) o atual tabelião e interventor no anocalendário 2008,2009 e 2010, informa que jamais esteve de posse dos Livros Caixa no ano calendário 2008 e 2009 .Tratase de um equivoco quando da confecção do "Relatório de Auditoria", pois os elementos ofertados e disponibilizados foram os relatórios extraídos do software utilizado na unidade extrajudicial. c) Contador. Termo de Diligência Fiscal 01292/2012 Jose' Adolfo Contador do fiscalizado, em cartaresposta(467) , informa que prestou serviços ao fiscalizado até julho de 2009, apresentando cópia do recibo de devolução da documentação ( fls. 2929) referente a 2008,e que em razão de mudança de seu banco de dados em Fl. 3076DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201321 Acórdão n.º 2202003.571 S2C2T2 Fl. 3.060 10 2012 não fez a recuperação dos clientes inativos anteriores a 2010. d) Peritos. Termo de Diligência Fiscal 01293/2012 a Raquel e Fábio Consultores e Peritos Ltda, em cartaresposta(fls.471 a 474) informa que com relação ao Livro Caixa na ocasião foram verificados pela auditoria(Raquel e Fábio) os documentos que compõe o caixa mensal(informe de emolumentos recebidos no mês e despesas pagas no mês), elaborado pelo contador responsável, apenas para fins de apuração do Imposto de Renda de Pessoa Física. Vêse assim que não houve apresentação do Livro Caixa e nem comprovação de nenhum valor a título de despesas de custeio, com exceção dos valores encontrados nos livros do cartório, onde foram consolidados mensalmente o total correspondente ao valores do FARPEN e FUNEPJ. No Relatório de Auditoria, os valores declarados a Controladoria Geral da Justiça foram identificados e pagos, estando devidamente comprovadas as taxas de FARPEN e FUNEPJ. O dever atribuído ao contribuinte pela legislação tributária de comprovar as despesas informadas na respectiva declaração de ajuste anual não pode ser afastado pela alegada impossibilidade de acesso ao livro caixa. Independentemente dos motivos que, na prática, impossibilitam ao contribuinte exibir os comprovantes das despesas, o dever legal subsiste. A Administração Tributária pode exigir a comprovação das despesas, cabendo nesse caso ao contribuinte reconstituir a escrita e, se for o caso, obter junto aos fornecedores e clientes uma segunda via dos respectivos documentos ou a comprovação das operações por outros meios. A responsabilidade pela reconstituição da escrita e obtenção dos respectivos documentos, em nenhuma hipótese, se desloca do contribuinte para o Fisco. Correta, portanto, a glosa dos valores de despesas não comprovadas, tendo em vista a não apresentação do livro caixa e da documentação comprobatória das despesas. 4. Multa qualificada A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício com multa qualificada (150%) por ter entendido que o contribuinte fiscalizado agido com a intenção de suprimir ou reduzir, deliberadamente, o tributo, caracterizando a conduta ilegal com evidente intuito de sonegação, fraude ou simulação, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Todavia, entendo que não merece prosperar a tese de que ocorreu sonegação, fraude ou simulação, de modo a justificar a qualificação da multa em 150%. Nesse caso, entendo que não restou suficientemente caracterizada a intenção dolosa de sonegação por parte do contribuinte. A base da argumentação da autoridade fiscal realmente é verdadeira, ou eja, os atos praticados ensejaram a diminuição irregular do recolhimento do tributo, no entanto, não Fl. 3077DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201321 Acórdão n.º 2202003.571 S2C2T2 Fl. 3.061 11 entendo que este fato, por si só, enseja os elementos caracterizadores do dolo, fraude ou simulação. A norma legal que determina a aplicação da multa de ofício qualificada é o artigo 44, I, §1°, da Lei 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei no 11.488, 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei no 11.488, de 2007) Por sua vez, assim dispõe os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 supra referidos: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Consoante demonstrado, nos casos de lançamento de ofício, a regra é a aplicação da multa de 75%, estabelecida no inciso I do artigo acima transcrito. Excepciona a regra a comprovação do intuito fraudulento, a qual acarreta a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º , do artigo 44, da Lei nº 9.430 de 1996, com a redação dada Lei nº 11.488, de 15/06/2007. A fraude fiscal pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à Fazenda Pública, um Fl. 3078DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201321 Acórdão n.º 2202003.571 S2C2T2 Fl. 3.062 12 propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de lesar o Fisco, quando, se utilizando de subterfúgios, escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fiscal. É nesse ponto que não concordo com o posicionamento adotado pela autoridade autuante, pois, embora concorde ser equivocada a leitura feita pelo contribuinte da legislação, não consigo identificar a intenção dolosa de ocultar, mesmo que considerássemos que a intenção final fosse a diminuição das contribuições a serem pagas. A qualificação da multa não pode atingir aqueles casos em que o sujeito passivo age de acordo com as suas convicções, deixando às claras o seu procedimento, posto que resta evidente a falta de intenção de iludir, em nada impedindo a Fiscalização de apurar os fatos e de firmar suas convicções. Dessa forma, entendo que deve ser desqualificada a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. 5. Juros de mora sobre a multa de ofício Discorda a recorrente da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, os quais pede, caso não seja cancelado o crédito tributário, sejam excluídos. Este Conselho já apreciou a presente matéria, no Acórdão nº 110200.060 (julgado na sessão de 28/08/2009), a Conselheira Sandra Maria Faroni, bem sintetiza o argumentação que permite a conclusão não incidência dos juros sobre a multa de ofício, vejamos: “A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória, obrigação de fazer (deveres instrumentais). De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendemse no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. O Decretolei n° 1.736/79 determinou a incidência dos juros de mora sobre o "valor originário" , definindo como "valor originário" o débito, excluídas apenas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão da multa de oficio. O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de oficio, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, Fl. 3079DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201321 Acórdão n.º 2202003.571 S2C2T2 Fl. 3.063 13 o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79, tratam dos juros de mora os seguintes dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91, art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96, art. 5°, § 3°, art. 43, parágrafo único e art. 61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem foi a MP 1.62131/98), arts. 29 e 30. O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997, não alcançando, pois, a multa por lançamento de oficio, uma vez que: (a) a multa não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo; (b) entendimento contrário implicaria concluir que sobre a multa de oficio incide a multa de mora. O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a submissão, a partir de 10 de janeiro de 1997, a juros de mora calculados segundo a Selic, dos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994 e que não tenham sido objeto de parcelamento, e dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União. Em síntese, em se tratando de débitos de tributos cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995 só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre multa no caso de multa lançada isoladamente; não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 1° do art. 161 do CTN.” A fim de demonstrar o entendimento majoritário do CARF no sentido acima exposto, colaciono a ementa de diversos julgados: JUROS DE MORA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. — É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. (Acórdão 20216.397, sessão de 14.07.2005). JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (Acórdão 101 96.008, sessão de 1/03/2007). INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201321 Acórdão n.º 2202003.571 S2C2T2 Fl. 3.064 14 de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio.(Acórdão 10196.607, sessão de 06/03/2008). Inclusive há decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pelo Acórdão 910100.722 (1a. Turma da CSRF), julgado na sessão de 8 de novembro de 2010, de relatoria da Conselheira Karem Jureidini Dias: RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa ofício aplicada. A fundamentação do referido acórdão da 1a. Turma da CSRF é de que a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n.° 9.430/96 referese à incidência de acréscimos moratórios sobre ‘débitos decorrentes de tributos e contribuições’, sendo certo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora a taxa Selic sobre a multa de oficio. Assim, a conclusão é de que a taxa SELIC só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97. Por tais razões, afasto a incidência dos juros aplicáveis sobre a multa de ofício. 6. Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para a) desqualificar a multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%; e b) afastar o juros de mora sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Redator designado. Em que pese o bem fundamento voto do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para divergir em relação à incidência de juros sobre a multa de ofício. É meu entendimento que este e.CARF já tem posição consolidada no sentido de que deve incidir juros de mora sobre a multa de ofício. Esse entendimento é extraído das súmulas do CARF: Súmula CARF nº 04: Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201321 Acórdão n.º 2202003.571 S2C2T2 Fl. 3.065 15 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 05: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Muitos dos acórdãos que embasaram tais súmulas tratam de “crédito tributário”, sem distinguir se se referem exclusivamente àqueles decorrentes de tributos ou a todos os crédito. Citamos: “JUROS DE MORA — TAXA SELIC — O crédito tributário não integralmente pago no vencimento, a partir de abril de 1995, deverá ser acrescido de juros de mora em percentual equivalente à taxa referencial SELIC, acumulada mensalmente.” (Acórdão nº. 10412.935) Interessante, sobretudo, é o acórdão nº 30130.738, em cujo voto se afirmou que: “São várias as jurisprudências no sentido de que somente o depósito do montante integral suspende a exigibilidade do crédito tributário, o que no caso em questão não ocorreu. Portanto, não estando o sujeito passivo acobertado pelo depósito integral do crédito tributário, tornase cabível a exigência formalizada na notificação de lançamento de fls. 01/05, no que concerne aos juros de mora.” Ora, somente o depósito do valor integral do crédito tributário é suficiente para suspenderlhe a exigibilidade e consequentemente a aplicação dos juros. Neste “crédito integral” a ser depositado, necessariamente está incluso o valor da multa. De outro lado, analisando o Código Tributário Nacional, saltam aos olhos o art. 139 que, combinado ao art. 113 do mesmo diploma, sustentam a nossa posição: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (grifei) (...) Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (grifei) Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também de eventuais penalidades pecuniárias. Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 15586.720571/201321 Acórdão n.º 2202003.571 S2C2T2 Fl. 3.066 16 Consequentemente, o entendimento sumulado, compreendendo o crédito tributário lançado indistintamente, abarca tanto os tributos quanto as multas aplicadas. Há outros julgados que corroboram o entendimento acima expresso. Notese, por exemplo, as ementas dos seguintes acórdãos da Câmara Superior: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 910101.192, de 17/10/2011) No mesmo sentido já se pronunciou também o STJ: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (Acórdão REsp 1.129.990/PR – Relator: Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, concluo que está correta a incidência de juros sobre a multa de ofício, não sendo possível dar provimento ao recurso do contribuinte nesse quesito. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Redator designado. Fl. 3083DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.725784/2013-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física - IRPF valores pagos a título de pensão alimentícia quando restar comprovado, além do efetivo pagamento, que os alimentos decorrem do cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual. Inciso II do art. 4º e a alínea f do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250/1995.
DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE.
Não são dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física valores pagos ao cônjuge a título de pensão alimentícia em decorrência de acordo homologado judicialmente quando não haja dissolução da sociedade conjugal e o responsável pelo pagamento da pensão mantenha residência em comum com o alimentando, pois tais valores são decorrentes do poder de família e do dever de sustento, assistência e socorro ao cônjuge e não do dever obrigacional de prestar alimentos. A pensão paga em desconformidade com as normas do Direito de Família constitui mera liberalidade.
O pagamento de pensão alimentícia, por liberalidade, não está sujeito à dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e por maioria dar-lhe provimento parcial para restabelecer a dedução relativa aos alimentos pagos a Denise Carree Schwerz, vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci que dava provimento integral.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF valores pagos a título de pensão alimentícia quando restar comprovado, além do efetivo pagamento, que os alimentos decorrem do cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual. Inciso II do art. 4º e a alínea “f” do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250/1995. DESPESA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física valores pagos ao cônjuge a título de pensão alimentícia em decorrência de acordo homologado judicialmente quando não haja dissolução da sociedade conjugal e o responsável pelo pagamento da pensão mantenha residência em comum com o alimentando, pois tais valores são decorrentes do poder de família e do dever de sustento, assistência e socorro ao cônjuge e não do dever obrigacional de prestar alimentos. A pensão paga em desconformidade com as normas do Direito de Família constitui mera liberalidade. O pagamento de pensão alimentícia, por liberalidade, não está sujeito à dedução da base de cálculo do imposto de renda. Inteligência do enunciado da Súmula CARF nº 98. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 57 84 /2 01 3- 89 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e por maioria darlhe provimento parcial para restabelecer a dedução relativa aos alimentos pagos a Denise Carree Schwerz, vencido o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci que dava provimento integral. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 11080.725784/201389 Acórdão n.º 2402005.495 S2C4T2 Fl. 165 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília – DRJ/BSB, que julgou procedente em parte Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), fls. 4/9, relativa ao ano calendário 2010 / exercício 2011, a qual resultou em imposto suplementar no valor de R$ 31.214,44 (trinta e um mil, duzentos e catorze reais e quarenta e quatro centavos). O crédito foi constituído em razão da glosa de valores deduzidos a título de pensão alimentícia judicial, R$ 100.507,06 (cem mil, quinhentos e sete reais e seis centavos) e de despesas médicas, R$ 13.000,00 (treze mil reais), por falta de comprovação ou por falta de previsão legal. O contribuinte contestou o lançamento por meio da impugnação de fls. 2/3, alegando, em síntese, que os valores deduzidos referemse a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, conforme normas do Direito de Família, em decorrência de acordo homologado judicialmente e a despesas médicas próprias. A DRJ/BSB julgou a impugnação parcialmente procedente (Acórdão de Impugnação de fls. 96/104), restabelecendo a dedução das despesas médicas em razão da apresentação de documentos considerados hábeis à sua comprovação. Relativamente às glosas de despesas deduzidas a título de pensão alimentícia, o Colegiado a quo decidiu no seguinte sentido: a) Maria Lúcia Marxsen Arieta: De plano, está assentado peremptoriamente que não houve o rompimento da sociedade conjugal em relação àquela alimentanda, tão somente a suposta saída temporária de casa por parte do alimentante, o que, por si só, espelha meramente uma situação transitória, a qual poderia, naturalmente, escalar para a definitividade da separação. Contudo, a ocorrência de tal fato não restou comprovada na documentação acostada aos autos. Em suma, no caso em concreto, temse como assentada a inoperância, na esfera tributária, da obrigação alimentar, haja vista a não comprovação da separação judicial. Deve ser tomada a obrigação, como o foi pelo Auditor Fiscal autuante, como mera liberalidade. Logo, fica mantida a infração de Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial na integralidade. (Grifos do original) b) Denise Carree Schwerz (representante do alimentando): No tocante à pensão paga à Denise Carree Schwerz, o impugnante não acostou documentação comprobatória, contudo, em outro Processo Administrativo, nº 11080.725718/201147 Fl. 166DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 4 (fls. 117125 naquele), juntou tais documentos, que ora são utilizados em seu benefício (fls. 11 e 95). Naqueles papéis, observase que a pensão alimentícia estipulada para Denise Carree Schwerz (representante do alimentando) foi de um salário mínimo mensal (fl. 117), ou seja, no exercício 2011, anocalendário 2010, este importava R$510,00. Logo, poderia deduzirse o impugnante de, no máximo, R$6.120,00, valor este que será restabelecido, em face do ateste do pagamento à folha 11. (Grifos do original) Por ocasião do recurso voluntário (fls. 110/160), o Recorrente anexa novamente os comprovantes relacionados às despesas médicas. Relativamente à pensão alimentícia estipulada para Denise Carree Schwers (representante do alimentando), em que a DRJ/BSB restabeleceu, com base em documentos aproveitados de outro processo, a dedução de R$ 6.120,00 (seis mil e cento e vinte reais), correspondente a um salário mínimo mensal, o Recorrente anexa o Oficio n° 1544/98 (fl. 114), da Comarca de Cruz Alta, ordenando a seu empregador um desconto de 10% (dez por cento) dos rendimentos líquidos do contribuinte em favor do alimentando e ainda o Ofício 817/2012 (fl. 112), da mesma Comarca, do qual consta a informação de que a pensão seria equivalente a 5 (cinco) salário mínimos. No que se refere à pensão alimentícia paga a Maria Lúcia Marxsen Arieta, reitera decorrer de acordo judicial homologado e reapresenta os documentos que comprovam a homologação. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 11080.725784/201389 Acórdão n.º 2402005.495 S2C4T2 Fl. 166 5 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Embora o contribuinte tenha apresentado recibos relativos a despesas médicas, a dedução dessas despesas foi restabelecida pela DRJ/BSB, remanescendo a discussão somente com relação as glosas relacionadas a pensão alimentícia. No que se refere à possibilidade de dedução de valores pagos a título de pensão alimentícia da base de cálculo do IRPF, o inciso II do art. 4º e a alínea “f” do inciso II do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, dispõem: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: [...] II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; [...] Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Grifei) O Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR, regulamenta a hipótese de dedução dos valores pagos a título de pensão alimentícia, nos seguintes termos: Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Fl. 168DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 6 Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. § 2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. § 3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. § 4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). § 5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). (Grifei) As normas que disciplinam as hipóteses de dedução de despesas com pensão alimentícia na Declaração de Ajuste Anual – DAA determinam que essa dedução deve obedecer cumulativamente aos seguintes requisitos: i) a comprovação do efetivo pagamento aos alimentandos; ii) que esses pagamentos decorram do cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública de separação ou divórcio consensual; e que iii) e que o decisão ou o acordo homologado judicialmente se deem em face das normas do Direito de Família. Com relação à pensão paga a Denise Carree Schwerz, embora os documentos relativos à decisão judicial dêem conta de que os alimentos teriam sido estipulados em valor correspondente a um salário mínimo e o Ofício de fl. 153 informe pensão de 5 (cinco) salários mínimos, o fato é que o Oficio n° 1544/98 de 1998 (fl. 114), endereçado à Empresa de Correios e Telégrafos (empregador do sujeito passivo), determina um desconto de 10% (dez por cento) da remuneração do Recorrente, valor que pode ser confirmado a partir do exame de seu Comprovante de Rendimentos (fl. 75). Assim, entendo que se deva restabelecer, além dos R$ 6.120,00 (seis mil e cento e vinte reais) já considerados pela Fiscalização, a dedução de mais R$ 10.515,48 (dez mil, quinhentos e quinze reais e quarenta e oito centavos) em relação à alimentanda. No que diz respeito à pensão alimentícia paga a Maria Lúcia Marxsen Arieta, a controvérsia reside na possibilidade de se deduzir os valores correspondentes da base de cálculo do IRPF quando a pensão é fruto de acordo homologado judicialmente, decorrente de ação de oferta de alimentos em que o alimentante se propõe a efetuar pagamento de alimentos ao cônjuge. Ações dessa natureza têm como base o art. 24, da Lei 5.478, de 25 de julho de 1968, que dispõe: Fl. 169DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 11080.725784/201389 Acórdão n.º 2402005.495 S2C4T2 Fl. 167 7 Art. 24. A parte responsável pelo sustento da família, e que deixar a residência comum por motivo, que não necessitará declarar, poderá tomar a iniciativa de comunicar ao juízo os rendimentos de que dispõe e de pedir a citação do credor, para comparecer à audiência de conciliação e julgamento destinada à fixação dos alimento a que está obrigado. No presente caso, o contribuinte, mesmo casado, optou por ingressar com ação de oferta de alimentos, cujo fundamento é o art. 24, da Lei 5.478/68, para que fosse homologada judicialmente a pensão que se propunha a pagar. Vejase que para esse tipo de ação, ainda que a lei não que não exija que a parte responsável pelo sustento da familiar declare o motivo que a fez deixar a residência da família, exige que a deixe pela seguinte razão: remanescendo a coabitação, não há razão para pagamentos de alimentos. No presente caso, por ocasião da celebração do acordo judicial, o Recorrente afirma ter saído de casa “face a constantes desacertos”, e que “não deseja separarse, pois ainda, ama sua esposa, está esperando que o tempo supere esta crise conjugal”. Das asserções extraídas da petição apresentada em juízo que resultou no acordo sobre alimentos (fls. 129/131), notase que inexiste intenção para a dissolução da sociedade conjugal. Aliás, o acordo judicial de alimentos foi homologado no ano 2000, os fatos objeto da presente lide referemse a 2010 e até a presente data não se tem notícia de que a sociedade conjugal tenha se dissolvido, tampouco de que o Recorrente e a destinatária dos alimentos tenham deixado de coabitar. Advirtase que a obrigação de prestar alimentos, inclusive entre cônjuges, está fundada no binômio necessidade do alimentando e possibilidade do alimentante, nesse sentido, os arts. 1.694, 1.695 e 1699 do Código Civil dispõem: Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. § 2º Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê los, sem desfalque do necessário ao seu sustento. [...] Art. 1.699. Se, fixados os alimentos, sobrevier mudança na situação financeira de quem os supre, ou na de quem os recebe, poderá o interessado reclamar ao juiz, conforme as circunstâncias, exoneração, redução ou majoração do encargo. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO 8 Apercebase que a oferta de alimentos pressupõe não somente o suprimento das necessidades dos alimentandos de modo compatível com sua condição social, mas também apresenta como requisito o rompimento da unidade familiar. Essa é a lógica adotada tanto pelo art. 24, da Lei 5.478/1968, quanto pelos arts. 1.702 e 1.703 do Código Civil: Art. 1.702. Na separação judicial litigiosa, sendo um dos cônjuges inocente e desprovido de recursos, prestarlheá o outro a pensão alimentícia que o juiz fixar, obedecidos os critérios estabelecidos no art. 1.694. [...] Art. 1.704. Se um dos cônjuges separados judicialmente vier a necessitar de alimentos, será o outro obrigado a prestálos mediante pensão a ser fixada pelo juiz, caso não tenha sido declarado culpado na ação de separação judicial. Parágrafo único. Se o cônjuge declarado culpado vier a necessitar de alimentos, e não tiver parentes em condições de prestálos, nem aptidão para o trabalho, o outro cônjuge será obrigado a assegurálos, fixando o juiz o valor indispensável à sobrevivência. Da doutrina de Maria Helena Diniz (Curso de Direito Civil Brasileiro, 5° Volume, Direito de Família, Editora Saraiva, 2002, p. 460) extraise: Não se deve confundir a obrigação de prestar alimentos com os deveres familiares de sustento, assistência e socorro que tem o marido em relação à mulher e viceversa e os pais para com os filhos menores, devido ao poder familiar, pois seus pressupostos são diferentes. Ressaltese que o dever de sustento do cônjuge necessitado somente se converte em obrigação de prestar alimentos com o rompimento da unidade familiar, independentemente dissolução da sociedade conjugal. Por certo, o intento da Lei nº 9.250/95 (expresso na alínea “f” do inciso II do art. 8º), ao estabelecer a hipótese de exclusão dos valores pagos a título de pensão alimentícia da base de cálculo IRPF, foi o de albergar as situações advindas do Direito de Família. Assim, para fazer jus à isenção tributária, não basta comprovar o efetivo pagamento de pensão ao alimentado e que esse pagamento decorra do cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, é necessário comprovar que a prestação de alimentos se destina a suprir as necessidades do alimentando para que esse possa para viver de modo compatível com a sua condição social, após a dissolução da unidade familiar. Mantida a unidade familiar e não caracterizada, conforme estabelecido pelo art. 24 da Lei 5.478/68, a saída da residência do responsável pelo sustento da família, as despesas a que o contribuinte faz jus para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda são aquelas inerentes aos deveres familiares, quais sejam: dedução com os dependentes (cônjuge, filhos, etc), despesas médicas e despesas com instrução por serem estas mais específicas. O fato de existir acordo judicial homologado não altera a natureza de suas despesas, em razão de não ter havido saída efetiva nem tampouco o animus de o contribuinte deixar definitivamente a residência em comum com sua família. São estas características do fato concreto em exame que demonstram que os pagamentos efetuados não possuem a natureza Fl. 171DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO Processo nº 11080.725784/201389 Acórdão n.º 2402005.495 S2C4T2 Fl. 168 9 própria das despesas com pensão alimentícia e não podem se beneficiar de deduções irrestritas da base de cálculo do IRPF. Situações como essas, em que a instituição da pensão não resulta da aplicação das normas relacionadas ao Direito de família, pressupõem que os pagamentos a esse título foram feitos por mera liberalidade ou que impossibilita sua de dedução na Declaração de Ajuste Anual. A esse respeito, vejamos o que dispõe a Súmula CARF nº 98, de observância obrigatória por este colegiado: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Por essas razões, não pode ser admitida a dedução de pensão alimentícia paga Maria Lúcia Marxsen Arieta, uma vez que não houve dissolução da sociedade conjugal e que não há qualquer indício de prova que demonstre que o Recorrente e seu cônjuge tenha deixado manter residência em comum. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução de mais R$ 10.515,48 (dez mil, quinhentos e quinze reais e quarenta e oito centavos) com relação aos alimentos pagos a Denise Carree Schwerz. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 05 /10/2016 por MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA D E ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10711.722676/2011-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/06/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO.
É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitar-se à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do Decreto-Lei nº 37/66.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-003.468
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/06/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INOBSERVÂNCIA AO PRAZO ESTABELECIDO PREVISTO EM NORMA. AUSÊNCIA DE PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. É obrigação do contribuinte prestar informações sobre a desconsolidação de carga dentro dos prazos previstos no artigo 22 c/c o artigo 50 da IN SRF nº 800/2007, sob pena de sujeitarse à aplicação da multa prevista no artigo 107, inciso I, IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo, no que for relevante, o relatório da decisão de piso proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 72 26 76 /2 01 1- 56 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722676/201156 Acórdão n.º 3302003.468 S3C3T2 Fl. 3 2 O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização, foi contestado pela empresa autuada. Da Autuação Antes de adentrar na descrição dos fatos que ensejaram a autuação, a autoridade lançadora fez longa explanação acerca do comércio marítimo internacional, na qual esclarece quem são os intervenientes nessa atividade, a documentação utilizada, as informações a serem prestadas e seus respectivos prazos e a sistemática de utilização delas. Foram apresentados tópicos específicos sobre a obrigatoriedade de prestar informação pelo transportador e sobre a importância, para o controle aduaneiro, de os dados exigidos serem prestados correta e tempestivamente. A fiscalização expôs detalhadamente quais as informações que devem ser prestadas e os respectivos prazos estabelecidos na legislação regente. Em seguida apresentou dispositivo legal que trata da denúncia espontânea esclarecendo que, depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior, esse instituto não é mais aplicável para infrações imputadas ao transportador, por força de expressa disposição do Regulamento Aduaneiro (art. 683, § 3°). Foi também comentado sobre os danos causados ao controle aduaneiro pelo descumprimento das normas referentes à prestação de informações pelos intervenientes no transporte internacional de cargas. Na sequência, a fiscalização discorreu sobre o tipo de infração verificada, inclusive no tocante a sua penalização. Depois, passou a demonstrar a irregularidade apurada que, de acordo com o relatado no tópico Dos Fatos, consistiu na prestação de informação intempestiva referente ao conhecimento eletrônico (CE) ali identificado. De acordo com a autoridade fiscal, a autuada deixou de atender ao prazo estabelecido no parágrafo único, inciso II, do art. 50 da Instrução Normativa RFB n° 800, de 27/12/2007. Assim, a fiscalização considerou caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, "e", do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita, que entende ser cabível para cada CE incluído ou retificado após o prazo para prestar informações. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e, apresentou impugnação na qual aduz os seguintes argumentos. Inobservância do art. 50 da IN RFB 800/2007. Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional. Duplicidade de multa para o mesmo navio/viagem. O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722676/201156 Acórdão n.º 3302003.468 S3C3T2 Fl. 4 3 embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/2008. Ao final a impugnante requer que seja cancelado o lançamento. A Turma Julgadora "a quo", por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Recorrente, mantendo integralmente o crédito constituído. Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reproduzindo os mesmos argumentos apresentados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.395, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10711.006561/201030, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.395): 1. Tempestividade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2. Preliminar 2.1 Duplicidade: Cobrança de múltiplas multas decorrente do mesmo fato gerador Em síntese apartada, alega a Recorrente que" O Auto de Infração tem objeto idêntico ao dos processos indicados em seu recurso voluntário, em que também é exigida multa pelo atraso na entrega de informação referente a carga transportada na mesma embarcação a que se refere este processo, não podendo subsistir mais de uma penalidade para o mesmo fato, conforme estabelece a legislação de regência. Assim, se infração houve, nesses casos só poderia ser aplicada multa uma única vez, consoante já decidiu a própria Receita Federal na Solução de Consulta Interna (SCI) n° 8, de 14/2/20081." 1 Trecho destacada no voto: Ora, o transportador que deixou de informar os dados de embarque de uma declaração de exportação e o que deixou de informar os dados de embarque sobre todas as declarações de exportação cometeram a mesma infração, ou seja, deixaram de cumpri a obrigação acessória de informar os dados de embarque. Nestes termos, a multa deve ser aplicada uma única vez por veículo transportador, pela omissão de não prestar as informações exigidas na forma e no prazo estipulados. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722676/201156 Acórdão n.º 3302003.468 S3C3T2 Fl. 5 4 Em relação ao primeiro ponto suscitado pela Recorrente, na parte em que ela afirma ser impossível existir mais de uma penalidade para o mesmo fato, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu da seguinte forma: "No caso sob análise não houve uma infração. Examinandose as ocorrências citadas pela fiscalização, verificase que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos. Sendo assim, não se pode afirmar sequer que as infrações são idênticas, uma vez que são diferente seus objetos materiais." Já em relação ao segundo ponto (aplicação da solução de consulta interna Cosit nº 8/2008), a fiscalização justificou seu afastamento com base nos seguintes argumentos. "Todavia, esse entendimento não é aplicável ao caso sob exame. As informações cujos atrasos na prestação deram ensejo ao lançamento são referentes a importação de mercadorias, enquanto a citada decisão soluciona consulta relativa à exportação. Cada um desses tipos de operações envolve peculiaridades próprias, especialmente no tocante ao controle administrativo, as quais se refletem na legislação regente e não podem ser desprezadas. O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos correspondentes conhecimentos eletrônicos (CE). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. Pois bem. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, fato é que não houve comprovação da existência de duplicidade de cobrança por parte da fiscalização, tampouco argumentos capazes de infirmar o lançamento fiscal ou contradizer os argumentos utilizados pela turma de origem que afirmou " que as multas aplicadas foram decorrentes de condutas similares, porém, relativas a fatos distintos". Sequer um demonstrativo analítico, com os registros relativos as operações tratadas em cada processo apontado no recurso foram produzidas pela Recorrente, em total desrespeito ao artigo 16, inciso III e §4º, do inciso V , do Decreto nº 70.235/72, bem como do artigo 373, inciso II, do Código de Processo Civil. Nestes termos, considerando que a Recorrente deixou inexplicavelmente de comprovar suas alegações, não há como acolher o pedido de nulidade do lançamento suscitado pela contribuinte, restando, assim, prejudicado a análise dos demais argumentos por ela suscitado. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722676/201156 Acórdão n.º 3302003.468 S3C3T2 Fl. 6 5 3. Mérito 3.1. Ilegalidade do Auto de Infração O presente processo administrativo diz respeito a exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, pelo fato da Recorrente ter prestado informações sobre a desconsolidação da carga fora do preceitos e prazos previstos nos artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007. Em sede Recursal a Recorrente alegou que "Conforme disposto no caput do art. 50 da IN RFB n° 800/2007, os prazos de antecedência para prestação de informações a Receita Federal entraram em vigor apenas em 1° de abril de 2009, estando a impugnante dispensada de tal obrigação por ocasião do fato que deu ensejo ao Auto de Infração. Tratandose de dispensa do cumprimento de obrigação acessória, a lei tributaria deve ser interpretada literalmente, consoante dispõe o art. 111 do Código Tributário Nacional". Como se vê, a multa sob análise foi aplicada com fundamento no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei º 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, que assim disciplina: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; Do que se extrai do artigo 77 alhures, é que sua finalidade visa penalizar os contribuintes que descumprirem as obrigações acessórias, na forma e nos prazos instituídos pelo legislador e/ou pela Receita Federal, com aplicação de multa. Além disso, a obrigação do agente de carga de prestar as informações à Receita Federal do Brasil está prevista no artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003, a saber: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 99DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722676/201156 Acórdão n.º 3302003.468 S3C3T2 Fl. 7 6 § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Já no que tange ao prazo e forma para prestar informações à fiscalização, os artigo 22 e 50, da Instrução Normativa SRF nº 800/2007, assim dispõem: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala: a) dezoito horas antes da saída da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, exceto quando se tratar de granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) b) cinco horas antes da saída da embarcação, para manifestos de cargas estrangeiras com carregamento em porto nacional, quando toda a carga for granel; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) c) cinco (Revogado(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. § 1o Os prazos estabelecidos neste artigo poderão ser reduzidos para rotas e prazos de exceção. § 2º As rotas de exceção e os correspondentes prazos para a prestação das informações sobre o veículo e suas cargas serão registrados no Siscomex Carga pela Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana), a pedido da unidade da RFB com jurisdição sobre o porto de atracação, de forma a garantir a proporcionalidade do prazo em relação à proximidade do porto de procedência. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722676/201156 Acórdão n.º 3302003.468 S3C3T2 Fl. 8 7 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 3o Os prazos e rotas de exceção em cada porto nacional poderão ser consultados pelo transportador. § 4º O prazo previsto no inciso I do caput reduzse a cinco horas, no caso de embarcação que não esteja transportando mercadoria sujeita a manifesto ou arribada. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 5º Os CE de serviço informados até a atracação ou registro do passe de saída serão dispensados dos prazos de antecedência previstos nesta Instrução Normativa. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) § 6º Para os manifestos de cargas nacionais, as informações a que se refere o inciso II do caput devem ser prestadas antes da solicitação do passe de saída. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1621, de 24 de fevereiro de 2016) *** Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. Com todo respeito aos argumentos tecidos pela Recorrente, entendo que razão não lhe assiste. Com efeito, os prazos mínimos de prestação de informações à Receita Federal do Brasil (vide artigo 22, da IN 800/2007 e IN 899/2008), passaram a ser obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009, exceção feita as hipóteses dos incisos do artigo 50, a saber: (i) sobre a escala; e (ii) sobre as cargas transportadas, que permaneceram válidas e vigentes, produzindo seus efeitos legais e jurídicos. Ou seja, embora o prazo previsto no artigo 22 não se aplique a fatos ocorridos em data anterior a 1º de abril de 2009, a Recorrente deveria ter observado as demais obrigações previstas no parágrafo único do artigo 50, sob pena de ensejar a aplicação da multa em comento. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722676/201156 Acórdão n.º 3302003.468 S3C3T2 Fl. 9 8 Assim, considerando que a obrigação do agente de cargas de apresentar as informações antes da atracação da embarcação era obrigatória, entendo legítima a penalidade imposto à Recorrente. No mais, destacase que o artigo 37, §1º, do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo artigo 77, da Lei nº 10.833/2003 define, igualmente ao previsto no artigo 2º, da IN 800/20072, o agente de carga como sendo " qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos". Ou seja, referido dispositivo equipara o agente de carga ao transportar para efeitos de aplicação da multa em comento. Este destaque se faz necessário na medida em que a Recorrente suscitou a aplicação do artigo 110, do Código Tributário Nacional, arguindo que a fiscalização ao equiparar o agente de cargas ao transportador, para efeito da obrigação tributária acessória em apreço que no seu texto normativo prevê a obrigação somente ao transportar distorce conceitos de direito privado, o que é expressamente vedado pelo referido artigo. Cita a definição de "transportar" e "agente de cargas" do Dicionário Aurélio como fonte de direito privado. O artigo 110 do CTN prevê: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios, para definir ou limitar competências tributária. Ao contrário do que explicitou a Recorrente, suas razões não merecem respaldo. A uma porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" extraída do Dicionário Aurélio não é fonte de direito privado e, a duas porque a definição de "transportar" e "agente de cargas" não estão previstas na Constituição Federal, nas Constituições dos Estados, ou nas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou do Municípios. Portanto, considerando que o Decreto 37/66 e a IN 800/2007 não alteraram definição prevista nos diplomas legais citados no artigo 110, do CTN, fica afastada a alegação da Recorrente neste ponto. Por fim, não vejo que o artigo 150, inciso III, da Constituição Federal tenha aplicabilidade ao presente caso, posto que referido dispositivo impede a cobrança de tributo antes da vigência da lei que os instituiu, ao que passo que no presente a discussão corresponde a aplicação de multa administrativa por descumprimento de obrigação acessória, institutos estes totalmente distintos e que não se confundem. O artigo 3º, do Código Tributário Nacional é claro ao definir tributo como sendo "toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituído em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada." 2 Art. 2o Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: § 1o Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: IV o transportador classificase em: e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.722676/201156 Acórdão n.º 3302003.468 S3C3T2 Fl. 10 9 Como se vê, o legislador ao estabelecer que tributo não constitui sanção de ato ilícito, faz a diferenciação fundamental entre tributo e multa, deixando cristalino que um não se confunde com o outro. Isso porque, tributo somente pode ter, por fato gerador, situação lícita, fato lícito, ao contrário da sanção, que por excelência tem o fato gerador proveniente de ato ilícito. Por todo exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, rejeitase a preliminar de nulidade e, no mérito, negase provimento ao recurso voluntário. Ricardo Paulo Rosa Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2016 por AREOVALDO MARIANO TAVARES, Assinado digitalmente em 21/10 /2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10930.903589/2012-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 26/09/2005
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 35 89 /2 01 2- 02 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10930.903589/201202 Acórdão n.º 3402003.560 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.931, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903589/201202 Acórdão n.º 3402003.560 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903589/201202 Acórdão n.º 3402003.560 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903589/201202 Acórdão n.º 3402003.560 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903589/201202 Acórdão n.º 3402003.560 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11618.001953/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2802-000.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 14/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, Dayse Fernandes Leite.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 14/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci De Assis Junior e Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, Dayse Fernandes Leite. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 18 .0 01 95 3/ 20 11 -1 4 Fl. 82DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 83 ___________ Tratase de Auto de Infração (fl. 15 e ss.) proveniente de revisão de Declaração de Ajuste Anual relativo ao exercício do ano de 2010, anocalendário de 2009, que apurou omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica em razão de ação judicial relativa a sua aposentadoria. O Contribuinte apresentou, tempestivamente, Impugnação (fl. 01 e ss), sob os fundamentos de que ingressou na Justiça Federal com uma ação ordinária (Processo no.94.101538) contra o Instituto Nacional do Seguro Social INSS,visando á concessão de aposentadoria especial aos 25 anos de atividade em condições ininterruptas de insalubridade; a ação foi julgada procedente, pela concessão do beneficio de aposentadoria especial, acrescidas de juros de mora de 1% ao mês e correção monetária; conforme a sentença e cálculos da Justiça Federal, o valor do principal era devido de janeiro de 1993 a setembro de 1995, abaixo dos valores exigidos pela Legislação do Imposto de Renda para incidência do imposto; quanto aos juros moratórios, eles têm natureza indenizatória e.como tal,não sofrem incidência de tributação. Cita jurisprudência e prossegue alegando que os supostos erros apontados pelo Fisco não foram devidamente demonstrados provocando cerceamento de defesa. O contribuinte anexou aos autos, o demonstrativo de cálculo do processo o nº 94.101538 contra o Instituto Nacional do Seguro Social e cópia da sentença da ação ordinária. Ato contínuo, os autos foram remetidos para julgamento à 1ª Turma da DRJ/REC, em sessão realizada no dia 22/05/2012, que, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, sob o fundamento de que o processo transcorreu rigorosamente de acordo com a legislação de regência, não havendo que se falar em cerceamento de defesa, se o contribuinte exerce inclusive regularmente seu direito a impugnar o lançamento; os valores em questão foram recebidos anteriormente à disciplina da Lei 12.350/10, incidindo o imposto no mês do recebimento do crédito, segundo a legislação vigente na data do fato gerador; os valores recebidos não tem natureza indenizatória, mas são rendimentos recebidos a destempo, incidindo assim na respectiva tributação. Intimado da supramencionada decisão, conforme fl.75 (numeração CARF, de vez que ausente a numeração original), o Contribuinte apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 76 e ss.), repisando os argumentos esgrimidos na impugnação. É o relatório. Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Considerando que o Recurso Extraordinário 614406RS, que versa acerca da matéria, teve sua repercussão geral reconhecida em 20.10.2010 e ainda encontrase pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 e à Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11618.001953/201114 Resolução nº 2802000.131 S2TE02 Fl. 84 3 É que, nos termos do artigo 543B do CPC, a admissão da repercussão geral de um ou mais recursos extraordinários implica em que sejam os mesmos identificados como representativos de controvérsia, sobrestandose os demais, verbis: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. Nesses termos, sou pelo sobrestamento do presente recurso, até o julgamento definitivo da ação judicial mencionada. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13161.001006/2005-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIETÁRIO RURAL. IMISSÃO PRÉVIA DO PODER PÚBLICO NA POSSE. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não comprovada a imissão prévia do Poder Público na posse do imóvel rural, o respectivo proprietário possui legitimidade passiva em face do ITR.
Numero da decisão: 9202-004.606
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2001 LEGITIMIDADE PASSIVA. PROPRIETÁRIO RURAL. IMISSÃO PRÉVIA DO PODER PÚBLICO NA POSSE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada a imissão prévia do Poder Público na posse do imóvel rural, o respectivo proprietário possui legitimidade passiva em face do ITR.
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PROPRIETÁRIO RURAL. IMISSÃO PRÉVIA DO PODER PÚBLICO NA POSSE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não comprovada a imissão prévia do Poder Público na posse do imóvel rural, o respectivo proprietário possui legitimidade passiva em face do ITR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 10 06 /2 00 5- 16 Fl. 546DF CARF MF 2 Relatório Em sessão plenária de 16/03/2011, foi negado provimento ao Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 280101.453 (fls. 543 a 545), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 PROPRIETÁRIO CONTRIBUINTE DO IMPOSTO. A propriedade do imóvel rural é fato gerador de 1TR, sujeitando o proprietário à apresentação de DITR e ao recolhimento do imposto, mesmo no caso de exploração do imóvel por terceiros. PASTAGENS. ÍNDICE DE RENDIMENTO. A aplicação do índice de rendimento da pecuária decorre de disposição legal contida no art. 10, parágrafo 1°, inciso V, alínea b, da Lei n° 9.393/96, não havendo previsão legal para que o índice possa ser afastado pela autoridade julgadora. Recurso Voluntário Negado." Cientificada do acórdão em 12/03/2012 (AR Aviso de Recebimento de fls. 366), a Contribuinte interpôs, em 27/03/2012, o Recurso Especial de fls. 368 a 375, visando rever a questão da sujeição passiva. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 28/04/2014 (fls. 532/533). No Recurso Especial, a Contribuinte alega, em síntese: apesar de o imóvel em tela encontrarse registrado em nome da Recorrente, ela na realidade é imune, de acordo com a legislação vigente; com efeito, equivocado o voto vencedor, ao reconhecer apenas o proprietário como sujeito passivo da obrigação tributária principal e acessória, sob o fundamento que a norma não autoriza o entendimento de que a posse deve se sobrepor à propriedade; para fins de definição do sujeito passivo, ao contrário do alegado, segundo o Código Tributário Nacional (art. 29), o Imposto Territorial Rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse, sendo que contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou seu possuidor a qualquer titulo (art. 31 do CTN); os documentos apresentados pela Recorrente demonstram que a área objeto do lançamento foi transferida aos beneficiários do assentamento da Fazenda Mineira, reassentamento este realizado pela Recorrente a fim de abrandar os efeitos dos impactos sócio ambientais da UHE Eng. Sergio Motta; assim, após a ocupação dos lotes pelos beneficiários o imóvel, não mais pertence à Recorrente, não tendo esta poderes inerentes ao domínio, ficando os possuidores com o direito de uso e gozo e dispor; Fl. 547DF CARF MF Processo nº 13161.001006/200516 Acórdão n.º 9202004.606 CSRFT2 Fl. 547 3 os poderes da propriedade não se encontram mais reunidos com a Recorrente, mas sim com os beneficiários na condição de possuidores do imóvel, pois são eles contribuintes da obrigação principal e da acessória, conforme art. 4º da Lei nº 9.393, de 1996: "Seção III Do Contribuinte e do Responsável Contribuinte Art. 4º Contribuinte do ITR é o Proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título.(...)"(destacamos) segundo a IN SRF nº 256, de 2002: Sujeito Passivo da Obrigação Tributária Contribuinte Art. 4º Contribuinte do .ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. (...) § 2º É possuidor a qualquer título aquele que tem a posse do imóvel rural, seja por direito real de fruição sobre coisa alheia, no caso do usufrutuário, seja por ocupação, autorizada ou não pelo Poder Público. (...)".(destacamos) apesar de os lotes não estarem em nome dos assentados, são eles os verdadeiros possuidores, que exploram economicamente a área e a Recorrente somente adquiriu a propriedade para o fim de assentamento das famílias atingidas pelo impacto da construção da UHE Eng. Sergio Motta; diante do exposto, fica evidente que a Recorrente é ilegítima passiva, devendo ser cancelado o Auto de Infração. Ao final, a Contribuinte pede o recebimento e provimento do recurso, reformandose o acórdão recorrido. O processo foi enviado à PGFN em 12/08/2014 (Despacho de Encaminhamento de fls. 534) e, em 22/08/2014, foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 535 a 540 (Despacho de Encaminhamento de fls. 541), contendo os seguintes argumentos, em resumo: a questão nuclear que versa os presentes autos, consiste na condição de contribuinte do proprietário de imóvel rural como contribuinte do Imposto sobre a Propriedade Rural, diante da exploração do imóvel por terceiros; transcrevo a seguir as hipóteses de incidência constantes os dispositivos legais do CTN que se subsumem ao fato concreto, para melhor elucidação do tema: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a Fl. 548DF CARF MF 4 propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” “Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, titular de seu domínio útil, ou seu possuidor a qualquer título.” “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” “Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.” “Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável.” “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” Lei n° 9.393, de 1996: “Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse.” “Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título.” no caso em comento, verificase a ocorrência dos aspectos de incidência tributária, referentes à relação jurídicotributária do ITR, quais sejam, aspectos material (o que fato gerador), espacial (onde território em que ocorrendo o fato terá repercussão tributária), temporal (quando momento em que se deve considerar ocorrido o fato gerador), pessoal Fl. 549DF CARF MF Processo nº 13161.001006/200516 Acórdão n.º 9202004.606 CSRFT2 Fl. 548 5 (quem sujeito ativo e passivo da relação tributária) e quantitativo (quanto critérios para cálculo da prestação devida: base de cálculo e alíquota). o ITR possui fato gerador continuado, que não se consubstancia num ato ou negócio jurídico, mas numa situação jurídica: a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel situado fora da zona urbana do Município; assim, verificase o fato gerador do imposto sobre a propriedade territorial rural, diante da concretização da situação jurídica, referente à aquisição de propriedade, posse ou domínio útil, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável, segundo preceitua o art. 116 do CTN; quanto ao aspecto temporal, temos que o fato gerador do ITR é do tipo continuado, ou seja, situação que se perdura no tempo; o aspecto temporal da hipótese de incidência do ITR consta, ainda, no art. 1° da Lei 9.393/96, que estabelece como fato gerador a “propriedade, o domínio útil ou a posse (...) em 1º de janeiro de cada ano”, sendo o imposto, por força desta disposição, exigido anualmente (periodicidade); quanto ao aspecto territorial consiste no território nacional, eis que se trata de tributo de competência da União, logo, verificada a propriedade de imóvel situado em zona rural no território nacional, em 1° de janeiro de cada ano, surge a obrigação de pagar o ITR; no que concerne ao aspecto quantitativo, o art. 30 do CTN estabelece seu arquétipo, dispondo acerca da perspectiva dimensível do fato gerador; nos termos do art. 11 da Lei 9.393/96, a base de cálculo do ITR consiste no valor da terra nua tributável (VTNt); as alíquotas, por sua vez, constam na tabela de alíquotas anexa à Lei 9.393/96, variando conforme o tamanho o imóvel, em hectares, e o grau de utilização; o aspecto pessoal consiste no sujeito ativo e passivo da relação obrigacional sujeito ativo é a União, segundo, inclusive, o art. 15 da Lei 9.393/96; quanto aos sujeitos passivos, questão nuclear dos presentes autos, dispõem os arts. 4° e 5° da Lei 9.393/96, em que o contribuinte do ITR é o proprietário do imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor qualquer título; pois bem, alega a interessada não ser sujeito passivo da relação tributária por não possuir a posse do imóvel; ocorre que, ainda que detentor de apenas um dos aspectos da propriedade, caberá ao contribuinte o recolhimento do Imposto Territorial Rural, nos termos do artigo 29 e do artigo 31 do Código Tributário Nacional, que determina que o “contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título”; a propriedade, o domínio útil e a posse são conceitos que o Direito Tributário vai buscar no Direito Civil, segundo art. 110 do CTN, para o fim de definir precisamente os fatos geradores do ITR; Fl. 550DF CARF MF 6 de acordo com a legislação civil, o proprietário do bem é aquele que pode dele fazer uso, pode perceberlhe os frutos, e pode dele desfazerse como bem desejar, salvo cláusula específica de inalienabilidade, de origem legal ou contratual; nestes termos, o conceito de propriedade não está expresso na legislação, defluindo de preceito do Código Civil, que consagra o direito de propriedade, ao dispor que “o proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavêla de quem quer que injustamente a possua ou detenha”; portanto, ainda que o contribuinte, proprietário do imóvel rural, não esteja na posse das terras, pelo fato de o registro do imóvel ter como titular da propriedade seu nome, nos termos do Registro do Imóvel, legítima e legal é a exação tributária do ITR. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao Recurso Especial. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Trata o presente recurso, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2001, relativo ao imóvel rural denominado Reassentamento Rural da Fazenda Mineira (NIRF 3.096.751 1), localizado no Município de Anaurilândia/MS. O tributo foi exigido da Recorrente, proprietária do imóvel rural, que alega ilegitimidade passiva, tendo em vista que a propriedade foi destinada ao reassentamento de população impactada pela construção da UHE Eng. Sérgio Motta. Argumenta a Recorrente que, conforme o Termo Provisório de Entrega e Recebimento de Obra, a posse do imóvel foi transferida aos beneficiários, que a seu ver seriam os sujeitos passivos do ITR. A Lei nº 5.172, de 1966 CTN, assim dispõe, relativamente ao ITR: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. (...) Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. (grifei) A Lei nº 9.393, de 1996, que regulamentou o ITR, assim estabeleceu: "Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o Fl. 551DF CARF MF Processo nº 13161.001006/200516 Acórdão n.º 9202004.606 CSRFT2 Fl. 549 7 domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. (...) Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título." De plano, cabe destacar que a lei não estabelece qualquer benefício de ordem, no que tange ao contribuinte do ITR. Nesse passo, ressaltase que a própria Contribuinte qualificouse como tal, ao apresentar a DITR/2001 em seu nome (fls. 03 a 05), apurando inclusive o tributo que considerou devido (fls. 10). Com efeito, a irresignação acerca da sujeição passiva somente ocorreu quando dela foi exigida a diferença de imposto. No que tange a eventual alteração de dados cadastrais, inclusive de titularidade, a mesma Lei nº 9.393, de 1996, assim dispõe: "Art. 6º O contribuinte ou o seu sucessor comunicará ao órgão local da Secretaria da Receita Federal (SRF), por meio do Documento de Informação e Atualização Cadastral do ITR DIAC, as informações cadastrais correspondentes a cada imóvel, bem como qualquer alteração ocorrida, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1º É obrigatória, no prazo de sessenta dias, contado de sua ocorrência, a comunicação das seguintes alterações: I desmembramento; II anexação; III transmissão, por alienação da propriedade ou dos direitos a ela inerentes, a qualquer título; IV sucessão causa mortis; V cessão de direitos; VI constituição de reservas ou usufruto. § 2º As informações cadastrais integrarão o Cadastro de Imóveis Rurais CAFIR, administrado pela Secretaria da Receita Federal, que poderá, a qualquer tempo, solicitar informações visando à sua atualização." No presente caso, não consta dos autos que a Contribuinte tenha adotado a providência acima. Assim, não há que se falar em ilegitimidade passiva, uma vez que, à época de ocorrência do fato gerador 1º/01/2001 a Contribuinte detinha a propriedade do imóvel, e a legislação do ITR não permite concluir que a posse se sobreponha à propriedade do imóvel. Fl. 552DF CARF MF 8 Por oportuno, esclareçase que a posse somente pode se sobrepor à propriedade em situação específica, prevista no § 1º, do art. 1º, da Lei nº 9.393, de 1996: "Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. § 1º O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. (...) Art. 4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título." No presente caso, não se trata de imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, portanto não há como sequer se cogitar acerca de relativização da sua propriedade, com o fito de redefinir a sujeição passiva. Ainda que assim não fosse o que se admite apenas para argumentar na situação em apreço repitase que se trata do ITR/2001, cujo fato gerador ocorreu em 1º/01/2001, sendo que a outorga da posse, conforme afirma a própria Contribuinte em seu Recurso Voluntário (fls. 337), caracterizouse com os Termos Provisórios de Entrega e Recebimento de Obra, datados de 04/06/2001 (fls. 90 a 304). Confirase a cláusula 4, do citado Termo: "CLAUSULA QUARTA: A CESP transfere expressamente, neste ato aos BENEFICIARIOS, toda posse, uso, gozo, administração, direitos e ações que tinha e exercia sobre o lote mencionado na Cláusula Primeira deste instrumento, pôr isso que renuncia a todos e quaisquer eventuais direitos atuais ou futuros, sobre a posse ora transmitida, sob qualquer título em decorrência deste instrumento." (grifei) Assim, a própria CESP explicita que, até 04/06/2001, detinha e exercia a posse sobre os lotes, sendo que o fato gerador, repitase, ocorreu em 1º/01/2001. Destarte, a sujeição passiva, no caso do ITR, não comporta benefício de ordem, sendo que a regra geral é a exigência do tributo em face do proprietário, enquanto não transferida a propriedade, o que no presente caso legitima a Recorrente como sujeito passivo do ITR/2001. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento, ressalvando que o mérito já foi julgado pela Turma de origem e sobre ele não foi interposto Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13161.001006/200516 Acórdão n.º 9202004.606 CSRFT2 Fl. 550 9 Fl. 554DF CARF MF
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Numero do processo: 15165.722798/2014-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 18/11/2013 a 26/11/2013
BIS IN IDEM. MULTA ADMINISTRATIVA. PERDIMENTO. REGULAMENTO. MULTA EQUIVALENTE.
Verificando-se que a mesma conduta praticada enseja a aplicação tanto da multa administrativa pela diferença entre o preço declarado e o arbitrado quanto da pena de perdimento da mercadoria, aplica-se somente a pena de perdimento, conforme determina o Regulamento Aduaneiro/2009. No caso, não tendo sido as mercadorias localizadas, aplica-se a multa equivalente ao valor aduaneiro, que substitui a pena de perdimento.
RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Considera-se responsável pela infração aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie, nos termos do art. 95, I do Decreto-lei nº 37/66.
É responsável pelos tributos e multa, nos termos do art. 135, III do CTN, o dirigente que pratica atos com infração à lei.
Embora o art. 95 do Decreto-lei nº 37/66 possa ser utilizado para responsabilizar outras pessoas físicas ou jurídicas por infrações aduaneiras além do agente direto da infração, que cometeu a ação ou omissão ilícita (art. 94 do Decreto-lei nº 37/66), tal dispositivo não se presta para a responsabilização solidária pelos tributos e multa de ofício, que estão no âmbito da responsabilidade regida pelo CTN.
ÔNUS DA PROVA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. COMPROVADA E POR PRESUNÇÃO.
Apesar da existência da presunção a favor do Fisco na caracterização da infração por interposição fraudulenta a que se refere o art. 23, §2º do Decreto-lei nº 1.455/76, não há que se olvidar que, para a infração prevista no inciso V do art. 23 do Decreto-lei nº 1.455/76, continua sendo da fiscalização o ônus da prova do seu cometimento pela autuada.
DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PREJUÍZO AO ERÁRIO.
O dano ao Erário é presumido quando se configura as infrações tipificadas no art. 23 do Decreto-lei nº 1.455/76, não havendo necessidade de se comprovar o efetivo prejuízo ao Erário.
Tendo ocorrido o cometimento da infração de interposição fraudulenta em face da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos aplicados nas importações, veiculada pelo art. 23, §2º do Decreto-lei nº 1.455/76, está caracterizado o dano ao Erário.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3402-003.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento aos recursos nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, exonerar a multa administrativa do art. 88, parágrafo único, da MP nº 2.158-35/2001 (subfaturamento) em relação a todos os autuados; b) por maioria de votos, excluir integralmente a responsabilidade na autuação, tanto em relação aos tributos e multa de ofício como em relação à infração aduaneira, das seguintes empresas e pessoas físicas: BS COLWAY PNEUS LTDA, VILA VERDE CENTRO AUTOMOTIVO LTDA, MAUER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA, FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO, LUIZ BONACIN FILHO, JOSÉ ROVILSOM DE SOUZA DIAS, RONI MAUER e YANAI GOTTLIEB. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que deu provimento em maior extensão para excluir a responsabilidade em relação às infrações aduaneiras da ÁTILA PNEUS LTDA e seus sócios; c) por maioria de votos, somente em relação aos tributos e multa de ofício mantidos, excluir as responsabilidades das empresas VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A., ORION PARTICIPAÇÕES S.A. e VENTURA & ORION - GESTÃO EMPRESARIAL S/A e das pessoas físicas MANUELA BONETO RODRIGUES, ALESSANDRA BONACIN BUTTCHEWITS e PRISCILLA BONACIN. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra. Sustentou pela contribuinte ÁTILA PNEUS LTDA o Dr. Fábio Zacharias Noto, OAB/PR 45.127, e pelos responsáveis solidários MAUER COM. E IMPORTAÇÃO LTDA, RONI MAUER, VILA VERDE CENTRO AUTOMOTIVO LTDA e JOSÉ ROVILSON DIAS, o Dr. Marcos Wengerkiewicz, OAB/PR 24.555.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 18/11/2013 a 26/11/2013 BIS IN IDEM. MULTA ADMINISTRATIVA. PERDIMENTO. REGULAMENTO. MULTA EQUIVALENTE. Verificandose que a mesma conduta praticada enseja a aplicação tanto da multa administrativa pela diferença entre o preço declarado e o arbitrado quanto da pena de perdimento da mercadoria, aplicase somente a pena de perdimento, conforme determina o Regulamento Aduaneiro/2009. No caso, não tendo sido as mercadorias localizadas, aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro, que substitui a pena de perdimento. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES ADUANEIRAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Considerase responsável pela infração aduaneira, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie, nos termos do art. 95, I do Decretolei nº 37/66. É responsável pelos tributos e multa, nos termos do art. 135, III do CTN, o dirigente que pratica atos com infração à lei. Embora o art. 95 do Decretolei nº 37/66 possa ser utilizado para responsabilizar outras pessoas físicas ou jurídicas por infrações aduaneiras além do agente direto da infração, que cometeu a ação ou omissão ilícita (art. 94 do Decretolei nº 37/66), tal dispositivo não se presta para a responsabilização solidária pelos tributos e multa de ofício, que estão no âmbito da responsabilidade regida pelo CTN. ÔNUS DA PROVA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. COMPROVADA E POR PRESUNÇÃO. Apesar da existência da presunção a favor do Fisco na caracterização da infração por interposição fraudulenta a que se refere o art. 23, §2º do Decretolei nº 1.455/76, não há que se olvidar que, para a infração prevista no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 27 98 /2 01 4- 42 Fl. 14571DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.455/76, continua sendo da fiscalização o ônus da prova do seu cometimento pela autuada. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PREJUÍZO AO ERÁRIO. O dano ao Erário é presumido quando se configura as infrações tipificadas no art. 23 do Decretolei nº 1.455/76, não havendo necessidade de se comprovar o efetivo prejuízo ao Erário. Tendo ocorrido o cometimento da infração de interposição fraudulenta em face da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos aplicados nas importações, veiculada pelo art. 23, §2º do Decretolei nº 1.455/76, está caracterizado o dano ao Erário. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento aos recursos nos seguintes termos: a) por unanimidade de votos, exonerar a multa administrativa do art. 88, parágrafo único, da MP nº 2.15835/2001 (subfaturamento) em relação a todos os autuados; b) por maioria de votos, excluir integralmente a responsabilidade na autuação, tanto em relação aos tributos e multa de ofício como em relação à infração aduaneira, das seguintes empresas e pessoas físicas: BS COLWAY PNEUS LTDA, VILA VERDE CENTRO AUTOMOTIVO LTDA, MAUER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA, FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO, LUIZ BONACIN FILHO, JOSÉ ROVILSOM DE SOUZA DIAS, RONI MAUER e YANAI GOTTLIEB. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que deu provimento em maior extensão para excluir a responsabilidade em relação às infrações aduaneiras da ÁTILA PNEUS LTDA e seus sócios; c) por maioria de votos, somente em relação aos tributos e multa de ofício mantidos, excluir as responsabilidades das empresas VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A., ORION PARTICIPAÇÕES S.A. e VENTURA & ORION GESTÃO EMPRESARIAL S/A e das pessoas físicas MANUELA BONETO RODRIGUES, ALESSANDRA BONACIN BUTTCHEWITS e PRISCILLA BONACIN. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra. Sustentou pela contribuinte ÁTILA PNEUS LTDA o Dr. Fábio Zacharias Noto, OAB/PR 45.127, e pelos responsáveis solidários MAUER COM. E IMPORTAÇÃO LTDA, RONI MAUER, VILA VERDE CENTRO AUTOMOTIVO LTDA e JOSÉ ROVILSON DIAS, o Dr. Marcos Wengerkiewicz, OAB/PR 24.555. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Fl. 14572DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.572 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo I que julgou improcedente a impugnação da contribuinte e dos responsáveis solidários. Trata o processo de autos de infração, lavrados em 21/10/2014, relativamente às importações registradas entre 18 e 26/11/2013, listadas no quadro abaixo, para a exigência de Imposto sobre a Importação, IPI, PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, acrescidos de multa de ofício e juros de mora, multa sobre a diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado, além de multa equivalente ao valor aduaneiro, no valor total de R$5.463.233,42, à época da autuação. Concluiu a fiscalização que "as ações formais e aparentes da pessoa jurídica ÁTILA PNEUS LTDA., consistentes na elaboração e apresentação de declarações, documentos contábeis e comerciais, bem como seu registro junto aos diversos Órgãos envolvidos, foram todas elas direcionadas para o fim de simular existência de negócios que não existiram de fato, apenas no campo das aparências, em total incompatibilidade com seu fim declarado", eis que essa empresa: (...) 1. OCULTOU os reais interessados nas operações ora analisadas, identificados como sendo constituintes de grupo empresarial de fato, atuante há muitos anos na importação e comércio de pneumáticos e do qual a entidade jurídica BS COLWAY PNEUS LTDA. é, ainda, o representante mais significativo e ostensivo; não obstante as diversas negativas apresentadas em sentido contrário, os fatos relatados constataram a utilização da pessoa jurídica ora autuada, inexistente de fato, como mero anteparo formal a encobrir as atividades de importação de pneumáticos novos realizadas no interesse de tal grupo opaco, quadro que pode ser definido como OCULTAÇÃO COMPROVADA; 2. Por outro lado, considerando também a total inadequação daquilo que foi apresentado a título de contabilidade, bem como as flagrantes irregularidades na própria constituição das Fl. 14573DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 pessoas jurídicas fornecedoras primárias dos vultosos recursos financeiros depositados nas contas correntes da empresa, empregados diretamente na efetivação das operações de comércio exterior analisadas, NÃO COMPROVOU a origem, regular e lícita, de tais recursos, quadro de OCULTAÇÃO PRESUMIDA que a legislação define como INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA; e 3. Através do uso de tal estrutura formal simulada, também IMPOSSILITOU a apuração do efetivo preço das mercadorias, para as quais foi então utilizado o arbitramento para fins de se determinar a base de cálculo dos tributos incidentes. (...) Assim, em face das duas primeiras condutas acima, tipificadas como dano ao Erário, nos termos do Art. 23, V, §§ 1° e 2° do Decretolei nº 1.455/76, de 07/04/1976, e regulamentado pelo Art. 689, XXII, e § 6° do Decreto nº 6.759/09, de 05/02/2009, e não sendo mais a mercadoria passível de efetiva apreensão física, tendo em vista sua entrega anterior à interessada mediante garantia, determinada por decisão judicial, foi aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do Art. 23, § 3°, do DecretoLei n° 1.455/76, regulamentado pelo Art. 689, § 1° do mesmo Decreto nº 6.759/09. Já em decorrência da conduta descrita no item 3. acima, foi efetuada a exigência das diferenças dos tributos, e a aplicação de multa sobre a diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado, em conformidade com o art. 88, parágrafo único da Medida Provisória nº 2.15835/01, de 24/08/2001, regulamentado pelo art. 703 do Regulamento Aduaneiro/2009. Foram arrolados como responsáveis solidários as pessoas físicas e jurídicas abaixo identificadas com base nos fundamentos a seguir transcritos: (...) Pessoa Jurídica BS COLWAY PNEUS LTDA., CNPJ nº 02.712.991: multicitada no presente Relatório, tal entidade nacional, além de ser, como acima mencionado, a principal e mais ostensiva componente do grupo empresarial, a teor do que foi apresentado e detalhado constituise na principal beneficiária do resultado das operações de importação efetivadas irregularmente mediante o emprego meramente formal da ÁTILA PNEUS LTDA.; Pessoas Jurídicas VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ nº 13.007.580 (Sócia formal atual, tanto da ÁTILA PNEUS LTDA. (desde 10/2011), quanto de diversas outras pessoas jurídicas vinculadas), ORION PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ nº 12.946.366 (também Sócia formal atual, tanto da ÁTILA PNEUS LTDA. (desde 10/2011), quanto de diversas outras pessoas jurídicas vinculadas) e VENTURA & ORION GESTÃO EMPRESARIAL S/A, CNPJ nº 13.622.872 (cujos únicos dois sócios formais são as mesmas VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A. e ORION PARTICIPAÇÕES S.A.): conforme o que foi apurado em diligências e detalhado em tópicos específicos do presente Relatório, para tais entidades, criadas de modo formal após a constituição, também meramente formal, da própria ÁTILA PNEUS LTDA., sequer foi possível comprovar sua existência de fato, tampouco a efetiva participação societária indicada nos instrumentos públicos Fl. 14574DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.573 5 constitutivos; entretanto, ao serem apresentadas para possibilitar tais formalizações/alterações societárias, bem como na condição de titulares de contas correntes bancárias de grande fluxo financeiro de e para a ÁTILA PNEUS LTDA., referidas entidades inegavelmente foram instrumentos úteis para, ao fim, possibilitar a ocultação de pessoas nas operações em seus nomes conduzidas, afigurandose também inegável, dessa forma, sua concorrência para a prática das infrações ora detectadas; Pessoa Jurídica MAUER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA., CNPJ nº 08.423.370: entidade detentora formal do canal de vendas online www.maisqpneu.com.br, de produtos importados em nome da ÁTILA PNEUS LTDA., e cujo Sócio Administrador formal, RONI MAUER, também foi identificado ostensivamente como diretor de assuntos internacionais da entidade BS COLWAY, além de constar como participante em trocas de mensagens relativas às operações analisadas na presente autuação; afigurase, nesse contexto, como evidente e ativa participante do grupo empresarial oculto ora vislumbrado, inegavelmente tanto concorrendo para a prática das infrações apuradas quanto delas se beneficiando; e Pessoa Jurídica VILA VERDE CENTRO AUTOMOTIVO LTDA., CNPJ nº 08.503.555: conforme relatado, os endereços de seus 12 estabelecimentos cadastrais são apresentadas ostensivamente como sedes das lojas BS AUTOCENTER, marca comercial detida pela entidade BS COLWAY PNEUS LTDA. e onde também se revende/revendia mercadorias importadas em nome da ÁTILA PNEUS LTDA.; seu Sócio Administrador formal, JOSÉ ROVILSOM DE SOUZA DIAS, foi também ostensivamente apresentado como diretor da mesma BS COLWAY; além disso, a teor da análise do quantitativo de empregados de empresas do grupo empresarial, é a entidade na qual encontrase formalmente vinculada parte relevante da força de trabalho do mesmo grupo; nesse contexto, tornase igualmente clara sua concorrência na prática das infrações apuradas, bem como o benefício no seu resultado final, afigurandose também como obrigatória sua responsabilização solidária na presente autuação. “DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. ... Art. 95. Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; ...” Finalmente, dadas as situações de irregularidade anteriormente expostas no presente relatório, que ao final permitiram a prática das infrações aduaneiras apresentadas, é inafastável também o cabimento da responsabilidade pessoal dos administradores listados abaixo, responsáveis tanto pela pessoa jurídica autuada quanto por aquela(s) apontada(s) como responsável(is) solidária(s), também nos estritos termos da legislação: Fl. 14575DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 Pessoa física LUIZ BONACIN NETTO, CPF n° 024.561.869 40, Administrador atual, tanto da própria ÁTILA PNEUS LTDA., quanto de diversas outras pessoas jurídicas vinculadas, bem como Diretor formal da ORION PARTICIPAÇÕES S.A. e da VENTURA & ORION – GESTÃO EMPRESARIAL S/A; Pessoa física GABRIELA BONETO RODRIGUES, CPF n° 029.880.439 57, também Administrador atual da própria ÁTILA PNEUS LTDA. e de diversas outras pessoas jurídicas vinculadas, bem como Diretora formal da VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A. e da VENTURA & ORION –GESTÃO EMPRESARIAL S/A; Pessoa física LUIZ BONACIN FILHO, CPF n° 086.350.309 82, Sócio Administrador da BS COLWAY PNEUS LTDA.; Pessoa física FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO, CPF n° 609.010.12815, Sócio Administrador da BS COLWAY PNEUS LTDA.; Pessoa física MANUELA BONETO RODRIGUES, CPF nº 043.846.209 26, Diretora formal da VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A.; Pessoa física ALESSANDRA BONACIN BUTTCHEWITS, CPF nº 024.830.64990, Diretora formal da ORION PARTICIPAÇÕES S.A.; Pessoa física PRISCILLA BONACIN, CPF nº 026.699.25952, Diretora formal da ORION PARTICIPAÇÕES S.A.; Pessoa física RONI MAUER, CPF nº 034.774.00909, Sócio Administrador da MAUER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA.; Pessoa física YANAI GOTTLIEB, CPF nº 004.251.15933, Sócio Administrador da MAUER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA.; e Pessoa física JOSÉ ROVILSOM DE SOUZA DIAS, CPF nº 478.326.90925, Sócio Administrador da VILA VERDE CENTRO AUTOMOTIVO LTDA.. (...) A contribuinte e os solidários foram cientificados e apresentaram suas impugnações. As impugnações foram julgadas improcedentes mediante o acórdão cuja ementa segue abaixo: Acórdão 1668.634 23ª Turma da DRJ/SP1 Sessão de 28 de maio de 2015 (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 18/11/2013 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Fl. 14576DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.574 7 O objetivo pretendido pelos interessados atentou contra a legislação do comércio exterior por ocultar o real adquirente das mercadorias estrangeiras e consequentemente afastálo de toda e qualquer obrigação cível ou penal decorrente do ingresso de tais mercadorias no país. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) A contribuinte e os responsáveis solidários foram cientificados da decisão recorrida, por via postal, entre as datas de 23 e 27/06/2015. Em 20/07/2015, a empresa VILA VERDE CENTRO AUTOMOTIVO LTDA. e o Sr. José Rovilsom de Souza Dias apresentaram recurso voluntário em conjunto, alegando e requerendo, em síntese: a) A decisão recorrida é nula, eis que deixou de analisar os argumentos e documentos apresentados pelos recorrentes. b) Houve nulidade no Termo de Sujeição Passiva Solidária, em face da incorreta e imprecisa descrição da realidade fática. c) A segurança jurídica na relação Fiscocontribuinte restou sepultada, na medida em que o AuditorFiscal pretende cobrar um crédito fiscal, supostamente devido pelo importador, sem que a Vila Verde tenha efetuado qualquer importação. Os documentos fiscais envolvendo a compra e venda de pneus obedeciam os comandos legais. d) A empresa VILA VERDE não possui "interesse comum" para sua responsabilização solidária com base no art. 124, I do CTN. Essa recorrente apenas celebrou um contrato de compra e venda e é terceira de boafé. O simples fato de pertencer ao mesmo grupo econômico não revela "correalização" de fatos geradores. Não havendo qualquer vínculo jurídico entre as pessoas jurídicas, eis que a VILA VERDE não importa pneus, a sua responsabilidade solidária deve ser afastada. e) A sujeição passiva solidária, acaso procedente, deveria ter sido limitada aos valores que efetivamente foram transferidos a cada sociedade empresária em questão, ou seja, o real benefício econômico pretendido pela recorrente, em atenção ao princípio da proporcionalidade/razoabilidade. Fl. 14577DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 f) O AuditorFiscal cometeu uma ilegalidade ao criar a responsabilidade solidária, não prevista no art. 124 do CTN. Assim, o adimplemento da obrigação recai somente sobre a importadora. A solidariedade atribuída à recorrente está em desacordo como os arts. 128 a 138 do CTN. Ademais, não há interesse comum entre as partes, sendo que seus interesses são antagônicos, eis que figuram em lados opostos da relação comercial que firmaram. g) Somente pelo fato de o Sr. José Rovilsom de Souza Dias ser administrador da Vila Verde, não caracteriza que ele tenha se aproveitado de qualquer valor em benefício próprio. A responsabilidade da pessoa física poderia, no máximo, ser atribuída aos dirigentes e representantes da Átila Pneus Ltda., nos termos dos arts. 134 e 135 do CTN. h) Em nenhum momento o AuditorFiscal demonstrou que o Sr. José Rovilsom de Souza Dias auferiu receita/renda em decorrência das atividades da BS COLWAY PNEUS ou da ÁTILA PNEUS. A confusão de um jornalista entre a empresa recorrente, de nome fantasia "BS Centro Automotivo", e a empresa BS COLWAY, serviu de pretexto ao Auditor para "provar" a corresponsabilidade do recorrente nos negócios sociais envolvendo BS COLWAY PNEUS e ÁTILA PNEUS. Assim, espera o recorrente a desconstituição do Termo de Responsabilidade Solidária. i) No mérito, reitera os argumentos apresentados no recurso interposto pela ATILA PNEUS. Em 22/07/2015, a empresa MAUER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA. e as pessoas físicas RONI MAUER e YANAI GOTTLIEB apresentaram recurso voluntário em conjunto, sob os seguintes tópicos: a) Requerem os recorrentes a nulidade da decisão recorrida, por falta de fundamentação e análise das razões de impugnação. b) A empresa MAUER nada tem a ver com o processo de importação em questão, bem como com a gestão das empresas fiscalizadas. Não pode a MAUER ser "parte" do Grupo Empresarial VENTURA & ORION que comercializa marcas contra as quais o Sr. Francisco Simeão, Presidente da BS COLWAY PNEUS LTDA já teve sérios embates. Os pneus MAXXIS, importados pela ÁTILA PNEUS são comercializados por inúmeras outras companhias, sem qualquer participação das empresas desse grupo. Assim, demonstrase a efetiva concorrência entre empresas sem qualquer correlação ou coparticipação da recorrente com a ATILA PNEUS e suas sócias VENTURA BRASIL e ORION PARTICIPAÇÕES. c) O recorrente RONI MAUER não é sócio, empregado, dirigente, acionista ou administrador do "devedor principal". Esclarecese que a relação existente entre a pessoa física de RONI MAUER e a empresa ÁTILA PNEUS consiste numa prestação de serviços na área de comércio exterior. A fiscalização não pode supor que esse recorrente faz parte do "Grupo Empresarial", alçandoo à condição de responsável tributário solidário, pelo fato de ele estar na inauguração de um centro automotivo. Também impugnase com veemência as tergiversações no sentido de que RONI MAUER seria sócio de outro "corresponsável", Sr. ROVILSOM DIAS. A única relação que existiu entre os dois foi que o recorrente foi sócio de centro automotivos tendo, posteriormente, vendido suas quotas para o Sr. ROVILSOM DIAS, em transação perfeitamente lícita. d) Sem maiores alegações, YANAI GOTTLIEB foi responsabilizado solidariamente pelas irregularidades pelo simples fato de ser sócio administrador da empresa MAUER, numa situação que inaugura um novo capítulo sobre tudo que é estudado nas normas Fl. 14578DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.575 9 de contabilidade, administração e direito. Conforme precedente do STJ, para se caracterizar a responsabilidade solidária entre empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador. Fica clara a impossibilidade de se responsabilizar a MAUER e os administradores e sócios da MAUER, por sua vez, são "mais irresponsáveis" ainda, posto que somente poderiam responder subsidiariamente. e) A multa imposta aos recorrentes é excessiva, assumindo caráter nitidamente confiscatório, desrespeitando os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Em 23/07/2015, a ATILA PNEUS interpôs recurso voluntário, alegando e requerendo, em síntese: Das nulidades no Julgamento da DRJ/SP A) Da remessa da impugnação administrativa para julgamento pela 23ª Turma da DRJ/SP: Foi retirada da recorrente a oportunidade de ver a impugnação ser julgada pela primeira vez por uma das Turmas competentes da DRJ/FNS/SC, com o redirecionamento do julgamento para a 23ª Turma da DRJ/SP1, que já havia julgado e mantido outro auto de infração lavrado contra a recorrente sob a mesma matéria e, mais grave ainda, com "conclusão emprestada". B) Da ausência de apreciação de documentos e informações relevantes Cerceamento do Direito ao Contraditório e à Ampla Defesa: Tendo em conta que o Acórdão foi proferido embasado em documentos que nada se relacionam com as operações de importação registradas no final de 2013, o mesmo merece ser declarado nulo. C) Da imprescindível produção de prova pericial para se alcançar a verdade material: Diante da relevância da produção da prova pericial pleiteada para a solução da demanda, deve ser anulado o Acórdão recorrido ou alternativamente requerse o deferimento da prova pericial. D) Da flagrante alteração da fundamentação legal para manter os sócios da ora recorrente na posição de responsáveis solidários: Os julgadores alteraram a capitulação, excluindo a aplicação do art. 135, III do CTN pelo inciso I, do art. 94 e 95 do Decretolei nº 37/66, o que representa afronta ao art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 e art. 2º e 50 da Lei nº 9.784/99. Das preliminares de nulidade do auto de infração e dos trabalhos desenvolvidos no PECA: Diante da ausência de efetiva análise das preliminares de nulidade no Acórdão recorrido, merece ser declarado nulo o julgamento. A) Dos efeitos suspensos do PAF Nº 10907.720985/201285: Enquanto não houver julgamento definitivo desse PAF, que se encontra com a exigibilidade suspensa, aguardando julgamento perante o CARF, as suas conclusões não podem ser adotadas como verdade absoluta/imutável. B) Do erro quanto à eleição da Instrução Normativa a partir do que consignou o Acórdão: A ora recorrente nunca foi submetida ao procedimento de fiscalização Fl. 14579DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 sob a IN SRF nº 228/2002, assim não foi analisado, de forma pontual, a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação objeto deste PAF, mas sim a capacidade operacional da empresa ATILA PNEUS. O Ilustre Fiscal adotou parâmetros de avaliação e objetos diversos dos quais podem ser alcançados através da IN RFB nº 1169/2011. C) Do conflito de conceitos e do erro material insanável: Ao eleger a recorrente como sujeito passivo da obrigação principal, o AuditorFiscal reconheceu que ela é o verdadeiro importador, afastando a alegação de violação ao controle aduaneiro. Alternativamente, há de ser considerado vício quanto ao critério pessoal na autuação. D) Da ausência de individualização da responsabilidade imputada: Seria possível individualizar as responsabilidades na autuação com as notas fiscais emitidas pela recorrente para a venda das mercadorias importadas. E) Da ausência de cumprimento do prazo legal do PECA F) Da prova emprestada versus Da conclusão emprestada Nulidade do auto de infração que contaminou o Acórdão Ofensa à ampla defesa, Contraditório e Flagrante cerceamento de defesa I. Da conclusão emprestada: O uso direto da conclusão de outro procedimento fiscal e a ausência de conexão da infração com as provas nas quais se fundamenta a aplicação da pena pela autoridade aduaneira não dá legitimidade à autuação fiscal, uma vez é seu ônus instruir o lançamento com todos os elementos de prova de fatos constituintes do direito do Erário. II. Da valoração da prova emprestada: Por força da segurança jurídica, a validade da "prova emprestada" como documento e meio de prova dependem do trânsito em julgado do processo originário, o qual ainda não ocorreu. III. Do flagrante cerceamento de defesa: Verificase que, além de ter emprestado as conclusões alcançadas em outra Unidade Fiscal, em processos que envolviam operações distintas, sem relação direta com as operações objeto do PECA (Procedimento Especial de Controle Aduaneiro) e distantes no tempo, não respeitou o que determina a legislação pertinente ao PECA. G) Da ausência de precisão técnica Nulidade: Diante das desconstituições infundadas dos documentos contábeis apresentados para amparar as suas presunções, foi ausente a precisão técnica, merecendo ser declarado nulo o auto de infração pela incerteza que predominou nos trabalhos fiscais. Da empresa ÁTILA PNEUS LTDA. A única e real importadora: A empresa ÁTILA PNEUS LTDA. foi devidamente constituída, a partir de uma administração regular e autônoma. Dos fundamentos de mérito que descaracterizam as alegações fazendárias: A) Da introdução da matéria B) Das desprovidas presunções fazendárias que não configuram a interposição fraudulenta de terceiros Conflito de Conceitos: É equivocado o procedimento da autoridade ao aplicar a pena de perdimento, pois a capacidade econômica da recorrente está Fl. 14580DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.576 11 demonstrada com os documentos apresentados no procedimento fiscal, cumprindo todos os requisitos para afastamento da suspeita de interposição fraudulenta e de subfaturamento. C) Da alegada formação e estrutura empresarial formal e da ausência de capacidade econômica da ATILA PNEUS O expresso deferimento de sua habilitação e as sucessivas concessões de aumento de sua capacidade operacional fez nascer para a ÁTILA PNEUS a confiança no ato de autorização da RFB, sendo vedado que a fiscalização venha adotar atos na direção contrária. I) Da estrutura/inexistência de fato: Não há qualquer irregularidade na terceirização de mão de obra, bem como por se tratar de pessoas que estão registrada em empresas que são sócias da importadora e que, em determinados momentos, auxiliam a equipe mesmo que houvesse tal irregularidade, tal fato não ensejaria a desconsideração da existência de fato da importadora. A recorrente foi regularmente constituída, com endereço e sede fisicamente individualizada. II) Da capacidade econômica Das atuais sócias da empresa ÁTILA PNEUS Da empresa VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S/A Atual sócia da empresa ÁTILA PNEUS Da empresa ORION PARTICIPAÇÕES S/A Atual sócia da empresa ÁTILA PNEUS Da regular constituição da empresa VENTURA & ORION Gestão Empresarial S/A Artigo 8º da Lei nº 6.404/76 Dos questionamentos na relação Átila Pneus Ltda. e Ventura & Orion Gestão Empresarial S/A Da alegação de confusão da atividade das empresas e da ausência de capacidade operacional Ausência de relação entre a recorrente ÁTILA PNEUS LTDA. e a empresa BS COLWAY PNEUS LTDA. Da aplicação dos métodos de valoração aduaneira Da irregularidade na valoração aduaneira para fins de base de cálculo da multa imposta, bem como dos tributos exigidos Da ausência da identificação de vantagem ilícita e do efetivo dano ao Erário Lavagem de dinheiro Em 23/07/2015, ALESSANDRA BONACIN BUTTCHEWITS apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese: Fl. 14581DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 I) Das preliminares I.I) Da flagrante alteração da fundamentação legal para manter a posição de responsável solidário imputada: Os julgadores alteraram a capitulação, excluindo a aplicação do art. 135, III do CTN pelo inciso I, do art. 94 e 95 do Decretolei nº 37/66, o que representa afronta ao art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 e art. 2º e 50 da Lei nº 9.784/99. I.II) Da ausência de apreciação de documentos e informações relevantes Cerceamento do Direito ao Contraditório e à Ampla Defesa: Tendo em conta que o Acórdão foi proferido embasado em documentos que nada se relacionam com as operações de importação registradas no final de 2013, o mesmo merece ser declarado nulo. II) Da divergência de capitulação encontrada no Acórdão: O acórdão recorrido simplesmente modificou o entendimento inicialmente apresentado, afirmando que a recorrente deveria permanecer no polo passivo não como responsável solidária, mas como coautora das infrações supostamente praticadas pela ÁTILA PNEUS. A segurança jurídica que deve pautar os processos está sendo deixada de lado com tal atitude. Da ausência de responsabilidade solidária e da equivocada capitulação quanto à coautoria na presente autuação: No caso, não restaram comprovados o dolo ou culpa do agente para se aplicar a infração administrativa. Em 23/07/2015, a empresa VENTURA & ORION GESTÃO EMPRESARIAL S/A interpôs recurso voluntário, com alegações semelhantes às de ALESSANDRA BONACIN BUTTCHEWITS, acima sintetizadas. Em 23/07/2015, Luiz Bonacin Filho interpôs recurso voluntário, com as seguintes alegações: I) Das preliminares I.I) Da flagrante alteração da fundamentação legal para manter a posição de responsável solidário imputada: Os julgadores alteraram a capitulação, excluindo a aplicação do art. 135, III do CTN pelo inciso I, do art. 94 e 95 do Decretolei nº 37/66, o que representa afronta ao art. 10, IV do Decreto nº 70.235/72 e art. 2º e 50 da Lei nº 9.784/99. I.II) Da ausência de apreciação de documentos e informações relevantes Cerceamento do Direito ao Contraditório e à Ampla Defesa: Tendo em conta que o Acórdão foi proferido embasado em documentos que nada se relacionam com as operações de importação registradas no final de 2013, o mesmo merece ser declarado nulo. II) Da divergência de capitulação encontrada no Acórdão: O acórdão recorrido simplesmente modificou o entendimento inicialmente apresentado, afirmando que a recorrente deveria permanecer no polo passivo não como responsável solidária, mas como coautora das infrações supostamente praticadas pela ÁTILA PNEUS. A segurança jurídica que deve pautar os processos está sendo deixada de lado com tal atitude. Da ausência de responsabilidade solidária: Não existe no Relatório Fiscal qualquer menção ou prova documental de que o recorrente tenha praticado sequer um ato em nome da importadora ÁTILA PNEUS, e muito menos com excesso de poder ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto, eis que o recorrente não tem poderes para tanto. Também o Fl. 14582DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.577 13 recorrente não é diretor, gerente ou representante desta empresa, tornandose impossível a aplicação do art. 135 do CTN. Não foi comprovado dolo ou culpa na conduta do recorrente. Em 23/07/2015, PRISCILA BONACIN interpôs recurso voluntário, aduzindo, em síntese, as mesmas alegações de ALESSANDRA BONACIN BUTTCHEWITS, acima sintetizadas. VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S/A, ORION PARTICIPAÇÕES S/A, MANUELA BONETO RODRIGUES, GABRIELA BONETO RODRIGUES, FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO, LUIZ BONACIN NETTO, BS COLWAY PNEUS LTDA. também interpuseram recursos voluntários em 23/07/2015 com as mesmas preliminares e no sentido de não ser cabível suas responsabilidades solidárias na autuação. Em 22/08/2016, a empresa ÁTILA PNEUS LTDA. protocolizou petição mediante a qual veio "requerer que seja sobrestado o julgamento do presente feito, até que a Ilustre Inspetoria da Secretaria da Receita Federal do Brasil em Curitiba se manifeste com relação ao teor da petição e dos documentos que a instruíram (protocolo realizado em 07/08/2015 no PAF n.o 15165.720775/201584), bem como até que a R. Sentença seja proferida nos autos n.o 501386954.2014404.7000, em trâmite perante a 1ª Vara Federal em Curitiba/PR, por força do princípio da segurança jurídica (artigo 2.°, da Lei n.o 9784/99)". Em caráter subsidiário, requer a baixa do processo em diligência para que a "Inspetoria da Secretaria da Receita Federal do Brasil em Curitiba se manifeste com relação ao teor da petição e dos documentos que a instruíram (protocolo realizado em 07/08/2015 no PAF n.o 15165.720775/201584), bem como anexe ao presente PAF o inteiro teor da referida documentação probatória (artigo 37, da Lei n.o 9784/99)"; ou ainda o adiamento do julgamento previsto para 25/08/2016 em razão do interesse da recorrrente em apresentar memoriais e realizar sustentação oral, bem como para possibilitar que os Ilustres Julgadores tenham tempo hábil para analisar as informações e o material ora juntado, além do que será disponibilizado/anexado ao presente PAF a manifestação da Inspetoria em Curitiba sobre a documentação juntada, a partir de solicitação a ser expedida por este Colegiado. É o breve relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos recursos voluntários. Petição protocolizada em 22/08/2016: É de se esclarecer inicialmente que o presente processo foi retirado de pauta da sessão de julgamento de 25/08/2016 a pedido do Sr. Presidente do Colegiado, em função do encerramento da sessão sem tempo hábil para apreciação. Fl. 14583DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 Com relação à petição apresentada às vésperas da sessão marcada para julgamento em agosto, o pedido de sobrestamento ou de adiamento do julgamento deve ser indeferido por ausência de qualquer previsão legal ou regimental. O processo administrativo nº 15165.720775/201584 trata da aplicação da pena de perdimento às mercadorias objeto de outras importações, não tratadas no presente processo, o qual possui julgamento independente daquele, não obstante, obviamente, envolva questões semelhantes àquelas aqui abordadas. Ademais, no referido processo, que possui julgamento em instância única pelos Chefes das Unidades locais, já foi decidido1, nesses termos: "(...) No uso da competência atribuída pelo artigo 302, inciso IV do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n.º 203/12, e com base nos fundamentos expostos no parecer retro, que aprovo integralmente, DECIDO: INDEFERIR o pedido da Átila Pneus Ltda, protocolado em 07/07/2015, referente à apresentação de novos documentos. / DECLARAR A SUBSISTÊNCIA do Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias nº 0915200/50881/14, que instrui o presente processo administrativo; e Acatar a pretensão punitiva pela qual pugna a autoridade aduaneira responsável pela lavratura do Auto de Infração e Apreensão de Mercadorias que instrui o presente processo e APLICAR a penalidade de perdimento às mercadorias nele especificadas. (...)". Assim, tampouco há que se falar em baixa do processo em diligência para este Colegiado solicitar a manifestação da Inspetoria da Secretaria da Receita Federal do Brasil em relação à petição apresentada em processo que já inclusive já foi objeto de julgamento no âmbito da sua competência. Como já informado, o presente processo não é dependente do julgamento daquele e de manifestações nele expedidas. Com relação ao laudo técnico apresentado pelo Perito Judicial designado, nos autos do processo judicial nº 501386954.2014404.7000, em trâmite perante a l.a Vara Federal em Curitiba/PR, além de estar restrito ao âmbito do processo judicial no qual foi requerido, por ter um caráter apenas descritivo, ele também não é hábil a afastar a não comprovação da origem dos recursos verificada pela fiscalização no presente processo, calcada na ilegitimidade das justificativas do suprimento de recursos por empresas do grupo de fato, na não comprovação de integralização do capital social subscrito pelos sócios e nas inconsistências e artifícios na contabilidade da empresa com intuito de dificultar o rastreamento de recursos. Assim, à mingua de previsão legal ou regimental e de qualquer situação que justificasse tais medidas, voto no sentido de indeferir os pedidos de sobrestamento do feito, de adiamento do julgamento para que a interessada apresentasse memoriais e prepare sua sustentação oral, bem como de baixa do processo em diligência. Petição protocolizada em 26/09/2016: Mediante outra petição juntada às vésperas da segunda data marcada para julgamento, a contribuinte juntou manifestação ministerial no inquérito policial autuado sob o nº 5000962 57.20134.04.7008, em trâmite perante a Justiça Federal em Paranaguá, que tinha 1 TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM COMUNICADO Data do registro do documento na Caixa Postal: 31/08/2016 11:00:23 Documentos Diversos Outros PARECER PARTE I Documentos Diversos Outros PARECER PARTE II Documentos Diversos Outros PARECER PARTE III E DESPACHO DECISÓRIO DATA DE EMISSÃO : 06/09/2016 O destinatário teve ciência dos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal na data de 05/09/2016 14:56:22, ciência esta realizada por seu representante legal 024.561.86940 LUIZ BONACIN NETTO. Fl. 14584DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.578 15 como objeto o PAF 10907.720985/201285, que teria motivado a instauração da presente ação fiscal, requerendo a declaração da nulidade do auto de infração. Na referida manifestação do Ministério Público que redundou no arquivamento do inquérito policial para apuração da eventual prática de crime de falsidade ideológica, tipificado no artigo 299 do Código Penal, restou consignado, em síntese, que, naquela outra ação fiscal, haveria prova somente da presunção de interposição fraudulenta, não se configurando a falsidade ideológica em relação à informação acerca dos reais destinatários daquelas importações: (...) Ocorre que da análise do Inquérito Policial extraise que a infração detectada na esfera administrativa teve como fundamento a discrepância entre a capacidade financeira e a atividade empresarial da sociedade ÁTILA PNEUS. Vale dizer, nenhum elemento de prova foi produzido no sentido de demonstrar a ocorrência de interposição fraudulenta de terceiros na importação, mas tão apenas houve a presunção de sua ocorrência sob a justificativa. Inexiste qualquer prova nos autos de que as mercadorias importadas pneumáticos de borracha não se destinavam realmente à pessoa jurídica ÁTILA PNEUS. Ocorre que, ainda que na esfera administrativa presunções e suposições sejam suficientes para aplicação de penalidades, o mesmo não ocorre na esfera penal, fazendose necessário que haja prova da falsidade ideológica, o que não está claro no caso dos autos. Se não houve comprovação de que a atuação e operação efetuada pela pessoa jurídica ÁTILA PNEUS LTDA. foi fraudulenta, não há que se falar em configuração do delito previsto no artigo 299, do Código Penal, por insuficiência probatória, fazendose necessário provar o dolo do agente e a materialidade do crime de falsificação ideológica. (...) O Direito Penal é regido, dentre outros, pelos princípios da fragmentariedade e subsidiariedade, que determinam a sua aplicação como ultima ratio, priorizando os demais ramos do direito na resolução dos conflitos sociais. In casu, temos que o próprio direito administrativo é suficiente para proteção do bem jurídico tutelado. Senão vejamos, a RFB lavrou auto de infração e aplicou pena de perdimento à mercadoria apreendida. Nesse sentido, a conduta ilícita já foi devidamente reprimida pela autoridade fiscal, restando desnecessária a intervenção do direito penal, uma vez que não se apresenta materialidade de conduta penalmente típica. Fl. 14585DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 16 (...) Dessa forma, a manifestação acima, além de se tratar de inquérito relativo a outras importações, não tratadas no presente processo, tem sua aplicação somente no âmbito do crime de falsidade ideológica, nada tendo sido mencionado sobre eventual irregularidade do feito administrativo, pelo contrário, consta o entendimento de que, para as irregularidades lá apuradas, já seria suficiente a reprimenda no âmbito fiscal. Assim, a referida petição em nada altera o Voto que se ora segue. I. Das penalidades questão prejudicial A motivação da autuação envolve duas questões principais: 1) Ocultação do real interessado nas mercadorias mediante simulação e presunção de interposição fraudulenta nas importações, das quais decorreu a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias em face da impossibilidade de suas apreensões, nos termos do art. 23, V, §§1º ao 3º do Decretolei nº 1.455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (...) 2) Arbitramento de preços para fins de determinação da base de cálculo dos tributos, do qual decorreu a exigência da diferença de tributos, multa de ofício proporcional e juros de mora, bem como da multa administrativa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o arbitrado, prevista no art. 88, parágrafo único da Medida Provisória nº 2.15835: Art.88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: (...) Fl. 14586DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.579 17 Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. De início, conforme trechos abaixo da autuação, observase que a motivação para o arbitramento de preço, sob o qual se sustenta a exigência da multa administrativa (item 2. acima) decorreu dos mesmos fatos que culminaram com a exigência da multa substitutiva da pena de perdimento por ocultação ou interposição fraudulenta (item 1. acima): (...) [fl. 6] 003 – DIFERENÇA APURADA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO OU O PREÇO DECLARADO E O PREÇO ARBITRADO Aplicação da multa administrativa por ter sido constatada diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado, conforme o que consta do Relatório Fiscal em anexo. Como resultado de Procedimento Especial de Controle Aduaneiro, aplicado sobre as mercadorias das Declarações de Importação (DI) abaixo, restou caracterizada a ocorrência da conduta de ocultação do real interessado nas mercadorias mediante simulação, fato que, além de sancionável com a aplicação da pena de perdimento, também impede apuração do preço efetivamente praticado nas operações, motivando seu arbitramento para fins de determinação da base de cálculo dos tributos. Nos termos da legislação, a ocorrência de diferença entre tal valor e aquele declarado nas DI é objeto de multa. Sendo assim, além das demais conseqüências inerentes ao caso, é efetuado o lançamento de tal penalidade. (...) [fl. 316] 3) Como já relatado na ação fiscal anterior, em especial no último parágrafo acima transcrito, a prática irregular de criação e utilização de entidades estrangeiras sabidamente sem substância fática, replicando condutas empregadas no Brasil pelo grupo empresarial de fato interessado, afasta qualquer possibilidade de se considerar os impressos denominados como Fatura Comercial (Commercial Invoice) como documentos representativos de um efetivo contrato de compra e venda e de uma efetiva negociação comercial internacional, conclusão que forçosamente se estende aos impressos supostamente emitidos pelos demais exportadores apresentados na Tabela C.3 do presente Relatório Fiscal, praticamente todos eles só apresentados à Fiscalização Aduaneira, nessa condição, após 07/2012, quando da conclusão da ação fiscal anterior e do desvelamento da inconsistência dos anteriores exportadores formais GOLDSTEIN TRADING e GEBADIL; destaquese que nesse rol estão incluídos os impressos apresentados como Faturas Comerciais instrutivas das declarações de importação (DI) objeto imediato da presente autuação, supostamente emitidos pelas entidades estrangeiras ROSAVA (DI nº Fl. 14587DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 18 13/22674550, nº 13/22809480, nº 13/22883140, nº 13/23107217, nº 13/23107594, nº 13/23107748, nº 13/23108086 e nº 13/23299787) e CHENG SHIN / MAXXIS (DI nº 13/22907058, nº 13/23132025, nº 13/23132491, nº 13/23132815 e nº 13/23134869), dado que, por conta de todos os fatos já apresentados, não se mostra minimamente viável considerar como idôneos, para esse e para qualquer outro fim, documentos nos quais seja parte a entidade ÁTILA PNEUS LTDA.; (...) (...) [fl. 317] O que foi apresentado no presente tópico, da mesma forma que no Relatório Fiscal anterior, objetiva contextualizar, no quadro de irregularidades mostrado, a questão do valor aduaneiro envolvido nas operações de importação sob análise, assim considerado aquele que serve de base para fins de se determinar os direitos aduaneiros; tendo em vista que, conforme detalhado, aquilo que consta nos impressos apresentados e identificados como Faturas Comerciais não pode ser tomado como base para tal finalidade, recorrese então à legislação relacionada. (...) [fl. 339] Assim agindo, e no âmbito da presente autuação, buscou, e efetivamente conseguiu, como já discorrido anteriormente, alcançar o(s) seguinte(s) objetivo(s), danoso(s) ao controle das operações de comércio exterior em sentido amplo: 1. OCULTOU os reais interessados nas operações ora analisadas, identificados como sendo constituintes de grupo empresarial de fato, (...) os fatos relatados constataram a utilização da pessoa jurídica ora autuada, inexistente de fato, como mero anteparo formal a encobrir as atividades de importação de pneumáticos novos realizadas no interesse de tal grupo opaco, quadro que pode ser definido como OCULTAÇÃO COMPROVADA; 2. Por outro lado, considerando também a total inadequação daquilo que foi apresentado a título de contabilidade, bem como as flagrantes irregularidades na própria constituição das pessoas jurídicas fornecedoras primárias dos vultosos recursos financeiros depositados nas contas correntes da empresa, empregados diretamente na efetivação das operações de comércio exterior analisadas, NÃO COMPROVOU a origem, regular e lícita, de tais recursos, quadro de OCULTAÇÃO PRESUMIDA que a legislação define como INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA; e 3. Através do uso de tal estrutura formal simulada, também IMPOSSILITOU a apuração do efetivo preço das mercadorias, para as quais foi então utilizado o arbitramento para fins de se determinar a base de cálculo dos tributos incidentes. (...) [fls. 341] Já em decorrência da conduta descrita no item 3. anterior, a legislação prevê ainda, além da exigência das diferenças dos tributos, a aplicação de multa sobre a diferença entre o preço declarado e aquele efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, como no caso, conforme previsão do Art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/01, de 24/08/2001, e seu regulamento do Art. 703 do mesmo Decreto nº 6.759/09. Fl. 14588DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.580 19 (...) [grifos e negritos não são do original] Há que se salientar que as conclusões sobres os exportadores GOLDSTEIN TRADING LLC e GEBADIL S/A apuradas na ação fiscal anterior não podem ser aproveitadas na presente ação fiscal, cujas importações não são provenientes de tais exportadores. No caso dos exportadores ROSAVA e MAXXIS, relativos a essas importações, o fato apurado de terem como distribuidor exclusivo no Brasil a empresa BS COLWAY também diz respeito à infração por interposição fraudulenta. Ocorre que o Regulamento Aduaneiro/2009, na redação acrescida pelo Decreto nº 8.010, de 16 de maio de 2013, dispõe expressamente, no § 1ºA do art. 703, que: Art. 703. Nas hipóteses em que o preço declarado for diferente do arbitrado na forma do art. 86 ou do efetivamente praticado, aplicase a multa de cem por cento sobre a diferença, sem prejuízo da exigência dos tributos, da multa de ofício referida no art. 725 e dos acréscimos legais cabíveis (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único).(Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). (...) § 1ºA Verificandose que a conduta praticada enseja a aplicação tanto de multa referida neste artigo quanto da pena de perdimento da mercadoria, aplicase somente a pena de perdimento. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) (...) Assim, no presente caso, deve ser excluída da autuação a multa administrativa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o arbitrado, em conformidade com o § 1ºA do art. 703 do Regulamento Aduaneiro/2009, sem prejuízo, em face da fraude apurada, do arbitramento dos preços para fins de cálculo do valor aduaneiro para a incidência da multa a ele equivalente (multa substitutiva da pena de perdimento) e para a exigência da diferença de tributos, multa de ofício e juros de mora, nos termos art. 86, I do Regulamento Aduaneiro: Art. 86. A base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria nas seguintes hipóteses: I fraude, sonegação ou conluio, quando não for possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88, caput); e (...) II. Preliminares: 1. Das preliminares da ÁTILA PNEUS LTDA: Das nulidades no Julgamento da DRJ/SP Fl. 14589DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 20 A) Da remessa da impugnação administrativa para julgamento pela 23ª Turma da DRJ/SP: A Portaria RFB 453/2013, publicada em 17/04/2013, instituiu o programa de Gestão Virtual do Acervo de Processos Administrativos Fiscais em contencioso administrativo de primeira instância, com o objetivo de centralizar em um único ambiente virtual os referidos processos, possibilitando uma melhor triagem e posterior distribuição otimizada para julgamento. Nessa esteira é que o presente processo foi encaminhado para a DRJRibeirão Preto, conforme determinado no art. 2º dessa Portaria, para triagem e depois distribuição otimizada, no caso, para a DRJSão Paulo. Embora a impugnação apresentada pela ora recorrente tenha sido anterior às novas normas de competência, o julgamento deve ser feito de acordo com as regras vigentes a sua época. As alterações de normas processuais são de ordem pública e têm aplicação imediata, alcançando os processos em curso, na fase em que se encontram, em referência ao princípio da imediatidade da norma processual. (TRT9 2232008872902 PR 22320088729 02, Relator: REGINALDO MELHADO, 5ª TURMA, Data de Publicação: 16/05/2008). Assim, não houve qualquer irregularidade na triagem, determinada por regra vigente na Receita Federal, e posterior julgamento pela DRJSão Paulo, que também tem competência material para o julgamento de processos de tributos sobre o comércio exterior. B) Da ausência de apreciação de documentos e informações relevantes Cerceamento do Direito ao Contraditório e à Ampla Defesa: Argumenta a recorrente que o Acórdão foi proferido embasado em documentos que nada se relacionam com as operações de importação registradas no final de 2013, devendo, a seu ver, ser declarado nulo. Ocorre, no entanto, não obstante tenha utilizado dos fatos apurados em outro processo, em relação à inexistência de fato da ATILA PNEUS, a fiscalização também os confirmou para o período das importações ora autuadas, conforme se depreende do trecho abaixo do Relatório Fiscal: (...) Por mais esse motivo, o texto apresentado na sequência sob o formato itálico é reprodução do Relatório Fiscal anterior sobre o tema15, o qual, apesar de se julgar (e ter sido efetivamente julgado) suficiente para se declarar a INEXISTÊNCIA DE FATO do Sujeito Passivo e, por consequência, a existência de terceiros ocultos nas operações analisadas, será complementado ao fim com elementos adicionais, obtidos da ação fiscal presente, e que inapelavelmente confirmam e reforçam todas as conclusões anteriores, ficando ainda mais evidente a prática de (novas) condutas flagrantemente criminosas e enganatórias para dar ares de regularidade e respeitabilidade a ente jurídico formal completamente desprovido de substância. (...) Não obstante, na ação fiscal atual uma vez mais foram exigidos comprovantes de constituição da empresa, aí incluídos comprovantes de integralização e/ou aumento de capital social, conforme o constante dos instrumentos constitutivos (vide o ANEXO 2, tanto do TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO inicial quanto do TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO/TERMO DE INCLUSÃO DE OPERAÇÕES, Fl. 14590DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.581 21 Documento Comprobatório n° 5). Do conjunto de documentos apresentados a título de atendimento a tais instrumentos requisitórios30, entretanto, nada foi acrescentado em relação à suposta integralização do capital social. (...) (...) C.4 Da continuidade dos negócios anteriores Da mesma forma que no tópico anterior, inicialmente se faz a pura e simples transcrição do conteúdo do tópico homônimo presente no Relatório Fiscal anterior, relevandose, por óbvio, as referências e numerações próprias do texto original, ao fim do qual são apresentados novos elementos pertinentes obtidos na ação fiscal atual. (...) Assim, rejeitase tal preliminar de nulidade. C) Da imprescindível produção de prova pericial para se alcançar a verdade material: Com a impugnação, a recorrente apresentou pedido de produção de prova pericial, o qual foi indeferido pela DRJ, em despacho devidamente motivado, inclusive rechaçando a necessidade de todos os quesitos formulados. O julgador administrativo, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento, mediante despacho devidamente fundamentado. No caso, entendeu o julgador de primeira instância que a produção da prova pericial era desnecessária para a solução da controvérsia sob o seu próprio ponto de vista, nada havendo este CARF a reformar nessa parte na decisão recorrida, que foi devidamente fundamentada. No mais, neste momento processual, além de estar preclusa, a produção de novas provas, nos termos do art. 16, §4° do Decreto nº 70.235/72, a lide posta em segunda instância pode ser resolvida com os documentos que já constam nos autos, conforme restará demonstrado ao final, razão pela qual o pedido alternativo da recorrente nesse sentido há de ser indeferido. D) Da flagrante alteração da fundamentação legal para manter os sócios da ora recorrente na posição de responsáveis solidários: Consta na autuação Relatório Fiscal e nos Termos de Responsabilização que as pessoas jurídicas foram responsabilizadas solidariamente com a autuada/importadora ostensiva com fundamento no art. 95, I do Decretolei nº 37/66, e as pessoas físicas, também com base no art. 135, III do CTN e no art. 1016 do Código Civil: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; Fl. 14591DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 22 (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Art. 1.016. Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. Sobre a responsabilidade solidária assim discorreu a decisão da DRJ: (...) A exigência discutida no presente Auto de Infração provem da prática de interposição fraudulenta de terceiros (inciso V e § 2º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76) que resultou na multa equivalente ao valor aduaneiro (§3º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76) decorrente da substituição da pena de perdimento por dano ao Erário, em razão da ocultação do sujeito passivo (inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76), além de outros tributos. Mas sobretudo, a exposição de um esquema fraudulento perpretado. Portanto, a tipificação das condutas, inclusive a da Sra. Alessandra, se dará não só como responsabilidade tributária, mas também como ilícito aduaneiro, na forma do artigo 94, inciso I, do DecretoLei n° 37/66. (...) A determinação do sujeito passivo da obrigação tributária principal é determinada pelo artigo 121 do Código Tributário Nacional: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II – responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. O artigo 128 do Código Tributário Nacional dispõe sobre a responsabilidade pelo crédito tributário de terceira pessoa: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Em se tratando de infração aduaneira o inciso I, do artigo 95, do Decreto Lei nº 37/66 é taxativo: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) Fl. 14592DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.582 23 A situação tipificada no inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76 constitui uma infração aduaneira. Portanto, a multa equivalente ao valor aduaneiro deriva de uma infração aduaneira. (...) Os impugnantes trazem em suas respectivas impugnações extensos argumentos quanto à solidariedade passiva tributária, o interesse jurídico e aos efeitos da solidariedade tributária; Todavia, esses argumentos são impertinentes porque se prestam a lidar com crédito tributário oriundo de uma relação jurídica tributária, que tem por gênese a prática de um determinado fato gerador. Por ser um esquema fraudulento, aqui retratado, implica em uma infração aduaneira cujo cometimento implica na aplicação da pena de perdimento e também na multa regulamentar; Pena de perdimento não tem natureza de tributo por força da definição do artigo 3º do Código Tributário Nacional. Assim, o instituto a ser considerado NÃO é o da solidariedade passiva tributária (própria de crédito tributário oriunda de fato gerador ) mas o da coautoria, na medida em que concorreram e se beneficiaram da infração, nos moldes do inciso I, do artigo 95, do DecretoLei nº 37/66. (...) Nesse diapasão, o artigo 94 do também DecretoLei n° 37/66, é suficientemente amplo para abrigar as mais diversas condutas (inclusive sua ausência no sentido de pactuar com o ilícito aduaneiro para proveito próprio), no seguinte sentido: (...) O artigo 94 do DecretoLei nº 37/66 é taxativo no sentido de que a responsabilidade por infração aduaneira é objetiva. Ainda agindo de boafé, cercado das cautelas de praxe, com razões suficientes para acreditar que está praticando um ato em conformidade com o direito, ainda que ignore o fato de seu ato ou de seus representantes estar em descompasso com a legislação, o Impugnante não pode se furtar de sua responsabilidade. (...) A boafé alegada, ainda que preponderante, por força do artigo 94 do DecretoLei nº 37/66, não tem o condão de afastar a responsabilidade por infrações da legislação aduaneira. (...) Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário público. (...) Dessa forma, verificase que o julgador a quo qualificou como "coautoria" a responsabilidade com base no art. 95, I do Decretolei nº 37/66 para as infrações aduaneiras, já utilizada pela fiscalização para fundamentar as responsabilidades, o que, a meu ver, não representa inovação no lançamento original. No entanto, esse julgador, acabou por se Fl. 14593DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 24 equivocar quanto à responsabilização das pessoas físicas, vez que a fiscalização autuante também se utilizou do art. 135, III do CTN para responsabilizar especificamente as pessoas físicas Ocorre que, a meu ver, embora o art. 95 do Decretolei nº 37/66 possa, e deva, ser utilizado para responsabilizar por infrações aduaneiras outras pessoas físicas ou jurídicas, além do agente direto da infração (art. 94 do Decretolei nº 37/66), que cometeu a ação ou omissão ilícita; tal dispositivo não se presta para a responsabilização solidária pelos tributos e multa de ofício, que estão no âmbito estritamente tributário. Não há que se olvidar que o presente auto de infração não trata somente de infrações aduaneiras, mas também da exigência de tributos e multa de ofício e, como se sabe, tributo não decorre de sanção de ato ilícito. A Portaria RFB nº 2.284/2010 (DOU de 30/11/2010), que dispõe sobre os procedimentos a serem adotados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, assim orienta os AuditoresFiscais na lavratura de auto de infração: Art. 2º Os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, na formalização da exigência, deverão, sempre que, no procedimento de constituição do crédito tributário, identificarem hipóteses de pluralidade de sujeitos passivos, reunir as provas necessárias para a caracterização dos responsáveis pela satisfação do crédito tributário lançado. § 1º A autuação deverá conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações apuradas e do vínculo de responsabilidade. § 2º Na hipótese de que trata o caput, não será exigido Mandado de Procedimento Fiscal para os responsáveis. Assim, diante da falta de embasamento legal para a responsabilização pelos tributos exigidos, entendo que deve excluída a responsabilidade das pessoas jurídicas arroladas como solidárias no que concerne à exigência dos tributos e da multa de ofício. Com efeito, tendo em vista que a responsabilização das pessoas físicas como base no art. 135, III do CTN sustentase também na própria responsabilidade da pessoa jurídica da qual faz parte, deve também ser excluída, no que diz respeito aos tributos e à multa de ofício, a responsabilidade das seguintes pessoas físicas: LUIZ BONACIN FILHO, FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO, MANUELA BONETO RODRIGUES, ALESSANDRA BONACIN BUTTCHEWITS, PRISCILLA BONACIN, RONI MAUER, YANAI GOTTLIEB e JOSÉ ROVILSOM DE SOUZA DIAS. Das preliminares de nulidade do auto de infração e dos trabalhos desenvolvidos no PECA: Argumenta inicialmente a recorrente que, diante da ausência de efetiva análise das preliminares de nulidade no Acórdão recorrido, mereceria ser declarado nulo o julgamento. Ocorreu que o julgador a quo entendeu que as alegações preliminares das impugnantes seriam relacionadas com o mérito, razão pela qual pareceulhe adequado apreciar diretamente o mérito, no qual estariam diluídas as questões preliminares, analisando em Fl. 14594DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.583 25 separado apenas a questão preliminar da "prova emprestada", conforme se vê abaixo, não havendo a nulidade suscitada: (...) Muito embora os impugnantes apresentem questões PRELIMINARES, entendese adequado tratar todas as questões suscitadas no MÉRITO, por entender que são assuntos correlacionados. Oportunamente, em sede de PRELIMINAR, o Relator toma iniciativa de trazer a questão da legalidade da PROVA EMPRESTADA. Indispensável discorrer sobre o instituto da “prova emprestada”: A prova produzida em outro processo sob a forma documental, é transladada e valorada pelo julgador que não está adstrito a lhe fornecer igual valor que lhe foi originalmente conferida. Assim, a prova emprestada consiste na utilização no processo de prova que foi produzida em outro. (...) A) Dos efeitos suspensos do PAF Nº 10907.720985/201285: Alega a recorrente que, enquanto não houver julgamento definitivo do processo nº 10907.720985/201285, que se encontraria com a exigibilidade suspensa, aguardando julgamento perante o CARF, as suas conclusões não poderiam ser adotadas como verdade absoluta. Não obstante os fatos apurados naquele outro processo, dos quais também resultou a baixa de ofício do CNPJ da recorrente ÁTILA PNEUS, tenham motivado a instauração da presente ação fiscal e tenham sido relevantes para definir a linha de investigação no que concerne às importações sob estudo, efetuadas no mês de novembro de 2013, os presentes autos não dependem do julgamento do processo nº 10907.720985/201285, que trata de infrações aduaneiras no período de apuração de 16/03/2012 a 15/05/2012. B) Do erro quanto à eleição da Instrução Normativa a partir do que consignou o Acórdão: Reclama a recorrente que, como nunca foi submetida ao procedimento de fiscalização sob a IN SRF nº 228/2002, assim não teria sido analisado, de forma pontual, a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação, mas sim a capacidade operacional da empresa ATILA PNEUS. É verdade que a Instrução Normativa nº 228/20002 dispõe sobre o procedimento específico de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e, neste caso, tal procedimento de fiscalização não precisou ser aplicado, o que não invalida a conclusão da fiscalização, vez que a impossibilidade de comprovação pela autuada da sua capacidade financeira decorreu da ausência de consistência da sua contabilidade e das irregularidades na constituição das empresas fornecedoras dos recursos, nesses termos: (...) considerando também a total inadequação daquilo que foi apresentado a título de contabilidade, bem como as flagrantes irregularidades na própria constituição das pessoas jurídicas Fl. 14595DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 26 fornecedoras primárias dos vultosos recursos financeiros depositados nas contas correntes da empresa, empregados diretamente na efetivação das operações de comércio exterior analisadas, NÃO COMPROVOU a origem, regular e lícita, de tais recursos, quadro de OCULTAÇÃO PRESUMIDA que a legislação define como INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA; e (....) C) Do conflito de conceitos e do erro material insanável: Não há o apontado vício quanto ao critério pessoal ou conflito de conceitos na autuação, pois a ÁTILA PNEUS não foi desqualificada como importador, que fez com que as mercadorias dessem entrada no território nacional, tendo a fiscalização apenas concluído que a ora recorrente "OCULTOU os reais interessados nas operações ora analisadas, identificados como sendo constituintes de grupo empresarial de fato". D) Da ausência de individualização da responsabilidade imputada: Como a fiscalização concluiu que a recorrente ÁTILA PNEUS realizou as importações no interesse do grupo empresarial de fato, como um todo, e não especificamente para alguns, não há nulidade em face da inclusão no pólo passivo de todas as empresas do grupo, devendo a sua procedência ou não ser apurada no exame do mérito. E) Da ausência de cumprimento do prazo legal do PECA Conforme previsto nos dispositivos abaixo da Instrução Normativa RFB nº 1169, de 29 de junho de 2011, DOU de 30/06/2011, embora o prazo máximo para a conclusão do procedimento especial de controle aduaneiro com a retenção das mercadorias seja de 180 dias, nele não se inclui o prazo para atendimento às intimações pelo fiscalizado: Art. 5º A mercadoria submetida ao procedimento especial de controle de que trata esta Instrução Normativa ficará retida até a conclusão do correspondente procedimento de fiscalização. Parágrafo único. A retenção da mercadoria antes de iniciado o despacho aduaneiro não prejudica a caracterização de abandono, quando for o caso, nem impede o registro da correspondente declaração por iniciativa do interessado. Neste caso, o despacho aduaneiro deverá ser imediatamente interrompido, prosseguindose com o procedimento especial. Art. 9º O procedimento especial previsto nesta Instrução Normativa deverá ser concluído no prazo máximo de 90 (noventa) dias, prorrogáveis por igual período. § 1º O curso dos prazos de que trata este artigo ficará suspenso: I a partir da data da ciência do interessado de qualquer intimação, voltando a correr no dia do atendimento; (...) Art. 10. Concluído o procedimento especial e comprovados os ilícitos, lavrarseá o correspondente auto de infração com proposta de aplicação da pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos da legislação vigente. Art. 11. O encerramento do procedimento especial não prejudica a aplicação de penalidades às infrações constatadas, inclusive aquelas decorrentes da prática de qualquer ato por parte do Fl. 14596DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.584 27 importador, exportador, ou outro interveniente, que tenha impedido ou dificultado a condução do procedimento, ou a sua conclusão. Parágrafo único. O ato previsto no caput deverá ser documentado por meio de termo de constatação, sem prejuízo de aplicação da multa prevista na alínea "c" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. No caso, tendo o prazo se iniciado em 27/12/2013, as mercadorias foram liberadas por decisão judicial de 12/04/2014 no Mandado de Segurança n° 5004413 80.2014.404.7000/PR, não ficando, portanto, retidas por prazo superior a 180 dias. Ademais, conforme disposto nos arts. 10 e 11 acima, o encerramento do procedimento especial não prejudica a lavratura do auto de infração para a aplicação das penalidades cabíveis. Esclareçase que o que o prazo máximo para encerramento de procedimentos fiscais resguardam é que a contribuinte não sofra uma fiscalização indefinida, encerrandose a fase instrutória da autuação neste período, nada obstando a lavratura do auto de infração fora deste período. Não há que se olvidar que a competência para a autoridade fiscal efetuar o lançamento decorre diretamente da lei. F) Da prova emprestada versus Da conclusão emprestada Nulidade do auto de infração que contaminou o Acórdão Ofensa à ampla defesa, Contraditório e Flagrante cerceamento de defesa Conforme já esclarecido neste Voto, apesar de a fiscalização ter se utilizado dos fatos apurados em outro processo, ela também os confirmou para o período das importações ora autuadas, razão pela qual não procede a alegação da recorrente de que haveria cerceamento no seu direito de defesa ou ausência de conexão da infração com as provas coletadas. Como também já salientado acima, embora os fatos apurados em outro processo, dos quais também resultou a baixa de ofício do CNPJ da recorrente ÁTILA PNEUS, tenham motivado a instauração da presente ação fiscal e tenham sido relevantes para definir a linha de investigação no que concerne às importações sob estudo, efetuadas no mês de novembro de 2013, os presentes autos não dependem do julgamento do processo nº 10907.720985/201285, que trata de infrações aduaneiras no período de apuração de 16/03/2012 a 15/05/2012. G) Da ausência de precisão técnica Nulidade: A fiscalização identificou várias inconsistências na contabilidade da recorrente e na própria constituição da pessoa jurídica, o que fez motivadamente, com a garantia de contraditório à recorrente, não havendo que se falar em necessidade de perícia técnica ou de nulidade do auto de infração. Fl. 14597DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 28 2. Das preliminares dos demais recorrentes: Não procede a alegação desses recorrentes de que a decisão recorrida teria deixado de analisar seus argumentos. Com efeito, entendeu o julgador de primeira instância que os recorrentes seriam coautores da infração e dela se beneficiariam, nos moldes do inciso I, do artigo 95, do DecretoLei nº 37/66, sendo que os argumentos dos impugnantes quanto à solidariedade passiva tributária, o interesse jurídico e aos efeitos da solidariedade tributária, seriam, a seu ver, impertinentes porque se prestariam a lidar com crédito tributário oriundo de uma relação jurídica tributária, o que não seria o caso. Ademais, conforme entendimento assentado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ, REsp nº 902010/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 15/12/2008), desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a sua decisão, o julgador não é obrigado a rebater todos os argumentos trazidos pelas partes. No mais, as preliminares desses recorrentes, em essência, dizem respeito à ausência de suas responsabilidades tributárias, mas não se verifica nulidade na sujeição passiva solidária quanto às infrações aduaneiras de ocultação do sujeito passivo e presunção de interposição fraudulenta na importação, eis que foi devidamente motivada pela fiscalização. A verificação da legitimidade passiva dos responsáveis solidários pode ser melhor apreciada após a análise do mérito das infrações neste Voto. III Do mérito: É de se esclarecer, conforme decidido mais acima neste Voto, que, tendo sido exonerada a multa administrativa e excluída a responsabilidade tributária de alguns solidários relativamente aos tributos e à multa de ofício, remanesce ainda na autuação até o momento: a) para a autuada ÁTILA PNEUS e seus administradores, LUIZ BONACIN NETTO e GABRIELA BONETO RODRIGUES, os tributos, juros de mora, multa de ofício e a multa equivalente ao valor aduaneiro, decorrente do cometimento das infrações de ocultação do sujeito passivo na importação mediante fraude ou simulação e de presunção de interposição fraudulenta em face da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior; e b) para as pessoas físicas e jurídicas solidárias, com base no art. 95, I do Decretolei nº 37/66, a responsabilidade pelas referidas infrações, ambas puníveis com a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, em substituição à pena de perdimento. Assim, não procede a alegação de que a recorrente ÁTILA PNEUS esteja sendo duplamente penalizada pela ocultação do sujeito passivo na importação e pela presunção de interposição fraudulenta, eis que em face dessas infrações foi aplicada somente uma penalidade, no caso, a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias que não foram localizadas para a aplicação da pena de perdimento. É certo que uma empresa que tenha capacidade operacional e financeira para operar e que atenda aos normas de habilitação ao comércio exterior e de importação pode importar regularmente, desde que também identifique, se for o caso, os reais adquirentes ou encomendantes das mercadorias. Assim, importa analisar se, in casu, as 13 importações registradas entre 18 e 26/11/2013 atenderam a essas referidas normas. Fl. 14598DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.585 29 Da presunção de interposição fraudulenta: Alega a recorrente que o expresso deferimento de sua habilitação e as sucessivas concessões de aumento de sua capacidade operacional fez nascer para a ÁTILA PNEUS a confiança no ato de autorização da RFB, sendo vedado que a fiscalização venha adotar atos na direção contrária. Ocorre que, embora, para a concessão dessa habilitação, todo importador seja submetido à análise fiscal sob um aspecto preventivo e à estimativa da capacidade financeira semestral para operar no comércio exterior, tratase meramente de uma análise preliminar para que seja autorizada a operar no comércio exterior, não havendo qualquer óbice a que seja fiscalizado o seu despacho de importação ou efetuada a revisão aduaneira das suas importações. Pelo contrário, para que uma empresa seja selecionada qualquer ação fiscal relativa à importação é pressuposto necessário que a empresa esteja previamente habilitada a atuar no comércio exterior e tenha efetivamente realizado operações de importação. Não há que se olvidar também que a estimativa de volume para operar semestralmente no comércio exterior é efetuada com base na capacidade financeira potencial da pessoa jurídica com base em recolhimentos de tributos efetuados pela requerente nos 5 anoscalendário anteriores ao pedido de habilitação, enquanto a verificação da origem do recursos aplicados nas operações de comércio exterior é realizada em relação às concretas operações efetuadas no período fiscalizado. Assim, não há qualquer lesão à segurança jurídica ou ao princípio da legalidade, mas o devido cumprimento das normas atinentes à fiscalização dos tributos e controle de comércio exterior. Como se sabe, todos os contribuintes estão potencialmente sujeitos a um procedimento fiscal dentro do prazo decadencial dos tributos objeto de lançamento por homologação. No presente caso, os despachos da recorrente foram selecionados para fiscalização no canal cinza de conferência aduaneira, nos seguintes termos: – Verificouse que o motivo inicial das operações terem sido selecionadas para serem submetidas a procedimento especial foi decorrente da incidência da previsão contida no Art. 3º, II, da Instrução Normativa RFB nº 1.169/11, de 29/06/2011, por decisão centralizada da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana) e mediante direcionamento para o canal cinza de conferência aduaneira; os elementos para tanto foram expostos em sistema interno da Receita Federal em 18/11/2013, tendo por objeto imediato o Sujeito Passivo e nos seguintes termos: (...) Conforme o texto, tratavase de suspeita de ocultação de pessoas, tendo em vista o conteúdo do Relatório Fiscal do Auto de Infração contido no processo administrativo nº 10907.720985/201285 (Documento Comprobatório nº 2); referida autuação, cujo objeto foi o lançamento tributário de crédito no valor original de R$ 29.734.696,85, foi lavrado em decorrência de ação fiscal conduzida pela Alfândega da Receita Fl. 14599DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 30 Federal do Porto de Paranaguá (ALF/PARANAGUÁ) no ano de 2012 e que, no momento da inclusão do alerta acima, já havia sido julgado3 procedente na primeira instância administrativa pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife (DRJ/REC), conforme Acórdão anexado (Documento Comprobatório nº 3) e detalhe abaixo; (...) É de se frisar que, da mesma ação fiscal que redundou no auto de infração nº 10907.720985/201285, decorreu também a lavratura de outro, autuado no processo administrativo nº 10907.721051/201261, de mesma natureza do primeiro e de cujo julgamento inicial, executado por outro órgão julgador (DRJ/SÃO PAULO I), adveio novo juízo de procedência, conforme Acórdão (Documento Comprobatório nº 4), expedido em 29/01/2014 e cujo detalhe é abaixo apresentado: (...) A análise preliminar foi então concluída à vista do conjunto de informações resultantes das ações e levantamentos acima referidos, os quais foram julgados suficientes para confirmar a existência de fundadas suspeitas de irregularidades puníveis com a pena de perdimento. Por conseqüência e com base nas informações e na conclusão acima citada, a(s) operação(ões) de comércio exterior sob análise foi(ram) selecionada(s) para ser(em) submetida(s) a procedimento especial de controle aduaneiro nos termos do disposto no art. 68 da Medida Provisória nº 2.15835/01, de 24/08/2001, regulamentado pelos Art. 49 da IN SRF nº 680/06, de 02/10/2006, e IN RFB nº 1.169/11, de 29/06/2011: (...) Não obstante a questão da inexistência de fato tenha sido apurada em ação fiscal precedente, no presente procedimento fiscal foi oferecida oportunidade à recorrente para comprovar a integralização do capital social, nesses termos: "(...) Não obstante, na ação fiscal atual uma vez mais foram exigidos comprovantes de constituição da empresa, aí incluídos comprovantes de integralização e/ou aumento de capital social, conforme o constante dos instrumentos constitutivos (...). Do conjunto de documentos apresentados a título de atendimento a tais instrumentos requisitórios30, entretanto, nada foi acrescentado em relação à suposta integralização do capital social. (...)". Com relação à mão de obra da recorrente, o que causou estranhamento à fiscalização foi a incompatibilidade da quantidade de empregados com o volume de operações efetuadas pela ÁTILA PNEUS, além do fato de existir vários funcionários vinculados a outras empresas do grupo de fato. Esse elemento, não por si só, mas aliado aos outros já existentes, como, por exemplo, a falta de comprovação de integralização do capital social da pessoa jurídica, conduz também no sentido da criação de uma empresa simulada para atender aos interesses do grupo. Quanto à alegação da recorrente de que, sobre a sua ausência de capacidade econômica, a fiscalização somente teria alegado e nada comprovado é de se esclarecer que, nos termos do art. 23, V e §2º do DecretoLei nº 1.455/76, abaixo transcrito, o ônus da prova é do próprio importador e não da fiscalização, sendo que, se o importador não obtém êxito nesse intento, formase em favor da fiscalização a presunção de interposição fraudulenta: Fl. 14600DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.586 31 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) Assim, sendo da recorrente o ônus da prova de tal fato, há de ser indeferido seu pedido no sentido de que se autorize a produção de prova técnica contábil, vez que as diligências e perícias não se prestam a suprir o ônus probatório das partes. Embora não tenha sido aplicado ao caso o procedimento específico veiculado pela Instrução Normativa SRF nº 228/2002 (DOU de 23.10.2002), ela estabelece alguns contornos sobre a verificação pela fiscalização da comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações, conforme arts. 4º e 6º transcritos abaixo: Art. 4º O procedimento especial será iniciado mediante intimação à empresa para, no prazo de 20 dias: I comprovar o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e II comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. § 1º Os elementos de prova deverão ser apresentados à unidade da SRF de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento matriz da empresa. (...) Art. 6º Para efeito de cumprimento do disposto no inciso II do caput do art. 4º, além dos registros e demonstrações contábeis, poderão ser apresentados, dentre outros, elementos de prova de: I integralização do capital social; II transmissão de propriedade de bens e direitos que lhe pertenciam e do recebimento do correspondente preço; III financiamento de terceiros, por meio de instrumento de contrato de financiamento ou de empréstimo, contendo: a) identificação dos participantes da operação: devedor, fornecedor, financiador, garantidor e assemelhados; b) descrição das condições de financiamento: prazo de pagamento do principal, juros e encargos, margem adicional, valor de garantia, respectivos valoresbase para cálculo, e parcelas não financiadas; e Fl. 14601DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 32 c) forma de prestação e identificação dos bens oferecidos em garantia. § 1º Quando a origem dos recursos for justificada mediante a apresentação de instrumento de contrato de empréstimo firmado com pessoa física ou com pessoa jurídica que não tenha essa atividade como objeto societário, o provedor dos recursos também deverá justificar a sua origem, disponibilidade e, se for o caso, efetiva transferência. § 2º Os elementos de prova referentes a transações financeiras deverão estar em conformidade com as práticas comerciais. § 3º No caso de comprovação baseada em recursos provenientes do exterior, além dos elementos de prova previstos no caput, deverá ser apresentada cópia do respectivo contrato de câmbio. § 4º Na hipótese do § 3º, caso o remetente dos recursos seja pessoa jurídica, deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial. Não há que se olvidar também que a escrituração contábil regular, mantida com a observância das disposições legais e com base em contratos e documentos apropriados, é um importante meio de prova de que dispõe a contribuinte para comprovar, em relação aos recursos empregados nas operações de comércio exterior, a origem (de onde e quando veio o numerário), a disponibilidade (posse do numerário no momento de pagar a operação) e a transferência (efetiva migração do numerário para o pagamento da operação). Com efeito, para analisar se a situação concreta relatada nos autos subsume se ao tipo legal que define a infração (§2° do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76), importa primeiro verificar se foi oferecida pela fiscalização oportunidade à autuada para que ela comprovasse a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações sob análise, o que efetivamente ocorreu mediante o Termo de Início de Fiscalização, de 27/12/2013, tendo sido ainda, no ANEXO 2, prescrita a orientação para atendimento pela autuada, nesses termos: TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO: (...) (...) ANEXO 2: Fl. 14602DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.587 33 (...) Com efeito, ao final do procedimento fiscal, diante da análise da documentação apresentada pela fiscalizada e de outros elementos, concluiu a fiscalização que, além das "flagrantes irregularidades na própria constituição das pessoas jurídicas fornecedoras primárias dos vultosos recursos financeiros depositados nas contas correntes da empresa, empregados diretamente na efetivação das operações de comércio exterior analisadas", a contabilidade da contribuinte revelouse imprestável para fins de comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos empregados nas operações de importação realizadas no período fiscalizado. Fazendo um histórico sobre tal questão, importa registrar que: 1) Conforme constam nos autos, mediante o processo administrativo nº 10907.720988/201219 e Ato Declaratório Executivo nº 37, de 5 de março de 2014, DOU de 07/03/2014 (Seção 1, página 39), foi baixada de ofício a inscrição no CNPJ da empresa ÁTILA PNEUS LTDA. No entanto, no Agravo de Instrumento nº 500590388.2014.404.0000/PR foi deferido em parte a medida liminar para restabelecer a inscrição da empresa até a conclusão da instrução processual. 2) No referido processo administrativo, anteriormente à presente ação fiscal, foi apurado em relação à ÁTILA PNEUS, em síntese, que: (...) todo seu patrimônio e toda sua capacidade operacional é detida, de fato, por outras pessoas jurídicas, as quais compõem certo grupo informal que, todavia e em decorrência de sua própria condição de informalidade, não pode ser oposto à Fiscalização Aduaneira em particular como detentor de qualquer direito e sujeito de qualquer obrigação, bem como ao qual não é dado qualquer privilégio em relação ao que determina a legislação aplicável ao comércio exterior. (...) criouse e se quis dar aparência de existência, mediante diversos níveis simulatórios, pessoa jurídica que, de fato, inexiste, por completa ausência de estrutura operacional e patrimônio próprios, necessários a consecução de seu objeto social, sequer tendo sido comprovada de forma inequívoca a integralização do capital social conforme descrito em seu instrumento constitutivo; com base em tal artifício (criação meramente formal de pessoa jurídica e sua apresentação como importadora e adquirente de mercadorias), permaneceu oculto, de forma indevida, o real interessado das operações de importação analisadas e de todas as anteriores na mesma situação. (...) Fl. 14603DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 34 3) Na Informação Fiscal no referido processo que analisou os argumentos da ÁTILA PNEUS apresentados em contraposição à representação para baixa de ofício, verificou se a inabilidade da documentação apresentada para comprovar a integralização do Capital Social, nesses termos: (...) (...) 4) Após a ação fiscal anterior, no que concerne à evolução societária, a ÁTILA PNEUS informou a existência de 12 (doze) alterações contratuais/societárias, apurando a fiscalização ora autuante nesse aspecto que: A partir da data de 13/04/2012 e até 18/10/2013 entretanto, se seguiram outras cinco alterações societárias (da 7° até a 11°) que, formalizando incomuns e expressivas capitalizações das pessoas jurídicas então apresentadas como sócias, fizeram aumentar o capital social do Sujeito Passivo dos anteriores R$ 12.600.000,00 formais que, relembrese, NÃO TIVERAM SUA EFETIVA INTEGRALIZAÇÃO COMPROVADA, para um capital social total de R$ 240.000.000,00, conforme quadros resumo abaixo; ressaltese que se trata de uma movimentação total de R$ 227.400.000,00 em um período de 18 meses: O primeiro fato relevante em relação às referidas alterações societárias acima, em confronto com o que foi apresentado e chamado de comprovantes (Documento Comprobatório n° 10) e com outras pesquisas efetuadas, é que os aumentos registrados nas 7° e 8° alterações (Telas C.18 e C.19) foram efetivados, de forma completamente atípica, dado o volume de recursos, por quatro DEPÓSITOS EM DINHEIRO (ESPÉCIE) que Fl. 14604DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.588 35 totalizaram R$ 38.400.000,00. A atipicidade é ainda mais contundente quando se verifica que tais pessoas jurídicas, não obstante tivessem sido formalizadas ambas em 11/2010, SEQUER MOVIMENTARAM CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS ATÉ 06/2012, levantando, de plano, questionamentos acerca da real e efetiva atividade de negócios que amparasse tamanha geração de recursos À MARGEM DO SISTEMA BANCÁRIO. Baseado na necessidade de se levantar informações adicionais a respeito de tal fato, indiciário da prática de novas e graves irregularidades, foram formalizadas ações de Diligência32 dirigidas às pessoas jurídicas VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ 13.007.580/000190, ORION PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ 12.946.366/000137, e ainda à VENTURA & ORION GESTÃO EMPRESARIAL S/A, CNPJ 13.622.872/000133, pessoa jurídica já citada no Relatório Fiscal anterior; não por acaso, tais empresas apresentam praticamente idêntico domicílio fiscal, apesar de, no cadastro da fornecedora de energia elétrica, constar o registro de existência de apenas uma delas (vide telas na sequência). Do resultado de tais ações se obteve a comprovação de que também tais entidades foram criadas de modo meramente formal, sendo seus instrumentos constitutivos novas peças simulatórias, conforme adiante detalhado. 5) Das diligências efetuadas nas empresas VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A., ORION PARTICIPAÇÕES S.A. e VENTURA & ORION GESTÃO EMPRESARIAL S/A resultou a representação de tais empresas para fins de baixa da suas inscrições no CNPJ por inexistência de fato, tendo em vista, em síntese, a falta de comprovação de integralização do capital social dessas empresas, falsidade na documentação apresentada para tal, graves inconsistências nos seus registros contáveis e utilização de sistemática irregular semelhante à utilizada na criação da empresa ÁTILA PNEUS LTDA. 6) Diante das diversas irregularidades constatadas, tanto na própria constituição das entidades envolvidas quanto nos registros contábeis a elas atribuídos, concluiu a fiscalização que não havia a mínima condição de se tomar como lícitos e regulares, na sua totalidade, os recursos delas advindos. 7) Na diligência efetuada na empresa VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A. apurouse, em síntese: A pessoa física que recebeu o Termo de Intimação era ALEXANDRE DIAS DA SILVA RIBEIRO DE FREITAS, que foi uma das testemunhas de todos os atos societários da ÁTILA PNEUS LTDA. e que tinha vínculos empregatícios em outras empresas do grupo de fato, o que "tomado em conjunto com diversos outros no mesmo sentido já apresentados, deixa transparecer a existência e atuação, ativa e perene, de grupo empresarial de fato por trás das operações ostensivas das entidades formalmente constituídas, grupo do qual referida pessoa física inegavelmente faz parte". À vista unicamente do Contrato Social registrado na Junta Comercial do Paraná, (...) a entidade havia sido constituída com um capital social total de R$ 2.085.000,00 sendo que, destes, R$ 330.677,43 foram integralizados EM DINHEIRO (MOEDA CORRENTE NACIONAL) em 17/11/2010, data de registro do Contrato na Junta, e os R$ 1.754.322,57 foram integralizados pela incorporação (ao patrimônio da entidade) de um total de 04 (quatro) imóveis residenciais então pertencentes aos sócios CHÁCARA SUIÇA Fl. 14605DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 36 PARTICIPAÇÕES S/A, CNPJ 05.098.733/000124, e BS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A, CNPJ 02.995.038/000177. No entanto, a explicação da empresa é contraditória ao afirmar que "os R$330.677,43 ficaram “...disponíveis para utilização em sua c/corrente na Mississipi”", eis que não se trata de valor efetivamente disponibilizado em espécie, no caixa ou em conta corrente bancária da entidade, como informado no Contrato Social. Também, em verificação nos cartórios de registros a situação dos imóveis descritos no Contrato Social, apurouse que o imóvel de matrícula n° 60.741, "DESDE 07/2002 é de propriedade da empresa CHÁCARA SUIÇA PARTICIPAÇÕES S/A, NÃO CONSTANDO QUALQUER ALTERAÇÃO NO ANO DE 2010; desde 07/2012 encontrase INDISPONÍVEL por força de Medida Cautelar Fiscal". O mesmo ocorreu com os imóveis de matrículas n°s 16.122 e 40.200. Por fim, em relação ao imóvel de matrícula n° 33.858, "a propriedade do imóvel passou à BS EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A (razão social atual de BS FRANQUIAS LTDA./BS ENTERPRISES EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA) em 06/2002, não sendo alterada desde então". Aprofundandose na análise das transferências bancárias relativas ao aumento do capital social da VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A. na ÁTILA PNEUS LTDA., verificase que, dos extratos da conta corrente bancária apresentados por aquela (VENTURA BRASIL), da qual foram oriundos um total de R$ 78.075.000,00 a tal título, constatase com clareza o mero trânsito de valores por tal conta, os quais eram oriundos por sua vez da já citada VENTURA & ORION GESTÃO EMPRESARIAL S/A, CNPJ 13.622.872/000133, já apresentada no Relatório Fiscal anterior como pessoa jurídica “prestadora de serviços de gestão financeira” da ÁTILA PNEUS LTDA., à semelhança do que foi dito em relação à MISSISSIPI FOMENTO DE NEGÓCIOS S/A. 8) Na diligência efetuada na empresa ORION PARTICIPAÇÕES S.A., constatou a fiscalização, em essência, que: Da mesma forma, verificouse que, em contradição ao seu Contrato Social, a empresa "“interpretou” a cláusula do capital social de outra forma, transmutando dinheiro em “disponibilidade”, aferível em uma esdrúxula e ilegal conta corrente supostamente mantida por outra pessoa jurídica". Novamente, nos cartórios de registros a respeito da situação dos bens imóveis mencionados no contrato social, apurouse simulação na afetação de patrimônios à terceira entidade sem efetivamente fazêlo e, com isso, possibilitando aparentar capacidade econômica inexistente. Vejase que, na contabilidade da ORION PARTICIPAÇÕES S.A., a Primeira Alteração, com a lá declarada incorporação de imóveis, JAMAIS FOI SEQUER LANÇADA: conforme o RAZÃO da conta CAPITAL SUBSCRITO, em data somente próxima àquela da Primeira Alteração do Contrato Social (03/01/2011) consta apenas um estranho lançamento, que daria conta da entrada na entidade, como novo sócio, não da TRINCHETTE PARTICIPAÇÕES que consta no ato constitutivo, mas da VIP JET AEROTÁXI LTDA.,CNPJ 02.211.747/000114, cuja participação seria então de R$ 1.770.000,00, valor também em nada condizente com o ato registrado na Junta Comercial. Mais uma vez, não por coincidência, a VIP JET é outra entidade com claros e evidentes vínculos com o grupo empresarial de fato já mencionado e que, novamente, desponta do emaranhado de atos meramente formais engendrados para, justamente, mantêlo oculto. Fl. 14606DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.589 37 (...) tal participação da VIP JET AEROTÁXI na ORION PARTICIPAÇÕES, que surgiu de modo inexplicável na contabilidade desta, dado que desamparada de qualquer instrumento societário probante, igualmente deixou de existir dois anos depois (02/01/2013) também inexplicavelmente, posto que identificada sob o inacreditável histórico de ESTORNO. Aprofundandose também na análise das transferências bancárias relativas ao aumento do capital social da ORION PARTICIPAÇÕES S.A. na ÁTILA PNEUS LTDA., constatase que, dos extratos da conta corrente bancária apresentados por aquela (ORION PARTICIPAÇÕES), de onde se originaram um total de R$ 37.021.000,00 a tal título, novamente se constata claramente o mero trânsito de valores pela conta, originários igualmente da mesma VENTURA & ORION GESTÃO EMPRESARIAL S/A, CNPJ 13.622.872/000133, apresentada no Relatório Fiscal anterior como pessoa jurídica “prestadora de serviços de gestão financeira” da ÁTILA PNEUS LTDA., à semelhança do que foi dito em relação à MISSISSIPI FOMENTO DE NEGÓCIOS S/A. 8) Foi efetuada também diligência na empresa VENTURA & ORION GESTÃO EMPRESARIAL S/A, CNPJ 13.622.872/000133, tendo em vista que, além de ela ter sido apresentada no Relatório Fiscal anterior como relevante partícipe dos negócios da ÁTILA PNEUS LTDA., atualmente possui fluxo representativo de praticamente 70% de todos os créditos na conta corrente bancária do BRADESCO da ÁTILA PNEUS, apurandose que: Os lançamentos contábeis irregulares apresentados, efetuados inclusive antes da própria existência formal da entidade, confirmam a completa imprestabilidade de tais registros contábeis como elemento probante de evolução patrimonial. Esses registros também corroboram no sentido de que há um íntimo e intrincado entrelaçamento entre as diversas entidades componentes do grupo empresarial de fato que comanda os negócios sob análise, o que "não permite individualizar adequadamente o patrimônio contábil dos entes envolvidos, tampouco identificar de forma inequívoca a real natureza das operações que se realizam, sem falar na indevida e inaceitável geração cruzada de patrimônios contábeis, patrimônios estes que podem ser (e seguramente são) empregados para embasar operações financeiras, creditícias ou de qualquer outra ordem em favor de seus benefíciários". (...) vejase que dentre os lançamentos efetuados antes da existência formal da VENTURA & ORION – GESTÃO EMPRESARIAL S/A, os mais relevantes em termos de valor fizeram surgir no patrimônio da entidade (ativo e passivo) um total de R$ 23.900.000,00 sob o histórico de ADTO. POR MÚTUO, os quais teriam sido concedidos pelas pessoas físicas ALESSANDRA BONACIN BUTTCHEWITS, FERNANDO FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES e LUIZ BONACIN NETTO, sócios iniciais formais do quadro societário da própria ÁTILA PNEUS LTDA. e inegavelmente componentes do grupo empresarial de fato; além do histórico de tais lançamentos mostrarse inconsistente com as denominações das contas contábeis envolvidas, diferentemente do que o termo MÚTUO sugere, seu objeto eram supostos créditos contábeis, não recursos financeiros efetivos, visto que não houve contrapartidas para conta CAIXA ou contas BANCOS;". 9) Acerca da capacidade econômica da empresa ÁTILA PNEUS entendeuse na ação fiscal anterior que "o capital próprio da empresa (Patrimônio Líquido) no início de cada ano era completamente incompatível com os vultosos gastos incorridos, sem qualquer exceção, donde se conclui que a empresa não possuía capacidade econômica (conforme Fl. 14607DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 38 anteriormente definido) para a realização das importações, só conseguindo efetiválas com o uso de recursos externos". 10) Em análise das contas do passivo da empresa, que demonstram as origens dos recursos próprios e de terceiros de uma entidade, observou a fiscalização anterior que, à míngua de qualquer outro registro de obtenção regular de empréstimos bancários ou de qualquer outra espécie, a justificativa econômica embasadora do volume de operações encontravase unicamente no grupo de contas já anteriormente citado DÉBITOS COM OUTRAS EMPRESAS. Ao final, concluise na ação fiscal precedente que: (...) Conforme as considerações já anteriormente feitas, os passivos acima são parte de artifício irregular que transforma aquilo que se chamou de vendas e que teriam sido feitas a vista primeiramente em ativos fictícios para, unicamente para fins de fechamento de exercício, liquidálos contra contas de passivo que por sua vez foram geradas e infladas em decorrência de recebimentos de recursos financeiros efetivos os quais, dada a necessidade de se ocultar sua real motivação e origem, não podem e não são devidamente identificados conforme a legislação e as regras contábeis, dessa forma, impossibilitando o uso do que foi denominado como contabilidade para o uso principal que dele se espera, que é o de informar os interessados no patrimônio da entidade. (...) 11) Na presente ação fiscal, relativa ao ano de 2012 e 2013, até o mês 11/2013, atualizouse os dados apresentados no Relatório Fiscal anterior: 12) Assim, podese concluir a fiscalização ora autuante que: Da análise dos dados contemporâneos apresentados na Tabela C.9 acima, constatase que, em termos gerais, a situação apresentada no Relatório Fiscal anterior permaneceu inalterada no que toca à ausência de capital próprio, no início de cada período, para fazer frente aos gastos aduaneiros68 incorridos naquele mesmo período. Contudo, conforme destacado na própria tabela (AUMENTO DE CAPITAL), diversamente do que se verificou na ação anterior, além da utilização de contas irregulares do passivo (obrigações da empresa criadas para com “terceiros” vinculados) para, contabilmente, fazer frente ao grande volume importado (Telas C.150 e C.151), passouse também a empregar a sistemática, já detalhada anteriormente, de se promover capitalizações massivas da empresa, criandose, então, obrigações hipotéticas não com terceiros, mas com os próprios sócios formais. Tal movimento, entretanto, Fl. 14608DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.590 39 considerandose todos os fatos apurados nas diligências sobre as ditas sócias VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A. e ORION PARTICIPAÇÕES S.A., ambas com constituição flagrantemente irregular e que de fato serviram apenas como meros biombos para o repasse de grande volume financeiro em favor da ÁTILA PNEUS LTDA., não deixam outra conclusão possível que não a de que também tal suposta capitalização elevadíssima não pode ser tomada como regular. (...) Além disso, verificase que, mais uma vez, de maneira obviamente consciente e esperada, tais simulações e artifícios contábeis foram empregados também para inflar, de forma superlativa e indevida, o patrimônio contábil supostamente próprio da empresa (PATRIMÔNIO LÍQUIDO); tratase, evidentemente, de parte de estratégia ardilosa criada a partir da autuação anterior, de dar ares, ainda mais “consistentes”, de solidez, existência e regularidade à empresa ÁTILA PNEUS LTDA., na tentativa quase explícita de, novamente e de forma unilateral, tentar impor uma lógica simplista e, em tese, também criminosa69, de que a mera existência de volumoso e hipotético patrimônio contábil, por si só, teria o condão de blindar a entidade contra qualquer suspeita relacionada à seus (supostos) negócios. 13) Assim, em conclusão, diante da falta de comprovação de integralização do capital social, apurada na ação fiscal anterior e confirmada no atual procedimento fiscal, da ilegitimidade da justificativa de suprimentos de recursos por empresas do grupo de fato, bem como das inconsistências e artifícios encontrados na contabilidade da ÁTILA PNEUS com intuito de dificultar o rastreamento de recursos, entendeu a fiscalização autuante pela ocorrência da presunção de interposição fraudulenta, em face de a contribuinte não ter comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação, no que nada há a reparar. Com relação à confusão patrimonial, embora, como alega a recorrente, não seja ilícito o fato de compartilhar funcionários, atenta contra a autonomia da pessoa jurídica declarar como parte de seu patrimônio, inclusive para fins de integralização de capital social, bens que pertencem a outra pessoa jurídica. Ademais, não foi comprovado nos autos o rateio entre as empresas dos custos e despesas relativamente aos funcionários e bens e serviços utilizados conjuntamente. No que concerne à alegação de cabimento da multa por cessão de nome, prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007, ela foi criada pelo legislador ordinário para conviver com a pena de perdimento das mercadorias e, em consequência, também a multa que lhe substitui, o que se confirma com o disposto no art. 727, §3o do Regulamento Aduaneiro/2009: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). Fl. 14609DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 40 §1oA multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais)(Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). §2oEntendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. §3oA multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). Nessa esteira, no Acórdão n° 310100.431 1ª Camara / 1ª Turma Ordinária, de 25 de maio de 2010, Redator designadoTarásio Campelo Borges, foi decidido que "O dano ao erário nas infrações enumeradas no caput do artigo 23 do Decretolei 1.455, de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei 10.637, de 2002, não é fato típico para a exigência da multa cominada no artigo 33 da Lei 11.488, de 2007". Também este Colegiado decidiu, por unanimidade, no Acórdão nº 3402 003.008– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 26 de abril de 2016, Relator: Antonio Carlos Atulim, no sentido de que a multa por cessão de nome não prejudica a aplicação da pena de perdimento ou a multa substitutiva ao perdimento. Ademais, no que concerne à presunção de interposição fraudulenta, em face da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, punível com a pena de perdimento ou a multa substitutiva, não é o caso da exigência da multa por cessão de nome prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007. Nesse ponto, cabe também analisar a responsabilização das empresas VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A., ORION PARTICIPAÇÕES S.A. e ainda VENTURA & ORION GESTÃO EMPRESARIAL S/A, que se deu em face da ausência de comprovação da origem lícita dos recursos delas provenientes para a empresa ÁTILA PNEUS, na análise da evolução societária desta empresa. Em face das irregularidades constatadas na própria constituição dessas entidades e nos registros contábeis a elas atribuídos, entendeu a fiscalização por não se considerar legítimos os recursos delas advindos. Como bem registrou a fiscalização, "para tais entidades, criadas de modo formal após a constituição, também meramente formal, da própria ÁTILA PNEUS LTDA., sequer foi possível comprovar sua existência de fato, tampouco a efetiva participação societária indicada nos instrumentos públicos constitutivos; entretanto, ao serem apresentadas para possibilitar tais formalizações/alterações societárias, bem como na condição de titulares de contas correntes bancárias de grande fluxo financeiro de e para a ÁTILA PNEUS LTDA., referidas entidades inegavelmente foram instrumentos úteis para, ao fim, possibilitar a ocultação de pessoas nas operações em seus nomes conduzidas, afigurandose também inegável, dessa forma, sua concorrência para a prática das infrações ora detectadas". Diante desses expedientes simulatórios vinculados às próprias constituições dessas empresas e ao fluxo financeiro para a ÁTILA PNEUS LTDA., a qual, por sua vez, foi constituída também com simulação e não comprovou a origem dos recursos empregados no comércio exterior, não há como isentar essas pessoas jurídicas e seus dirigentes e sócios das infrações. Assim, considerando a natureza das infrações, originadas na constituição simulada das empresas do grupo de fato: ÁTILA PNEUS, VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A., ORION PARTICIPAÇÕES S.A. e VENTURA & ORION Fl. 14610DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.591 41 GESTÃO EMPRESARIAL S/A; o que não pode ser dissociado da figura de seus administradores, envolvendo inclusive a falta de comprovação de integralização do capital subscrito, devem ser mantidas as responsabilidades pelas infrações das seguintes pessoas físicas, nos termos do art. 95, I do Decretolei nº 37/66: Pessoa física LUIZ BONACIN NETTO, CPF n° 024.561.869 40, Administrador atual, tanto da própria ÁTILA PNEUS LTDA., quanto de diversas outras pessoas jurídicas vinculadas, bem como Diretor formal da ORION PARTICIPAÇÕES S.A. e da VENTURA & ORION – GESTÃO EMPRESARIAL S/A; Pessoa física GABRIELA BONETO RODRIGUES, CPF n° 029.880.439 57, também Administrador atual da própria ÁTILA PNEUS LTDA. e de diversas outras pessoas jurídicas vinculadas, bem como Diretora formal da VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A. e da VENTURA & ORION –GESTÃO EMPRESARIAL S/A; Pessoa física MANUELA BONETO RODRIGUES, CPF nº 043.846.209 26, Diretora formal da VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A.; Pessoa física ALESSANDRA BONACIN BUTTCHEWITS, CPF nº 024.830.64990, Diretora formal da ORION PARTICIPAÇÕES S.A.; Pessoa física PRISCILLA BONACIN, CPF nº 026.699.25952, Diretora formal da ORION PARTICIPAÇÕES S.A.; Da mesma forma, com relação à responsabilidade pelos tributos e multa de ofício, decorrentes da apuração de novo valor aduaneiro pela fiscalização, dos dirigentes da ÁTILA PNEUS, as pessoas físicas LUIZ BONACIN NETTO e GABRIELA BONETO RODRIGUES, deve ser mantida com base no art. 135, III do CTN por infração à lei, vez que essas pessoas não comprovaram a integralização do capital social subscrito, o que teve implicação direta na não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações, uma infração à lei, tipificada no §2º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76. Da ocultação do sujeito passivo mediante fraude ou simulação: Além da ocorrência da infração por presunção de interposição fraudulenta, sustenta a fiscalização que a autuada ÁTILA PNEUS "OCULTOU os reais interessados nas operações ora analisadas, identificados como sendo constituintes de grupo empresarial de fato, atuante há muitos anos na importação e comércio de pneumáticos e do qual a entidade jurídica BS COLWAY PNEUS LTDA. é, ainda, o representante mais significativo e ostensivo; não obstante as diversas negativas apresentadas em sentido contrário, os fatos relatados constataram a utilização da pessoa jurídica ora autuada, inexistente de fato, como mero anteparo formal a encobrir as atividades de importação de pneumáticos novos realizadas no interesse de tal grupo opaco, quadro que pode ser definido como OCULTAÇÃO COMPROVADA". Com relação à pessoa jurídica BS COLWAY PNEUS LTDA, na ação fiscal anterior, apurouse que "a atividade de importação de pneus das marcas MAXXIS, SUNNY e ROSAVA, acometida apenas a título formal e por meio de artifícios simulatórios anteriormente Fl. 14611DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 42 detalhados à pessoa jurídica ora autuada, nada mais é que evolução dos negócios da empresa BS COLWAY PNEUS LTDA., CNPJ 02.712.991/000160, após o impedimento, por força das regras democráticas de direito estabelecidas, de sua anterior atividade de importação e remoldagem de pneus usados." Entendeu a fiscalização precedente que os documentos apresentados corroboraram no sentido de "confirmar verdadeira e conveniente confusão patrimonial entre empresas dos Sócios da BS COLWAY PNEUS LTDA. e daquelas ora constituídas pelos filhos destes, entre as quais a própria autuada. É relevante no presente ponto se destacar que a conduta de utilização de pessoas do círculo familiar como meros figurantes em empresas que, de fato, eram comandadas pelos Sócios da BS COLWAY PNEUS, já foi detectada em ao menos dois outros procedimentos fiscalizatórios, os quais geraram Ações Penais, cujas sentenças detalham os fatos (detalhes abaixo e íntegras apresentadas como Documento Comprobatório nº 10)". Destacou ainda essa fiscalização que a "continuidade da pessoa jurídica BS COLWAY PNEUS LTDA., bem como sua ocultação indevida nas operações de importação surge ainda evidente quando se analisam os certificados de adequação dos pneumáticos importados às normas brasileiras de qualidade, registrados junto ao INMETRO", além do que "também para efeitos trabalhistas e previdenciários, a BS COLWAY PNEUS LTDA. mostrase plenamente ativa e capitaneando as atividades do grupo informal, apresentandose como representante legal para fins de envio das informações da GFIP das diversas empresas" do grupo de fato. Também se apurou que "o comprovante de inscrição da empresa no cadastro fiscal estadual também indicava a vinculação com a BS COLWAY, conforme endereço eletrônico informado". Ademais, "no site www.bspneus.com.br, cuja propriedade de domínio, dentre tantos outros, é da empresa ora autuada, conforme telas abaixo; notese que, no órgão de registro de domínio, o contato (ID) responsável pela entidade ÁTILA PNEUS LTDA. é identificada pelo nome BS COLWAY". Na presente ação fiscal, a continuidade dos negócios na área de importação de pneus foi confirmada em matérias jornalísticas e no volume de importações dessas empresas no período constatando que "no ano de 2012 a BS COLWAY PNEUS LTDA., CNPJ 02.712.991, NÃO OPEROU NO COMÉRCIO EXTERIOR", enquanto que as operações da ÁTILA PNEUS muito aumentaram nesse período. Assim, a "despeito da notícia constante da tela anterior, mais uma vez deixando claro que, por decisão do grupo empresarial de fato, a atividade FORMAL de importação, a partir de 2009 e sem solução de continuidade daquilo que já se desenvolvia, seria desempenhada por uma nova entidade, criada de forma irregular e que foi apresentada aos entes governamentais também de forma simulada como se independente fosse, conforme já detalhado anteriormente, não obstante todos os envolvidos diretamente com tal movimento soubessem que se tratava de mero e novo simulacro, arranjo engendrado para aparentar situação de fato inexistente". Assim, ao final, a responsabilização da BS COLWAY PNEUS LTDA, na presente ação fiscal, pelas infrações deuse porque "além de ser, como acima mencionado, a principal e mais ostensiva componente do grupo empresarial, a teor do que foi apresentado e detalhado constituise na principal beneficiária do resultado das operações de importação efetivadas irregularmente mediante o emprego meramente formal da ÁTILA PNEUS LTDA". A fiscalização alega também que as importações efetuadas pela ÁTILA PNEUS destinarseiam às empresas VILA VERDE CENTRO AUTOMOTIVO LTDA. e MAUER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA. Fl. 14612DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.592 43 Nessa esteira, a VILA VERDE CENTRO AUTOMOTIVO LTDA. e seu sócio administrador foram assim responsabilizados: JOSÉ ROVILSOM DE SOUZA DIAS, CPF 478.326.90925: também apresentado como diretor da BS COLWAY no ano de 2009 (Tela C.106), seu cadastro igualmente não demonstra nenhum vínculo com tal entidade; todavia, desde 2008 aparece formalmente como Sócio Administrador de diversas pessoas jurídicas vinculadas ao grupo empresarial, algumas inclusive coincidentes com as relacionadas à pessoa física RONI MAUER acima comentada; dentre estas, a pessoa jurídica J R DIAS CENTRO AUTOMOTIVO LTDA – ME, CNPJ 10.508.878/000196, até 07/2010 estaria localizada no endereço citado nas telas C.105 e C.106 AV. ERNESTO VILELA, 669 – como aquele em que estava se instalando nova loja da BS COLWAY na cidade de Ponta Grossa; após 07/2010, o cadastro aponta a incorporação de tal entidade por outra também integrante do grupo, a VILA VERDE CENTRO AUTOMOTIVO LTDA., CNPJ 08.503.555/000168, sendo então o mesmo local apontado como sede do estabelecimento filial 0002 desta; Pessoa Jurídica VILA VERDE CENTRO AUTOMOTIVO LTDA., CNPJ nº 08.503.555: conforme relatado, os endereços de seus 12 estabelecimentos cadastrais são apresentadas ostensivamente como sedes das lojas BS AUTOCENTER, marca comercial detida pela entidade BS COLWAY PNEUS LTDA. e onde também se revende/revendia mercadorias importadas em nome da ÁTILA PNEUS LTDA.; seu Sócio Administrador formal, JOSÉ ROVILSOM DE SOUZA DIAS, foi também ostensivamente apresentado como diretor da mesma BS COLWAY; além disso, a teor da análise do quantitativo de empregados de empresas do grupo empresarial, é a entidade na qual encontrase formalmente vinculada parte relevante da força de trabalho do mesmo grupo; nesse contexto, tornase igualmente clara sua concorrência na prática das infrações apuradas, bem como o benefício no seu resultado final, afigurandose também como obrigatória sua responsabilização solidária na presente autuação. A empresa MAUER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA. e seus sócios administradores foram responsabilizados pelos seguintes fatos: Tela C.148 (repetição da C.109) – Registro de troca de mensagens eletrônicas relativas a embarques do exportador MAXXIS, da qual participa o já citado RONI MAUER que, além de não apresentar qualquer ligação formal com o ora autuado, foi apresentado como diretor de assuntos internacionais da BS COLWAY (vide Tela C.108 anterior) e consta como responsável por empresa comercializadora dos produtos importados pela ÁTILA PNEUS (vide telas C.146 e C.147 anteriores) Pessoa Jurídica MAUER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA., CNPJ nº 08.423.370: entidade detentora formal do canal de vendas online www.maisqpneu.com.br, de produtos importados em nome da ÁTILA PNEUS LTDA., e cujo Sócio Fl. 14613DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 44 Administrador formal, RONI MAUER, também foi identificado ostensivamente como diretor de assuntos internacionais da entidade BS COLWAY, além de constar como participante em trocas de mensagens relativas às operações analisadas na presente autuação; afigurase, nesse contexto, como evidente e ativa participante do grupo empresarial oculto ora vislumbrado, inegavelmente tanto concorrendo para a prática das infrações apuradas quanto delas se beneficiando; Pessoa física RONI MAUER, CPF nº 034.774.00909, Sócio Administrador da MAUER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA.; Pessoa física YANAI GOTTLIEB, CPF nº 004.251.15933, Sócio Administrador da MAUER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA.; Assim, pelo que se observa, as pessoas jurídicas que estariam sendo ocultadas nas importações realizadas pela ÁTILA PNEUS seriam, segundo a fiscalização autuante, as referidas empresas do grupo de fato, quais sejam, BS COLWAY PNEUS LTDA, VILA VERDE CENTRO AUTOMOTIVO LTDA. e MAUER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA. Em análise dos elementos acima, verificase que, embora essas pessoas jurídicas possam ser consideradas clientes em potenciais da ÁTILA PNEUS, a fiscalização não logrou êxito em: i) identificar quais seriam efetivamente as pessoas jurídicas que teriam sido ocultadas em cada uma das 13 importações sob análise, realizadas entre 18 e 26/11/2013; e ii) explicar em que medida não seriam operações normais de compra e venda de produtos importados. Como bem colocou a recorrente BS COLWAY, a fiscalização deixou de "demonstrar/explicar como tais pneus fariam caminho para a Empresa BS COLWAY PNEUS LTDA, seja logisticamente ou contabilmente", e de que foi a recorrente "quem fechou o cambio (origem) pagou pelas mercadorias importadas , ou que foi ela quem disponibilizou e transferiu os recursos empregados na efetivação das importações". Não obstante, até mesmo em face da própria presunção de interposição fraudulenta aqui já configurada, haja nos autos indícios de que a ÁTILA PNEUS ocultasse terceiras pessoas nas suas importações, quais sejam, ausência da capacidade operacional para atingir seu objeto social apurada na ação fiscal anterior, falta de comprovação da integralização do capital social, confusão patrimonial entre empresas do grupo de fato, empresas supridoras de recursos inexistentes de fato do mesmo grupo, inconsistências na contabilidade e possíveis clientes dos produtos importados dentro do próprio grupo de fato; entendo que, especificamente para as importações que interessam ao presente processo, realizadas entre 18 e 26/11/2013, não restou comprovado nos autos o cometimento da infração de ocultação do sujeito passivo na importação mediante fraude ou simulação (interposição fraudulenta comprovada). Apesar da existência da presunção a favor do Fisco na caracterização da infração por interposição fraudulenta a que se refere o art. 23, §2º do Decretolei nº 1.455/76, não há que se olvidar que, para a infração prevista no inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.455/76, continua sendo da fiscalização o ônus da prova do seu cometimento pela autuada: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: Fl. 14614DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.593 45 (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) Assim, entendo que deve ser afastada a infração pela ocultação do sujeito passivo na importação mediante fraude ou simulação, o que não produz efeito em relação à aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro, eis que já confirmado neste Voto o cometimento da outra infração de presunção de interposição fraudulenta, punível com a mesma multa. No entanto, o afastamento dessa infração atinge o quadro de responsáveis solidários. Com relação à responsabilização da BS COLWAY PNEUS LTDA, observa se que a maior parte dos elementos para sua responsabilização advêm da ação fiscal precedente, como visto acima, sendo que, na presente ação fiscal, a fiscalização baseouse apenas nas matérias jornalísticas e no quadro abaixo dos volumes de importação das empresas: Tela C.102 – Matéria de 10/01/2008 (presente em http://www.enfoque.com/?system=news&action=read&id=1627 &eid=61, acesso em 12/08/2014) em que se esclarece os passos da BS COLWAY após decisão judicial que impediu a importação de pneus usados Tela C.103 – Matéria de 28/01/2008 (presente em http://www.enfoque.com/?system=news&action=read&id=1637 &eid=61, acesso em 12/08/2014) em que se noticia parceria da BS COLWAY com empresas chinesas Tela C.104 – Matéria de 18/02/2009 (presente em http://www.enfoque.com/?system=news&action=read&id=1832 &eid=61, acesso em 12/08/2014) em que se noticia a volta da BS COLWAY ao mercado mediante acordo com a fabricante taiwanesa de pneus MAXXIS (notese que a ÁTILA PNEUS LTDA. foi formalizada em 20/03/2009 com a razão social MAXXIS IMPORTADORA DE PNEUS LTDA.48) Fl. 14615DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 46 Tela C.105 – Matéria de 12/05/2009 (presente em http://www.enfoque.com/?system=news&action=read&id=1871 &eid=61 , acesso em 12/08/2014) em que se noticia a inauguração da primeira loja da nova fase da empresa Tela C.106 – Matéria de 12/05/2009 (presente em http://www.diariodoscampos.com.br/economia/bs colwayinaugura hojecentroauto/, acesso em 30/05/2014) em que outro veículo dá a mesma notícia anterior; são citados, além de FRANCISCO SIMEÃO e LUIS BONACIN (formalmente administradores da BS COLWAY PNEUS LTDA.), os nomes das pessoas físicas nacionais RONY MAUER (na verdade RONI MAUER) e JOSÉ ROVILSOM DE SOUZA DIAS, como diretores da entidade, objetos de comentários na sequência Tela C.107 – Matéria de 27/08/2012 (presente em http://www.enfoque.com/?system=news&action=read&id=2130 &eid= , acesso em 12/08/2014) em que se detalha programa de bem estar dos funcionários da BS COLWAY, GRANDE IMPORTADORA DE PNEUS; naquela data (2012), contudo, a BS COLWAY PNEUS LTDA., CNPJ 02.712.991, JÁ NÃO OPERAVA FORMALMENTE NO COMÉRCIO EXTERIOR , conforme levantamento sintético apresentado em seguida; são ainda citados os nomes dos funcionários, supostamente da BS COLWAY, IRENO FERREIRA, ELIEL SIQUEIRA CAVALCANTI, DANIELE GOMES e LUCIANE FREIRE, esta última descrita como atuante já há oito anos como assistente de venda; o histórico de vínculos formais dessas pessoas físicas, entretanto, esclarece que, apesar de, na visão comum, serem parte da BS COLWAY, estão naquele momento vinculadas a outras pessoas jurídicas, integrantes do grupo empresarial de fato Como já dito, a fiscalização não comprovou efetivamente que as importações específicas sob análise seriam ou foram todas adquiridas pela BS COLWAY, o que motivou, inclusive, o afastamento da infração pela ocultação do sujeito passivo mediante fraude ou simulação. No que concerne à presunção de interposição fraudulenta em face da não comprovação da origem dos recursos, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações efetuadas pela ÁTILA PNEUS de 18 a 26/11/2013, entendo que não restou comprado que a empresa BS COLWAY tenha concorrido ou se beneficiado de sua prática. Além de as matérias jornalísticas serem bem anteriores às importações sob análise, sendo a mais recente de 27/08/2012, elas apenas revelam os interesses genéricos do grupo de fato nas importações de pneus novos, a importância da empresa BS COLWAY dentro do grupo, apontandoa como um adquirente em potencial das importações efetuadas pela ÁTILA PNEUS; mas não são suficientes para implicar a responsabilidade específica da BS COLWAY na infração mantida neste Voto pertinente a não comprovação da origem dos recursos, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações efetuadas pela ÁTILA PNEUS de 18 a 26/11/2013. Em relação a matérias jornalísticas, em especial, quando falam de planos e projetos de um grupo de fato de empresas e seus sócios, há que se ponderar que elas podem Fl. 14616DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.594 47 não guardar correlação exata com a ficção jurídica de uma empresa, apresentando interesses dos sócios ou do grupo de fato como se fossem de uma empresa. Assim, diante da ausência da comprovação de que concorreram ou se beneficiaram da infração pela presunção de interposição fraudulenta, nos termos do art. 95, I do Decretolei nº 37/66, entendo que deve ser excluída a responsabilidade pela infração da empresa BS COLWAY PNEUS LTDA. e seus sócios FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO e LUIZ BONACIN FILHO. Com relação à empresa VILA VERDE e seu sócio administrador Sr. José Rovilsom de Souza Dias, pelos elementos coletados pela fiscalização, não se poderia falar em responsabilidade desses recorrentes em face da presunção de interposição fraudulenta, vez que a obrigação de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados no comércio exterior era da própria empresa importadora ÁTILA PNEUS e a fiscalização não logrou êxito em demonstrar qualquer relação concreta da empresa VILA VERDE com essa questão, a não ser que seria do mesmo grupo de fato. É verdade, como afirmam os recorrentes, que o fato de a empresa VILA VERDE ter vários funcionários em nada lhe desfavorece, eis que embora a fiscalização tenha apurado o deslocamento de alguns funcionários entre as empresas do mesmo grupo de fato, nada foi efetivamente comprovado no sentido de os funcionários específicos da VILA VERDE estarem atuando na ÁTILA PNEUS. O fato de os endereços dos 12 estabelecimentos cadastrais da VILA VERDE serem apresentadas ostensivamente como sedes das lojas BS AUTOCENTER, marca comercial detida pela entidade BS COLWAY PNEUS LTDA, poderiam indicar apenas um potencial cliente dentro do grupo de fato para as importações, mas também não é suficiente para envolver a VILA VERDE na não comprovação da origem dos recursos aplicados nas importações. Também o simples fato de o Sr. JOSÉ ROVILSOM DE SOUZA DIAS, ter sido apresentado como presidente da BS COLWAY numa matéria jornalística de 2009, ou de ser sócio administrador da VILA VERDE e de outras empresas do mesmo grupo, não bastam para demonstrar que ele tenha contribuído ou se beneficiado da infração de presunção de interposição fraudulenta (art. 95, I do Decretolei nº 37/66). Assim, entendo que também devem ser excluídas as responsabilidades pela infração da empresa VILA VERDE CENTRO AUTOMOTIVO LTDA. e do Sr. José Rovilsom de Souza Dias. Com relação à pessoa jurídica MAUER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA, concluiu a fiscalização por sua responsabilização porque é ligada ao grupo informal "BS PNEUS", e revende os produtos importados pela ÁTILA PNEUS. Também o seu sócio administrador RONI MAUER, identificado ostensivamente como diretor de assuntos internacionais da entidade BS COLWAY, especialmente por participar das tratativas relativas às importações sob análise, foi incluído no polo passivo da autuação. Da mesma forma, pelo que consta nos autos, não cabe a responsabilidade desses recorrentes em face da presunção de interposição fraudulenta, vez que a obrigação de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados no comércio exterior era da própria empresa importadora ÁTILA PNEUS e a fiscalização não comprovou Fl. 14617DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 48 nenhuma relação concreta da empresa BS COLWAY com essa questão, a não ser que seria do mesmo grupo de fato. Também o simples fato de o Sr. RONI MAUER ter sido identificado como diretor de assuntos internacionais da BS COLWAY, cuja responsabilidade pela infração já foi excluída desde Voto, ou participar de tratativas relativas às importações, não bastam para envolvêlo na não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações sob estudo. Ademais, à mingua de elementos adicionais acerca da participação do ilícito do sócio administrador YANAI GOTTLIEB, também não se sustenta a sua responsabilidade, baseada unicamente no seu poder de gerência sobre a empresa MAUER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA. Dessa forma, entendo que devem ser excluídas as responsabilidades pela infração da empresa MAUER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA. e de seus sócios administradores, RONI MAUER e YANAI GOTTLIEB. Da valoração aduaneira Relativamente à valoração aduaneira, concluiu a fiscalização que as Faturas Comerciais apresentadas não mereciam fé quanto aos valores declarados, tendo em vista os fatos apurados que também motivaram a interposição fraudulenta, como já esclarecido neste Voto. Assim entendeu a fiscalização pela necessidade de arbitramento dos valores aduaneiros das mercadorias importadas, o que já havia sido feito antes da autuação para fins de prestação de garantia para liberação das mercadorias por ordem judicial. Conforme consta no DOCUMENTO COMPROBATÓRIO Nº 18 TERMOS DE ARBITRAMENTO DE PREÇO DE MERCADORIA, emitidos para fins de atendimento e cumprimento a decisão(ões) judicial(is) expedida(s) no curso da ação fiscal, dos quais a autuada foi devidamente cientificada antes da autuação, os valores aduaneiros das mercadorias foram obtidos na seguinte forma, especificados para cada Declaração de Importação: (...) Fl. 14618DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.595 49 Conforme disposto no caput do art. 88 da Medida Provisória nº 2.15835, no caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Assim, entendo correto o arbitramento dos valores das mercadorias e a correspondente exigência das diferenças de tributos, bem como a utilização desses valores para a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias (em face da presunção de interposição fraudulenta), não se olvidando que a multa administrativa pela diferença entre o preço declarado e o arbitrado já foi afastada no início deste Voto. Tendo em vista o detalhamento do critério adotado para a valoração das mercadorias em cada importação e a notificação à autuada de tal arbitramento, inclusive antes da autuação, entendo não estar caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Também, relativamente à aplicação sequencial dos métodos de valoração aduaneira, alegada pela recorrente, o arbitramento de preço em conformidade com o art. 88 da Medida Provisória nº 2.158 exclui a aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira, o qual somente é aplicável a operações comerciais nas quais não configuradas fraude, sonegação ou conluio que comprometam a confiabilidade dos documentos comprobatórios das negociações. Do dano ao Erário e da lavagem de dinheiro A alegação de que não teria havido o efetivo prejuízo ao Erário para o cabimento da pena de perdimento ou da multa que lhe substitui não prospera. As hipóteses de "dano ao Erário", definidas pelo legislador ordinário no art. 23 do Decretolei n° 1.455/76, tratamse de autênticas presunções legais de dano ao Erário, não se fazendo necessária qualquer comprovação adicional de efetivo prejuízo financeiro ao Erário ou à atividade fiscalizatória. Quando ocorrem, no mundo concreto, as infrações tipificadas nos incisos desse dispositivo legal, está presumido o dano ao Erário. Tendo, no caso sob análise, ocorrido o cometimento da infração de interposição fraudulenta na importação, veiculada pelo art. 23, §2º do Decretolei nº 1.455/76, está caracterizado o "dano ao Erário". Fl. 14619DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 50 Com relação à lavagem de dinheiro, mencionada na autuação e na decisão recorrida, elas foram utilizadas somente para contextualizar os objetivos visados pelo legislador ordinário quando introduziu as novas regras no comércio exterior no que concerne à ocultação de pessoas, não havendo nenhuma imputação nesse sentido à empresa ora autuada. Por fim, no que concerne às alegações de lesão a princípios constitucionais na aplicação das multas, que acaso procedentes, conduziriam a inconstitucionalidade da lei que a veicula, elas não podem ser conhecidas na esfera administrativa, eis que, como se sabe, "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária" (Súmula CARF nº 2). Tendo sido configuradas no mundo concreto as situações tipificadas em lei para o cabimento da multa de ofício e da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, incumbe ao agente administrativo formalizar as exigências decorrentes, como no caso dos presentes autos. Dessa forma, por todo o exposto, devem ser mantidas na autuação: i) multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias2 decorrente da presunção de interposição fraudulenta, em face das pessoas jurídicas: ÁTILA PNEUS LTDA, VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A., ORION PARTICIPAÇÕES S.A. e VENTURA & ORION GESTÃO EMPRESARIAL S/A; e seus administradores: Pessoa física LUIZ BONACIN NETTO, CPF n° 024.561.869 40, Administrador atual, tanto da própria ÁTILA PNEUS LTDA., quanto de diversas outras pessoas jurídicas vinculadas, bem como Diretor formal da ORION PARTICIPAÇÕES S.A. e da VENTURA & ORION – GESTÃO EMPRESARIAL S/A; Pessoa física GABRIELA BONETO RODRIGUES, CPF n° 029.880.439 57, também Administrador atual da própria ÁTILA PNEUS LTDA. e de diversas outras pessoas jurídicas vinculadas, bem como Diretora formal da VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A. e da VENTURA & ORION –GESTÃO EMPRESARIAL S/A; Pessoa física MANUELA BONETO RODRIGUES, CPF nº 043.846.209 26, Diretora formal da VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A.; Pessoa física ALESSANDRA BONACIN BUTTCHEWITS, CPF nº 024.830.64990, Diretora formal da ORION PARTICIPAÇÕES S.A.; Pessoa física PRISCILLA BONACIN, CPF nº 026.699.25952, Diretora formal da ORION PARTICIPAÇÕES S.A.; ii) tributos, juros de mora e multa de ofício, exigível somente em face da autuada ÁTILA PNEUS LTDA. e seus dirigentes: LUIZ BONACIN NETTO e GABRIELA BONETO RODRIGUES. Assim, o meu voto é no sentido de dar provimento aos recursos voluntários na seguinte forma: 2 Conforme já explicado, foi afastada a infração pela ocultação do sujeito passivo na importação mediante fraude ou simulação (interposição fraudulenta comprovada), o que não produz efeito em relação à aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro ora mantida, eis que configurado o cometimento da outra infração, de presunção de interposição fraudulenta, punível com a mesma multa. Fl. 14620DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 15165.722798/201442 Acórdão n.º 3402003.314 S3C4T2 Fl. 14.596 51 a) Exonerar a multa administrativa pela diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado, prevista no art. 88, parágrafo único da Medida Provisória nº 2.15835; b) Excluir integralmente a responsabilidade na autuação, tanto em relação aos tributos e multa de ofício como em relação à infração aduaneira, das seguintes empresas e pessoas físicas: BS COLWAY PNEUS LTDA, VILA VERDE CENTRO AUTOMOTIVO LTDA, MAUER COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA, FRANCISCO SIMEÃO RODRIGUES NETO, LUIZ BONACIN FILHO, JOSÉ ROVILSOM DE SOUZA DIAS, RONI MAUER e YANAI GOTTLIEB. c) Em relação somente aos tributos e multa de ofício mantidos, excluir as responsabilidades das empresas VENTURA BRASIL PARTICIPAÇÕES S.A., ORION PARTICIPAÇÕES S.A. e VENTURA & ORION GESTÃO EMPRESARIAL S/A e das pessoas físicas MANUELA BONETO RODRIGUES, ALESSANDRA BONACIN BUTTCHEWITS e PRISCILLA BONACIN. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 14621DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 04/10/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720247/2012-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÕES MATERIAIS.
Constatado erro material no acórdão, são cabíveis embargos inominados para correção do vício, passando esse acórdão a ter as seguintes ementa e decisão:
Ementa:
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
"Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
LANÇAMENTO. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. AVALIAÇÃO DA PROVA EM RELAÇÃO AO CASO CONCRETO.
1. Apesar do recorrente afirmar que era empregado da empresa Nova Friburgo e possuir CTPS assinada por esta, as declarações de Walter Bonifácio de Feriras e dos funcionários Márcio Luiz de Souza da Silva, Luis Fernando Ferreira Figueiredo e Wellington Teixeira Marinho, estes afirmando que o verdadeiro dono da empresa Nova Friburgo era Reinaldo Pereira Fialho, somado ao fato de que todas as empresas indicadas à fl. 11 dos autos, vinculadas ao recorrente, usavam os serviços do Escritório Contábil Freitas Ltda, situado na Rua Aurelino Leal, n° 52, apartamento 201, Centro, Niterói, RJ, endereço utilizado por Reinaldo e sua esposa como seus domicilio fiscais, quando analisadas em conjunto, nos levam ao convencimento de que o recorrente Reinaldo, na condição de sócio de fato, agiu com abuso de direito, ensejando sua responsabilidade pelo crédito tributário, não pela simples razão de ser sócio de fato e sim pela prática de atos próprios, usando o nome de terceiros, tudo com a finalidade que não oferecer à tributação os valores que foram objeto de lançamento.
2. Ademais, no momento em que o termo de verificação fiscal mencionou que a empresa Nova Friburgo chegou a ter 200 (duzentos) funcionários, está demonstrado que esta materialmente existia e que o recorrente, em conjunto com esta, praticava os atos de comércio. Tais atos, ainda que formalmente em nome da Nova Friburgo, tinham a participação efetiva do recorrente Reinaldo, incidindo aqui a situação descrita no artigo 124, I do CTN, não por interesse econômico, que existe em todas as transações comerciais, mas sim por participação na situação jurídica em que se constitui os fatos geradores objeto da exigência tributária. Neste sentido, demonstrada a solidariedade e diante da baixa da empresa Nova Friburgo, andou bem o agente fiscal que descreveu os fatos de forma adequada e lavrou o auto de infração em face ao recorrente, não havendo o que se falar em nulidade e tampouco em necessidade de intimação das pessoas que constavam como sócias da empresa Nova Friburgo para responderem pela exigência.
Recurso Voluntário negado. Recurso de Ofício não provido.
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Numero da decisão: 1402-002.345
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos inominados para sanar o erro material cometido na formalização do acórdão recorrido, retificando a ementa, a decisão e o dispositivo conforme proposto no bojo do voto condutor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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INEXATIDÕES MATERIAIS. Constatado erro material no acórdão, são cabíveis embargos inominados para correção do vício, passando esse acórdão a ter as seguintes ementa e decisão: Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL "Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LANÇAMENTO. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. AVALIAÇÃO DA PROVA EM RELAÇÃO AO CASO CONCRETO. 1. Apesar do recorrente afirmar que era empregado da empresa Nova Friburgo e possuir CTPS assinada por esta, as declarações de Walter Bonifácio de Feriras e dos funcionários Márcio Luiz de Souza da Silva, Luis Fernando Ferreira Figueiredo e Wellington Teixeira Marinho, estes afirmando que o verdadeiro dono da empresa Nova Friburgo era Reinaldo Pereira Fialho, somado ao fato de que todas as empresas indicadas à fl. 11 dos autos, vinculadas ao recorrente, usavam os serviços do Escritório Contábil Freitas Ltda, situado na Rua Aurelino Leal, n° 52, apartamento 201, Centro, Niterói, RJ, endereço utilizado por Reinaldo e sua esposa como seus domicilio fiscais, quando analisadas em conjunto, nos levam ao convencimento de que o recorrente Reinaldo, na condição de sócio de fato, agiu com abuso de direito, ensejando sua responsabilidade pelo crédito tributário, não pela simples razão de ser sócio de fato e sim pela prática de atos próprios, usando o nome de terceiros, tudo com a finalidade que não oferecer à tributação os valores que foram objeto de lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 02 47 /2 01 2- 58 Fl. 1616DF CARF MF Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402002.345 S1C4T2 Fl. 1.617 2 2. Ademais, no momento em que o termo de verificação fiscal mencionou que a empresa Nova Friburgo chegou a ter 200 (duzentos) funcionários, está demonstrado que esta materialmente existia e que o recorrente, em conjunto com esta, praticava os atos de comércio. Tais atos, ainda que formalmente em nome da Nova Friburgo, tinham a participação efetiva do recorrente Reinaldo, incidindo aqui a situação descrita no artigo 124, I do CTN, não por interesse econômico, que existe em todas as transações comerciais, mas sim por participação na situação jurídica em que se constitui os fatos geradores objeto da exigência tributária. Neste sentido, demonstrada a solidariedade e diante da baixa da empresa Nova Friburgo, andou bem o agente fiscal que descreveu os fatos de forma adequada e lavrou o auto de infração em face ao recorrente, não havendo o que se falar em nulidade e tampouco em necessidade de intimação das pessoas que constavam como sócias da empresa Nova Friburgo para responderem pela exigência. Recurso Voluntário negado. Recurso de Ofício não provido. Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento aos embargos inominados para sanar o erro material cometido na formalização do acórdão recorrido, retificando a ementa, a decisão e o dispositivo conforme proposto no bojo do voto condutor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402002.345 S1C4T2 Fl. 1.618 3 Relatório Tratase de embargos opostos pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE NITERÓI RJ em face do Acórdão nº 1402001.858, proferido em 23/10/2014. O processo diz respeito a lançamento de ofício decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, em cada um dos trimestres dos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. Exigiuse IRPJ e CSLL, com fatos geradores trimestrais, e PIS e Cofins com fatos geradores mensais. Segundo a autoridade fiscal, o recorrente era sócio de fato da empresa Nova Friburguense 28 Ind. e Com. de Carnes Ltda, que foi extinta em 14/05/2009 (efls. 723), o que ensejou a lavratura do auto de infração contra o sócio de fato. O referido acórdão adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LANÇAMENTO. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. AVALIAÇÃO DA PROVA EM RELAÇÃO AO CASO CONCRETO. 1. Apesar do recorrente afirmar que era empregado da empresa Nova Friburgo e possuir CTPS assinada por esta, as declarações de Walter Bonifácio de Feriras e dos funcionários Márcio Luiz de Souza da Silva, Luis Fernando Ferreira Figueiredo e Wellington Teixeira Marinho, estes afirmando que o verdadeiro dono da empresa Nova Friburgo era Reinaldo Pereira Fialho, somado ao fato de que todas as empresas indicadas à fl. 11 dos autos, vinculadas ao recorrente, usavam os serviços do Escritório Contábil Freitas Ltda, situado na Rua Aurelino Leal, n° 52, apartamento 201, Centro, Niterói, RJ, endereço utilizado por Reinaldo e sua esposa como seus domicilio fiscais, quando analisadas em conjunto, nos levam ao convencimento de que o recorrente Reinaldo, na condição de sócio de fato, agiu com abuso de direito, ensejando sua responsabilidade pelo crédito tributário, não pela simples razão de ser sócio de fato e sim pela prática de atos próprios, usando o nome de terceiros, tudo com a finalidade que não oferecer à tributação os valores que foram objeto de lançamento. 2. Ademais, no momento em que o termo de verificação fiscal mencionou que a empresa Nova Friburgo chegou a ter 200 (duzentos) funcionários, está demonstrado que esta materialmente existia e que o recorrente, em conjunto com esta, praticava os atos de comércio. Tais atos, ainda que formalmente em nome da Nova Friburgo, tinham a participação efetiva do recorrente Reinaldo, incidindo aqui a situação descrita no artigo 124, I do CTN, não por interesse econômico, que existe em todas Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402002.345 S1C4T2 Fl. 1.619 4 as transações comerciais, mas sim por participação na situação jurídica em que se constitui os fatos geradores objeto da exigência tributária. Neste sentido, demonstrada a solidariedade e diante da baixa da empresa Nova Friburgo, andou bem o agente fiscal que descreveu os fatos de forma adequada e lavrou o auto de infração em face ao recorrente, não havendo o que se falar em nulidade e tampouco em necessidade de intimação das pessoas que constavam como sócias da empresa Nova Friburgo para responderem pela exigência. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Segundo o embargante, a decisão não teria albergado o recurso de ofício proposto pela DRJ do Rio de Janeiro (v. efls. 1.475/1.499). Os autos foram então encaminhados ao Presidente desta Turma, que admitiu os embargos, devolvendome para relato. É o relatório. Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402002.345 S1C4T2 Fl. 1.620 5 Voto Conselheiro LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES, Relator. Os embargos são tempestivos, já que opostos dentro do prazo regimental. A decisão da DRJ/RJ1 importou na exoneração da exigência dos seguintes valores (sem os acréscimos legais), conforme demonstrativos de efls. 1.497/1.499: TRIBUTO VALOR (R$) IRPJ 490.210,83 CSLL 225.994,88 PIS 136.015,41 COFINS 627.763,53 TOTAL 1.479.984,65 Pelo montante dos valores exonerados, a DRJ recorreu de ofício ao CARF (v. efls. 1.477). De fato, não se percebe da leitura do dispositivo, ou da ementa, nem da decisão, qualquer menção ao recurso de ofício. Entretanto, de uma leitura atenta do voto condutor do acórdão recorrido, constatase que as exonerações levadas a efeito pela DRJ/RJ1 foram objeto de apreciação. Vejamos os trechos extraídos do referido acórdão, que colacionei abaixo: Igualmente, o acórdão recorrido também foi preciso na exclusão da exigência do crédito tributário em relação ao primeiro semestre de 2007, período em que a empresa era optante pelo SIMPLES. Neste sentido, destaque à seguinte passagem do citado acórdão, demonstrando o acerto quanto à decisão recorrida: (grifei) "72. No primeiro semestre do anocalendário de 2007, a Nova Friburguense 28 Indústria e Comércio de Carnes Ltda encontravase inscrita no sistema simplificado de recolhimento de tributo (Simples Federal). No segundo semestre de 2007 e no anocalendário de 2008, optou pela tributação com base no lucro presumido (fl.109). .... 78. Conforme já mencionado anteriormente, no primeiro semestre de 2007, a empresa estava submetida à sistemática do SIMPLES, ou seja, a um tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte, regulado pela Lei nº 9.317, de 1996, e alterações posteriores, no qual não é apurado “lucro” para incidência dos impostos e contribuições sociais. Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402002.345 S1C4T2 Fl. 1.621 6 79. O art. 14 da referida Lei prevê as hipóteses de exclusão, de ofício, da pessoa jurídica da sistemática do SIMPLES. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo (art. 15, §3º, incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). 80.Quanto aos efeitos de tal exclusão, o art. 16 assim dispõe: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. 81. Portanto, somente após a exclusão da pessoa jurídica da sistemática do SIMPLES é que se tornaria válido o arbitramento de seu lucro. Em sendo assim, ante a falta de ato administrativo de exclusão do SIMPLES, há de considerar indevido o arbitramento de lucro relativo ao primeiro semestre de 2007. Relativamente aos demais fatos geradores lançados, devem ser levados em conta os recolhimentos já efetuados pela empresa (fls.1459/1474). Pois bem, dispõe o art. 66 do RICARF que "As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão". Analisando o ponto levantado pela DRF/Niterói, entendo que seja cabível o seu acolhimento como embargos inominados para sanear o Acórdão nº 1402001.858, haja vista a ausência de menção expressa, tanto na decisão, no dispositivo, quanto na ementa, acerca das conclusões acolhidas pela Turma de Julgamento em relação ao recurso de ofício. Assim, constatada a existência de erro material na formalização do acórdão, proponho seja proferido novo decisum para retificar tanto o dispositivo quanto a sua ementa, adequandoo ao decidido na Sessão de Julgamento de 23 de outubro de 2014. O dispositivo seria redigido conforme a proposta abaixo: ISSO POSTO, rejeito as alegações de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário. Já à ementa deverá ser acrescentado o seguinte texto: Recurso de ofício não provido. Por derradeiro, a decisão do julgado ficaria assim redigida: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntário e de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 15540.720247/201258 Acórdão n.º 1402002.345 S1C4T2 Fl. 1.622 7 Isso posto, voto por acolher os embargos inominados para sanar o erro material cometido na formalização do acórdão recorrido, retificando a ementa, a decisão e o dispositivo conforme os respectivos textos acima propostos. Em 06 de outubro de 2016. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Relator Fl. 1622DF CARF MF
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