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Numero do processo: 10314.729010/2014-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
É nulo, por vício material, lançamento cuja apuração da base de cálculo mensal tomou por base o rateio dos valores apurados anualmente, divididos por doze, por não encontrar fundamento na legislação vigente.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3402-005.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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NULIDADE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado VIGOR ALIMENTOS S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É nulo, por vício material, lançamento cuja apuração da base de cálculo mensal tomou por base o rateio dos valores apurados anualmente, divididos por doze, por não encontrar fundamento na legislação vigente. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 90 10 /2 01 4- 54 Fl. 1038DF CARF MF 2 Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Auto de Infração para a cobrança da Contribuição de Financiamento da Seguridade Social COFINS não cumulativa decorrente de suposta omissão de receita identificada pela fiscalização quando da comparação dos valores lançados no SPED CONTÁBIL, no DACON e nas DIPJs relativas ao ano calendário de 2010. A diferença foi sinteticamente identificada no Termo de Verificação Fiscal às efls. 73/74 somente por meio de uma comparação matemática entre os valores declarados pelo contribuinte, sendo que para apurar o valor da base tributável mensal, o I. Fiscal somente dividiu o valor da diferença apurada por 12 (doze), aplicando sobre esse resultado "mensal" a alíquota da COFINS de 7,6%. Vejamos os termos do trabalho fiscal: Inconformada, a empresa apresentou Impugnação Administrativa alegando, dentre outros argumentos, a nulidade da autuação por não trazer os fundamentos legais para a exigência da COFINS e não identificar o fundamento legal para se chegar à base tributável mensal arbitrada, pela simples divisão por 12 (doze) da aparente diferença identificada. Naquela oportunidade, a empresa sustentou ainda que a fiscalização teria indevidamente considerado como operação de venda as transferências realizadas pelas empresas "Companhia Leco de Produtos Alimentícios" ("LECO") e "Laticínios Serrabella Ltda." ("SERRABELLA"), incorporadas pela empresa autuada no ano de 2009. Diante da ausência de fundamento para a apuração da base de cálculo e da documentação apresentada pela empresa buscando demonstrar que os valores lançados correspondiam exatamente às operações de transferência de estoque, sem alteração de titularidade das mercadorias, o processo foi convertido em diligência pela Delegacia de Julgamento de Fortaleza, por meio da Resolução 3.016/2016 (efls. 929/938), sintetizada nos seguintes termos: "O auto de infração e o Termo de Verificação Fiscal não fazem qualquer referência às supostas operações de transferência de mercadoria das empresas Companhia Leco de Produtos Alimentícios" e "Laticínios Serrabella Ltda.” à “SA Fábrica de Produtos Alimentícios Vigor” (incorporada pela autuada). Assim, não se sabe se o autuante efetivamente tomou conhecimento dessas alegações durante a auditoria fiscal. Não consta no Termo de Verificação Fiscal o motivo que justificou a determinação das diferenças mensais, a partir da divisão do resultado anual por 12 (doze). Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10314.729010/201454 Acórdão n.º 3402005.260 S3C4T2 Fl. 1.039 3 Com efeito, tendo em vista o pedido de diligência requerido e em respeito ao princípio da verdade material, encaminho meu voto no sentido de que o processo retorne à autoridade lançadora, para: a) em diligência ao estabelecimento da empresa, verificar a procedência da alegação de que as empresas incorporadas "Companhia Leco de Produtos Alimentícios" e "Laticínios Serrabella Ltda." emitiram notas fiscais de vendas para a “SA Fábrica de Produtos Alimentícios Vigor” e viceversa, de janeiro a setembro de 2010, quando o correto seria de transferência de mercadorias (transferência de estoque). Tal fato justificaria as diferenças encontradas pela fiscalização; b) analisar a idoneidade dos documentos anexados pela defesa às fls. 480/487 (Doc. 06), que indicam que a receita bruta de 2010 seria de R$ 1.579.476.183,22. Do mesmo modo, quanto ao Doc. 07, fls. 488/863, que demonstraria que o total já recolhido da contribuição é de R$ 598.050.655,87; c) informar o motivo que justificou a determinação da base de cálculo com a utilização dos valores totais, relativos ao ano de 2010, dividido por 12 (doze), para se chegar ao valor da contribuição devida mensalmente, e não a partir da apuração do faturamento real de cada um dos meses do referido ano. Solicitase que, ao final da diligência, seja elaborado relatório conclusivo, indicando, se for o caso, os novos valores devidos da contribuição." (efl. 938 grifei) No relatório da diligência, especificamente quanto aos motivos para o cálculo da base de cálculo sem a identificação do faturamento real (resposta ao item c da diligência), a fiscalização apresentou as seguintes informações (efl. 951): Exatamente em razão da ausência de fundamento legal para o procedimento realizado pela fiscalização para a apuração da base de cálculo mensal, o Auto de Infração foi anulado por vício material pela Delegacia de Julgamento de Fortaleza, em acórdão unânime ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1040DF CARF MF 4 Anocalendário: 2010 NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É nulo, por vício material, o lançamento da Cofins cuja apuração da base de cálculo mensal tomou por base o rateio dos valores apurados anualmente, divididos por doze. Não existe dispositivo na legislação vigente que embase esse procedimento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 TIPICIDADE CERRADA. O direito tributário brasileiro consagra a reserva formal da lei, sendo indispensável ato legislativo como veículo para instituir ou alterar tributo, e a reserva absoluta da lei, em decorrência de competir à lei a descrição de todos os elementos do tipo tributário (tipo cerrado). Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado" (efl. 994 grifei) Uma vez que o valor exonerado ultrapassa o valor de alçada da Portaria n.º 63/2017, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento de Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Com fulcro no art. 34, I, do Decreto n.º 70.235/72 e presentes os pressupostos de admissibilidade, vez que o valor exonerado ultrapassa o valor de alçada previsto na Portaria n.º 63/2017, conheço do Recurso de Ofício, passando à análise do mérito. Atentandose para o presente caso, vislumbrase que a decisão recorrida não merece reparo. Como evidenciado pela diligência realizada nos presentes autos, vislumbrase que a fiscalização não trouxe qualquer fundamento legal ou mesmo fático para proceder com a apuração da base de cálculo de uma forma arbitrada, por meio da divisão em 12 do valor da diferença identificada. Como frisado pela própria fiscalização no Termo de Verificação Fiscal e na Diligência Fiscal, todos os valores supostamente devidos estavam discriminados no SPED CONTÁBIL da empresa, evidenciando a possibilidade da efetiva apuração mensal do faturamento que aparentemente não estaria declarado no DACON e na DIPJ da empresa. A r. decisão recorrida bem evidenciou a ausência de fundamento legal da apuração da COFINS não cumulativa da forma feita pela fiscalização no presente caso, especialmente diante da viabilidade de ser apurada mensalmente. Isso porque, além de considerar a documentação já constante dos autos, a fiscalização poderia solicitar outros documentos que considerasse necessários para a apuração mensal (Livros Diário, Razão, Caixa, Registros de Entrada e de Saída), o que não ocorreu no caso, inexistindo sequer uma intimação da empresa para apresentar uma planilha com os valores mensais apurados e a documentação contábil suporte entendida necessária. Por conseguinte, a r. decisão recorrida concluiu que a fiscalização cometeu grave erro na apuração da base de cálculo, em verdadeiro vício material não passível de retificação naquela seara, seja por implicar em alteração do critério jurídico adotado pela fiscalização, seja pela decadência do direito de proceder com a revisão do lançamento na forma Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10314.729010/201454 Acórdão n.º 3402005.260 S3C4T2 Fl. 1.040 5 do art. 149, V e parágrafo único do Código Tributário Nacional1, combinado com o art. 150, §4º do mesmo diploma legal2 (fatos geradores de 2010). Vejamos os exatos termos da irretocável decisão: "Independentemente da análise da procedência da irregularidade praticada pela empresa, convém de início abordar a questão relacionada à apuração da base de cálculo da contribuição lançada de ofício. Como foi reafirmado no relatório de diligência, foi adotada a sistemática de determinação da base de cálculo a partir da utilização de valores totais, relativos ao ano de 2010, sendo o resultado dividido por 12 ( doze), para se chegar ao valor do tributo devido mensalmente. O relatório de diligência não deixa margem de dúvidas nesse sentido, tendo sido reafirmado que “Não há material de apoio, além da DACON, que traga a informação analítica mensal do montante das exportações, conforme discriminamos: Somatória da DACON MENSAL: 14.518.343,54, contra Somatória da DIPJ: 15.229.218,29”. Continua: “A DACON é o único elemento que fornece informações mensais sobre o desmembramento da composição da Receita de Exportação”. Tendo em vista essa discrepância, optou pela totalização anual, baseandose na DIPJ, com a consequente divisão por 12 (doze). O raciocínio pode ter lógica, mas desconheço dispositivo na legislação tributária que permita tal procedimento. Os arts. 1º e 2º da lei nº 10.833/2003, vigentes no anocalendário de 2010, possuem a seguinte redação: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1oPara efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (...) Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (...) Notese que a legislação determina a apuração da base de cálculo sobre o faturamento mensal, o que obriga obviamente que se busque a identificação desses valores, a partir dos dados e documentos da escrituração do contribuinte. Apesar de a legislação tributária não estabelecer livro próprio para a determinação e apuração da Cofins e do PIS e dos créditos a elas relacionados, os dados poderão ser obtidos nos seguinte livros da escrituração da pessoa jurídica: 1 "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; (...) Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." 2 "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Fl. 1042DF CARF MF 6 1 – Livro Diário – possui o registro individualizado e em ordem cronológica das operações realizadas pela pessoa jurídica. Poderá ser substituído pelo livro Balancetes Diário e Balanços, observada as formalidades extrínsecas exigidas para aquele livro, bem como que fique registrado (arts. 1.185 e 1.186 do Código Civil). 2 – Livro Razão – escriturado sob a forma de livro ou fichas, registra de forma resumida e totalizada, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, obedecendo à ordem cronológica das operações e mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218/1991, art. 14, e Lei nº 8.383/1991, art. 62). 3 – Livro Caixa – no caso específico de pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação do Imposto de Renda com base no lucro presumido poderá, alternativamente e em substituição à escrituração contábil regular, proceder à escrituração dos recebimentos e pagamentos ocorridos em cada período em Livro Caixa de forma a refletir toda a sua movimentação financeira, inclusive a bancária (Lei nº 8.981/1995, art. 45). 4 – Livro de Registro de Saídas livro de escrituração obrigatória para cada estabelecimento da pessoa jurídica, no qual estão registradas as saídas de mercadorias no estabelecimento da pessoa jurídica, a qualquer título. As operações devem ser registradas individualmente, desdobradas em linhas de acordo com a natureza das operações, segundo o CFOP, na ordem cronológica das efetivas saídas das mercadorias no estabelecimento. 5 Livro de Registro de Entradas livro de escrituração obrigatória para cada estabelecimento da pessoa jurídica, no qual estão registradas as entradas de mercadorias no estabelecimento da pessoa jurídica, a qualquer título. Do exame deste livro, podese verificar se a pessoa jurídica está apurando créditos previstos na legislação vigente, em relação às operações de registradas de aquisição de bens para revenda; bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; despesa de energia elétrica dos estabelecimentos da pessoa jurídica; e devoluções de vendas. A partir de 1º de janeiro de 2008, foi instituído o Sistema Público de Escrituração Digital SPED, através do qual a escrituração comercial e fiscal passa a ser emitida, autenticada e armazenada de forma eletrônica, conforme disposto no Decreto nº 6.022, de 2007. Para fins fiscais e previdenciários, se submetem à escrituração contábil digital (livros Diário e auxiliares, Razão e auxiliares, balancetes diários, balanços e fichas de lançamentos), nos termos da Instrução Normativa RFB nº 787/2007, atualizada pela IN RFB nº 926/2009, as seguintes pessoas jurídicas: I – Em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2008: A sociedade empresária sujeita a acompanhamento econômicotributário diferenciado, nos termos da Portaria RFB nº 11.211/2007, e sujeitas à tributação do imposto de renda com base no lucro real; II Em relação aos fatos contábeis ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2009: Demais sociedades empresárias sujeitas à tributação do Imposto de Renda com base no Lucro Real. Verificadas irregularidades na apuração da contribuição, a recomposição da base de cálculo deve ser feita para cada período de apuração mensal objeto de lançamento de ofício, de forma a incluir eventuais receitas não tributadas, como também, eventuais receitas omitidas apuradas na fiscalização. Como já citei no presente voto, não existe previsão na legislação vigente para apuração de diferenças anuais, e posterior rateio proporcional ao número de meses de atividade no anocalendário. O direito tributário brasileiro consagra a reserva formal da lei (art. 150, inciso I, da Constituição Federal), sendo indispensável ato legislativo como veículo para instituir ou alterar tributo, e a reserva absoluta da lei, em decorrência de competir à lei a descrição de todos os elementos do tipo tributário (tipo cerrado). Por sua vez, o art. 97 do CTN dispõe que (grifei): Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 10314.729010/201454 Acórdão n.º 3402005.260 S3C4T2 Fl. 1.041 7 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equiparase à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em tornálo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II deste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. Para Sacha Calmon Navarro Coelho, “A tipicidade é cerrada para evitar que o Administrador ou o juiz, mais aquele do que este, interfiram na sua modelação, pela via interpretativa ou integrativa”. (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de Direito Tributário Brasileiro. 6.ed. Rio de Janeiro: Forense, 2001, p.200). Da mesma forma manifestase Ives Gandra da Silva Martins: “é fechada a tipicidade de tributo e pena. É absoluta a reserva da lei. Sua veiculação normal deve conter todas as informações necessárias para aplicação da norma”. (MARTINS, Ives Gandra da Silva. Teoria da imposição tributária. São Paulo: Saraiva,1983, p.185). Compulsandose os autos, chegase a conclusão de que os dados foram extraídos dos seguintes documentos: Receita Bruta Anual – Balancete de contas, fls. 956: DIPJ, fls. 102: Fl. 1044DF CARF MF 8 Dados da Dacon, fls. 79/101: Com efeito, se a fiscalização poderia obter os dados da Receita Bruta mensal e das devoluções de vendas, a partir do SPED Contábil; se dispunha da receita mensal das operações sujeitas à alíquota zero, a partir dos dados informados no DACON (não questionados no presente lançamento); caberia, como alternativa, se não fosse possível identificar as receitas de exportação na contabilidade, intimar o contribuinte a comprovar as diferenças de receita de exportação. Em não obtendo resposta consistente, poderseia utilizar os dados do DACON, afinal é um documento elaborado pela própria autuada (nesse caso, teríamos a apuração de valores até mais elevados, do que com a utilização dos dados da DIPJ). Portanto, a dificuldade em identificar qual seria o valor correto da receita de exportação não justifica o abandono da sistemática de apuração real mensal dos demais valores que compõem a base de cálculo, para adoção de um rateio anual. Assim, não vejo como manter a autuação na forma como o crédito tributário foi apurado, pois não está em consonância com a legislação vigente. Ressalto que, não cabe na presente fase processual a apuração por esta autoridade dos valores corretos da base de cálculo mensal, por dois motivos básicos. Primeiro, tal medida implicaria numa inovação do lançamento original, dado que esse não foi o critério adotado pelo autuante. A função subjetiva ou garantística da impugnação impede que os poderes de cognição e decisão do órgão de julgamento vão ultra petita, no sentido de uma reformatio in pejus, ou seja, que o ato jurídico de lançamento seja anulado e substituído por outro diverso do ato impugnado. Conforme lição de Alberto Xavier (Do Lançamento Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário, Editora Forense), na medida em que os atos secundários produzidos pelos órgãos que compõem a Administração Judicante (acórdãos) não substituem os atos primários praticados pela Administração Ativa (auto de infração, notificação de lançamento ou despacho decisório), limitandose a aferir a regularidade destes nos planos formal e material em face de contestação apresentada pelos contribuintes (impugnação, manifestação de inconformidade, recursos voluntário e especial), não há possibilidade jurídica de que ocorram duas situações que, apesar de distintas, possuem íntima conexão: Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 10314.729010/201454 Acórdão n.º 3402005.260 S3C4T2 Fl. 1.042 9 (a) prolação de decisões cujos fundamentos não estejam relacionados aos motivos do ato administrativo contestado e às alegações contribuinte contra aqueles (exceção feita às questões de direito prolatáveis ofício); e (b) prolação de decisões prolação de decisões citra, extra e ultra petita Segundo, embora a legislação processual tributária permita a inovação da exigência inicial, esse procedimento somente poderia ser efetuado, nos termos do §3º do art. 18 do Decreto nº 70.235/721, em exames posteriores, diligências ou perícias, e mediante a lavratura de auto de infração complementar. A competência para proceder ao lançamento complementar é, nos termos do regimento interno da Receita Federal, da mesma autoridade imbuída de efetuar o lançamento de ofício. Quando do retorno dos autos à autoridade local, em decorrência da Resolução nº 3.016, de 24 de junho de 2016, a responsável pela diligência não optou em adotar esse procedimento, alegando que “a fiscalização não cria valores. Ela apenas valida ou não as informações fornecidas pelo próprio contribuinte”. Aliás, mesmo que se pretendesse, a alteração na forma de apuração da exigência resta prejudicada no presente caso, devido ao decurso de prazo de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores de 2010 decadência (art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – homologação tácita). Destarte, independentemente da análise do mérito, sou forçado a declarar a nulidade da exação, por vício material, em decorrência de ter sido utilizada na apuração da base de cálculo uma sistemática (rateio) não prevista na legislação vigente. É como voto." (efls. 1.006/1.011 grifei) Cumpre acrescentar que ainda que a fiscalização tenha procedido com o lançamento por arbitramento dos valores, ela não fundamentou sua atuação nos requisitos exigidos pelo art. 148 do CTN3 (omissão ou desqualificação das declarações prestadas por não merecerem fé), tendo atuado sem qualquer respaldo na lei para a apuração do quantum debeatur. Confirmase, portanto, que o procedimento para a apuração da base de cálculo do tributo lançamento foi realizado de forma arbitrária pela fiscalização, sem qualquer respaldo na legislação tributária, sendo correto o cancelamento da autuação por erro material cometido no cálculo do tributo devido. Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. 3 "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Fl. 1046DF CARF MF 10 É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 1047DF CARF MF
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Numero do processo: 10921.000853/2008-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 16/01/2004 a 27/12/2004
INFRAÇÃO REGULAMENTAR. REGISTRO DOS DADOS DO EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não se aplica à penalidade decorrente da prática da infração por deixar o transportador internacional de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DELIMITAÇÃO DA LIDE. OBTER DICTUM NÃO COMPÕE A DECISÃO.
Os motivos ou razões de decidir não fazem coisa julgada mas apenas o dispositivo da sentença ou do acórdão tem esse condão. Hipótese em que argumentos apresentados a título de obter dictum, pelo relator, não integram a decisão recorrida.
Numero da decisão: 9303-006.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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REGISTRO DOS DADOS DO EMBARQUE. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não se aplica à penalidade decorrente da prática da infração por deixar o transportador internacional de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DELIMITAÇÃO DA LIDE. OBTER DICTUM NÃO COMPÕE A DECISÃO. Os motivos ou razões de decidir não fazem coisa julgada mas apenas o dispositivo da sentença ou do acórdão tem esse condão. Hipótese em que argumentos apresentados a título de obter dictum, pelo relator, não integram a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 08 53 /2 00 8- 79 Fl. 805DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado (efls. 03 a 18) para constituição de crédito tributário referente a multa regulamentar por descumprimento da obrigação acessória de prestar informações sobre a carga transportada dentro do prazo determinado à época (até sete dias da data do embarque); oitenta e oito infrações conforme relação às efls. 23 a 132. A autuação resultou em um total de 88 multas no montante de R$ 440.000,00, cientificada ao contribuinte em 18/12/2008 (efl. 03). Irresignada, em 09/01/2009, a contribuinte apresentou impugnação, às efls. 313 a 337. A 2ª Turma da DRJ/FNS, apreciou a impugnação em 07/10/2011, e no acórdão nº 0726.260, às efls. 667 a 672, considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Ainda inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário, às efls. 677 a 695, em 24/11/2011. Em breve resumo argumenta que: a) há nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva, pois a fiscalização não se referiu à pessoa do transportador, apenas à autuada que é mero agente marítimo do transportador; b) ausente a falta de pagamentos de tributos e tendo a própria recorrente providenciado a realização dos lançamentos das informações, anteriormente a qualquer ação fiscal, estaria configurada a denúncia espontânea que excluiria a responsabilidade pela infração; c) sendo as infrações de igual conformação e dentro de um mesmo período, haveria infração continuada e para esta a sanção deveria ser única, prejudicado o lançamento nesse ponto ao efetivar múltiplas sanções. A 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso na sessão de 14/10/2014, dandolhe provimento no acórdão de nº 3302002.734, às efls. 718 a 728, o qual teve as seguintes ementas: ILEGITIMIDADE PASSIVA. AGENTE MARÍTIMO. INOCORRÊNCIA. O agente marítimo que, na condição de representante do transportador estrangeiro, em caso de infração cometida responderá pela multa sancionadora da referida infração. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA APLICAÇÃO ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Fl. 806DF CARF MF Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 9303006.797 CSRFT3 Fl. 806 3 Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010. O instituto da denúncia espontânea também é aplicável às multas administrativas aduaneiras por força de disposição legal. Neste sentido, preenchidos os requisitos necessários à denúncia espontânea, consubstanciados na denúncia da conduta delitiva antes de qualquer procedimento de fiscalização, deve a penalidade ser excluída, nos termos do art. 102, §2º, do Decreto Lei nº 37/66, alterada pela Lei n° 12.350/2010. O acórdão foi assim lavrado: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Walber José da Silva e Maria da Conceição Arnaldo Jacó, que negavam provimento ao recurso. O conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde acompanhou o relator pelas conclusões. Ausente, justificadamente, o conselheiro Alexandre Gomes. O voto do relator ad hoc, apesar de afastar o argumento a) quanto à ilegitimidade passiva, afastando a nulidade arguida, acatou o outro argumentos para dar integral provimento ao recurso voluntário. Quanto ao argumento em b), afirmou que após a inclusão do § 2º, artigo 102 do DecretoLei nº 37/66, pela Lei nº 12.350/10 não restam mais dúvidas quanto a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea em relação às penalidades administrativas. Caso vencido o argumento b), com eventual manutenção da multa, o argumento c), deveria ser acatado, pois o relator entendeu haver infração de caráter continuado, e com base em doutrina e jurisprudência, tal tipo de infração resultaria em imposição singular da multa a ser fixada de acordo com a gravidade da infração cometida, ainda que ocorram em momentos sucessivos delimitados por um breve período de tempo. Recurso especial de Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 3302002.734 em 20/05/2015 (efl. 730), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 01/06/2015, às efls. 731 a 752. A Fazenda indica existência de divergência apenas em relação ao instituto da denúncia espontânea e com relação essa matéria o Procurador apresentou como paradigmas da divergência os acórdãos nº 3802002.322 e nº 3403003.251. Os paradigmas afastaram a denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 12.350 de 2010. Ambos afastam a denúncia espontânea, pois seria caso de descumprimento de obrigação acessória que se caracteriza por um nãofazer ou um fazer extemporâneo do sujeito passivo, situação em que o prazo é justamente o fim almejado pelo dispositivo normativo. O Presidente da 3ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da Fazenda em 15/01/2016, no despacho de efls. 754 a 756, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Fl. 807DF CARF MF 4 Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento quanto ao instituto da denúncia espontânea. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi intimada (efl. 760) do acórdão nº 3302002.734, do recurso especial de divergência da Fazenda e do despacho de admissibilidade do recurso especial da Procuradoria, em 16/02/2016 (efl. 763), tendo apresentado contrarrazões em 02/03/2016, às efls. 333 a 356. Em resumo argumenta: I) haver prejudicial para o recebimento do recurso especial da Procuradora ao não atacar um dos fundamentos do acórdão, quanto à matéria "Da aplicação da multa singular infrações de natureza continuada."; II) o recurso não deveria ser recebido também por não haver demonstrativo analítico da similitude fática entre as situações postas nos paradigmas e no acórdão a quo; III) apesar de fora do prazo, a empresa diligenciara para apresentação das informações de embarque previamente à ação fiscal, com isso, sem dúvida houve espontaneidade em relação aos fatos declarados e assim ela se albergaria tanto no art. 138 do CTN quanto no§ 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo. Há que se observar que, em que pese, na fundamentação de seu voto, o relator ter enfrentado subsidiaramente a questão da redução da multa, para admissão de uma única infração, essa matéria não constou no dispositivo do acórdão ou nas ementas. Naquela fundamentação o relator entendeu, caso vencido quanto à questão prejudicial da aplicação do instituto da retroatividade benigna ao caso, a infração deveria ser considerada de caráter continuado, e com base em doutrina e jurisprudência, tal tipo de infração resultaria em imposição singular da multa a ser fixada de acordo com a gravidade da infração cometida, ainda que ocorram em momentos sucessivos delimitados por um breve período de tempo. Contudo, é sobejamente conhecido que os motivos ou razões de decidir não fazem coisa julgada1 (Lei nº 13.105/2015 CPC), mas apenas o dispositivo da sentença ou do acórdão tem esse condão, e no caso concreto, o dispositivo não continha qualquer determinação quanto ao caráter da infração, se continuada ou não, ou mesmo quanto aos limites a serem fixados para essa penalidade. Nem mesmo as ementas tratam desses assuntos. Dessa forma, considero a questão como um mero obter dictum, que não pode ser atribuído ao colegiado, mas sim às considerações do conselheiro relator, na redação do voto condutor. 1 Art. 504. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença;(...) Fl. 808DF CARF MF Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 9303006.797 CSRFT3 Fl. 807 5 Salientese, aqui, que a decisão do acórdão pelo, provimento do recurso, decorreu de posição da maioria, sendo um dos votos exarado em face das conclusões apenas, Assim, pela sua redação e pelas ementas, é impossível saber qual o entendimento da Turma quanto à matéria citada. Nesse sentido, é necessário esclarecer que, dos cinco conselheiros presentes no colegiado, o Presidente e mais um conselheiro ficaram vencidos, e um terceiro conselheiro apenas acompanhou o relator pelas conclusões. Portanto, por lógica, concluise que a maioria presumida do colegiado, por voto de qualidade, não acompanhou na íntegra as razões de decidir do conselheiro relator. Adicionalmente, o posicionamento do relator se apresenta pelo princípio da eventualidade, não tendo sido necessário, sequer, sua discussão pelo colegiado, para chegar à decisão ora recorrida, conforme se observa no voto à efl. 726: Caso mantida a multa apreciada anteriormente, cabível a discussão se esta infração seria continuada, e portanto haveria a incidência de uma penalidade, em vez da aplicação de várias multas ao longo do período. Entendo, nesse caso, ser esta uma infração de caráter continuado, a ser considerada como uma única infração, resultando na imposição de multa singular, a ser fixada de acordo com a gravidade da infração cometida, ainda que ocorram em momentos sucessivos delimitados por um breve período de tempo. (Negritei.) Portanto, no entender deste conselheiro: cingese a discussão à aplicação do instituto da denúncia espontânea ao descumprimento de obrigação acessória e não restou incontroversa, nos autos, a questão da redução da penalidade a uma única infração. Assim, no tocante à razão (I) apresentada pelo sujeito passivo como causa para não se conhecer do recurso especial da Procuradora, entendo que não há obrigatoriedade de que ela se manifeste em sede recurso especial de divergência quanto à matéria que não consta no dispositivo do acórdão, pois não haveria coisa julgada relativamente à ela. Dessa forma, caberia à contribuinte oferecer embargos de declaração ao acórdão se entendia que ele apresentava alguma omissão ou contradição em relação aos fundamentos. Todavia, quando manejou suas contrarrazões (02/03/2016), já havia precluido seu direito à interposição de embargos de declaração, cujo prazo regimental é de cinco dias da ciência do acórdão (16/02/2016). No tocante à segunda razão (II) para o não recebimento do recurso especial de divergência da Fazenda, melhor sorte não assiste à contribuinte. Tanto as ementas quanto os excertos dos votos dos paradigmas transcritos no recurso demonstram claramente a existência de divergência. Além disso, o cotejo analítico me parece claramente expresso na seguinte passagem da peça da Procuradora, às efls. 741 e 742: • Demonstração da identidade (ou semelhança) fática entre os casos julgados pelos acórdãos confrontados Fl. 809DF CARF MF 6 Como se vê, é manifesta a identidade (ou similitude) fática entre as situações analisadas no acórdão recorrido e no(s) paradigma(s). Em todos os casos confrontados foi questionada a aplicação do instituto da denúncia espontânea à multa estabelecida no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei nº 37/66. Os acórdãos paradigmas discutiram autos de infração lavrados para exigir multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória. Todos os acórdãos foram proferidos após o advento da Medida Provisória nº 497 de 2010, convertida na Lei nº 12.350/2010 que alterou a redação do art. 102, § 2º, do DL nº 37/1966. Nada obstante a identidade fática dos casos confrontados, os Colegiados adotaram entendimento jurídico divergente. • Demonstração da divergência quanto à solução jurídica adotada pelos acórdãos confrontados O acórdão recorrido entendeu indevida a exigência da multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória no prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, preceituada no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei nº 37/66, em razão do advento da Lei nº 12.350/2010. A Turma entendeu que o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966, com redação dada pela Lei nº 12.350 de 2010, passou a prever a possibilidade de exclusão de multa administrativa decorrente de descumprimento de obrigação aduaneira pelo instituto da denúncia espontânea. Por outro lado, os acórdãos indicados como paradigmas foram proferidos após o advento da Lei nº 12.350/2010 que deu nova redação ao art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966, e, portanto, poderiam ter aplicado a retroatividade benigna nos termos do art. 106 do CTN, entretanto não o fizeram. Como visto, os paradigmas expressamente entenderam que não cabe invocar o instituto da denúncia espontânea quando se trata de obrigações acessórias, como no caso vertente. Ressaltaram os precedentes que nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está vinculado a um fazer ou nãofazer sem expressão econômica a ser cumprido em determinado prazo, sendo este prazo justamente o fim almejado pelo dispositivo legal, de modo a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos. Nessa linha, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo retiraria a eficácia da norma, pois comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributária já que o dever instrumental poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Portanto, evidenciada está a divergência jurisprudencial. Fl. 810DF CARF MF Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 9303006.797 CSRFT3 Fl. 808 7 Enquanto o acórdão recorrido julgou improcedente o auto de infração relativo à multa prevista no DL nº 37/66, art. 107, IV, “e”, os paradigmas, mesmo tendo sido proferidos após o advento da Lei nº 12.350/2010 que deu nova redação ao art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37 de 1966 não aplicaram a retroatividade benigna. Os precedentes refutaram de modo expresso a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea no caso de obrigações acessórias. Fica claro, portanto, que diante da mesma situação fática discutida no acórdão recorrido e no(s) paradigma(s) foi dada solução jurídica diversa pelos órgãos julgadores. (Negritos do original) Pelo exposto, entendo que estão presentes todos os requisitos para que seja conhecido o recurso especial de divergência da Fazenda Nacional e a matéria recorrida se restringe à aplicação do instituto da denúncia espontânea ao descumprimento de obrigação acessória. Enfrentado o conhecimento do recurso e esclarecidos os limites da lide, passo à análise de mérito. Com a devida vênia da Turma que prolatou o acórdão recorrido, penso que ao caso não se aplica tal instituto. Assim entendo, ver impossibilidade lógica em ser espontâneo para recuperação do tempo. O art. 138, invocado com fator que afasta o fato gerador da penalidade, não tem esse condão. O referido artigo teve sua origem remota no anteprojeto do CTN2, de autoria do Prof. Rubens Gomes de Souza, no art. 289, que constava do Capítulo III Da punibilidade, com a seguinte dicção: Art. 289. Excluem a punibilidade: I. A denúncia espontânea da infração pelo respectivo autor ou seu representante, antes de qualquer ação fiscal, acompanhada do pagamento, no próprio ato, do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa competente, se o montante do tributo devido depender de apuração; (...) § 2.°. As causas de exclusão da punibilidade previstas neste artigo não se aplicam: I. Às infrações de dispositivos da legislação tributária referentes a obrigações tributárias acessórias; (...) 2 http://www2.senado.gov.br/bdsf/handle/id/511517 000064039.pdf, pág. 339 e 340. Fl. 811DF CARF MF 8 Quando levado ao Congresso, já como projeto de lei, em 1954, essa redação foi alterada conforme se observava então no art. 1743, do Capítulo II, que tratava da responsabilidade por infrações, então com a redação: Art. 174. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo devido dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada depois do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização. Assim se manifestou Rubens Gomes de Souza, autor do anteprojeto e participante da Comissão Especial de elaboração do projeto, a respeito desse artigo: Por último, o art. 174 abre ainda exceção ao princípio da objetividade, admitindo a exclusão da responsabilidade penal nos casos de denúncia espontânea da infração e sua concomitante reparação. 4 Após sua tramitação no Poder Legislativo, obtevese a norma do art. 138, conforme invocado no acórdão a quo, dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fica evidenciado que desde sua origem, o atual artigo 138 do CTN visou à exclusão de punição, mas atrelando esta exclusão à reparação da falta originalmente praticada, sem o que as normas tributárias não seriam cogentes; sendo o sistema tributário não impositivo, careceria de lógica o sistema. Como criar uma obrigação, ainda que acessória, e inexistir qualquer sanção por descumprimento, simplesmente pela denunciação do descumprimento? O fato gerador da infração está disposto na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/2003, com a seguinte dicção: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) 3 http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/511517, 000064039.pdf, pág. 70 4 http://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/511517, 000064039.pdf, pág. 245 Fl. 812DF CARF MF Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 9303006.797 CSRFT3 Fl. 809 9 e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e... (Negritei.) O fato gerador da penalidade em comento é deixar de prestar informação na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Existindo o atraso, não há como reparar a falta, pois, no estágio atual, não é possível fazer o tempo retroagir e recuperar o prazo perdido; teríamos uma impossibilidade que se desconsiderada significaria fazer ruir o sistema cogente da tributação. Não se pode olvidar que o sistema de tributação aduaneiro não envolve apenas questões financeiras ou de arrecadação, mas inúmeras exigências visando à defesa do Estado Nacional, tais como controles sanitários, econômicos, segurança pública, etc. É evidente que o descumprimento de normas que venham a impor tais exigências nem sempre podem ser reparadas pela simples denúncia. Assim, desfazer ou desonerarse do atraso informando sua existência só levaria a incentivar o atraso, fazendo com que a norma do CTN em vez de prestigiar o cumprimento da legislação tributária, no cotidiano, tivesse efeito contrário. Se a fiscalização não estiver permanentemente a postos para verificar os prazos, os contribuintes que não os cumpram podem se desonerar da obrigação que a lei lhes impõe (prestar informação em até sete dias do embarque) sem atender a própria norma e sem qualquer reparação. Aliás, esse entendimento não é estranho a esta Turma, que na sessão de 26/04/2016, no acórdão de nº 9303003.676, em voto do Ilustre exPresidente do CARF, Dr. Carlos Alberto Freitas Barreto, trouxe a fundamentação adicional que abaixo reproduzo: Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 813DF CARF MF 10 A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3. Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”, que foi fruto de Fl. 814DF CARF MF Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 9303006.797 CSRFT3 Fl. 810 11 reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...) A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi “deixar claro” que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das Fl. 815DF CARF MF 12 declarações selecionadas realizada prioritariamente, inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111 /MF/MP/ME/MCT/MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal Fl. 816DF CARF MF Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 9303006.797 CSRFT3 Fl. 811 13 regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988.3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: 'O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a Fl. 817DF CARF MF 14 denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, Fl. 818DF CARF MF Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 9303006.797 CSRFT3 Fl. 812 15 excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez.' Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributária. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do Fl. 819DF CARF MF 16 descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...]Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/ SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão Fl. 820DF CARF MF Processo nº 10921.000853/200879 Acórdão n.º 9303006.797 CSRFT3 Fl. 813 17 da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Dessarte, também pelos fundamentos desse ilustrado voto confirmo minha razão de decidir pelo provimento do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional para darlhe provimento, afastando o instituto da denúncia espontânea ao caso e restabelecendo o crédito tributário referente às penalidades mantidas pela decisão de primeira instância, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para análise das questões subsidiárias postas no Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 821DF CARF MF 18 Fl. 822DF CARF MF
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Numero do processo: 13629.000196/2008-62
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
CONHECIMENTO.
É conhecido recurso especial que trate da interpretação das normas a respeito da multa qualificada, mesmo se para avaliar a aplicabilidade da Súmula CARF 14.
MULTA QUAILIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. SÚMULA CARF N. 14.
No sentido que proposto pela Súmula CARF n. 14, a qualificação da penalidade requer uma conduta além da omissão de receitas, que revele indubitavelmente o intuito fraudulento do contribuinte, necessário, inclusive, de ser demonstrado especificamente pela fiscalização.
Numero da decisão: 9101-003.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
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EPP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 CONHECIMENTO. É conhecido recurso especial que trate da interpretação das normas a respeito da multa qualificada, mesmo se para avaliar a aplicabilidade da Súmula CARF 14. MULTA QUAILIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. SÚMULA CARF N. 14. No sentido que proposto pela Súmula CARF n. 14, a qualificação da penalidade requer uma conduta além da omissão de receitas, que revele indubitavelmente o intuito fraudulento do contribuinte, necessário, inclusive, de ser demonstrado especificamente pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 01 96 /2 00 8- 62 Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratamse de autos de infração (Efls. 06 ss.) para a exigência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS, COFINS e Contribuição para a Seguridade Social – INSS, no regime do SIMPLES, relativamente ao ano calendário 2004, decorrente da acusação fiscal de (i) omissão de receitas evidenciadas por depósitos bancários de origem não idenficada e (ii) não declaração da totalidade das receitas advindas das atividades industriais registradas no Livro Caixa na DSPJ (Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica), com a imputação de multa de ofício no percentual de 225%, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (Efls. 609 ss.), tanscrito abaixo: "1. CONTEXTO MPF: 0611100/00044/2007 No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal, de acordo com o disposto nos arts. 904, 905, 910, 911, 926 e 927 do Decreto n 0 3.000, de 26 de março de 1999 e em cumprimento às determinações contidas no Mandado de Procedimento Fiscal n 0 0611100.2007.000444, esta equipe de fiscalização procedeu à verificação do cumprimento das obrigações tributárias pertinentes ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES do período de janeiro/2004 a dezembro/2004 pelo contribuinte acima identificado. Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 14/06/2007, o contribuinte, apresentou, entre outros documentos, os Livros Caixa e Registro de Apuração do ICMS. Em correspondência datada de 20/07/2007, o contribuinte solicitou a prorrogação do prazo dado para atendimento ao Termo de Intimação Fiscal no 001, folha . Tal solicitação foi acatada pela fiscalização, sendo prorrogado o prazo para atendimento do Termo de Intimação Fiscal em 20 (vinte) dias. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal no 0001, o contribuinte apresentou parcialmente os extratos bancários das contascorrentes da matriz e das filiais, folhas a anexo I. Como o contribuinte apresentou apenas parte dos extratos bancários, esta equipe de fiscalização solicitou às instituições financeiras, através de Requisições de Informações sobre movimentação Financeira (RMF), os extratos Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 4 3 bancários de movimentação de contacorrente restantes do contribuinte fiscalizado, folhas a , anexo I. Através do Termo de Intimação Fiscal no 0002, o contribuinte foi intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos dos depósitos bancários discriminados no anexo I deste Termo de intimação, folhas a Em correspondência datada de 17/10/2007, o contribuinte solicitou a prorrogação do prazo dado para atendimento ao Termo de Intimação Fiscal no 002, folha . Tal solicitação foi acatada pela fiscalização, sendo prorrogado o prazo para atendimento do Termo de Intimação Fiscal em 20 (vinte) dias. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n 0 0002, o contribuinte, em 09/11/2007, apresentou uma planilha, folhas a, justificando parcialmente a origem dos recursos dos depósitos, como "Receita de Venda de mercadoria conforme registro no Livro Caixa". Porém, quase 40% das Receitas escrituradas no Livro Caixa não foram declaradas e confessadas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES ( PJSI 2005/2004), e devem ser objeto de lançamento de ofício. Foram também analisadas as demais justificativas apresentadas pelo contribuinte, separadamente: a) Justificativas "Depósito para cobrir cheque feito pela própria empresa" e "Depósito para cobrir cheque": Conforme intimado, o contribuinte deveria comprovar a origem destes recursos, através de documentação probante. Caso seja fosse proveniente de outra contacorrente da empresa, deveriase informar em qual data houve o correspondente débito nesta outra contacorrente. b) Justificativas "Pagamentos de encargos financeiros", "pagamento a empréstimo feito por terceiros", "depósito empréstimo de terceiro", "valor ref. empréstimo capital de terceiro", "depósito em dinheiro p/ cobrir cheque", "empréstimo de terceiro" e "empréstimo para capital de giro": O contribuinte deveria comprovar a origem destes recursos, através de documentação probante, explicando melhor a que operação financeira se refere este crédito, em quais termos ela foi contratada e o modo de sua execução. c) Justificativa "empréstimo capital de giro": Tal justificativa não coaduna com alguns dos históricos presentes nos extratos bancários (Desconto NT promissória). De qualquer modo, além de explicar esta divergência, deveria o contribuinte apresentar documentação probante desta operação financeira, demonstrando em quais termos ela foi contratada e o modo de sua execução. d) Justificativa "Título de crédito para obtenção de capital de giro": O contribuinte deveria comprovar a origem destes recursos, através de documentação hábil e probante, explicando melhor como a empresa adquiriu a propriedade de cada título de crédito. e) Justificativas "transferência interconta da própria empresa" e "transferência entre contas diferentes da empresa": O contribuinte deveria informar, para cada operação assim justificada, qual a outra conta origem do recurso e em qual data houve o respectivo débito nesta outra conta. No Termo de Intimação Fiscal n 0 0003, de 10/12/2007, foi transcrita a análise feita por esta equipe de fiscalização das justificativas apresentadas, sendo o contribuinte intimado a complementar essas justificativas apresentadas, apresentando documentação hábil e idônea que comprovasse as afirmações fornecidas. Além disso, o contribuinte foi novamente alertado que os créditos/depósitos que não tivessem a sua origem comprovada no prazo e na forma estabelecida, ensejariam lançamento de ofício a título de omissão de receita ou de Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 5 4 rendimento, nos termos do artigo 849 do RIR/99 e art. 42 da Lei no 9.430/96, sem prejuízo de outras sanções legais que coubessem. Em correspondência recebida em 04101/2007, o contribuinte solicitou um prazo maior para atendimento do Termo de Intimação Fiscal n 0 0003, alegando dificuldades no levantamento de documentos junto aos bancos. Foi concedida uma dilação de prazo para o dia 1910112008. Em correspondência recebida em 18101/2008, pediu o contribuinte uma nova dilação de prazo, não prevista pela legislação do Imposto de Renda. Deste modo, as justificativas apresentadas pelo contribuinte foram apenas parcialmente acatadas por esta equipe de fiscalização, conforme se demonstra na planilha "ANÁLISE DAS JUSTIFICATIVAS APRESENTADAS", parte integrante deste Termo de Verificação Fiscal, folhas a Assim, do confronto entre os valores informados na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES com os valores apurados pela fiscalização, verificouse que o contribuinte cometeu infrações tributárias na determinação dos valores a pagar de imposto de renda pessoa jurídica IRPJ e demais tributos calculados pela sistemática do SIMPLES. 1. INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS 1.1. Omissão de Receitas. Depósitos bancários. Falta de recolhimento do IRPJ e demais tributos calculados pela sistemática do SIMPLES. A fiscalização, partindo dos valores de depósitos que não tiveram a sua origem comprovada, mediante documentação hábil e idônea, chegou aos valores de omissão de receita apurados pela fiscalização. Assim, esta equipe de fiscalização elaborou o Demonstrativo de Situação Apurada, folhas e , parte integrante deste Termo de Verificação Fiscal. Dessa forma, com base no art. 149 da Lei 5.172/66 (CTN) e art. 841 do RIR/99, esta equipe procedeu ao lançamento de ofício das diferenças do imposto de renda da pessoa jurídica — IRPJ resultantes das diferenças apuradas em razão da omissão de receitas da atividade, constituídas em lançamento de ofício, no Processo Administrativo Fiscal n 0 13629.000196/200862. Insta ressaltar que a empresa, por exercer atividade industrial, mesmo que produzindo apenas produtos isentos ou com alíquota reduzida a zero, está sujeita ao acréscimo de 0,5% (meio por cento) no percentual aplicado à Receita Bruta para a apuração do SIMPLES devido. 1.2. Omissão de Receitas. Receitas escrituradas e não declaradas. A fiscalização verificou que parte das receitas escrituradas no Livro Caixa de sua atividade industrial não foram declaradas e confessadas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — SIMPLES ( PJSI 2005/2004), conforme se verifica no Demonstrativo de Situação Apurada, folhas a Dessa forma, esta equipe procedeu ao lançamento de ofício das diferenças do Imposto de renda da pessoa jurídica — IRPJ resultantes das diferenças apuradas em razão da omissão de receitas da atividade, constituídas em lançamento de ofício, no Processo Administrativo Fiscal no 13629.000196/200862. 1.3. Documentos No Anexo I do Processo Administrativo Fiscal no 13629.000196/200862 foram juntados os extratos bancários fornecidos pelo contribuinte. No anexo II foram juntadas cópias do Livro Caixa n 0 03, relativo ao ano calendário 2004, e da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — SIMPLES ( PJSI 2005/2004), ND 5378034. 2. Multa agravada (+50%) Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 6 5 Nos lançamentos de ofício relativos aos depósitos bancários de origem não comprovada cujos extratos bancários foram obtidos diretamente das instituições financeiras através da expedição de Requisições de Informações sobre movimentação Financeira (RMF), a fiscalização aplicou a multa de mais 50% conforme previsto no art. 44, inciso I, § 2 0, da Lei 9.430/96 com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória n 0 303, de 29 de junho de 2006: Art. 18. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; O agravamento previsto no § 20 do art. 44 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória 303106, baseouse no fato de o não ter atendido, nos prazos estabelecidos, à intimação da fiscalização para apresentar os extratos bancários solicitados. Diante da omissão do contribuinte, a fiscalização necessitou promover pesquisas à parte para levantamento das instituições financeiras onde o contribuinte mantinha contas correntes no período fiscalizado e a estes estender o procedimento fiscal através de Requisições de Informações sobre movimentação Financeira (RMF). As dificuldades criadas à fiscalização pela conduta adotada pela contribuinte foram de tal monta que os lançamentos de ofício dependeram, essencialmente, das Informações coletadas junto a terceiros. A 2a Câmara do 1o Conselho de Contribuinte assim se manifestou no Acórdão no 102 46.374/04: MULTA AGRAVAMENTO Agravase a penalidade, na forma do artigo 44, § 2.o,, da lei n.O 9.430, de 1996, quando em procedimento de ofício o contribuinte deixa de atender a solicitação da Autoridade Fiscal, proporcionando a mora na verificação e maiores ônus à Administração Tributária pela demanda de diligências e de outras fontes de informações. 1o Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 10246.374 em 16.06.2004. Publicado no DOU em: 10.09.2004. 3. MULTA QUALIFICADA DE 150% A conduta da contribuinte que resultou nas infrações tributárias é que define a multa a ser aplicada. Será de 150% se agiu com evidente intuito de fraude. Nesse sentido dispõe o art. 44 da Lei no 9.430/96: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n0 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis". Por seu turno, os arts. 71, 72 e 73 da Lei n.o 4.502/64 dispõem: Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 7 6 "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72". Foi constatado que o contribuinte escriturou no Livro Caixa apenas 53,56% das receitas auferidas no primeiro trimestre de 2004. Já nos 2o, 3o e 4o trimestres, contribuinte escriturou apenas 58,38%, 51,16% e 33,82% das receitas auferidas e identificadas pela fiscalização, respectivamente. Durante todo o ano calendário 2004, em média, apenas 48,25% das receitas auferidas e apuradas pela fiscalização foram escrituradas no Livro Caixa. Além disso, deste percentual de Receitas que foram escrituradas no Livro Caixa, apenas 61,89% foram efetivamente declaradas e confessadas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — SIMPLES ( PJSI 200512004). Ou seja, menos de 30% das Receitas auferidas no período foram efetivamente declaradas e confessadas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — SIMPLES. A apresentação de declarações representa uma obrigação tributária acessória que, de acordo com o § 2 0 do art. 113 do CTN, "decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos". É dever jurídico prestar informações verdadeiras às autoridades fazendárias. A violação desse dever, omitindo informação ou prestando declarações falsas que impliquem em supressão ou redução de tributos ou visem eximirse, total ou parcialmente, do seu pagamento, configura crime contra a ordem tributária (Lei no 8.137/90, arts. 1o e 2o ). A apresentação das declarações de rendimentos com omissão de receitas dessa ordem, demonstra que o contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Essa prática reiterada revela uma conduta dolosa e premeditada que se subsume ao tipo previsto no art. 71, inciso I, da Lei n.o 4.502/1964. Dessa forma, foi aplicada a multa qualificada de 150% (Lei 9.430/96, art. 44, II) para as diferenças do imposto de renda e das contribuições sociais lançadas em razão da omissão de receitas apuradas através dos extratos bancários. 3.1 Representação Fiscal para Fins Penais Juntamente com a lavratura dos Autos de Infração, esta equipe formalizou Representação Fiscal para Fins Penais na forma da Portaria SRF no 326, de 15 de março de 2005 e Lei no 8.137, de 27 de dezembro de 1990, que define Crimes Contra a Ordem Tributária. 0 Processo de Representação Fiscal para Fins Penais gira sob o no 13629.000198/200851. Como prova da prática de ilícitos tributários e penais, a fiscalização reteve o livro Caixa e o Livro Registro de Apuração de ICMS (§ 1 0 do art. 35 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Ao contribuinte foi entregue cópias extraídas dos mesmos. Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 8 7 Estes livros acompanham o Processo de Representação Fiscal para Fins Penais no 13629.0001981200851. Também foi realizado o Arrolamento de bens do contribuinte, Processo Administrativo no 13629.0001971200815. O presente Termo de Verificação Fiscal é parte integrante do Auto de Infração relativo ao MPF 0611100.2007.000444. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinada pelos Auditores Fiscais da Receita Federal, cuja ciência e cópia do contribuinte se dará via postal, por Aviso de Recebimento (AR). Insurgindose, a recorrida apresentou impugnação administrativa (Efls. 795 ss.), resumida pela decisão de primeira instância, que ora se aproveita: "Trata o presente processo administrativo fiscal de autos de infração lavrados contra a contribuinte em epígrafe em 25/01/2008. Foi constituído crédito tributário de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 04 a 09), de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 57 a 62), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 71 a 76), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 85 a 90), Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI (fls. 99 a 104) e de Contribuição para Seguridade Social — INSS (fls. 113 a 118), no que tange aos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2004, em decorrência de auditoria levada a efeito na escrita fiscal do contribuinte, optante pelo SIMPLES. Consta no "Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo" (fl. 03) que os autos de infração lavrados, depois de formalizados, totalizaram o montante a pagar de R$ 998.068,9 1, incluídos os valores devidos a título de tributo, de multa de ofício e de juros de mora, calculados até 28/12/2007. A autoridade fiscal, além de relacionar as infrações apuradas no corpo dos autos de infração, pormenorizouas no Termo de Verificação Fiscal em anexo (fls. 10/17), no qual relata o resultado da auditoria fiscal: OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS (fontes: contribuinte e RMF' S) A fiscalização informa que a contribuinte, optante do SIMPLES, foi intimada a apresentar a origem dos valores que foram depositados nas contas correntes dos Bancos Bradesco, Citibank, HSBC, Rural, Brasil e Caixa Econômica Federal. Assegura ainda que foram anexados quadros demonstrativos com as parcelas depositadas para que a contribuinte apresentasse a resposta solicitada e os elementos que justificassem as origens dos numerários que transitaram nas contas corrente bancárias. Em seguida, informa que a empresa apresentou uma planilha, justificando parcialmente a origem dos recursos dos depósitos, como "Receita de Venda de mercadoria conforme registro no Livro Caixa". Diz também que quase 40% das receitas escrituradas no Livro Caixa não foram declaradas e confessadas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES (PJSI 2005/2004), e devem ser objeto de lançamento de ofício. As demais justificativas da contribuinte não foram aceitas pela fiscalização. A fiscalização, partindo dos valores de depósitos que não tiveram a sua origem comprovada, mediante documentação hábil e idônea, chegou aos valores de omissão de receita apurados no Demonstrativo de Situação Apurada, fl. 18. Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 9 8 Esclarece, ainda, que por exercer atividade industrial, mesmo que produzindo apenas produtos isentos ou com alíquota reduzida a zero, está sujeita ao acréscimo de 0,5% (meio por cento) no percentual aplicado à Receita Bruta para a apuração do SIMPLES devido. Reproduzimos o enquadramento legal da infração, constante na "Desc rição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)" para o IRPJ: arts. 186, 188 e 199 do RIR/1999; art. 24 da Lei no 9.249, de 1995; arts. 2% § 2% 3°, § 1% alínea `a', 5% 7% § 1% 18, da Lei no 9.317, de 1996; art. 42 da Lei no 9.430, de 1996; e art. 3° da Lei no 9.732/1998. Para o PIS: art. 3°, alínea `b', da Lei Complementar no 07, de 1970; art. 1% parágrafo único, da Lei Complementar n° 17, de 1973; arts. 2% inciso I, 3% e 9° da Medida Provisória no 1.249, de 1995 e suas reedições; arts. 20. § 20, 3 0, § 1% alínea `b', 50, 70, § 1% 18, da Lei n° 9.317, de 1996; e art. 3° da Lei no 9.732/1998. Para a CSLL: art. 1° da Lei no 7.689, de 1988; arts. 2% § 2 0, 30, § 1°, alínea `c', 5 0 , 7% § 1% 18, da Lei n° 9.317, de 1996; e art. 3 0 da Lei no 9.732/1998. Para a COFINS: arts. l° e 2° da Lei Complementar no 70, de 1991; arts. 2 0, § 20, 3°, § 1% alínea `d', 5% 70, § lo, e 18, da Lei n° 9.317, de 1996; e art. 3° da Lei n° 9.732/1998. Para o IPI, arts. 2 0, § 20, 30, § 1°, alínea "e", 5 0, § 20, 70, § 1% e 18, da Lei no 9.317/96; art. 3° da Lei no 9.732/98 e arts. 2 0, 3°, 34, 35, 122 e 127 do RIPI/02. Para o INSS: arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea `f , 5 0, 7°, § 1°, e 18,a Lei n° 9.317, de 1996; art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO A fiscalização apurou que parte das receitas de sua atividade industrial escriturada no Livro Caixa não foram declaradas e confessadas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica SIMPLES (PJSI 2005/2004), conforme se verifica no Demonstrativo de Situação Apurada, fls. 18. Reproduzimos o enquadramento legal da infração, constante na "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)" para o IRPJ: arts. 186 e 188 do RIR/1999; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea `a', 5°, 7°, § 1°, da Lei n° 9.317, de 1996; e art. 3° da Lei n° 9.732/1998. Para o PIS: art. 3°, alínea `b', da Lei Complementar n° 07, de 1970; art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17, de 1973; arts. 2°, inciso I, 3°, e 9° da Medida Provisória n° 1.249, de 1995 e suas reedições; arts. 2°. § 2°, 3°, § 1°, alínea `b', 5°, 7°, § 1°, 18, da Lei n° 9.317, de 1996; e art. 3° da Lei n° 9.732/1998. Para a CSLL: art. 1° da Lei n° 7.689, de 1988; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea `c', 5°, 7°, § 1°, 18, da Lei n° 9.317, de 1996; e art. 3° da Lei n° 9.732/1998. Para a COFINS: arts. 1° da Lei Complementar n° 70, de 1991; arts. 2°, § 2°, 3°, § 1% alínea `d', 5°, 7°, § 1 0, e 18, da Lei n° 9.317, de 1996; e art. 3° da Lei n° 9.732/1998. Para o IPI, arts. 2°, § 2°, 3°, § 1 °, alínea "e", 5°, § 2°, 7°, § V, da Lei n° 9.317/96; art. 3° da Lei n° 9.732/98 e arts. 2°, 3°, 34, 35, 122 e 127 do RIPI/02. Para o INSS: arts. 20, § 2°, 3°, § 1°, alínea `f, 5°, 7°, § 1°, da Lei n° 9.317, de 1996; art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998. INSUFICIENCIA DE RECOLHIMENTO A terceira infração apurada decorre das infrações anteriores, pois foi apurada a insuficiência dos recolhimentos efetuados pela autuada tendo em vista a mudança de percentual com relação a receita bruta acumulada. Reproduzimos o enquadramento legal da infração, constante na "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)" para o IRPJ: arts. 186 e 188 do RIR/1999; art. 5° da Lei . n° 9.317, de 1996; e art. 3° da Lei n° 9.732/1998. Para o PIS: art. 3°, alínea `b', da Lei Complementar n° 07, de 1970; art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17, de 1973; arts. 2°, inciso 1, 3°, e 9° da Medida Provisória n° 1.249, de 1995 e suas reedições; art. 2°, § 2°, 3°, § 1°, da Lei n° 9.317, de Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 10 9 1996; e art. 3° da Lei n° 9.732/1998. Para a CSLL: art. 1° da Lei n° 7.689, de 1988; art. 2°, § 2°, 3°, § 1% alínea "c", 5°, 7°, § 1% 18, da Lei n° 9.317, de 1996; e art. 3° da Lei n° 9.732/1998. Para a COFINS: arts. 1° da Lei Complementar n° 70, de 1991; art. 5° da Lei n° 9.317, de 1996; e art. 3° da Lei n° 9.732/1998. Para o IPI, arts. 3°, § 1°, alínea "e", 5°, § 2°, da Lei n° 9.317/96; art. 3° da Lei n° 9.732/98 e arts. 2°, 3°, 34, 35, 122 e 127 do RIPI/02. Para o INSS: art. 5° da Lei n° 9.317, de 1996; art. 3° da Lei n° 9.732, de 1998. A contribuinte, que tomou ciência dos autos de infração citados em 31/05/2007 (fl. 126), apresentou, através de seus procuradores, nomeados pelo instrumento de fl. 127, impugnação em 20/02/2008 (fl. 05), nos termos da petição acostada aos autos (fls. 192 a 199). Após sintetizar o Termo de Verificação Fiscal, alega o que segue: DAS MULTAS APLICADAS (MAJORADA E QUALIFICADA) Afirma que a fiscalização considerou estar a impugnante omitindo as informações sobre as movimentações bancárias, e assim sendo, lavrou o Auto de Infração. Entende que os extratos e comprovantes de movimentações financeiras sendo do ano de 2004 teriam de ser fornecidos pelas instituições bancárias. Logo, a impugnante não poderia ter omitido nem mesmo sonegado informações das quais não dispunha. Alega ainda que o primeiro prazo de prorrogação para apresentação dos extratos concedido no dia 20/07/2007 (sextafeira) terminou no dia 13/08/2007, fl. 44, e já no dia 16/07/2008, isto é, 72 horas depois a fiscalização já havia solicitado referidos extratos junto aos bancos, fl. 35 do Anexo I. Diz que os auditores fiscais denominam a quebra do sigilo bancário da impugnante, de informações requisitadas junto às instituições financeiras e, justificandoa, alegam que a empresa autuada deixou de fornecer os extratos faltantes, por isso cometeu omissão de informações. Em conseqüência disso aplicou multas de 150% e 225% sobre valores creditados e ou depositados nas contas bancárias analisadas. Para finalizar e desqualificar a presente aplicação das multas agravada e qualifica, faz referência ao artigo 44, inciso I e § 2 0, 1, da Lei 9.430/96, citado às fl. 14 dos autos, que determina a majoração da multa em face do não atendimento de intimação para prestar esclarecimentos. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, as multas foram majoradas e qualificadas em virtude de omissão, por falta de entrega dos extratos bancários. Porém, a impugnante não deixou de prestar esclarecimentos dentro dos prazos, tendo em vista as entregas dos esclarecimentos/justificativas em todas as intimações. Em face dessas ponderações, requer a desclassificação da majoração da multa caso esta seja julgada cabível, assim como o cancelamento da multa qualificada. DAS DIFERENÇAS DE RECOLHIMENTO A) LANÇAMENTOS DE OFÍCIO — RECEITAS ESCRITURADAS NO LIVRO CAIXA. Admite que houve a diferença de receita entre aquela escriturada no Livro Caixa e a declarada na Declaração Simplificada PJ Simples/2005, em virtude de erro ocorrido em seu sistema eletrônico de lançamentos e apuração de impostos, do tipo planilha eletrônica, criada para calcular e fornecer informações fiscais, que vinha sendo executada na empresa, cuja fórmula aritmética e ou alíquotas não se achavam corretas. Todavia, tratase de erro, não de dolo ou sonegação. Em seguida, afirma que na mesma data procedeuo seu reconhecimento, tendo o impugnante requerido o parcelamento do crédito tributário decorrente. Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 11 10 Para finalizar, chama atenção para os valores lançados como entradas no Livro Caixa, sendo que a sua totalidade não pode de modo algum ser tomada como receita. Todavia as entradas nele lançadas não apresentam significativa em comparação com o "RICS", justificandose assim o seu reconhecimento e final parcelamento das incidências tributárias sobre os referidos valores, com vistas ao pagamento do crédito tributário deles decorrente. B) LANÇAMENTOS DE OFÍCIO — DEPÓSITOS E CRÉDITOS EM CONTAS CORRENTES BANCÁRIAS. No que diz respeito a este tópico, afirma que os depósitos foram feitos entre contas de titularidade da impugnante, as notas promissórias assim como os títulos de crédito de emissão do próprio sócio da empresa para serem descontados a fim de levantar capital e giro. A liberação de descontos é operação oriunda do próprio desconto. Os depósitos em dinheiro foram do próprio caixa da empresa, sendo feitos pelos próprios sócios ou seus funcionários. As transferências eletrônicas foram entre contas da mesma empresa. Nenhum dos valores lançados nessas descrições se refere a entradas externas ou receitas. Alega, ainda que, os valores lançados na planilha demonstrativa de diferenças de recolhimento em virtude de depósitos e créditos bancários não correspondem com a soma dos mesmos, como, por exemplo, o mês de fevereiro, onde a soma dos valores cujas justificativas não foram acatadas é de R$ 111.745,99, fl. 20, 26, 27, 29 e 87, porém tal valor consta como R$ 126.860,76, no demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta de fl. 31 e no demonstrativo dos valores devidos de fl. 53. Prossegue afirmando que, no mês de fevereiro de 2004, não houve nenhuma diferença entre os valores de receitas registrados no Livro de Apuração de ICMS, fl. 66 e a • DIPJ de fl. 05, ambas do anexo II. Alega ainda que, é de suma importância denunciar o fato de que é totalmente inconclusiva e ininteligível, portanto, incompreensível as demonstrações da maioria das planilhas acostadas aos autos, principalmente, a de fl. 53, onde não se consegue chegar a lugar algum aplicandose os percentuais ali estabelecidos sobre os valores nela lançados como base de cálculo. Prossegue em sua argumentação, afirmando que o Termo de Verificação Fiscal demonstra total fragilidade e descaso mediante as demais peças denominadas de demonstrativas, sendo que se limita a remeter a impugnante a "folhas e folhas" sem qualquer registro das mesmas. Por sua vez, as peças denominadas demonstrativas nada demonstram, apenas confundem porque quanto mais nelas se aprofunda em busca de alguma conclusão, mais confuso se torna. Por fim, alega que a total falta de transparência em virtude das inexplicáveis e falhas planilhas, assim como do pobre e falho Termo de Verificação Fiscal agravado pela falha de capitulação legal das infrações atribuídas ocorreram nos presentes autos propositalmente, de molde a não permitir à impugnante a compreensão do que exatamente está a ocorrer. Requer que seja realizado diligência/perícia técnica a fim de se demonstrar a veracidade dos fatos, em especial quanto aos valores que por mera presunção foram considerados receitas mesmo tendo justificativas e históricos explicativos para a sua existência." Na sequência, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora MG proferiu o acórdão n. 0919.781 (Efls 829 ss.), mantendo paricalmente o Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 12 11 lançamento em questão, porque desconstituiu a multa agravada, pelas razões resumidas na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, depois de intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos Recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA (150%). MOVIMENTO BANCÁRIO NÃO CONTABILIZADO. PRÁTICA REITERADA. INTUITO DOLOSO MANIFESTO. CABIMENTO. Configurada a intenção de dar uma aparência de realidade a algo que não era real (camuflagem da verdadeira movimentação bancária da empresa), caracterizado está o intuito doloso e, em decorrência, cabível a multa qualificada. MULTA AGRAVADA. Descabe o agravamento da penalidade com base exclusivamente na falta de atendimento da intimação para prestar esclarecimentos nos casos em que a fiscalização já dispõe das informações da CPMF e pode obter os extratos bancários por Requisição de Movimentação Financeira sem a participação do contribuinte. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PARCELAMENTO INDEFERIDO Tendo o impugnante requerido parcelamento dos valores lançados na sistemática do SIMPLES decorrente da infração 2 (diferença da base de cálculo) dos autos de infração, considerase não impugnada esta parte da exigência, que deve ser imediatamente cobrada em autos apartados, caso ainda não tenha sido feita. Lançamento Procedente em Parte Acordam os membros da la Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento para reduzir a multa de ofício para 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre todos os tributos (imposto e contribuições) lançados.” Em face da decisão da DRJ, a contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 860 ss.) basicamente nos mesmos termos de sua impugnação administrativa, com exceção agora do tema da multa agravada. Neste ponto, foi proferido despacho de sobrestamento (Efls. 1191 ss.), uma vez que o processo continha o procedimento de acesso aos dados de movimentação financeira da contribuinte por meio de RMF dirigida a instituições financeiras sem prévia autorização judicial, em julgamento na sistemática da repercursão geral pelo Supremo Tribunal Federal no RE n. 601.314/SP, aplicandose o então artigo 62A, parágrafo primeiro, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 13 12 Do julgamento do recurso pela Primeira Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento resultou o acórdão n. 1801002.036 (Efls. 1195 ss.), em que substancialmente se manteve a decisão da instância a quo, mas se afastou a qualificação da multa uma vez que não consubstanciada a fraude. Leiase a sua ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção legal de omissão de receitas preceituada no artigo 42 da Lei n° 9.430/96 autoriza o lançamento tributário quando, devidamente intimada, a contribuinte não logre comprovar a origem dos recursos que ingressaram em suas contas bancárias. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova invertese e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF). Motivado o indeferimento do pedido de perícia pela turma julgadora a quo, não há que se invocar o cerceamento de defesa. NULIDADE. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. ENQUADRAMENTO LEGAL. Não é passível de nulidade o lançamento tributário realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. A descrição dos fatos foi realizada de forma a possibilitar a recorrente o conhecimento da infração tributária e se coadunada com o enquadramento legal expresso nos lançamentos tributários. SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Anexo II do Ricarf). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. SIMPLES OMISSÃO. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício aplicada na forma qualificada (150%) para a multa de ofício regular (75%) , nos termos do voto da Relatora. Vencida a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez que negou Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 14 13 provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. “ Contra o referido acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (Efls. 1209 ss.), pretendendo fosse restabelecida a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% diante da defendida evidência de fraude, diante da omissão significativa e sistemática de seua receita, para o que apresentou os acórdãos n. 101 996.668 e n. 110200.502 como paradigmas da divergência, ao lado de suscitatar a inaplicabilidade da Súmula CARF n. 14, no sentido de não bastar a sua menção pelo acórdão recorrido para impedir o conhecimento do recurso especial. O recurso foi recepcionado por despacho de admissibilidade (Efls. 1224 ss.), que compreendeu haver divergência quanto à interpetação da Súmula CARF n. 14 no que concerne a quais fatos podem ser considerados simples omissão de receitas. Finalmente, a Representação Abertura de Processo (Efls. 1242 ss.) certificou o trasncurso do prazo sem interposição de recurso especial pelo contribuinte quanto à parcela do acórdão recorrido que lhe foi desfavorável, tampouco apresentação de contrarrazões, conforme também registrado pelo despacho de encaminhamento (Efls. 1252 ss.). Passase, assim, à apreciação do recurso especial da Fazenda Nacional. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora CONHECIMENTO (Voto Vencido) O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 15 14 demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose ao caso concreto, considerandose estar diante da prova suficiente à omissão de receita, mas não do evidente intuito de fraude, como prevaleceu no acórdão recorrido, considerase que o acórdão paradigma vai de encontro à Súmula CARF n. 14, transcrita a seguir: "Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Assim sendo, VOTA POR NÃO CONHECER o recurso especial. MÉRITO (Voto Vendecor) Na eventualidade de restar vencida na questão anterior, devolvese a julgamento com o recurso especial da Fazenda Nacional a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%, já adiantando que entendo pela sua não aplicação. Objetivamente, anúise com a desqualificação da multa uma vez que, debruçandose sobre o Termo de Verificação Fiscal, apenas se recohece a presença de elementos sufientes a caracterizar a presunção da omissão de receitas, mas não a prova necessária ao agravamento, que precisa demonstrar cabalmente o intuito do sujeito de praticar uma das condutas descritas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei n. 4502/64. Isso porque sustenta a qualificação no fato de haver depósitos de origem não identificada e não se teria declarado a totalidade da receita, mas pessoalmente acredito não bastarem tais alegações, que se prestam tão somente a demonstrar a omissão de receitas, uma vez que não acompanahada do apontamento de outros vícios. É a leitura que se faz do Termo de Verificação Fiscal, relembrado a seguir: Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 16 15 "3. MULTA QUALIFICADA DE 150% A conduta da contribuinte que resultou nas infrações tributárias é que define a multa a ser aplicada. Será de 150% se agiu com evidente intuito de fraude. Nesse sentido dispõe o art. 44 da Lei n0 9.430/96: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n0 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis". Por seu turno, os arts. 71, 72 e 73 da Lei n.O 4.502/64 dispõem: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72". Foi constatado que o contribuinte escriturou no Livro Caixa apenas 53,56% das receitas auferidas no primeiro trimestre de 2004. Já nos 2 0, 30 e 40 trimestres, contribuinte escriturou apenas 58,38%, 51,16% e 33,82% das receitas auferidas e identificadas pela fiscalização, respectivamente. Durante todo o ano calendário 2004, em média, apenas 48,25% das receitas auferidas e apuradas pela fiscalização foram escrituradas no Livro Caixa. Além disso, deste percentual de Receitas que foram escrituradas no Livro Caixa, apenas 61,89% foram efetivamente declaradas e confessadas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — SIMPLES ( PJSI 200512004). Ou seja, menos de 30% das Receitas auferidas no período foram efetivamente declaradas e confessadas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica — SIMPLES. A apresentação de declarações representa uma obrigação tributária acessória que, de acordo com o § 2 0 do art. 113 do CTN, "decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos". É dever jurídico prestar informações verdadeiras às autoridades fazendárias. A violação desse dever, omitindo informação ou prestando declarações falsas que impliquem em supressão ou redução de tributos ou visem eximirse, total ou parcialmente, do seu pagamento, configura crime contra a ordem tributária (Lei no 8.137/90, arts. 1 0 e 20 ). A apresentação das declarações de rendimentos com omissão de receitas dessa ordem, demonstra que o contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 17 16 do fato gerador da obrigação tributária. Essa prática reiterada revela uma conduta dolosa e premeditada que se subsume ao tipo previsto no art. 71, inciso I, da Lei n.O 4.502/1964. Dessa forma, foi aplicada a multa qualificada de 150% (Lei 9.430/96, art. 44, II) para as diferenças do imposto de renda e das contribuições sociais lançadas em razão da omissão de receitas apuradas através dos extratos bancários." Assim, revelase significativa a identificação de que, no caso concreto, a qualificação teria partido de elementos que levam apenas à presunção da omissão de receitas, mas não a uma efetiva causa de agravamento, razão pela qual penso ser o caso de aplicação das Súmulas 14 e 25 do CARF, transcritas as seguir: “Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Nesse sentido, mantenho o acórdão recorrido por suas razões: "IV) Da Multa Qualificada A respeito da multa qualificada, a fiscalização firmou o entendimento que a contribuinte omitiu receitas de vendas nos registros do livro Caixa, explicitando todos os valores em percentuais (por ex., que a autuada escriturou apenas 53,56%, 58,38%, 51,16% e 33,82% por trimestre de 2004), concluindo que a fiscalizada ofereceu à tributação menos de 30% das receitas efetivamente auferidas no anocalendário de 2004. Daí, em face à legislação de regência, justifica a qualificação da multa pela recorrente haver incidido na conduta tipificada no artigo 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, ensejando a aplicação da multa na forma qualificada. Para a fiscalização o fato de a autuada impedir ou retardar o conhecimento das autoridades fazendárias da ocorrência dos fatos geradores, fato este evidenciado na entrega de DSPJ cujos valores das receitas foram flagrantemente menores daqueles efetivamente auferidos, configura o dolo, a intenção desvelada de fraudar o fisco – consoante TVF, efls. 19 e 20. Cumpre esclarecer que para que o sujeito passivo da obrigação tributária seja penalizado com a multa de oficio qualificada é necessário que o evidente intuito de fraude seja detectado. Ocorre que o legislador, a fim de evitar dissensões doutrinárias, definiu na própria lei o que entende por evidente intuito de fraude lançando mão às figuras descritas em outra norma: nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502/64. Portanto, a imposição da multa qualificada decorre de conceituação legal e desta não pode fugir da aplicação, o Auditor Fiscal. Considerase, pela norma tributária, evidente intuito de fraude, lato sensu, a hipótese descrita no artigo a seguir transcritos: Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 18 17 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Seguindo o raciocínio ora esposado, se a ação, ou omissão, do sujeito passivo se enquadrar numa das figuras descritas acima, por força de lei, o agente fiscal deve aplicar a qualificação da multa, não estando à sua escolha aplicar ou não a norma tributária. A recorrente argúi, de forma extensa, que a DSPJ em comento veiculou valores com base em sistema informatizado e que ignorava as diferenças apontadas pela fiscalização entre valores escriturados e não informados na DSPJ, confiando plenamente no mecanismo operacional que dispunha. Argúi ainda que colaborou ao máximo com a fiscalização, não podendo concluirse que agiu em qualquer momento com dolo ou se furtou de demonstrar à fiscalização a receita efetivamente auferida, bem como registrou as vendas no Livro Caixa. Insiste que somente descobriu as falhas do sistema operacional quando da autuação fiscal. Atribui a falha do sistema à complexidade e peculiaridade de apuração de cada imposto e contribuição, mas que em momento algum agiu com máfe. Argumenta, ainda, que não concorda com o total das diferenças apuradas, eis que contesta o feito fiscal. A Súmula nº 14 editada por este Conselho Administrativo (CARF) dispõe sobre a matéria: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. No presente caso, a tributação derivou basicamente da presunção de omissão de receitas não ilidida cabalmente pela recorrente, bem como diferenças entre os valores registrados no Livro Caixa e aqueles informados na DSPJ da recorrente, que sequer foram contestados, pelo contrário, admitidos pela recorrente que atribuiu o erro ao sistema operacional, em relação ao anocalendário de 2004. Não vejo como afastar a aplicação da Súmula editada por este CARF, no caso em concreto. Houve a omissão, de forma indubitável. Os lançamentos tributários estão sendo mantidos nesta decisão, mas a qualificação da multa de ofício deve ser reformada, por não restar plenamente caracterizada a fraude perpetrada. Por todo o exposto, voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para reduzir a multa aplicada na forma qualificada (150%) para a multa regular (75%). (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes" Por essas razões, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 19 18 Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa Redatora designada Como bem identificado pela D. Relatora, a Turma a quo utilizou como um dos seus fundamentos a Súmula CARF nº 14: "Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." A aplicação da Súmula CARF poderia, em tese, impedir o conhecimento do recurso especial, nos termos do artigo 67, §3º, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015). Ocorre que o recurso especial que trata de multa qualificada, usualmente tem por alegação a inaplicabilidade da Súmula CARF referida (fls. 6 a 8 do recurso), interpretação que caberá a esta Turma da CSRF. Nesse sentido, não é aplicável a restrição regimental tratada pelo artigo 67, §3º, admitindose o recurso. Acrescento que o acórdão recorrido ainda tem por fundamento a falta de prova de dolo do contribuinte, o que interpretando a legislação federal seria fundamental para o Colegiado de origem para manutenção da multa agravada. Destaco trecho do acórdão: No presente caso, a tributação derivou basicamente da presunção de omissão de receitas não ilidida cabalmente pela recorrente, bem como diferenças entre os valores registrados no Livro Caixa e aqueles informados na DSPJ da recorrente, que sequer foram contestados, pelo contrário, admitidos pela recorrente que atribuiu o erro ao sistema operacional, em relação ao anocalendário de 2004. Não vejo como afastar a aplicação da Súmula editada por este CARF, no caso em concreto. Houve a omissão, de forma indubitável. Os lançamentos tributários estão sendo mantidos nesta decisão, mas a qualificação da multa de ofício deve ser reformada, por não restar plenamente caracterizada a fraude perpetrada. A necessidade de comprovação do intuito de sonegação, em interpretação da lei tributária, é matéria que deve ser julgada por esta Turma da CSRF. Quanto aos demais requisitos de conhecimento, como a demonstração analítica da divergência, adoto as razões do Presidente de Câmara. Concluo, assim, pelo conhecimento do recurso especial. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 13629.000196/200862 Acórdão n.º 9101003.478 CSRFT1 Fl. 20 19 Fl. 1273DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002977/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003
PAGAMENTOS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS.
A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão de receitas.
OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular.
Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003
LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA.
As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples.
RECEITA BRUTA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
Os optantes pelo Simples podem excluir da base de cálculo apenas o valor referente às vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos. Assim, para fins de determinação da receita bruta apurada mensalmente, é vedado proceder-se a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado (substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo, isenção) aplicáveis às pessoas jurídicas não optantes pelo regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte.
LIMITE DE RECEITA BRUTA. ULTRAPASSAGEM. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ANO-CALENDÁRIO SUBSEQÜENTE.
O contribuinte, cuja receita bruta ultrapassa o limite estabelecido pela legislação do Simples, deve ser excluído deste sistema de tributação no ano-calendário subseqüente ao que ocorrer o excesso de receita.
PIS e COFINS
Mantido o lançamento relativo ao IRPJ, igual tratamento deve ser dado aos lançamentos de PIS e Cofins, decorrentes da omissão de receita, ante a íntima relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1402-003.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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FALTA DE ESCRITURAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 29 77 /2 00 7- 74 Fl. 532DF CARF MF Processo nº 19515.002977/200774 Acórdão n.º 1402003.003 S1C4T2 Fl. 533 2 Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. RECEITA BRUTA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. Os optantes pelo Simples podem excluir da base de cálculo apenas o valor referente às vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos. Assim, para fins de determinação da receita bruta apurada mensalmente, é vedado procederse a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado (substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo, isenção) aplicáveis às pessoas jurídicas não optantes pelo regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte. LIMITE DE RECEITA BRUTA. ULTRAPASSAGEM. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ANOCALENDÁRIO SUBSEQÜENTE. O contribuinte, cuja receita bruta ultrapassa o limite estabelecido pela legislação do Simples, deve ser excluído deste sistema de tributação no ano calendário subseqüente ao que ocorrer o excesso de receita. PIS e COFINS Mantido o lançamento relativo ao IRPJ, igual tratamento deve ser dado aos lançamentos de PIS e Cofins, decorrentes da omissão de receita, ante a íntima relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Fl. 533DF CARF MF Processo nº 19515.002977/200774 Acórdão n.º 1402003.003 S1C4T2 Fl. 534 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 534DF CARF MF Processo nº 19515.002977/200774 Acórdão n.º 1402003.003 S1C4T2 Fl. 535 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 PAGAMENTOS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITAS. A falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica caracteriza omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 31/01/2003, 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003 LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 19515.002977/200774 Acórdão n.º 1402003.003 S1C4T2 Fl. 536 5 As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. RECEITA BRUTA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. Os optantes pelo Simples podem excluir da base de cálculo apenas o valor referente às vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos. Assim, para fins de determinação da receita bruta apurada mensalmente, é vedado procederse a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado (substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo, isenção) aplicáveis às pessoas jurídicas não optantes pelo regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte. LIMITE DE RECEITA BRUTA. ULTRAPASSAGEM. EXCLUSÃO DO SIMPLES. ANOCALENDÁRIO SUBSEQÜENTE. O contribuinte, cuja receita bruta ultrapassa o limite estabelecido pela legislação do Simples, deve ser excluído deste sistema de tributação no ano calendário subseqüente ao que ocorrer o excesso de receita. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O caso foi relatado pela instância a quo nos seguintes termos: "Em decorrência de ação fiscal, a contribuinte acima identificada foi autuada em 10/10/2007 (fls. 325, 333, 341, 349 e 357), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo aos tributos abrangidos pelo Simples: IRPJ, contribuição para o PIS, COFINS, CSLL, e Contribuição para a Seguridade SocialINSS, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2003. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 305 a 307), a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. Omissão de receitas caracterizada por pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração, constatados por meio de circularização em fornecedor da fiscalizada (relação de documentos produzidos e colhidos na circularização às fls. 25 a 55) e tributados nas diferenças mensais entre os referidos valores e os declarados na Declaração Simplificada, conforme demonstrativo à fl. 308. 2.2. Insuficiência de recolhimento decorrente da mudança de faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada, em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos de fls. 310 a 315. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9° do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: Fl. 536DF CARF MF Processo nº 19515.002977/200774 Acórdão n.º 1402003.003 S1C4T2 Fl. 537 6 3.1. IRPJ Simples (fls. 321 a 328) com base nos artigos 186, 188, e 199, do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "a", 5°, 7°, § 1°, e 18, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, 3° da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998, e 40 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, formalizando crédito tributário calculado até 28/09/2007 no montante de R$ 76.998,66. 3.2. PIS Simples (fls. 329 a 336) com base no artigo 3°, alínea "b" da Lei Complementar (LC) n° 07, de 07 de setembro de 1970, combinado com o artigo 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973, artigos 2°, inciso I, 3° e 9°, da Medida Provisória n° 1.249, de 14 de dezembro de 1995 e suas reedições, artigos 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "b", 5°, 7°, § 1°, e 18, da Lei n° 9.317/1996, 3° da Lei n° 9.732/1998, e 40 da Lei n° 9.430/1996, formalizando crédito tributário, calculado até 28/09/2007, no montante de R$ R$ 76.998,66. 3.3 CSLL Simples (fls. 337 a 344) com base nos artigos 1° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "c", 5°, 7°, § 1°, e 18, da Lei n° 9.317/1996, 3° da Lei n° 9.732/1998, e 40, da Lei n° 9.430/1996, formalizando crédito tributário, calculado até 28/09/2007, no montante de R$ 121.329,92. 3.4. COFINS Simples (fls. 345 a 352) com base nos artigos 1° e 2° da Lei Complementar (LC) n° 70, de 30 de dezembro de 1991, 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "d", 5°, 7°, § 1°, e 18, da Lei n° 9.317/1996, 3° da Lei n° 9.732/1998, e 40 da Lei n° 9.430/1996, formalizando crédito tributário, calculado até 28/09/2007, no montante de R$ 242.659,96. 3.5. Contribuição para a Seguridade Social INSS Simples (fls. 353 a 360) com base nos artigos 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "f", 5° e 7°, § 1°, e 18, da Lei n° 9.317/1996, 3° da Lei n° 9.732/1998, e 40 da Lei n° 9.430/1996, formalizando crédito tributário, calculado até 28/09/2007, no montante de R$ 495.243,63. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada no percentual de 75% é o artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o artigo 19 da Lei n° 9.317/1996 (fls. 322, 330, 338, 346 e 354). O enquadramento legal dos juros de mora é o artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/1996. 4. Cientificada dos Autos de Infração em 10/10/2007, a autuada, representada por Procurador (fl. 401), apresentou, em 06/11/2007, a impugnação às fls. 399 e 400, instruída com os documentos às fls. 401 a 411, na qual alega o seguinte: (...) DOS FATOS A empresa foi autuada a pagar a importância de R$ 1.013.230,84 (um milhão, treze mil, duzentos e trinta reais e oitenta e quatro centavos) incluindo Impostos, Juros de Mora e Multas, conforme discriminados no acima referido auto de infração, a saber: IRPJ no valor total de R$ 76.998,66, PIS 'no valor total de R$ 76.998,66, CSLL no valor total de R$ 131.329,92, COFINS no valor total de R$ 242.659,96 e INSS no valor total de R$ 495.243,63. A origem do tributo, conforme demonstrativo constante no referido Auto de Infração, devese à falta de informação nas declarações da empresa, de recursos auferidos Fl. 537DF CARF MF Processo nº 19515.002977/200774 Acórdão n.º 1402003.003 S1C4T2 Fl. 538 7 para pagamento de fornecedores no valor de R$ 4.125.950,46 (quatro milhões, cento e vinte e cinco mil, novecentos e cinqüenta reais e quarenta e seis centavos). DO DIREITO Acontece que a empresa, por inocência e falta de informações deixou de informar ao contabilista o movimento total de compras e vendas, para, segundo sua argumentação, não atrair a atenção do estado, por se tratar de pequena empresa. A escrituração fiscal se processou conforme o que foi apresentado e, em virtude disso, não foi devidamente orientada. Alem desse fator, no que tange à incidência dos impostos, ressaltese que, por se tratar de compra de pneus, houve retenção e conseqüente recolhimento por parte do fornecedor, de vários impostos, como é o caso do PIS, COFINS (Lei 10485/2002 art 5°), recolhidos pelo fornecedor e o ICMS, devido sobre o provável valor de venda do produto, mas pago antecipadamente na compra (substituição tributária). Desta forma, a carga tributária se afigura como verdadeiro monstro, eliminando a possibilidade de lucratividade e evolução da empresa. Neste caso, na pior das hipóteses, o PIS e a COFINS, deveriam ser excluídos do Auto de Infração. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Impugnação: Bitributação nos casos do PIS e da COFINS Principio da Inocência (não houve intenção de fraudar) Falta de orientação (uma vez que os impostos já tinham sido quase que totalmente pagos na compra) A vista do exposto, demonstrada e insubsistência do lançamento, requer que seja acolhida a presente Impugnação. (...)(negritos do original) 6. Termo de Informação e Esclarecimentos Fiscais foi emitido em 10/10/2007 (fl. 362 ciência pessoal do sócio, Sr. José Leite de Jesus fl. 10), para cientificar a interessada de que foi formalizada Representação Fiscal para fins de exclusão do Simples, constante do processo administrativo n° 19515.003033/200714, nos termos da Lei n° 9.317/1996 (fls. 470 e 471). 7. O órgão de competência originária emitiu a Carta Cobrança n° 170/2008 (fl. 412 ciência por Aviso de Recebimento em 25/04/2008 (fl. 416), acompanhada por DARF às fls. 413 a 415), nos seguintes e exatos termos: (... ) Fl. 538DF CARF MF Processo nº 19515.002977/200774 Acórdão n.º 1402003.003 S1C4T2 Fl. 539 8 Em análise realizada no processo acima identificado, verificamos que foi apresentada impugnação parcial ao crédito tributário exigido. Foi contestada a cobrança do PIS e da COFINS. Dessa forma, de acordo com o art. 21, §1° do Decreto n° 70235, de 06/03/1972, estamos encaminhando os DARFs referentes à parte não impugnada, IRPJ, CSLL e INSS (Simples). Solicitamos efetuar o recolhimento do saldo devedor dentro do prazo de 30 dias, contados a partir do recebimento desta (data da assinatura do AR) ou comparecer no órgão emitente, no prazo supra mencionado. Ressaltamos que, caso o pagamento seja efetuado após a data de validade indicada na guia DARF, o montante de juros deve ser atualizado nos termos do artigo 61, parágrafo 3, da Lei 9430/96 (Taxa Selic). O não atendimento da solicitação acima implicará em adoção das medidas legais cabíveis. (... ) 8. Às fls. 417 e 418 consta Termo de Transferência de Crédito Tributário, (com respectiva planilha), de 04/06/2008, do presente processo para o processo 16151.000250/200811, relativo à matéria não impugnada (fl. 425). 9. Tela do sistema Comprot da RFB foi juntada à fl. 426, com informação de que o processo 16151.000250/200811 encontrase no Setor de Inscrição em Dívida Ativa da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) desde 04/06/2008. 10. Acostouse aos autos manifestação da defendente, representada por Procurador (fl. 435) e protocolizada no Centro de Atendimento ao Contribuinte (CAC) Luz em 09/06/2008 (fl. 427, acompanhada de tabela à fl. 428, cópia do AI INSS (fls. 429 a 433), cópias de Guias da Previdência Social (fls. 436 a 442), cópias de Guias de Recolhimento do FGTS e de Informações da Previdência Social GFIP (fls. 443 a 454), e de Folhas de Pagamentos de Salários (fls. 455 a 468)), nos seguintes e exatos termos: (... ) DO DIREITO A empresa, por inocência e falta de gestão profissional, além de seu pequeno porte, errou ao não informar corretamente o contabilista sob a movimentação total de compras e vendas, impactando em incorretas informações enviadas ao estado o que justificou o ato em questão. Porém observamos que a contribuição social ao INSS foi lavrada na ordem de R$ 209.984,01. Como podemos aceitar que este valor seja cobrado visto o porte da empresa e considerando que a empresa detinha na época uma média de 8 (oito) funcionários devidamente registrados e com suas contribuições em dia, informações estas que Fl. 539DF CARF MF Processo nº 19515.002977/200774 Acórdão n.º 1402003.003 S1C4T2 Fl. 540 9 podem ser confrontadas com a documentação comprobatória em anexo, sendo: cópias das GPS E GFIP pagas e referentes ao período em questão, cópias das folhas de pagamento do período em questão e um espelho de débitos referentes a contribuição social sob esta configuração. Se considerarmos o principio da inocência e a ausência de uma gestão profissional, na mesma configuração fora do regime em questão a contribuição seria da ordem de R$ 24.607,52, valor justificado considerando o pequeno porte da empresa; percebendo a grande diferença entre os valores podemos avaliar que o principio motivador para os atos praticados se justificaram na ausência da correta orientação e gestão profissional. Senhor Julgador, são estes, em síntese, os pontos apontados nesta Impugnação Principio da Inocência, onde não houve intenção de fraudar e sim a falta de uma gestão profissional para a correta orientação da operação, inclusive sob o correto regime de tributação pare o porte da empresa Diferença entre os valores referentes a Contribuição social cobrados, considerando a situação real da empresa e a sue quantidade de funcionários, em relação ao valor considerado pare cálculo. (...)" Para esclarecimentos, transcrevese a seguir a descrição do que ocorreu durante o procedimento fiscalizatório, conforme voto proferido pelo relator da 1ª Instância a quo: "12. Por meio do Termo de Início de Fiscalização (fl. 5) a contribuinte foi intimada em 03/04/2007 (ciência pessoal do sócio, Sr. José Leite de Jesus fl. 10) a apresentar, em 20 (vinte) dias, o Livro Caixa ou Diário e Razão, Livro de Registro de Entradas e de Saídas de Mercadorias e/ou Serviços, Livro de Registro de Inventário, Contrato Social da empresa e Alterações Contratuais correspondentes, e documentos que embasaram a escrituração contábil e fiscal, sendolhe informado que o período para exame referiase ao anocalendário 2003 (Alterações Contratuais foram acostadas às fls. 6 a 16, e protocolo de entrega de documentos à fl. 56). 13. Termo de Intimação Fiscal (fl. 21) foi enviado à empresa Bridgestone do Brasil Indústria e Comércio Ltda (CNPJ 57.497.539/000115), com ciência por Aviso de Recebimento em 12/04/2007 (fl. 23), intimandoa a apresentar, em 5 (cinco) dias, informações (n° da Nota Fiscal, data de emissão, código CFOP, valor total, forma de pagamento e data do efetivo pagamento) referentes às saídas de mercadorias de sua matriz e filiais no período de 01/01/2003 a 31/12/2003 para a autuada. Referidas informações (fls. 27 a 55) foram acostadas aos autos, acompanhadas de Declaração (fls. 25 e 26) de apresentação dos documentos assinada pelo Sr. Thiago Cerávolo Laguna (OAB/SP n° 182.696). Fl. 540DF CARF MF Processo nº 19515.002977/200774 Acórdão n.º 1402003.003 S1C4T2 Fl. 541 10 14. Termo de Constatação e de Intimação Fiscal (fl. 57) foi emitido, com ciência por Aviso de Recebimento em 04/06/2007 (fl. 104), para constatação de que foram apresentados pela interessada os livros e documentos contábeis e fiscais relativos ao ano calendário 2003 em 20/04/2007, e que foi obtida junto à empresa Bridgestone do Brasil Indústria e Comércio Ltda (CNPJ 57.497.539/000115) relação das Notas Fiscais emitidas em 2003 em nome da requerente, em relação à quais constatouse que aquelas constantes do Anexo I (fls. 58 a 61) foram registradas Livro Registro de Entradas de Mercadorias, enquanto que aquelas relacionadas no Anexo II (fls. 62 a 103) não foram localizadas no referido livro, nem nos documentos apresentados à fiscalização. Concluiuse o referido T.C.I.F. com intimação para que a recorrente apresentasse, em 20 (vinte) dias, os originais das Notas Fiscais relacionadas no Anexo II, juntamente com os respectivos comprovantes de pagamento. Juntou se à fl. 105 solicitação da defendente, protocolizada em 14/06/2007, para prorrogação em 20 dias no prazo para atendimento da intimação. 15. Termo de Recebimento de Documentos Fiscais foi baixado em 10/07/2007 (fl. 106 ciência pessoal do sócio, Sr. José Leite de Jesus fl. 10), para consignar a entrega, pelo citado sócio, de diversas Notas Fiscais de aquisição de mercadorias junto à Bridgestone do Brasil Indústria e Comércio Ltda (CNPJ 57.497.539/000115), bem como comprovantes de pagamentos (em originais e respectivas cópias), com o registro de que, em alguns casos, não coincidiam com os valores das Notas Fiscais, em razão de créditos decorrentes de devoluções e participação do fornecedor em campanhas de publicidade (fl. 152). Consta, ainda, a juntada de planilha, assinada pelo sócio e intitulada "Notas Fiscais da Bridgestone Firestone emitidas em 2003 não lançadas no Livro Registro de Entradas de Mercadorias" (fls. 107 a 152), parcialmente atualizada com as datas e valores de pagamento (fl. 153). 16. Termo de Constatação e de Intimação Fiscal (fl. 153) foi exarado em 08/08/2007 (fls. 153 e 154 ciência pessoal do sócio, Sr. José Leite de Jesus fl. 10), para registro da evolução do procedimento fiscal até aquela data, e para intimar a contribuinte a justificar, no prazo de 10 (dez) dias, as origens dos recursos utilizados para os pagamentos das Notas Fiscais de compras efetuadas à Bridgestone do Brasil Indústria e Comércio Ltda (CNPJ 57.497.539/000115) no total de R$ 5.004.308,97, conforme relação anexa (fls. 155 a 207), com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores com os itens justificados. Concluiuse com esclarecimento de que da relação de vendas enviada pela fornecedora, suprimiuse as Notas Fiscais que se encontravam registradas, no total de R$ 515.699,77, e considerouse as datas de pagamento informadas pelo fornecedora nos casos em que não foram apresentados documentos de pagamento. 17. Em 08/08/2007 o autuante enviou e.mail (fl. 208) ao representante da Bridgestone do Brasil Indústria e Comércio Ltda (CNPJ 57.497.539/000115), Sr. Thiago Cerávolo Laguna (OAB/SP n° 182.696), requerendo esclarecimentos em relação à diferença constatada na totalização da Notas Fiscais (R$ 6.174.169,78) e no valor informado na DIPJ como receita de vendas à autuada (R$ 4.057.831,02). Resposta do referido representante, recebida em 24/08/2007, encontrase à fl. 209 (acompanhada de planilha às fls. 211 a 254), com esclarecimento de que houve equívoco em alguns dados anteriormente enviados, em razão de "Inclusão do valor total da nota para cada produto da nota fiscal", "Inclusão do valor do IPI, além do valor total da nota" e " Erros de digitação". 18. Termo de Constatação e de Intimação Fiscal (fl. 255) foi baixado em 11/09/2007 (ciência por ciência por Aviso de Recebimento em 11/09/2007 (fls. 302 e 303)), Fl. 541DF CARF MF Processo nº 19515.002977/200774 Acórdão n.º 1402003.003 S1C4T2 Fl. 542 11 para constatação de que a contribuinte não apresentou justificativas acerca das origens dos recursos utilizados nos pagamentos à retrocitada fornecedora que não se encontram escriturados nos livros contábeis e fiscais relativos ao ano calendário 2003, apesar de intimada para esse fim por meio do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de 08/08/2007. Na seqüência, intimouse novamente a empresa a apresentar justificativa, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores com os itens justificados, no prazo de 10 (dez) dias, acerca das origens dos recursos utilizados nos pagamentos à Bridgestone do Brasil Indústria e Comércio Ltda (CNPJ 57.497.539/000115), que não se encontram escriturados nos livros contábeis e fiscais relativos ao ano calendário 2003, conforme relação anexa ao Termo (fls. 257 a 301), no valor de R$ 4.125.950,46, visto que o referido fornecedor enviou à fiscalização outra relação de Notas Fiscais, com retificação de diversos valores, que haviam sido informados em duplicidade pelo total da Nota Fiscal e não pelo valor do item a que se referia, além de fazer constar algumas Notas Fiscais que não haviam sido incluídas na relação anterior. Esclareceuse a intimada que da relação de vendas fornecida pela fornecedora excluiuse aquelas que se encontravam registradas, no total de R$ 515.699,77, e considerouse as datas de pagamento informadas pelo fornecedor nos casos em que não foram apresentados documentos de pagamento. 19. Tendo em vista que nenhuma resposta, esclarecimento ou documento para atender à Intimação anterior consta no processo, os pagamentos das operações de compras de mercadorias para revenda cujas origens não foram comprovadas, tiveram sua não escrituração confirmada, constando relação completa dos mesmos às fls. 257 a 301, destacandose que a recorrente efetuou compras de mercadorias do citado fornecedor, no ano calendário 2003, de R$ 4.125.950,46, tendo declarado em sua Declaração Simplificada (acostada às fls. 365 a 382), receita bruta de R$ 1.076.117,08 (fl. 378)." Do recurso voluntário Inconformado com a decisão de 1ª Instância, o recorrente apresentou recurso voluntário com as seguintes razões: · "No período apurado e autuado, a Recorrente estava enquadrada no sistema de tributação do SIMPLES FEDERAL, sendolhe obrigatório somente a manutenção de livros CAIXA E REGISTRO DE ENTRADA. · Como empresa enquadrada neste sistema tributário especial, havendo o excesso de faturamento, impunhalhe a mudança do enquadramento SOMENTE NO EXERCÍCIO FISCAL POSTERIOR, ou seja, em 2004 somente. · Então, não lhe seria devido A COBRANÇA DE PIS E COFINS no exercício de 2003, nem tampouco seria possível a cobrança separadamente de tais tributos, pois a Recorrente tinha somente a obrigação de lançar e pagar o SIMPLES FEDERAL. · O rateio do SIMPLES FEDERAL nas demais espécies é assunto da competência interna do Governo Federal, não cabendo tal desdobramento por categoria de tributo ao sujeito passivo da obrigação do SIMPLES. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 19515.002977/200774 Acórdão n.º 1402003.003 S1C4T2 Fl. 543 12 · Mais ainda, mantida a forma de aplicação do auto de infração e da multa, há que se enfrentar outra ilegalidade cometida: a imposição de obrigação tributária à Recorrente, que é REVENDA DE PNEUS, uma interpretação da própria Receita Federal que contraria a Legislação vigente, inclusive derrotada em várias decisões da Justiça Brasileira. · Independente do seu enquadramento, ainda existe a questão da substituição tributária. · Várias são as Leis que disciplinam a matéria relativa ao comércio de pneus e outros artigos congêneres, que são a atividade primordial da Recorrente: a) Lei Complementar 123/2006, artigo 18; b) Lei 10.147/2000, artigo 1o; c) Lei 10.336/2001, artigo 14; d) Lei 10.485/2002, artigos 1o, 3o e 5o; e) Lei 10.560/2002, artigo 2°; f) Lei 10.637/2002; g) Lei 10.833/2003, artigos 49, 51 e 52; h) Lei 11.033/2004, artigo 17 que trata da não cumulatividade e direito ao crédito tributário; i) Lei 11.196/2005. § A própria Receita Federal, na sua IN 594, trata de matéria análoga, referente à matéria no caso de pneus importados. § Assim, a obrigação tributária passiva de lançar e recolher PIS e COFINS é do fabricante e não do revendedor, no caso típico do comércio de pneus, como é o caso da atividade da Recorrente. O recorrente, em seu recurso voluntário, apresentou os seguintes pedidos: § Que seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal e penalidades reclamados. § Sucessivamente, no caso da decisão deste Ilustre Conselho manter a decisão recorrida, requer a MODIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO para a adequação ao sistema do SIMPLES FEDERAL em que se enquadrava então a Recorrente no ano de 2003. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 19515.002977/200774 Acórdão n.º 1402003.003 S1C4T2 Fl. 544 13 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. O recorrente, em seu recurso voluntário, se insurge contra a cobrança da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, alegando que tinha somente a obrigação de pagar o SIMPLES FEDERAL, no ano calendário de 2003. Razão não assiste ao recorrente pois o SIMPLES é um sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições. A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguinte impostos e contribuições, conforme §1º e alíneas do Art. 3º da Lei 9.317/1996: Art. 3° A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na forma do art. 2° , poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. § 1° A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições: a) Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ; b) Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP; c) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; d) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS; e) Imposto sobre Produtos Industrializados IPI; f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar no 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts. 22 e 22A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991 e o art. 25 da Lei no 8.870, de 15 de abril de 1994. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 9.10.2001) (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) Logo o recorrente estava sujeito ao pagamento de impostos e contribuições no anocalendário que eram recolhidos através de um recolhimento mensal no SIMPLES. O detalhamento no auto de infração dos impostos e contribuições não significa a exclusão do Fl. 544DF CARF MF Processo nº 19515.002977/200774 Acórdão n.º 1402003.003 S1C4T2 Fl. 545 14 SIMPLES. Ressaltase que a exclusão do recorrente desse regime de recolhimento ocorreu somente a partir de janeiro de 2004. Caracterizada a omissão de receita por falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, que regularmente intimada não comprovou a origem dos recursos, cabe o lançamento individualizado dos impostos e contribuições devidos. O recorrente alega que por tratarse de compra de pneus, houve retenção e conseqüente recolhimento por parte do fornecedor, de vários impostos, como é o caso do PIS, COFINS (Lei 10485/2002 art 5°), recolhidos pelo fornecedor e o ICMS, devido sobre o provável valor de venda do produto, mas pago antecipadamente na compra (substituição tributária). Desta forma, a carga tributária se afigura como verdadeiro monstro, eliminando a possibilidade de lucratividade e evolução da empresa. Neste caso, na pior das hipóteses, o PIS e a COFINS, deveriam ser excluídos do Auto de Infração Revelamse incorretas as alegações do recorrente quanto ao regime de substituição tributária, pois o objeto do auto de infração foi a omissão de receita por falta de escrituração de pagamentos. Não sendo possível afirmar que tratase de recursos oriundos de operações de revendas de pneus, portanto não há a previsão legal para excluir valores de impostos retidos no lançamento de omissão de receitas. Argumentado, em tese, mesmo que se comprovassem que os recursos seriam oriundos da revenda de pneus, seria vedado a exclusão de valores da receita bruta em virtude de tratamento diferenciado, de acordo com o disciplinado no art. 4°, § 1°, da Instrução Normativa SRF n° 355, de 29/08/2003: Art. 4° Considerase receita bruta, para os fins de que trata esta Instrução Normativa, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. § 1° Ressalvado o disposto no caput, para fins de determinação da receita bruta apurada mensalmente, é vedado procederse a qualquer outra exclusão em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado (substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo, isenção) aplicáveis às pessoas jurídicas não optantes pelo regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte, de que trata esta Instrução Normativa. (...)(grifos acrescidos) No mais, mantido o lançamento relativo ao IRPJ, igual tratamento deve ser dado aos lançamentos de PIS e Cofins, decorrentes da omissão de receita, ante a íntima relação de causa e efeito. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 19515.002977/200774 Acórdão n.º 1402003.003 S1C4T2 Fl. 546 15 Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 546DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001373/2007-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que seja intimada a autuada a apresentar o Contrato nº 177.2.035.01-3. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Vinícius Guimarães não participaram do julgamento em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 18/04/2018, às 14:00h. Nos termos do Art. 58, §13 do RICARF, foi designado pelo Presidente de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento, o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para formalizar o acórdão.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
RELATÓRIO
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que seja intimada a autuada a apresentar o Contrato nº 177.2.035.013. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida e Vinícius Guimarães não participaram do julgamento em razão dos votos definitivamente proferidos pelos Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 18/04/2018, às 14:00h. Nos termos do Art. 58, §13 do RICARF, foi designado pelo Presidente de Turma de Julgamento como redator ad hoc para este julgamento, o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède para formalizar o acórdão. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. RELATÓRIO Na condição de redator ad hoc, designado para formalizar o voto, passo a transcrever o relatório elaborado na minuta do voto proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 18/04/2018, às 14:00h. "Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 01 37 3/ 20 07 -0 0 Fl. 3045DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.045 2 Versa o presente processo sobre autos de infração de fls. 70/82 e 88/104, lavrados em nome do contribuinte Universal Compression Ltda, decorrentes da diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e para o Programa de Integração Social (PIS). O presente processo consubstancia exigência de crédito tributário no valor total de R$ 11.909.599,87, autuado da seguinte forma: • Às fls. 70/82: auto de infração correspondente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), referente aos fatos geradores de fevereiro/2004 a dezembro/2005, incidência não cumulativa, no valor de R$ 7.435.769,69, incluindo principal e juros de mora calculados até 31/10/2007. E, em relação aos fatos geradores de janeiro/2006 a dezembro/2006, incidência cumulativa, no valor de R$ 2.607.561,35, incluindo principal e juros de mora calculados até 31/10/2007. • Às fls. 88/104: auto de infração correspondente à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), referente aos fatos geradores de dezembro/2002, fevereiro/2004 a dezembro/2005, incidência não cumulativa, no valor de R$ 1.302.006,14, incluindo principal e juros de mora calculados até 31/10/2007. E, em relação aos fatos geradores de janeiro/2006 a dezembro/2006, incidência cumulativa, no valor de R$ 564.262,69, incluindo principal e juros de mora calculados até 31/10/2007. No campo Descrição dos Fatos dos autos de infração acima discriminados (fls. 72/73 e 90/91), a autoridade fiscal que procedeu aos trabalhos de apuração do lançamento esclarece que foram constatadas divergências entre os valores declarados e os escriturados conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal de fls. 65/69 e 83/87. Nestes consta, em resumo, que: • O contribuinte foi intimado em 21/03/2007 a preencher os Demonstrativos de Apuração da Base de Cálculo, da Composição das exclusões das bases de cálculo, de Apuração de créditos e de valor a pagar e de Recolhimentos referentes aos débitos das contribuições em tela. Foi intimado também a apresentar DCTF e escrituração contábil fiscal (fls.20/25). Em 18/10/2007, o contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos sobre as divergências entre os valores escriturados e declarados em DCTF, conforme planilha de fls. 31/36. Em resposta o contribuinte apresentou em 25/10/2007: • planilha de apuração da COFINS, com explicações das alterações feitas, sem assinatura do representante legal e sem documentação que amparasse tais alterações (fls. 58/64). • listagens dos lançamentos contábeis referentes às correções dos pagamentos indevidos e a maior dos DARF pagos equivocadamente no regime não cumulativo, sem Termo de Abertura e Encerramento e sem assinatura, e, também, informa que as DCTF não foram alteradas espontaneamente, pois algumas foram retificadas em 25/10/2007. Fl. 3046DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.046 3 O contribuinte preencheu o demonstrativo de apuração de créditos e de valor a pagar de COFINS (fls. 37/57), onde não constaram os créditos que foram apresentados na planilha constante “do item 1 acima descrito”, ou seja, a de fls. 58/64. O auto de infração foi lavrado utilizandose a base de cálculo indicada na planilha de apuração de fls. 68/69 (COFINS) e de fls. 86/87 (PIS). Irresignado com o lançamento consubstanciado nos Autos de Infração em comento, o interessado apresentou as peças impugnatórias de fls. 106/115 e de fls. 328/337. Alegou, em síntese, que: Relativamente à contribuição para a COFINS e para o PIS, período de 31/01/2006 a 31/12/2006: • . Os valores constantes do auto como divergências entre os declarados e os escriturados se referem a retenções de COFINS e PIS, na fonte, declaradas nos respectivos DACON´s e escrituradas. • . Tais valores foram desconsiderados como já pagos pela impugnante e classificados como divergência, pelo simples motivo de não terem sido consignados em preenchimento de planilhas solicitadas durante a fiscalização. • . A cobrança é indevida, pois se trata de valores efetiva e compulsoriamente pagos, arbitrariamente convertidos em falta de pagamento com imposição de multa e juros. O auto de infração caracterizase como uma repetição de indébito, em total desprezo ao rotineiro procedimento de retenção da COFINS e PIS na fonte estabelecido pela legislação. • . Anexou o DACON2006 (doc. 06) que comprova os valores devidos e retidos na fonte. Tal comprovação pode ser constatada de forma autônoma pela própria fiscalização. Relativamente à contribuição para a COFINS e para o PIS, período de 28/02/2004 a 31/12/2005: • . Os valores componentes da autuação correspondem aos efetivos valores tomados como créditos pela Impugnante decorrentes de retenções na fonte e descontos sobre aquisição de insumos conforme legislação pertinente, devidamente demonstrados nas respectivas DIPJ ano base 2004 (doc. 07), DACON anobase 2005 (doc. 08), DCTF retificadora anobase 2004 e 2005 (doc. 09), DARF ano base 2004 (doc. 10), DARF e PER/DCOMP ano base 2005 (doc. 11), fundamentadas em documentação idônea e escrituração regulamentar, as quais não podem ser desconsideradas pelo Fisco. • . A fiscalização justificou a cobrança dos valores objeto do lançamento pela falta de consignação em planilhas de créditos já declarados nos diversos formulários estabelecidos pelo próprio Fisco. Tal fato não deve invalidar o direito à utilização de valores descontados da Impugnante na fonte. • . Anexou nova planilha reproduzindo os valores objeto da autuação, seguida do demonstrativo dos valores constantes da DACON, DCTF e DARF de recolhimento (cálculo do período), bem como do montante Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.047 4 retificado por recolhimento a maior decorrente de aplicação indevida da alíquota correspondente à nãocumulatividade sobre receitas sujeitas ao regime cumulativo (cálculo correto). • . Os valores autuados estão completamente incorretos, pois não foram considerados os créditos e as retenções como dedução da COFINS devido a cada período de apuração, créditos estes assegurados pela legislação, pela documentação e escrituração contábil e fiscal da Impugnante. Não foram considerados os documentos contábeis que serviram de base de cálculo do montante efetivo de COFINSfaturamento, comprovadamente pago. • . Em relação à planilha apresentada na peça impugnatória, na linha correspondente a “Cálculo do Período”, obtida nas DCTF e DACON originais da Impugnante, restou demonstrado que não foi considerada a existência de receitas sujeitas ao regime da cumulatividade nos termos da Lei nº 10.637/02, decorrentes de contratos firmados pela Impugnante antes de 31/10/2003, com vigência superior a um ano (doc. 12). Tinha direito a calcular a COFINS à alíquota de 3%, mas calculou, equivocadamente, à alíquota de 7,6%, e o PIS à alíquota de 0,65%, tendo calculado à alíquota de 1,65%, gerando assim um crédito tributário a seu favor, o que não foi observado no levantamento do Fisco, apesar de citado no auto e informado pela Impugnante durante a fiscalização. Não foi efetuada uma análise acurada e imparcial sobre o período fiscalizado. • Na linha correspondente ao “Cálculo Correto” fica demonstrada a separação da receita oriunda do regime cumulativo e de não cumulatividade. Relativamente à contribuição para o PIS, período de apuração 31/12/2002, no valor de R$ 1.259,80: • O valor não é devido tendo em vista que corresponde a créditos de insumos na forma do art. 3º, inc. III da Lei nº 10637/2002 deduzidos do PISfaturamento devido no mês de dezembro/2002, informação demonstrada na DIPJ anobase 2002 (doc. 07). A autuada requer, ao final, sejam cancelados os autos de infração, considerandose a falta de fundamentação para caracterização da falta de recolhimento de COFINS e PIS, a comprovação documental da existência de valores retidos na fonte que foram arbitrariamente subvertidos a favor do Fisco e o desrespeito ao reconhecimento do crédito decorrente do recolhimento equivocado pela alíquota de 7,6% e 1,65%, respectivamente. A então 4ª Turma de Julgamento desta DRJ/RJ por meio da Resolução nº 13.000164, de 29.06.2011, converteu o presente processo em diligência, solicitando, em resumo e, em relação à: 1. Retenção na Fonte: • Fosse esclarecido se as contribuições de PIS e COFINS retidas na fonte realmente não foram observadas quando da apuração do crédito tributário devido; Fl. 3048DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.048 5 • Em caso afirmativo, fosse verificada a veracidade destas retenções (a IN SRF 480/2004 estabelece alternativas para comprovação das mesmas), bem como o devido registro na escrituração contábil da impugnante. Acaso restasse comprovada a existência de tais retenções, um novo demonstrativo de apuração do valor devido deveria ser elaborado pela fiscalização, desta vez contemplando tais recolhimentos. 2. Incidência cumulativa e nãocumulativa • Fosse verificado se, de acordo com a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT nº 52 de 13/02/2006, realmente o contribuinte obteve receitas sujeitas à apuração da base de cálculo pelo regime cumulativo, relativamente aos contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços. • Fosse observado, para tais contratos, como foi a aplicação do reajuste, com o intuito de se constatar se foi afastado o caráter predeterminado do preço de modo a sujeitar a impugnante ao regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. • Fosse observado, ainda, se houve prorrogação para tais contratos, depois de vencido o prazo contratual do contrato vigente em 31 de outubro de 2003, quando então as receitas obtidas ficariam sujeitas à incidência não cumulativa, ainda que o preço tenha sido inalterado na prorrogação. • Fosse informado se ocorreram demais receitas sujeitas ao regime cumulativo nos períodos de dez/02 e fev/04 a dez/05. • Após o levantamento das questões acima, a fiscalização deveria elaborar novo demonstrativo de apuração da COFINS e do PIS, considerando também a existência ou não de créditos a serem deduzidos quando da apuração das receitas sob o regime não cumulativo das contribuições em tela. 3. Contribuição para o Pis, período de apuração 12/02 • A fiscalização deveria informar o motivo pelo qual a utilização dos créditos prevista no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 foram desconsiderados. De acordo com a escrituração contábil, a contribuinte realmente não faz jus a tal dedução? No entanto, acaso restasse comprovada a existência de créditos passíveis de dedução da Contribuição para o PIS, nova planilha de apuração deveria ser efetuada pela fiscalização. Por meio da Informação Fiscal de fls. 1718 a 1721, datada de 29.05.2014, a Delegacia da Receita Federal II – RJO esclareceu: A empresa fiscalizada foi incorporada pela empresa Exterran Serviços de Óleo e Gás Ltda em 30/09/2008. • O contribuinte optou pela forma de tributação pelo Lucro Real no período de 2001 a 2005 e, pela forma de tributação pelo Lucro Presumido no ano calendário de 2006. As retificações efetuadas nas Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.049 6 DCTF, após o inicio do procedimento fiscal que resultou nas lavraturas dos autos de infração sob análise, não foram consideradas. • A fiscalização procedeu o lançamento de ofício nos termos do artigo 841, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. • Em resposta ao item 17 – Contribuições Retidas na Fonte: • Os valores que foram retidos pela fonte pagadora PETROBRAS S/A sob código 6190, a partir de janeiro de 2004. que podem ser deduzidos, pelo contribuinte, do valor do imposto e contribuições de mesma espécie devidos, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção, referemse a: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) : 4,8 % Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) : 1% Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) : 3% Contribuição para o PIS/Pasep : 0,65% • Após intimado o contribuinte apresentou como documentação comprobatória das retenções pleiteadas, somente os Informes de Rendimentos fornecidos pela Petrobrás S/A, devidamente declarados no Modelo Aprovado "Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte”; referentes aos anos calendário 2002 a 2006, datados em 30/08/2012, onde a partir da análise dos valores globais retidos podemos discriminar os valores individuais das contribuições PIS e COFINS, conforme IN/SRF n° 480/2004 e alterações. O "Demonstrativo de Apuração da Retenção do PIS e da COFINS" foi elaborado tendo em vista o Anexo I da referida Instrução Normativa, alterado pela IN/SRF n° 539/2005. Por conseguinte, ficou constatado que a fonte pagadora PETROBRÁS S/A efetuou retenção sob o código 6190: Nos anos calendário 2002 e 2003: nenhum mês; No ano calendário 2004: fevereiro, março e, maio até dezembro; No ano calendário 2005: janeiro e novembro; No ano calendário 2006: maio e novembro. • Em resposta ao item “18” – Incidência Cumulativa x Não Cumulativa a) As receitas operacionais pleiteadas pelo contribuinte como sendo sujeitas à apuração da base de cálculo pelo regime cumulativo para o recolhimento do PIS e da COFINS são oriundas dos Contratos de n° 177.2.035.013. de 13/06/2001 e de n° 012.2.004.026. de 25/03/2002 visto que, após intimado, não apresentou outro contrato de prestação de serviços durante a diligência. Entretanto, que o montante de rendimentos informados pela PETROBRÁS S/A nos "Informes de Rendimentos" supracitados não espelham a totalidade dos valores mensais declarados pelo contribuinte. b) O Contrato de n° 177.2.035.013 foi celebrado com a PETRÓLEO BRASILEIRO SA. PETROBRÁS, CNPJ n° 33.000.167/000454, em 13/06/2001, que teve a duração inicial de 730 (setecentos e trinta) dias corridos, ou seja, vigente até 30/05/2003, quando o mesmo foi prorrogado até 14/07/2005 e posteriormente, até 11/06/2006. Os Fl. 3050DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.050 7 pagamentos devidos por força deste Contrato foram efetuados pela PETROBRÁS à UNIVERSAL, em dólares americanos, 30 (trinta) dias corridos, contados a partir do último dia do período de execução dos serviços, desde que a UNIVERSAL apresentasse os documentos de cobrança até o 4o (quarto) dia útil, seguinte ao último dia do período de execução dos serviços conforme Clausula Quinta Preço e Valor item 6.5, do Anexo I. O reajustamento de preços deste Contrato, conforme Clausula Sétima: "serão reajustados para mais ou para menos em conseqüência da variação anual dos elementos que compõem a fórmula de reajustamento no que concerne aos preços estabelecidos em reais. No entanto, no que concerne a parcela em moeda estrangeira o preço será fixo e irreajustável”. c) O Contrato de n° 012.2.004.026 foi celebrado com a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRÁS, CNPJ n° 33.000.167/000101, em 25/03/2002, que teve a duração inicial de 1.157 (hum mil cento e cinqüenta e sete) dias corridos, ou seja, vigente até 13/02/2005, quando o mesmo foi prorrogado por mais 438 (quatrocentos e trinta e oito) dias corridos. Os pagamentos devidos, por força deste Contrato, serão efetuados........, anexando o respectivo Boletim de Medição e, conforme Clausula Quarta Preço, Valor e Local do Pagamento subitem 4.3.1 – “O pagamento da parcela em dólar será feito em R$ (Real), convertendo o valor do respectivo faturamento em taxa de venda vigente no ultimo dia útil do período de medição........................, do Anexo II. O reajustamento de preços deste Contrato, conforme Clausula Quinta: "serão reajustados para mais ou para menos em conseqüência da variação anual dos elementos que compõem a fórmula de reajustamento no que concerne aos preços estabelecidos em reais. No entanto, no que concerne aos preços contratuais em moeda estrangeira, mesmo que pagos convertidos em moeda nacional não serão reajustados." d) De acordo com a IN SRF nº 468/2004 o contribuinte não obteve nenhuma receita sujeita à apuração da base de cálculo pelo regime cumulativo para o recolhimento do PIS e da COFINS, com base na Solução de Consulta SRRF/7ª RF/ DISIT n° 12, de 13/02/2006. Por conseguinte, a base de cálculo bruta, bem como, as alíquotas de 1,65% e 7,6%, respectivamente, deverão ser mantidas nas Planilhas de Apuração anexas ao Termo de Constatação Fiscal, ora elaboradas como “Planilha de Apuração do PIS (NÃOCUMULATIVO) Após Diligência” e. “Planilha de Apuração da COFINS (NÃOCUMULATIVO)Após Diligência". O "Demonstrativo de Apuração da Retenção do PIS e da COFINS" serviu de base para o preenchimento das referidas planilhas. • Em resposta ao item “19” – Contribuição para o PIS (período de apuração 12/2002) a) No que concerne aos créditos pleiteados de acordo com o estabelecido no art.3o da Lei n° 10.637/2002, no valor de R$ 1.259,80, referente ao período de apuração de dezembro de 2002, durante a diligência fiscal, foi constatado que tal valor não foi devidamente apurado na escrituração contábil, conforme Balancete de Verificação Fl. 3051DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.051 8 do contribuinte. Por conseguinte, o lançamento concernente deverá ser mantido. O contribuinte tomou ciência da diligência em 02.06.2014 e apresentou contrarazões em 02.07.2014. Nesta sustenta em síntese que: • A necessidade de análise das DCTF retificadoras ainda que tenham sido transmitidas após o início do procedimento fiscal que deu origem à lavratura do auto de infração. • As retificações em questão não deram ensejo ao recolhimento a menor de PIS/COFINS, mas simplesmente adequaram as operações realizadas e os valores recolhidos à realidade dos fatos. • Parte dos valores exigidos no auto de infração discutido no presente processo decorre da suposta falta de comprovação das retenções de PIS/COFINS realizadas pela Petrobrás, no período de 2002 a 2006. Entende que bastaria a apresentação dos informes de rendimentos fornecidos pela Petrobrás para sustentar a utilização dos créditos de Pis/Cofins pela requerente, decorrentes das retenções anteriormente realizadas pela Petrobrás. • De acordo com a fiscalização a Petrobrás teria deixado de reter determinados valores relacionados aos pagamentos em favor da requerente. • A RFB desconsiderou certos créditos de Pis/Cofins que foram apropriados pela requerente, por suposta ausência de retenção da Petrobrás, o que não encontra respaldo na legislação que regula a matéria. • De acordo com o art. 1º da IN nº 480/2004, vigente à época, a responsabilidade pela retenção é da Petrobrás. Se esta não o fez, não pode a requerente ser penalizada com a glosa de seus créditos de Pis/Cofins, na medida em que é apenas uma terceira de boafé que acreditou nas informações prestadas pela Petrobrás. • A RFB deveria exigir da Petrobrás eventual valor não retido, de modo a recompor os créditos da Requerente. A fim de comprovar que não se beneficiou do recebimento de rendimentos da Petrobrás sem as devidas retenções, anexou aos autos a sua movimentação bancária do período de 2004 a 2006, a fim de comprovar que sempre recebeu valores da Petrobrás com o abatimento das devidas retenções dos tributos aplicáveis. (doc 3). • Diante do volume destes documentos e com a finalidade de facilitar a análise dos mesmos pela Administração, protesta pela posterior juntada de planilha elucidativa que fará a correlação entre as faturas emitidas pela Requerente e o montante efetivamente recebido da Petrobrás. • Considerando as provas de que houve a retenção de PIS/COFINS sobre os pagamentos recebidos da Petrobrás, não merece prevalecer a glosa de créditos constante do Termo de Ciência e Encerramento Fiscal, pois (i) a Petrobrás era a responsável pela retenção desses valores, devendo ser exigido dela eventual montante não recolhido; e Fl. 3052DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.052 9 (ii) a Requerente recebeu contraprestações pelo fornecimento de serviços líquidas de tributos, como se pode depreender da análise de seus demonstrativos bancários e faturas. • De acordo com o inciso XI, do artigo 10 e o inciso V, do artigo 15 da Lei Federal nº 10.833/2003, as contribuições ao Pis/Cofins originárias de receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, sujeitamse ao regime cumulativo. • Os contratos nºs 177.2.03.5.013 e 012.2.004.026 foram firmados em 13.06.2001 e em 25.03.2002, respectivamente, entre a requerente e a Petrobrás. Assim tais contratos deveriam ser tratados pela sistemática cumulativa, pois o preço fixado para a prestação dos serviços, levou em consideração a legislação vigente à época dos fatos, quando não existia a sistemática não cumulativa dessas contribuições. • A aplicação da sistemática não cumulativa desequilibraria economicamente o contrato e aumentaria a carga tributária a ela imposta. • Ambos os contratos foram firmados com preço determinado em moeda nacional, devendo ser afastada a alegação de que o art. 10, inc. XI da Lei nr.10.833/2003, não seria aplicável ao caso concreto. Reproduz cláusulas dos contratos a fim de confirmar sua alegação: Contrato n° 177.2.035.013 "CLÁUSULA TERCEIRA PREÇOS E VALOR 3.1 O presente Contrato tem por VALOR TOTAL ESTIMADO a quantia de R$ 4.352.565,00 (quatro milhões, trezentos e cinquenta e dois mil e sessenta e cinco reais, observado o disposto na Cláusula Quinta Preços e Valor, do Anexo I Condições Gerais Contratuais." Contrato nº 012.2.004.026 "CLÁUSULA SEGUNDA PREÇO E VALOR 2.1 O valor total estimado do presente Contrato é de R$ 88.596.165,00 (oitenta c oito milhões, quinhentos e noventa e seis mil e cento e sessenta e cinco reais), constituído das seguintes parcelas:" • O fato de os contratos terem sido posteriormente prorrogados não seria suficiente para caracterizar uma novação, de modo a permitir a aplicação da sistemática não cumulativa. A única mudança que ocorreu se refere à extensão do prazo em que o serviço foi prestado em favor da Petrobrás. • O custo do serviço prestado levou em consideração os tributos incidentes à época da celebração dos contratos. A mera prorrogação dos contratos em nada alterou a fórmula de cálculo do preço dos serviços, não podendo ser aplicada a sistemática não cumulativa • Contudo, se for considerada a sistemática da não cumulatividade, entende ter havido equívoco na metodologia de cálculo constante nos anexos ao Termo de Ciência e Encerramento Fiscal. A sistemática não cumulativa somente passaria a ser aplicada quando ocorresse a prorrogação dos contratos após 31.10.2003, nos termos do art. 3o, da IN 468/2004. Fl. 3053DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.053 10 • De acordo com o Termo de Ciência e Encerramento, o contrato nr. 177.2.035.013, foi firmado em 13.06.2001, com vigência até 30.05.2003, sendo prorrogado nessa data até 14.07.2005, e, posteriormente até 11.06.2006. E, o Contrato 012.2.004.026 foi firmado em 25.03.2002, com vigência até 13.02.2005, quando foi prorrogado por mais 438 dias. • Seguindo o entendimento do Termo de Ciência e Encerramento Fiscal, e a IN 468/2004, a aplicação da sistemática não cumulativa deveria ser aplicada apenas ao período verificado após a prorrogação do contrato que ocorresse depois de 31.10.2003. • Assim, apenas as receitas auferidas do contrato 177.2.0358.013, após 14.07.2005 e do contrato 012.2.004.026, auferidas após 13.02.2005, estariam sujeitas a não cumulatividade. • As planilhas anexas ao Termo de Ciência e Encerramento Fiscal aplicam retroativa e ilegalmente a sistemática não cumulativa a todo o período de 2004 até 2006, merecendo ser retificadas para se considerar a sistemática não cumulativa somente sobre as receitas originárias de contratos prorrogados após 31.10.2003, considerando se como data inicial a data de prorrogação. • Assim conclui que: . As suas DCTFS retificadoras deveriam ter sido processadas, de modo a demonstrar que não houve qualquer recolhimento a menor de Pis/Cofins ou qualquer prejuízo ao erário. . As retenções de Pis/Cofins eram de responsabilidade da Petrobrás, não podendo ser penalizada pela eventual ausência de retenções e/ou repasse desses valores aos cofres da União Federal; . Demonstrou que recebeu os valores da Petrobrás líquidos de tributos, não tendo usufruído da suposta ausência de retenção dos tributos indicada pelo Termo de Ciência e Encerramento Fiscal; . Deveria ser aplicada a sistemática cumulativa às receitas auferidas em razão dos serviços prestados por força dos Contratos nºs 177.2.03.5.013 e 012.2.004.026, firmados pela Requerente com a Petrobrás. • Ao final requer: O provimento das impugnações de fls 68/69 e 86/87, com o conseqüente cancelamento da cobrança dos valores consubstanciados nos auto de infração objeto do presente processo. Alternativamente, pleiteia que os cálculos contidos nas planilhas anexas ao Termo de Ciência e Encerramento Fiscal sejam retificados, de modo a considerar a sistemática não cumulativa de Pis/Cofins apenas após 14.07.2005 para o Contrato nº 177.2.035.013 e 13.02.2005 para o Contrato nº 012.2.004.026, a fim de adequálos aos termos do art. 3º da IN nº 468/2004. É o relatório. Fl. 3054DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.054 11 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002, 01/02/2004 a 31/12/2006 DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da impugnação ao lançamento trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL Desconsiderase a DCTF retificadora transmitida após o início da ação fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006 RETENÇÃO NA FONTE Comprovada a retenção na fonte da contribuição é de se deduzir o respectivo montante na apuração do crédito tributário. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA DE CONTRATOS FIRMADOS ANTES DE 31.10.2003 Contrato não celebrado a preço predeterminado sujeitase à sistemática não cumulativa para apuração da contribuição. UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS NA SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA Reconhecida a sujeição do contribuinte à apuração de suas contribuições sob a sistemática não cumulativa é de se considerar seus créditos para fins de apuração do valor devido. SOLUÇÃO DE CONSULTA Não produz efeito consulta onde o tema tratado não se aplique em termos precisos ao constante no processo em julgamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006 RETENÇÃO NA FONTE Comprovada a retenção na fonte da contribuição é de se deduzir o respectivo montante na apuração do crédito tributário. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA DE CONTRATOS FIRMADOS ANTES DE 31.10.2003 Contrato não celebrado a preço predeterminado sujeitase à sistemática não cumulativa para apuração da contribuição. Fl. 3055DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.055 12 UTILIZAÇÃO DE CRÉDITOS NA SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA Reconhecida a sujeição do contribuinte à apuração de suas contribuições sob a sistemática não cumulativa é de se considerar seus créditos para fins de apuração do valor devido. SOLUÇÃO DE CONSULTA Não produz efeito consulta onde o tema tratado não se aplique em termos precisos ao constante no processo em julgamento Período de apuração:01/02/2004 a 31/12/2006 CRÉDITOS Não se considera créditos, que embora registrados em DIPJ, não estejam devidamente escriturados na contabilidade do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 24/08/2015, conforme tela dos Correios rastreamento de objeto de fl. 3.029, apresenta em 08/09/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada de fl. 2.967, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 2.968/3.027, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede impugnatória, cabendo destacar: a DRJ julgou apenas parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Recorrente, de modo a excluir da autuação os valores retidos pela Petrobrás, constantes de suas DIRFs, tendo mantido os demais valores, conforme refletido nas tabelas de fls. 2.925/2.926, com base na alegação de que as receitas relativas aos Contratos n°s 177.2.03.5.013 e 012.2.004.026 estariam sujeitas ao recolhimento de PIS/COFINS não cumulativo, e de que a Recorrente supostamente teria deixado de apresentar documentos capazes de comprovar a retenção dos demais valores por parte da Petrobrás. Concluindo ao final: (i) o auto de infração foi lavrado contra a Recorrente para exigência de PIS/COFINS em sua sistemática não cumulativa; (ii) os valores exigidos pela Receita Federal do Brasil são indevidos,pois a apuração do montante cobrado não levou em consideração retenções feitas pela Petrobrás, bem como o fato de as receitas auferidas pela Recorrente estarem sujeitas à sistemática cumulativa dessas contribuições; (iü) em que pesem os argumentos lançados pela Recorrente e a farta documentação trazida aos autos, a r. decisão julgou parcialmente procedente o mencionado auto de infração, de modo a diminuir o valor exigido apenas no exato montante refletido pela Petrobrás em suas DIRFs; Fl. 3056DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.056 13 (iv) a r. decisão de fls. ignorou documentos trazidos à colação pela Recorrente, como é o caso das DCTFs retificadoras, notas fiscais e extratos bancários, que fazem provas inequívocas das retenções efetuadas pela Petrobrás; (v)a r. decisão de fls. merece ser parcialmente reformada, pois a DRJ deixou de analisar notas fiscais e extratos bancários juntados aos autos como provas da retenção de PIS/COFINS pela Petrobrás, sendo que o CARF já entendeu que esses documentos, quando analisados conjuntamente, são hábeis à comprovação da retenção de tributos; e (vi)a r. decisão de fls. se equivocou ao não reconhecer a aplicação do regime cumulativo de PIS/COFINS aos Contratos n°s 177.2.035.013 e012.2.004.026, firmados entre a Recorrente e a Petrobras, na medida em que ambos os contratos possuem preço prédeterminado e fixado em moeda nacional. Por tudo isso, a Recorrente respeitosamente requer que seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, com a reforma parcial da r. decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, na medida em que não foram analisados os documentos trazidos aos autos pela Recorrente, com a consequente baixa dos autos à origem para análise das provas apresentadas de retenção do PIS/COFINS, bem como para análise das DCTFs retificadoras. Alternativamente, a Recorrente requer a parcial reforma da r. decisão, de forma a cancelar integralmente o auto de infração em questão, tendo em vista a demonstração das retenções de valores por parte da Petrobras via notas fiscais e extratos bancários, bem como a necessidade de aplicação da sistemática cumulativa às receitas auferidas em razão dos Contratos n°s 177.2.035.013 e 012.2.004.026, em que pese as posteriores prorrogações de prazo de vigência firmadas entres as partes, tendo em vista que essas prorrogações não podem ser consideradas como novações Por fim, a Recorrente requer que seja, ao menos, dado parcial provimento ao seu recurso voluntário para considerar as retenções feitas pela Petrobras e comprovadas via notas fiscais e extratos bancários, bem como aplicar a sistemática cumulativa sobre as receitas originárias de contratos prorrogados após 31.10.2003, considerandose como data inicial da aplicação da sistemática não cumulativa o termo de prorrogação. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator ad hoc. Na condição de redator ad hoc, designado para formalizar o voto, passo a transcrever o voto proferido pela Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar na sessão de 18/04/2018, às 14:00h. "PRELIMINARES Fl. 3057DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.057 14 Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da preclusão probatória Argui a recorrente que a decisão de piso não adentra a análise das notas fiscais, dos extratos e das planilhas que comprovam as alegações da Recorrente quanto às retenções de PIS/COFINS feitas nos pagamentos recebidos pela Recorrente da Petrobrás, sob a escusa de que todas essas informações só foram juntadas aos autos após a apresentação da impugnação e da realização de diligência em primeira instância. Destaquese que o contribuinte teve ciência da diligência em 02/06/2014, fl.2.304 e apresentou contrarazões em 02/07/2014, fl.2.393. Em 05/02/2015, fl.2.496, apresentou a petição requerendo a juntada dos documentos de 35, 5 fl.2.327/2.599, que são planilhas acompanhadas das notas fiscais emitidas contra a Petrobrás e dos extratos bancários que suportam o recebimento dos valores segundo a Requerente. Nesse sentido, assim se manifesta a instância a quo: Contudo, ao tomar ciência do resultado da diligência efetuada, vem o contribuinte anexar às suas contestações cópia de seus extratos bancários, bem como solicitar prazo para a elaboração de planilhas onde seriam efetuadas as correlações entre as faturas emitidas pela Requerente e o montante efetivamente recebido da Petrobrás. É de se registrar que a apresentação de extratos bancários não é suficiente para a comprovação de retenção na fonte. A documentação suficiente a comprovar tal retenção, acima citada, está prevista na IN RFB 480/2004. Todavia ao interessado ainda foi oportunizada a apresentação desta documentação quando foi intimado em fase de diligência e o mesmo se limitou a apresentar os Comprovantes fornecidos pela Petrobrás. Acaso estes não correspondessem à verdade dos fatos, deveria o mesmo ter comprovado à época tais retenções mediante sua escrituração e demais documentos aptos para tal. O que não podemos admitir é nesse momento processual o deferimento de posterior juntada de planilha correlacionando as faturas por ele emitidas e o montante efetivamente recebido. Tais documentos deveriam, conforme acima dito, ter sido apresentados juntamente com a sua peça contestatória, ou como lhe foi oportunizado, na fase da diligência, realizada, principalmente para elucidar tal questão. O art. 16 do Decreto 70.235/72, assim dispôs a respeito: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 3058DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.058 15 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá las. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 3059DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.059 16 Portanto, como é precluído o direito do impugnante de apresentar prova documental em momento processual diverso ao da impugnação, e não se tendo verificado nenhuma das situações elencadas no §4º do art. 16 acima reproduzido, é de se indeferir o pleito do contribuinte quanto à apresentação de planilha para demonstrar a partir de suas faturas a eventual ocorrência de retenção na fonte. Diante do exposto, não há reparos na decisão de piso, visto que o contribuinte teve 2 (duas) oportunidades de carrear aos autos os documentos e planilhas que entende cabíveis para provar o alegado, na impugnação ao lançamento e quando teve ciência da diligência em 02/06/2014, fl.2.304, no entanto somente em 05/02/2015, fl.2.496, apresentou a petição requerendo a juntada dos documentos de 35, 5 fl.2.327/2.599, sem apresentar qualquer razão que possa amparálo na regra excepcional do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, como escorreitamente analisado pela decisão de piso. MÉRITO Conforme arguido em sede impugnatória e repisado na peça recursal, a matéria litigiosa está circunscrita às seguintes questões: 1 Análise das DCTF retificadoras após o início do procedimento fiscal; 2 Retenções na fonte; 3 Receitas cumulativas ou não cumulativas – Período de 28/02/2004 a 31/12/2006; 4 Desconsideração de créditos como dedução das contribuições.; Uma das principais questões meritórias prendese à inobservância pela autuada, segundo a fiscalização, das receitas sujeitas ao regime cumulativo decorrentes de contratos firmados pela impugnante antes de 31/10/2003. A instância a quo, solicitou diligência para dirimir a questão nos seguintes termos: Fosse verificado se, de acordo com a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT nº 52 de 13/02/2006, realmente o contribuinte obteve receitas sujeitas à apuração da base de cálculo pelo regime cumulativo, relativamente aos contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços. Esclarece a Informação Fiscal de fls.1.718/1.721: ITEM "18" INCIDÊNCIA CUMULATIVA X NÃOCUMULATIVA No que concerne as Receitas Operacionais escrituradas e declaradas pelo contribuinte , juntamente com os Balancetes de Verificação concernentes, constatei os fetos a seguir discriminados: Fl. 3060DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.060 17 •As receitas operacionais pleiteadas pelo contribuinte como sendo sujeitas à apuração da base de cálculo pelo regime cumulativo para o recolhimento do PIS e da COFINS são oriundas dos Contratos de n° 177.2035.013. de 13/06/2001 e de n° 012.2.004.026. de 25/03/2002 visto que, após intimado, não apresentou outro contrato de prestação de serviços durante esta diligência. Ressaltese, entretanto, que o montante de rendimentos informados pela PETROBRÁS S/A nos "Informes de Rendimentos" supracitados não espelham a totalidade dos valores mensais declarados pelo contribuinte O Contrato de n° 177.2.035.013 foi celebrado com a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRÁS, CNPJ n° 33.000.167/000454, em 13/06/2001, que teve a duração inicial de 730 (setencentos) dias corridos, ou seja, vigente até 30/05/2003; quando o mesmo foi prorrogado até 14/07/2005 e posteriormente, até 11/06/2006. Os pagamentos devidos por força deste Contrato foram efetuados pela PETROBRÁS à UNIVERSAL, em dólares americanos. 30 (trinta) dias corridos, contados a partir do último dia do período de execução dos serviços, desde que a UNIVERSAL apresentasse os documentos de cobrança até o 4o (quarto) dia útil, seguinte ao último dia do período de execução dos serviços conforme Clausula Quinta Preço e Valor item 6.5, do Anexo I. O reajustamento de preços deste Contrato, conforme Clausula Sétima: "serão reajustados para mais ou para menos em conseqüência da variação anual dos elementos que compõem a fórmula de reajustamento no que concerne aos preços estabelecidos em reais. No entanto, no que concerne a parcela em moeda estrangeira o preço será fixo e irreajustável O Contrato de n° 012.2.004.026 foi celebrado com a PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRÁS, CNPJ n° 33.000.167/000101, em 25/03/2002, que teve a duração inicial 1.157 (hum mil cento e cinqüenta e sete dias) dias corridos, ou seja, vigente até 13/02/2005; quando o mesmo foi prorrogado por mais 438 (quatrocentos e trinta e oito) dias corridos. Os pagamentos devidos, por força deste Contrato, serão efetuados, anexando o respectivo Boletim de Medição e, conforme Clausula Quarta Preço, Valor e Local do Pagamento subitem 4.3.1 " O pagamento da parcela em dólar será feito em R$ (Real), convertendo o valor do respectivo faturamento em taxa de venda vigente no último dia útil do período de medição., do Anexo II. O reajustamento de preços deste Contrato, conforme Clausula Quinta: "serão reajustados para mais ou para menos em conseqüência da variação anual dos elementos que compõem a fórmula de reajustamento no que concerne aos preços estabelecidos em reais. No entanto, no que concerne aos preços contratuais em moeda estrangeira, mesmo que pagos convertidos em moeda nacional não serão reajustados." Discorre a decisão de piso que a questão está compreendida no 1art. 10, inc. XI, alínea c, da Lei nº 10.833, de 2003, tendo a IN RFB nº 468 1 Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: Fl. 3061DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.061 18 de 10.11.2004, vigente à época dos fatos, disciplinado em seu art. 2º, que preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Estabelece a Instrução Normativa / SRF n° 468, de 08/11/2004: 1."Artigo 2a. Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. 2."Artigo 3o. Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Acrescenta a decisão de piso: Tendo o contribuinte se utilizado da tributação pelo lucro real, o mesmo somente sujeitarseá ao regime da cumulatividade se estiver inserido nas exceções acima mencionadas. Para tal, necessária se faz a análise dos contratos, a fim de constatarmos se as receitas por eles originadas sujeitamse ao regime cumulativo ou não cumulativo das Contribuições para o Pis e a Cofins. Contrato nº 177.2.035.013 O referido Contrato denominado Suruaca, cuja cópia encontrase nos autos às fls.2017 a 2074, foi celebrado em 13.06.2001, e de acordo com a cláusula 2.1 teve a duração de 730 dias corridos, contados da data estipulada na Autorização de Serviço emitida pela Petrobrás, desde que a contratada cumprisse integralmente a meta estabelecida no item 2, nº 1, (...) Ao analisarmos o contrato verificamos que a cláusula 3.1 estabelece que: “por valor total estimado a quantia de R$ 4.352.565,00, observado o disposto na Cláusula Quinta –Preços e Valor, do Anexo I – Condições Gerais Contratuais”. Este valor conforme já visto foi alterado, por meio do Aditivo 01, mas continuou, sendo um valor estimado. A Cláusula Quinta do Anexo I em seu item 5.2 (fl. 2014pág. 314 do Anexo I) deixa claro que o valor total do Contrato é meramente a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.062 19 estimativo, não implicando na obrigatoriedade da Petrobrás solicitar serviços até o referido valor. Estranhamente não se encontra no processo a página 4/14 do Anexo I, onde deveria constar as demais condições de preços e valor. No entanto, na pág. 514 do referido Anexo verificamos a existência da Cláusula SEXTA – Pagamento Devido em Moeda Estrangeira e SÉTIMA – REAJUSTAMENTO DE PREÇOS. Reproduzo abaixo os itens 6.5, 6.5.1 e 7.5, que aqui nos interessam.(grifei) (...) Assim, é de se concluir, a despeito de não termos tido acesso à totalidade do contrato que o mesmo não atendeu à condição de preço predeterminado, pois a sua remuneração não foi em moeda nacional na sua totalidade, devendo, portanto, as receitas dele oriundas ser submetidas ao regime da não cumulatividade.(grifei). (...) Contrato nº 012.2.004.026 TBG ATIBAIA/GUARAREMA (...) Assim, da análise consolidada das cláusulas acima reproduzidas, chegase à conclusão de que em verdade o contrato aqui analisado não teve a totalidade da sua remuneração em moeda nacional. Parte dela foi estipulada em dólar, até porque o próprio Anexo VI do Contrato prevê a emissão de documentos de cobrança em moeda estrangeira. Em sua peça recursal, alega a recorrente: No entendimento contido no auto de infração, todas as receitas auferidas pela Recorrente, no período de 2002 a 2006, decorrentes dos mencionados contratos, deveriam estar sujeitas ao regime não cumulativo de apuração de PIS/COFINS, tendo em vista a criação dessa metodologia de apuração por meio da edição das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Ocorre que, o inciso XI, do artigo 10 e o inciso V, do artigo 15, da Lei n° 10.833/2003 (com as alterações implementadas pelas Leis n°s 10.865/2004 e 11.169/2005), expressamente excluiu da sistemática não cumulativa as contribuições ao PIS/COFINS originárias de "receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003", mantendoas no regime cumulativo. (...) Ora, a hipótese regulada por esse dispositivo legal é exatamente o caso tratado no presente feito, no qual os Contratos n°s 177.2.03.5.013 e 012.2.004.026 foram firmados em 13.6.2001 e em 25.3.2002, respectivamente, entre a Recorrente e a Petrobrás. Logo, as receitas decorrentes de ambos os contratos deveriam ser tratadas pela sistemática cumulativa. Afinal, quando da elaboração da Fl. 3063DF CARF MF Processo nº 18471.001373/200700 Resolução nº 3302000.749 S3C3T2 Fl. 3.063 20 proposta pela Recorrente, o preço fixado para a prestação dos serviços levou em consideração a legislação existente à época dos fatos, momento em que não existia a sistemática não cumulativa dessas contribuições. Cumpre ressaltar que ambos os contratos foram firmados com preço prédeterminado em moeda nacional, devendo ser afastada qualquer tipo de alegação de que o artigo 10, inciso XI, da Lei n° 10.833/2003 não seria aplicável ao caso concreto, conforme se pode constatar das cláusulas transcritas a seguir: (...) Ocorre que, diferentemente do alegado pela r. decisão, ambos os contratos preenchem os requisitos previstos na Instrução Normativa SRF n° 468/2004, bastando a análise completa e conjugada das cláusulas dos dois contratos para verificar esse fato. (...) Logo, como a Petrobrás não é obrigada a adquirir a quantidade total de serviços prevista no contato, o seu valor é estimado, mas isso não descaracteriza o preço fixo, prédeterminado e em moeda nacional indicado no contrato, em especial na planilha de preços unitária.(grifos nossos) Ante o exposto, verificase que o ponto fulcral dessa questão está em identificar as receitas (se cumulativas ou não cumulativas no Período de 28/02/2004 a 31/12/2006) relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado e nesse sentido fazse mister o conhecimento das cláusulas pactuadas, na íntegra contratual, notadamente quanto às condições de preços e valor, tanto que a decisão de piso destaca quanto ao segundo contrato, Contrato nº 012.2.004.026 TBG ATIBAIA/GUARAREMA (...) da análise consolidada das cláusulas acima reproduzidas, chegase à conclusão de que em verdade o contrato aqui analisado não teve a totalidade da sua remuneração em moeda nacional. Nesse sentido, com amparo no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do processo em diligência para que seja intimada a autuada a apresentar o Contrato nº 177.2.035.013, na íntegra, tal como pactuado, para que se possa fazer uma análise consolidada de suas cláusulas, visando conhecer a natureza do preço pactuado. Após ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, devolvase o processo a este E. Conselho para a conclusão do julgamento." É o voto. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 3064DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.916312/2011-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO.
A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica.
Numero da decisão: 9303-006.438
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FEY PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO. REGIME CUMULATIVO. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, resultou no entendimento de que o conceito de faturamento, para fins de incidência dessas contribuições sociais, corresponde às receitas vinculadas à atividade mercantil típica da pessoa jurídica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 12 /2 01 1- 62 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 13971.916312/201162 Acórdão n.º 9303006.438 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3402003.936, de 28/03/2017, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Intimada da decisão, a PFN apresentou embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados mediante despacho do Presidente da 4ª Câmara. Também interpôs recurso especial, por meio do qual suscita divergência quanto ao conceito de faturamento, especialmente com relação à incidência do PIS/Cofins sobre receitas de aluguéis recebidas por empresa que se dedica à atividade de locação, face à declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3401002.726 e nº 330200.289. O recurso foi admitido por intermédio do Despacho de Admissibilidade do Presidente da 4ª Câmara. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13971.916312/201162 Acórdão n.º 9303006.438 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.426, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 13971.916300/201138, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.426): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Cumpre observar, inicialmente, que o objeto social principal da contribuinte é a exploração das atividades de locação, loteamento e arrendamento de bens próprios, construídos ou a construir, bem como a comercialização de bens móveis e imóveis, abrangendo a compra e venda, permuta, exceto a intermediação, assessoria e orientação técnica em negociações imobiliárias (vide fl. 25). Pois bem. O acórdão recorrido, aplicando decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, deu provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de PIS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela contribuinte com fulcro em dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98. As receitas que expressamente reconheceu não tributáveis foram as receitas financeiras ("JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL") e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS". O primeiro paradigma, contudo, em flagrante dissenso interpretativo, concluiu o contrário, conforme facilmente comprova a simples leitura de sua ementa: Acórdão nº 3401002.726: LOCAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. FATURAMENTO. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA. Na esteira da jurisprudência dos tribunais superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, as receitas provenientes da locação de bens imóveis, quando objeto das atividades mercantis da pessoa jurídica, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, tanto sob a regência da Lei Complementar nº 70/91, quanto pela Lei nº 9.718/98, não prejudicando tal entendimento a declaração de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo promovida pelo art. 3º, § 1º deste último diploma legal (g.n.) No mérito, entendemos assistir razão à Recorrente. Como já é do conhecimento geral e referido no acórdão recorrido, o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificando o entendimento de que o faturamento corresponde apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13971.916312/201162 Acórdão n.º 9303006.438 CSRFT3 Fl. 5 4 Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social. No caso ora em exame, a locação de bens integra, conforme demonstrado, a receita decorrente da realização das atividades típicas da contribuinte, de sorte que constitui, parte Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13971.916312/201162 Acórdão n.º 9303006.438 CSRFT3 Fl. 6 5 integrante do seu faturamento – base de cálculo da contribuição. Não, porém, as receitas financeiras. Ante o exposto, com essas considerações, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento, para que, na base de cálculo do PIS, incluamse as receitas com locação de bens." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para que, na base de cálculo das contribuições, incluamse as receitas com locação de bens. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.941517/2012-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.709
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza (Relatora), José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro F. Aguiar que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza.
Nome do relator: José Renato Pereira de Deus - Redator "ad hoc
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza (Relatora), José Fernandes do Nascimento e Maria do Socorro F. Aguiar que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designado o Conselheiro Walker Araújo para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Diego Weis Jr (Suplente convocado) não participou do julgamento em razão do voto definitivamente proferido pela Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Redator "ad hoc". (assinado digitalmente) Walker Araujo - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Junior (suplente convocado) e Raphael Abad. Relatório Fl. 2924DF CARF MF Processo nº 10880.941517/2012-98 Resolução nº 3302-000.709 S3-C3T2 Fl. 2 2 Conselheiro José Renato Pereira de Deus, redator "ad hoc". Na condição de redator "ad hoc" para formalização desta decisão, passo a transcrever o relatório constante da minuta do voto da relatora Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza. "Trata-se de recurso voluntário, que adveio de acórdão de manifestação de inconformidade, nos procedimentos fiscais com vistas a verificar a regularidade dos valores constantes dos pedidos de ressarcimento de créditos de PIS e COFINS não-cumulativos, vinculados às vendas efetuadas no mercado interno, formalizados por intermédio dos PER (pedidos de ressarcimento) dos meses de julho de 2010 a setembro de 2011, com declarações de compensação DCOMP a ele vinculadas, neste processo especificamente, créditos da COFINS não-cumulativa do terceiro trimestre de 2010. A contribuinte, retrata a fiscalização, fls. 18/19 da informação fiscal 1 , possui uma ampla gama de atividades, in litteris: Comércio, a indústria, a importação e a exportação de produtos de limpeza e higiene doméstica; A exploração da indústria e do comércio de produtos alimentícios e bebidas em geral (laticínios, cereais, adoçantes etc.); a fabricação, o transporte, o armazenamento, a distribuição, a importação e a comercialização de medicamentos, de produtos para saúde e de produtos farmacêuticos alopáticos, fitoterápicos e homeopáticos para uso humano; a fabricação, o transporte, o armazenamento, a distribuição, a importação e a comercialização de produtos de higiene pessoal, toucador, cosméticos e perfumes; a fabricação, o comércio por atacado, a importação e a exportação de lubrificantes; o comércio, a indústria, a importação e a exportação de produtos desinfetantes para controle de insetos e roedores, inseticidas e defensivos agrícolas; a confecção, comercialização, importação e exportação de fraldas descartáveis, absorventes higiênicos, absorventes hospitalares e hastes flexíveis com algodão nas extremidades. Do acórdão da DRJ/Rio de Janeiro, fls. 3/5 do acórdão, extraem-se trechos que explicam como ocorre o sistema de tributação da Recorrente: Em razão da multiplicidade de atividades desenvolvidas pela Hypermarcas, parte de suas receitas (oriunda do seguimento de cosméticos e medicamentos) é tributada de forma concentrada. Ou seja, quando a Hypermarcas vende cosméticos e medicamentos fabricados por ela, está obrigada a tributar essas vendas com alíquotas diferenciadas do PIS e da Cofins, tendo em vista que a tributação é concentrada no fabricante. 1 Os números correspondem ao número no documento físico. Fl. 2925DF CARF MF Processo nº 10880.941517/2012-98 Resolução nº 3302-000.709 S3-C3T2 Fl. 3 3 A sistemática de tributação do regime não-cumulativo, bem como da tributação diferenciada (também conhecida como incidência monofásica ou concentrada), possui diversas especificidades em razão do produto produzido (Cosméticos, Medicamentos, Alimentos etc.), destinação das vendas (Mercado Interno, Zona Franca de Manaus, Exportação, etc.), característica da contribuinte (Fabricante, Importadora, Atacadista/Varejista etc.), dentre outras, que tornam o sistema de apuração dos créditos e débitos uma tarefa muito complexa.. Ou seja, os fabricantes de produtos sujeitos às alíquotas diferenciadas também poderão descontar créditos em relação às aquisições de produtos de outra pessoa jurídica, produtora ou importadora, para revenda no mercado interno, desde que a pessoa jurídica adquirente seja fabricante dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833 (produtos relacionados no inciso I, do art. 1° da lei n° 10.147/00). No caso citado acima, a Hypermarcas adquire produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal de outro fabricante para revenda. Como ela também fabrica produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal, ela tem o direito de se creditar do PIS e da Cofins. Por outro lado, nesse tipo de operação (aquisição de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal para revenda), as vendas (revendas) efetuadas pela Hypermarcas são tributadas pelo PIS e Cofins com alíquotas diferenciadas, pois conforme visto, a regra geral (art. 2° da Lei n° 10.147/2000) determina que se a pessoa jurídica não for fabricante a venda deverá ser feita com alíquota zero. (...) Entretanto, verificamos que a Hypermarcas, nas operações de aquisição de produtos submetidos à incidência monofásica, está apropriando créditos, sem, contudo, apurar os débitos nas revendas destes produtos (está aplicando a alíquota zero nessas revendas). Isso ocorreu em virtude de a Hypermarcas ter se considerado fabricante no momento da aquisição para revenda (para ter direito ao crédito) e atacadista no momento da revenda (para revender com alíquota zero), fato que é inadmissível, pois ela só teve direito ao crédito porque também é fabricante dos produtos dos produtos relacionados no § 1º do art. 2º da Lei nº 10.833. Portanto, restou comprovado que nas aquisições de produtos submetidos à tributação monofásica, a Hypermarcas poderá se creditar dos bens adquiridos, e DEVERÁ oferecer à tributação do PIS/COFINS as receitas oriundas das revendas destes produtos. (...) Cumpre esclarecer que o artigo 3°, da Lei n° 10.147/2000, concedeu um crédito presumido relativo às contribuições PIS e COFINS não cumulativos. O crédito será determinado mediante a aplicação das Fl. 2926DF CARF MF Processo nº 10880.941517/2012-98 Resolução nº 3302-000.709 S3-C3T2 Fl. 4 4 alíquotas estabelecidas na alínea “a”, do inciso I, do art. 1º da Lei 10.147/2000, sobre a receita bruta decorrente da venda de medicamentos, sujeitas a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta, relacionados pelo Poder Executivo. (...) Posteriormente, há informações sobre as glosas. Observa-se que a fiscalização realizou uma apuração minuciosa em linha por linha da DACON, sendo transcrito abaixo tão somente as glosas efetuadas, que serão mais detalhadamente analisadas no transcorrer do voto: Linha 01-DACON- NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos da aquisição de bens para revenda. (...) COMPRA DE MATERIAL DE CONSUMO FABRIL – CFOP n°s 1.556 e 2.556 (VALOR TOTAL IGUAL A R$21.448.823,74) Os créditos relativos às compras de materiais de consumo fabril foram apropriados pela fiscalizada nas linhas 01 e 02 do DACON Analisando o arquivo entregue, percebemos que a maioria dos produtos adquiridos é utilizada em centros de custos que não fazem parte do processo de fabricação da empresa. Que dizer, estas aquisições não são utilizadas como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. (...) Com efeito, serão glosados os créditos relativos às aquisições de bens de uso e consumo que não foram empregados nos setores de produção da Hypermarcas. (...) LINHA 02 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos da aquisição de bens utilizados como insumos. (...) Portanto, os produtos tributados com alíquota reduzida a 0 (zero), adquiridos pela Hypermarcas, não podem gerar crédito em razão da vedação imposta pelo art. 3°, §2°, da Lei n° 10.833/2003. (...) – BRINDES AO CONSUMIDOR FINAL (VALOR TOTAL IGUAL A R$ 6.298.618,72) (...) - MATERIAIS PROMOCIONAIS (VALOR TOTAL IGUAL A R$19.706.386,92) (...) Fl. 2927DF CARF MF Processo nº 10880.941517/2012-98 Resolução nº 3302-000.709 S3-C3T2 Fl. 5 5 - CAMPANHAS PRÊMIOS - CONSUMIDOR (VALOR TOTAL IGUAL A R$747.676,20) (...) – CRÉDITO EXTEMPORÂNEO (DETALHAMENTO NO ITEM 2 DA RESPOSTA À INTIMAÇÃO N° 03) - (VALOR TOTAL IGUAL A R$5.334.086,54) (...) LINHA 03 – DACON – NACIONAIS (...) – ANÁLISE LABORATORIAL - (VALOR TOTAL IGUAL A R$7.844.419,50) (...) - ANÚNCIOS E PUBLICAÇÕES - (VALOR TOTAL IGUAL A R$69.922,18) (...) - COMISSÃO PAGA A PESSOA JURÍDICA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$6.092.625,17) (...) -CONSULTORIA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$3.049.825,67) (...) – ESTADIA – TRANSPORTADORA DE MERCADORIA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$352.557,12) (...) – FEIRAS - (VALOR TOTAL IGUAL A R$556.485,88) (...) -INFORMÁTICA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$5.313.948,44) (...) - MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$2.028.382,62) (...) – OUTROS GASTOS COM PROPAGANDA - (VALOR TOTAL IGUAL A R$1.187.854,88) (...) – PATROCÍNIO DE EVENTOS - (VALOR TOTAL IGUAL A R$41.555,72) (...) Fl. 2928DF CARF MF Processo nº 10880.941517/2012-98 Resolução nº 3302-000.709 S3-C3T2 Fl. 6 6 -PESQUISA DE MERCADO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$9.502.440,11) (...) – PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$308.381,33) (...) – PRODUÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE EMBALAGEM - (VALOR TOTAL IGUAL A R$1.847.501,95) (...) – PROMOÇÕES DE VENDAS - (VALOR TOTAL IGUAL A R$32.945,36) (...) – PROMOÇÕES E EVENTOS DE MARKETING - (VALOR TOTAL IGUAL A R$3.151.777,22) (...) – PROMOTORES - (VALOR TOTAL IGUAL A R$5.500,00) (...) – PUBLICIDADE PRODUÇÃO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$27.877.706,47) (...) – PUBLICIDADE VEICULAÇÃO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$174.050.987,06) (...) - SERVIÇOS DE ARMAZENAGEM DE PRODUTOS - (VALORES TOTAIS IGUAIS A R$4.125.357,26 E 2.500,00) (...) – SERVIÇO DE PALETIZAÇÃO/REACONDICIONAMENTO DE PRODUTO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$487.583,58) (...) – SERVIÇOS DE COMUNICAÇÃO - (VALOR TOTAL IGUAL A R$150,00) (...) LINHA 06 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos das despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica. (...) Fl. 2929DF CARF MF Processo nº 10880.941517/2012-98 Resolução nº 3302-000.709 S3-C3T2 Fl. 7 7 Em razão da não apresentação do demonstrativo de composição da base de cálculo, estes créditos relativos aos dispêndios de locação estão sendo glosados pela fiscalização. LINHA 07 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos oriundos das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda (base de cálculo igual a R$196.726.177,27) - 1.185/1.694 e 499: (...) Destarte, não bastasse a Hypermarcas não ter direito ao crédito extemporâneo não restou outra alternativa à fiscalização em também não aceitar o crédito em função da não vinculação das despesas com as operações de venda, já que somente geram direito ao crédito as despesas de armazenagem nas operações de venda. Pelo exposto, os créditos extemporâneos, cuja base de cálculo soma R$13.716.997,66 também serão glosados. LINHA 08 – DACON – NACIONAIS (...) Quanto aos créditos extemporâneos apropriados no mês de outubro de 2010 (R$508.418,54), estes serão glosados em razão da falta de retificação das declarações entregues (DACON, DIPJ e DCTF). (...) LINHAS 09, 10 E 11 – DACON – NACIONAIS (...) Destarte, os encargos de depreciação e/ou aquisição de bens, aplicados nos centros de custo cujos bens, integrantes do ativo imobilizado, não são utilizados na produção não geram créditos relativos às contribuições PIS/COFINS por expressa vedação legal. Por fim, também constatamos que a Hypermarcas está se creditando de encargos de depreciação relativo a bens integrantes do ativo imobilizado adquiridos antes de 30/04/2004. Estas aquisições também não geram direito ao crédito de PIS/COFINS não-cumulativas. (...) LINHA 13 – DACON – NACIONAIS (...) – CRÉDITO EXTEMPORÂNEO (DETALHAMENTO NOS ITENS 2 E 8 DA RESPOSTA À INTIMAÇÃO 03) – VALOR TOTAL IGUAL A R$172.502.051,77. (...) LINHA 26 – DACON – NACIONAIS Nesta linha do DACON estão compreendidos os créditos calculados sobre insumos de origem vegetal. (...) Verificamos que a fiscalizada, à época que produzia gêneros alimentícios, no período de março de 2006 a dezembro de 2011, Fl. 2930DF CARF MF Processo nº 10880.941517/2012-98 Resolução nº 3302-000.709 S3-C3T2 Fl. 8 8 utilizou o disposto no artigo citado acima, adquirindo tomate in natura (NCM 0702.00.00) e milho verde in natura (NCM 0709.90.19) e industrializando produtos como, por exemplo, molhos de tomate e extrato de tomate (ambos com NCM 2103.20.10: Ketchup e outros molhos d/tom.inf. a 1kg Inc.). Todavia, produtos da Posição 2103 – preparações para molhos e molhos preparados; condimentos e temperos, do Capítulo 21 – preparações alimentícias diversas, não estão citados no caput do artigo 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, razão pela qual não há previsão legal para o crédito presumido pretendido pelo contribuinte, sendo, portanto, glosado na sua totalidade. (...) Da manifestação de inconformidade, extrai-se em síntese: - Preliminarmente: i) Solicita, primeiramente, o sobrestamento do feito, a fim de ser verificada a decisão no processo administrativo sob número 16004.720187/2014-75, no qual foram lançados os créditos de contribuição ao PIS e à COFINS, que foram consideradas insuficientes para compensação; ii) Pleiteia pela legitimidade dos créditos, aproveitados pela Recorrente nas aquisições de produtos sujeitos à tributação monofásica para revenda; iii) Não aproveitamento de determinados créditos mencionados na Informação Fiscal no Período do despacho decisório – 3º trimestre de 2010; iv) Violação ao contraditório e à ampla defesa, pois embora os agentes fiscais tenham segregado a análise da legitimidade dos créditos, levando em consideração a sua origem (e analisado item por item das linhas da DACON da requerente) deferindo ou indeferindo o aproveitamento, esquivaram-se de trazer uma discriminação precisa dos valores e da natureza dos créditos glosados originários do Pedido de Ressarcimento para indeferir as compensações. Os agentes deveriam ter realizado uma análise estritamente do período objeto do Pedido de Ressarcimento em análise e feito uma recomposição dos créditos, listando os valores deferidos e indeferidos, a respectiva origem, dentro do período pertinente. - No mérito: i) Indevida glosa de créditos na apuração do PIS/COFINS. Defende que o saldo credor pode ser apurado nos meses subsequentes. Ademais, que os créditos extemporâneos aproveitados pela requerente referem-se a operações com produtos submetidos à alíquota zero das contribuições ao PIS e à COFINS. O pedido de ressarcimento foi uma forma da requerente exercer o seu direito constitucional e legal de reaver os créditos não aproveitados anteriormente. ii) Realiza considerações sobre o regime da não-cumulatividade no sistema da contribuição ao PIS e à COFINS; Fl. 2931DF CARF MF Processo nº 10880.941517/2012-98 Resolução nº 3302-000.709 S3-C3T2 Fl. 9 9 iii) Argumenta que o conceito de insumo das instruções normativas é mais restrito que o da lei e, assim, não pode ser lido; iv) Defende a possibilidade de creditamento de PIS e COFINS sobre as despesas de publicidade e propaganda/marketing; v) Argumenta o direito ao crédito no que concerne ao frete, a transferência de mercadorias ou insumos de uma unidade para outra; a entrega de mercadorias que foram dadas em bonificação aos clientes, e a retirada de mercadorias devolvidas pelos clientes e/ou logística reversa, que são de responsabilidade da impugnante são despesas intrínsecas à geração de receitas da impugnante; vi) Pleiteia pelo direito ao crédito na estocagem e armazenagem; v) No que concerne aos créditos relativos a encargos de depreciação, defende que além da industrialização possui forte atuação nas operações de revenda de mercadorias produzidas por terceiros, as quais incorreram em diversos custos com esforço de vendas, tais como pesquisas de mercado, ações de publicidade, estoque, logística e toda uma complexa estrutura administrativa para que seus produtos sejam disponibilizados e vendidos em todo Brasil. Toda essa complexa estrutura demanda aquisições de ativos imobilizados necessários ao desenvolvimento de sua atividade empresarial, tais como empilhadeiras utilizadas nos centros de distribuição para movimentação de estoque, plataformas hidráulicas, equipamentos utilizados na análise de qualidade de produto, entre outros. vi) Quanto à glosa de aluguel de máquinas e equipamentos, que a fiscalização fundamentou que não foi apresentado o demonstrativo da base de cálculo e o centro de custos, encontra-se anexo à impugnação os contratos de aluguel e a base de cálculo, que poderia ser obtida do SPED; vii) Quanto à manutenção de máquinas e equipamentos, a fiscalização glosou o crédito sob alegação de que não houve esclarecimento quanto à divergência na base de cálculo. Ocorre que a interessada alega que os dados foram disponibilizados conforme IN SRF 86/01 dos pedidos de ressarcimento; viii) No que se refere à compra de consumo fabril, a contribuinte alega que os produtos glosados são exigências da ANVISA, tratando-se de equipamentos de segurança dos profissionais que atuam nos setores fabris e laboratoriais; ix) Pleiteia pela concessão de créditos junto a serviços de análise laboratorial, consultoria, produção e desenvolvimento de embalagem e informática, bem como nas comissões pagas às pessoas jurídicas e a mão-de-obra temporária; x) Solicita pela concessão de créditos na compra de insumos agrícolas, que adquire o produto in natura de pessoa física ou cooperado pessoa física e procede a industrialização o que reforça a possibilidade de tomada de crédito presumido pela impugnante; xi) Alega que os produtos adquiridos à alíquota zero se sujeitaram à incidência em cascata deste tributo nas etapas anteriores da circulação. Fl. 2932DF CARF MF Processo nº 10880.941517/2012-98 Resolução nº 3302-000.709 S3-C3T2 Fl. 10 10 Sobreveio, então, decisão da DRJ/Rio de Janeiro, cuja ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 NULIDADE. OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o despacho decisório lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo de ressarcimento, mesmo na hipótese de o crédito vinculado estar sendo discutido em outro processo sem decisão definitiva na esfera administrativa. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo, em respeito ao Princípio da Oficialidade. APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO . A apuração não cumulativa implica em diferença entre débitos da contribuição e créditos da não-cumulatividade. Assim sendo, a alteração na base de cálculo da contribuição, com a consequente apuração de maior valor de débito acarretará em uma redução dos créditos disponíveis. MATÉRIA JÁ APRECIADA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO DIVERSO. Incabível nova apreciação de matéria já analisada em processo administrativo diverso, relativo aos mesmos fatos, ao mesmo período de apuração e ao mesmo tributo. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Não pode ser objeto de ressarcimento ou compensação o crédito de não-cumulatividade relativo à aquisição no mercado interno vinculado à receita tributada no mercado interno. RESSARCIMENTO. ÚNICO TRIMESTRE DO ANO-CALENDÁRIO. Cada pedido de ressarcimento deverá referir-se a um único trimestre- calendário; e ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre-calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. A Recorrente interpôs recurso voluntário, onde reafirmou as considerações da manifestação de inconformidade, com a apresentação de algumas novas preliminares que serão analisadas no transcorrer do voto. Fl. 2933DF CARF MF Processo nº 10880.941517/2012-98 Resolução nº 3302-000.709 S3-C3T2 Fl. 11 11 Estão apensos ao presente processo administrativo, os seguintes processos: 10120.727124/2014-37 e 10880.723365/2014-13. É o relatório." Voto Vencedor Conselheiro Walker Araujo, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos da ilustre relatora, divirjo de seu entendimento quanto à solução a ser dada no presente caso, pelos motivos a seguir: Dentre as diversas matérias à serem apreciadas nestes processo, restou duvidoso, na sessão de julgamento, duas questões no processo que merecem esclarecimentos. A primeira sobre os débitos apurados pela fiscalização com base nos fatos e fundamentos apresentados nos itens 4.2 e 4.3 do Termo de Descrição dos Fatos carreados aos autos. Isto porque, de um lado, a fiscalização afirma categoricamente que a Recorrente não teria direito à aplicação da alíquota zero do PIS e da COFINS na revenda dos produtos farmacêuticos, de perfumaria, de higiene pessoal e de toucador, por entender que a sua atuação também como fabricante de outros produtos farmacêuticos, de perfumaria, de higiene pessoal e de toucador afastaria o regime monofásico na revenda de mercadorias, a saber: Conforme relatado, para alguns seguimentos da economia, dentre os quais destacamos o de cosméticos e medicamentos, que fazem parte do objeto social da fiscalizada, o legislador deu um tratamento fiscal diferenciado em relação à sistemática da não-cumulatividade, de forma à obtenção de uma praticidade na tributação. Para estes seguimentos foi estabelecida a tributação diferenciada, também conhecida por incidência monofásica ou concentrada, uma vez que neste regime o ônus tributário de toda a cadeia de comercialização de um determinado produto recai em seu fabricante ou importador. Justamente por esta concentração da tributação no fabricante ou importador, esses contribuintes aplicam sobre as receitas auferidas na venda de tais produtos alíquotas maiores que as usuais. Vejamos a redação da Lei 10.147/2000, com as alterações das Leis 10.548/2002 e 10.865/2004: Art. 1º A contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização ou à importação dos produtos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46 e 3303.00 a 33.07, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00, 3401.11.90, 3401.20.10 e 9603.21.00, todos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados - TIPI, aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001, serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I - incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: a) produtos farmacêuticos classificados nas posições 30.01, 30.03, exceto no código 3003.90.56, 30.04, exceto no código 3004.90.46, nos itens 3002.10.1, 3002.10.2, 3002.10.3, 3002.20.1, 3002.20.2, 3006.30.1 e 3006.30.2 e nos códigos 3002.90.20, 3002.90.92, 3002.90.99, 3005.10.10, 3006.60.00: 2,1% (dois inteiros e um décimo por cento) e 9,9% (nove inteiros e nove décimos por cento); Fl. 2934DF CARF MF Processo nº 10880.941517/2012-98 Resolução nº 3302-000.709 S3-C3T2 Fl. 12 12 b) produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, classificados nas posições 33.03 a 33.07 e nos códigos 3401.11.90, 3401.20.10 e 96.03.21.00: 2,2% (dois inteiros e dois décimos por cento) e 10,3% (dez inteiros e três décimos por cento); Em contrapartida, os demais contribuintes da cadeia de comercialização (atacadistas e varejistas) são beneficiados com redução a zero das alíquotas conforme estabelece o art. 2º da Lei nº 10.147, de 2000: Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000 Art. 2o São reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos tributados na forma do inciso I do art. 1o, pelas pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador. (grifei) (...) Nesse caso, a Hypermarcas fabrica os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal, sujeitos à tributação monofásica/concentrada, motivo pelo qual está obrigada ao pagamento do PIS e da Cofins com as alíquotas diferenciadas. Ou seja, toda a tributação do PIS e da Cofins está concentrada na venda efetuada pela Hypermarcas. A partir daí, as operações subsequentes (vendas efetuadas pelos atacadistas e varejistas) estão sujeitas à alíquota zero. Por outro lado, a Recorrente alega que todas as operações nas quais houve o afastamento da alíquota zero, a Recorrente procedeu à mera revenda dos produtos sujeitos à incidência monofásica, inexistindo, qualquer processo de industrialização, nos moldes do artigo 4º, do Regulamento do IPI. Segundo a Recorrrente,"...a Autoridade Fiscal elaborou, com base em todas as notas fiscais eletrônicas e no Sped Fiscal da Requerente (fls. 17 e 18 do TVF/1.731 e 1.732 dos autos), 16 planilhas (fls. 27 do TVF/1.741 dos autos e fls. 1.167 a 1.182 dos autos), as quais contêm a relação de todos os produtos de perfumaria e farmacêuticos sujeitos ao regime monofásico vendidos no período objeto deste processo (07/2010 a 09/2011)". E, afirma:"...que as referidas planilhas reproduzem todas as informações das notas fiscais da Requerente e são, portanto, extremamente detalhadas, contendo, dentre outras informações, descrição individualizando cada um dos produtos, bem como seu valor de venda e a identificação se estes foram objeto de (a) produção própria1 ou (b) adquiridos de terceiros (revenda)2. Cumpre mencionar ainda que as referidas planilhas foram utilizadas pela Autoridade Fiscal para quantificar o crédito tributário objeto deste processo administrativo." Analisando o processo, não há como auferir corretamente - entenda-se, com base em todo suporte documental carreado aos autos- , se nas referidas planilhas que deram suporte ao cálculo do montante exigido, há apenas produtos que foram objeto de produção própria ou produtos adquiridos de terceiros para revenda que são também fabricados pela recorrente (produtos coincidentes) ou produtos que foram revendidos e que não são fabricados pela recorrente. Tal fato é de suma importância para o deslinde do processo, posto que, partindo da premissa de que a Recorrente não industrializa os produtos que ela revende, fica afastado seu enquadramento no artigo 1º, da Lei nº 10.147/2000, do contrário, correto o lançamento fiscal. Fl. 2935DF CARF MF Processo nº 10880.941517/2012-98 Resolução nº 3302-000.709 S3-C3T2 Fl. 13 13 Neste ponto, entendo que há necessidade de converter o processo em diligência, para que seja comprovado/esclarecido pelas partes, se os produtos revendidos indicados na planilha foram também objeto de produção própria ou não. A segunda questão diz respeito ao fato de que na primeira autuação, objeto do processo administrativo nº 16004.7220544/2013-14, a fiscalização glosou créditos sem questionamento da aplicação da alíquota zero, ao passo que neste processo, os mesmos fiscais acolheram expressamente o aproveitamento de créditos e tributaram a revenda com a aplicação das alíquotas diferenciadas. Ou seja, há dúvidas quanto aos critérios jurídicos adotados e quanto à situação fática considerada pela fiscalização em ambos processos, merecendo, assim, esclarecimentos quanto a diferença de tratamento. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para: i) À recorrente: - Especificar os produtos revendidos que também são produzidos pela recorrente. A autoridade fiscal deve atestar e, em caso de discordância, apresentar a relação dos produtos que entende serem produzidos e revendidos pela recorrente, separando dos que são revendidos, mas não são produzidos pela recorrente, juntando suporte documental comprobatório das divergências consideradas; ii) À autoridade fiscal: - esclarecer a distinção entre a situação fática autuada no processo 16004.720544/2013-14, no qual houve glosa de créditos e não cobrança de débitos, e este processo, já que tratam de períodos imediatamente subsequentes, tendo a recorrente afirmado em ambas fiscalizações que atuava na fabricação e revenda de produtos mencionados no artigo 1º da Lei 10.147/2000. Após, intime-se a Recorrente para, querendo, apresentar sua manifestação, nos termos do artigo 35, do Decreto nº 7.574/2011. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 2936DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.902873/2010-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE.
É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integralmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO RATIFICADO.
A alegação de que o saldo credor referenciado seria superior ao valor reconhecido pela RFB não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que importa na ratificação da decisão exarada pela repartição fiscal de origem.
Numero da decisão: 3001-000.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. É ônus do contribuinte demonstrar os fatos que alega; em assim não procedendo, resta impossibilitada a infirmação da acusação de insuficiência de saldo para quitar integralmente o débito confessado em Perd/Comp, cujo crédito consta declarado nos sistemas informatizados da RFB. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. DESPACHO DECISÓRIO RATIFICADO. A alegação de que o saldo credor referenciado seria superior ao valor reconhecido pela RFB não se sustenta nos elementos de prova apresentados nas peças de defesa, o que importa na ratificação da decisão exarada pela repartição fiscal de origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 28 73 /2 01 0- 41 Fl. 116DF CARF MF 2 Cuidase de recurso voluntário (efls. 112/113) interposto contra o Acórdão 1140.638, da 6ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE DRJ/REC que, na sessão de julgamento realizada em 24.04.2013 (efls. 99 a 104), julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Dos fatos Por sua clareza e síntese, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo em seguida: Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra a decisão proferida pela repartição fiscal de origem, de homologar parcialmente a compensação declarada através do PER/DCOMP especificado, reconhecendose parcialmente o direito creditório alegado. A interessada identificada em epígrafe pretendia utilizar o saldo credor de IPI requerido, com relação ao trimestre/ano indicado no PER/DCOMP, para quitar débitos de tributos administrados pela Receita Federal. No entanto, a autoridade administrativa fiscal constatou que, até a data da apresentação do PER/DCOMP em tela, a interessada já utilizara parcialmente, na sua escrita fiscal, o saldo credor passível de ressarcimento relativo ao trimestre especificado no PER/DCOMP, utilizandoo para quitar outros débitos em períodos mensais subseqüentes ao trimestre referenciado no PER/DCOMP. Assim, o Despacho Decisório recorrido apontou o crédito remanescente reconhecido em valor insuficiente para compensar integralmente os débitos declarados e, por isso, foi homologada apenas parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP. Cientificada da decisão, a interessada protocolou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, cujas razões resumidamente são essencialmente que o valor do crédito acumulado no trimestrecalendário especificado seria suficiente para a compensação declarada para fins de homologação pela Receita Federal. Junta documentos. À vista do exposto, demonstrada a insubsistência do Despacho Decisório, requer que seja acolhida a manifestação de inconformidade, para se cancelar o débito fiscal reclamado. (...) Da decisão de 1ª instância Com a apresentação da manifestação de inconformidade sobreveio, então, o acórdão da 6ª Turma da DRJ/REC, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INSUFICIENTE. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10935.902873/201041 Acórdão n.º 3001000.338 S3C0T1 Fl. 117 3 O valor do direito creditório disponível para compensação na data da transmissão do PER/DCOMP em foco foi corretamente demonstrado nos anexos ao despacho decisório. A alegação de que o saldo credor referenciado seria superior ao valor reconhecido pela RFB não pode ser sustentada pelo teor da manifestação de inconformidade e documentos anexos. Mantém se a decisão exarada pela repartição fiscal de origem. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário Irresignado ainda com o feito, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde tão somente repisa os argumentos de defesa da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da Admissibilidade O sujeito passivo foi cientificado do acórdão vergastado em 04.04.2016, ocasião em que recebeu a Intimação nº 20/2016, é o que depreendese do "Aviso de Recebimento AR" (efls. 107/108). Em 27.04.2016 protocola, na ARF/ToledoPR, o Recurso Voluntário, é o que depreendese do carimbo aposto na "Folha de Rosto" da referida petição recursal (efl. 112). Na hipótese dos autos, em face da legislação processual aplicável (Decreto 70.235 de 1972) e do que dispõe o Ricarf, o presente recurso voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que dele tomo conhecimento. Mérito Do despacho decisório O Despacho Decisório, Nº de Rastreamento 887116752, emitido em 05.10.2010, está assim fundamentado: Analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 2.064,80 Valor do crédito reconhecido: R$ 1.297,73 0 valor do crédito reconhecido foi Inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Fl. 118DF CARF MF 4 Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referencia, ate a data da apresentação do PER/DCOMP. O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar Integralmente os débitos Informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 41066.92698.201108.1.3.012273 Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: 25789.64529.260410.1.5.018244 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos Indevidamente compensados, para pagamento ate 29/10/2010. O contribuinte, uma vez mais, reafirma que procurou "demonstrar que (...) a empresa não utilizou de forma integral ou parcial os créditos que possuía acumulados na sua escrita fiscal", apresentado, para tanto, um demonstrativo. Neste sentido, requer o exame das provas anteriormente apresentadas, pois entende que o acórdão recorrido, tal qual o despacho decisório, não evidenciou que os dados foram devidamente analisados. Da ausência de prova da existência de saldo credor suficiente Verificado que o recorrente não apresentou novas razões de defesa perante este Carf, ao amparo do disposto no parágrafo 3º do artigo 57, Anexo II, da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprovou o Ricarf, com redação dada pela Portaria MF 329 de 2017, valhome das razões de decidir contidas no voto condutor do acórdão recorrido, para enfrentar os questionamentos reapresentados na peça recursal, que reproduzo a seguir: Voto (...) Observase que o despacho decisório recorrido está devidamente acompanhado de demonstrativos anexos, todos cientificados à interessada, e acostados aos presentes autos. O procedimento fiscal de verificação/confirmação do saldo credor do IPI passível de ressarcimento apontado no PER/DCOMP para fins de compensação de débitos tributários, ocorre no âmbito da chamada fase de fiscalização, anterior à fase processual. Esta, a rigor, somente se inaugura quando seja formada uma lide, por exemplo, como agora, pela apresentação de manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa exarada. É na fase processual que militam as garantias constitucionais ao contraditório e à ampla defesa. No caso, diante da compensação declarada via transmissão eletrônica, a Receita Federal mediante análise do PER/DCOMP, considerando as informações disponíveis em seus sistemas de controle, ou apresentados pela interessada em suporte à sua declaração, constatou que na data da compensação pretendida o saldo credor do IPI, referido ao trimestre indicado no PER/DCOMP transmitido, já fora parcialmente utilizado na Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10935.902873/201041 Acórdão n.º 3001000.338 S3C0T1 Fl. 118 5 compensação de outros débitos, por meio de outros PER/DCOMP, em meses subseqüentes ao trimestre em que foi apurado o saldo credor considerado. Na análise que se segue esperamos esclarecer a interessada, do modo mais simples possível, as informações explicitadas nos vários demonstrativos anexos ao despacho decisório recorrido, os quais serviram de base à conclusão da autoridade fiscal pela insuficiência do valor do saldo credor remanescente, vinculado ao trimestrecalendário em tela, ainda passível de ressarcimento/compensação. O despacho decisório recorrido e seus anexos explicitam a conclusão obtida a partir da análise fiscal procedida. Explicita se naqueles anexos ao despacho decisório, que o valor do remanescente saldo credor referenciado ao trimestre especificado no PER/DCOMP, efetivamente disponível para ressarcimento ou compensação é em valor inferior ao pretendido, identificando ambos os valores. Ao contrário do que alega a d. manifestante, a razão para a conclusão da autoridade fiscal foi devidamente explicitada nos anexos ao despacho decisório, tudo cientificado à interessada. Os anexos ao despacho decisório se formam a partir de um extrato do “Sistema de Controle de Créditos (SCC) PER/DCOMP Despacho Decisório Análise de Crédito”, o qual foi desdobrado nos seguintes quatro (04) demonstrativos: (1º) Demonstrativo de Créditos e Débitos (Ressarcimento de IPI), no qual para o trimestrecalendário de referência, explicitamse valores iniciais dos créditos ressarcíveis e dos créditos ressarcíveis ajustados [colunas (b) e (e)], para em seguida serem indicados os débitos do IPI escriturados no RAIPI que foram compensados no contacorrente do IPI, ao longo do próprio trimestre especificado, obtendose os débitos do IPI ajustados [colunas “(j)” e “(m)]; (2º) Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível, neste realizase a compensação mensal, dentro do trimestre referenciado, dos créditos de IPI ajustados com os débitos de IPI ajustados (colunas “f” e “g”) e se chega finalmente ao valor inicial do saldo credor do IPI ressarcível, referente ao trimestre referido no PER/DCOMP (coluna “i”). (3º) Demonstrativo de Apuração após o período do ressarcimento. Abaixo se reproduz a estrutura desse quadrodemonstrativo, para em seguida explicarmos sua "mecânica". (...) Nesse demonstrativo anexo ao despacho decisório, partese do saldo credor total do IPI apurado com relação ao trimestre calendário referenciado no PER/DCOMP (coluna “b”, linha 1), que no contexto desse quadro demonstrativo representa o SC no Fl. 120DF CARF MF 6 final do mês anterior ao do primeiro mês indicado na primeira linha da coluna (a); explicitase o efetivo aproveitamento do saldo credor trimestral do IPI referenciado no PER/DCOMP em tela, para compensar débitos tributários em períodos mensais subseqüentes ao trimestre de referência e anteriores à data de transmissão do PER/DCOMP. Nesse demonstrativo está coberto o período desde o mês seguinte ao da apuração do saldo credor trimestral indicado no PER/DCOMP, até o último mês do trimestre anterior ao mês da transmissão eletrônica do PER/DCOMP em tela. Conforme detalhado nos anexos ao despacho decisório, nas observações constantes abaixo do terceiro demonstrativo, depois de todas as compensações nos outros diversos PER/DCOMP identificados na coluna (h), o sistema eletrônico de controle do crédito (SCC), para o período abrangido nesse demonstrativo, indica mês a mês o saldo credor do trimestre em tela ainda disponível para ressarcimento/compensação, e o chama de “O MENOR SALDO CREDOR APURADO”, isto é, o “Menor SC” apurado desde o último mês do trimestre de referência no PER/DCOMP em foco até o último mês do trimestre imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP em foco. Não é demais repetir acerca da apuração do “Menor SC”, no período abrangido no demonstrativo, a informação que também consta nas observações indicadas abaixo do demonstrativo em comento, qual seja, que para o primeiro PA mensal indicado no demonstrativo, o “menor SC” equivale justamente ao saldo credor total (ressarcível somado ao não ressarcível) apurado ao final do trimestre de referência, isto é, é igual ao primeiro valor mostrado na coluna (b). No entanto, o valor do crédito que a interessada supunha ainda dispor para fins de ressarcimento/compensação, desconsidera as compensações efetuadas em PA mensais subseqüentes, via outros PER/DCOMP, anteriormente à data de transmissão do PER/DCOMP sob análise, conforme explicitado nas restantes linhas e colunas constantes desse 3º demonstrativo anexo ao despacho decisório. Para os demais PA mensais, o “menor SC” corresponde ao menor valor dentre aqueles apresentados na comparação entre as colunas (e) e (g) do PA imediatamente anterior. E é esse “menor SC” do período de tempo identificado nesse demonstrativo que serve de informação à autoridade administrativa para reconhecimento do valor do crédito ainda passível de ressarcimento na data da compensação pretendida. Reiterase, na coluna (h) estão indicados os números dos demais PER/DCOMP apresentados pela interessada, de onde foram obtidas informações consideradas nesse demonstrativo. (4º) Demonstrativo do Crédito Reconhecido para cada PER/DCOMP Abaixo se reproduz, para esclarecimento, a estrutura e formação desse quadrodemonstrativo. (...) Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10935.902873/201041 Acórdão n.º 3001000.338 S3C0T1 Fl. 119 7 Na data da compensação ora pretendida, o valor do saldo credor ressarcível (ainda disponível para compensação) já era inferior ao solicitado no PER/DCOMP em tela. Tal insuficiência do valor do saldo credor passível de ressarcimento/compensação, vinculado ao trimestrecalendário em tela, levou à homologação apenas parcial da compensação declarada. Encontrase especificado, no despacho decisório, o saldo devedor de tributos que remanesceu em aberto, em face da insuficiência do crédito disponível para a compensação. No caso concreto, foi plenamente garantido o exercício do contraditório e da ampla defesa. Ademais, os fundamentos utilizados pela fiscalização, que serviram de base ao despacho decisório recorrido, foram devidamente cientificados ao contribuinte, conforme documentos anexos, e estão consoantes com o entendimento oficial. No entanto, a interessada, ora manifestante, apesar de alegar possuir crédito suficiente para a compensação pretendida, não foi capaz de contraditar a informação fiscal de que houve compensação de outros débitos, atestados em outros PER/DCOMP relacionados no terceiro demonstrativo dentre os anexados ao despacho decisório, fatos que determinaram a redução do saldo credor ressarcível referente ao trimestre referenciado no PER/DCOMP. Neste momento cabe lembrar o que dispõe o § 4º do art. 16 ainda do PAF, in verbis: “Art. 16. ... (...) § 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997)”. Registrase, então, que não sendo o caso das exceções previstas no § 4º do art. 16, acima transcrito, ocorre a preclusão temporal do direito referido, impedindose a produção posterior de Fl. 122DF CARF MF 8 provas. Regra geral, o momento processual reservado para a produção de provas, pelo contribuinte, é durante a fase que culmina com a apresentação da peça impugnatória ou da manifestação de inconformidade. Pelo exposto, voto pela improcedência da manifestação de inconformidade, confirmandose a decisão exarada pela repartição fiscal de origem. É incontroverso que a autoridade competente da unidade de origem DRF/Cascavel baseouse nas informações constantes dos sistemas informatizados da RFB, prestadas pelo próprio contribuinte, ou seja, aquelas também constantes dos documentos que fez anexar quando da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade, que resultou na conclusão de que o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual homologou parcialmente a compensação declarada no Per/Dcomp 41066.92698.201108.1.3.012273 e não atendeu ao pedido de restituição/ressarcimento apresentado no Per/Dcomp 25789.64529.260410.1.5.01 8244. Por não se ter por provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, devese, também com fundamento no artigo 170 do CTN, ratificar, nos exatos termos da decisão recorrida, a conclusão contida no O Despacho Decisório Rastreamento 887116752, emitido em 05.10.2010. Ressalto, por oportuno, que o recorrente, uma vez mais, deixou transcorrer a oportunidade de produzir provas que sustentassem suas alegações, na medida em que, tanto no processo administrativo fiscal como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado. Vejase o que dispõe o artigo 36 da Lei 9.784 de 29.01.1099: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Em igual sentido são os termos do artigo 333 do CPC (Lei 5.869 de 11.01.1973, reproduzido no artigo 373 da Lei 13.105 de 16.03.2015 Novo CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Da conclusão Em face da não comprovação da existência integral do pleiteado direito creditório, mantémse, por seus exatos termos, a decisão recorrida que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconheceu o Direito Creditório. Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10935.902873/201041 Acórdão n.º 3001000.338 S3C0T1 Fl. 120 9 Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.901104/2014-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 11 04 /2 01 4- 51 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13888.901104/201451 Acórdão n.º 1402003.066 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi indeferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE 1. que, “a r. decisão primitiva sequer detalhou ou especificou por quais razões o contribuinte ora recorrente não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, análise esta que era condição sine qua non para alicerçar as razões de decidir do despacho decisório”; 2. que, “em outras palavras, foi dificultado ao recorrente repelir, amplamente, a decisão do julgador de primeiro grau, o que é direito constitucionalmente assegurado. A falta destes elementos concretos, fundamentos embasados na legislação, e de dados que pudessem permitir ao contribuinte contra razoar o r. despacho rescisório implicam na anulação do mesmo, pois ao não garantir o amplo direito de defesa à recorrente, o r. despacho decisório avilta também, conseqüentemente, o princípio do devido processo legal”; 3. que, “na falta de elementos que confiram ao contribuinte chance de defenderse amplamente da r. decisão do órgão fiscal originário, o presente processo administrativo não terá seu deslinde normal, razão pela contrariouse o consagrado devido processo legal”; 4. que, “ante à ausência de fundamentos legais imprescindíveis, desde o momento em que foi exarado o r. despacho decisório o curso deste processo administrativo foi atingido por uma nulidade, o que somente poderá ser sanada Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13888.901104/201451 Acórdão n.º 1402003.066 S1C4T2 Fl. 4 3 através da integral anulação do processo administrativo desde o início, inclusive do V. Acórdão recorrido que manteve o despacho decisório”; 5. que, “requerse que estes Ínclitos Julgadores em sede prelibatória anulem este processo administrativo desde o r. despacho decisório de origem, determinando o retorno dos autos à origem para que seja preferida decisão compatível com os princípios que norteiam os processos administrativos”. NO MÉRITO Depois de fazer breve histórico da COFINS e do PIS, aponta para decisão prolatada pelo STF acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo naquelas contribuições. Literalmente: “Recentemente a matéria foi definitivamente arraigada pelo C. Supremo Tribunal Federal quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG, onde o contribuinte se consagrou vencedor e foi definitivamente julgada a questão no sentido de que se deve excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS. Oportuno ressaltar os ensinamentos do Min. Marco Aurélio que nos autos do aludido julgamento cravou: (...) Assim, somente se pode concluir que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de "faturamento", mas mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas, razão pela qual por todas as razões aqui expendidas, bem assim pelo quanto retro sustentado, é que se faz de solar clareza a necessidade de reformar a r. decisão guerreada e homologar as compensações levadas a termo através das PERDCOMPs cotejadas. Reiterese, porque se cuida de decisão recente e nova no mundo tributário, posto que o Supremo Tribunal Federal decidiu definitivamente que o ICMS não entra na base de cálculo da Cofins e do PIS (Recurso Extraordinário nº 240.7852 MG), de modo que a inclusão do ICMS na base de cálculo das Contribuições ao PIS e à Cofins é ilegítima e inconstitucional, pois fere o princípio da estrita legalidade previsto no artigo 150, I da CF/88 e 97 do CTN, o artigo 195, I, “b” da CF/88 e o art. 110 do CTN, porque receita e faturamento são conceitos de direito privado que não podem ser alterados, pois a Constituição Federal os utilizou expressamente para definir competência tributária, pelo que resta evidente o crédito da Recorrente e se requer a reforma do V. Acórdão neste particular para que sejam definitivamente homologadas as compensações levadas a termo pelo contribuinte recorrente”. DO DIREITO DO CONTRIBUINTE À COMPENSAÇÃO Prossegue argumentando ter direito à compensação em face da exclusão do ICMS das bases de cálculo do PIS e da COFINS e que, por este motivo, “caberia à Autoridade recorrida verificar o crédito do Recorrente, para aferir pela sua procedência ou não, sendo certo que se assim o fizesse a autoridade administrativa singular, certamente homologaria a compensação em Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13888.901104/201451 Acórdão n.º 1402003.066 S1C4T2 Fl. 5 4 apreço, sendo que de tudo quanto exposto, somente se pode inferir que o V. Acórdão em questão deve mesmo ser reformado, o que se requer adiante”. DO PEDIDO E conclui requerendo “o regular processamento, ulterior apreciação, concessão de efeito suspensivo e PROVIMENTO TOTAL ao presente RECURSO VOLUNTÁRIO, para o fim de reformar o V. Acórdão exarado pela instância a quo, para que, preliminarmente, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que seja anulado o vertente processo administrativo, nos moldes da fundamentação supra, tendo em vista a ofensa ao princípio do contraditório e do devido processo legal, e para que, no seu mérito, seja reformado o V. Acórdão recorrido para que sejam homologadas as almejadas compensações e finalmente reconhecido o crédito da Recorrente”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.018, de 11/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.901078/2014 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.018): "O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Afasto, de plano, a preliminar de nulidade do acórdão a quo, tendo em vista não presentes quaisquer fatos que pudessem levar a esta decisão. De fato, o que se observa é a irresignação da recorrente em razão da decisão de 1º Piso lhe ter sido desfavorável e não porque tenha o aresto qualquer ponto ou item que afronte a legislação ou atos processuais e possa levar à sua anulação. Digase, o acórdão foi prolatado em estrita obediência às normas legais e regimentais, foram apreciadas todas as provas e Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13888.901104/201451 Acórdão n.º 1402003.066 S1C4T2 Fl. 6 5 documentos acostados aos autos e analisada a manifestação da contribuinte. Se o decidido lhe foi desfavorável não significa nulidade. Só entendimento da Turma Julgadora. Preliminar rejeitada. Passo ao mérito. Sabidamente, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC/1973, art. 333, I; atual CPC, artigo 373, I). No caso de pedidos de ressarcimento ou restituição, o interessado deve trazer provas de que possui direito líquido e certo contra a Fazenda Pública e assim deve ser repetido tributariamente para recompor o patrimônio subtraído por pagamento de um tributo de forma indevida. Não o fazendo, suas alegações ficam meramente neste terreno e seu direito se perde. Em outro dizer, a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Concretamente, se o DARF indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. No caso, o DARF foi utilizado para pagamento do tributo confessado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), informação da lavra da própria contribuinte. É certo que este quadro pode ser alterado. Mas isso exige prova concreta por parte da contribuinte, afinal é ela a autora e para modificar o ato administrativo cabelhe demonstrar onde está o erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Não o fazendo – como não o fez , o indeferimento permanece. Acresçase que, concretamente, a contribuinte não acostou um documento sequer, nem escrituração contábil ou fiscal que possa mostrar o direito que alega ter. Sua linha de argumento limitase em afirmar que a Suprema Corte (em decisão ainda sem efeito erga omnes) teria decidido pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais (PIS e COFINS), sem sequer quantificar o reflexo disso em seus demonstrativos contábeis. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13888.901104/201451 Acórdão n.º 1402003.066 S1C4T2 Fl. 7 6 Ou seja, meras alegações sem que tenham vindo aos autos quaisquer provas, cálculos ou decisão que lhe aproveitasse. Sabidamente, a base de cálculo das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS é o faturamento. E que só pode ser mudado por via legislativa ou decisão judicial, esta que aproveite individualmente a recorrente ou que seja prolatada com efeito erga omnes. Não há, no caso, nem um nem outro. Desse modo, especificamente quanto ao Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, somente podem ser excluídos da receita (base de cálculo do PIS e da COFINS) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, no regime cumulativo, e a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação em ambos os regimes. Admitir qualquer outra exclusão equivaleria a afastar a aplicação da lei, o que é vedado na esfera administrativa. Portanto, essa discussão é estéril em sede de julgamento administrativo. Finalmente, como bem observado pela decisão de 1º Piso, a recorrente transmitiu inúmeras declarações de compensação informando como crédito passível de compensação um único DARF e nos pedidos de compensação formalizados pela recorrente, os débitos que intenta compensar ultrapassam – e muito o valor desse suposto crédito. Por fim, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o Fl. 52DF CARF MF Processo nº 13888.901104/201451 Acórdão n.º 1402003.066 S1C4T2 Fl. 8 7 pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida.' Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, rejeito a preliminar de nulidade do Acórdão a quo e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.721673/2011-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 12/06/2006 a 10/05/2010
Ementa:
RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. VALOR DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63 DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017.
O Recurso de Ofício não alcança o limite de R$2.500.000,00 (dois milhões e meio de reais) ampliado pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017 e, portanto, não deve ser conhecido.
SÚMULA CARF Nº 103
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
MULTA POR CESSÃO DE NOME. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO COMETIMENTO DO ILÍCITO.
Cabe à Fiscalização comprovar, de forma cabal, a ocorrência de qualquer conduta tendente a ocultar ou acobertar eventuais reais importadores das mercadorias, apta a atrair a aplicação da penalidade legal.
Numero da decisão: 3201-003.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário.
Fez sustentação oral o patrono Dr. Murylo dos Santos Miranda, OAB/RJ 205.749.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 12/06/2006 a 10/05/2010 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO. VALOR DE ALÇADA. PORTARIA MF Nº 63 DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. O Recurso de Ofício não alcança o limite de R$2.500.000,00 (dois milhões e meio de reais) ampliado pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017 e, portanto, não deve ser conhecido. SÚMULA CARF Nº 103 Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. MULTA POR CESSÃO DE NOME. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO COMETIMENTO DO ILÍCITO. Cabe à Fiscalização comprovar, de forma cabal, a ocorrência de qualquer conduta tendente a ocultar ou acobertar eventuais reais importadores das mercadorias, apta a atrair a aplicação da penalidade legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral o patrono Dr. Murylo dos Santos Miranda, OAB/RJ 205.749. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 72 16 73 /2 01 1- 23 Fl. 610DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório O feito foi assim relatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Fortaleza por meio do Acórdão 0829.422 7ª Turma da DRJ/FOR de 24 de abril de 2014 (fls. 548 e seguintes): DOS LANÇAMENTOS Cuida o presente processo da exigência de créditos da União, lavrados pela IRF Belo Horizonte, em 06/10/2011, relativos às penalidades de Conversão do Perdimento em Multa (R$ 1.172.523,17) e Cessão do Nome da Pessoa Jurídica Com Vistas No Acobertamento Dos Reais Intervenientes ou Beneficiários (R$ 104.292,64), às fls. 259270, ambos em desfavor de BOISSE BRASIL IMPORTAÇÃO LTDA., em decorrência de procedimento especial de fiscalização (IN SRF nº 228/2002), conforme Relatório de Encerramento de Ação Fiscal, às fls. 280 334, a seguir explanado, de forma sintética, inclusive, contendo reproduções de excertos, a fim de se obter uma fiel compreensão dos fatos mencionados: 1) Da Introdução: Introdutoriamente relatase que a emissão do referido MPF teve por objetivo analisar as práticas de comércio exterior perpetradas pela contribuinte visando averiguar possível ocultação do real sujeito passivo nas importações ocorridas entre 2006 e 2010, vez que os indícios que suscitaram o interesse fiscal sobre a empresa Boisse se iniciaram quando não foi possível encontrar dados comerciais sobre o endereço da empresa, na Rua 15 de Novembro, nº 268, no Bairro Porto Novo, em Além Paraíba MG, em pesquisas. Que a despeito do considerável volume de importações, a empresa apresentava vínculo empregatício com apenas um funcionário na base de dados da GFIP, sendo que o mesmo tinha seu endereço na cidade do Rio de Janeiro. Ao ser pesquisado o endereço dos sócios, constatouse que também eles residiam na cidade do Rio de Janeiro. Que apenas o contador da empresa residia e trabalhava na cidade de Além Paraíba, próximo da sede da empresa. Que pesquisas nos sistemas de controle da Receita Federal também levantaram o interesse fiscal de avaliar o relacionamento da empresa Boisse com a empresa Bourgogne Brasil Comércio de Bebidas Ltda., doravante neste relatório citada abreviadamente como Bourgogne, onde são sócios o pai e uma irmã dos sócios da empresa Boisse. Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10611.721673/201123 Acórdão n.º 3201003.610 S3C2T1 Fl. 611 3 E tal quadro indiciário justificou o início da fiscalização. 2) Dos Termos, Intimações, Diligências e Primeiras Considerações: Aos 12/04/2011 foi visitada a sede da Boisse em Além Paraíba para cientificação do Termo de Início de Ação Fiscal. Lá chegando, depararamse os auditores fiscais com um imóvel fechado. Após conversa com transeuntes, obtevese a informação de que o responsável por aquele endereço tinha escritório próximo dali. Chegando ao local indicado, a fiscalização travou contato com o Sr.Wandormery Ferreira Gabri, CPF: 093, 327,40682, doravante neste relatório citado resumidamente como Gabri, que se identificou como contador da Boisse. Perguntado se o imóvel da empresa Boisse, à rua XV de Novembro, Gabri respondeu que o imóvel encontravase sem qualquer uso há mais de três anos. (sic) Perguntado a respeito dos empregados da empresa, respondeu que o único funcionário, o Sr. Edmir Delgado Wanderley, CPF: 226.363.74787, encontravase prestando serviços na filial, na cidade do Rio de Janeiro há aproximadamente três anos, sem atuar na sede em Além Paraíba em função de sua inatividade. Perguntado sobre como funcionava a Boisse se sua sede estava fechada, respondeu que a empresa realiza operações de importação em nome da matriz e da filial mas as mercadorias em nome da matriz não transitam pelo estabelecimento sediado em Além Paraíba. Perguntado se as mercadorias não davam entrada na estrutura funcional da empresa respondeu que as mercadorias importadas em nome da matriz, após desembaraço são imediatamente colocadas em meio de transporte que as conduz aos adquirentes finais. Das Declarações do Sócio: O Sr. Alexander em atendimento a intimação do TIPF prestou declaração expressa onde afirma: A) Que não promoveu alienação de bens ou direitos entre janeiro de 2006 e março de 2011, bem como não contraiu financiamentos ou empréstimos junto a terceiros; B) Que o único patrimônio da empresa Boisse – matriz é um caminhão/furgão Sprinter no valor de R$ 88.000,00; C) Que a Boisse não possui financiamentos junto a terceiros; Fl. 612DF CARF MF 4 D) Que a empresa não possui contrato de exclusividade com nenhum exportador, “sendo as negociações feitas à medida que há necessidade de compras. O contrato tem a vantagem da exclusividade... mas tem a desvantagem de que o importador tem que se sujeitar a volumes de importação que na maioria dos casos não são proporcionais a nossa realidade de venda”(literis). Da Entrevista com o Sócio Alexander: Aos 15/06/2011 o Sr. Alexander compareceu à Seção de Controle Aduaneiro da Delegacia da Receita Federal em Juiz de Fora, onde prestou, entre outros, os seguintes esclarecimentos em destaque: 1) As atividades da matriz se encerraram no mês de maio de 2010, em que pese a empresa estar formalmente ativa; 2) A empresa funcionava esporadicamente em função de o sócio residir no estado do Rio de Janeiro e do pequeno estoque mantido na sede da empresa. Que havia apenas um funcionário fixo, o Sr. Edmir, os demais eram os chamados “chapas”. As vendas em algumas situações partiam diretamente do Rio, após desembaraço, para outras cidades sem passar pela sede da empresa. Tais mercadorias teriam grande demanda, o que justificaria a prática de vendas pulverizadas e não para apenas um comprador; Da Visita à Filial da Boisse no Rio de Janeiro: Com vistas a averiguar o efetivo funcionamento e a estrutura da filial da empresa Boisse, a fiscalização visitou suas instalações no dia 03/08/2011. Encontravamse na filial os senhores Alexander e Domingos. Observouse que as empresas Boisse e Bourgogne têm dependências contíguas. Foram feitas fotos no local onde se pode notar a existência de dois galpões grandes para armazenamento de mercadorias e uma câmara frigorífica. Seguem as fotos:(...) O espaço ocupado pela filial é adequado ao armazenamento de grande volume de bebidas. Segundo o Sr. Alexander o veículo utilizado pela empresa para transporte de mercadorias encontravase em trânsito. Foi ainda informado que outros veículos encontramse em vias de serem adquiridos por consórcio. 3)Da Análise dos Fatos e dos Documentos Apresentados: Da Existência de Fato: Além de assumido pelo Sr. Alexander que a Boisse matriz não funcionava desde maio de 2010, ocasião da última DI registrada em seu CNPJ, que contradisse informação inicial dada pelo contador Gabri que este prazo seria de três anos, ou seja, desde o ano de 2008, é flagrante pela observação direta das instalações e dimensões da empresa Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10611.721673/201123 Acórdão n.º 3201003.610 S3C2T1 Fl. 612 5 em Além Paraíba a impossibilidade de promover o armazenamento e a guarda do volume de mercadorias importadas entre os anos de 2006 e 2010. Juntese a isso a própria alegação do Sr. Alexander de que era comum mercadoria ser despachada diretamente após o desembaraço para os efetivos destinatários para que reste cristalino o fato de que o endereço em Além Paraíba era apenas um dado burocrático sem qualquer serventia logística e operacional. A empresa, a julgar pelos indícios conjugados, tem seu efetivo funcionamento na filial de forma muito próxima à empresa Bourgogne. Mesmo em sua atividade comercial a empresa Bourgogne figura como peça central na medida em que é grande beneficiária das operações de importação da Boisse matriz como se pretende restar demonstrado ao fim deste relatório. A matriz em Além Paraíba não teve no período analisado função comercial. Sua existência se deveu basicamente ao usufruto de benefícios fiscais junto à tributação do ICMS. Analisadas as GFIPs da empresa, percebese que apenas um funcionário encontrase registrado junto à matriz, não sendo possível comprovar a prática de contratação de “chapas” como alegado pelo sr. Alexander. A fiscalização optou por não propor inaptidão do CNPJ da empresa em vistas de a filial estar em atividade. Das Origens de Recursos da Empresa: As análises feitas se restringiram ao período de junho de 2006 a maio de 2010, da (sic) de registro da última DI em nome da matriz. Neste período o trânsito de recursos da empresa foi suficiente para suas práticas comerciais. É de se ressaltar que a empresa não tem estrutura que justifique grandes gastos. A ausência de funcionários, de equipamentos e veículos faz com que quase toda a atividade da empresa centre seus custos em torno da compra de mercadorias. Houve apenas um aumento de capital feito pelos sócios no ano de 2006 que na verdade se materializou na forma de integralização de lucros acumulados. Por esta razão, não se mostrou de interesse desta fiscalização analisar as origens dos recursos dos sócios para aquela integralização. As incoerências observadas pela fiscalização na seara das Declarações de Imposto de Renda da empresa e dos sócios serão objeto de representação para a fiscalização de Imposto de Renda pois se inserem naquele universo de atuação, não afetando o centro do interesse de análise desta fiscalização, qual seja, ausência de origens comprovadas para as operações de comércio exterior. Fl. 614DF CARF MF 6 Das Operações de Comércio Exterior: Neste tópico, são elencadas as DIs e suas respectivas Notas Fiscais de Entrada (vide fls. 287288), registradas no período fiscalizado, qual seja: entre junho de 2006 e maio de 2010. Destacase que todas as DIs foram registradas tendo como adquirente a própria Boisse. E que, por intermédio dessas DIs promoveu a entrada de US$ 1.508.379,04 em mercadorias, sendo que, para cada uma das DIs foi emitida uma nota fiscal de entrada fazendo crer que a mercadoria importada destinavase ao estoque da empresa Boisse. Das Vendas dos Produtos Importados: Que, nesse mesmo período vendeu um total de R$ 4.020.059,10, conforme quadro demonstrativo contendo seus principais adquirentes (vide fl. 289). Através de gráficos e tabelas (vide fls. 290291), informa que a Bourgogne adquiriu sozinha 41% de suas importações, sendo a cidade do Rio de Janeiro onde se concentra a maior parte de suas vendas (62,18%). Da Análise das Revendas por DI: Da análise das sessenta e três DIs e das notas fiscais de saída da empresa Boisse no período citado, constatouse grande proximidade entre datas de Registro das DIs e datas de emissão das notas fiscais de saída, destacandose vinte e uma DIs que, além da grande proximidade de datas de importação e revenda, as quantidades importadas ou eram idênticas ou quase idênticas às revendidas tão logo eram desembaraçadas. Tais coincidências coadunadas com o fato de a Boisse não ter estrutura administrativa ou logística em Além Paraíba capaz de receber aquelas mercadorias importadas, vem confirmar as palavras do Sr. Alexander e do Sr. Gabri a respeito da prática de revenda imediata das mercadorias importadas sem que as mesmas passassem pelos estoques da empresa. A seguir, as vinte e uma DIs são apresentadas combinando cada DI às notas fiscais de saída que foram utilizadas para revenda das mercadorias importadas. No levantamento foi mantida a descrição utilizada para a mercadoria na DI e a descrição utilizada na nota fiscal de saída. Em alguns casos as quantidades na DI estão expressas em caixas e nas notas fiscais em garrafas. Em tais situações foram feitos os cálculos de adequação na planilha. Nessas planilhas não foi objeto de análise o valor de revenda, mas as quantidades revendidas. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10611.721673/201123 Acórdão n.º 3201003.610 S3C2T1 Fl. 613 7 Às fls. 292306, verificamse quadros demonstrativos das DIs e suas respectivas Notas Fiscais de Saída, destacandose: nº das DIs, datas de registro, de desembaraço, nº da adição, descrição das mercadorias e quantidade, valor de aquisição (US$) e também o nº das Notas Fiscais, datas de emissão, e respectivos adquirentes. Às fls. 307309, é feito um quadro comparativo entre as Notas Fiscais de Entrada e Saída referentes às DIs em questão, onde se realça o fato de essas notas apresentarem um perfeito encadeamento. E que esse comportamento – quantidades e datas de entrada e de saída próximas –, repetese em quase todas as DIs de modo suficiente para denotar a prática de importação por encomenda. Acrescentese ao encadeamento acima descrito o fato de que foi corriqueira a emissão de diversas notas fiscais de saída em um mesmo dia dando saída da quantidade de mercadorias entradas, se não no mesmo dia, em prazo mínimo. Como exemplo podese citar o caso da DI 10/00574093 desembaraçada em 19/01/10. As mercadorias ali nacionalizadas foram objeto da nota fiscal de entrada 098 aos 19/01/10. As mesmas mercadorias, praticamente na mesma quantidade, foram objeto da emissão das notas fiscais de saída 099, 100, 101, 102, 103, 104, 105, 106, 107, 108, 109, 110, 111, 112, 113, 114, 115, 116 e 117 no mesmo dia 19/01/10. Neste caso específico, foram importadas 300 caixas de tequila J.Cuervo Especial e 300 caixas de tequila J.Cuervo Silver Especial. Nas dezenove notas fiscais de saída emitidas no mesmo dia do desembaraço, apenas 13 caixas de J.Cuervo Especial não foram revendidas. Da Prática Observada na Empresa Boisse: Da combinação entre os depoimentos do Sr. Gabri e do Sr. Alexander onde afirmam a prática comum na empresa de remessa das mercadorias importadas diretamente do desembaraço para o comprador final com a análise das coincidências de datas e quantidades de mercadorias importadas e revendidas bem como o encadeamento das notas fiscais de entrada e saída concluise que a Boisse promoveu durante os anos analisados importação por encomenda em pelo menos em vinte e uma Declarações de Importação. Percebese que a Boisse possuía recursos para a importação das mercadorias e as importava em seu nome. Ocorre, contudo, que a empresa fazia as importações para compradores certos no Brasil. Ressaltese que tal prática, por si só, não pressupõe um ilícito, desde que precedida do atendimento a requisitos e obrigações acessórias que visam resguardar o controle aduaneiro, bem maior Fl. 616DF CARF MF 8 tutelado pela Receita Federal em sua estrutura aduaneira e alfandegária. Em todas as vinte e uma DIs citadas onde se pôde perceber a prática de importação por encomenda, a pessoa citada como adquirente foi a própria Boisse e em nenhuma DI foi detectada a citação de processo administrativo fiscal de “Importação por Encomenda”. 4)Da Aplicação da Norma ao Fato: Da Importação por Encomenda: (...) Com a entrada em vigor da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 634 em 24/03/2006, lastreada pela determinação do artigo 16 da lei nº 9.779 de 1999 que reafirma a competência da Receita Federal para dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, aquele quadro se alterou. Aquela pessoa que pretendesse promover importações por encomenda, ou seja, importar mercadorias estrangeiras com recursos próprios para terceira pessoa encomendante, passava a ter que cumprir condições e ritos específicos. O importador passava a dever promover no Siscomex a vinculação entre si e o encomendante. O encomendante passava a estar obrigado a se habilitar junto à Receita Federal para operações de comércio exterior nos termos da IN SRF 455 de 2004, Instrução Normativa esta que foi revogada pela IN SRF 650 de 2006 e passou a regular integralmente a habilitação para operar no Siscomex. Outra obrigação estabelecida pela IN SRF 634 de 2006 foi a de identificação do encomendante no momento do registro da DI. Da Ocultação do Sujeito Passivo e do Comprador em Importações por Encomenda: (...) A partir da tipificação estabelecida pelas alterações perpetradas pela lei 10.637 de 2002 ao artigo 23 do DL 1455 de 1976, subsumese o caso à norma a partir da configuração em primeiro lugar da ocultação do sujeito passivo da obrigação tributária ou do real comprador e em segundo lugar da utilização de fraude ou simulação para o atingimento daquela ocultação. Desde o Código Tributário Nacional, Lei 5.172 de 1966, onde o sujeito passivo assim definido como a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade (art. 121), engloba o conceito de solidariedade (art. 124) em que as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal se tem clara caracterização do polo passivo da relação jurídico tributária como não restrita à pessoa do importador assim registrado na Declaração de Importação. Veio consolidar tal caracterização o artigo 12 da Lei 11.281 de 2006 que incluiu literalmente a figura do encomendante nas operações de comércio exterior como responsável solidário para o Imposto de Importação. Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10611.721673/201123 Acórdão n.º 3201003.610 S3C2T1 Fl. 614 9 Uma vez estabelecido o encomendante como parte da sujeição passiva pelo viés da solidariedade, temse caracterizada a ocultação a partir de sua não identificação conforme exigido pela IN SRF 634 de 2006. Quanto à simulação, esta é imediatamente caracterizada pelo fato de a Boisse ter dado entender que as mercadorias importadas se destinavam a sua sede em Além Paraíba, com emissão inclusive de notas fiscais de entrada, simulação que não resiste sequer às próprias palavras do sócio gerente e do contador da empresa conforme anteriormente documentado e citado neste auto de infração. Da Conversão da Pena de Perdimento em Multa no Valor Aduaneiro da Mercadoria Dada em Perdimento: A lei 12.350 de 2010 conferiu ao parágrafo 3º do artigo 23 do Decreto Lei 1.455 redação em que estabelece que a pena de perdimento é convertida em multa no valor da mercadoria importada tiver sido revendida.(sic) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.(literis) Da Multa de 10% por Cessão de Nome: Ao descumprir as obrigações acessórias estabelecidas pela IN 634/06 a empresa ocultou sujeitos passivos das obrigações tributárias originadas das operações de importação. Assim agindo a empresa Boisse cedeu seu nome para promover as importações. Por força do disposto no artigo 33 da Lei 11.488 de 2007, tal prática é punível com a multa de 10% do valor de cada operação acobertada. Da Conclusão: Diante do acima exposto, concluiu esta fiscalização que a empresa Boisse descumpriu as obrigações acessórias estabelecidas pela Instrução Normativa 634/2006 ao não estabelecer vínculo junto à Receita Federal do Brasil entre si e os encomendantes identificados no Siscomex bem como ao registrar as referidas Declarações de Importação sem informar tratarse de Importação por Encomenda com a devida identificação dos encomendantes. Ao não identificar os encomendantes registrando a Declaração de Importação em nome próprio bem como emitir notas fiscais de entrada como se aquelas Fl. 618DF CARF MF 10 mercadorias se destinassem a depósito que a empresa não possui em condições para tanto na cidade de Além Paraíba, simulou situação onde ocultou os encomendantes, personalidades partícipes da sujeição passiva pelo viés da solidariedade, acobertando real operação. Ao assim agir, promoveu atentado contra bem tutelado pela Receita Federal do Brasil, qual seja, o controle aduaneiro bem como compôs em seus atos todas as condições necessárias e suficientes para a configuração de dano ao erário punível com pena de perdimento. Como foram as mercadorias revendidas, aplicase a lei para a cobrança de multa no valor aduaneiro daquelas mercadorias. Tendo ocorrido a cessão de nome para a concretização das operações de comércio exterior, a empresa se submeteu aos rigores da lei também quanto à penalização da prática de cessão de nome em relação a todas as Declarações de Importação sob penalização registradas após 15/06/2007. 5)Do Cálculo das Multas: Às fls. 313333, constam planilhas de cálculo para cada DI, por adição, informando ainda que: Os valores que serviram de base para o cálculo das multas originaramse da base de cálculo do Imposto de Importação, apropriada segundo a quantidade dada em perdimento por item de adição. A reconversão para moeda nacional foi feita pelo câmbio do dólar do dia 20 de setembro de 2011 (1,71220). Ao final consta planilha com a totalização dos valores apurados de ambas as penalidades. A ciência desta autuação se deu por via pessoal, a Alexander Araújo Lemos, sócio gerente da Boisse, em 07/10/2011 (sexta feira), conforme termo em apenso (à fl. 439). DA IMPUGNAÇÃO A empresa BOISSE BRASIL IMPORTAÇÃO LTDA., ora autuada, irresignada com as penalidades infligidas, apresentou Peça Impugnativa, às fls. 445453, em 08/11/2011, alegando, em síntese, conforme a seguir: ocorrência da decadência, cujo prazo inicial de contagem se dá a partir do registro da DI, para os fatos havidos no período de 12/06/2006 a 29/09/2006; segundo consta do relatório fiscal, o procedimento especial deuse em razão da diligência realizada no endereço da impugnante – Além Paraíba ocasião em que foi constatada ausência de atividades. A esse fato, somaramse informações acerca de um possível cometimento de interposição fraudulenta, em que se ocultava a empresa Bourgogne Brasil; Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10611.721673/201123 Acórdão n.º 3201003.610 S3C2T1 Fl. 615 11 ao longo do procedimento ficou demonstrado que a impugnante concentrou suas atividades no Estado do Rio de Janeiro, local onde abriu filial e onde residem os sócios; o fiscal que conduziu o procedimento investigativo esteve inclusive no endereço da empresa localizado no estado Fluminense, ocasião em que constatou a condizente estrutura física e operacional para a plena execução do objeto social da ora impugnante; que, realizada a diligência, o auditor constatou a existência de fato da impugnante, bem como indicou que os recursos da Boisse eram compatíveis com seus gastos e estrutura mantida. Inexistindo, pois, recursos com origem desconhecida; que, em síntese, restou comprovado que a empresa EXISTE DE FATO e que POSSUI ORIGEM COMPROVADA DOS SEUS RECURSOS; que, da análise das importações realizadas, podese utilizar como premissa que as mesmas foram realizadas com recursos próprios, pois foi esta a conclusão a que se chegou a fiscalização; ainda consoante relatório fiscal, a Boisse, durante os anos de 2006 a 2010, registrou 63 DIs, todas registradas e desembaraçadas em nome próprio; o fato de as vendas terem ocorrido imediatamente após o desembaraço advém da grande demanda por seus produtos e de a empresa ter uma estrutura enxuta, não sendo possível a manutenção de um estoque regulador suficiente; ao longo da análise fiscal, foram feitos gráficos de percentuais de vendas por estado, de concentração de vendas por empresa compradora, com indicativo dos principais clientes extraídos de um universo muito maior – relação de clientes em anexo (doc.2, às fl.462 477); o trabalho realizado pelo auditor limitouse a “casar” nota fiscal de saída com data de desembaraço das mercadorias, tentando incutir a ideia de encomendante predeterminado; por sua vez, o Sr. Alexander, em 15/06/2011, no curso do procedimento fiscal, compareceu, por livre vontade, à sede da IRF Juiz de Fora em busca de se conhecer da motivação desse procedimento especial, haja vista não ter sido declinado pelo fiscal condutor, impossibilitandoo de prestar a contento os esclarecimentos necessários. Ao mesmo tempo, protocolizou petição requerendo a motivação (doc. 3, às fl. 478479), a qual nunca foi respondida. E também se disponibilizou a prestar depoimento e que fosse tomado a termo, o que foi feito (doc.04, à fl. 480); que durante a entrevista, o Sr. Alexander descreveu a forma de atuação operacional da Boisse, destacando que os bens que Fl. 620DF CARF MF 12 importa – bebidas possuem elevadíssima demanda, e que não conseguia atender sequer aos pedidos do mercado. Porém, a fiscalização não levou em consideração a questão da grande demanda; a Boisse é uma empresa estabelecida há quase dez anos, possui clientela cativa, possui pedidos ininterruptos e muitas vezes o seu estoque não tem como atender o pedido imediatamente, que fica postergado até o recebimento dos bens importados; em razão unicamente desta grande demanda, é que algumas importações são imediatamente após o desembaraço remetidas para os compradores. Portanto, é evidente que para atender a demanda e não possuir estoque regulador, muitas vendas ocorram rapidamente após o desembaraço; contudo, e isso deve estar muito claro, os pedidos dos seus clientes são feitos no mercado interno, a Boisse não recebia pedidos para que importasse determinada mercadoria para atender específico cliente. Não existiu encomenda prévia para importação de determinada mercadoria por quem quer que fosse. Mas sim uma alta demanda, pedidos de compra no mercado interno; que no item 3.5.1 (análise das 21 DIs) o auditor fez um link entre a data de desembaraço, emissão de nota de entrada e de nota fiscal de saída. Porém, se realizarmos uma leitura das datas é possível constatarmos grande diversidade de tempo entre o desembaraço e a venda das mercadorias; é possível apontarmos venda imediata após o desembaraço (eg.: DI 06/06896826 e NFs 1067 a 1070) e vendas em que a mercadoria ficou em estoque por mais de 20 dias (eg.: DI 06/13060690, NF 1108); ora, qual a lógica da autoridade autuante para indicar que aquelas mercadorias tinham encomendante predeterminado? Uma mercadoria que repousou em estoque por 5, 10, 15 20 e mais dias, sobretudo considerando a elevadíssima demanda, é possível ser caracterizada como encomenda? ainda como exemplo: a DI nº 10/00574093, notas fiscais 105 a 116, mercadoria desembaraçada em 12/01/2010 e revendida em 19/01/2010 teve como destinatários inúmeras empresas, como destacou a fiscalização. Será que todos eram encomendantes predeterminados? Verificase que tem empresa que comprou uma caixa de bebida (Tequila –de elevadíssima demanda). Qual a lógica de uma empresa realizar uma operação internacional, cometer irregularidade para atender a venda de uma simples caixa de bebida? ora, é evidente que em uma semana é possível a impugnante vender os bens importados, bastando oferecêlos ao mercado. Repitase: a mercadoria possui grande aceitação e demanda. Não existe encalhe; o fiscal é sabedor que a Boisse, possuindo apenas um veículo para entrega, sendo plenamente lógico e racional que se emitisse Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10611.721673/201123 Acórdão n.º 3201003.610 S3C2T1 Fl. 616 13 diversas notas em um único dia, é uma questão de logística. Contudo, preferiu dar a isso contorno de ato suspeito ou ilegal; com todas as vênias à autoridade autuante, a Boisse é empresa de pequeno porte, adimplente com suas obrigações fiscais, que se vira para sobreviver, mas JAMAIS cometeu qualquer irregularidade em suas operações de comércio exterior; assim, temse que a conclusão fiscal é fruto de ilação e não de prova. Ou melhor, é fruto do desconhecimento do ramo de negócio da impugnante. com efeito, a autoridade lançadora sequer fez uma mera circularização com as empresas tidas como ocultas; e mais, o fiscal aponta 21 DIs supostamente revendidas a encomendantes predeterminados, sendo certo que estariam ocultas 47 empresas (basta conferir os quadros elaborados pela fiscalização). Dentre estes, muitos compradores de 1, 2, 3 ou 4 caixas de bebidas. Existe alguma razoabilidade? é cediço que a interposição fraudulenta (ocultação do sujeito passivo) é irregularidade, grave, e que, portanto, implica em apresentação, por parte da fiscalização, de PROVAS INEQUÍVOCAS, o que, sem sombra de dúvidas, passou ao largo na presente autuação; a impugnante sempre forneceu toda a documentação que permitiu a autoridade autuante perquirir a origem dos recursos empregados, bem como detalhou o seu modo de operação, infelizmente distorcido pelo mesmo. O que segundo jurisprudência administrativa já afastaria a presunção do ilícito; por fim, em que pese cristalino o não cometimento de irregularidade, mas pelo princípio da eventualidade, cabe destacar que o fiscal apontou os sujeitos passivos ocultos, contra os quais deveria recair o perdimento, no caso, a multa pela conversão; outrossim, se a impugnante cedeu o nome, a ela é cabível, e nesse caso assumido apenas para fins de argumentação, a aplicação da multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488, conforme jurisprudência administrativa; diante do exposto, requer seja reconhecida a improcedência deste Auto de Infração. Em 19/02/2013, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em Fortaleza decidiu, conforme Resolução de fls. 500514, converter aquele julgamento em diligência para que fossem tomadas as seguintes providências: “a) formular nova planilha de cálculo das duas penalidades em apreço, utilizandose agora do valor aduaneiro originário, apurado com base no câmbio do dia do registro da declaração – ver art. 144 do CTN, não Fl. 622DF CARF MF 14 mais considerando qualquer variação cambial em relação a momento diverso (no caso, 20/09/2011); b) no tocante às DIs cujas mercadorias tiveram seu valor aduaneiro minorado em função da variação cambial utilizada (reconversão ao câmbio do dia 20/09/2011), fato que resultou em lançamentos de créditos a menor, suscita se observar o disposto pelo § 3º do art. 18 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), bem como pelo art. 41, caput, e seus parágrafos, do Decreto 7.574/2011, a fim de que, a autoridade lançadora competente avalie, segundo seu juízo, o cabimento de lançamento(s) complementar(es) agravando a exigência inicial, pelo valor da(s) diferença(s); c) apensar aos autos, demais documentos e/ou esclarecimentos que considerar necessários à instrução e julgamento do feito; d) exclusivamente em relação à multa por conversão, manifestarse sobre o fato de os encomendantes (responsáveis solidários) não terem sido incluídos no polo passivo, apesar da conclusão firmada acerca da responsabilidade solidária, mediante a lavratura de Autos de Infração específicos para cada um dos encomendantes (juntamente ao importador), abrangendo os créditos tributários relativos apenas às operações de importação em que cada um deles foi responsável; adotando ao final, segundo seu entender, as providências consideradas cabíveis; e) cientificar o sujeito passivo do teor da presente Resolução e dos seus resultados (inclusive cópias de documentos porventura apensadas), bem como, do(s) Auto(s) de Infração, acaso lavrados, assegurandolhe o prazo de trinta dias para sua eventual manifestação e/ou impugnação, objetivando, dessa maneira, atender o contraditório e o amplo direito de defesa.” À fl. 516, consta manifestação da unidade de origem, a qual afirma: “1. Este processo retornou da DRJ FOR com Resolução lavrada pela 7ª Turma contendo determinação de diligência para realização de lançamentos complementares e prestação de maiores esclarecimentos à instrução e julgamento do processo. 2. Em atendimento à determinação contida no item “e” da referida Resolução, foi dada ciência ao interessado da mesma por via postal, conforme AR juntado ao processo. 3. Os lançamentos complementares deverão ser objeto de novo prazo para ciência do interessado e responsáveis solidários, conforme item “e” da Resolução da DRJ e artigo 3º da Portaria RFB 2.284/2010. 4. A Resolução da DRJ FOR apontou omissão por parte da autoridade lançadora de ato e formalidade essencial, Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10611.721673/201123 Acórdão n.º 3201003.610 S3C2T1 Fl. 617 15 configurandose assim o pressuposto necessário à revisão de ofício do lançamento inicial, nos termos do inciso IX do artigo 149 do Código Tributário Nacional, Lei 5.172 de 1966. 5. A Portaria RFB 2.284/2010, ao dispor sobre o tratamento do crédito tributário em cujo lançamento seja identificado mais de um sujeito passivo, determina que, apesar de não ser necessária a emissão de MPF para cada responsável solidário, para cada um deles seja aberto prazo para ciência individualizada do lançamento a ele relacionado. Sendo a ciência individualizada, a constituição de cada parcela do crédito tributário relacionado a cada combinação de sujeição passiva, com seus prazos de ciência, deverá ser feito por auto de infração também individualizado segundo cada conjunto de sujeição passiva. 6. Em face da constatação de necessidade de revisão de ofício do lançamento e do tratamento adequado à particularidade do referido lançamento incluir diversos responsáveis solidários citados no lançamento original, proponho a abertura de novo Procedimento de Fiscalização com aproveitamento dos elementos deste processo administrativo.” Às fls. 517521, consta cópia do auto de infração referente ao lançamento complementar acima referido, objeto do processo administrativo nº 10611.721556/201321, o qual foi, segundo fl. 543, apensado ao processo a que se refere o lançamento objeto de litígio, que foi cientificado à impugnante em 26/11/2013, pelos Correios, com aviso de recebimento (fl. 544). A ciência da apensação foi feita, também pelos Correios, em 10/12/2013 (fl. 545). É o relatório. O acórdão proferido julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 12/06/2006 a 10/05/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. IDENTIFICAÇÃO DE RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. FALTA DE INCLUSÃO NO POLO PASSIVO DA AUTUAÇÃO. CRÉDITO CONSOLIDADO ABRANGENDO MÚLTIPLOS FATOS GERADORES RELATIVOS A SUJEITOS PASSIVOS DIFERENTES. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. Situação em que os responsáveis solidários estão identificados na descrição dos fatos contida no auto de infração, mas deixaram de ser efetivamente incluídos no polo passivo da autuação, a qual ainda formalizou um crédito tributário consolidado, abrangendo múltiplos fatos geradores relativos a Fl. 624DF CARF MF 16 sujeitos passivos diferentes. Os sujeitos passivos solidários mencionados pela autoridade fiscal não respondem pela totalidade do valor lançado, mas a cada um deles cabe tão somente uma fração específica desse valor, correspondente apenas aos fatos geradores a que deram causa. Caracterizado o vício formal, ensejando a decretação de nulidade, a qual atinge unicamente os lançamentos eivados de tal incorreção. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 12/06/2006 a 10/05/2010 DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. DECADÊNCIA. O direito de lançar a multa equivalente ao valor aduaneiro, decorrente da prática de interposição fraudulenta na importação, decai em cinco anos contados da data da infração. CESSÃO DE NOME PARA A REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR DE TERCEIROS. PENALIDADE. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), sem prejuízo da aplicação da pena de perdimento ou da sua substituição por multa equivalente ao valor aduaneiro, quando a mercadoria não for localizada ou houver sido consumida. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Pertinente transcrever, ainda, a conclusão do julgado supra: I – Preliminarmente, a) por unanimidade de votos, EXONERAR o sujeito passivo dos valores referentes à multa equivalente ao valor aduaneiro, relativamente às Declarações de Importação nos 06/06844150, 06/06896826, 06/07792021, 06/11719163 e 06/11773630, registradas, respectivamente, em 12/06/2006, 13/06/2006, 05/07/2006, 28/09/2006 e 29/09/2006, perfazendo o total de R$ 155.372,79, por haverem sido constituídos após o decurso do prazo decadencial; b) por maioria de votos, DECLARAR NULO, por vício formal, os lançamentos referentes à multa equivalente ao valor aduaneiro, relativamente às demais Declarações de Importação, EXONERANDO o sujeito passivo do crédito tributário correspondente ao valor total de R$ 1.017.150,38, sem prejuízo da formalização de novos lançamentos, observado o disposto no art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional. Vencida a Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10611.721673/201123 Acórdão n.º 3201003.610 S3C2T1 Fl. 618 17 julgadora Marli Gomes Barbosa que declarou a nulidade por vício material. II – No mérito, por maioria de votos, MANTER integralmente a multa por cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, no valor total de R$ 104.292,64. Vencida a julgadora Marli Gomes Barbosa que declarou a nulidade por vício material. No tocante ao julgamento das preliminares, votou pela conclusão o julgador José Fernando Costa d’Almeida. RECORRESE DE OFÍCIO do presente Acórdão, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada previsto, de acordo com o art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 9.532/1997, e art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 03, de 3 de janeiro de 2008. Em face do valor exonerado, incorreuse na hipótese de interposição de Recurso de Ofício. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 564 e seguintes, por meio do qual apenas reitera os argumentos apresentados em sede de Impugnação quanto ao crédito tributário mantido. Após, os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário RECURSO DE OFÍCIO Nos termos do acórdão recorrido, a parcela exonerada do crédito tributário corresponde ao acolhimento das seguintes preliminares de mérito: I – Preliminarmente, a) por unanimidade de votos, EXONERAR o sujeito passivo dos valores referentes à multa equivalente ao valor aduaneiro, relativamente às Declarações de Importação nos 06/06844150, Fl. 626DF CARF MF 18 06/06896826, 06/07792021, 06/11719163 e 06/11773630, registradas, respectivamente, em 12/06/2006, 13/06/2006, 05/07/2006, 28/09/2006 e 29/09/2006, perfazendo o total de R$ 155.372,79, por haverem sido constituídos após o decurso do prazo decadencial; b) por maioria de votos, DECLARAR NULO, por vício formal, os lançamentos referentes à multa equivalente ao valor aduaneiro, relativamente às demais Declarações de Importação, EXONERANDO o sujeito passivo do crédito tributário correspondente ao valor total de R$ 1.017.150,38, sem prejuízo da formalização de novos lançamentos, observado o disposto no art. 173, inciso II, do Código Tributário Nacional. (acórdão DRJ, fl. 540 dos autos) Para o cabimento do recurso de ofício, a decisão que exonera o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa deve suplantar o limite de alçada da autoridade judicante, que, neste caso, foi redefinido pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Acrescentase, por oportuno, o enunciado da Súmula CARF nº 103: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Assim, considerando que no presente caso o valor exonerado foi inferior ao limite de alçada redefinido pela Portaria MF nº 63 de 09 de fevereiro de 2017, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso de Ofício. Desse modo, não cabe a esta Turma Julgadora analisar a natureza do vício declarado pela DRJ. RECURSO VOLUNTÁRIO O Recurso Voluntário preenche os requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. O Recurso está adstrito ao mérito da autuação, consoante seguinte trecho da parte dispositiva do acórdão recorrido: Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10611.721673/201123 Acórdão n.º 3201003.610 S3C2T1 Fl. 619 19 II – No mérito, por maioria de votos, MANTER integralmente a multa por cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, no valor total de R$ 104.292,64. Vencida a julgadora Marli Gomes Barbosa que declarou a nulidade por vício material. (acórdão DRJ, fl. 540 dos autos) Logo, cumpre examinar a possibilidade de manutenção da referida multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não i ase aplica o disposto no art. 81 da Lei no9.430, de 27 de dezembro de 1996. Como se verifica, o tipo legal em análise pressupõe o dolo do agente, ou seja, o intuito do infrator, no caso, o importador, de ocultar o nome dos supostos reais importadores. Desse modo, é imprescindível que a Autoridade Autuante demonstre, por meio de prova cabal, a ocorrência do ilícito. Não obstante, tenho que esta não é a hipótese dos autos. A Autoridade Autuante, na coleta de diversos fatos, selecionou, dentre diversos, alguns fatos que, a seu ver, seriam indiciários do cometimento de ilícito. Nesse ato, parece ter desprezado por completo todo o restante do conjunto probatório que comprova a existência de fato da empresa importadora (existência de recursos financeiros, humanos e físicos) Na hipótese especifica da multa por cessão de nome, que permanece em litígio, o único fundamento da fiscalização para sua aplicação é o fato de que a Recorrente emitiu Notas Fiscais de entrada para o estabelecimento matriz, sendo que este, de fato, se encontrava inoperante. Confirase o Relatório Fiscal: Diante do acima exposto, concluiu esta fiscalização que a empresa Boisse descumpriu as obrigações acessórias estabelecidas pela Instrução Normativa 634/2006 ao não estabelecer vínculo junto à Receita Federal do Brasil entre si e os encomendantes identificados no Siscomex bem como ao registrar as referidas Declarações de Importação sem informar tratarse de Importação por Encomenda com a devida identificação dos encomendantes. Fl. 628DF CARF MF 20 Ao não identificar os encomendantes registrando a Declaração de Importação em nome próprio bem como emitir notas fiscais de entrada como se aquelas mercadorias se destinassem a depósito que a empresa não possui em condições para tanto na cidade de Além Paraíba, simulou situação onde ocultou os encomendantes, personalidades partícipes da sujeição passiva pelo viés da solidariedade, acobertando real operação. Ao assim agir, promoveu atentado contra bem tutelado pela Receita Federal do Brasil, qual seja, o controle aduaneiro bem como compôs em seus atos todas as condições necessárias e suficientes para a configuração de dano ao erário punível com perda de perdimento. Como foram as mercadorias revendidas, aplicase a lei para a cobrança de multa no valor aduaneiro daquelas mercadorias. Tendo ocorrido a cessão de nome para a concretização das operações de comércio exterior, a empresa se submeteu aos rigores da lei também quanto à penalização da prática de cessão de nome em relação a todas as Declarações de Importação sob penalização registradas após 15/06/2007. É interessante observar que o próprio Agente Fiscal reconheceu a existência de fato da empresa importadora, assim como da existência de recursos financeiros, humanos e físicos para realização das importações realizadas no período fiscalizado, sendo certo que as supostas operações fraudulentas correspondem a uma ínfima parte do total das operações realizadas. Das 63 DIs analisadas no período, apenas 16 foram autuadas por suposta cessão de nome. A fragilidade do trabalho fiscal restou clara no próprio acórdão recorrido. É que, a despeito da determinação de diligência pela DRJ para a realização de diversos ajustes no lançamento original, a Autoridade Lançadora deixou de identificar e autuar as diversas pessoas jurídicas que teriam agido em concurso com o autuado no cometimento do ilícito, o que acarretou a declaração de nulidade de grande parte do lançamento. Não obstante, quanto à discutida multa por cessão de nome, o mesmo acórdão proferido pela DRJ houve por bem decidir pela sua manutenção por dois únicos motivos, quais sejam, a proximidade entre as datas de entrada e saída das mercadorias, e a inexistência de estrutura física no estabelecimento matriz para recebimento das mercadorias. Confirase o seguinte trecho do acórdão: Analisandose as operações apontadas pela fiscalização como irregulares, verificase que, na maioria delas, as datas de desembaraço das mercadorias importadas pela matriz são bastante próximas às datas das notas fiscais de entrada na sede, e às datas das notas fiscais de saída, sendo, às vezes, todas elas coincidentes. (...) Em relação às DI´s objeto de autuação, cujas mercadorias foram importadas através da matriz, localizada em Além ParaísoMG, não deixa de ser indício de irregularidade sua destinação para empresa situada ao lado da filial da BOISSE no Rio de Janeiro. Ou seja, é evidente que o normal seria importar através da filial. Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10611.721673/201123 Acórdão n.º 3201003.610 S3C2T1 Fl. 620 21 Essas constatações, aliadas ao fato de a matriz da BOISSE não ter estrutura administrativa ou logística em Além ParaíbaMG capaz de receber as mercadorias importadas, vêm confirmar, em relação às DI’s apontadas pela fiscalização, as palavras do Sr. Alexander e do contador da empresa a respeito da prática de destinação imediata das mercadorias importadas sem que as mesmas passassem pelos estoques da empresa, assim como levam à conclusão de que as vendas eram acertadas no mercado interno, antes das importações, traduzindo indícios de importação por encomenda sem as devidas formalidades aduaneiras. fl. 568/569 Muito embora o acórdão Recorrido construa ampla digressão doutrinária acerca da valoração da prova indiciária, tenho que tal não socorre ao lançamento ora combatido. Ademais, ao afirmar que "a defesa não logrou apresentar nenhuma contraprova que conseguisse atestar a veracidade das informações prestadas nas DI´s objeto de autuação e desconstituísse a conclusão do relatório fiscal acerca da existência de ocultação", nada mais faz, a meu ver, do que pretender inverter o ônus probatório. É que em nenhum momento se negou a ocorrência dos fatos atestados pela Fiscalização. O que se pondera é que, seu conjunto, não é capaz de suportar a alegação de cometimento de ilícito. Nesse sentido, trago recente julgado deste CARF: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 29/10/2007 a 11/01/2008 PRESUNÇÃO LEGAL. ADQUIRENTE. ANTECIPAÇÃO DE RECURSOS. IMPORTAÇÃO POR SUA CONTA E ORDEM. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. ÔNUS DA PROVA. Não é próprio inferir que o adiantamento de recursos pelo adquirente de mercadoria de origem estrangeira, por si só, seja suficiente a caracterizar a conclusão presuntiva prevista no art. 27 da Lei nº 10.637, de 2002. Apenas o recurso utilizado na realização da operação de comércio exterior tem o condão de vincular aquele que o dotou para efeito da sujeição passiva introduzida pelos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 2001. ILÍCITO. OCULTAÇÃO. CONFIGURAÇÃO. IMPRESCINDÍVEL CONFIGURAÇÃO DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO NOS ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS CONSTITUTIVOS DA SUJEIÇÃO PASSIVA. Para que se configure o ilícito de ocultação previsto no art. 23, V, do Dl nº 1.455, de 1976, há que se caracterizar, de forma inequívoca e por farta instrução probatória, a fraude ou simulação com vistas a dissimular, alterar ou excluir os atos ou Fl. 630DF CARF MF 22 negócios jurídicos constitutivos da sujeição passiva ou da posição de responsável pela importação, não se prestando a tal fito a simples caracterização do não atendimento dos requisitos e condições estabelecidos para a intermediação do despacho aduaneiro, quer por conta e ordem de terceiro ou por encomenda predeterminada, e sua consequente inexatidão ou incorreção nas informações prestadas ao Fisco por ocasião do registro de importação. MERCADORIA IMPORTADA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. INFORMAÇÃO OMITIDA OU PRESTADA DE FORMA INEXATA OU INCOMPLETA. MULTA DO REGULAMENTO ADUANEIRO. Na importação por conta e ordem ou por encomenda, verificandose que as informações administrativotributárias, cambiais ou comerciais estabelecidas nas Instrução Normativa SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002, ou Instrução Normativa SRF nº 634, de 24 de março de 2006, foram omitidas ou prestadas de forma inexata ou incompleta, mas não ficando configurado o dolo, pela ocultação do sujeito passivo, mediante fraude ou simulação, deverá ser aplicada de forma objetiva a multa prevista no inciso III do art. 711 do Decreto nº 6.759, de 05 de fevereiro de 2009 Regulamento Aduaneiro. MERCADORIA IMPORTADA. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. Na importação por conta e ordem ou por encomenda, o descumprimento das exigências estabelecidas nas Instrução Normativa SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002, ou Instrução Normativa SRF nº 634, de 24 de março de 2006, somente caracterizará o dano ao erário de que trata o inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, que enseja a aplicação da pena de perdimento, na forma do parágrafo 1º do mesmo dispositivo, se ficar configurado o dolo na conduta do infrator pela ocultação do sujeito passivo, mediante fraude ou simulação. IMPORTAÇÃO POR CONTA PRÓPRIA. REVENDA A DISTRIBUIDOR OU CONSUMIDOR FINAL. A pessoa jurídica ao praticar todos os atos de comércio internacional com independência e seus próprios recursos, sendo o único responsável pela fase comercial, logística de transporte, desembaraço, pagamento de tributos, arcando com a contabilização e revenda das mercadorias nacionalizadas a distribuidor interno ou consumidor final, assumindo todos os ônus e riscos à operação de importação, está praticando ato de comércio de compra e venda, independentemente do repasse direto e imediato das mercadorias por ocasião de sua nacionalização, não se configurando a encomenda prevista na Instrução Normativa SRF nº 634, de 2006. SUJEIÇÃO PASSIVA. ADQUIRENTE DE MERCADORIA IMPORTADA POR SUA CONTA E ORDEM E Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10611.721673/201123 Acórdão n.º 3201003.610 S3C2T1 Fl. 621 23 ENCOMENDANTE PREDETERMINADO DE MERCADORIA DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. REQUISITOS. A interveniência do adquirente de mercadoria de procedência estrangeira na execução de sua importação é requisito imprescindível a sua sujeição passiva quantos aos impostos e infrações incidentes na importação, quer na figura de adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, quer por intermédio de pessoa jurídica importadora ou encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora, na forma prevista no art. 32, parágrafo único, alíneas ‘c’ e ‘d’, e art. 95, incisos V e VI, do Dl nº 37, de 1966. IMPORTAÇÃO. OPERAÇÕES POR CONTA PRÓPRIA. ESPECTRO LEGAL DE GESTÃO EMPRESARIAL. IMPORTAÇÃO MEDIANTE PRÉVIA ENCOMENDA OU EXPECTATIVA DE DEMANDA. CONDIÇÃO. É perfeitamente lícito, então, dentro do espectro de gestão empresarial da empresa importadora, a realização de suas importações mediante prévia encomenda ou expectativa de demanda, com o consequente repasse direto ou imediato das mercadorias por ocasião de sua nacionalização, sem que tal prática lhe descaracterize a realização das importações por conta própria, impute a condição de responsável tributária aos adquirentes das mercadorias, ou mesmo caracterize o ilícito previsto no art. 23, V, do Dl nº 1.455/76, desde que a empresa importadora intervenha de forma exclusiva nos atos de execução da importação, sem qualquer participação dos adquirentes das mercadorias. ILÍCITO. OCULTAÇÃO. EVIDÊNCIA. REPASSE DIRETO E IMEDIATO DAS MERCADORIAS IMPORTADAS. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. Quando se tenta caracterizar o ilícito de ocultação pelo repasse direto e/ou imediato das mercadorias por ocasião de sua nacionalização, ou utilizálo como elemento indiciário para tal, há que se ter muito bem caracterizado, mesmo que por outros elementos indiciários, o envolvimento, participação ou interveniência do adquirente das mercadorias nos atos de execução da importação, sem o que, a evidência se mostra insuficiente à conclusão pretendida, por não restar caracterizada a sujeição passiva objeto da ocultação, cabendo à autoridade fiscal demonstrála. AUSÊNCIA DE ESTRUTURA PARA ARMAZENAMENTO DE MERCADORIAS. ASPECTO IMPRÓPRIO A AFERIR INCOMPATIBILIDADE DO MONTANTE DE IMPORTAÇÕES REALIZADAS POR CONTA PRÓPRIA. A ausência de estrutura apta para o armazenamento dos bens é aspecto impróprio a caracterizar por si só a incapacidade do importador na realização da operação por conta própria, vez Fl. 632DF CARF MF 24 que esta poderá ser realizada para atender prévia demanda no mercado interno, com repasse direto e imediato da mercadoria importada a seu adquirente, com dispensa de estrutura própria para movimentação e armazenamento dos bens à espera de sua revenda, por mais que tal modelo operacional possa indicar indícios do envolvimento do adquirente na operação de importação dos bens, cabendo ao fisco apurálos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. CONCLUSÕES OBTIDAS DO PROCEDIMENTO ESPECIAL DE FISCALIZAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE SUA DEMONSTRAÇÃO PARA EFEITO DE IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. Com relação ao uso de provas emprestadas para instrução do lançamento fiscal, o que se admite é o uso de documentos e provas colhidos em outro regular procedimento fiscal, e não o empréstimo, unicamente, das conclusões daquele procedimento. Dessa forma, ainda que os autos tivessem sido instruídos com as provas citadas, haveria a fiscalização que analisálas e demonstrar a caracterização das irregularidades que determinou o cometimento da infração e consequente imposição da penalidade lançada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. SIMPLES COMPILAÇÃO DAS CONCLUSÕES DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA PROBATÓRIA. O Decreto 70.235/1972 dispõe que o auto de infração deve conter a descrição dos fatos e o enquadramento legal (artigo 10, incisos III e IV), bem como ser instruído com todos os “termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito” (artigo 9°, caput). É ônus da autoridade fiscal apresentar as provas dos fatos constituintes do direito da Fazenda — no caso presente, prova de que a empresa autuada cedeu o nome para importações de terceiros. O lançamento decorre apenas de síntese das conclusões de procedimento fiscal citada na “descrição dos fatos”. Supõese que tais conclusões devam estar assentadas em fatos e provas produzidas no procedimento levado a efeito nos termos da IN SRF 228/2002. No entanto, o auditorfiscal deixou de consignar os fundamentos fáticoprobatórios da infração imputada no auto de infração. PROVA INDICIÁRIA. JUÍZO DE INFERÊNCIA. Para que o juízo de inferência resulte em verdade convincente é necessário que a base indiciária, plenamente reconhecida mediante prova direta, seja constituída por uma pluralidade de indícios, interrelacionados, de modo a que se reforcem mutuamente, que não percam força creditória pela presença de outros possíveis contra indícios que neutralizem a sua eficácia probatória, e que a argumentação sobre que assente a conclusão probatória resulte inteiramente razoável em face de critérios lógicos do discernimento humano. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10611.721673/201123 Acórdão n.º 3201003.610 S3C2T1 Fl. 622 25 (Acórdão nº 3301003.630, 23/05/2017, Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira, decisão unânime reiteração do acórdão DRJ) Assim, consoante fundamentos expostos, entendo que não logrou a Fiscalização comprovar, de forma cabal, a ocorrência de qualquer conduta tendente a ocultar ou acobertar eventuais reais importadores das operações autuadas, apta a atrair a aplicação da penalidade prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Desse modo, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, cancelando integralmente o lançamento fiscal. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 634DF CARF MF
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