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Numero do processo: 15983.001372/2008-70
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2004
EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA.
INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Creditos tributários (contribuições previdenciárias) constituídos por ofício em
razão de exclusão do SIMPLES, por Ato Declaratório precluso, objetos de
recurso apenas questionando tal fato não podem ser apreciados pela 3a Turma
Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF/MF, em razão de
incompetência.
SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS RETROATIVOS. NATUREZA DECLARATÓRIA.
A lei estabeleceu que o ato de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento
de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno
Porte SIMPLES, por fatos já conhecidos pelo contribuinte, tem natureza
declaratória, emanando efeitos a fatos anteriores à sua prolatação, sujeitam à contribuinte às normas de tributação aplicável às demais contribuintes.
Precedentes do STJ com efeitos repetivos.(REsp n. 1.124.507/MG).
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991
pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula
Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos
previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato
gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do
Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO
O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de
inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for
realmente mais benéfica.
Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito
Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.508
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de determinar que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido no art. 35-A da Lei n. 8.2121991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao contribuinte,
vedando-se a interpretação conjunta com as sanções do art. 32-A, da Lei n. 8.2121991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima e Leoncio Nobre de Medeiros, que entendem pela aplicação, quanto à multa, do art. 106, II, c, do CTN.
Nome do relator: Gustavo Vettorato
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2003 a 31/01/2004 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Creditos tributários (contribuições previdenciárias) constituídos por ofício em razão de exclusão do SIMPLES, por Ato Declaratório precluso, objetos de recurso apenas questionando tal fato não podem ser apreciados pela 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF/MF, em razão de incompetência. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS RETROATIVOS. NATUREZA DECLARATÓRIA. A lei estabeleceu que o ato de exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, por fatos já conhecidos pelo contribuinte, tem natureza declaratória, emanando efeitos a fatos anteriores à sua prolatação, sujeitam à contribuinte às normas de tributação aplicável às demais contribuintes. Precedentes do STJ com efeitos repetivos.(REsp n. 1.124.507/MG). CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NÃO APRECIADA PELO CARF, ART. 62, DO REGIMENTO INTERNO. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 15983.001372/200870 Acórdão n.º 280301.508 S2TE03 Fl. 168 2 O CARF não pode afastar a aplicação de decreto ou lei sob alegação de inconstitucionalidade, salvo nas estritas hipóteses do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), no sentido de determinar que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212 1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido no art. 35A da Lei n. 8.2121991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao contribuinte, vedandose a interpretação conjunta com as sanções do art. 32A, da Lei n. 8.2121991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima e Leoncio Nobre de Medeiros, que entendem pela aplicação, quanto à multa, do art. 106, II, c, do CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Leôncio Nobre de Medeiros, Wilson Antônio Junior, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 15983.001372/200870 Acórdão n.º 280301.508 S2TE03 Fl. 169 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls.116164 dos autos f[isicos) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. 108 e seguintes dos autos físicos), que manteve o crédito tributário oriunda da aplicação de contribuições destinadas a terceiras entidades sobre valores lançados de ofício pela autoridade fiscal, sobre valores pagos à empregados segurados da Recorrente, em razão de exclusão retroativa do Sistema de Pagamento de Impostos e Contribuições de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, com efeitos a partir de 01/01/2002, conforme Ato Declaratório de Exclusão DRF/STS n° 68, de 19/11/2008. O período dos fatos geradores que originaram os créditos foi de 08/2003 a 01/2004. A ciência do auto de infração inaugural foi em 14.12.2008 (fls. 58 dos autos físicos). Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos repetidos em impugnação: • tem direito ao devido processo legal, assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa, inclusive no que diz respeito ao duplo grau de jurisdição, não devendo a presente impugnação ser apreciada pelo Delegado da Receita Federal em Santos, para que não se viole o principio da imparcialidade; • o Lançamento por parte da Autoridade Administrativa nas hipóteses elencadas no art. 149 do CTN, somente poderá ocorrer enquanto não extinto o direito da Fazenda constituir o crédito tributário no prazo previsto no art. 173 do CTN. (..) • Ora, na medida em que os fatos geradores de parte do crédito tributário exigidos no Auto de Infração em referência ocorreram no período de 01.12.2002 até 12.12.2003, sendo que a ciência da Requerente deuse somente em 12.12.08, tais lançamentos ultrapassaram o prazo legal previsto no artigo 173 do CTN. • tratandose de débitos declarados em GFIP, fica caracterizado um auto lançamento pelo próprio contribuinte, e, quando muito, eventuais diferenças de tributos seriam passíveis da cobrança da multa de mora de que trata o art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, mas jamais da multa de lançamento de oficio de que trata o art. 44, inciso I, da citada Lei no 9.430, de 1996, sob pena de violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Mesmo a multa de mora, ainda que aplicável ao caso em tela, somente poderia ser exigida após decisão final a ser proferida nestes autos; • a exclusão do Simples Federal não poderia gerar efeitos retroativos atingindo fatos geradores ocorridos anteriormente a sua edição, sob pena de ferir o principio da segurança jurídica e o da irretroatividade da lei e ainda, por analogia, o previsto no inciso XXXIX do art. 5° da Constituição Federal, isto 6, que não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia Fl. 177DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 15983.001372/200870 Acórdão n.º 280301.508 S2TE03 Fl. 170 4 cominação legal. Se a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, não faz tal previsão, não pode uma norma de hierarquia inferior, no caso a Instrução Normativa n° 608, de 9 de janeiro de 2006, fazêlo, em face do principio da hierarquia das normas. Portanto, caso mantida a exclusão da Requerente do Simples após Decisão final nos autos do processo administrativo em tela, seus efeitos somente poderão alcançar os fatos geradores ocorridos a partir da edição do Ato Declaratório DRF/Santos n° 68/2008, de 19.11.08, do qual a mesma expressou ciência nos autos em 12.12.2008; • na questão posta nos autos, a postura adotada pela Fiscalização Fazendária constituise em verdadeira mudança de critérios jurídicos adotado por ocasião dos lançamentos anteriores, ocorridos no período de 01.12.2002 a 31.12.2004. (..) De fato, na questão posta nos autos, o Auto de Infração ora impugnado foi lavrado, em ato de revisão, quando já transcorridos, aproximadamente, 05 (cinco) anos dos respectivos fatos geradores. Nas situações da espécie, de há muito pacificouse o entendimento firmado na jurisprudência predominante em nossos Tribunais, quanto et impossibilidade da alteração do Lançamento em ato de revisão, por erro de direito ou mudança de critérios jurídicos por parte dos Agentes Fazendcirios; • em razão da impossibilidade do Ato Declaratório Executivo n° 68, de 19/11/2008, alcançar fatos geradores anteriores a sua edição, o presente auto de infração é nulo, não produzindo, pois, nenhum efeito legal; • ao editar o artigo 9°, inciso V. da Lei n° 9.317/96, o legislador, no caso, teve por objetivo único, vedar a adesão ao SIMPLES, das Sociedades Civis Prestadoras de Serviços de "Construção de Imóveis", constituídas por Engenheiros, Arquitetos, etc., ou seja, profissões cujo exercício da atividade dependa de habilitação profissional legalmente exigida, o que comprovadamente, não é o caso da ora Requerente. (..) Tanto é verdade, que na qualificação dos sócios integrantes do quadro social da Requerente, não há qualquer menção de que os mesmos exerçam quaisquer das atividades relacionadas no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96 (..). Dessa forma, a prevalecer o entendimento firmado pela DRF/Santos no Ato Declaratório n° 68/2008, resultou na exclusão da Requerente do SIMPLES, restará malferido o principio da Legalidade previsto no artigo 5°, inciso, da Constituição Federal; Fl. 178DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 15983.001372/200870 Acórdão n.º 280301.508 S2TE03 Fl. 171 5 • o auto de infração encontrase eivado de vicio formal insanável, na medida ern que inserida no crédito tributário exigido a incidência dos juros de mora, pois, consoante pacifica orientação predominante em nossos Tribunais, tal encargo somente é devido após a Decisão final a ser exarada no processo administrativo de que se cuida, quando então a contribuinte poderá ser considerada em mora. E essa incidência dos juros de mora revestese ainda mais de flagrante ilegalidade, na medida em que na atualização dos créditos tributários devidos ao Fisco Federal, utilizase a taxa Selic, instituída pelo art. 39, § 40, da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cuja inconstitucionalidade já foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça. Por final, alega que a decisão recorrida é nula por afronta aos princípios de ampla defesa e contraditório por não ter deferido os pedidos de diligência e perícia técnica. O este relator entendeu em proposta de resolução que o presente julgamento deveria ter sido convertido em diligência em razão de dúvida quanto à conclusão do processo administrativo de exclusão da Recorrente do SIMPLES, se a mesma foi mantida ou não, considerando que não é de competência da presente Turma Especial apreciar tal matéria (art. 2º, inciso V, do Regimento Interno do CARF/MF). Questão essa que geraria vícío de origem da constituição dos créditos impugnados. A finalidade da proposta de que a autoridade preparadora informasse em qual fase processual encontrase o Processo Administrativo n° 15983001.159/200868, bem como se o Ato Declaratório Executivo n° 68, de 19/11/2008 fora reformado por alguma decisão posterior, se houve o transito em julgado administrativo da última decisão que reformou ou manteve os efeitos deste Ato Declaratório. Contudo, em votação da Turma Especial, por voto de qualidade, a proposta de conversão em diligência fora negada, sob o fundamento de que sobre Ato Declaratório de exclusão não incidiria efeito suspensivo, sendo de eficácia imediata. Assim, retornase o julgamento do mérito do presente Recurso Voluntário, sob presuposto de que a diligência proposta não será base da presente decisão. Esse é o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 15983.001372/200870 Acórdão n.º 280301.508 S2TE03 Fl. 172 6 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato Relator I O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), contudo o seu conhecimento deve ser parcial.. A razão da parcialidade de conhecimento está na incompetência da presente Turma Especial em anular o crédito tributário questionado com fundamento apenas na ilegalidade ou nulidade do ato de exclusão da Recorrente do SIMPLES (Lei n° 9.317/96 SIMPLES e a partir de 01/07/2007, vigência da LC n° 123/06 Simples Nacional). O ato de exclusão e sua possível anulação fora apreciado em procedimento próprio e diverso, como observado pela decisão a quo, não podendo ser rediscutido dentro do procedimento de lançamento de contribuições previdenciárias, porque conforme o art. 2º, inciso V, do Regimento Interno do CARF/MF, a competência para processamento e julgamento de recursos que discutam propriamente essa materia é da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho. Assim, as alegações da ilegalidade da exclusão da Recorrente do SIMPLES não devem ser conhecidas, conhecendose apenas as demais matérias devolvidas à apreciação. II Quanto à alegação de aplicação da decadência na forma do art. 150, §4o, do CTN, a mesma não deve ser acolhida. Por se tratar de constituição de crédito tributário oriundo de lançamento de crédito tributário que fora realizado de ofício, pois havia real incompletude dos fatos geradores e da aplicação da norma tributária, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária (art. 149, II, do CTN). Assim, no presente caso, as regras de decadência do crédito tributário a serem aplicadas não são as definidas para os casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação de pagamento (art. 150, § 4º e art. 156, VII, do CTN), mas das regras destinadas a reger a decadência dos créditos tributários sujeitos ao lançamento de ofício, devendo assim ser observado o disposto nos arts. 156, V, e 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o direito de constituição do crédito tributário será extinto ao termo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, por ter sido o Auto de Infração perfectibilizado em 12.12.2012, seguindo a regra acima indicada, o período mais distante que poderia ter atingido pelo lançamento de ofício é o de 01/2003, logo, está correta a autuação neste aspécto. Logo, neste ponto, não deve ser acolhido o Recurso Voluntário. III – Quanto aos efeitos retroativos do Ato Declaratório Executivo n° 68, de 19/11/2008, em que os seus efeitos somente afetariam fatos posteriores à notificação do contribuinte sobre o ato. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 15983.001372/200870 Acórdão n.º 280301.508 S2TE03 Fl. 173 7 Devese atentar que o art. 15, II, do mesmo diploma é claro em estabelecer que haveria aplicação do regime de apuração tributário normal no mês subseqüente à ocorrência da situação excludente, no caso em questão desde . Tal entendimento, foi consolidado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, inclusive com efeitos repetitivos (art. 543C, do CPC) a qual o CARF deve observar (art. 62A do Regimento Interno do CARFMF) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. EXCLUSÃO DO REGIME TRIBUTÁRIO SIMPLES. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. ORIENTAÇÃO ADOTADA EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. 1. Esta Corte já pacificou entendimento, inclusive em sede de recurso repetitivo (REsp n. 1.124.507/MG), na sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido de que o ato de exclusão do regime tributário SIMPLES tem natureza declaratória, e como tal, retroage seus efeitos a partir do mês subseqüente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da Lei n. 9.317/96, eis que é obrigação do contribuinte conhecer as situações que impedem seu ingresso e permanência nesse regime. 2. Tendo em vista que o presente agravo regimental foi interposto após e contra o entendimento adotado no recurso representativo da controvérsia, é o caso de aplicarse a multa prevista no art. 557, § 2º, do CPC, a qual fixo em 10% sobre o valor da causa. 3. Agravo regimental não provido. (AGRESP 200901831353, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 04/10/2010) Assim, a alegação de que haveria aplicação do regime normal de tributação, inclusive previdenciária, somente após a notificação do ato de exclusão do regime de tributação SIMPLES, que supostamente não ocorreu, e que seus efeitos não seriam retroativos, não carece de razão. Assim, os créditos tributários lançados sobre as verbas remuneratórias apuradas pela fiscalização, são devidos salvo as exceções apresentadas neste voto. V Quanto à suposta inconstitucionalidade da Taxa SELIC como índice de juros, em face do principio da legalidades, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. VI – Quanto à nulidade do julgamento por não atendimento aos pedidos de diligência e perícia, em face do princípio da ampla defesa e contraditório, não merece prosperar, pois, como decidido pelo julgamento anterior, a matéria trazida pela Recorrente é apenas de direito, bem como não indicou qual seria o fundamento e objetivo probatório a ser atingido com a perícia e a diligência, como também se verifica no presente recurso. O art. 18, do Decreto n. 70235/1972, estabelece que o julgador de primeira instância pode indeferir pedidos de perícia e diligências que sejam prescindíveis. Ressaltese que quanto à diligência, a questão já fora decidida pela Tuma conforme relatado. Logo, os pedidos de nulidade do julgamento anterior por não atendimento dos pedidos de perícia e diligência, não merecem acolhimento. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 15983.001372/200870 Acórdão n.º 280301.508 S2TE03 Fl. 174 8 VI Contudo, entendo que em razão de dever de interpretação mais benéfica ao contribuinte e retroatividade benígna, devese fazer a seguinte manifestação quanto à aplicação da multa. Em análise ao art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, a multa aplicada ao caso é escalonada de acordo com a fase do processo de constituição e cobrança das contribuições previdenciárias, iniciando com 4% a 100%. Os patamares superiores à 75% somente eram aplicáveis após o ajuizamento de ação de execução fiscal. Ou seja, em fase administrativa, a aplicação mais favorável é a da redação do art. 35, , da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008. Notese que os créditos são inclusive anteriores à publicação da MP n 449, de 04.12.2008, Assim, entendimento contrário, será uma afronta à irretroatividade da aplicação da lei, salvo se mais benéfica,(art. 104, III, c/c 106, I, do CTN) bem como negar vigência à necessidade de interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 112, do CTN), pois o ato omissivo de não pagamento de contribuições que não foram devidamente declaradas ocorreu antes do lançamento. Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 32A cumulada com a multa do art. 35, com a redação anterior, como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, porque a multa aplicada Fl. 182DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO Processo nº 15983.001372/200870 Acórdão n.º 280301.508 S2TE03 Fl. 175 9 pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse. Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de 75% (art.. 35A da Lei n. 8.21211991 combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.4301996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração. VII Conclusão Isso posto, voto por conhecer parcialmente o Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, reformando a decisão recorrida e o lançamento, no sentido de determinar que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35A da Lei n. 8.2121991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao contribuinte, vedandose a interpretação conjunta com às sanções do art. 32A, da Lei n. 8.2121991, com redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008. Sala de Sessões, 17 de abril de 2012. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 183DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 12/07/2012 po r HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por GUSTAVO VETTORATO
score : 1.0
Numero do processo: 13823.000064/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – PENALIDADE
Consiste em descumprimento de obrigação acessória deixar o servidor, o
serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial de exigir
Certidão Negativa de Debito - CND
no registro ou arquivamento, no órgão
próprio, de ato relativo à baixa ou redução de capital de firma individual,
redução de capital social, cisão total ou parcial, transformação ou extinção de
entidade ou sociedade comercial ou civil e transferência de controle de cotas
de sociedade de responsabilidade limitada
INCORPORAÇÃO – FORMA DE EXTINÇÃO DA SOCIEDADE
A incorporação é uma forma de extinção da sociedade e como tal exige a
Certidão Negativa de Débito – CND quando do registro ou arquivamento no
órgão próprio
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-002.653
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2007 a 31/08/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – DESCUMPRIMENTO – PENALIDADE Consiste em descumprimento de obrigação acessória deixar o servidor, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial de exigir Certidão Negativa de Debito - CND no registro ou arquivamento, no órgão próprio, de ato relativo à baixa ou redução de capital de firma individual, redução de capital social, cisão total ou parcial, transformação ou extinção de entidade ou sociedade comercial ou civil e transferência de controle de cotas de sociedade de responsabilidade limitada INCORPORAÇÃO – FORMA DE EXTINÇÃO DA SOCIEDADE A incorporação é uma forma de extinção da sociedade e como tal exige a Certidão Negativa de Débito – CND quando do registro ou arquivamento no órgão próprio Recurso Voluntário Negado
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13823.000064/200834 Acórdão n.º 2402002.653 S2C4T2 Fl. 486 3 Relatório Tratase de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória que consiste em deixar o servidor, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial de exigir Certidão Negativa de Debito CND no registro ou arquivamento, no órgão próprio, de ato relativo à baixa ou redução de capital de firma individual, redução de capital social, cisão total ou parcial, transformação ou extinção de entidade ou sociedade comercial ou civil e transferência de controle de cotas de sociedade de responsabilidade limitada, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 47, Inciso I, alínea “d” e alterações posteriores, combinado com art. 257, inciso I, alínea "d" e parágrafo 7º e art. 263 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 4), durante ação fiscal, foi apurado que a autuada, tabeliã responsável pelo Cartório Jales Oficial do Registro de Imóveis e Anexos deixou de exigir Certidão Negativa de Débito – CND, referente ao registro do ato de incorporação da empresa Instituição Noroestina de Educação e Cultura CNPJ nº 56.369.069/000141 pela Associação Educacional de Jales, CNPJ 50.575.976/0001, conforme averbação nº 26, Registro nº 65 do Livro A de 14/08/2007. A autuada teve ciência do lançamento em 25/02/2008, e apresentou defesa (fls. 15/28), onde alega que o fisco, para justificar a lavratura do auto de infração cita equivocadamente o artigo 47, inciso I, da Lei 8.212/91, e artigo 257, inciso I, alínea "d" e parágrafo 7º, que em momento algum mencionam a necessidade da exigência da Certidão Negativa de Débito nas hipóteses de incorporação, como operouse no presente caso. Entende que na ausência do fato imponível, a Impugnante não teria cometido qualquer ilícito fiscal, em face da inexistência de narração objetiva do auto de infração. Argumenta que a capitulação legal da infração não guarda qualquer correlação com os fatos narrados, não sendo suficientes para embasar o presente auto de infração, sem prejuízo das garantias constitucionais do devido processo legal e ampla defesa. Alega que em momento algum os dispositivos invocados pelo Sr. Auditor Fiscal mencionam acerca da exigência de Certidão Negativa de Débito para atos relativos à Incorporação de Associação Civil sem Fins Lucrativos . Invoca a garantia constitucional no sentido de que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, bem como tece considerações a respeito de princípios da legalidade estrita e da tipicidade. Considera não ser possível interpretação extensiva da lei em desfavor do autuado. Informa que a natureza da operação realizada foi a de incorporação societária, onde uma empresa coligada foi absorvida por outra, sendo que ambas são titularizadas pelos mesmos sócios, ocorrendo a transferência de todo o patrimônio, direitos e Fl. 550DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 obrigações, da incorporada para a incorporadora, a teor do que prescreve o art. 1116 do Código Civil vigente. Argumenta que agiu com boa fé, busca socorro no art. 112 do CTN e finalizado com a solicitação de que a autuação seja considerada improcedente. Pelo Acórdão nº 1423.364 (fls. 49/52), a 6ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto (SP) julgou a autuação procedente. Contra tal decisão, a recorrente apresenta recurso tempestivo (fls. 56/65), onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13823.000064/200834 Acórdão n.º 2402002.653 S2C4T2 Fl. 487 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O cerne do recurso apresentado repousa no argumento da ausência do fato imponível, ou seja, a capitulação legal da infração não guardaria qualquer correlação com os fatos narrados. A autuação foi lavrada em razão da recorrente, tabeliã responsável pelo Cartório Jales Oficial do Registro de Imóveis e Anexos, ter deixado de exigir Certidão Negativa de Débito – CND, referente ao registro do ato de incorporação da empresa Instituição Noroestina de Educação e Cultura pela Associação Educacional de Jales. A recorrente alega que a legislação não determina a exigência de CND nos casos de incorporação de uma associação civil sem fins lucrativos, caso da incorporada. Não há razão no argumento. A infração está tipificada no art. 47, Inciso I, alínea “d” da Lei nº 8.22/1991 combinado com art. 257, inciso I, alínea "d" e parágrafo 7º e art. 263 do Decreto nº 3.048/1999, abaixo transcritos: Lei 8.212/1991 Art. 47. É exigida Certidão Negativa de DébitoCND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: I da empresa: (...) d) no registro ou arquivamento, no órgão próprio, de ato relativo a baixa ou redução de capital de firma individual, redução de capital social, cisão total ou parcial, transformação ou extinção de entidade ou sociedade comercial ou civil e transferência de controle de cotas de sociedades de responsabilidade limitada (g.n.) Decreto nº 3.048/1999 Art.257. Deverá ser exigido documento comprobatório de inexistência de débito relativo às contribuições a que se referem os incisos I, III, IV, V, VI e VII do parágrafo único do art. 195, destinadas à manutenção da seguridade social, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: Ida empresa: (...) d) no registro ou arquivamento, no órgão próprio, de ato relativo a baixa ou redução de capital de firma individual, redução de capital social, cisão total ou parcial, transformação Fl. 552DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 ou extinção de entidade ou sociedade comercial ou civil e transferência de controle de cotas de sociedades de responsabilidade limitada, suprida a exigência pela informação de inexistência de débito a ser prestada pelos órgãos competentes de que trata o §10; (...) §7o O documento comprobatório de inexistência de débito quanto às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, às contribuições instituídas a título de substituição e às contribuições devidas, por lei, a terceiros, inclusive às inscritas em dívida ativa do INSS, é a Certidão Negativa de Débito, cujo prazo de validade é de até cento e oitenta dias, contado da data de sua emissão (...) O dispositivo é claro no sentido de que é exigida a Certidão Negativa de Débito nos casos de transformação ou extinção de entidade ou sociedade comercial ou civil. Pois bem, a incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações Na incorporação a sociedade incorporada deixa de existir, mas a empresa incorporadora continuará com a sua personalidade jurídica. Ou seja, a incorporação é uma forma de extinção da sociedade e como tal é necessário que no momento da averbação do ato em cartório seja exigida a Certidão Negativa de Débito CND. Demonstrada a ocorrência do fato punível com a multa, não há que se dar azo às demais alegações da recorrente relativamente à ofensa aos Princípios Constitucionais da Legalidade, Tipicidade e Segurança Jurídica. Quanto à alegada boafé da recorrente, vale dizer que não é razão para a desconstituição da presente autuação uma vez que de acordo com o art. 136 do CTN segundo o qual “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 553DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13823.000064/200834 Acórdão n.º 2402002.653 S2C4T2 Fl. 488 7 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10680.918998/2008-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 30/04/2000
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Uma vez comprovada a inexistência do crédito utilizado na quitação dos
débitos confessados na Declaração de Compensação (DComp), deve ser
declarado não homologado o respectivo procedimento compensatório.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/04/2000
NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA.
No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do
direito de defesa nem afronta ao contraditório a decisão que apresenta
fundamentação adequada para o indeferimento do pleito de realização da
compensação declarada e da qual a Recorrente foi devidamente cientificada
e, normalmente, exerceu o seu direito de defesa nos prazos e forma
estabelecidos nos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as
alterações posteriores.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.048
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de
Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 30/04/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Uma vez comprovada a inexistência do crédito utilizado na quitação dos débitos confessados na Declaração de Compensação (DComp), deve ser declarado não homologado o respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2000 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO ADEQUADA DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AFRONTA AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa nem afronta ao contraditório a decisão que apresenta fundamentação adequada para o indeferimento do pleito de realização da compensação declarada e da qual a Recorrente foi devidamente cientificada e, normalmente, exerceu o seu direito de defesa nos prazos e forma estabelecidos nos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. EDITADO EM: 04/06/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 02-28.030, de 09 de agosto de 2010, proferido pelos membros da 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Data do fato gerador: 30/04/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos que ocorreram até a prolação do referido Acórdão, transcrevo a seguir o relatório do julgador de primeiro grau: O interessado transmitiu PER/DCOMP de fls.17/19, visando a compensar o(s) débito(s) nela declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao período de 30/04/2000. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 12) não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte - no presente caso, a própria contribuição devida no período - não restando, portanto, saldo creditório disponível. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10680.918998/2008-16 Acórdão n.º 3802-01.048 S3-TE02 Fl. 2 3 Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 01/06, acompanhada dos documentos de fls.07/11, com os argumentos a seguir sintetizados. Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo e com base no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que transcreve, aduz ser o procedimento de compensação um ato que tem presunção de validade, porquanto a lei autoriza o contribuinte a fazer um juízo de valor, por sua conta e risco, acerca de um pagamento eventualmente feito de maneira indevida ou a maior, cabendo ao fisco motivar adequadamente o indeferimento do pleito, que no presente caso entende vazio, desprovido de fundamento, pelo que argúi a nulidade do despacho decisório, uma vez que tal fato viola também os princípios do contraditório e da ampla defesa assegurados aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, pela Constituição Federal. Em 08/02/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada, em 01/03/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. No final requereu o provimento do citado Recurso, para que fosse declarado nulo o despacho decisório ou homologada as compensações realizadas. Em 20/05/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de novembro de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, inclusive no que tange ao limite alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Da preliminar de nulidade do Despacho Decisório. Em sede de preliminar, o cerne da presente controvérsia limita-se a validade do presente Despacho Decisório, em que o Titular da Unidade da Receita Federal de origem, não homologou a compensação declarada pela Recorrente, com base no argumento que não existia o crédito informado, haja vista que já havia sido integralmente utilizado no pagamento de outro débito da própria Recorrente. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 No presente Recurso, a Interessada pleiteou a nulidade do citado Despacho Decisório sob alegação de que houve cerceamento do direito de defesa e afronta ao contraditório, com base no argumento que não houve exposição das razões de fato e direito que motivaram a referida decisão. Não procede a presente alegação, com a devida vênia. A uma, porque a decisão questionada foi devidamente motivada, conforme reconheceu a própria Recorrente no excerto a seguir transcrito: Como no presente caso, segundo o Fisco, a compensação foi indeferida porque não existiam créditos, uma vez que eles foram utilizados para compensar os débitos do mês correspondente, evidentemente que tal alegação é nula, tendo em vista ser completamente vazia e desprovida de fundamentação. De fato, ao afirmar que “a compensação foi indeferida porque não existiam créditos, uma vez que eles foram utilizados para compensar os débitos do mês correspondente”, a Recorrente demonstrou que compreendeu o motivo da não homologação da compensação declarada, que foi consignado no tópico da fundamentação do referido Despacho Decisório, com os seguintes termos, in verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, porque o enquadramento legal nos arts. 165 e 170 do CTN e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, representa adequada fundamentação legal para a decisão proferida. Dessa forma, diferentemente do que alegou a Recorrente, entendo que o presente Despacho Decisório foi devidamente motivado e fundamentado. Ademais, a Recorrente compreendeu as razões de ordem fática e jurídica da decisão proferida, o que descaracteriza a aduzida alegação de cerceamento do seu direito de defesa. Também não procede a alegação de que houve afronta ao contraditório, haja vista que a Recorrente teve pleno conhecimento do inteiro teor do citado Despacho Decisório, assim como lhe foi oportunizado apresentar manifestação de inconformidade, nos prazos e nos termos dos §§ 7º a 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, que foi normalmente exercido, sem nenhuma dificuldade, conforme noticiam os autos. Com base nessas considerações, rejeito a presente preliminar de nulidade. Da análise do mérito. Em relação ao mérito, o cerne da presente controvérsia diz respeito a existência ou não do crédito utilizado pelo sujeito passivo na quitação do débito confessado na Declaração de Compensação (DComp) colacionada aos autos. No âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é requisito necessário, para fim de realização da autocompensação declarada, que sujeito passivo seja titular de crédito certo, líquido e passível de restituição ou ressarcimento, Fl. 42DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 10680.918998/2008-16 Acórdão n.º 3802-01.048 S3-TE02 Fl. 3 5 conforme disposto no art. 170 do CTN, combinado com estabelecido no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. No presente caso, com base nas informações contidas nos sistemas de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), foi apurado que não existia o crédito informado na referida DComp, uma vez que o alegado pagamento indevido havia sido integralmente utilizado no pagamento de débito da Cofins constituído pela própria Recorrente. Por este motivo, o Titular da Unidade da RFB de origem não homologou o presente procedimento compensatório. É oportuno ainda esclarecer que, no caso em tela, foi a própria Recorrente quem apurou e confessou a existência do débito vinculado ao alegado pagamento indevido, mediante a apresentação da respectiva DCTF, que, por força de lei, tem natureza de confissão de dívida. Diante dessa constatação, para reforma da decisão em questão, era imprescindível que a Recorrente apresentasse as provas no sentido de que o dito pagamento era indevido. E tal mister seria facilmente realizado mediante a exibição dos documentos e livros contábeis e fiscais, documentos hábeis e idôneos para comprovar a existência ou não do faturamento no respectivo mês, que representava, na época, a base de cálculo da referida Contribuição, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998. No entanto, ao invés de trazer tal documentação aos autos e assim provar a existência do indébito tributário, a Recorrente alegou, nas duas oportunidades em que exerceu o seu direito de defesa, inclusive, incluindo o presente Recurso, que a autocompensação por ela realizada gozava de presunção de validade, não podendo o Fisco indeferi-la com base na alegação de que não existia o crédito declarado. Evidentemente, essa alegação que a autocompensação (declarada) goza de presunção de validade não tem respaldo jurídico. De fato, é comezinho que a presunção de validade ou legitimidade (juris tantum) é uma prerrogativa exclusiva do ato administrativo emanado do Poder Público, em decorrência direta da sujeição da Administração Pública ao princípio da estrita legalidade, explicitamente previsto no caput do art. 37 da CF/1988, que exige que tais atos sejam expedidos com estrita observância do que determina a lei. É oportuno esclarecer que a autocompensação declarada tem natureza de confissão dívida, segundo o disposto no § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a nova redação que foi atribuída pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Também não procedem as alegações da Recorrente acerca da impossibilidade de retificação da DCTF. Na verdade, diversamente do que afirmou, há permissão expressa de alteração dos dados da DCTF, conforme estabelecido no artigo 9º e seus parágrafos da Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, e nas Instruções Normativas anteriores que disciplinavam a matéria, a qual se efetiva mediante a entrega, via Internet, da declaração retificadora gerada a partir do PGD DCTF. É oportuno esclarecer que a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, e pode ser utilizada para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Porém, a DCTF retificadora não produzirá efeitos quando tiver por objeto: a) reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: (i) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que importe alteração desses saldos; (ii) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou (iii) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. b) alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Nos presentes autos, nenhum dessas situações impeditivas ocorreram, portanto, inaplicável ao caso em tela tal alegação. Também fica demonstrado a improcedência da alegação de que a apresentação da DComp implica na anulação automática do pagamento do débito informado na DCTF, pois, conforme demonstrado precedentemente, a alteração dos débitos declarados na DCTF somente pode ser realizada mediante a entrega da DCTF retificadora. É oportuno ainda ressalta que, além de não ter nenhum amparo legal, no meu entendimento, tais alegações, representa apenas uma tentativa da Recorrente de se eximir do ônus de comprovar o pagamento indevido e, por conseguinte, a existência do respectivo crédito utilizado na quitação do débito declarado. Com base nessas, considerações estou convencido que o crédito informado pela Recorrente não existe, pois o valor do suposto pagamento indevido foi utilizado integralmente no pagamento do débito da Cofins declarado pela própria Recorrente na DCTF do respectivo período. Dessa forma, se não existe o crédito informado, consequentemente, a compensação declarada reputa-se indevida e, portanto, legítima a sua não homologação. Da conclusão. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter a não homologação da compensação declarada, em razão da inexistência do crédito informado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 44DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 04 /06/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 11610.006098/2007-21
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
ISENÇÃO. PROVENTOS DE COMPLEMENTAÇÃO DE
APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos de imposto de renda da pessoa física os rendimentos provenientes
de aposentadoria, complementação de aposentadoria, reforma, reserva
remunerada ou pensão, recebidos pelos portadores de moléstia grave,
comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da
União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.301
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Walter Reinaldo Falcão Lima
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PROVENTOS DE COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. São isentos de imposto de renda da pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, complementação de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, recebidos pelos portadores de moléstia grave, comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Relatório Fl. 81DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11610.006098/200721 Acórdão n.º 2801002.301 S2TE01 Fl. 73 2 AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi expedida a Notificação de Lançamento de fls. 02/04, relativa à Declaração de Ajuste AnualDAA do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2004, anocalendário 2004, em que foi apurada uma diminuição do imposto a restituir de R$ 11.385,53 para R$ 1.537,93, conforme demonstrativo de fls. 04, decorrente da glosa de despesas médicas no montante de R$ 1.500,00 e da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício no valor de R$ 89.512,54. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o interessado apresentou a impugnação parcial de fls. 01, juntamente com os documentos de fls. 07/10, em que questiona somente a omissão de rendimentos, alegando, em síntese, conforme relatório do acórdão de primeira instância (fls. 26), que: “os valores recebidos da Secretaria dos Negócios da Fazenda, no valor de R$ 89.512,54, e do Instituto Nacional do Seguro Social, no valor de R$ 12.022,74, foram declarados como rendimentos isentos, visto que o contribuinte é portador de Adenocarcinoma de Próstata, qualificado como doença grave (art. 39, inciso XXXIII, do RIR/1999 e art. 5°, inciso XII, da IN SRF n° 15/2001), conforme laudo pericial em anexo,. E, com base na Lei 7.713/1998, art.. 6°, inciso, XIV, solicita reavaliação da DIRPF retificadora, apresentada em 08/12/2005, na qual teria direito à restituição no valor de R$ 11.385,53.” ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/São PauloII, embora tenha reconhecido que o impugnante apresentou documentos comprovando ser portador de moléstia grave, julgou a impugnação improcedente (fls. 25/29) por entender que o contribuinte não comprovou que os rendimentos recebidos da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda são oriundos de aposentadoria e que, por isso, não foram atendidas as condições para o reconhecimento da isenção por moléstia grave para o anocalendário em questão, previstas no art. 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713, de 22/12/1988, com a nova redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23/12/1992, e pela Lei n° 11.052, de 29/12/2004. Destacou que o interessado foi intimado a apresentar os comprovantes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras e “apresentou Comprovante de Rendimentos emitido pela Secretaria de Estado dos Negócios, CNPJ 46.377.222/000390, que confirmou a DIRF apresentada pela fonte pagadora à Receita Federal, conforme fl. 3 verso e fl. 5”. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 09/02/10 (fls. 30), o interessado apresentou, em 26/02/10, o Recurso de fls. 34/45, juntamente com os documentos de fls. 46/70, alegando, em suma, que uma das condições necessárias para que os rendimentos em questão sejam isentos de imposto de renda, que o contribuinte seja portador de moléstia grave, foi reconhecida como cumprida pela autoridade julgadora de primeira instância. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11610.006098/200721 Acórdão n.º 2801002.301 S2TE01 Fl. 74 3 Acerca da comprovação de que tais rendimentos são decorrentes de aposentadoria, sustenta que “no comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda Fonte — AnoCalendário 2003, expedido pela Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo, datado de 27 de fevereiro de 2.004, de acordo com modelo aprovado pela Instrução Normativa SRF n° 120/2000 (Anexo V), consta no Quadro 2 PESSOA FÍSICA BENEFICIARIA DOS RENDIMENTOS Campo: NATUREZA DO RENDIMENTO: COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA/PENSÃO. Este documento foi expedido por um ente da Federação, o Governo do Estado de São Paulo e, até prova em contrário, tem fé pública e força probante”. Acrescenta que, embora os rendimentos em questão tenham sido informados pela fonte pagadora como tributáveis, possui o direito de declarálos como isentos ou não tributáveis, em virtude de ser portador de moléstia grave desde o ano de 1998. Diante do exposto acima requer o acolhimento de seu recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cumpre informar, inicialmente, que a lide se restringe à infração decorrente da omissão de rendimentos, posto que o contribuinte não impugnou a glosa de despesas médicas, que, por isso, tornouse matéria incontroversa. No acórdão recorrido foi reconhecido que o interessado provou ser portador de moléstia grave, sendo que o lançamento foi mantido com base no entendimento de que o contribuinte não comprovou que os rendimentos em questão foram oriundos de aposentadoria. Compulsando os autos, constato que assiste razão ao recorrente em suas alegações, posto que o único comprovante de rendimentos fornecido pela Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda do Estado de São Paulo que consta nos autos (fls. 68), informa que o valor de R$ 89.512,54 se refere a rendimentos decorrentes de complementação de aposentadoria/pensão, que estão alcançados pela isenção em discussão, conforme disposto no art. 5°, § 4°, da Instrução Normativa SRF n° 15, de 02/02/2001. Convém ressaltar que, embora o § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 estabeleça que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que seja comprovada a ocorrência de quaisquer das hipóteses previstas naquele parágrafo, o que não foi feito pelo recorrente, entendo que, neste caso, o princípio da verdade material deve prevalecer sobre o dispositivo legal citado, razão pela qual apreciei o documento de fls. 68. Diante do exposto acima voto por DAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 83DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA Processo nº 11610.006098/200721 Acórdão n.º 2801002.301 S2TE01 Fl. 75 4 Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2012 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 10925.000595/2008-91
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-002.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 24/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Acatam-se as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Acatamse as deduções quando comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 24/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 05 95 /2 00 8- 91 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2005, por meio da qual se exigiu do contribuinte o credito tributário de R$ 3.302,53. O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de pensão alimentícia judicial, no valor de R$16.599,38. Em sua impugnação, o contribuinte contestou a glosa da dedução de pensão alimentícia judicial, conforme documentos apresentados. A 5ª Turma da DRJ/FNS/SC julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 29/33, sob o fundamento de que o contribuinte não comprovou que o acordo reproduzido à fls. 07 a 14, foi de fato homologado judicialmente. E ainda, que mesmo que o acordo a que se refere a sentença reproduzida à fls. 15 fosse o reproduzido às fls. 07 a 14, este não teria força para autorizar deduções a título de pensão alimentícia judicial no ano calendário 2004, já que a referida sentença (fls. 15) foi prolatada somente em 19 de abril de 2005. Regularmente cientificado daquele acórdão em 25/03/2011 (fl. 34), o interessado interpôs recurso voluntário de fls. 35, em 19/04/2011. Em sua defesa, alega que conforme sentença de Separação Consensual assinada em 07041999 pelo Exmo. Juiz de Direito Dr. Luiz Cesar Schweitzer, cuja cópia retirada dos autos de Separação Nº 014.99.0006429 às fls. 47 a 50 (cópias anexas) transitado em julgado, “que regerá pelas cláusulas e condições estabelecidas no acordo” cuja cópia já foi devidamente anexada ao processo já julgado 10925000.595/200891. É o relatório Voto Conselheira DayseFernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente litígio de glosa da dedução da pensão alimentícia judicial. A fiscalização procedeu a referida glosa por falta de comprovação. A decisão recorrida manteve a glosa, tendo em vista que de que o contribuinte não comprovou que o acordo reproduzido à fls. 07 a 14, foi de fato homologado judicialmente. Em sede de recurso, o contribuinte apresentou, às fls. 37,a comprovação da homologação da separação consensual Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para considerar a dedução a título de pensão alimentícia judicial, no montante R$16.599,38. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10925.000595/200891 Acórdão n.º 2802002.306 S2TE02 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 48DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 24/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10865.001104/2003-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3101-000.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado em, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado em, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator Henrique Pinheiro Torres - Presidente Luiz Roberto Domingo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
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ACORDAM os membros do Colegiado em, por unanimidade, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator. Tratase de lançamento para cobrança de crédito tributário de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, em virtude da apuração de falta de recolhimento do IPI do período de abril a junho de 1998. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 01 10 4/ 20 03 -7 6 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.001104/200376 Resolução nº 3101000.255 S3C1T1 Fl. 607 2 A Recorrente apresentou impugnação insurgindose contra o lançamento e alegando: (i) nulidade do auto por cerceamento do direito de defesa em face da deficiência do lançamento eletrônico, (ii) decadência dos fatos geradores ocorridos até 07/08/1998, (iii) a suspensão da exigibilidade dos créditos em face de medida liminar concedida pelo Poder Judiciário; (iv) ilegitimidade da aplicação da taxa selic. Submetida ao julgamento da DRJ, foi mantido o lançamento, com base nos fundamentos expostos na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. DECADÊNCIA. PAGAMENTO. IPI. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extinguese no prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador, no caso de haver pagamento antecipado do tributo, caso contrário o prazo e contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA. LIMINAR. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PREVENÇÃO. No lançamento destinado à constituição do crédito tributário para prevenir a decadência, cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de medida liminar, excluise a aplicação da multa de oficio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1998 IPI. CONCOMITÂNCIA. As decisões do Poder Judiciário prevalecem sobre o entendimento da esfera administrativa, assim, não se discute na esfera administrativa a mesma matéria discutida em processo judicial, mas, tão somente, os diferentes objetos, como determina o ADN COSIT n° 03/96. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. MATÉRIA PRELIMINAR. DESCRIÇÃO DOS FATOS. ENQUADRAMENTO LEGAL. CONSONÂNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento, se a descrição dos fatos foi fartamente demonstrada no auto de infração e tais fatos em perfeita consonância com o enquadramento legal, não havendo infringência ao art. 10, III e IV, do Decreto n° 70.235/1972. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.001104/200376 Resolução nº 3101000.255 S3C1T1 Fl. 608 3 MATÉRIA SUBJUDICE. NÃO CONHECIMENTO. LANÇAMENTO DEFINITIVO. O julgador administrativo não pode conhecer de matéria submetida ao Poder Judiciário, deve, apenas, declarar definitivo o lançamento realizado para prevenir a decadência. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em suas razões de recurso voluntário, a Recorrente requereu o reconhecimento da decadência parcial e a não inclusão da multa moratório, após a exclusão da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Relator. Antes de adentrar ao mérito, propriamente dito, fazse necessário o esclarecimento de questão de fato que, para a aplicação das normas relativas do IPI, é fundamental, com o fim de verificar o termo inicial do prazo decadencial, se a constante do art. 150, § 4º, ou art. 173, inciso I, ambos do CTN, ou seja, se houve ou não pagamento. Pelo que se verifica, o lançamento foi realizado com base nas declarações prestadas pelo contribuinte ao fiscal, cujo pagamento não se efetivou. Ocorre que o valor declarado, mormente, é decorrente do procedimento de compensação entre créditos relativos às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, e débitos decorrentes das saídas tributadas. Notese que o art. 111 do RIPI/1998 dispõe: Art. 111. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 190 e 191 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei n.º 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, e Lei n.º 9.430, de 1996, arts. 73 e 74). Parágrafo único. Considerase pagamento: I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher. Portanto, o elemento fático “pagamento” para o IPI pode ser verificado por duas circunstâncias distintas: (i) no recolhimento e (ii) na compensação / dedução. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10865.001104/200376 Resolução nº 3101000.255 S3C1T1 Fl. 609 4 Assim, para efeito de determinação do termo inicial do prazo decadencial no IPI não basta a constatação da inexistência de recolhimento por DARF, mas também, a verificação de compensação para fins de aplicação por meio de dedução de débitos no âmbito da apuração. Diante disso, converto o julgamento em diligência à repartição de origem para que: (i) intime a Recorrente a trazer aos autos cópia do Livro de Apuração do IPI; (ii) faça demonstrativo relacionado os valores dos créditos e débitos escriturados, bem como, o saldo a pagar / saldo credor por período de apuração. Após intime a Recorrente para, querendo, manifestarse sobre o resultado da diligência, no prazo de 30 dias, sendo que, concluído o prazo, devem os autos retornarem para julgamento. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 406DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11020.000537/2007-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); José Antonio Francisco; Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); José Antonio Francisco; Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora); José Antonio Francisco; Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 00 53 7/ 20 07 -3 2 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 11 ___________ Tratase de compensações realizadas em papel que estão sendo avaliadas no presente processo por força de ação judicial (Mandado de Segurança nº 2005.71.07.002078 – decisão às fls. 21/23.O crédito decorre de outro processo judicial (97.15.014925), em que o contribuinte discutiu a constitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445 e 2449, ambos de 1988. Da análise dos autos contato que o cerne da discussão referese à existência de crédito, que por sua vez está intimamente ligado à forma de cálculo que foi determinada pelas decisões judiciais proferidas nos autos do processo nº 97.15.014925. Para melhor compreensão, peço vênia aos meus pares para reproduzir o quanto relatado na decisão de primeira instância administrativa, verbis: “Tal decisão, cuja cópia encontrase às fls. 21 a 23. concedeu o direito de apresentar Declaração de Compensação sem cumprir os requisitos da Instrução Normativa SRF n° 517. de 25 de fevereiro de 2005 (Pedido de Habilitação do Crédito Judicial), uma vez que tal procedimento é obrigatório para a transmissão eletrônica de Declaração de Compensação. Foram anexadas outras Declarações de Compensação em papeis (fis. 4 a 9), além de diversas Declarações de Compensação eletrônicas transmitidas anteriormente à vigência da Instrução Normativa SRF n° 517/2005. O Agravo de Instrumento n° 2005.04.01.0155919 interposto pela União perdeu o objeto quando a sentença judicial denegou a segurança em 08/09/2005 (fis. 24 a 28). A apelação recebeu somente efeito devolutivo em 30/09/2005 (fl. 15)." Efetuada a análise do crédito oferecido pelo contribuinte èarti compensação na Ação Judicial n° 97.15.014925, em 20 de dezembrofle 2005, foi proferido Despacho Decisório (fls. 173 a 175) considerando não declaradas as compensações dos débitos objeto das Declarações de Compensação em papel e não homologando a compensação dos débitos objeto das Declarações de Compensação eletrônicas, uma vez que, segundo demonstrativos efetuados pela SACAT/DRF/CXL (fls. 143 a 170), não há crédito a ser compensado (fls. 171 a 172). (grifo nosso) Ressaltese que no item 18 do referido Despacho Decisório constou expressamente que não caberia manifestação de inconformidade em relação às compensações consideradas como nãodeclaradas. de acordo com o §2° do art. 31 da Instrução Normativa SRF n° 460/2004. A ciência da decisão administrativa deuse em 29/12/2005 (fl. 176). O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade à DRJ/POA, tendo sido o mesmo encaminhado para apreciação, sem terem sido apartados os débitos cujas compensações foram consideradas não declaradas. Posteriormente, em 03/03/2006, houve a comunicação de que o Tribunal Regional Federal da 4º Região concedeu efeito suspensivo à Apelação do Mandado de Segurança no Agravo de Instrumento n° 2005.04.01.0462245, permitindo ao contribuinte que continuasse a entregar Declarações da Compensação sem habilitação do crédito Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.000537/200732 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302000.305 S3C3T2 Fl. 12 3 judicial (fls. 29 a 32). Foi, então, solicitado à DRJ/POA o retomo do processo n° 13016.000094/200511 a esta DRF. Tendo em vista que, até o presente momento, não houve alterações significativas no andamento da Apelação em Mandado de Segurança n° 2005.71.07.0012078, decidiuse por apartar os débitos constantes das Declarações de Compensação em papel entregues até a data da ciência do Despacho Decisório, a fim de dar continuidade à apreciação da manifestação de inconformidade pela DRJ/POA no processo n° 13016.000094/200511 referente aos débitos constantes nas Declarações de Compensação eletrônicas. Assim, tais Declarações de Compensação em papel foram transferidas do processo n° 13016.000094/200511 pura o presente e, em obediência ao efeito suspensivo concedido à Apelação do Mandado de Segurança no Agravo de Instrumento n° 2005.04.01.0462245, considerarseá as compensações não homologadas ao invés de não declaradas, porque, conforme registrado acima, não há crédito a ser compensado. Em face do exposto e mais o que dos autos consta, não homologo a compensação dos débitos objeto das declarações de compensação vinculadas aos autos, em virtude do efeito suspensivo concedido no Agravo de instrumento n° 2005.04.01.0462245. Inconformada, inicialmente, a contribuinte manifestouse, em síntese, dizendo (fls. 189/190): "... como se vê, o eminente julgador administrativo de primeiro grau, ao que parece, ainda não desvinculouse das práticas da ditadura, senão saberia que sobre a Decisão do Egrégio TRF4 não apenas "houve a comunicação " para a SRF e sim, o que houve, foi uma determinação para que respeitasse a Lei e os direitos do contribuinte. (...) Diante do exposto, reiterando o direito alcançado pelo contribuinte junto ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 4" Região (cópia anexa), requer seja declarado nulo o Despacho Decisório objeto desta, até o julgamento dos Recursos administrativos e/ou judiciais, que amparam a legalidade dos atos praticados pelo contribuinte." Posteriormente, assim arrazoa (fls. 192/193): "... Em síntese a autoridade administrativa de 1º Grau glosou os créditos do contribuinte declarados 'em papel', pois, segundo alega 'não há crédito a ser compensado' e que 'não caberia manifestação de inconformidade em relação às compensações consideradas como não declaradas'. No entanto, mais adiante, afirma que '... decidiuse por apartar os débitos constantes das Declarações de Compensação em papel entregues até a data da ciência do Despacho Decisório, a fim de dar continuidade à apreciação da manifestação de inconformidade pela DRJ/POA Por Jim. sentencia: 'considerarseá as compensações não homologadas ao invés de nãodeclaradas'. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.000537/200732 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302000.305 S3C3T2 Fl. 13 4 Ora. o que se lê do 'despacho' da autoridade administrativa é, na verdade, uma miscelânea de ilegalidades e arbitrariedades jamais vista na administração federal, senão vejamos. Qual o dispositivo da legislação federal que lhe permite 'apartar' créditos do contribuinte sem que lhe tenha oportunizado manifestarse ou, no mínimo, tomar conhecimento prévio deste fato? Se, como alega o agente federal, não caberia inconformidade, por que então desse 'continuidade ' na apreciação desta? Qual o amparo legal para o agente administrativo federal mudar o status do despacho decisório sobre os créditos do contribuinte de 'não declaradas' para 'não homologadas'? Por fim, em situação idêntica enfrentada pelo contribuinte (Processo nº 11020000536/200798), a 'decisão' foi em sentido diferente ao presente caso, o que nos leva concluir que a SRF está às cegas buscando de foram arbitrária e irracional simplesmente coibir o uso de um direito alcançado no Poder Judiciário. Fatos lamentáveis como este serão levados, novamente, ao judiciário. Resta evidente o cerceamento à defesa do contribuinte pelo tributante. Diante do exposto, requer seja declarado NULO o presente processo administrativo eis que eivado de ilegalidades e inconstitucionalidades. ” Após analisar as razões trazidas pela Recorrente, a Primeira Turma da Delegacia de Julgamento de Juiz de Fora – MG – proferiu o acórdão nº 0935.867 (fls. 209/218 – eletrônica 211/220) por meio do negou a compensação requerida sob o argumento de inexistência de crédito: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1995 SOBRESTAMENTO DO PROCESSO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para sobrestamento de processo administrativo, devendo o mesmo ser impulsionado de ofício pela Administração Pública, nos lermos do art. 2°, inciso XI, da Lei n° 9.784/1999. DESPACHO DECISÓRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NULIDADE. Está afastada a hipótese de nulidade quando o Despacho Decisório é exarado por autoridade competente e atende a todos requisitos formais, possibilitando ao sujeito passivo, a partir dc então, o pleno exercício do direito de defesa no curso do processo. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE/INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos administrativos da Administração Pública exercem atividade vinculada, com estrita observância dos atos praticados pelo Poder Executivo e das leis promulgadas pelo Poder Legislativo, falecendolhes competência para apreciar arguições de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade, provocadas no curso dos processos administrativos fiscais. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.000537/200732 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302000.305 S3C3T2 Fl. 14 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Inconformada, a Recorrente opôs Recurso Voluntário (fls. 233/342) por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua inconformidade. É o relatório. RELATORA CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Assim como relatado, tratase de crédito decorrente de ação judicial (processo nº 97.15.014925), no qual a Recorrente obteve a declaração de inconstitucionalidade das alterações trazidas pelos Decretos 2.445 e 2449, ambos de 1988. A questão em discussão nos presentes autos restringese à análise das decisões proferidas no processo judicial. A Recorrente entende que a decisão judicial reconheceu a aplicação do critério da semestralidade para apuração da base de cálculo e a fiscalização entende que não. Vejamos as decisões judiciais, verbis: Fls.58 – Vol. I – trecho da Sentença “Salientase que todas as alterações ocorridas não importaram em majoração ou modificação da alíquota ou base de cálculo do PIS, mantendose a estrutura originária da contribuição, incidente sobre o faturamento mensal. Ademais, a matéria referente a prazo de pagamento sequer está circunscrita ao princípio da reserva legal, a teor do art. 97 do CTN. Portanto, descabe exigirlhe tratamento por lei complementar, ato legislativo cujo conteúdo material está estabelecido na Constituição Federal. Assim, a disciplina de prazo de pagamento contida na LC 7/70 não pode ser alterada por decreto, já que constante de lei, mas pode ser tranqüilamente modificada por lei ordinária, pois não é a matéria afeta à lei complementar. A base de cálculo, por sua vez, reiterese, permaneceu inalterada, nesse período, consistindo no faturamento mensal, conforme disposto no art. 3º , "b", e art. 6º, caput, da Lei Complementar 7/70. Em outras palavras: o parágrafo único do art. 6º da citada lei complementar disciplina prazo de pagamento e não base de cálculo.” Fls.71 Relatório do acórdão proferido nos autos da Apelação Cível n° 2000.04.01.019147l/RS . “(...) Sobreveio a sentença, na qual o juiz julgou parcialmente procedente o pedido, reconhecendo as inconstitucionalidades dos DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449/88 e declarando o direito à compensação do que foi recolhido a maior somente com a própria contribuição ao PIS. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.000537/200732 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302000.305 S3C3T2 Fl. 15 6 Determinou que a correção monetária seja feita pelos índices da OTN/BTN/INPC (março a dezembro/91), UFIR (janeiro/92 a dezembro/95) e, a partir de janeiro/96, aplicação somente da taxa SELIC. Inclusão dos expurgos inflacionários de que tratam as Súmulas n°s 32 e 37 desta Corte. Face à sucumbência recíproca, honorários fixados em 10% sobre o valor da condenação, sendo que cada parte arcará com 50% do valor. A autora, inconformada, apelou, alegando que a base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior, sendo que a legislação posterior à Lei Complementar n° 7/70 não pode alterar a base de cálculo, somente o prazo de pagamento da exação.” Fls.84 – Trecho da Ementa do Acórdão proferido nos autos da Apelação Cível n° 2000.04.01.019147l/RS . O artigo 6º da Lei Complementar n° 07, de 1970, prescreve: "A efetivação dos depósitos no Fundo, correspondente à contribuição referida na alínea b do artigo 3º, será processada mensalmente a partir de 1º de julho de 1971. Parágrafo Único. A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente". Ficou, assim, estabelecido o fato gerador (faturamento), a base de cálculo e o vencimento (seis meses depois do fato gerador) da contribuição para o PIS. Apesar de haver um longo prazo seis meses entre o fato gerador e a data do vencimento da obrigação tributária, não havia previsão, na Lei Complementar n° 7/70, de correção monetária sobre os valores a serem recolhidos dentro do lapso temporal de seis meses. Todavia, posteriormente, com o advento da Lei n° 7691/88, passou a existir previsão legal para a atualização monetária do valor a ser recolhido a título de PIS. Tal disposição foi mantida pela Lei n° 7.799, de 1989, e legislação subsequente atinente à matéria. Se pela Lei Complementar n° 7/70 era inviável, por ausência de previsão legal, haver correção monetária da exação até o seu efetivo recolhimento no prazo legal outorgado, certo é que tal benefício cessou com o advento da Lei nº 7.691/88.” destaquei Da leitura dos dispositivos legais, pareceme que está com razão a Recorrente, no que se refere ao reconhecimento da subsistência do critério da semestralidade, apregoado pela Lei Complementar nº 7/70. Não se coaduna com a realidade dos fatos o entendimento de que a base de cálculo foi alterada para o faturamento mensal. Todavia, é de meu entendimento que a decisão transitada em julgado concluiu que esta base de cálculo, de seis meses antes, deve ser atualizada. Pelos termos da decisão, a alíquota deve incidir sobre a base atualizada, e não estática. Às fls. 145 e segs, constam os cálculos da autoridade administrativa, onde se verifica que alguns períodos foram calculados com a semestralidade (ano de 1988), outros com a aplicação do prazo trimestral (ano de 1989/1990/até out1991) e outros ainda com o prazo mensal (out1991/1995). Tendo em vista que não é esta a determinação judicial, voto no sentido de converter o presente processo em diligência, para que a autoridade administrativa refaça os cálculos da forma determinada pelo judiciário, ou seja, com base na Lei Complementar nº 7/70 (isto é, considerando a base de cálculo ocorrida seis meses antes – semestralidade), sendo que Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.000537/200732 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 3302000.305 S3C3T2 Fl. 16 7 esta base deverá ser corrigida nos termos legais (Lei n° 7691/88, Lei n° 7.799/89 e legislação subsequente atinente à matéria). Cumpre relembrar que os créditos deverão ser corrigidos monetariamente pelos índices da OTN/BTN/INPC (março a dezembro/91), UFIR (janeiro/92 a dezembro/95) e, a partir de janeiro/96, com a aplicação somente da taxa SELIC. Ainda, deverão ser incluídos os expurgos inflacionários de que tratam as Súmulas n°s 32 e 37 desta Corte. Após, o contribuinte deverá ser intimado do resultado da diligência para, querendo, se manifestar no prazo de 30 dias. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 28/0 5/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.900384/2008-14
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO.
Deverá ser admitida a compensação indeferida unicamente com base em DCTF declarada erroneamente uma vez comprovado o direito creditório em favor da interessada.
Recurso ao qual se dá provimento.
Numero da decisão: 3802-001.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani.
Fez sustentação oral o Dr. Rafael Dias Toffanello, OAB/RS nº 54.605.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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DIREITO CREDITÓRIO DEMONSTRADO. Deverá ser admitida a compensação indeferida unicamente com base em DCTF declarada erroneamente uma vez comprovado o direito creditório em favor da interessada. Recurso ao qual se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral o Dr. Rafael Dias Toffanello, OAB/RS nº 54.605. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 03 84 /2 00 8- 14 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Salvador (fls. 63/65 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 14/11/2002 DCTF RETIFICADORA POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. NÃO ADMISSÃO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Reproduzo, abaixo, relatório objeto da decisão recorrida: A interessada transmitiu em 14/11/2003 PER/DCOMP eletrônico visando utilizar crédito no valor original de R$9.058,73 do DARF do PIS relativo a dezembro de 2002, no valor total de R$12.859,75, na compensação de débito do PIS relativo a outubro de 2003. A DRF/Caxias do Sul emitiu Despacho Decisório eletrônico não homologando a compensação, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte. Irresignada, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade alegando que recolheu o PIS relativo a dezembro de 2002 no valor de R$12.859,75, declarandoo na respectiva DCTF, quando o correto era R$2.531,72, conforme demonstra o razão analítico contábil. Logo, possui crédito no valor de R$10.328,03, não reconhecido pelo Despacho Decisório em face de erro no preenchimento da DCTF, que foi retificada. Em face da transferência de competência para julgamento prevista na Portaria nº 2.132, de 27 de outubro de 2010, o presente processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento. Da leitura da ementa do acórdão proferido pela instância recorrida, vêse que aludida decisão se fundamentou na impossibilidade legal de retificação da DCTF quando o contribuinte não mais goza de espontaneidade, conforme previsto no inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007. “Assim, quando da transmissão e da análise do PERDCOMP, o crédito não existia, pois o pagamento estava integralmente alocado ao débito declarado pela contribuinte”. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 16/03/2012 (fls. 68). Inconformada, a reclamante apresentou, em 13/04/2012 (fls. 70), o recurso voluntário de fls. 70/76, onde aduz que a retificação decorre de simples equívoco no preenchimento da DCTF. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 11020.900384/200814 Acórdão n.º 3802001.776 S3TE02 Fl. 42 3 Dessa forma, as informações prestadas na DCTF foram retificadas de modo a demonstrar que o valor do débito é de R$ 2.531,72 [...] e NÃO R$ 12.859,75 [...] como anteriormente informado. Apresenta tabelas onde informa os valores declarados nas DCTF original e retificadora. Ressalta que o equívoco pode ser comprovado pela cópia do Razão Contábil do período, e que o artigo 9o da Instrução Normativa RFB no 974/2009 somente veda a retificação de DCTF quando tiver por objeto reduzir débitos já encaminhados à PGFN para inscrição na Dívida Ativa da União. Assevera ainda que em outubro de 2003, a recorrente, utilizando o mesmo crédito, enviou à Receita Federal o PERDCOMP no 33084.73964.151003.1.3.049202 pleiteando a compensação com PIS de competência de setembro/2003. Diante da não homologação da compensação, apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi integralmente deferida pela DRJ Porto Alegre (processo no 11020.902097/200679, acórdão no 1034.410, de 22/09/2011), que entendeu que o Razão Analítico Contábil dava suporte ao direito creditório alegado. Cópia da decisão em tela foi anexada às fls. 78/81 do processo eletrônico. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao seu recurso, com a consequente homologação da compensação pleiteada. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. A recorrente alega haver incorrido em equívoco quando do preenchimento da DCTF e que o referido erro poderia ser comprovado pelo Razão Analítico Contábil do período (dezembro de 2002). O documento em tela, com efeito, foi acostado aos autos quando da apresentação da manifestação de inconformidade, conforme se constata às fls. 46 do processo eletrônico. A decisão de primeira instância, contudo, silenciou a respeito do documento em questão, tendo indeferido o pleito exclusivamente na suposta impossibilidade legal de retificação da DCTF. Tal possibilidade, todavia, subsiste, uma vez comprovado o cometimento de erro material no preenchimento da declaração, como, entendo, está caracterizado no caso presente, frente às evidências retratadas nos autos. Com efeito, segundo o Razão Analítico Contábil da conta 4.9.4.20.20.004 41092 – PIS S/ FOLHA A RECOLHER, referente ao período de 01/12/2002 a 31/12/2002 (fls. 46), o saldo da conta no período é de R$ 2.531,72. Por seu turno, às fls. 47 consta DARF correspondente ao pagamento de R$ 12.859,75 no código 8301 – PIS – Folha de Pagamento, de competência de dezembro de 2002. Isso redunda num crédito em favor da recorrente no montante de R$ 10.328,03, ou seja, a quantia exata reclamada pela mesma. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 Uma vez demonstrada a veracidade dos argumentos aduzidos pela recorrente, e caracterizado o equívoco cometido quando do preenchimento da DCTF do período, deverá ser acatada a retificação procedida, com a consequente homologação da compensação objeto dos autos até o exaurimento do crédito em favor do sujeito passivo. Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 21 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 31/ 05/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 03/06/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 12448.736152/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2009
OMISSÃO DO GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS DE LUCROS REFLETIDOS NAS EMPRESAS HOLDINGS PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL.
É indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados na empresa investidora pelo Método de Equivalência Patrimonial refletidos nas empresas holdings investidoras, do mesmo lucro da sociedade investida, disponível para capitalização ou retiradas.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societário alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas refletidos da investidora, decorrentes dos ganhos avaliados pelo método da equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, ou apurado o custo de aquisição da participação societária em função do patrimônio liquido da sociedade alienada, com a conseqüente tributação do efetivo ganho de capital.
MULTA QUALIFICADA. DOLO OU FRAUDE
Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo especifico ou fraude do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características essenciais.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Incabível a incidência de juros sobre a multa de ofício por falta de previsão legal.
Numero da decisão: 2202-002.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO À MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: Por maioria de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins que mantinha a qualificação da multa de ofício. QUANTO À EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Por maioria de votos, excluir da exigência a taxa Selic incidente sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Márcio de Lacerda Martins, que negaram provimento ao recurso nesta parte. QUANTO ÀS DEMAIS QUESTÕES: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Apresentarão Declaração de Voto os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Rafael Pandolfo. Manifestaram-se, quanto ao processo, o contribuinte por meio de seu advogado Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, inscrito na OAB/RJ sob nº 88704 e a Fazenda Nacional, por meio da sua representante legal, Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra (Procuradora da Fazenda Nacional).
(Assinatura digital)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Presidente Substituta.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes - Relator
(Assinatura digital)
Antonio Lopo Martinez Declaração de voto vencedor
(Assinatura digital)
Rafael Pandolfo Declaração de voto vencido
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio Lacerda Martins, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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MAJORAÇÃO ARTIFICIAL DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS DE LUCROS REFLETIDOS NAS EMPRESAS HOLDINGS PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. É indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados na empresa investidora pelo Método de Equivalência Patrimonial refletidos nas empresas holdings investidoras, do mesmo lucro da sociedade investida, disponível para capitalização ou retiradas. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societário alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas refletidos da investidora, decorrentes dos ganhos avaliados pelo método da equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos, ou apurado o custo de aquisição da participação societária em função do patrimônio liquido da sociedade alienada, com a conseqüente tributação do efetivo ganho de capital. MULTA QUALIFICADA. DOLO OU FRAUDE Incabível a multa qualificada quando não restar comprovado de forma firme e estreme de dúvidas o dolo especifico ou fraude do sujeito passivo no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador, de excluir ou modificar as suas características essenciais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Incabível a incidência de juros sobre a multa de ofício por falta de previsão legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 61 52 /2 01 1- 35 Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO À MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA: Por maioria de votos, desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins que mantinha a qualificação da multa de ofício. QUANTO À EXCLUSÃO DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Por maioria de votos, excluir da exigência a taxa Selic incidente sobre a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Márcio de Lacerda Martins, que negaram provimento ao recurso nesta parte. QUANTO ÀS DEMAIS QUESTÕES: Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Apresentarão Declaração de Voto os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Rafael Pandolfo. Manifestaramse, quanto ao processo, o contribuinte por meio de seu advogado Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, inscrito na OAB/RJ sob nº 88704 e a Fazenda Nacional, por meio da sua representante legal, Dra. Indiara Arruda de Almeida Serra (Procuradora da Fazenda Nacional). (Assinatura digital) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Presidente Substituta. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator (Assinatura digital) Antonio Lopo Martinez – Declaração de voto vencedor (Assinatura digital) Rafael Pandolfo – Declaração de voto vencido Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Marcio Lacerda Martins, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga (Presidente Substituta), Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Rafael Pandolfo. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 2202002.262 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 21ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, que manteve a autuação do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF aos anoscalendário 2006 e 2009 sobre omissão de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa. Auto de infração (fls. 105 a 112) com ciência em 19/11/2011 (fls. 113) Termo de Verificação Fiscal (fls. 65 a 104). A ação fiscal teve como objeto a análise da operação de alienação das ações do Banco Pactuai S/A, CNPJ n° 30.306.294/000145, de propriedade do sócio Sr. Ricardo Takao Kobayashi, precedida por reorganização societária ocorrida entre sociedades holdings, as quais detinham todas as ações do Banco Pactuai. A referida reorganização consistiu na extinção das holdings que detinham participação societária no Banco, por meio de sucessivas incorporações às avessas, culminando com a al mayáo das ações do Banco Pactuai diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. Por meio da reorganização societária foi adotado um planejamento tributário inconsistente, por meio do qual se verificou a majoração ilícita do custo das ações alienadas, gerando, como consequência, a redução indevida do ganho de capital tributável obtido pelo acionista pessoa física. Verificouse um acréscimo no custo das ações alienadas do Banco Pactuai S/A pertencentes ao acionista Ricardo Takao Kobayashi da ordem de 197,07%, na data da alienação em dezembro de 2006, enquanto o aumento de patrimônio líquido do Banco Pactuai S/A, entidade que concentrava toda a riqueza efetiva do grupo, no mesmo período, foi de 89% conforme Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ da instituição financeira relativa ao anocalendário de 2006. Constatouse, assim, uma total discrepância entre a evolução da riqueza da instituição financeira alienada com o acréscimo patrimonial do custo das respectivas ações pertencentes a um dos seus acionistas. Tais processos de reorganizações societárias não teriam como produzir efeitos econômicos que justificassem o acréscimo patrimonial da pessoa física, tendo como objeto tãosomente a majoração irregular do custo de aquisição das ações alienadas do Banco Pactuai S/A e, consequentemente, a supressão de tributos devidos pela pessoa física relativos à operação de alienação do Banco. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 4 Através de contrato firmado em 09/05/2006, entre a pessoa jurídica UBS AG, a pessoa jurídica Pactuai S.A (controladora direta do Banco Pactuai S.A.) e as pessoas físicas que possuíam participação indireta sobre o patrimônio do Banco Pactuai S.A., ficou definido, entre outras cláusulas, que as holdings detentoras de todas as ações do Banco Pactuai S.A seriam extintas mediante a reorganização, para que os sócios pessoas físicas assumissem a condição de proprietários diretos das ações negociadas. O pagamento pela compra das ações do Banco Pactuai S.A. foi dividido em parcelas, sendo a primeira paga na data de "Fechamento" da compra e venda das ações, ocorrido em dezembro de 2006, e a segunda em data posterior denominada de "Pagamento Diferido". Além desses pagamentos, os alienantes das ações receberiam ainda outros valores denominados "Pagamentos Especiais; Usufruto". Os sócios pessoas físicas providenciaram uma reestruturação societária no anocalendário 2006, mediante incorporações às avessas das holdings controladoras do Banco, para permitir que a transferência das ações do Banco Pactuai S.A. ao UBS AG fosse feita diretamente pelos sócios pessoas físicas. Em 28/12/2004 e em 31/12/2005, foram realizados os aumentos do capital social de Pactuai Participações Ltda nos montantes de R$ 210.000.000,00 e R$ 130.000.000,00, respectivamente, passando de R$ 125.000.321,05 para R$ 335.000.321,71 em 28/12/2004 e R$ 465.000.320,61 em 31/12/2005, mediante capitalização de parte dos lucros retidos na conta lucros acumulados da sociedade. Em 31/12/2005 a Pactuai Participações Ltda é incorporada por Pactuai Participações S/A, cujo capital social passou de R$ 26.969.514,00 para R$ 70.118.786,40 (aumento de R$ 43.149.272,40). Posteriormente, a Pactuai Participações S/A transformouse em Nova Pactuai Participações Ltda. Em 13/10/2006, foi realizado o aumento do capital social da Nova Pactuai Participações Ltda no montante de R$ 686.000.000,00, passando de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.1 H 36,vO, mediante capitalização dos créditos detidos pelos sócios quotistas contra a sociedade. Em 13/10/2006 a Pactuai Holdings S/A, aumentou seu capital social em R$ 202.500.000,00, mediante a capitalização de créditos detidos contra a sociedade e a capitalização da reserva legal da Companhia. Em 13/10/2006 a Pactuai Holdings S/A é incorporada por Pactuai S/A, passando o capital social da incorporadora de R$ 34.498.190,25 para R$ 64.248.147,47. Também nesta data, a Nova Pactuai Participações Ltda é incorporada por Pactuai S/A, cujo capital social passou de R$ 64.248.147,47 para RS 97.841.295,93. Em 01/11/2006, o capital social da Pactuai S/A foi aumentado em R$ 3.862.542,92, passando para R$ 101.698.838,85, com a conseqüente emissão de duas ações preferenciais subscritas Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 2202002.262 S2C2T2 Fl. 4 5 pelos acionistas André Santos Esteves e Gilberto Sayão da Silva e integralizadas mediante a capitalização de créditos por eles detidos contra a sociedade. Em 03/11/2006 a Pactuai S/A aumenta seu capital social em R$ 996.087.876,00, passando este para R$ 1.097.786.714,85, mediante a capitalização de créditos detidos pelos acionistas contra a Companhia. Em 01/12/2006 a Pactuai S/A é incorporada pelo Banco Pactuai S/A, sendo vertido para o incorporador o patrimônio líquido da incorporada, de R$ 1.149.597.660,18. A partir deste último evento societário, os acionistas pessoas físicas passaram a ter participação direta no Banco Pactuai S/A, detendo as ações que, posteriormente, foram alienadas. Observase um padrão nos eventos societários. Após o incremento dos respectivos Patrimônios Líquidos das companhias em decorrência dos ajustes de equivalência patrimonial originados pelo lucro do Banco Pactuai S/A, todas as companhias Investidoras (Nova Pactuai Participações Ltda, Pactuai Holdings S/A e Pactuai S/A) tiveram seus lucros e reservas capitalizados e posteriormente foram incorporadas pelas suas Investidas, operações essas inversas ao processo normal que é o da Investidora incorporar a Investida. Nos processos de incorporação reversa houve majoração irregular no custo das ações alienadas, tendo em vista que o processo de extinção das holdings Pactuai Participações Ltda, Nova Pactuai Participações Ltda e Pactuai Holdings S/A, com a anterior capitalização de dividendos nos valores de R$ 210.000.000,00, R$ 130.000.000,00, R$ 43.149.272,40, R$ 202.500.000,00, R$ 686.000.000,00, não poderiam gerar o aumento no custo das ações alienadas do Banco Pactuai S/A, uma vez que, posteriormente, houve acréscimo cumulativo do custo das aludidas ações alienadas com a incorporação do acervo líquido da Pactuai Holdings S/A e da Nova Pactuai Participações Ltda e, mais tarde, a capitalização dos dividendos da companhia Pactuai S/A, anteriormente à sua incorporação pelo Banco Pactuai S/A, no montante de R$ 1.063.293.524,60, que representa a soma das parcelas R$ 29.749.957,22, RS 33.593.148,46, RS 3.862.542,92 e R$ 996.087.876,00. Com o evento de incorporação, todo o acervo líquido da Pactuai S/A (PL), no montante de RS 1.149.610.206,41, foi incorporado pelo Banco Pactuai S/A. As ações ou quotas recebidas pelo sócio ou acionista, em decorrência do aumento â°í ci subscrito pela sociedade fundida, incorporada ou cindida, continuam sendo basicamente as mesmas de antes, ainda que qualitativamente tenha sofrido alteração, da mesma forma como se aceitaria indiscutivelmente como inalterada a participação societária dos sócios ou acionistas que participavam em uma sociedade que tenha incorporado patrimônio de outra. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 6 Concluise que o custo da ação alienada por cada acionista tem como base a participação de cada um deles no capital social da Pactuai S/A, em 01/12/2006. Todavia, o contrato firmado na compra e venda do Banco Pactuai S/A determinava que, entre a data da celebração do negócio e a data da efetivação do mesmo os lucros auferidos seriam objeto de distribuição aos antigos proprietários, de tal forma, que em 22/02/2007, os acionistas alienantes, àquela época exacionistas, receberam de dividendos o montante de R$ 290.754.000,06. Tal montante, portanto, referese a lucros auferidos até 01/12/2006 e, para que pudessem ser distribuídos deveriam estar incluídos no patrimônio líquido da Pactuai S/A. Por isso, esta parcela deve ser deduzida do custo de aquisição apurado. Com isso, chegase ao custo das ações alienadas pelo Contribuinte, que é de R$ 10.687.671,25, correspondente a 1,25% do total da sociedade. O que evidencia a irregularidade é que o sujeito passivo recebeu novas ações em troca das extintas, por ocasião da extinção da Nova Pactuai Participações Ltda, mantendo assim, em sua propriedade a mesma parcela que detinha indiretamente do Banco Pactuai S/A, entidade que concentrava a efetiva riqueza econômica e financeira do grupo empresarial, como também aumentou o custo de aquisição de tais ações por meio de dividendos não distribuídos. Os dividendos capitalizados são os mesmos, na medida em que as Reservas e Lucros capitalizados por Nova Pactuai Participações Ltda e Pactuai S/A nada mais são do que o Resultado da Equivalência Patrimonial do Banco Pactuai S/A. As operações engendradas pelas citadas sociedades empresariais (uma autêntica cadeia de repercussões de equivalência patrimonial), no que concerne à questão da incorporação de lucros e dividendos, somente encontra lastro jurídicocontábilfinanceiro no que se refere àqueles gerados pelo Banco Pactuai S/A, com repercussão na controladora Pactuai S/A. Com efeito, eventuais ajustes promovidos pelo Banco Pactuai S/A em função de acréscimos patrimoniais ocorridos nas sociedades Pactuai Participações Ltda e Nova Pactuai Participações Ltda nada mais eram do que a própria riqueza gerada pelo Banco Pactuai S/A, as quais já haviam sido consignadas no patrimônio de Pactuai S/A. A capitalização cumulativa dos lucros de equivalência patrimonial para aumentar o custo de aquisição das ações acima do cabível não pode ser admitida por causa de sua ilicitude, além do que deve ser inibida, para que, futuramente, não só comprometa a eficácia de toda tributação do ganho de capital sobre participações societárias, uma vez que o estratagema contábil viabilizaria a utilização de "empresas de papel" (holdings) tãosomente para não pagar imposto de renda sobre ganho de capital, distorcendo gravemente a percepção do Fisco acerca da capacidade contributiva dos sócios pessoas físicas. Com os procedimentos adotados pelos exacionistas, estes informaram no Demonstrativo de Ganho de Capital de suas Declarações de Ajuste Anual o custo majorado de suas ações, Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 2202002.262 S2C2T2 Fl. 5 7 inserindo, dessa forma, elementos inexatos com o fim de pagar menos imposto de renda, conduta que se insere no contexto de fraude à fiscalização tributária, sendo o tipo doloso (art.72, da Lei 4.502/64). Todo o arcabouço montado foi no sentido de prejudicar o direito do Fisco, configurando, em tese, crime contra a Ordem Tributária definido no inciso I, dos artigos Io e 2o da Lei 8.137/90. O ato praticado vai contra as palavras e espírito da lei (art. 135 do RIR/99), apesar de o contribuinte fiscalizado afirmar que nela se baseou. Mesmo que isso fosse verdade, o ato preservaria a letra da lei, mas ofenderia o espírito dela, envolvendo o abuso do direito, intimamente ligado à idéia segundo a qual não há direito ilimitado. O abuso do direito pode ser definido como o exercício egoístico, normal do direito, sem motivos legítimos, com excessos intencionais ou voluntários, dolosos ou culposos, nocivos a outrem, contrários ao critério econômico e social do direito em geral. Foi aplicada a multa de 150% com base no art. 957, n, do RIR/99, tendo em vista a intenção do fiscalizado de majorar o custo de suas ações e permanecer com esse valor de custo majorado, mesmo após o recebimento de dividendos previstos no contrato de compra e venda das ações do Banco Pactuai S/A em fevereiro de 2007, momento em que deveria recalcular o imposto apurado referente à primeira parcela, deduzindose tal valor do custo. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais Processo n° 12448.738759/201150, a qual se encontra em anexo, para comunicação ao Ministério Público da prática de fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária. Impugnação (fls. 909 a 943). Decisão recorrida (fls.950 a 977 ) com ciência em 06.07.2012 (fls. 979), esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006, 2009 ENQUADRAMENTO LEGAL GENÉRICO. O fato de constarem do auto de infração vários dispositivos legais concernentes a aspectos gerais relativos à tributação dos rendimentos de ganho de capital não macula o lançamento, quando restar caracterizado que não houve prejuízo ao contribuinte, seja porque a descrição da infração lhe possibilita ampla defesa, seja porque a impugnação apresentada revela pleno conhecimento da infração imputada. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. IMPOSSIBILIDADE DE Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 8 MÚLTIPLO PROVEITO DO MESMO LUCRO. OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. É indevida a capitalização de lucros apurados na empresa investidora através do Método de Equivalência Patrimonial, quando este mesmo lucro permanece inalterado na empresa investida, disponível nesta como lucros e/ou reservas de lucros tanto para que se efetue capitalizações como para retiradas pelos sócios. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societário alienada, mediante a capitalização indevida de lucros e reservas oriundas de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a consequente tributação do novo ganho de capital apurado. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE É aplicável a multa qualificada quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude do Contribuinte no sentido de impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Considerando que a multa de ofício é classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é correta a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A autuação foi mantida pela decisão recorrida sob os seguintes fundamentos: a) A reestrutura foi utilizada com o propósito de reduzir o ganho de capital dos sócios na venda do Banco Pactual; b) O artigo 135, do RIR /99 não ampara a forma como o contribuinte calculou o custo de aquisições das ações; c) Os lucros e reservas de lucros existentes no Banco Pactual, refletidos no PL da cadeia de investidores (Pactual Participações Ltda, Nova Pactual Participações Ltda e Pactual Holdings S/A) não podem ser considerados novo bem ou direito a ser adquirido pelo Banco Pactual quando das sucessivas incorporações reservas; d) A distribuição dos lucros ou a retenção dos lucros na investidora é incompatível com a permanência dos mesmos lucros na investida, que produziu o os lucros; e) Não há amparo legal ou suporte fático e econômico para considerar que teria sido desembolsada pelo contribuinte, o aporte inicial de recursos nas sociedades, seja com a efetiva capitalização de lucros não recebidos; Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 2202002.262 S2C2T2 Fl. 6 9 f) Os fatos ocorridos é uma clara intenção de majorar o custo das ações com a capitalizações indevidas de lucros; g) A incidência de juros moratórios sobre a multa aplicada, possui previsão legal , haja vista compor o crédito tributário. Recurso Voluntário (fls. 952 a 997) protocolado em 25/07/2012, repete os argumentos da Impugnação e sustenta em síntese: a) O caminho trilhado pelos acionistas para se tornarem vendedores do Banco foi o mais lógico, rápido e econômico entre todos disponíveis, e o acréscimo do custo de seus investimentos é mera conseqüência da aplicação das normas em vigor, em especial do art. 135 do RIR; b) Não procede a assertiva constante do Termo de Verificação Fiscal de que a Reestruturação foi realizada com o objetivo de aumentar fraudulentamente o custo de aquisição dos investimentos do Recorrente. As incorporações reversas eram das variantes disponíveis para a realização do negócio; era lógica , admitida por lei e conveniente para os acionistas; c) A opção pela capitalização de lucros antes das incorporações era irrelevante em termos fiscais, especificamente no que tange as participações. A razão desta conduta vinculase ao fato de a mesma distribuir lucros de forma desproporcional, conforme autoriza o art. 1007 do CC/02; d) Os lucros de participações foram distribuídos em bases desproporcionais e reaplicados na empresa, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação, assim a participação indireta do recorrente no banco subiu de 1,00% (1,28% de 78,18%) para 1,25% (1,60% de 78,18%); e) O capital de participações foi aumentado em R$ 686.000.000,00, mediante a conversão de créditos detidos por seus quotistas, decorrentes do direito ao recebimento de lucros e da capitalização dos referidos lucros gerou significativa alteração nos percentuais de participações dos acionistas no capital da referida empresa; f) Na incorporação inversa, os acionistas da incorporada recebem ações da incorporadora por custo idêntico ao das ações da incorporada por eles detidas e, por outro lado, ocorre capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada; g) O aumento do custo de aquisição do valor dos investimentos do Recorrente no Banco se verificaria de qualquer forma, quer houvesse deliberação expressa e específica no sentido da capitalização dos lucros das holdings. h) Tratando da alienação de quotas ou ações e em sendo o alienante uma pessoa física, o custo de aquisição corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros capitalizados, nos termos do § 1º do art. 130 e do art. 135 do RIR; i) O montante dos lucros capitalizados somase ao custo dos investimentos a que correspondem, ainda que eles tenham sido reconhecidos em razão da aplicação do MEP Método da Equivalência Patrimonial; Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 10 j) Mesmo que a reestruturação tivesse sido levada a efeito nas bases que o Termo Verificação Fiscal consideraria adequada, os R$ 19.300.129,94 corresponderiam ao custo dos investimentos do Recorrente no Banco. k) A interpretação que o Recorrente conferiu ao art. 135 do RIR não pode ser encarada absurda a ponto de, por si só, justificar a aplicação de penalidade com intuito de fraude; l) A aplicação de juros de mora sobre o valor da multa qualificada, contraria as recentes decisões do CARF. É o breve relatório. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 2202002.262 S2C2T2 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade ser deve ser conhecido. Cuidase de autuação, mantida pela decisão recorrida, com a multa qualificada de 150%, do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF sobre ganho de capital na apuração a maior do custo de aquisição na alienação das ações do Banco Pactual realizadas pelo Recorrente, após a reorganização societária de incorporações inversas e extinção das sociedades investidoras (holdings) e detentoras das ações alienadas. A autuação e a decisão recorrida entenderam que houve duplicidade na apuração do custo de aquisição das ações alienadas, pela apropriação indevida dos mesmos lucros e reservas de lucros refletidos da sociedade da investida (geradora dos lucros) nas sociedades investidoras holdings na apuração dos resultados pelo método da equivalência patrimonial. O relatório de fiscalização, a decisão recorrida e o recurso fazem longas e exaustivas explicações contábeis, societárias e a motivação do negócio realizado – alienação da participação societária, com a necessidade das incorporações inversas. Destaca o relatório de fiscalização: O reconhecimento da ocorrência de uma dupla capitalização, antes e depois da incorporação, com os mesmos lucros de equivalência patrimonial auferidos no exercício social em que ocorre a reorganização societária, objetivando multiplicar o aumento de custo das ações com base nos mesmos lucros de equivalência patrimonial, não é possível por falta de suporte fático. Ou os sócios retiram os lucros correntes da sociedade antes da incorporação, quando o valor a ser incorporado ficará reduzido na mesma proporção dos lucros retirados, ou os sócios deixam o referido lucro na sociedade para que a capitalização fique consolidada nas ações da sociedade incorporadora dadas em substituição ao patrimônio líquido incorporado. A finalidade da incorporação é capitalizar o investimento do patrimônio pessoal do sócio pessoa física na sociedade incorporadora. Não há como sustentar que os lucros do exercício em que ocorre o evento de incorporação, apurados com a finalidade específica de atender a incorporação, possam ter como objeto a capitalização na pessoa jurídica a ser incorporada, porque o investimento do sócio pessoa física não se destina mais à pessoa jurídica que está em vias de extinção pela incorporação. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 12 Não cabe a hipótese de que os mesmos lucros de equivalência patrimonial apurados com o fim específico de atender o evento de incorporação pudessem ser utilizados, cumulativamente, tanto para a capitalização na sociedade incorporada, quanto na incorporadora, a fim de multiplicar o aumento do custo das ações pertencentes aos sócios pessoas físicas. A apuração desses lucros na incorporada para o levantamento do balanço com a finalidade específica de incorporação tem como base um único fato: a capitalização na sociedade incorporadora por absorção do patrimônio líquido da sociedade incorporada. Portanto, a questão é de falta de suporte fático que legitime a sobreposição dós aumentos de custo das ações, mediante uma dupla capitalização com o mesmo lucro de equivalência patrimonial. Por conseguinte, em se tratando de incorporação, se os lucros do exercício não forem removidos da sociedade a ser incorporada, estes integrarão a universalidade jurídica (patrimônio líquido) a ser transmitida, sendo indiferente, enquanto universalidade jurídica, que estes lucros de equivalência patrimonial do exercício em que ocorre o evento de incorporação estejam classificados em um ou outro componente do bem coletivo (no capital social, em reservas ou nos lucros acumulados). Com inteira propriedade destaca a decisão recorrida: A utilização do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), segundo o art. 248, da Lei n° 6.404/76 (LSA), é obrigatória no caso de investimentos considerados relevantes em sociedades controladas, como é o caso das empresas do grupo Pactuai. Sendo Equivalência Patrimonial a "alteração do valor contábil dos investimentos registrados no Ativo Permanente (AP), pela investidora, conforme o aumento ou a diminuição do Patrimônio Líquido (PL) da investida"1, caso a sociedade investida/controlada, através da obtenção de lucros, aumente seu Patrimônio Líquido (PL) tal aumento deverá ser refletido na contabilidade da sociedade investidora, aumentando o valor contábil do investimento que esta possui na sociedade investida e, conseqüentemente, também o seu PL. Vejase que em razão de a empresa investidora não possuir outra atividade econômica, senão o controle da investida, todo o incremento no PL da investidora consiste em um mero reflexo dos lucros obtidos pela investida. O art. 227, caput, da LSA, define o termo "Incorporação" como sendo a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações. No caso das incorporações reversas, não se pode entender, com base em uma aplicação equivocada da citada norma, que todo PL representado na contabilidade da incorporada deve ser acrescido ao capital social da incorporadora. Não há qualquer lógica jurídica ou matemática para que o direito econômico que a incorporada possua sobre o Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 2202002.262 S2C2T2 Fl. 8 13 patrimônio da incorporadora seja ao patrimônio desta acrescido quando do implemento da incorporação. Não se pode admitir que o próprio patrimônio da incorporadora, refletido na incorporada, constitua um novo patrimônio adquirido pela incorporadora quando da incorporação. No caso em discussão, os lucros e reservas de lucros existentes no Banco Pactual, refletidos no PL da cadeia de investidoras (Pactuai Participações Ltda, Nova Pactuai Participações Ltda e Pactuai Holdings S/A), não poderiam ser considerados um novo bem ou direito a ser adquirido pelo Banco Pactuai quando das sucessivas incorporações reversas. A reorganização societária foi necessária para extinguir as sociedades holdings (detentoras das ações), mediante a incorporação inversa (sociedade investida Banco Pactual incorpora as investidoras – as holdings), de forma que a pessoa física – entre elas o Recorrente – pudesse alienar as ações do próprio Banco e não a participação societária das holdings investidoras. Esta plenamente justificada a necessidade de a venda das ações do Banco ser realizada por intermédio das pessoas físicas e não com a alienação da participação nas sociedades holdings, face à responsabilidade personalíssima do negócio realizado, conforme admitiu expressamente o Relatório de Fiscalização e a decisão recorrida. O negócio existiu, as incorporações e a extinção das sociedades holdings existiram, não há vicio na vontade ou na forma do negócio realizado. O Relatório de Fiscalização e a decisão recorrida dão conta que os lucros e as reservas de lucros do Banco Pactual foram capitalizados nas empresas investidoras (holdings) e, ao mesmo ao mesmo tempo, disponibilizados na investida (Banco), causando assim duplo ou triplo efeito reflexo de os mesmos lucros ou reservas de lucros apropriados no custo de aquisição. Este fato – de os lucros e reservas de lucros da sociedade investida (Banco Pactual, gerador do lucro) – apurados pelo Método da Equivalência Patrimonial refletir nas sociedades investidoras (holdings) permitiu – artificialmente ao Recorrente majorar o custo de aquisição da participação societária com a dupla ou tripla apropriação dos mesmos lucros e reservas de lucros no custo de aquisição na apuração dos ganhos de capital na alienação das ações. Sustenta o Recorrente que o art. 135, do RIR/99, que regulamentou o Parágrafo Único art. 10, da Lei nº 9.249, de 1995, ampara seu procedimento tributário. Vejamos: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 14 De fato, o dispositivo autoriza computar no custo de aquisição para efeito da apuração do ganho de capital os lucros ou reservas de lucros em razão do aumento de capital ou incorporação dos resultados apurados pela sociedade. A conduta do Recorrente estaria perfeita se a qualificação do fato – que é único – o lucros ou reservas de lucros – gerado do Banco Pactual, sociedade operacional, geradora efetiva de resultados econômicos, pudesse existir de forma isolada nas sociedades investidoras – as holdings. O efeito contábil de os mesmos resultados da investida, geradora dos lucros, refletir nas sociedades investidoras, existe apenas para fins contábeis da apuração pelo Método da Equivalência Patrimonial e a demonstração dos resultados exigidos pela legislação societária, mas isso não significa a existência de lucros autônomos nas investidoras se elas nada geram de resultados para adicionar ao custo de aquisição na alienação da participação societária, como fez o Recorrente ao aplicar o art. 135, do RIR/99. A independência e a autonomia patrimonial entre as sociedades investida, investidoras, sócios, acionistas e controladores não socorre o Recorrente para permitir a dupla ou tripla capitalização com a utilização dos mesmos lucros e reservas de lucros no custo de aquisição, se eles não possuem o feito multiplicador ao apenas refletirem na demonstração dos resultados das sociedades coligadas, advindos da investida, o Banco Pactual. Importa, para o deslinde do conflito, enfatizar que o fato – lucro e reservas de lucros da investida é apenas um. Não existem dois ou três lucros e reservas de lucros isolados e independentes gerados na sociedade investida e nas investidoras. Ao contrário do que sustenta o Recorrente, não há equivoco na lei e nem na sua interpretação. O detalhe é qualificação do fato único – os lucros ou reservas de lucros da sociedade operacional, investida (Banco Pactual), refletir nas sociedades holdings, mas isso não permite artificialmente – computar o duplo ou triplo custo de aquisição, como se existisse lucro autônomo nas sociedades investidoras. O duplo ou triplo efeito é mera ficção, necessária na apuração da demonstração dos resultados na participação societária em cada sociedade. Houvesse Balanço Patrimonial Consolidado das coligadas estaria espelhada a total impropriedade da tese do Recorrente que não se sustenta ao menor argumento com o conhecimento dos fatos. Apenas em memoriais e em sustentação oral, não no recurso, ressaltese, aventouse abuso, arbítrio e erro da autuação ao adotar a fiscalização critério diferente de outras autuações da mesma operação de alienação da participação societária do Banco Pactual, em razão de o fisco arbitrar o custo de aquisição e não apurar o efetivo custo. Com isso, sustentouse abuso da autuação por se afastar da legalidade e levar em consideração aspecto econômico do fato gerador da condenada doutrina Alemã da República de Weimar de 1919, do pós 1a Guerra Mundial, onde surgiu o primeiro Código Tributário de que se tem noticia. Não vemos qualquer abuso ou arbítrio ou arbitramento da base de cálculo de que cuida o art. 148, do CTN. Na hipótese em exame, apenas apurouse o montante da participação societária em relação ao Patrimônio Liquido (PL) da sociedade investida para determinar o custo de aquisição. Foi mero cálculo aritmético, de coisa certa e determinada, sem qualquer arbitramento no seu exato sentido e alcance à constituição do crédito tributário. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 2202002.262 S2C2T2 Fl. 9 15 Critério lógico e racional por representar, com exatidão, o custo do bem/direito alienado as ações representativas do capital social Patrimônio Liquido da sociedade negociada. Com acerto também foi o desconto do custo apurado, dos lucros prometidos contratualmente em usufruto de serem pagos e não capitalizados. Não se cuida ainda de tributar o efeito econômico do fato gerador, mas de qualificar o fato, único, repetimos, representado pelos lucros ou reservas de lucros, que não podem ser utilizadas, os mesmos resultados em mais de uma operação pela simples razão de eles com a incorporação apenas refletirem nos resultadas das sociedades holdings investidoras. De outro modo, caberia ao Recorrente demonstrar e comprovar com provas firmes, seguras e estremes de dúvidas, sequer aventado nas razões de recurso, o possível prejuízo sofrido com o combatido abuso, arbítrio e erro no critério do custo de aquisição. Vemos que tanto a autuação e a decisão recorrida agiram com o costumeiro acerto, assim devem ser mantidas e prestigiadas. Contudo, o mesmo não acorre em relação à multa qualificada. A decisão recorrida manteve a qualificadora por entender que houve fraude à fiscalização tributária e informação de elementos inexatos no custo de aquisição das ações, e assim teria havido dolo e crime na conduta dotada pelo Recorrente. O Relatório de Fiscalização qualifica a conduta do autuado Recorrente em dolo e crime, ao utilizar mais de um lucro no custo de aquisição das ações pelo simples efeito reflexo dos resultados nas sociedades holdings, em seguia ressalta “...o ato praticado vai contra as palavras e o espírito da lei (art. 135, do RIR/99), é ele contra legem, contrário à lei, em que há a violação direta da lei.”. Com isso, entendeu fiscalização que houve abuso do direito. Entendeu a fiscalização, de forma dúbia, que ainda houve abuso do direito, Ora, abuso do direito é ilícito civil, não possuir conotação penal/tributário e consistente basicamente em o agente exceder os limites da lei, da sua finalidade econômica e social, a boa fé e aos bons consumes (art. 187 do CC). Abuso do direito significa ultrapassar os limites da lei no sentido do razoável, do bom senso, do senso comum. Não há tipificação penal tributário ou tributário penal para esta conduta, ainda que presente nos autos. Apenas por esses aspectos da dubiedade na qualificação da penalidade a decisão merece reforma parcial. Mas não é só. O negócio da compra e venda das ações existiu, as incorporações e a extinção das empresas holding existiram, foi justificada a necessidade da venda das ações por intermédio das pessoas físicas e não pelas sociedades holdings, em da face exigência de responsabilidade pessoal e personalíssima assumida na realização do negócio, conforme admitiu expressamente a decisão recorrida. Portanto, não houve qualquer fraude ou simulação no negócio realizado. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 16 O Recorrente se utilizou da dupla ou tripla capitação dos lucros apenas por eles refletirem nas sociedades holdings e se acumularem, por assim dizer, com a incorporação inversa. Na aparência os resultados da investida existem nas investidoras, tem sua finalidade, mas são mesmos lucros e reservas de lucros da sociedade investida. Observando esses resultados de forma individualizada, na figura da separação e autonomia patrimonial de bens das sociedades holdings como fez o Recorrente, eles de fato adquirem o efeito o multiplicador na aparência, a diferença é de serem os mesmos resultados apenas refletidos de uma em outra sociedade. Nada mais. Não há prova do dolo, do aspecto subjetivo do agente infrator a vontade livre, consciente e deliberada de realizar a sonegação. Prova difícil de produzir. A fiscalização não possui a habitualidade dessa tarefa, que não é própria do cotidiano, mas aos agentes Policiais, Ministério Público, Juízo Criminal é coisa simples e corriqueira. Aferir o aspecto subjetivo exige necessariamente a oitiva dos sujeitos do delito, com o interrogatório do acusado pela infração e testemunhas, isto é imprescindível para a comprovação sempre que houver qualificação pelo dolo. Na comprovação da fraude e simulação nem sempre se exige a oitiva do infrator e testemunhas, os documentos e o negócio falam por si, na máxima, sempre presente nessas condutas: Simulase o que não é, e dissimulase o que é, totalmente diferente de aferir o aspecto subjetivo que envolve a qualificação pelo dolo. Pelas razões expostas, pelo meu voto, afasto a qualificadora da multa. Por fim pede o Recorrente a exclusão dos juros sobre a multa, citando vários julgados deste Conselho: JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. (...)" (Acórdão n° 10196008, Rel. Caio Marcos Cândido, em 01.03.2007, DOU S.I de 20.08.2007, p. 22) JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. DESCABIMENTO Por não se tratar da hipótese de penalidade aplicada na forma isolada, a multa de ofício não integra o principal e sobre ela não incidem os juros de mora. (...) (Acórdão n° 10323566, Rel. Leonardo de Andrade Couto, em 17.09.2008, DOU S.I de 20.01.2009, p. 6) JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A lei 943096 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, parágrafo 1, que se subordina ao caput, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1 por cento ao mês. O art. 161, caput, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora." (Acórdão 110300193, Rel. Aloysio José Percínio Da Silva, em 18.05.2010, DOU S.I de 14.03.2011, p. 34) INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa SELIC sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei 9430 96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 2202002.262 S2C2T2 Fl. 10 17 tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. RO Negado. RV provido em Parte. (Acórdão n° 10196523, Rel. João Carlos de Lima Júnior, em 23.01.2008, DOU S.I de 11.12.2008, p. 50) No mesmos sentido: Acórdão 10196607, Re.L João Carlos de Lima Júnior, em 06.03.2008, DOU S.I de 11.12.2008, p. 51; Acórdão n° 10196593, Rel. João Carlos de Lima Júnior, em 05.03.2008, DOU S.I de 11.12.2008, p. 51). De fato, esta Turma de Julgamento, por maior de votos, vem cancelando a exigência de juros pela Taxa Selic sobre a multa de ofício e temos posição fixada a partir do entendimento esposado pela ilustre Conselheira Dra. Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, de cujo voto, com alterações passamos a reproduzir: “A incidência de juros de mora no atraso cumprimento da obrigação tributária encontra sua previsão no caput do art. 161, CTN: ‘Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária (Grifamos e ressaltamos para destacar).’ O crédito, não integralmente pago no vencimento, destaca o dispositivo em exame. Essa obrigação pode ser principal ou acessória, conforme prevê o art. 113, do mesmo CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2o A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3o A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A obrigação tributária tem por objeto o pagamento do (a) tributo ou da (b) penalidade pecuniária. Inferese, assim, que na obrigação principal não inclui a multa de ofício, mas tão somente a multa pelo descumprimento da obrigação acessória. ’ Dessa forma, se o “o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” (art. 139, do CTN), este alcança a multa de ofício proporcional Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 18 exigida com o tributo. Reforça este entendimento, o art. 161, do CTN, ao explicitar que os juros serão exigidos “...sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Parece claro que a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício não encontra amparo no CTN. Vejamos a exigência da Taxa Selic, prevista no art. 61, da Lei no 9.430, de 1996: Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. ...... §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Referido dispositivo prevê a exigência da multa e dos juros de mora incidentes sobre o débito tributos e contribuições não pagos no vencimento, ou seja, sobre o valor do principal (que não se confunde com a multa de ofício vinculada). Observese que se a multa de ofício integrasse o conceito de débito previsto no art. 161, do CTN, caberia à incidência da multa de mora sobre multa de ofício, o que não se pode admitir. A multa de mora é decorre do pagamento espontâneo com atraso do tributo, enquanto a multa de ofício decorre da falta de pagamento apurada pela autuação. Ademais, notese ser totalmente inadmissível a aplicação concomitante ou cumulativa da multa de mora e da multa de ofício, com vedação expressa no art. 950, § 3o, do Decreto no 3.000, 1999 – RIR/99. A incidência cumulativa da Taxa Selic está prevista apenas no lançamento isolado de multa ou juros de mora, nos termos do art. 43 da Lei no 9.430, de 1996: Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Concluise, que também na legislação ordinária não existe previsão para a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 2202002.262 S2C2T2 Fl. 11 19 Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou parcial provimento ao recurso para desqualificar a penalidade, reduzindoa ao percentual de 75% e excluir a incidência de juros sobre a multa de oficio. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 20 Declaração de Voto Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 2202002.262 S2C2T2 Fl. 12 21 Conselheiro Antonio Lopo Martinez, O processo versa fundamentalmente sobre a validade do procedimento adotado pelo recorrente para a apuração do custo de aquisição da ações do Banco Pactual que foram alienadas a UBS Brasil. Da análise do caso concreto, identifico que a operação ainda que revestida de aparente legalidade no que toca as partes isoladas, cria no conjunto uma situação irreal e artificial, que não condiz com o que o nosso sistema tributário almeja. No caso concreto não tenho dúvidas que houve o aumento do custo de aquisição, fundamentado no procedimento adotado, deliberado e intencionalmente, materializado para assegurar o aumento do custo de aquisição pelo efeito multiplicativo dos resultados do Banco Pactual. Entendo que no processo de hermenêutica, o operador do direito tributário deve empreender um esforço, para a aplicação da norma tributária mais consistente e rigorosamente compatível com o princípio da certeza do direito, na adequação da verdade material como exige o nosso artigo 145, parágrafo primeiro da Constituição., Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Segundo o recorrente, a validade do método encontra respaldo no artigo 135 do RIR: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). Nas operações em cotejo, os lucros apurados decorrem de lucros reconhecidos no Banco Pactual, materializados nos resultados de equivalência patrimonial. O método de Equivalência Patrimonial é assim denominado, pois o seu cálculo se baseia no valor do patrimônio líquido da empresa coligada ou controlada, diferentemente do método do custo, que somente considera o valor efetivamente desembolsado no momento da aquisição. Urge preliminarmente destacar, que inobstante o procedimento contábil adotado, destaquese que para a Contabilidade, os registros contábeis em conjunto devem Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 22 refletir a essência e a realidade econômica, tal como se destaca da análise da estrutura conceitual da contabilidade que enfatiza a primazia da essência sobre a forma. A equivalência patrimonial não é mais do que uma forma de atualização contínua do valor do investimento, que consiste na avaliação na empresa investidora, dos investimentos pelas variações do patrimônio líquido da empresa investida, mediante reconhecimento direto das variações apuradas, lucros, perdas ou prejuízos, para os fins de determinação do aumento ou da redução do valor investido. Entrementes, a equivalência patrimonial prestase para a determinação do capital aplicado que pertence ao seu titular e suas variações patrimoniais no período, pois há de levar em conta: (i) o patrimônio líquido atual da controlada ou coligada; (ii) o custo de aquisição da participação societária e (iii) o valor do investimento, com os reflexos do resultado da controlada ou coligada. Toda a apuração da equivalência patrimonial, portanto, dependerá da determinação contábil do patrimônio líquido da sociedade investida, conforme exige o art. 248, I, da Lei nº 6.404/76. E a razão é evidente: "os conceitos de patrimônio líquido e de capital próprio representam o mesmo objeto a quotaparte ideal de capital existente no ativo que é de propriedade do titular do patrimônio". Assim, a conta de investimentos da controladora variará segundo a variação do patrimônio líquido na controlada ou coligada, ou ainda pelo percentual da respectiva participação. De modo resumido, a equivalência patrimonial tem a função de atualizar os investimentos relevantes em empresas controladas ou coligadas conforme os resultados forem sendo apurados nestas entidades, independentemente da distribuição dos lucros apurados. E para investimentos que não se qualificarem como relevantes, empregase o método de custo de aquisição (art. 183, III, da Lei nº 6.404/76) . O método de equivalência patrimonial deve refletir sempre a essência econômica, o verdadeiro valor do investimento da controladora, com os ajustes inerentes ao lucro ou prejuízo obtido e seus efeitos fiscais, o que se depreende da interpretação sistemática da legislação fiscal, compreendida à luz dos conceitos contábeis. A patrimonialidade vinculase ao conteúdo econômico, porque está intimamente vinculada ao valor econômico dos bens e direitos. Por isso, no Direito, a patrimonialidade somente tem sentido quando vinculada ao conceito de "direitos" (subjetivos), sobre coisas (reais) ou contra pessoas (pessoais). Daí que, sendo o patrimônio composto não de bens materiais, mas de direitos, qualquer acréscimo patrimonial há de ser de direitos (reais ou pessoais), logo, como uma "disponibilidade jurídica" efetiva, e não apenas artificial. Para dar destaque a irregularidade do procedimento adotado pelo recorrente cabe apontar aquilo que prescreve ao CPC 18, que versa sobre os procedimentos para a equivalência patrimonial. 26. Muitos dos procedimentos que são apropriados para a aplicação do método da equivalência patrimonial são similares aos procedimentos de consolidação, descritos no Pronunciamento Técnico CPC 36 – Demonstrações Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 2202002.262 S2C2T2 Fl. 13 23 Consolidadas. Além disso, os conceitos que fundamentam os procedimentos utilizados para contabilizar a aquisição de controlada devem ser também adotados para contabilizar a aquisição de investimento em coligada ou em empreendimento controlado em conjunto. 27. A participação de grupo econômico em coligada ou em empreendimento controlado em conjunto é dada pela soma das participações mantidas pela controladora e suas outras controladas no investimento. As participações mantidas por outras coligadas ou empreendimentos controlados em conjunto do grupo devem ser ignoradas para essa finalidade. Quando a coligada ou empreendimento controlado em conjunto tiver investimentos em controladas, em coligadas ou em empreendimentos controlados em conjunto (joint ventures), o lucro ou prejuízo, os outros resultados abrangentes e os ativos líquidos considerados para aplicação do método da equivalência patrimonial devem ser aqueles reconhecidos nas demonstrações contábeis da coligada ou do empreendimento controlado em conjunto (incluindo a participação detida pela coligada ou pelo empreendimento controlado em conjunto no lucro ou prejuízo, nos outros resultados abrangentes e nos ativos líquidos de suas coligadas e de seus empreendimentos controlados em conjunto), após a realização dos ajustes necessários para uniformizar as práticas contábeis (ver itens 35 e 36). Esse mesmo procedimento deve ser aplicado à figura da controlada no caso das demonstrações contábeis individuais. 28. Os resultados decorrentes de transações ascendentes (upstream) e descendentes (downstream) entre o investidor (incluindo suas controladas consolidadas) e a coligada ou o empreendimento controlado em conjunto devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis do investidor somente na extensão da participação de outros investidores sobre essa coligada ou empreendimento controlado em conjunto, desde que esses outros investidores sejam partes independentes do grupo econômico a que pertence a investidora. As transações ascendentes são, por exemplo, vendas de ativos da coligada ou do empreendimento controlado em conjunto para o investidor. As transações descendentes são, por exemplo, vendas de ativos do investidor para a coligada ou para o empreendimento controlado em conjunto. A participação do investidor nos resultados resultantes dessas transações deve ser eliminada. 28A. Os resultados decorrentes de transações descendentes (downstream) entre a controladora e a controlada não devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis individuais da controladora enquanto os ativos transacionados estiverem no balanço de adquirente pertencente ao mesmo grupo econômico. O disposto neste item deve ser aplicado inclusive quando a controladora for, por sua vez, controlada de outra entidade do mesmo grupo econômico. 28B. Os resultados decorrentes de transações ascendentes (upstream) entre a controlada e a controladora e de transações Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 24 entre as controladas do mesmo grupo econômico devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis da vendedora, mas não devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis individuais da controladora enquanto os ativos transacionados estiverem no balanço de adquirente pertencente ao grupo econômico. 28C. O disposto nos itens 28A e 28B deve produzir o mesmo resultado líquido e o mesmo patrimônio líquido para a controladora que são obtidos a partir das demonstrações consolidadas dessa controladora e suas controladas. Devem também, para esses mesmos itens, ser observadas as disposições contidas na Interpretação Técnica ICPC 09 Demonstrações Contábeis Individuais, Demonstrações Separadas, Demonstrações Consolidadas e Aplicação do Método da Equivalência Patrimonial.. Por sua vez, assim define o CPC 36 que versa sobre as demonstrações consolidadas: B86. Demonstrações consolidadas devem: (a) combinar itens similares de ativos, passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa da controladora com os de suas controladas; (b) compensar (eliminar) o valor contábil do investimento da controladora em cada controlada e a parcela da controladora no patrimônio líquido de cada controlada (o Pronunciamento Técnico CPC 15 explica como contabilizar qualquer ágio correspondente); (c) eliminar integralmente ativos e passivos, patrimônio líquido, receitas, despesas e fluxos de caixa intragrupo relacionados a transações entre entidades do grupo (resultados decorrentes de transações intragrupo que sejam reconhecidos em ativos, tais como estoques e ativos fixos, são eliminados integralmente). Os prejuízos intragrupo podem indicar uma redução no valor recuperável de ativos, que exige o seu reconhecimento nas demonstrações consolidadas. O Pronunciamento Técnico CPC 32 – Tributos sobre o Lucro se aplica a diferenças temporárias, que surgem da eliminação de lucros e prejuízos resultantes de transações intragrupo. Desse modo, inegavelmente, aumentase o custo do Banco Pactual não através de recursos, mas através de reflexos/imagens de recursos, o que se torna patente ao compararmos o aumento do patrimônio líquido do Banco Pactual no período de 31/12/2005 a 31/11/2006 ao acréscimo do custo de aquisição das ações do contribuinte no mesmo período, tal como apontado pela fiscalização e pela autoridade recorrida. O custo de aquisição apontado não representa fidedignamente a realidade econômica, alterando o montante do tributo apurado, e desrespeitando o principio da capacidade contributiva. Outro ponto de destaque no lançamento, apontado pela autoridade fiscal em seu Termo de Verificação Fiscal, é que na operação ficou estabelecido que além do pagamentos descritos que compunham o valor de alienação das ações do Banco Pactual S/A, os contratantes convencionaram que os alienantes das ações receberiam ainda outros valores sob denominação de “Pagamentos especiais: Usufruto” (Clausula 6.13 do Contrato), também Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 2202002.262 S2C2T2 Fl. 14 25 denominados dividendos posteriores ao fechamento. De acordo com a referida Clausula 6.13, os adquirentes não poderiam receber dividendos do Banco Pactual, enquanto o usufruto não fosse extinto mediante o total pagamento do valor convencionado. Deste modo, pragmaticamente, quando da venda, os alienantes estariam se desfazendo das ações, entretanto não estariam abrindo mão dos dividendos reconhecidos como usufrutos, decorrente de lucro apurados. Na sistemática adotada pelo recorrente, capitalizar lucros para feito de apuração do custo das ações alienadas, que serão depois distribuídos como dividendos, não se justifica, pois na verdade ao se desfazer de suas ações , o alienante não estaria efetivamente abrindo mão de parte desses lucros, ou seja isto não seria um custo para os mesmos. A situação sui generis em cotejo ganha um destaque maior pois a capitalização dos lucros foi efetuada de modo duplicado para aumento artificial do custo de alienação das ações. Acrescentese, por pertinente, que parte dos lucros capitalizados já estariam reservados para os próprios alienantes como dividendos a serem distribuídos, por força de uma convenção firmada na negociação da venda das ações. Nessa situação não identifico qualquer falha na metodologia adotada pelo fiscalização para aproximarse do valor do custo de alienação. A metodologia é oportuna tendo em vista que a origem primária dos lucros é o Banco Pactual S.A., não percebo vícios ou imperfeições. Não se acolhe o argumento do recorrente de que deveria existir uma única metodologia, pois o que se almeja com esta é tentar aproximarse do custo de alienação, ou valor que represente mais fidedignamente, o ônus efetivo do recorrente ao se desfazer de suas ações. Reconheço que qualquer procedimento/método adotado pode ser questionado por eventuais incoerências, mas não foi o que aconteceu no caso concreto. Existe apenas questionamentos genéricos, sem uma proposição concreta de qual seria a metodologia que asseguraria uma representação fidedigna do custo de aquisição, ou qual falha existiria na metodologia empregada que teria efetivamente prejudicado o recorrente. No que toca a base de cálculo e fundamentação, o tributo foi apurado conforme o valor de cotas apontadas pelo próprio recorrente em sua declaração de ajuste anual. O procedimento revestese deste modo de legalidade e nenhum vício se identificou, não merecendo prosperar quaisquer dos vícios apontados pelo recorrente. Divergências de opiniões e interpretação distintas do direito são muitas vezes apontadas na Impugnação e Recurso Voluntário com grande eloqüência e garantindo que a razão estaria sempre com o recorrente, entretanto, com a devido respeito, s.m.j., a pratica adotada não encontra respaldo em nosso sistema tributário. Esse é o entendimento que firmo e com base no qual não reconheço a validade do procedimento adotado pelo recorrente. No relativo a qualificação da multa, não consigo identificar a simulação apontada pela fiscalização e pela autoridade recorrida. Entendo que configurase como simulação , o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substancia ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. Não é o caso nos autos tendo em vista que os fatos são Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 26 transparentes e refletem o que realmente ocorreu, encontrando inclusive possível propósito negocial para a sua realização. No caso concreto, o suposto planejamento tributário realizado é certamente uma matéria controversa, sem precedentes jurisprudenciais contrários à nova qualificação dos fatos pelo seu verdadeiro conteúdo, e não pelo aspecto meramente formal. Nesse contexto implica escusável desconhecimento da ilicitude do conjunto de atos praticados, ocorrendo na espécie erro de proibição. Tendo o contribuinte informado as operações com absoluta transparência, e assim permitindo ao fisco fiscalização e qualificação do fato, está ausente na espécie o evidente intuito de fraude. Neste contexto, afastase a qualificação da multa de ofício. Finalmente, cabe observar que no que toca a incidência de juros sobre a multa de ofício, diversas decisões judiciais e administrativas reconhecem a legalidade da incidência do juros sobre a multa de ofício. No STJ, a duas turmas já adotaram o posicionamento defendido pela Fazenda. No âmbito do CARF também diversos julgados confirmam esse entendimento. Desse modo, deve ser mantida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa a percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Declaração de Voto Conselheiro Rafael Pandolfo 1 ANÁLISE DA LEGALIDADE DAS AÇÕES DO RECORRENTE O presente processo trata de operação em que uma sociedade controladora (holding) apura resultado decorrente da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP) em face de sua controlada. Isto é, o lucro apurado na sociedade controlada reflete na apuração do resultado positivo da controladora pelo MEP. A partir disso, a sociedade controladora capitaliza o lucro distribuindo as ações/quotas aos sócios que, com base no art. 135 do RIR/99, aumentam o custo de aquisição do seu investimento. Ocorre que, no caso em tela, a operação ocorreu mais de uma vez a partir do lucro existente na sociedade controlada (operacional) e, combinada com incorporação das sociedades controladoras pelas controladas (incorporação às avessas), permitiu ao recorrente o aumento desproporcional do custo de aquisição do investimento. E o resultado do aumento do custo de aquisição do investimento possibilitou aos sócios a diminuição do ganho de capital na venda de suas ações da sociedade operacional (no caso o Banco Pactual S.A., único remanescente após as sucessivas incorporações). O desenho da estrutura societária e das operações ocorridas que envolveram a participação societária do recorrente pode ser assim resumido: Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 2202002.262 S2C2T2 Fl. 15 27 1 – Ricardo Takao Kobayashi possuía 9.458.976 ações da Pactual Participações Ltda., ao custo de R$ 6.609.768,94, quando esta foi incorporada pela Pactual Participações S.A. Em substituição, recebeu 6.904.956 ações da Pactual Participações S.A, em 31/12/05; 2 – Recebimento de R$ 12.690.361,00 a título de lucros distribuídos desproporcionalmente pela Nova Pactual Participações Ltda., seguida da capitalização desses lucros na sociedade, com o recebimento de 12.690.361 novas quotas, em 13/10/06; 3 – Incorporação da Nova Pactual Participações Ltda. pela Pactual S.A, com o cancelamento das quotas da Nova Pactual Ltda. e recebimento de quotas da Pactual S.A., em 13/10/06; 4 – Recebimento de R$ 12.451.099,00, a título de lucros distribuídos pela Pactual S.A., seguida de capitalização desses lucros na sociedade, com o recebimento de 12.451.099 novas ações da Pactual S.A., em 01/11/06; 5 – Cisão parcial da Pactual S.A., com reversão de parcela do capital social para a Capital Partners Participações Ltda., e recebimento de 625 quotas, no valor de R$ 62,50, em 01/11/06; 6 – Incorporação da Pactual S.A. pelo Banco Pactual S.A., com o cancelamento das ações da Pactual S.A., e recebimento de 14.175.971 ações do Banco Pactual S.A., em 03/12/06. Com razão a fiscalização aponta – fl. 87 que “o método adotado pelo contribuinte para aumentar desproporcionalmente o custo de suas ações e reduzir o imposto de renda devido na alienação induz a crer que existiria uma deficiência ou lacuna na legislação do imposto de renda, que permitiria eliminar o ganho de capital na alienação de participações societárias, bastando, para tanto, a criação de diversas holdings “de papel” inseridas entre os sócios pessoas físicas e a sociedade produtiva, que, pela repetição de capitalizações com lucros do mesmo exercício social, intercalada com incorporações às Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 28 avessas, seria possível aumentar o custo das ações até o montante do valor da venda destas e, consequentemente, seria possível, com esse método adotado pelo contribuinte, zerar o ganho de capital na alienação de participações societárias e o imposto de renda decorrente, mediante o aumento desproporcional do custo de aquisições. Isto é, a criação de estruturas nos moldes acima transcritos teria, sem dúvida, como efeito o aumento artificial do custo de aquisição das ações, conduta rechaçada pela jurisprudência desse Conselho, conforme se observa: CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS. ENCARGO DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO GERADO COM UTILIZAÇÃO DE SOCIEDADE VEÍCULO. ÁGIO DE SI MESMO. ABUSO DE DIREITO. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos econômicos efetivamente existentes. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, sem qualquer desembolso e com a utilização de empresa inativa ou de curta duração (sociedade veículo) constitui prova da artificialidade do ágio e torna inválida sua amortização. A utilização dos formalismos inerentes ao registro público de comércio engendrando afeiçoar a legitimidade destes atos caracteriza abuso de direito. (CARF. Primeira Seção de Julgamento. 1ª Câmara. 3ª Turma Ordinária. Ac. nº 110300.501. Rel. Conselheiro José Sérgio Gomes. Julg. em 30/06/11). Entendo, entretanto, que o julgamento não deve ficar adstrito ao plano das hipóteses ligadas ao tema de fundo analisado, mas construir um significado concreto ligado às peculiaridades do caso (pragmática). Nesse ponto, acho relevante diferenciar (i) a conduta materializada na criação de uma estrutura societária desprovida de conteúdo econômico, com a finalidade exclusiva de economizar tributos, (ii) da conduta do contribuinte que, diante de uma estrutura previamente existente, opta pela adoção de um caminho que lhe confere menor custo tributário. Essa parece ser a hipótese ora analisada. Analisandose o caso concreto denotase que a estrutura que possibilitou o aumento do custo de aquisição das ações do recorrente existia, no mínimo, há mais de dois anos da data da venda das ações do Banco Pactual S.A. Mais que isso, consultando o sistema COMPROT se pode constatar a existência de processos administrativos datados de 2002, o que sugere que as empresas existiam, muito antes desta data. Ou seja, não se trata de estrutura criada com a finalidade de reduzir ou eliminar a incidência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) sobre o ganho de capital na venda das ações do Banco Pactual S.A., mas, sim, da adoção, pelo recorrente, do caminho legal mais vantajoso, em termos fiscais, diante da encruzilhada que poderia gerar maior ou menor custo tributário. No caso em tela, o recorrente conseguiu demonstrar não apenas a utilidade da estrutura societária existente como a existência de propósito negocial/econômico, o que permite concluir, inclusive, que aconteceria independentemente da redução da carga tributária para os acionistas na venda de sua participação no Banco Pactual S.A. O recorrente poderia, é verdade, ter adotado outro meio para realização da venda de sua participação no Banco Pactual S.A., como, por exemplo, após a incorporação Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 2202002.262 S2C2T2 Fl. 16 29 Nova Pactual Ltda. pela Pactual Holding S.A, vender suas ações desta última (que detinha 100% do Banco Pactual S.A.), fazendo com que, indiretamente, o comprador tivesse o controle do Banco. Até mesmo, poderiam as sociedades não ter capitalizado, antes de sua incorporação, o resultado positivo auferido pelo MEP, mantendo esse resultado dentro do patrimônio líquido da incorporada. Mas não. O recorrente utilizou a possibilidade de aumento do custo de aquisição do investimento, prevista no art. 135 do RIR/99, para minimizar o impacto tributário na operação de venda de sua participação no Banco Pactual S.A. Se a utilização desse mecanismo gerou distorção entre a evolução do patrimônio líquido do Banco e a evolução do aumento do custo do investimento do recorrente – e isso é um fato, de forma evidente há uma distorção econômica , essa é mais uma, dentre tantas distorções permitidas/previstas na lei, que ora atuam em favor dos contribuintes, ora em desfavor. Como exemplo, podemos citar a limitação da compensação do prejuízo fiscal acumulado pelas empresas no percentual de 30%, restrição legal cujo efeito é a criação artificial de um lucro fiscal que não encontra respaldo na situação patrimonial do contribuinte. Em outros termos, o fato de o lucro obtido no Banco Pactual S.A. gerar reflexos de resultado positivo na sua controladora (Pactual Holding S.A.) e também na empresa que controla essa última (Nova Pactual Ltda.), através do MEP não encontra qualquer óbice legal. Do mesmo modo, não há qualquer impedimento legal nas capitalizações desses resultados aos quotistas da Nova Pactual Ltda. e, posteriormente, aos acionistas da Pactual Holding S.A., ainda que provenientes do lucro existente no Banco Pactual S.A. Pelo contrário, tanto a fiscalização quanto a decisão recorrida admitem que, se houvesse em caixa dinheiro disponível, o lucro obtido com o MEP, tanto numa quanto noutra empresa controladora, poderia ser distribuído aos sócios. Portanto, se o lucro poderia ter sido distribuído aos sócios, por que o resultado positivo auferido através do MEP não poderia ser capitalizado, aumentando o custo de aquisição do investimento do quotista/acionista, nos termos previstos pelo art. 135 do RIR/99? Nesse compasso, a fiscalização busca enquadrar o aumento do custo de aquisição do investimento engendrado pelo recorrente, com base no art. 135 do RIR/99, como abuso de direito. Tal abuso de direito, inclusive, teria caracterizado fraude à legislação tributária (segundo concluiu a decisão recorrida). Abaixo, transcrevese um trecho do Termo de Verificação Fiscal que ilustra o pensamento da fiscalização: O abuso de Direito está intimamente ligado à idéia segundo a qual não há direito ilimitado, e a distinção entre o direito, e a forma pela qual é este exercitado, revelase de notável importância para a caracterização do abuso do direito, e em consequência, permite o estabelecimento de limites para o planejamento tributário, a partir dos quais a conduta destinada a evitar, ou reduzir o tributo, caracteriza “fraude fiscal”. Como tal, pode ser considerado o uso de fórmulas anômalas, absolutamente inusuais, cuja validade não pode ser razoavelmente sustentada mesmo no âmbito do Direito em que está situada a figura jurídica então deformada. O abuso de direito pode ser definido, portanto, como sendo o exercício egoístico, normal do direito, sem motivos legítimos, com excessos intencionais ou voluntários, dolosos ou culposos, Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 30 nocivos a outrem, contrário ao critério econômico e social do direito em geral. O certo é que no mundo atual, pós era liberal, o abuso de direito é contrário a tendência socializante do direito, na sua vontade de sempre o direto, qualquer que seja, atender à sua função social. Assim com o abuso de forma, o abuso de direito é desdobramento da interpretação econômica do direito tributário. O abuso de direito considera ilícita a conduta do contribuinte que pratica negócios jurídicos visando exclusivamente à economia de imposto, tendo como fundamento o uso imoral do direito. O intérprete aplicaria uma regra moral própria, convertendoa numa regra jurídica a incidir em cada caso. Para cada situação exigirá uma regra moral específica. Seu campo de incidência é o plano da moral, o que rejeita o princípio da legalidade e o valor da segurança jurídica. (Grifamos). A peça fiscal busca sustentação expressa na clássica interpretação econômica do direito tributário, sustentando que nela é papel do intérprete a aplicação de uma regra moral própria em detrimento da legalidade e da segurança jurídica. Cabe lembrar que a Teoria da Interpretação Econômica do Direito, nascida nos idos de 1919 na Alemanha, sob a regência de Enno Becker, permitiu aos entes fiscais ultrapassar a linha tênue que existe entre a legalidade e o arbítrio, pois a legislação fiscal foi simplificada a ponto de os fatos geradores serem regidos pelos efeitos econômicos, e não pela forma jurídica que assumiam. Não se discorda que as operações analisadas acarretaram uma distorção entre os planos tributário e patrimonial. Essa distorção, no entanto, não decorreu num contexto societário/ jurídico artificialmente criado. Exigir que o contribuinte, nesse contexto, não percorra o caminho tributariamente menos oneroso e dele retire seus efeitos tributários implica sacrificar desnecessariamente a legalidade e substituíla pelo “princípio da maior capacidade contributiva” (sic). As distorções existentes entre os efeitos prescritivos previstos pelo ordenamento e sua correspondência patrimonial, no presente caso, possuem foro específico para correção: poder legislativo. Aliás, sob o ponto de vista econômico, o subjetivismo da “criação normativa realizada pelo intérprete”, em prejuízo do regime jurídico genericamente estendido a todos os contribuintes agrega desnecessária incerteza nos agentes econômicos, num claro prejuízo ao crescimento do país, como já havia constatado Adam Smith, em 1776: O tributo que cada indivíduo está obrigado a pagar deve ser certo, e não arbitrário. O tempo do pagamento, o modo de pagamento, a quantidade a ser paga, tudo deve ser claro e evidente ao contribuinte, e a qualquer outra pessoa. Onde isso é diferente, cada pessoa sujeita à tributação é posta em maior ou menor grau à mercê do coletor de impostos, que pode tanto agravar o tributo incidente sob cada contribuinte antipático, ou extorquir, pelo temor desta agravação, algum presente ou gratificação para si mesmo. A incerteza da tributação encoraja a insolência e favorece a corrupção de uma categoria de homens que são naturalmente impopulares, mesmo quando não são insolentes ou corruptos. A certeza do que cada indivíduo deve pagar é, na tributação, uma questão de tão grande importância que um considerável grau de desigualdade, parece, eu creio, da Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 2202002.262 S2C2T2 Fl. 17 31 experiência de todas as nações, não está próximo de representar um mal tão grande quanto um pequeno grau de incerteza. (Tradução livre de: SMITH. Adam. An inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations. Edited by S. M. Soares. MetaLibri Digital Library, 29th May 2007. Book V: “Of the Revenue of the Sovereign or Commonwealth”, chap. II: “Of the Sources of General or Public Revenue of the Society”, part III: “Of Taxes”, par. II. p. 639640.) Desse modo, entendo que o recurso merece provimento, pois não há contexto que autorize a desconsideração dos efeitos tributários estendidos pelo ordenamento ao contribuinte, que acabaram acarretando o aumento do custo de aquisição das ações por ele vendidas e a consequente redução do seu ganho de capital. 2 DOS CRITÉRIOS DE APURAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. A Fiscalização tomou como base para o cálculo do custo do investimento do recorrente a sua participação no patrimônio líquido da empresa Pactual Holding S.A., no valor de R$ 1.149.610.206,41, antes de sua incorporação pelo Banco Pactual S.A. Acredita a Fiscalização que o patrimônio líquido da aludida empresa, por ter sido a última a participar das operações de capitalização de resultados positivos decorrentes do MEP, representaria, perfeitamente, a base para o cálculo do custo da participação de cada um dos sócios. Em outra conta para chegar ao mesmo resultado, a Fiscalização somou o valor do patrimônio líquido de cada sociedade investida/ incorporadora no evento “incorporação às avessas” (além de uma pequena diferença oriunda do resultado da Pactual Holding S.A. nos meses anteriores à sua incorporação pelo Banco Pactual S.A.), e chegou ao mesmo montante: R$ 1.149.610.206,41. Além disso, em razão de o contrato de venda do Banco Pactual S.A. prever o pagamento de “exdividendos” (apurados após a venda, no valor de R$ 290.754.000,06) aos exacionistas, a fiscalização deduziu da base para cálculo do custo do investimento dos sócios o valor dos dividendos por eles recebidos a posteriori, chegando ao valor final de R$ 858.876.206,35. Por fim, identificada a base de cálculo, bastou à fiscalização aplicar o percentual que cada sócio detinha no patrimônio líquido da Pactual Holding S.A. (no caso do recorrente, 1,25%), para chegar ao alegado valor do custo de aquisição do investimento do recorrente R$ 10.687.671,25. O auto de infração, nesse ponto, adota critério incoerente e desprovido de respaldo legal. O art. 135 do RIR/99, conforme já referido, define que o custo de aquisição do investimento, no caso de quotas ou ações distribuídas em razão da incorporação de lucros, como é o caso dos autos, será igual à parcela do lucro capitalizada, que corresponder ao sócio ou acionista: Art. 135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 32 parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único). A peça fiscal utiliza como premissa a inviabilidade dos efeitos causados pela dupla capitalização na composição do custo de aquisição do recorrente. A consequência lógica seria a glosa das ações recebidas pelo recorrente na segunda capitalização, caminho, aliás, trilhado noutros autos de infração lavrados contra os demais acionistas. Desse modo, o lançamento manteria sua indispensável coerência intranormativa. Neste mesmo compasso, ao apresentar contrarazões ao recurso voluntário do processo nº 19515.720169/201179, que trata de auto de infração lavrado contra outro acionista do Banco Pactual, com fulcro no mesmo objeto (discordância quanto ao duplo resultado pelo MEP em razão de um só lucro) a Procuradoria da Fazenda Nacional se manifestou concordando com a primeira capitalização do lucro obtido através da aplicação do MEP, ocorrida antes da incorporação de Novo Pactual Ltda., conforme se observa: “Pois bem. Em 13 de outubro de 2006, foi realizada a primeira capitalização, ocorrida na Nova Pactual Participações Ltda. Os sócios aprovaram o aumento do seu capital social em R$ 686 milhões, que passa de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40, e cuja integralização foi efetuada mediante a capitalização de créditos que os referidos sócios possuíam frente a empresa (conforme balanço relativo a 31.08.2006), provenientes de distribuição de dividendos. É certo que, em razão do que determina o art. 135 do RIR/99, o Contribuinte promoveu o aumento no valor do custo de aquisição de sua participação nessa empresa no montante de R$ 70.451.635,00. Até aqui, não existe nenhuma irregularidade. [...] Entretanto, o contribuinte se apegou ao art. 135 do RIR/99 e se “esqueceu” do contexto fático que envolveu a alienação das mencionadas ações. Ele tenta fazer prevalecer a tese de que o lucro gerado pelo Banco Pactual, a única operacional do grupo, pode ser utilizado em mais de uma capitalização dentro de um mesmo grupo de empresas. A equivocada interpretação adotada pelo contribuinte teve como resultado prático a utilização sucessivas vezes de um único lucro, mesmo não havendo suporte econômico para tanto.” O critério que deveria ter sido utilizado pela fiscalização para apuração do custo do investimento do recorrente seria, segundo a orientação da própria Procuradoria da Fazenda Nacional, efetuar a evolução do custo de aquisição a partir da primeira capitalização ocorrida na empresa Novo Pactual Ltda. Jamais poderia adotar outro método, por absoluta falta de fundamento legal. Entretanto, o crédito tributário foi constituído a partir de um arbitramento realizado em prejuízo do preceito legal cogente e aplicável (RIR, art. 135), e em descompasso com os limites contidos no art. 148, do CTN. Isto porque, o arbitramento somente poderia ter sido utilizado se fossem omissos ou não merecessem fé: i) as declarações ou esclarecimentos prestados pelo recorrente; ou ii) os documentos por ele apresentados, conforme prevê o art. 148, do CTN, in verbis: Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 12448.736152/201135 Acórdão n.º 2202002.262 S2C2T2 Fl. 18 33 Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Esses requisitos de cabimento do arbitramento estão consubstanciados na jurisprudência deste Conselho: ARBITRAMENTO DE CUSTO DE CONSTRUÇÃO SINDUSCON/PINI As hipóteses de arbitramento encontram se definidas no art. 148 do CTN e alcançam a ausência de documentação ou documentação imprestável. Na segunda hipótese, cabe ao fisco comprovar que a documentação apresentada pelo contribuinte não é merecedora de fé e somente após proceder ao arbitramento. É improcedente o auto de infração que se utiliza de arbitramento para fixar o custo de construção, que origina o acréscimo patrimonial a descoberto, quando o contribuinte presta os esclarecimentos solicitados e apresenta os documentos probatórios dos fatos arbitrados pela fiscalização. Recurso especial negado. (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, AC 40104813. Julg. em 02/12/03) PREVIDENCIÁRIO. HELD. FALTA DE ATENDIMENTO A SOLICITAÇÃO DE ELEMENTOS EFETUADA PELO FISCO. ARBITRAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. CABIMENTO. Quando o sujeito passivo, regularmente intimado, deixa de apresentar ao fisco documentos necessários ao desenvolvimento da ação fiscal, a legislação autoriza a apuração do crédito por arbitramento, ficando o contribuinte com o encargo comprovar o contrário. (CARF. 2ª Seção. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. nº 2401 00.966. Rel. Kleber Ferreira de Araújo. Julg. em 28/02/10) Entretanto, não foi o que se verificou no caso em tela, pois, instado a apresentar documentos e prestar esclarecimentos o recorrente sempre atendeu prontamente à fiscalização. Deste modo, tanto a incoerência intranormativa do lançamento acima apontada, como o expresso comando previsto pelo art. 135 do RIR/99, demonstram a invalidade do critério jurídico utilizado na fixação da base e cálculo, que fulminou o direito subjetivo da Fazenda. Com base no acima exposto, voto pelo PROVIMENTO do recurso voluntário, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO 34 Rafael Pandolfo Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por ODMIR FERNANDE S, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/06/201 3 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10980.007374/2007-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3201-000.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência. JOEL MIYAZAKI - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter os autos em diligência. JOEL MIYAZAKI Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo do auto de infração de fls. 232/242, no valor total de R$ 1.914.616,89, neste incluído IPI não recolhido no valor de R$ 760.964,20, acrescido de juros de mora (calculados até 31/05/2007) no valor de R$ 582.929,54 e de multa proporcional no valor de R$ 570.723,15. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 07 37 4/ 20 07 -0 6 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10980.007374/200706 Resolução nº 3201000.382 S3C2T1 Fl. 489 2 Segundo a descrição dos fatos de fl. 240 e o Termo de Verificação Fiscal de fls. 227/231, o estabelecimento recolheu a menor o imposto, no período de junho/2002 a dezembro/2002, por se utilizar de créditos indevidos na seguinte situação: A contribuinte obteve, na esfera judicial, o reconhecimento do direito de se creditar do IPI em decorrência de aquisições de matériasprimas isentas, nãotributadas ou com alíquota reduzida a zero, por força do Mandado de Segurança no 98.00209263, com Acórdão transitado em julgado. No entanto, ao escriturar os créditos, cometeu as seguintes irregularidades: incluiu os créditos decorrentes das aquisições de produtos intermediários; formulada consulta a respeito, a Divisão de Tributação – DISIT da 9ª Região Fiscal posicionouse no sentido de que o alcance da decisão restringese aos termos do pedido, devendo ser acatados somente os créditos relativos às matériasprimas; incluiu os créditos decorrentes das aquisições de produtos que não se enquadram no conceito de insumos, tais como gás e lixas; A utilização a maior de créditos fictícios de IPI decorrentes da ação judicial, no período de setembro/1993 a março/2002, já foi objeto de ação fiscal anterior resultando no auto de infração constante do PAF nº 10980.012807/200222. Na reconstituição da escrita fiscal efetuada naquela ação fiscal foram aproveitados todos os créditos válidos referentes às aquisições ocorridas de setembro de 1993 até março/2002, não havendo saldo credor a transportar para o período seguinte. A questão do prazo prescricional do direito ao crédito não causa alteração na apuração dos créditos para o período fiscalizado (abril a dezembro de 2002) porque os créditos amparados pela decisão judicial foram aproveitados no mês de entrada das matériasprimas. Tendo em vista que os créditos referentes às aquisições anteriores a abril de 2002 foram todos aproveitados naquele auto de infração, na presente fiscalização foram analisados apenas os créditos referentes às aquisições efetuadas a partir de abril de 2002. Tendo em vista que, no período de abril a dezembro de 2002 não foi registrada nenhuma operação de exportação, foram considerados 100% dos valores dos créditos sobre as entradas de matériasprimas, conforme consta na coluna "(%) APLICADO" da relação de notas fiscais e créditos apresentada pelo contribuinte. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 258/308, alegando, em síntese, que: 1. A medida fiscal é por inteiro insegura, uma vez que é fundada em presunção; ignorando todas as circunstâncias que informam as rotinas da empresa e principalmente a coisa julgada material conferida em Mandado de Fl. 489DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10980.007374/200706 Resolução nº 3201000.382 S3C2T1 Fl. 490 3 Segurança, presumese que a Impugnante tenha promovido a escrituração considerada indevida de créditos do IPI. 2. Existe um evidente descompasso entre a fundamentação do auto de infração e o valor lançado, o que macula o procedimento ao abrigo de presunção fiscal. 3. O crédito decorre de decisão judicial, portanto, deveria o fiscal ter procedido ao levantamento total dos créditos conferidos pela Sentença, comparar com o valor já utilizado e glosar a diferença, se existisse. 4. A Sentença transitada em julgado confere o direito ao levantamento do período não alcançado pela prescrição, qual seja, dez anos antes da impetração do Mandado de Segurança, e até o momento houve somente a apuração dos créditos dos cinco anos anteriores, e estes foram parcialmente aproveitados. 5. Não existe qualquer discriminação de quais notas fiscais de aquisição de produtos desonerados de IPI geraram o crédito glosado, ou mesmo quanto desse valor corresponde a cada um dos itens entendidos como indevidos pela fiscalização. 6. Todavia, em abstração a tudo isto, o fiscal promoveu a glosa dos créditos, como por igual, aqueles conferidos pela decisão judicial, em afronta a coisa julgada material que é constitucionalmente tutelada. 7. Sendo o Auto de Infração um ato administrativo vinculado A lei, ao principio da reserva legal, concluise a imprecisão e a falta de clareza quanto aos dispositivos legais que embasam e maculam de nulidade todo o procedimento. 8. A instauração do presente feito revela que as coisas passaram por nítido procedimento de exclusão e não há, com a necessária segurança, elementos que possam convalidar a exigência em questão, mormente quando não passa de cogitação de escrituração de créditos pseudo indevidos. Exatamente por isso, é necessária a realização de diligências no sentido de estabelecer qual o saldo credor ou devedor existente relativamente à decisão judicial. 9. Ao alegar que a fiscalização anterior, constante do PAF nº 10980.012807/200222, glosou créditos de aquisições ocorridas há mais de cinco anos da data da utilização do crédito, o diligente Auditor Fiscal ocorre em erro uma vez que não houve qualquer manifestação quanto a prescrição ou decadência dos créditos, nas razões expostas pelo fiscal no auto de infração anterior; 10. Não poderia haver glosa de créditos porque não havia levantamento dos créditos do período entre 1988 a 1993; os créditos de 1988 a 1993 não podiam ter sido compensados no período da fiscalização anterior já que sequer haviam sido calculados; a matéria referente à prescrição dos créditos não foi delineada no auto de infração anterior, se na fiscalização anterior não foi feita qualquer consideração formal sobre o assunto e nesta Fl. 490DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10980.007374/200706 Resolução nº 3201000.382 S3C2T1 Fl. 491 4 fiscalização o assunto não foi tratado porque se limitou a verificar créditos a partir de abril de 2002, onde poderá a Impugnante apresentar suas considerações de defesa sobre a matéria em questão; 11. E como há inegável identidade entre as matérias do auto de infração anterior e este, ora impugnado, há, por sua vez, risco de julgamentos conflitantes. 12. Estando em litígio a matéria com exatamente as mesmas questões e sujeitos envolvidos no procedimento anterior, operase a litispendência, que traz a conseqüência de nulidade ao processo anterior; não é possível a autoridade lavrar outro auto de infração sob o mesmo fundamento daquele ainda não julgado; 13. O direito advindo com a decisão judicial decorre de um sistema, pelo qual devem ser consideradas todas as manifestações contidas nos aludidos documentos; não cabe ao auditor reavaliar o conteúdo das manifestações contidas no sistema, uma vez que a coisa julgada material é imutável; 14. Em que pese a prescrição não ter sido apreciada nesta auto de infração, conforme as manifestações no processo, é pertinente fazer considerações sobre o assunto; o reconhecimento dos créditos de IPI deverá alcançar valores pagos no período de dez anos da data em que houve o protocolo da inicial do Mandado de Segurança; 15. A decisão judicial contempla as mercadorias adquiridas pelo contribuinte, e não faz distinção quanto a sua natureza; o que está sendo discutido é o regime da nãocumulatividade do IPI, e sendo assim, não existe possibilidade de limitar a sua aplicação apenas a uma espécie de mercadoria; 16. Com relação à correção monetária, o fato de não ter sido nominado o índice não prejudica a aplicação da determinação judicial de correção monetária; não há dúvida que houve o deferimento da correção monetária, o que possibilitou ao contribuinte, de forma conservadora, utilizar os mesmos índices aplicados pelo Fisco, para a correção de seus créditos tributários. 17. A multa exigida é confiscatória; 18. É descabida a atualização da base de cálculo da multa desde a origem dos fatos tidos como infringentes à lei; 19. A exigência de juros moratórios dimensionados pela taxa Selic é inconstitucional. Por fim, requer, que seja reconhecida a nulidade do lançamento, a produção de provas, consubstanciadas em juntada de documentos, laudos técnicos e diligências, e, no mérito, que seja dado provimento à impugnação.” Fl. 491DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10980.007374/200706 Resolução nº 3201000.382 S3C2T1 Fl. 492 5 O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BEL no 0123.255, de 18/10/2011, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, cuja ementa dispõe, verbis: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 30/06/2002 a 31/12/2002 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI. PRESCRIÇÃO. O direito ao crédito de IPI extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, ou seja, da data de entrada dos materiais no estabelecimento. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para examinar aspectos de legalidade e constitucionalidade dos atos baixados pelos Poderes Legislativo e Executivo. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IPI. A falta de recolhimento do IPI, nos prazos previstos na legislação, enseja a sua exigência, acrescido de juros de mora calculados pela taxa Selic e multa de ofício. RECONHECIMENTO DE CRÉDITOS POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL. O reconhecimento do direito a créditos de IPI limitase aos termos do pedido, quando a decisão judicial a ele se reporta. CORREÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Considerando que não existe previsão legal para a correção monetária de créditos extemporâneos de IPI, é indevida a atualização fundada em decisão judicial, se esta não estabelece os índices aplicáveis. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É legal a cobrança dos juros de mora com base na taxa Selic. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido”. O julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter integralmente a exigência. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz, basicamente, as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10980.007374/200706 Resolução nº 3201000.382 S3C2T1 Fl. 493 6 Ressalta, dentre outros, cálculo do crédito glosado, assim como argumenta que a fiscalização deveria entender que o crédito decorre de decisão judicial, portanto, deveria ter levantado o total do crédito conferido pela sentença e comparar com o valor utilizado e glosar a diferença, se existir; inclusive, ser objeto, de diligência para quantificar essas parcelas. Além do mais, constar uma avaliação das mercadorias glosadas se guardam semelhanças com matériasprimas e produtos intermediários. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. VOTO MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o processo de auto de infração referente ao IPI não recolhido, acrescido de juros de mora e de multa, no período de junho/2002 a dezembro/2002, por se utilizar de créditos indevidos. A mesma obteve, na esfera judicial, o reconhecimento do direito de se creditar do IPI em decorrência de aquisições de matériasprimas isentas, nãotributadas ou com alíquota reduzida a zero, por força do Mandado de Segurança no 98.00209263, com Acórdão transitado em julgado. Antes de adentrar no mérito, entendo que seja necessária a realização de diligência para verificação de saldo credor ou devedor, ou seja, da quantificação, dos valores glosados, quais itens glosados e correção monetária aplicada, à vista da decisão judicial, do período abrangido. E, para complementar, a solicitação acima e pertinente ao caso, por ter correlação, transcrevo a Resolução de n° 330200.214, de 22/05/2013 (processo 10980.013077/200791 da Berneck S. A. Painéis e Serrados, de relatoria do Conselheiro José Antônio Francisco, que deve ser aplicada, guardadas as devidas proporções: “Relativamente aos insumos admitidos para gerar crédito e à correção monetária, cabe a realização de diligência, pelos motivos seguintes. Quanto aos insumos, importa ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508) decidiu que os materiais que são consumidos no processo industrial, ainda que não integrem o produto final, geram direito ao crédito de IPI, nos seguintes termos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10980.007374/200706 Resolução nº 3201000.382 S3C2T1 Fl. 494 7 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’.. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (Destaquei.) Como se deduz do trecho destacado acima, somente os insumos incorporados ao produto final ou que se desgastam no processo de industrialização é que geram direito de crédito. Em seu voto, o Ministro relator destacou o seguinte: [...]Dessumese da norma insculpida no supracitado preceito legal que o aproveitamento do crédito de IPI dos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. [...]In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10980.007374/200706 Resolução nº 3201000.382 S3C2T1 Fl. 495 8 [...]Conforme esclarecido acima, somente geram direito a crédito de IPI os insumos que, além de não se destinarem ao ativo permanente, ou se incorporem ao produto fabricado ou cujo desgaste ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização. Ainda há precedente do Supremo Tribunal Federal, no RE n. 90.205/RS, de relatoria do Ministro Soares Muñoz, cuja ementa foi a seguinte: IPI. Ação de empresa fabricante de aço para creditarse do imposto relativo aos materiais refratários que revestem os fornos elétricos, onde é fabricado o produto final. Interpretação que concilia o Decretolei n. 1.136/70 e o seu Regulamento, art. 32, aprovado pelo Decreto n. 70.162/72, com a Lei 4.503/64 e com o art. 21, paragrafo 3º, da Constituição da República. Ação julgada procedente pelo conhecimento e provimento do recurso extraordinário. (RE 90.205 / RS) Em seu voto, o relator destacou o seguinte: Estou em que, tendo o acórdão recorrido admitido o fato de que os refratários são consumidos na fabricação do aço, a circunstância de não se fazer essa consumição em cada fornada, mas em algumas sucessivas, não constitui causa impeditiva à incidência da regra constitucional ou legal que proíbe a cumulatividade do IPI. Posteriormente, o STF decidiu no RE 93.768/MG, de que foi relator o Ministro Cordeiro Guerra, que os fornos em si e as demais máquinas utilizadas na produção não geram direito de crédito, diferentemente dos refratários: IPI. Não cumulatividade. Tijolos refratários. Produção de aço. Art49 do CTN. O desgaste natural do forno ou das máquinas não se sujeita à incidência do IPI, dedutível do imposto de renda, pelo que não pode ser deduzido do IPI a ser pago. RE não conhecido. (RE 93768 / MG) Portanto, temse que somente os insumos que se desgastem de forma imediata (direta) e integral no processo, ainda que não de uma só vez, geram direito de crédito, o que não ocorre com máquinas, equipamentos, produtos não utilizados diretamente na produção, peças e partes de máquinas etc. Portanto, não faz sentido algum interpretar a decisão judicial como se tivesse concedido direito de crédito sobre aquilo que não é empregado na produção. Quanto aos acórdãos do Carf citados pela Interessada, nos embargos declaratórios foi decidido o seguinte: Por fim, registrese que a decisão judicial limitou os créditos às aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, sendo despiciendo alterar a parte final do Acórdão embargado, visto que, na Fl. 495DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10980.007374/200706 Resolução nº 3201000.382 S3C2T1 Fl. 496 9 própria ementa, a Relatora deixou explícito que outros créditos extrapolariam a decisão judicial. Assim, ficou esclarecido que “outros créditos” extrapolariam a decisão judicial, razão pela qual não foram acolhidos os embargos. ....... Cabe, assim, a realização de diligência, para que sejam discriminados os insumos que, nos termos dos entendimentos acima reproduzidos, foram aplicados na produção, ainda que não tenham sofrido desgaste em contato direto com o produto fabricado. À vista do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência Dessa forma, voto por que se CONVERTA O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para atender ao demandado acima. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias. Após, devem ser encaminhados os autos para vista à PGFN da diligência realizada, também, se quiser, se manifestar. Por fim, devem os autos retornar a esta Conselheira para prosseguimento no julgamento. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 5/07/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 06/08/2013 por JOEL MIYAZAKI
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