Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,220)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,371)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,859)
- Primeira Turma Ordinária (15,833)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,681)
- Segunda Turma Ordinária d (14,211)
- Primeira Turma Ordinária (12,953)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,916)
- Terceira Câmara (66,252)
- Segunda Câmara (54,545)
- Primeira Câmara (19,103)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,775)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,158)
- Segunda Seção de Julgamen (112,982)
- Primeira Seção de Julgame (75,394)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,909)
- Câmara Superior de Recurs (37,687)
- Terceiro Conselho de Cont (25,961)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,650)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,618)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,891)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,170)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10183.003264/2007-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001
SÚMULA VINCULANTE DO E. STF. Nos termos do art. Art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO QUINQUENAL. ART. 173 DO CTN. RECURSOS REPETITIVOS (STJ). REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF (ART. 62-A DO RI-CARF).
A Primeira Seção, no julgamento do REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC e Resolução 8/2008 do STJ), consolidou entendimento segundo o qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que não ocorre pagamento antecipado, ou na constatação de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial rege-se pelas disposições do art. 173, inciso I, do CTN, e constatado pagamento, aplicável a regra prevista no art. 150, § 4º do CTN.
As decisões do colendo STJ, proferidas de acordo com os recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), devem ser reproduzidos nos julgamentos deste CARF, por força do art. 62-A do RI-CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (DOU 22/12/2010).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1101-001.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, pela aplicação da decadência, vencidos os Conselheiros José Sérgio Gomes e Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente) que davam provimento parcial ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que fez declaração de voto. Ausente justificadamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, substituído pelo Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
(documento assinado digitalmente)
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sergio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2001 SÚMULA VINCULANTE DO E. STF. Nos termos do art. Art. 103-A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO QUINQUENAL. ART. 173 DO CTN. RECURSOS REPETITIVOS (STJ). REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF (ART. 62-A DO RI-CARF). A Primeira Seção, no julgamento do REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543-C do CPC e Resolução 8/2008 do STJ), consolidou entendimento segundo o qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que não ocorre pagamento antecipado, ou na constatação de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial rege-se pelas disposições do art. 173, inciso I, do CTN, e constatado pagamento, aplicável a regra prevista no art. 150, § 4º do CTN. As decisões do colendo STJ, proferidas de acordo com os recursos repetitivos (art. 543-C do CPC), devem ser reproduzidos nos julgamentos deste CARF, por força do art. 62-A do RI-CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (DOU 22/12/2010). Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10183.003264/2007-52
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5384701
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1101-001.146
nome_arquivo_s : Decisao_10183003264200752.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO LISBOA CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 10183003264200752_5384701.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, pela aplicação da decadência, vencidos os Conselheiros José Sérgio Gomes e Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente) que davam provimento parcial ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que fez declaração de voto. Ausente justificadamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, substituído pelo Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sergio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5645424
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254883893248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2488; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 1.077 1 1.076 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.003264/200752 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1101001.146 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria COFINS Recorrente Impelco Comercio e Importação de Eletrodomésticos Ltda. Responsável solidário: Vesle Móveis e Eletrodomésticos Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001 SÚMULA VINCULANTE DO E. STF. Nos termos do art. Art. 103A da Constituição Federal, a Súmula aprovada pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de sua publicação na imprensa oficial. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO QUINQUENAL. ART. 173 DO CTN. RECURSOS REPETITIVOS (STJ). REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF (ART. 62A DO RICARF). A Primeira Seção, no julgamento do REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC e Resolução 8/2008 do STJ), consolidou entendimento segundo o qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em que não ocorre pagamento antecipado, ou na constatação de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial regese pelas disposições do art. 173, inciso I, do CTN, e constatado pagamento, aplicável a regra prevista no art. 150, § 4º do CTN. As decisões do colendo STJ, proferidas de acordo com os recursos repetitivos (art. 543C do CPC), devem ser reproduzidos nos julgamentos deste CARF, por força do art. 62A do RICARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (DOU 22/12/2010). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 32 64 /2 00 7- 52 Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, pela aplicação da decadência, vencidos os Conselheiros José Sérgio Gomes e Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente) que davam provimento parcial ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que fez declaração de voto. Ausente justificadamente o Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, substituído pelo Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, José Sergio Gomes, Joselaine Boeira Zatorre, Antônio Lisboa Cardoso (relator), e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Relatório Conforme constatase do processo nº10183.003265/200705 (fls. 485), a fiscalização encerrou parcialmente o procedimento em 08/08/2007, constituindo créditos tributários afetos ao ano de 2001 nos processos 10183.003252/200728 (CSLL Lucro Arbitrado) e 10183.003264/200752 (COFINS Insuficiência de Recolhimento). Assm, trata o presente processo de lançamento da COFINS de fatos geradores ocorridos no ano de 2001, em decorrência da infração de omissão de receitas da atividade. A ciência do auto de infração ocorreu em 13.08.2007 (Vesle), responsável solidária e em 14.08.2007 (Impelco), principal responsável tributária. O acórdão da Turma Julgadora, de fls. 878/907 rejeitou as preliminares de nulidade e decadência, indeferiu pedido de exclusão da responsabilidade solidária e, no mérito, considerou procedente o lançamento. A ciência da decisão de primeira instância à empresa Impelco foi dada em 15.04.2008, e o recurso voluntário, de fls. 962/1000 foi apresentado em 13.05.2008. Em relação à ciência da decisão de primeira instância à empresa responsável solidária, esta ocorreu, em 14.04.2008, e o recurso voluntário, de fls. 919/958 foi apresentado em 08.05.2008. Verificase que a fiscalização emitiu Requisições de informações sobre movimentações financeiras, para obter os extratos bancários, entre outros documentos. Conforme Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização concluiu que os extratos das contas mantidas em instituições financeiras se referem a receitas da atividade: Com base nessa amostragem, ficou evidente que os depósitos e créditos havidos nas contas bancárias de IMPELCO se referem Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003264/200752 Acórdão n.º 1101001.146 S1C1T1 Fl. 1.078 3 a receitas de sua atividade, sobremaneira nos que são especificamente identificados como tal (liquidação de cobrança, venda com cartão de crédito, recebimento por fornecimento, FEDERALCARD, crédito eletrônico, crédito REDE SHOP e cartão VISA ELECTRON). A partir das bases de cálculo obtidas nos Livros Diário de 2001, as mesmas foram comparadas com o total das receitas da atividade auferidas em contas bancárias, e verificandose a existência de base de cálculo maior que a utilizada para prestar as informações em DCTF, recalculouse a contribuição resultando nas diferenças exigidas. Recorrem, alegando, em síntese, o seguinte: 1 DAS PRELIMINARES A Recorrente solicita preliminarmente suspensão temporária do presente processo, para que se aguarde a conclusão do julgamento dos processos n° 10183.003252/200728 (CSLL 2001) e n.° 10183.003265/200705 (IRPJ), sendo reflexos de Autuação de IRPJ, evitando com isto a possibilidade de haver decisões conflitantes com prejuízos irreparáveis à parte. 2 — DA DECADÊNCIA Alega a insubsistência da pretensão fiscal pela ocorrência da decadência, em conformidade com os arts. 150 ou 173, do CTN, pugna pela inaplicabilidade do art. 45, da Lei nº 8.212/91, cita decisões administrativas e judiciais sobre o assunto. Em relação ao mérito, discorda dos valores apurados através da movimentação bancária, diz que, os depósitos bancários em si mesmo não constituem disponibilidade econômica ou jurídica de renda, não gerando consequentemente o Imposto de Renda, nos precisos termos do Art. 43 do CTN. Deste modo é indispensável que o fisco prove o vínculo do valor depositado com a renda não declarada, não contabilizada, para que possa considerála omitida, sob pena de ofensa ao disposto no art. 142 do CTN. Quanto à responsabilidade prevista no inciso II, do art. 124 do CTN, alega que a ordem jurídica vigente não abriga a chamada responsabilidade solidária objetiva. Para que isso ocorra é indispensável à configuração do interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal. Quando se aborda a questão da solidariedade entre empresas coligadas ou do mesmo grupo econômico é preciso tomar cuidado para não confundir interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador de que cuida o inciso I, do art. 124 do CTN, com o interesse econômico no resultado que constitui o fato gerador da obrigação tributária. Uma coisa é as empresas coligadas terem interesse econômico comum na exploração da atividade. Seguindo esse entendimento, no acórdão lavrado pelos Nobres Julgadores a quo, os mesmos reconhecem que: "Não há, de fato, nenhum documento que apresente de forma explicita a sucessão da autuada pela Vesle." 3 DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 4 Afirma que a multa exigida Pelo Auto de Infração é manifestamente ofensiva ao princípio constitucional do nãoconfisco, consagrado implicitamente pela Constituição, em seu Artigo, 5º, XXII. Com efeito, as infrações imputadas à Recorrente, se vierem a ser mantidas, não podem elevar o gravame de 75%, uma vez que elas próprias (as infrações) foram apuradas por presunção, especialmente pelo fato de que não há sequer prova da omissão de receitas (o que há é presunção de omissão), como falar que a omissão foi cometida com dolo? Enfatiza que a multa de 150% pressupõe a existência de embaraço, máfé e dolo, o que restou comprovada quando da impugnação que tais alegações não ocorreram, conforme relatado pelos Nobres Julgadores a quo. Conclui afirmando que a multa aplicada em hipótese alguma poderia ser superior a 75% conforme preceitua o inciso I do art. 44 da Lei n.° 9.430/96, sobre o principio constitucional do nãoconfisco. 4 DA ILEGALIDADE DOS JUROS COBRADOS As taxas, divulgadas pelo Sr. Coordenador Geral do Sistema de Arrecadação, através de Atos Declaratórios mensais, é acumulada mensalmente e é muito superior ao permitido pelo art. 161, § 1° do Código Tributário Nacional. 5 – DEMAIS ARGUMENTOS DE MÉRITO Requer seja exonerado a totalidade do Crédito Tributário pela falta de Origem de valores a Tributar, uma vez restou devidamente suprida e comprovada a totalidade de disponibilidades correspondente à Receitas Operacionais, Duplicatas e demais Créditos à receber inclusive saldos em Caixa no valor de R$ 82.095.156,59, contra os Depósitos a Comprovar no valor de R$ 69.833.088,24, apurando a sobra de Origem devidamente comprovada a maior de R$12.262.068,35, em não concedendo este; Seja julgada extinta a punibilidade por omissão de receita com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, com base na Lei 10.174/2001, mais Acórdãos e Ementas julgados pela própria DRJ, e Conselho de Contribuintes; Seja desvinculada a Empresa VESLE MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA, da Sujeição Passiva do Rol de Responsabilidade Solidária, por tratarse de Titularidades distintas e pela inexistência de Vinculo, anteriormente comprovado, nos termos do art. 124 da Lei n.° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional); Por fim, seja exonerada a totalidade do presente Auto de Infração, ou seja, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e seus Reflexos: Multa e Juros. 6 – RECURSO DA RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA (VESLE) O recurso da empresa responsável solidária (VESLE) consta os mesmos argumentos expendidos pela primeira Recorrente, acrescentando que não é nem nunca foi sucessora da empresa IMPELCO LTDA, porque ausente os requisitos para a sua configuração da sucessão empresarial, que somente se opera em situações de transferência de unidades econômicojurídica, isto é, transferência de universalidades, cuja prova não se desincumbiu a fiscalização, não sendo válidas e suficientes as provas carreadas aos autos. Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003264/200752 Acórdão n.º 1101001.146 S1C1T1 Fl. 1.079 5 À mingua de documentos de que fato comprovem a existência de forma explica de sucessão da empresa autuada (digase de passagem ativa) pela Recorrente, viola não só a finalidade da norma legal contida nos artigos 132 e 133 do código Tributário Nacional, bem como os princípios que devem reger a ordem econômica nacional, elencados pelo legislador constituinte nos art. 170 e 174, tendo em vista que mantença a qualquer custo e de forma ilegal da Recorrente como sucessora da empresa autuada em questão pode acarrear o encerramento das atividades da empresa, com grande prejuízo para o setor em que atua e aumento significativo da taxa de desemprego no Estado e não se desincumbindo a fiscalização de fazer a prova da sucessão empresarial nos termos do artigo 132 e 133 do Código Tributário Nacional, e nos termos da prova ora produzidas pela Recorrente com a juntada dos contratos sociais e contratos de locação, requerse que seja reconhecida a preliminar de Ilegitimidade passiva da Recorrente, excluindoa do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso Os recursos são tempestivos e encontramse revestidos das demais formalidades legais, devendo serem conhecidos. A preliminar de nulidade por suposto cerceamento do direito de defesa deve ser rejeitado, porquanto a Recorrente foi reiteradamente intimada a apresentar os documentos e livros fiscais que pudessem justificar a movimentação bancária sem que tivesse atendido de forma satisfatória. Ademais disto, ambas as Recorrentes impugnaram a autuação, bem como foi possível apresentarem recursos de forma satisfatória, demonstrando terem tomado conhecimento dos fatos a elas imputados. Conforme relatado, tratase de auto de infração de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, dos trimestres do anocalendário 2001, tendo em vista que a partir das bases de cálculo obtidas nos Livros Diário de 2001, as mesmas foram comparadas com o total das receitas da atividade auferidas em contas bancárias, e verificando se a existência de base de cálculo a maior que a utilizada para prestar as informações em DCTF, recalculouse a contribuição resultando nas diferenças exigidas Em relação à preliminar de decadência, por força da Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que considerou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, deve ser aplicado o prazo decadencial de 5 anos, nos seguintes termos: Em sessão de 12 de junho de 2008, o Tribunal Pleno editou os seguintes enunciados de súmula vinculante que se publicam no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União, nos termos do § 4º do art. 2º da Lei nº 11.417/2006: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 6 Precedentes: RE 560.626, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 556.664, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.882, rel. Min. Gilmar Mendes, j. 12/6/2008; RE 559.943, rel. Min.Cármen Lúcia, j. 12/6/2008; RE 106.217, rel. Min. Octavio Gallotti, DJ 12/9/1986; RE 138.284, rel. Min. Carlos Velloso, DJ 28/8/1992. Legislação: DecretoLei nº 1.569/1997, art. 5º, parágrafo único Lei nº 8.212/1991, artigos 45 e 46 CF, art. 146, III Brasília, 18 de junho de 2008. Ministro Gilmar Mendes Presidente (DOU nº 117, de 20/06/2008, Seção I, pág. 1) Em razão de tratarse de exigência por diferença de recolhimento, inexistindo a confirmação de intuito de fraude, deve ser aplicada a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, em conformidade, inclusive, com a jurisprudência do colendo Superior Tribunal de Justiça, inclusive em sede de recursos repetitivos, aplicados aos julgamentos do CARF, por força do art. 62A do RICARF: (RESP 973.733): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003264/200752 Acórdão n.º 1101001.146 S1C1T1 Fl. 1.080 7 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No caso em apreço, todas as competências em questão encontramse fatalmente fulminadas pela decadência, porquanto a ciência ao auto lançamento da CSLL, relativamente ao anocalendário de 2001, à Impelco ocorreu em 14.08.2007 e à empresa Vesle, em 13.08.2007, pois, considerando a regra contida no repetitivo (RESP 973733/SC) a contagem do prazo decadencial fora iniciado na data dos respectivos fatos geradores, completando o quinquênio legal, no máximo em 31.12.2006, estando claramente decadente o crédito tributário objeto do presente processo. Em face do exposto,voto no sentido de dar provimento ao recurso para afastar a exigência de Cofins, do anocalendário de 2001, em razão da decadência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN e art. 62A do Regimento Interno do CARF. (documento assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 8 Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003264/200752 Acórdão n.º 1101001.146 S1C1T1 Fl. 1.081 9 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA As exigências aqui veiculadas decorrem dos mesmos fatos apurados nos autos do processo administrativo nº 10183.003252/200728, mas aqui foram formalizadas nos meses de janeiro a dezembro/2001. E, nestes períodos, a autoridade lançadora diz que foram confessados valores parciais de COFINS nas DCTF apresentadas, embora sem qualquer recolhimento correspondente. O demonstrativo de fl. 326 indica que foram declarados débitos em todos os períodos de apuração autuados. No voto que proferi nos autos do processo administrativo nº 10183.003252/200728, conclui pela existência de intuito de fraude na conduta da contribuinte autuada, a ensejar a manutenção da multa qualificada lá aplicada. Contudo, esta acusação não integra a presente exigência, na qual os créditos tributários foram exigidos apenas com acréscimo de multa no percentual básico de 75%. Em tais condições, não é possível invocar a ocorrência de fraude para aplicação do disposto no art. 150, §4o do CTN e conseqüente contagem do prazo decadencial na forma do art. 173, I do CTN, do que resultaria a subsistência, ao menos, da exigência pertinente a dezembro/2001, que por ser passível de lançamento apenas em 2002, teria o prazo inicial de decadência deslocado para 01/01/2003, de modo a legitimar o lançamento promovido em 13/08/2007. De outro lado, entendo que apesar de não terem sido identificados pagamentos nos períodos fiscalizados, a declaração de débitos em DCTF é suficiente para atrair a aplicação do art. 150 do CTN. Isto porque a matéria em litígio nestes autos tem seu julgamento afetado pelas disposições do Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF nº 586/2010, para passar a conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA 10 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Extraise deste julgado que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como já se infere a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito. Assim, na medida em que a contribuinte declarou débitos de COFINS em DCTF para todos os períodos fiscalizados, impõese a contagem do prazo decadencial a partir Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 10183.003264/200752 Acórdão n.º 1101001.146 S1C1T1 Fl. 1.082 11 da ocorrência do fato gerador, na forma do art. 150 do CTN, motivo pelo qual em 13/08/2007 já se encontravam decaídos todos os créditos tributários aqui lançados. Por estas razões, acompanho o I. Relator em sua conclusão de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/09/20 14 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOS O, Assinado digitalmente em 19/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722471/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
IRRF. COMPETÊNCIA.
A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda.
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73.
Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
Numero da decisão: 2201-002.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte e excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que deram provimento parcial apenas para excluir a multa de ofício.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 23/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543-C do CPC. Aplicação do art. 62-A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10580.722471/2008-16
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5392716
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-002.557
nome_arquivo_s : Decisao_10580722471200816.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Eduardo Tadeu Farah
nome_arquivo_pdf_s : 10580722471200816_5392716.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte e excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que deram provimento parcial apenas para excluir a multa de ofício. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH - Relator. EDITADO EM: 23/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5684765
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254904864768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2130; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.722471/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.557 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de outubro de 2014 Matéria IRPF Recorrente PLINIO CARNEIRO DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 24 71 /2 00 8- 16 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte e excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ e MARIA HELENA COTTA CARDOZO, que deram provimento parcial apenas para excluir a multa de ofício. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 23/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, NATHALIA MESQUITA CEIA e EDUARDO TADEU FARAH. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 234.987,98, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Foi apontada a falta de tributação dos seguintes rendimentos: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.722471/200816 Acórdão n.º 2201002.557 S2C2T1 Fl. 3 3 a) rendimentos recebidos do Tribunal de Contas do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Tais diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento; b) rendimentos declarados como isentos para declarantes com 65 anos ou mais, nos anos de 2004, 2005 e 2006. Em resposta à intimação fiscal, o contribuinte teria informado que a aposentadoria não ocorrera; c) rendimentos declarados como isentos por motivo de moléstia grave no ano de 2006. Em resposta à intimação fiscal, o contribuinte teria informado que a aposentadoria não ocorrera, nem a moléstia. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que em a infração relativa à diferença de URV: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, conforme legislação instituidora da referida verba; b) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, não havendo qualquer ilegalidade ou inconstitucionalidade em tal procedimento. O controle de constitucionalidade da lei caberia ao judiciário, nas formas previstas na Constituição Federal; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Quanto às demais infrações, alega que no curso da fiscalização apresentou os comprovantes de rendimentos anuais, não sendo intimado a apresentar informações complementares. Na impugnação apresentou documentos que comprovam sua aposentadoria em 27 de maio de 2004. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimado da decisão de primeira instância, Plinio Carneiro da Silva apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. O processo em apreço foi julgado em 15 de agosto de 2012 e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio do Acórdão nº 2201001.800, decidiram dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Entretanto, constatado que os cálculos foram efetuados com base na tabela vigente na data do pagamento, o processo foi novamente incluído em pauta de julgamento e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, por meio do Acórdão nº 2201001.950, de 22 de janeiro de 2013, decidiram por acolher os Embargos de Declaração para anular o Acórdão nº 2201001.800, de 15 de agosto de 2012, e sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cuidam os autos de lançamento originário de verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. Antes de se entrar no mérito da questão, insta examinar, de antemão, a preliminar suscitada pela defesa. Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo, penso que o inciso III do art. 153 da Constituição Federal atribui à União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, conforme prevê o inciso I do art. 157 da CF, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.722471/200816 Acórdão n.º 2201002.557 S2C2T1 Fl. 4 5 Renda, conforme prevê o parágrafo único do art. 6º do Código Tributário Nacional (CTN). Com efeito, o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto. A lei, ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste, expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção na fonte (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.250/1995). É neste sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Portanto, não há relação entre o dever de reter o imposto e o fato de o produto da arrecadação do imposto retido pertencer ao Estado da Bahia. Dessarte, estéril o argumento suscitado pela defesa para anular a exigência. No mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, tais valores se referem a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da Lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago. E o que antes deixou de ser pago é salário. Assim, o que veio a ser posteriormente pago é salário. Nessa ordem de ideias, penso que a verba trazida à discussão configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeita à incidência do IR, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no art. 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isso porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (salário). Quanto à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002 conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Embora alegue a defesa que a verba recebida pelos servidores estaduais é exatamente igual àquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação, penso que não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Com efeito, o Código Tributário veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e MP Federal, respeitando a interpretação do STF. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. No que tange à tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, verificase que a autoridade lançadora aplicou sobre o total do crédito, a tabela do imposto de renda vigente no mês do recebimento. Contudo, de acordo com o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009), devese aplicar à espécie o REsp nº 1.118.429/SP, julgamento sob o rito do art. 543C do CPC. Na ocasião, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Vejase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Resp 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010. (grifei) Nesse caso, devese aplicar sobre os rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. No que toca à imposição da multa de ofício, penso que a penalidade deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a referida verba como rendimentos isentos e não tributável, e ao apresentar sua Declaração de Ajuste o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos auferidos, esse erro não foi provocado pelo contribuinte. Desse modo, o erro é escusável e, consequentemente, inaplicável a multa de ofício, conforme dispõe a Súmula CARF nº 73: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.722471/200816 Acórdão n.º 2201002.557 S2C2T1 Fl. 5 7 Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Nessa conformidade, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos, bem como excluir da exigência a aplicação da multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10882.904892/2012-37
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/12/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/12/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10882.904892/2012-37
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5400104
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.697
nome_arquivo_s : Decisao_10882904892201237.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO SERGIO CELANI
nome_arquivo_pdf_s : 10882904892201237_5400104.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5731130
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254917447680
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1754; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.904892/201237 Recurso nº 111.111 Voluntário Acórdão nº 3801003.697 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/12/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 48 92 /2 01 2- 37 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904892/201237 Acórdão n.º 3801003.697 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904892/201237 Acórdão n.º 3801003.697 S3TE01 Fl. 4 3 COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904892/201237 Acórdão n.º 3801003.697 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904892/201237 Acórdão n.º 3801003.697 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904892/201237 Acórdão n.º 3801003.697 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904892/201237 Acórdão n.º 3801003.697 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723145/2010-12
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Encontram-se atingidos pela decadência os fatos geradores anteriores à 08/2005, inclusive.
GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO
Presentes os pressupostos para a configuração de grupo econômico, as empresas envolvidas são solidárias com o débito apurado.
PAGAMENTO DE DIÁRIAS EM VALOR EXCEDENTE A 50% DA REMUNERAÇÃO.INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA.
Por expressa disposição legal - art. Art. 28, § 8º, a, da lei 8.212/91, os valores a título de diárias, são considerados como salário de contribuição, pelo seu valor total, caso excedam a a cinqüenta por cento da remuneração mensal.
MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE. APLICABILIDADE SOMENTE SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE.
Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem ao ano de 2005 e 2006, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.791
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência referentes às competências anteriores à 08/2005, inclusive, e que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação dar-se-á no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Encontram-se atingidos pela decadência os fatos geradores anteriores à 08/2005, inclusive. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO Presentes os pressupostos para a configuração de grupo econômico, as empresas envolvidas são solidárias com o débito apurado. PAGAMENTO DE DIÁRIAS EM VALOR EXCEDENTE A 50% DA REMUNERAÇÃO.INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. Por expressa disposição legal - art. Art. 28, § 8º, a, da lei 8.212/91, os valores a título de diárias, são considerados como salário de contribuição, pelo seu valor total, caso excedam a a cinqüenta por cento da remuneração mensal. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE. APLICABILIDADE SOMENTE SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem ao ano de 2005 e 2006, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10680.723145/2010-12
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5400228
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2803-003.791
nome_arquivo_s : Decisao_10680723145201012.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : OSEAS COIMBRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10680723145201012_5400228.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência referentes às competências anteriores à 08/2005, inclusive, e que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação dar-se-á no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
id : 5731254
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254921641984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2359; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.723145/201012 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.791 – 3ª Turma Especial Sessão de 05 de novembro de 2014 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente LIDER SIGNATURE SA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Encontramse atingidos pela decadência os fatos geradores anteriores à 08/2005, inclusive. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO Presentes os pressupostos para a configuração de grupo econômico, as empresas envolvidas são solidárias com o débito apurado. PAGAMENTO DE DIÁRIAS EM VALOR EXCEDENTE A 50% DA REMUNERAÇÃO.INCIDÊNCIA PREVIDENCIÁRIA. Por expressa disposição legal art. Art. 28, § 8º, “a”, da lei 8.212/91, os valores a título de diárias, são considerados como salário de contribuição, pelo seu valor total, caso excedam a a cinqüenta por cento da remuneração mensal. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE. APLICABILIDADE SOMENTE SE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem ao ano de 2005 e 2006, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 31 45 /2 01 0- 12 Fl. 6172DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723145/201012 Acórdão n.º 2803003.791 S2TE03 Fl. 3 2 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência referentes às competências anteriores à 08/2005, inclusive, e que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo de Oliveira e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 6173DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723145/201012 Acórdão n.º 2803003.791 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve o auto de infração lavrado, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos de diárias acima de 50% do valor de contribuição, consideradas como salário de contribuição parte segurado. O r. acórdão – fls 5795 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Decadência parcial · A profissão dos empregados da Recorrente é regulamentada pelo Decreto n° 1.232/1^962 que, no que concerne ao pagamento de diárias, disciplina que essas, por força de lei, não integram o salário qualquer que seja o percentual aferido segundo a exegese dos parágrafos 1o e 2o de seu artigo 175. Ainda com relação a esse tópico, a Recorrente demonstrou, em sede de impugnação, que alguns dos empregados relacionados pela Auditora Fiscal como beneficiários dos pagamentos de diárias que excederam 50% (cinquenta por cento) da remuneração receberam tal pagamento em caráter eventualíssimo, o què afasta a incidência da contribuição previdenciária por força do disposto no artigo 28, § 9o, alínea "e", item 7 da Lei n° 8.212/1991. · Merecerá reforma então a parte do decisum que manteve a aplicação da multa de 75% (setenta e cinco por cento) pelo não pagamento das contribuições previdenciárias. Sobre o tema, é importante ressaltar que não pode prevalecer o entendimento constante no Julgado de primeira instância acerca da aplicação de multa penal de 75% (setenta e cinco por cento) do valor total do débito, ex vi do disposto no artigo 106 do Código Tributário nacional. · Requer o provimento do recurso, com o cancelamento do lançamento e, caso assim não entenda, pelo reconhecimento da decadência dos períodos anteriores à 14.09.2005 e aplicação da multa mais benéfica. As responsáveis solidárias LIDERÁVIA CORRETORA, LÍDER TÁXI AÉREO, VECTOR TÁXI AÉREO, AERO BRASIL E COMPOSITE TECHNOLOGY interpuseram os respectivos recursos, impugnando os mesmos fatos e pleiteando pela inexistência de sujeição passiva solidária. · Não foi objeto de impugnação os valores referentes a cooperativas de trabalho. É o relatório. Fl. 6174DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723145/201012 Acórdão n.º 2803003.791 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Transcrevemos o artigo 173 : Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... Fl. 6175DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723145/201012 Acórdão n.º 2803003.791 S2TE03 Fl. 6 5 “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Já o artigo 150, § 4º, informa: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) No presente caso, aplicase a regra do art 150, §4º, pois o relatório RDA RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS registra créditos parciais. Assim sendo, aplicandose o art. 150, há que se reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 08/2005, inclusive, uma vez que a ciência do débito foi em 08/09/2010. Ante o exposto, acato a preliminar de decadência, nos termos do voto proferido. GRUPO ECONÔMICO E SOLIDARIEDADE PASSIVA Vejamos decisão exarada no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0009717 26.2014.4.03.0000/SP, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região em 19 de maio de 2014. Decido. Cingese a controvérsia à caracterização da existência de grupo econômico de fato, a viabilizar a responsabilidade tributária solidária das empresas dele integrante. Fl. 6176DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723145/201012 Acórdão n.º 2803003.791 S2TE03 Fl. 7 6 O Código Tributário Nacional, em seu artigo 124, inciso II, estipula que são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei. Por sua vez, o artigo 30, IX, da Lei 8.212/91, determina que: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; De acordo com tais dispositivos, este Tribunal, de forma pacífica, entende que comprovada a existência de grupo econômico de fato, a responsabilidade é solidária de todas as empresas que o integram. No caso dos autos, compreendo pela caracterização do grupo econômico. Visualizase íntima ligação entre as empresas executadas, conectadas com intuito de formação de um conglomerado empresarial com mesmo objetivo social, inclusive com as sedes fixadas em mesmo endereço. Há apenas uma subdivisão em estruturas formais, mas que se utiliza de várias empresas para o desempenho de atividades de siderurgia e de jornalismo. È possível notar, ainda, a identidade de dirigentes no controle das diversas sociedades, o que demonstra a existência de uma unidade voltada para a obtenção dos lucros empresariais. Além disso, as mudanças estruturais nas sociedades agravantes sugerem a ocorrência de fraude. A identificação da fraude prescinde de ação autônoma para tal desiderato, sendo possível, pela análise dos documentos no feito executivo, o reconhecimento de sua presunção, com a conseqüente inclusão das empresas participantes no pólo passivo da ação, exatamente como ocorrido. Ao contrário do alegado, não há necessidade de dissolução irregular para se estender o alcance subjetivo da execução, desde que comprovada a situação do grupo econômico. Por fim, cabe mencionar, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça também comunga da possibilidade da desconsideração da personalidade jurídica da empresa executada, no caso da existência de grupos econômicos. Confirase: "DIREITO CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. LOCAÇÃO. EXECUÇÃO. DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. VIOLAÇÃO. EXAME. IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA RESERVADA AO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃOOCORRÊNCIA. Fl. 6177DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723145/201012 Acórdão n.º 2803003.791 S2TE03 Fl. 8 7 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. PRESSUPOSTOS. AFERIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO OCORRÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E IMPROVIDO. 1. Refoge à competência do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial, o exame de suposta afronta a dispositivo constitucional, por se tratar de matéria reservada ao Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102, III, da Constituição da República. 2. O afastamento, pelo Tribunal de origem, da aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica da parte recorrida, em face da revaloração das provas dos autos, não importa em cerceamento de defesa, mormente quando tal decisão não se baseou em ausência de prova, mas no entendimento de que os pressupostos autorizativos de tal medida não se encontrariam presentes. 3. A desconsideração da pessoa jurídica, mesmo no caso de grupos econômicos, deve ser reconhecida em situações excepcionais, quando verificado que a empresa devedora pertence a grupo de sociedades sob o mesmo controle e com estrutura meramente formal, o que ocorre quando diversas pessoas jurídicas do grupo exercem suas atividades sob unidade gerencial, laboral e patrimonial, e, ainda, quando se visualizar a confusão de patrimônio, fraudes, abuso de direito e máfé com prejuízo a credores. 4. Tendo o Tribunal a quo, com base no conjunto probatório dos autos, firmado a compreensão no sentido de que não estariam presentes os pressupostos para aplicação da disregard doctrine, rever tal entendimento demandaria o reexame de matéria fático probatória, o que atrai o óbice da Súmula 7/STJ. Precedente do STJ. 5. Inexistência de dissídio jurisprudencial. 6. Recurso especial conhecido e improvido. (REsp 968.564/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 02/03/2009)" Às fls 57, o relatório fiscal descreve o grupo econômico envolvido, com as respectivas participações acionárias. Tudo de acordo também com a lei 8212/91, o Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n°3.048,de 06/05/1999 e IN RFB 971, que transcrevo: Lei 8212/91 Art. 30 ... Fl. 6178DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723145/201012 Acórdão n.º 2803003.791 S2TE03 Fl. 9 8 IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Decreto 3.048/99 Art. 222. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto n° 4.032, de 2001). IN RFB 971 Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Ainda nessa linha, a CLT, em seu art. 2º: § 2. Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego,solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” Aqui não estamos a falar da responsabilidade solidária do art. 124 do CTN e sim do que previsto no art. 30,IX da lei 8212/91, com espectro muito mais amplo, não se exigindo interesse comum na situação que constitua o fato gerador. A lei previdenciária busca uma maior garantia do crédito, bastando para a responsabilidade solidária a mera integração ao grupo econômico. O quadro trazido pela fiscalização às fls 57 demonstram os personagens do grupo econômico, com suas participações acionárias, demonstrando o vínculo jurídico de controle, resultando em coordenação na consecução de seus objetivos, não havendo reparo a ser efetuado. Dessa feita, correto o enquadramento como grupo econômico das empresas relacionadas. DAS DIÁRIAS PAGAS A lei 8212/91 disciplina a matéria. Fl. 6179DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723145/201012 Acórdão n.º 2803003.791 S2TE03 Fl. 10 9 Art. 28 (...) § 8º Integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). a) o total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; O relatório fiscal detalha as parcelas lançadas como diárias e consideradas como salário de contribuição. 6. A empresa apresentou A fiscalização os relatórios de despesas de viagem, nos quais consta, de forma discriminada, os valores pagos referentes a TRANSPORTE, ALIMENTAÇÃO, DIÁRIAS E OUTROS. Os valores pagos a titulo de DIÁRIAS eram fixos sem haver exigência de comprovação das despesas efetuadas pelos empregados. Ou seja, a empresa não cobrava a prestação de contas dos valores adiantados como DIÁRIAS, por conta das despesas a serem feitas e não havia restituição dos valores que não foram comprovadamente gastos, revelando que a parcela paga não tinha natureza ressarcitória, caracterizandose mesmo como DIÁRIA e não como despesa de viagem. 7. Para que os valores pagos aos empregados a titulo de diárias se excluam do campo de incidência da contribuição previdenciária, fazse necessário que sejam correspondentes a até 50% da remuneração do empregado. No caso de ultrapassarem esse limite, as diárias integrarão o saláriode contribuição pela sua totalidade, conforme estabelecido pela Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 28 I, §§ 8° e 9 0 , letra "h". 8. Para a apuração da basedecálculo mensal da contribuição previdenciária incidente sobre as parcelas pagas aos empregados referentes As diárias, foram considerados os pagamentos contabilizados na conta 41110001 — DIÁRIAS, extraídos do arquivo digital, autenticado sob o no a7dedb90 b1bbf33f42e8c5504c102aed no Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos DigitaisSVA, deduzindose os valores estornados pela empresa conforme detalhado no ANEXO IV. 9. Atendendo A solicitação fiscal, a empresa elaborou planilha detalhando por competência e por filial, os valores relativos As diárias pagas a cada empregado. 10. Os valores relativos ao presente levantamento não foram incluídos pela empresa na Guia de Recolhimento do Fundo de Fl. 6180DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723145/201012 Acórdão n.º 2803003.791 S2TE03 Fl. 11 10 Garantia do Tempo de Serviço e Informação Previdência Social GFIP. A recorrente alega que o §1º do art.17 do Decreto nº 1.232/1962, referente aos aeroviários, afasta a aplicação da lei 8212/91. Transcrevo decreto. Art 17. O salário é contraprestação do serviço. § 1º Integram o salário a importância fixa estipulada, com as percentagens, gratificações ajustadas, abonos, excluídas ajuda de custo e diárias, quando em viagem ou em serviço fora da base. Sem razão a mesma. Não há que se confundir os conceitos envolvidos. O decreto 1232/62 se refere às parcelas que integram a contrapestação do serviço em relação ao empregador e empregado, com os devidos reflexos da relação laboral, como 13o. salário, férias, etc.. A lei 8212/91, específica das contribuições à seguridade social, é clara ao determinar que as diárias excedentes a cinqüenta por cento da remuneração mensal é base de cálculo do tributo lançado, não havendo em se falar em choque normativo. Cada diploma legal tem o seu campo de atuação com os respectivos reflexos trabalhistas e tributários. Do que posto, correto o posicionamento da fiscalização enquadrando os valores pagos superiores a cinqüenta por cento da remuneração na competência, como salário de contribuição. DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA A multa aplicada tem seu valor determinado pela legislação em vigor. A atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação. A presente multa encontra fundamento nos dispositivos legais trazidos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD. No entanto, o art. 106, inciso II,”c” do CTN determina a aplicação de legislação superveniente apenas quando esta seja mais benéfica ao contribuinte. Os valores da multas referentes a descumprimento de obrigação principal foram alterados pela MP 449/08, de 03.12.2008, convertida na lei n º 11.941/09. Assim sendo, como os fatos geradores se referem ao ano de 2005 e 2006, o valor da multa aplicada deve ser calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. CONCLUSÃO Fl. 6181DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10680.723145/201012 Acórdão n.º 2803003.791 S2TE03 Fl. 12 11 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para reconhecer a decadência referentes às competências anteriores à 08/2005, inclusive, e que o valor da multa aplicada seja calculado segundo o art. 35 da lei 8.212/91, na redação anterior a lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 6182DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13802.000776/97-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1995
INDÉBITO TRIBUTÁRIO - CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO - EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.
A autoridade administrativa deve aplicar a lei, fugindo de sua competência à apreciação da adequação dos índices de correção monetária determinados pela lei.
Na devolução de indébito devem ser observados os índices fixados por decisão judicial transitada em julgado. Caso não abordados pelo Poder Judiciário, ou ainda, não dispostos de forma contrária, aos valores pagos indevidamente deve incidir a Norma de Execução SRF/COSIT/COSAR nº 08/1997, que não contempla os expurgos inflacionários.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.296
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento do recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Miranda Cardozo.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Miranda Cardozo.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1995 INDÉBITO TRIBUTÁRIO - CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO - EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A autoridade administrativa deve aplicar a lei, fugindo de sua competência à apreciação da adequação dos índices de correção monetária determinados pela lei. Na devolução de indébito devem ser observados os índices fixados por decisão judicial transitada em julgado. Caso não abordados pelo Poder Judiciário, ou ainda, não dispostos de forma contrária, aos valores pagos indevidamente deve incidir a Norma de Execução SRF/COSIT/COSAR nº 08/1997, que não contempla os expurgos inflacionários. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13802.000776/97-88
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5392254
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.296
nome_arquivo_s : Decisao_138020007769788.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
nome_arquivo_pdf_s : 138020007769788_5392254.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento do recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Miranda Cardozo. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Miranda Cardozo.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5682849
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254928982016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2041; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 187 1 186 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13802.000776/9788 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.296 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de setembro de 2014 Matéria COFINS. COMPENSAÇÃO. Recorrente ROMA COMÉRCIO DE METAIS EM GERAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1995 INDÉBITO TRIBUTÁRIO CORREÇÃO MONETÁRIA. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A autoridade administrativa deve aplicar a lei, fugindo de sua competência à apreciação da adequação dos índices de correção monetária determinados pela lei. Na devolução de indébito devem ser observados os índices fixados por decisão judicial transitada em julgado. Caso não abordados pelo Poder Judiciário, ou ainda, não dispostos de forma contrária, aos valores pagos indevidamente deve incidir a Norma de Execução SRF/COSIT/COSAR nº 08/1997, que não contempla os expurgos inflacionários. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento do recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Gilberto de Castro Moreira Junior e Rodrigo Miranda Cardozo. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira– Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 2. 00 07 76 /9 7- 88 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 15/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Miranda Cardozo. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, formalizado através de auto de infração, para a cobrança da diferença da Cofins apurada na compensação com créditos do Finsocial, autorizada em decorrência de ação judicial, no montante de R$ 27.393,53, para o anocalendário de 1995. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório 4. O processo em exame, composto de 1 volume numerado até a fl. 130, versa sobre lançamento de oficio efetuado contra a contribuinte acima pela antiga DRF/SPO/LESTE em 02/01/1998 em virtude da falta de recolhimento da Cofins relativa aos meses de julho e agosto de 1995. 5. O lançamento se acha formalizado no auto de infração anexo às fls. 43/44, cujos demonstrativos se encontram nas fls. 41/42. 0 autor do feito lavrou ainda um Relatório Fiscal (fls. 1/2) e um Termo de Verificação (fls. 38/39), nos quais relata que a infração se deve â circunstância de a empresa haver utilizado importância superior àquela de fato recolhida indevidamente, ao compensar o montante de Finsocial recolhido acima da alíquota de 0,5% com débitos de Cofins. 6. As conclusões da autoridade fiscal se esteiam nos demonstrativos anexos às fls. 26 e 36/37, por ela elaborados. 7. O crédito tributário exigido, composto de principal, multa proporcional de 75% e juros de mora (calculados até 28/11/1997), perfaz o montante de R$ 27.393,53. 8. Tomando conhecimento do lançamento na própria data de lavratura do auto de infração, a interessada apresentou em 28/01/1998, tempestivamente, portanto, a impugnação anexa às fls. 48/61, cujo teor resumo a seguir, acompanhada e diversos documentos ( fls. 62/105). Resumo 8.1 Começa por alegar que a exigibilidade dos valores reclamados no auto de infração se acha suspensa por força de sentença proferida nos autos da medida cautelar n° 94.00067429, conforme cópias da inicial e do decisum juntadas aos autos, "o que torna a exigência absurda e descabida" (fl. 50). 8.2 Insurgindose contra a aplicação da penalidade pecuniária, que acoima de "totalmente descabida" (fl. 50), invoca o art. 63 da lei n° 9.430/96, que impede a aplicação de multa de oficio em lançamento destinado a prevenir a decadência, quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário. 8.3 Declara totalmente improcedente o auto de infração, alegando que os débitos lançados já haviam sido compensados com créditos de Finsocial resultantes de recolhimentos realizados com alíquota superior a 0,5%, compensação essa legitimada pela IN SRF n° 32/1997. Discorrendo sobre a matéria (fls. 50/55), cita a jurisprudência do STF e do antigo Conselho de Contribuintes, além de numerosos diplomas legais. 8.4 Menciona também a ação ordinária n° 94.00183674, observando havêla intentado com o intuito de assegurar o direito de compensar o Finsocial Fl. 188DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 15/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13802.000776/9788 Acórdão n.º 3202001.296 S3C2T2 Fl. 188 3 indevidamente recolhido com a Cofins, tendo em vista as limitações impostas pela IN DPRF n° 67/1992. 8.5 Fazendo farta citação de decisões judiciais (fls. 57/60), informa haver corrigido os valores objeto de compensação de acordo com a jurisprudência mansa e pacifica do STJ, incluindo nos cálculos portanto os "expurgos inflacionários ocorridos nos diversos planos econômicos" (fl. 60). 8.6 Em remate, afirma não ter infringido os arts. 1º a 5° da lei complementar n° 70/1991, tendo em vista que a contribuição lançada não é devida, já que a compensou com os valores recolhidos indevidamente a titulo de Finsocial, consoante decisão do STF, direito reconhecido por sentença favorável proferida nos autos da medida cautelar n° 94.00067429. 9. Em 06/12/2002 baixouse o processo em diligência (fls. 114/115), para que a autoridade preparadora verificasse a adequação do crédito tributário lançado em face das ações judiciais intentadas pela empresa e tomasse outras providências de sua alçada. 10. A "Equipe de Análise e Acompanhamento de Medidas Judiciais e Controle do Crédito subjudice" da DERAT/SPO, em relatório de 21/09/2010 (fl. 129), prestou os seguintes esclarecimentos: 10.1 Com o propósito de obter a devolução dos valores pagos indevidamente a titulo de Finsocial, ajuizou a impugnante a ação ordinária n° 92.00674631, cujo pedido o juízo de primeiro grau acolheu parcialmente, condenando a União a restituir as importâncias recolhidas acima da alíquota de 0,6% no exercício de 1988 e 0,5% nos demais exercícios, até a edição da lei complementar n° 70/1991. Embora a União tenha apelado, o acórdão proferido pelo TRF apenas "restringiu a devolução dos valores indevidamente pagos aos períodos constantes de pedido não abrangidos pela prescrição qüinqüenal e cujas as DARF foram juntadas aos autos". 10.2 Propôs ainda a defendente a ação ordinária n° 94.00183674 com a pretensão de ver reconhecido o direito de compensar com débitos de Cofins os valores pagos indevidamente a titulo de Finsocial acima da alíquota de 0,5%. Julgada improcedente em primeiro grau, a ação subiu ao TRF em virtude de apelação interposta pela autora. O Tribunal, levando em conta a preexistência da referida ação de repetição de indébito, declarou extinto o processo sem julgamento de mérito devido à falta de interesse de agir da contribuinte, resultante da coexistência de duas pretensões incompatíveis entre si, a de restituição e a de compensação. 10.3 Já a medida cautelar n° 94.00067429, vinculada à ação ordinária n° 94.00183674, foi julgada procedente em primeiro grau. Não obstante, devido ao desenlace desta última, ao examinar a remessa oficial, o tribunal declaroua prejudicada por perda de objeto. 10.4 "Em relação aos efeitos das decisões judiciais finais sobre os cálculos, verificamos que os cálculos originalmente efetuados no processo, às folhas 26 e 36/37, são compatíveis com as decisões, e foram efetuados conforme Norma de Execução 8/97, homologada pela SRFB para cálculo de atualizações de créditos em restituições e compensações de tributos." 11. E o relatório. A 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão n.º 1630.629 de 7 de abril de 2011 (efls. 148/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 189DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 15/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 Anocalendário: 1995 FALTA DE RECOLHIMENTO A falta de recolhimento torna indispensável o lançamento de oficio, a fim de constituir o crédito tributário devido. COISA JULGADA A atualização do direito creditório utilizado pela impugnante deve darse nos estritos termos da decisão judicial passada em julgado, de nada lhe valendo invocar a jurisprudência de outros tribunais. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE A existência de processo judicial não transitado em julgado, com ou sem medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, não impede o lançamento de oficio, cuja obrigatoriedade decorre do caráter vinculado do ato administrativo, consoante dispõe o art. 142 do CTN. PODER CAUTELAR DO JUIZ. LIMITAÇÕES O poder cautelar do juiz não é ilimitado, estando condicionado necessidade de assegurar o resultado do processo judicial. Assim, não pode ser exercido para tolher a constituição do crédito tributário, visto tratarse de atividade administrativa plenamente vinculada e sujeita ao contraditório. MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE MEDIDA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO CREDITO TRIBUTÁRIO Não havendo, à época do lançamento, medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, achase plenamente justificada a aplicação da multa de oficio de 75%, prevista na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – São Paulo em 19/06/2013 (efls. 158/ss) interpôs Recurso Voluntário em 19/07/2013 (efls. 166/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação, requerendose, em síntese, que seja reconhecido o seu direito de corrigir integralmente seu crédito de Finsocial a ser compensado com a Cofins com os expurgos inflacionários ocorridos nos diversos planos econômicos. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia que restou para análise neste litígio referese à possibilidade de compensação de valores pagos indevidamente a título de Finsocial, já reconhecidos judicialmente, com débitos da Cofins, incluindo na atualização monetária dos créditos os denominados “expurgos inflacionários”. A autoridade fiscal utilizou os coeficientes constantes no Anexo à Norma de Execução conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 8/97 para efetuar os cálculos para a atualização monetária dos valores a compensar. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 15/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 13802.000776/9788 Acórdão n.º 3202001.296 S3C2T2 Fl. 189 5 Pois bem. Não assiste razão à Recorrente. Como muito bem destacou a decisão a quo, “pelo que se depreende das decisões judiciais transcritas acima, nenhuma delas autorizou a inclusão dos expurgos inflacionários nos cálculos de atualização monetária. A sentença do juízo singular, por sinal, é bastante clara a esse respeito, dizendo precisamente o contrário do que pretende o sujeito passivo, ou seja, que o indébito deve ser acrescido de correção monetária sem os expurgos inflacionários dos planos econômicos”. De fato, conforme pode ser atestado nos trechos das decisões judiciais abaixo transcritas, não houve determinação de inclusão dos expurgos inflacionários nos cálculos de atualização monetária, confiramos. Na ação ordinária n° 92.00674631, a Recorrente teve reconhecido o direito à repetição do Finsocial recolhido acima da alíquota de 0,5%. A sentença parcialmente favorável, cujo dispositivo o relator do processo no TRF da 3ª Região assim resumiu (efl. 127): A r. sentença acolheu parcialmente o pedido, condenando a UNIÃO FEDERAL a restituir os valores pagos acima da alíquota de 0,5% (exceção de 1988, alíquota de 0,6%), ate a edição da LC 70191, acrescidos de correção monetária mês a mês, sem os expurgos inflacionários dos planos econômicos, juros moratórios de 1% ao mês contados do transito em julgado, e sucumbência na forma do caput do artigo 21 do CPC. (negritei) O TRF3, ao apreciar a citada ação judicial em sede de recurso, negou provimento à apelação do Fisco e deu parcial provimento à remessa ex officio, nos seguintes termos (efl. 130): (...) Nos termos em que prolatada, não merece reforma a r. sentença no tocante à questão da inexigibilidade, julgada que foi em coerência com os precedentes supracitados. Tampouco existe prescrição ou decadência, vez que a repetiçao intenta alcançar períodos de recolhimento que antecedem a propositura da ação no quinquênio legalmente fixado. Os acréscimos da condenação foram corretamente fixados (correção monetária, juros moratórios e sucumbência). Cumpre destacar, contudo, que a sentença não fixou o período para a devolução, razão pela qual deve ser ajustada neste ponto para abranger apenas e exclusivamente aquilo que constou do pedido em consonância com as guias DARF juntadas aos autos, observada a prescrição qüinqüenal. Ante o exposto, por meu voto, não conheço da matéria prelimiminar, remissivamente deduzida, rejeito a preliminar de falta de interesse de agir e, no mérito, nego provimento à apelação fazendária, e dou parcial provimento à remessa oficial, nos termos supracitados. (negritei) No STJ, em decisão datada de 04/02/2002, o relator negou seguimento ao Recurso Especial nº 363495/SP, nos seguintes termos: (...) A recorrente colaciona diversos precedentes jurisprudenciais desta Corte Superior, alegando que "a incidência da correção monetária, que visa preservar o valor da Fl. 191DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 15/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 moeda, não representa acréscimo ou pena, podendo ser requerida a qualquer tempo não incidindo a este respeito a preclusão". Apresentadas contrarazões (flS. 168/171), o recurso foi admitido na origem (fls. 173), subindo os autos a esta instância. A irresignação recursal não merece prosperar diante de óbice intransponível. É que, em relação a pretensa divergência jurisprudencial, é bastante observar que a decisão recorrida não abordou a questão atinente à inclusão de expurgos inflacionários na repetição de indébito, enquanto que os acórdãos paradigmáticos, trazidos à colação, versam sobre a incidência dos expurgos após a homologação do cálculo de liquidação, chegandose à inevitável conclusão de que inexiste identidade ou similitude entre eles, de molde a caracterizar o dissenso pretoriano, conforme exige o parágrafo único do artigo 541 do CPC. Demais disso, deixou o recorrente de juntar cópia integral dos arestos apontados como divergentes ou de citar o repositório oficial, autorizado ou credenciado, em que os acórdãos se encontrem publicados. Pelas considerações exportas, nego seguimento ao recurso, amparado no artigo 557, caput do Código de Processo Civil. (negritei) Por sua vez, a Recorrente argumenta, genericamente, que na “doutrina e a jurisprudência de nossos tribunais, a sistemática da correção monetária constitui princípio aplicável a toda e qualquer hipótese ocorrente na vida de relação, pois a correção não significa acréscimo de valor, ou sanção, mas representa atualização do real valor da moeda, corroído por nefasto processo inflacionário”, contudo, não foi isso que foi decidido pelo Judiciário em seu caso concreto, como visto nos trechos transcritos acima. Concluise, desta forma, que a sentença definitiva em ação judicial produz os efeitos nos estritos termos em que foi passada, assim sendo, não há como acolher a solicitação da Recorrente de aplicar expurgos inflacionários pleiteados, tendo em vista que a decisão judicial determinou que os créditos fossem acrescidos de correção monetária mês a mês, “sem os expurgos inflacionários dos planos econômicos”. Deste modo, deve ser aplicável às repetições de indébitos a atualização monetária nos termos previstos na Norma de Execução SRF/COSIT/COSAR nº 08/1997, que por sua vez, não contempla expurgos inflacionários. Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 192DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 15/10/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13161.720024/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972.
AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE.
Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade.
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL.
O prazo decadencial para os créditos tributários sujeitos ao regime de lançamento por homologação, que não tenham sido objeto de qualquer pagamento antecipado, como também nos casos de fraude, é o estabelecido no artigo 173, inciso I, do CTN, com início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso da ocorrência de pagamentos aplica-se o art.150, §4º, do CTN , onde se conta cinco anos a partir do fato gerador.
COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. DILIGÊNCIA.
Cancela-se parte da autuação uma vez comprovado por documentos hábeis e idôneos as despesas anteriormente glosadas.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. GLOSA.
São glosadas as despesas contabilizadas no caso de o contribuinte não comprová-las, mediante documentação hábil e idônea.
INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÕES.
Os lançamentos contábeis devem estar lastreados em documentos hábeis, não havendo inversão do ônus da prova ou mesmo presunção em caso de não aceitação desses documentos como prova dos registros.
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NÃO COMPROVAÇÃO. Não Comprovado o evidente intuito de fraude, desqualifica-se a multa de ofício.
Numero da decisão: 1401-001.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, EM ACOLHER parcialmente a decadência para o PIS e COFINS até maio de 2003 e DAR provimento PARCIAL ao recurso , nos estritos termos do resultado de diligência em que ficou reduzida a base de cálculo em R$ 5.759.001,13 (sem considerar o efeito do acolhimento parcial da decadência para o PIS e COFINS); bem assim reduzindo a multa qualificada de 150% para 75%.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. O prazo decadencial para os créditos tributários sujeitos ao regime de lançamento por homologação, que não tenham sido objeto de qualquer pagamento antecipado, como também nos casos de fraude, é o estabelecido no artigo 173, inciso I, do CTN, com início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso da ocorrência de pagamentos aplica-se o art.150, §4º, do CTN , onde se conta cinco anos a partir do fato gerador. COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. DILIGÊNCIA. Cancela-se parte da autuação uma vez comprovado por documentos hábeis e idôneos as despesas anteriormente glosadas. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. GLOSA. São glosadas as despesas contabilizadas no caso de o contribuinte não comprová-las, mediante documentação hábil e idônea. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÕES. Os lançamentos contábeis devem estar lastreados em documentos hábeis, não havendo inversão do ônus da prova ou mesmo presunção em caso de não aceitação desses documentos como prova dos registros. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NÃO COMPROVAÇÃO. Não Comprovado o evidente intuito de fraude, desqualifica-se a multa de ofício.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13161.720024/2008-43
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5386987
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1401-001.223
nome_arquivo_s : Decisao_13161720024200843.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 13161720024200843_5386987.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, EM ACOLHER parcialmente a decadência para o PIS e COFINS até maio de 2003 e DAR provimento PARCIAL ao recurso , nos estritos termos do resultado de diligência em que ficou reduzida a base de cálculo em R$ 5.759.001,13 (sem considerar o efeito do acolhimento parcial da decadência para o PIS e COFINS); bem assim reduzindo a multa qualificada de 150% para 75%. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva
dt_sessao_tdt : Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
id : 5651547
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254935273472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 6.655 1 6.654 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13161.720024/200843 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401001.223 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de julho de 2014 Matéria IRPJ/CSLL Recorrente VIACAMPUS COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. AUTO DE INFRAÇÃO. MPF. NULIDADE. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de contestar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL.• O prazo decadencial para os créditos tributários sujeitos ao regime de lançamento por homologação, que não tenham sido objeto de qualquer pagamento antecipado, como também nos casos de fraude, é o estabelecido no artigo 173, inciso I, do CTN, com início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso da ocorrência de pagamentos aplicase o art.150, §4º, do CTN , onde se conta cinco anos a partir do fato gerador. COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. DILIGÊNCIA. Cancelase parte da autuação uma vez comprovado por documentos hábeis e idôneos as despesas anteriormente glosadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 72 00 24 /2 00 8- 43 Fl. 6656DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.656 2 FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. GLOSA. São glosadas as despesas contabilizadas no caso de o contribuinte não comproválas, mediante documentação hábil e idônea. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÕES. Os lançamentos contábeis devem estar lastreados em documentos hábeis, não havendo inversão do ônus da prova ou mesmo presunção em caso de não aceitação desses documentos como prova dos registros. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NÃO COMPROVAÇÃO. Não Comprovado o evidente intuito de fraude, desqualificase a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, EM ACOLHER parcialmente a decadência para o PIS e COFINS até maio de 2003 e DAR provimento PARCIAL ao recurso , nos estritos termos do resultado de diligência em que ficou reduzida a base de cálculo em R$ 5.759.001,13 (sem considerar o efeito do acolhimento parcial da decadência para o PIS e COFINS); bem assim reduzindo a multa qualificada de 150% para 75%. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva Fl. 6657DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.657 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0415.811, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo GrandeMS. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: A contribuinte acima qualificada foi autuada para recolher o Imposto de Renda Pessoa Jurídica dos anoscalendário 2003 a 2005, bem como a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dos mesmos períodos, conforme Autos de Infração de f. 197 a 218. Os lançamentos resultaram nos valores de R$ 4.092.538,97 de imposto, R$ 6.138.808,43 de multa de ofício (150%) e R$ 1.953.526,14 de juros moratórios calculados até 30 de maio de 2008 e, também, R$ 1.485.236,44 de contribuição, R$ 2.227.854,65 de multa de ofício (150%) e R$ 708.247,00 de juros moratórios calculados até 30 de maio de 2008. Os lançamentos ocorreram em razão de ser imputada à contribuinte a insuficiência de pagamentos do IRPJ e da CSLL, uma vez a glosa de despesas financeiras com juros pagos a fornecedores e com variações monetárias passivas. Foi aplicada a multa qualificada de 150%, em virtude de o autuante considerar a ocorrência de evidente intuito Ide fraude no procedimento do contribuinte. A descrição e o enquadramento legal das infrações, multa e juros encontram se às f. 199 a 201,207,210 a 212 e 216. O Relatório Fiscal acostado às f. 190 a 196 descreve com riqueza de detalhes todo o procedimento adotado, bem como a análise quanto às justificativas apresentadas pelo o sujeito passivo. A ciência quanto aos Autos de Infração ocorreu em 27 de junho de 200JJ, conforme assinatura e data apostas nos campos próprios (f. 198, 209 e 217). Em 28 de julho de 2008 foi protocolada a impugnação (f. 230 a 250) na qua] após breve relato dos fatos, é aduzido, em síntese, que: a) já ocorreu a homologação tácita dos lançamentos quanto aos períodos janeiro a junho de 2003, com fundamento no art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional; b) a prova da ocorrência do fato gerador cabe ao Fisco e, no caso, o lançamento foi efetuado com base em presunções, tendo havido a inversão do ônus de. prova; Fl. 6658DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.658 4 c) muitas negociações feitas com fornecedores são verbais, inclusive com "pactuações indexadas em moeda estrangeira", e o pagamento de juros consta registrado em controles internos que não podem ser desprezados pelo Fisco; d) não houve intenção dolosa na dedutibilidade das despesas financeiras, não tendo ocorrido, por conseguinte, o intuito de fraude; e) o percentual utilizado de 150% dá à multa lançada o caráter de confisco. Relativamente ao assunto, são colacionadas doutrina e jurisprudência. Ao final, é requerido o acolhimento da impugnação e que o Auto de Infração seja julgado improcedente, ou, caso assim não se entenda, que a multa seja reduzida ao percentual de 30%. Requer, ainda, ajuntada de novos documentos e de laudo pericial. Em apenso, constam os autos do processo relativo à representação fiscal para fins penais: 13161.000841/200881. A DRJ, manteve integralmente o lançamento, nos termos da ementa abaixo: Anocalendário: 2003, 2004, 2005 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECADÊNCIA. No caso de opção pelo "lucro real anual", o termo a quo do prazo de homologação tácita é o primeiro dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a apuração. PRODUÇÃO DE PROVAS E PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal as provas documentais devem ser apresentadas junto com a impugnação e a perícia só é determinada no caso de questões que demandem essa providência. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÕES. Os lançamentos contábeis devem estar lastreados em documentos hábeis, não havendo inversão do ônus da prova ou mesmo presunção em caso de não aceitação desses documentos como prova dos registros. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. GLOSA. São glosadas as despesas contabilizadas no caso de o contribuinte não comproválas, mediante documentação hábil e idônea. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Comprovado o evidente intuito de fraude, correta a qualificação da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO. EFEITO DE CONFISCO. Alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato de lançamento com as normas legais vigentes Fl. 6659DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.659 5 somente podem ser reconhecidas pelo Poder Judiciário e os princípios constitucionais têm por destinatário o legislador ordinário e não o mero aplicador da lei, que a ela deve obediência. CSLL. Aplicamse à CSLL os mesmos argumentos esposados no voto relativo ao IRPJ, pela similitude dos motivos ensejadores das autuações fiscais e das razões das impugnações. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. O processo foi baixado em diligência por esta Turma. A referida diligência resultou no relatório de fls. 3752e demais documentos que o acompanha, em que o auditor fiscal retifica as bases de cálculos apuradas. no valor de R$ 5.759.001,13.. Intimada do resultado de diligência a Recorrente insurgese parcialmente (fls. 3758/3775) contra o resultado de diligência de fls. 3752. Reitera suas razões recursais, contesta a desconsideração pelo fiscal daquelas situações em que não há contrato; apresenta um novo trabalho de auditoria contábil feita por terceiros, ratificando quase que totalmente a parte do seu conjunto probatório que foi glosada pelo fiscal por falta de contrato, concentrandose nos fornecedores que envolvem os maiores ônus financeiro (Curva ABC). . Para tanto, anexa aos autos vários volumes adicionais de provas. É o relatório. Fl. 6660DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.660 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso reúne as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Tratase de autuação ligada a glosa de despesas em face da indedutibilidade de variações monetárias passivas, bem assim despesas financeiras com juros pagos a fornecedores apropriados contabilmente no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005. Delimitação da Lide A infração relacionada à glosa de despesa variações monetárias passivas está fora do escopo deste voto, uma vez que o contribuinte desde a fase impugnatória não apresentou quaisquer documentos ou justificativas para se cancelar o lançamento fiscal. Por esse mesmo motivo também não foi objeto da diligência. O mesmo ocorre em relação ao item 4 da autuação ( ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL X DIPJ), em que foi retificada a DIPJ 2005, anocalendário 2004, para ajustar esta declaração aos valores escriturados contabilmente neste período (Livro Diário, Livro Razão e LALUR). Preliminares de nulidade A Recorrente levanta questões de nulidades em função de descumprimento de formalidades relativas ao MPF, suscitando problemas na prorrogação dos mesmos ou falta de sua ciência, de perda de sua eficácia, por não ter supostamente sido renovado nos prazos legais, bem assim o fato de o AuditorFiscal que atuou como responsável no MPF extinto não poder dar continuidade ao andamento do novo MPF, ex vi parágrafo único do artigo 16 da Portaria RFB n° 4.066/2007. Alegou, por fim, que a CSLL sequer poderia ser cobrada, uma vez que o MPF foi alterado para sua inclusão após a lavratura do auto de infração. O MPF é mero instrumento interno de planejamento, controle e gerência das atividades de fiscalização, disciplinado por portarias da Receita Federal que não têm o condão de alterar a competência atribuída ao auditor fiscal e não o desoneram da atividade obrigatória e vinculada do lançamento. O art. 142 do Código Tributário Nacional expressamente confere à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. E esta autoridade, nos termos da Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, e do Decreto nº 2.225, de 1985, é o auditor fiscal da Receita Federal. Logo, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória, tem ele o dever indeclinável de promover o lançamento. Neste sentido direcionase o Conselho de Contribuintes, conforme ementas a seguir transcritas: Fl. 6661DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.661 7 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF mero instrumento de controle administrativo da atividade fiscal. (Acórdão nº 20308483 de 16/10/2002) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não tem o condão de limitar a atuação da Administração Pública na realização do lançamento. Não é o mesmo sequer pressuposto obrigatório para tal ato administrativo, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional, o que não se permite a uma Portaria. (...) (Acórdão 10707268 de 13/08/2003) NORMAS PROCESSUAIS MPFMANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO RECURSO EX OFFICIO. O pleno exercício da atividade fiscal não pode ser obstruído por força de um ato administrativo que deve ser entendido como sendo de caráter meramente gerencial. Tal instituto, por ser medida disciplinadora, visando a administração dos trabalhos de fiscalização, não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos do Decretolei nº 2.354/54, que trata da competência funcional para a lavratura do auto de infração. Recurso de ofício a que se dá provimento. (Acórdão 10706952 de 29/01/2003) MPF O Mandado de Procedimento Fiscal, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. (Acórdão 10514070 de 19/03/2003) A criação do MPF e a ciência deste aos contribuintes não substitui nenhum dos procedimentos que davam validade à ação fiscal. Como bem colocado pela decisão de piso, continua sendo necessária a apresentação da identificação do auditorfiscal e dos termos de início e de término da fiscalização, bem assim sendo necessário que a autoridade lançadora apresente todas as intimações e termos que as circunstâncias exijam, como também não foram alteradas as características do lançamento tributário. É que o MPF tem caráter fundamentalmente gerencial, voltado para disciplinar as atividades entre a RFB e seus servidores. Por conseguinte, eventual inobservância da norma infralegal em nada macularia o lançamento, razão pela qual não merece prosperar, de plano, a alegação do impugnante. Registrese que as Portarias nº 6.087, de 21 de novembro de 2005, e nº 4.066, de 2 de maio de 2007, bem como nas Portarias anteriores, prevêem, no art. 13, que a prorrogação do mandado seria efetuada tantas vezes quantas necessárias e poderia ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet. A Contribuinte parece que desconhece essa faculdade, pois não faz alusão a ela. Portanto, não traz prova cabal desse suposto descumprimento. E mesmo que houvesse ocorrido algum problema com o Sistema de Informática, não seria suficiente para macular o lançamento, pois nem mesmo a Recorrente Fl. 6662DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.662 8 esboça um único indício de prejuízo que esse fato por si só tenha por acaso lhe causado. É que no Processo Administrativo Fiscal rege o princípio da formalidade moderada. As regras formais são necessárias, mas não podem servir de lastro para obstaculizar o princípio da verdade material sem que tenha se apresentado algum prejuízo concreto por um mero descumprimento de regra formal, principalmente se essa regra se liga muito mais ao âmbito gerencial como já se colocou retro. O ônus de provar o prejuízo é do interessado e ele não o faz, limitandose a entrar em um argumento circular em que apenas a legalidade pela legalidade é que foi prejudicada. Rejeitase, portanto, as preliminares de nulidade Decadência No tocante ao prazo de decadência, em primeiro lugar, reconhecendo a controvérsia que o tema envolve, ressalvo a minha opinião particular de ter defendido anteriormente que o fato contingente de existir ou não pagamentos não teria o condão de interferir na natureza do tributo sujeito a homologação e por conseqüência aplicarseia a regra do art. art. 150, § 4º do CTN, ressalvado o caso de fraude ou dolo em que preponderaria a regra do art. 173, I do CTN. Entretanto, curvome a partir à jurisprudência atual do STJ, no sentido de entender que a aplicação do art.150, §4º, do CTN atrai a realização de um pagamento. Na ausência desse pagamento, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese também após 5 (cinco) anos, mas, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). Quanto à matéria, adoto, portanto, a posição consolidada do STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PETIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL ASSINADA POR ADVOGADO SEM PROCURAÇÃO NOS AUTOS. SÚMULA 115/STJ. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. COMPETÊNCIA DA SUPREMA CORTE. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. ..... 3. Nos créditos tributários relativos à contribuição previdenciária – tributo sujeito a lançamento por homologação – cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte, caso em que se aplica o art. 173, I, do CTN, deve o prazo decadencial de cinco anos para a sua constituição ser contado a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Portanto, escorreito o acórdão recorrido, o qual entendeu pela exigibilidade integral dos débitos referentes ao ano base de 1992. ..... 7. Recurso especial não conhecido.(Segunda Turma, REsp 1154592 / PR, Min. Castro Meira, Julg. 20/05/2010, DJe 02/06/2010). Fl. 6663DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.663 9 AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. 1. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando inocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de ofício substitutivo é determinado pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. 2. Orientação reafirmada pela Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, sob o rito dos recursos repetitivos (Código de Processo Civil, artigo 543C). 3. Agravo regimental improvido. (Primeira Turma, AgRg no REsp 1120220 / PR, Min. Hamilton Carvalhido, Julg. 18/05/2010, DJe 02/06/2010) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). ..... 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 6664DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.664 10 (Primeira Seção, REsp 973.733/SC, Min. Luiz Fux, Julg. 12/08/2009, DJe 18/09/2009) . No caso concreto do IRPJ, onde ficará demonstrado adiante no voto o “evidente intuito de fraude”, foi afastado e como a regra da “existência de pagamentos” é satisfeita com a entrega das DCTF´s, aplicase no caso a regra do art. 150, § 4º do CTN, que é a melhor situação para a Recorrente. Como a apuração foi anual para o fato gerador mais antigo (31/12/2003), o prazo final para decadência se deu em 31/12/2008 – apuração anual, bem antes da ciência do auto de infração que se deu em 27 de junho de 2008, portanto, afastada a decadência. Dos demais tributos (CSLL, PIS E COFINS) Ressaltese que a conclusão supra não prejudica, nesse particular, os lançamentos decorrentes relativamente às contribuições sociais, cujo disciplinamento envolvendo a decadência não mais possui regramento próprio (artigo 45, da Lei nº 8.212, de 1991), após a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 44 e 45 do referido diploma legal. A matéria foi contemplada com a Súmula Vinculante nº 8: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Dessa forma, a regra do art. art. 150, § 4º do CTN, no caso de pagamento se aplica de igual forma para a CSLL cuja apuração foi também anual, produzindo o mesmo resultado do IRPJ, qual seja, de se afastar a decadência. Vejamos agora a aplicação da regra para as demais contribuições cuja apuração é mensal. Nesse caso, devese acolher a decadência para os períodos até maio de 2003, uma vez que a ciência se deu em 27 de junho de 2008. Mérito Em relação ao seu pedido de diligência/perícia foi acatada por essa instância apenas para uma das infrações (glosa de juros), nos seguintes termos: A diligência então circunscrevese à glosa de juros pretensamente pagos a fornecedores, pois neste caso a Recorrente trouxe indícios plausíveis sobre a existência e efetividade dessas despesas e que por isso merecem ser melhor investigados. É verdade que a Recorrente não individualizou perfeitamente em sua contabilidade o registro desses juros a pagar, mas caso se mostre através da diligência que as despesas existiram e estão dentro das regras de usualidade e normalidade, o princípio da verdade material então terá que prevalecer sobre a verdade formal. Segundo a fiscalização: Fl. 6665DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.665 11 Em 01/02/2008, através do Termo de Intimação Fiscal 004, o contribuinte foi intimado, entre outras providências, a comprovar as despesas financeiras contabilizadas a título de juros pagos a fornecedores e variações monetárias passivas (anocalendário 2003 a 2005), sendo concedido o prazo de 10 dias para atendimento da Intimação Fiscal, fl 146. Em 04/03/2008 houve Reintimação Fiscal, sendo concedido mais 05 dias de prazo, fl 147. Em 12/03/2008, o contribuinte apresentou a documentação a que denominou de Movimento Financeiro de Fornecedores de 2003 a 2005 (Caixas de arquivos: 01, 02, 03 e 04), fl 148. Os documentos apresentados são os seguintes: 1) Relatórios diários de pagamentos a fornecedores; 2) Relatório consolidado de pagamentos a fornecedores e 3) Comprovantes de pagamentos a fornecedores. Os relatórios diários de pagamentos estão detalhados por itens e produtos representam controle contábil da empresa, no presente caso, não configuram elemento de prova. Os relatórios consolidados de pagamentos a fornecedores representam importante controle financeiro da empresa que indica os valores pagos a fornecedores segregando o valor original pago e os juros incorridos no período fiscalizado, ver Anexo II. Os relatórios e comprovantes de pagamentos apresentados pelo contribuinte NÃO se relacionam com as variações monetárias passivas. Significa dizer, para o grupo de despesa variações monetárias passivas, o contribuinte NÃO apresentou quaisquer documentos que justificasse o lançamento contábil. Diante da completa omissão na comprovação das despesas financeiras com variações monetárias passivas, bem como, a ausência de quaisquer justificativas para a realização do lançamento contábil, resta a análise da documentação apresentada para as despesas financeiras com juros pagos a fornecedores. A sistemática contábil de apropriação das despesas financeiras com juros pagos a fornecedores pode ser assim resumida: no final de cada mês dos anos calendário de 2003 a 2005 existe o registro contábil a débito de Despesas Financeiras com Juros pagos a fornecedores (conta 51501 para o anocalendário de 2003 e 51754 para os anoscalendário de 2004 e 2005) e a crédito de Fornecedores (conta 20051 para o anocalendário 2003 e 2005 para os anoscalendário de 2004 e 2005). Para o período fiscalizado a empresa não utilizou registro individual das transações com fornecedores, bem como, não segregou as obrigações passivas decorrentes de compras de mercadorias dos juros decorrentes destas operações, comprometeu assim, a individuação e clareza da escrituração contábil exigidas pela legislação tributária (art. 269, RIR 99). Em 15/05/2008, a Recorrente apresentou a seguinte justificativa para o sistema de apropriação contábil das despesas financeiras: "(...) os pagamentos sempre foram feitos direto aos fornecedores, juntando várias Notas Fiscais, vários Contratos, de acordo com a capacidade financeira da empresa, não sendo feito pagamento separado dos Juros e como os pagamentos foram efetuados em datas diversas das NFs., por ocasião de Contratos que envolvem, lotes de produtos e não por Nota Fiscal, os pagamentos não acompanham os valores expressos nas A/F., sendo que o controle, é feito na forma de Conta Corrente com estes Fornecedores.", fl 164. Fl. 6666DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.666 12 É fato que a afirmação de que existem várias Notas Fiscais e vários Contratos, não desobriga o contribuinte de possuir contabilidade organizada, sistematizada e capaz de identificar os negócios realizados pela empresa como é exigido pela legislação de regência, mormente para quem optou pela sistemática do Lucro Real. Porém a Recorrente em sede recursal reforça sua defesa trazendo inúmeros contratos de VENDOR, bem assim detalhando de forma mais específica a situação, por exemplo, do fornecedor DOW AGROSCIENCES INDUSTRIAL LTDA, O QUE CONTA A FAVOR DA BOAFÉ DA RECORRENTE E DA POSSIBILIDADE DE SEREM VÁLIDAS AS DEDUÇÕES REFERIDAS. Em que pese o indício de comprovação das despesas representado pela documentação trazida aos autos, o exame desse acervo, com feição de amostra, bem assim pelo volume, revelase tarefa de impossível realização por este relator. Dessa forma, em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, e ante a apresentação de novos documentos pela Recorrente na fase recursal, tornase indispensável a conversão do julgamento em diligência, para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Abrir nova oportunidade para que o contribuinte complemente sua prova, no sentido de demonstrar, dessa feita, de forma individual e analítica, para suprir a falha contábil, trazendo documentos/contratos que estipulam as taxas de juros incidentes e seus respectivos cálculos e conciliandoos com os valores contábeis agregados. Considerando que, normalmente, as taxas de juros variam em função do tempo, o contribuinte deve produzir controle detalhado da data de vencimento e quitação das obrigações assumidas, mesmo que seja por amostragem. A forma e o tamanho da amostragem serão definidos pelo fiscal. E assim foi feito. A referida diligência resultou no relatório de fls.6407/6428 em que o auditor fiscal retifica as bases de cálculos apuradas, no valor de R$ 5.759.001,13, nos seguintes termos: Em 07/01/2013, houve ciência do Teimo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos, através do qual foram solicitados os seguintes documentos: 1) Original e cópia dos contratos, notas fiscais e comprovantes de pagamentos que lastrearam os registros contábeis de despesas financeiras; 2) Planilha demonstrativa das despesas financeiras contabilmente registradas contendo controle detalhado da data de vencimento e quitação das obrigações assumidas, bem como, referência aos documentos comprobatórios (contratos, taxas de juros, notas fiscais e comprovantes de pagamentos). Em 04/02/2013 houve apresentação da documentação solicitada. Na própria resposta a intimação fiscal a contribuinte juntou planilha demonstrativa do total de juros por ela localizados segundo o mês de apuração. Do montante de R$ 12.302.103,98 glosados pela Fiscalização a contribuinte indica a localização de R$ 9.716.801,35. Para comprovar a existência das despesas com juros, a contribuinte apresentou farta documentação (fase de impugnação anexos III a IX, recurso voluntário anexos X a } I e atendimento a intimação nesta diligência fiscal Anexo XIII Volumes 01 a 04 e Anexo XIV Volumes 01 a 03). Fl. 6667DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.667 13 Em linhas gerais, a documentação apresentada pelo contribuinte pode ser dividida em três grupos: nota fiscal de compra de mercadorias; comprovantes de pagamentos e instrumentos em que assume obrigações financeiras (contratos de financiamentos, novação de dívida, confissão de dívida, etc). O contribuinte não possui contabilidade sistematizada e organizada que permita considerar dedutível a despesa financeira através da simples análise da operação de compra de mercadorias (comprovante de pagamento e notas fiscais). Desta maneira, somente as despesas com juros previstas em instrumentos que estipulam obrigações financeiras foram consideradas dedutíveis, A tabela 03 (em anexo) consolida o resultado do trabalho de análise e identificação das despesas financeiras consideradas dedutíveis. Do montante de R$ 12.302.103,98 glosados pela Fiscalização por ausência de comprovação, através da análise do conjunto probatório apresentado pela contribuinte (fase de impugnação, recurso voluntário e diligência fiscal), concluímos pela existência do direito a dedução de despesa financeira no montante de 6.529.752,93 (tabelas 01 e 02 em anexo apresentam o detalhamento do trabalho realizado). Entretanto, para o primeiro trimestre do anocalendário de 2005, o montante reconhecido de despesa financeira (RS 1.276.352,79) foi limitado pelo total de juros glosados pela fiscalização (R$ 510.419,38). Ainda, para o 3o trimestre de 2005 foram reconhecidos R$ 4.818,39 que não pôde ser utilizado devido ao regime de tributação adotado pela contribuinte. O resultado da diligência fiscal foi consolidado na tabela abaixo: PERÍODO Juros Glosados pela Fiscalização (A) Despesa Financeira reconhecida em diligência fiscal Despesa Financeira utilizada para deduzir o valor glosado pela fiscalização (B) Glosa de despesa financeira após diligência fiscal (A – B) 2003 2.563.445,65 1.442.686,19 1.442.686,19 1.120.759,46 2004 3.693.429,55 3.253.279,04 3.253.279,04 440.150,51 1O Trim 2005 510.419,38 1.276.352,79 1.276.352,79 2O Trim 2005 6.620.652,72 346.337,66 346.337,66 4.274.315,06 3O Trim 2005 = 4.818,39 4O Trim 2005 914,156,68 206.278,86 206.278,86 707.877,82 TOTAL R$ 12.302.103,98 R$ 6.529.752,93 R$ 5.759.001,13 R$ 6.543.102,85 Em todos os casos em que foi identificada a existência obrigação financeira assumida pela contribuinte, acompanhada das respectivas notas fiscais e comprovantes de pagamentos, a despesa financeira foi considerada dedutível (tabela 02, em anexo). Considerando a sistemática de operações de financiamento nas Fl. 6668DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.668 14 operações de compra, assim como a significativa amostragem de contratos de financiamentos que preencheram todos os requisitos legais, a despesa financeira foi considerada comprovada inclusive para alguns contratos incompletos (com a ausência de assinatura do fornecedor ou da instituição financeira). Neste ato, concedo prazo improrrogável de 30 (trinta) dias para a contribuinte se pronuncie sobre as suas conclusões deste relatório fiscal, após, o processo deve retornar ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para prosseguimento do julgamento. Nesta data devolvemos todas as originais apresentadas a Fiscalização e reconhecemos a autenticidade das cópias dos documentos juntados ao processo fiscal 13161.720024/200843. Intimada do resultado de diligência a Recorrente insurgese parcialmente (fls. 3758/3775) contra o resultado de diligência de fls. 3752. Reitera suas razões recursais, mas centra força na desconsideração pelo fiscal daquelas situações em que não há contrato; apresenta um novo trabalho de auditoria contábil feita por terceiros, ratificando quase que totalmente a parte do conjunto probatório que foi glosada pelo fiscal por falta de contrato. Como se vê, a Recorrente é quem deu causa a toda essa situação aqui configurada. Conforme relato fiscal, inúmeras foram as oportunidades para que a Recorrente fizesse prova daquilo que já deveria estar bem espelhado em sua contabilidade e documentos de base. A contribuinte não possui contabilidade sistematizada e organizada que permita considerar dedutível a despesa financeira através da simples análise da operação de compra de mercadorias (comprovante de pagamento e notas fiscais), em confronto com sua contabilidade. É que está não possui os registros individualizados. Os lançamentos contábeis, segundo o autuante, foram feitos englobadamente, fato que, por si só, não traz transparência à escrituração. O seu sistema auxiliar também não ajudou, não possuindo as características necessárias que permitisse comprovar essas despesas. Esta sistemática de apropriação de despesas não permite segregar os pagamentos realizados a título de despesas com juros pagos a fornecedores dos pagamentos realizados a fornecedores pela compra de mercadorias.. A DRJ negou diligência com base nesse contexto. A DRJ bem ilustrou essa situação de anormalidade, nos seguintes termos: Com a impugnação, a contribuinte trouxe farta documentação no intuito de comprovar, agora ao órgão julgador de primeira instância, que as despesas efetivamente existiram, entretanto, novamente sem êxito. Vejamse, como exemplos, os documentos de f. 02 a 06 do Anexo III (ano calendário 2003) e 96 a 106 do Anexo V (anocalendário 2004): relatório financeiro (Anexo III f. 02 è 03), pelo qual é apontado o pagamento de R$ 974,54 a título de juros ao fornecedor Dow AgroSciences Industrial Ltda.. Nesse mesmo documento consta que o valor original e total pago foi de R$ 202.181,10; demonstrativo de juros incorridos (Anexo III f. 04), no qual constam os valores original: R$ 202.181,10, de pagamento: R$ 20.576,20, de juros: R$ 974,54 e o saldo: R$ 180.633,36; Fl. 6669DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.669 15 cheque nominativo à Dow AgroSciences Industrial Ltda., emitido pela contribuinte no valor de R$ 20.576,20 (Anexo III f. 05); nota fiscal emitida pela Dow AgroSciences Industrial Ltda., consignando um valor total de mercadorias de R$ 202.181,10 (Anexo III f. 06). Por esses documentos chegase à seguinte conclusão: a autuada efetuou uma compra junto ao fornecedor Dow AgroSciences Industrial Ltda., no valor de R$ 202.181,10, tendo efetuado um pagamento de R$ 20.576,20 em 9 de janeiro de 2003. Muito embora conste na fatura (f. 06) o vencimento da duplicata em 31 de dezembro de 2002 e os juros 9% ao mês após o vencimento, não há como se inferir que os R$ 974,54 tenham sido pagos a título de juros. Quanto ao Anexo V (anocalendário 2004): relatório financeiro (Anexo V f. 96 a 100), pelo qual é apontado o pagamento de R$ 24.283,57 a título de juros ao fornecedor Bio Soja Indústrias Químicas e Biológicas Ltda.. Nesse mesmo documento consta que o valor pago foi de R$ 105.703,00; demonstrativo de juros incorridos (Anexo V f. 101), no qual constam os valores original: R$ 162.620,00, saldo: R$ 105.703,00, de pagamento: R$ 129.986,57 e de juros: R$ 24.283,57; cheque nominativo à Bio Soja Fertilizantes Ltda., emitido pela contribuinte no valor de R$ 129.986,57 e respectivo comprovante de depósito (Anexo V f. 102); notas fiscais emitidas Bio Soja Indústrias Químicas e Biológicas Ltda., consignando um valor total de mercadorias de R$ 162.620,00 (Anexo V f. 103 a 106). Pelos documentos anexados chegase à seguinte conclusão: a autuada efetuo várias compras junto ao fornecedor Bio Soja Indústrias Químicas e Biológicas Ltda., no valor de R$ 162.620,00, tendo efetuado um pagamento de R$ 129.986,57 em 2 de abril de 2004. Não se tem notícia de que já havia sido efetuado um pagamento anterior, qual o montante deste, não havendo comprovação de que R$ 24.283,57 tenham sido pagos a título de juros. Não merece reparo portanto, em mais esse ponto, o auto de infração. Como se vê a situação posta pela DRJ era digna mesmo de se manter o lançamento. Porém, num esforço de apego à verdade material, este colegiado dignouse a ofertar mais uma oportunidade de a recorrente sanar as suas eventuais falhas e efetivamente comprovar as despesas com juros pagas aos fornecedores. Recordemos como se dava esses controles e a dificuldade que causou, nas palavras do fiscal no TVF: A sistemática contábil de apropriação das despesas financeiras com juros pagos a fornecedores pode ser assim resumida: no final de cada mês dos anos calendário de 2003 a 2005 existe o registro contábil a débito de Despesas Financeiras com Juros pagos a fornecedores (conta 51501 para o anocalendário de 2003 e 51754 para os anoscalendário de 2004 e 2005) e a crédito de Fornecedores (conta 20051 para o anocalendário 2003 e 20052 para os anoscalendário de 2004 e 2005). Para o período fiscalizado a empresa não utilizou registro individual das Fl. 6670DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.670 16 transações com fornecedores, bem como, não segregou as obrigações passivas decorrentes de compras de mercadorias dos juros decorrentes destas operações, comprometeu assim, a individuação e clareza da escrituração contábil exigidas pela legislação tributária (art. 269, RIR 99). Até então apesar de muito volume de documentação trazida, prova não havia., pois para caracterizar a prova, como já pacificado nesta Câmara, não é bastante trazer aos autos informações de forma desarticulada e incompletas, como fez a recorrente.A prova deve estar perfeitamente articulada com o auto de infração, descortinandose a partir dela de forma sucinta e objetiva todas as conexões existentes com o infração que se deseja infirmar. Esse ônus não é do julgador, mas sim da recorrente. Ao apresentar somente os comprovantes de pagamentos para as despesas financeiras, a rigor, o contribuinte ainda não comprovou a ocorrência das despesas financeiras, pois há necessidade de se comprovar a efetividade daquelas despesas, dado que não pode ser feita de forma graciosa, pois senão todos os pagamentos a esse título, simplesmente não teria como a fiscalização checar. E como já se colocou retro, isso tudo aconteceu porque o contribuinte utilizouse der conta contábil única para controlar os lançamentos das contrapartidas de compras de mercadorias e de despesas financeiras, deixando de individualizar grandezas de naturezas completamente diferentes. . Nesse contexto, a afirmação de que existem várias Notas Fiscais e vários Contratos e os pagamentos eram feitos por lotes de produtos, não desobriga o contribuinte de possuir contabilidade organizada, sistematizada e capaz de identificar os negócios realizados pela empresa como é exigido das empresas que apuram o lucro com base na sistemática do Lucro Real. Nos termos dispostos no Art. 9o, § 1o, do Decretolei n° 1.598/77 faz prova a favor do contribuinte a escrituração contábil mantida com observância das disposições legais e comprovada por documentos hábeis: “Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decretolei nº 1.598/77, art. 7o.). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, bem como os resultados apurados em suas atividades no território nacional (Lei nº 2.354/54, art. 2 o.). (...) Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486/69, art. 4o.). (...) Art 923. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração,, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou Fl. 6671DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.671 17 esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. (DecretoLei nº 1.598/77, art. 9o). § 1o. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis , segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598/77, art. 9o., § 1o.) (grifei) No presente caso, a empresa registrou de forma consolidada despesa financeira com juros e os pagamentos realizados a fornecedores. Ao proceder desta forma, o contribuinte comprometeu a clareza e individualização exigida pela legislação tributária e, por decorrência, perdeu o benefício da presunção relativa de prova que ampara a escrituração contábil. As despesas financeiras com juros são decorrentes de postergação do prazo para quitação das obrigações juntos fornecedores. As despesas com juros registradas podem ser assumidas no momento da realização do negócio quando decorrem de prorrogação no prazo para pagamento ou por atraso na quitação das obrigações assumidas. Em ambos os casos, para comprovar a ocorrência das despesas o contribuinte deve demonstrar os documentos que estipulam as taxas de juros incidentes. Considerando que, normalmente, as taxas de juros variam em função do tempo, o contribuinte deve possuir controle detalhado da data de vencimento e quitação das obrigações assumidas. O que se pretende demonstrar é que as despesas com juros devem ser comprovadas de forma idônea e hábil, não é possível aceitar o simples registro contábil desprovido de qualquer documento que demonstre a efetividade da ocorrência das despesas. O contribuinte que apropria despesa financeira com juros pagos a fornecedores tem obrigação de apresentar os contratos ou qualquer outro documento hábil que demonstre as taxas de juros incidentes na operação, assim como, a forma de apuração destes juros. Foi nesse contexto, que essa câmara se dignou a baixar o julgamento em diligência. E o fiscal cumpriu a risca esse preceito fazendo um trabalho minucioso, garimpando dado por dado e chegando nas tabelas analíticas e sintéticas que seguem em anexo ao resultado de diligência. Desta maneira, nada a reparar no trabalho fiscal em que foi considerado para efeito de comprovação somente as despesas com juros previstas em instrumentos que estipulam obrigações financeiras. A dedutibilidade não só acontece nessas linhas traçadas pelo fiscal e pelo presente voto. Em relação ao trabalho de perícia elaborado após a diligência, nada acrescenta em termos de prova aos termos traçados na diligência, uma vez que não foram trazidos os contratos ou outros documentos que os valha, para efeito de comprovação cabal das despesas ora em comento. MULTA QUALIFICADA Através do resultado de diligência ficou bem caracterizado que a falta de comprovação das despesas se devem muito mais à questão de prova pela falta da existência de um sistema de controle contábil e auxiliar eficiente para da fazer face às peculiaridades financeiras da Recorrente. O volume do que se demonstrou comprovar através de um esforço Fl. 6672DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 13161.720024/200843 Acórdão n.º 1401001.223 S1C4T1 Fl. 6.672 18 tanto do fiscal quanto do contribuinte também deixou isso bem evidenciado. O que quer dizer que não se demonstrou no caso o evidente intuito de fraude, mas sim erros no controle contábil, motivo pelo qual a multa de 150% deve ser desqualificada, situandose no patamar de 75%. Por todo o exposto, acolho parcialmente a decadência para o PIS e COFINS até maio de 2003 e dou provimento parcial ao recurso , nos estritos termos do resultado de diligência em que ficou reduzida à base de cálculo em R$ 5.759.001,13 (sem considerar o efeito do acolhimento parcial da decadência para o PIS e COFINS); bem assim reduzindo a multa qualificada de 150% para 75%. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 6673DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 18/09/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.904886/2012-80
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 20/08/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 20/08/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10882.904886/2012-80
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5400099
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.692
nome_arquivo_s : Decisao_10882904886201280.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO SERGIO CELANI
nome_arquivo_pdf_s : 10882904886201280_5400099.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5731125
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254946807808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1754; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.904886/201280 Recurso nº 111.111 Voluntário Acórdão nº 3801003.692 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/08/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 48 86 /2 01 2- 80 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904886/201280 Acórdão n.º 3801003.692 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de Fl. 53DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904886/201280 Acórdão n.º 3801003.692 S3TE01 Fl. 4 3 COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904886/201280 Acórdão n.º 3801003.692 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904886/201280 Acórdão n.º 3801003.692 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904886/201280 Acórdão n.º 3801003.692 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904886/201280 Acórdão n.º 3801003.692 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13888.004092/2009-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Não se cogita de nulidade processual, nem dos lançamentos, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, ou no 142 do CTN.
ARBITRAMENTO.
Justifica-se o arbitramento quando a contribuinte deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa.
MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DO AGENTE. NÃO COMPROVAÇÃO DO DOLO.
Para se justificar a qualificação da multa de ofício, há que se constatar na conduta do agente o dolo, aspecto subjetivo que ultrapassa a moldura delineada pelo tipo da norma tributária. Situação no qual as ações do contribuinte amoldam-se apenas ao tipo objetivo delineado pela infração tributária não é suficiente para demonstrar a ocorrência de dolo, razão pela qual a multa qualificada deve ser afastada.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA.
Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.
Numero da decisão: 1402-001.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não se cogita de nulidade processual, nem dos lançamentos, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, ou no 142 do CTN. ARBITRAMENTO. Justifica-se o arbitramento quando a contribuinte deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DO AGENTE. NÃO COMPROVAÇÃO DO DOLO. Para se justificar a qualificação da multa de ofício, há que se constatar na conduta do agente o dolo, aspecto subjetivo que ultrapassa a moldura delineada pelo tipo da norma tributária. Situação no qual as ações do contribuinte amoldam-se apenas ao tipo objetivo delineado pela infração tributária não é suficiente para demonstrar a ocorrência de dolo, razão pela qual a multa qualificada deve ser afastada. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13888.004092/2009-57
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5384079
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1402-001.782
nome_arquivo_s : Decisao_13888004092200957.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Frederico Augusto Gomes de Alencar
nome_arquivo_pdf_s : 13888004092200957_5384079.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5642544
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254954147840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2435; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 190 1 189 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.004092/200957 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.782 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2014 Matéria IRPJ Recorrente CONTROL EMPREENDIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não se cogita de nulidade processual, nem dos lançamentos, ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, ou no 142 do CTN. ARBITRAMENTO. Justificase o arbitramento quando a contribuinte deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. MULTA QUALIFICADA. CONDUTA DO AGENTE. NÃO COMPROVAÇÃO DO DOLO. Para se justificar a qualificação da multa de ofício, há que se constatar na conduta do agente o dolo, aspecto subjetivo que ultrapassa a moldura delineada pelo tipo da norma tributária. Situação no qual as ações do contribuinte amoldamse apenas ao tipo objetivo delineado pela infração tributária não é suficiente para demonstrar a ocorrência de dolo, razão pela qual a multa qualificada deve ser afastada. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 40 92 /2 00 9- 57 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.004092/200957 Acórdão n.º 1402001.782 S1C4T2 Fl. 191 2 origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.004092/200957 Acórdão n.º 1402001.782 S1C4T2 Fl. 192 3 Relatório CONTROL Empreendimentos Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda (IRPJ) no valor de R$ 28.111,42 (fl. 67), Contribuição para o PIS/PASEP de R$ 2.881,66 (fl. 74), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 13.300,13 (fl. 82) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 12.768,13 (fl. 90), acrescidos de juros de mora e multa de ofício qualificada de 150%, totalizando o crédito tributário de R$ 174,061,91 (fl. 01), em virtude da constatação de depósitos/créditos bancários de origem não comprovada, com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. A empresa, em 31/03/2009, por meio de seu sócioadministrador Alexandre Salvador Aversa, tomou ciência do Termo de Início de Fiscalização (fls. 03 e 04), por meio do qual ela foi intimada a apresentar diversos documentos e livros, entre eles, os livros Caixa ou Diário e Razão, Registro de Entradas e de Saídas, notas fiscais, faturas e recibos de mãodeobra ou serviços prestados, extratos das contas bancárias, etc, tendo sido apresentados, em 28/04/2009, apenas parte dos documentos solicitados, aqueles relacionados à fl. 05, entre eles as notas fiscais ( 4 a via) . Novamente intimada em 29/04/2009 para o mesmo fim (fls. 06), a empresa não se manifestou. Em razão da não apresentação dos extratos bancários, foram os mesmos solicitados ao Unibanco (fl. 29), com amparo no Decreto n° 3.724/2001 que regulamentou a Lei Complementar n° 105, art. 6º, de 2001, tendo a instituição financeira apresentado os extratos da conta corrente n° 1216572, mantida na agência 0028 do Unibanco, anexados às fls. 30/52. Em 24/09/2009 a empresa foi intimada a comprovar a origem dos depósitos/créditos na referida conta e também a destinação dos valores dos débitos, conforme planilha de fls. 13/15, e não se manifestou. A fiscalização, ao confrontar os valores líquidos das notas fiscais fatura de serviços apresentadas pela contribuinte e relacionadas à fl. 53 com os créditos constantes nos extratos bancários, constatou que a maior parte dos valores indicados como transferência via TED Banespa Prefeitura (principal cliente) guardava correspondência com os valores líquidos das notas fiscais. Diante disso, a fiscalização, com fulcro no art. 532 e 537 do RIR/99, considerou os valores brutos das notas fiscais relacionados à fl. 53 como receita omitida de prestação de serviços para fins de lançamento, tendo em vista que a contribuinte deixou de informar qualquer receita na sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Esta matéria foi tratada no processo de n° 13888.004093/200900. Para os demais créditos bancários, relacionados às fls. 54/55 e destacados em negrito, cuja origem não foi identificada, nem comprovada pela contribuinte apesar Fl. 192DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.004092/200957 Acórdão n.º 1402001.782 S1C4T2 Fl. 193 4 de ter sido intimada, foram considerados como receita omitida com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. objeto do presente processo. Para fins de apuração do IRPJ e da CSLL foi arbitrado o lucro da empresa, com fundamento no art. 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, tendo em vista que a empresa deixou de apresentar os livros e diversos documentos de sua escrituração contábil. Sobre os valores dos tributos e contribuições foi aplicada a multa qualificada de 150% ao seguinte argumento: A empresa deixou de declarar tempestivamente os fatos geradores de suas obrigações tributárias, e ainda o fez após o início do procedimento fiscal com a intenção de elidirse da sonegação fiscal, e considerandose ainda que a empresa deixou de apresentar diversos documentos e livros fiscais, aplicase a multa de oficio qualificada de 150%prevista no inciso lido art. 44 da Lei n° 9.430/96. Cientificada dos lançamentos em 22/12/2009, a empresa, por meio de seu procurador legalmente constituído, Dr. Marcos Marcelo de Moraes e Matos (Procuração de fl. 113), apresentou em 21/01/2010 a Recurso de fls. 101/112, alegando, inicialmente, que em razão de atraso nos recebimentos pelos serviços prestados, a empresa não conseguiu adimplir os tributos devidos, nem suas obrigações com o responsável pela sua contabilidade, o que tornou a empresa irregular nos seus registros contábeis, inclusive não foram localizados diversos documentos, apenas as notas fiscais entregues ao Auditor Fiscal relativas ao ano calendário de 2005, as quais não revelam todas as suas receitas, restando os valores consignados no auto de infração decorrentes de receitas sem origem. Entretanto, após a lavratura do auto de infração, foi possível verificar que muitos dos valores que não tiveram sua origem comprovada referemse a recebimento por serviços prestados e cuja fatura ocorreu no ano de 2004, mas o recebimento se deu em 2005, no total de R$ 310.469,56, conforme relação de notas fiscais que apresenta (fl. 105). Citou outras notas fiscais, no total de R$ 62.558,66, relacionadas a serviços prestados à Fundação Municipal de Piracicaba, conforme relação de fl. 106. Alegou ainda que, com o fim de estabelecer o nexo de casualidade das receitas com os pagamentos feitos pela Prefeitura de Piracicaba, estaria apresentando uma certidão expedida pelo Município relacionando os pagamentos efetuados nos anos de 2004 e 2005, informando os valores de restos a pagar referente as notas fiscais de 2004, mas pagas em 2005, totalizando R$ 2.615.326,43, os depósitos efetuados no ano de 2005, conforme documento anexo. Concluiu que, diante dessas informações, o arbitramento do lucro é medida desnecessária porque a receita poderá ser informada pela defendente, mesmo sem estarem acompanhados dos documentos fiscais competentes, razão pela qual seja anulado o lançamento porque não observou o regime de tributação eleito pela contribuinte que é o lucro presumido. Contestou a multa aplicada de 150% alegando que reconhece as irregularidades ocorridas e o inadimplemento dos tributos federais devidos, mas não teve o intuito de fraude e o que houve foi uma desorganização motivada pela falta de recursos. Acrescentou que o intuito de fraude não é conduta que se presume e não há nos autos prova de qualquer ato da defendente tendente a dificultar o bom andamento da fiscalização, razão pela qual solicitou a redução da multa para 75%. Em síntese, este é o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 1431.519 (fls. 133144) de 11/11/2010, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.004092/200957 Acórdão n.º 1402001.782 S1C4T2 Fl. 194 5 “OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS DA PROVA. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. A não escrituração de suas atividades operacionais e a prática reiterada de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ) "zeradas" quando comprovadamente auferiu receitas, não deixa dúvida da intenção dolosa da contribuinte de ocultar o conhecimento por parte da Fazenda Pública dos fatos gerados dos tributos e contribuições e, com isso, eximirse do pagamento dos tributos, o que caracteriza evidente intuito de sonegação, implicando na qualificação da multa de ofício. ARBITRAMENTO. Justificase o arbitramento quando a contribuinte deixa de apresentar os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 11/02/2011 (A.R. de fl. 151), a interessada interpôs recurso voluntário em 11/03/2011 (fls. 152163) onde repisa os argumentos trazidos em sede de Recurso, acrescentando questão preliminar sobre a impossibilidade de quebra do seu sigilo bancário da maneira como procedeu a fiscalização. É o relatório. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.004092/200957 Acórdão n.º 1402001.782 S1C4T2 Fl. 195 6 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Da preliminar de nulidade por quebra do sigilo bancário sem autorização judicial Alega a Recorrente que seria inconstitucional a quebra do seu sigilo bancário pelo Fisco, por meio do Requerimento de Informação Sobre Movimentação Bancária (RMF) dirigido ao UNIBANCO. Cita decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), dando provimento ao Recurso Extraordinário nº 389.808/PR em que se questiona o acesso da Receita Federal a informações fiscais da empresa, sem fundamentação e sem autorização judicial. Pede a nulidade do lançamento. Com a devida vênia, entendo não haver nulidade ocasionada pelo procedimento de obtenção de dados bancários da Recorrente. Isso porque, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse). Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado em face de despachos e decisões. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração de nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Quanto à ilegalidade do ato praticado, entendo que o art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, abaixo transcrito, legitima a análise com base em depósitos bancários. Tal comando legal condiciona o acesso do Fisco aos dados bancários somente à Fl. 195DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.004092/200957 Acórdão n.º 1402001.782 S1C4T2 Fl. 196 7 existência de processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e que tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente: Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Por fim, quanto à alegação de inconstitucionalidade da base legal para a quebra do sigilo bancário, ressalto que essa instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis legitimamente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas a essa função. Nesse sentido, o caput do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009, veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. O RE nº 389.808/PR, citado pela Recorrente, trata de controle incidental de constitucionalidade, exercido de modo difuso pelo Supremo Tribunal Federal, cujos efeitos aplicamse apenas às partes do processo. Para que a decisão tenha efeito erga omnes, não basta que seja proferida pelo STF em sede de controle difuso, deve, ainda, haver edição de Resolução do Senado suspendendo a execução do dispositivo declarado inconstitucional (CF, art. 52, X), ou, em outra hipótese, para que decisões da espécie obriguem a administração pública ao seu cumprimento, carece que o Supremo Tribunal Federal edite súmula vinculante, nos termos da Lei nº 11.417, de 2006. Registrese ser farta a jurisprudência administrativa apontando nessa direção de que a utilização dos dados bancários prescinde de autorização judicial e não configura quebra de sigilo, porquanto legalmente prevista. Nesse sentido, transcrevese o Acórdão nº 130100486 da 1ª Seção de Julgamento, 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária do CARF, de 27/01/2011, por ser representativo. NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. NÃOOCORRÊNCIA. Não houve quebra de sigilo bancário nem, tampouco, o procedimento está inquinado de nulidade, ante a observância do estabelecido no art. 10 do Decreto n. 70.235/1972. Os agentes do Fisco podem ter acesso às informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.004092/200957 Acórdão n.º 1402001.782 S1C4T2 Fl. 197 8 Entendo, portanto, não haver necessidade de autorização judicial para que os bancos enviem as informações quando requisitadas pelo fisco. Diante do exposto, é de se rejeitar a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. Da tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada. Conforme se depreende do relatório a exigência tributária é decorrente da tributação de depósitos bancários de origem não comprovada, relativamente ao ano calendário de 2005, com fundamento na Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1°. O valor das receitas ou dos rendimentos será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º . Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. A fiscalização, após excluir dos depósitos/créditos bancários os valores que tinham origem comprovada nas notas fiscais de prestação de serviços, tributou os demais valores ingressados na conta corrente como omissão de receita após intimar a contribuinte a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados e esta não se manifestar. Via de regra, a autoridade deve estar munida de provas para alegar a ocorrência de fato gerador, contudo, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador as chamadas presunções legais a produção de tais provas é dispensada. A criação de presunções legais em nosso sistema jurídico está prevista na Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo CivilCPC), que assim dispõe em seus arts. 333 e 334: A "Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao faio constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintiva do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) Fl. 197DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.004092/200957 Acórdão n.º 1402001.782 S1C4T2 Fl. 198 9 IV em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. " (Grifouse) Portanto, as presunções legais são as estabelecidas por lei, que determina o princípio em virtude do qual se tem como provado o fato pela dedução tirada de outro fato ou de um direito por outro direito. As presunções legais dividemse em absolutas ou presunções júris ei jure e em relativas, condicionais ou presunções júris tantum. As presunções absolutas são as que, por expressa determinação da lei, não admitem prova em contrário nem Recurso. Os fatos ou atos que por elas se deduzem, são tidos como provados, conseqüentemente como verdadeiros, ainda que se tente demonstrar o contrário. As presunções relativas são estabelecidas em lei, não em caráter absoluto ou como verdade indestrutível, mas em caráter relativo, que podem ser destruídas por uma prova em contrário, ou seja, valem enquanto prova em contrário não vem desfazêlas ou mostrar sua falsidade. Tal como as absolutas, as presunções relativas não se confundem com os indícios, porquanto estes podem, em certas circunstâncias, merecer fé, desde que acompanhados de elementos subsidiários que os tornem de valor indiscutível, enquanto aquelas são geradas do preceito ou da regra legalmente estabelecida. No caso em análise, tratandose de presunção júris tantum, ou seja, está prevista em lei, mas admite prova em contrário, fica invertido o ônus da prova, cabendo à Fiscalizada comprovar a sua improcedência, mediante prova da origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários apontados nos autos. Cumpre ao fisco, em tais circunstâncias, tãosomente provar o indício, como de fato foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída à contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas. Reiterese, portanto, que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um crédito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários creditados e seu oferecimento à tributação, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiado com um crédito bancário sem origem ou não oferecido à tributação e o fato desconhecido auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de rendimentos não declarados. No mesmo sentido caminha a jurisprudência administrativa: "MEIOS DE PROVA. A omissão de receitas, quando sua prova não estiver estabelecida na legislação Fiscal, pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive presuntiva com base em indícios veementes, sendo livre a convicção do julgador." (Acórdão n° 1054.032/90, 1° Conselho de Contribuintes, DOU de 14/09/1990). "PROVA. PRESUNÇÕES. No processo administrativo Fiscal a prova indireta (presunção) é plenamente aceitável, desde que presentes os requisitos de seriedade quanto ao nexo evidente Fl. 198DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.004092/200957 Acórdão n.º 1402001.782 S1C4T2 Fl. 199 10 entre o fato conhecido e sua conseqüência, precisão quanto à idoneidade do falo conhecido e concordância a respeito da relação entre os fatos." (Acórdão nº 10193647, Io Conselho de Contribuintes, Primeira Câmara, Data da Sessão: 17/10/2001). Acrescentemse, ainda, as palavras de Antônio da Silva Cabral em "Processo Administrativo Fiscal", Saraiva, São Paulo, 1993, pg. 311: "8. Valor da prova indireta. Em direito Fiscal conta muito a chamada prova indireta. Conforme consta do Ac. CSRF/010.004. de 26101979, 'A prova indireta é feita a partir de indícios que se transformam em presunções. Constitui o resultado de um processo lógico, e/n cuja base está um fato conhecido (indício), prova que provoca atividade mental, em persecução do falo conhecido, o qual será causa ou efeito daquele. O resultado desse raciocínio, quando positivo, constitui a presunção.' O fisco se utiliza da prova indireta, mediante indícios e presunções, sobretudo para descobrir omissões de rendimentos ou de receitas. " No texto abaixo reproduzido, extraído de Imposto sobre a RendaPessoas jurídicas, JUSTECRJ, 1979, pág. 806, José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: "O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso." (Grifouse) Nesse sentido, são também brilhantes as lições de Maria Rita Ferragut In Presunções no Direito Tributário (São Paulo, Dialética, 2001, págs. 91/92): "Discordamos do entendimento de que as presunções ferem a segurança jurídica porque, como meio de prova indireta que são, poriam elevado grau de incerteza, prejudicando a necessária apuração dos fatos. Entendemos que as presunções não devam ser aplicadas em casos de dúvida e incerteza, mas somente nas hipóteses de impossibilidade de comprovação direta do evento descrito no fato, já que seu principal fim é o de suprir deficiências probatórias. A certeza e a convicção (...) é inatingível objetivamente, estando, nessa perspectiva, também ausente na prova direta. Sobre a questão da certeza, manifestouse Moacyr Amaral dos Santos, para quem 'há certeza, relativamente a um fato quando o espírito se convence de sua existência ou inexistência'. A previsibilidade (inerente ao princípio da segurança jurídica) quanto aos efeitos jurídicos da conduta praticada não se encontra comprometida quando a presunção for corretamente utilizada para a criação de obrigações tributárias. O enunciado presuntivo não altera o antecedente da regramatriz de incidência tributária, nem equipara, por analogia ou interpretação extensiva, fato que não é como se fosse, nem substitui a necessidade de provas. Apenas, e tãosomente, prova o acontecimento factual relevante não de forma direta já que isso, no caso concreto, é impossível ou muito difícil mas, indiretamente, baseandose em indícios graves, precisos e concordantes, que levem à conclusão de que o fato efetivamente ocorreu. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.004092/200957 Acórdão n.º 1402001.782 S1C4T2 Fl. 200 11 Caso não tenha ocorrido, até para a garantia de observância da segurança jurídica, é permitido ao contribuinte produzir todas as provas juridicamente admitidas para os fins de demonstrar a inveracidade fática do fato imputado. (...) A Administração tem o deverpoder de cumprir com certas finalidades, sendoihe obrigatória essa tarefa para a realização do interesse da coletividade, indicado na Constituição e nas Leis. Conseqüência dessa premissa é a indisponibilidade do interesse público. A utilização de presunções para a instituição de tributos é uma forma de atender ao interesse público, já que essas regras são passíveis de evitar que atos que importem evasões fiscais deixem de provocar as conseqüências jurídicas que lhe seriam próprias não fosse o ilícito. E, nesse sentido, instrumento que o direito coloca à disposição da Fiscalização, para que obrigações tributárias não deixem de ser instauradas em virtude da prática de atos ilícitos pelo contribuinte, tendentes a acobertar a ocorrência do fato típico " (Grifouse) Das provas apresentadas. Na peça recursal a contribuinte alegou que parte dos depósitos tem origem na prestação de serviços no anocalendário de 2004, cujo recebimento só se deu no anocalendário de 2005, e enumerou algumas notas fiscais (fl. 105) no montante de R$ 310.469,56 que teriam sido emitidas no ano de 2004 e recebidas no ano seguinte, e ainda juntou os documentos de fls. 122/124 que, segundo alegou, comprovariam os pagamentos efetuados nos anos de 2004 e 2005 pela Prefeitura Municipal de Piracicaba, além dos restos a pagar referentes as notas fiscais emitidas no ano de 2004. Além disso, juntou 4 (quatro) notas fiscais fatura de serviços, no montante de R$ 62.558,66 (fls. 125/128), correspondentes a serviços prestados no ano de 2005. É de se observar que o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, não deixa dúvida de que todos dos depósitos bancários estão sujeitos à comprovação da origem dos recursos depositados e estão sujeitos à tributação como omissão de receita aqueles que não tiverem sua origem comprovada, mediante documentação hábil e idônea. Portanto, é de fundamental importância que a Fiscalização relacione individualmente cada depósito e intime a comprovar a origem de cada depósito. E assim procedeu a autoridade fiscal. Por outro lado, cabe a contribuinte comprovar a origem de cada depósito a fim de ficar demonstrado que eles provem de outra origem que não receitas omitidas. No caso desses autos, não obstante suas alegações, a Recorrente não conseguiu comprovar a origem dos depósitos levados à tributação. Os valores por ela relacionados que teriam sido recebidos em 2005 por serviços prestados em 2004 não guardam correspondência com os depósitos. De igual forma os valores das notas fiscais correspondentes a serviços prestados no ano de 2005 (fls. 125/128). Além disso, não foi apresentado escrituração de modo a comprovar ter adotado o sistema de competência para o anocalendário de 2004 e ter oferecido à tributação as receitas decorrentes de serviços prestados naquele ano. Ao contrário, em pesquisa no sistema da Receita Federal do Brasil, este Relator constatou que no ano de 2004 não foi oferecida à tributação qualquer receita. Enfim, a contribuinte não apresentou um demonstrativo, acompanhado da devida documentação comprobatória, da origem de cada depósito/crédito efetuado em sua Fl. 200DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.004092/200957 Acórdão n.º 1402001.782 S1C4T2 Fl. 201 12 conta bancária, estabelecendo uma vinculação de cada depósito com os valores que teriam sido extraídos de notas fiscais de fatura emitida no ano de 2004. Nesse passo, é oportuno destacar as palavras de Fabiana Del Padre Tomé (A prova no direito tributário, Editora Noesis, 2005): Provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendoo com o animus de convencimento. Ou seja, a prova não se confunde com os elementos probatórios, ela é constituída a partir deles. Uma nota fiscal, um contrato, uma página da escrituração contábil não são prova, mas sim elementos de prova. A prova corresponde à articulação lingüística que relacione os documentos apresentados com o objeto da refrega jurídica no sentido de confirmar o que se alega. Alegar genericamente e juntar papéis não é prova. Repito: provar não é juntar documentos; é articulálos; e isso não foi realizado pela recorrente. E oportuno recordar um brocardo jurídico que se aplica à situação que está sendo apreciada: "Allegado et non probattio, quasi non allegatio" que significa que "quem alega e não prova, se mostrará como se estivesse calado ou que nada alegasse". Ou seja , não basta questionar graciosamente os argumentos do fisco, deve o interessado rebater de forma coerente e com meios de prova idôneos. Dessa forma, tendo deixado de comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas contas bancárias arroladas nos autos, restou caracterizada a presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, de que os valores creditados advieram de receitas não oferecidas à tributação. Do arbitramento. A autoridade fiscal arbitrou o lucro tendo em vista que a contribuinte, optante pelo lucro presumido, não apresentou diversos documentos e livros, entre eles a escrituração contábil, e fundamentou no art. 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99), que transcrevo: "Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei r£ 9.430, de 1996, art. 1"): III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Conforme se verifica, o dispositivo transcrito atribui ao Fisco a faculdade de determinar o lucro mediante o arbitramento, tendo por pressuposto de fato a não apresentação de escrituração, de acordo com as disposições das leis comerciais e fiscais. E, no caso, é indiscutível a não apresentação dos livros Caixa ou Diário e Razão, exigidos no Termo de Início de Fiscalização, entre outros documentos e livros, o que justifica o arbitramento do lucro com base na receita conhecida, conforme autoriza o art. 532 do RIR/99, pelo que improcede o argumento de que seria nulo o lançamento por não observar o regime de tributação eleito pela defendente que é o lucro presumido. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.004092/200957 Acórdão n.º 1402001.782 S1C4T2 Fl. 202 13 Verificase, à vista do acima exposto, a correção do procedimento fiscal, pelo que deve ser mantido o lançamento relativo ao IRPJ. Da multa aplicada. Sobre os valores dos tributos e contribuições foi aplicada a multa qualificada de 150%, com fundamento no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96. A qualificação se deu sob a justificativa de que a empresa deixara de declarar tempestivamente os fatos geradores de suas obrigações tributárias, e ainda o fizera após o início do procedimento fiscal “com a intenção de elidirse da sonegação fiscal.”. Vejase o argumento na autuação: A empresa deixou de declarar tempestivamente os fatos geradores de suas obrigações tributárias, e ainda o fez após o inicio do procedimento fiscal com a intenção de elidirse da sonegação fiscal, e considerandose ainda que a empresa deixou de apresentar diversos documentos e livros fiscais, aplicase a multa de ofício qualificada de 150%prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Alega a Recorrente que o intuito de fraude não é conduta "que se presume e não há nos autos prova de qualquer ato da defendente tendente a dificultar o bom andamento da fiscalização”, razão pela qual solicitou a redução da multa para 75%. De fato, há que se concordar com a Recorrente nesse ponto. A matriz legal da qualificação da multa estava disciplinada, à época dos fatos geradores objetos do lançamento, no art. 44, II, e §2°, da Lei n° 9.430/96, verbis: Art.44 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa moratória, de falta de declaração e nos casos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de ¡964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, (destaquei). Referido dispositivo legal passou a ter a seguinte redação introduzida pela Lei n° 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei n" 11.488, de 2007) Fl. 202DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.004092/200957 Acórdão n.º 1402001.782 S1C4T2 Fl. 203 14 (...) § II O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei ri1 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 2007) .(destaquei) Da Lei n° 4.502/64: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do falo gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Depreendese dos dispositivos acima transcritos que para aplicar a multa qualificada/agravada não basta simples indícios, é necessário o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar ou de sonegar, cuja prova deve ser produzida com acuidade, apta a demonstrar a indelével intenção de cometer um dos três ilícitos descritos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502 de 1964. Segundo Luiz Alberto Ferracini Do Crime de Sonegação Fiscal Ed. de Direito, 1996, pag.. 65, "Os elementos do dolo para o estudo do crime de sonegação fiscal são os seguintes: consciência da ação e do evento e do nexo causal entre eles é vontade de praticar o fato típico; consciência da ilicitude da conduta e do resultado; vontade de ação e do resultado." Ou seja, há que ficar provada a intenção do agente em praticar os atos culpáveis. De acordo com De Plácido e Silva, em "Vocabulário Jurídico", Editora Forense, o vocábulo "fraudar", derivado do latim fraudare (fazer agravo, prejudicar com fraude), além de significar usar de fraude, o que é genérico, e exprime toda a ação de falsear ou ocultar a verdade com a intenção de prejudicar ou de enganar, possui, na técnica fiscal, o sentido de falsificar ou adulterar, como o de usar de ardil para fugir ao pagamento de uma tributação: fraudar o fisco. E, assim, quer dizer sonegar. Verificase que a sonegação e a fraude se caracterizam em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõem sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, ou retardar uma obrigação tributária. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.004092/200957 Acórdão n.º 1402001.782 S1C4T2 Fl. 204 15 Assim, ainda que o conceito de sonegação seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios escamoteiase ocorrência do fato gerador ou retardase o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária; ou seja, o dolo é elemento específico da sonegação, da fraude e do conluio, que os diferenciam da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste, seja ela pelos mais variados motivos que se aleguem. Ressaltese que, qualquer que seja a conduta fraudulenta do sujeito passivo, com vistas a reduzir ou suprimir tributo, estará sempre enquadrada em uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502 de 30 de novembro de 1964. Portanto, é irrelevante distinguir se a conduta fraudulenta se configurou em sonegação, fraude ou conluio, bastando apenas que a conduta fraudulenta se enquadre em qualquer um dos tipos infracionais definidos na citada lei. No caso presente tenho por não comprovada pelo Fisco a conduta dolosa da contribuinte. Nessa esteira a autuação limitouse a afirmar que a empresa deixara de declarar tempestivamente os fatos geradores de suas obrigações tributárias, e apenas o fizera “após o início do procedimento fiscal com a intenção de elidirse da sonegação fiscal”. Complementa adicionando que a empresa deixara de apresentar diversos documentos e livros fiscais. Ora, a primeira conduta – deixar de declarar tempestivamente os fatos geradores de suas obrigações tributárias – enseja tãosomente infração à norma tributária. A segunda – declarar após o início do procedimento fiscal – tem como conseqüência apenas a desconsideração dessas ações, haja vista a perda de espontaneidade pelo início da ação fiscal. Por fim, a terceira conduta – falta de apresentação de diversos documentos e livros fiscais – implica no arbitramento do lucro da empresa, como, de fato, foi levado a efeito pelo Fisco. Sem dúvidas, a contribuinte incorreu em atos que se encontram inseridos na hipótese de incidência definida pelo aspecto objetivo da infração tributária. Mas somente isso. Não vislumbro na conduta da contribuinte motivos para a qualificação da multa de ofício, pelo que entendo que essa multa deve ser reduzida para o patamar de 75%. Dos Lançamentos Reflexos Quanto aos autos de infração relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS); à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido(CSLL), por terem sido lavrados em decorrência da fiscalização dos fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração principal de apuração do IRPJ, acima analisado, e que foi considerado procedente, às exigências das citadas contribuições sociais, efetivadas por mera decorrência daquele, aplicamse o mesmo entendimento e julgamento dispensado ao tributo principal, motivo pelo qual considero todos os lançamentos procedentes. Diante do exposto VOTO por rejeitar as preliminares de nulidade e no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 204DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13888.004092/200957 Acórdão n.º 1402001.782 S1C4T2 Fl. 205 16 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005873/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004
Ementa:
TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, art. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, Art. 150, § 4º).
Numero da decisão: 3402-002.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator..
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Massaaki Kanamaru, Mara Cristina Sifuente e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004 Ementa: TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, art. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, Art. 150, § 4º).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.005873/2009-83
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5387730
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3402-002.486
nome_arquivo_s : Decisao_19515005873200983.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 19515005873200983_5387730.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Massaaki Kanamaru, Mara Cristina Sifuente e Fenelon Moscoso de Almeida.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5658535
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254966730752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1623; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 125 1 124 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005873/200983 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.486 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria IPI Recorrente INDÚSTRIA PAULISTA DE COMPONENTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004 Ementa: TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, art. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, Art. 150, § 4º). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Massaaki Kanamaru, Mara Cristina Sifuente e Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 58 73 /2 00 9- 83 Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 1221/1224, lavrado em 11/12/2009, com ciência da contribuinte em 14/12/2009, totalizando o crédito tributário de R$ 795.941,76. De acordo com a descrição dos fatos de fls. 1222/1224 e o termo de verificação de fls. 1142/1145, foram constatadas as seguintes irregularidades: 1. No período de janeiro a dezembro de 2004, a contribuinte destacou o IPI em notas fiscais, mas não escriturou nos livros fiscais, conforme demonstrado no Anexo I de fls. 1146/1195; evidenciada a intenção de reduzir o pagamento do tributo, foi aplicada a multa qualificada de 150%; 2. No período de fevereiro a dezembro de 2004, houve falta de recolhimento de IPI, por ter a empresa escriturado nos livros fiscais, créditos maiores do que os constantes das notas fiscais relativas às compras, conforme demonstrado no Anexo III; conseqüentemente, foram glosados os créditos escriturados a maior; 3. Em dezembro de 2004, houve falta de recolhimento de IPI, em razão da utilização indevida de crédito presumido de IPI; foi glosado o valor relativo ao 4° trimestre de 2003, por falta de comprovação, e o ano de 2004 foi recalculado conforme Anexo IV de fls. 1204/1212; evidenciada a intenção de reduzir o pagamento do tributo, foi aplicada a multa qualificada de 150%; Inconformada com a autuação, a contribuinte protocolizou impugnação de fls. 1229/1252, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: 1. Os lançamentos dos créditos tributários decorrentes dos fatos geradores ocorridos anteriormente à 14/12/2004 estão decaídos, pois a notificação do lançamento ocorreu em 14/12/2009; 2. O auto de infração tem erro formal porque menciona somente o Decreto n° 4.544/2002, que é norma jurídica que está dentro do conceito de legislação tributária, e não de dispositivo legal, sendo que o Decreto n° 70.235/72 exige que o auto de infração contenha a disposição legal infringida; 3. Em relação ao lançamento relativo ao IPI lançado e não escriturado, o mesmo não pode prosperar pois foi fundamentado no art. 199 do RIPI/2002, que regulamenta a periodicidade como decendial ou mensal, enquanto o lançamento foi apurado quinzenalmente; 4. Em relação à glosa de créditos, não há justificativa para a glosa efetuada, ficando evidente o cerceamento do direito da Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.005873/200983 Acórdão n.º 3402002.486 S3C4T2 Fl. 126 3 ampla defesa e do contraditório; também em relação à glosa, repetese a dissociação entre o prazo previsto no art. 199 do RIPI/2002, com o período quinzenal apurado; 5. Em relação ao crédito presumido indevido, o Anexo IV contempla a demonstração de apuração do crédito presumido entre janeiro e setembro de 2004, mas não está demonstrado o valor de R$ 87.178,45; o Anexo IV não demonstra como, e de que forma chegouse ao valor do crédito tributário nem a data do fato gerador, violando, novamente o direito à ampla defesa; não há fundamento para a aplicação da multa de 150% nesse item; repetese a dissociação entre o prazo previsto no art. 199 do RIPI/2002, com o período quinzenal apurado; 6. Não tem fundamento a aplicação da multa, pois o art. 45 da Lei n° 9.430/96 foi expressamente revogado pelo art. 40, inciso I, da Lei n° 11.488/2007. Por fim, requer a nulidade do lançamento, e ainda que: seja carreado aos autos a conta gráfica da impugnante de todo período de 2004; não seja admitida a inclusão de qualquer novo documento por parte da autoridade fiscal; sejam observados os efeitos da decadência; seja suspensa a exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, inciso III, do CTN; que sejam observados pela autoridade julgadora todos os elementos materiais possíveis, mesmo que sejam desfavoráveis ao Fisco; e que sejam aproveitados em favor da impugnante os benefícios do art. 106, inciso II, do CTN. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ Ribeirão Preto (SP) julgou procedente em a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1428447, de 14 de abril de 2010, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no auto de infração. IPI. DECADÊNCIA. Caracterizado o lançamento por homologação, de iniciativa do sujeito passivo, e escoado o lapso qüinqüenal, as ocorrências fáticas são abrangidas pelo fenômeno jurídico da decadência. A utilização de créditos, não admitidos na legislação do IPI, para compensar débitos do imposto apurados na escrita fiscal, não configura pagamento antecipado, deslocando para o primeiro dia do exercício seguinte, o termo inicial do prazo decadencial. Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo de decadência para o lançamento de ofício deve ser contado pela regra do art. 173, I do CTN. IPI DESTACADO E NÃO ESCRITURADO E NEM RECOLHIDO. Demonstrado pela fiscalização que a autuada escriturou débitos em valores menores do que os destacados nas notas fiscais de vendas, correto o lançamento para exigir o IPI não escriturado e nem recolhido. IPI. GLOSA DE CRÉDITO. Demonstrado que a contribuinte escriturou créditos inexistentes, sem o amparo das notas fiscais relativas às aquisições de insumos, efetuase a glosa dos créditos. IPI. GLOSA DE CRÉDITO PRESUMIDO. SALDO CREDOR. Se após a glosa do crédito presumido de IPI permanece saldo credor na escrita fiscal, não há imposto a ser lançado. MULTA QUALIFICADA. Caracterizado o evidente intuito de fraudar o Fisco, visando subtrairse ao pagamento de tributos, agravase a multa aplicada. Impugnação Procedente em Parte Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: a) Mesmo sendo o IPI tributo lançado por homologação, cujo prazo para lançar regese pelo art. 150, § 4°, do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, haveria de se aperfeiçoar com a realização do pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, e, inexistindo o pagamento, aplicase a regra geral do lançamento de oficio, estabelecida no art. 173, I, do CTN, cujo prazo decadencial de cinco anos para lançar, iniciarseia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado. Data maxima venia, tal interpretação não pode ser admitida. Se o art. 150, § 4°, do CTN determina um prazo decadencial, ou seja, esgotado o prazo estabelecido, sem manifestação da autoridade administrativa, ela decai do direito de lançar de oficio o tributo, cujo prazo contase do fato gerador e não do pagamento. Assim decorrido em 14/12/2009 o prazo decadencial de cinco anos, ou seja, da ocorrência do fato gerador, não caberia à autoridade administrativa fazer lançamento de oficio como entendeu a r. decisão atacada com fulcro no art. 173, I, do CTN, haja vista a efetiva ocorrência da decadência. Cabe ressaltar, que no caso vertente, não se está diante de lançamento sem a existência de pagamento antecipado, pois este há Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.005873/200983 Acórdão n.º 3402002.486 S3C4T2 Fl. 127 5 efetivamente, cabendo ao Fisco homologar expressa ou tacitamente. Não homologando expressamente no prazo decadencial de cinco anos de que trata o art. 150, parágrafo 4° do CTN, caberia fazer eventual lançamento de oficio suplementar, contudo, dentro do prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. DD Julgadores, se a notificação do lançamento se deu em 14/12/2009, ou seja, todo o crédito tributário exigido sobre fato gerador ocorrido após cinco anos (14/12/2004) está alcançado pelos efeitos da decadência, ou seja, a perda do direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, razão pela qual a r. decisão recorrida deverá ser reformada. Portanto, toda a parte em que foi vencida a Recorrente na r. decisão hostilizada, estaria alcançada pelos efeitos da decadência, haja vista que o lançamento de oficio ocorreu após cinco anos da ocorrência do fato gerador (pagamento antecipado feito pelo contribuinte); b) A decisão atacada, assevera que ficou caracterizada a conduta dolosa do contribuinte, citando expressamente os artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, o que, não é admissível, primeiro porque não há no auto de infração qualquer acusação neste sentido, segundo que não pode o Julgador extrapolar o que consta do próprio auto de infração, haja vista que por analogia ao art. 112 do CTN a interpretação quanto a infrações devem ser interpretadas de maneira mais favorável ao contribuinte, ou seja, não pode a autoridade Julgadora acusar a Recorrente de conduta dolosa se o próprio auto de infração não o fez; c) Os deveres formais e instrumentais exigidos pela legislação tributária são cumpridos por colaboradores da Recorrente e não por ela própria, e não pode ser imputada como dolosa à Recorrente a conduta de um colaborador que efetivou erro no preenchimento da escrituração fiscal, posto que: primeiro, as notas fiscais estão escrituradas, sendo que houve erro em algumas quanto ao valor do débito do imposto destacado, o que isso não pode ser entendido, como uma conduta dolosa; crédito de imposto tomado de notas fiscais que a administração tributária interpreta como não sendo insumos, é questão de interpretação, não de conduta dolosa, portanto, inadmissível cogitarse de conduta dolosa por parte da Recorrente, até porque, não lhe pode ser imputada a si a prática cometida por um terceiro, mesmo que este terceiro seja contratado da Recorrente. Portanto, não houve vontade consciente qualquer de lesar o Erário Público. Não houve dolo, não houve simulação Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 e também não houve omissão, houve erro material, o que difere frontalmente do arrazoado pela r. decisão hostilizada, até porque, cabe somente ao Poder Judiciário fazer coisa julgada com relação à interpretação dada pela autoridade fiscal e aquela adotada pela Recorrente mesmo para identificação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação d) O auto de infração está eivado de vício formal por não dispor do fundamento legal que possa dar guarita à pretensão do lançamento; e) A multa de ofício não pode ser exigida por que seu fundamento legal foi revogado por lei posterior; f) A constituição do crédito tributário através do lançamento se deu em razão de glosa de créditos tomados pela Recorrente, sem que a respeitável autoridade fiscal demonstrasse as razões, o motivo que impedia a Recorrente de tomar os créditos, inexistindo qualquer fundamento que dê guarida para a Recorrente defenderse, corroborando verdadeiro cerceamento do direito da ampla defesa e do contraditório, contrariamente ao que foi assentado na r. decisão hostilizada. Termina sua petição recursal pedindo a reforma do acórdão vergastado, para fins de cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Preliminarmente, o recorrente alega a decadência de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários objeto deste recurso voluntário. Constato que houve antecipação de pagamento, conforme exige o art. 150, § 4º do CTN, contudo, a Autoridade Fiscal entendeu não haver decadência para efetuar o lançamento por ter qualificado sua conduta e enquadrandoa no art. 80, inciso II, da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430/96. Assim, com a conduta qualificada, a regra para contagem da decadência passa da contida no art. 150, §4º, a prevista no art. 173, I, ambas do Código Tributário Nacional. Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.005873/200983 Acórdão n.º 3402002.486 S3C4T2 Fl. 128 7 Cumpre examinarmos, neste passo, se a conduta praticada pelo recorrente se subsume as previstas nos artigos 71,72 e 73 da Lei nº 4.502/64. As condutas do recorrente foram: a) Falta de escrituração do IPI destacado nas notas fiscais; b) Utilização indevida de crédito básico de IPI, acarretando recolhimento a menor da exação. Passemos aos citados artigos. Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. XAVIER enumera os critérios para aplicação dos preceitos acima da seguinte forma, dividindoos em três: O primeiro requisito subjetivo consistente no fim da conduta comissiva ou omissiva: reduzir o montante do imposto devido, evitar ou diferir o seu pagamento. O segundo é também um requisito subjetivo: a intencionalidade fraudulenta consistente no caráter doloso da ação ou omissão. A redução, evitação ou diferimento do tributo só configura um evento ou resultado contrário ao Direito. O agente prevê e quer o resultado ilícito; este representase no espírito do sujeito que o elege como fim, e para ele dirige a sua vontade através de uma conduta ativa ou passiva. O terceiro é um requisito objetivo respeitante aos méis de realização do prejuízo ao Fisco: impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou excluir ou modificar as suas características essenciais. Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 O tema é tratado com maestria pelo professor Greco, que discrimina com propriedade o alcance do art. 72 da Lei nº 4.502/64: Aqui está o fulcro do debate que permite identificar o sentido e alcance do art. 72 da Lei nº 4.502/64. Tratase de identificar a existência do processo formativo do fato gerador legalmente previsto. Ou seja, se estiver em curso o processo formativo do fato gerador, vale dizer, tiverem sido realizados ato que, substancialmente, representem o núcleo da definição do fato gerador, de modo que a sua ocorrência seja mera etapa subsequente, e quase que inexorável, a introdução pelo contribuinte de atos ou omissões que não permitam o aperfeiçoamento daquele fato gerador que iria ocorrer, configura hipótese do art. 72 da Lei nº 4502/64. Por outro lado, a segunda parte do art. 72, ao se referir a “excluir ou modificar” as características essenciais do fato gerador, modo a reduzir o montante do imposto devido, ou evitar ou diferir o seu pagamento, está claramente prevendo condutas que se realizam depois da ocorrência do fato gerador, pois só é possível excluir ou modificar “características” de algo que já exista. Após esses preciosos ensinamentos, regressando aos fatos jurídicos que deram ensejo a lavratura do auto de infração, nos dizeres do termo de fiscalização, o sujeito passivo omitiu receitas, fato suficiente para caracterizar a fraude. Na minha opinião, não há como presumir a fraude ou a sonegação, ela deve ser provada nos autos. Compulsando exaustivamente os autos de infração, não consigo identificar evidências mínimas de ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Logo, não resta caracterizada a fraude descrita pelo art. 72 da Lei nº 4.502/64. Tampouco vislumbro ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da Autoridade Fiscal da ocorrência do fato gerador ou as condições e pessoais do contribuinte, suscetíveis a afetar a obrigação tributária. Assim sendo, afasto também a sonegação prevista nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502/64. Pelas assertivas feitas, afluem razões jurídicas para afirmar que não foi provado pelo Fisco a prática de fraude ou sonegação nos moldes previstos nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Afastada a qualificadora da conduta do sujeito passivo, identificados os pagamentos em DCTF, é de meridiana obviedade que devemos aplicar a regra contida no art. 150, § 4º do CTN para fins de análise da decadência. Pela regra do art. 150, § 4º do CTN, o prazo decadencial deverá começar a fluir a partir da ocorrência do fato gerador. Verificase que o sujeito passivo tomou ciência do auto de infração em 14/12/2009, o que força a concluir que os fatos geradores ocorridos antes Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19515.005873/200983 Acórdão n.º 3402002.486 S3C4T2 Fl. 129 9 de 14/12/2004 não podem ser constituídos por terem sido alcançados pelo instituto da decadência. A lide inicial é composta por fatos geradores do IPI ocorridos entre janeiro de 2004 e dezembro de 2004. A instância a quo afastou o lançamento referente ao mês de dezembro de 2004, restando em discussão apenas os períodos de 01/2004 a 11/2004. Notase, portanto, que a decadência alcançou todos os fatos geradores em lide no recurso voluntário. Quanto às demais matérias, entendo prejudicadas pelo reconhecimento da decadência, nos termos do art. 59 do Regimento Interno do CARF. Forte nestes argumentos, dou provimento ao recurso voluntário para declarar a decadência de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários referentes aos períodos de apuração compreendidos entre 01/2004 e 11/2004. Sala das Sessões, em 17/09/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 9/10/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906348/2012-67
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10935.906348/2012-67
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5389672
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.646
nome_arquivo_s : Decisao_10935906348201267.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10935906348201267_5389672.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5664231
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254970925056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1806; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 121 1 120 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.906348/201267 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802002.646 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2014 Matéria COFINS Recorrente JUMBO ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/12/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 48 /2 01 2- 67 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.796, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 10974.60027.110209.1.2.049525, rastreamento nº 041906681, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 783,64, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 30/11/2007, efetuado em 20/12/2007, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906348/201267 Acórdão n.º 3802002.646 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 20/12/2007 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906348/201267 Acórdão n.º 3802002.646 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906348/201267 Acórdão n.º 3802002.646 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906348/201267 Acórdão n.º 3802002.646 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
