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Numero do processo: 13839.002029/2008-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA VISTA AOS AUTOS FORA DA UNIDADE LOCAL DA SRF
Os autos dos processos administrativos fiscais ficam à disposição do contribuinte na sede da unidade local da Secretaria da Receita Federal durante o prazo recursal para vista no local e/ou cópia, não podendo ser retirados por expressa disposição legal.
Numero da decisão: 1103-000.500
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Aloysio José Percínio da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Cristiane Silva Costa, Jose Sergio Gomes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário a respeito da decisão da DRJ de Campinas/SP que negou provimento a impugnação da contribuinte. Trata o presente processo dos Autos de Infração relativos a Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ, fls. 445/449), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS, fls. 455/459), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fls. 465/469), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins, fls. 475/479) e Contribuição para Seguridade Social (INSS, fls. 485/489), formalizando crédito tributário no valor total de R$ 3.189.549,93 (fls. 06), apurado na forma prevista pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da constatação, no ano calendário de 2003, de (i) omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada e (ii) insuficiência de recolhimento. As constatações que redundaram na autuação estão contextualizadas no Termo de fls. 410/426, em que a fiscalização aborda, inicialmente, o histórico da ação fiscal, descrevendo, entre outros, os seguintes fatos: •A ação fiscal iniciouse em 01/02/2007 com a ciência pessoal do contribuinte, através da Sra. Mariângela Fialho, CPF ..., Auxiliar Administrativa, do Termo de Início de Fiscalização (TIF), com solicitação dos seguintes documentos: Livros Caixa ou Diário e Razão; Livro de Registro de Saídas; Livro Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências; Contrato/Estatuto Social e suas Alterações; Declaração de rendimentos da empresa; Extratos bancários das contas poupança da empresa; Extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras; Recibos de entrega de declaração de rendimentos da pessoa jurídica Em 14/02/2007, o contribuinte, através de termo assinado por sua sócia administradora Sra. Esther Apparecida, apresentou à Fiscalização os seguintes documentos: Livro Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências; Contrato/Estatuto Social e suas Alterações; Declaração de rendimentos da empresa; Recibos de entrega de declaração de rendimentos da pessoa jurídica Por meio de Termo de Reintimação Fiscal, de 27/02/2007, foi solicitada a documentação faltante a saber: Livro Caixa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13839.002029/200881 Acórdão n.º 110300.500 S1C1T3 Fl. 2 3 Extratos bancárias das contas correntes, contas de poupança e de aplicações financeiras • Em resposta de 22/03/2007, o contribuinte informou que não foi encontrado o item do TERMO DE REINTIMAÇÃO Nº 001, sendo estes por motivos administrativos ainda não apurados em função de se tratar de notas e livros de 2003. Solicita orientação de como proceder e registra inexistir qualquer intenção em faltar com informações ou dificultar qualquer ação fiscal. • Ademais apresentou cópias dos extratos bancários das contas mantidas pela empresa no Unibanco e no Banco do Brasil, além de email de solicitação de extratos enviado ao Banco Sudameris. Foi concedido prazo adicional de 30 dias para apresentação dos documentos faltantes. • Devido à injustificada não apresentação dos extratos bancários da conta mantida pela empresa no Banco Banespa, foi solicitada e emitida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), atendida pela instituição bancária. • Em 22/07/2007, o contribuinte protocolizou resposta trazendo à Fiscalização os extratos das contas mantidas nos bancos HSBC e Sudameris. • A fiscalização elaborou Demonstrativo de Movimentação Financeira, enviado ao contribuinte juntamente com Termo de Intimação de 22/08/2007, para que comprovasse a origem dos valores depositados/creditados em contas de depósitos ou de investimento... • Em 26/09/2007, sem apresentar qualquer documentação, o contribuinte solicitou prazo de 30 dias sob justificativa de problemas de saúde do funcionário responsável e reiterou inexistir qualquer intenção de faltar com informações ou dificultar ação fiscal. • Devido à injustificada não apresentação dos extratos bancários da conta mantida pela empresa no banco ABN AMRO Real, foi solicitada e emitida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), atendida pela instituição bancária. • Lavrado Termo de Intimação Fiscal nº 002 (fls. 111), a autuante tentou contato com o fiscalizado por telefone, através do número (1140367402) constante no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), a fim de dar ciência do mesmo. A pessoa que a atendeu informou que aquele número na verdade pertencia à CMA Contabilidade e informou um número instalado no município de Osasco (1136099341) como pertencendo ao contribuinte. Neste ponto é oportuno informar que a CMA Contabilidade, através do Sr. Adnei Toledo Bueno, vinha representando o contribuinte durante a ação fiscal. • Realizou então uma chamada àquele número telefônico e fora informada que o responsável pela empresa poderia ser contatado através de outro número (1140362080), o qual prontamente chamou, verificando que pertencia à empresa Quattrini Reciclagem. Dado ao insucesso em contatar o responsável pela pessoa jurídica Comércio de Vasilhames e Caixas Plásticas C P L G Ltda. (CPLG), entrou em contato telefônico diretamente com a sócia Sra. Esther Apparecida Voso, a qual informou que o real gestor da empresa era seu filho, Sr. Mauro Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 Fernandes, e que ela desconhecia as operações da empresa, solicitando então que a Fiscalização entrasse em contato com ele no número 1140363545 – número em que novamente foi informada pertencer à Quattrini Reciclagem e, ainda, que o Sr. Mauro Fernandes, embora não se encontrasse, retornaria posteriormente. Apesar de vários outros contatos no mesmo dia, não logrou êxito em contatar o Sr. Mauro Fernandes. • Efetuada pesquisa no CNPJ, foi verificado que a empresa havia alterado seu domicílio para Osasco em 18 de abril de 2007 (aproximadamente 5 meses antes), sem entretanto ter comunicado a alteração à autoridade fiscal incumbida do procedimento fiscal. Contatou, então, a CMA Contabilidade e agendou com o Sr. Adnei Toledo Bueno para a entrega e ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 0002. • Os autuantes compareceram em 18/10/2007 ao escritório do Sr. Adnei Toledo Bueno, onde foram informados por este que a empresa CPLG passava por dificuldades financeiras e por tal motivo mudouse para Osasco. Tomou ciência do Termo de Intimação Fiscal nº 0002, através do qual a Fiscalização reiterou a necessidade da entrega dos documentos fiscais solicitados ... • Na mesma data (18/10/2007) os autuantes compareceram ao endereço Rodovia Jan Antonin Bata, nº 1250, Vila Beatriz, Piracaia, SP. Neste endereço situavase a CPLG anteriormente a sua mudança para Osasco. Verificaram que no local funcionava a empresa Quattrini Comércio de Plásticos Recicláveis ME (Quattrini), conforme nos informou a sóciagerente da referida empresa, Sra. Mariângela Fialho. Cabe ressaltar que tratase da mesma pessoa que assinou o Termo de Início de Fiscalização da CPLG. • Em 07/11/2007, foi determinada a emissão de MPF Diligência, em desfavor da Quattrini. • Em ação conjunta com o Fisco Estadual, foi realizada diligência na referida empresa, em 09/11/2007, ocasião em que, presentes 4 auditores da Receita Federal e mais 4 Agentes Fiscais de Rendas do Estado de São Paulo, a Sra. Mariângela Fialho, sócia administradora da QUATTRINI ..., declarouse ciente do referido Mandado, o qual assinou e recebeu uma via. Atentese mais uma vez que, esta senhora já fora citada como representante da pessoa jurídica sob fiscalização CPLG. Logo em seguida a sócia Sra. Sonia Rocha, compareceu e foi cientificada do procedimento na empresa. As duas responsáveis pela pessoa jurídica, espontaneamente, nos indicaram as salas onde estavam a documentação relacionada à empresa, franqueando acesso aos documentos e acompanharam todo o procedimento fiscal. • Durante a execução do procedimento, o Sr. Luiz Gonzaga Peçanha Moraes, que se apresentou como advogado da empresa compareceu ao local e também acompanhou todo o procedimento juntamente com as sócias. • Os livros e documentos verificados foram retidos, acondicionados em 05 (cinco volumes invioláveis, identificados pela numeração 01, 02, 03, 04 e 05, lacrados e formalizados através da lavratura do Termo de Retenção de Livros e Documentos nº 01 [fls. 119/120], assinado pelos AFRFB e pelo responsável pela pessoa jurídica. Todo este procedimento foi acompanhado pelos responsáveis pela empresa. •Ressaltese que toda a documentação retida por esta equipe de fiscalização foi apresentada espontaneamente pelos responsáveis presentes, até o momento destes assinarem o Termo de Retenção de Livros e Documentos nº 01, quando surpreendentemente, a Sra. Mariângela Fialho, orientada pelo seu advogado Sr. Luiz Gonzaga Peçanha Moraes, fez Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13839.002029/200881 Acórdão n.º 110300.500 S1C1T3 Fl. 3 5 constar observação de que “a apreensão foi realizada sem a minha autorização e arbitrariamente, sem qualquer ordem judicial”, contrariamente ao ocorrido. • No mesmo termo, o contribuinte foi previamente cientificado a acompanhar o procedimento do rompimento dos lacres dos volumes na data de 12 de novembro de 2007, às 9:00 horas, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí,..., em conformidade com o art. 916 do RIR/99. • Na data marcada para abertura dos lacres, o contribuinte não compareceu ... Cabe frisar que, de acordo com o art. 916 do RIR/99, o sujeito passivo e demais responsáveis foram previamente notificados para acompanharem o procedimento de rompimento do lacre e identificação dos elementos de interesse da fiscalização, e a impossibilidade do contribuinte em comparecer à abertura dos lacres não o impede de nomear representante legal para acompanhamento do referido procedimento, fato este que não ocorreu. • Promovida a abertura dos lacres, cientificouse o contribuinte do fato através do Termo de Constatação Fiscal nº 01 por via postal em 20 de novembro de 2007 [fls. 126/129], e posteriormente procedeuse a identificação e listagem dos elementos apreendidos. Tal listagem foi enviada ao contribuinte através do Termo de Retenção de Livros e Documentos nº 03, do qual o contribuinte tomou ciência postal em 03 de março de 2008 [fls. 144/246]. • Em 19/02/2008, foi realizada diligência à Rua Paulo Soares, 69, Jd. Santo Antonio, Osasco, SP. Este endereço consta como a nova sede da empresa CPLG, entretanto verificouse que no local havia um pequeno estabelecimento com as portas fechadas e segundo informações obtidas junto aos moradores do local, ali funcionara uma serralheria que estava desativada há aproximadamente 1 (um) mês. Tais fatos integram o Termo de Diligência e de Constatação Fiscal nº 01 [fls. 317/318], o qual o contribuinte, na pessoa de seu procurador, Sr. Adnei Toledo Bueno, recusouse a assinar a ciência em 07 de março de 2008. Diante do ocorrido, considerouse cientificado naquela data, conforme Termo de Recusa n. 001 [fls. 319]. • De posse dos extratos bancários de todas as instituições financeiras nas quais o contribuinte possuía conta corrente no período fiscalizado, elaborouse relação de depósitos e/ou créditos em conta bancária, que foi entregue ao contribuinte em 07 de março de 2008 por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 003 para comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações, através de documentação hábil e idônea, alertandose acerca das conseqüências previstas no art. 42 da Lei 9.430/96 [fls. 298/316]. • Em 25/03/2008, o contribuinte apresentou resposta [fls. 328/331] ao termo supracitado e até a presente data, nada mais acrescentou. Acerca das infrações apuradas, reportase a fiscalização ao art. 42 da Lei 9.430/96 e informa ter verificado que o contribuinte apresentou Declaração Anual Simplificada da Pessoa Jurídica optante pelo Simples – PJSI com valores muito inferiores a sua movimentação financeira: RECEITA INFORMADA NA PJSI (ANUAL) DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS (ANUAL) R$ 773.413,71 R$ 9.759.510,79 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 E, ainda, que: • Quanto intimado a apresentar documentação hábil e idônea que comprovasse a origem dos depósitos alegou: “ ... que os lançamentos que ocorreram no ano de 2003, nas contas correntes da empresa, foram em sua maioria valores provenientes de empréstimos contraídos junto a Instituições Financeiras, onde se passava muitas vezes valores de uma conta para outra, afim de se cobrir os saldos negativos”(sic) • Analisando os contratos de empréstimos financiamentos apresentados pelo contribuinte..., verificouse que nenhum dos contratos apresentados referese ao período fiscalizado (anocalendário 2003) e que, em sua maioria, os contratos não estão assinados e referemse a empréstimos com utilização de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT para aquisição de equipamentos. Estes recursos na maioria das vezes são liberados diretamente na conta corrente da empresa fornecedora do equipamento, sem passar pela conta do contratante. Dessa forma, não há possibilidade da Fiscalização acatar que os depósitos questionados sejam provenientes de tais empréstimos, restando assim não comprovados e constituindo omissão de receita, conforme dispositivo legal acima transcrito. Na seqüência, justifica a fiscalização a aplicação da multa agravada nos seguintes termos: 3.1 Durante a ação fiscal, verificouse que o contribuinte agiu, em tese, infringindo a lei para tentar se eximir do pagamento do tributo. Para tal, utilizouse de interpostas pessoas e simulou negócios jurídicos na tentativa de levar a Fiscalização ao erro de identificação do sujeito passivo, e desta maneira afastar do alcance do Fisco os bens que responderiam pelo crédito tributário, conforme demonstrado a seguir. 3.2 – A primeira constatação que faz a Fiscalização é que o endereço onde o contribuinte desenvolvia suas atividades (Rodovia Jan Antonin Bata, 1250, Vila Biarritz, Piracaia, SP), e aqueles apresentados como sede das empresas QUATTRINI COMÉRCIO DE PLÁSTICOS RECICLÁVEIS LTDA – ME – CNPJ 05.806.349/000139 e MONA BRASIL COMÉRCIO DE PLÁTICOS LTDA. – ME – CNPJ 07.428.703/000164 (Av. dos Coqueiros, 259, Vila Biarritiz, Piracaia, SP e Av. dos Coqueiros, 256, Vila Biarritiz, Piracaia, SP, respectivamente) tratamse do mesmo local, sendo que no primeiro encontrase a saída para a rodovia, existindo um portão onde é possível a passagem de veículos, inclusive caminhões. Nos outros dois, verificase tratar de saída para os fundos, com a possibilidade de passagem apenas de pedestres. 3.2.1 – Verificase também que as três empresas possuem o mesmo objeto social, o comércio e a reciclagem de plásticos. 3.2.2 – Outra constatação é que as Sras. Mariângela Fialho e Sonia Rocha, que figuram no contrato social da Quattrini como sócias, eram funcionárias do contribuinte. A Sra. Mariangela, juntamente com seu filho, sr. João Vitor Fialho Avoni figuram no contrato social da Mona Brasil como sócios. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13839.002029/200881 Acórdão n.º 110300.500 S1C1T3 Fl. 4 7 3.2.3 – Verificouse também que, conforme declaração prestada pelos antigos proprietários [fls. 252/266], Srs. Tito Homero Ruocco e Daniella Barreto Ruocco (Quattrini) e Srs. Antonio Brigido e Benedita Aparecida Nepomuceno da Silva (Mona Brasil), estas empresas anteriormente possuíam objeto social diferente (fabricação de pisos cerâmicos e confecção, respectivamente) e encontramse inativas. Ambos declararam ainda que foram procurados pelo Sr. Adnei Toledo Bueno que propôs a venda das empresas pela quantia total de R$ 10.000,00 (...) cada uma. Neste negócio, o único objeto foi o fundo de comércio (nome) das empresas já que não foi transferido qualquer ativo. 3.2.4. – Outra importante informação provém da documentação obtida da diligência efetuada na empresa Quattrini em 09 de novembro de 2007, onde foram encontrados diversos documentos pertencentes a CPLG, com data de emissão posterior a suposta mudança desta para Osasco. Entre outros documentos, vide Anexos II, podemos citar: • Contratos firmados pela CPLG; • Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho de Funcionários; • Notas Fiscais emitidas por terceiros, tendo como destinatária a empresa CPLG; • Comprovantes de depósitos e pagamento de faturas; • Holerites assinados por funcionários; • Avisos de recebimento de correspondência; • Notas fiscais emitidas pela CPLG, inclusive com data muito próxima da diligência; • Extratos bancários obtidos pela internet; • Apuração de folha de pagamento conjunta CPLG, Quattrini e Mona Brasil. Importante salientar que tal documentação, por sua natureza, não pode, como afirmou o contribuinte, ter sido deixada para trás na mudança, já que fora emitida/recebida em data posterior, configurando que, de fato, a CPLG continuou suas atividades naquele endereço. 3.2.5 – Em diligência realizada no endereço em Osasco, verificouse que naquela localidade não é desenvolvida a atividade da empresa, sendo esta desconhecida na vizinhança. Apresentou o contribuinte a alegação, em 25 de março de 2008, de que a empresa funcionava nos fundos daquele endereço, indicando como acesso, inclusive, rua diversa daquela constante do cadastro. Tal fato demonstra a nítida intenção do contribuinte em não ser localizado pelas autoridades, constituindose aquele endereço em mero disfarce para a verdadeira localização das Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 8 atividades da empresa. Não merece prosperar, ainda, a alegação de que o Termo de Diligência fora cientificado ao contribuinte naquele endereço em Osasco, já que este, conforme Termo de Recusa nº 01, foi entregue ao representante da empresa nesta DRF Jundiaí. Relevante informar que o endereço constante nos termos são formais, de acordo com as informações cadastrais, não configurando reconhecimento de veracidade dos mesmos. 3.2.5.1. Percebese ainda que nos contratos trazidos pelo próprio contribuinte em 25 de março de 2008, o endereço da empresa CPLG consta como Rodovia Jan Antonio Bata, 1250. Ademais, como já dito, tais contratos, em sua maioria, são referentes a financiamentos de maquinários, alguns deles firmados em 2007. Contudo, verificase que, através das fotos apresentadas pelo contribuinte do suposto estabelecimento de Osasco, ali não há qualquer equipamento, diferentemente com o que ocorre no endereço de Piracaia. 3.2.6 – Presente também se faz farta a documentação pertencente à empresa Mona Brasil, além de abundante documentação da CPLG com data anterior a da suposta mudança de endereço da empresa, mas devido à quantidade encontrada reafirma que ali funciona a CPLG. 3.2.7. – Encontrouse também farta documentação consignando a folha de pagamento dos funcionários da CPLG, Quattrini e Mona Brasil, inclusive com apuração conjunta, além de intercâmbio de funcionários de uma folha para outra. 3.2.8. – Diante do acima exposto, chegase à conclusão que as empresas CPLG, Quattrini e Mona Brasil, na verdade são uma única empresa e que, como se demonstrará adiante, possuem os mesmos responsáveis, sendo que foram constituídas (Quattrini e Mona Brasil) e/ou tiveram seus endereços alterados (CPLG) com a intenção de proteger o patrimônio da empresa de uma possível execução do crédito tributário. 3.3 – Dentre a documentação retida na diligência efetuada na Quattrini, empresa que teoricamente não teria qualquer relação com o Sr. Mauro Fernandes, Sra.Esther Apparecida Voso, Sra. Maria de Los Dolores Feijoo Bouza e Sr. Javier Tano Feijoo, encontrouse manuscritos provavelmente realizados pelo Sr. Javier Tano Feijoo, que claramente referemse ao planejamento da transferência de ativos para empresas novas, deixando o ônus a CPLG. Verificase também a intenção de se responsabilizar a Sra. Esther Apparecida Voso pelo atos fraudulentos e criminosos praticados na administração da empresa pelos Srs. Mauro Fernandes e Javier Tano Feijoo – Vide Anexo I. 3.3.1 – Da leitura de tais manuscritos verificamos que a CPLG fora autuada pela Secretaria de Estado de São Paulo, onde além do crédito tributário lançado, verificouse que a empresa emitia “notas calçadas”, ou seja, consignava valores diferentes nas vias dos documentos fiscais. Com esta autuação e com o posterior início da fiscalização Federal, os administradores da CPLG decidiram então constituir nova(s) empresa(s) (Quattrini e Mona Brasil), mudar o endereço da CPLG para Osasco e forjar a dispensa de funcionários. Expressamente afirma a Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13839.002029/200881 Acórdão n.º 110300.500 S1C1T3 Fl. 5 9 necessidade de “mudar contrato Cláudio” e de “fazer nova entrada Av. dos Coqueiros”. O Sr. Cláudio Bittencourt Fonseca Ribeiro é o proprietário do imóvel onde o contribuinte desenvolve suas atividades e verificouse que foi celebrado novo contrato de locação entre esse senhor e a empresa Quattrini. Nestes manuscritos aparece também o nome da empresa Polibrás, da qual o Sr. Javier Tano Feijoo é sócio, e inclusive foi apreendido bom número de documentos da mesma durante a já citada diligência (Anexo I). Não foi possível verificar na ação fiscal, a relação entre a CPLG e a Polibrás. Verificase que o contribuinte teve auxílio do Sr. Fabiano Rodrigues Santos, advogado, o qual foi contratado para defendêlo junto ao Fisco Estadual. Há que se investigar se houve mera prestação de serviço por parte do advogado ou se este é o mentor das ações tomadas pelo contribuinte, porquanto não foi possível chegar a esta conclusão no curso desta ação fiscal. Cabe aqui a mesma indagação com referência ao Sr. Adnei Toledo Bueno, contador, o qual participou de várias das ações tomadas pelo contribuinte, restando, porém, dúvida sobre o nível de envolvimento do mesmo. Corroborando as informações acima descritas, apresentamse procurações dando poderes aos Srs. Mauro Fernandes e Javier Tano Feijoo para agirem em nome da CPLG. Vide Anexo I. [relacionada às fls. 154/155] 3.3.2 – Foram encontrados também documentos pessoais do Sr. Mauro Fernandes e Javier Tano Feijoo, com datas recentes, o que evidencia que os mesmos continuam atuando como administradores da CPLG, Quattrini e Mona Brasil. Corroboram tal afirmação, os extratos bancários extraídos da internet (Anexo IV), onde claramente aparece o nome do Sr. Mauro Fernandes como sendo aquele que acessa as contas correntes da CPLG, inclusive em data posterior à suposta mudança de endereço. 3.3.3 – Outro fato que reafirma o já exposto é que a última resposta apresentada pela CPLG a esta Fiscalização, datada de 25 de março de 2008, foi assinada pelo Sr. Mauro Fernandes. 3.3.4 – Quanto às Sras. Mariângela Fialho e Sonia Rocha, encontrouse holerites onde as mesmas aparecem ao mesmo tempo como sócias e auxiliar administrativo e auxiliar financeiro da Quattrini , respectivamente, funções estas que desempenhavam na CPLG como empregadas, sendo que a primeira, inclusive, assinou o MPFF e o Termo de Início de Fiscalização da CPLG. Cabe destacar que, além de não possuírem patrimônio e/ou renda para adquirirem a empresa do porte da CPLG, como querem fazer acreditar, outro fato interessante é aquele, já citado nesta representação, que as duas compraram fundo de comércio (nomes) de empresas inativas por valores bem superiores ao que valiam ou àqueles que custariam para iniciar uma nova empresa,com o intuito de afastar a suspeita de que novas empresas haviam sido criadas para a consecução dos atos criminosos apresentados nesta representação. Com isso concluise que as duas Sras., mais o Sr. João Vitor Fialho Avoni, filho da Sra. Mariângela, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 10 espontaneamente cederam seus nomes, além de participarem ativamente, para que os proprietários e administradores de fato da empresa tentassem iludir o Fisco eximindose do pagamento do crédito tributário. 3.4 – Concluise, portanto, que os administradores e proprietários de fato da CPLG são os Srs. Mauro Fernandes e Javier Tano Feijoo, os quais se utilizaram dos nomes dos Srs. João Vitor Fialho Avoni, Mariângela Fialho e Sonia Rocha, com o consentimento dos mesmos, como interpostas pessoas, a fim de ocultar o patrimônio da empresa e dos sócios de fato de execução por parte do Fisco. A Sra. Esther Aparecida Voso e Maria de Los Dolores Feijoo Bouza são as genitoras dos proprietários de fato da CPLG e foram inseridas no contrato social desta com o mesmo intuito anteriormente apresentado, ademais, por terem avançada idade, tentouse imputar a elas, notadamente à Sra. Esther, a responsabilidade pelos crimes cometidos, acreditando o contribuinte que as punições não as alcançariam a tempo. 3.5 – Da fraude e do Conluio 3.5.1 – Como já citado anteriormente, toda a ação tomada pelo contribuinte durante o procedimento fiscal teve como objetivo induzir a Fiscalização ao erro, tendo evidenciadose o dolo em diversos documentos, bem como nas próprias ações do contribuinte. Poderá o contribuinte, na tentativa de se defender, alegar o contrário, fazendo menção à frase por ele várias vezes apostada nas respostas apresentadas, inclusive já citada no sentido de inexistência por parte da administração da empresa INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VASILHAMES E CAIXAS PLÁSTICAS CPLG LTDA, de qualquer intenção de faltar com informações ou dificultar qualquer ação fiscal. 3.5.2 – Percebese o intento do contribuinte em transparecer uma cooperação que, de fato, não ocorreu, para provavelmente utilizar esta fantasia por ele criada como argumento de defesa, entretanto suas ações sempre foram contrárias. Ratifica o alegado pela Fiscalização, o fato que o contribuinte só atendeu às solicitações do Fisco em um momento, na diligência ao estabelecimento da Quattrini, ainda assim fez constar no Termo de Retenção de Documentos afirmação falaciosa de que esta ocorrera de maneira irregular . 3.5.3 – Por fim, outro fator evidente é a associação de mais de um agente para a consecução dos atos criminosos praticados, o que segundo dispositivo legal, configura conluio. 3.6 – Tal conduta do contribuinte caracteriza, em tese, crime contra a ordem tributária, conforme Art. 2º, Inciso I, da Lei 8.137/90 e art. 71, 72 e 73 da lei 4.502/94, cujos dispositivos transcrevemos abaixo: .... 3.7. – Por este motivo o lançamento do tributo referente a tal procedimento é acrescido de multa qualificada conforme Art. 44, II, da Lei 9.430/96: Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13839.002029/200881 Acórdão n.º 110300.500 S1C1T3 Fl. 6 11 ... Sob o título Da Responsabilidade pelo Crédito Tributário, reportase a fiscalização aos arts. 133 e 135 do CTN e expõe: ... 4.1.1 – Conforme já demonstrado, as empresa CPLG, Quattrini e Mona Brasil, são de fato uma única empresa, explorada pelos mesmos sócios, e portanto respondem pelo crédito tributário umas das outras, tendo recebido, cada uma delas, cópia do Auto de Infração e Termo de Sujeição Passiva. ... 4.2.1 – ... os Srs. Mauro Fernandes, Javier Tano Feijoo, Mariângela Fialho, Sonia Rocha, João Vitor Fialho Avoni, Esther Apparecida Voso e Maria de Los Dolores Feijoo Bouza respondem pessoalmente, ou seja, com seus próprios bens, pelas obrigações tributárias da CPLG, Quatrini e Mona Brasil, que de fato são uma única empresa, tendo recebido, cada um dos responsáveis, cópia do Auto de Infração e Termo de Sujeição Passiva. ... Em face do que apurado, julgou a fiscalização pertinente a formalização de representação fiscal para fins penais, autuada em processo sob nº 13839.002030/200813, juntado ao presente processo fiscal. Foram também formalizados, em processos juntados ao presente por apensação, (fls. 611 e 622), Termos de Sujeição Passiva Solidária, esta caracterizada nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional, em face das pessoas físicas e jurídicas a seguir relacionadas: Nº do processo Interessado Ciência 13839.002038/200871 Mona Brasil Comércio de Plásticos Ltda. ME 29/05/2008 (fls. 85) 13839.002039/200816 Quattrini Comércio de Plásticos Ltda. ME 29/05/2008 (fls. 85) 13839.002034/200893 João Vitor Fialho Avoni 11/06/2008 (fls. 86) 13839.002036/200882 Mariângela Fialho 11/06/2008 (fls. 86) 13839.002040/200841 Sonia Rocha 06/06/2008 (fls. 88) 13839.002033/200849 Javier Tano Feijoo 29/05/2008 (fls. 85) 13839.002035/200838 Maria de Los Dolores Feijoo Bouza Junho/2008 (fls. 88) 13839.002037/200827 Mauro Fernandes Edital desafixado em 15/07/08 (fls.88) 13839.002032/200802 (acompanhado do pr 13839.002061/200866) Esther Apparecida Voso 29/05/2008 (fls. 85) No presente processo 13839.002029/200813, a ciência da autuação se deu por via postal em 29/05/2008, conforme Aviso de Recebimento de fls. 492, dirigido aos Fl. 11DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 12 cuidados de Esther Apparecida Voso. Após vistas ao processo e extração de cópias com equipamento eletrônico, conforme Termo de fls. 601, o contribuinte apresentou em 30/06/2008 (segundafeira), por intermédio de seu advogado (instrumento de procuração às fls. 603, com poderes outorgados pela pessoa jurídica representada pela sócia Esther Apparecida Voso), a peça de defesa de fls. 604/607, argüindo a nulidade do processo fiscal por cerceamento de defesa e ofensa ao contraditório, pelas razões a seguir sintetizadas. Invoca o art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal e alega que a fiscalização, ao carrear aos autos farta prova documental (mais de 2.000 páginas de cópias de documentos e etc.), incumbiuse que fosse concedida a Impugnante, o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório, com a possibilidade de vistas fora da repartição dos autos, para que fosse, de forma cabal e possível, proceder a análise circunstanciada de toda a ação fiscal perpetrada. Expõe que, mesmo tomando vistas dos autos, é impossível proceder, dentro da repartição, a análise de toda a documentação anexada, para uma perfeita apresentação de defesa de mérito, necessitando, pois, uma análise mais acurada do feito, o que só pode ser possível mediante um estudo do processo fora da r. secretaria, sob pena de obstrução do direito de defesa, em detrimento ao contraditório. Defende que a possibilidade de obtenção de cópia dos autos, mediante recolhimento da correspondente taxa, além de configurar óbice ao conhecimento de informações pessoais, em confronto com art. 5º, XXXIV, “b”, da Constituição Federal, também obstrui a defesa, dada a impossibilidade de conhecer plenamente toda a acusação pela simples análise no balcão da repartição pública, em vista da farta documentação anexada aos autos. Reportase a decisões judiciais acerca da questão e finaliza requerendo a nulidade do processo, nos seguintes termos: Havendo clara infringência ao contraditório e a ampla defesa, não possibilitando a DD. Fiscalização, a retirada dos autos fora da repartição, não possibilitando tomar conhecimento de forma plena de toda a ação fiscal perpetrada, há nulidade de todo o processo administrativo fiscal; restandose, pois, a impossibilidade de uma elaboração de defesa técnica de mérito, por óbices criados pelos r. Servidores em não autorizar a retirada dos autos fora da repartição, relegando a singela análise em balcão, ou a extração de cópias ao custo de R$ 0,50 (...) em verdadeiro descompasso constitucional constante do art. 5º, XXXV, “b”, da Constituição Federal. No processo 13839.002039/200816, de interesse da Quattrini Comércio de Plásticos Recicláveis Ltda. ME, cientificado por via postal em 29/05/2008 (fls. 85) do Termo de Sujeição Passiva e dos Autos de Infração, o contribuinte teve vistas dos autos, conforme Termo de fls. 86 do referido processo, e, por intermédio de seu advogado (procuração às fls. 87 com poderes outorgados pela pessoa jurídica representada pela sócia Mariângela Fialho), apresentou, em 30/06/2008, a peça de defesa de fls. 90/94, também contendo argüição de nulidade por ofensa ao contraditório e à ampla defesa dada a impossibilidade de retirada dos autos da repartição. No processo 13839.002038/200871, de interesse da Mona Brasil Comércio de Plásticos Ltda. ME, também foi dada ciência por via postal em 29/05/2008 (fls. 85) do Termo de Sujeição Passiva e dos Autos de Infração, tendo o contribuinte apresentado, em Fl. 12DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13839.002029/200881 Acórdão n.º 110300.500 S1C1T3 Fl. 7 13 30/06/2008, por intermédio do mesmo advogado nomeado pela empresa Quattrini (procuração às fls. 92 com poderes outorgados pela pessoa jurídica representada pelo sócio João Vitor Fialho Avoni), a peça de defesa de fls. 87/91, contendo, do mesmo modo, argüição de nulidade por ofensa ao contraditório e à ampla defesa dada a impossibilidade de retirada dos autos da repartição. Nos três processos (13839.002029/200881, 13839.002039/200816 13839.002038/200871), foram protocolizadas, na mesma data de 30/06/2008, petições dirigidas ao Delegado da Receita Federal em Jundiaí, todas de igual teor, requerendo vistas dos autos fora da repartição pública, pelo prazo não inferior a 30 dias, com fundamento no art. 7º, XV, da Lei 8.906/94. Nos demais processos apensados, de interesse das pessoas físicas, não há notícia de apresentação de impugnação. A DRJ decidiu: “NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. RETIRADA DO PROCESSO DA REPARTIÇÃO. A retirada do processo da repartição é vedada ao contribuinte por expressa determinação legal, não acarretando nulidade por cerceamento de defesa dada a faculdade de vistas dos autos e de obtenção de cópia de seus componentes, mormente quando há registro nos autos do exercício de tal faculdade. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. MULTA AGRAVADA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consolidase administrativamente o crédito tributário decorrente de matéria não expressamente impugnada.” DO CERCEAMENTO DE DEFESA No presente caso, apesar de requerido, os MD. Auditores Fiscais, ao carrear, por demasia, diversos documentos, que não tem o condão de atestar qualquer conduta ilícita tributária praticada, incumbiuse que fosse concedida à Recorrente o pleno exercício do contraditório e de defesa; incluindose, aí, vistas dos autos fora da repartição, para que fosse possível, de forma cabal e plena, a análise detida dos documentos, para elaboração de uma perfeita defesa técnica. Assim agindo, os DD. Auditores Fiscais e r.Membros da Receita Federal do Brasil de Jundiaí, não propiciaram a peticionaria o exercício pleno de sua defesa, haja vista, Fl. 13DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 14 frisese, haver diversos documentos carreados no feito, impossíveis de proceder a análise em balcão e, até mesmo, o obtenção de cópias reprográficas. Tal circunstância, além de configurar óbice ao conhecimento de informações pessoais, vai de encontro ao que determina o art. 50, XXXIV, "b", da Constituição, que preza que todos, independentemente do pagamento de taxas, poderão obter certidões perante as repartições públicas, para a busca e defesa direitos. A jurisprudência dos Tribunais, em especial a do E. STJ e do STF, corrobora o alegado: “O direito de vista dos autos de processo administrativo, assegurado ao advogado (pelo Estatuto), não se restringe às repartições e cartórios (STF, RDA 123/254)" Desta feita, havendo clara infringência ao contraditório e a ampla defesa, não possibilitando a DD. Fiscalização, bem como a r. Repartição Pública a retirada dos autos fora de seu interior, não possibilitando à Recorrente tomar conhecimento de forma plena de toda a ação fiscal realizada e, assim, poder se defender e contrapor as presunções e ilações realizadas de forma equivocadas, causou séria nulidade em todo o processo administrativo, por cerceamento de defesa e do contraditório. Assim, face a obstaculização gerada pela r.Fiscalização e pela DD. Repartição da Receita Federal de Jundiaí, não possibilitando a peticionaria tomar pleno conhecimento dos documentos anexados aos autos, relegando à Recorrente a singela análise em balcão de mais de 2.000 (duas mil) laudas, ou a extração de cópias reprogrãficas ao custa exacerbado de R$ 0,50 (cinqüenta centavos), em verdadeiro descompasso ao preceito constitucional preconizado no art. 5°., XXXV, "b", da Constituição Federal, que veda, inclusive, a cobrança de quaisquer taxas para obtenção de documentos de interesse pessoal, acabou por cercear a Recorrente em seu direito de defesa e ao contraditório. Dessarte, quanto a este aspecto, requerse seja declarada a nulidade de todo o processo administrativo fiscal, por ofensa ao contraditório e da ampla defesa, posto que não foi possível para a Recorrente conhecer de todo os documentos anexados no processo fiscal para a elaboração de uma perfeita defesa técnica. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Como vemos, a recorrente se insurge somente quanto a um possível nulidade por cerceamento ao direito de defesa, dada a impossibilidade de retirada dos autos da repartição, invocando previsão contida na Lei 8.906, de 1994. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13839.002029/200881 Acórdão n.º 110300.500 S1C1T3 Fl. 8 15 A referida lei, embora em seu art. 7º, inciso XV, contemple, como direito do advogado, ter vista dos processos judiciais ou administrativos de qualquer natureza, em cartório ou na repartição competente, ou retirálos pelos prazos legais, também prevê, no parágrafo 1º do mesmo artigo, exceções a tal disposição, como segue: §1º Não se aplica o disposto nos incisos XV e XVI: ... 2) quando existirem nos autos documentos originais de difícil restauração ou ocorrer circunstância relevante que justifique a permanência dos autos no cartório, secretaria ou repartição, reconhecida pela autoridade em despacho motivado, proferido de ofício, mediante representação ou requerimento da parte interessada;” Assim, mesmo na lei invocada pelo impugnante, há restrições à retirada dos autos da repartição. Contudo, a norma invocada, ao admitir a retirada dos autos, condicionála a limite temporal de prazos legais, que, para o processo administrativo fiscal, não são previstos em norma alguma. Ademais, há determinação legal posterior, que específica no art. 38 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, determinando expressamente que o processo administrativo fiscal não pode sair da repartição, exceto nos casos ali previstos: Art. 38. Os processos fiscais relativos a tributos e contribuições federais e a penalidades isoladas e as declarações não poderão sair dos órgãos da Secretaria da Receita Federal, salvo quando se tratar de: I encaminhamento de recursos à instância superior; II restituições de autos aos órgãos de origem; III encaminhamento de documentos para fins de processamento de dados. § 1º Nos casos a que se referem os incisos I e II deverá ficar cópia autenticada dos documentos essenciais na repartição. § 2º É facultado o fornecimento de cópia do processo ao sujeito passivo ou a seu mandatário. Consignese, contudo, que se mostra justificável o impedimento legal de retirada dos autos da repartição, pois, no contencioso fiscal, além da necessária preservação da documentação de interesse da Fazenda Pública, deve ser observado o sigilo que a matéria exige, inclusive em favor dos contribuintes, impondo restrições à aplicação do princípio da publicidade. Por outro lado, mesmo que não autorizada a retirada dos autos da Repartição Fiscal, é facultado ao sujeito passivo, por requerimento à autoridade fazendária, vistas dos autos e obtenção de cópias de todos os documentos necessários à construção da defesa, permanecendo intocado o princípio do contraditório e da ampla defesa. E, no presente caso, ressaltese que, de fls. 601 dos autos principais, consta Termo de Vista Processual, datado de 24/06/2008, atestando ter sido concedida vista dos autos do processo ao procurador do sujeito passivo, bem como que através de equipamento de Fl. 15DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 16 scanner e/ou câmera fotográfica digital, foi realizada a extração de cópias eletrônicas deste processo administrativo das folhas que especifica. Também de fls. 86 do processo 13839.002039/200819, de interesse da Quattrini, consta Termo de Vistas do processo por advogado que representa tanto esta pessoa jurídica como a empresa Mona. E, nas peças de defesa apresentadas tanto em nome da Quattrini como em nome de Mona, representadas pelo mesmo advogado, foi apresentada alegação, nos mesmos moldes da defesa formulada em nome da CPLG, no sentido de inviabilidade de analisar, na própria repartição, todos os documentos mediante vistas dos autos – fato que confirma que tomaram conhecimento da documentação que agora alegam não terem condições de analisar sem retirar os autos da repartição. Acrescentese, também, que, além dos Termos de Vistas mencionados, não há notícia de quaisquer outros requerimentos de vistas nos processos em questão que tenham sido formulados pelas partes interessadas. Não se vislumbra, portanto, qualquer obstáculo ao pleno conhecimento por parte de todos os impugnantes do inteiro teor dos processos formalizados. Quanto à vinculação do fornecimento de cópia dos documentos contidos nos autos ao recolhimento prévio de valor destinado ao ressarcimento de gastos com reprodução, também se trata de questão expressamente regulamentada por atos administrativos, em especial a Instrução Normativa SRF nº 69, de 04/05/1987, de observância obrigatória pelos agentes da administração pública e que assim estabelece: “.... I – As pessoas físicas e jurídicas que solicitarem cópias de documentos à Secretaria da Receita Federal, aos Conselhos de Contribuintes e a Câmara Superior de Recursos Fiscais estarão sujeitos ao recolhimento prévio, através de DARF, de uma contribuição para ressarcir as despesas incorridas com o atendimento e que será levada a crédito da conta do Fundo Especial de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento das Atividades de Fiscalização FUNDAF. II – O valor a ser pago pelo solicitante será calculado pela repartição encarregada de fornecer a informação, com base nos seguintes elementos: a) de uma taxa mínima, na qual deverá ser computado, pelo menos, o custo do processamento do DARF, pelo SERPRO; b) dos custos adicionais, de conformidade com as despesas necessárias ao fornecimento da informação. III – O recolhimento de que trata o item I desta Instrução será feito no Banco do Brasil S.A., através do documento de Arrecadação de Receitas Federais. IV – Os Superintendentes da Receita Federal, no âmbito das respectivas jurisdições, baixarão normas complementares necessárias à implementação da presente Instrução. ...” Ademais, os autos do presente processo e seus anexos são compostos de (i) documentos dos quais o contribuinte recebeu cópia da fiscalização (a exemplo de MPF, Termo Fl. 16DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13839.002029/200881 Acórdão n.º 110300.500 S1C1T3 Fl. 9 17 de Início, Termos de Intimação, de Continuação da Ação Fiscal, de Verificação e Constatação, Termos de Retenção de Livros e Documentos, de Devolução de Documentos, demonstrativos e autos de infração); (ii) documentos produzidos e/ou apresentados pelo próprio contribuinte (como: respostas a intimações, declarações de rendimento, contratos sociais, contratos de financiamento); (iii) extratos bancários cujos créditos foram relacionados pela fiscalização e encaminhados ao contribuinte juntamente com Termos de Intimação; (iv) documentos apreendidos pela fiscalização com conhecimento do contribuinte, relacionados em Termos do quais foi cientificado e recebeu cópia ou, ainda, (v) documentos mencionados em Termos de Verificação dos quais o contribuinte poderia ter vistas e obter cópias (a exemplo de Termos de Depoimentos, Ficha Cadastral fornecida pela Junta Comercial do Estado de São Paulo) – faculdade que, como atesta o Termo de fls. 601, foi utilizada pelo interessado. Consignese, ainda, que a maior parte dos documentos que instruem os autos foram apreendidos pela fiscalização no estabelecimento da Quattrini Comércio de Plásticos Recicláveis Ltda. – ME, e, como descreve a fiscalização, as empresas CPLG, Quattrini e Mona Brasil, na verdade são uma única empresa e, ainda, o endereço onde o contribuinte [CPLG] desenvolvia suas atividades (Rodovia Jan Antonin Bata, 1250, Vila Biarritz, Piracaia, SP), e aqueles apresentados como sede das empresas QUATTRINI COMÉRCIO DE PLÁSTICOS RECICLÁVEIS LTDA – ME – CNPJ 05.806.349/000139 e MONA BRASIL COMÉRCIO DE PLÁTICOS LTDA. – ME – CNPJ 07.428.703/000164 (Av. dos Coqueiros, 259, Vila Biarritiz, Piracaia, SP e Av. dos Coqueiros, 256, Vila Biarritiz, Piracaia, SP, respectivamente) tratamse do mesmo local. Tais constatações, embora detalhadamente descritas no Termo de Verificação do qual todos os interessados receberam cópia, não foi por eles refutada. Portanto, injustificável a alegação de desconhecimento de documentos que se encontravam no próprio local em que instaladas as pessoas jurídicas impugnantes. E, ainda que assim não fosse, a impossibilidade de retirada dos autos da repartição, como mencionado, não configura cerceamento de defesa nem ofensa ao contraditório, tendo em conta a possibilidade de vistas dos autos, bem como de obtenção de cópias dos documentos que o integram, ainda que sob condição de pagamento de taxa para ressarcimento do custo de reprodução. O entendimento de que não há cerceamento de defesa nessas circunstâncias é pacífico na instância administrativa, conforme ratificam acórdãos do Conselho de Contribuintes, a exemplo daqueles cujas ementas enunciam: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NEGATIVA DE VISTA DE AUTOS FORA DA REPARTIÇÃO E DE ISENÇÃO DE CUSTAS NA OBTENÇÃO DE CÓPIAS. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. IMPROCEDÊNCIA. No âmbito de Processo administrativo Fiscal, “ex vi” do disposto no artigo 38 da Lei 9.250/95, não é admissível a saída de autos de processo da repartição, não havendo desse impedimento violação à Lei que rege o Estatuto da Advocacia, seja porque ambas são Leis de mesma estatura, seja porque, no contexto da lei que rege o Estatuto da Advocacia, a saída de autos da repartição pressupõe a existência de todo um conjunto de regras que a tanto possibilite, especialmente em matéria de prazos e imputação de responsabilidades, seja porque, por fim, no âmbito da repartição, a vista aos autos é permitida, não havendo, nesse contexto, como se afirmar, pois, violação ao direito de defesa e Fl. 17DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 18 ao contraditório. A negativa de dispensa ao pagamento de custas para extração de cópias igualmente não ofende nenhum princípio constitucional ou legal. Alias, no âmbito do Poder Judiciário, somente se defere a dispensa a pagamento de custas quando provado a absoluta incapacidade financeira do sujeito, o que não é o caso dos autos, mormente tendo em conta, como asseverado pela autoridade administrativa, que o valor das custas das peças pretendidas seria de montante irrisório, que, porém, não poderia ser dispensado em face do devido trato que o Servidor deve dar à coisa pública.(Acórdão nº 10707263, de 13/08/2003). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA – VISTA AOS AUTOS FORA DA UNIDADE LOCAL DA SRF – Os autos dos processos administrativos fiscais ficam à disposição do contribuinte na sede da unidade local da Secretaria da Receita Federal durante o prazo recursal para vista no local e/ou cópia, não podendo ser retirados por expressa disposição legal. ....(Acórdão 10195090, sessão de 07/07/2005) CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. RETIRADA DO PROCESSO DA REPARTIÇÃO. Não acarreta cerceamento do direito de defesa a nãopermissão de retirada do processo da repartição, por ser vedada pela legislação em vigor, que faculta o fornecimento de cópia, não solicitada.(Acórdão 10709142, de 12/09/2007) NORMAS PROCESSUAIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Observados os requisitos do procedimento administrativo fiscal, improcede a alegação. Descabe falarse em cerceamento do direito de defesa quando há a negativa do pedido de retirada dos autos da repartição, pois há legislação específica regulamentando as situações em que tal retirada é admitida. ....(Acórdão 20216161, de 23/02/2005) Assim, a argüição de nulidade por cerceamento não procede. Em face do exposto, rejeito a preliminar de nulidade, e nego provimento ao recurso Sala das Sessões, em 30 de junho de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 18DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 13839.002029/200881 Acórdão n.º 110300.500 S1C1T3 Fl. 10 19 Fl. 19DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/07/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Numero do processo: 12045.000222/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1998
EMBARGOS OMISSÃO/ CONTRADIÇÃO PROPOSITURA PELA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL.
Com fulcro no art. 64, I e 65 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Ao apreciar a decadência desconsiderando tratar-se de NFLD substitutiva, incorreu o acordão em omissão, razão porque devem ser acatados os embargos para que se reaprecie a decadência e o mérito do recurso apresentado.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO – DECADÊNCIA – LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Em se tratando de lançamento substitutitvo, cujo original foi anulado por vício formal, a decadência do direito de lançar primeiramente deve ser apreciada a luz do art. 173, II do CTN.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1998
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CONSTRUÇÃO CIVIL EMPREITADA.
O contratante de serviços de construção civil, qualquer que seja a modalidade de contratação, responde solidariamente com o prestador pelas obrigações previdenciárias decorrentes da Lei nº 8.212/91, conforme dispõe o art. 30, inciso VI da citada lei.
A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. A mera alegação desprovida de provas e documentos não é capaz de desconstituir o lançamento.
APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR DESNECESSIDADE
Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviço.
APROPRIAÇÃO DE GUIAS DE RECOLHIMENTO EM NOME DO CONTRATADO, RECOLHIDAS DE FORMA GENÉRICA IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO.
A responsabilidade solidária pode ser elidida, desde que seja exigido do construtor o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, na forma estabelecida pelo INSS.
Embargos Acolhidos
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.842
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar os termos do acórdão 240100.440, passando a: I) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de decadência; e b) rejeitar a preliminar de
nulidade da decisão de primeira instância; e II) Por maioria de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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Com fulcro no art. 64, I e 65 e seguintes do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Ao apreciar a decadência desconsiderando tratarse de NFLD substitutiva, incorreu o acordão em omissão, razão porque devem ser acatados os embargos para que se reaprecie a decadência e o mérito do recurso apresentado. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO – DECADÊNCIA – LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de lançamento substitutitvo, cujo original foi anulado por vício formal, a decadência do direito de lançar primeiramente deve ser apreciada a luz do art. 173, II do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/1998 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA CONSTRUÇÃO CIVIL EMPREITADA. O contratante de serviços de construção civil, qualquer que seja a modalidade de contratação, responde solidariamente com o prestador pelas obrigações previdenciárias decorrentes da Lei nº 8.212/91, conforme dispõe o art. 30, inciso VI da citada lei. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. A mera alegação desprovida de provas e documentos não é capaz de desconstituir o lançamento. APURAÇÃO PRÉVIA JUNTO AO PRESTADOR DESNECESSIDADE Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviço. APROPRIAÇÃO DE GUIAS DE RECOLHIMENTO EM NOME DO CONTRATADO, RECOLHIDAS DE FORMA GENÉRICA IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. A responsabilidade solidária pode ser elidida, desde que seja exigido do construtor o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, na forma estabelecida pelo INSS. Embargos Acolhidos Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar os termos do acórdão 240100.440, passando a: I) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de decadência; e b) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância; e II) Por maioria de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 12045.000222/200770 Acórdão n.º 240101.842 S2C4T1 Fl. 302 3 Relatório Considerando a propositura de embargos com fulcro no art. 64, I do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, a Fazenda Nacional, opõe, tempestivamente, Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 240100.440 de 05 de junho de 2009 . Tratase de embargos opostos pela procuradoria por entender que o acordão prolatado apresenta omissão/contradição, conforme descrito abaixo. Conforme descrito pela ilustre procuradora do exame da decisão sob enfoque observase omissão/obscuridade visto que a decisão olvidou a análise de fato indispensável ao deslinde da controvérsia posta à apreciação, relativo ao caráter substitutivo do lançamento formalizado nestes auto. O lançamento que se tomou em conta para verificar a ocorrência da decadência reconhecida na espécie foi lavrado em substituição de nº 35.356.2416 anulada pela Decisão nº 08.401.4/0237/2002, segundo descrito no relatório fiscal. Assim, ante a possível existência de lançamento anterior que foi objeto de revisão adminitrativa, seria imprescindível, ára aferição da decadência ventilada nos autos que se investigasse o cumprimento dos prazos decadenciais com base na respectiva NFLD. Forçoso ainda reconhecer que a verificação da decadência na espécie deve ter como parâmetro a regra estampada no art. 173, II e não a veiculada no art. 173, I ou mesmo §4º do art. 150 do CTN. Para fins de se fixar o termo a quo do prazo decadencial, bem como verificar se existe decadência parcial, revelase necessário observar a data da NFLD declarada nula, bem como da Decisão Notificação que determinou a nulidade. Requer a União (Fazenda Nacional) que sejam recebidos e acolhidos os presentes embargos, para suprir a omissão e sanar a contradição apontados. Contudo para adentrar aos pontos que entende a relatora geraram omissão, transcrevo abaixo o relatório do acordão que não sofreu qualquer alteração. Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 206 00.072 desta 6ª Câmara de Julgamento no intuito de identificar a existência de fiscalização na empresa prestadora de serviços, evitando dessa forma, a possibilidade de cobrança em duplicidade, fls. 152 a 155. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 12/08/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 24/08/2004. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude do instituto da responsabilidade solidária, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 4 previsto no art. 30, VI, da Lei n ° 8.212/1991. O período compreende as competências 06/1997 a 12/1998. A base de cálculo dos segurados utilizados na prestação de serviços pela empresa V.S. DE ALMEIDA & CIA LTDA foram obtidas mediante análise das notas fiscais de serviços. O percentual foi aplicada sobre o valor das notas fiscais de serviços, de acordo com o serviço prestado, conforme descrito no relatório fiscal. Não conformada com a notificação, a prestadora apresentou defesa, fls. 44 A 56. Foi emitido relatório fiscal complementar às fls. 77, indicando tratarse de empreitada na construção civil. Foi emitida DecisãoNotificação confirmando a procedência do lançamento, fls. 112 a 125. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 133 a 142. Tendo o processo sido baixado em diligência, foi emitida informação fiscal destacando que a empresa prestadora não foi submetida a procedimento fiscal anterior. A empresa devidamente cientificada alega que: o contribuinte, principal sujeito passivo, detentor dos documentos não foi fiscalizado, a solidariedade foi confundida com a substituição tributária, assim como empreitada foi confundido com cessão de mão de obra, o crédito foi apurado indevidamente por aferição indireta. O processo foi encaminhado após o cumprimento da diligência. É o Relatório. Em tendo sido acatados os embargos e da análise do documentos constantes do processo, houvese por bem, converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal, identificasse a data de lavratura da NFLD declarada nula, bem como fossem acostados aos autos cópia da Decisão Notificação declarada nula, considerando que essa informação é indispensável para apreciação correta do prazo decadencial. Devidamente, cientificado o recorrente manifestouse às fls. 291 a 297, aduzindo em síntese ser incabível a aplicação do art. 173, II do CTN, tendo em vista que a NFLD no 35.356.2416, de 30/04/2001, foi anulada pela autoridade julgadora em virtude de vício material, considerando que não houve substituição do crédito, mas sua reconstituição. O processo, após cumprida a diligência, retornou a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 12045.000222/200770 Acórdão n.º 240101.842 S2C4T1 Fl. 303 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Os pressupostos já foram devidamente apreciados quando do julgamento realizado, ora objeto de embargos. DA ANÁLISE DOS EMBARGOS Considerando os embargos opostos pela Fazenda Nacional, entendo que realmente existe uma omissão entre o acolhimento da decadência qüinqüenal total do lançamento e o fato de tratarse de lançamento substitutivo, tendo em vista não ter sido observado a data da lavratura da NFLD declarada nula. Na verdade, por tratarse de retorno de diligência, acabouse no primeiro julgamento em adotar o relatório do então relator que determinou a baixa em diligência para prestar esclarecimentos sobre o prestador, sem qualquer informação a respeito de tratarse de NFLD substitutiva, talvez porque a luz do art. 45 da lei 8212/91, este fato não se fazia relevante. Face o exposto, entendo que devem ser acatados os embargos propostos pela procuradoria, para que a decadência seja apreciada considerando tratarse de NFLD substitutiva. Notese que o ponto devolvido para análise diz respeito a aplicação da decadência a luz do art. 173, II do CTN, tendo em vista ter sido identificado tratarse de NFLD substitutiva, por ter sido a anterior declarada nula, face a ausência de indicação correta dos responsáveis solidários, conforme se depreende do resultado proferido no acórdão anexado aos autos: EMENTA SOLIDARIEDADE. FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO INCORRETA CERCEAMENTO DE DEFESA E ILEGALIDADE. NFLD lavrada somente em nome do solidário. Nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito por solidariedade, esta deve ser caracterizada e todos os solidários devem ser notificados. Contribuintes de direito, sem liames de solidariedade entre si, não devem ser incluídos na mesma relação jurídica. A exclusão dos contribuintes do pólo passivo caracteriza substituição tributária não prevista no art. 30, VI, da Lei n° 8.212/91. O INSS carece de norma procedimental a respeito da lavratura de débitos por solidariedade. LANÇAMENTO NULO TRECHO DO VOTO PROFERIDO Fl. 5DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 6 Tendo em vista que o débito presente padece de vícios insanáveis, não se reveste da imprescindível legalidade, não se conforma aos critérios da lei que o fundamenta, resta necessária a declaração de sua nulidade. Uma vez que tal juízo se dá por vícios meramente formais, fazse imperioso que a administração providencie, com base no Art. 140 do CTN, a recuperação do crédito via novos lançamentos (necessariamente, mais de um, W tendo em vista que contribuintes que executam obras diferentes não são solidários entre si). É certo, ainda, que o INSS carece da norma procedimental cuja criação foi determinada pela Consultoria Jurídica do MPAS no Parecer MPAS/CJ n° 2376, de 21 de dezembro de 2000, em seu item 29. Daí, nada se poder falar contra o procedimento adotado pelos notificantes: eles constituíram o crédito da forma que reputavam correta. Apenas tal forma não é a correta, dada a falta da referida norma procedimental. ANÁLISE DA DECADÊNCIA APÓS O ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, entendo cabível a sua apreciação. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Fl. 6DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 12045.000222/200770 Acórdão n.º 240101.842 S2C4T1 Fl. 304 7 Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser Fl. 7DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 8 adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido Fl. 8DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 12045.000222/200770 Acórdão n.º 240101.842 S2C4T1 Fl. 305 9 efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial Fl. 9DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 10 iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 10DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 12045.000222/200770 Acórdão n.º 240101.842 S2C4T1 Fl. 306 11 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. O primeiro ponto a ser apreciado diz respeito a aplicação do art. 173, II do CTN para fins de aplicação da decadência, uma vez que identificouse tratar de lançamento substitutivo, cujo lançamento original fora declarado nulo por vício formal pela ausência na cientificação de todos os sujeitos passivos no lançamento original. Assim, ao contrário do entendimento pretendido pelo recorrente o vício consubstanciado na incorreta indicação do sujeito passivo diz respeito a requisito de formalização do lançamento, o que enseja nulidade por vício formal. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 12 Assim, perfeitamente viável a retomada do prazo para realização do lançamento nos termos do art. 173, II do CTN. Em assim sendo, passamos a aplicação da decadência. Ultrapassada a possibilidade de lançar com respaldo no art. 173, II do CTN, competenos apreciar qual dispositivo do CTN melhor se enquadra para aplicação da decadência quinquenal. Assim, no lançamento em questão a lavratura da NFLD em 12/08/2004, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 24/08/2004, contudo o lançamento original foi cientificado em 14/05/2001, devendo ser essa a data a ser considerada para cálculo das contribuições excluídas pela decadência. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 06/1997 a 12/1998, dessa forma em aplicandose o art. 173, I ou mesmo o art. 150, § 4º , não existe decadência a ser declarada. QUANTO A NULIDADE DA DECISÃO NOTIFICAÇÃO Ao contrário do alegado pelo recorrente, foi realizada a devida cientificação da prestadora de serviços, inclusive para apresentar impugnação e defesa em relação aos fatos geradores alegados. Ao ver do recorrente a cientificação só seria válida, se realizado procedimento na própria prestadora, o que não se coaduna com o disposto na legislação previdenciária. Assim, foi correto o procedimento adotado tanto pela autoridade lançadora, quanto pela julgadora, que inclusive rebateu na forma devida todas as alegações do recorrente, esclarecendo, dentro da legislação previdenciária todos os dispositivos que autorizam o lançamento. Tendo sido afastada a decadência, e a preliminar de nulidade suscitada, competenos apreciar o mérito do lançamento. DO MÉRITO No mérito, em síntese, todo o argumento da recorrente é no sentido de que incabível o arbitramento na tomadora, tendo em vista ser a prestadora a contribuinte original, não se deve confundir responsabilidade solidária, com substituição tributária, e a inexistência de responsabilidade. Nesse sentido, quanto à alegação de que haveria a obrigação de se constituir o crédito primeiramente contra o prestador de serviços, a mesma não merece ser acolhida. Com relação às alegações da recorrente acerca da responsabilidade solidária, na construção civil, clara é a possibilidade legal nesse sentido. Conforme destacado no art. 30, VI da Lei n ° 8.212/1991, o proprietário, incorporador ou dono da obra não importa qual seja o tipo de contratação é solidário com o construtor pelo cumprimento das obrigações perante a previdência social. Assim, descreve o texto legal: Art. 30 (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia Fl. 12DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 12045.000222/200770 Acórdão n.º 240101.842 S2C4T1 Fl. 307 13 do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; LEI 8212/91 Artigo 30 inciso VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. Decreto 612 de 21/07/92 Art. 42. O proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1° A responsabilidade solidária pode ser elidida, desde que seja exigido do construtor o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, na forma estabelecida pelo INSS. Decreto 2173 de 05/03/97 Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. §1° A responsabilidade solidária somente será elidida, se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. §2° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimentos distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra,quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da_guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (grifamos) Fl. 13DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 14 §3° Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. A recorrente MAIA E BORBA na qualidade de tomadora de serviços contratou a V.S. DE ALMEIDA & CIA LTDA, para prestação de diversos serviços de assentamento de azulejos, cerâmica, rejunte, reboco etc, mediante empreitada na construção civil, conforme relatório e contratos fls. 77. Assim, o contribuinte e o responsável tributário, no caso o recorrente, são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN e do art. 30, VI da Lei n ° 8.212/1991, benefício de ordem. Entendo que ao atribuir responsabilidade solidária pelo cumprimento da obrigação tributária, abriu o legislador a possibilidade de a autoridade previdenciária cobrar a satisfação da obrigação de qualquer das solidárias, sendo desnecessária a averiguação inicial na prestadora dos serviços. Se assim o fosse, estaríamos alterando o instituto jurídico para responsabilidade subsidiária, tornando inócuo o dispositivo legal. Dessa forma, não deve prosperara a alegação do recorrente de mudança do instituto da solidariedade para substituição tributária. Ao contrário da responsabilidade subsidiária onde se obriga a satisfação da obrigação primeiramente do devedor principal, a responsabilidade solidária permite a cobrança da obrigação em relação a cada um dos co obrigados. A constituição do crédito pode ocorrer tanto no prestador como no tomador de serviços. Tal questão foi, inclusive, objeto de apreciação pelo Conselho Pleno do CRPS – Conselho de Recursos da Previdência Social que detinha a competência para julgar os casos da espécie, a qual foi transferida para o Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Por meio do Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº. 1, de 31 de Janeiro de 2007, publicada no DOU de 05/02/2007, o CRPS assim decidiu: “Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” O lançamento foi efetuado pelo fato da recorrente haver contratado a prestadora de serviços e não haver apresentado a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária em todas as competências, quais seja, cópia das guias de recolhimentos quitadas e respectivas folhas de pagamento elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante. Não logrou o recorrente demonstrar que os serviços encontravamse descritos no rol da OS n. 165. O fato da ordem de serviços abrir a possibilidade de inclusão de outros serviços além dos ali enumerados, não lhe concede o direito de incluir, pelo seu entender quais os serviços adicionais, tendo em vista inclusive, que o dispositivo ressalta que a inclusão será feita pela autoridade previdenciária, por meio de seus atos normativos. Como a ação fiscal foi realizada na tomadora, a base de cálculo foi apurada por aferição indireta, tomando por base as notas fiscais de serviços emitidas pela prestadora, em procedimento previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8212/1991, que dá à auditoria fiscal a prerrogativa de ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE Processo nº 12045.000222/200770 Acórdão n.º 240101.842 S2C4T1 Fl. 308 15 Pelas disposições legais, se a MAIA E BORBA não apresenta a guia de recolhimento quitada, vinculada à nota fiscal/fatura, bem como os demais documentos enumerados na Legislação, assume a obrigação contributiva por solidariedade, não havendo qualquer ilegalidade quando da cobrança pelo autoridade previdenciária. O fato de existirem recolhimentos na prestadora não são capazes de provocar qualquer alteração do lançamento, uma vez que foram constatados apenas recolhimentos genéricos, e não específica em relação ao contrato com a empresa MAIA E BORBA, o que não atende a legislação para elidir a responsabilidade solidária. No que tange a argüição de ilegalidade/inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a exigência de guias específicas, (Decreto 612/92), frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade ou mesmo legalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991 e Decretos 612/92 e Decreto 2173/97. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido, posicionase este CARF, editar a súmula nº2. SÚMULA N. 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Assim, clara é a legislação que determina que para eximirse da responsabilidade solidária deveria o contratante dos serviços exigir a Folhas de pagamentos, notas fiscais e guias específicas, com o objetivo de identificar a regularidade de recolhimento. Em não o fazendo abriu o recorrente a possibilidade de o fisco exigirlhe a contribuição de Fl. 15DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE 16 forma solidária com o prestador (contratado), como no caso em questão onde se contrata obra de construção civil mediante empreitada. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, entendo que os argumentos apontados pelo recorrente são insuficientes para desconstituir o lançamento. CONCLUSÃO: Pelo exposto e tudo mais que consta dos autos, voto por ACOLHER OS EMBARGOS propostos, para retificar os termos do acórdão 240100.440, para rejeitar as preliminares de nulidade da decisão de primeira instância e no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 16DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA Assinado digitalmente em 08/07/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, 15/07/2011 por ELIAS SAMPA IO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003156/2007-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-001.153
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário pela intempestividade.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Fl. 1600DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 06/07/2007, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 01/2002 a 12/2006, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, já que se entendia como agroindústria, situação que não foi confirmada pela fiscalização, bem como por não informar valores de pro labore indireto dos seus administradores. Relatório Fiscal de fls.31/77, caracteriza a existência de grupo econômico e diz que a empresa é reincidente. Após a impugnação, Acórdão de fls. 1042/1047, julgou a autuação procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso às fls. 1055/1062, argüindo a tempestividade do mesmo e reiterando ser agroindústria. É o relatório. Fl. 1601DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.003156/200707 Acórdão n.º 230201.153 S2C3T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 1042/1047, em 07/01/2008, fls.1051/1052, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 08/01/2008, fruindo até 06/02/2008. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 11/02/2008 conforme documento de fl. 1055, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) O contribuinte argúi a tempestividade da peça recursal, alegando que quando da ciência do acórdão estava em férias coletivas, sendo o documento entregue ao porteiro de empresa terceirizada que servia à recorrente e que não era seu representante legal. Todavia, não assiste razão à recorrente, estando o assunto já sumulado por este colegiado, mais precisamente Súmula n.º09, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Portaria MF N.º 383, DOU de 14/10/2010: Fl. 1602DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Pelo exposto, e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1603DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000266/2005-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
COFINS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na
hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação.
Numero da decisão: 3201-000.768
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COFINS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 COFINS NÃO CUMULATIVA — É lícito o aproveitamento de crédito na hipótese de contratação de empresa para a realização de embalagem e acondicionamento de produtos exportados pelo contribuinte, ainda que haja indícios de que a empresa contratada tenha a ingerência da empresa contratante. Inexistência de vedação legal e insuficiência de indícios para caracterizar a ausência de substância econômica nos atos e negócios jurídicos praticados, de forma a deflagrar simulação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 13/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Robson José Bayerl, Luciano Lopes de Almeida Moraes (vicepresidente), Luiz Eduardo Garrossino Barbieri, Marcelo Ribeiro Nogueira e Fl. 365DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 2 Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente do ressarcimento pleiteado pela interessada em epígrafe em 28/01/2005, relativo aos créditos de Cofins não cumulativa do quarto trimestre de 2004, no valor de R$ 923.353,97 (fl. 01). A DRF em Novo Hamburgo emitiu o Despacho Decisório DRF/NHO/2006 (fl. 157), com base no Relatório da Ação Fiscal de fls. 143 a 155, reconhecendo o crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 794.950,34. Foram glosados os valores decorrentes de: (i) créditos de serviços prestados na industrialização por terceiros, ante a constatação de que a empresa que prestava tais serviços (PUPPIES TIME, CNPJ 04.585.274/000140) era, na realidade, estabelecimento da própria interessada e (ii) não oferecimento à tributação de valores originados de transferências de créditos de ICMS a terceiros, e; (iii) aproveitado indevido de parte do valor do crédito relativo ao estoque inicial. O Relatório esclarece detalhadamente todas as infrações, inclusive os pontos em que se baseou para descaracterizar a empresa PUPPIES TIME como estabelecimento independente da, empresa fiscalizada. O terceiro item, relativo ao estoque inicial, não afeta o trimestre discutido no presente processo. A empresa é cientificada do Despacho Decisório em 11/10/2006. O contribuinte apresenta, em 13/11/2006, tempestivamente, sua manifestação de inconformidade (fls. 161 a 282), através de representante devidamente habilitado, na qual se insurge contra a inclusão na base de cálculo dos créditos de ICMS transferidos a terceiros e a glosa dos créditos decorrentes dos serviços que outra pessoa jurídica terlheia prestado. Argumenta que a transferência do ICMS para terceiros não pode ser considerada receita tributável, mas sim receita decorrente de exportação e sobre a qual não incide a Cofins. Também considera que incluir na base de cálculo os valores do ICMS transferidos a terceiros constituiria bitributação, pois tais valores já teriam sido tributados pelo fornecedor de insumos. Cita jurisprudência judicial. Já quanto à glosa relativa aos créditos dos serviços prestados pela empresa PUPPIES TIME aborda todos os aspectos levantados pela fiscalização e que levaram à conclusão da estreita vinculação entre as duas a ponto de concluir pela inexistência de créditos, com o objetivo de comprovar serem empresas diferentes e poder se creditar da Cofins sobre os serviços que aquela empresa teria prestado. Observa que sendo a empresa Puppies de menor porte e em função da forma de atuação da IMS, que preza que os parceiros possuam uma relação de confiança e participem de programas de qualidade da empresa, a proximidade das empresas constatada pela Fl. 366DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.000266/200537 Acórdão n.º 320100.0768 S3C2T1 Fl. 366 3 fiscalização (sócia ser exfuncionária, uso de orientações e memorandos da IMS, uso de papel timbrado, bens em nome de IMS, entre outros fatos constatados) seria natural, nada caracterizando irregularidade. Sobre a assistência de saúde da Unimed contratada por Puppies, na qual figura como representante autorizado um sócioadministrador da IMS, a empresa esclarece que ocorreu apenas um equívoco. Junta notas fiscais de remessa de mercadorias entre as empresas, contrato de locação e inventário de material de embalagem. Requer, por fim, que seja reformada a Decisão para reconhecer a procedência do pedido em relação aos itens abordados. Cumpre registrar que da Ação Fiscal, em decorrência dos mesmos fatos aqui abordados, resultaram glosas em outros processos e lançamentos de ofício em relação a valores já ressarcidos referentes a outros períodos de apuração. Verifica se que a empresa impetrou Ação Judicial, Mandado de Segurança com pedido de liminar, que tomou o n° 2006.71.08.0169722, visando afastar da base de cálculo do PIS e da Cofins os valores recebidos em remuneração à transferência para terceiros de saldo credor de ICMS, suspender a exigibilidade de lançamentos decorrentes e o ressarcimento dos valores objeto dos pedidos efetuados nos processos administrativos que menciona, inclusive no que ora se analisa. Também pretendeu a extensão dos efeitos da liminar para todos os futuros processos e o afastamento das exigências da Instrução Normativa Conjunta SRF/SRP 629/2006. A liminar foi deferida parcialmente para suspender a exigibilidade dos créditos lançados através dos autos de infração constantes dos processos administrativos arrolados, afastar as glosas dos pedidos de ressarcimento constantes dos processos que elenca, dentre os quais o presente, determinando que não fosse exigida a contribuição incidente sobre aquelas receitas decorrentes da transferência do ICMS para terceiros. Ante pedido de reconsideração da interessada foram estendidos os efeitos da liminar para afastar outras exigências para comprovação de regularidade diferentes da certidão positiva com efeitos de negativa. Ante tal ordenamento, a DRF/NHO autorizou o ressarcimento dos valores originalmente deferidos, R$ 794.950,34, mais a parcela decorrente da glosa relativa À inclusão da remuneração pela transferência de créditos do ICMS a terceiros na base de cálculo, R$ 96.327,14, totalizando R$ 891.277,48 (fls. 298 a 300). Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 23/10/2009, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) indeferiu a solicitação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 1021.489 (fls. 329/330): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 367DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 4 Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 Ementa: COFINS NÃO CUMULATIVA — Corretas as glosas relativas aos créditos que a interessada se utilizou provenientes de serviços de industrialização prestados por estabelecimento industrial da própria fiscalizada, dissimulado como outra pessoa jurídica. Mantidas as glosas não contestadas pela interessada. Solicitação Indeferida A Recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 17/03/2010 (f1.350), tendo protocolado seu recurso voluntário em 15/04/2008 (fls. 351/361), que, em síntese, reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 27/08/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, CONHEÇO o recurso voluntário e passo a analisálo. O referido recurso ataca a glosa do crédito de COFINS decorrente da contratação de mãodeobra terceirizada para processo de industrialização. Sobre esse aspecto, entendo que a questão merece muita cautela. Com efeito, a glosa dos créditos oriundos das despesas de contratação de mãodeobra terceirizada teve por base a premissa de que a Recorrente agiu dissimuladamente para reduzir a sua carga tributária. Tal premissa, segundo o juízo a quo, foi devidamente comprovada pela fiscalização, e, portanto, a glosa foi mantida. Inicialmente, é importante consignar que o emprego de dolo, fraude ou simulação em matéria tributária configura hipótese de evasão fiscal, e não de elisão fiscal. A distinção básica entre esses dois institutos é que a evasão é empreendida por meios ilícitos, enquanto a elisão é empreendida por meios lícitos. Configurada hipótese de evasão, a autoridade fiscalizadora deve proceder à lavratura de auto de infração, acrescida de multa qualificada e acompanhada de representação fiscal para fins penais, uma vez que evasão é crime contra ordem tributária capitulado na Lei nº 8.137 de 1990. Já a elisão, se empreendida com abuso de forma, abuso de direito, negócio jurídico indireto, entre outras figuras afins, permitiria à autoridade fiscalizadora desqualificar o negócio jurídico praticado pelo contribuinte para alcançar os efeitos tributários do negócio jurídico dissimulado. Entretanto, o fundamento legal para essa desqualificação é o art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que é norma de eficácia limitada, ou seja, a sua aplicação é condicionada à regulamentação posterior (fato que, nesse particular, ainda não há). Fl. 368DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.000266/200537 Acórdão n.º 320100.0768 S3C2T1 Fl. 367 5 Segundo a autoridade fiscalizadora, a Recorrente teria forjado a contratação de uma pessoa jurídica independente, que, em verdade, seria um estabelecimento próprio, o que inviabilizaria a tomada de créditos de COFINS na sistemática nãocumulativa dessas contribuições. Desse modo, desconsiderou a personalidade jurídica da empresa Puppies Time Ltda., glosando os referidos créditos. Na minha visão, a questão central em discussão é a seguinte: a Recorrente empreendeu evasão por ter simulado a contratação da empresa Puppies Time Ltda. ou elisão por ter reestruturado as suas atividades com o propósito de reduzir o seu custo de produção? Simular é mentir sobre algo, fazendoo parecer algo que não é. No caso concreto, a Recorrente realmente contratou uma empresa regularmente constituída para realizar uma etapa do processo de industrialização dos seus produtos, sendo que em momento algum a Recorrente alegou fazer outra coisa. Desse modo, não há mentira, e, portanto, simulação. Haveria simulação se a Recorrente emitisse notas fiscais de prestação de serviço de uma empresa fantasma para gerar créditos de COFINS. Também haveria simulação se os serviços que foram contratados não fossem efetivamente prestados, caso em que não poderia haver o creditamento de COFINS. Nenhuma dessas hipóteses se verificou, entretanto. Convém consignar que a jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais evoluiu no trato do assunto, pois até bem pouco tempo atrás a verificação da licitude do planejamento tributário limitavase ao aspecto formal dos atos e negócios jurídicos praticados pelo contribuinte, sendo certo que atualmente é necessário ir além, analisandose a substância econômica dos atos e negócios jurídicos efetivamente praticados pelo contribuinte. Vejamos: SIMULAÇÃO A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que se praticam são outros. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois, na realidade, o ato praticado é outro. (Acórdão nº 10423.129, Rel. Cons. Heloisa Guarita Souza, Sessão de 23.04.2008) ......................................................................................................... Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2005 Ementa: DESPESAS COM ÁGIO. CARACTERIZADA SIMULAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. PROVAS. É indedutível as despesas com ágio quando provado nos autos que as mesmas foram levadas a efeito a partir da prática de simulação através de negócio jurídico que aparenta transferir direitos a pessoa diversa daquela à qual realmente se transmitem. SIMULAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. O fato dos atos societários terem sido formalmente praticados, com registro nos órgãos competentes, escrituração contábil, etc. não retira a possibilidade da operação em causa se enquadrar como simulação, isso porque faz parte da natureza da simulação o envolvimento de atos jurídicos lícitos. Afinal, simulação é a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizam determinado negócio jurídico, entre o negócio Fl. 369DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 6 efetivamente praticado e os atos formais (lícitos) de declaração de vontade. Não é razoável esperar que alguém tente dissimular um negócio jurídico dandolhe a aparência de um outro ilícito. GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSIDADE. A tão só coexistência, com aplicações financeiras remuneradas a taxas inferiores, de empréstimos tomados a pessoas relacionadas não autoriza a inferência de serem desnecessárias as despesas havidas com estes empréstimos. RESERVA DE REAVALIAÇÃO. REALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A entrega de bens em pagamento do valor do capital subscrito, fato permutativo que é, não implica em realização da reserva de reavaliação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA SIMULAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A prática da simulação com o propósito de dissimular, no todo ou em parte, a ocorrência do fato gerador do imposto caracteriza a hipótese de qualificação da multa de ofício, nos termos do art. 44, II, da Lei nº 9.430, de 1996. Publicado no D.O.U. nº 141 de 24/07/2008. (Acórdão nº 10323.441, Redator Designado Cons. Antonio Bezerra Neto, Sessão de 17.04.2008) ......................................................................................................... NULIDADE DO LANÇAMENTO INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE LANÇADORA INOCORRÊNCIA O Auditor Fiscal da Receita Federal é servidor competente para proceder a lançamento de ofício de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, em nome desta. Não há falar em nulidade do lançamento quando a autuação foi feita por servidor competente e com a estrita observância da legislação tributária. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há falar em nulidade da decisão de primeira instância quando esta atende aos requisitos formais previstos no art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972. SIMULAÇÃO SUBSTÂNCIA DOS ATOS Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. SIMULAÇÃO NEXO DE CAUSALIDADE A caracterização da simulação demanda demonstração de nexo de causalidade entre o intuito simulatório e a subtração de imposto dele decorrente. SIMULAÇÃO EFEITOS DA DESCONSIDERAÇÃO O lançamento, na hipótese de simulação relativa, deve considerar a realidade subjacente em todos os seus aspectos, com adequada consideração do sujeito passivo que praticou os atos que a conformam. Preliminares rejeitadas. Recurso provido. (Acórdão nº10421.729, Redator Designado Cons. Gustavo Lian Haddad, Sessão de 26.07.2006) Ora, a Recorrente reconhece que reestruturou suas atividades de forma a reduzir custos, passando a contratar empresa cuja sócia era sua exfuncionária e que efetivamente lhe prestava serviços. Além disso, como era a principal cliente da Puppies Time Ltda. (a Recorrente não era sua cliente exclusiva), reconhece que possuía ingerência sobre as atividades dessa empresa. Fl. 370DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM Processo nº 11065.000266/200537 Acórdão n.º 320100.0768 S3C2T1 Fl. 368 7 Ocorre que isso, por si só, ainda não permite que a autoridade fiscalizadora desqualifique o negócio jurídico realizado entre as empresas, de modo a glosar as despesas incorridas pela Recorrente que originaram os seus créditos de COFINS. Para tanto, deveria provar que a relação entre a Recorrente e a Puppies Time Ltda. era meramente formal, sem substância econômica. Em outras palavras, a circunstância de que a Recorrente possuir ingerência sobre a Puppies Time Ltda. é totalmente irrelevante para revelar a falta de substância econômica nessa relação comercial. Impõese ressaltar que o critério da ingerência administrativa é totalmente alheio à legislação de regência da COFINS não cumulativa, uma vez que o art. 3º, II, da Lei nº 10.833 de 2003, não faz qualquer restrição relacionada à qualidade do prestador dos serviços ou da sua relação comercial com o tomador. Tanto é assim que uma matriz pode contratar a sua subsidiária para prestar serviços, e viceversa, sem que isso lhes impeça de tomarem crédito de COFINS, nos termos da legislação citada. A questão que se faz pertinente nesse caso é a adequação dos preços praticados aos padrões de mercado, mas a legislação de regência é omissa nesse aspecto. Convém mencionar, por fim, que se o legislador ordinário tivesse a intenção de evitar esse tipo de reestruturação operacional, ele deveria ter estabelecido vedação similar ao creditamento da locação ou arrendamento de bens que já tenham integrado o ativo permanente da empresa locatária ou arrendatária. Vejamos: Lei nº 10.833 de 2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) V aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) Lei nº 10.865 de 2004 Art. 31. (...) § 3º É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. Ante a falta de indícios suficientes que respaldem a desconsideração da personalidade da Puppies Time Ltda. e a inexistência de vedação legal ao planejamento tributário empreendido pela Recorrente, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, de modo a afastar a glosa dos créditos decorrentes da contratação da empresa Puppies Time Ltda. para o processo de embalagem dos produtos da Recorrente. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 371DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM 8 Fl. 372DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 13/08/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM
score : 1.0
Numero do processo: 11060.002332/2006-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE SIMPLES
Exercício: 2004
EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES.
Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviço de representante comercial ou assemelhada.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2004,2005,2006
LUCRO REAL.
Na falta de opção expressa por outro regime, prevalece a forma de tributação com base no lucro real trimestral, que é a regra, desde que exista escrituração com observância das leis comerciais e fiscais.
INEXATIDÕES MATERIAIS.
Alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento.
CSLL, PIS, COFINS.
Tratandose
de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que
informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal.
Numero da decisão: 1801-000.478
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastarem as nulidades suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Rogério Garcia Peres.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004 EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviço de representante comercial ou assemelhada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004,2005,2006 LUCRO REAL. Na falta de opção expressa por outro regime, prevalece a forma de tributação com base no lucro real trimestral, que é a regra, desde que exista escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. INEXATIDÕES MATERIAIS. Alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. CSLL, PIS, COFINS. Tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastarem as nulidades suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Rogério Garcia Peres.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 788 1 787 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.002332/200634 Recurso nº 500.182 Voluntário Acórdão nº 180100.478 – 1ª Turma Especial Sessão de 21 de fevereiro de 2011 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Recorrente AGROPECUÁRIA EDIPAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2004 EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que se dedica à prestação de serviço de representante comercial ou assemelhada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2004,2005,2006 LUCRO REAL. Na falta de opção expressa por outro regime, prevalece a forma de tributação com base no lucro real trimestral, que é a regra, desde que exista escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. INEXATIDÕES MATERIAIS. Alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. CSLL, PIS, COFINS. Tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002332/200634 Acórdão n.º 180100.478 S1TE01 Fl. 789 2 voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Rogério Garcia Peres. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Diniz Raposo e Silva, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Exclusão do Simples A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/STM/RS nº 16, de 02 de outubro de 2006, fl. 58, com efeitos a partir de 01/09/2003, pelo exercício de prestação de serviço profissional de representante comercial, administrador ou assemelhados (inciso XII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996). Autos de Infração I Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 384/390, com a exigência do crédito tributário no valor de R$529.257,30, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente aos terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2003, aos quarto trimestres do anocalendário de 2004 e aos segundo, terceiro e quarto trimestres de 2005 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real. O lançamento se fundamenta na insuficiência de recolhimento evidenciada a partir dos registros contábeis apresentados pela Recorrente. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso XIII do art. 9º, art. 12, alínea “a” do inciso II do art. 13, inciso I do art. 14, inciso II do art. 15 e art. 16 da Lei nº 9.317, de 1996, bem como inciso XIII do art. 192, inciso I do art. 195, inciso II do art. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002332/200634 Acórdão n.º 180100.478 S1TE01 Fl. 790 3 196, art. 197, art. 200, art. 220, art. 251, art. 274, § 4º do art. 516 e inciso IV do art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR, de 1999. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 391/394 a exigência do crédito tributário no valor de R$207.413,46 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional.Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso XIII do art. 9º, art. 12, alínea “a” do inciso II do art. 13, inciso I do art. 14, inciso II do art. 15 e art. 16 da Lei nº 9.317, de 1996, bem como inciso XIII do art. 192, inciso I do art. 195, inciso II do art. 196, art. 197, art. 200, art. 220, art. 251, art. 274, § 4º do art. 516 e inciso IV do art. 841 do RIR, de 1999, §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. III O Auto de Infração às fls. 395/399 com a exigência do crédito tributário no valor de R$41.805,71 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso XIII do art. 9º, art. 12, alínea “a” do inciso II do art. 13, inciso I do art. 14, inciso II do art. 15 e art. 16 da Lei nº 9.317, de 1996, bem como art. 1º, art. 2º, art. 3º e art. 4º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 400/405 a exigência do crédito tributário no valor de R$153.524,56 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: inciso XIII do art. 9º, art. 12, alínea “a” do inciso II do art. 13, inciso I do art. 14, inciso II do art. 15 e art. 16 da Lei nº 9.317, de 1996, bem como art. 1º, 3º e art. 5º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Fase Litigiosa Cientificada da exclusão do Simples e dos lançamentos em 08/03/2007, fl. 411, a Recorrente apresentou a impugnação em 09/04/2007 (segundafeira), fls. 413/423, em especial sobre: a) CSLL, PIS, COFINS (09/2003); b) IRPJ, CSLL, PIS E COFINS (10/2003 A 12/2005); c) Tributos lançados sob o regime de tributação do lucro real; d) Imposição pela autoridade fiscal de multas por infração tributária, estas inaplicáveis as espécies tributárias enumeradas nas letras "a" e "b", acima, como de responsabilidade do contribuinte. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002332/200634 Acórdão n.º 180100.478 S1TE01 Fl. 791 4 e) A desconsideração pela ação fiscal das PERDAS PATRIMONIAIS experimentadas pelo contribuinte, no período de apuração, quando do cálculo dos tributos apontados como devidos. f) Alteração de critério jurídico na adoção das medidas fiscalizatórias e, convalidação nos procedimentos complementares ocorrentes no lançamento dos créditos tributários. (lançamento de obrigação acessória — com o fundamento legal ancorado no art. 113, § 3° e 160 do CTN — atraso na DCTF 2003) Discorda do entendimento fiscal de que [...] com base nos registros contábeis dos livros Diários e Razão foi possível, à fiscalização, apurar o resultado de cada período de apuração, conforme planilhas [que] apresentam demonstração do resultado do exercício dos anocalendário 2003 (setembro a dezembro), 2004 e 2005, discriminando mensalmente as receitas e despesas [cujo] resultado anual confere com os valores lançados na conta 2.04.03.03.0001 — Resultado do Exercício, quais sejam: R$ 237.579,05 (2003), R$ 522.797,35 (2004) e R$ 382.351,49 (2005), [...]. Relata que os lançamentos contêm incorreções. Esclarece que emite as notas fiscais relativamente às receitas. Entende que como parte destes valores não foram efetivamente recebidos devem ser excluídos da matéria tributável. Por esta razão afirma que estão exatos os montantes abaixo: TOTAL GERAL DE RECEBIDOS: PRESTAÇÃO SERVIÇOS R$ 429.931,16 ALUGUÉIS R$ 345.000,00 TOTAL GERAL R$ 774.931,16 Suscita que não reconhece como correta a exclusão do Simples. Procura demonstrar que não é cabível a imposição do regime de tributação com base no lucro real trimestral, pois na exigência da multa pela falta de entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) consta expressamente a opção pelo regime de tributação pelo lucro presumido. Defende que este regime é o correto a ser adotado na apuração dos tributos constantes no presente processo. Não podendo prever a exclusão do Simples, argúi que somente a partir ciência do ato entregou as DCTF indicando sua opção pela tributação com base no lucro presumido. Apresenta argumentos contra a aplicação da multa de ofício. Indica a legislação que rege a matéria, princípios que alega foram violados ainda entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui 1) em preliminar Desde logo, se REQUER em juízo de conclusão decisória a apreciação e o acatamento destas preliminares, dada a sua relevância fática na apreciação de quaisquer matérias tributárias, eventualmente imputáveis ao impugnante Edipal, mormente ao nível do que a analise do mérito deve vinculação. 2) no mérito Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002332/200634 Acórdão n.º 180100.478 S1TE01 Fl. 792 5 DIANTE DO EXPOSTO, demonstrada a incerteza da matéria tributada pelo lucro real, aliada à precariedade dos parâmetros de valores adotadas pela autoridade fiscal como de resultado nos exercícios do período apurado, que a rigor serviram de suporte aos lançamentos impugnados, REQUER a declaração de improcedência da ação fiscal consubstanciada pelo —elementos que a determinaram, para o fim de ser na sua plenitude cancelado o débito fiscal imputado ao contribuinte Agropecuária Edipal Ltda. EM TEMPO, igualmente, requer que se determine a realização de diligências técnicas pela Secretaria da Receita Federal, para os fins de verificação da real situação das receitas, despesas, compensações e perdas de créditos, com efeitos de apuração de valores concretos e efetivamente corretos, no período de apuração — sobre os lançamentos efetuados de oficio. Esperando encaminhamento e, deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/STM/RS nº 1810.967, de 30/06/2009, fls. 662/676: “Lançamento Procedente”. Consta que ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA INDEFERIMENTO A diligência e a perícia não se prestam para produzir provas de responsabilidade das partes ou colher juízo de terceiros sobre a matéria em litígio, mas a trazer aos autos elementos que possam contribuir para o deslinde do processo. Devem ser indeferidos os pedidos prescindíveis para o desfecho da lide ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PRELIMINAR DE NULIDADE POR MODIFICAÇÃO NO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO. As divergências na interpretação da legislação suscitadas ao longo da tramitação do processo não representam alteração no critério jurídico adotado no lançamento se este estiver fundamentado desde o princípio em idêntica motivação. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004, 01/04/2004 a 30/06/2004, 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/10/2004 a 31/12/2004, 01/04/2005 a 30/06/2005, 01/07/2005 a 30/09/2005, 01/10/2005 a 31/12/2005 EXCLUSÃO DO SIMPLES. TRIBUTAÇÃO DOS RESULTADOS. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002332/200634 Acórdão n.º 180100.478 S1TE01 Fl. 793 6 A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. POSSIBILIDADE. Nos casos de lançamento de oficio será aplicadas a multa de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. LANÇAMENTOS DECORRENTES: PIS, CSLL e COFINS Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos decorrentes o decidido no principal. Notificada em 17/07/2009, fl. 698, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 14/08/2009, fls. 699/705, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui O Sistema de Tributação adotado pela própria Receita Federal, foi o sistema de "LUCRO PRESUMIDO ", o qual já se encontra parcelado na PGFN, e sendo pago mensalmente, como já houvera a cima citado. Desta forma, requer seu representante, a improcedência da ação fiscal, já que encontrase explicita uma situação de cobrança em duplicidade, por parte do órgão. Sendo assim, espera seu representante que a mesma seja extinta em sua plenitude cancelando o débito fiscal, imputado à AGROPECUÁRIA EDIPAL LTDA, através do processo de n° 11060.002332/200634. PEDESE DEFERIMENTO. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. Exclusão do Simples Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002332/200634 Acórdão n.º 180100.478 S1TE01 Fl. 794 7 A Recorrente discorda da exclusão do Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição da República Federativa do Brasil (CR) de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, determina: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; O referido diploma legal impede a opção pelo Simples por parte das pessoas jurídicas: que prestem os serviços profissionais expressamente listados; que prestem os serviços profissionais assemelhados àqueles expressamente listados; que prestem serviços profissionais não expressamente listados, cujo exercício dependa de habilitação legalmente exigida. A norma de regência adota a interpretação analógica que abrange casos semelhantes por ela regulados. Está registrado na Representação Fiscal, fls. 01/03: A vista desses elementos, constatouse o seguinte: 1. Em termo de folha 07 o contribuinte informa que "presta serviços de vendas de insumos e assistência técnica aos agricultores, além de serviços de cobrança. As operações são realizadas em nome da Cooparcentro Cooperativa de Agricultores Parceiros da Região Centro Oeste do Estado, com filial em São Gabriel (As notas fiscais de vendas são emitidas pela Cooparcentro). As notas fiscais de prestação de serviços são emitidas pela Edipal anualmente, normalmente em dezembro, quando é feito o acerto com a cooperativa. Durante o ano a Edipal recebe adiantamentos desse valor. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002332/200634 Acórdão n.º 180100.478 S1TE01 Fl. 795 8 Além dessas receitas de prestação de serviços há a receita de aluguel do imóvel e dos automóveis utilizados na prestação de serviços à Cooperativa (entregas, visitas aos clientes)." 2. Cópias das notas fiscais de prestação de serviços estão anexas às folhas 08 a 13, constando entre as discriminações dos serviços: comissões sobre vendas, administração e cursos, assistência técnica administrativa filial São Gabriel, taxa administração assistência técnica e vendas safra 2004. 3. O contrato social da Agropecuária Edipal Ltda., com data de 15 de agosto de 2003 (folha 16), apresenta como objetivo social a "(..) prestação de serviço de assistência técnica agronômica e veterinária, gestão de negócios agropecuários à pessoas jurídicas e pessoas físicas, bem como agenciamento comercial de insumos agrícolas, sementes e produtos veterinários. Antes disso, a atividade empresarial era a definida na alteração contratual de 04 de janeiro de 2002 (folha 15). 4. A Cooparcentro apresentou cópia do contrato de prestação de serviços firmado com a Edipal, cujo objeto é assim descrito (folha 24): "A EDIPAL prestará à COOPARCENTRO, a partir de 01 de janeiro de 2004, os serviços de gestão operacional, comercial e financeira da Filial da COOPARCENTRO em São Gabriel/RS, sita à Rua Mário Avancini dos Santos, 54, Sala A — (Santa Regina) em São Gabriel/RS com CNPJ n° 03.937.881/000240 e CGC/TE n° 120/0090427, serviços estes compreendidos como: compra e venda de insumos agrícolas e mercadorias, movimentação financeira junto à rede bancária, emissão de cheques, controle de estoques, recebimento e pagamentos, tudo em nome da COOPARCENTRO. (..)" Ficou comprovado nos autos que a Recorrente presta serviço profissional de representação comercial ou assemelhado. A descrição da razão de fato indicada no ato de exclusão está demonstrada de forma inequívoca pelo implemento das condições legal de excludente, conforme a descrição da infração que se fundamenta na falta de recolhimento de tributo apurada com base na determinação da matéria tributável e cálculo do montante do tributo devido, bem como a existência de pagamento a título de Simples, acompanhado das cópias dos registros contábeis pertinentes apresentados pela Recorrente. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. No presente caso a Recorrente incorreu em situação excludente e por esta razão não poderia optar pelo Simples. Como este procedimento não foi adotado voluntariamente, foi efetuada de forma regular a exclusão de ofício pela autoridade competente, no estrito cumprimento do dever legal (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990). Além disso, a partir dos efeitos da exclusão, ou seja, 01/09/2003, ela fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive às obrigações tributárias principais e acessórias. Autos de Infração A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar (art. 15 e inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002332/200634 Acórdão n.º 180100.478 S1TE01 Fl. 796 9 de 1972), precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Ela não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Neste sentido, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Assim, seu pleito deve ser indeferido. A Recorrente se insurge contra a lavratura do lançamento com base no lucro real. Sobre os lançamentos, o RIR, de 1999, fixa: Art.220.O imposto será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). [...] Art.247.Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). [...] Art.516.A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). §1ºA opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, §1º ). [...] §4ºA opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, §1º). [...] Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Fl. 9DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002332/200634 Acórdão n.º 180100.478 S1TE01 Fl. 797 10 Ainda em relação à matéria, vale transcrever o enunciado da súmula nº 33 do CARF, a qual é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) que prevê: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. No presente caso, ela apresentou as Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ Simples) nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, fls. 30/56. Como ficou exaustivamente comprovado nos autos, no período objeto da ação fiscal, o imposto devido trimestralmente foi determinado com base nos critérios do lucro real trimestral, que é a regra geral, uma vez que a Recorrente foi excluída de ofício do Simples pelo Ato Declaratório Executivo DRF/STM/RS nº 16, de 02 de outubro de 2006, fl. 58, com efeitos a partir de 01/09/2003. Pelo fato de a Recorrente ter sido excluída do Simples e como foi verificada a escrituração regular, tem cabimento a apuração dos tributos com base no lucro real trimestral. Não há previsão legal para que a Recorrente, nesta oportunidade, faça opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido. A própria Recorrente afirma que extinguiu os créditos tributários correspondentes pelo pagamento, fls. 706/711. Ademais, o simples fato de constar nas DCTF, fls. 712/717, a forma de tributação como sendo lucro presumido, estes atos não têm força normativa de se equiparar à opção ou de macular os Autos de Infração, fls. 384/405, que foram lavrados com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. Logo, não cabem reparos aos lançamentos. A Recorrente suscita que as perdas no recebimento de créditos devem ser deduzidas. Em relação ao recebimento de crédito, o RIR, de 1999, prevê: Art.340. As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º). §1ºPoderão ser registrados como perda os créditos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, §1º): I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a)até cinco mil reais, por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b)acima de cinco mil reais, até trinta mil reais, por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; Fl. 10DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002332/200634 Acórdão n.º 180100.478 S1TE01 Fl. 798 11 c)superior a trinta mil reais, vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no §5º. §2ºNo caso de contrato de crédito em que o não pagamento de uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se referem as alíneas "a" e "b" do inciso II do parágrafo anterior serão considerados em relação ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, §2º). §3ºPara os fins desta Subseção, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, §3º). §4ºNo caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, §4º). §5ºA parcela do crédito, cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordatária, poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, §5º). §6º Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas (Lei nº 9.430, de 1996, art. 9º, §6º). O valor das perdas no recebimento dos créditos para ser dedutível no âmbito fiscal deve preencher as condições taxativamente enumeradas no art. 340, do RIR, de 1999, o que não ocorreu no presente caso. As provas do ilícito tributário constantes nos autos foram exaustivamente analisadas pelas autoridades fiscais. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 374/376: Apesar da alegada "opção" pela tributação com base no lucro presumido, a empresa apresentou os livros Diário e Razão dos períodos de setembro/03 a dezembro/05, conforme Termo de Recebimento de Documentos e Intimação de folha 64. Cópia do Diário encontrase anexa às folhas 201 a 312 e do Razão às folhas 313 a 357. Em relação a esses documentos, verificouse que estão transcritas, Fl. 11DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002332/200634 Acórdão n.º 180100.478 S1TE01 Fl. 799 12 nos livros Diário, demonstrações do resultado do exercício e balanços anuais (folhas 217 a 219, 263, vs. a 265, vs.e 310 a 312). Do mesmo modo, na análise da conta de Resultado do Exercício (2.04.03.03.0001), no livro Razão, observase que a apuração do resultado ocorreu no dia 31 de dezembro de cada anocalendário (folhas 108 a 110, vs.). Entretanto, com base nos registros contábeis dos livros Diário e Razão foi possível, à fiscalização, apurar o resultado de cada período de apuração, conforme demonstrado nas planilhas de folhas 105 a 107, que seguiram anexas ao Termo de folha 104, [...] As referidas planilhas (folhas 105 a 107) apresentam demonstração do resultado dos exercícios dos anoscalendário 2003 (setembro a dezembro), 2004 e 2005, discriminando mensalmente as receitas e despesas que o integram. Observase que o resultado anual confere com os valores lançados na conta 2.04.03.03.0001 — Resultado do Exercício, quais sejam: R$ 237.579,95 (2003), R$ 552.697,35 (2004) e R$ 382.351,49 (2005), conforme cópia dos respectivos Razão, anexas às folhas 108 a 110, vs. Numa análise preliminar não se visualizam rubricas sujeitas a adição ou exclusão, de modo que este seria, em tese, o Lucro Real da empresa. Dessa forma, em 14 de dezembro de 2006 reintimouse o contribuinte a apresentar as demonstrações contábeis trimestrais e o livro de Apuração do Lucro Real a partir do período em que se processaram os efeitos da exclusão do Simples (folhas 104 e vs.). Em 18 de janeiro de 2007 receberamse os documentos solicitados, conforme Termo de folha 112, quais sejam: as demonstrações do resultado do exercício, demonstrações dos lucros ou prejuízos acumulados e balanços patrimoniais, que estão anexos às folhas 115 a 173, assim como, cópia do Livro de Apuração do Lucro Real anexas às folhas 174 a 178. Subsidiariamente, devemse considerar as cópias das notas fiscais de prestação de serviços de folhas 09 a 13, além do resumo do beneficiário constante da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — Dirf de folha 180 e as informações prestadas pela Cooperativa de Agricultores Parceiros da Região Centro Oeste do Estado Ltda., que foi objeto de circularização (folhas 19 a 26). Adotouse esse procedimento em face de entendimentos jurisprudenciais no sentido de que o Arbitramento do lucro deve se constituir em medida extrema, devendo ser aplicado apenas na hipótese do contribuinte, devidamente intimado a regularizar a escrita, não atender à fiscalização. No caso em tela, conforme referido anteriormente, além da apuração do Lucro Real ter sido efetuada a contento pela fiscalização (folhas 105 a 107), foram apresentados os livros Diário, Razão (folhas 201 a 357) e Lalur, além das demonstrações contábeis trimestrais relativas aos períodos compreendidos na fiscalização, cujos resultados estão coerentes com os apurados (folhas 115 a 178). Restou comprovada o exame dos registros contábeis, dentre outros, da Carteira Geral de Duplicatas por Cliente, do Demonstrativo de Resultado do Exercício, dos balancetes, a partir dos quais não restaram comprovadas as alegadas perdas sofrida pela Recorrente. Assim, prevalece a forma de tributação com base no lucro real trimestral, que é a regra, uma vez que existe a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz Fl. 12DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002332/200634 Acórdão n.º 180100.478 S1TE01 Fl. 800 13 prova em favor da Recorrente dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem o implemento de alguma das condições fiscais de dedutibilidade da despesa, dentre aquelas relacionadas especificamente no art. 340, do RIR, de 1999. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o lançamento de ofício está correto. Por conseguinte, não lhe cabe razão. No que se refere às multas por atraso na entrega em 09/11/2006 das DCTF, fls. 712/717, cabe esclarecer que se referem a exigências datadas de 24/10/2007, ou seja, posteriores à ciência dos lançamentos em 08/03/2007, fl. 411. Como estes lançamentos não foram formalizados no presente processo os argumentos pertinentes não podem ser analisados nesta instância de julgamento. A Recorrente se insurge contra a aplicação da multa de ofício proporcional. As multas tributárias se fundamentam no interesse público e têm como pressuposto a prática de infração especificada e ainda como função a sanção pelo descumprimento de obrigação legal. As leis pertinentes à matéria são editadas com base nos princípios constitucionais, entre eles, os da legalidade e da tipicidade (art. 150 da Constituição da República). Ademais, a exclusão da multa ou a sua redução somente ocorrem com suporte na legislação tributária. A Lei nº 9.430, de 1996, orienta expressamente no seguinte sentido: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; De acordo com o princípio da legalidade (art. 37 da Constituição da República) deve prevalecer a multa de ofício proporcional no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre o tributo lançado do ofício em decorrência de infração à legislação tributária. Assim, não cabem reparos ao lançamento. No que se refere à interpretação da legislação, entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos aos quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), e que assim determina: Fl. 13DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002332/200634 Acórdão n.º 180100.478 S1TE01 Fl. 801 14 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Atinente ao CSLL, PIS e Cofins, tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal. Em face de o exposto, voto, em preliminar, por afastar as nulidades suscitadas e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 14DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 10855.000075/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade
lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.141
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Souza e Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Fl. 69DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 17 45.081, proferido pela 8ª Turma da DRJ São Paulo II (fl. 44), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: O contribuinte acima identificado insurgese contra o lançamento consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls.34/37, relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas IRPF/2004, anocalendário 2003, na qual consta glosa de Despesas Médicas, no valor de R$ 24.220,00. Na impugnação apresentada, fls.01/04, o Impugnante alega, em síntese, que o direito As deduções de despesas médicas está expressamente salvaguardado no art. 80, do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto n° 3000/99, não merecendo ser glosadas, isto porque o Impugnante possuiu todos os recibos e declarações que comprovam de forma inequívoca, a prestação de serviços pelos profissionais e os pagamentos efetuados aos mesmos, nos termo do art. 73, do RIR199; requer a improcedência do lançamento e protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de quaisquer: documentos, testemunhas, perícias, inspeções, os quais ficam desde já requeridos. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2004 GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. O direito As suas deduções condicionase A comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos e ainda, que sejam relacionadas ao tratamento do próprio contribuinte e seus dependentes. Artigo 80, §1°, incisos II e III, do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). Impugnação Improcedente Em seu apelo ao CARF, às fls. 56/60, o recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o juízo a quo. É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das peças processuais, firmo convencimento de que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. Sobre a dedução de despesas médicas, vejamos o que dispõe a legislação que rege a matéria, e como os Órgãos administrativos de julgamento a têm interpretado. Confirase Fl. 70DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10855.000075/200930 Acórdão n.º 210101.141 S2C1T1 Fl. 65 3 o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Grifos Acrescidos. Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame, numa visão sistêmica da legislação tributária. Verificase, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Em outros recursos que passaram por este Colegiado, com despesas médicas elevadas, a parte interessada apresentou elementos de prova abundantes da necessidade da realização das despesas (os serviços demandados, exames, laudos circunstanciados, etc), quando não o faziam em relação ao efetivo pagamento. O autuado recebe a integralidade dos Fl. 71DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 rendimentos declarados através de conta bancária, mas não consegue comprovar os elevados pagamentos questionados pela fiscalização, no montante de R$24.220,00. Referido valor corresponde a aproximadamente 30% (trinta por cento) dos rendimentos líquidos, sendo relevante em seu orçamento. Entretanto, nenhum laudo ou exame foi apresentado a fim de justificar a necessidade desses elevados dispêndios com despesas médicas. O ordenamento legal permite que o contribuinte realize pagamentos em moeda corrente e, por seu turno, os beneficiários desses são orientados a aceitálos. Só que, mesmo esse modal de cumprimento de obrigações permite comprovação, uma vez que, em razão dos valores envolvidos, não há como compreender que não ocorreriam saques coincidentes, ou aproximados, em datas e valores aos indicados nos recibos de despesas médicas. De fato, no caso em exame, apesar dos valores despendidos, nenhuma transferência de recursos da autuada para os prestadores dos serviços médicos foi comprovada. O interessado não logrou trazer aos autos elementos hábeis de prova para corroborar sua assertiva de que efetivamente houve o atendimento profissional alegado, bem como efetuado os pagamentos decorrentes. Restringese a repisar argumentos que já haviam sido analisados com muita propriedade no acórdão recorrido, cujos fundamentos indicados no voto condutor (fls. 45/49) estão em consonância com reiterados pronunciamentos deste Colegiado acerca da matéria. Vale ressaltar que na apreciação da prova o julgador é livre para formar a sua convicção, desde que apresente as razões que o levaram a decidir de determinada maneira, como ocorreu no presente caso, de modo a possibilitar o exercício do direito de defesa perante o Órgão julgador ad quem. Quando as deduções pleiteadas são elevadas, não basta o interessado apresente recibos ou declarações, que não comprovam o fato declarado, conforme dispõe o artigo 368 do Código de Processo Civil. Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Conforme afirmado na decisão recorrida, os recibos ainda que revestidos de todas as formalidades, não possui valor probante absoluto. A apresentação de recibos tem potencialidade probatória relativa e esta deve ser limitada por todos os elementos de convicção coletados pelo Auditor Fiscal no decorrer da ação fiscal. Confirase o excerto (fl. 48): Há de se salientar ainda que conspira em desfavor do contribuinte, outros elementos de convicção a esta instância julgadora, como por exemplo, o fato de que ocorreram lançamentos em vários anoscalendário, sempre com glosa de despesas médicas, despesas com mais de um psicólogo no mesmo ano e todos os anos, enfim, demonstram tratar de gastos contumazes de valores expressivos para os rendimentos declarados pelo contribuinte. Estas considerações objetivam analisar a matéria de forma ponderada, de acordo com a especificidade de cada caso. A glosa efetuada pela fiscalização, por seus fundamentos (fl. 11) permanece incólume. Não se trata de exigências descabidas ou ilegais, ou ônus indevido para o contribuinte, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas as Fl. 72DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10855.000075/200930 Acórdão n.º 210101.141 S2C1T1 Fl. 66 5 deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, devendo o contribuinte apresentar elementos de prova do efetivo desembolso dos valores e efetiva prestação dos serviços. Para a situação revelada no caso em exame há que se comungar com o posicionamento expresso nas ementas dos Acórdãos da CSRF e do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, abaixo colacionadas, dentre muitas outras, na mesma linha de entendimento: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 011.458) IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1º CC 10416647/1998)” Em face ao exposto, nego provimento recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 73DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 35358.001129/2006-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/01/2005
Ementa: AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. INDÚSTRIA MOVELEIRA. IMPOSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO COMO AGROINDÚSTRIA.
Conforme previsto no art. 22A da Lei n 8.212, a agroindústria é o produtor rural que industrializa produção própria. Não se pode confundir a indústria que passa a produzir sua matéria prima; com o produtor rural que passa a industrializar sua produção. Somente este último está amparado pelo artigo 22A.
Indústria moveleira não pode se enquadrar como agroindústria.
JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE.
A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei nº 11.941, aplica-se o art. 35 da
Lei n º 8.212 com a nova redação.
No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de
Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2302-001.078
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antônio de Souza Correa
que votaram pelo provimento do recurso voluntário.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente MOVEIS WEIHERMANN SA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/01/2005 Ementa: AGROINDÚSTRIA. ENQUADRAMENTO. INDÚSTRIA MOVELEIRA. IMPOSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO COMO AGROINDÚSTRIA. Conforme previsto no art. 22A da Lei n 8.212, a agroindústria é o produtor rural que industrializa produção própria. Não se pode confundir a indústria que passa a produzir sua matéria prima; com o produtor rural que passa a industrializar sua produção. Somente este último está amparado pelo artigo 22A. Indústria moveleira não pode se enquadrar como agroindústria. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. Para lançamentos posteriores à entrada em vigor da Medida Provisória n º 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicase o art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de nº 3. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antônio de Souza Correa que votaram pelo provimento do recurso voluntário. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior e Wilson Antônio de Souza Correa. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35358.001129/200673 Acórdão n.º 230201.078 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, bem como as devidas pelos segurados, cujos valores foram declarados em GFIP e/ou constavam em folhas de pagamento, referente ao período compreendido entre as competências agosto de 2004 a janeiro de 2005, fls. 04 a 15. Segundo a fiscalização previdenciária a sociedade empresária enquadrouse indevidamente como agroindústria. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 464 a 493. A Delegacia da Receita Previdenciária proferiu a decisão de fls. 771 a 778, que confirmou a procedência do lançamento. Não concordando com a decisão do órgão fazendário, foi interposto recurso, conforme fls. 780 a 828. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: I. A presente NFLD deve ser sobrestada até o julgamento final do pedido de restituição; II. Somente após o trânsito em julgado do pedido de restituição é que poderia ter sido realizado o presente lançamento; III. Parte do lançamento já foi atingida pela fluência do prazo decadencial; IV. Em consulta formulada em 2004 foi reconhecido o enquadramento da recorrente como agroindústria; V. A recorrente é produtora rural; parte da madeira é oriunda de suas próprias florestas; VI. Não há um percentual mínimo de industrialização própria para que haja enquadramento como agroindústria; VII. As atividades são exercidas no mesmo estabelecimento; VIII. Conforme registros contábeis, a recorrente industrializou a produção própria; IX. É ilegal a aplicação da taxa Selic; X. Requerendo provimento ao recurso interposto. Apresentadas contrarazões pela Receita Previdenciária às fls. 877 e 878, pugnando pela manutenção da decisão recorrida. Às fls. 879 a 882, a recorrente informa que obteve decisão favorável no pedido de restituição. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 É o relato suficiente. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35358.001129/200673 Acórdão n.º 230201.078 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 877. Pressuposto superado, passo para o exame das questões preliminares ao mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO: Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma não deve ser reconhecida. O lançamento foi realizado em 2006 e abrangeu fatos geradores ocorridos entre agosto de 2004 e janeiro de 2005; portanto dentro do quinquênio. Ao contrário do que afirma a recorrente, a presente NFLD não deve ser sobrestada até o julgamento final do pedido de restituição. O pleito restituitório envolveu as competências até julho de 2004, e a presente NFLD somente as contribuições após agosto de 2004, inclusive. Portanto, sendo períodos distintos não há relação de prejudicialidade. Desse modo, também não merece guarida o argumento recursal de que somente após o trânsito em julgado do pedido de restituição é que poderia ter sido realizado o presente lançamento. Mesmo porque o pedido de restituição não é causa interruptiva do lapso decadencial para realização do lançamento. A consulta vincula o órgão fazendário desde que os fatos narrados no processo de consulta correspondam à realidade. Caso os pressupostos de fato sejam os mesmos, bem como o direito aplicável; por uma questão de segurança jurídica há que serem respeitados os termos da consulta. Ao contrário do afirmado tanto na consulta quanto no recurso voluntário, a recorrente não se enquadra como agroindústria. Para tal enquadramento é imprescindível que haja industrialização de produção própria, conforme previsto no art. 22 A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme relatório fiscal às fls. 58 a 81 não houve industrialização de produção própria no período objeto do lançamento. Nos documentos colacionados pela recorrente não é possível identificar as áreas de reflorestamento nas notas fiscais de entrada de madeira própria. Não houve qualquer lançamento de baixa, nas 10 contas de Reflorestamento Próprio, em contrapartida com a entrada da madeira no estoque. De acordo com a informação fiscal, a contabilização foi feita na conta "Transitória de Fomecedores". Não bastasse, a atividade da recorrente não pode se enquadrar como agroindustrial. O artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, assim dispõe, verbis: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) I dois vírgula cinco por cento destinados à Seguridade Social; (Iincluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) II zero vírgula um por cento para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade para o trabalho decorrente dos riscos ambientais da atividade. (Iincluído pela Lei nº 10.256, de 9.7.2001) (...) § 6º Não se aplica o regime substitutivo de que trata este artigo à pessoa jurídica que, relativamente à atividade rural, se dedique apenas ao florestamento e reflorestamento como fonte de matériaprima para industrialização própria mediante a utilização de processo industrial que modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 7º Aplicase o disposto no § 6º ainda que a pessoa jurídica comercialize resíduos vegetais ou sobras ou partes da produção, desde que a receita bruta decorrente dessa comercialização represente menos de um por cento de sua receita bruta proveniente da comercialização da produção. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Para ser enquadrada como agroindústria a empresa deve industrializar produção própria ou produção própria e de terceiros. Além disso, a norma afasta o benefício do tratamento fiscal substitutivo em qualquer fase do processo produtivo, quando a empresa se dedique apenas ao florestamento ou reflorestamento e modifique a natureza química da madeira ou a transforme em pasta celulósica. Há uma finalidade na norma em beneficiar o produtor rural que efetivamente se dedique a industrializar a sua própria produção. Conforme previsto no art. 22A da Lei n 8.212, a agroindústria é o produtor rural que industrializa produção própria. Não se pode confundir a indústria que passa a produzir sua matéria prima; com o produtor rural que passa a industrializar sua produção. Somente este último está amparado pelo artigo 22A. A recorrente é uma indústria de móveis de madeira, sendo essa a principal atividade econômica. O reflorestamento não é sua principal atividade conforme informação trazida pela fiscalização, tanto em relação ao pessoal ocupado, quanto à produção própria em relação à adquirida de terceiros. Nesse sentido já se posicionou o TRF da 4ª Região no julgamento de caso análogo, cuja ementa da Apelação em Mandado de Segurança n ° 200572000070924 foi publicada no Diário do Estado em 14 de agosto de 2007, nestas palavras: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35358.001129/200673 Acórdão n.º 230201.078 S2C3T2 Fl. 4 7 MANDADO DE SEGURANÇA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AGROINDÚSTRIA. FÁBRICA DE MÓVEIS DE MADEIRA. NÃO ENQUADRAMENTO. ART. 22A, LEI Nº 8.212/1991. LEI Nº 10.256/2001. O regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, tem por objetivo beneficiar o produtor rural que industrializa a sua própria produção ou, ainda, soma a esta a de terceiros. A atividade preponderante da impetrante é a fabricação de móveis com predominância em madeira, que além de empregar os insumos (toras, tábuas, etc.) que provêm da atividade de reflorestamento, agrega ainda outros materiais e envolve um complexo processo de industrialização de matériaprima beneficiada ou transformada, passando pela atividade moveleira. Assim sendo, não pode ser considerada como empresa agroindustrial. No mesmo sentido foi o julgado na Apelação e Reexame Necessário n ° 200671130035215, cuja ementa foi publicada no Diário do Estado em 20 de janeiro de 2010, nestas palavras: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. DECADÊNCIA. PRAZO E MARCOS TEMPORAIS. AGROINDÚSTRIA. FÁBRICA DE MÓVEIS. NÃO ENQUADRAMENTO. ART. 22A, LEI Nº 8.212/1991. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. NÃOINCLUSÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. ART. 89, § 8º, DA LEI 8212/91. POSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. 2. A decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. 3. Afastase a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. 4. Julgamento pela sistemática do art. 543C, do CPC (recurso repetitivo), do REsp nº 973.733/SC, STJ, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ Publicação em 18/09/2009. 5. O regime substitutivo previsto no artigo 22A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001, tem por objetivo beneficiar o produtor ou empresa rural que industrializa a sua própria produção ou, Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 ainda, soma a esta a de terceiros. 6. A atividade preponderante da empresa é a industrialização e exportação de móveis em madeira, que além de empregar os insumos (toras, tábuas, etc.) que provêm da atividade de reflorestamento, envolve um complexo processo de transformação de matériaprima beneficiada ou manipulada, passando pela atividade moveleira. Assim sendo, não pode ser considerada como empresa agroindustrial. 7. Interpretação restritiva que se encontra em precedentes deste Regional. 8. De acordo com o art. 28, § 9º, "p", da Lei 8212/91, não integram o salário de contribuição, para fins de incidência de contribuição social, os valores efetivamente pagos a programa de previdência complementar, desde que disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. 9. No caso concreto, a análise do contrato e termos aditivos celebrado entre a apelada e a empresa de previdência privada indica que não houve qualquer exclusão prévia da extensão dos benefícios a todos os empregados. 10. O fato de ter que a apelada (conforme contrato) informar a entidade de previdência privada dos trabalhadores que aderiram ao plano é mero procedimento funcional e não pode ser tido aprioristicamente como mecanismo de escolha ou exclusão. De outra banda, as várias declarações de empregados manifestandose pela nãoinclusão no plano de previdência privada é reforço do caráter genérico e eletivo do benefício. 11. Possível a compensação de ofício amparada no § 8º do artigo 89 da Lei 8.212/91, acrescido pelo art. 115 da Lei nº 11.196, de 21.11.2005. 12. Sentença parcialmente reformada. Pelo exposto, não há como considerar a recorrente uma agroindústria. A cobrança de juros estava prevista em lei específica da Previdência Social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35358.001129/200673 Acórdão n.º 230201.078 S2C3T2 Fl. 5 9 situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Para lançamentos realizados após a entrada em vigor da Medida Provisória nº 449, convertida na Lei n º 11.941, aplicamse os juros moratórios na forma do art. 35 da Lei n º 8.212 com a nova redação. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa. Não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2º Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n 3, nestas palavras: Súmula N º 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais As decisões proferidas pela 4ª Câmara do CRPS não vinculam esse Colegiado, haja vista as competências envolvidas serem distintas. CONCLUSÃO: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10882.003954/2003-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998,
30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA. Deve ser imediatamente aplicado o novo limite de alçada para impedir a apreciação de recurso de ofício interposto quando vigente limite anterior. Com a publicação da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, o limite de alçada para que o Presidente da Turma da DRJ recorra de ofício da decisão tomada passou de R$ 500.000,00 para R$ 1.000.000,00, o que impede o conhecimento de recurso de ofício no qual a desoneração do sujeito passivo tenha sido inferior a este novo valor.
Numero da decisão: 3201-000.630
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA. Deve ser imediatamente aplicado o novo limite de alçada para impedir a apreciação de recurso de ofício interposto quando vigente limite anterior. Com a publicação da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, o limite de alçada para que o Presidente da Turma da DRJ recorra de ofício da decisão tomada passou de R$ 500.000,00 para R$ 1.000.000,00, o que impede o conhecimento de recurso de ofício no qual a desoneração do sujeito passivo tenha sido inferior a este novo valor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Presidente MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Daniel Mariz Gudino e Maria Regina Godinho de Carvalho (Suplente), Luciano Lopes de Almeida Moraes, ausente justificadamente Judith do Amaral Marcondes Armando. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Fl. 313DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM Processo nº 10882.003954/200309 Acórdão n.º 320100.630 S3C2T1 Fl. 295 2 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Tratase do Auto de Infração à legislação da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cotins, lavrado contra a contribuinte acima qualificada, para constituir o crédito tributário no valor de RS 367.253,85, com a exigência da contribuição, multa de oficio e juros de mora cabíveis até a data da lavratura, devido à apuração das seguintes irregularidades assim descritas no Termo de Verificação Fiscal, de fis. 76/77, peça integrante da autuação principal: "INFORMAÇÕES PRELIMINARES A presente ação fiscal foi iniciada em atendimento ao programa de fiscalização denominado ROTEIRO PADRÃO — PESSOA JURÍDICA. Tratase de SEGUNDO EXAME, visando a esclarecer se o contribuinte reúne as condições necessárias para ser enquadrado na modalidade de "CONSORCIO". PROCEDIMENTOS REALIZADOS 1' Em 30 de julho de 2003, lavramos o Termo de Início de Fiscalização, ocasião em que o contribuinte também tomou ciência do Mandado de Procedimento Fiscal. O mencionado Termo continha intimação para que o contribuinte apresentasse alguns elementos. 2' Após análises mais aprofundadas a respeito da forma de organização do contribuinte, concluímos que o mesmo não reúne as condições necessárias para ser enquadrado na modalidade de "CONSÓRCIO", não atendendo às condições estabelecidas pela legislação de regência e atos complementares que definem as condições mínimasexigidas para a modalidade. 3° A Secretaria da Receita Federal, esclarecendo a matéria, definiu sua posição através de reiteradas decisões a consultas a ela formuladas, ao longo dos últimos anos, tendo firmado entendimento de forma indiscrepante no seguinte sentido: Para não ser equiparado a uma pessoa jurídica comum, o consórcio deve ser constituído para e execução de um único empreendimento e ter prazo de duração determinado; Fl. 314DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM Processo nº 10882.003954/200309 Acórdão n.º 320100.630 S3C2T1 Fl. 296 3 O sujeito passivo da Cofins é a sociedade de fato formada para a exploração de múltiplos eventos, identificada como contribuinte pela legislação do Imposto de Renda; Por consórcio se denominada a sociedade não personificada, cujo objeto é a execução de determinado e específico empreendimento. Inocorrendo a unicidade do empreendimento, como também constando do contrato que é por prazo indeterminado, o acordo firmado entre as sociedades não pode ser reconhecido como de natureza consorcial. Tratase, na essência, de Sociedade de Fato; — Cabe a cada empresa consorciada, inclusive à administradora, a tributação bem como a emissão de Nota Fiscal ou Fatura, levandose em conta a participação que detém no empreendimento, sendo irrelevante, para este fim, o fato de o consórcio estar obrigado a ter inscrição própria no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ. Para confirmar estas afirmações, citamos algumas dessas decisões: Decisão SRRF/6a RF/Disit n°272, de 20 de novembro de 1998; Decisão SRRF/10ª RF/Disit n°139, de 31 de outubro de 2000; 1° Conselho de Contribuintes/l a Câmara/ Acórdão n° 101 86.540, de 18/05/1994; Decisão SRRF/8ª RF/Disit n° 171, de 10 de julho de 2000. Dispositivos Legais: Arts. 278 e 279 da Lei n°6.404, de 1976, art. 215, II, do Decreto nº 3.000, de 1999, Instrução Normativa Conjunta SRF/STN/SFC n° 04, de 1997 e Ato Declaratório (Normativo) CST n° 21, de 1984. 4° Lavramos Termo específico para constatar este fato e intimamos o contribuinte a apresentar os livros e documentos fiscais obrigatórios a uma empresa comum, revestida de personalidade jurídica. 5º O contribuinte manteve o seu entendimento de que poderia operar sob a modalidade de "CONSÓRCIO", justificando que, por este motivo, não manteve escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, bem como deixou de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal, alegando que as mesmas, assim como as declarações, foram elaboradas e apresentadas pelas consorciadas. 6º Assim sendo, não nos restou outra alternativa a não ser procedermos ao Arbitramento do Lucro com base na Receita Bruta conhecida do contribuinte, apurada através do Livro Fl. 315DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM Processo nº 10882.003954/200309 Acórdão n.º 320100.630 S3C2T1 Fl. 297 4 Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados, cujas cópias autenticadas estão sendo anexadas ao presente feito, para exigir o IRPJ e a CSLL devidos em relação ao anocalendário de 1998, bem como procedermos aos lançamentos de PIS e Cofins dos períodos de 01/1998 a 09/2003, uma vez que o contribuinte não efetuou qualquer recolhimento destes tributos em seu nome, bem como não os declarou em DCTF. 7º Os processos referentes ao PIS e à Cofins estão sendo elaborados em separado daquele que trata do IRPJ e da CSLL". 2. Cientificada dos autos de infração, em 18/12/2003, a contribuinte, por intermédio de sua advogada e bastante procuradora (Instrumento de Mandato de fls. 101), protocolizou impugnação (fls. 88/99), em 19/01/2004, oferecendo, em sua defesa, as seguintes razões de fato e de direito. 3. Preliminarmente, alega a decadência do crédito tributário ora formalizado, tendo em conta as disposições do art. 150, §4° do CTN. Transcreve jurisprudência administrativa. 4. No que tange à ilegalidade do consorcio formado pelos sócios participantes da sociedade em conta de participações, afirma não haver menção nas leis de regência, especialmente nos arts. 278 e 279 da Lei das Sociedades por Ações, a respeito da obrigatoriedade de o consórcio formarse para viabilizar a realização de um único negócio jurídico e ter tempo de duração precisamente determinado. 5. Com base em abalizada doutrina, defende que o consórcio seria uma sociedade em conta de participação, ou um contrato de investimento comum, não caracterizando uma sociedade empresária típica, tanto que despersonalizada e de natureza secreta seu ato constitutivo não precisaria ser levado a registro. Ademais, a sociedade em conta de participação não teria um capital social, liquidandose pela prestação de contas e não pela dissolução da sociedade. 6. O consórcio seria uma comunhão de esforços, no intuito de adquirir direitos e distribuir filmes com a maior abrangência territorial possível. A expressão "determinado empreendimento" contida no art. 278 da Lei das Sociedades por Ações, impõe que os contratos de participação tenham objeto delimitado, destinandose a levar a cabo empreendimento determinado, "(...) já que a constituição de um consórcio sem objeto ou com objeto genérico (tal como 'prestação de serviços', por exemplo) invadiria os campos das sociedades personificadas". 7. Aponta que o equívoco da fiscalização seria considerar que o consórcio somente poderia ter por objeto um único negócio jurídico, sendo aplicável a uma única operação de distribuição de filmes. 8. Transcreve, também, o art. 279 da Lei das Sociedades por Ações para afirmar cumprir, rigorosamente, os requisitos ali previstos, ressaltando que a legislação apenas impõe que o Fl. 316DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM Processo nº 10882.003954/200309 Acórdão n.º 320100.630 S3C2T1 Fl. 298 5 prazo de duração conste do contrato constitutivo de consórcio, o que não importaria dizer que deve ser por prazo determinado. 9. Faz juntar aos autos outros contratos de consórcio a fim de corroborar que a regra seria no sentido diverso do entendimento do Fisco, ou seja: o objeto do contrato seria meramente determinável e o prazo de duração indeterminado. 10. No que tange à ilegalidade da sistemática de arbitramento dos lucros, ressalta ter a fiscalização ignorado que, nos consórcios, as receitas seriam repassadas aos sócios participantes, que seriam incumbidos de efetuar os devidos recolhimentos de tributos. Ao proceder ao presente arbitramento teria a fiscalização desconsiderado que os tributos ora exigidos já teriam sido objeto de declaração, cálculo e recolhimento pelas empresas consorciadas. Nas palavras da defesa: "(..) a eleição dos dados constantes dos livros de notas de serviços, em absoluto detrimento do conteúdo das declarações e dos comprovantes de recolhimento de tributos levados a cabo pelos consorciados, demonstra a evidente inadequação dos meios de apuração empregados pela Fiscalização (..)" 11. Reitera, mais uma vez, que a situação fática e jurídica impunha uma investigação complementar sobre as declarações, documentos contábeis e comprovantes de recolhimento dos tributos, em poder dos sócios participantes, configurandose despropositada a autuação baseada apenas e tãosomente nas informações dos Livros de Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados. E conclui: "Deveria a Fiscalização, repitase, ao menos ter intimado os consorciados para que estes comprovassem o tratamento contábil fiscal dado aos ingressos decorrentes das receitas auferidas pelo Impugnante, evitandose, com isso, que a mesma exigência fiscal fosse imposta duas vezes às mesmas pessoas, como acabou ocorrendo no caso concreto". 12. Argúi ainda que a impropriedade da sistemática de arbitramento adotada pela fiscalização revelase na medida em que se confrontam os valores autuados e os recolhidos por uma das empresas consorciadas, Cannes Produções S/C Ltda., com participação de 66% no capital da Impugnante até junho de 1999, e com 90% do capital, a partir de então, decorrentes da integral declaração das receitas advindas do consórcio. 13. Questiona assim o arbitramento dos lucros e a desconsideração dos recolhimentos efetuados pelas entidades consorciadas. 14. Requer o cancelamento da exigência. 15. Em 03 de setembro de 2004, esta Segunda Turma de Julgamento da DRJCampinas, por meio da Resolução n° 449 (fls. 253/255), converteu o julgamento em diligência, para que a autoridade responsável pelo lançamento, mediante análise da Fl. 317DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM Processo nº 10882.003954/200309 Acórdão n.º 320100.630 S3C2T1 Fl. 299 6 escrituração comercial e fiscal do consórcio e das empresas consorciadas, verificasse: 1. se os valores das notas fiscais discriminadas na escrituração do livro Registro de Notas Fiscais de Serviços Prestados (cópias de fls. 070/080), foram contabilizadas como receitas nos livros Diário e Razão das empresas consorciadas; 2. se as receitas relativas às notas fiscais em questão, e escrituradas pelas consorciadas, foram regularmente oferecidas à tributação, tendo integrado o lucro líquido, para fins de apuração do lucro real, ou o lucro presumido, dependendo da sistemática de tributação adotada pela empresa consorciada. 16. Em Relatório Final de Diligência, datado de 16 de abril de 2005 (fls. 271/274), com base em demonstrativos, na escrituração comercial apresentada pelas consorciadas, relativas ao período de 1998 a 2003, e demais documentação colocada à disposição notas fiscais de saída, livros Diário e Razão do consórcio; Darf, DIPJ, DIRF e DCTF das consorciadas, concluiu o agente fiscal responsável pelo feito que "as Receitas auferidas pelo Consórcio foram integralmente contabilizadas, sendo oferecidas à tributação pelas empresas Consorciadas, na proporção da participação de cada uma no Consórcio". E ainda: "Assim sendo, s.m.j., encerramos os trabalhos de diligência fiscal concluindo que as receitas do Consórcio foram oferecidas à tributação, tendo integrado o lucro liquido, para fins de apuração do lucro real, ou o lucro presumido, dependendo da sistemática de tributação adotada por cada empresa Consorciada, assim como informados em DCTFs os valores devidos a título de PIS e Cofins". 17. Tendo sido reaberto o prazo de impugnação, não foram apresentadas novas razões de defesa. A decisão recorrida julgou improcedente o lançamento impugnado. Adotando a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/01/1998, 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998, 30/06/1998, 31/07/1998Ementa: Consórcio de Empresas. Requisitos. Empreendimento Determinado. Descaracterização. O objeto do consórcio deve ser necessariamente identificado e limitado, sob o risco de configuração de uma sociedade de fato. A distribuição,produção e coprodução devídeos, filmes em vídeo, cinema ou televisão não pode ser % caracterizada como Fl. 318DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM Processo nº 10882.003954/200309 Acórdão n.º 320100.630 S3C2T1 Fl. 300 7 um empreendimento determinado, para fins de respaldar a constituição de um consórcio de empresas nos termos da legislação comercial. É necessário que o empreendimento seja determinado quanto ao contrato ou negócio jurídico especificamente envolvido. Consórcio de Empresas. Requisitos. Definição de Obrigações e Responsabilidade de Cada Consorciada. Descaracterização. Os consórcios formam centros autônomos de relações jurídicas entre as sociedades consorciadas, devendo cada uma delas ter função diversa e identificada quanto aos meios, recursos e aptidões. Para a constituição regular de consórcio de sociedades, nos termos da legislação em vigor, é necessária a definição, nas cláusulas contratuais, das obrigações e responsabilidades de cada sociedade consorciada, e das prestações específicas. Descaracterização do Consórcio. Efeitos Fiscais. Não basta a demonstração de que um agrupamento de empresas não se subsume às normas jurídicas aplicáveis aos consórcios. É necessário que, em se verificando a irregularidade na forma de constituição do grupo, ao considerar a entidade consorciai como uma sociedade de fato, seja demonstrado o prejuízo ao Erário decorrente da forma de organização indevidamente utilizada pelo empreendimento. Na ausência de um aprofundamento do trabalho de fiscalização para a verificação do real prejuízo ao Erário decorrente da forma consorcial indevidamente adotada pelo empreendimento, cumpre reconhecer que a manutenção do presente lançamento implicaria em duplicidade de exigências sobre fatos já oferecidos à tributação pelas consorciadas. Lançamento Improcedente Tendo sido ultrapassada a alçada de julgamento vigente à época da decisão de primeira instância foi interposto recurso de ofício, na forma do disposto no artigo 34 do Decreto nº 70.235/72. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria nº 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. Fl. 319DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM Processo nº 10882.003954/200309 Acórdão n.º 320100.630 S3C2T1 Fl. 301 8 Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator, Relator Deixo de conhecer deste recurso, pois o valor exonerado pela decisão de primeira instância é inferior ao valor de alçada atualmente vigente, conforme se extrai do demonstrativo do crédito tributário constante da decisão recorrida (fls. 278). Com a edição da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, o limite de alçada para que o Presidente da Turma da DRJ recorra de ofício da decisão tomada passou de R$ 500.000,00 para R$ 1.000.000,00, com a revogação expressa da Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. É o seguinte o texto da nova Portaria: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e no § 3º do art. 366 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, com a redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.224, de 4 de outubro de 2007, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Observo que valor exonerado no presente processo, conforme consta da própria decisão recorrida, tem valor de RS 367.253,85, estando dentro do limite de alçada e desautorizando o recurso de ofício, que, como conseqüência, não deve ser conhecido por este Colegiado. Neste sentido é a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes: EXERCÍCIO: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REEXAME NECESSÁRIO LIMITE DE ALÇADA AMPLIAÇÃO CASOS Fl. 320DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM Processo nº 10882.003954/200309 Acórdão n.º 320100.630 S3C2T1 Fl. 302 9 PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF nº. 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). Recurso de Ofício não conhecido. (Recurso nº 165.003, Quarta Câmara do Primeiro Conselho, unânime, relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Anocalendário: 1998 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO DE OFÍCIO LIMITE DE ALÇADA Não se conhece de recurso de ofício interposto em decisão que exonera o sujeito passivo de crédito tributário (tributo e multa) inferior ao limite de alçada previsto no artigo 34, I, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas por meio da Lei nº 9.532/97 e Portaria MF nº 03/2008. Recurso de Ofício Não Conhecido. (Recurso nº 152.384, Oitava Câmara do Primeiro Conselho, unânime, relator Conselheiro Nelson Lósso Filho) RECURSO DE OFÍCIO ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA TEMPUS REGIT ACTUM RETROATIVIDADE LEGÍTIMA É legítima a aplicação do novo limite de alçada para impedir a apreciação de recurso de ofício interposto quando vigente limite inferior. Retroatividade legítima que não fere qualquer direito consolidado, pois a alteração do limite para maior é feita pela própria administração, única interessada na apreciação do recurso. (Recurso de Ofício). Recurso de ofício não conhecido por falta de objeto. (Recurso nº 151.280, Quinta Câmara do Primeiro Conselho, unânime, relator Conselheiro José Carlos Passuello – transcrição parcial) Desta forma, VOTO por não conhecer do recurso de ofício. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA Relator Fl. 321DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM Processo nº 10882.003954/200309 Acórdão n.º 320100.630 S3C2T1 Fl. 303 10 Fl. 322DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/05/2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 05/05/ 2011 por MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 25/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAM ORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000703/2005-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2001
COOPERATIVA ATOS
COOPERATIVOS . NÃO INCIDÊNCIA DA CSLL.
A cooperativa tem regime jurídico próprio no tratamento legal concedido sobre os resultados decorrentes dos atos cooperativos, não se subsumindo à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689/88.
Numero da decisão: 1202-000.521
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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MEDICO REGIAO ALTO IRANI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 COOPERATIVA ATOS COOPERATIVOS . NÃO INCIDÊNCIA DA CSLL. A cooperativa tem regime jurídico próprio no tratamento legal concedido sobre os resultados decorrentes dos atos cooperativos, não se subsumindo à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689/88. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Jorge Celso Freire da Silva e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Fl. 371DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 10925.000703/200582 Acórdão n.º 120200.521 S1C2T2 Fl. 2 2 Trata o presente de Auto de Infração relativo a CSLL, anocalendário de 2001, bem como multa proporcional de 75% e juros de mora lavrado em face do contribuinte em razão deste excluir da tributação da CSLL o resultado dos atos cooperativos. O Auto de infração teve por origem a revisão da DIPJ apresentada pelo contribuinte em que se constatou a falta de recolhimento da CSLL apurada a menor. Inconformada com o lançamento o contribuinte apresentou impugnação em que sustenta serem isentos da CSLL os resultados dos atos cooperativos, em razão de a cooperativa não visar “lucro”. Alega a aplicação diferenciada do principio da isonomia, segundo o qual esta se constituiria em tratar distintamente os diferentes, sempre com fundamento nas normas legais: não constituindo as sobras lucro, não podem ser tributados como se o fossem. Por fim referese à necessidade de revisão do lançamento por ter a fiscalização autuado sem a observância da distinção existente entre as origens de Receitas do Contribuinte, com base de cálculo divergente, bem como a utilização de alíquota apropriada para cada caso de receita, invocando o artigo 149, VIII do CTN. Diante dos argumentos apresentados pelo contribuinte em sua impugnação a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, Santa Catarina, proferiu a seguinte decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001 COOPERATIVA. ATOS COOPERATIVOS E NÃO COOPERATIVOS. TRIBUTAÇÃO. Até 31 de dezembro de 2004, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL é devida por todas as sociedades cooperativas e incide sobre todos os seus resultados, sejam eles relativos às operações com associados ou não (Lei IV 8.212, de 1991, art. 10; Lei n 7.689, de 1988, art. 4, e IN SRF n 198, de 1988; Lei n° 10.865, de 30/4/2004). Lançamento Procedente O contribuinte tomou ciência desta decisão em 14 de março de 2008, e não se conformando, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese que o resultado positivo derivado do ato cooperativo não é lucro, e, portanto, não integra a base de cálculo da CSLL. Para tanto se socorre em decisões do Conselho de Contribuintes. Alega ser dever da Administração Pública aplicar o Direito Positivo vigente nos julgamentos de sua competência, inclusive com a análise de possível inconstitucionalidade das leis, sendo assim possível a declaração de inconstitucionalidade no âmbito do Poder Executivo. Para sustentar sua tese, se socorre a doutrina de Ives Gandra Martins, Moisés Akselrad e Marçal Justen Filho. Defende amplamente que a Constituição da Republica expressamente institui um tratamento diferenciado às cooperativas (CF, art. 146, III, “c”), lhes incentivando, Fl. 372DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 10925.000703/200582 Acórdão n.º 120200.521 S1C2T2 Fl. 3 3 estimulando e delegando ao ato cooperativo um especial tratamento tributário, como corolário do princípio da isonomia. Expõe que diante do preceito constitucional, a norma tributária deve ser especial quanto ao ato cooperativo, entende que se a atividade cooperativa deve ser apoiada e incentivada, sendo o cooperativismo uma forma de se atingir os princípios básicos do Estado brasileiro, é de se concluir que à norma tributária é vedado instituir tratamento prejudicial ao ato cooperativo, em especial se comparado ao ato não cooperativo. Ressalta que as cooperativas não possuem fins lucrativos, não havendo distribuição de resultados líquidos, em regra. Quando ocorre a distribuição é feita proporcionalmente às operações efetuadas pelos associados não guardando qualquer relação com o conceito de lucro. Destaca neste ponto a diferença entre ato cooperativo e ato não cooperativo. Ao final, requer sejam acolhidos seus argumentos para julgar improcedente o Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno O recurso voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. A controvérsia principal do processo diz respeito em saber se o resultado do exercício, originado das receitas com “atos cooperativos” daquelas sociedades criadas sob a regência da Lei nº 5.764, de 1971, está sujeito à incidência da CSLL. Depreendese que o lançamento decorreu da falta de recolhimento da CSLL informada na DIPJ/2002, cujos valores a autuada deixou de informar na declaração DCTF, originando a presente autuação. Já a recorrente afirma que auferiu resultado de “atos cooperativos”, os quais se encontram fora do campo de incidência da CSLL. Incontroverso, portanto, que se está tratando daquelas receitas típicas das atividades cooperativistas. Inicialmente, cabível a transcrição do art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, norma legal que criou a CSLL na forma prevista no art. 195 da Constituição Federal de 1988: Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. De acordo com os dispositivos transcritos, verificase que a hipótese de incidência da CSLL é a existência de “lucro”, apurado de acordo com o resultado do exercício da pessoa jurídica. Fl. 373DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 10925.000703/200582 Acórdão n.º 120200.521 S1C2T2 Fl. 4 4 Já as sociedades cooperativas foram disciplinadas pela Lei nº 5.764, de 1971, estatuto legal que definiu a Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico dessas sociedades. O legislador, à época da edição da lei, quis dar um tratamento especial a esse tipo de sociedade, com regramento próprio e distinto das demais pessoas jurídicas. Para melhor análise, passo à transcrição dos 3º, 4º e art. 79, parágrafo único, da Lei nº 5.764, de 1971: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que recíprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro." Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...) VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; (...) Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (negritei) Os arts. 3º e 4º da Lei nº 5.764, de 1971, estipulam claramente algumas diferenciações em relação às demais sociedades empresariais, podendose destacar que as sociedades cooperativas têm “natureza civil” e devem atuar “sem objetivo de lucro”. Por esse motivo, os dispositivos da referida lei tratam os possíveis resultados obtidos como “sobras”, não se referindo, em nenhum momento, no auferimento de “lucros”. Além disso, o “ato cooperativo” não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produtos ou mercadorias, como explicitado no próprio art. 79, parágrafo único da lei das cooperativas, o que afasta o caráter mercantil presente nas sociedades em geral. Assim, da leitura das normas legais que regem as sociedades cooperativas depreendese que os resultados obtidos por essas sociedades, em razão dos atos cooperativos, são denominadas “sobras”, com destinação própria definidas na lei, não se subsumindo à hipótese de incidência da CSLL prevista no art. 1º da Lei nº 7.689, de 1988, que exige a ocorrência de “lucro”, termo de conteúdo diverso e bem definido em nosso ordenamento jurídico, que se relaciona à atividade mercantil. Essa matéria também encontrase pacificada no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes, conforme se depreende dos acórdãos Fl. 374DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO Processo nº 10925.000703/200582 Acórdão n.º 120200.521 S1C2T2 Fl. 5 5 CSRF/0105.674, sessão de 11/06/2007, e CSRF/0105.874, sessão de 23/06/2008, dentre outros, assim ementados: Acórdão CSRF/0105.674: CSLL — SOCIEDADES COOPERATIVAS — OPERAÇÕES COM COOPERADOS — SOBRAS LÍQUIDAS — NÃO INCIDÊNCIA — A base de cálculo da Contribuição Social é o lucro líquido ajustado. Se a fiscalização não demonstra que a cooperativa auferiu receitas em operações com não cooperados, não há lucros passíveis de incidência da contribuição, nos precisos termos dos arts. 1° e 2º da Lei n° 7.689/88, c/c os arts. 79 e III da Lei nº 5.764/71. Acórdão CSRF/0105.874 CSLL SOCIEDADES COOPERATIVAS OPERAÇÕES COM COOPERADOS SOBRAS LÍQUIDAS NÃO INCIDÊNCIA Em relação aos atos cooperativos, os resultados positivos da sociedade cooperativa não tem natureza de lucros como definido na legislação tributária e comercial, não se subsumindo a norma de incidência da contribuição social sobre o lucro. Dessa forma, por se tratar de resultados (sobras) originados de receitas relativas a “atos cooperativos”, é de se reconhecer a inaplicabilidade da incidência da CSLL exigida no Auto de Infração. Em face do exposto, voto para que seja dado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 375DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Assinado digitalmente em 24/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, 21/06/2011 por ORLANDO JOSE GONCAL VES BUENO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721711/2009-29
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2005
COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE A partir de 01.10.2002, entrando em vigor a MP
66, de 2002, dando nova redação ao artigo 74, da Lei 9.430, de 1996, deixaram de ser admitidas as compensações sem requerimento, inclusive entre tributos e contribuições da mesma espécie, ou seja, restou extinto o mecanismo da auto compensação.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA
COM A MULTA DE OFÍCIO
SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO
Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de
meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não
haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se
confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de
dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao
Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os
argumentos sobre a concomitância de multas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL
Estendese
aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada
no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os
vincula.
Numero da decisão: 1802-000.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho e o
Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito, que davam provimento parcial para afastar a multa isolada. Indicado o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor no
tocante à manutenção da multa isolada.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2005 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE A partir de 01.10.2002, entrando em vigor a MP 66, de 2002, dando nova redação ao artigo 74, da Lei 9.430, de 1996, deixaram de ser admitidas as compensações sem requerimento, inclusive entre tributos e contribuições da mesma espécie, ou seja, restou extinto o mecanismo da auto compensação. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2317; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 312 1 311 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.721711/200929 Recurso nº 883.937 Voluntário Acórdão nº 180200.946 – 2ª Turma Especial Sessão de 02 de agosto de 2011 Matéria IRPJ E CSLL Recorrente AGROSERVICE SEGURANÇA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE A partir de 01.10.2002, entrando em vigor a MP 66, de 2002, dando nova redação ao artigo 74, da Lei 9.430, de 1996, deixaram de ser admitidas as compensações sem requerimento, inclusive entre tributos e contribuições da mesma espécie, ou seja, restou extinto o mecanismo da auto compensação. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. Além disso, não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Relator Marco Antonio Nunes Castilho e o Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito, que davam provimento parcial para afastar a multa Fl. 312DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.721711/200929 Acórdão n.º 180200.946 S1TE02 Fl. 313 2 isolada. Indicado o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor no tocante à manutenção da multa isolada. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marcelo Baeta Ippolito e Marco Antonio Nunes Castilho. Ausente justificadamente o Conselheiro André Almeida Blanco. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.721711/200929 Acórdão n.º 180200.946 S1TE02 Fl. 314 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (“DRJ/BSB”), que julgou improcedente a Impugnação da Contribuinte, ora Recorrente. Em 4/07/2009, a Recorrente foi intimada, por meio do Termo de Intimação Fiscal (“TIF”) nº 80/09 (fls. 62/68), a apresentar documentos societários e indicar representante legal para acompanhamento da ação fiscal, bem como a: a) Justificar e comprovar, por meio de documentação hábil, divergências encontradas entre os valores de IRPJ e CSLL a pagar informados nas fichas 11, 12A, 16 e 17, da DIPJ/2006 e os débitos dos mesmos períodos declarados em DCTF; b) Apresentar cópias autenticadas dos Livros Diários e Razão nas quais constassem os registros das provisões do IRPJ e CSLL utilizados para o preenchimento das mencionadas declarações; c) Apresentar Balanço Patrimonial do ano de 2008 e Balancete levantado em dezembro do mesmo ano; e, d) Informar se a Recorrente era parte em algum processo de consulta perante a RFB cujo objeto fosse a incidência do IRPJ e CSLL, ou processo judicial questionando a exigibilidade destes tributos no anocalendário de 2005. Em 13/07/2009, a Recorrente apresentou os documentos e informações requisitados (fls. 79/136), tendo informado, quanto à indagação do item “a”, que: a) Os valores de IRPJ devidos no anocalendário de 2005, exercício de 2006, foram compensados com os valores de IRRF retidos na emissão de notas fiscais efetuadas mês a mês, sendo que a Recorrente já possuía um crédito de IRRF referente ao anocalendário de 2004, de R$ 159.213,84, conforme balancete analítico apresentado. Assim, por equívoco, este saldo não foi informado na Ficha 12A da DIPJ/2006, o que gerou a diferença a pagar. Apresentou, a comprovar suas alegações, relatório de apuração do IRPJ naquele período. b) Quanto à CSLL, a Recorrente informou não haver declarado, na Ficha 16, linha 05, nos meses de fevereiro de 2005 a dezembro de 2005, o valor da contribuição devida nos meses anteriores, gerando uma diferença a recolher. Em relação ao mês de janeiro, o valor devido foi recolhido com os acréscimos devidos em fevereiro. Na Ficha 17, não foi declarado o valor da CSLL retida na emissão de notas fiscais de prestação de serviços, no montante de R$ 135.714,58, assim como o valor pago de R$ 10.178,06, referentes ao período de fevereiro de 2005 a julho de 2005. Em 24/07/2009, a Fiscalização intimou a Recorrente, por meio do TIF nº 91/2009 (fls. 137/141), a apresentar justificativas e documentos a seguir relacionados: Fl. 314DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.721711/200929 Acórdão n.º 180200.946 S1TE02 Fl. 315 4 a) Tendo em vista que havia indicação, na DIPJ/2006, de que as estimativas mensais foram apuradas pela Receita Bruta e a Recorrente ter apresentado, na resposta ao TIF nº 80/2009, demonstrativos de apuração do IRPJ e CSLL que indicavam a apuração com base em balanços de suspensão, informar a forma de apuração efetivamente adotada; b) Apresentar cópias autenticadas das folhas dos Livros Diários e Razão, nas quais constassem as rubricas contábeis, 2.1.1.9.01.0001 – PROVISÃO P/ IMPOSTO DE RENDA e 2.1.1.8.01.0001 – PROVISÃO P/ CONTRIB. SOCIAL, assim como a rubrica utilizada para o registro de incentivos ficais consignados na DIPJ; c) Apresentar cópias autenticadas dos TERMOS DE ABERTURA E ENCERRAMENTO do Livro Diário, contendo o seu número de registro nos órgãos competentes; d) Justificar as divergências encontradas quanto aos valores de TRIBUTOS RETIDOS NA FONTE, contidos nos documentos fornecidos à fiscalização e os encontrados na escrituração contábil da Recorrente; e) Apresentar cópias autenticadas dos documentos que comprovam as retenções sofridas por ela no mês de Janeiro de 2005. Em resposta datada de 27/07/2009 (fls. 142/189), a Recorrente apresentou a documentação requisitada, bem como as seguintes justificativas: a) O preenchimento da DIPJ/2006 deuse equivocadamente, sendo certo que a forma de apuração adotada foi pelo Balanço de Suspensão; b) O valor dos TRIBUTOS RETIDOS NA FONTE contém saldos remanescentes do ano anterior. Por meio do TIF nº 118/2009 (fls. 190/198), a Fiscalização intimou a Recorrente, em 05/09/2009, a apresentar as DCTF retificadoras dos períodos em questão, incluindo somente os valores pagos e ainda não declarados. No referido Termo de Intimação, foi consignado que a Recorrente havia feito a transferência de créditos de IRRF e CSLL retida na Fonte de períodos anteriores para reduzir o saldo de estimativas a pagar, procedimento este vedado pela legislação e a intimou a manifestarse sobre os valores apurados como indevidamente compensados. Em resposta a este TIF (fls. 199/246), a Recorrente apresentou, em 09/09/2009, a DCTF retificadora, conforme requisitado, e perguntou sobre a possibilidade de proceder à compensação dos tributos naquele momento, mediante a apresentação de PER/DCOMP. Ato subseqüente, a Fiscalização lavrou Auto de Infração (“AI”) em que desconsiderou a transferência de créditos de IRRF e CSLL Retida da Fonte efetuada pela Recorrente promoveu o lançamento da diferença de IRPJ e CSLL apurada, com a aplicação de multa de ofício de 75%. Ademais, aplicou a multa isolada de 50% pelo recolhimento insuficiente de estimativas no decorrer do anocalendário de 2005 (fls. 247/277). Fl. 315DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.721711/200929 Acórdão n.º 180200.946 S1TE02 Fl. 316 5 Regularmente intimada da lavratura do AI em 19/09/2009, a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 280/281) em 29/10/2009, na qual defende que, diante da efetiva existência dos créditos de IRRF e CSLL Retida na Fonte, a Fiscalização deveria ter homologado a compensação efetuada. Alegou que a Instrução Normativa SRF (“IN/SRF”) nº 600/2005 não poderia ser aplicada ao caso, uma vez que a Lei Tributária não poderia retroagir para prejudicar o contribuinte. Por fim, argumentou que a multa isolada não pode ser aplicada cumulativamente com a multa de ofício, sob pena de indevida aplicação de bis in idem, sobre o mesmo fato. A 2ª Turma da DRJ/BSB julgou a Impugnação inteiramente improcedente, em decisão assim ementada: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ AnoCalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO. TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. A partir de 01/01/2002, entrando em vigor Medida Provisória nº 66/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/2002, dando nova redação ao artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, deixaram de ser admitidas as compensações sem requerimento, inclusive entre tributos e contribuições da mesma espécie, ou seja, restou extinto o mecanismo da auto compensação. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA DIVERSA. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” Ciente da decisão em 05/03/2010, a Recorrente protocolou Recurso Voluntário em 01/04/2010, no qual alega que a exigência de preenchimento do PER/DCOMP é inconstitucional, uma vez que tal obrigação acessória foi criada por Instrução Normativa. Ainda, afirma que a IN/SRF nº 600/2005, por ser posterior às compensações efetuadas, não poderia retroagir. Ademais, afirma que a compensação informada na DIPJ comprova a existência dos créditos, compensados conforme a Lei nº 8.383/91. Por fim, a Recorrente argumenta pela impossibilidade de aplicação cumulativa da multa isolada e da multa de ofício. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.721711/200929 Acórdão n.º 180200.946 S1TE02 Fl. 317 6 Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. Este é o Relatório, passo a decidir. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.721711/200929 Acórdão n.º 180200.946 S1TE02 Fl. 318 7 Voto Vencido Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Sobre a alegação de inconstitucionalidade da norma instituidora do PER/DCOMP, é mister observar que ao CARF é defeso apreciar tal espécie de argumentação, como já reiteradamente decidido e objeto da edição de Súmula por este Colegiado. Vejase o enunciado da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, a exigência de que o procedimento de compensação de créditos tributários seja efetivado apenas com efetiva declaração à RFB, no caso, por meio do programa PER/DCOMP, não contém qualquer irregularidade. Com efeito, o artigo 170 do CTN dispõe que “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” (grifos nossos). O legislador, por sua vez, ao disciplinar a compensação de créditos tributários federais, por intermédio do art. 74 da Lei nº 9.430/96, posteriormente alterado pela Lei nº 10.637/02, assim dispôs: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)” (grifos nossos) Ou seja, ao contrário do quanto alegado pela Recorrente, a exigência da entrega de declaração formalizando a compensação de créditos tributários com débitos vincendos está estipulada por Lei, cuja eficácia é anterior às compensações irregularmente efetuadas. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.721711/200929 Acórdão n.º 180200.946 S1TE02 Fl. 319 8 Adicionalmente, a exigência de que a Declaração de Compensação seja efetivada por meio do programa PER/DCOMP foi instituída em 2004, por meio da IN/SRF nº 460, de 18/10/2004. Desta forma, não há que se falar em retroatividade das normas que regulam a compensação, e que não corroboram o procedimento adotado pela Recorrente. O lançamento efetuado é, portanto, inatacável neste sentido, bem como a aplicação da multa de ofício de 75%. Quanto à aplicação concomitante de multa de ofício com multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais, deve ser acolhida a insurgência da Recorrente. Com efeito, a aplicação conjunta destas multas não pode subsistir. A multa isolada, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/96 tem por objetivo compelir o contribuinte ao pagamento mensal das antecipações do IRPJ e CSLL que será potencialmente devido ao final do anocalendário, quando será apurado o quantum definitivo. Ou seja, a aplicação da multa isolada somente é cabível durante o anocalendário referente às antecipações. Com a apuração do valor definitivamente devido, somente a multa de ofício, sobre este valor, pode incidir. Neste sentido, é vasta a jurisprudência desta casa. Vejamos: “APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo.” (CSRF 1ª Turma, Acórdão nº 9101 00.281, DOU 24/08/2009) “ESTIMATIVA MENSAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA ISOLADA. A multa isolada constante no art. 44 da Lei n" 9.430/96 tem como objetivo obrigar o sujeito passivo ao recolhimento mensal de antecipações de um possível imposto de renda e contribuição devidos ao final do anocalendário, de modo que a penalidade somente se justifica quando cobrada durante aquele anocalendário. Ao final do exercício, desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), surgindo uma nova base, que corresponde à contribuição efetivamente apurada, cabendo tãosomente a cobrança da multa de oficio, que é devida caso a contribuição não seja paga no seu vencimento e apurada exofficio E se inexiste saldo de contribuição a pagar, sequer a base de cálculo da multa de oficio persistirá.” (CSRF 1ª Turma, Acórdão nº 910100.634, DOU 06/07/2010) Fl. 319DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.721711/200929 Acórdão n.º 180200.946 S1TE02 Fl. 320 9 Ante o exposto, voto no sentido de dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para o fim de excluir a multa isolada aplicada, mantendose o lançamento efetuado e a multa de ofício aplicada. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 320DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.721711/200929 Acórdão n.º 180200.946 S1TE02 Fl. 321 10 Voto Vencedor Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto à multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas mensais. Cabe primeiramente registrar que a previsão dessa penalidade está contida no art. 44 da Lei 9.430/1996, e que ela deve ser aplicada ainda que tenha sido “apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente”, conforme o inciso IV do §1º deste artigo, em sua redação original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I .......... II .......... III .......... IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Esta multa está atualmente prevista no art. 44, II, “b”, da mesma lei, conforme as alterações promovidas pela Lei nº 11.488/2007, e fixada em 50%, percentual que já foi aplicado no caso em exame. Não vislumbro outra interpretação possível para a parte final do texto acima transcrito, senão a de que a referida multa deve ser exigida da pessoa jurídica ainda que esta tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.721711/200929 Acórdão n.º 180200.946 S1TE02 Fl. 322 11 Com efeito, a clareza da redação não possibilita entendimento diverso, a menos que se admita o afastamento de norma legal vigente, tarefa que não compete à Administração Tributária. Além disso, a hermenêutica jurídica ensina que se deve preferir a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade. Nesse caso, o entendimento contrário implicaria na supressão ou inutilidade de todo o adendo estabelecido pelo inciso IV acima (ainda que tenha apurado ...). Também é importante destacar que o texto legal diz “ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ....” e não “ainda que venha a ser apurado prejuízo fiscal ...”, numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. Tudo isso que se disse até aqui visa demonstrar que as estimativas mensais, de fato, configuram obrigações autônomas, que não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador de 31 de dezembro. Sua natureza jurídica, inclusive, a faz destoar totalmente do padrão traçado pelo art. 113 do CTN (que trata das obrigações tributárias), pois ela é uma obrigação que surge antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Seu pagamento, por outro lado, nada extingue, gerando apenas um registro contábil de crédito a favor do contribuinte, a ser aproveitado no futuro. Além disso, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96, essa obrigação existe mesmo que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL. Ou seja, existe ainda que não haja tributo devido. Portanto, não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido), e, sendo assim, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro. E ainda que assim não fosse, caberia assinalar que não há no Direito Tributário algo semelhante ao Princípio da Consunção (Absorção) do Direito Penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas. Deste modo, como parte das estimativas não foi efetivamente recolhida, uma vez que a Contribuinte deixou de apresentar as necessárias DCOMP para implementar as pretendidas compensações, também considero procedente a aplicação da multa isolada. Nestes termos, também em relação a essa matéria, NEGO provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 322DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10166.721711/200929 Acórdão n.º 180200.946 S1TE02 Fl. 323 12 Fl. 323DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 17/01/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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