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Numero do processo: 14479.000399/2007-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 28/04/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN. Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-000.819
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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E TRANSPORTES DE VALORES LTDA Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/04/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PECUNIÁRIA. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. No caso de lançamento de ofício, há que se observar o disposto no art. 173 do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Thiago D Avila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14479.000399/200700 Acórdão n.º 230200.819 S2C3T2 Fl. 148 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias nas competências janeiro de 1999 a maio de 2001, conforme fl. 04. Inconformada, a autuada apresentou impugnação no prazo normativo, fls. 77 a 80. A Delegacia da Receita Previdenciária emitiu a Decisão de fls. 111 a 115, mantendo a autuação na integralidade. Inconformada com a decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 118 a 125; alegando em síntese: a) Houve cerceamento do direito de defesa, pois não foi aberta a fase de produção de provas; b) Não foi dado prazo suficiente nos Tiad para apresentação de provas; c) As GFIP serão regularizadas, devendo ser relevada a multa aplicada; d) Será trazido em breve as provas que as faltas não mais persistem; e) Requerendo provimento ao recurso. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme fls. 136. Pressuposto superado, passo ao exame das questões de mérito. Quanto à análise de mérito, se houve ou não os fatos geradores, entendo que não há litígio instaurado, pois a própria recorrente reconheceu os valores devidos tendo inclusive solicitado a relevação da multa aplicada. A recorrente não discute a existência ou inexistência do fato gerador. Desse modo, não há necessidade de ser analisada a NFLD que englobou os mesmos fatos geradores. Não assiste razão à recorrente ao afirmar que teria havido cerceamento do direito de defesa, pois não teria sido aberta a fase de produção de provas. No processo administrativo cabe à notificada colacionar as provas de suas alegações. Não há irregularidade nos Tiad emitidos. O Tiad às fls. 51 e 52 foi emitido em 18 de janeiro de 2006, requisitando documentos para o dia 23 de janeiro. O Tiad às fls. 53 e 54 foi emitido no dia 3 de fevereiro, requisitando documentos para o dia 6. E por fim o Tiad à fl. 55 foi emitido no dia 26 de abril, requisitando documentos para o dia 28 de abril. De acordo com o previsto no art. 592, parágrafo 1o da Instrução Normativa INSS n º 3 de 2005, a data da apresentação da documentação pelo contribuinte será fixada dentro do prazo máximo de 10 (dez) dias, contados do dia da emissão do respectivo TIAD. Ao contrário do que afirma a recorrente, a falta de contraditório antes do lançamento não o invalida. Assim, o prazo concedido pelo AuditorFiscal para carrear a documentação não cerceou a defesa do contribuinte. A ação fiscal é um procedimento de natureza inquisitiva, logo não há contraditório na formalização do lançamento. O contraditório é conferido somente após a cientificação do contribuinte acerca do lançamento efetuado. Da mesma forma que o contraditório no direito penal é conferido somente durante a ação penal e não durante o inquérito policial. No presente caso, foi conferida ciência ao contribuinte de todos os atos lavrados pelo órgão fazendário. Quanto ao cabimento da relevação da multa teço a seguinte análise. A relevação prevista no art. 291, § 1º do RPS necessita dos seguintes requisitos: I. Pedido no prazo de defesa, mesmo que não contestada a infração; II. Primariedade do infrator; III. Correção da falta até a decisão do INSS; IV. Sem ocorrência de circunstância agravante. Art.291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14479.000399/200700 Acórdão n.º 230200.819 S2C3T2 Fl. 149 5 § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. A relevação não é faculdade da autoridade administrativa, uma vez o infrator atendendo aos requisitos do art. 291, § 1º do RPS, quais sejam: primariedade do infrator; correção da falta e sem ocorrência de circunstância agravante; surge para a autoridade o dever de relevar a multa. Contudo, essa autoridade não pode agir de ofício, é necessária a provocação da parte. Analisando os requisitos e os autos, verificase que não houve a correção da falta até a decisão do órgão previdenciário de primeira instância administrativa. O autuado não demonstrou por meio de documentação a correção das faltas. Assim, fica demonstrada a necessidade de ser identificada de maneira correta cada etapa processual, para fins de definição dos direitos que assistem aos contribuintes. Caso não seja exercido no tempo correto há a preclusão do direito. A atenuação e a relevação da multa são benefícios concedidos ao infrator, sendo uma contrapartida oferecida pela legislação previdenciária. Caso esse infrator corrija a falta, ficará responsável por um débito de menor valor, caso atenda aos demais requisitos a multa será relevada. Uma vez sendo em beneficio do infrator, é necessário que este atenda aos requisitos exigidos pela Previdência Social e na forma pelo órgão estabelecida, traduzida no Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Corroborando esse entendimento foi publicado o Parecer CJ/MPS n ° 3.194/2003, que assim dispõe: 23. Ante o exposto, este membro da AdvocaciaGeral da União, por meio desta Consultoria Jurídica, manifestase no seguinte sentido: a) o pedido de relevação da multa previsto no art. 291, § 1º, do Regulamento da Previdência Social deve ser feito no prazo de impugnação ao auto de infração lavrado pela fiscalização do INSS; b) a autoridade julgadora competente referida no caput do art. 291, citado, é aquela integrante dos quadros da autarquia previdenciária INSS. c) a multa somente será relevada na hipótese de o infrator ter corrigido a falta até decisão originária, ou seja, do órgão próprio do INSS. (grifei) Não tendo sido corrigida a falta é impossível juridicamente a relevação da multa. Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida em parte. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Contudo, em se tratando de lançamento de ofício para aplicar penalidade pecuniária, previsto no art. 149, inciso V do CTN, há que se observar sempre a regra prevista no art. 173 do CTN, incluindo o parágrafo único desse artigo. Assim, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, a fiscalização federal teria o prazo de cinco anos para notificar o contribuinte. No presente caso o lançamento foi efetuado em maio de 2006, fl. 76, pelo exposto encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2000, inclusive esta. A competência dezembro de 2000 não decaiu, pois a GFIP somente poderia ser exigida após o vencimento, ou seja em 7 de janeiro de 2001; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja, o dia 1o de janeiro de 2002, a qual findaria em 1o de janeiro de 2007. Além da decadência parcial, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14479.000399/200700 Acórdão n.º 230200.819 S2C3T2 Fl. 150 7 II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos.” (NR) Desse modo, resta evidenciado, que a conduta de apresentar a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212 de 1991. Agora, com a Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. O núcleo do tipo infracional seja na redação anterior à MP n º 449, seja com o novo ordenamento é o mesmo: apresentar a GFIP com erros. A multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Resta demonstrado, assim, que estamos diante de uma obrigação puramente formal, devendo ser aplicada a multa isolada. Não há razão para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e da acessória antes da MP n º 449 e após, para verificar qual a mais vantajosa. A análise tem que ser multa por descumprimento de obrigação principal antes e multa por tal descumprimento após; e multa por descumprimento de obrigação acessória antes e após. A análise tem que ser realizada dessa maneira, pois como já afirmado tratase de obrigação acessória independente da obrigação principal. A conduta de não apresentar declaração, ou apresentar de forma inexata, somente se subsumiria à multa de 75%, prevista no art. 44 da Lei n º 9.430, nas hipóteses em que não há penalidade específica para ausência de declaração ou declaração inexata. Para a GFIP, assim como a DCTF e a DIRPF, há multa com tipificação específica; desse modo inaplicável o art. 44. Para a GFIP aplicase o art. 32A da Lei n º 8.212 de 1991. Conforme previsto no art. 44 da Lei n º 9.430, a multa de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Desse modo, há três condutas Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 no art. 44 que não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa. Há a conduta deixar de pagar ou recolher; outra conduta é ausência de declaração, e a outra é a apresentação de declaração inexata. Logicamente, se o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; mas a despeito do pagamento não declarou em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212. Essa aplicação de multa isolada somente é possível, pelo fato de serem condutas distintas. Agora, se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Afinal, a multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo fato de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado; de fato, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não recolhe e não declara em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Como já afirmado, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, não há que se falar em bis in idem, tampouco em consunção. Pelo contrário, a lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Logo, não há consistência nos entendimentos que pretendem dispensar a multa isolada, por ter sido aplicada a multa genérica. A Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB n º 1.027 de 22 de abril de 2010 que assim dispõe em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14479.000399/200700 Acórdão n.º 230200.819 S2C3T2 Fl. 151 9 § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista.? Entendo inaplicável a referida Portaria por ser ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter pago, conforme dispõe o art. 32A da Lei n º 8.212. Uma vez que a penalidade está prevista em lei, somente quem pode dispor da mesma é o Poder Legislativo, a interpretação da Receita Federal gera a concessão de uma anistia sem previsão em lei. Nesse sentido, o art. 150, parágrafo 6º da Constituição exige lei específica para concessão de anistia. A Portaria também viola o art. 182 do CTN que exige a concessão de anistia por meio de lei. Além de violar, os artigos 32A da Lei n º 8.212 e 44 da Lei n º 9.430. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. CONCLUSÃO Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito CONCEDERLHE PROVIMENTO PARCIAL. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991, bem como há que se considerar que parte do crédito já foi atingida pela decadência. É como voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 9DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 17/02/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10552.000382/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2005
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO.
Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado
na legislação de regência.
SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. GRATIFICAÇÃO AJUSTADA.
INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Com fulcro no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.419
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2005 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo contemplado na legislação de regência. SALÁRIO INDIRETO. PRÊMIO. GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Com fulcro no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 457, § 1º, da CLT, integra o salário de contribuição, a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título aos segurados empregados, objetivando retribuir o trabalho, inclusive àqueles recebidos a título de prêmio, na forma de gratificação ajustada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 2 Elias Sampaio Freire – Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10552.000382/200763 Acórdão n.º 2401002.419 S2C4T1 Fl. 307 3 Relatório PATEO MOINHOS DE VENTO ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 7a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão nº 0216.684/2007, às fls. 225/238, que julgou procedente o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela notificada, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais a título de prêmio/incentivo, em relação ao período de 01/2005 a 11/2005, conforme Relatório Fiscal, às fls. 19/21. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 28/12/2006, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 198.556,82 (Cento e noventa e oito mil, quinhentos e cinquenta e seis reais e oitenta e dois centavos). De conformidade com o Relatório Fiscal, o presente crédito previdenciário fora apurado com base nos valores nominais constantes das Notas Fiscais e Faturas de Prestação de Serviço emitidas pela empresa INCENTIVE HOUSE LTDA., devidamente elencadas naquele anexo, as quais foram apresentadas pela contribuinte durante a ação fiscal e confrontadas com os lançamentos contábeis do período Livros Diários e Folhas de Pagamento. Informa, ainda, o fiscal autuante que constituem fatos geradores dos tributos ora lançados, os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais, por meio do cartão de premiação denominado “Premium Card”, na modalidade de premiação “Flexcard”. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 247/251, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Disserta a propósito do programa desenvolvido pela empresa Incentive House, como forma de marketing promocional e campanhas de gratificação, elucidando que os prêmios pagos aos segurados empregados consistem em pacote de incentivos concedidos quando atingidas metas fixadas pela empresa em que trabalham, para melhor rendimento e desempenho dos funcionários. Assevera que o fato de o prêmio concedido aos funcionários via “Premium Card – Flexcard” se dar mediante cartão de premiação não é capaz de atribuir a natureza de remuneração a tais importâncias, não se incorporando, a qualquer título, ao salário de contribuição, conforme se extrai da farta e mansa jurisprudência a propósito da matéria. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 4 Contrapõese ao presente lançamento, sob a alegação de que as verbas em comento concedidas por mera liberalidade da empresa aos segurados empregados, a título de prêmios, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, não podendo ser consideradas remunerações, sobretudo por não se vislumbrar o caráter de contraprestação habitual pelos serviços prestados pelos funcionários. Insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender que os valores pagos aos segurados empregados a título de prêmio sobre vendas, pagos de forma esporádica/eventual pelo cumprimento de metas previamente estabelecidas, não podem ser considerados salário de contribuição, uma vez lhes faltar os requisitos essenciais à caracterização da remuneração, especialmente a habitualidade e contraprestação por serviços prestados. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10552.000382/200763 Acórdão n.º 2401002.419 S2C4T1 Fl. 308 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo para tanto que os valores pagos aos segurados empregados a título de Prêmios de Incentivo, por meio do Cartão “PREMIUM CARD” fornecido pela empresa Incentive House S/A, não podem ser admitidos como base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista lhes faltar os requisitos necessários à caracterização da remuneração, notadamente a habitualidade. Sustenta que o artigo 28, § 9º, item 7, da Lei nº 8.212/91, oferece proteção ao pleito da recorrente, impondo seja reconhecida a improcedência do lançamento fiscal, excluindose a tributação de referidas importâncias pagas aos segurados empregados, sobretudo quando concedidas por mera liberalidade. Não obstante o esforço da contribuinte, mais uma vez, seu inconformismo não tem o condão de macular a exigência fiscal em comento. Da análise dos autos, concluise que a autoridade lançadora e, bem assim, o julgador recorrido, agiram da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, senão vejamos. Antes de se aprofundar no tema em discussão, imperioso destacar o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, senão vejamos: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Conforme se extrai dos dispositivos legais supracitados, qualquer espécie de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder ao contribuinte deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva, como requer a contribuinte. Ocorre que, as importâncias que não integram o salário de contribuição estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, não constando do referido Fl. 319DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 6 dispositivo legal as verbas em epígrafe, não se cogitando, assim, na improcedência do lançamento na forma requerida pela recorrente. Ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas aos segurados empregados na forma de prêmios (gratificação ajustada), teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Com efeito, nos termos do artigo 28, § 9º, não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso a interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do “benefício” em comento, em observância ao disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN. Ademais, observase que a própria contribuinte considera tais verbas como prêmios, ou seja, uma vantagem, sendo cediço na legislação que disciplina a matéria e jurisprudência administrativa que valores recebidos a título de prêmios são considerados como salário de contribuição, como segue: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2005 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO REMUNERAÇÃO. INCENTIVE HOUSE. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. MULTA MORATÓRIA E OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS NO CASO DE INADIMPLÊNCIA DO CONTRIBUINTE. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, administrativo pela Incentive House S.A. é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado.” (Sexta Câmara do Segundo Conselho – Recurso nº 141822, Acórdão nº 20600286, Sessão de 11/12/2007) “PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – PRÊMIOS – SAT – SESC – SENAC – SEBRAE – INCRA – SELIC. Os prêmios ou bonificações vinculados a fatores de ordem pessoal do trabalhador e pagos aos empregados que cumprirem a condição estipulada terão natureza salarial e integrarão o saláriodecontribuição, de acordo com art. 28, I, da Lei 8.212/91, de 24 de julho de 1991 c/c art. 214, I, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 05 de maio de 1999. [...]” (4ª Câmara do CRPS, Acórdão nº 3153/2004) A corroborar esse entendimento, o Parecer/CJ nº 1.797/1999, determina que os prêmios decorrentes de um trabalho prestado, observadas as condições estipuladas, terão natureza salarial e, conseqüentemente, integrarão o salário de contribuição. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL Processo nº 10552.000382/200763 Acórdão n.º 2401002.419 S2C4T1 Fl. 309 7 Registrese, que não basta o recebimento de prêmio de forma aleatória, deve advir de um trabalho executado, cumpridas as condições estipuladas. Na hipótese dos autos, os funcionários da recorrente prestaram serviços e atingiram o requisito necessário a concessão do prêmio, qual seja, a eficiência nos trabalhos desenvolvidos, se enquadrando perfeitamente na hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. Mister elucidar, ainda, que, tratandose de prêmios, não há que se falar em habitualidade, bastando que o empregado alcance a condição predeterminada pelo empregador para fazer jus àquele benefício, como forma de gratificação ajustada, que para todos os efeitos é considerado como remuneração, nos precisos termos do artigo 457, § 1º, da CLT, in verbis: “Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também, as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador.” (grifamos) Consoante se infere dos dispositivos legais e jurisprudência acima expostos, não resta dúvida que os valores recebidos pelos empregados intitulados de Premium Card devem integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que considerados salário de contribuição, na forma de gratificação ajustada, se enquadrando perfeitamente no conceito de salário de contribuição, inscrito nos artigos 22, inciso I, c/c artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, que assim prescrevem: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;” (grifamos) Fl. 321DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL 8 Nessa toada, tendo a contribuinte concedido a seus segurados empregados gratificação ajustada (Prêmios), não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas verbas, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento, uma vez que a contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo pra si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo incólume a decisão de primeira instância, pelos seus próprios fundamentos. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 05/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 28/05/2 012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OL
score : 1.0
Numero do processo: 13963.002746/2008-87
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional - CTN.
Numero da decisão: 1802-001.330
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13963.002746/200887 Acórdão n.º 180201.330 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC, que considerou procedente o lançamento realizado para a aplicação de multa no valor de R$ 500,00, pela falta de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF referente ao 1º trimestre de 2003. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fl. 1, a Contribuinte alegou que estava desobrigada de apresentar a referida declaração, em razão de no período em referência encontrarse enquadrada no Simples Federal. Em sua decisão, após realização de diligência, a Delegacia de Julgamento consignou que a Contribuinte havia sido excluída do regime simplificado, a partir de 01/11/2000, por força de comunicação de exclusão, da qual foi cientificada por intermédio do Edital GAB/DRF/FNS nº 01/2000, juntado aos autos. Registrou também não constar que a empresa tenha se insurgido contra o ato de exclusão do Simples Federal. Deste modo, considerando que no período em referência a Contribuinte não mais se encontrava enquadrada no Simples Federal, e que, portanto, estava obrigada è entrega da DCTF, foi mantida a multa em primeira instância administrativa. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 19/07/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/08/2011, e o processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF com a observação de que o recurso é intempestivo. Este é o Relatório. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13963.002746/200887 Acórdão n.º 180201.330 S1TE02 Fl. 3 3 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. Realmente, não há condição para se conhecer do recurso voluntário. O prazo para sua apresentação é de 30 dias, nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, mas a Contribuinte o protocolizou depois de esgotado esse prazo. A ciência da decisão proferida pela Delegacia de Julgamento ocorreu em 19/07/2011, uma terçafeira, e o último dia para a apresentação do recurso seria 18/08/2011, quintafeira, conforme as regras do art. 210 do Código Tributário Nacional. Todavia, o recurso só foi apresentado em 19/08/2011, portanto, a destempo. Assim, não estando preenchido o requisito de apresentação no prazo legal, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 79DF CARF MF Impresso em 05/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/08/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000378/2006-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE INDÍCIOS. Não subsiste a exigência se as evidências reunidas pela fiscalização, no sentido de que valores foram mantidos à margem da contabilidade, são insuficientes para desconstituir a alegação de que as receitas reconhecidas em relatórios gerenciais, mas não oferecidas à tributação, corresponderiam ao valor dos imóveis recebidos em permuta, contabilizados como receita diferida.
Numero da decisão: 1101-000.438
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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PRESUNÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE INDÍCIOS. Não subsiste a exigência se as evidências reunidas pela fiscalização, no sentido de que valores foram mantidos à margem da contabilidade, são insuficientes para desconstituir a alegação de que as receitas reconhecidas em relatórios gerenciais, mas não oferecidas à tributação, corresponderiam ao valor dos imóveis recebidos em permuta, contabilizados como receita diferida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice Fl. 1DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 621 2 presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva e Diniz Raposo e Silva. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 622 3 Relatório A 3a Turma de Julgamento da DRJ/Florianópolis submete a reexame necessário decisão que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE lançamento formalizado para exigência de crédito tributário no valor total de R$ 5.653.273,76, pertinente ao anocalendário 2003. Da decisão recorrida extraise o seguinte relato do procedimento fiscal: No “Termo de Verificação Fiscal” TVF (f. 493 a 509), a fiscalização revela que diversos documentos e relatórios foram retidos no escritório da empresa, por ocasião do início da ação fiscal. Dentre os inúmeros relatórios retidos e analisados foram relacionados aqueles cujas informações foram julgadas mais relevantes dentro do escopo da fiscalização: Ref. RELATÓRIO f. R1 Comparativo Financeiro de Receitas/Balancete Financeiro Período: Jan/2001 a Dez/2004 08/55 R2 Informações Gerenciais para Análise Período: 31/03/2003 a 31/11/2003 56/62 R3 Relatório Receitas/Despesas 2002 e 2003 63/72 R4 Relatório Receitas/Despesas 2003 e 2004 73/80 R5 Previsão de Vendas Período: 2001 a 2004 81 R6 Previsão para o ano 2003 82 R7 Acompanhamento custo telefone 2004 83 R8 Salário por Departamento 84/85 Em análise de referidos relatórios, a fiscalização fez as seguintes ponderações: 8.1.3Autenticidade Tratamse de relatórios gerenciais/financeiros, cujo apuro, abrangência cronológica e a grande variedade de informações contidas confirmam sua legitimidade. [...] Dentre os relatórios listados, temos o relatório denominado Acompanhamento de Custo de Telefone 2004 (R7), onde encontramse detalhados minuciosamente as despesas telefônicas da empresa. Presumese que tal documento tenha sido elaborado com base em informações reais de despesas da empresa, o que reforça a tese de que as informações contidas nos diversos relatórios possuíam plena consistência de valores e datas. Por fim, cabe ressaltar que a confecção de diversos relatórios de forma continuada, mês a mês, ao longo de vários anos, não deixam qualquer dúvida de que não tratam se de relatórios eventuais, preliminares ou improvisados, e sim de informações consistentes, consolidados e incorporados à rotina administrativa da empresa. 8.1.4Receitas realizadas Observando cuidadosamente cada um dos relatórios citados, podemos resumir da seguinte forma os valores das receitas auferidas pela empresa ao longo do ano de 2003: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 623 4 Mês Total Receita/mês (R$) R1 Receita/receita realizada (R$) R3, R4 e R6 jan 1.927.588,15 2.001.034,20 fev 1.387.975,52 1.400.039,00 mar 1.524.180,16 1.585.415,00 abr 1.651.076,87 1.636.132,92 mai 1.698.893,33 1.629.944,90 jun 1.955.353,44 2.029.314,73 jul 2.161.076,46 2.123.517,84 ago 1.623.591,70 1.629.121,64 set 1.533.645,53 1.536.031,73 out 2.195.928,32 2.216.199,31 nov 1.344.665,00 1.371.380,81 dez 2.129.844,10 2.174.301,01 total 21.133.818,58 21.332.433,09 Verificase a consistência da evolução histórica dessas receitas ao longo dos anos. Cabe observar também que no relatório denominado “Previsão de Vendas 2001 a 2004” (R5), às folhas 81, temos como meta para o ano de 2003 o valor de R$ 22.800.000,00, ou seja um valor razoavelmente próximo da receita registrada como realizada. Ressaltase que o conjunto de relatórios apresenta versões atualizadas mensalmente, com repetição dos valores registrados anteriormente, demonstrando claramente que transcrevem valores consolidados definitivos. Reforça a tese de que os registros contábeis não refletem com exatidão a movimentação financeira da empresa os registros no relatório “SALÁRIO POR DEPARTAMENTO” (R8). Nele podemos observar claramente que para cada funcionário, discriminado nominalmente juntamente com sua função, a empresa controlava cuidadosamente a coexistência de dois valores: “Salário” e “Contábil”. Presumese daí facilmente que a empresa adotava a prática condenável de registrar seus funcionários com salários inferiores aos efetivamente pagos. Observase inclusive que até mesmo o salário do próprio contador, Sr. [...], apresentava substancial discrepância entre o real (R$ 3.348,00) e o contábil (R$ 1.288,44), o que representa 259% a menos! Para que tal prática possa ser realizada é necessário haver “ajustes” contábeis que permitam a existência de pagamentos não contabilizados. Logo, verificase que a sistemática contábil da empresa possuía subterfúgios que proporcionavam o registro de receitas de forma a ocultarlhe o seu valor real. 8.1.5Esclarecimentos Prestados Na resposta prestada em atendimento ao Termo de Intimação 005/2006 (fls. 252/264), a empresa informa: “...a empresa esclarece que os citados anexos são Relatórios Gerenciais e, por isso não levam em conta os princípios contábeis geralmente aceitos e, por isso, não servem para apuração de resultados contábeis e fiscais. Na época da confecção desses anexos, feitos pela área comercial, tais dados serviram para análises de desempenho gerencial. Em razão do pedido desta Fiscalização, explicamos os dados de 2003, ano sob fiscalização.” Mais adiante, no mesmo documento a empresa tenta recompor o total de receitas questionado com base no relatório: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 624 5 Receita Bruta R$ 14.519.017,80 () Vendas Canceladas R$ 653.319,58 Outras Receitas Não Operacionais R$ 34.500,00 Permutas Valor do estoque contábil R$ 7.531.114,55 Total R$ 21.431.312,77 DIFERENÇA não investigada R$ 98.879,68 Cabe destacar, com base nas informações prestadas pela empresa as seguintes fragilidades argumentativas: a – A empresa informa que os relatórios, por terem sido realizados pela área comercial, e por não se basearem nos princípios contábeis geralmente aceitos, não servem para apuração de resultados. A fiscalização entende ser muito improvável que o administrador da empresa optasse por gerenciar a empresa com base em informações que não representassem a realidade dos fatos ao invés de preferir os dados gerados pelo departamento contábil; b – O valor total não coincide com o valor total dos relatórios, sendo a diferença apurada denominada pela empresa como “não investigada”; c – Sendo os valores de permutas, como a própria empresa defende em diversos momentos ao longo da fiscalização, simples troca de ativos, como pode o administrador considerála “Receita REALIZADA”?? Essa terminologia, utilizada reiteradas vezes, apresentase como muito significativa. Receita Realizada, dentro dos mais amplos conceitos contábeis, nos remete invariavelmente a valores efetivamente recebidos ou disponibilizados. Não guarda a menor relação de semelhança com valores diferidos, que representa o recebimento de imóveis como parte de pagamento. Impossível, portanto, aceitar que venham a tratarse da mesma coisa. Outra questão que enfraquece a linha de raciocínio adotada pela empresa abrange a adoção da sistemática contábil de registro dos imóveis recebidos como permuta pelo valor do custo orçado do empreendimento vendido. Como poderia o administrador exercer a contento seu papel caso se baseasse em números gerenciais que não representassem a realidade das operações? Por fim, uma análise simplória mensal dos números em questão torna totalmente inaceitável uma argumentação que já carecia de base razoável. Senão vejamos: Mês Receita Realizada (Relatório Gerencial) A Receita DIPJ B Diferenças C Permutas (DIMOB) D jan 2.001.034,20 1.620.434,78 380.599,42 565.474,93 fev 1.400.039,00 790.909,10 609.129,90 310.141,63 mar 1.585.415,00 906.647,76 678.767,24 590.316,63 abr 1.636.132,92 1.086.188,38 549.944,54 942.921,60 mai 1.629.944,90 979.607,87 650.337,03 1.120.604,01 jun 2.029.314,73 1.087.357,55 941.957,18 835.045,62 jul 2.123.517,84 1.085.990,82 1.037.527,02 1.130.880,55 ago 1.629.121,64 1.113.115,05 516.006,59 397.821,46 set 1.536.031,73 1.188.430,33 347.601,40 609.599,27 out 2.216.199,31 1.612.216,84 603.982,47 631.817,79 nov 1.371.380,81 984.522,04 386.858,77 378.586,49 dez 2.174.301,01 1.486.596,58 687.704,43 223.007,18 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 625 6 total 21.332.433,09 13.942.017,10 7.390.415,99 7.736.217,16 [...] Vejamos, se a diferença total de receitas apuradas no ano, porventura pudesse ser explicada pela adição dos valores referentes às permutas, como explicar que as diferenças mensais não guardam qualquer relação com os totais mensais destas mesmas permutas, conforme o quadro acima?? Observase que as diferenças mensais entre os dois montantes (colunas C e D) atingem patamares de 308%, como é o caso de Dezembro/2003. Podese observar que tais montantes não chegam a coincidir em nenhuma ocasião. Sendo assim, tornase inadmissível que tal diferença apurada (R$ 7.390.415,99) esteja de alguma forma contida no total de permutas do ano (R$ 7.736.217,16). Tratamse, indubitavelmente, de montantes com origens distintas. 8.2CONCLUSÃO Desta forma, considerando que: 1 – A empresa registra em diversos relatórios gerenciais/financeiros uma receita significativamente maior daquelas informadas em sua DIPJ; 2 – Existem fortes evidências de que as informações contidas em tais relatórios representam de forma fidedigna os fatos econômicos/financeiros vivenciados pela empresa no ano de 2003; 3 – A parcela de recebimentos ocorrida mediante recebimento de imóveis (permuta) foi devidamente contabilizada no grupo de contas denominado RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS, como RECEITA DIFERIDA, não cabendo desta forma utilizarse do montante dessas operações (R$ 7.531.114,55) para explicar a diferença apontada; 4 – A empresa contabilizava os salários de seus funcionários por valores nitidamente inferiores aos efetivos, conforme relatório retido na mesa do sócioadministrador, num claro indício que essa mesma contabilidade não abrangia a totalidade da movimentação financeira da empresa (vide item 8.1.4); 5 – A fiscalizada não apresentou esclarecimentos satisfatórios às significativas diferenças entre operações realizadas em relação a imóveis similares (mesmo empreendimento e mesma área), conforme descrito no item 6; Concluise que parte da receita realizada, constante em diversos relatórios gerenciais, conforme discriminado a seguir, não foi devidamente contabilizada e tributada, constituindo desta forma receita omitida, nos termos da legislação tributária. No item 6 mencionado acima pela fiscalização, consta o seguinte: 6 – DO TERMO DE INTIMAÇÃO NÚMERO 004/2005 DATADO DE 25/08/2005 (fls. 233/234) Neste Termo foram solicitados esclarecimentos relativos a significativas diferenças de preços entre imóveis comercializados pela Construtora Fontana Ltda. no decorrer do ano de 2003, conforme os imóveis listados no anexo I do termo de intimação. Constatase que os imóveis relacionados foram comparados com similares em termos de área privativa, datas de comercialização e empreendimento. Em sua resposta (fls. 235/246) o contribuinte procura justificar as discrepâncias nos preços de venda dos imóveis apontados pela Fiscalização através da seguinte argumentação: “Em razão das operações de permuta serem a valor de custo contábil, e ainda reduzido pela torna recebida, decorre daí que: Fl. 6DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 626 7 OS CUSTOS DOS IMÓVEIS ALIENADOS POR PERMUTAS TÊM VALORES INFERIORES AOS IMÓVEIS ALIENADOS POR VENDAS. NAS OPERAÇÕES DE PERMUTA NÃO EXISTE LUCRO NEM PREJUÍZO.” A Fiscalização estranha a justificativa apresentada pelo contribuinte, pois embora a legislação do Imposto de Renda prescreva formas de APURAÇÃO DE RESULTADOS diferenciada para empresas do ramo imobiliário, a verdade é que os contratos firmados pela Construtora Fontana Ltda. que envolvem permuta de imóveis NÃO APRESENTAM VALORES MONETÁRIOS que informem o VALOR TOTAL DA TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA, bem como não informam os valores que o(s) imóveil(is) são recebido(s) em permuta no negócio efetuado. Em nosso entender há sinais claros que os valores encontramse distorcidos da realidade praticada no mercado imobiliário. [...] Por entender que ocorreram fatos que, em tese, configuram crime contra a ordem tributária, a fiscalização formalizou Representação Fiscal para Fins Penais no processo nº 11516.000380/200692. Impugnando a exigência, a contribuinte argüiu nulidade, por não constarem dos autos todos os documentos relativos às diligências realizadas pela fiscalização junto a seus clientes, reafirmou o caráter gerencial dos relatórios apreendidos durante o procedimento fiscal e explicitou o seu entendimento acerca dos contratos de permuta, embora destacando que no presente lançamento nada foi autuado especificamente sobre permutas. Destacou que a fiscalização chega ao ponto de não aceitar que se cobre um valor maior de um determinado cliente porque “estamos num mundo globalizado” e após acha “indício” e depois “entende” que a empresa está subfaturando nos demais casos onde se cobra um preço menor. No entanto, não autuou estas operações e não buscou as provas para demonstrar suas teses, promovendo o lançamento com base em presunções. Acrescentou que se a diferença de receitas e despesas, da ordem de 53%, efetivamente existisse, seria o caso de arbitramento dos lucros, porque sua contabilidade seria imprestável. Até porque, a fiscalização ignorou as despesas constantes dos documentos nos quais baseou o lançamento. Desmereceu os indícios fundados no relatório “Acompanhamento de Custo de Telefone 2004” e na análise do salário de 31 funcionários em 26/08/2004, reafirmou que as diferenças apuradas correspondem às permutas, somente inexistindo igualdade entre elas e os dados da DIMOB porque comparados com relatórios de cunho gerencial. Enfatizou a inexistência de dolo ante a não aplicação da multa qualificada, e pediu a eliminação da representação fiscal para fins penais. A Turma julgadora cancelou o lançamento adotando, por maioria, o voto do I. Relator Antonio Masayuki Massuyama, que o considerou fundamentado em provas insuficientes. Na medida em que a fiscalização se amparou em relatórios “gerenciais/financeiros” apreendidos no interior da empresa, necessário seria que eles fossem vinculados de alguma forma a operações que realmente ocorreram. Embora ressalvando a possibilidade de comprovação material da infração por meio de prova indireta, destacou que para tanto seria necessário um conjunto de indícios ou Fl. 7DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 627 8 provas indiretas, que se isoladamente nada provam, conjuntamente têm o condão de estabelecer a inequivocidade de uma situação de fato. Mas, no presente caso, o relacionamento estabelecido pela fiscalização entre suas conclusões e os relatórios apreendidos não se mostrou satisfatório porque: • O quadro de receitas mensais gerado a partir dos valores contidos nos relatórios R1, R3, R4 e R6, acima reproduzido (item 8.1.4 do TVF), não confere legitimidade aos valores para os fins da tributação pretendida, porque resulta de relatórios cuja representatividade é duvidosa, já que caracterizados pela contribuinte como meramente gerenciais, sem que isso fosse devidamente infirmado pela fiscalização. • O fato de o relatório de custo de telefone de 2004 espelhar os valores efetivamente incorridos não implica necessariamente que os demais relatórios do ano de 2003 também tenham essa característica. Da mesma forma, se o relatório de salários indica a existência de controle paralelo, isso, por si só, ou conjuntamente a aquele outro relatório, não pode servir para generalizar essa prática a todas atividades da empresa. • Mesmo considerando que os valores contidos no relatório de “Previsão para o ano de 2003” (R6, f. 82), a título de “receita realizada”, no total de R$ 21.332.033,77, fossem passíveis de serem utilizados para efeito de tributação, restaria dúvida quanto à exclusão, ou não, das parcelas decorrentes de permutas, mormente tendo em conta os termos dos itens 2.1.1 e 3.1.1, da Instrução Normativa SRF nº 107/1988. • A discrepância de 5% entre o valor do quadro constante no item 8.1.5 do TVF (R$ 7.390.415,99), apurado entre o total de “receita realizada” e o declarado em DIPJ, e o montante de permutas informadas em DIMOB (R$ 7.736.217,16), enfraquece a assertiva da fiscalização de que a diferença não corresponderia a permutas, pois tal poderia ser atribuído aos critérios de apropriação de receitas adotado no relatório gerencial e na contabilidade. Por isso, pouco representa a diferença de 308% apontada pela fiscalização nos valores relativos a dezembro de 2003. • Admitir as receitas informadas nos relatórios gerenciais/financeiros, implicaria em procedimento equivalente no que tange às despesas informadas nos relatórios Receitas/Despesas 2002 e 2003, 2003 e 3004 (R3, R4, f. 73 e 77) que, para o ano de 2003 totalizam R$ 21.866.171,51, valor este que é superior à receita informada nestes mesmos relatórios no total de R$ 21.332.433,09. Contudo, não se sabe o critério utilizado no levantamento desses valores discriminados nos relatórios gerenciais/financeiros. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 628 9 Concluiu, assim, que, mesmo sem entrar no mérito do cabimento do arbitramento do lucro, inexiste segurança, certeza, quanto ao significado dos valores utilizados pela fiscalização, razão pela qual não podem amparar a exigência de crédito tributário. Relativamente aos lançamentos decorrentes, firmou que sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarseão igualmente no julgamento de todas as exações. Declarou, ainda, não ser atribuição daquele órgão julgador manifestarse quanto à Representação Fiscal para Fins Penais, mas destacou que no caso de restar improcedente a exigência fiscal, em decisão de que não couber recurso, há previsão para o arquivamento da representação, conforme prescreve o § 5º do art. 3º, da Portaria SRF nº 326/2005. Votou pelas conclusões o I. Julgador José Aparecido da Conceição, por entender que o relatório gerencial no qual a fiscalização baseou o lançamento é prova fidedigna de que a interessada promoveu vendas que totalizaram R$21.431.312,77, pois esse valor foi reconhecido por ocasião dos esclarecimentos e das argumentações apresentados à fiscalização. Com isso, não haveria necessidade de provas adicionais para comprovação desse montante, já que a própria interessada o reconhece como verdadeiro. Contudo, na medida em que houve divergência sobre a forma como ocorreram os recebimentos correspondentes às vendas efetuadas pela interessada: integralmente em recursos monetários, como entende a fiscalização, ou parte por meio de imóveis recebidos em permuta, como alega a interessada, evidenciada pela comparação com o montante de permutas informadas na DIMOB, caberia à fiscalização afastar as dúvidas levantadas de que aqueles valores correspondiam a permutas, incorporando aos procedimentos de fiscalização provas extraídas da contabilidade da interessada, assim como documentos referentes aos imóveis envolvidos nessas transações. Na medida em que a autoridade lançadora se limitou a firmar alegações genéricas que destacavam as divergências mensais entre os valores globais que constavam em determinados meses nas DIMOB frente às permutas alegadas no curso da fiscalização, o lançamento restou carente de provas, e, por conseqüência faltou consistência à base de cálculo eleita pela fiscalização. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 629 10 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Observase nos autos a busca, durante o procedimento fiscal, do efetivo valor de venda dos imóveis quitados mediante permuta. Contudo, embora constatando indícios de que estas operações foram realizadas por valores inferiores ao de outras em situações equivalentes, a autoridade lançadora não logrou vincular estes fatos ao diferencial de receita realizada, apontada nos relatórios gerenciais apreendidos na empresa fiscalizada. De fato, a autoridade lançadora realizou uma série de intimações buscando esclarecer as distorções verificadas nas operações que envolviam permuta. Inicialmente, intimou a contribuinte a relacionar todos os empreendimentos imobiliários passíveis de venda ou de recebimento em 2003, e a apresentar os documentos relativos às vendas e os memoriais descritivos correspondentes (fls. 202/203), e, na seqüência, intimou a empresa informar a sistemática de contabilização das operações de vendas de imóveis, envolvendo e não envolvendo o recebimento de bens imóveis como parte de pagamento (fl. 206/207). Os demonstrativos apresentados pela contribuinte evidenciaram que somente era registrado como receita operacional o valor equivalente ao efetivamente recebido em Banco (fls. 210/211), ao passo que os valores correspondentes a imóveis recebidos em permuta eram contabilizados a crédito de “Receita Diferida (Resultado Exercício Futuros) por cliente” e a débito de “Clientes”, liquidandose este direito mediante o registro, a débito, do imóvel de idêntico valor, recebido em permuta e registrado em estoque. Em paralelo, baixavase o custo do imóvel vendido mediante crédito da conta de “Custo Orçado (Passivo Exigível a Longo Prazo)”, em contra partida a débito, do mesmo valor, em “Custo Diferido (Resultado Exercício Futuro)”, promovendose posterior encontro de contas para liquidação deste diferimento, debitandose “Receita Diferida (Resultado Exercícios Futuros) por cliente” e creditandose “Custo Diferido (Resultado Exercícios Futuros)” (fls. 212/213 e 215) ou, quando se tratasse de uma permuta envolvendo imóvel de construção já concluída, apenas era substituído o bem em conta de estoque (fl. 214). A autoridade lançadora assim se manifestou acerca destas informações, ao lavrar o Termo de Verificação Fiscal: Constatase na resposta apresentada pelo contribuinte, nos anexos 03 a 05 (fls. 207/217), que nos casos dos bens imóveis recebidos como parte de pagamento nos contratos de compra e venda (considerados como permuta pelo contribuinte), sejam no caso do empreendimento imobiliário estar em construção ou ter sido concluído, os valores auferidos, referentes ao bem imóvel recebido pela fiscalizada a título de permuta, foram apropriados em contas de receitas diferidas no grupo de contas denominado "Resultados de Exercícios Futuros". Examinando os contratos firmados pelo contribuinte do tipo “contrato particular de compromisso de compra e venda, com permuta e pagamento de torna”, a Fiscalização lavrou Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 227 exigindo esclarecimentos e frisando, ao final, o que segue: Fl. 10DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 630 11 Destaquese que o presente pedido de esclarecimentos esta embasado no que segue, considerando a forma de negociação usual adotada no ramo imobiliário: A Contrutora Fontana coloca a venda imóveis de seus empreendimentos em valores expressos em tabelas em unidades monetárias; os clientes da construtora fazem ofertas de bens móveis e imóveis como parte de pagamento, sendo os bens avaliados pela empresa e aceitos por determinado valor monetário, restando, na maioria das vezes, valores monetários a pagar por parte dos clientes (torna), conforme se verifica, inclusive, no conjunto de contratos apresentados pelo contribuinte. A resposta da contribuinte abordou os quatro tópicos veiculados no referido Termo de Constatação e Intimação, transcritos a seguir, juntamente com os esclarecimentos prestados (fls. 229/230): “a) a falta do valor total da operação ajustado entre as partes na grande maioria dos contratos apresentados, bem como a falta do valor monetário do bem recebido em permuta pela construtora;” Resposta: Na existência de torna, o valor, dessa e a forma de pagamento sempre consta nos contratos de permuta. “b) a contabilização do valor do bem imóvel recebido em permuta pelo mesmo valor do custo orçado, conforme ficou claro na contabilização do contrato firmado com o Sr [...] de 03/10/2003 apresentado em resposta ao Termo de Intimação N° 002/2005.” Resposta: "Na permuta, a entrega de unidade imobiliária a construir sempre é considerado o custo de produção com base no custo orçado contabilizado e esse como integrante do custo da unidade adquirida na permuta. INTIMAÇÃO: "1) informar qual o valor monetário do(s) bem(ns) recebido(s) em permuta e o valor total da operação em cada um dos contratos que envolvem o recebimento de bens como parte de pagamento firmados no decorrer do ano de 2003, apresentando inclusive os documentos contábeis que comprovem os valores informados;” Resposta: Para visualização a empresa apresenta mapa detalhando em nível de cada operação Colunas com o nome, número do cpf, data do contrato. Coluna com número(s) da(s) conta(s) de razão contábil analítico da conta Estoque de Imóveis Concluídos para Venda Imóveis de Terceiros onde registra o valor do bem recebido na permuta e, tudo no grupo contábil sintético 1.01.08.03.02.01. Entregues em anexo. Coluna com o valor de custo debitado na conta acima. A Coluna com número(s) da(s) conta(s) de razão contábil analítico da conta Clientes Tornas a Receber por Empreendimento no grupo contábil sintético 1.01.02.01.XX.02.01 ou Clientes Tornas a Receber Imóveis de Terceiros no grupo contábil sintético 1.01.02.02.02.01 , onde são registrados os valores das tornas a receber, nas permutas. Entregues em anexo. Coluna com o valor da torna a receber debitada na conta acima. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 631 12 Coluna onde demonstra o valor total da operação e que corresponde ao valor, atribuído ao imóvel recebido na permuta mais torna. Esse também é o valor do bem entregue na permuta e está indicado na DIMOB. Coluna onde demonstra dados de identificação do imóvel entregue na permuta. [...] "2) justificar, por escrito, a sistemática de contabilização dos bens recebidos em permuta no mesmo valor do custo orçado apresentando os documentos contábeis que lastreiam este tipo de procedimento adotado relativo aos contratos firmados em 2003.” Resposta: A sistemática contábil já foi informada em 22/06/2005. A empresa justifica a adoção do custo orçado para valorização dos bens recebidos em permuta o fato de que cabe ao permutante que promete entregar unidade imobiliária à construir considerar o custo de produção desta como integrante do custo da unidade adquirida. Os documentos que lastreiam este tipo de procedimento são os contratos de permuta imobiliária (já entregues e identificados na DIMOB 2003), os mapas sintéticos de apuração mensal do custo orçado por empreendimento. A documentação suporte que lastreia esses mapas ou para o maior detalhamento dos mesmos, a empresa está à disposição e é só fazer a indicação do que for necessário e será providenciado. Conforme plano de contas antes já entregue, existe um razão contábil analítico do custo orçado para cada empreendimento. A empresa apresenta em 34 pastas, uma pasta por empreendimento, cópias dos mapas sintéticos de custo orçado mês a mês de cada empreendimento em 2.003. Como se vê, desde este momento a contribuinte afirma ter informado, como valor da operação, na DIMOB, a parcela correspondente aos imóveis recebidos em permuta, embora não os contabilizasse como receita operacional. Inicialmente, porém, a autoridade lançadora apenas frisou o fato de a contribuinte não esclarecer o valor efetivo das operações envolvendo permuta, assim se manifestando no Termo de Verificação Fiscal de fls. 496/497: O contribuinte novamente solicitou dilação de prazo, tendo sido prontamente atendido pela Fiscalização. Quanto à falta do valor dos bens recebidos em permuta e do valor total da operação, vale a pena transcrever a resposta apresentada: "Na existência de torna, o valor dessa e a forma de pagamento sempre consta dos contratos de permuta". Aqui devemos frisar o seguinte: a) a Fiscalização solicitou o valor do imóvel recebido pela Construtora Fontana Ltda, quando da assinatura de contrato do tipo "contrato particular de compromisso de compra e venda com permuta e pagamento de torna"; b) e mais, foi solicitado o valor total da operação, ou seja, qual o valor total da transação imobiliária efetuada. Quanto à torna (seu valor e forma de recebimento) absolutamente nada foi perguntado ao contribuinte, até porque, quanto a isso os contratos NÃO deixam dúvida alguma! [...] Buscando atender a solicitação da Fiscalização relativa ao valor total das transações imobiliárias que envolveram o recebimento de imóveis como parte do pagamento avençado entre as partes, efetuadas no decorrer de 2003, o contribuinte Fl. 12DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 632 13 apresentou um mapa detalhado informando o nome do adquirente, CPF, data de contrato e o valor pelo qual o bem imóvel recebido foi registrado no estoque, além de outros dados como a descrição do imóvel recebido a título de permuta (fls. 331/339). Transcrevemos a justificativa da sistemática de contabilização dos bens recebidos em permuta no mesmo valor do custo orçado apresentado pelo contribuinte em sua resposta constante da folha 231: "A sistemática contábil já foi informada em 22/06/2005. A empresa justifica a adoção do custo orçado para valorização dos bens recebidos em permuta o fato de que cabe ao permutante que promete entregar unidade imobiliária a construir considerar o custo de produção desta como integrante do custo da unidade adquirida". Prosseguindo os trabalhos fiscais, a autoridade lançadora selecionou, nos elementos que lhe foram apresentados, imóveis comparados com similares em termos de área privativa, datas de comercialização e empreendimento, elaborando o Anexo de fl. 236 contendo operações a seguir sintetizadas: IMÓVEL ÁREA (m2) DATA PERMUTA TORNA OUTROS TOTAL OPERAÇÃO OPERAÇÃO 101 168,29 11/7/2003 35.683,01 150.000,00 185.683,01 201 168,29 11/7/2003 93.146,03 93.146,03 401 168,29 4/7/2003 94.437,52 94.437,52 IMÓVEL ÁREA (m2) DATA PERMUTA TORNA OUTROS TOTAL OPERAÇÃO OPERAÇÃO 501 87,3 4/8/2003 140.000,00 140.000,00 601 87,3 26/7/2003 51.412,61 51.412,61 902 87,3 15/7/2003 137.000,00 137.000,00 1002 87,3 25/2/2003 49.048,68 49.048,68 IMÓVEL ÁREA (m2) DATA PERMUTA TORNA OUTROS TOTAL OPERAÇÃO OPERAÇÃO 602 123,13 1/5/2003 160.477,71 160.477,71 802 123,13 14/8/2003 40.984,18 25.000,00 65.984,18 IMÓVEL ÁREA (m2) DATA PERMUTA TORNA OUTROS TOTAL OPERAÇÃO OPERAÇÃO 301 159,9 6/6/2003 85.841,21 85.841,21 501 159,9 30/10/2003 93.764,10 158.102,34 251.866,44 801 159,9 30/5/2003 34.287,44 140.000,00 174.287,44 1401 159,9 28/5/2003 58.420,04 35.000,00 93.420,04 IMÓVEL ÁREA (m2) DATA PERMUTA TORNA OUTROS TOTAL OPERAÇÃO OPERAÇÃO 201 118,49 5/9/2003 170.000,00 170.000,00 1201 118,49 13/10/2003 75.000,00 75.000,00 Fl. 13DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 633 14 Formulou, então, os seguintes questionamentos (fl. 233), transcritos a seguir com a reprodução das respostas apresentadas pela contribuinte às fls. 235/240: “1 Esclarecimentos, acompanhados de toda documentação que os fundamente, referentes às significativas diferenças de preços entre os imóveis comercializados no ano de 2003 e listados no ANEXO 1 ao presente termo, considerando que: a Dentre todos os imóveis, construídos pela empresa, comercializados ao longo do ano de 2003, constatouse, pelos registros contábeis, a ocorrência dessas significativas diferenças em todos os empreendimentos, sendo que foram listados apenas alguns deles a título ilustrativo; b Todos os imóveis relacionados para cada empreendimento possuem a mesma área privativa e datas de comercialização bastante próximas; 2 Esclarecimentos sobre a sistemática de contabilização de custos dos imóveis em construção comercializados (incorrido e orçado), exemplificando as composições relativas aos imóveis listados no ANEXO 1 ao presente Termo;” Resposta: Inicialmente esclarecese que o Anexo 1 lista no Edifício [...] só o apto n° 602 quando na realidade o valor ali constante de R$ 160.477,71 tratase do valor de, custo dos apartamentos n°602 e n° 1.102,ambos permutados com [...], conforme contrato. Esclarecese também, ainda, que o Anexo 1 lista no Edifício [...]só o apto 501 quando na realidade o valor ali constante de R$ 93.764,10 tratase do valor e custo dos apartamentos n°501 e n° 601, ambos permutados com [...] conforme contrato. Esclarecese ainda, em razão do item b, que a área privativa descrita no Anexo 1 corresponde só ao apartamento, e não considera a área de Box. Portanto existem dezessete ( 17 ) imóveis no Anexo I deste Termo de Intimação, sendo quatro (04) vendas e onze (13 ) permutas (sic). Quais sejam: [...] Conforme já constou nas respostas anteriores, nas permutas a contabilização dos imóveis recebidos recebe o mesmo valor do custo contábil incorrido das já construídas e, o custo orçado de produção para as unidades a construir. Este custo é sempre reduzido pelo custo da torna recebida. Em razão das operações de Permuta serem sempre a valor de custo contábil, e ainda reduzido esse custo pelo custo da torna recebida, decorre daí que: OS CUSTOS DOS IMÓVEIS ALIENADOS POR PERMUTAS TEM VALORES INFERIORES AOS DOS IMÓVEIS ALIENADOS POR VENDAS. NAS OPERAÇÕES DE PERMUTA NÃO EXISTE LUCRO E NEM PREJUÍZO. Em nossa resposta de 05/07/2005, atendendo Termo de Intimação Fiscal n° 03 de 08/06/2005, entregamos mapa detalhado de cada operação de permuta em 2.003, e onde consta à conta contábil dos imóveis recebidos de terceiros nas permutas. [...] Como já dito, e é aqui repisado, o recebimento da torna reduz o custo do imóvel recebido. Daí as diferenças. Também se esclarece: Consta no Anexo 1 venda para a [...] do apto n°1.201 no [...] por R$75.000,00 em 13/10/2003. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 634 15 Quando outra venda no mesmo prédio, apto n° 201 para [...] ocorrido em 05/09/2003 foi por R$150.000,00. A discrepância decorre de que: O Sr. [...] é cliente que vive nos [...], e nesses casos, via de regra, é possível cobrar mais pelo imóvel. Já a [...], comprou um imóvel por R$75.000,00, e conforme consta no. Contrato de Compra e Venda, ficou de pagar com o fornecimento de matérias (tubulações, medidores, registros, tubos de cobre etc.) e execução da rede de gás em empreendimentos da empresa. O custo do Imóvel desse imóvel vendido é de R$ 64.331,05 conforme consta no Mapa Resumo das Operações Listadas no Anexo 1. Evidente, que assim como se vendeu mais barato, quase a preço de custo, mas com margem de lucro de 16,58%, também foi recebido materiais e serviços com um preço bem mais em conta. [...] 3 Esclarecimentos sobre a sistemática de reconhecimento de receitas e custos (contabilização e respectiva apuração de resultados tributáveis) referentes aos imóveis de terceiros recebidos como parte de pagamento (a título de permuta), desde o seu recebimento (entrada no estoque) até a sua efetiva venda (baixa no estoque). Apresentar, a título exemplificativo, cópia dos registros contábeis e fiscais (livro diário e razão) referentes às operações realizados com o seguinte cliente: [...]. Resposta: A contabilização da permuta com essa pessoa foi demonstrada no Anexo 8 da nossa resposta em 15/06/2.005, atendendo o Termo de Intimação n° 02 , de 08/06/2.005. Esse imóvel recebido na permuta do Sr. [...] ficou em estoque em 31/12/2003, conforme razão conta 75571 anexo. Conforme orientação da Fiscalização, informamos para exemplo, um outro caso de listado no anexo I, onde o imóvel recebido em permuta em 2.003 foi vendido dentro do próprio ano de 2.003. Em decorrência desse pedido da Fiscalização, a empresa demonstra a contabilização da realização por venda do bem imóvel recebido em permuta do Sr. [...] em 14/08/2003 por R$ 4.101,90 (vide no Mapa Resumo das Operações Listadas no Anexo 1) e que foi vendido em 27/10/2003 para o Sr.[...] por R$ 35.000,00 Apresentamos contabilização no Mapa Resumo das Operações Contábeis Anexo II, onde demonstra a entrada do imóvel em estoque e venda do mesmo. Em anexo conta razão do estoque n° 73275 e listado no mapa acima citado e conta razão do cliente [...] n° 74961. O Livro Diário onde está escriturado essa operação está em poder dessa Fiscalização. No Termo de Verificação Fiscal, a autoridade lançadora desmereceu as justificativas apresentadas acerca das discrepâncias nos preços de venda dos imóveis apontados pela Fiscalização aduzindo (fl. 498): A Fiscalização estranha a justificativa apresentada pelo contribuinte, pois embora a legislação do Imposto de Renda prescreva formas de APURAÇÃO DE RESULTADOS diferenciada para empresas do ramo imobiliário, a verdade é que os contratos firmados pela Construtora Fontana Ltda que envolvem permuta de imóveis NÃO APRESENTAM VALORES MONETÁRIOS que informem o VALOR TOTAL DA TRANSAÇÃO IMOBILIÁRIA, bem como não informam os valores que Fl. 15DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 635 16 o(s) imóvel(eis) , são recebido(s) em permuta no negócio efetuado. Em nosso entender há sinais claros que os valores encontramse distorcidos da realidade praticada no mercado imobiliário. Relativamente aos esclarecimentos acerca das disparidades de valor verificadas entre o valor das operações com os apartamentos nº 201 e 1201, descritas no último quadro do Anexo I, a autoridade lançadora manifestouse nos seguintes termos: Como se, no mundo globalizado que vivemos hoje, fosse possível alguém vender a outrem um bem por valor superior ao de mercado pelo simples fato do comprador encontrarse residindo em outro país! É claro que neste caso o valor de venda do apartamento ao Sr. [...] foi superior ao praticado para outros clientes do Mesmo prédio [...], por exemplo, havendo neste caso indício de subfaturamento dos valores contabilizados, que o contribuinte não conseguiu afastar com a resposta apresentada. Ficando claro que a divergência apontada pela Fiscalização não foi suficientemente justificada. Fato que conduz ao entendimento de que houve subfaturamento nos valores contabilizados na venda efetuada para [...]. E, ao final deste tópico do Termo de Verificação Fiscal, acrescentou (fl. 499): O contribuinte apresenta juntamente com suas respostas farta documentação, entretanto as suas explicações e justificativas para os questionamentos formulados pela fiscalização são evasivas, e, em alguns casos inconclusivas. Finalizando, concluímos que nos demais casos apresentados na intimação, as respostas apresentadas pelo contribuinte também não conseguiram atender satisfatoriamente a Fiscalização no tocante às divergências apontadas. Desta forma, permanece sem explicação a significativa diferença entre operações de imóveis similares, principalmente quando não estão envolvidos imóveis em permuta. Porém, para a partir daí inferir que o diferencial de receitas realizadas apurado em relatórios gerenciais corresponderia ao valor omitido nos contratos envolvendo permuta, poderia a autoridade lançadora ter buscado uma equivalência entre este diferencial e as omissões inferidas a partir da comparação entre estas operações e outras semelhantes, providência executável como evidenciado nas análises realizadas durante o procedimento fiscal. No entanto, na seqüência daqueles esclarecimentos, as investigações fiscais dirigiramse à busca de informações acerca do conteúdo dos relatórios apreendidos no início do procedimento fiscal, intimandose a contribuinte relativamente a outros aspectos (fl. 247), a seguir transcritos em conjunto com a resposta apresentada às fls. 252/264: “1 Relativamente aos relatórios e planilhas retidos por ocasião do Início da Fiscalização, em 30/03/2005, cujas cópias acompanham o presente Termo sob a denominação de anexos 1 a 4, solicitamos os esclarecimentos a seguir elencados: 1.1 Apresentar a composição do valor de R$ 110.618.550,42, constante do Quadro "Empreendimentos Próprios" do anexo 1, uma vez que o mesmo está transcrito na linha "nov/03" do Quadro "Imóveis estoque" do anexo 2, que por sua vez relaciona valores transcritos no anexo 3.” Resposta: Fl. 16DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 636 17 Inicialmente a empresa esclarece que os citados anexos são Relatórios Gerenciais e, por isso não levam em conta os princípios, contábeis geralmente aceitos e, por isso, não servem para apuração de resultados contábeis e fiscais. Na época da confecção desses anexos, feitos pela área comercial, tais dados serviram para análises de desempenho gerencial, razão do pedido desta Fiscalização, explicamos os dados de 2003, ano sob fiscalização. Conforme o solicitado, a empresa no item "A" adiante faz a demonstração da composição dos R$ 110.618.550,42 de 30/11/2003 projetado para dezembro/2003 citado no Anexo I e feita pela área comercial. Também, apesar de não ser solicitado o demonstrativo da composição, a empresa também nos itens" B", "C" e "D " adiante compara com dados contábeis já entregues para essa Fiscalização ( Livros Diário, Razão, e DIPJ 2004 ) o valor de Contas à Receber de R$31.600.924,54 também citado no Anexo I, e também da mesma forma, as Receitas de 2003 R$ 21.332.433,09 e Despesas de 2003 R$ 21.866.171,51 citadas nos Anexos 2,3 e 4 . A) A composição do Anexo I, feita para posição em 30/11/2003 e projetada para o CUB de dezembro 2003, leva em conta imóveis em estoque prontos e em construção e, até imóveis a serem construídos, sem existirem as incorporações e conseqüentemente não estarem vendido. Nesses últimos casos, apenas expectativas de vendas. Em tal relatório os imóveis foram valorizados a preço de venda para análise de desempenho gerencial da área comercial. Na demonstração adiante, a empresa transcreve os dados do inventário em 31/12/2003 Onde demonstra imóvel a imóvel a valor contábil e, ao lado coloca os dados físicos e valores de expectativa venda e, que deram base ao citado relatório gerencial . Demonstra: IMÓVEIS DA TABELA DE TERCEIROS A COMERCIALIZAR R$ 24.095.074,90 e EMPREENDIMENTOS PRÓPRIOS DE R$ 86.510.825,52 e R$ 12.650,00, totalizando tudo R$ 110.618.550,42 Adiante o detalhamento dos dados físicos e dos valores conforme quadro abaixo: [...] B) A composição do Anexo I, CONTAS À RECEBER feita para posição em 31/11/2003 e projetada para dezembro de 2.003. É feita a comparação com dados contábeis/fiscais (Livros Diário, Razão e DIPJ 2004 ) já entregues para essa Fiscalização: No anexo I, CONTAS A RECEBER R$31.600.924,54 No Balanço encerrado em 31/12/2003 e no Balanço Patrimonial constante na DIPJ 2004 (anobase 2003) Clientes Ativo Circulante R$ 6.996.946,34 Clientes Ativo Longo Prazo R$17.096.340,85 Permutas.— Valor contábil de estoque R$ 7.531.114,55 (1) TOTAL R$ 31.624.401,74 DIFERENÇA não investigada R$ 23.477,20 Fl. 17DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 637 18 ( 1 ) Permutas realizadas em 2003 — Já apresentadas em listagem detalhada para essa Fiscalização na resposta de 05/07/2005 . Em anexo, a empresa apresenta novamente cópia dessa listagem de permutas de 2003. Incluído para fins de análise Pelo Depto Comercial por tratarse de operação realizadas por esse Departamento no ano. Em termos contábeis, é só feita a troca de ativos Estoques. C ) ,Receita de 2003, conforme Anexo 2 PREVISÃO PARA O ANO DE 2003, Anexo 3 RELATÓRIO DE RECEITAS/DESPESAS 2003 e 2004, e Anexo 4 RELATÓRIO DE RECEITAS/ DESPESAS 2002 E 2003. É feita a comparação com dados 'contábeis/fiscais (Livros Diário, Razão e DIPJ 2004) já entregues para essa Fiscalização: Total de Receitas de 2003 conforme Anexos R$21.332.433,09 No Balanço de Resultados 2003 e na D1PJ 2004 (ano base 2003) Receita Bruta R$14.519.017,80 ( ) Vendas canceladas R$ 653.319,58 Outras receitas Não operacionais R$ 34.500,00 Permutas Valor do estoque contábil R$ 7.531.114,55 (1) TOTAL R$ 21.431.312,77 DIFERENÇA não investigada R$ 98.879,68 ( 1 ) [idem anterior] D ) Despesa de 2003, conforme Anexo 2 PREVISÃO PARA O ANO DE 2003, Anexo 3 RELATÓRIO DE RECEITAS/DESPESAS 2003 e 2004, e Anexo 4 RELATÓRIO DE RECEITAS/ DESPESAS 2002 E 2003. É feita a comparação com dados contábeis/fiscais (Livros Diário, Razão e DIPJ 2004) já entregues para essa Fiscalização: Total de Despesas de 2003 conforme Anexos R$ 21.866.171,82 No Balanço de Resultados 2003 e na DIRJ 2004 (ano base 2003) PIS R$ 228.784,02 COFINS R$ 415.970,95 Vendas canceladas R$ 653.319,58 Custos R$ 7.161.526,15. Despesas R$4.259.161,00 Outras despesas Não operacionais R$ 42.318,74 IRPJ R$ 465.379,23 CSLL R$ 175.246,06 Permutas — Valor do estoque contábil R$ 7.531.114,55 (1) TOTAL R$ 20.932.820,28 DIFERENÇA não investigada R$ 933.351,54 A diferença a maior nos relatórios gerenciais da área comercial, provavelmente, devese a algum valor ativado contabilmente. ( 1 ) [idem anterior] Fl. 18DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 638 19 Como se vê, a contribuinte manteve o direcionamento anterior de vincular ao valor dos bens recebidos em permuta a diferença entre receita oferecida à tributação e o montante informado em seus relatórios gerenciais, inclusive também esclarecendo que as diferenças verificadas no âmbito das despesas corresponderiam àqueles mesmos valores de imóveis em estoque. A autoridade lançadora assim avaliou estes esclarecimentos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 499/504): No item A de sua resposta (fls. 252/264), o contribuinte procurou demonstrar a composição do valor de R$ 110.618.550,42, que constava em dois dos quatro relatórios apreendidos, cujos valores de receitas e despesas encontravamse transcritos nos outros dois relatórios ("RELATÓRIO DE RECEITAS E DESPESAS 2002 E 2003" e "RELATÓRIO DE RECEITAS E DESPESAS 2003 E 2004") também fornecidos na intimação. A empresa tentou justificar o valor através de planilhas onde os imóveis de empreendimentos próprios foram considerados pelo seu valor comercial em 31/12/2003, que diferem, segundo explicações dadas pelo contribuinte, do valor contábil, pois tratamse de relatórios de desempenho gerencial confeccionados pela área comercial da empresa. No item C de sua resposta, mesmo não tendo sido questionado a respeito, o contribuinte efetuou comparação entre a receita total contida nos relatórios e a receita escriturada em seus livros contábeis e fiscais e nas informações por ele prestadas à Secretaria da Receita Federal através de sua Declaração de Informação EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) ,do ano calendário de 2003, exercício de 2004 (fls. 136/195). Enquanto nos relatórios anexos ao termo de intimação (elaborados pelo próprio contribuinte) o total da receita realizada perfazia R$ 21.332.433,09, através do balanço de 2003 e DIPJ a receita bruta era assim composta: RECEITABRUTA............................................................. R$ 14.519.017,80 ()VENDAS CANCELADAS.............................................. R$ 653.319,58 OUTRAS RECEITAS NÃO OPERACIONAIS..................... R$ 34.500,00 TOTAL........................................................................ R$ 13.900.198,22 Verificase que há uma divergência de valores, que será abordada no item seguinte. Quanto ao custo que o contribuinte alega relativo aos imóveis recebidos a título de permuta é importante salientar que estes valores foram lançados como custo diferido, conforme ficou claro na resposta ao Termo de Intimação 002/2005 (fls. 208/217), na qual foi demonstrada a sistemática de contabilização. Além disso, temos, no item D da resposta ao Termo de Intimação 005/2005 (fls. 252/264), a tentativa do contribuinte de demonstrar a composição da despesa contida no relatório gerencial. [...] Cabe destacar, com base nas informações prestadas pela empresa as seguintes fragilidades argumentativas: a A empresa informa que os relatórios, por terem sido realizados pela área comercial, e por não se basearem nos princípios contábeis geralmente aceitos, não servem para apuração de resultados. A fiscalização entende ser muito improvável que o administrador da empresa optasse por gerenciar a empresa com base em informações que não representassem a realidade dos fatos ao invés de preferir os dados gerados pelo departamento contábil; b O valor total não coincide com o valor total dos relatórios, sendo a diferença apurada denominada pela empresa como "não investigada"; Fl. 19DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 639 20 c Sendo os valores de permutas, como a própria empresa defende em diversos momentos ao longo da fiscalização, simples troca de ativos, como pode o administrador considerála "Receita REALIZADA"?? Essa terminologia, utilizada reiteradas vezes, apresentase como muito significativa. Receita Realizada, dentro dos mais amplos conceitos contábeis, nos remete invariavelmente a valores efetivamente recebidos ou disponibilizados. Não guarda a menor relação de semelhança com valores diferidos, que representa o recebimento de imóveis como parte de pagamento. Impossível, portanto, aceitar que venham a tratarse da mesma coisa. Outra questão que enfraquece a linha de raciocínio adotada pela empresa abrange a adoção da sistemática contábil de registro dos imóveis recebidos como permuta pelo valor do custo orçado do empreendimento vendido. Como poderia o administrador exercer a contento seu papel caso se baseasse em números gerenciais que não representassem a realidade das operações? Por fim, uma análise simplória mensal dos números em questão torna totalmente inaceitável uma argumentação que já carecia de base razoável. Senão vejamos: Mês Receita Realizada (Relatório Gerencial) A Receita DIPJ B Diferenças C Permutas (DIMOB) D jan 2.001.034,20 1.620.434,78 380.599,42 565.474,93 fev 1.400.039,00 790.909,10 609.129,90 310.141,63 mar 1.585.415,00 906.647,76 678.767,24 590.316,63 abr 1.636.132,92 1.086.188,38 549.944,54 942.921,60 mai 1.629.944,90 979.607,87 650.337,03 1.120.604,01 jun 2.029.314,73 1.087.357,55 941.957,18 835.045,62 jul 2.123.517,84 1.085.990,82 1.037.527,02 1.130.880,55 ago 1.629.121,64 1.113.115,05 516.006,59 397.821,46 set 1.536.031,73 1.188.430,33 347.601,40 609.599,27 out 2.216.199,31 1.612.216,84 603.982,47 631.817,79 nov 1.371.380,81 984.522,04 386.858,77 378.586,49 dez 2.174.301,01 1.486.596,58 687.704,43 223.007,18 total 21.332.433,09 13.942.017,10 7.390.415,99 7.736.217,16 Vejamos, se a diferença total de receitas apuradas no ano, porventura pudesse ser explicada pela adição dos valores referentes às permutas, como explicar que as diferenças mensais hão guardam qualquer relação com os totais mensais destas mesmas permutas, conforme o quadro acima?? Observase que as diferenças mensais entre os dois montantes (colunas C e D) atingem patamares de 308%, como é o caso de Dezembro/2003. Podese observar que tais montantes não chegam a coincidir em nenhuma ocasião. Sendo assim, tornase inadmissível que tal diferença apurada (R$ 7.390.415,99) esteja de alguma forma contida no total de permutas do ano (R$ 7.736.217,16). Tratamse, indubitavelmente, de montantes com origens distintas. 8.2CONCLUSÃO Desta forma, considerando que: Fl. 20DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 640 21 1 A empresa registra em diversos relatórios gerenciais/financeiros uma receita significativamente maior daquelas informadas em sua DIPJ; 2 Existem fortes evidências de que as informações contidas em tais relatórios representam de forma fidedigna os fatos econômicos/financeiros vivenciados pela empresa no ano de 2003; 3 A parcela de recebimentos ocorrida mediante recebimento de imóveis (permuta) foi devidamente contabilizada no grupo de contas denominado RESULTADO DE EXERCÍCIOS FUTUROS, como RECEITA DIFERIDA, não cabendo desta forma utilizarse do montante dessas operações (R$ 7.531.114,55) para explicar a diferença apontada; 4 A empresa contabilizava os salários de seus funcionários por valores nitidamente inferiores aos efetivos, conforme relatório retido na mesa do sócioadministrador, num claro indício que essa mesma contabilidade não abrangia a totalidade da movimentação financeira da empresa (vide item 8.1.4); 5 A fiscalizada não apresentou esclarecimentos satisfatórios às significativas diferenças entre operações realizadas em relação a imóveis similares (mesmo empreendimento e mesma área), conforme descrito no item 6; Concluise que parte da receita realizada, constante em diversos relatórios gerenciais, conforme discriminado a seguir, não foi devidamente contabilizada e tributada, constituindo desta forma receita omitida, nos termos da legislação tributária. Notase que frágeis foram os argumentos adotados pela autoridade lançadora para desvincular o diferencial de receita realizada do valor dos imóveis recebidos em permuta. Além de centrar foco nas diferenças mensais encontradas, desmerecendo a semelhança do montante anual (R$ 7.390.415,99 de receitas omitidas e R$ 7.736.217,16 de permutas informadas em DIMOB), afirmou a fiscalização que a contribuinte não poderia classificálos como receita realizada se, em diversos momentos ao longo da fiscalização, defendeu que ali haveria simples troca de ativos, e argumentou que receita realizada é conceito que remete invariavelmente a valores efetivamente recebidos ou disponibilizados. Contudo, não se vê qualquer impedimento em a empresa classificar tal receita como diferida em sua contabilidade, e gerencialmente considerála como parcela do valor dos imóveis vendidos naquele período, para aferição das metas fixadas. É certo que a empresa também pode ter gerenciado seus resultados a partir do efetivo valor da transação dos imóveis nos quais houve permuta envolvida, pois, como bem afirma a fiscalização, em regra os controles gerenciais baseiamse em dados que representam a realidade das operações. Todavia, a possibilidade da hipótese anterior fragiliza a presunção extraída do conjunto de indícios reunidos pela fiscalização e evidencia que não há materialidade suficiente para manutenção da exigência. Assim, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 21DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU Processo nº 11516.000378/200613 Acórdão n.º 110100.438 S1C1T1 Fl. 641 22 Fl. 22DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 30/04/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/06/2011 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU
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Numero do processo: 10825.900486/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1998 Ementa: DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificá-la. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial, não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.165
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial, não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900486/200631 Acórdão n.º 1402001165 S1C4T2 Fl. 0 2 Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900486/200631 Acórdão n.º 1402001165 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório O processo acima identificado retorna de diligência. Do relatório feito naquela ocasião, quando o processo esteve em pauta, transcrevo o quanto segue nos parágrafos subsequentes: Conforme demonstra a alteração contratual de fls. 15/19, datada de 11/11/2003, a recorrente foi constituída no ano de 1976, sob a denominação social de Laboratório Bauru de Patologia Clínica Sociedade Civil Ltda., tendo por objeto social o campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”. O acórdão recorrido, à fl. 59, diz que a retificação da DIPJ do anocalendário de 1998 ocorreu em 21/05/2008. Todavia, examinando os autos não foi possível localizar a existência da referida declaração retificadora. A DIPJ fls. 15/26, entregue em 24/04/2008, demonstra que a interessada protocolizou declaração retificadora do período de 01/01/2001 a 31/12/2001, indicando ser tributada na sistemática do lucro presumido e base de cálculo de 8% (oito por cento). As DCTF`s retificadoras de fls. 21/42 referemse ao segundo e terceiro trimestres de 2001. Pelo que alega a recorrente, tendo constatado pagamento a maior, isto é, feito levando em consideração a base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), a parte tratou de fazer as respectivas compensações. Todavia, não vieram aos autos os comprovantes de pagamento apurados com a base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento) e tampouco a DCTF do período de 1998. O acórdão de fls. 58/61 não homologou o procedimento de compensação sob o fundamento de que o direito creditório não estava devidamente comprovado. Em síntese, no caso concreto, alega a recorrente que ao calcular o imposto devido em relação ao quarto trimestre de 1998 utilizou base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto seria 8% (oito por cento). Assim, pagou imposto a maior no ano de 1998 e, em 2004, “antes de seu crédito ser atingido pela decadência” realizou as compensações indicadas nas DCTF`s de fls. 21 e seguintes, no montante de R$ 7.417,69. Em sessão anterior, quando o processo foi examinado pelo colegiado, converteuse o julgamento em diligência para que viessem aos autos os seguintes elementos: a) cópia do contrato social que vigorava no período de apuração do crédito em discussão; b) cópias das DCTF`s referentes aos períodos dos alegados pagamentos a maior, junto com a DIPJ de cada um dos trimestres, identificando a base de cálculo aplicada e a natureza dos rendimentos; c) cópia dos comprovantes de pagamento e/ou extinção dos débitos tributários por compensação; Fl. 598DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900486/200631 Acórdão n.º 1402001165 S1C4T2 Fl. 0 4 d) quadro demonstrativo referente ao período do alegado pagamento a maior, indicando a natureza da origem da receitas (comércio, prestação de serviços, atividades de laboratórios, etc.), a base de cálculo considerada, o valor pago à época, o quanto seria devido se aplicado base de cálculo de 8% (oito por cento) e não de 32% (trinta e dois por cento) e, e) nos casos de pagamentos a maior, com débitos subsequentes, deverá a requerente fazer constar do quadro acima quando isto se deu, em que valores e em que forma (DCTF, DCOMP etc). No decorrer da diligência levada a efeito pela autoridade fiscal, a empresa juntou documentos e planilhas, dentro os quais cito os que seguem: (I) cópias de PER/COMPs transmitidas em 2003; (II) planilha com demonstrativo de imposto a pagar no 4º trimestre de 1998 e do imposto a recuperar a partir do Segundo Trimestre de 1999; (III) comprovante de entrega da DIPJ retificadora do anocalendário de 1998, transmitida em 21052008; (IV) planilha com demonstrativo com imposto apurado com base de cálculo de 8%, em confronto com a base de cálculo de 32%, nos anos calendário de 2003, 2004 e 2005; (V) cópia do auto de infração datado de 18032008, exigindo crédito tributário com base na alíquota de 32%; (VI) cópia do contrato social e alterações subsequentes; (VII) planilha e quadro resumo do faturamento obtido pela empresa, no ano de 1998, indicando as fontes pagadoras, o montante em cada trimestres e as retenções de imposto de renda na fonte; (VIII) Livro razão referente ao anocalendário de 1998. De posse das informações fornecidas pela parte interessada a autoridade fiscal elaborou o termo de verificação datado de 05122011, destacando os seguintes pontos: a) que o alegado direito creditório da recorrente referese à diferença pelo de ter recolhido tributos considerando base de cálculo de 32%, quando o correto, segundo seu entendimento, seria 8%; b) que esta diferença resultante entre 1998 e 2003 gerou mais de 180 PER/COMP; Fl. 599DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900486/200631 Acórdão n.º 1402001165 S1C4T2 Fl. 0 5 c) que para o ano de 1998, a interessada entregou a DIPJ original nº 0301264–07 em 27/09/1999, retificandoa em 21/05/2008 pela declaração nº 127461804. Em relação à DCTF, não houve entrega de declaração retificadora, ficando declarados os seguintes valores: De acordo com a DIPJ original e a DIPJ retificadora, para os últimos dois trimestres de 1998 temse o seguinte quadro comparativo: Intimada dos levantamentos feitos pela autoridade fiscal, a recorrente manifestouse destacando os seguintes pontos: a) que dos demonstrativos apurados no exaustivo trabalho da autoridade fiscal notouse algumas divergências entre a receita declarada e a receita informada em DIRF. Igualmente, percebeuse pequenas divergências entre as retenções que foram utilizadas em compensações; b) relativamente às divergências de receitas e retenções declaradas, esclarece a recorrente que a contabilização da receita era feita pela nota fiscal e o aproveitamento da retenção na fonte pelo recebimento; c) por outro lado, esclarece a recorrente que o valor da nota fiscal emitida nem sempre correspondia ao pagamento, pois existiam glosas, ainda que indevidas, pelos tomadores dos serviços; d) que os valores sem DIRF, mas representativos, são do SUS e do SEPREM, ambos órgãos públicos a quem a recorrente solicitou os devidos comprovantes, sendo que a SEPREM o forneceu e o SUS informou que tais informações somente podiam ser obtidas por meio de diligências em Brasília, pois a verba para a saúde tem origem no Ministério da Saúde que repassa para os Estados e Municípios. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900486/200631 Acórdão n.º 1402001165 S1C4T2 Fl. 0 6 e) destaca, ainda, que o processo documental do SUS é diferente, pois não existe nota fiscal de serviço, mas sim relatórios que são auditados, para os quais são emitidos ofícios com estimativa de pagamento. Neste sentido a recorrente apresenta exemplos. f) Junto com a manifestação em relação ao levantamento feito pela autoridade fiscal a contribuinte juntou documentos separados por anos (1998, 1999 e 2000). g) para cada ano e para cada empresa que apresentou problemas de falta ou de divergência de valores a contribuinte elaborou planilha contendo: 1. o ano da ocorrência; 2. o nome da empresa – fonte pagadora; 3. o nº atribuído a esta empresa que irá identificálo no razão; 4. o nº do CNPJ da fonte pagadora; 5. o Banco onde eram creditados os rendimentos; 6. o faturamento líquido e a retenção em cada mês. A planilha acima referida foi instruída com cópias de notas fiscais, onde por vezes constam anotadas as glosas, novo cálculo de retenções, valor líquido pago, data de pagamento e extrato onde se encontra registrado o crédito e, por vezes, o nome do pagador. A título de exemplo de glosa ocorrida a contribuinte menciona a nota fiscal nº 2035, de 30091998, no valor original de R$ 1.008,30, com glosa de R$ 45,00. Assim, o valor da referida nota passou a ser R$ 963,30 (R$ 1.008,00 – R$ 45,00 ,00 = R$ 963,30). Sobre este valor houve retenções de R$ 81,40, o que resultou em recebimento líquido de 881,90. É o relatório. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900486/200631 Acórdão n.º 1402001165 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Antes de adentrar ao mérito faço questão de registrar o excelente trabalho de confecção de planilhas elaboradas tanto pela fiscalização quanto pela contribuinte. O atuar de uma facilitou no trabalho da outra e ambas propiciaram melhor esclarecimentos aos fatos. Do retorno da diligência, levando em consideração o objeto social da recorrente, os tomadores dos serviços e demais dados existentes nos autos, já analisados quando da conversão do processo em diligência, resultei convencido de que, à luz do que foi decidido no REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime de recurso repetitivo de que trata o artigo 543C, do Código de Processo Civil, que nos termos do artigo 62A, do Regimento Interno, deve ser observado por este colegiado, a base de cálculo aplicável ao caso concreto efetivamente era de 8%. Deixo de transcrever os fundamentos constantes do REsp nº 1.116.399/BA porque já o fiz quando da resolução que converteu o processo em diligência. À luz do parágrafo único do artigo 142, do CTN, a atividade de lançamento, assim entendido como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo, é atividade administrativa vinculada e obrigatória. Quer nos casos de lançamento de ofício, quer nas hipóteses de lançamento por homologação em que o sujeito passivo, por conta própria, identifica a matéria tributável, a base de cálculo, a alíquota incidente, o quanto devido e realiza o pagamento, não há faculdade, em relação a nenhuma das partes, para exigir ou deixar de pagar tributo previsto em lei. A garantia constitucional consagrada no artigo 150, I, da CF, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”, também contém a obrigação do contribuinte de pagar, com exatidão, os tributos previstos no ordenamento jurídico. Tal comando constitucional advém do princípio da legalidade consagrado no artigo 5º, II, da Constituição de 1988, e não é novo em nosso direito, pois já se encontrava previsto nas Constituições anteriores e no artigo 97, do Código Tributário Nacional. Nos casos de pagamento a menor cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142, do CTN, por lançamento de ofício, exigir a diferença. Efetuado pagamento a maior, diante da impossibilidade de se exigir tributo além do montante fixado em lei, cabe à Administração proceder a restituição, que nos casos de pessoa jurídica pode darse mediante compensação, conforme previsto no artigo 170, do CTN. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900486/200631 Acórdão n.º 1402001165 S1C4T2 Fl. 0 8 Ainda em relação à compensação, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as modificações introduzidas pela Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, dispõe “in verbis”: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada ao caput pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002).” Quando examinei o processo pela primeira vez o fiz partindo da premissa de que a contribuinte, quando formulou os pedidos de compensação, havia retificado as DCTFs, sem proceder o mesmo em relação à DIPJ. Tendo por norte esta premissa entendi que as DCTF`s entregues eram documentos hábeis para constituir os débitos tributários nelas contidos, assim como para informar que tais débitos foram pagos mediante compensação. Assim, não havia o que se falar em decadência. Apesar dos fundamentos acima, como as DCTFs retificadoras não se encontravam nos autos, converti o julgamento em diligência solicitando que viessem aos autos ditos documentos. Se retificada a DCTF antes da extinção do direito da recorrente, ao meu sentir, em análise preliminar, não haveria como negar a compensação ora analisada. Ocorre que as DCTFs correspondentes ao terceiro e quarto trimestre de 1998 não foram retificadas, nem mesmo após o decurso do prazo de cinco anos, como se verificou em relação as DCTFs de cada um dos trimestres de 1999 e 2000. Assim, a premissa inicialmente considerada quando da conversão do processo em diligência, com a informação vinda aos autos, mostrouse inexistente. Nos termos do artigo 147 e seguintes do, Código Tributário Nacional, o lançamento pode darse por a) declaração; b) homologação e c) de ofício. No caso, interessanos o lançamento por homologação que à luz do artigo 150, do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de identificar a matéria tributável, apurar o quanto devido e realizar o pagamento, cabendo à autoridade administrativa homologar a atividade praticada pelo sujeito passivo ou, em discordando, efetuar o lançamento de ofício. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900486/200631 Acórdão n.º 1402001165 S1C4T2 Fl. 0 9 Quando o sujeito passivo, no lançamento por homologação, identifica a matéria tributável, apura a base de cálculo e calcula o valor do tributo devido, informandoo à Administração Tributária por meio de DCTF, temse a constituição de um crédito em favor do Fisco. Neste caso é o sujeito passivo que apura o valor que reconhece devido ao sujeito ativo. Por outro lado, quando o Fisco, em lançamento por declaração ou de ofício, apura o valor do imposto devido e notificao ao sujeito passivo, tem o credor o prazo de cinco anos para exigir o respectivo tributo, sob pena de prescrição. Pelo que se depreende do artigo 149, parágrafo único, do CTN, este lapso temporal de 5 (cinco) anos também se verifica nos casos em que o sujeito passivo, nos lançamentos por homologação, comete erros na constituição do crédito. Por hipótese, se constituiu crédito tributário considerando base de cálculo além da devida, lhe é assegurado o prazo de cinco anos para retificar o ato de constituição do débito, no caso a DCTF. O prazo quinquenal de que trata o artigo 150, parágrafo único do CTN, é prazo aplicável tanto em favor do Fisco quanto do contribuinte para retificarem o lançamento, nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido tal prazo não é lícito o fisco fazer exigência em face do contribuinte e, tampouco, este pode retificar DCTF para diminuir o valor anteriormente constituído. O que o contribuinte precisa entender é que ao entregar a DCTF constitui crédito em favor do Fisco, podendo retificála no prazo de 5 (cinco) anos. Decorrido tal prazo extinguese o direito da parte em retificar a DCTF. Por fim, para que não se diga que o colegiado tangenciou sobre ponto relevante em relação ao qual deveria manifestarse, deixo consignado que o fato do sujeito passivo ter entregue pedido de compensação dentro do período de cinco anos não altera o resultado do julgamento. A compensação pressupõe um crédito do devedor para com o credor. Assim, no momento em que o sujeito passivo não retificou sua DCTF, dentro do período de 5 (cinco) anos, não fez aflorar o crédito pretendido que, mediante compensação, poderia utilizar para pagamento de outro tributo. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso por reconhecer a impossibilidade de retificação da DCTF depois de decorridos 5 (cinco) anos de sua entrega. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 604DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 37324.008592/2005-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2302-000.163
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda seção de julgamento, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros estando presentes MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA (Presidente), LIEGE LACROIX THOMASI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR E ADRIANA SATO. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 37324.008592/200588 Resolução n.º 2302000.163 S2C3T2 Fl. 2 2 Relatório Peço vênia para colacionar ao presente relatório aquele disposto no Acórdão 05 29.507, prolatado pela 9ª Turma da DRJ/CPS [fls. 418/421]: Tratase de REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO DA RETENÇÃO — RRR, protocolado em 07/12/2005, de que trata o artigo 31 da Lei 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei 9.711, de 20/11/1998, no valor originário de R$14.827,51 (quatorze mil, oitocentos e vinte e sete reais e cinquenta e um centavos). O RRR referese As contribuições retidas nas competências de abril a outubro de 2005. O DEMONSTRATIVO DE NOTAS FISCAIS / FATURAS / RECIBOS DE SERVIÇOS PRESTADOS — Anexo VI (fls. 85, 87, 89, 91, 93, 95 e 97), relaciona, por competência, o número, data de emissão, valor e respectiva retenção da fatura emitida em face do tomador Unopaso Exploração e Produção de Petróleo e Gás Ltda., objeto deste requerimento. A cada Anexo VI foi juntada a respectiva Nota Fiscal Fatura. O recolhimento da contribuições retidas estão confirmadas no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil — RFB, de fls.256 a 262. Consta de fls. 110 a 121, 137 a 142, 155 a 160, 172 a 177, 197 a 204, 215 a 220 e 232 a 237 cópias de Folhas de Pagamento e de fls. 99 a 109, 122 a 136, 143 a 154, 161 a 171, 178 a 196, 205 a 214 e 221 a 231, cópias de Guias de Recolhimento do FGTS e Informação A Previdência Social — GFIP. De fls 33 a 84 está anexada cópia do Contrato de Prestação de Serviços, traduzido por tradutor público, celebrado entre a STRACK e UNOPASO. Conforme cartas As fls. 287, 288, 373, 381 e 382, foram apresentados, por terem sido solicitados pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil — AFRFB, cópias dos seguintes documentos: fls. 288: planilha DEMONSTRATIVO DE COMPOSIÇÃO DE PREÇO — DCP, com a discriminação do custo do contrato com a UNOPASO; • fls. 374 a 380: 2° Instrumento de Alteração Contratual de Sociedade Civil para Mercantil por Cotas de Responsabilidade Limitada; • fls. 381: requer que seja alterado o número do Processo do Protocolo n° 006867 de 21/07/2008 para Processo n°37324.008592/200531; fls. 383 a 390: Contratos de Locação celebrado entre Sr. Virgílio Antônio de Rezende (locador) e STRACK (locatária) referentes aos seguintes bens móveis: Fl. 454DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 37324.008592/200588 Resolução n.º 2302000.163 S2C3T2 Fl. 3 3 Veiculo GM BLAZER DLX de placa COZ 9313, ano 1997, modelo 1998, cor azul, em 01/10/2001; • Linhas telefônicas no (19)32540259 e (19) 32948826, em 01/10/2001; • Linhas telefônicas n° (19)97943795 e (19)97725111, em 01/10/2001; e • Linha telefônica n° (19)97725111, em 01/08/2006. O pedido de restituição foi indeferido, conforme informação de fls. 391 a 394, em 25/07/2008, nos seguintes termos: 5 — Em razão dos fatos descritos, entendemos que a requerente, ao deixar de contabilizar em contas próprias as despesas incorridas, ao contabilizar valores de retirada prólabore supostamente inferiores aos efetivamente recebidos, deixar de apresentar Folha de Pagamento especifica com todos os fatos geradores, deve ter negado o reconhecimento do direito creditório da restituição dos valores requeridos, pelo que, propomos o indeferimento do referido processo. Ciente em 29/07/2008 e irresignada, a requerente recorreu da decisão que indeferiu seu pedido, em 28/08/2008, onde pondera que o Demonstrativo de Composição de Prego — DCP não possui valor jurídico e serve somente para um mero balizamento de valores e preços internos que podem se praticados pela Recorrente. Alega que os documentos apresentados inicialmente — GFIP, GPS, Folhas de Pagamento e Nota Fiscal emitida —, juntados ao RRR, provam que é devida a restituição pleiteada. Infere que os valores de honorários de consultoria informados no DCP constituem meros custos mercadológico e não custo contratual como entendeu o AFRFB. Acrescenta que o DCP é apenas guia de cálculo interno e não reflete a realidade do contrato celebrado entre a Strack e Unopaso. Assegura que o valor recebido a titulo de pro labore é condizente com a retirada mensal do sócio e que está informado tanto na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, como da Jurídica o recebimento de participação nos lucros da empresa. Noticia que os lançamentos referentes ao pagamento de veiculo da social Sulamita estão equivocados e serão objeto de retificação pela empresa. 0 veiculo BLAZER foi locado à empresa pela sócia e não pode ser considerado pagamento indireto de prólabore, mas sim despesas de manutenção a cargo da locatária. Reitera que:, a remuneração auferida pelos sócios está discriminada folhas de pagamento apresentadas e não deixa margem para entendimento contrário. Por todo o exposto requer o deferimento do pedido. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 37324.008592/200588 Resolução n.º 2302000.163 S2C3T2 Fl. 4 4 Em 07/11/2008, o SEORT, em Campinas, contra arrazoou as alegações da STRACK, conforme documento de fls. 410 a 412, nos seguintes termos: 1. Não foi definida qual pessoa prestou o serviço de consultor técnico, se empregado ou sócio; 2. As informações relatadas no DCP foram consideradas para a análise do pedido de restituição; 3. Os honorários indicados no DCP não figuram nas GFIP apresentadas; 4. Incompatível o pagamento de R$270,00, a titulo de pró labore, e R$2.490,00 ao empregado, no cargo de operador técnico; 5. Despesas de IPVA e Seguro Obrigatório configuram remuneração indireta ao sócio; 6. Não consta o nome do sócio Virgilio Andrade Resende nas folhas de pagamento especificas da tomadora Unopaso; e 7. Não comprovou a retificação dos registros contábeis, lançados equivocadamente, nos respectivos Livros Diário. Os autos foram encaminhados ao 2° Conselho de Contribuintes, para análise do recurso, porém, retornaram a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento — DRJ, por força da Portaria n° 14, de 09/12/2008, para cumprir o rito do Decreto 70.235, de 06/03/1972. Em 23 de julho de 2010, foi prolatado Acórdão n. 0529.507 [fls. 418/421] pela 9ª Turma da DRJ/CPS que julgou improcedente o pleito do contribuinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/04/2005 a 31/10/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE 11% SOBRE 0 VALOR DE NOTAS FISCAIS DE SERVIÇOS. EXAME DOCUMENTAL. A inconsistência das informações prestadas na manifestação de inconformidade excluem a liquidez e certeza exigida para a restituição. PROVAS. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. Constitui ônus do contribuinte apresentar na impugnação os documentos e provas para instrução do processo, precluindo o direito de fazêlo posteriormente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte foi cientificado do decisum em 22/09/2010 [fl. 424]. Em 22/10/2010, o Interessado interpôs recurso voluntário [fls. 425/430] que, em síntese, alega: Fl. 456DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 37324.008592/200588 Resolução n.º 2302000.163 S2C3T2 Fl. 5 5 O Demonstrativo de Composição de PreçoDCP não se constitui como custo contratual, apenas e tão somente como uma referência para prática de preço ser praticado, e, não necessariamente o custo contratual; Os honorários de consultoria constantes na planilha DCP servem apenas de balizamento para composição de preço e não como composição de custos contratuais, bem como, que retirada de prólabore condiz com a retirada mensal; não há qualquer irregularidade no pagamento das despesas do veículo Blazer, uma que este bem se encontra locado pela empresa; e a retirada do prólabore fora devidamente informada. É o relatório. Voto DAS QUESTÕES PRELIMINARES: O art. 142 do CTN impõe a necessidade de realização do lançamento diante da ocorrência do fato gerador, bem como nos casos de aplicação de penalidade pecuniária. Assim, não cabe o mero apontamento pelo órgão fazendário de que há irregularidade perante o Fisco, nesse caso deveria ter lançado o crédito respectivo. Pela irregularidade cadastral caberia aplicação de multa isolada (auto de infração por descumprimento de obrigação acessória). A análise de possíveis distorções pode e deve ser realizada pela autoridade fiscal, contudo tal análise deve ser devidamente fundamentada, possibilitando um procedimento fiscal que confira a ampla defesa e o contraditório. Os presentes autos não servem para discussão, assim caso a Receita Federal não confie nos dados apresentados deve apurar os fatos em ação fiscal, na qual tenha acesso à toda documentação necessária, se for o caso efetue o lançamento, possibilitando o procedimento adequado e idôneo para a defesa do contribuinte. Deve a Receita Federal informar se o contribuinte encontrase sob ação fiscal, bem como o auto de infração ou a notificação fiscal lavrados, se for o caso. Para impedir a restituição o débito tem que ser constituído pelo órgão fiscalizador. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente. É como voto. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 37324.008592/200588 Resolução n.º 2302000.163 S2C3T2 Fl. 6 6 Sala das Sessões, em 15 de maio de 2012 MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Fl. 458DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/ 06/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
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Numero do processo: 10830.015326/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
OPÇÃO DO CONTRIBUINTE POR DISCUTIR O ASSUNTO NA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
“Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (Súmula CARF nº 1).
BASE CÁLCULO. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. CUSTOS. EXCLUSÕES.
Os custos dos serviços prestados, tais pagamentos aos médicos cooperados, hospitais, laboratórios e clínicas radiológicas, não configuram indenizações correspondentes a eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades; assim, não são passíveis de dedução da base de cálculo da contribuição por falta amparo legal.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.421
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. designado.
Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López.
Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (Súmula CARF nº 1). BASE CÁLCULO. COOPERATIVAS OPERADORAS DE PLANO DE SAÚDE. CUSTOS. EXCLUSÕES. Os custos dos serviços prestados, tais pagamentos aos médicos cooperados, hospitais, laboratórios e clínicas radiológicas, não configuram indenizações correspondentes a eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades; assim, não são passíveis de dedução da base de cálculo da contribuição por falta amparo legal. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator designado Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andréa Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez López. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Fez sustentação pela Recorrente o advogado Aberlardo Pinto Neto, OAB/SP 99.420, e pela Fazenda Nacional a Procuradora Ana Paula Ferreira de Almeida Vieira. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 2 RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS Redator designado. EDITADO EM: 28/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Sérgio Celani, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ em Campinas, que julgou procedente o auto de infração de PIS/PASEP, dos anos calendários 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010, em face das irregularidades relatadas no relatório e voto condutor do acórdão recorrido, conforme sintetiza a ementa do acórdão a seguir reproduzida: Fl. 930DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 10830.015326/201001 Acórdão n.º 330101.421 S3C3T1 Fl. 2 3 Cientificada em 06/06/2011 (AR fl. 827), foi interposto o recurso voluntário em 05/07/2011, onde, reitera as argumentações constantes de sua impugnação, aduzindo, em síntese, o seguinte: Fl. 931DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 4 Resumidamente, de acordo com o entendimento da Agência Nacional de Saúde, além das parcelas destinadas às provisões técnicas, para fazer frente às obrigações assumidas pelas operadoras de Plano de Saúde (inciso II), também podem ser deduzidas da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, das Operadoras de Planos de Saúde, as coresponsabilidades cedidas, assim entendido as contraprestações de planos de assistência à saúde correspondentes à cessão de risco compartilhada com outra operadora (inciso I), conforme previsto no Plano de Contas da ANS, bem como dos eventos ocorridos (inciso III). Em relação ao inciso III, do § 9º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, acrescentado pela MP nº 2.15835/2001, sustenta o seguinte: É o relatório. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 10830.015326/201001 Acórdão n.º 330101.421 S3C3T1 Fl. 3 5 Voto Vencido Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO OPERADORAS DE PLANOS DE SAÚDE. CONTRIBUIÇÕES PARA PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. DEDUÇÕES. De acordo com o art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela MP nº 2.158352001, as operadoras de planos de assistência à saúde, poderão deduzir da base de cálculo das Contribuições PIS/Pasep e Cofins, as coresponsabilidades cedidas, a parcela destinada à constituição da reserva técnica e os valores referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, assim entendido os custos assistenciais decorrentes da utilização dos planos de saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade, já que neste caso, serão computados nas deduções de outra operadora de Plano de Saúde. O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades necessárias a sua admissibilidade. O que se discute no presente processo é a possibilidade da instância administrativa deliberar sobre a incidência da Contribuição ao PIS/faturamento sobre as receitas decorrentes dos denominados “atos principais” (infração 003 do auto de infração), considerado pela decisão recorrido como estando abrangido pela discussão junto ao Poder Judiciário. De acordo com esclarecimentos da Recorrente sobre o Termo de Intimação nº 00994/09/006, a mesma apresentou os seguintes esclarecimentos sobre as referidas operações: Analisando as informações sobre os assuntos discutidos no Mandado de Segurança, constatase que a infração 003 – Atos Principais, que abrange os serviços relativos Fl. 933DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 6 às consultas, exames e demais procedimentos prestados pelos cooperados pessoas físicas ou jurídicas, de fato encontramse em discussão junto ao Poder Judiciário, senão vejamos: Logo, em relação a esse ponto (infração 003), aplicase a Súmula nº 01 do CARF, nos seguintes termos: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” (Súmula CARF nº 1) Em relação aos demais assuntos, os quais foram conhecidos pela decisão recorrida, constam as exclusões da base de cálculo do PIS/faturamento, incidente sobre os chamados “atos principais” (infração 001); exclusão da base de cálculo do PIS sobre “atos não cooperativos” (infração 002); e, exclusões da base de cálculo dos “atos auxiliares” (infração 004), em relação aos quais, para maior clareza peço vênia para transcrever as seguintes conclusões constantes do acórdão recorrido: Entretanto, não vejo como prosperar essa argumentação, porquanto de acordo com o § 9º do art. 2º da MP nº 2.15835/2001, que deu nova redação ao art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, as operadoras de planos de assistência tem direito às seguintes deduções: Fl. 934DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 10830.015326/201001 Acórdão n.º 330101.421 S3C3T1 Fl. 4 7 Art. 2º O art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: (...) § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades." (NR) Em relação ao item II, não requer maiores discussões, porquanto corresponde à parcela destinada às provisões técnicas, para fazer frente às obrigações das operadoras. Quanto aos itens I e III, ao que tudo indica a fiscalização não concorda com o entendimento adotado pela Recorrente amparada em esclarecimento técnico da Agência Nacional de Saúde, que para melhor esclarecer, peço vênia para transcrever os seguintes itens contemplados no relatório do acórdão recorrido: Fl. 935DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 8 Assim, de acordo com o entendimento da Agência Nacional de Saúde, além das parcelas destinadas às provisões técnicas, para fazer frente às obrigações assumidas pelas operadoras de Plano de Saúde (inciso II), também podem ser deduzidas da base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, das Operadoras de Planos de Saúde, as co responsabilidades cedidas, assim entendido as contraprestações de planos de assistência à saúde correspondentes à cessão de risco compartilhada com outra operadora (inciso I), conforme previsto no Plano de Contas da ANS, bem como dos eventos ocorridos (inciso III), assim entendido: Fl. 936DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 10830.015326/201001 Acórdão n.º 330101.421 S3C3T1 Fl. 5 9 Em relação à definição do que seja “coresponsabilidades cedidas” e “indenização correspondentes aos eventos ocorridos”, são conceitos próprios do exercício da atividade das operadoras de planos de saúde, não podendo serem alterados pela lei tributária, por força do disposto no art. 110, do CTN. Ademais disto, conforme bem sustentou o douto patrono da Recorrente, na Exposição de Motivos da MP nº 2.15835/2001, que introduziu o § 9º ao art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, teve por objeto dar tratamento isonômico entre as operadoras de planos de saúde e as entidades de seguro, nos seguintes termos: MF 00163 EM REEDIÇÃO MPV 215834: (...) 2. A obrigatoriedade de constituição de reserva técnica, estabelecida para as operadoras de planos de assistência à saúde, objetiva a preservação e a continuidade na prestação desses serviços, evitando a deterioração patrimonial das operadoras e, por conseguinte, garantindo a manutenção das geradora de arrecadação tributária. Tal situação em muito se assemelha às reservas técnicas que devem ser constituídas no âmbito das entidades seguradoras. 3. Dessa forma, é lógico que se estabeleça, sob o ponto de vista tributário, tratamento isonômico entre aquelas operadoras e as entidades de seguro, de forma a dar efetividade à medida, mediante introdução de § 9º ao art. 3º da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998, conforme se propõe pela alteração do art. 2º da mencionada Medida Provisória, bem assim pela introdução dos arts. 82 e 83.” (grifos acrescidos). Essa motivação reforça a tese defendida pela Recorrente, no sentido de que o inciso III, do § 9º, do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, introduzido pela MP nº 2.15835/2001, de fato teve por objeto deduzir da base de cálculo também os “sinistros”, isto é, as ocorrências, assim consideradas as despesas efetivamente ocorridas com a utilização dos planos de saúde, em decorrência do tratamento isonômico concedido às operadoras de planos de saúde e as entidades seguradoras. Considerando esse tratamento isonômico, o § 5º, inciso II, do art. 3º, da mesma lei, possibilita às empresas de seguros privados, deduzir da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins, “o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos”. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 10 Desta forma, de acordo com o art. 3º, § 9º, da Lei nº 9.718, de 1998, com a redação dada pela MP nº 2.158352001, as operadoras de planos de assistência à saúde, poderão deduzir da base de cálculo das Contribuições PIS/Pasep e Cofins, as co responsabilidades cedidas, a parcela destinada à constituição da reserva técnica e os valores referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, assim entendido os custos assistenciais decorrentes da utilização dos planos de saúde, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidade, já que neste caso, serão computados nas deduções de outra operadora de Plano de Saúde. Em face do exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso, em face da opção pela via judicial e na parte conhecida, dar provimento ao recurso. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator Fl. 938DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 10830.015326/201001 Acórdão n.º 330101.421 S3C3T1 Fl. 6 11 Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Redator Designado Discordo da Ilustre Relator, exclusivamente, quanto ao direito de a recorrente excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS os valores dos seus custos operacionais, ou seja, os custos dos serviços prestados, correspondentes aos pagamentos aos médicos, hospitais, laboratórios e clínicas. A Lei nº 9.718, de 27/11/1998, assim dispõe sobre essa contribuição: “Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...). § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (...); IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...). § 9º Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; Fl. 939DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 12 III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (...).” Ora, segundo estes dispositivos legais, aqueles custos não estão elencados dentre os valores passíveis de dedução da base de cálculo da contribuição para o PIS. Ao contrário do defendido pela recorrente, o inciso III (valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzidos das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades), não se refere aos custos dos serviços prestados (CSP). Para melhor esclarecimento deste item, tomamos a liberdade de transcrever parte do voto do Ilmo. Conselheiro Dr. Emanuel Carlos Dantas de Assis, sobre esta mesma matéria, proferido no Acórdão nº 20310.842, datado de 28/03/2007, por meio do qual os então Membros da 3ª Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuinte, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso respectivo recurso, de cujo julgamento este Relator participou, e adotamos para o presente caso: “Por último o inciso III, igual à diferença entre duas quantias: 1) a efetivamente paga, pela operadora de plano de saúde cessionária, aos seus conveniados, profissionais e empresas de saúde, relativamente aos eventos realizados com associados de outras operadoras (as cedentes) e 2) a quantia correspondente às importâncias recebidas, pela cessionária, das operadoras cedentes, a título de transferência de responsabilidade ou intercâmbio. Aqui, um esclarecimento: evento é toda e qualquer utilização, pelo beneficiário, das coberturas proporcionadas pelo plano, tais como consultas médicas, exames laboratoriais, hospitalização, terapias etc. A diferença entre 1 e 2 deve ser, necessariamente, positiva, para que a dedução estabelecida no inciso III seja permitida. É que, se negativa, os recebimentos da cessionária já cobrem os dispêndios com os eventos praticados com associados das cedentes, descabendo a dedução em análise. O que a recorrente pretende deduzir, supostamente amparada no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é a soma dos valores correspondentes a todos os eventos contabilizados nas rubricas relacionadas às fls. 118/119. Afirma que “A recorrente deduziu, da base de cálculo da contribuição depositada em juízo, os valores correspondentes a custos ou despesas decorrentes de prestação de serviços médicos ou auxiliares, ponto pacífico no processo.” (fl. 295, vol. II). Ou, nos dizeres da fiscalização, “O contribuinte entendeu deduzir da base de calculo os pagamentos de custos e despesas incorridas ou pagas a seus fornecedores e associados pela retribuição dos serviços, em resumo, deduziu da Receita Bruta os custos e despesas...” (fl. 169). Admitir as deduções pretendidas implica, na prática, em transformar a Contribuição em nãocumulativa, sem qualquer resguardo na legislação em vigor. Ademais, e como visto acima, o inciso III § 9º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não contempla custos e despesas relativos aos eventos com os associados da recorrente, mas sim com associados de outras operadoras (cessionárias).” Também, no julgamento de um outro recurso voluntário sobre esta mesma matéria, inclusive interposto por uma cooperativa de serviços médicos, como no presente caso, esta Primeira Turma Ordinária, por unanimidade de votos, negoulhe provimento, nos termos Fl. 940DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 10830.015326/201001 Acórdão n.º 330101.421 S3C3T1 Fl. 7 13 do acórdão nº 330100.669, de relatoria do então Ilustre Conselheiro Maurício Taveira e Silva, de cujo voto tomo a liberdade de adotar e transcrever a parte pertinente a este julgamento: “Assim, sobre essa questão, exclusões previstas no art. 3º, § 9º da Lei nº 9.718/98, incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001, cabem algumas considerações. A interessada apresentou um extenso arrazoado visando a dar uma amplitude maior à interpretação do inciso III, do § 9º do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, de modo a excluir a totalidade dos seus gastos sob o argumento da necessidade das deduções na base de cálculo da contribuição em função da diferença entre "entradas" e "receita". Nessa toada, tendo em vista que os ingressos na sociedade estão sempre predestinados à cobertura de despesas correlatas ao atendimento médico, como exames, hospitais, medicamentos e, por fim, destinados aos próprios médicos, não restaria o que tributar tornando, assim, as cooperativas isentas do pagamento do PIS e da Cofins. Esta não foi a lógica que o legislador optou. Embora mencionado anteriormente, repisese, o ICMS, ainda que indiscutivelmente apenas transite pelo caixa das empresas, ainda assim integra o faturamento e, portanto, compõe a base de cálculo destas contribuições.” (...).” Adotar o entendimento da recorrente de excluir da base de cálculo do PIS os custos dos serviços prestados (CSP) implica transformar o fato gerador desta contribuição de faturamento mensal em lucro operacional bruto. No entanto, desde a instituição daquela contribuição pela LC nº 7, de 07/09/1970, até o advento da Lei nº 9.718, de 1998, a base de cálculo eleita, tanto por aquela lei complementar, art. 3º, “b”, como por esta lei ordinária, art. 3º, foi o faturamento mensal, assim entendido a receita bruta operacional e não o lucro operacional. Dessa forma, em relação às exclusões previstas no § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, não há quaisquer valores adicionais a serem deduzidos. No lançamento impugnado, o Autuante levou conta todos os valores elencados nos incisos I a III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, citados e transcritos anteriormente. Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 941DF CARF MF Impresso em 21/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 09/08/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 28/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Numero do processo: 10516.000026/2010-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 30/07/2008 a 21/05/2009
RECURSO INTEMPESTIVO. PRECLUSÃO.
O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (art. 33 do Decreto 70.235/1.972).
Recurso Voluntário não Conhecido
Numero da decisão: 3101-001.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo.
Henrique Pinheiro Torres Presidente
Luiz Roberto Domingo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente), Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Henrique Pinheiro Torres (Presidente).
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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PRECLUSÃO. O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (art. 33 do Decreto 70.235/1.972). Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. Henrique Pinheiro Torres –Presidente Luiz Roberto Domingo – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios (Suplente), Luiz Roberto Domingo, Vanessa Albuquerque Valente e Henrique Pinheiro Torres (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 00 00 26 /2 01 0- 81 Fl. 607DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10516.000026/201081 Acórdão n.º 3101001.121 S3C1T1 Fl. 608 2 Tratase de lançamento de tributos incidentes sobre a importação de bens cuja fiscalização constatou o seguinte, conforme relatado no Relatório da decisão recorrida: a) foi encontrada nos computadores da empresa fiscalizada, planilha denominada "DEMONSTRATIVO DE CUSTOS DE IMPORTAÇÃO" (fl. 231) que revela a intenção do importador fiscalizado de segregar, do preço pago por equipamentos analisadores de gases expirados importados, modelo V02000, um determinado valor a titulo de importação do software (programa de computadores) denominado BREEZE SUITE, de molde a reduzir a tributação incidente na importação desses analisadores, sendo que todos os analisadores que foram importados pelo empresa fiscalizada, no período entre 2006 e 2010, são equipados com um kit de acessórios standard (V02000 SUPLLY KIT STD) que inclui o referido software; b) segundo entendimento exarado pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de Recurso Extraordinário n.° 176.626, a segregação, com indicação destacada dos preços do suporte fisico e dos programas, só se aplica ao software personalizado, ou seja, aquele que é produzido sob encomenda para atender a necessidade especifica de um determinado usuário e que, por caracterizarse preponderantemente como um serviço ou um direito de licença, não pode ter o mesmo tratamento de uma mercadoria, o que não se aplica, todavia, ao software considerado como de prateleira, como o citado BREEZE SLATE, comercializado na forma de múltiplas cópias e que são disponibilizadas a todo e qualquer interessado que adquira o mencionado equipamento analisador de gases expirados, até porque referido software é necessário à funcionalidade desses equipamentos e são normalmente vendidos como parte dos mesmos, pelo exportador MEDGRAPHICS CORP; c) não obstante isso, verificouse também que o importador, em momento algum procedeu à importação especifica de um programa de computador, mas sim de equipamentos em cuja configuração consta, além de um kit de acessórios, também uma cópia do software BREEZE SUITE, sendo que, em nenhum documento de aquisição constam destacados os preços dos suportes físicos e dos programas; d) em outra planilha, denominada SOURCE e encontrada nos computadores da empresa fiscalizada (fls. 232 a 235), foi verificado que o preço unitário do programa BREEZE SUITE é de US$ 1.747,00, e que o preço unitário do analisador V02000, incluindo referido programa, é de US$ 10.473,00, sendo que, em várias outras planilhas, igualmente encontradas nos computadores da empresa fiscalizada e que correspondem a faturas proforma (fls. 236 a 242), verificase que, sobre um preço estipulado em US$ 10.070,00, é concedido um desconto de US$ 4.070,00, de modo que o valor liquido do equipamento sempre totaliza um preço de US$ 6.000,00, porém, o preço declarado pelo importador em relevo, no período fiscalizado, foi ora US$ 1.250,00, ora US$ 1.500,00 ou, então, US$ 1.600,00. Isto é, a parcela ão declarada (em torno de US$ 4.500,00) até supera o preço unitário do programa BREEZE SUITE (US$ 1.747,00); e) dentre os contratos de cambio apresentados pela empresa fiscalizada, observouse que cinco deles referemse a transferências financeiras (contrato de cambio tipo 4) em favor de MEDICAL GRAPHICS CORPORATION — USA, cujo valor corresponde a US$ 53.100,00, valores esses que não aparecem nas declarações de importação e que, supostamente, correspondem a remessas para pagamentos de softwares, sendo que, para diversas operações de importação a INBRASPORT não apresentou os contratos de cambio correspondentes para comprovar as remessas para pagamento; Fl. 608DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10516.000026/201081 Acórdão n.º 3101001.121 S3C1T1 Fl. 609 3 f) diante do exposto concluiuse que o importador fiscalizado (INBRASPORT) declarou, nas importações sob apreço, valores que não correspondem ao preço efetivamente pago pelos produtos importados, deixando de declarar, de forma deliberada, uma parcela relevante do preço praticado, em razão de que procedeuse a reconstituição do valor aduaneiro dos mencionados equipamentos V02000, adotando o valor de US$ 6.000,00 e de US$ 6.500,00 (este a partir de setembro de 2009), tendo por base os controles internos da empresa e as faturas proforma que foram encontradas; g) além dos analisadores de gases expirados, modelo V02000, a INBRASPORT importou também um analisador de gases expirados, modelo CCM EXPRESS, havendo declarado (DI n.° 08/02572370, fls. 379 a 382) o preço unitário de US$ 8.330,00, amparado na fatura comercial 278310, cuja cópia não foi apresentada pelo importador quando intimado pela fiscalização. No entanto, várias planilhas (Proforma Template) encontradas nos computadores da empresa fiscalizada, demonstram que o preço do mencionado equipamento é de US$ 13.625,00, a exemplo da planilha colacionada à fl. 263 do processo; h) além dos mencionados equipamentos, foram encontradas faturas proforma referentes a importações de outros produtos e que demonstram a prática de subfaturamento também nessas importações, como do KIT SISTEMA DE TELEMETRIA PARA V02000, que foi importado pela INBRASPORT, sendo declarados os preços de US$ 790,00 para três unidades importadas, US$ 2.000,00 para uma unidade e US$ 4.696,00 para outra unidade do mencionado produto, ao passo que os documentos, colacionados as fls. 264 a 269, revelam que os preços efetivamente eram de US$ 4.696,00 e de US$ 4.884,00 (a partir de setembro de 2009), estando o preço de US$ 4.696,00 confirmado na planilha de fl. 233; i) nos computadores da empresa fiscalizada, foi encontrada também uma planilha eletrônica denominada "PLANILHA DE CONTROLE DE ORDENS E PAGAMENTOS PARA MGC.xls" (fl. 273), contendo a discriminação de alguns pagamentos realizados, dentre os quais destacase uma remessa de US$ 10.000,00 identificada como tendo sido feita por DOLEIRO, o que explica, em parte, o porquê de o importador não ter apresentado comprovantes de pagamentos referentes a todas as importações registradas; j) em razão de tudo isso, procedeuse à reconstituição do valor aduaneiro dos produtos importados (fls. 274 a 278), cujos preços declarados não representavam os preços efetivamente praticados, incluindo as parcelas segregadas arbitrariamente pelo importador, supostamente a titulo de pagamento de software, e outras que foram simplesmente omitidas, procedendose, por via de conseqüência, ao recálculo dos tributos devidos, e aplicando o disposto pelo art. 88 da Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001, para os casos em que, por não encontrar documentos representativos dos preços efetivamente praticados, foi necessário procederse ao arbitramento dos preços a partir das planilhas de controle encontradas no estabelecimento do próprio importador; k) em outro plano, foi também apurada a indicação indevida do destaque 999 no que conceme ao licenciamento dos analisadores de gases expirados classificados nos subitens 9027.80.90 e 9027.80.99 e para os quais deveria ter sido indicado o destaque 001, já que a licença de importação dos equipamentos classificados naqueles códigos NCM esta, a depender da anuência da ANVISA, quando destinados a uso médicoodontohospitalar, tendo sido, em razão disso, aplicada a multa de 30% do valor aduaneiro das mercadorias importadas sem o devido Fl. 609DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10516.000026/201081 Acórdão n.º 3101001.121 S3C1T1 Fl. 610 4 licenciamento, nos termos do que dispõe o art. 706, inciso I, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.° 6.579, de 2009; 1) em face do exposto e uma vez evidenciada a declaração inexata dos preços indicados pelo importador nas DI em relevo, da qual decorreu a falta de pagamento de tributos, concluiuse pela existência do intuito doloso do importador, cujas ações promoveram modificações nas características essências do fato gerador da obrigação principal. Os documentos apresentados no despacho aduaneiro não continham os elementos essenciais das negociações, ao passo que as faturas comerciais não fazem nenhuma menção aos valores que estavam sendo segregados a titulo de software, nem tampouco mencionam a obtenção de descontos, parcelas essas que só foram conhecidas a partir dos documentos apreendidos na empresa fiscalizada, em razão do que foi aplicada a multa qualificada de 150% sobre a diferença devida a titulo de Imposto de Importação, Cofins e contribuição para o PIS/Pasep, prevista nos termos do § 10 do inciso I do art. 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n.° 11.488, de 2007, além da multa qualificada de 150 % sobre a diferença devida a titulo de IPI, prevista nos termos do art. 80, § 6°, inciso II, da Lei n.° 4.502, de 1964; m) também em razão de o preço declarado nas importações em relevo ter sido inferior ao preço que foi efetivamente praticado, concluiuse que o importador incorreu na conduta definida como dano ao Erário, nos termos do inciso IX do art. 689 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.° 6.579, de 2009, o qual prevê a aplicação da pena de perdimento da mercadoria estrangeira, já desembaraçada e cujos tributos aduaneiros tenham sido pagos apenas em parte, mediante artificio doloso. No caso dos autos, tendo em vista que os produtos importados já foram comercializados pelo importador, foi aplicada multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, prevista no § 1° do precitado artigo. Irresignada apresentou impugnação em síntese: Argúi a nulidade dos lançamentos ao argumento de que o feito encontrase arrimado em documentos obtidos de forma ilícita pela fiscalização, incluindo arquivos de um notebook de uso pessoal do sócioadministrador da empresa, Sr. Luis Augusto, sem que fosse especificado aquilo que se pretendia conhecer e sem o amparo de mandado judicial, ao que aduz que referido procedimento não se coaduna com os princípios da moralidade e da publicidade nem com o direito do administrado ao devido processo legal e à ampla defesa; Quanto ao mérito, indaga porque a fiscalização não efetuou lançamento de Imposto de Renda incidente nas operações de fechamento de cambio na importação de software (programa computacional), muito embora tenha apontado a falta de retenção d ste imposto nessas operações e aduz a alegação de estar juntando ao processo comprovantes de pagamento do referido imposto; Alude ao art. 81 do Acordo de Valoração Aduaneira (AVAGATT) para afirmar que, segundo tal regramento, o valor aduaneiro do suporte físico que contenha dados ou instruções para equipamentos de processamento de dados restringese ao custo do suporte propriamente dito, e que o mesmo diploma legal estabelece a obrigação de destacar os valores correspondentes ao suporte e ao software nos documentos de aquisição, sendo que esta regra não se aplica nos casos de programas residentes em circuitos integrados, semicondutores e dispositivos similares; Na seqüência, discorre sobre os tipos de software de prateleira, pro duzidos por encomenda e, bem assim, aquele adaptados a partir de um software padrão, destacando que, segundo o entendimento veiculado pela SRRF da 7 a• Região, na Fl. 610DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10516.000026/201081 Acórdão n.º 3101001.121 S3C1T1 Fl. 611 5 Solução de Consulta n.° 43, de 2009, não há base legal para a incidência do Imposto de Importação, Cofins e contribuição para o PIS incidentes na importação, quando a aquisição do software de prateleira • dáse por transferência via meio eletrônico, sem uso de suporte físico (download), ao que aduz a conclusão de que, se há suporte físico, é sobre este que a tributação deve incidir, ao passo que, se for mediante download não há falar em tributação; Contesta a afirmação do Fisco segund6 a qual o software em questão é de prateleira, ao argumento de que referido software pode ser personalizado para as necessidades do usuário adquirente, podendo as opções de personalização serem definidas por este usuário adquirente; Alega que, em vez de importar os equipamentos em relevo com o software incluso, o fez em separado, ao que aduz também a alegação de estar juntando ao processo as faturas comerciais de aquisição dos softwares em questão; Em outro plano, contesta afirmação do Fisco segundo a qual o software em relevo é parte integrante e essencial ao funcionamento dos equipamentos importados, ao argumento de que tais equipamentos funcionam também com outros softwares e, por outro lado, o software BREEZE possui várias funcionalidades que são configuradas conforme a necessidade do cliente; Destaca que o módulo do equipamento V02000 tem possibilidade de comunicação e operação com diversos outros softwares, sendo alguns da area médica e vários de outras áreas, como por exemplo: AEROGRAPH, V02000 CONTROL, MICROMED ELITE e ERGOMET; Reclama que a fiscalização referiuse a um determinado sitio (site) da rede mundial de computadores (interne° que nem sequer é o do fabricante do equipamento importado e que, portanto, não pode servir de parâmetro para fins de definição de preço; Em outro plano, alega que inexiste nos autos a prova cabal de que teria remetido numerário ao exterior por meio de "doleiro" e que simples ilações não podem forçar uma conclusão nesse sentido, ao que reitera ter efetivamente realizado pagamentos relativos a importação de software e que, na pior das hipóteses, apenas deixou de cumprir com obrigações formais, porém nunca com o intuito de reduzir valores a seu arbítrio, nem praticou fraude; Relativamente à indicação do destaque 999 para efeito de licenciamento, alega que as afirmações do Fisco acerca da obrigatoriedade da indicação do destaque 001 para as importações do equipamento classificado no código tarifário NCM 9027.80.99 não foram conclusivas no sentido de que a indicação feita pelo importador foi realizada com intenção de burla, ao que aduz que a fiscalização só "entendeu utilizável esse critério para o equipamento acima citado, excluindo as demais importações do contribuinte"; Não obstante isso, alega, no ponto, que o que define qual destaque deve ser indicado é a efetiva utilização do produto, verificação esta que não foi feita pelas autoridades autuantes e que, a seu ver, deveriam fazer prova de que os equipamentos importados foram efetivamente destinados para uso médico, ao que aduz que o produto em questão não é exclusivo para uso médico, pois pode ser utilizado por atletas, praticantes de esportes, em salas de aula, por nutricionistas, etc; Pondera que o equipamento em questão não está no rol de produtos acabados sujeitos a licenciamento automático, mas que não há como o importador definir Fl. 611DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10516.000026/201081 Acórdão n.º 3101001.121 S3C1T1 Fl. 612 6 antecipadamente se o equipamento será utilizado exclusivamente para fins médicos, porquanto esta definição se dá apenas após ter sido realizada a respectiva venda, além do que argumenta que, mesmo que a indicação correta fosse o destaque 001, a licença de importação seria liberada, já que possui todos os registros junto A. Agencia de Vigilância Sanitária — Anvisa; Ainda nesse tópico, alega que, segundo entendimento veiculado em acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, a falta da licença de importação não é fato típico que enseja a exigência da multa prevista no art. 169, inciso I, alínea "b", do DecretoLei n.° 37, de 1966, alterado pelo art. 2° da Lei n.° 6.572, de 1978, e aduz a noticia de que o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior — MDIC até tentou incluir o "item" NCM 90 na obrigatoriedade de licença prévia, mas que, segundo informações obtidas na internet, houve recuo por parte do governo; Em outro plano, contesta a aplicação das multas qualificadas de 150% sobre o valor dos tributos exigidos ao argumento de que sequer a segregação de valores restou provada e que o que ocorreu foi a importação de software com fechamento dos respectivos contratos de câmbio, não tendo sido comprovada qualquer falsificação ou adulteração em documento utilizado para embasar as operações de importação, inexistindo, portanto, atividade dolosa; Na seqüência, transcreve ementas de julgados do Tribunal Regional Federal da 4'. Regido (TRF4), para sustentar que, mesmo na hipótese de ocorrência de subfaturamento, tal fato não acarreta a aplicação da pena de perdimento, nem das multas qualificadas de 150%, sendo que a multa de 100% (sobre a diferença de preços) prevista no art. 88 da Medida Provisória n.° 2.158, de 2001, só deve ser aplicada quando reste caracterizada a máfé ou o intuito de fraude do importador, e, no caso dos autos, o Fisco não fez prova do subfaturamento nem da existência de falsidade ideológica, pelo que entende que, mesmo no caso de as multas acessórias aos tributos exigidos serem mantidas, tais penalidades devem ser reduzidas para 75%; Reitera que a multa por falta de licença de importação não pode ser aplicada em virtude das razões já expendidas e aduz que, por ser administrativa, a infração cominada por aquela penalidade não dá ensejo A. aplicação da pena de perdimento, sendo incabível caracterizar o dano ao Erário por suposta ocorrência de subfaturamento e de infração Em longo arrazoado, contesta a legalidade e a constitucionalidade da base de cálculo das contribuições sociais exigidas, na forma como prevista pelo art. 7° da Lei n.° 10.865, de 2004, que, para efeito da composição da referida base de cálculo, acresceu ao valor aduaneiro o valor do ICMS e das próprias contribuições, dispositivo esse que alega ter sido declarado inconstitucional pelo TRF da 4a. Região, em sede da Apelação Cível n.° 2004.72.05.0033141/SC; Finalmente, em face do que foi exposto, requer a declaração de nulidade ou de improcedência do feito, ou, acaso mantidas as exigências tributárias, que seja reduzida a multa de 150% para 75% dos impostos e contribuições exigidos. Submetida a impugnação a julgamento, a DRJ de Florianópolis manteve integralmente a autuação. Inconformada com a manutenção do lançamento, diante da intimação do Acórdão realizada por correio em 14/10/2011, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em 17/11/2011, repisando, em suma os mesmos argumentos apresentados na impugnação. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10516.000026/201081 Acórdão n.º 3101001.121 S3C1T1 Fl. 613 7 É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Preliminarmente é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. O artigo 56 da Lei nº 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Daí, concluíse, que o sujeito passivo possui o direito de recorrer das decisões administrativas, proferidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois, somente assim, estará assegurado o seu direito à ampla defesa, consagrado pela Constituição Federal e pelas normas infraconstitucionais. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do art. 33, do Decreto nº 70.235/72 c.c. art. 68 do Decreto nº 7.574/2011. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento. No caso em tela, a Recorrente foi intimada de modo regular em 14/10/2011 (sextafeira), conforme Aviso de Recebimento – AR (fls. 154), sendo que o prazo teve início no primeiro dia útil subseqüente, no dia 17/10/2011 (segundafeira), tendo seu vencimento no dia 15/11/2011 que por ser feriado fez o prazo ser prorrogado para o primeiro dia útil subseqüente, ou seja, dia 16/11/2011 (quartafeira). Ocorre que o protocolo do Recurso Voluntário foi efetivado em 17/11/2011 (quintafeira), ou seja, no dia seguinte ao transcurso do prazo recursal.. Diante do exposto, não conheço do Recurso Voluntário, por intempestivo. Luiz Roberto Domingo – Relator Fl. 613DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10516.000026/201081 Acórdão n.º 3101001.121 S3C1T1 Fl. 614 8 Fl. 614DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 22/01/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10480.722395/2010-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.267
Decisão: RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722395/201083 Resolução n.º 220200.267 S2C2T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Em desfavor da contribuinte, SUAPE COMPLEXO INDUSTRIAL PORTUÁRIO, lavrado o Auto de Infração de fls. 01/04, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício 2006, relativo ao imóvel denominado "Grupo Engenho Massangana e Outros", localizado no município de Ipojuca PE, com área total de 7.741,9 ha, cadastrado na RFB sob o n° 1.950.8972, no valor de R$ 9.638.213,74 (nove milhões seiscentos e trinta e oito mil duzentos e treze reais e setenta e quatro centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora perfazendo um crédito tributário total de R$ 19.845.082,08 (dezenove milhões oitocentos e quarenta e cinco mil oitenta e dois reais e oito centavos). A contribuinte foi intimada a comprovar as áreas declaradas como ocupadas com benfeitorias e o valor da terra nua declarado, conforme Termo de Intimação Fiscal — TIF. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2007 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido ITR, fl. 03, a fiscalização: a) glosou a Area declarada como ocupada com benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural; b) alterou o Valor Total do Imóvel; c) alterou o valor das benfeitorias; d) alterou o Valor da Terra Nua. O Auto de Infração foi postado nos correios tendo a contribuinte tomado ciência em 30/09/2010. Não concordando com a exigência a contribuinte apresentou impugnação de fls. 23/24, em 29/10/2010, fl. 23, alegando em síntese: I Preliminarmente requer a devolução integral do prazo em face de obstáculo processual criado pela unidade do Cabo de Santo Agostinho que obstruiu a vista dos autos ao funcionário da Impugnante, Sr. Moacir Carneiro Leão, o que fez de forma sistemática e por diversas vezes, ora exigindo agendamento prévio pela intemet quando esta encontravase bloqueada para tal fim, ora se recusando a fazelo pessoalmente. Tal faro causou prejuízo a sua defesa, a qual e realizada sem que se tenha tido, destaquese, vista dos autos e do respectivo laudo ou critério que norteou afixação dos valores do ITR; II Consoante se verifica do lançamento do ITR relativo ao ano de 2005 o valor total do imóvel encontrado por esta Secretaria foi de R$ 13.487.890,27, havendo sido fixado para fins de incidência do ITR, após as deduções legais, o valor final de R$ 5.300.051,73, valores significativamente inferiores ao apontado para o exercício subseqüente de 2006, de exatos R$ 98.388.716,25 como valor total do imóvel e de R$ 75.336.063,84 para fins de incidência do ITR sobre o mesmo imóvel, frisese (sic); III essa gritante discrepancia não se justifica sob nenhum cenário que se possa imaginar, razão pela qual protesta, de logo, pela produção de Fl. 389DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722395/201083 Resolução n.º 220200.267 S2C2T2 Fl. 3 3 prova pericial conjunta com vista a encontrar o valor justo e adequado, fazendo juntada, outrossim, do laudo apresentado ao processo do ITR 2005; IV essa gritante reavaliação de valores foi realizada sem a ouvida da Impugnante, o que leva a sua nulidade de pleno direito; V protesta juntada posterior de documentos. A DRJRECIFE a partir da analise dos argumentos do interessado, julgou a impugnação improcedente. Insatisfeito com o resultado, o interessado interpõe recurso voluntário, reiterando basicamente as mesmas razões da impugnação. É o relatório. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10480.722395/201083 Resolução n.º 220200.267 S2C2T2 Fl. 4 4 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. No que toca ao Valor da Terra Nua, na hipótese de não serem fornecidos os preços de terras para um determinado município, nem pela Secretaria Estadual de Agricultura, nem pela Secretaria Municipal de Agricultura, tendo em vista o comando e a competência legal para a instituição do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, a Receita Federal do Brasil disporá, para fins de lançamento de oficio do ITR, do prego médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas Declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) pelo conjunto dos próprios contribuintes dos imóveis localizados em cada município. Sendo assim, os valores instituídos pela RFB para o SIPT, conforme Portaria SRF n. 447 de 28/03/02, com valores evidenciados em extrato do SIPT devem se encontrados no processo de autuação. Entretanto após análise cuidadosa do processo não foi possível identificar os referidos extratos do SIPT, ainda que expressamente na fls. 02, indicase que os mesmos encontramse em folha anexa. Diante dos fatos, para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem anexe ao processo os extratos de SIPT a que faz referência na Notificação de Lançamento, fls 01 e 04, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 391DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 13/08/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 10/08/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 15971.000769/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2007, 2008. Ementa: SIMPLES. PRAZO PARA OPÇÃO. 180 DIAS DA DATA DA ABERTURA NO CNPJ. §6º, DO ART. 7º, DA RESOLUÇÃO CGSN n.º 04, de 30/05/07. - Contribuintes com início de atividade no ano-calendário da opção pelo Simples deverá obedecer o prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da sua abertura constante no CNPJ.
Numero da decisão: 1102-000.708
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO
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Recorrida 9ª TURMA DRJ/RPO Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2007, 2008. Ementa: SIMPLES. PRAZO PARA OPÇÃO. 180 DIAS DA DATA DA ABERTURA NO CNPJ. §6º, DO ART. 7º, DA RESOLUÇÃO CGSN n.º 04, de 30/05/07. Contribuintes com início de atividade no anocalendário da opção pelo Simples deverá obedecer o prazo de 180 (cento e oitenta) dias, contados da data da sua abertura constante no CNPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Assinado digitalmente ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Antonio Carlos Guidoni (vicepresidente), João Otavio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, PlínioRodrigues Lima e João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15971.000769/200883 Acórdão n.º 110200.708 S1C1T2 Fl. 81 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que indeferiu a opção pelo Simples Nacional, em razão de ter sido efetuada a solicitação após 180 dias da data da abertura da empresa constante no CNPJ, com base no art. 7º, da Resolução CGSN n.º 04, de 30/05/07. Assevera a Recorrente que iniciou a abertura da sociedade empresária em 12/09/07, teve deferido o registro na JUCESP em 25/09/07, obtida a Inscrição Estadual em 09/06/08 e, em seguida, requerida e concedida inscrição Municipal, com a ressalva da ausência de apresentação de Atestado de Vistoria de Bombeiro, para justificar a formalização da opção pelo Simples Nacional após 180 dias da data da sua abertura (CNPJ). Defende a Recorrente que a demora teria sido fruto de exigências efetuadas pela Secretaria da Fazenda Estadual de São Paulo em razão de inscrição anterior no mesmo endereço, afirmando que o pedido de inclusão foi efetuado no prazo de 10 (dez) dias contados da abertura no último órgão, consoante autorizaria a Resolução CGSN nº 04, de 30/05/07. É o relatório. Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO O recurso é tempestivo, passo a apreciálo. Insurgese o Recorrente contra decisão da DRJ que indeferiu o pedido de opção pelo Simples Nacional, com fundamento no art. 7º, §3º, I, e §6º, da Resolução CGSN nº 04, de 30/05/07, que confere prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento, na hipótese de exigência de inscrições estadual e municipal, desde que não ultrapassados 180 (cento e oitenta) dias, contados da abertura do CNPJ, verbis: “Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no anocalendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional;(...) Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15971.000769/200883 Acórdão n.º 110200.708 S1C1T2 Fl. 82 3 §6º A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do §3º deste artigo.” Consoante expressa determinação do §3º, do art. 16, da Lei Complementar n.º 123/2006, foi atribuída competência ao Comitê Gestor para, através de Resolução, fixar prazos e condições relativos ao início de produção dos efeitos da opção ao Simples, verbis: “Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º Para efeito de enquadramento no Simples Nacional, considerarseá microempresa ou empresa de pequeno porte aquela cuja receita bruta no anocalendário anterior ao da opção esteja compreendida dentro dos limites previstos no art. 3º desta Lei Complementar. § 2º A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo. § 3º A opção produzirá efeitos a partir da data do início de atividade, desde que exercida nos termos, prazo e condições a serem estabelecidos no ato do Comitê Gestor a que se refere o caput deste artigo.” (grifos acrescidos) Em se tratando de comprovado transcurso do prazo de 180 (cento e oitenta) dias estabelecido pela Resolução do Comitê Gestor, não há como deferir o pleito da Recorrente, especialmente se observado que, apesar de registrada perante a JUCESP em 25/09/07, apenas solicitada a inscrição no CNPJ em 19/03/08 e deferido o Cadastro Sincronizado Nacional em 06/06/2008. Transcrevo a seguir precedente deste Conselho sobre o tema, verbis: “EMENTA Exercício: 2008 INÍCIO DE ATIVIDADES. PRAZO PARA OPÇÃO. LIMITE. Após efetuar a inscrição no CNJP, bem como obter as suas inscrições Estadual e Municipal, caso exigíveis, a ME ou a EPP terá o prazo de até 10 dias (até 31/12/2008) ou de até 30 dias (a partir de 01/01/2009), contado do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional, desde que não tenham decorridos 180 dias da data de abertura constante do CNJP . (Acórdão 130100.616, 1a. Seção 1a. Turma da 3a. Câmara Decisão CARF, Publicado no DOU em: 11.11.2011) (grifos acrescidos) Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 15971.000769/200883 Acórdão n.º 110200.708 S1C1T2 Fl. 83 4 É como voto. Assinado digitalmente SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente e m 12/06/2012 por SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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