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Numero do processo: 35432.000349/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 28/03/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO AUTO
DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS
PADRÕES RECURSO INTEMPESTIVO NÃO CONHECIDO
O art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 assim descreve: “Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho.
É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente.”
O art. 3° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF descreve que compete à Segunda Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-001.984
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/03/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 32, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 225, I DO REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 NÃO ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTOS DE ACORDO COM OS PADRÕES RECURSO INTEMPESTIVO NÃO CONHECIDO O art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 assim descreve: “Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente.” O art. 3° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF descreve que compete à Segunda Seção processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 207DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 208DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35432.000349/200721 Acórdão n.º 240101.984 S2C4T1 Fl. 208 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação acessória, lavrado sob n. 37.073.2618, em desfavor da recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, I da Lei n ° 8.212/1991 c/c art. 225, I e § 9º e art. 283, I, “a” do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de elaborar folha de pagamento com todas as remunerações dos segurados que lhe prestaram serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo INSS. As remunerações que deixaram de ser informadas NAS FOLHAS DE PAGAMENTO, referemse as remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais que lhes prestaram serviços. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/03/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 20. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 185 a 188 . Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 191 a 192 , requerendo a nulidade da multa aplicada, posto não ter cometido a infração. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 206. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. O recurso foi interposto intempestivamente. De acordo com o aviso de recebimento à fl. 190, a recorrente foi cientificada no dia 22 de fevereiro de 2008 (segunda feira), à época, o prazo para interposição do recurso era de 30 dias, considerandose que na contagem é excluído o dia de início, o prazo venceria em 25/03/2008. A notificada interpôs o recurso no dia 02/04/2008, fl. 191, portanto fora do prazo normativo. Assim, dispõe o art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Dos Recursos Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729/03) Dos Recursos Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729/03) O art. 21, II do Regimento Interno do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, dispõe acerca da competência para julgar os processos de competência do CRPS . Art. 21. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: II às Quinta e Sexta Câmaras, os relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n o 8.212, de 24 de julho de 1991, das Fl. 210DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35432.000349/200721 Acórdão n.º 240101.984 S2C4T1 Fl. 209 5 contribuições instituídas a título de substituição e contribuições devidas a terceiros. NO mesmo sentido a Portaria MF nº 147/2007, dispõe acerca da transferência dos processos pendentes de julgamento do CRPS para o extinto Conselho de Contribuintes, atual CARF: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso no uso das atribuições previstas no art. 87, parágrafo único, incisos II e IV, da Constituição Federal, no art. 4º do Decreto n.º 4.395, de 27 de setembro de 2002, e tendo em vista o disposto nos arts. 25, 27, 29, 30 e 31 da Lei n.º 11.457, de 16 de março de 2007 e no art. 4º do Decreto n.º 5.136, de 7 de julho de 2004, resolve: Art. 5º Ficam instaladas a Quinta e Sexta Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes. §1º No prazo de 30 (trinta) dias da data da publicação desta Portaria, os processos administrativofiscais referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei n.º 11.457/2007 que se encontrarem no Conselho de Recursos da Previdência Social serão encaminhados ao Segundo Conselho de Contribuintes e distribuídos por sorteio para a Quinta e Sexta Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes, ou, se cabível, à Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §2º Aplicase o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social (RICRPS), aprovado pela Portaria do Ministro da Previdência Social n. o 88, de 22 de janeiro de 2004 aos recursos interpostos até o termo final do prazo fixado no §1º, nos processos administrativofiscais em trâmite no Conselho de Recursos da Previdência Social. §3º Os julgamentos e atos processuais pendentes nos processos referidos no §1º serão regulados pelo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. E por fim, o atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria n. 256, de 22 de junho de 2009, assim determina a competência para julgamento de processos sobre matéria previdenciária. Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e Fl. 211DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Em sendo intempestivo o recurso, e não tendo sido demonstrado nos autos nenhum fato que impedisse o requerente de interpor recurso na data estabelecida, julgo por não conhecer do recurso. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude da intempestividade do mesmo. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 212DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 22/09/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 19/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000013/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
NULIDADES. INOCORRÊNCIA. Antes de tudo, deve-se anotar que, para a decretação de qualquer nulidade, mister a comprovação do prejuízo sofrido pelo recorrente (aplicação do princípio do pas de nullité sans grief). Ora, no caso destes autos, o contribuinte não conseguiu comprovar qualquer prejuízo para sua defesa, quer em relação às pretensas diligências sem MPF, as quais, diga-se
de passagem, não restaram comprovadas, quer em relação aos
pretensos exíguos prazos para atendimento das intimações. Ainda, deve-se anotar que o prazo de 20 dias para cumprimento das intimações, previsto no art. 19 da Lei nº 3.470/58, refere-se
ao termo de início de fiscalização, que foi respeitado nestes autos, tendo sido o contribuinte seguidamente intimado, com diversas prorrogações, não havendo, na espécie, qualquer nulidade.
IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96.
POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado
parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. UTILIZAÇÃO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE. No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir
sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à
taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos
julgamentos de 2º grau. Adicionalmente, quanto à constitucionalidade da taxa Selic para fins tributários, o Supremo Tribunal Federal assentou sua higidez, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, relator o
Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, sessão de 18/05/2011, com se vê pelo excerto da ementa desse julgado, verbis: 1. Recurso Extraordinário.
Repercussão Geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico.
No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária.(...). Por fim, deve-se anotar, ainda, que os juros de mora à taxa selic não incide na forma composta, com juros sobre juros
(anatocismo), mas da forma simples, ou seja, para se apurar os juros de mora de determinado período, somam-se as taxas Selics a partir do mês seguinte ao vencimento da obrigação, tudo adicionado a taxa de 1% no mês do pagamento, ou seja, não há qualquer anatocismo (juros sobre juros).
CARÁTER CONFISCATÓRIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
IMPOSSIBILIDADE. Os princípios constitucionais são dirigidos ao
legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária, como por
exemplo, daquela que regular a aplicação da multa vinculada de ofício. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento. Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais, o TCU e as cúpulas dos poderes executivo e
legislativo têm esse poder. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, que foi
objeto do verbete sumular CARF nº 2 (DOU de 22/12/2009), verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.616
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
AFASTAR as nulidades vindicadas e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADES. INOCORRÊNCIA. Antes de tudo, deve-se anotar que, para a decretação de qualquer nulidade, mister a comprovação do prejuízo sofrido pelo recorrente (aplicação do princípio do pas de nullité sans grief). Ora, no caso destes autos, o contribuinte não conseguiu comprovar qualquer prejuízo para sua defesa, quer em relação às pretensas diligências sem MPF, as quais, diga-se de passagem, não restaram comprovadas, quer em relação aos pretensos exíguos prazos para atendimento das intimações. Ainda, deve-se anotar que o prazo de 20 dias para cumprimento das intimações, previsto no art. 19 da Lei nº 3.470/58, refere-se ao termo de início de fiscalização, que foi respeitado nestes autos, tendo sido o contribuinte seguidamente intimado, com diversas prorrogações, não havendo, na espécie, qualquer nulidade. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. UTILIZAÇÃO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE. No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. Adicionalmente, quanto à constitucionalidade da taxa Selic para fins tributários, o Supremo Tribunal Federal assentou sua higidez, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, relator o Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, sessão de 18/05/2011, com se vê pelo excerto da ementa desse julgado, verbis: 1. Recurso Extraordinário. Repercussão Geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária.(...). Por fim, deve-se anotar, ainda, que os juros de mora à taxa selic não incide na forma composta, com juros sobre juros (anatocismo), mas da forma simples, ou seja, para se apurar os juros de mora de determinado período, somam-se as taxas Selics a partir do mês seguinte ao vencimento da obrigação, tudo adicionado a taxa de 1% no mês do pagamento, ou seja, não há qualquer anatocismo (juros sobre juros). CARÁTER CONFISCATÓRIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária, como por exemplo, daquela que regular a aplicação da multa vinculada de ofício. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento. Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais, o TCU e as cúpulas dos poderes executivo e legislativo têm esse poder. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, que foi objeto do verbete sumular CARF nº 2 (DOU de 22/12/2009), verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Recurso negado.
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INOCORRÊNCIA. Antes de tudo, devese anotar que, para a decretação de qualquer nulidade, mister a comprovação do prejuízo sofrido pelo recorrente (aplicação do princípio do pas de nullité sans grief). Ora, no caso destes autos, o contribuinte não conseguiu comprovar qualquer prejuízo para sua defesa, quer em relação às pretensas diligências sem MPF, as quais, digase de passagem, não restaram comprovadas, quer em relação aos pretensos exíguos prazos para atendimento das intimações. Ainda, devese anotar que o prazo de 20 dias para cumprimento das intimações, previsto no art. 19 da Lei nº 3.470/58, referese ao termo de início de fiscalização, que foi respeitado nestes autos, tendo sido o contribuinte seguidamente intimado, com diversas prorrogações, não havendo, na espécie, qualquer nulidade. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. UTILIZAÇÃO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE. No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros Fl. 550DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), devese ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. Adicionalmente, quanto à constitucionalidade da taxa Selic para fins tributários, o Supremo Tribunal Federal assentou sua higidez, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, relator o Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, sessão de 18/05/2011, com se vê pelo excerto da ementa desse julgado, verbis: 1. Recurso Extraordinário. Repercussão Geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária.(...). Por fim, devese anotar, ainda, que os juros de mora à taxa selic não incide na forma composta, com juros sobre juros (anatocismo), mas da forma simples, ou seja, para se apurar os juros de mora de determinado período, somamse as taxas Selics a partir do mês seguinte ao vencimento da obrigação, tudo adicionado a taxa de 1% no mês do pagamento, ou seja, não há qualquer anatocismo (juros sobre juros). CARÁTER CONFISCATÓRIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária, como por exemplo, daquela que regular a aplicação da multa vinculada de ofício. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento. Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais, o TCU e as cúpulas dos poderes executivo e legislativo têm esse poder. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26 A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, que foi objeto do verbete sumular CARF nº 2 (DOU de 22/12/2009), verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 551DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10803.000013/200771 Acórdão n.º 210201.616 S2C1T2 Fl. 2 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as nulidades vindicadas e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 31/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte MARCIO MACHADO GELLI, CPF/MF nº 073.445.55859, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 28/11/2007, auto de infração (fls. 02 a 07), com ciência postal, referente ao anocalendário 2002. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 5.500,00 MULTA DE OFÍCIO R$ 4.125,00 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por um depósito bancário de origem não comprovada, no importe de R$ 20.000,00, conduta essa apenada com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 3ª Turma da DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1730.483, de 11 de março de 2009 (fls. 478 e seguintes). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 17/11/2009 (fl. 491/492). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 14/12/2009 (fl. 494). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. dentre outras ilegalidades, houve duas diligências da fiscalização sem o competente mandado de procedimento fiscal, bem como a autoridade fiscal não respeitou o prazo de 20 dias que deveria ser ofertado ao contribuinte para atendimento das intimações, como definido pelo art. 19 da Lei nº 3.470/58; Fl. 552DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 II. em relação às pessoas físicas, não há uma correlação lógica entre os depósitos bancários (fato indiciário e conhecido) e a omissão de rendimentos (fato desconhecido), como preconizado pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, pois a experiência cotidiana demonstra que repetidamente um depósito bancário não tem qualquer liame com rendimento, mormente porque depósito bancário é estoque e não fluxo, e somente o fluxo corporifica renda, como esposado em remansosa jurisprudência administrativa e judicial; III. “Além de todos esses motivos, e o mais grave de tudo, é o fato de que a presente Autuação se baseou na NÃO APRESENTAÇÃO DE COPIA DE CHEQUE DEPOSITADO EM CONTA CORRENTE DO RECORRENTE alegando que isso configurou "FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM DE DEPÓSITO BANCÁRIO" depósito esse que foi fruto de venda de imóvel e para o qual foi apresentado o respectivo Contrato de Compra e Venda de imóvel negociado (ANEXOS As FLS. 95 A 100) e para o qual existem os respectivos extratos bancários (ANEXOS às FLS. 72 E 73) confirmando que a data do mesmo coincide com a época de fechamento do negócio imobiliário” (fl. 504 – transcrição do recurso voluntário). Ora, não é praxe que o vendedor fique com cópias dos cheques dados pelos compradores, mas tão somente com o instrumento negocial e cópia do comprovante de depósito. Ademais, como se comprovou com o instrumento negocial, o contribuinte recebeu o montante de R$ 21.600,00, sendo parte do crédito pretensamente omitido (R$ 20.000,00), valor repassado ao corretor que intermediou a operação imobiliária; IV. a taxa selic utilizada como juros de mora é ilegal e inconstitucional, sendo certo que sequer se tem metodologia em lei para sua apuração. Ademais, deve ser afastado a aplicação dos juros sobre juros (anatocismo), e, para a taxa dos juros de mora, devese aplicar aquela estatuída no art. 161, § 1º, do CTN; V. a multa de ofício aplicada é extorsiva e confiscatória, devendo ser cancelada. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 17/11/2009 (fl. 491/492), terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 14/12/2009 (fl. 494), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 17/12/2009, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, devese anotar que, para decretação de qualquer nulidade, mister a comprovação do prejuízo sofrido pelo recorrente (aplicação do princípio do pas de nullité sans grief). Fl. 553DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10803.000013/200771 Acórdão n.º 210201.616 S2C1T2 Fl. 3 5 Ora, no caso destes autos, o contribuinte não conseguiu comprovar qualquer prejuízo para sua defesa, quer em relação às pretensas diligências sem MPF, as quais, digase de passagem, não restaram comprovadas, quer em relação aos pretensos exíguos prazos para atendimento das intimações. E a razão para isso é extremamente simples. Vejase que se pediu, ao final, ao contribuinte para apenas comprovar a origem de um único depósito, no importe de R$ 20.000,00, feito em 05/11/2002. Ora, o contribuinte poderia ter comprovado a origem dele na fase que precedeu a autuação, na impugnação e, quiçá, neste recurso voluntário. Com imposição que se mostra tão clarividente, difícil comprovar qualquer prejuízo para a defesa nas alegadas ilegalidades. Ademais, devese anotar que o prazo de 20 dias para cumprimento das intimações, previsto no art. 19 da Lei nº 3.470/58 (O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído), referese ao termo de início de fiscalização, que foi respeitado nestes autos, tendo sido o contribuinte seguidamente intimado, com diversas prorrogações, não havendo, na espécie, qualquer nulidade. Para clarificar isso, vejase o que disse a autoridade julgadora a quo (fls. 482 e 483), verbis: Em 30/07/2007, data em que tomou ciência do Termo de Inicio de Ação Fiscal (fls. 15/19 e 22), o contribuinte foi intimado a apresentar, no prazo de vinte dias, entre outros documentos, os extratos de suas contascorrentes, de poupança e investimentos nos Bancos Banespa, Sudameris e Banco do Brasil. Em 17/08/2007, o autuado solicitou prorrogação do prazo inicialmente concedido, que foi deferida parcialmente, postergandose para o dia 29/08/2007 o prazo para apresentação dos documentos referentes ao anocalendário de 2002, e para 10/09/2007, daqueles concernentes aos anos calendário de 2003 a 2005 (fls. 24/26). Em 29/08/2007, o interessado apresentou parte da documentação requisitada, não tendo sido entregues os extratos bancários, mas tão somente, carta protocolada junto aos bancos nos dias 23/08/2007 e 29/08/2007, ou seja, 24 dias e 29 dias, respectivamente, após a ciência do Termo de Início da Ação Fiscal (fls. 27/42). Na ocasião, foi requerida nova prorrogação de prazo, que foi concedida pela fiscalização apenas em relação ao anocalendário de 2002, cujo prazo foi estendido de 29/08/2007 para 10/09/2007 (fls. 43/45). No dia 11/09/2007, vencido o prazo prorrogado, o contribuinte apresentou parcialmente os extratos bancários solicitados, motivo pelo qual foi lavrado o Auto de Embaraço à Fiscalização e elaboradas as Requisições de Movimentação Financeira dirigidas aos bancos (fls. 56/57 e 59/62), com o intuito de obter os extratos bancários de movimentação de contacorrente e de aplicações financeiras pendentes. Fl. 554DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 Na mesma data foi elaborado novo Termo de Prorrogação de Prazo, concedendo prazo adicional ao interessado de mais trinta dias para apresentação dos documentos faltantes (fls. 63). A correspondência contendo o Auto de Embaraço à Fiscalização e o Termo de Prorrogação de Prazo foi reenviada ao fiscalizado em 03/10/2007, com ciência em 09/10/2007 (fls. 280), tendo em vista que a correspondência anterior voltou dos correios com o assinalamento da ocorrência "Mudou” (fls. 80). Depois disso, o contribuinte foi ainda intimado outras vezes, mediante os Termos de Intimação Fiscal n°2 e 3, de 11/10/2007 e 15/10/2007 (fls. 281, 282, 289 e 301), o Termo de Intimação Fiscal datado de 29/10/2007 (fls. 306/307 e 312) e os Termos de Intimação Fiscal, datados de 08/11/2007 e 13/11/2007 (fls. 317/320 e 324/325), que foram devolvidos por recusa de recebimento. Pelo exposto, verificase que foi concedido ao autuado o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, já na fase de instrução do processo, em resposta As intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir a infração apurada pela fiscalização. Por tudo, sem razão o recorrente na presente nulidade. Já em relação à utilização da presunção legal estatuída no art. 42 da Lei nº 9.430/96 para o caso vertente, toda a irresignação do contribuinte não pode ser acatada. Explicase. Anteriormente à Lei nº 8.021/90, assentouse que os depósitos bancários, unicamente, não representavam rendimentos a sofrer a incidência do imposto de renda. Inclusive, o Tribunal Federal de Recursos tinha sumulado um entendimento com tal interpretação (Súmula 182 do TFR), bem como o art. 9º, VII, do DecretoLei nº 2.471/88 determinou o arquivamento de processos administrativos que controlassem débitos de imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou comprovantes de depósitos bancários. Veio o art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90 e, expressamente, permitiu o arbitramento de rendimentos com base em depósitos ou aplicações em instituições financeiras, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza, quando o contribuinte não pudesse comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Porém, para incidência do imposto de renda sobre a hipótese em debate, a jurisprudência administrativa passou a obrigar que a fiscalização comprovasse o consumo da renda pelo contribuinte, representada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados. Essa era a dicção do art. 6º da Lei nº 8.021/90, verbis: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1° Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2° Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos Fl. 555DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10803.000013/200771 Acórdão n.º 210201.616 S2C1T2 Fl. 4 7 pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. § 3° Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4° No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Revogado pela lei nº 9.430, de 1996) § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Esse estado de coisas foi profundamente alterado pelo art. 42, caput, da Lei nº 9.430/96, verbis: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A partir dessa inovação legislativa, os valores mantidos em conta de depósito sem comprovação de sua origem passaram a ser rendimentos presumidos. Tratase de presunção iuris tantum, passível de prova em contrário por parte do contribuinte. Entretanto, caso o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a origem dos valores mantidos em conta de depósito ou investimento, é de se presumir que tais valores foram omitidos da tributação. Observe que o art. 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/90 (tachado acima) tratava do arbitramento dos rendimentos com base em depósitos bancários e foi expressamente revogado pelo art. 88, XVIII, da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, para fatos geradores a partir de 1º/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos com base em depósitos bancários com origem não comprovada, tem vigência única e plena o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Com esse novo estatuto, como já assinalado, o depósito bancário com origem não comprovada é presumido rendimento omitido, com incidência da tabela progressiva do imposto de renda. Nesse novo cenário normativo, não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários com origem não comprovada pelo contribuinte. Esta é a hipótese dos autos. Por uma presunção legal relativa, o depósito com origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como exemplo, por todos, vejase o Fl. 556DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Acórdão nº CSRF/0400.164, sessão de 13 de dezembro de 2005, relatora a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que restou assim ementado: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS Presumese a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei nº. 9.430, de 1996). Ainda, apenas para argumentar, eventual conflito normativo entre o art. 42 da Lei nº 9.430/96 (presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada) e o CTN/Constituição Federal (definição de renda e proventos de qualquer natureza como hipótese de incidência do imposto de renda) somente poderia ser resolvido no âmbito da declaração de inconstitucionalidade das normas, falecendo competência ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para o mister. Reconhecer que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 está em antinomia com o art. 43 do CTN, este que define a base de cálculo do imposto de renda (renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, e proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda), com a supremacia deste último, significaria afirmar que aquele estaria eivado de vício de inconstitucionalidade, já que conflito de leis em terrenos normativos definidos pela Constituição (campo de atuação da lei ordinária e da lei complementar), como no caso vertente, solucionase pela apreciação do vetor constitucional do dissenso. Nessa linha, vejase o REsp n° 650.949PR, relator o min. Humberto Martins, unânime na 2a Turma, DJ de 15/02/2007, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO – PROCESSUAL CIVIL – VIOLAÇÃO DO ART. 130 DO CPC – AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL – INEXISTÊNCIA DE JUNTADA DOS ACÓRDÃOS PARADIGMAS – CONTRARIEDADE AOS ARTS. 46 E 47 DO CTN – MATÉRIA DE ÍNDOLE CONSTITUCIONAL. 1. A Corte a quo não analisou a matéria recursal à luz do art. 130 do CPC. Assim, incidem os enunciados 282 e 356 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. A inclusão do frete na base de cálculo do IPI deriva de imposição do art. 15 da Lei n. 7.789/89, que no entendimento deste Tribunal, teria revogado o art. 47 do CTN. 3. Em casos de revogação de lei complementar (CTN) por lei ordinária, revestese o conflito de índole constitucional, o que enseja a incompetência do Superior Tribunal de Justiça. Precedente: REsp 209320/DF, Rel. Min. Castro Meira, Relator p/ Acórdão o Min. Francisco Peçanha Martins, DJ 20.3.2006, p. 224. Recurso especial nãoconhecido. Não por outra razão, após a Emenda Constitucional nº 45, a decisão judicial que julgar válida lei local contestada em face de lei federal passou a ser objeto de Recurso Extraordinário (art. 102, III, “d”, da CF88), ou seja, conflitos de leis cujos âmbitos normativos estão definidos na Constituição Federal resolvemse pela apreciação do vetor constitucional do dissenso. Fl. 557DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10803.000013/200771 Acórdão n.º 210201.616 S2C1T2 Fl. 5 9 Dessa forma, reconhecer a supremacia do art. 43 do CTN em face do art. 42 da Lei nº 9.430/96, significaria declarar a inconstitucionalidade desse último dispositivo. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Assim, na hipótese em debate, escorreito o lançamento que utilizou a presunção estatuída no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Avançando na própria comprovação do depósito controvertido de R$ 20.000,00, pareceme que as razões lançadas na decisão recorrida foram invencíveis, até porque o recorrente não trouxe qualquer documentação adicional para infirmálas, apenas repisando sua tese impugnatória. Assim, como razão de decidir, aqui transcrevese excerto da decisão recorrida, que bem espelha a impossibilidade de se acatar a origem do referido depósito deduzida pelo então impugnante (e agora recorrente – fls. 487 e 488), verbis: Passandose ao caso concreto, observase que o contribuinte pretende que seja excluído o depósito no valor de R$ 20.000,00, que afirma ser decorrente da alienação do imóvel de sua propriedade, reapresentando, para fins de comprovação do alegado, cópia do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda, já trazido aos autos durante a ação fiscal, juntamente com cópias do Recibo de Comissão e das microfichas de depósito. O exame do Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda de Bem Imóvel, Celebrado em Caráter Irrevogável e Irretratável (fls. 37/42 e 457/462), revela que o contribuinte vendeu, em 16/12/2002, imóvel localizado à Alameda Santos, n° 2.335, conjunto 72 do Edifício Banco BMG, bairro Cerqueira César, nesta capital, por R$ 450.000,00, recebendo no ato a titulo de sinal , a importância de R$ 111.600,00, conforme evidencia o trecho que a seguir se transcreve: "DO PREÇO E FORMA DE PAGAMENTO —02 O VENDEDOR se compromete e se obriga a vender ao COMPRADOR, o qual, por sua vez, se compromete e se obriga a adquirir, o imóvel descrito e caracterizado na cláusula 01, pelo prep total, certo e ajustado de R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinqüenta mil reais), que deverá ser pago pelo COMPRADOR, da seguinte forma: a) — R$111.600,00 (CENTO E ONZE MIL E SEISCENTOS REAIS),neste ato, a título de sinal e princípio de pagamento, através dos cheques n°100331, no valor de R$90.000,00 e n°100330, no valor de R$21.600,00, ambos do UNIBANCO Agencia 0499, cuja quitação se fará mediante suas compensações, no tocante a essa parcela de sinal;(grifei) Analisada a microficha de depósito de fls. 432, verificase que a origem do depósito de R$ 90.000,00, ocorrido em 16/12/2002, por meio do cheque n° 100331, restou devidamente comprovada Fl. 558DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 pela venda do imóvel supracitado, fato que foi objeto de constatação pela fiscalização. Há, nesse caso, coincidência, em termos de valor, data e número do cheque, entre o depósito e os dados consignados no Compromisso de Compra e Venda. O mesmo não se pode dizer do depósito de R$ 20.000,00. Comparandose a microficha de depósito (fls. 433) ao que consta no documento de alienação do imóvel (fls. 459), podese notar que não há qualquer correspondência entre eles, no que tange à data, valor e número do cheque depositado. O depósito foi efetuado em 05/11/2002, no valor de R$20.000,00, mediante o cheque n° 100170, enquanto que a quantia mencionada no Instrumento de Compromisso de Compra e Venda somava R$ 21.600,00 e deveria ser paga no ato da assinatura do referido documento (16/12/2002), por meio do cheque n° 100330. O impugnante alega que a importância de R$ 21.600,00, resultante da soma do valor R$ 20.000,00, depositado em cheque, ao valor de R$ 1.600,00, em espécie, foi repassada integralmente ao corretor de imóveis Nélson Frisoni como comissão pela venda do imóvel, anexando, para fins de comprovação, cópia do Recibo de Comissão (fls. 456). Entretanto, tal documento não possui valor probante visto que não estabelece a necessária relação entre o valor depositado e o valor decorrente da mencionada alienação. Com as razões acima, rejeitase a pretensão do recorrente. Já no tocante à aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, sobre matéria tributária, hoje é matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF nº 4 (DOU de 22/12/2009): “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. E os enunciados sumulares são de aplicação obrigatória nos julgamentos das Turmas do CARF, afastandose a presente defesa (art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, DOU de 23 de junho de 2009). E, adicionalmente, quanto à constitucionalidade da taxa Selic para fins tributários, o Supremo Tribunal Federal assentou sua higidez, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, relator o Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, sessão de 18/05/2011, com se vê pelo excerto da ementa desse julgado, verbis: 1. Recurso Extraordinário. Repercussão Geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (...) Fl. 559DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10803.000013/200771 Acórdão n.º 210201.616 S2C1T2 Fl. 6 11 Devese anotar, ainda, que os juros de mora à taxa selic não incide na forma composta, com juros sobre juros (anatocismo), mas da forma simples, ou seja, para se apurar os juros de mora de determinado período, somamse as taxas Selics a partir do mês seguinte ao vencimento da obrigação, tudo adicionado a taxa de 1% no mês do pagamento, ou seja, não há qualquer anatocismo (juros sobre juros). Por fim, passase a apreciar o pretenso caráter confiscatório da multa de ofício aplicada. O recorrente afirma que a multa de ofício tem caráter confiscatório. Aqui, um pequeno parêntese, antes da análise dogmática dessa irresignação. O princípio da proibição de efeito de confisco é de difícil constatação, e, como diz Heinrich Kruse, quando fala do “imposto sufocante”, mais se assemelha ao “monstro do Lago Ness do Direito Tributário: ninguém o viu e todos escrevem sobre ele” 1. Agora, transcrevese a norma constitucional que positivou tal princípio: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I a III omissis; IV utilizar tributo com efeito de confisco; (...) (grifouse) Vêse que o princípio do nãoconfisco se aplica a tributos. Como estampado no art. 3º do Código Tributário Nacional, tributo é toda prestação pecuniária compulsória, que não constitua sanção de ato ilícito. A sanção de ato ilícito, como já enfatizado anteriormente, tem na multa pecuniária uma de suas espécies. Assim, tratandose de multa pecuniária, não há que falar em princípio do nãoconfisco. Ainda, devese ressaltar que os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois esta se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Ora, como é cediço, somente os órgãos judiciais têm esse poder. No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2007, DOU de 23 de junho de 2009), que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 1 Apud Schoueri, Luis Eduardo. Normas Tributárias Indutoras e Intervenção Econômica.1ª ed., Rio de Janeiro, 2005, p. 302. Fl. 560DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 12 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. O entendimento acima, que já existia no antigo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuinte, foi objeto da Súmula 1ºCC nº 2: “O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, e, com espeque no art. 72, caput e §4º, do Regimento Interno do CARF2, devese ressaltar que o enunciado sumular é de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. Com as considerações acima, rejeitase a tese defensiva de que a multa de ofício tem caráter confiscatório. Ante tudo o exposto, voto no sentido de AFASTAR as nulidades vindicadas e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1º a § 3º Omissis; § 4º As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 561DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10803.000013/200771 Acórdão n.º 210201.616 S2C1T2 Fl. 7 13 Fl. 562DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 13603.000413/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2003
NULIDADES
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constitui-se em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal Não se verifica nulidade do procedimento fiscal, tampouco resta caracterizado cerceamento do direito de defesa, quando se encontra acostada aos autos farta documentação produzida pelo Fisco comprovando a prática do ilícito tributário, sobre a qual o sujeito passivo teve a oportunidade de se
manifestar e apresentar suas contraprovas, durante o procedimento fiscal e após a instauração do contencioso administrativo.
Numero da decisão: 1801-000.814
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2003 NULIDADES O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constitui-se em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal Não se verifica nulidade do procedimento fiscal, tampouco resta caracterizado cerceamento do direito de defesa, quando se encontra acostada aos autos farta documentação produzida pelo Fisco comprovando a prática do ilícito tributário, sobre a qual o sujeito passivo teve a oportunidade de se manifestar e apresentar suas contraprovas, durante o procedimento fiscal e após a instauração do contencioso administrativo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADES O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal Não se verifica nulidade do procedimento fiscal, tampouco resta caracterizado cerceamento do direito de defesa, quando se encontra acostada aos autos farta documentação produzida pelo Fisco comprovando a prática do ilícito tributário, sobre a qual o sujeito passivo teve a oportunidade de se manifestar e apresentar suas contraprovas, durante o procedimento fiscal e após a instauração do contencioso administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 241DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 328.655,69, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas no anocalendário 2003, relativas a omissão de receitas de revenda de mercadorias e de prestação de serviços, que ensejaram o arbitramento dos lucros (fls. 03/35). De acordo com o relato constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 36/47 e demonstrativo de fl. 48), a empresa fora intimada a apresentar sua escrituração contábil e fiscal e informou à auditoria que, por ser optante pelo Simples, estaria desobrigada de escriturar os Livros Diário, Razão e Lalur e não teria escriturado os Livros Caixa e Registro de Inventário. A fiscalização enquadrou a conduta da contribuinte no disposto no artigo 14, inciso II da Lei nº 9.317, de 1996: “embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa, não justificada, de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada...”, hipótese que ensejou a exclusão de ofício do Simples a partir do mês em que verificado o embaraço. O cotejo das informações constantes dos Livros Registro de Saídas e de Apuração do ICMS, com os valores declarados na Declaração Anual Simplificada revelou que a empresa declarava ao Fisco Federal apenas 30% de seu faturamento, o que não teria sido justificado pela contribuinte, quando intimada. Diante da exclusão do Simples e da falta de opção tempestiva pelo lucro presumido, assim como pela inexistência de escrituração a amparar a apuração pelo lucro real, foi formalizado o arbitramento dos lucros da empresa tomandose como receita bruta conhecida aquela apurada a partir do Livro de Apuração do ICMS e notas fiscais de prestação de serviços, conforme quadro à fl. 45. Dos valores de IRPJ e de CSLL devidos foram abatidos aqueles pagos pela sistemática do Simples. Houve exigência das diferenças apuradas a título de PIS e COFINS. Cientificada das exigências em 29/01/2008, na pessoa de seu sóciodiretor, apresentou a contribuinte impugnação em 28/02/2008 (fls. 162/174) na qual, em extenso arrazoado ilustrado com vários posicionamentos doutrinários alega, em apertada síntese, que: 1) o lançamento é nulo por vício formal do mandado de procedimento fiscal; Fl. 242DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.000413/200811 Acórdão n.º 180100.814 S1TE01 Fl. 229 3 2) deve ser aplicada a retroatividade da penalidade menos gravosa pois o artigo 44 da Lei 9.430, de 1996, deixou de definir como infração o pagamento de imposto após o vencimento sem o acréscimo da multa de mora; Ao final pugnou pela improcedência dos lançamentos em face da suspensão dos efeitos da exclusão do Simples. A 4a. Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG proferiu o Acórdão 0227.111 e julgou os lançamentos procedentes (fls. 182/192). Em preliminares aquela autoridade observou que não fazia parte do presente litígio a exclusão da empresa do Simples, assim como foi afastada a argüição de nulidade do lançamento. Consignou que os tributos exigidos encontram se com a exigibilidade suspensa por força da instauração tempestiva do litígio com a impugnação e afastou as razões de defesa contra a penalidade aplicada. No mérito qualificou de reiterada a conduta da empresa em omitir receitas auferidas do Fisco Federal e justificou o arbitramento pela falta de manutenção de escrituração a amparar a apuração pelo lucro real. Tendo em conta que a ciência da decisão via correio restou prejudicada, foi providenciada a Notificação por Edital afixado em 02/09/2010 (fl. 202). Também foi encaminhada cópia da decisão, via correios, aos cuidados de Gilmar Geraldo Gonçalves Oliveira, recepcionada em 16/11/2010, como demonstra a cópia do AR à fl. 210. Em 15/12/2010 foi protocolizado o recurso voluntário acostado às fls. 211 a 224, no qual, além de alegar a tempestividade do recurso, são reproduzidas as demais razões de defesa deduzidas na impugnação, a saber: (i) nulidade do lançamento por vício formal do mandado de procedimento fiscal; (ii) suspensão dos efeitos da exclusão do Simples pela impugnação, (iii) aplicação da retroatividade benigna à penalidade aplicada. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Preliminar NULIDADE DO PROCEDIMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A alegação de que o lançamento para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS teria extrapolado aos poderes conferidos ao agente fiscal encarregado dos trabalhos de fiscalização na empresa contribuinte, pelo MPF que determinou o exame do Simples, e, que isso acarretaria a nulidade do procedimento, é eminentemente protelatória. Fl. 243DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 O Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Em verdade o MPF outorgou poderes para que o agente verificasse a regularidade da situação fiscal da empresa optante pelo Simples, assim como procedesse ao lançamento de valores devidos à Fazenda Nacional. Do resultado de todo o trabalho constatou se a irregularidade cometida pela contribuinte que indevidamente se mantinha na sistemática do Simples, que é mais benéfica, em afronta às disposições legais que regem a opção e manutenção nessa sistemática. Ademais, o pagamento mensal, no Simples, visa justamente simplificar o recolhimento de todos os tributos dos quais a empresa é sujeito passivo, dentre eles o IRPJ, a CSLL, PIS e COFINS, que são devidos por todas as pessoas jurídicas, inclusive aquelas optantes pelo Simples. Assim, ao determinar que fosse verificada a regularidade da opção e pagamento pelo Simples o MPF determinou que fosse verificada a regularidade da apuração e pagamento de todos tributos devidos à Fazenda Nacional. Cumpre assinalar, ainda, que não se verifica nos autos a ausência dos elementos essenciais à formalização do crédito tributário, eis que presentes a descrição das irregularidades com a identificação da ocorrência dos fatos geradores, das matérias tributáveis, como também a determinação das bases de cálculo e alíquotas aplicáveis, o cálculo dos tributos exigidos, a correta identificação do sujeito passivo e a imposição da penalidade cabível. Constatase, no presente caso, que foram observados os requisitos legais pertinentes à constituição do Crédito Tributário pela Fazenda Pública, conforme estabelecido no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF, bem como foram sido atendidas as exigências presentes no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN Lei nº. 5.172, de 1966. Esta é a redação dos dispositivos mencionados: Decreto no. 70.235/72 – PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá obrigatoriamente: I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Lei nº. 5.172/66 – Código Tributário Nacional Fl. 244DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.000413/200811 Acórdão n.º 180100.814 S1TE01 Fl. 230 5 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, o ato praticado no presente processo revestiuse de todas as formalidades para sua validade, não se detectando nos autos qualquer das hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, abaixo transcrito, uma vez que o ato foi formalizado por pessoa competente, o AFRFB, e foi assegurado aos autuados o direito de defesa. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE Como bem assinalou a autoridade julgadora da DRJ em Belo Horizonte os tributos exigidos nos presentes autos se encontram com a exigibilidade suspensa em face do litígio tempestivamente instaurado, nos termos do que dispõe o artigo 151, inciso II: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: ... II o depósito do seu montante integral; Os efeitos produzidos pela exclusão da empresa da sistemática do Simples encontramse, igualmente, suspensos pois tais efeitos referemse, justamente, aos lançamentos sob apreciação. MULTA A recorrente alega que está pagando os tributos exigidos no presente lançamento de ofício via parcelamento PAEX, mas não comprova tal alegação. Com relação à penalidade aplicada sobre os tributos exigidos nos presentes autos é de se esclarecer que a multa ao percentual de 75% corresponde à multa exigida nos casos de lançamento de ofício. A penalidade instituída pelo artigo 44, I, da Lei n º 9.430, de 1996, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, qual seja, a falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributos devidos, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. Fl. 245DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Mérito A recorrente não se defende do mérito do lançamento, propriamente dito. Não houve contestação dos fatos apurados pela auditoria fiscal relativos às receitas de revendas de mercadorias e de prestação de serviços omitidas do Fisco Federal. Também não contestou a forma de exigência dos tributos devidos nos moldes do arbitramento dos lucros em face de inexistência de escrituração. Assim dispõe o artigo 17 do Decreto n º 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Segundo o artigo 17 do Decreto no. 70.235, de 1972, se o contribuinte não questiona todos os itens da exigência fiscal, de forma direta e objetiva, ocorre a preclusão. Impende observar que a matéria devolvida à instância julgadora é apenas aquela expressamente contraditada na peça impugnatória, ou seja, aquela em que está evidenciada, de maneira inequívoca, a reação do contribuinte ao lançamento. Nesse contexto, verificase que, tanto na impugnação, quanto no recurso voluntário não há qualquer ponto de discordância em relação a constatação de omissão de receitas ou em relação ao arbitramento dos lucros. Ao contrário, a interessada exprime sua concordância com o lançamento ao afirmar que “... o pagamento da exigência vem sendo realizado de forma espontânea por meio do PAEX .” EXIGÊNCIAS REFLEXAS. CSLL, PIS, COFINS O entendimento adotado no respectivo lançamento reflexo acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Proponho, pois, a manutenção integral das exigências. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 246DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.000413/200811 Acórdão n.º 180100.814 S1TE01 Fl. 231 7 Fl. 247DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10380.002844/2004-53
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2001,2002
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
SIMPLES.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL.
A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa.
DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e
jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-000.807
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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DA SILVA BEBIDAS EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2001,2002 PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. SIMPLES.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. A multa de ofício proporcional é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta culposa. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.002844/200453 Acórdão n.º 180100.807 S1TE01 Fl. 341 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0511, com a exigência do crédito tributário no valor de R$42.685, 51 a título de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa proporcional, referente aos anoscalendário de 2000 e 2001, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). O lançamento fundamentase na diferença da base de cálculo apurada a partir dos valores mensais da receita bruta escriturados no Livro de Registro de Apuração de ICMS, fls. 6194, uma vez que não foi informada qualquer quantia a este título nas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 5460 e não foi efetuado qualquer pagamento. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 186 e art. 188 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR, de 1999 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.002844/200453 Acórdão n.º 180100.807 S1TE01 Fl. 342 3 Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 1218 com a exigência do crédito tributário no valor de R$42.685, 51 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º e § 1º do art. 7º, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. III– O Auto de Infração às fls. 1925, a exigência do crédito tributário no valor de R$79.030,08 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º e § 1º do art. 7º, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. IV – O Auto de Infração às fls. 2632 com a exigência do crédito tributário no valor de R$158.060,28 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º e § 1º do art. 7º, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. V O Auto de Infração às fls. 3339, com a exigência do crédito tributário no valor de R$268.864,62 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º, e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Cientificada, fls. 314315, a Recorrente apresenta a impugnação em 03.05.2004, fls. 102103, com as alegações abaixo sintetizadas. Aduz que os Autos de infração são decorrentes “de uma imperfeição na metodologia utilizada pelo agente [...], uma vez que os valores apurados como devidos são oriundos de uma base de cálculo” que não é congruente com a realidade. Defende que o agente fiscal não pode adotar discricionariedade, por ser vinculado o ato administrativo que formaliza a constituição do crédito tributário. Solicita a realização de diligências. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.002844/200453 Acórdão n.º 180100.807 S1TE01 Fl. 343 4 Face a todo exposto, a Impugnante roga pela IMPROCEDÊNCIA do presente feito. Termos em que, Pede e espera deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 5.888, de 11.03.2005, fls. 317321: “Lançamento Procedente”. Restou ementado Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000, 2001 Ementa: PROVAS UTILIZADAS NO LANÇAMENTO. ADMISSIBILIDADE. Na utilização de provas prevalece no campo tributário a mesma regra geral do Direito Privado, segundo o qual todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados no Código de Processo Civil são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda ação ou a defesa. Descabida a argumentação de que a fiscalização não poderia ter se utilizado de presunções para embasar a exação, mormente quando o lançamento está embasado em provas ditas diretas. Lançamento Procedente Notificada, fl. 339, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.05.2005, fls. 332337, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta argumentos em oposição à aplicação da multa de ofício proporcional. Conclui Face a todo o exposto, a Recorrente vem perquirir que este conselho que se digne de reformar o julgamento proferido pela 3ª Turma dc Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, a fim de julgar IMPROCEDENTE o Auto de Infração em epígrafe. Termos em que, Pede e espera deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.002844/200453 Acórdão n.º 180100.807 S1TE01 Fl. 344 5 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidade no curso do processo, a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência 1. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente menciona que a exigência foi formalizada de forma discricionária. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador2. Os Autos de Infração foram lavrados com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificados a Recorrente, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. A pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.002844/200453 Acórdão n.º 180100.807 S1TE01 Fl. 345 6 nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente3. Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. O lançamento, fundamentase na diferença da base de cálculo apurada a partir dos valores mensais da receita bruta escriturados no Livro de Registro de Apuração de ICMS, fls. 6194, uma vez que não foi informada qualquer quantia a este título nas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples), fls. 5460 e não foi efetuado qualquer pagamento. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária é uma penalidade procedente da lei em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta culposa 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.002844/200453 Acórdão n.º 180100.807 S1TE01 Fl. 346 7 do agente, que é a falta cometida contra um dever, por ação ou omissão, de forma a evidenciar a inobservância de diligência que deveria ser observada quando da prática de um ato a que se está obrigado4. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso5. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 7.. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de Cofins e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 4 Base legal: art. 142, art. 149 e art. 150 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 7 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10380.002844/200453 Acórdão n.º 180100.807 S1TE01 Fl. 347 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19647.007864/2007-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO
ACESSÓRIA Quando devidamente intimado pelo fisco, é obrigação do
sujeito passivo a apresentação dos documentos e livros relacionados às contribuições previdenciárias sob pena de infração à legislação da Previdência Social, por descumprimento de obrigação acessória, sujeitando-se à aplicação de multa. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO
DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES. Nas autuações em que não há alteração do valor da multa
em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período não decadente.
NÃO APRECIAÇÃO DE MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS No julgamento de processos administrativos somente serão considerados os
argumentos referentes ao objeto dos autos. PROVA PERICIAL.
INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. INDEFERIMENTO DE REUNIÃO DE CRÉDITOS É prerrogativa e não imposição, que a administração reúna em um só feito, vários créditos lançados contra o mesmo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.172
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Quando devidamente intimado pelo fisco, é obrigação do sujeito passivo a apresentação dos documentos e livros relacionados às contribuições previdenciárias sob pena de infração à legislação da Previdência Social, por descumprimento de obrigação acessória, sujeitando-se à aplicação de multa. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES. Nas autuações em que não há alteração do valor da multa em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período não decadente. NÃO APRECIAÇÃO DE MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS No julgamento de processos administrativos somente serão considerados os argumentos referentes ao objeto dos autos. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. INDEFERIMENTO DE REUNIÃO DE CRÉDITOS É prerrogativa e não imposição, que a administração reúna em um só feito, vários créditos lançados contra o mesmo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Quando devidamente intimado pelo fisco, é obrigação do sujeito passivo a apresentação dos documentos e livros relacionados às contribuições previdenciárias sob pena de infração à legislação da Previdência Social, por descumprimento de obrigação acessória, sujeitando se à aplicação de multa. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES. Nas autuações em que não há alteração do valor da multa em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período não decadente. NÃO APRECIAÇÃO DE MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS No julgamento de processos administrativos somente serão considerados os argumentos referentes ao objeto dos autos. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. INDEFERIMENTO DE REUNIÃO DE CRÉDITOS É prerrogativa e não imposição, que a administração reúna em um só feito, vários créditos lançados contra o mesmo sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 345DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Declarouse impedido o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19647.007864/200760 Acórdão n.º 240102.172 S2C4T1 Fl. 324 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado contra a empresa acima identificada, com fulcro no art. 33, § 2° da Lei n°8.212/91. De acordo com o Relatório Fiscal, fl. 06, o AI foi lavrado em virtude da empresa ter deixado de apresentar à fiscalização a documentação solicitada através de TIASD’s, alegando não ter encontrado tais documentos em seus arquivos, o que compromete a identificação dos segurados contribuintes individuais e empregados que receberam remunerações da empresa. Inconformada com a Decisão de fls. 171/181 a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese: Inicialmente faz um breve relato sobre a presente autuação. Em sede preliminar alega que o fisco previdenciário não poderia exigir documentos e livros fiscais relativos a períodos alcançados pela decadência qüinqüenal. No mérito insurgese contra a autuação afirmando que: Apresentou todos os documentos necessários e possíveis à fiscalização que ainda assim lhe conferiu tratamento tributário mais rigoroso que as empresas com fins lucrativos. Aduz que a fiscalização exige contribuição sobre parcelas legalmente excluídas do campo de tributação, tais corno prêmios de produtividade e itens indenizatórios, a exemplo de despesas de táxi, com alimentação e outros gastos reembolsáveis; Defende que a conduta do fiscal afronta ao artigo 28, da Lei 8.212/91, em seu § 9', que afasta a incidência de contribuição previdenciária para todas as hipóteses listadas no Auto de Infração ora recorrido. Sustenta que os pagamentos efetuados aos empregados mediante cartão de premiação caracterizamse como ganhos eventuais ou abonos desvinculados do salário, podendo ser considerados participação no resultado e ainda, os prêmios conhecidos como incentivo a desempenho estão relacionados ao resultado do impugnante e não ao salário do empregado, ficando afastada assim a possibilidade de tributação. Salienta que há farta jurisprudência que corrobora a tese de que não é remuneração o prêmio pago em razão do alcance de metas fixadas pela empresa e a premiação pela aplicação de questionário não pode ser confundida como remuneração de autônomo, posto que é um bônus oferecido em razão dos resultados alcançados pelo contratado, durante curto lapso de tempo; Diz que a oferta de renda a pessoas físicas (donas de casa, desempregados, estudantes, etc.) para aplicação de questionários de pesquisa é assemelhada a bolsas de ensino, pesquisa e extensão, sobre as quais não incide contribuição previdenciária, devendose ter em Fl. 347DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 conta que tal atividade pode ser até desenvolvida por via telefônica sendo que a própria Justiça do Trabalho não tem reconhecido nesses casos a relação empregatícia, conforme sentença proferida pela Juíza Titular da 2. a Vara do Trabalho de Teresina em reclamatória ajuizada contra o IPESPE, o que pode comprovar mediante documento juntado; Prossegue alegando que, os serviço de transporte de passageiros mediante veículo táxi não se confunde com o condutor autônomo de veículos automotores tratado pela legislação previdenciária como segurado obrigatório, bem como os serviços de transporte de passageiros por via aérea também não podem sofrer incidência de contribuição; Que também não é admissível a exigência de contribuição sobre despesas com reembolso de gastos com alimentação, hospedagem e reprodução de documentos; Refuta a exigência de declaração em GFIP dos fatos geradores controversos, posto que somente a partir do julgamento final do processo administrativo é que ficará definido se as remunerações em questão são consideradas salário de contribuição; Que a exigência da contribuição relativa à retenção sobre as faturas dos prestadores de serviço pessoa jurídica não merece prosperar, posto que as retenções foram promovidas dentro dos parâmetros legais; Entende que não existe possibilidade legal de se penalizar o contribuinte duplamente pela mesma conduta, sendo assim não procede a aplicação de multa moratória e a multa por falta de declaração dos fatos geradores em GFIP referente às verbas discutidas na presente NFLD; Menciona que o presente lançamento tem caráter confiscatório o que é vedado pela Constituição Federal. Requer a produção de perícia e que todos os créditos lançados sejam reunidos em um feito único para se evitar divergência. Por fim pede o acolhimento do recurso para anular o AI, julgálo improcedente ou ainda, que seja anulada a decisão de primeira instância. É o relatório. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19647.007864/200760 Acórdão n.º 240102.172 S2C4T1 Fl. 325 5 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Inicialmente cumpre esclarecer que constitui fato gerador da obrigação acessória qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não constitua a obrigação principal. O descumprimento de obrigação acessória sujeita o infrator à multa de acordo com a legislação previdenciária, ou seja, tanto a obrigação quanto a multa aplicada tem previsão na legislação. Em que pese o inconformismo da recorrente, seus argumentos são desprovidos de suporte fático e jurídico capazes de macular a autuação. A presente autuação ocorreu tendo em vista que, embora intimada através de TIAD’s, a recorrente deixou de apresentar à fiscalização, todos os documentos solicitados, sob o argumento de não ter encontrado tais documentos em seus arquivos, razão pela qual foi autuada por afrontar o disposto no 33, §§ 2° e 3º da Lei n°8.212/91. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos § 1o (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Em que pese haver período abrangido pela decadência qüinqüenal, temos que tal fato em dada irá alterar o valor da autuação já que a multa para esse tipo de infração é aplicada em valor fixo, não dependendo do número de ocorrências verificadas, uma só infração verificada em período não decadente já justifica a aplicação da penalidade. Temos ainda que a recorrente teve lavradas contra si, duas NFLD’s e outros quatro AI’s, razão pela qual deve ter elaborado um só recurso para todos os lançamentos, cumpre esclarecer que tais fatos serão objeto de análise nas Notificações Fiscais lançadas contra a recorrente, razão pela qual não serão objeto de análise na presente autuação, questões estranhas aos autos. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Sobre a cumulação de multa moratória e a penalidade por descumprimento de obrigação acessória, não há vedação legal para tanto, sendo que uma ocorre por falta de recolhimento de tributo e a outra por ação ou omissão do sujeito passivo, no presente caso a não apresentação de documentos. Sobre a produção de prova pericial, está somente se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, in verbis: “Lei 9.784/99 Art. 38. [...] § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou pretelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” A reunião de processos para julgamento em conjunto, embora razoável, não é exigência procedimental e sim faculdade da administração pública visando a celeridade e economia processual, o que não impede o julgamento em separado de autos diversos. Assim, não só correta foi a aplicação do auto de infração ao presente caso pelo autoridade fiscal, como encontrase devidamente fundamentada a multa aplicada.. Desse modo, a autuação deve persistir integralmente. Portanto, tendo a autuação obedecido todos os preceitos legais e estando revestida dentro das formalidades legais, não há que se falar na improcedência do AI. Ante ao exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 350DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19647.007864/200760 Acórdão n.º 240102.172 S2C4T1 Fl. 326 7 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 15/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10920.003154/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 11/07/2007
ARTIGO 32, II DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 II, “a” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99. CONTABILIZAÇÃO EM
TÍTULOS PRÓPRIOS.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99.
Numero da decisão: 2302-001.454
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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Recorrente FÁBRICA DE MÓVEIS NEUMANN LTDA, E OUTRO Recorrida DRJ FLORIANOPOLIS SC ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/07/2007 ARTIGO 32, II DA LEI N.º 8.212/1991 C/C ARTIGO 283 II, “a” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99. CONTABILIZAÇÃO EM TÍTULOS PRÓPRIOS. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto de infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Inobservância do artigo 32, III da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, II, “b” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Júnior. Ausência Momentânea: Eduardo Augusto Marcondes de Freitas Fl. 433DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Segundo a fiscalização tributária, a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, do montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme relatório às fls. 32 a 58. Inconformada com a autuação, a sociedade empresária apresentou impugnação na forma das fls. 302 a 307. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento proferiu a decisão de fls. 402 a 409 mantendo a autuação em sua integralidade. Não concordando com a decisão, houve interposição de recuso voluntário conforme fls. 413 a 420. Alega em síntese: a) A empresa estava em férias coletivas; b) Deve o recurso ser considerado tempestivo. c) A Fábrica é uma agroindústria; d) Desde de 2003 há atividade rural; e) A recorrente pode pagar o INSS com um percentual sobre a receita bruta; f) Os fatos foram corrigidos; g) É legítima a redução do capital social; h) Requerendo provimento ao recurso interposto. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.003154/200718 Acórdão n.º 230201.454 S2C3T2 Fl. 426 3 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente. De acordo com o aviso de recebimento à fl. 412, o recorrente foi cientificado no dia 30 de janeiro de 2008 (quartafeira), à época, o prazo para interposição do recurso era de 30 dias, considerandose que na contagem é excluído o dia de início, o prazo venceria em 29 de fevereiro de 2008 (sextafeira). O notificado interpôs o recurso no dia 11 de fevereiro de 2008, fl. 413. Os argumento recursais de que a autuada se enquadra como agroindústria, não afeta a regularidade do presente auto de infração. In casu, está sendo aplicada multa por descumprimento de obrigação acessória. Assim, independentemente de a autuada deve ou não os tributos, deveria contabilizar os fatos em títulos próprios. Não se confundem as obrigações principal e acessória. Enquanto a primeira referese ao recolhimento do tributo; as últimas são deveres instrumentais auxiliares do órgão fiscalizador. Pelo descumprimento da obrigação principal será aplicada a multa decorrente do atraso no pagamento. Pelo descumprimento de obrigações acessórias será imposta multa isolada. Ao contrário do afirmado pela recorrente, as faltas não foram corrigidas. Deve ficar claro que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é cediço, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Desse modo, a Lei n 8.212 não conceitua títulos próprios, pois tal expressão não precisa de conceituação legal, por traduzir um conceito contábil. Os títulos próprios são as rubricas das contas utilizadas na contabilidade da empresa, sendo a denominação da conta. O que a Lei n o. 8212 impõe é que todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias devem ser contabilizados em títulos próprios. Assim, se todos os fatos geradores forem lançados em títulos próprios, somente analisando os lançamentos contábeis a fiscalização conseguirá verificar se todos os valores devidos pela empresa foram recolhidos. A contabilização em títulos próprios deve traduzir a forma de incidência de contribuição previdenciária, devendo estar compatibilizada com as folhas de pagamento. A fiscalização demonstrou que havia inconsistências entre os registros constantes em folhas de pagamento e aqueles efetuados na contabilidade. No relatório fiscal às fls. 36 a 56 há inúmeras irregularidades encontradas pela fiscalização que não foram rebatidas pela autuada, e basta a existência de uma delas para sustentar a presente autuação. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 436DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/ 2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13603.002260/2007-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 29/11/2006
TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A multa pelo descumprimento de obrigação acessória sujeita-se
ao prazo decadencial de cinco anos, nos ternos do art. 173, I, do CTN. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PENALIDADE GFIP OMISSÕES INCORREÇÕES
RETROATIVIDADE BENIGNA.
A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constitui-se violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a penalidade para tal
infração, que até então constava do § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-001.690
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) para afastar a decadência do período compreendido entre as competências 12/2000 e 11/2001. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negava provimento ao recurso; b) quanto à multa lançada, aplica-se art. 32-A da Lei 8.212/91. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator) e Marcelo Oliveira, que aplicavam a regra do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. O Conselheiro Marcelo Oliveira apresentará declaração de voto.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 29/11/2006 TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória sujeita-se ao prazo decadencial de cinco anos, nos ternos do art. 173, I, do CTN. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PENALIDADE GFIP OMISSÕES INCORREÇÕES RETROATIVIDADE BENIGNA. A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constitui-se violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Recurso especial provido em parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) para afastar a decadência do período compreendido entre as competências 12/2000 e 11/2001. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negava provimento ao recurso; b) quanto à multa lançada, aplica-se art. 32-A da Lei 8.212/91. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator) e Marcelo Oliveira, que aplicavam a regra do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. O Conselheiro Marcelo Oliveira apresentará declaração de voto.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 29/11/2006 TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória sujeitase ao prazo decadencial de cinco anos, nos ternos do art. 173, I, do CTN. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PENALIDADE GFIP OMISSÕES INCORREÇÕES RETROATIVIDADE BENIGNA. A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituise violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, a penalidade para tal infração, que até então constava do § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91, o qual é aplicável ao caso por força da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: a) para afastar a decadência do período compreendido entre as competências 12/2000 e 11/2001. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que negava provimento ao recurso; b) quanto à multa lançada, aplicase art. 32A da Lei 8.212/91. Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator) e Marcelo Oliveira, que aplicavam a regra do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. O Conselheiro Marcelo Oliveira apresentará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – RedatorDesignado EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Junior. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002260/200757 Acórdão n.º 920201.690 CSRFT2 Fl. 2 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 206 01.089, proferido pela antiga Sexta Câmara do 2º CC em 04/07/2008 (fls. 322/334), interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade e recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 352/368). O acórdão recorrido, por maioria de votos, declarou a decadência da multa correspondente às contribuições referentes aos fatos geradores ocorridos até a competência 11/2001 e, no mérito, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO MULTA. A apresentação de GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, observandose o limite estabelecido no § 4° do inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/1991. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude e/ou conluio comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria Recurso Voluntário Provido em Parte.” Afirma que o aresto em comento, ao afastar a aplicação do art. 173, I do CTN, na contagem do prazo decadencial, feriu a referida norma de regência. Além disso, explica que a decisão atacada diverge do paradigma que apresenta, segundo o qual o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN (lançamento de ofício). Salienta que, a despeito de o tributo sob cobrança encontrarse sujeito a lançamento por homologação, o aspecto crucial para determinar qual o regramento a prevalecer na contagem do prazo decadencial diz respeito à existência ou não de antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Se houver pagamento parcial, vale o comando do art. 150, § 4º, do CTN; caso contrário, incide a regra do art. 173, I. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO 4 Pondera que a situação em apreço, no tocante ao curso do ínterim decadencial, há de ser disciplinada pelo art. 173, I, do CTN, e não pelo art. 150, § 4º, pela simples razão de que é impossível conceber a existência de pagamento antecipado por parte do contribuinte em tal caso. Argumenta que, se o crédito tributário decorre de penalidade infligida ao sujeito passivo porque descumpriu dever instrumental (fazer ou nãofazer determinada prestação) a que estava obrigado, entremostrase óbvia a inviabilidade da ocorrência de qualquer pagamento antecipado de sua parte, já que a quantia devida encontra sua origem no ato emanado da autoridade fiscal, em lançamento de ofício. Salienta que carece de juridicidade a tese de que a contagem do prazo decadencial referente à multa veiculada em Auto de Infração deve acompanhar a mesma sorte da contagem prevalente na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito correlata, em razão de uma suposta relação de causa e efeito. Desse modo, entende que não é concebível considerar que o pagamento parcial antecipado do tributo tem o condão de gerar efeitos sobre a contagem do prazo decadencial para o lançamento da penalidade aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória. Isso porque, considera tratarse de ato ocorrido em orbe totalmente distinto e autônomo, que não mantêm entre si qualquer liame. Ao final, requer o provimento dos recursos especiais interpostos. Nos termos do Despacho n.º 2400404/2009 (fls. 369/373), foi dado seguimento apenas ao recurso especial de contrariedade. O contribuinte ofereceu contrarazões fora do prazo regimental, consoante despacho à folha 385. Eis o breve relatório. Voto Vencido Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. Na hipótese dos autos, segundo se depreende do relatório , o contribuinte foi autuado pela entrega da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com previsão legal no art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212, de 1991. A obrigação principal tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente, nos temos do art. 113, § 1°, do CTN, tendo por fato gerador, de acordo com o art. 114 do mesmo diploma legal, a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Já o fato gerador da obrigação tributária acessória, diz o art. 115 do CTN, é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002260/200757 Acórdão n.º 920201.690 CSRFT2 Fl. 3 5 Isto porque em se tratando de obrigação acessória, clara é a disposição do § 3° do art. 113 do CTN, de que a sua inobservância convertea em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária, como no dizer de Luiz A. Gurgel de Faria, in. Código Tributário Nacional Comentado, que havendo descumprimento da obrigação acessória, ela se converte em principal relativamente à penalidade pecuniária (§3º), o que significa dizer que a sanção imposta ao inadimplente é uma multa que, como tal, constitui uma obrigação principal, sendo exigida e cobrada através dos mesmos mecanismos aplicados ao tributo. Assim sendo, já que pelo simples fato da sua inobservância, a obrigação acessória é convertida em principal (CTN, art. 113, § 3°), sujeitandose, portanto, ao lançamento de oficio, na forma do art. 149 do CTN. Tratandose de lançamento de oficio, a regra a ser observada é a do art. 173, I, do CTN. Confirase, a propósito, os seguintes precedentes dos Tribunais e deste Conselho: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁ RIAS. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE. I A multa pelo descumprimento de obrigaçã o acessória sujeitase ao prazo decadencial de cinco anos, nos termos do art. 173, I, do CTN. 2. A inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91 foi reconhecida pela Corte Especial deste Tribunal na Argüição de Inconstitucionalidade n°2000.04.01.0922283. 3. Apelação a que se nega provimento." (TRF 4' Região APELAÇÃO CÍVEL N° 2006.72.10.001962 3/SC, Relator: Juiz Federal ALEXANDRE ROSSATO DA SILVA ÁVILA) "TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA APRESENTAÇÃO DA GFIP OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO DECADÊNCIA REGRA APLICÁVEL: ART. 173, I, DO CTN. I. A falta de apresentação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), assim como o fornecimento de dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias devidas configura descumprimento de obrigação tributária acessória, passível de sanção pecuniária, na forma da legislação de regência. 2. Na hipótese, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é regido pelo art. 173, I, do CIN, tendo em vista tratarse de lançamento de oficio, consoante a previsão do art. 149, incisos II, IV e VI. 3. Ausente afigura do lançamento por homologação, não há que se falar em incidência da regra do art. 150, § 4°, do CTN. 4. Recurso especial não provido." Fl. 5DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO 6 (STJ RECURSO ESPECIAL N° 1.055.540 — SC — Relator: MINISTRA ELLANA CALMON) "MULTA — ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO — DECADÊNCIA — 1NOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entrega da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, Ido CTN e não pelo art. 150, §4° do CTN MASSA FALIDA MULTA — ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO — CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida." (Acórdão n° 1070836) "MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para realização de lançamento com vistas à cobrança de multa regulamentar somente tem início no primeiro dia do ano seguinte ao da ocorrência da infração. LEGALIDADE. É cabível a aplicação da multa pelo atraso na entrega da DCTF à vista do disposto na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega de declaração fora do prazo não exclui a responsabilidade pelo descumprimento de obrigação acessória e, portanto, não lhe é aplicável o instituto da denúncia espontânea." (Acórdão n° 30334722) Deste modo, incorreta a aplicação da regra pertinente à declaração da decadência no acórdão recorrido, devendo ser afastada a decadência do período compreendido entre as competências 12/2000 e 11/2001. Saliento que, no presente caso, o acórdão recorrido, apesar da declaração parcial da decadência, já apreciou o mérito do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Razão pela qual entendo que não devam os autos retornar para o colegiado a quo. Entretanto, conforme consignado alhures, no presente caso o contribuinte foi autuado pela entrega da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, com previsão legal no art. 32, IV e § 5º da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que a MP n.º 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, ao mesmo tempo em que revogou os referidos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, promoveu nova sistemática de aplicação de multas. Assim dispunha o revogado art. 32, § 5º da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002260/200757 Acórdão n.º 920201.690 CSRFT2 Fl. 4 7 "§ 5o A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitara o infrator a pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior." (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas, in verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão» desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." É Indubitável a aplicação da multa benéfica, conforme disciplina do art. 106, II, “c” do CTN. O supracitado art. 32, § 5º, destinavase a punir a apresentação, pelo contribuinte, de declaração inexata quanto aos dados relativos a fatos geradores de tributos, independentemente da existência ou não de tributo a recolher. Sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a constatação pelo Fisco de que o contribuinte apresentara declaração inexata ensejaria o direito de aplicação da multa do art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 1991, que poderia corresponder a 100% do valor relativo às contribuições não declaradas, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei 8.212, de 1991, in verbis: § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) 0 a 5 segurados1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados5 x o valor mínimo Fl. 7DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO 8 101 a 500 segurados10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados50 x o valor mínimo Nessa mesma hipótese, caso se verificasse, além da declaração incorreta, a existência de tributo não recolhido, terseia, em acréscimo, a incidência da multa prevista na redação anterior do art. 35, inciso II, da referida lei (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009), in verbis: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito Fl. 8DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002260/200757 Acórdão n.º 920201.690 CSRFT2 Fl. 5 9 não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999).” Vêse, pois, na sistemática revogada, a existência de multas diversas para fatos geradores igualmente distintos e autônomos: uma, prevista no art. 32, § 5°, que tem natureza de multa por descumprimento de obrigação acessória e, portanto, constituirá o próprio crédito tributário, não guardando vinculação com a obrigação principal de pagamento do tributo devido no prazo de lei; e a outra, consistente em penalidade pecuniária que decorre do não recolhimento do tributo devido dentro do respectivo vencimento, prevista no art. 35, II. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ou seja, a multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, que se refere à apresentação de declaração inexata, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, estabelecida no igualmente revogado art. 35, II, o cotejo das duas multas, em conjunto, deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que agora encontra aplicação no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias. Isso posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência do período compreendido entre as competências 12/2000 e 11/2001 e, quanto a este período, recalcular o valor da multa, limitandoa de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 9DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO 10 Voto Vencedor Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Designado Não obstante a respeitável posição defendida pelo Conselheiro Elias Sampaio Freire (Relator) e seguida pelos Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Júnior e Marcelo Oliveira, entendi que a aplicação ao caso da retroatividade benigna do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional – CTN, enseja a manutenção do acórdão recorrido, pois a penalidade anteriormente prevista no § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, restou substituída por aquela prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91, na redação que lhe foi dada pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009. Posição contrária, com a aplicação do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, citado no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, poderia, salvo melhor juízo, implicar em retroatividade prejudicial ao contribuinte. Eis um quadro sinótico de como eram (com a Lei n° 8.212/91, em sua redação original) e de como ficaram (com as alterações promovidas pela MP n° 449/2008) as penalidades relativas à matéria: Redação Original Redação Atual Multa por descumprimento de obrigação acessória Art. 32. (...) § 5°. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 deste Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), Fl. 10DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002260/200757 Acórdão n.º 920201.690 CSRFT2 Fl. 6 11 observado o disposto no § 3° deste artigo. Multa de mora Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo único, do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Multa de ofício Sem previsão. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A ausência de apresentação da GFIP, bem como sua entrega com atraso, com incorreções ou com omissões, constituise violação à obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. Isso é inquestionável. Com o advento da Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, entendo que a penalidade para tal infração, a qual até então constava do § 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91, passou a estar prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Segundo penso, ainda que o contribuinte tenha pago integralmente as contribuições previdenciárias devidas, estará sujeito à penalidade pela ausência de apresentação ou pela entrega com omissões ou com incorreções da GFIP (artigo 32A da Lei n° 8.212/91). Por outro lado, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (citada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91) tem outra conotação, qual seja, as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO 12 A redação do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Grifei) Portanto, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 é aplicável apenas na hipótese de haver tributo não pago, ao passo que a multa do artigo 32A da Lei n° 8.212/91 incide ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas. Pareceme ser escorreito afirmar que a DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Sob minha ótica, a penalidade lançada contra a contribuinte (§ 5°, do artigo 32, da Lei n° 8.212/91) restou substituída pela multa prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Diante do exposto, na parte não atingida pela decadência, voto no sentido de que se calcule a penalidade devida pela contribuinte de acordo com a regra do artigo 32A da Lei n° 8.212/91. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 12DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002260/200757 Acórdão n.º 920201.690 CSRFT2 Fl. 7 13 Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Com todo respeito ao nobre Conselheiro que redigiu o voto vencedor, divirjo de seu entendimento. Para iniciarmos nossos esclarecimentos, ressaltamos que concordamos com o nobre Conselheiro na seguinte parte de seu voto: Por outro lado, a regra do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 (citada no artigo 35A da Lei n° 8.212/91) tem outra conotação, qual seja, as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. A sistemática de penalidades com origens na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) foi alterada, necessitando, como determina a Legislação, análise sobre a aplicação da retroatividade benigna, disposta no Art. 106 do CTN, ponto em que não há divergência. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, devemos enfrentar a questão de como aplicar a retroatividade determinada pelo CTN. A infração de que trata os autos estava disposta na Lei 8.212/1991 e era aplicada quando o contribuinte apresentava GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Ou seja, o contribuinte apresentava a Guia, mas faltavam dados relacionados aos fatos geradores. Geralmente essa autuação era aplicada quando o sujeito passivo omitia fatos geradores na declaração, entregandoa à Administração Tributária com valores subdimensionados. Lei 8.212/1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: Fl. 13DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO 14 ... IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. ... 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Com o advento da Medida Provisória 449/2008, transformada na Lei 11.941/2009, os dispositivos acima foram revogados e outros surgiram, determinando que os julgadores apliquem a nova legislação, caso seja mais benéfica, conforme determina o CTN. Pois bem, o cerne da questão referese a que dispositivo aplicar. Para o Conselheiro que redigiu o voto vencedor devese aplicar o Art. 32A, decisão que não concordamos, pelos motivos a seguir. Lei 8.212/1991: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Conforme está claro no caput do artigo, aplicase as suas disposições quando: 1. O contribuinte foi intimado e apresentou a GFIP, que tinha sido apresentada fora do prazo fixado ou que continha incorreções ou omissões. Destacase que para esse dispositivo a ação do Fisco, em primeiro lugar, deve ser, obrigatoriamente, a INTIMAÇÃO para apresentação. Ou seja, a legislação prevê a aplicação dessas penalidades quando a GFIP foi entregue corretamente preenchida, depois ou antes da intimação, mas foi entregue com todos os dados e fatos que deveriam constar na declaração. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002260/200757 Acórdão n.º 920201.690 CSRFT2 Fl. 8 15 Portanto, em nosso entender, não é esse o melhor dispositivo que se aplica aos caso, em que o sujeito passivo “apresentou e manteve a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.” Ressaltese que o sujeito passivo poderia ter, ainda na vigência da legislação anterior, corrigido a GFIP, com todos os dados relacionados aos fatos geradores, beneficiando se até de relevação da multa, mas até o momento (julgamento) não procedeu dessa forma, discutindo o mérito da questão. Pois bem, em nosso entender o dispositivo que melhor se aplica ao caso é o disposto no Art. 35A da Lei 8.212/1991: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Esclarecemos aqui, para àqueles que se antecipam e defendem que o dispositivo acima só trata de obrigação principal, que a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Portanto, o disposto no Art. 35A deve ser seguido, também, em caso de descumprimento de obrigação acessória. Resta a pergunta: e há previsão nova para descumprimento da obrigação acessória em questão? Devemos verificar a legislação que o Art. 35A remete. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO 16 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Pela leitura do determinado, chegamos à seguinte conclusão: 1. Tantos nos caso de descumprimento de obrigação principal como nos casos de obrigação acessória (lançamentos de ofício) o dispositivo pode e deve ser aplicado; 2. A penalidade será aplicada nos seguintes casos e na seguinte proporção: 2.1 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento; 2.2 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de declaração; e 2.3 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de declaração inexata. Portanto, como no caso dos autos houve a entrega de declaração com dados não correspondentes aos fatos geradores de todo o tributo, aplicase a penalidade acima. Assim, como verificamos que descabe a aplicação pelo disposto no Art. 32A e como há a previsão para a aplicação da penalidade pelo Art. 35A, deve se aplicar a penalidade por esse dispositivo. Fato, também, que devemos enfrentar, referese a como fazer a comparação sobre a regra mais benéfica. Antes da alteração da Lei 11.941/2009, o contribuinte que entregasse a declaração com dados referentes a fatos geradores do tributo de forma inexata e não recolhesse era punido com duas autuações. A autuação pelo descumprimento da obrigação estava disposta, como já ressaltamos, no Art. 32, da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 32. A empresa é também obrigada a: ... IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de Fl. 16DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO Processo nº 13603.002260/200757 Acórdão n.º 920201.690 CSRFT2 Fl. 9 17 contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. ... 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Já a penalidade pelo descumprimento de obrigação principal esta disposta no Art. 35, da Lei 8.212/1991. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Antecipandome, não há que se falar que as multas de que tratava o Art. 35 citado são de mora, pois, como já ressaltamos em nossa análise, a multa de lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Atualmente, como já demonstramos, a multa é a aplicada pelo I, Art. 44, da Lei 9430/1996. Lei 8.212/1991: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Lei 9.430/1996: Fl. 17DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO 18 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Portanto, para seguirmos a determinação do Art. 106 do CTN quanto à retroatividade benigna, a multa na autuação em análise deve ser recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, utilizandose o valor que seja mais benéfico ao Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 18DF CARF MF Emitido em 11/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/10/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 25/10/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/11/2011 por OTACILIO D ANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 14041.000257/2004-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPF RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS.
De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.711
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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De acordo com o Enunciado de Súmula CARF n° 39 “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Tal posicionamento deve ser observado por este julgador, conforme determina o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 292DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000257/200421 Acórdão n.º 920201.711 CSRFT2 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 14/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente substituto), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Écio Rodrigues da Silva foi lavrado o auto de infração de fls. 04 12, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 2003, em razão da omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Além da multa de ofício de 75%, a autoridade fiscal também lançou a multa isolada de 75%, pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) manteve integralmente o crédito tributário (fls. 8190). Por sua vez, a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10616.332, que se encontra às fls. 144166, cuja ementa é a seguinte: IRPF PRELIMINAR ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA – O contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou de proventos de qualquer natureza. A responsabilidade atribuída à fonte pagadora tem caráter apenas supletivo, não exonerando o contribuinte da obrigação de oferecer os rendimentos à tributação. ORGANISMO INTERNACIONAL DA ONU ISENÇÃO A isenção de imposto sobre rendimentos pagos por Organismo Internacional da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu Fl. 293DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000257/200421 Acórdão n.º 920201.711 CSRFT2 Fl. 3 3 SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente. (Precedente da CSRF/MF) MULTA ISOLADA MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA – É inaplicável a multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, tendo ambas a mesma base de cálculo. Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. Intimada do acórdão em 11/09/2007 (fls. 168), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 171179, acompanhado dos documentos de fls. 180198, para pleitear o restabelecimento da multa isolada, invocando como paradigma o acórdão n° 10194.858. Através do Despacho n° 106296/2007 (fls. 199203), a então Presidente da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes negou seguimento ao recurso. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs agravo às fls. 204209, mas por intermédio do Despacho n° 657 (fls. 212214), restou confirmada a decisão que negou seguimento ao recurso especial. Já o contribuinte, quando cientificado do acórdão proferido pelo Conselho de Contribuintes, interpôs recurso especial de divergência às fls. 223267, no qual alegou, fundamentalmente, que os rendimentos em apreço são isentos do imposto de renda, suscitando como paradigmas, entre outros, os acórdãos nos CSRF/0105.061 e CSRF/0105.050. Este recurso foi admitido (fls. 269270) e em sede de contrarrazões (fls. 273 284) a Fazenda Nacional pugnou, basicamente, pela manutenção do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial do contribuinte cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. Fl. 294DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000257/200421 Acórdão n.º 920201.711 CSRFT2 Fl. 4 4 O recorrente sustentou, sob vários enfoques, que os rendimentos em apreço não estão sujeitos à incidência do imposto de renda pessoa física. A questão que chega à apreciação deste Colegiado envolve a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD). Eis a matéria em litígio. Muito se poderia escrever sobre o tema, cuja jurisprudência já foi favorável ao contribuinte e também à Fazenda Nacional. No entanto, atualmente, no âmbito do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF a questão não comporta maiores digressões. Isso porque no mês de dezembro de 2009, este Tribunal Administrativo aprovou diversas Súmulas e consolidou aquelas aplicáveis no âmbito do extinto e Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, sendo que o Enunciado CARF n° 39 tem o seguinte conteúdo: “Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.” Por força do que dispõe o artigo 72, § 4°, combinado com o artigo 45, inciso VI, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tal enunciado é de adoção obrigatória por este julgador. Nessa ordem de juízos, devo concluir que a decisão recorrida merece ser confirmada quanto à incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos pelo recorrente como decorrência da prestação de serviços profissionais a Organismo Internacional. Voto, portanto, no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 295DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 16000.000121/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/03/2002 a 30/09/2003
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DESCUMPRIMENTO MULTA POR INFRAÇÃO
Constitui infração punível com multa administrativa, o descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV, § 3º da Lei nº 8212/91, que se caracteriza no ato da empresa apresentar o documento a que se refere o citado dispositivo legal, com informações inexatas, incompletas ou omissas,
em relação a dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do citado artigo, combinado com o artigo 225, IV e § 4º do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.070
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de desconsideração de grupo econômico; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de desconsideração de grupo econômico; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Fl. 493DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henryque Magalhães de Oliveira. Fl. 494DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000121/200776 Acórdão n.º 240102.070 S2C4T1 Fl. 451 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude de apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV e paragrafo 3., •acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com informacoes Inexatas, Incompletas ou omissas, em relacao aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuicoes previdenciarias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e paragrafo 6., tambem acrescido pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e paragrafo 4., do Regulamento da Prevldencla Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, em Auditoria Fiscal desenvolvida na empresa ora autuada, verificouse que esta apresentou as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP relativas ao período de 11/2001 a 05/2003 com informações inexatas nos campos FPAS e Cód. Terceiros, de acordo com as demonstrações constantes no ANEXO "A". Desta forma, a empresa infringiu o disposto no artigo 32, inciso IV, parágrafo 6. da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97. No período citado (11/2001 a 05/2003) a empresa oscilou quanto ao número de segurados a seu serviço, conforme ficou demonstrado no ANEXO "B, ". Esclarece que o valor da multa a ser aplicada sofre limitação levandose em conta a quantidade de segurados a serviço da empresa, conforme dispositivo légal (art. 284, inc. I e Il do decreto n. 3.048/1999). Informa a Auditoria Fiscal que no anexo especial anexo, estão descritos fatos que evidenciam a interrelação empresarial e também informam que a detentora da marca "CAMPBOI" é a empresa ora fiscalizada, conforme consulta a o INPI Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Processo 819537667). Relaciona as seguintes empresas como participantes do Grupo CAMPBOI: i Frigorífico Caromar Ltda; CNPJ: 52.471.729/000140; Frigorifico Santa Esmeralda Ltda, CNPJ: 02.170.7371000188;Vitória Agroindustrial Ltda; CNPJ: 03.201.870/000117; Transportadora Pereira & Dias Ltda, CNPJ: 69.285.054/000147, RPMC. Com. de Carnes e Derivados Ltda; CNPJ: 62.067.1291000506; ML Comércio De Carnes Ltda; CNPJ: 56.066.020/000110;Meat Center Comércio De Carnes Ltda; CNPJ: 01.222.671/000160; Santa Esmeralda Alimentos Ltda; CNPJ: 02.172.552/000102; Santa Esmeralda Alimentos II Ltda; CNPJ: 55.596.548/000138; Casa De Carnes Amoreiras Ltda; CNPJ: 53.121.349/000148; Santana Agroindustrial Ltda; CNPJ: 05.148.550/000176; Distrib. de Charque Campinas Ltda; CNPJ: 01.767.548/000124; Transportadora Dirceu Ltda, CNPJ: 74.624.248/000160; Distribuidora de Carnes Vale do Mogi;cnpj: 57.622.466/000146; Leme Distribuidora de Carnes Ltda; CNPJ: 05.038.4391000127; Corte Schefer Agropecuária S/A; CNPJ: 62.617.782/000160; Vitória Guapiaçu Participações Ltda; CNPJ: 02.274.340/000124; Máxima Central de Rastreabilidade Ltda; CNPJ: 05.430.029/000127 Identificam, nos anexos em comento, os sócios e procuradores das respectivas empresas e os vínculos dessas pessoas com as empresas do grupo. Fl. 495DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Informa, mais, que os documentos apresentados de fls. 56 a 84 atestam a relação de interdependência entre as empresas, ou melhor, a estreita relação entre elas. Esclarece que diante da defesa apresentada pelas empresas componentes do grupo econômico, os autos foram baixados em diligencia por conexão com a NFLD n. 35.622.955 6 de 29/07/2005. O Auto de Infração em epígrafe foi ratificado pelo auditor conforme relato de fls 282 a 283. Tempestivamente apresentaram impugnações, as seguintes empresas componentes do grupo: • RPMC Comercio de Carnes e Derivados Ltda ; Santana Agroindustrial Ltda; Frigorifico Caromar Ltda; Vitoria Agroindustrial Ltda; Transportadora Pereira e Dias Ltda; Meat Center Comercio de Carnes Ltda; Santa Esmeralda Alimentos II Ltda; Casa de Carnes Amoreiras Ltda; Transportadora Dirceu Ltda; Distribuidora de Carnes Vale do Mogi Ltda; Corte Scheffe Agropecuaria S A. A defesa da empresa Vitoria Agroindustrial Ltda, requer a sua não participação e alega em síntese que não participou de nenhum grupo econômico de empresas descritas no anexo especial de que trata o art. 1098 do CC, vez que não tem relação de capital, que não é controlada nem controladora, nem finada, nem participante de nenhuma outra empresa. A Delgacia da Receita Previdenciária em São José do Rio Preto/SP, emitiu a DecisãoNotificação (DN), nº 21.436.4/038/2006, fls. 326/337, julgando procedente a autuação, trazendo a referida decisão a seguinte ementa: LEGISLAÇÃO PREVIDÊNCIÁRIA. Constitui infraçêo a empresa apresentar GFIP/GRFP com informações inexatas, incompletas ou omissas, nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme previsto nos dispositivos legais vigentes. • AUTUAÇÃO PROCEDENTE.. O recorrente e as empresas designadas como constantes do grupo econômico não concordando com a DN emitida pelo órgão previdenciário, interpuseram recurso, fls. 339/361. A empresa Vitória Agroindústria , alega, em tese, não faz parte do GRUPO CAMPBOI; que a recorrente nunca participou de nenhum grupo econômico de empresas. Ela não tem relação de capital, não é controlada nem controladora, nem filiada e nem participante de nenhuma outra empresa, requisitos objetivos imprescindíveis para a caracterização de grupo econômico, nos termos do art. 1.098, do CC. Especialmente, não se agrupou a nenhuma das empresas descritas no ANEXO "ESPECIAL" do lançamento em questão. Ao final requer seja reformada a decisão atacada, com a exclusão dela do tal grupo Campboi. As demais empresas, também apresentaram recurso, alegando, em tese, que a empresa contra quem foi lançado o tributo, nada tem a ver com as recorrentes, requereram, na impugnação, a exclusão da condição de responsáveis solidárias, de acordo com o artigo 128 do CTN, alegam que a decisão, ora recorrida, se diz convencia da existência do grupo econômico em razão dos fatos e provas trazidos pelo anexo especial e subsume aqueles fatos a comandos do CTN, Lei nº 8212/91 e CLT, justificando, assim, a responsabilização solidária das recorrentes, Fl. 496DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000121/200776 Acórdão n.º 240102.070 S2C4T1 Fl. 452 5 porém, nem os fatos e documentos do referido anexo, tampouco a subsunção deles às normas não sustentam a decisão. A Receita Previdenciária abstevese de apresentar contrarrazões, tendo encaminhado o processo a este Conselho. É o relatório. Fl. 497DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso merece ser conhecido. De início cumpre esclarecer que, conforme relatado, tratase de AUTO DE INFRAÇÃO, lavrado contra a empresa, por descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, a qual tem por objeto as prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, conforme o disposto no art. 113 § 2º do Código Tributário Nacional –CTN. No presente caso, obrigação consiste na apresentação de GFIP com informações exatas completas e sem omissões de dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme previsto nos dispositivos legais vigentes. Em suas razões de recurso a recorrente alega que nunca participou de nenhum grupo econômico de empresas. Ela não tem relação de capital, não é controlada nem controladora, nem filiada e nem participante de nenhuma outra empresa, requisitos objetivos imprescindíveis para a caracterização de grupo econômico, nos termos do art. 1.098, do CC. Especialmente, não se agrupou a nenhuma das empresas descritas no ANEXO "ESPECIAL" do lançamento em questão. Contudo, não contestou o auto de infração propriamente dito. Em face aos argumentos apresentados pelos recorrentes, de que não fazem parte de Grupo Econômico, e já devidamente enfrentados na Decisão de primeira instância, dentro do conceito de grupo econômico de fato, que o grupo de sociedade caracterizase pela reunião de várias empresas, cada uma com personalidade e patrimônio próprios, que se obrigam a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. Dessa forma, nada obstante os esforços em negar a formação deste grupo econômico (esforços conjuntos, digase, conforme impugnações e recursos que se assemelham nas alegações e assinados pelo mesmo procurador), se interligam na formação de um grupo conforme exaustivamente, e de forma conclusiva, demonstrado Os documentos da empresa autuada, cujas cópias foram acostadas aos autos, demonstram, sem nenhuma dúvida, a existência de combinação de recursos entre as empresas, pois não há como justificar de outra forma. Ademais, com os elementos trazidos aos autos pelo Anexo Especial restou inconteste a solidariedade entre as empresas deste grupo econômico, tanto que estas provas fulminaram os argumentos. Destarte diante de todos os fatos descritos, com provas documentais anexadas, entendo que a fiscalização demonstrou, de forma inequívoca, que as pessoas jurídicas relacionadas mantêm mais do que relações comerciais, estas desenvolvem suas atividades como se uma fosse, estabelecendo relações que demonstram a unicidade de Fl. 498DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16000.000121/200776 Acórdão n.º 240102.070 S2C4T1 Fl. 453 7 interesses, a prática de esforços conjuntos entre pessoas que visam um fim de interesse comum, ou seja, atuam de maneira inequívoca como um grupo econômico de fato, além da documentação acostada pela fiscalização, por amostragem e por cópia. Dessa maneira, nos termos do inciso IX, do art. 30, da Lei n°. 8.212/91: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes norma: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Pela leitura do dispositivo legal encimado, resta esclarecido o surgimento do vinculo jurídico do responsável tributário. Para a matéria objeto da presente autuação o descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, não há qualquer dúvida de sua existência e da obrigação da autoridade fiscal, de proceder à lavratura do presente auto de infração, de acordo com a legislação previdenciária de regência. Por todo exposto; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, rejeitar a preliminar de desconsideração do grupo econômico, e, no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. Cleusa Viera de Souza, Relatora. Fl. 499DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/10/2011 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 27/10/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 31/10/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10240.002916/2008-91
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2003
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE DE INVESTIGAÇÃO FISCAL. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR REJEITADA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa na fase
investigatória, que tem natureza inquisitorial, na qual inexiste acusação ou imputação de infração, mas tão somente investigação fiscal. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são de observância obrigatória na fase do processo administrativo fiscal, que se inicia com a peça vestibular que é o Auto de Infração.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa.
Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS VOLUNTARIAMENTE PELA CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO
Prejudicada a alegação de violação do sigilo bancário, quando a própria contribuinte, voluntariamente, entrega ao fisco cópias dos extratos bancários de suas contas correntes mantidas em instituições financeiras. DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA
Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
RECEITA BRUTA DECLARADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS (INFRAÇÃO REFLEXA DA OMISSÃO DE RECEITAS)
Na apuração mensal do IRPJ – Simples e reflexos, leva-se em consideração a receita bruta acumulada mês a mês, inclusive para efeito de definição da alíquota aplicável.
A infração omissão de receitas, reflexamente, implica insuficiência de recolhimentos das exações do Simples sobre a receita bruta declarada, pois para definição da alíquota de recolhimento leva-se em conta a receita bruta total mês a mês (receita declarada + receita omitida).
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL (LEI Nº 9.430/96, ART.
42). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO MÉRITO MATÉRIA NÃO CONHECIDA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
TRIBUTAÇÃO REFLEXA — PIS — COFINS — CSLL INSS
Tratando-se de lançamentos decorrentes, a decisão prolatada no lançamento matriz (IRPJ Simples) é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-001.032
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: Nelso Kichel
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:2003 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE DE INVESTIGAÇÃO FISCAL. DESCRIÇÃO INCOMPLETA DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR REJEITADA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa na fase investigatória, que tem natureza inquisitorial, na qual inexiste acusação ou imputação de infração, mas tão somente investigação fiscal. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são de observância obrigatória na fase do processo administrativo fiscal, que se inicia com a peça vestibular que é o Auto de Infração. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS VOLUNTARIAMENTE PELA CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO Prejudicada a alegação de violação do sigilo bancário, quando a própria contribuinte, voluntariamente, entrega ao fisco cópias dos extratos bancários de suas contas correntes mantidas em instituições financeiras. DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RECEITA BRUTA DECLARADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS (INFRAÇÃO REFLEXA DA OMISSÃO DE RECEITAS) Na apuração mensal do IRPJ – Simples e reflexos, leva-se em consideração a receita bruta acumulada mês a mês, inclusive para efeito de definição da alíquota aplicável. A infração omissão de receitas, reflexamente, implica insuficiência de recolhimentos das exações do Simples sobre a receita bruta declarada, pois para definição da alíquota de recolhimento leva-se em conta a receita bruta total mês a mês (receita declarada + receita omitida). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO MÉRITO MATÉRIA NÃO CONHECIDA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). TRIBUTAÇÃO REFLEXA — PIS — COFINS — CSLL INSS Tratando-se de lançamentos decorrentes, a decisão prolatada no lançamento matriz (IRPJ Simples) é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE DE INVESTIGAÇÃO FISCAL. DESCRIÇÃO IMCOMPLETA DAS INFRAÇÕES IMPUTADAS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO. PRELIMINAR REJEITADA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa na fase investigatória, que tem natureza inquisitorial, na qual inexiste acusação ou imputação de infração, mas tãosomente investigação fiscal. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são de observância obrigatória na fase do processo administrativo fiscal, que se inicia com a peça vestibular que é o Auto de Infração. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS VOLUNTARIAMENTE PELA CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO Prejudicada a alegação de violação do sigilo bancário, quando a própria contribuinte, voluntariamente, entrega ao fisco cópias dos extratos bancários de suas contas correntes mantidas em instituições financeiras. Fl. 959DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RECEITA BRUTA DECLARADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS (INFRAÇÃO REFLEXA DA OMISSÃO DE RECEITAS) Na apuração mensal do IRPJ – Simples e reflexos, levase em consideração a receita bruta acumulada mês a mês, inclusive para efeito de definição da alíquota aplicável. A infração omissão de receitas, reflexamente, implica insuficiência de recolhimentos das exações do Simples sobre a receita bruta declarada, pois para definição da alíquota de recolhimento levase em conta a receita bruta total mês a mês (receita declarada + receita omitida). OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NO MÉRITO MATÉRIA NÃO CONHECIDA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). TRIBUTAÇÃO REFLEXA — PIS — COFINS — CSLL INSS Tratandose de lançamentos decorrentes, a decisão prolatada no lançamento matriz (IRPJ Simples) é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), José de Oliveira Ferraz, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 960DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10240.002916/200891 Acórdão n.º 1802001032 S1TE02 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 875/895 contra decisão da 2ª Turma da DRJ/Belém (fls. 857/871) que julgou procedente, em parte, a impugnação em face dos autos de infração do Simples (IRPJ Simples e reflexos – CSLL, PIS, Cofins e INSS), anocalendário 2003, afastando a exigência do crédito tributário dessas exações fiscais, quanto aos meses janeiro/2003 a agosto/2003, pelo acolhimento de decadência parcial, e reduzindo o crédito tributário quantos aos meses de setembro a dezembro/2003, pela redução da base de cálculo das infrações. Quanto aos fatos imputados e razões da impugnação apresentada na primeira instância, transcrevo o relatório da decisão recorrida que resume, contempla, os principais aspectos da lide (fls. 858/860): (...) Trata o processo de lançamentos (fls. 402/508), ciência em 22/09/2008 (fl. 512), decorrentes do SIMPLES (AC 2003) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 510.887,62, já acrescidos de multa de oficio e juros de mora calculados até 29/08/2008. 2. Segundo Descrição dos Fatos e Termo de Verificação dos Fatos (fls. 402/404) a imputação fundamentouse em: a) Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. Intimado a justificar os depósitos bancários em suas contas correntes o contribuinte não apresentou informações sobre as origens. b) Insuficiência de Recolhimentos. (obs: tratase de infração reflexa em face de mudança de faixa de alíquota do Simples. A fiscalização, para efeito de apuração da alíquota mensal correta do Simples, computou na receita bruta acumulada mensalmente: receita declarada mensal + receita omitida mensal. Por conseguinte, houve diferença de crédito tributário em relação à receita declarada por conta da diferença de alíquota (mudança de faixa de alíquota). c) Da Multa A multa aplicada é de 75% (setenta e cinco por cento) a que se refere o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96,(...) 3. A interessada apresentou impugnação (fls. 520/539) de 20/10/2008, em que alega, em resumo: Fl. 961DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 a) O Termo de Inicio de Fiscalização não menciona qual o objeto da ação fiscal, qual sua abrangência e nem quais as espécies tributárias auditadas; b) Dos autos de Infração consta como local de lavratura "Belém/PA", quando deveriam ter sido lavrados na sede da Impugnante; c) Por que a ciência foi dada por via postal? Por que não pessoalmente?; d) Não consta descrição dos fato para a infração "Insuficiência de Recolhimento"; e) Até para a elaboração da presente impugnação só foi possível analisar os extratos bancários dos Bancos CEF e Bradesco, não havendo tempo hábil para o cotejamento dos extratos bancários; f) A descrição dos fatos é pífia. Como podese notar, os Auditores não contaram a história do procedimento fiscal, não fizeram referência a provas.... A própria descrição da infração 001 — DEPÓSITOS BANCARIOS NÃO ESCRITURADOS, declara, de forma equivocada, a ocorrência de fatos geradores em datas que eles verdadeiramente não ocorreram; g) Três auditores que realizaram o trabalho não assinaram os autos de infração; h) Mesmo tendo utilizado somente livros e documentos exigidos pela legislação do Imposto de Renda, os auditores surgiram com autos de infração que traziam créditos tributários da Contribuição Social, do PIS, da Cofins e da Contribuição Previdencidria do INSS; i) Ao invés de aterse à escrituração contábil da Impugnante, suas notas fiscais, declarações de renda, promissórias e outros documentos de suporte contábil, os auditores optaram pelo caminho mais fácil de analisar os extratos bancários. Mais fácil, mais impróprio, mais injusto; j) Os auditores não tinham autorização judicial para proceder à quebra do sigilo fiscal da Impugnante; k) Os auditores não consideraram os estornos, as vendas canceladas, os empréstimos bancários, os depósitos consolidados, os adiantamentos em conta corrente; 1) Procedimentos típicos de uma empresa familiar dificultam e as vezes impossibilitam o "casamento" de cada uma de suas operações com os lançamentos a crédito dispostos nos seus extratos bancários. Alguns clientes compram mercadorias diversas e fazem o pagamento dando uma parte em cheque, outra parte em dinheiro, dificultando a conciliação. A administradora de cartão de crédito também pode fazer um só lançamento a correspondente várias vendas efetuadas em um dia, às vezes uma semana. Alguns clientes compram mercadorias a prazo e pagam em parcelas de valores diferentes; Fl. 962DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10240.002916/200891 Acórdão n.º 1802001032 S1TE02 Fl. 3 5 m) A empresa recorreu em 2003 a empréstimos bancários, que não podem ser considerados receitas (Planilha "Demonstrativo de Empréstimos Descritos nos Extratos Bancários"); n) Foi possível conciliar o crédito descrito nos extratos bancários com a emissão da respectiva nota fiscal relativa a venda com financiamento da CEF (planilha anexa); o) Por necessidade de caixa a Impugnante realizava saques em suas contas correntes e posteriores depósitos em outras contas; p) Todos os lançamentos a crédito denominados "DESCONTOS DE ORPAG" são referentes a operações de antecipação de receita com cartão de crédito, por necessidade de caixa. Os recebimentos futuros (VENDA CARTÃO DE CRÉDITO" e "CARTA VISA ELÉTRON") estão diminuídos dos adiantamentos e dos juros (Planilha Demonstrativa das Antecipações de Cartão); q) Os auditores consideram mais de um lançamento a crédito para a mesma operação no caso de apresentação de cheque sem fundo (Planilha Demonstrativa dos Cheques Devolvidos e Posteriormente Reapresentados e Planilha Demonstrativa dos Cheques Devolvidos sem a Possibilidade de Comprovação do novo Depósito); r) A Impugnante conseguiu conciliar alguns créditos constantes de extratos bancários com suas respectivas notas fiscais (Planilha Demonstrativa dos Créditos Identificados); s) Os Auditores consideraram os créditos nas contas bancárias como receita extra além daquele já declarada, quando deveriam ter subtraído a referida receita do total dos créditos bancários; t) Na "Planilha Demonstrativa das Vendas a Cartão que não foram possíveis Conciliar com os Extratos Bancários" o Impugnante prova que realizou a venda no cartão de crédito, que o ticket está assinado pelo consumidor, que emitiu a nota fiscal e a escriturou no livro caixa. Porém, como localizar o crédito no extrato bancário?; u) Extratos bancários não representam verdadeira base de cálculo dos tributos; (...) A decisão a quo, enfrentando essas razões constantes da impugnação, reduziu a base de cálculo da infração omissão de receitas e reduziu a alíquota da infração “insuficiência de recolhimentos” e ainda, de ofício, reconheceu a existência de decadência parcial, exonerando o crédito tributário do Simples (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e INSS), quanto aos períodos de apuração janeiro/2003 a agosto/2003. Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência em 13/10/2010 (fl. 872 verso), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 29/10/2010 (fls. 875/895), aduzindo, em síntese, as seguintes razões: Fl. 963DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Preliminar de nulidade dos autos de infração, por cerceamento do direito de defesa na fase do procedimento de fiscalização (fase préprocessual) e por descrição incompleta dos fatos imputados, ou seja: a) que o termo de início de fiscalização não menciona o objeto do procedimento de fiscalização, sua abrangência e tributos; que tais informações são fundamentais para delimitar a relação fisco/contribuinte; que a contribuinte ficou sem entender por qual razão foi objeto de fiscalização; que a decisão a quo não enfrentou essas questões suscitadas; b) que a auditoria foi efetuda fora da empresa: que o mais estranho é que o referido Termo de Início de Fiscalização determinava que todos os documentos solicitados fossem entregues na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Velho ou na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém – PA; que os documentos foram encaminhados e entregues na Delegacia da Receita federal de Porto Velho, mediante Termo de Retenção de Documentos, de onde foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Belém, local onde a auditoria foi realizada; que a auditoria foi realizada fora das dependências da empresa; que não foi possível para acompanhar de perto quaisquer das etapas da auditoria que sequer chegou a ser realizada em suas contas; que isso trouxe, verdadeiramente, sérios prejuizos por desconhecer totalmente o andamento dos trabalhos de fiscalização, em flagrante desrespeito aos principios constitucionais do contraditório e da ampla defesa; que o auto de infração, no caso, deveria ter sido lavrado no local da infração, e não na repartição fiscal; que, no caso, houve inobservância ao caput do art. 10 do Decreto nº 70.235/72; que, por conseguinte, padece de nulidade o auto de infração sem prévio procedimento de verificação na sede da empresa; c) que os autos de infração não têm adequada descrição dos fatos, em relação às infrações imputadas, o que teria causado prejuízo à defesa; que tem, inclusive, dúvida quanto à autoria do lançamento fiscal; que os autos de infração não teriam assinatura de AuditorFiscal; que à luz do art. 59, I, do Decreto nº 70.235/72, o lançamento, nesse caso, seria nulo; d) que o prazo para atendimento às intimações, durante o procedimento de fiscalização, foi execessivamente exíguo; Por fim, com base essas alegações, a recorrente pediu a nulidade dos autos de infração. No mérito, a recorrente alegou que os autos de infração foram lavrados com base em extratos bancários: a) que a fiscalização poderia aterse à escrituração contábil, notas fiscais, declarações de renda, promissórias, duplicatas e outros documentos de suporte da escrituração contábil; que, diversamente, os AuditoresFiscais preferiram o caminho mais fácil de analisar somente os extratos bancários; b) que, logo no Termo que deu inicio à fiscalização, os AuditoresFiscais solicitaram os referidos extratos bancários; que foram atendidos nessa solicitação, pois a recorrente, apesar de considerar que essas informações estão protegidas pelo sigilo bancário e também porque meros ou simples lançamentos a crédito em conta bancária não são prova da ocorrência de fato gerador do IRPJ e das contribuições, forneceu os tais extratos bancários à fiscalização; Fl. 964DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10240.002916/200891 Acórdão n.º 1802001032 S1TE02 Fl. 4 7 c) que, mesmo a recorrente tendo entregue os extratos bancários à ficalização, o fisco não poderia utilizar dos depósitos bancários para embasar o lançamento fiscal, pois não tem autorização judicial para tanto; d) que houve, no caso, violação do sigilo bancário, garantia constitucional; e) que os AuditoresFiscais fizeram uso dos citados extratos e a partir deles construíram o lançamento fiscal; que os AuditoresFiscais não analisaram os livros contábeis, não procuraram por balanços, por demonstrações de resultado, por balancetes, por notas fiscais, por faturas, notas promissórias, etc; que, no caso, os extratos bastaram ao fisco; f) que ao exigir da recorrente a comprovação da origem dos depósitos a crédito em suas contas correntes (que fizesse a conciliasse cada crédito descrito nos extratos das contas correntes com o respectivo documento fiscal), os AuditoresFiscais, de inicio, já a condenaram, pois sabiam ser impossivel identificar cada lançamento, considerando que os mesmos ocorreram no distante ano de 2003; que, em regra, cabe a quem acusa fazer a prova; que a presunção legal caminha na contramão do direito. g) a base de cálculo apurada a partir somente dos extratos bancários não pode ser aplicada para o seu perfil de negócio, sob pena de se cometer a maior das injusfiças; que se trata de empresa familiar, comércio de bairro; que o faturarnento um ou de vários dias pode estar contemplado em um único depósito, tornando impossível a conciliação bancária; h) que é uma empresa tem tamanho reduzido e passou no anocalendário de 2003 por sérias dificuldades para honrar seus compromissos, recorrendo constantemente a empréstimos bancários para realizar seus pagamentos; que esses empréstimos não podem ser considerados como receitas, pois não ocorreu fate gerador dos tributos do Simples; Ademais, quanto aos extratos bancários, cujos valores deveriam ser excluídos da base de cálculo, a recorrente reiterou as razões já apresentadas na impugnação e devidamente contemplados alhures neste relatório. A recorrente, também, alegou que o fisco estaria tributando as mesmas receitas em duplicidade, pois não seria crível que parte dos depósitos a crédito nas suas contas correntes bancárias não seriam as próprias receitas de vendas escrituradas em sua contabilidade; que – com base na Súmula 182 do extinto TFR – é ilegítimo o lançamento com base em extratos bancários; que o STJ já decidiu que o lançamento exclusivamente em extratos bancários sem outros elementos de prova da escrituração contábil não pode prevalecer (REOSP nº 1.035.254PR). Por fim, a recorrente reiterou a preliminar de nulidade dos autos de infração e, no mérito, pediu a improcedência do feito fiscal pois a fiscalização teria abandonado a análise da escrituração contábil para fundase exclusivamente nos extratos bancários. É o relatório. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, a lide, nos presentes autos, versa acerca do crédito tributário do IRPJ – Simples e reflexos (CSLLSimples, PISSimples, CofinsSimples e INSS Simples) dos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro/2003, pois, em relação aos demais meses do anocalendário 2003, o crédito tributário foi exonerado pelo reconhecimento de decadência pela instância a quo. NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL. PRELIMINAR. INOCORRÊNCIA DOS VÍCIOS ALEGADOS. PRELIMINAR REJEITADA Nas razões do seu recurso, preliminarmente, a recorrente suscitou nulidade dos autos de infração, pelas seguintes razões, em síntese: a) cerceamento do direito de defesa na fase do procedimento de fiscalização: a1) que o Termo de Início de Fiscalização, recebido por via postal, não teria mencionado o objeto do procedimento de fiscalização, sua abrangência e tributos; que tais informações são fundamentais para delimitar a relação fisco/contribuinte; que a contribuinte ficou sem entender por qual razão foi objeto de fiscalização; que a decisão a quo não teria enfrentado, adequadamente, essas questões suscitadas; a2) que a auditoria foi efetuada fora da empresa e o mais estranho é que o referido Termo de Início de Fiscalização determinava que todos os documentos solicitados fossem entregues na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Porto Velho ou na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém – PA; que os documentos foram encaminhados e entregues na Delegacia da Receita federal de Porto Velho, mediante Termo de Retenção de Documentos, de onde foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Belém, local onde a auditoria foi realizada; que a auditoria foi realizada fora das dependências da empresa; que não foi possível acompanhar de perto quaisquer das etapas da auditoria e que sequer chegou a ser realizada em suas contas; que isso trouxe, verdadeiramente, sérios prejuizos por desconhecer totalmente o andamento dos trabalhos de fiscalização, em flagrante desrespeito aos principios constitucionais do contraditório e da ampla defesa; que o auto de infração, no caso, deveria ter sido lavrado no local da infração, e não na repartição fiscal; que, no caso, houve inobservância ao caput do art. 10 do Decreto nº 70.235/72; que, por conseguinte, padece de nulidade o auto de infração sem prévio procedimento de verificação na sede da empresa; a3) que o prazo para atendimento às intimações, durante o procedimento de fiscalização, foi execessivamente exíguo; b) vícios nos autos de infração: que os autos de infração não têm adequada descrição dos fatos, em relação às infrações imputadas, o que teria causado prejuízo à defesa; que tem, inclusive, dúvida quanto à autoria do lançamento fiscal; que os autos de infração não Fl. 966DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10240.002916/200891 Acórdão n.º 1802001032 S1TE02 Fl. 5 9 teriam assinatura de AuditorFiscal; que à luz do art. 59, I, do Decreto nº 70.235/72, o lançamento, nesse caso, seria nulo. Diversamente do alegado pela recorrente, não se vislumbra vício algum no procedimento de fiscalização e nos autos de infração que pudesse macular de nulidade o lançamento fiscal. Senão vejamos: I Com relação à alegação de cerceamento do direito de defesa na fase do procedimento de fiscalização (fase préprocessual): O procedimento de fiscalização foi autorizado pelo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0250100 2008 000151, de 09/01/2008. No Termo de Início de Fiscalização, cuja ciência ocorreu via postal em 20/02/2008 (fl. 27), consta o objeto da ação fiscal (fl. 26), in verbis: (...) em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal acima referido, damos inicio à fiscalização sobre o contribuinte acima identificado, ficando o mesmo intimado a disponibilizar, no prazo de 20 (vinte) dias, os elementos fiscais abaixo relacionados, todos referentes ao período de 01/2003 a 12/2003: a) Livros fiscais (Caixa, Livro de Inventário) que contenham os lançamentos relativos ao anocalendário de 2003, de acordo com a opção pelo Simples, quando da apresentação da DIPJ/2004; b) Talonários de notas fiscais emitidas pela empresa no ano calendário de 2003; c) Cópias dos extratos bancários referentes às contas correntes e aplicações financeiras mantidas e movimentadas pela empresa nos Bancos Bradesco, Brasil, Caixa Econômica Federal, Basa e HSBC Bank Brasil, em 2003; d) Comprovante de inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições Simples, na forma do artigo 8 ° . da Lei 9.317/96; e) Documentos que confirmem participação, vencimento, Notas Fiscais emitidas e pagamentos recebidos relativos aos processos licitatórios promovidos pela Assembléia Legislativa de Rondônia no AC 2003, como os de nºs. Cartaconvite nº 11/2003/CPL/ALERO, Carta Convite nº. 01/2003/CPL/ALERO, Cartaconvite nº 46/2003/CPL/ALERO e Cartaconvite nº 42/2003/CPL/ALERO. Outros elementos poderão ser solicitados no decorrer da ação fiscal, cujo código de acesso no site da SRFB (receita.fazenda.gov.br) será o de nº. 96498064, para acompanhamento pelo contribuinte fiscalizado. (...) Fl. 967DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Como demonstrado, pela transcrição acima, a empresa tinha opção pelo Simples no anocalendário 2003; logo, o objeto do procedimento de fiscalização foram os tributos do Simples desse anocalendário. Ademais, conforme consta do próprio Termo de Início de Fiscalização, a contribuinte recebeu código de acesso (senha) para acompanhar os trabalhos da fiscalização via internet, no sítio da RFB. Por conseguinte, não procede a reclamação da recorrente de que não sabia qual era o objeto do procedimento fiscal e que não teve oportunidade de acompanhar o trabalho da fiscalização. No que concerne ao procedimento de fisalização realizado fora da empresa (e não dentro da empresa), também, não há óbice legal algum, conforme art. 915 do RIR/99, in verbis: Art.915.Os livros e documentos poderão ser examinados fora do estabelecimento do sujeito passivo, desde que lavrado termo escrito de retenção pela autoridade fiscal, em que se especifiquem a quantidade, espécie, natureza e condições dos livros e documentos retidos (Lei nº 9.430, de 1996, art. 35). §1º Constituindo os livros ou documentos prova da prática de ilícito penal ou tributário, os originais retidos não serão devolvidos, extraindose cópia para entrega ao interessado (Lei nº 9.430, de 1996, art. 35, §1º). §2º Excetuado o disposto no parágrafo anterior, devem ser devolvidos os originais dos documentos retidos para exame, mediante recibo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 35, §2º). No caso, a contribuinte forneceu os livros e documentos solicitados pela fisalização (disponibilizandoos na Repartição Fiscal de Porto Velho). Por sua vez, o trabalho de auditoria, desse material disponibilizado, foi efetuado na sede da Repartição Fiscal (DRF/Porto Velho e DRF/Belém), em face da equipe de fiscalização, no caso, congregar AuditoresFiscais dessas duas Delegacias da RFB (ambas sendo unidades vinculadas à Superintendência da Receita Federal do Brasil da 2ª Região Fiscal, com sede em Belém/PA). Com relação ao local da lavratura dos autos de infração (na Repartição Fiscal, e não na sede da empresa), também, inexiste óbice legal. A propósito quanto ao local da lavratura do auto de infração, a matéria, por ser pacífica, encontrase sumulada neste Egrégio Conselho Administrativo: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. No que tange ao prazo dado pela fiscalização nas intimações fiscais, a legislação de regência, é clara, contundente, no sentido de que seja dado 20 dias para cumprimento da intimação fiscal (RIR/99, art. 844). A propósito, transcrevo o disposto no art. 19 da Lei nº 3.470, de 1958, com redação da MP nº 2.15835, 2001, matriz legal do disposto no art. 844 do RIR/99: Art. 19. O processo de lançamento de ofício será iniciado pela intimação ao sujeito passivo para, no prazo de vinte dias, apresentar as informações e documentos necessários ao Fl. 968DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10240.002916/200891 Acórdão n.º 1802001032 S1TE02 Fl. 6 11 procedimento fiscal, ou efetuar o recolhimento do crédito tributário constituído. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §1º Nas situações em que as informações e documentos solicitados digam respeito a fatos que devam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo, ou em declarações apresentadas à administração tributária, o prazo a que se refere o caput será de cinco dias úteis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) §2ºNão enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 44, §§ 2º e 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, o desatendimento a intimação para apresentar documentos, cuja guarda não esteja sob a responsabilidade do sujeito passivo, bem assim a impossibilidade material de seu cumprimento. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) No Termo de Início de Fiscalização, com intimação para apresentação de livros e documentos na Repartição Fiscal, foi dado prazo de 20 dias para a contribuinte cumprir a solicitação do fisco (fl.26). Entretanto, a contribuinte teve prazo maior, muito maior, para cumprir essa intimação, pois, por duas vezes, pelo menos, fez pedidos de prorrogação de prazos, respectivamente, em 31/03/2008 e 09/04/2008 (fls. 38/42) e foi atendida, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 402/404), in verbis: (...) 2 — Em cumprimento ao MPF nº 62.5.01.002008 000151, foi lavrado em 19/02/2008, o Termo de Início de Fiscalização, cientificado mediante Aviso de Recebimento (AR), com recebimento em 27/02/2008, solicitando, dentre outros documentos, os extratos bancários da movimentação financeira do coniribuinte, livros fiscais e talonários de notas fiscais relativos ao ano de 2003. 3 — Em 17/03, 27/03 e 09/04, foram solicitadas pelo contribuinte, prorrogações de prazo para atender ao Termo de Início de Fiscalização. Todas as prorrogações foram atendidas pela fiscalização; 4 — Após três pedidos de prorrogação, o sujeito 'passivo apresentou a documentação solicitada no Termo de Início. (...) Em face da dilação de prazos (a fiscalização foi se protraíndo no tempo), em 20/05/2008 a contribuinte foi intimada da continuidade do procedimento de fiscalização (fls. 310/311). Em 27/06/2008, a contribuinte foi intimada a comprovar a origem dos depósitos a crédito em suas contas correntes bancárias, pois não estão registrados na sua escrituração contábil e fiscal, conforme demonstrativo de créditos (Anexos I, II, III e IV), com 20 dias para cumprimento da intimação fiscal (fls.312 /354). Fl. 969DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Em 14/08/2008, a contribuinte foi reintimada a comprovar a origem dos depósitos a crédito em suas contas correntes bancárias, pois não estão registrados na sua escrituração contábil e fiscal, conforme demonstrativo de créditos (Anexos I, II, III e IV), com mais 20 dias para cumprimento da intimação fiscal (fls.355 /397). Em 26/08/2008, a contribuinte prestou os seguintes esclarecimentos (fls.398/399): (...) Através da notificação em referência essa delegacia solicita desta empresa o seguinte: Comprovar, através de documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, a origem dos recursos lançados acredito nas contascorrentes citadas nos anexos de I a IV (constantes das folhas 02 a 42). Esta empresa no ano de 2001 sofreu sinistro onde mais de noventa por cento de suas instalações foram queimadas, inclusive estoque de mercadorias, equipamentos e documentos de escritório. Por ser uma pequena empresa familiar, após o sinistro, nos desdobramos em recuperar a empresa, o que estamos tentando fazer até a presente data, fato este que, nos obrigou a manter uma estrutura minima, para desempenhar todas as atividades comerciais e administrativas. Toda a movimentação financeira é controlada de forma artesanal, não existindo qualquer controle interno, os pagamentos são efetuados na medida em que vai entrando dinheiro no caixa, o contas a pagar e a receber é feito apenas em pequenos lembretes que vão sendo eliminados quando cumpridas as obrigações corn os fornecedores e clientes. A movimentação bancária é feita pelos proprietários, pagando os compromissos através de cheques ou em espécie, inclusive havendo transferências de saldo entre contas da empresa nos bancos, normalmente para cobrir saldos devedores e empréstimos que são contraídos. Isso posto, dada a falta de registros que nos permitam informar o solicitado, confirmamos a veracidade das informações já encaminhadas, onde pode ser confirmada a origem dos recursos, com a análise das notas fiscais de venda de mercadorias em poder desse órgão. Finalmente tal gesto não é ato desrespeito ou embaraço a fiscalização, mas, simplesmente por total falta de meios para atender. (...) Conforme demonstrado, os prazos nas intimações fiscais foram dados pelo fisco, na forma da legislação de regência, e foram mais que suficientes para cumprimento do solicitado, porém, como a própria contribuinte frisou nas suas explicações dirigidas à fiscalização, não tinha meios materiais de comprovar a origem dos recursos financeiros, bancários, movimentados a crédito em suas contas correntes, em face da precariedade de sua escrituração contábil que não contemplou, não abarcou, a conta bancos, em sua totalidade. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10240.002916/200891 Acórdão n.º 1802001032 S1TE02 Fl. 7 13 Ademais, não há que se falar em violação do direito ao contraditório e à ampla defesa na fase de fiscalização (fase préprocessual) que tem natureza inquisitorial (mera fase de investigação e colheita de provas, de interesse exclusivo do fisco, para comprovar infração tributária praticada pelo contribuinte, para efeito de lançamento tributário de ofício). O procedimento de investigação fiscal e o processo administrativo fiscal têm natureza diversa; aquele tem caráter de investigação unilateral (inquisitório); este, por ser método de composição de lides, submete ao devido processo legal e aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Na fase do procedimento de fiscalização não existe, ainda, imputação de infração, não existe acusação formal e, por conseguinte, não existe lide; logo, o procedimento de investigação fiscal não se submente aos princípios do contraditório e da ampla defesa. No processo administrativo fiscal, cuja peça vestibular é o auto de infração (acusação formal) e caso o contribuinte ofereça resistência ao lançamento fiscal, temse então instaurada a lide com a impugnação. O devido processo legal, método de resolução de lides, esse sim, por força constitucional, submetese aos princípios do contraditório e da ampla defesa, por conter acusação fiscal. Assim, caso não tenha sido possível, por parte da contribuinte, reunir todas as provas na fase de investigação fiscal (seja qual motivo for), tal fato não configura prejuízo algum à defesa, pois as provas – se existentes , quando da apresentação da impugnação na primeira instância de julgamento, devem ser juntadas aos autos do processo nessa ocasião sob pena de preclusão dessa faculdade legal. É no devido processo legal administrativo que se estabelece o contraditório e a ampla defesa, e não antes. Portanto, ante tudo que foi exposto, não há que se falar em cerceamento do direito direito de defesa na fase de investigação fiscal, para efeito de macular vício de nulidade o lançamento fiscal. II Com relação à alegação de que o auto de infração não teria descrito adequadamente as infrações imputadas, também, a irresignação da recorrente não tem melhor sorte. No lançamento fiscal, foram imputadas duas infrações: Omisão de receitas depósitos bancários a crédito em suas contas correntes não registrados na escrituração contábil e fiscal – art. 42 da Lei nº 9.430/96, quanto ao anocalendário 2003; e – Insuficiência de recolhimentos (infração reflexa), quanto ao ano calendário 2003. A primeira infração está, sobejamente, descrita, narrada, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 402/404, in verbis: (...) Fl. 971DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 9 — Ante o exposto e em razão do sujeito passivo não ter agregado a seus argumentos a documentação habil e idônea comprobatória dos créditos bancários objeto do Termo de Intimação Fiscal n° 001 e do Termo de Reintimação Fiscal n° 002, referentes ao anocalendário de 2003, inferese que após análise individual dos referenciados créditos bancários, o sujeito passivo seja tributado pelas normas determinadas no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, combinado com o artigo 849 do Decreto Nº 3000 (RIR/99), de 29/03/99, e artigo 1° da MP N° 22/2002 convertida na Lei nº 10.451/2002, tomandose por hase os Rendimentos decorrentes dos Créditos Bancários arrolados nos DEMONSTRATIVOS I e II, anexos ao presente termo, referentes ao anocalendário de 2003. (...) Os demonstrativos I e II constam das fls. 405 a 446. Demonstrativo de cálculo – auto de infração (fls.447/508). A recorrente alega que no Termo de Verificação Fiscal a segunda infração não foi tratada (fls.402/404) e que no auto de infração a descrição estaria incompleta (fls. 447/508), pois menciona, resumidamente, “Insuficiência de Recolhimentos”, exigindo diferenças de pagamento a menor, mensalmente, sem outras explicações. Realmente, a descrição da segunda infração está breve, suscinta, no auto de infração (fls. 447/508), porém, por se tratar de infração reflexa da primeira, em nada prejudicou o seu entendimento ou a plena compreensão dos fatos; é óbvio, de plano, que as diferenças exigidas decorrem, naturalmente, da mudança da faixa de alíquota, apurada com base receita bruta total (Receita declarada + receita omitida), pois na declaração do Simples do exercício 2004, anocalendário 2003 a contribuinte apurou as alíquotas do Simples apenas com base na receita declarada. Vale dizer, a contribuinte apurou e declarou os tributos do Simples do ano calendário 2003, utilizando receita bruta aquém da realmente auferida (não computou a receita omitida), fato que implicou apuração das exações fiscais do Simples a menor, pela utilização de alíquota inferior. Logo, o lançamento de ofício – Insuficiência de Recolhimentos – referese a diferenças de pagamento das exações do Simples, acerca da receita bruta informada na Declaração do Simples exercício 2004, anocalendário 2003, pela aplicação, de ofício, da alíquota correta (a alíquota do Simples é determinada pela receita bruta total acumulada, mês a mês, ou seja: receita bruta + receita omitida). De modo que não há vício algum na imputação da infração questionada que pudesse macular o lançamento fiscal de nulidade, pois a infração suscitada tem descrição dos fatos, breve, suscinta, mas suficiente para seu pleno entendimento e compreensão, e tem – além disso correto enquadramento legal. Portanto, atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e ao art. 142 do CTN. Esse entendimento é corroborado pelos precedentes jurisprundencias deste Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS Fl. 972DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10240.002916/200891 Acórdão n.º 1802001032 S1TE02 Fl. 8 15 INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Ainda, a recorrente alegou que teria dúvida quanto à autoria dos autos de infração, se foram ou não lavrados por AuditoresFiscais.; que auto de infração lavrado por não AuditorFiscal seria nulo. Fl. 973DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 Ora, tratase de alegação gratuita, sem prova, sem nexo, totalmente fora de propósito, sem fundamento fáticojurídico. Fazer alegação sem prova é mesma coisa que não fazer alegação. Não é necessário que todos os AuditoresFiscais que participaram da fiscalização assinem os autos de infração, basta que, pelo menos, um ou dois deles assinem, que foi o caso. Por tudo que foi exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. No mérito, a recorrente alegou que a imputação da infração OMISSÃO DE RECEITAS apenas com base nos extratos bancários não pode prevalecer; que mesmo tendo fornecido, voluntariamente, as cópias dos extratos bancários à fiscalização, ainda assim estaria configurada quebra ilegal do sigilo bancário, pois o fisco, no caso, não apresentou ordem judicial para utilizar os extratos bancários como prova para lançamento fiscal. A questão da utilização dos extratos bancários pela fiscalização, no caso, está superada, pois a recorrente, voluntariamente, forneceu cópias dos extratos bancários do ano calendário 2003 à fiscalização (fls. 42/139), abrindo mão do seu sigilo bancário por conseguinte, pois tratase de direito relativo e disponível. Diversamente do alegado pela recorrente, o lançamento fiscal não se deu exclusivamente com base nos extratos bancários. A legislação de regência do Simples exige que o contribuinte nesse regime de apuração de tributos, pelo menos, mantenha livro Caixa escriturado com todas as receitas auferidas, inclusive a movimentação financeira e bancária. Nesse sentido, transcrevo o art. 7º da Lei nº 9.317/96: Art. 7º A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do ano calendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3º e 4º. § 1º A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. § 2º O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento, por parte da microempresa e empresa de pequeno porte, das obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária e trabalhista. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10240.002916/200891 Acórdão n.º 1802001032 S1TE02 Fl. 9 17 No caso, a fiscalização, após receber os livros e documentos solicitados da contribuinte, constatou que a maior parte da movimentação financeira, bancária, do ano calendário 2003, não estava registrada no livro Caixa da empresa, contrariando a legislação do Simples, conforme demonstrativo, resumo, abaixo: RECEITA BRUTA ESCRITURADA (R$) OMISSÃO DE RECEITAS (R$) RECEITA BRUTA TOTAL (R$) 919.590,41 2.037.267,07 2.956.857,48 A fiscalização da RFB juntou aos autos cópia do livro Caixa da empresa do anocalendário 2003 (fls. 140/309). A contribuinte foi intimada e reintimada pela fiscalização, na forma do art. 42 da Lei 9.430/96, a comprovar a origem, de forma detalhada, dos depósitos bancários a crédito em suas contas correntes e não registrados no livro Caixa da empresa, Demonstrativos I e II, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 001 (fls. 312/354) e Termo de Reintimação (fls.355/397). A empresa autuada, em resposta às intimações fiscais, em 26/08/2008, simplesmente alegou que pela falta de registros contábeis desssa movimentação financeira e bancária a crédito em suas contas bancárias não tinha condições de comprovar a origem, com detalhes, conforme exigido pela fiscalização (fls. 398/399), in verbis: (...) Isso posto, dada a falta de registros que nos permitam informar o solicitado, confirmamos a veracidade das informações já encaminhadas, onde pode ser confirmada a origem dos recursos, com a análise das notas fiscais de venda de mercadorias em poder desse órgão. Finalmente tal gesto não é ato desrespeito ou embaraço a fiscalização, mas, simplesmente por total falta de meios para atender. (...) Não comprovada a origem dos depósitos bancários a crédito em suas contas correntes, a contribuinte ficou sujeita ao disposto no art. 18 da Lei nº 9.317/96: Art. 18º Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Sendo assim, e com base no art. 42 da Lei nº 9.420/96, a fiscalização da RFB imputou a infração omissão de receitas, por presunção legal, quanto aos depósitos a crédito nas contas correntes da contribuinte e de origem não comprovada. Fl. 975DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 18 O ônus da prova de que não houve omissão de receitas é da recorrente, pois o art. 42 da Lei nº 9.430/96 encerra uma presunção legal, que tem a função de inverter o ônus probatório. O ônus probatório, por conseguinte, não é de quem acusa a infração tributária, mais sim do acusado que deverá fazer prova negativa de que não ocorreu a omissão de receitas. O fisco pode presumir a omissão de receitas (depósitos bancários de origem não comprovada), quando a contribuinte, regularmente intimado, não comprove através de documentos hábeis e idôneos a origem dos depósitos a crédito em suas contas bancárias, uma vez que não mais se aplica a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e, também, não se aplicam os precedentes jurisprudenciais invocados, administrativos ou judiciais, pois calcados em legislação revogada. Isto porque existem duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira para a caracterização da omissão de receitas, sendo uma com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (este revogado pela Lei n. 9.430/96), e a outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, vejamos: Lei n° 8.021/1990 "Art. 6º. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farse á arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações."[revogado] Lei n°9.430/1996 "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações Com base nos dispositivos acima transcritos, verificase que o que distingue uma realidade da outra é que a partir de 01/01/1997 — entrada em vigor da Lei n° 9.430/96 , a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar as outras já existentes no ordenamento jurídico, sendo que a partir daí, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão para depósitos bancários inexistia, e com isso o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre tais depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10240.002916/200891 Acórdão n.º 1802001032 S1TE02 Fl. 10 19 O fato é que após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação da origem, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, não mais se aplicando, portanto, o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos/receitas com base em depósitos bancários com origem não comprovada, tem vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n°9.430196. Esse diploma legal encerra presunção legal que implica inversão do ônus da prova. O ônus da prova de que não houve omissão de receitas/rendimentos é da contribuinte. Não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários com origem não comprovada pelo contribuinte, conforme matéria já sumulada: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O depósito bancário de origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda, por presunção legal. Esse entendimento encontrase pacificado no âmbito do Conselho de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nesse sentido, transcrevo precedentes jurispruencias deste Egrégio Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 10809.836, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Cabral Géo Verçoza). ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano calendário: 2002 a 2004 Ementa: IRPJ — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas Fl. 977DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 20 operações.(Acórdão nº 10197.116, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relator Valmir Sandri). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Exercício: 2003, 2004 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA —PROCEDÊNCIA Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA PRESUNÇÃO LEGAL Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária.(Acórdão nº 10517.369, sessão de 17 de dezembro de 2008, Relator Waldir Veiga Rocha). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício. 2000, 2001, 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÓNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.(Acórdão nº 10249.393, sessão de 06 de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura). Assunto: SIMPLES NACIONAL EXERCÍCIO: 2004, 2005 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.(Acórdão nº 195 Fl. 978DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10240.002916/200891 Acórdão n.º 1802001032 S1TE02 Fl. 11 21 0.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto Celso Benicio Junior). OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS: Caracterizase como omissão de receita os depósitos bancários feitos em nome de interposta pessoa quando as pessoas envolvidas devidamente intimadas não comprovem a origem em renda ou receita. A proporcionalização de acordo com a receita declarada de cada pessoa jurídica que movimentou recursos nas contas não macula o lançamento, pois demonstra a aplicação da prudência da lógica e coerência por parte da fiscalização. (AC. CSRF nº 0105.643, sessão de 27 de março de 2007, Redator designado José Cóvis Alves). Ainda, não há conflito entre o art. 42 da Lei n° 9.430/96, que presume como rendimento omitido os valores creditados em conta de depósitos para os quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove sua origem, e os arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional que definem o fato gerador do imposto de renda – IR e o conceito de renda. Apenas para argumentar, eventual antinomia entre as normas citadas somente poderia ser resolvido no âmbito de declaração de inconstitucionalidade das normas pelo Poder Judiciário, falecendo competência ao CARF para tanto, conforme máteria já sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na fase de fiscalização, como já demonstrado, a contribuinte não se desencumbiu do ônus probatório para elidir a omissão de receitas. Já na fase processual, tanto na primeira instância de julgamento, quanto na fase recursal, o sujeito passivo alegou que a fiscalização não excluiu da base de cálculo da omissão de receitas, diversas parcelas registradas e de origem comprovada, juntando planilhas, para exclusão de parcelas não tributáveis ou para evitar tributação em duplicidade. Senão vejamos: Planilha Demonstrativa dos Empréstimos Descritos nos Extratos Bancários, acompanhada de via original de 03 "Avisos de Lançamento" do banco Bradesco (fls. 553/555); Planilha Demonstrativa dos Créditos Descritos nos Extratos Bancários da Caixa Econômica Federal, acompanhada de fotocópia autenticada de 46 Notas Fiscais (fls. 556/604); Planilha Demonstrativa das Antecipações de Cartão, acompanhada de via original de 39 "Avisos de Lançamento" do banco Bradesco (fls. 607/621); Planilha Demonstrativa dos Cheques Devolvidos e Posteriormente Reapresentados, acompanhada da mesma fotocópia utilizada pelos Auditores, e que foi devolvida à Impugnante, de Extrato Bancário dos bancos Bradesco, HSBC, Banco do Brasil e CEF (fls. 689/690); Planilha Demonstrativa dos Cheques Devolvidos sem a Possibilidade de comprovação do novo Depósito (Esta planilha também faz referência aos Extratos Bancários do banco Bradesco) –fls.691/855); Fl. 979DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 22 Planilha Demonstrativa dos Créditos Identificados, acompanhada de fotocópia autenticada de fotocópias autenticadas de 43 Notas Fiscais (fls. 622/667); Planilha Demonstrativa das Vendas a Cartão que não foram possíveis Conciliar com os Extratos Bancários, acompanhada de fotocópia autenticada de 20 Notas Fiscais e "tickets" de cartão de crédito (fl. 668/688). A decisão recorrida, além da decadência do crédito tributário dos meses de janeiro a agosto/2003, provomeu ajustes na base de cálculo da infração omissão de receitas dos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro/2003, excluíndo as parcelas comprovadas, conforme transcrição, abaixo, extraída do voto condutor (fls.865/871), in verbis: (...) 25. Consideramos justificadas as origens dos depósitos a seguir: a) Planilha "Demonstrativo de Empréstimos Descritos nos Extratos Bancários": demonstrada a liberação de crédito pelo documento de emissão do Bradesco (fl. 555), no montante de R$ 11.849, de 25/09/2003; b) Planilha Demonstrativa dos Créditos Descritos nos Extratos Bancários da caixa econômica Federal (fl. 556/558): É possível conciliar o crédito descrito nos extratos bancários com a emissão da respectiva nota fiscal (fls. 559/604); c) Planilha Demonstrativa dos Cheques Devolvidos e Posteriormente Reapresentados: Excluído o depósito da tributação quando identificada a data do depósito que deu origem a estorno por não existência de fundo. Desta forma, não foram excluídos os constantes da Planilha Demonstrativa dos Cheques Devolvidos sem a Possibilidade de Comprovação do novo Depósito. d) A Impugnante conseguiu conciliar alguns créditos constantes de extratos bancários com suas respectivas notas fiscais (Planilha Demonstrativa dos Créditos Identificados, fls. 622/624); 26. No que se refere aos demais pleitos constantes da impugnação adiantamos: (...) k) Todos os lançamentos a crédito denominados "DESCONTOS DE ORPAG" são referentes a operações de antecipação de receita com cartão de crédito, por necessidade de caixa. Os recebimentos futuros (VENDA CARTA0 DE CRÉDITO" e "CARTÃO VISA ELÉTRON") estão diminuídos dos adiantamentos e dos juros (Planilha Demonstrativa das Antecipações de Cartão): Não foram juntados documentos das operadoras de cartão de crédito que confirmassem as operações de antecipação de receita. Fl. 980DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10240.002916/200891 Acórdão n.º 1802001032 S1TE02 Fl. 12 23 1) Os Auditores consideraram os créditos nas contas bancárias como receita extra além daquele já declarada, quando deveriam ter subtraído a referida receita do total dos créditos bancários: As receitas declaradas são receitas da atividade de venda, enquanto as receitas omitidas foram apuradas conforme acréscimo patrimonial caracterizado por depósito bancário de origem não comprovada. Desta forma, visto serem receitas de natureza diferente, não podem compensarse ou confundirse. m) Na "Planilha Demonstrativa das Vendas a Cartão que não foram possíveis Conciliar com os Extratos Bancários" o Impugnante prova que realizou a venda no cartão de crédito, que o ticket está assinado pelo consumidor, que emitiu a nota fiscal e a escriturou no livro caixa. Porém, como localizar o crédito no extrato bancário?; Para afastar a tributação mister se faz a comprovação da origem dos depósitos. 27. Neste sentido, voto por considerar procedente em parte o lançamento contestado. (...) Ainda, consta do voto condutor da decisão recorrida que, em face dos ajustes citados (decadência e valores comprovados, aceitos das planilhas), a receita omitida do ano calendário 2003 foi reduzida de R$ 2.037.267,07 para R$ 675.659,27, e a receita bruta acumulada foi reduzida de R$ 2.956.857,48 para R$ 1.524.099,59, implicando redução do IRPJ – Simples e reflexos (CSLL, PIS, Cofins e INSS) quanto às infrações imputadas (ambas as infrações objeto dos autos), pela redução de base de cálculo da omissão de receitas e pela redução da alíquota do Simples quanto à infração “insuficiência de recolhimentos”, tudo conforme planilhas resumo constantes do voto condutor da decisão a quo (fls. 869/871). A recorrente não trouxe aos autos outras provas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário. Compulsando as provas juntadas aos autos pela contribuinte quando da apresentação da impugnação, constatase que não há ajuste a ser feito na decisão recorrida, pois todos os ajustes possíveis de base de cálculo das infrações imputadas, com fulcro nos elementos de prova constantes dos autos, já foram efetuados pela decisão a quo. Não há que se falar de tributação em duplicidade sobre a mesma base de cálculo. As receitas declaradas são receitas da atividade de venda, enquanto as receitas omitidas foram apuradas conforme acréscimo patrimonial caracterizado por depósito bancário de origem não comprovada. Desta forma, visto serem receitas de natureza diferente, não podem compensarse ou confundirse. Em relação à infração “insuficiência de recolhimentos”, em face da redução do valor receita bruta, a decisão a quo ajustou as exigências fiscais – a esse título – consoante alíquota do Simples para o patamar da receita bruta remanescente. Fl. 981DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 24 Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Por tudo que foi exposto, voto para rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 982DF CARF MF Impresso em 28/12/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/12/2011 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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