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Numero do processo: 13603.722420/2010-83
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2008
DECISÃO DEFINITIVA
É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto.
Numero da decisão: 1801-000.964
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 141 1 140 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.722420/201083 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.964 – 1ª Turma Especial Sessão de 11 de abril de 2012 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente DISTRIBUIDORA DE FRUTAS COIMBRA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 DECISÃO DEFINITIVA É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestivo, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0109, com a exigência do crédito tributário no valor de R$219.871,77, a título de Imposto Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.722420/201083 Acórdão n.º 180100.964 S1TE01 Fl. 142 2 Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido nos quatro trimestres do ano calendário de 2007. O lançamento se fundamenta falta de recolhimento apurada a partir do cotejo das informações constantes no Livro Caixa, no Livro de Registro de Entrada, no Livro de Registro de Saída, no Livro de Registro de Apuração de ICMS, fls. 5077, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 2334, nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos recolhimentos, fls. 3637 e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 1922. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 516, art. 518, art. 519 art. 541, art. 542 e inciso IV do art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 1016 a exigência do crédito tributário no valor de R$150.866,01 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 28 e art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e inciso IV do art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Cientificada em 30.09.2010, fls. 05 e 12, a Recorrente apresentou a impugnação em 03.11.2010, fls. 97107, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que tem direito à homologação da compensação das exigências formalizadas nos presentes autos com o crédito constante na ação judicial nº n° 1998.38.00.136966 (art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996). Apresenta argumentos contra a aplicação da multa de ofício proporcional e ainda solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui a) seja deferida a compensação do débito apurado no auto de infração com o crédito do processo judicial de n° 1998.38.00.136966 da 14ª Vara da Seção Judiciária de Belo Horizonte/MG, com sentença transitada em julgado, cedido ao requerente pela empresa Distribuidora de Legumes Vila Rica Ltda. que possui os mesmo sócios do autuado; b) prazo de 30 dias para apresentar a documentação necessária para habilitar o crédito a ser compensado, tendo em vista que não houve tempo hábil para desarquivar o processo perante a Justiça Federal; Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.722420/201083 Acórdão n.º 180100.964 S1TE01 Fl. 143 3 c) seja considerado improcedente o Auto de Infração no que se refere à aplicação da multa pela caracterização do confisco pelo excesso da alíquota, calculandose a multa na forma mais simples. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0231.689, de 05.04.2011, fls. 119125: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2008 MATÉRIA NÃO LITIGIOSA Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 MULTA DE OFÍCIO Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de tributo, quando constatada a falta de pagamento ou recolhimento, a falta de declaração e declaração inexata. Notificada em 16.05.2011, fl. 130, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 20.06.2011, fls. 131139. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando todos os argumentos constantes na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. Contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência, que tem efeito suspensivo e que deve ser interposto dentro dos trinta dias seguintes à sua ciência. Este prazo legal é peremptório, já que não pode ser reduzido ou prorrogado pelas partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeiro grau, no caso de esgotado o prazo recursal sem que a peça de defesa tenha sido interposta1. Verificase no presente caso que a Recorrente foi notificada em 16.05.2011, fl. 130, e apresentou o recurso voluntário em 20.06.2011, fls. 131139. Logo, restando 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 33 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13603.722420/201083 Acórdão n.º 180100.964 S1TE01 Fl. 144 4 evidenciada a apresentação intempestiva da petição, a decisão de primeira instância tornouse definitiva. Em face do exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário por ter sido interposto fora do prazo legal. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002026/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2002, .31/12/2002
OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO
Caracteriza-se como omissão no registro de receita a manutenção no passivo
de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/09/2002, 31/12/2002
PRELIMINARES DE NULIDADE. REJEIÇÃO.
Rejeitam-se as preliminares de nulidade, uma vez comprovado que os
lançamentos atenderam às formalidades essenciais previstas na legislação de
regência,
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: .30/09/2002, 31/12/2002
MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE
A aplicação da multa de oficio tem previsão legal, não competindo à esfera
administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas
jurídicas (Súmula CARF if 2)
Numero da decisão: 1401-000.310
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado: a) rejeitar as preliminares de nulidade; b) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2002, .31/12/2002 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO Caracteriza-se como omissão no registro de receita a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2002, 31/12/2002 PRELIMINARES DE NULIDADE. REJEIÇÃO. Rejeitam-se as preliminares de nulidade, uma vez comprovado que os lançamentos atenderam às formalidades essenciais previstas na legislação de regência, ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: .30/09/2002, 31/12/2002 MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE A aplicação da multa de oficio tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas (Súmula CARF if 2)
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Industrial Recorrida 3' Turma da DRJ São Paulo 1 (SP) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA — IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2002, .31/12/2002 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO Caracteriza-se como omissão no registro de receita a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2002, 31/12/2002 PRELIMINARES DE NULIDADE. REJEIÇÃO. Rejeitam-se as preliminares de nulidade, uma vez comprovado que os lançamentos atenderam às formalidades essenciais previstas na legislação de regência, ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: .30/09/2002, 31/12/2002 MULTA DE OFÍCIO INCONSTITUCIONALIDADE A aplicação da multa de oficio tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas (Súmula CARF if 2) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado: a) rejeitar as preliminares de nulidade; b) no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. .?..41U9/20 ',..1VIANE \»DAL WAGNER. 310:»20 FERNANDO LUIZ GC.11,.1ES E. 3,0:;`,20 10 rAN ',1ERNANDOi. lErridijo dn Fazendl ivlAT [-OS , Frnitido 1 O; 1 os 2 Df CARI MI . 11 2 (assinado digitalmente) VIVIANE VLDAL WAGNER - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator EDITADO EM: 13/09/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Manos, Antonio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira e Karem .Jureidini Dias. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 291-295): Trata o processo dos autos de inflação de fls. 218/241, referentes a. a) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — 1RPJ, no valor de R$ 4,698 943,16, com firtos geradores em 30/0912002 e 31/1212002; relativamente a omissão de receitas identificadas pela manutenção de passivo ficticio em sua contabilidade [...] 19 contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, código 2986 PIS - LANC OFICIO no valor de R$ 1.249,30, relativamente ao fato gerador de 30/09/2002 [ .7 e código 6656 PIS - NÃO-CUMULATIVO - LANCAAIENTO DE OFICIO, relativamente a fatos geradores em 31/12/2002, no valor de R$ 308 082,81 devido à mesma infiação descrita no lançamento do IRPJ [.. c) Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Coibis, R$ 565 916,58, em relação à mesma inflação e finos geradores descritos no lançamento do IRPL[. .] d) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$ 1 697.749,74, devido às mesmas infrações e fatos geradores descritas no lançamento do 1RPJ, [.1; e) Exigem-se também, multa de oficio de 75 % do art. 44, 1 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e juros de mora, calculados sobre o imposto e as contribuiçõs. 2, Às fis. 211/217, estão descritos os procedimentos. no Termo de Verificação Fiscal, todos cientificados- à interessada . junto COM os autos de infração, em 17/08/2007 ]; a contribuinte :::-VUEP20O po VIVIANE = ',MAL WAGNER 1 -;-..;();12!. n I() por }''ERN)V,JDO LUC GOMES DE Dr( ARI \11 1..1 3 Processo n" 10950 002026/2007-91 S1-C4TI Acárd1lo n " 1401-00,310 E1 336 impugnou tempestivamente os lançamentos em 1010912007, .fls. 2531261, tendo rcapresentado a mesma impugnação, fls., 268/276, com caracterização da pessoa que representou a empresa, .11s. .262/263, e reconhecimento de finna da assinatura, depois de ter .sido intimada para tanto, f 1 265. 3. Afirma que a apuração que deu causa à autuação baseou-se cm impropriedades. Os trabalhos de apuração /Oram insuficientes, contêm análise equivocada dos documentas, indicação e exclusão inexata de valores e interpretação enviesada da legislação de regência. 4. Preliminarmente, pleiteia a nulidade da autuação, ao argumento de cerceamento de defesa, invocando o art. 50, LV da Constituição Federal, de 05 de outubro de 1988 - CF de 1988, e o art. 59 do Decreto n°70 235, de 1972; afirma que o fiscal preteriu o direito de defesa da autuada pelo menos por chias vezes: a primeira quando a contribuinte fbi intimada a apresentar vários documentos e requereu dilação de prazo, tendo-lhe sido concedidos apenas 10 (dez) dias; e a segunda, quando da recomposição de caixa no Termo de Verificação Fiscal, o fiscal desconsiderou iodas as provas apresentadas pela empresa, preterindo mesmo a regularidade contábil de seus lançamentos a titulo de despesas efetivas, deixando de apreciar os CIOCUMentos que lhe !Oram encaminhados ou apreciando-os de maneira equivocada .5. Detalha, acerca do primeiro alegado cerceamento de defesa, que tal exíguo prazo concedido pelo fiscal, que não cabe à autuada questionar mas obedecer, foi fixado apesar de a empresa haver explicado que tinha dificuldade em localizar os documentos por se encontrar inativa desde 200,5 e toda a documentação encontrar-se em um depósito cujos funcionários que cuidavam do arquivamento já não mais fazerem parte do quadro da empresa,. portanto, houve cerceamento de defesa, tendo sido a autuada deixada à margem dos fatos 6. E sobre o segundo alegado cerceamento de defesa, diz que, tendo sido solicitada pelo fiscal a apresentar comprovantes coincidentes em datas e valores, apresentou os livros de que dispunha imediatamente, deixando somente de apresentar alguns documentos de difícil localização; que todos esse documentos formam o conjunto probatório da efetiva do passivo da impugnante no exercício objeto de fiscalização, que o fiscal, sem mesmo verificar junto à contabilidade das coligadas, portanto, mediante insuficiente auditoria, glosou os suprimentos, recompondo as declarações de rendas das empresas mencionadas, sob a alegação de que não encontrara coincidência de datas e valores; que, em se tratando de adiantamentos (empréstimos) de coligadas, a .falta de análise aprofundada e correlacionada entre 05 empresas envolvidas, todas cmbasadas em escrituração contábil regular; denota insuficiência de auditoria fiscal, traduzindo-se em cerceamento de defesa, pela preterição de provas disponíveis dado que a prova eminentemente contábil não pode ser descartada sem mais \NEE VIDAL V'JAGHET' .! 13:C":7201 1):::)r FERNANDO LUI2. rvl DE j'4AT-VOH. Aut(:;rilicadoíjtrrnt 13IP2010 rJc)r FERNANDO TOS 2-1 r.R:20 u p,.)1( ) li tnv Dl CARI' M.I' H 4 nem menos, lembrando os Princípios Fundamentais da Contabilidade, afirma que qualquer procedimento fiscal que se distancie dos frindamentos dados pela ciência contábil não poderá ser admitido como meio formador da presunção, pois não possui o fundamento cientifico próprio do elemento em estudo para suportar as afirmações feitas. 7. Outro argumento que aponta para pleitear a ineficácia cio procedimento fiscal é o fcrto de o auto ter sido lavrado fora do estabelecimento autuado, condição, segundo a litigante, essencial para eficácia da autuação, afirma que a doutrina é taxativa no sentido de que a autuação deve ser lavrada obrigatoriamente no local da verificação da irlfiação e no momento de sua constatação, como se ;lasse um flagrante, pleiteia o cancelamento do auto por esse motivo. 8. No mérito, acerca da omissão de receitas, afirma que a fiscalização efetuou a recomposição de caixa, preocupando-se com a omissão de receitas, mas não com a possível existência de contrapartida entre as entradas e saídas de recursos entre as empresas coligadas, e destaca que não há evidências de que a fiscalização tenha analisado os registros da autuada em conjunto com os das coligadas e tampouco sua estrutura . fisico- comercial, que, embora a constatação de passivo fictício da pessoa jurídica, quando esta não lograr apresentar provas em contrario, seja uma presunção ¡uris tantum, transferindo o ônus probante ao sujeito passivo, o Fisco não está dispensado de justificar os elementos fbrinadores da presunção, assevera que a fiscalização, arbitrariamente, rejeitou as várias provas que a imprignante ofertou, o que, aliado ao fato de não ter se utilizado de método correto pois não percorreu os caminhos contábeis corretos e suficientes, não pode estar caracterizada a presunção. 9. Explica ainda que a aplicação dos recursos aportados a titulo de adiantamento de coligadas fiz-se diariamente no giro normal da sociedade, consoante os registros dos livros Razão e Diár ia, de modo que a origem do numerário poderia ter sido facilmente comprovada 10. Diz que o fiscal não negou a origem mas tão-somente a falta de cfetividade, mas sem demonstrá-lo, portanto, não se caracteriza a omissão de receitas; em resumo, que, para aplicar a presunção do art 281 do RIR de 1999, acerca da eletividade da entrega de recursos e recompor a conta Caixa, pela exclusão dos adiantamentos de coligadas, o fiscal apenas apontou a falta de efetividade, desconsiderando, de jarina injustificada, a sua origem e licitude. Reclama de multa isolada por falta de recolhimento sobre base de cálculo estimada e do seu caráter de confisco, invoca o mi 150, V da CR de 1988, o principio da razoabilidade, o art. 113„sç. 3 n do Código Tributário Nacional - CTN, .Lei n°5 172, de 25 de outubro de 1966; aduz que a multa aplicada devido à não apresentação pela contribuinte de documentos, devido à inexistência de funcionários ou pela mudança de objeto social da impugnada, caracteriza-se com de intuito de confisco, portanto inconstitucional, ocorrendo desvio de finalidade da penalidade, que é o de obedecer aos antecedentes do contribuinte, o grau de r:15wialrnont .: er 2-1;1 0510110 por `,f1VIANE VIDAL Vv IVENEÍO 1:p,;o92o-lo por FERNANDO 01J121 Gr.)1,1ES DE mAT-ros Autenlicadoi OrnoIo 1()!:112[.) 1.-K)r rE,MANDO (..;(1.1b!.; Firmo oro Poí)2O 10 tolo UlnisIrir) do Frizeil,ti 4 1)1 . CAIU 1111' 1.1 5 Processo n" 10950 002026/2007-91 SI-C4T1 Acórdão n " 14(11-00,310 PI 337 lesão que sua falta ou irregularidade causou ao erário, devendo a pena ser dosada nas devidas proporções. 12. Aduz que a de.sproporcionalidade existente entre o Mo tributário e a correspondente penalidade resulta em tamanho ônus que inviabiliza o negócio e até a existência do infrator que se pretendia educar- e punir, ferindo-o na sua capacidade econômica 13, Relata que é amplamente cediço que a autuada passa por sérios problemas financeiros desde 2004, tentando de todas as fbrmas amenizar os impactos causados pela sua quase quebra 14. Conclui que o erário usa a cobrança da multa com efeito de confisco. A 2" Turma da DRJ Curitiba (PR), por unanimidade, julgou procedente o lançamento, por meio do Acórdão n°06-16.927, assim ementado (v. fis:. 291-292): ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA- IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2002, 31/12/2002 OMISSÃO DE RECEITAS. MANUTENÇÃO NO PASSIVO DE OBRIGAÇÕES CUIA EXIGIBILIDADE NÃO FOI COMPROVADA. Caracteriza-se como omissão no registro de receita, se contribuinte não prova a improcedência da presunção, a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada DECORRÊNCIA PIS, COF1NS E CSLL. Tratando-se de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo e dada à relação de causa e efeito, aplica-se o mesmo entendimento ao PIS, Cofias e CSLL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2002, 31/12/2002 MULTA DE OFICIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL., LEGALIDADE Aplicável a multa de oficio no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado, e no percentual determinado expressamente em lei ASSUNTO. NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/09/2002, 31/12/2002 NUI.IDADE PRESSUPOSTOS. !jilFI 1t: em 1 O pen VIEML '',,'",,AGMER. .J , 11'.. 1, 2O1U r::•;q• FERNANDO LUIZ Ge*IE.S Ti() At.rientic,-,du 1-; Er:Iws..„Ni:-.)c) Emitido em pe.lo cla Fa7,3nd9 5 1)1 CARI N, 11 1-1 6 Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição cio direito á defesa CERCEAMENTO NO DIREITO DE DEFESA PRAZO CONCEDIDO PARA APRESENTAR COMPROVANTES O prazo de 132 (cento e trinta e dois) dias decorrido entre a intimação para apresentação de documentos comprobatórios e a apresentação da impugnação ao auto de inflação não é tão curto a ponto de poder ser considerado que houve cerceamento na defesa da contribuinte CERCEAMENTO NO DIREITO DE DEFESA CONTABILIDADE'. LIVROS FISCAIS AUSÊNCIA DOS DOCUMENTOS OS registros contábeis, livros fiscais e outros registros, não respaldados por documentos, não finem prova a favor da litigante, porque incompletos, dado que não confirmados por documentação hábil e idônea, não se caracterizando o cerceamento de defesa se os registros não foram reconhecidos pela fiscalização. LOCAL DA LAVRATURA. Não é nulo o auto de infração lavrado fora do estabelecimento da contribuinte, se a fiscalização dispunha dos elementos necessários e suficientes para a caracterização e formalização do lançamento Lançamento Procedente Intimada desse Acórdão em 13/03/2008 (fls. 312), a contribunte apresentou em 11/04/2008 o Recurso Voluntário de fls. 314-326, com base nos seguintes argumentos: Preliminares a) O presente lançamento deve ser considerado nulo, por cerceamento de direito de defesa, tendo em vista o exíguo prazo concedido para apresentação de documentos e a imotivada desconsideração, por parte do Fisco, de elementos de prova eminentemente contábeis; b) O presente lançamento é nulo, por ter sido lavrado fora do estabelecimento da pessoa jurídica autuada; Mérito c) Alegou que o Fisco, ao transferir o ônus probante ao sujeito passivo, não está dispensado de justificar' os elementos formadores da presunção de omissão de receitas. Negou a ocorrência da alegada omissão, d) A multa de oficio seria inexigível, por apresentar' nítido caráter confiscatório. É o relatório. DE DAT 12H....v...»21:.;' n:7 .r,,r,:)1,11,';', íE1.1itidn 6 Dr Ei Processo n" 10950.002026/2007-91 SI-C4TI Acórdào n." 1401-00.310 H. 338 Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Relatar O presente recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual merece ser conhecido, Preliminares Nulidade por cerceamento de direito de defesa A Recorrente arguiu a nulidade dos presentes lançamentos, por cerceamento de direito de defesa, em razão do exíguo prazo concedido para apresentação de documentos e a imotivada desconsideração, por parte do Fisco, de elementos de prova eminentemente contábeis. No que tange à alegada exiguidade de prazo para apresentação de documentos, trata-se de argumento meramente retórico, totalmente desprovido de fundamentos táticos. Sobre o tema, assim se pronunciou o Acórdão recorrido, fls. tem-se lan total de 132 (cento e trinta e dois) dias para localizar todos os documentos necessárias para comprovar as compras efètuadas junto aos fbrnecedores nomeados e provar que os pagamentos ocorreram depois das datas consignadas e comprovar os saldos de dividas junto aos fOrnecedores questionados pela fiscalização. 30, Esse prazo foi mais do que suficiente. 31. A queixa de cerceamento na defesa, invocando o prazo de dilação de 10 (dez) dias, ao argumento que o contribuinte deve obediemcia ao prazo fitado pelo fiscal, ou seja, que o restante do tempo que decorreu não poderia ter sido aproveitado para essa finalidade, não tem fundamento, dado que tais documentos poderiam ter sido apresentados, inclusive, junto com a impugnação e não .fbram, e mesmo em eventual recurso junto ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda — CCMF, se existir .justificatiw para não ter tido condições de apresenta- los antes disso Registre-se que, desde a data da primeira intimação para apresentação dos documentos (07/05/2007) até a data de apresentação do presente recurso voluntário (11/04/2008), decorreram cerca de 340 dias, sem que a contribuinte tenha apresentado qualquer documento hábil e idôneo, capaz de comprovar os saldos de dívidas junto aos fornecedores questionados pela fiscalização No que tange à suposta desconsideração, por parte do Fisco, de elementos de prova eminentemente contábeis, cumpre reproduzir o que se encontra restou assentado na decisão recorrida, fls. 298-301: 32. Em 25/04/2006, 04/05/2006 e em 0.5/6/2007, foram entregues àifiscali_wiloi ApeloEscrítóriocrie, Contabilidade: Gomes ,D 1 i vros Ernitdn pc:1,..,1\lii)ish5ri2 63 DI (..:A RE \,i1 11. S fiscais e de contabilidade, DIPJ, DCTF e Contrato Social e alterações, relacionados às fls. 10/13 33 E só Nenhum documento a apoiar os registros Nenhum documento a apoiar os registros - e a justificativa na impugnação, 132 (cento e trinta e dois) dias depois da intimação é "apresentou os livros de que dispunha imediatamente, deixando somente de apresentar alguns documentos de difícil localização" e assevera que "esse documentos formam o conjunto probatório da efetiva do passivo da impugnante no exercício objeto de fiscalização" t. 35. Ou seja, a contabilidade Az prova sim a Avo,- do contribuinte, desde que respaldada pela documentação que deu base aos lançamentos, os saldos a pagar de fbrnecedores não forcun comprovados documentalmente, a acusação de que a fiscalização rejeitou os registros nos livros fiscais, Razão e Diário apresentados se deve a esse :Ato,' mesmo intimada a fazê- lo e dispondo de tempo suficiente, 132 (cento e trinta e dois) dias, tais documentos não . foram apresentados e as diligências realizadas pela fiscalização apontaram para a inexistência das obrigações apagam constantes da contabilidade. [ 44, Portanto, a documentação entregue era insuficiente para comprovar as alegações da interessada, os registros contábeis, livros . fiscais e outros registros, não respaldados por documentos, não Azem prova a favor da litigante, porque incompletos, dado que não confirmados por documentação hábil e idónea, as alegadas "coligadas", na verdade são empresas onde ou os sócios ou o diretor são os mesmos que a interessada e, em relação às quais não haveria dificuldade alguma em a interessada obter os documentos necessários, dada a intima relação entre as 111eS mas e, C'01110 já comprovado, houve tempo suficiente para fázê-lo, tratando-se os argumentos de cerceamento de defesa mera cortina de fitmaça para tentar ocultar a falta de comprovantes relativos ao passivo ficticio autuado. 45. Em síntese, não houve cerceamento no direito de defesa da autuada, o que houve Ai a tentativa de cercear o trabalho da fiscalização, mediante pedidos de dilação, não atendimento aos AR, atrasos nas respostas, respostas evasivas, se zuna empresa tem saldos de dívidas a fornecedores e tudo documentado, basta juntar a escrituração e os documentos que a respaldam, e que a boa prática orienta de que forizza devem ser arquivados, para localização no )(titulo, e rapidamente a questão é dirimida, não fbi o caso. Na fase recursal, a contribuinte limitou-se a repetir os argumentos já empregados na fase impugnatória, sem apresentar nenhum documento adicional, capaz de comprovar/justificar os seus registros contábeis. Consequentemente, è forçoso reconhecer que os saldos de dividas de fornecedores apontados pelo Fisco permanecem carebntes de comprovação, razão pela qual Anlo(14k.ámtri'm 2-IK02.010 por VIVIANE, \iIDAL, WAGNER . 1"»t")9j20 10 tio( FEEtl.tANDO LUIZ, ‘,DMEs mivr.r Auk,,ntMado -13Áf[2I)-10 put ERNANDO 1_1.1C DE tvlAT FOZ 8 Emitido m-A 24'0W2t.11:.) ti:do FE17.,(1.:-À 1)1' (...1.1:1• M Fl 9 Processo n" 10950.00202612007-91 S1-C411 Acórdão n° 1401-00.31 O P1 339 autorizam a manutenção da presunção de omissão de receitas, com amparo no art.. 281,111 do RIR de 1999: Art 281. Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto-Lei n" 1 598 de 1977 art. 12, § 2"e Lei n" 9,430, de 1996, art. 40) 1 - a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, II - a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III - a nicunitencão no passivo de obrigações lá pagas ou urja exigibilidade não seja comprovada. (grifado) Diante do exposto, rejeito a presente preliminar apresentada pela Recorrente,. Nulidade do lançamento, por ter sido lavrado fora do estabelecimento da contribuinte No entender da Recorrente, o presente lançamento seria nulo, uma vez que o auto de infração foi lavrado no interior da repartição fiscal e não no estabelecimento da interessada. Esta argüição de nulidade se apóia no texto do art. 10 do Decreto if 70,235, de 1972, verbis: .Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente.. Sobre o tema, assim se pronuciou, com correção, o relator do Acórdão recorrido (fls. 304): 19. Esse dispositivo deve ser interpretado COM cautela, para não ser literalmente aplicado, como requer o contribuinte, até porque, na imensa maioria dos casos, o auto de infração não é lavrado no momento em que ocorre a irregularidade, em situação de flagrante, e sim em um momento posterior, quando da análise de documentos e realização de diligências e investigações de dados nos sistemas da RFB. Assim sendo, se os fatos relevantes constam dos autos, qual a diferença cio ser o auto de infração lavrado no estabelecimento do contribuinte ou na repartição fiscal e, de igual maneira, qual o prejuízo que o contribuinte pode _sofrer em decorrência de o auto ser lavrado nas dependências da delegacia da RFB? Vale dizer que a jurisprudência deste Conselho é pacífica, no sentido de reconhecer a validade de autos de infração lavrados no interior das repartições fiscais, conforme se verifica por meio dos seguintes julgados, também citado pelo Acórdão recorrido: AUTO LAVRADO NA DRF — Não é nulo o auto de infração lavrado na DRF e remetido, para ciência do sujeito passivo, por via postal com AR, se a repartição dispunha dos elementos 2-T.T.19., 201 y.) ir ,j1VIANE O r.:c. t. 1:FRNA1‘.10C) LUIZ GOMES ÇiE MATTO;':', .a.utentir.ar.T0 lin,:i,")0 10 pu,u LUC “:1S ?tr. 2 .:1 ;0120 10 nok: Faze.nda 9 1)[ CARI N111". }0 necessários e siq'icientes para a caracterização da infração e fbrmalização do lançamento. (Ac. 1 CC 105-3.553/89). AUTO DE INFRAÇÃO, NULIDADE LOCAL DE LAVRATURA - Válido o auto de infração lavrado na repartição, pois local da verificação da falta não significa local onde a faltalbi praticada, mas 31171 onde fbi constatada. (Ac.2"CC 201-80 372) PRELIMINAR DE NULIDADE DE AUTO DE INFRAÇÃO LAitRATURA FORA DO LOCAL DA FALTA VIOLAçÃo AO ARTIGO 10 DO DECRETO 70.235-1972 INEXISTÊNCIA - Notadamente, o citado dispositivo deve ser interpretado com cautela, evita-se, pois, pois, aplicação literal. Anota-se, que, acertadamente e com absoluto bom senso, a jurispisuléticia administrativa tem entendido que não é nulo o auto de infração lavrado na sede da Delegacia da Receita Federal se a repartição dispunha de todos os elementos necessários e sillicientes para a caracterização de infração e fbrinalização do lançamento tributário, (Ac. 3" CC 301-33 523) Convém ressaltar que, no caso presente, sequer havia um estabelecimento da contribuinte, no qual os presentes lançamentos pudessem ser lavrados. Afinal, a pessoa jurídica autuada encontrava-se inativa desde 1995. Sobre o tema, se manisfestou com muita propriedade o relator do Acórdão recorrido, fis..: 46 Soa hilário pleito de nulidade ao argumento de que o auto de infração, de 16/07/2007, Ibi lavrado nas dependências da Delegacia da Receita do Brasil, em Mar ingá/PR e não nas dependências da empresa, local da infração, se esta se declara inativa desde 11/2005, perante o órgão e argumenta que os seus funcionários 'Oral)] dispensados, o Termo de Inicio de Fiscalização enviado pelo correio, em 28/12/2005, para o endereço da empresa infirmado no CNP, retornou com a indicação "Mudou-se", lis 7/8. 47. Talvez, então, a pretensão é que filsse lavrado na residência do Sr. Alcebiades Santana, constante do CNPJ e da DIPJ do exercício 2003, ano-calendário 2002, como responsável pela empresa lis, 283 e 100, e domiciliado em São Bernardo do Campo/SP, para onde fbi enviado o auto de infração por correio, para ciência, retornando, ,f1. 246, após três tentativas de entrega (nos dias 23, 24 e 25/0712007), com a anotação do serviço postal de que o destinatário se encontrava "Ausente", o que levou à afixação do Edital n" 57/2007 — Sacai, fl. 247, para cientificar a contribuinte da autuação Diante do exposto, também voto pela rejeição da presente preliminar de nulidade Mérito A presunção juris tantunz de omissão de receitas, em razão da constatação de passivo fictício Conforme descrito no relatório, a presente autuação decorreu da presunção de omissão de receitas, pela constatação de passivo fictício (ou seja, pela manutenção no passivo de orbigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada), An;Ur dir:W p irn p ntp :.11-EI1Ktr1 201I1 por VIVIANE VIDAL fr,/,ACT',111ER . 1'. 1.1011 1r 2í. 1 í1;::or FERNANDO LU tZ. GOMES DE MA TTO5 Autenticado ilig gahnrikr iai r n 10 PU( E:PEANDO 1i1 GO,IEr rd/A.1110S 10 Eindiáo 2.1.ifE1):20 i ankrr: ir:lini;:trrio da Fazrixia 10 11 (..ARI MI' 1'1 I Processo n" 10950 002026/2007-91 SI-C4T1 Acórdão ri" 1401-00,310 H 340 A referida presunção encontra-se prevista no inciso II do art. 281 do RIR199: Art. 281 Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto-Lei n" 1 .598 de 1977 art 12, § 2"e Lei n'9 430, de 1996, art. 40) 1 - a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II - a falta de escrituração de pagamentos efetuados; 111 - a manutenção no passivo de obrigaeões já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. (grifado) Em sua peça recursal, repetindo o que já fizera na fase impugnatória, a litigante apresentou alegações que somente fariam sentido caso a presente autuação estivesse baseada na constatação de saldo credor de caixa (inciso I do art. 281 do RIR/99, retrotranscrito). Neste sentido, a Recorrente refere-se à comprovação da efetividade da entrega de recursos, glosa de suprimentos e a recomposição da conta Caixa, temas totalmente estranhos ao objeto do presente processo, que versa exclusivamente sobre a manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não resultou comprovada (passivo fictício). Em outros pontos de sua peça recursal, a contribuinte parece referir-se à hipótese de presunção de omissão de receitas em decorrência da constatação de depósitos bancários de origem não comprovada.. Neste sentido, a Recorrente se refere à origem e licitude de recursos e a supostas afirmações do fisco em relação à não coincidência de datas e valores. Tais temas também não guardam nenhuma relação fática ou jurídica com o objeto da presente autuação, baseada exclusivamente na constatação de passivo fictício. Sobre estas alegações confusas e desprovidas de sentido, assim se manifestou, com muita propriedade, o acórdão recorrido, fls. 304: 61, Dessa maneira, busca a litigante confundir os fatos e descaracterizar as razões porque foi autuada por omissão de receitas, com base na presunção legal de que os recursos ficticiamente escriturados corno obrigações a pagar do passivo, correspondem a receitas omitidas A Recorrente também apresentou argumentos no sentido de que as dívidas não comprovadas com fornecedores seriam, na verdade, supostos adiantamentos de empresas coligadas. Tais alegações, contudo, não vieram acompanhados de provas. A propósito, sequer resultou comprovada a existência de qualquer vínculo societário entre a autuada e outras pessoas jurídicas. Sobre este tema, assim se manifestou, com acerto, a decisão recorrido, fis, 305: [Ar HE ../IDRL. T A,a;P:Jitic_ndi) crii1 :1.(!;:.?) i) 1-1-,:i,li=.1`11 :ili io Dl- CARI : NIF l 12 H coligadas ou não, empresas diferentes são entidades diferentes, e os recursos de umas e de outras não se inisturam, se, por acaso, em vez de dividas com fornecedores, lbssem empréstimos entre empresas, da mesma fbnna, tal afirmativa deveria Vá acompanhada de documentação. Convém destacar que a presunção de omissão de receitas decorrente da constatação de passivo fictício constitui fato amplamente reconhecido pela jurisprudência administrativa. A título meramente ilustrativo, mencionam-se as ementas de alguns acórdãos deste Conselho de Contribuintes: PASSIVO FICTÍCIO - As importâncias integrantes das contas Duplicatas a Pagar, Fornecedores e congêneres ficam sujeitas á comprovação, sob pena de serem presumidamente consideradas omissão de receitas. (Ac. 1 0 CC 104-2 967/82). Diante de todo o exposto, constato que a acusação fiscal de manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada, não foi elidida pela contribuinte. Resta, pois, confirmada a presunção omissão de receitas, com fundamento no art. art. 281, 111 do R1R199. Multa de ofício A Recorrente considerou confiscatória a multa de oficio, aplicada no percentual de 75%. Não assiste razão à Reconente O art., 44, 1 da Lei n" 9,.430/96 é bastante claro em determinar a cobrança da multa de 75% por Uni de pagamento em função da ocorrência, por exemplo, de omissão de receitas, tal como ocorre no caso concreto: Ari 44 Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas; 1 - de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (grif ei) Sendo assim, estando ela prevista em disposição legal em vigor, não cabe a este Órgão do Poder Executivo deixar de aplicada, encontrando óbice, inclusive na Súmula n°2 do CARF: verbis: Súmula CARF n" 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei fributár ia, Logo, a multa de oficio deve ser mantida, Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, (assinado digitalmente) e!TI pnr VIVIANE, VIDAL ;..or E.F."3...-J LL112.: C-JE ivli•J'ros eu: (,) 2-1 . (0 1 2U I ri MinIsIt:LIc Fa...,....en,La 12 El 13 SI-C4T1 1' 1 . 341 rF ( :\11 Processo n" 10950.002026/2007-91 Acórdão n " 1401-00310 FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2.1;i:r...),20 1;C:ft 11:1,0'..)::11.11) I t; P,ERNIV,!1?:.) Lt.liZ DE 1 () Ir.r € 1.11 .7 GOK..11- Ernitido iF11 2 :4 ir)r2.0 l[ ilnk) rriório di? Fa2.:(Mda 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO QUARTA CÂMARA Processo n° : 10950.002026/2007-91 Interessado : MARINGÁ STEEL S.A INDUSTRIAL TERMO DE JUNTADA I" Seção/4" Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão/Resolução n° 1401-00.310, assinado digitalmente, às fls. ( ), por mim numeradas e rubricadas, e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal em para ciência do interessado e demais providências, Brasília, Chefe da Secretaria
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Numero do processo: 10920.002473/2010-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. TERCEIROS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. TERCEIROS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 24 73 /2 01 0- 01 Fl. 238DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD: 37.256.8173, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 19/07/2010, no valor de R$ 1.237.139,79 (hum milhão, duzentos e trinta e sete mil, cento e tinta e nove reais e setenta e nove centavos), já acrescidos de juros de mora, da multa de mora e da multa de ofício de 75%, referente às contribuições patronais destinadas às terceiras entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, a serviço da autuada, no período de 04/2007 a 08/2009, constantes das folhas de pagamentos, não declaradas em GFIP. Consta do Relatório Fiscal, que os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo, antes do procedimento fiscal, foram apropriados, prioritariamente, para o abatimento das contribuições declaradas em GFIP, as quais não se incluem no presente lançamento, sendo o saldo, quando existente, abatido dos valores constantes do auto de infração em apreço. Os valores considerados constam demonstrados no Relatório de Apropriação de Documentos – RDA. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 15/05/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301002.779 (fls. 149/161), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa, até 11/2008; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/08/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. NÃO CONHECIMENTO PARCIAL. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA E SEBRAE. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10920.002473/201001 Acórdão n.º 9202006.197 CSRFT2 Fl. 3 3 LEGALIDADE. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA MULA MAIS BENÉFICA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. O adicional destinado ao SEBRAE (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (SENAI, SENAC, SESI e SESC). Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 13/03/2013 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 25/03/2013, o presente Recurso Especial (fls.162/182). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação às seguintes matérias: a) preclusão quanto à matéria relativa à multa aplicada; e b) cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento parcial, em relação ao item b cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte, conforme Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 11/06/2015 (fls. 212/219) e Despacho s/nº, da CSRF, de 12/06/2015 (fls. 220/221), respectivamente, Exame e Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial da Fazenda Nacional. O recorrente, em suas alegações em relação ao item b – cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei nº 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Cientificado do Acórdão nº 2301002.779, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 22/02/2017, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Fl. 240DF CARF MF 4 Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 212. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10920.002473/201001 Acórdão n.º 9202006.197 CSRFT2 Fl. 4 5 mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito Fl. 242DF CARF MF 6 NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10920.002473/201001 Acórdão n.º 9202006.197 CSRFT2 Fl. 5 7 O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 244DF CARF MF 8 ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10920.002473/201001 Acórdão n.º 9202006.197 CSRFT2 Fl. 6 9 ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, Fl. 246DF CARF MF 10 os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, assim como lançado. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 247DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.904286/2012-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1302-002.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 42 86 /2 01 2- 04 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10825.904286/201204 Acórdão n.º 1302002.433 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático "de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados'" (conforme descrito no acórdão ora recorrido). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 32029.61963.250112.1.3.043026, teria origem em pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 30/09/2008. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a anulação do despacho decisório, determinandose, por conseguinte, o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que as provas necessárias à demonstração do seu direito creditório sejam produzidas; sucessivamente, pede a procedência de sua manifestação a fim de que, reconhecido o crédito, seja homologada a compensação realizada. A DRJ de Ribeirão Preto analisou a predita manifestação e, após afastar as preliminares suscitadas, julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 13/06/2013 (AR de fls. 67/68), tendo interposto o seu recurso voluntário em 26/06/2013 (doc. de fl. 70). Em suas razões, o contribuinte discorre longamente sobre as premissas constitucionais e legais em que repousam as normas que tratam do direito à restituição do indébito, assentando a inexistência Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10825.904286/201204 Acórdão n.º 1302002.433 S1C3T2 Fl. 4 3 de condição ao exercício deste direito, arguindo, inclusive, ao fim, uma pretensa ilegalidade/inconstitucionalidade da IN 900. Em seguida, abordou, o procedimento de compensação em si para atacar os argumentos deduzidos pela DRJ para afastar a preliminar concernente à falta de motivação do ato. Alegou, especificamente, que o procedimento fixado na IN 900 induz a erro os contribuintes sustentando, neste particular, que o formulário eletrônico em momento algum vincula o surgimento do direito creditório à retificação de sua DCTF. Afirmou, ainda, que esta "condição" seria ilegítima seja porque a retificação imporia ao contribuinte o "risco de ser autuado para exigência da diferença apontada, já que a Fazenda naquela oportunidade não concordava com a tese tributária apontada". Lado outro, e ainda reforçando a tese da inexigência de retificação da DCTF para que se observe a "disponibilidade do crédito", sustentou que semelhante imposição importaria na reabertura do prazo decadencial preconizado pelo art. 150, § 4º, do CTN , por que imporia nova confissão de dívida. Mais abaixo, afirmou inexistir "na IN RFB 900/2008, ou nas INs que regulamentam a DCTF a determinação de que a DCTF deverá ser retificada, quando houver decisões emanadas do Poder Judiciário no sentido de afastar a incidência de uma Lei ou julgar a pretensão de majoração de alíquota ou alteração de base de cálculo". Por fim, invocando novamente os preceitos do art. 65 da IN 900/2008, reforça a alegação de nulidade do despacho por falta de fundamentação e cerceamento de defesa. Os autos, então, foram distribuídos à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 30/09/2008. O julgamento deste recurso seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.401, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10825.904255/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.401): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. I. Prefacialmente. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10825.904286/201204 Acórdão n.º 1302002.433 S1C3T2 Fl. 5 4 Apenas para elucidar a estrutura desta decisão, e a divisão de tópicos que faço a seguir, esclareço de antemão que o recorrente não suscitou preliminares de mérito; em verdade, como ele mesmo afirma, o cerne deste apelo é, justamente, as duas preliminares invocadas na manifestação de inconformidade, quais sejam, a ausência de motivação do despacho decisório e o cerceamento de defesa. Vale destacar que o recorrente não discute (e também não discutiu, verdade seja dita, em sua manifestação de inconformidade) a existência do crédito em si; não juntou documentos que pudessem demonstrálo, nem se ocupou de apontar a sua origem... limitouse a alegar, genericamente, que o crédito poderia (?!?) decorrer de teses jurídicas (?!??!) sancionadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas não cuidou, nem mesmo, de individualizálas a fim de que se pudesse, ao menos, verificar a observância pela administração pública ao entendimento firmado pela Suprema Corte (em casos em que tal observância fosse mandatória processos com repercussão geral reconhecida ou relativos à controle concentrado de constitucionalidade). Fiandose, sempre, nas preliminares de nulidade, e, principalmente, no seu entendimento de que eventuais provas teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, não se preocupou, de fato, em minimamente demonstrar o crédito sobre o que, como bem aventado pela DRJ, operouse a preclusão. A questão em análise, insistase, está limitada à questões meramente formais do ato, nada mais. Assim, entendam, os tópicos que agora passo analisar são, efetivamente, o mérito desta querela. II. Da alegada falta de motivação do despacho decisório. O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos motivos de fato nele declinados à norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu, ato contínuo, em tais casos, vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10825.904286/201204 Acórdão n.º 1302002.433 S1C3T2 Fl. 6 5 Notem, todavia, que, declinados os pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram o ato, não mais se estará diante de vício por falta de descrição de seus motivos determinantes (salvo se houver, entre eles, manifesta incompatibilidade)... a partir dai, quaisquer questionamos sobre os efeitos deste ato, perpassam pela interpretação do motivo jurídico e a sua adequação ou não fato concreto, deixandose, evidente, nesta hipótese, que ao destinatário do ato foi garantido saber porque, quando e decorrência de qual norma terseia operado a prática de determinado ato; nesta hipótese, não se observa, mais, qualquer mácula à ampla defesa. O contribuinte, no caso em testilha, sustenta que o despacho administrativo, praticado por meio de sistema eletrônico, não fundamenta os motivos que lhe dariam base; afirma não ser possível identificar, ali, as razões pelas quais não se reconheceu o crédito cuja compensação se postulava, sendolhe, inclusive, impossível entender o que seria a dita "disponibilidade do crédito". Vejamos, então, o ato propriamente a fim de decidir se, realmente, lhe falta este elemento essencial. O despacho decisório foi juntado à fls. 7/10. Lá, observase que, do campo 3, "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", consta a seguinte descrição: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a15.200,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não vou me debruçar sobre a descrição acima... não há nada, aí, que impeça, sob qualquer prisma, o conhecimento dos motivos de fato que justificaram a não homologação do pedido de compensação. A DECOMP (fls. 2 a 6), no caso, vinculou o crédito postulado pelo contribuinte a um DARF descrito na página 3 da aludia declaração, recolhido em 26/05/2008, sob o código 2089, no valor de R$ 17.935,09. Este DARF está vinculado ao pagamento de outra obrigação descrita, por certo, em DCTF (que, é verdade, não foi juntada ao feito sobre isso, me reportarei mais adiante)... a recusa externada no despacho é mais que clara: não há saldo, deste recolhimento, passível de compensação (não há "disponibilidade de crédito"). Este é o motivo fático da decisão (até porque, como o contribuinte mesmo confessa, não houve retificação de DCTF de sorte a permitir à administração fazendária sequer identificar o pretenso indébito). Tal qual afirmei anteriormente, a inexistência de motivação fática eiva de nulidade o ato; a discordância quanto as Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10825.904286/201204 Acórdão n.º 1302002.433 S1C3T2 Fl. 7 6 consequências ou, mesmo, quanto a existência do fato invocado para praticálo culmina, quando muito, no seu cancelamento ou reforma (e não anulação). Em resumo, o motivo fático está suficientemente claro e aposto no despacho decisório, sendo desnecessárias (não minha opinião) ilações adicionais Vejamos, agora, o fundamento jurídico: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os artigos 165 e 170 do CTN tratam, respectivamente, da restituição do indébito e da compensação, traçando regras gerais sobre os dois institutos... aqui, peço especial atenção aos preceitos do citado art. 170, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Eis aí parte do motivo de direito: somente créditos líquido e certos são passíveis de compensação; ao pleitear a compensação de crédito estampado em DARF que extinguiu outra obrigação tributária do contribuinte, a despeito dos protestos do recorrente, temse a obliteração, justamente, de sua certeza. Já o art. 74 da Lei 9.430, estabelece o regramento específico concernente à compensação no âmbito federal, e, ao que interessa aqui, preestabelece que a DECOMP extingue o crédito tributário sob condição resolutória, prevendo, outrossim, que não homologada a compensação, será franqueado ao contribuinte opor a sua manifestação de inconformidade. Estes preceitos, digase, somados, revelam, sem maiores esforços exegéticos que, constatado que o crédito cuja compensação se postula é ilíquido ou incerto, a compensação não será homologada... Ou seja, aqui estão presentes os motivos fáticos e jurídicos que justificaram a não homologação. Não há qualquer nulidade reconhecível no despacho decisório. III. Cerceamento de defesa. O contribuinte sustenta, e se fia nesta alegação, de que eventuais provas quanto ao liquidez e certeza do crédito teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, mediante iniciativa da autoridade administrativa fiscal. Sustenta, outrossim, que seria dever da Administração Federal perquerir a existência de seu crédito e que, ao não fazêlo, violou o seu direito à ampla defesa. Venia concessa mas razão, não lhe assiste. O problema do caso em análise não revolve a dúvida sobre a origem do crédito; não decorre de dúvidas sobre a apuração do Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10825.904286/201204 Acórdão n.º 1302002.433 S1C3T2 Fl. 8 7 crédito a partir da escrita fiscal ou, mesmo, contábil do contribuinte; em verdade, como não houve retificação da DCTF, o crédito nunca chegou a existir... Como já afirmado anteriormente, e confessado pelo contribuinte, o crédito utilizado na compensação foi declarado em DCTF a fim de quitar a obrigação concernente ao IRPJ devido quanto ao terceiro trimestre de 2007 (esta informação consta da DCOMP); o recorrente, não obstante já ter quitado a obrigação informada em DCTF, transmite o pedido de compensação vinculando o respectivo crédito ao DARF já utilizado para quitação da obrigação concernente ao terceiro trimestre de 2007. Porque, perguntase, seria necessário a intimação do contribuinte para esclarecer qualquer fato que seja, quando a comparação entre a DCOMP e a DCTF já dá o lastro fático probatório necessário para indeferir o crédito? Neste ponto, a DRJ chega a discutir sobre ônus de prova em matéria de compensação, discussão, digase, inóqua! O crédito nunca chegou a existir, reprisese. Insistase que a discussão aqui não gira em torno da origem ou liquidez do crédito, razão, pela qual, improcede, também, a invocação do art. 65 da IN 900/08, que, peço, transcrevo abaixo: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. As medidas descritas acima, digase, seriam necessárias apenas e tão somente se houver dúvidas sobre a liquidez e certeza do crédito; no caso dos autos, esta dúvida nunca existiu porque o contribuinte nunca cuidou de informar ao fisco a existência deste crédito (mediante retificação da sua DCTF). E aqui, cabe um adendo: como disse anteriormente, a DCTF em questão não foi juntada ao processo. Como, todavia, o contribuinte confessa que não a retificou (inclusive suscitando uma discussão despropositada concernente à desnecessidade de retificação da DCTF como pressuposto normativo para legitimar o pedido de compensação) e, mais, não questiona o próprio "mérito", por assim dizer, do despacho decisório, tal fato restou incontroverso. Ainda que fosse prudente a juntada deste documento, entendo que ele não é essencial ao deslinde da contenta. III Conclusão. A luz do, sucintamente, exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10825.904286/201204 Acórdão n.º 1302002.433 S1C3T2 Fl. 9 8 Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 10552.000546/2007-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 11/09/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 55 2. 00 05 46 /2 00 7- 52 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10552.000546/200752 Acórdão n.º 9202006.068 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10552.000546/200752 Acórdão n.º 9202006.068 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10552.000546/200752 Acórdão n.º 9202006.068 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10552.000546/200752 Acórdão n.º 9202006.068 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10552.000546/200752 Acórdão n.º 9202006.068 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10552.000546/200752 Acórdão n.º 9202006.068 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10552.000546/200752 Acórdão n.º 9202006.068 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13660.000301/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Data do fato gerador: 01/07/2007
SIMPLES NACIONAL. PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE COMUNICAÇÕES.
A atividade de serviços de comunicações consistia em atividade vedada à opção pelo Simples Nacional, até 31/12/2008.
Numero da decisão: 1401-000.426
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, para INDEFERIR a solicitação da contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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PRESTADORAS DE SERVIÇOS DE COMUNICAÇÕES. A atividade de serviços de comunicações consistia em atividade vedada à opção pelo Simples Nacional, até 31/12/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, para INDEFERIR a solicitação da contribuinte, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) VIVIANE VIDAL WAGNER Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 40): A contribuinte acima identificada apresenta manifestação de inconformidade contra o "Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional”, alegando, em síntese, que: 1) existe liminar da justiça federal de Brasília (mandado de segurança coletivo) favorecendo provedores para poderem optar pelo Simples Nacional; 2) A Resolução CGSN 20/2007 incluiu no Anexo II, abrangendo atividades permitidas e impeditivas, o CNAE 63119/00 — Tratamento de dados, provedores de serviços de aplicação e serviços de hospedagem na internet; 3) Os provedores de acesso a internet estavam impedidos de optar pelo Simples Nacional, pois, segundo o CGSN se enquadravam na vedação contida no artigo 17, inciso IV; da LC 123/2006. No entanto, a legislação do segmento de comunicação não os enquadra como serviços de comunicação, podendo, assim, exercerem a opção. A 2ª Turma da DRJ Juiz de Fora, por unanimidade, indeferiu a solicitação da contribuinte, por meio do Acórdão nº 0924.054, assim ementado (v. fls. 39): ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/07/2007 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL A atividade de serviços de comunicações consistia em atividade vedada à opção pelo Simples Nacional, até 31/12/2008. Solicitação Indeferida Intimada desse Acórdão em 09/06/2009 (fls. 44), a contribunte apresentou em 08/07/2009 o Recurso Voluntário de fls. 4547, com base nas seguintes alegações: a) a pessoa jurídica utilizava o CNAE 61906/01 por ser este o único existente à época da inscrição no CNPJ; b) após a criação do código “63119/00”, que lhe permitia a opção pelo Simples Nacional, foi protocolizado o recurso junto à SRF (em 20/05/2009). Assim, se houvesse o julgamento em tempo hábil (ou seja, dentro do ano de 2007), a empresa poderia ter feito a alteração a tempo, podendo ingressar no Simples Nacional a partir de janeiro de 2008; c) a lei tributária mais benéfica e aquela meramente interpretativa retroagem, a teor do disposto no art. 106, I e II do CTN. Assim, inserida a atividade da Recorrente no rol daquelas que permitem a opção pelo Simples Nacional (Resolução CGSN nº 50, de 22/12/2008), deve ser reconhecida a retroatividade da lei em benefício da contribuinte; d) A lei fiscal deve ser interpretada sempre em favor do contribuinte. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13660.000301/200796 Acórdão n.º 140100.426 S1C4T1 Fl. 355 3 Nestes termos, requereu a reforma da decisão proferida pela DRJ Juiz de Fora, assegurandose o direito de a Recorrente ingressar no Simples Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A SRF indeferiu a opção da contribuinte pelo Simples Nacional, mediante Termo de Indeferimento de fls. 04, em razão de exercer atividade vedada para este regime simplificado. A referida atividade – provedores de acesso às redes de comunicações – enquadrase no CNAE Fiscal 61906/01. Tal CNAE constava expressamente no Anexo I da Resolução CGSN n° 6, de 18/06/2007 que, à época, estabelecia o rol de “Códigos Previstos na CNAE Impeditivos ao Simples Nacional”. Vale dizer que a referida restrição à opção pelo Simples Nacional encontrava amparo legal no art. 17 da Lei Complementar 123/2006 (redação original), verbis: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e 'contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: [...] IV— que preste serviço de comunicação; Em sua peça recursal, a Recorrente admite expressamente que exercia – e que ainda exerce – a referida atividade (provedor de internet). No entanto, invoca a aplicação retroativa das normas que admitiram esta atividade no âmbito do Simples Nacional, a partir de 2009. É certo que legislação posterior admitiu, no âmbito do Simples Nacional, o ingresso/permanência de empresas que exercem a atividade de provedor de internet. Todavia, no período em análise (negativa de inclusão no Simples Nacional com efeitos a partir de 01/07/2007), havia vedação expressa no art. 17 da Lei Complementar 123/2006 e no Anexo I da Resolução CGSN n° 6, de 18/06/2007. Por sua vez, ,já se encontra pacificada no Superior Tribunal dc Justiça a inaplicabilidade do art 106, do CTN, para fins de retroatividade de normas que admitem o ingresso de contribuintes na sistemática simplificada de recolhimentos, cujas atividades eram antes vedadas. Vejase a referência mais recente ao tema: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELO SIMPLES. INSTITUIÇÕES DE ENSINO QUE SE DEDIQUEM EXCLUSIVAMENTE ÀS ATIVIDADES DE CRECHE, PRÉ ESCOLA E ENSINO FUNDAMENTAL. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI 9.317/96. ARTIGO 1º DA LEI 10.034/2000. LEI 10.684/2003. PRECEDENTE EDCL no RESP Nº 882553/RS, julgado em 23.04.2009 [...] 6. As Turmas de Direito Público desta Corte consolidaram o entendimento da irretroatividade da Lei 10.034/2000 (que excluiu as pessoas jurídicas dedicadas às atividades de creche, préescola e ensino fundamental das restrições à opção pelo SIMPLES, impostas pelo artigo 9º, da Lei nº 9.317/96), uma vez inexistente a subsunção a quaisquer das hipóteses previstas no artigo 106 do CTN, verbis: [...] 7. Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 1.042.793/RJ, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 22.04.2008, DJe 21.05.2008; REsp 829.059/RJ, Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 18.12.2007, DJ 07.02.2008; e Resp 721.675/ES, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 23.08.2005, DJ 19.09.2005). 8. Conseqüentemente, ante a irretroatividade do benefício fiscal instituído pela Lei 10.034/2000, revestese de legalidade o procedimento administrativo que inadmitiu a opção do SIMPLES pela escola recorrida, no período anterior a 25.10.2000. 9. Recurso especial provido. As razões dos precedentes mencionados foram originalmente estabelecidas pelo Ministro Castro Meira, no Resp nº 722.307/SC, do qual se extraem os seguintes trechos: TRIBUTÁRIO. SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DE MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES. ESTABELECIMENTO DE ENSINO PRÉESCOLAR E FUNDAMENTAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. ART. 557 DO CPC. FALTA DE INTERESSE EM RECORRER. LEI Nº 10.034/00. IMPOSSIBILIDADE DE RETROAÇÃO. [...] 3. O art. 106, em seus incisos, estabelece quando a lei tributária será aplicada a atos ou fatos pretéritos. O caso dos autos não se enquadra em qualquer das hipóteses, não havendo de se falar em retroação da Lei nº 10.034/00. 4. A pessoa jurídica que se dedica à préescola e ao ensino fundamental somente tem direito a optar pelo SIMPLES a partir da vigência da Lei nº 10.034/00 que não pode ter aplicação retroativa. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13660.000301/200796 Acórdão n.º 140100.426 S1C4T1 Fl. 356 5 5. Recurso especial provido. [...] VOTO O EXMO. SR. MINISTRO CASTRO MEIRA (Relator): [...] É cediço que, em regra, aplicase o princípio da irretroatividade das leis ao Direito Tributário. O art. 106 do Código Tributário Nacional traz as hipóteses excepcionais em que a lei tributária poderá ser aplicada a ato ou fato pretérito, consoante se constata de seu teor, a seguir transcrito: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática". Da leitura de seus incisos, não verifico a possibilidade de retroação da lei pela mera existência de regra mais benéfica ao contribuinte. O primeiro inciso restringese à lei expressamente interpretativa, o que não é o caso. Já o segundo inciso, subdividido em alíneas, estabelece quando a lei pode retrooperar para atingir atos não definitivamente julgados. A hipótese dos autos não se enquadra em qualquer das alíneas desse último inciso. O art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, vigente no momento em que a recorrida passou a ser optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, tem a seguinte redação: "Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 6 psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (...)". Portanto, as empresas que prestassem serviços profissionais educacionais eram atingidas pela vedação imposta. Não se cuida aqui de infração ou penalidade, devendo ser afastadas, de pronto, as letras "a" e "c" do art. 106 do Código Tributário Nacional. Poderseia entender pela incidência, na espécie, do previsto na letra "b" do artigo em alusão. Ocorre que a simples leitura da parte final de tal alínea impossibilita essa conclusão, pois o fato de o recorrido ter optado pelo SIMPLES quando não era permitido certamente importou em falta de pagamento de tributo, na forma como era devido à época. O recorrido foi excluído da restrição constante da Lei nº 9.317/96 apenas com o advento da Lei nº 10.034/00, cujo art. 1º preceitua: "Art. 1º Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches, pré escolas e estabelecimentos de ensino fundamental". Cumpre registrar, unicamente a título de informação, que o dispositivo mencionado foi alterado pela Lei nº 10.684/03, passando a viger nos moldes abaixo: "Art. 1º Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às seguintes atividades: I – creches e préescolas; II – estabelecimentos de ensino fundamental; III – centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; IV – agências lotéricas; V – agências terceirizadas de correios; VI – vetado VII – vetado" Assim, o aresto hostilizado merece reparos, uma vez que, somente a partir da vigência da Lei nº 10.034/00, o recorrido teve o direito de optar pelo SIMPLES, não podendo retroagir a norma em comento para alcançar atos ou fatos pretéritos. Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 13660.000301/200796 Acórdão n.º 140100.426 S1C4T1 Fl. 357 7 Os efeitos destas decisões, relativamente à atividade ali tratada, inclusive, foram recentemente consolidadas na Súmula nº 448 do STJ (A opção pelo Simples de estabelecimentos dedicados às atividades de creche, préescola e ensino fundamental é admitida somente a partir de 24/10/2000, data de vigência da Lei nº 10.034/2000). Claro está, portanto, que não se trata de lei expressamente interpretativa, cuja retroaçao se dá a teor do art. 106, I do CTN, bem como não trouxe, ela, qualquer "retroatividade benigna", a invocar a aplicação do inciso II daquele dispositivo, pois apenas se presta a desenhar o escopo de vedação ao ingresso no Simples Nacional (ou de permissão, dependendo do ponto de vista), sob a ótica da atividade econômica explorada. Diante do exposto, meu voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, indeferindo a solicitação da interessada. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 01/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 01/03/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 13981.000098/2005-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
PIS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, é exemplo de insumo as embalagens de acondicionamento utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o seu transporte.
Numero da decisão: 9303-005.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, em razão de inclusão do saldo remanescente do débito no PERT (IN nº 1711/2017). Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Ausente, justificadamente, a conselheira Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CRÉDITOS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Recorrentes FRAME MADEIRAS ESPECIAIS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 PIS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, é exemplo de insumo as embalagens de acondicionamento utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o seu transporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, em razão de inclusão do saldo remanescente do débito no PERT (IN nº 1711/2017). Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 1. 00 00 98 /2 00 5- 63 Fl. 656DF CARF MF 2 Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Valcir Gassen. Ausente, justificadamente, a conselheira Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos tempestivamente pela contribuinte e pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3401 001.569, de 01/09/2011, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 DILIGÊNCIA. INFORMAÇÕES A CARGO DO CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO. Diligência é reservada a esclarecimentos de fatos ou circunstâncias obscuras, não cabendo realizála quando visa a obtenção de informações que deviam fornecidas pelo contribuinte. PEDIDO RESSARCIMENTO. EXISTÊNCIA DO CRÉDITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. Tratandose de crédito restituição, ressarcimento ou compensação, o ônus de provar o crédito alegado é do contribuinte, que o reclama, não sendo dever da Administração Tributária produzir tal prova. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade do PIS e Cofins as indústrias de móveis têm direito a créditos sobre aquisições de materiais de embalagem, como etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço, por constituírem insumos vinculados aos produtos fabricados. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES SEM IDENTIFICAÇÃO ADEQUADA. AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO Fl. 657DF CARF MF Processo nº 13981.000098/200563 Acórdão n.º 9303005.667 CSRFT3 Fl. 657 3 COM OS BENS PRODUZIDOS. IMPOSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. A simples juntada dos documentos de aquisição, desacompanhada de uma identificação precisa dos insumos e dos valores respectivos, impede que se possa vinculálos aos bens produzidos e constitui obstáculo à apuração dos créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APROVEITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DESNECESSIDADE DE PRÉVIA RETIFICAÇÃO DO DACON. Desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. MULTA, JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO ADMITIDO. Os valores da multa, dos juros e da correção monetária, ainda que constantes da fatura de energia elétrica, não se confundem com o preço desse insumo e não dão direito a crédito na sistemática da não cumulatividade do PIS e Cofins. NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO MERCANTIL. DIREITO AO CRÉDITO CALCULADO COM BASE NAS PRESTAÇÕES MENSAIS. No regime da não cumulatividade do PIS e Cofins as indústrias têm direito a créditos calculados com base nas prestações mensais de arrendamento mercantil contratatado junto a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, exceto quando a arrendatária é optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. NÃO CUMULATIVIDADE. IMOBILIZADO UTILIZADO NA PRODUÇÃO DE ARTEFATOS DE MADEIRA. SISTEMA DE ASPIRAÇÃO E TRANSPORTE DE PARTÍCULAS. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade do PIS e Cofins as indústrias de móveis têm direito a créditos sobre aquisições de equipamentos empregados na aspiração e transporte de partículas de madeira e seus compostos, por constituírem insumos vinculados aos produtos fabricados. No recurso especial, a PFN insurgese contra a aceitação, no acórdão recorrido, de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep em relação a materiais de embalagem (etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme strech e fita de aço) e equipamentos empregados na aspiração e no transporte de partículas de madeira e seus Fl. 658DF CARF MF 4 compostos. Visando comprovar a divergência, apresentou, como paradigmas, os Acórdãos nº 310100.795 e 20312.448. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido através do despacho de fls. 548/549. E as contrarrazões da contribuinte encontramse anexadas às fls. 620/629. Cientificada, a contribuinte também apresentou recurso especial de divergência, por meio do qual alega que, em homenagem ao princípio da verdade material, deverseia ter realizado uma diligência fiscal a fim de reconhecerse o direito aos créditos glosados. Para comprovar o dissenso, alega divergência de interpretação em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 10419.436 e 10196.764. O exame de admissibilidade do recurso encontrase às fls. 633/638. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 641/645). Posteriormente, a contribuinte compareceu aos autos, informando a desistência do recurso especial e do direito relativo à matéria que dele constou. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido reconheceu o crédito da contribuição sobre as aquisições de todos os materiais destinados à embalagem dos produtos, sejam de apresentação ou mesmo de transporte, o primeiro acórdão paradigma concluiu que as embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (tais como as embalagens de apresentação: etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme strech e fita de aço), porque utilizadas após a conclusão do processo produtivo e que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (as embalagens para transporte), não geram o direito ao mesmo crédito. Contudo, divergimos da conclusão adotada no exame de admissibilidade quanto ao segundo tema proposto no recurso especial: a concessão de créditos sobre os equipamentos empregados na aspiração e no transporte de partículas de madeira e seus compostos. O motivo é o seguinte: o segundo acórdão paradigma discorreu sobre o conceito de insumos para o efeito de creditamento do PIS/Cofins no regime não cumulativo, enquanto aqui o caso é outro: o fato de os equipamentos, regularmente incluídos no ativo imobilizado da contribuinte, serem ou não utilizados no seu processo produtivo. Neste caso, como se sabe, o crédito incide sobre a respectiva taxa de depreciação, matéria que constitui fundamento legal diverso para o creditamento. Conhecido em parte, passamos à análise do mérito do litígio. Depois de longos debates, passamos a adotar, para o conceito de insumos do PIS/Cofins no regime da não cumulatividade, o entendimento hoje majoritário que, entre outras decisões, se encontra encartado no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), daí por que passamos a transcrever os seus fundamentos e adotálos como razão de decidir. Eilos: Fl. 659DF CARF MF Processo nº 13981.000098/200563 Acórdão n.º 9303005.667 CSRFT3 Fl. 658 5 A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos Fl. 660DF CARF MF 6 para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. Segundo consta dos autos, a glosa revertida pela Câmara baixa diz com as aquisições de etiquetas adesivas, chapas de papelão ondulado, cantoneiras, filme stretch e fita de aço, materiais que, a nosso sentir, embora sirvam ao transporte, constituem, sim, insumos, pois, caso não embalados corretamente, haveria evidente risco de dano aos produtos industrializados (artefatos de madeira). A propósito do tema, esta Turma de CSRF já entendeu que as embalagens destinadas a viabilizar a preservação de suas características durante o seu transporte e cuja falta pode tornálo imprestável à comercialização devem ser consideradas como insumos utilizados na produção. É o que se decidiu no julgamento consubstanciado no Acórdão nº 9303004.174, de 05/07/2016, de relatoria da il. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, assim ementado: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS A DESCONTAR. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. DIREITO AO CRÉDITO. É de se considerar as embalagens para transporte como insumos para fins de constituição de crédito da Cofins pela sistemática não cumulativa. (g.n.) No voto condutor do acórdão, a relatora reproduziu, em apoio à sua tese, aresto proferido pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, o qual abraçou idêntico entendimento: PROCESSUAL CIVIL – TRIBUTÁRIO – PIS/COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – Fl. 661DF CARF MF Processo nº 13981.000098/200563 Acórdão n.º 9303005.667 CSRFT3 Fl. 659 7 POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. Agravo regimental improvido. (g.n.) (STJ, Rel. Humberto Martins, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.125.253 SC, julgado em 15/04/2010) Ressaltamos, ainda, o fato de que a própria RFB parece indicar uma alteração de entendimento (conceito próprio da legislação do IPI), uma vez que, na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23 de agosto de 2016, após a reprodução dos atos legais e infralegais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo, concluiu que, no conceito de insumos, incluem se os bens ou serviços que "vertam sua utilidade" sobre o bem ou o serviço produzido. Confira se: 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: a) bens que: a.1) sejam objeto de processos produtivos que culminam diretamente na produção do bem destinado à venda (matériaprima); a.2) sejam fornecidos na prestação de serviços pelo prestador ao tomador do serviço; a.3) que vertam sua utilidade diretamente sobre o bem em produção ou sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço (tais como produto Fl. 662DF CARF MF 8 intermediário, material de embalagem, material de limpeza, material de pintura, etc); ou a.4) sejam consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos que promovem a produção de bem ou a prestação de serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado da pessoa jurídica (tais como combustíveis, moldes, peças de reposição, etc); b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) No caso examinado, o material de embalagem era utilizado exclusivamente no acondicionamento de portas de madeira em contêineres, portanto, não serviam à apresentação do produto, mas à preservação de suas características durante o seu transporte. É bem verdade que, mais recentemente, esta mesma Turma entendeu, pelo voto de qualidade, não haver previsão legal para o creditamento, em decisão que restou assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. IMPOSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição das embalagens de transporte. (CSRF/3ª Turma, rel. do voto vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Acórdão nº 9303005.531, de 16/08/2017) A discussão travada neste último julgamento disse com o cabimento ou não do creditamento quanto à aquisição das embalagens utilizadas no transporte de maçãs, para a preservação de suas características, do estabelecimento produtor até o seu consumidor final (sem reutilização posterior). Muito embora tenhamos acompanhado a divergência, detivemonos melhor sobre o tema e chegamos à conclusão de que, em casos tais, cabe, sim, o creditamento, porque Fl. 663DF CARF MF Processo nº 13981.000098/200563 Acórdão n.º 9303005.667 CSRFT3 Fl. 660 9 em conformidade com o critério dos "gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer para a produção de bens e serviços", porém afastamos o crédito naquelas situações em que as embalagens destinadas a viabilizar o transporte podem ser continuamente reutilizadas, como, por exemplo, os engradados de plásticos, não descartados ao final da operação. Ademais, e isso nos parece de fundamental importância, não obstante o conceito de insumos, para os fins da incidência do IPI, compreenda apenas as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem, a legislação deste imposto faz uma expressa distinção entre o que é embalagem de apresentação e o que é embalagem para o transporte, de forma que a permitir o crédito apenas sobre a aquisição da primeira, mas não da segunda, consoante preconiza do art. 3º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 4.502, de 1964 (regramatriz do IPI): Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: I o consêrto de máquinas, aparelhos e objetos pertencentes a terceiros; II o acondicionamento destinado apenas ao transporte do produto; (g.n.) Norma semelhante, contudo, não existe nos diplomas legais que disciplinam o PIS/Cofins não cumulativo. Em conclusão, e considerando tudo o que vimos de expor, alteramos os nosso entendimento para permitir o creditamento do PIS/Cofins apenas nos casos em que a embalagem de transporte, destinada a preservar as características do produto durante a sua realização, é descartada ao final da operação, vale dizer, para o casos em que não podem ser reutilizadas em operações posteriores. Ante o exposto, conheço do recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, negolhe provimento. E não conheço do recurso especial interposto pela contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 664DF CARF MF 10 Fl. 665DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002715/2006-29
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001
CONTAGEM DE DECADÊNCIA. VEDAÇÃO À LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO.
No caso destes autos, a medida judicial configurou antecipação de tutela (e não medida liminar), para a imediata restituição do direito creditório, ou sua compensação com tributos devidos pela autora da ação, estando o Fisco impedido de impor medidas ou sanções contra esses procedimentos. Não se trata, portanto, de medida judicial que apenas suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Se o Fisco está impedido de impor medidas ou sanções contra os procedimentos determinados pela justiça, o que implica no impedimento de constituir o crédito tributário "pago/extinto" nos termos da decisão judicial, não há como admitir a fluência de prazo decadencial. Uma vez afastada a decadência, os autos devem retornar ao colegiado de origem para que sejam examinadas as demais questões constantes do recurso voluntário.
Numero da decisão: 9101-002.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Guerra Macedo, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Julgamento iniciado em 04/2017 e concluído na sessão de 07/06/2017.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Guerra Macedo e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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VEDAÇÃO À LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. No caso destes autos, a medida judicial configurou antecipação de tutela (e não medida liminar), para a imediata restituição do direito creditório, ou sua compensação com tributos devidos pela autora da ação, estando o Fisco impedido de impor medidas ou sanções contra esses procedimentos. Não se trata, portanto, de medida judicial que apenas suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Se o Fisco está impedido de impor medidas ou sanções contra os procedimentos determinados pela justiça, o que implica no impedimento de constituir o crédito tributário "pago/extinto" nos termos da decisão judicial, não há como admitir a fluência de prazo decadencial. Uma vez afastada a decadência, os autos devem retornar ao colegiado de origem para que sejam examinadas as demais questões constantes do recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Guerra Macedo, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), Cristiane Silva Costa, Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Julgamento iniciado em 04/2017 e concluído na sessão de 07/06/2017. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 15 /2 00 6- 29 Fl. 915DF CARF MF Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 9101002.888 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Guerra Macedo e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do Acórdão n. 110200.063 (Efls. 769 ss.), proferido pela 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento, que – por unanimidade de votos – deu provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência a partir da aplicação da jurisprudência do STJ em recurso repetitivo que define a incidência do artigo 150, parágrafo 4o., do Código Tributário Nacional na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, com pagamento e sem dolo, fraude ou simulação. O Auto de infração foi lavrado em 05.12.2006 para a cobrança de IRPJ devido no ano calendário 2000 e 2001 e COFINS do período 02 a 06/2001, decorrentes de diferenças entre os valores contantes nos Pedidos de Compensação de Débitos com créditos de terceiros (ns. 10410.003866/200436 e10410.003915/0036) e aqueles informados em DCTF, aplicandose a multa isolada pela compensação indevida. A quem interessar uma leitura mais detalhada, segue o termo de constatação: TERMO DE CONSTATAÇÃO O contribuinte apresentou pedidos Compensação, controlados pelos processos administrativos No. 10410.003866/200436 e 10410.003915/0036, amparado em antecipação de tutela judicial em ação judicial não transitada em julgado posteriormente considerada nula desde a instrução (ação judicial No. 99.00084756 — Seção Judiciária de Alagoas), nos termos de despachos proferidos pela Delegacia da Receita Federal em Maceió e juntados aos autos, buscando utilização de crédito controlado pelo processo administrativo No. 10410.000297/0072, referente a "créditopremio de IPI" de terceiros (oriundo de Usina Taquara Lida, CNPJ 12.217.246/0001 07), para compensação de débitos tributários de sua titularidade, relativos a IPI e COFINS (processo No. 10410.003866/200436), bem como IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (processo No. 10410.003915/0036), conforme demonstrativos "Extrato de Processo" que passam a fazer parte integrante deste Termo de Constatação. Nos processos No. 10410.003866/200436 e 10410.003915/0036, que deram origem a este procedimento, constam despachos proferidos pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária DERAT em São Paulo solicitando Fl. 916DF CARF MF Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 9101002.888 CSRFT1 Fl. 4 3 constituição do crédito tributário apresentado pelo contribuinte à compensação indevida, em face de tais débitos serem considerados "não lançados", de acordo com fundamentação legal ali mencionada. 2. Crédito Tributário Indevidamente Compensado Sendo assim, há que se considerar a regulamentação expressa no texto original da Instrução Normativa SRF No. 210/2002, que consolidou os procedimentos relativos à compensação no âmbito da Secretaria da Receita Federal para pedidos apresentados antes de 31/10/2003 (edição da MP 135/2003), conforme Segue: Art. 23. Verificada a compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado deoficio nem confessado, deverá ser promovido o lançamento de oficio do crédito tributário. O crédito tributário apresentado pelo contribuinte à compensação relativo a PIS e COFINS, nos processos administrativos No. 10410.003866/200436 e 10410.003915/0036, encontrase parcialmente declarado em DCTF, havendo importâncias a este titulo registradas nestas declarações, bem como valores vinculados a compensações, embora haja divergências entre os valores encontrados. Em decorrência destas divergências, alguns valores declarados em DCTF são inferiores aos valores solicitados pelo contribuinte mediante os formulários "Pedido de Compensação de Débitos com Crédito de Terceiros" apresentados. Sendo assim, nos termos do art. 23 da IN SRF 210/2002, cabe o lançamento de oficio das diferenças apuradas, em defesa dos interesses da Fazenda Nacidnal, conforme apurado no "Demonstrativo de Diferenças Apuradas —Compensação", que passa a fazer parte integrante deste Termo de Constatação. Quanto aos valores indevidamente compensados pelo contribuinte no processo administrativo No. 10410.003915/0036 relativos a estimativas mensais de IRPJ e CSLL, há que se considerar que constituem apenas antecipações estimadas do efetivamente devido, não sendo passíveis de lançamento de oficio nesta forma. Para tanto, tornase necessário verificar o ajuste annual efetuado pelo contribuinte, no caso referente ao anocalendário 2000, e informado à Receita Federal através da Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ durante o exercício 2001. Examinandose a situação clompleta de recolhimento das estimativas apuradas pelo contribuinte em DIPJ referente ao anocalendário 2000 relativas a IRPJ e CSLL, constatase que foram feitos recolhimentos fora da data de vencimento do débito mensal, bem como que foram confirmadas algumas compensações pleiteadas pelo contribuinte, conforme extratos do sistema SIEF. Além disso, há valores de estimativas mensais liquidados através de parcelamento controlado pelo processo administrativo No 10880.010661/200217, bem como outros valores de estimativas e saldos remanescentes do parcelamento que foram incluídos no PAES, estando a conta PAES do contribuinte na situação Ativa. A situação consolidada da apuração e liquidação das estimativas mensais de IRPJ e CSLL relativas ao anocalendário 2000 referentes ao contribuinte encontrase detalhada no "Demonstrativo de Diferenças Apuradas IRPJ" e no "Demonstrativo de Diferenças Apuradas CSLL", que passam a fazer parte integrante deste Termo de Constatação. Da análise dos demonstrativos citados, concluise que o total dos créditos existentes é suficiente para guitar ou suspender por parcelamento as estimativas apuradas em DIN', apesar de persistirem diferenças entre os valores apurados ern DIPJ e os declarados em DCTF. Sendo assim, tendo em vista a ineficácia da compensação aqui tratada, e constatada diferença entre o total das estimativas apuradas a titulo de IRPJ e utilizadas em DIPJ do anocalendário 2000, e o total das estimativas a esse mesmo titulo declaradas em DCTF, deve esta diferença ser lançada de oficio no ajuste do anocalendário 2000 Fl. 917DF CARF MF Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 9101002.888 CSRFT1 Fl. 5 4 por não estar constituída. Este valor apurado através do "Demonstrativo de Diferenças Apuradas — IRPJ", que faz parte integrante deste Termo de Constatação.' Também foi verificada divergência entre o total das estimativas apuradas a titulo de CSLL e utilizadas em DIPJ do anocalendário 2000, e o total das estimativas a esse mesmo titulo declaradas em DCTF, conforme detalhado no "Demonstrativo de Diferenças Apuradas — CSLL"que faz parte integrante deste Termo de Constatação. Todavia, tal diferença já foi objeto de lançamento de oficio através de auto de infração controlado pelo processo administrativo No. 19515.002485/200606. Quanto à CSLL, é importante esclarecer que, no curso do lançamento da diferença de CSLL acima mencionada, controlado pelo processo administrativo No. 19515.002485/200606, foram considerados como recolhimentos três DARF's de estimativas de CSLL relativos ao anocalendário 2000 constantes 'dos sistemas informatizados da Receita Federal que, posteriormente, ao se analisar o processo administrativo No. 10410.003915/0036, constatouse estarem cancelados por serem decorrentes de efetivação de procedimento de compensação exigido pela tutela antecipada concedida na ação judicial No. 99.00084756 e tornada nula. Todavia, a conclusão a que se chegou naquele processo, de que a CSLL apurada pelo contribuinte por estimativa durante o anocalendário 2000 encontravase quitada ou parcelada continua válida, conforme já demonstrado através do "Demonstrativo de Diferenças Apuradas — CSLL" e esclarecido neste Termo de Constatação. Não obstante, fica desde já resguardado o direito da Fazenda Nacional efetuar o lançamento de outras diferenças que venham a ser apuradas, em decorrência de insuficiência de declaração ou de recolhimento, mesmo dentre os valores indevidamente comPensados nos processos administrativos No. 10410.003866/200436 e No. 10410.003915/0036. Ainda em tempo, analisandose os débitos de IPI apresentados à compensação pelo contribuinte no processo administrativo No. 10410.003866/200436 e constantes do demonstrativo "Extrato de Processo" correspondente ao processo aqui mencionado, que faz parte deste Termo de Constatação, constatase tratarse de débitos relativos ao estabelecimento filial do contribuinte, sob CNPJ 59.883.868/0002:00. Estes débitos não foram objeto de análise neste trabalho tendo em vista que a jurisdição do estabelecimento detentor do débito é a DRF/Guarulhos, restrngindose a presente análise aos valores de titularidade do estabelecimento matriz do contribuinte e àqueles cujo recolhimento é Centralizado na matriz por disposição legal. Cabe ressaltar que, após ter sido anulado desde a instrução o processo judicial No. 99.00084756 que havia precariamente amparado a pretensão compensatória do contribuinte, a empresa foi intimada nos processos No. 10410.003866/200436 e 10410.003915/0036 a esclarecer as diferenças observadas entre os valores constantes dos "Pedidos de Compensação de Débitos corn Crédito de Terceiros" e os valores declarados em DCTF, conforme relatado neste Termo. Não houve resposta do contribuirite a estas intimações. Dessa forma, tomandose por base exclusivamente os documentos presentes nos autos e, em especial, as informações constantes da Declaração de Informações EconômicoFiscais — DIPJ apresentada pelo contribuinte, bem como os valores informados nos formulários "Pedido de Compensação de Débitos com Crédito de Terceiros", procedese à constituição de oficio do crédito tributário decorrente de compensação indevida conforme informado pelo contribuinte, e de acordo com o "Demonstrativo de Diferenças Apuradas — Compensação" e o "Demonstrativo de Diferenças Apuradas — IRPJ" (que fazem parte integrante deste Termo de Constatação), de modo a possibilitar o prosseguimento de sua cobrança. 3. Multa Isolada por Compensação Indevida Fl. 918DF CARF MF Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 9101002.888 CSRFT1 Fl. 6 5 De acordo corn despachos Proferidos pela Delegacia da Receita Federal em Maceió, no âmbito dos processos administrativos No. 10410.003866/200436 e 10410.00391 /0036, cujo interessado é o contribuinte, temse: Trata o presente processo de pedido de compensação com crédito de terceiro, conforme consta à folha 02/ 01 03 e 04. A empresa USINA TAQUARA LIMITADA, CNPJ n. 12.217.246/000107, cedente do crédito, obteve antecipação de tutela, através de Ação Ordinária no processo no. 99.00084756, Crédito Premio IPI, DL 491/69, Art. 1 °., em tramitação na 3a. Vara da Seção Judiciaria de Alagoas, em 27/10/1999 (..). Em 06/04/2006 — ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, em que são partes as acima especificadas, DECIDE a Segunda Turma do Tribunal Regiona Federal da 5a. Região, por maioria, decretar a nulidade do processo a partir da instrução e, por unanimidade, revogar a antecipação de tutela, cassando os DCC's já expedidos, nos termos do voto condutor e notas taquigraficas constantes dos autos (..). Pela transcrição acima, constatase que: a) A tentativa de compensação pleiteada pelo contribuinte, protocolizada em 24/08/2001 (débitos do processo No. 10410.003866/200436) e em 04/09/2000 (débitos do processo No. 10410.003915/0036), baseouse em crédito de terceiro, cuja utilização em compensação tributária foi vedada expressamente pela Instrução Normativa SRF 41, de 07/04/2001, expedida sob autorização legal expressa dada pelo art. 74 da Lei 9430/1996 (texto original), tendo o contribuinte mantido sua pretensão compensatória em caráter precário apesar da vedação expressa expedida. b) Também baseou o pedido de compensação do contribuinte em decisão judicial proferida em ação judicial que: até 03/08/2004, não estava transitada em julgado, tendo sido a ação judicial decretada nula desde a instrução processual, violando o disposto no art. 170A da Lei 5.172/1966 (CTN), que veda a compensação de tributo discutido judicialmente antes do trânsito em julgado da ação. c) Por último, o fundamento do crédito referese ao chamado "créditoprêmio de IPI", estabelecido pelo DL 491/1969, art. 1 °. Todavia, referido dispositivo foi expressamente alterado pelos DL's 1722/1979, 1724/1979 e 1784/1981, este ultimo autorizando o Poder Executivo a estipular a forma e o prazo para utilização deste beneficio, ou mesmo extinguilo. Em decorrência desta autorização legal, a Portaria MF No. 176/1984 fixou em 01/05/1985 a data de extinção do "créditoprêmio de IPI", restando vedada sua utilização desde então. Sendo assim, uma vez formalizado o pedido de compensação através do formulário "Pedido de Compensação de Débitos com Créditos de Terceiros", constatase que, por todos os motivos acima esclarecidos, a tentativa de compensação do contribuinte se deu com a utilização de crédito que não é passível de compensação por expressa disposição legal, conforme tipificado no art. 18, caput e §2°., da Lei; 10.833/2003, ausente quaisquer efeitos da tutela judicial provisória obtida em face de ter sido considerada nula a ação judicial desde sua instrução inicial. Cabe esclarecer que, na época de protocolização do Pedido de Compensação aqui analisado, encontravase vigente o artigo da MP 215835/2001. Todavia, a Lei 10.833/2003, em seu art. 18, restringiu a aplicação do art. 90 da MP 215835 apenas ao lançamento da multa isolada nos casos em que menciona, dentre eles aquele em que o crédito pleiteado pelo contribuinte não seja passível de compensação por expressa disposição legal, hipótese em que se enquadra o caso sob análise, dispensadose a constituição de crédito tributário quando o mesmo já estiver lançado de oficio ou confessado em DCTF. Fl. 919DF CARF MF Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 9101002.888 CSRFT1 Fl. 7 6 (…) 4. Conclusão Destaquese que, em decorrência da tutela antecipada proferida na ação judicial No. 99.0008475 6, posteriormente considerada nula, a União viu restringido seu poder de fiscalização da compensação pleiteada pelo contribuinte, sendo compelida a expedir os documentos que atestassem a compensação, em conseqüencia, a considerar liquidados os débitos apresentados indevidamente à compensação pelo contribuinte. Sendo assim, apenas após decretação de nulidade da ação judicial foi restaurado o poder fiscalizador da União, passando, então, a ser possível a constituição do crédito tributário, o que ocorreu em 06/04/2004 de acordo com despacho da Delegacia da Receita Federal em Maceió — AL. Além disso, quanto aos débitos de IRPJ, cabe esclarecer que o retrato completo da apuração do imposto relativo ao anocalendário 2000 efetuada pelo contribuinte foi dado a conhecer à Receita Federal apenas a partir da entrega da DIPJ, durante o ano de 2001, sem esquecer da limitação do poder de agir imposta por tutela judicial que também se aplicou ao IRPJ indevidamente compensado. E, para constar e surtir efeitos legais, lavro o presente Termo de Constatação em três vias, que passam a fazer parte integrante do auto de infração lavrado contra o contribuinte em relação aos fatos aqui narrados.” Insurgindose contra o lançamento, a recorrida apresentou Impugnação Administrativa (Efls. 256 ss.) defendendo, preliminarmente, (a) a decadência do direito de constituição dos créditos e (b) a nulidade da autuação, porque informa que o contribuinte não teria respondido às intimações da fiscalização, quando na verdade o teria feito, mas suas manifestações ainda não haviam sido apreciadas. Com relação ao mérito, explicou que (c) a diferença encontrada teria sido devidamente paga, conforme comprovante de arrecadação; (d) a diferença entre o créditos pleiteados no pedido de compensação com créditos de terceiro e o declarados na DCTF significaria que não utilizou todos os créditos do pedido de compensação; e (e) a multa isolada não se aplicaria ao caso, pois, nos termos do art. 18 da Lei n. 10.833/2003, seria necessário que se caracterizasse as infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64. O posicionamento da Administração Tributária, no entanto, foi mantido por unanimidade pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, em decisão assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, apurado com base nas regras do lucro real anual ou mensal, inserese no rol dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Entretanto, não ocorrido o pagamento de imposto, o prazo decadencial contase na forma do art. 173, I, do CTN. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa se o Auto de Infração contém todos os requisitos formais, mormente quando a contribuinte revela conhecer plenamente as acusações Fl. 920DF CARF MF Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 9101002.888 CSRFT1 Fl. 8 7 que lhe foram imputadas, rebatendoas uma a uma, até mesmo levantando questões preliminares. DÉBITOS INFORMADOS EM COMPENSAÇÃO. Débitos informados em pedidos de compensação anteriores à Lei n° 10.833/03 não se constituem em confissão de dívida, sendo passíveis de lançamento de ofício as diferenças porventura não informadas em DCTF. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TACITA Não é aplicável o instituto da homologação tácita quando o crédito objeto da pretendida compensação se refira a crédito de terceiros, baseado em ação judicial não transitada em julgado ou "credito prêmio" do IPI, entre outras hipóteses. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda constituir seus créditos relativamente as contribuições sociais extinguese com o prazo de 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia constituir os créditos. ASSUNTO: MULTA ISOLADA Aplicase a multa isolada sobre o total dos débitos compensados quando o crédito se respalde em decisão judicial não transitada em julgado, quando se refira a "créditoprêmio" do IPI ou a créditos de terceiros, entre outras hipóteses expressas na lei. Lançamento Procedente” Em face dessa decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (Efl. 545 ss.), basicamente desenvolvendo a mesma linha de argumentos deduzidos na impugnação administrativa apresentada. Por unanimidade de votos, o Acórdão n. 110200.063 (Efl. 769) deu provimento ao recurso da contribuinte, para reconhecer a decadência a partir da aplicação da jurisprudência do STJ em recurso repetitivo que define a incidência do artigo 150, parágrafo 4o., do Código Tributário Nacional na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, com pagamento e sem dolo, fraude ou simulação. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração (E fls. 784 ss.) defendendo que a recorrida aderiu em 07/08/2002 ao parcelamento instituído pela Lei n.10.684, de modo que a confissão dos débitos afastaria a necessidade de sua constituição de oficio e, por conseguinte, a decadência dos créditos confessados. Inconformada com a oposição dos embargos, a contribuinte protocolizou petição (Efls. 794 ss.) defendendo que (a) não poderiam ser admitidos porque manifetamente protelatórios, sem comprovar os requisitos da omissão, contradição ou obscuridade e que (b) embora tenha aderido ao programa de parcelamento, não incluiu qualquer dos débitos em dicussão neste processo administrativo e, portanto, não confessou Fl. 921DF CARF MF Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 9101002.888 CSRFT1 Fl. 9 8 os débitos, demandando o lançamento de ofício, que não poderia ser feito em razão da decadência. Nesse mesmo sentido, os embargos foram rejeitados (Efls. 825 ss.). Na sequência, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial sustentando que apenas pôde constituir o crédito tributário em 06.04.2004, depois de decretada a nulidade da ação judicial, quando então restaurado o poder fiscalizador da União, o que afastaria a decadência identificada. O Recurso Especial foi recepcionado por Despacho de Admissibilidade (Efls. 866 ss.) que considerou não ser o caso de aplicação da Súmula CARF n. 48, porque a sentença judicial teria impedido a constituição do crédito e que seriam suficientes os dois paradigmas apresentados para a demonstração da divergência. A contribuinte apresentou contrarrazões (Efl. 893), nas quais apontou, (a) a inadmissibilidade do recurso especial por contrariar a Súmula n. 48 (b) necessidade de aplicação obrigatória da decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp n. 973.733, na sistemática dos recursos repetitivos, em função do que determina o artigo 62 do Regimento Interno do CARF, para o reconhecimento da decadência, e, sendo o caso, (c) devolução dos autos à instância a quo para julgamento em relação à multa isolada. Passase, então, à apreciação do recurso. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora PRELIMINARES Tempestividade do Recurso Especial Anteriormente à análise do mérito, verificarseá a tempestividade do recurso e o preenchimento dos requisitos para o seu conhecimento. Consta na efl. 828 (a) Despacho de Encaminhamento para a intimação da PGFN em 21.02.2014 e certidão de juntada do Recurso Especial pelo Procurador em 24.02.1014 na efl. 829 ss. Desse modo, contandose o prazo de 15 dias (cf. artigo 68 do Regimento Interno) da intimação ocorrida 30 dias após o recebimento dos autos por meio digital (v. artigo 79, parágrafo segundo), considerase o presente recurso tempestivo. Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois Fl. 922DF CARF MF Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 9101002.888 CSRFT1 Fl. 10 9 primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, (1) na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (i) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (ii) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; (iii) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF; ou (2) de sua interposição, tenha sido reformado na matéria que aproveitaria ao recorrente. Pois bem, voltandose ao caso concreto, no intuito de afastar a decisão a quo que declarou a decadência do direito de constuição dos créditos tributários, verificase que a Fazenda Nacional sustenta que apenas pôde fazelo em 06.04.2004, depois de decretada a nulidade de ação judicial, quando então restaurado o poder fiscalizador da União. Vejase a conclusão obtida no recurso: “Temos, portanto, que a divergência entre o r. acórdão desafiado e o paradigmas reside nos efeitos da decisão judicial em relação à decadência. No ver do r. acórdão desafiado, a decisão judicial não impedia a constituição de ofício do crédito tributário. Por conseguinte, continuava a fluir o prazo decadencial. De outra banda, os r. paradigmas entendem que havendo ordem judicial que, de qualquer forma, obstaculize a atuação do Fisco resta impedido de fluir o prazo de decadência.” Para corroborar o seu entendimento, trouxe a seguinte jurisprudência: “PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CAUSA SUSPENSIVA CONSISTENTE EM LIMINAR ANTECIPATÓRIA CONCEDIDA EM MANDADO DE SEGURANÇA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 151, IV, DO CTN. 1. À luz das hipóteses enumeradas no artigo 151 do CTN é possível entrever que há causas suspensivas que antecedem à constituição do crédito tributário pelo lançamento e outras que o encontram constituído. 2. Em qualquer caso, emitida a ordem judicial suspensiva não é lícito à Administração Tributária proceder a qualquer atividade que afronte o comando judicial, sob pena de cometimento do delito de desobediência, hodiernamente consagrado e explicitado no art. 14, VI e parágrafo único Código de Processo Civil. 3. É vedado à Administração agir com desconsideração ao provimento liminar e com desprezo pelo Poder Judiciário sob o argumento de que a decisão liminar não corresponde ao trânsito em julgado da decisão final, porquanto esse argumento sofismático implica negar eficácia à antecipação da tutela que é autoexecutável e mandamental. 4. Exsurgindo a suspensão prevista no art. 151, IV, do CTN no curso do procedimento de constituição da obrigação tributária, o que se opera é o Fl. 923DF CARF MF Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 9101002.888 CSRFT1 Fl. 11 10 "impedimento à constituição do crédito tributário". 5. O Judiciário ao sustar a exigibilidade do crédito tributário tanto pode endereçar a sua ordem à que não se constitua o crédito, posto do seu surgimento gerar ônus ao contribuinte até mesmo sob o ângulo da expedição de certidões necessárias ao exercício de atividades laborais, como também vetar a sua cobrança, ainda que lançado o tributo previamente à ordem. 6. Prosseguir na atividade constitutiva do crédito tributário, suspensa a sua exigibilidade por força de liminar judicial, caracteriza, inequivocamente, o que a doutrina do tema denomina de Contempt of Court, por influência anglosaxônica, hodiernamente verificável nos sistemas do civil law. 7. Precedente. 8. Recurso especial conhecido e improvido. (REsp 453762/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/06/2003, DJ 17/11/2003, p. 205)” A fim de afirmar essa posição e demonstrar a divergência em relação ao acórdão recorrido, apresentou os seguintes paradigmas: “CSLL DECADÊNCIA VEDAÇÃO A LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. Tendo a contribuinte impetrado ação anulatória de débito fiscal, e tendo o auto de infração sido declarado nulo, em razão da decisão de que emitida ordem judicial suspensiva não é lícito à Administração Tributária proceder a qualquer atividade que afronte o comando judicial, há nessa situação, a suspensão da possibilidade do fisco realizar novo lançamento, até o trânsito em julgado da decisão. Rejeita se a preliminar de decadência.’ ACÓRDÃO Nº 10709.274” “IRPJ — DECADÊNCIA — VEDAÇÃO A LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO a decisão judicial concessiva de tutela antecipada com a finalidade de proteger a contribuinte para que não sofra autuação do fisco, introduz norma jurídica concreta e geral no sistema jurídico que atribui direitos ao contribuinte e deve ser respeitada por todos. Essa norma deve ser considerada na construção da norma de competência administrativa que autoriza a lavratura do auto de infração. Quando a autoridade judicial veda a possibilidade da lavratura do auto de infração pelos agentes fiscais diante de situação concreta prevista na norma geral e abstrata, há suspensão da possibilidade de o Fisco realizar o lançamento.’ ACÓRDÃO CSRF/0105.680” O racional que se infere da linha de defesa da Recorrente é que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário por medida liminar impede a constituição do crédito tributário, interrompendo o prazo de contagem da decadência. Ocorre que esse posicionamento vai de encontro à Súmula Carf n. 48 que dispõem que a “suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração.” É preciso esclarecer que, olhandose para os paradigmas, podese extrair que se está diante de uma discussão em torno de medida liminar que expressamente impede a constituição do crédito tributário. Porém, voltandose para a decisão concreta que apenas consigna o seu intuito de “impedir que o fisco imponha medidas ou sanções prematuras” não se vê ordem direta contra a constituição do crédito, o que levaria à linha geral de que a Fl. 924DF CARF MF Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 9101002.888 CSRFT1 Fl. 12 11 concessão liminar teria esse condão, de encontro à Súmula n. 48 do CARF e à legislação que determina tal providência pelo fisco a fim de prevenir a decadência. Assim sendo, (i) violase o citado artigo 67 do Regimento Interno que determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Além disso, (ii) verificase que a matéria objeto do recurso não foi prequestionada – até o recurso voluntário certamente porque não lhe havia interesse, uma vez que a decisão da DRJ lhe tinha sido favorável. No entanto, como o acórdão recorrido que reconheceu a decadência não tratou da questão, até se poderia defender o cabimento de contrarrazões para provocar o pronunciamento sobre a matéria que já poderia ter sido aventada pela Recorrente ou embargos declaratórios com a finalidade de prequestionar, mas, embora tenha opostos embargos, a Fazenda valeuse de outro fundamento, não mencionando a questão da suspensão da exigibilidade impedir a constituição do crédito. Por essas duas razões, VOTASE POR NÃO CONHECER o recurso. MÉRITO Considerando a hipótese de restar vencida na análise do conhecimento do Recurso Especial, demarcase que seu objeto referese ao afastamento da decadência reconhecida pelo acórdão recorrido n. 110200.063, em modificação à decisão proferida em primeira instância, que havia mantido o lançamento realizado. Nesse julgamento, a 2a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento deu provimento por unanimidade de votos ao recurso voluntário para aplicar a decisão do STJ em recurso repetitivo que define a incidência do artigo 150, parágrafo 4o., do Código Tributário Nacional na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, com pagamento e sem dolo, fraude ou simulação. Primeiramente, vêse que, diante do referido acórdão, a Recorrente opôs Embargos de Declaração com uma linha de defesa de que a contribuinte teria aderido a programa de parcelamento de débitos, cuja consequência seria a sua confissão, afastandose assim a necessidade de constituílos de oficio e, por consequência, a decadência. Os embargos de declaração foram rejeitados. A Fazenda Nacional então interpôs o Recurso Especial com outra linha de argumentação, expondo que, por força da existência de liminar que suspendia a exigibilidade de crédito, o seu poder fiscalizatório estaria interrompido e os créditos tributários somente poderiam ser constituídos depois de sua cassação, o que deslocaria o termo de início de contagem do prazo decadencial. Como a questão do parcelamento não foi devolvida a este julgamento, uma vez que só tratada em embargos declaratórios e que foram rejeitados, cabe a este exame o pronunciamento sobre a possibilidade de constituição do crédito tributário sob a vigência de medida liminar e, via de consequência, a respeito da decadência ter se operado. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 9101002.888 CSRFT1 Fl. 13 12 Com efeito, num primeiro instante e numa visão mais teórica, causa estranheza dizerse, como fez o Código Tributário Nacional, que a medida liminar suspende a exigibilidade do crédito, se este ainda não foi constituído. Apropriadamente, pois, entendese que a decisão judicial obstacularia a sua constituição, o que, de outro lado, impediria que o Estado exercesse um direito de lançamento do tributo, por força alheia à sua vontade e diante de uma decisão provisória, muitas vezes operandose a decadência. Para operacionalizar a questão e evitar esse tipo de ocorrência, a legislação previu a possibilidade de lançamento de ofício, sob a égide de liminar, com o intuito de prevenir a decadência. Isso prevalece, salvo decisão judicial expressa que impeça a constituição do crédito pela Fazenda durante a sua vigência, e é o que se precisa avaliar em cada caso, como neste em julgamento, que teve a seguinte ordem: “(...) Em 27/10/1999, em decisão de 1ª instância, fundamentada no créditoprêmio (art. 1° do DL 491169), concedeu ‘a antecipação da tutela requerida, para autorizar a imediata restituição do crédito, corrigido monetariamente e acrescido dos juros legais, determinandose à ré que em cumprimento do disposto nos artigos 5º, 12 e 15 da Instrução Normativa nº 21, de 10/03/97, admita o pagamento pela autora, sob a forma de compensação, de tributos por ela devidos ou que venha a dever, acrescido de juros legais e correção monetária e que os créditos referidos da autora, para impedir que o fisco imponha medidas ou sanções prematuras, permitindo aproveitar seus créditos de IPI, lançandos em sua conta gráfica para compensálos com as saídas tributadas pelo IPI ou com outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (...)” Aqui, muito embora não se possa negar que a decisão judicial trouxe o trecho “impedir que o fisco imponha medidas ou sanções prematuras”, também se vê diante de uma afirmação com uma vagueza capaz de aumentar o espectro das “interpretações possíveis”. E se a regra é a constituição do crédito para prevenir a decadência, pensase que a vedação a esse ato deveria ser contundente ou, não se valendo a Fazenda Nacional dos expedientes disponíveis para aclarar a decisão, a ela competiria o lançamento para a prevenção da decadência. Imaginase que essa linha interpretativa de que havia medida judicial que impedia a constituição do crédito nem guardava grande força, quando se vê que a partir do reconhecimento da decadência pelo colegiado a quo a Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios para sustentar que não precisava constituir o crédito tributário de ofício porque isso já havia ocorrido quando da adesão da empresa ao programa de parcelamento. Assim sendo, compreendendose que a decisão liminar em questão não impediu expressamente a constituição do crédito tributário ou, se deixou margem a dúvidas, caberia o lançamento para a prevenção de decadência, de modo que sem essa providência devese aplicar o artigo 150, parágrafo 4o. do Código Tributário Nacional, considerando que o Auto de infração foi lavrado em 05.12.2006 para a cobrança de IRPJ devido no ano calendário 2000 e 2001 e COFINS do período 02 a 06/2001. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 9101002.888 CSRFT1 Fl. 14 13 Nessa linha, conforme determinação do artigo 62 do Regimento Interno aplicase a decisão do STJ na sistemática do recurso repetitivo no Recurso Especial n. 973.733/SC, de 12.08.2009, abaixo transcrito: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÁO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, sç 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.I42/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3' ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o 'primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, ,sç 4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3" ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amara, "Direito Tributário Brasileiro", 10" ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3" ed., Max Limonad, Sao Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (I) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de oficio substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do Fl. 927DF CARF MF Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 9101002.888 CSRFT1 Fl. 15 14 CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEC:4'0 do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr.Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon e Francisco Falcão votaram coin o Sr. Ministro Relator.” Por essa razão, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial, mantendose a decisão a quo e a extinção do crédito tributário em função da decadência, ressalvandose que, se vencida, entendo pela necessidade de retorno para a turma a quo julgar as demais questões. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araújo Redator Designado Em que pesem as razões de decidir da eminente relatora, peço vênia para dela divergir tanto em relação à preliminar de não conhecimento do recurso, como também quanto ao mérito da matéria trazida pela recorrente. Importante esclarecer desde já que não está em questão a definição da regra decadencial em si, ou seja, se o prazo deveria ser contado pela regra do art. 150, §4º, ou do art. 173, I, do CTN. É que o acórdão recorrido, observando decisão do STJ na sistemática dos recursos repetitivos (Resp nº 973.733/SC), aplicou a regra do art. 150, §4º, do CTN, entendendo que havia pagamento parcial, uma vez que "a autoridade lançadora, na tabela de fls. 178, aponta pagamentos através de parcelamento e DARF", e não houve alegação de divergência em relação a isso. A divergência apontada pela PGFN diz respeito especificamente à definição do termo inicial da decadência nos casos em que há decisão judicial que cria óbice à atuação do Fisco. No entendimento da PGFN, apenas após a decretação da nulidade da ação judicial foi restaurado o poder fiscalizador da União, passando, então, a ser possível a constituição do crédito tributário, o que ocorreu em 06/04/2004. Em seu recurso, a PGFN argumenta que inexiste dúvida sobre o impedimento da fluência do prazo decadencial na vigência da decisão judicial, pois o MM Magistrado tanto ordenou que o Fisco admitisse a compensação, quanto vedou que fosse imposta sanção em face daquela compensação, de modo que os créditos tributários não estariam decaídos na data do lançamento, em 05/12/2006. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 9101002.888 CSRFT1 Fl. 16 15 Neste caso, a preliminar de não conhecimento do recurso está bastante relacionada às questões de mérito. Ambos dependem de como se compreende o alcance da decisão judicial, o seu efeito sobre a possibilidade de atuação do Fisco. Percebo uma certa contradição no voto da relatora em relação à preliminar. É que, mesmo afirmando que os paradigmas tratavam de "discussão em torno de medida liminar que expressamente impede a constituição do crédito tributário", ela entendeu que esses paradigmas afrontavam a Súmula CARF nº 48 (que, diferentemente, trata de casos em que a medida judicial apenas suspende a exigibilidade do crédito tributário). Não se pode negar conhecimento ao recurso com esse argumento de que os paradigmas afrontam a Súmula CARF nº 48, porque os paradigmas tratam justamente de situação em que a súmula não é aplicada, quando a ordem judicial expressamente impede a constituição do crédito tributário. O que importa para o exame da preliminar é verificar se a medida judicial tratada nestes autos se assemelha às examinadas pelos paradigmas, ou se ela é semelhante às medidas liminares que apenas supendem a exigibilidade do crédito. Somente nessa segunda opção é que se poderia invocar a Súmula CARF nº 48, não para demonstrar a imprestabilidade dos paradigmas (pela desatualização de sua tese), mas sim para abrigar nela, na referida súmula, o acórdão recorrido. A conclusão sobre esse ponto, como dito acima, faz com que o julgamento da preliminar praticamente se confunda com o julgamento de mérito do presente recurso. No caso destes autos, a medida judicial configurou antecipação de tutela (e não medida liminar), para a imediata restituição do direito creditório, ou sua compensação com tributos devidos pela autora da ação, estando o Fisco impedido de impor medidas ou sanções contra esses procedimentos. Não se trata, portanto, de medida judicial que apenas suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. A situação é semelhante à dos paradigmas, porque o Fisco estava impedido de "impor medidas ou sanções", incluindose aí o principal ato que é normalmente por ele praticado, o ato de lançamento. A semelhança com os paradigmas enseja o conhecimento do recurso. A relatora também defendeu o não conhecimento do recurso por ausência de prequestionamento, mas o argumento é equivocado. Primeiro, porque o prequestionamento configura requisito para os recursos especiais interpostos pelos contribuintes, e não pela Fazenda Nacional, o que, aliás, está expressamente previsto no §5º do art. 67 do RICARF. Não bastasse isso, vêse que essa questão do óbice judicial para o lançamento está colocada desde o início pela própria Fiscalização (Termo de Constatação Fl. 929DF CARF MF Processo nº 19515.002715/200629 Acórdão n.º 9101002.888 CSRFT1 Fl. 17 16 fls. 169), e que o voto que orientou o acórdão recorrido tratou expressamente dela, transcrevendo, inclusive, o Termo de Constatação na parte acima referida. Ainda que prescindível, a ocorrência de prequestionamento está bastante evidente. Em relação ao mérito, não há muito o que acrescentar. Se o Fisco está impedido de impor medidas ou sanções contra os procedimentos determinados pela justiça, o que implica no impedimento de constituir o crédito tributário "pago/extinto" nos termos da decisão judicial, não há como, nessa situação, admitir a fluência de prazo decadencial. No caso dos autos, o Fisco somente pode constituir o crédito tributário após ser ultrapassado o óbice judicial, o que ocorreu em 06/04/2004. Assim, na data do lançamento, em 05/12/2006, não há que se falar em decadência dos créditos tributários. Desse modo, voto no sentido de CONHECER do recurso especial da PGFN, e, no mérito, voto para DARLHE PROVIMENTO, afastando a decadência e determinando o retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 930DF CARF MF
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Numero do processo: 12269.002939/2008-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 21/07/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.187
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício Fl. 127DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2402-004.394, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 4ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Trata-se de Auto de Infração - AI por descumprimento de obrigação acessória lavrado sob DEBCAD n° 37.151.387-1, em 15/07/2008 no Código de Fundamento Legal -CFL 68, relativo às competências 05/2005 a 12/2006, por infração ao disposto no art. 32, IV, § 5° da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, em razão de a empresa ter informado em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Foi imputada a penalidade administrativa no valor de R$ 122.013,19 (cento e vinte e dois mil, e treze reais e dezenove centavos), nos termos do art. 32, § 5° da Lei 8.212/1991 c/c art. 284, II, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social. O Contribuinte apresentou impugnação, às fls. 21/26. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, às fls. 62/66, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário em parte, com a multa retificada para R$ 122.013,19. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 73/75, sob os seguintes fundamentos: 1. Mesmo que se aceitasse a tese da senhora fiscal, a compensação requerida é possível, na medida em que é repudiado o enriquecimento sem causa, flagrante no caso em análise; 2. No A.I., apesar das afirmações dos senhores julgadores de que se trata de punição por informações incorretas, também neste A.I. está a Receita Federal cobrando os valores referentes as contribuições não informadas, portanto cabe no caso a compensação destes valores com os valores que estão lançados na conta corrente do contribuinte; 3. Uma análise pouco aprofundada na conta corrente do recorrente, na data em que lavrado o A.I., mostra a existência de valor superior a R$ 50.347,91 (cinquenta mil trezentos e quarenta e sete reais e noventa e um centavos) pagos e lançados na conta do contribuinte ora recorrente; 4. Assim, se descontados estes valores, retroativamente, e descontarmos proporcionalmente a multa aplicada e os juros impostos, o auto de infração, ora abjurado, reduz-se a números absurdamente baixos. Na realidade, o auto de infração, se torna insubsistente, merecendo ser anulado totalmente; Por fim, a Recorrente requereu o cancelamento do débito fiscal ou, alternativamente, a compensação dos valores lançados em sua conta corrente com os valores do auto de Infração ora atacado. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 12269.002939/2008-11 Acórdão n.º 9202-006.187 CSRF-T2 Fl. 10 3 A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 80/87, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para que seja recalculada a multa aplicada na obrigação acessória, se mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/1991, nos termos do voto. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 21/07/2008 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. LEGISLAÇÃO POSTERIOR. MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplica- se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Às fls. 88/100, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial em relação à regra aplicável à multa mais benéfica ao contribuinte. Consignou, inicialmente, que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que hora se reporta, isso porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração, por descumprimento de obrigação acessória, qual seja, apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em que também se lavrou NFLDs em decorrência da mesma ação fiscal. Quanto a divergência, o colegiado a quo entendeu que, por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o art. 32-A da Lei 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Contrariamente, o acórdão paradigma considerou ser legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35-A da Lei 8.212/91, em situação análoga a presente, por entender que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o art. 32-A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem. Às fls. 115/116, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre a retroatividade benigna. Intimado por Edital, à fl. 124, o Contribuinte restou inerte, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes - Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Trata-se de Auto de Infração - AI por descumprimento de obrigação acessória lavrado sob DEBCAD n° 37.151.387-1, em 15/07/2008 no Código de Fundamento Legal -CFL 68, relativo às competências 05/2005 a 12/2006, por infração ao disposto no art. 32, IV, § 5° da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, em razão de a empresa ter informado em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Foi imputada a penalidade administrativa no valor de R$ 122.013,19 (cento e vinte e dois mil, e treze reais e dezenove centavos), nos termos do art. 32, § 5° da Lei 8.212/1991 c/c art. 284, II, e art. 373 do Regulamento da Previdência Social. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante a retroatividade benigna. Cinge-se a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, Fl. 130DF CARF MF Processo nº 12269.002939/2008-11 Acórdão n.º 9202-006.187 CSRF-T2 Fl. 11 5 conforme consta do Acórdão nº 9202-004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcreve-se: AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - MULTA - APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - COMPARATIVO DE MULTAS - APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32-A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35- A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5 o , ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35-A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5 o , ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35-A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35-A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de Fl. 131DF CARF MF 6 2009), tenham sido aplicadas isoladamente - descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal - deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcreve-se excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202-004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavrava-se em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito - NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa - art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32-A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 o deste artigo. § 1 o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2 o Observado o disposto no § 3 o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3 o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 132DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8212cons.htm#art32a. Processo nº 12269.002939/2008-11 Acórdão n.º 9202-006.187 CSRF-T2 Fl. 12 7 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35-A que dispõe o seguinte, “Art. 35-A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica-se o disposto no art. 44 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplica-se multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão leva-nos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, refere-se a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais - NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal - AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32-A. Fl. 133DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8212cons.htm#art35a. 8 No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observe-se que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 - que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº Fl. 134DF CARF MF Processo nº 12269.002939/2008-11 Acórdão n.º 9202-006.187 CSRF-T2 Fl. 13 9 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput dar-se-á por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo dar-se-á: I - mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II - de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrar-se em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 135DF CARF MF 10 § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os não-impugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35- A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitar-se-á àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 136DF CARF MF Relatório Voto
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Numero do processo: 12585.000283/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para ciência ao contribuinte do resultado da diligência. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Roberto Quiroga Mosquera, OAB-SP 83755, escritório Mattos Filho Advogados..
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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