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Numero do processo: 10166.722376/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AFERIÇÃO INDIRETA DA BASE DE CÁLCULO. CABIMENTO.
Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
A aferição indireta será utilizada se os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outros documentos de que disponha a fiscalização que revelem a impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos.
PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Considera-se não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º, DO CTN. SÚMULA CARF nº 99.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo Contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no Lançamento. Súmula CARF nº 99.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social.
MULTA. AUTO DE INFRAÇÃO. CONFISCO. INCOMPETENCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 02
Foge à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para acatar a homologação tácita do crédito tributário até a competência de 02/2007, inclusive, na forma do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional; Para que a multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.316.473-4, Código de Fundamento Legal 68, seja recalculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, e para que a multa de mora aplicada no Auto de Infração de Obrigação Principal, na competência 11/2008, obedeça às disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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CABIMENTO. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A aferição indireta será utilizada se os documentos expedidos pelo sujeito passivo não merecerem fé em face de outros documentos de que disponha a fiscalização que revelem a impossibilidade de execução do serviço contratado, tendo em vista o número de segurados constantes em GFIP ou folha de pagamento específicas, mediante confronto desses documentos com as respectivas notas fiscais, faturas, recibos ou contratos. PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, §4º, DO CTN. SÚMULA CARF nº 99. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência da norma tributária prevista no art. 150, §4º do CTN. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no §4° do art. 150 do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 23 76 /2 01 2- 81 Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo Contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no Lançamento. Súmula CARF nº 99. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PAGA EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores auferidos por segurados obrigatórios do RGPS a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando pagos ou creditados em desconformidade com a lei específica, integram o conceito jurídico de Salário de Contribuição para todos os fins previstos na Lei de Custeio da Seguridade Social. MULTA. AUTO DE INFRAÇÃO. CONFISCO. INCOMPETENCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 02 Foge à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.422 3 ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para acatar a homologação tácita do crédito tributário até a competência de 02/2007, inclusive, na forma do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional; Para que a multa aplicada no Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.316.4734, Código de Fundamento Legal 68, seja recalculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, e para que a multa de mora aplicada no Auto de Infração de Obrigação Principal, na competência 11/2008, obedeça às disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Data da lavratura dos Autos de Infração: 29/03/2012. Data da Ciência dos Autos de Infração: 31/03/2012. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão de Primeira Instância Administrativa proferida pela DRJ/POA pelo Sujeito Passivo do crédito tributário aviado nos Autos de Infração de Obrigação Principal nº 37.316.4742, 37.316.4750 e 37.316.4769, consistentes em contribuições previdenciárias a cargo de segurados obrigatórios do RGPS e da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 100/111. Integra ainda o presente lançamento o crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.316.4734, CFL 68, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter apresentado GFIP contendo informações incorretas ou omissas. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec. 4.729, de 09/06/2003. Informa a Autoridade Lançadora, as contribuições sociais ora lançadas incidem sobre as remunerações pagas a empregados, transportadores autônomos e a contribuintes individuais, não declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), no período de 01/2007 a 12/2008, estando subdivididas conforme os seguintes Autos de Infração: · Auto de Infração Debcad nº 37.316.4742: abrange a contribuição a cargo da empresa e a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados a serviço da empresa fiscalizada, relativas ao período de 01/2007 a 12/2008. Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.423 5 · Auto de Infração Debcad nº 37.316.4750: abrange a contribuição previdenciária devida pelos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2007 a 12/2008. · Auto de Infração Debcad nº 37.316.4769: abrange a contribuição destinada a Terceiros, assim entendida como outras Entidades e Fundos (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE) incidente sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados, no período de 01/2007 a 12/2008. O Auto de Infração Debcad nº 37.316.4734 decorre do descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, inciso IV, § 5º da Lei nº 8.212/1991 e alterações posteriores (Lei nº 9.528/1997) e no art. 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, republicado no DOU em 12/05/1999 e alterações posteriores. Segundo o Relatório Fiscal o sujeito passivo não incluiu nas GFIP todos os dados correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, não tendo declarado os valores relativos a fatos geradores incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, transportadores autônomos e contribuintes individuais, no período de 01/2007 a 10/2008, conforme demonstrativo de fls. 383. Esta infração é identificada nos sistemas informatizados desta Instituição sob o Código de Fundamento Legal CFL nº 68. Foi aplicada multa no valor de R$ 711.532,80 (setecentos e onze mil, quinhentos e trinta e dois reais e oitenta centavos), conforme fls. 96 do Relatório Fiscal. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 1715/1735 e anexos de fls. 1736/2293. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1048.422 6ª Turma DRJ/POA, a fls. 2297/2331, julgando procedente em parte o lançamento, para dele fazer excluir, exclusivamente, fatos geradores lançados em duplicidade, e retificando o crédito tributário na forma exposta no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 2332/2378. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 09/01/2014, conforme Aviso de Recebimento a fl. 2383. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o Autuado interpôs recurso voluntário, a fls. 2385/2406, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nas seguintes alegações: · Decadência parcial; · Nulidade dos Autos de Infração, em razão de insegurança na determinação da infração. Aduz que o Auditor Fiscal, no relatório fiscal, declara que as remunerações pagas aos contribuintes individuais e transportadores autônomos foram aferidas indiretamente; Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 · Que em alguns contratos constou erroneamente, por falha no preenchimento, valores não condizentes com os valores pagos e fixados no corpo do contrato; · Que muitos dos contratos de prestação de serviços lançados pela fiscalização não chegaram a ser executados, não tendo havido pagamento pela prestação dos serviços; · Que a Fiscalização lançou como PLR valores constantes em planilhas relativas a estudo de viabilidade de pagamento de participação nos lucros aos empregados da empresa, apreendidas pela Polícia Federal. Aduz que mesmo que tais valores tivessem sido pagos aos empregados a título de ''Participação nos Lucros", tais valores não poderiam ser incluídos na base de cálculo das contribuições devido a sua natureza não ser remuneratória; · Que a multa aplicada tem caráter confiscatório; · Que o indeferimento do pedido de perícia violou o contraditório e a ampla defesa; Ao fim, requer que os Autos de Infração sejam julgados insubsistentes. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.424 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 09/01/2014. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 07/02/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DAS ALEGAÇÕES DE NULIDADE O Recorrente alega a nulidade dos Autos de Infração, em razão de suposta insegurança na determinação da infração. Aduz que o Auditor Fiscal, no relatório fiscal declara que as remunerações pagas aos contribuintes individuais e transportadores autônomos foram aferidas indiretamente. Não procede. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos idealizados pelo Legislador ordinário nos quais o Sujeito Passivo, por força de lei, deve registrar, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, todavia, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego do arbitramento, como procedimento de reconstrução, por aferição indireta, da matéria tributável. Citese por relevante que no procedimento de apuração da base de cálculo do tributo por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos Fl. 2442DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Em muitas situações, alguns dos critérios de aferição indireta a serem empregados pela Fiscalização, nas hipóteses autorizadas pela lei, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirtase, restringe se, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Em outros casos, a fiscalização tem que buscar outros parâmetros de aferição os mais diversos imagináveis, de molde a construir hipoteticamente o arcabouço substancial da matéria tributável, tendo por alicerce, muita vez, o principio da razoabilidade. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, contratos de prestação de serviços, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, custo de mão de obra empregada em serviços de construção civil, dentre outros. Muita vez, valese a fiscalização de um critério de analogia da empresa fiscalizada com as demais empresas atuantes no mesmo ramo e que se encontram em situações similares. Em outras ocasiões, tem a autoridade fiscal que extrair de outras fontes de informações, tais como previsões contratuais, o montante da base de cálculo do tributo, para determinar o montante devido. Inexiste regra geral. Cada caso concreto se configura como hipótese distinta cuja solução depende das condições de contorno do evento de per se considerado, bem como dos elementos de investigação de que dispõe o Auditor Fiscal. No caso dos autos, o sujeito passivo, apesar de intimado mediante o TIF 007/2011 a apresentar os contratos de prestação de serviços à empresa através de pessoas físicas, limitouse a apresentar, tão somente, alguns destes documentos. De outro eito, a análise contábil das contas “3.1.2.02.001 SERVIÇOS PRESTADOS – PF” e “3.1.2.02.003 FRETES E CARRETOS – PF” comprovou que o sujeito passivo efetuou pagamentos de remunerações a segurados contribuintes individuais e a transportadores autônomos. Por tal razão, o sujeito passivo foi intimado através do TIF 011/2011 a apresentar a relação de todos os segurados contribuintes individuais e transportadores autônomos (pessoas físicas) que lhe prestaram serviços. A planilha que apresentou foi confrontada com a contabilidade e com a GFIP, tendo sido apurado que o sujeito passivo não declarava a remuneração de todos os segurados em GFIP, conforme descrito no item 12 do Relatório Fiscal a fls. 103. Citese, também, que no exame dos documentos apreendidos pela Polícia Federal, em decorrência da operação “Caixa de Pandora”, a fiscalização encontrou diversos contratos celebrados entre o Recorrente e pessoas físicas prestadores de serviços, omitidos do Fisco, e cujos valores, igualmente, não se houveram por declarados em GFIP, conforme descrito detalhadamente no Anexo 02 Trabalhadores contratados pela empresa e não declarados em GFIP, a fls. 151/215, assim como no Anexo 03 –Transportadores Autônomos contratados pela empresa não declarados em GFIP, a fls. 216/274). Fl. 2443DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.425 9 Mais uma vez, o Recorrente foi devidamente intimado, mediante os TIF 015/2012 e 017/2012, a se manifestar a respeito de tais contratos. Todavia, declaração da empresa, a fls. 479/480, limitouse a alegar que: “... após detida busca realizadas nos arquivos daquela SCP, não foi possível localizar os documentos solicitados por este I. órgão, tendo em vista que parte do acervo de documentos foi extraviado em virtude de mudanças estruturais realizadas na coligada”. Não se houve por atendida, assim, a intimação formalmente realizada ao Contribuinte. Ora, a mera alegação de extravio de documentos, todavia, não se configura causa excludente da obrigação tributária. Isso porque, na hipótese de extravio, o art. 10 do DecretoLei n° 486/69 determina que a empresa faça publicar em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 (quarenta e oito) horas ao órgão competente do Registro do Comércio. DecretoLei n° 486, de 03 de março de 1969, Art. 10. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, o comerciante fará publicar em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de 48 (quarenta e oito) horas ao órgão competente do Registro do Comércio. Parágrafo Único. A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto neste artigo. No caso presente, a declaração do Sujeito Passivo veio solteira aos autos, desacompanhada de qualquer indício de prova material reveladora do efetivo extravio de documentação, tampouco de providências tendentes à reconstituição dos documentos ditos como “extraviados”. Tal circunstância revela que o Autuado descuidouse do dever imposto pelo suso transcrito art. 10 do DecretoLei nº 486/69. Além disso, a empresa não demonstrou ter feito publicar em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento aviso concernente ao extravio em tela e deste fato dado minuciosa informação, dentro de 48 (quarenta e oito) horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, como assim determina o art. 10 do DecretoLei nº 486/69 e o art. 26 da Instrução Normativa DNRC n° 107/2008: Instrução Normativa DNRC n° 107, de 23 de maio de 2008: Art. 26. Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de qualquer dos instrumentos de escrituração, o empresário ou a sociedade empresária fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste fará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas à Junta Comercial de sua jurisdição. §1° Recomposta a escrituração, o novo instrumento receberá o mesmo número de ordem do substituído, devendo o Termo de Autenticação ressalvar, expressamente, a ocorrência comunicada. §2°A autenticação de novo instrumento de escrituração só será procedida após o cumprimento do disposto no caput deste artigo. §3° No caso de livro digital, enquanto for mantida uma via do instrumento objeto de extravio, deterioração ou destruição no Sped, Fl. 2444DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 a Junta Comercial não autenticará livro substitutivo, devendo o empresário ou sociedade obter reprodução do instrumento junto à administradora daquele Sistema. Mostrouse deficiente, portanto, a documentação apresentada pelo sujeito passivo, atribuindose tal falha a um suposto e não comprovado “extravio”. Nessa prumada, a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação figura como motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, da base de cálculo das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado no parágrafo 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) Deve ser trazido à balha que o Código Tributário Nacional reservou de forma privativa a competência do Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil para a constituição do crédito tributário, mediante o lançamento, estatuindo expressamente a possibilidade de a respectiva base de cálculo ser apurada mediante aferição indireta sempre que forem omissos ou não merecerem fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência Fl. 2445DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.426 11 do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Com efeito, o art. 37 da Lei nº 8.212/91 estabelece que, sendo constatado pela fiscalização o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Assim, diante da deficiência da escrita contábil e da falta de prova regular e formalizada dos salários auferidos pelos seus empregados, outra alternativa não se abriu à fiscalização que não apurar o montante dos salários pagos por aferição indireta da base de cálculo, autorizada que estava pelo permissivo legal encartado no §3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, transferindose para o sujeito passivo o ônus da prova em contrário, encargo este não adimplido pelo Recorrente. Assim, quer pela contabilidade, quer pelos contratos de prestação de serviço apresentados pelo próprio sujeito passivo, quer pelos documentos apreendidos pela Polícia Federal, é fato inconteste que o sujeito passivo contratava e remunerava pessoas físicas para a prestação de serviços em seu favor. Os auditores nortearamse em provas concretas e irrefutáveis que comprovam a exigência de obrigação. Os valores lançados por aferição indireta foram obtidos com base nos contratos, conforme afirmado no item 13 do Relatório Fiscal, fl. 104. Fl. 2446DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 Por tais razões, rejeitamos a preliminar de Nulidade dos Autos de Infração. 2.2. DO PEDIDO DE PERÍCIA. O Recorrente alega que o indeferimento do pedido de perícia violou o contraditório e a ampla defesa. Não me parece. Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados em documentos e/ou na escrita fiscal do sujeito passivo, cujo teor já é do conhecimento do auditor fiscal no momento da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) De outro eito, mostrase auspicioso destacar que os artigos 15, 16 e 18 do Decreto nº 70.235/72 estipulam que a impugnação tem que ser formalizada com os documentos em que se fundamentar a defesa do impugnante, devendo mencionar o correspondente instrumento de bloqueio, as perícias pretendidas, expostos obrigatoriamente os motivos que as justifiquem, a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito indicado, sob pena de o pedido de perícia ser tido como não formulado. Fl. 2447DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.427 13 DECRETO nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196/2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) (grifos nossos) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 8.748/1993) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532/1997) Nesse contexto, simples pedidos de perícia da documentação contábil e fiscal do contribuinte, desacompanhados da devida demonstração de uma das hipóteses previstas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como de justificativa da não colação de tais provas documentais aos autos do processo, são tidos, via de regra, como meramente protelatórios. Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Impende observar, ademais, que os efeitos fixados no §1º do art. 16 do precitado decreto não se sujeitam ao jugo da discricionariedade da Autoridade Fazendária. Eles decorrem ex lege, não tendo o legislador infraconstitucional facultado alternativas. Além de não demonstrar a sua necessidade, o Recorrente não atendeu aos requisitos legais para sua concessão, deixando de formular os quesitos referentes aos exames desejados, tampouco o nome, endereço, e qualificação do profissional do seu perito, não podendo a alegada indisponibilidade do interesse público prestarse ao papel de excludente das exigências legais a todos impostas para a formulação do pedido de perícia. Dessarte, considerando que o recorrente, em sua impugnação, apenas formulou pedido de perícia sem observar os requisitos essenciais fixados no inciso IV do art. 16 supra, além de não demonstrar a sua necessidade, imperiosa é a incidência do preceito inscrito no §1º do supra transcrito dispositivo legal, impondose que seja considerado como não formulado o aventado pedido de perícia. 2.3. DA DECADÊNCIA O Recorrente alega decadência parcial. O Supremo Tribunal Federal, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal de 1988 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.428 15 A decadência tributária conceituase como a perda do poder potestativo da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário mediante o lançamento, em razão do exaurimento integral do prazo previsto na legislação competente. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN, contingência que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito inscrito no art. 150, §4º do CTN. Além do mais, a verve de fundamentação do lançamento por homologação baseiase no fato de, desde a ocorrência do fato gerador do tributo até a ocorrência do lançamento, o que existe é, tão somente, obrigação tributária, a qual é ilíquida e incerta, não dispondo a Administração Tributária de justo título para a cobrança. Tornase, por isso, necessário o procedimento administrativo do lançamento para, conferindo à obrigação tributária os atributos da liquidez e certeza, convolála em crédito tributário, este sim exigível pelo Fisco. Daí a natureza jurídica dúplice do lançamento: declaratória da obrigação tributária e constitutiva do crédito tributário. Trocando em miúdos, somente após a efetiva convolação, pelo lançamento, da obrigação tributária em crédito tributário, passa a administração tributária a dispor de justo título para a exigência do crédito decorrente. Antes não. Antes do lançamento há, apenas, obrigação tributária: ilíquida, incerta e inexigível. No caso das contribuições previdenciárias, como originariamente o sujeito passivo efetuava o recolhimento do tributo com fundamento em obrigação tributária, e não em crédito tributário, tal recolhimento, nessa condição, era ainda indevido, haja vista que o beneficiário do pagamento – o Fisco, até então, não dispunha de justo título, o qual é constituído por intermédio do Lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 Ocorrido o fato gerador, a obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado antecipadamente pelo Sujeito Passivo passava a depender da efetivação do respectivo lançamento, por parte da administração tributária, o qual, ocorrendo, convolava a obrigação em crédito tributário sendo este, imediatamente extinto pelo recolhimento antecipado efetuado pelo Sujeito Passivo. É o que diz o §1º do art. 150 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (grifos nossos) §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em outras palavras, a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado realizase sob condição resolutória de ulterior homologação ao lançamento. Ou seja, se não houver lançamento, resolvese a extinção do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado, podendo o Obrigado repetir o que se houve por indevidamente pago, haja vista que o pagamento deuse com fundamento, não em razão de crédito tributário, e não em virtude de obrigação tributária, ilíquida, incerta e inexigível. Daí a necessidade de lançamento associado, especificamente, ao montante que se houve por recolhido antecipadamente: Para convolar a obrigação tributária nascida com os fatos geradores praticados pelo Contribuinte no crédito tributário correspondente, este dotado de liquidez, certeza e exigibilidade, excluindo, a partir de então a possibilidade do Sujeito Passivo de repetir o que foi pago antecipadamente. Notese que, nos termos do §1º do art. 150 do CTN, a extinção do crédito tributário encontrase sujeita a condição resolutória do lançamento. Ocorre que, nos termos do art. 173, I, do CTN, o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento extinguese após 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.429 17 Assim, exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN sem que tenha ocorrido o lançamento, passa a dispor o Contribuinte do direito de repetir o que se houve por recolhido antecipadamente. Para evitar tal repetição tributária, o legislador ordinário instituiu a figura do lançamento por homologação tácita daquilo se houve por antecipadamente recolhido a título de tributo, nos termos assentados no §4º do art. 150 do CTN. Assim, escoado o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador, a Lei homologa o valor recolhido correspondente como se lançamento fosse. Daí o lançamento por homologação ser conhecido pela Doutrina e jurisprudência pelo termo “auto lançamento”. Notese que o lançamento por homologação tácita sempre, sempre irá ocorrer antes de exaurido o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN. Registrese, todavia, que a modalidade de lançamento por homologação somente é aplicável aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nos termos da lei, o lançamento por homologação operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento do recolhimento antecipado realizado pelo Sujeito Passivo, expressamente o homologa como se lançamento fosse. Inexistindo tal homologação expressa, esta soerá advir tacitamente, após o decurso de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Acontece que o §1º do art. 113 do CTN estatui que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Assim, com a homologação expressa ou tácita, apenas a fração da obrigação tributária correspondente ao crédito tributário pago antecipadamente se houve por extinta com o pagamento. Iluminese que a própria lei estatui que não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, aqui incluído por óbvio o ato do pagamento antecipado, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito, os quais serão considerados na apuração do saldo porventura devido. Assim, nos termos do art. 150, caput e parágrafos, do CTN, apenas encontra se extinta pelo pagamento antecipado e correspondente homologação tácita a fração da obrigação tributária correspondente ao pagamento realizado. Dessarte, as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores cujo crédito tributário correspondente não se houve por contemplado pelo recolhimento antecipado permanecem hígidas, não sofrendo qualquer influência do pagamento realizado pelo Sujeito Passivo, nos termos do §2º do art. 150 do CTN. Nessa vertente, o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário referente às obrigações tributárias ainda não extintas pelo pagamento extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, em atenção ao preceito inscrito no art. 173, I, do CTN. Fl. 2452DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, comunga a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de tal cenário, o entendimento deste subscritor mostrase isolado perante o Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário deste Sodalício, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. No caso presente, tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado nos Autos de Infração debate em 30/03/2012, os efeitos o lançamento em questão alcançariam com a mesma eficácia constitutiva todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/2006, inclusive, nos termos do Inciso I do art. 173 do CTN, restando fulminadas pela decadência todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2006, inclusive, bem como aquelas referentes ao 13º salário desse mesmo anocalendário. Ocorre, todavia, que, em 18/09/2009, houvese por publicado o Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 – SC, proferido na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil, tendo por objeto de mérito questão referente ao termo inicial do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo Fisco nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, cuja ementa ora se vos segue: Recurso Especial nº 973.733 – SC (2007/01769940) Rel. : Min. Luiz Fux Data de Publicação: 18/09/2009. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, §4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.430 19 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Na fundamentação do Acórdão, o Ministro Relator destaca que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem tendo sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário obedece à regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN, conforme se depreende do excerto extraído do voto condutor do Acórdão, adiante transcrito para melhor compreensão de seus fundamentos: “13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 preparatórias, obedece à regra prevista na primeira parte do §4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, consequentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170).” (REsp 973.733 – SC, Rel.: Min. Luiz Fux, DJ: 18/09/2009) O entendimento esposado pela Suprema Corte de Justiça houvese por assimilado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o que motivou a edição da Súmula nº 99, cujo verbete reproduzimos abaixo: SÚMULA CARF Nº 99 Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Acórdãos Precedentes: 9202002.669, de 25/04/2013; 9202002.596, de 07/03/2013; 9202002.436, de 07/11/2012; 920201.413, de 12/04/2011; 2301003.452, de 17/04/2013; 2403001.742, de 20/11/2012; 2401 002.299, de 12/03/2012; 2301002.092, de 12/ 05/ 2011. No caso presente, o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados revela a efetiva ocorrência de recolhimentos a título de contribuições previdenciárias patronais nas competências até abril/2007, dentre outras. Nessa prumada, de acordo com o entendimento da Suprema Corte de Justiça vertido no Acórdão do Recurso Especial nº 973.733 – SC, o qual transitou em julgado em 29/10/2009, assessorado pela Súmula nº 99 do CARF, tendo havido recolhimento antecipado do tributo, mesmo que em montante inferior ao efetivamente devido, inexistindo demonstração de que o Sujeito Passivo tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, o direito do Fisco de constituir o crédito tributário deve obedecer à regra prevista na primeira parte do §4º do artigo 150 do CTN. Nessa perspectiva, diante das razões até então esplanadas, malgrado não esposar tal entendimento, este Subscritor não pode postarse ao largo do comando imperativo inscrito no art. 62A do Regimento Interno do CARF, que impõe aos Conselheiros desta Corte Administrativa a reprodução das decisões definitivas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista no art. 543C do Código de Processo Civil. Regimento Interno do CARF Fl. 2455DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.431 21 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. §1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. §2º O sobrestamento de que trata o §1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Código de Processo Civil Art. 543C. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o recurso especial será processado nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §1o Caberá ao presidente do tribunal de origem admitir um ou mais recursos representativos da controvérsia, os quais serão encaminhados ao Superior Tribunal de Justiça, ficando suspensos os demais recursos especiais até o pronunciamento definitivo do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §2o Não adotada a providência descrita no § 1o deste artigo, o relator no Superior Tribunal de Justiça, ao identificar que sobre a controvérsia já existe jurisprudência dominante ou que a matéria já está afeta ao colegiado, poderá determinar a suspensão, nos tribunais de segunda instância, dos recursos nos quais a controvérsia esteja estabelecida. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §3o O relator poderá solicitar informações, a serem prestadas no prazo de quinze dias, aos tribunais federais ou estaduais a respeito da controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §4o O relator, conforme dispuser o regimento interno do Superior Tribunal de Justiça e considerando a relevância da matéria, poderá admitir manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na controvérsia. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §5o Recebidas as informações e, se for o caso, após cumprido o disposto no § 4o deste artigo, terá vista o Ministério Público pelo prazo de quinze dias. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §6o Transcorrido o prazo para o Ministério Público e remetida cópia do relatório aos demais Ministros, o processo será incluído em pauta na seção ou na Corte Especial, devendo ser julgado com preferência sobre os demais feitos, ressalvados os que envolvam réu preso e os pedidos de habeas corpus. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §7o Publicado o acórdão do Superior Tribunal de Justiça, os recursos especiais sobrestados na origem: (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). I terão seguimento denegado na hipótese de o acórdão recorrido coincidir com a orientação do Superior Tribunal de Justiça; ou (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). II serão novamente examinados pelo tribunal de origem na hipótese de o acórdão recorrido divergir da orientação do Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). §8o Na hipótese prevista no inciso II do § 7o deste artigo, mantida a decisão divergente pelo tribunal de origem, farseá o exame de admissibilidade do recurso especial. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). Fl. 2456DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 §9o O Superior Tribunal de Justiça e os tribunais de segunda instância regulamentarão, no âmbito de suas competências, os procedimentos relativos ao processamento e julgamento do recurso especial nos casos previstos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.672/2008). Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido o Sujeito Passivo cientificado do lançamento aviado nos Autos de Infração em debate no dia 31/03/2012, há que se considerar como homologado tacitamente o crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos até a competência Fevereiro/2007, inclusive, nos termos do §4º do art. 150 do Codex tributário. Há que se reconhecer que, à luz da Súmula Vinculante nº 8 do STF e do Recurso Especial nº 973.733 – SC, na data da lavratura do presente lançamento, já se encontrava tacitamente homologado o crédito tributário decorrente dos fatos geradores ocorridos até a competência fevereiro/2007, na expressão do §4º do art. 150 do CTN, circunstância que se configura óbice intransponível ao Fisco para o exercício do seu direito de constituir o crédito tributário em relação a essas competências, dada a sua extinção legal, nos termos do art. 156, V, in fine, do Código Tributário Nacional, consoante entendimento do STJ aviado na sistemática dos recursos repetitivos. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) Merece ser ressaltado que a Fiscalização adotou como critério de decadência o regime estampado no art. 173, I, do CTN, ao que tudo indica, em razão das excludentes previstas no §4º, in fine, do art. 150 do CTN. Todavia, não logrou demonstrar nos autos a efetiva ocorrência de qualquer das excludentes em realce, quais sejam, o dolo, a fraude ou a simulação, limitandose a transcrever o texto dos suso citados artigos legais. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Em razão do reconhecimento da decadência parcial, pela DRJ/CGE, do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em relação aos fatos geradores ocorridos até a competência fevereiro/2007, inclusive, as alegações recursais referentes a fatos jurígenos tributários ocorridos nessas competências não serão igualmente debatidas, em virtude da perda do objeto. Dessarte, o exame a ser empreendido por este Colegiado limitarseá às Fl. 2457DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.432 23 contestações referentes aos fatos geradores ocorridos a contar da competência março/2007, inclusive. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DOS CONTRATOS Alega o Recorrente que em alguns contratos constou erroneamente, por falha no preenchimento, valores não condizentes com os valores pagos e fixados no corpo do contrato. Argumenta, ainda, que muitos dos contratos de prestação de serviços de frete lançados pela fiscalização não chegaram a ser executados, não tendo havido pagamento pela prestação dos serviços. Tais alegações, todavia, não merecem prosperar. Conforme já destacado no item 2.1. supra, no exame dos documentos apreendidos pela Polícia Federal, em decorrência da operação “Caixa de Pandora”, a fiscalização encontrou diversos contratos celebrados entre o Recorrente e pessoas físicas prestadores de serviços, omitidos do Fisco, e cujos valores, igualmente, não se houveram por declarados em GFIP. O Recorrente houvese por intimado, mediante os TIF 015/2012 e 017/2012, a se manifestar a respeito de tais contratos. Todavia, declaração da empresa, a fls. 479/480, limitouse a alegar que: “... após detida busca realizadas nos arquivos daquela SCP, não foi possível localizar os documentos solicitados por este I. órgão, tendo em vista que parte do acervo de documentos foi extraviado em virtude de mudanças estruturais realizadas na coligada”. A apresentação deficiente de qualquer documento ou informação figura como motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, da base de cálculo das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado no parágrafo 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. No caso em debate, o lançamento foi efetuado com base no valor contido no campo “valor do contrato”, informados diretamente pelo próprio Recorrente, sob sua responsabilidade, orientação e desígnio. Fl. 2458DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização demonstrou, mediante documentação idônea, elaborada sob a responsabilidade, comando e domínio do próprio Recorrente, que este houvera celebrado contratos de prestação de serviços com pessoas físicas, cujos fatos geradores não haviam sido declarados ao Fisco, havendo sido a base de cálculo das Contribuições Previdenciárias devidas apuradas mediante procedimento de aferição indireta, conforme expressamente consignado no Relatório Fiscal e nos demais relatórios que integram o presente lançamento, fulgurando tais assentamentos, nas circunstâncias do presente caso, como bastantes e suficientes para fazer prova do fato afirmado pelo Fisco, ante as provas acostadas nos autos, bem como em razão da reconhecida presunção de veracidade dos Atos Administrativos. O Recorrente alega ainda que muitos contratos de prestação de serviços de frete não chegaram a ser executados, e que, em decorrência, não houve qualquer pagamento pela prestação do serviço. Nada obstante, colhemos do Relatório Fiscal que os lançamentos ora em realce, referentes a prestação de serviços de frete por pessoas físicas, foram apurados com base nos lançamentos registrados na contabilidade do sujeito passivo (levantamento 04), nos contratos apreendidos pela Polícia Federal (levantamento 03) ou ainda, com base nos contratos apresentados pelo sujeito passivo em resposta ao TIF 007/2011 (levantamento 05). A origem dos levantamentos em tela deuse, portanto, com base em provas robustas, produzidas pelo próprio sujeito passivo, sob sua responsabilidade e domínio, inexistindo nos autos qualquer elemento de prova documental com aptidão de demonstrar a alegada não ocorrência da prestação de serviço de frete a que se refere o Autuado. O Órgão Julgador de 1ª Instância, de forma fundamentada e devidamente consignada em seu acórdão, apreciando as alegações de defesa e os elementos de prova contidos no processo, já havia rechaçado a pretensão do Recorrente ao fundamento de que não constava nos autos qualquer elemento de prova de que os contratos não se houveram por cumpridos em na sua integralidade. Nada obstante, retorna à carga o Recorrente, agora em grau de Recurso Voluntário, formulando exatamente os mesmos argumentos de defesa, como que não acreditando nos fundamentos aduzidos pela DRJ, sem acostar aos autos qualquer elemento de convicção, tão menos indícios de prova material, com aptidão a demonstrar quais os contratos de prestação de serviços lançados pela fiscalização que não chegaram a ser executados, tampouco que os valores efetivamente pagos não eram condizentes com os valores declarados pelo próprio Recorrente no campo “Valor do Contrato”. Com efeito, além dos contratos propriamente ditos, nenhum documento foi apresentado pela Defesa que pudesse se configurar como elemento de prova de rescisão ou de realização parcial de tais contratos. Nas oportunidades em que teve para se manifestar nos autos do processo, o Recorrente quedouse inerte, não produzindo as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de Fl. 2459DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.433 25 esteio em indício de prova material, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores da presente autuação, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio Por tais razões, pugnamos pela manutenção do Crédito Tributário, na forma originariamente lançada pela Fiscalização, observada a homologação tácita nas competências janeiro e fevereiro de 2007. 3.2. DA PLR Alega o Recorrente que a Fiscalização lançou como PLR valores constantes em planilhas relativas a estudo de viabilidade de pagamento de participação nos lucros aos empregados da empresa, apreendidas pela Polícia Federal. Aduz que mesmo que tais valores tivessem sido pagos aos empregados a título de ''Participação nos Lucros", tais valores não poderiam ser incluídos na base de cálculo das contribuições devido a sua natureza não ser remuneratória. Não procede. Nos procedimentos inerentes à operação denominada “Caixa de Pandora” a Polícia Federal apreendeu diversos documentos e arquivos, dentre os quais se destacam as planilhas intituladas “107636.xls”, a fls. 283/284, e “126706.xls”, a fls. 281/282, as quais eram representativas de folhas de pagamento gerenciais confeccionadas pelo sujeito passivo, porém não inseridas nas Folhas de Pagamento normais da empresa. A fiscalização constatou que as colunas intituladas “Gerencial” da planilha “107636.xls” e “Salário B2” da planilha “126706.xls” continham registros de remunerações pagas a segurados do RGPS que não foram declaradas em GFIP pelo sujeito passivo. Para melhor verificação dos fatos, foi instaurada diligência fiscal vinculada, perante o empregado Claudio Marques de Souza, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF: 01.1.01.002011014200. Em resposta à diligência fiscal, o referido empregado afirmou a fls. 276/279, ter recebido da CAENGE remunerações a título de salário, bonificações, gratificações e comissões pelo exercício da função de Superintendente de obras de Edificações da empresa. Apesar de se tratar de verbas supostamente variáveis, a Fiscalização verificou que os valores recebidos pelo segurado em foco correspondiam àqueles lançados nas folhas de pagamento “paralelas” apreendidas pela Polícia Federal, circunstância que demonstra a intenção da empresa de sonegar tais informações ao fisco. Fl. 2460DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 Ante as provas coletadas, e visando a colher esclarecimentos sobre as verbas ora em questão, a empresa foi intimada mediante o TIF 012/2011, a fl. 446/447, a apresentar, em meio magnético, todas as gratificações, bonificações, comissões e demais verbas pagas aos trabalhadores da empresa, não declaradas em GFIP, contendo as seguintes informações: · CNPJ do estabelecimento responsável; · MES/ANO em que o serviço foi prestado; · NOME do trabalhador; · NIT e CPF do trabalhador; · Descrição da verba; · VALOR das verbas pagas. Em resposta a fl. 449, a empresa alega que “não constam em nossos registros contábeis, pagamentos referentes às verbas supramencionadas no período requerido, tampouco nos demais períodos”. Como visto, foi oportunizada à empresa a faculdade de se manifestar, apresentando todas as gratificações, bonificações, comissões e demais verbas pagas aos trabalhadores da empresa. No entanto, contrariando todas as provas e evidências colhidas pela Fiscalização e pela Polícia Federal, a empresa afirmou não haver pagamentos referentes a tais rubricas. Nesse contexto, a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação autorizam o Fisco a inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Além disso, a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, as contribuições efetivamente devidas serão apuradas por aferição indireta, cabendo igualmente à empresa o ônus da prova em contrário. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001) §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.434 27 (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Dessarte, em razão das negativas e omissões da empresa em apresentar as informações e documentos solicitados, a Fiscalização procedeu aos levantamentos das respectivas remunerações, com base nas planilhas apreendidas pela Polícia Federal (“107636.xls” e “126706.xls”), corroborada pela prova testemunhal colhida formalmente do empregado Claudio Marques de Souza, conforme levantamentos 08, 09 e 10, abaixo discriminados: · Lev 08 Remunerações de contribuintes individuais não incluídas em GFIP, apuradas com base em planilhas (107636.xls e 126706.xls) apreendidas pela Polícia Federal Inquérito 137437.2010.4.01.0000/DF – TRF 1ª Região. · Lev 09 Remunerações de empregados não incluídas em GFIP, apuradas com base em planilhas (107636.xls e 126706.xls) apreendidas pela Polícia Federal –Inquérito 137437.2010.4.01.0000/DF – TRF 1ª Região; · Lev 10 Remunerações não incluídas em GFIP, apuradas com base em declaração do empregado Claudio Marques de Souza, obtida através de diligência fiscal vinculada. O Recorrente não nega a existência de tais documentos, no entanto, alega tratarse de estudo de viabilidade de pagamento de participação nos lucros aos empregados da empresa. Tais alegações não se coadunam com as provas colhidas pela Polícia Federal e pela Fiscalização. De outro eito, a empresa não apresentou qualquer indício de prova material de que, de fato, estivesse empreendendo eventual estudo de pagamento de PLR. Não foram apresentados acordos, plano de participação dos empregados nos lucros da empresa, estudos de metas, critérios de avaliação de segurados, etc., enfim, nada que pudesse representar qualquer espécie de vinculação com os valores constantes nas planilhas 107636.xls e 126706.xls apreendidas pela Polícia Federal. Nada que explicasse como se havia chegado a tais valores. Seria por obra do divino ??? Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 Também não procede a alegação de que não foi efetuada nenhuma espécie de pagamento. A prova testemunhal colhida pela Fiscalização bem atesta a ocorrência de efetivo pagamento de remunerações a título de salário, bonificações, gratificações e comissões pelo exercício da função de Superintendente de obras de Edificações da empresa. A diligência fiscal vinculada realizada perante o Sr. Cláudio Marques de Souza, empregado da empresa, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF 01.1.01.00 2011014200, confirma o recebimento pelo Sr. Claudio dos valores ora em debate, tendo ainda a fiscalização constatado que os valores por ele recebidos correspondiam àqueles lançados nas folhas de pagamento “paralelas” apreendidas pela Polícia Federal. São correntes os registros de casos em que a pessoa recebe pagamentos e alega não os ter recebido. O contrário, ainda não vi. Revelamse improcedentes, ainda, as alegações de que foram lançadas remunerações supostamente pagas a engenheiros baseadas, unicamente, em depoimento de ex funcionário da empresa. Objetivando averiguar os fatos, a fiscalização comandou diligência fiscal vinculada perante o segurado Cláudio Marques de Souza, conforme Mandado de Procedimento Fiscal – MPF 01.1.01.002011014200. A remuneração lançada ao Sr. Cláudio Marques de Souza no período de 01/2008 a 12/2008 teve origem em valores creditados pelo Recorrente na conta corrente nº 1060168399, Banco de Brasília SA, agência 0106, conforme demonstrativo de fls. 277. Em relação aos valores creditados, o então segurado afirmou na diligência tratarse de recebimento de salário, gratificações e/ou bonificações pelo exercício da função de Superintendente de obras de Edificações da empresa Autuada. A fiscalização verificou que os valores creditados ao segurado correspondiam àqueles lançados nas folhas de pagamento “paralelas”, apreendidas pela Polícia Federal. O demonstrativo fiscal a fl. 280 informa que as remunerações pagas ao Sr. Cláudio Marques de Souza tiveram como origem laudos da Polícia Federal. Portanto, os valores lançados foram extraídos de documentos (comprovantes de depósitos bancários) e ainda, validados pelo então empregado beneficiário. Através da referida diligência a fiscalização pode concluir que os valores contidos nas colunas “Gerencial” e “Salário B2” das planilhas “107636.xls” e “126706.xls” apreendidas pela Polícia Federal junto o sujeito passivo, tratavamse de remunerações que não foram declaradas em GFIP pelo sujeito passivo e que foram efetivamente pagas ou creditadas aos segurados listados, incluindose os engenheiros, fato que o sujeito passivo não refuta com provas cabais. Nessa perspectiva, considerando a inversão legal do ônus da prova, não logrou o Recorrente produzir os meios de prova aptos a desconstituir o lançamento que ora se edifica, não ultrapassando os lindes da mera alegação verbal e da insustentável tese de que se tratava de estudo de viabilidade de pagamento de PLR. Não procede igualmente a alegação de que “mesmo que tais valores tivessem sido pagos aos empregados a título de Participação nos Lucros, não poderiam ser incluídos na base de cálculo das contribuições devido a sua natureza não ser remuneratória”. Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.435 29 Isso porque o efeito sublime da desoneração prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei de Custeio da Seguridade Social somente toma vulto na exclusiva condição de as verbas pagas ou creditadas a título de participação nos lucros e resultados atenderem cumulativamente aos seguintes requisitos: · A verba paga a título de participação nos lucros e resultados da empresa tem que ser representativa de um plano gerencial de incentivo à produtividade, consoante art. 1º da Lei nº 10.101/2000. · O plano de incentivo à produtividade tem que traduzir, portanto, de maneira clara e objetiva, um fim extraordinário a ser alcançado pelo desempenho emproado do trabalhador, estimulado que está pela promessa de um ganho adicional remuneratório consistente na PLR, de maneira que, efetivamente, encoraje, deflagre e estimule o trabalhador a produzir mais e melhor do que aquele desempenho ordinário que ele vinha apresentando cotidiana e rotineiramente, decorrente do seu compromisso laboral celebrado no contrato de trabalho. Ø O desempenho regular, rotineiro e ordinário do trabalhador decorrente do compromisso laboral pactuado no contrato de trabalho é remunerado mediante salário; Ø O desempenho extraordinário e túmido do trabalhador, visando a atingir objetivos de excelência fixados previamente pela empresa que excedam aos resultados históricos, é remunerado mediante participação dos empregados nos lucros e resultados da empresa, em valores previamente fixados nas negociações coletivas. · Tem que resultar de negociação formal entre a empresa e seus empregados, por comissão escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria ou de convenção/acordo coletivo; · Das negociações suso citadas, deverão resultar instrumentos formais que registrem o plano de incentivo à produtividade adotado pela empresa, os objetivos a serem alcançados na execução de tal plano, as regras claras e objetivas definidoras dos direitos substantivos dos trabalhadores, bem como a regras adjetivas, abarcando os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, etc. · A negociação entre empresa e trabalhadores tem que ser concluída e assinada previamente ao período de execução do plano, de modo que os empregados dele participem com a perfeita e exata noção do que, do quanto, do quando e do como fazer para o atingimento dos objetivos pactuados, do quanto receberão pelo seu sucesso, e de como serão avaliados para fazerem jus à PLR prometida; · O instrumento formal resultante do acordo em realce tem que ser arquivado previamente na entidade sindical dos trabalhadores; Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 30 · A PLR não pode substituir, tampouco complementar a remuneração devida a qualquer empregado; · A PLR não pode ser distribuída em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil; Nenhum desses requisitos houvese por comprovado pelo Recorrente. 3.3. DA MULTA COM EFEITO DE CONFISCO O Recorrente alega que a multa aplicada tem caráter confiscatório. Não ... Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Citese, ademais, que a norma constitucional tributária é expressa ao vetar o efeito confiscatório aos tributos, não a seus acessórios legais, os quais possuem natureza jurídica totalmente distinta. Tributo configurase como a própria obrigação principal devida Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.436 31 pelo sujeito passivo à Fazenda Pública, em razão da ocorrência real do fato gerador tributário estatuído na lei. A multa de ofício, por seu turno, possui natureza jurídica de penalidade de natureza pecuniária decorrente do descumprimento tempestivo de obrigação principal. Justificase a vedação constitucional à instituição de tributos com efeito de confisco pelo fato de a prestação pecuniária dessa natureza ter caráter compulsório, em razão da ocorrência inevitável do fato gerador correspondente. Caso o tributo fosse criado com alíquota por demais elevada, a própria ocorrência inevitável do fato gerador resultaria na extinção da matéria tributável correspondente, circunstância que representaria violação ao direito de propriedade. O mesmo não ocorre com as multas de natureza punitiva, as quais não possuem natureza jurídica de tributo, mas, meramente, de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, na forma e nos prazos estabelecidos na legislação tributária. Ao contrário dos tributos, aqui o fato gerador da multa punitiva é evitável. Aliás, é extremamente desejável pela Fazenda Pública que tal fato gerador não ocorra, por isso a inflição de penalidade de tamanha onerosidade, visando a brindar a máxima efetividade às normas tributárias e a desencorajar o seu descumprimento objetivo. Nesse viés, ao ignorar as normas tributárias cogentes, e ao não recolher os tributos devidos em suas épocas próprias, apostando quiçá em suposta ineficiência da Fiscalização, o Infrator volitivamente se coloca em situação de risco calculado perante o Fisco, consciente de que a constatação de tal irregularidade irá desaguar em apenação condizente com a gravidade da infração perpetrada. Escapa, contudo, à competência deste Colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias constantes na Lei nº 8.212/91 aos princípios constitucionais e às limitações ao poder de tributar veiculadas nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com Fl. 2466DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 32 a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. 3.4. DA RETROATIVIDADE BENIGNA – AI CFL 68 Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à penalidade pecuniária aplicada à infração em exame, em honra ao preceito encartado no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.437 33 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 34 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.438 35 I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 36 Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.439 37 sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 38 outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.440 39 Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se e somente se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 3.5. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Embora não tenha sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à penalidade pecuniária decorrente do atraso no recolhimento do tributo devido, a ser aplicada mediante lançamento de ofício. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. Iluminese, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 40 poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.441 41 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado em Autos de Infração de Obrigação Principal, referente a fatos geradores ocorridos em competências não fulminadas pela decadência. Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 42 Nessa perspectiva, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante Autos de Infração de Obrigação Principal, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada, no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.442 43 outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 44 III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.443 45 características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, citese, incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, nessa ordem, agora se encontram dispostos em separado, digase, nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, respectivamente, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 46 denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Não é cabível, portanto, efetuarse o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), pois estarseia, assim, promovendo a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.444 47 Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’ do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96 só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35, II da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa. b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 48 de mora aplicada nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravoso ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, tal crédito é inscrito em Dívida Ativa da União, pra subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c", do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. A conduta tipificada legalmente como sonegação fiscal consubstanciase em toda e qualquer ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou ainda, das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. A sonegação se manifesta, no caso presente, na volitiva e consciente não declaração em GFIP de fatos geradores de Contribuições Previdenciárias, consistentes em pagamentos de remunerações a segurados obrigatórios do RGPS, ação omissiva dolosa Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.445 49 tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Dessarte, considerando haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que se qualifica legalmente como sonegação, tipificada no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, a multa de ofício a ser aplicada na competência 12/2008 passa a ser de 150%, conforme previsto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I e §1º, da Lei no 9.430/96 c.c. artigo 71, I, da Lei nº 4.502/64. Diante de tal contingência, sendo a multa de ofício de 150%, não há mais que se falar, no caso ora em estudo, de limitador para a multa de mora prevista no inciso III do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, inexistindo qualquer hipótese em que seja aplicável o preceito insculpido no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, no presente lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a) Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. b) Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. 3.6. DOS LANÇAMENTOS EM DUPLICIDADE. O Recorrente alega terem sido lançados fatos geradores em duplicidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegra/RS, apreciando as alegações do Contribuindo, em cotejo com as provas dos autos, concluiu que, de fato, alguns contratos haviam sido lançados em duplicidade, procedendo, ato contínuo, ao saneamento da irregularidade apontada e retificando o Crédito Tributário na forma exposta no Discriminativo Analítico de Débito Retificado. No que pertine aos contratos nº 521X33 e 521X34, firmados com João Augusto Guiotti, muito embora tais contratos tenham a mesma data de início (14/02/2008) e de término (13/04/2008), mesmo número da obra (03.2.521 X) e mesmo valor total (R$ 23.940,00), tais contratos diferem na discriminação dos serviços, quanto ao equipamento utilizado e número de viagens realizadas em cada contrato, circunstância que demonstra trataremse de dois contratos distintos, e não lançamento em duplicidade. Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI 50 · 521X33 Transporte de cascalho laterítico em caminhão basculante trucado capacidade 18 m3 Trecho cascalheira do Novo Gama até eixo da obra DF495. Preço por Viagem: (R$ 0,35 m3/km x 19 km x 18 m3) = R$ 119,70 Número de viagens = 200 Valor do contrato = 200 * R$ 119,70 = R$ 23.940,00. · 521X34 Transporte de cascalho laterítico em caminhão basculante trucado capacidade 12 m3 Trecho cascalheira do Novo Gama até eixo da obra DF495. Preço por Viagem: (R$ 0,35 m3/km x 19 km x 12 m3) = R$ 79,80 Número de viagens = 300 Valor do contrato = 300 * R$ 79,80 = R$ 23.940,00. Tal constatação já havia sido verificada pela DRJ/POA, fato que resultou na negativa de acolhimento da pretensão do Autuado em sede de 1ª Instância Administrativa. Nada obstante, em grau de Recurso Voluntário, o Recorrente não faz acostar aos autos qualquer fato novo ou elementos de prova com aptidão de demonstrar que se tratam de um só contrato, e que tal contrato houvese por lançado em duplicidade pela Fiscalização. Por tais razões, pugnamos pela manutenção do lançamento. 4. CONCLUSÃO: Pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluídas do lançamento todas as obrigações tributárias decorrentes dos fatos geradores ocorridos nas competências janeiro e fevereiro de 2007, em razão da homologação tácita do crédito tributário, nos termos do §4º do art. 150 do CTN. Outrossim, o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, em atenção ao princípio tempus regit actum. Por fim, a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.316.4734 deve ser recalculada tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.722376/201281 Acórdão n.º 2302003.628 S2C3T2 Fl. 2.446 51 É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/02/ 2015 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10166.000383/2011-48
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO.
Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal não-impugnada na decisão recorrida.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO.
Somente pode ser compensado na declaração de rendimentos o imposto de renda retido na fonte referente a rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto de renda.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA - PRECLUSÃO. Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal não-impugnada na decisão recorrida. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Somente pode ser compensado na declaração de rendimentos o imposto de renda retido na fonte referente a rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto de renda. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal nãoimpugnada na decisão recorrida. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Somente pode ser compensado na declaração de rendimentos o imposto de renda retido na fonte referente a rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto de renda. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 03 83 /2 01 1- 48 Fl. 168DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10166.000383/201148 Acórdão n.º 2801003.962 S2TE01 Fl. 169 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 7a Turma da DRJ/BSB (Fls. 141), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Contra o contribuinte qualificado foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF de fls. 105 a 114, em 27/12/2010, referente ao exercício 2007, ano calendário de 2006, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário conforme demonstrativo abaixo (em Reais): Imposto de Renda Suplementar (Sujeito à Multa de Ofício) 3,00 Multa de Ofício –75% (Passível de Redução) 4,75 Juros de Mora – calculados até 30/12/2010 2,56 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de Mora) 32,00 Multa de Mora (Não Passível de Redução) 6,40 Juros de Mora – calculados até 30/12/2010 64,46 Total do crédito tributário apurado 753,17 Decorre tal lançamento de revisão procedida em sua declaração de ajuste anual do exercício de 2007, anocalendário de 2006, quando foram verificadas as seguintes infrações: Dedução Indevida de Imposto a Título de CarnêLeão – glosa de dedução indevida a título de carnêleão, pleiteada indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2007, anocalendário 2006. Valor: R$ 432,00. Não houve pagamentos em nome do contribuinte sob o código 0190 (carnêleão). Dedução Indevida a Título de Despesas Médicas – glosa de dedução de despesas médicas, pleiteadas indevidamente pelo contribuinte na Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2007, anocalendário 2006. Valor: R$ 120,00. Motivo da glosa: falta de comprovação das despesas. Foi glosado o valor de R$ 120,00 (João Bosco Marinho) por não ter sido apresentado comprovante da despesa. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10166.000383/201148 Acórdão n.º 2801003.962 S2TE01 Fl. 170 3 Os enquadramentos legais encontramse às fls. 107 e 109 dos autos. Conforme AR (Aviso de Recebimento) de fl. 115, o impugnante foi cientificado da autuação em 04 de janeiro de 2011. Em 24/01/2011, apresentou impugnação (fls. 03) ao lançamento alegando, em síntese, que ocorreu, efetivamente, o pagamento de DARFs, sob o código 3208, relativo a retenção por parte de pessoa jurídica. Acrescenta que o pagamento extemporâneo das DARFs não descaracteriza a natureza da operação (retenção na fonte), e que, como não era responsável pelo preenchimento e pagamento dos valores de IR retidos, cometeu o equívoco de declarar o valor como carnêleão. Ao final, requer o cancelamento da cobrança, em razão de comprovado o erro involuntário no preenchimento da declaração. Passo adiante, a 7ª Turma da DRJ/BSB entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: IMPUGNAÇÃO PARCIAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESA MÉDICA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitam se à imediata cobrança, não sendo, pois, objeto de análise desse julgamento administrativo. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. Somente pode ser compensado na declaração de rendimentos o imposto de renda retido na fonte referente a rendimentos incluídos na base de cálculo do imposto de renda. Pelo extrato de acompanhamento do SEDEX às fls. 151, o Recorrente deve ter sido Cientificado em 09/03/2012, embora não conste a cópia da carta AR assinada, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 28/03/2012 (fls. 152 e 153), alegando em síntese: A decisão proferida constante do Acórdão em questão alude à falta de documentação que amparasse as alegações apresentadas pelo contribuinte, fato que ora sana pela devida apresentação dos documentos que dão base à defesa anteriormente apresentada, quais sejam: a) Recibo de Consulta Médica, no valor de R$ 120,00, datado de 23/05/2006; b) EXTRATO GERAL DE RENDIMENTOS, relativo a contrato de aluguel firmado com Pessoa Jurídica, em 2006, no valor de R$ 15.000,00, cujo refazimento se deu em 12/03/2012; c) EXTRATO DE RENDIMENTOS/IRRF, relativo a contrato de aluguel firmado com Pessoa Jurídica, no valor de R$ 6.075,00, datado de 13/04/2007. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10166.000383/201148 Acórdão n.º 2801003.962 S2TE01 Fl. 171 4 Diante do acima exposto, o contribuinte acima identificado mantém os argumentos apresentados em sua Impugnação originalmente apresentada contra a respectiva Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física 2007/2006 como acima descrito, apresentando, nesta oportunidade documentação complementar, como o necessário à defesa. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início cumpre verificar que o contribuinte não contestou a parte do lançamento relativa a glosa de deduções de despesas médicas. Assim, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/1972, tal matéria deve ser considerada não impugnada pelo contribuinte; in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Não impugnada a matéria não há como dela tomar conhecimento em sede recursal. Ademais, ressaltase que a fase recursal tem como fundamento o princípio do duplo grau de cognição, o qual atende ao princípio da ampla defesa. Nas palavras de JAMES MARINS: “A idéia de revisão recursal dos julgamentos administrativos ou judiciais atende a necessidades de qualidade e segurança da prestação estatal julgadora e é imperativo jurídico expresso no art. 5º, LV, da CF/88. Representa, o direito a recurso, manifestação axiomática do direito à ampla defesa. Denominase de “hierárquico” o recurso que submete a revisão da decisão a órgão julgador, monocrático ou colegiado, de hierarquia superior, competente para reapreciação e rejulgamento da lide fiscal. (Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. Pg. 196)”. Da afirmação acima é possível compreender que o recurso tem como objetivo a revisão da decisão da DRJ. Dentro deste enfoque, fica estabelecida limitação ao Recorrente, no sentido de possuir prazo específico para alegar toda a defesa que entenda necessária, de modo que, Fl. 171DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10166.000383/201148 Acórdão n.º 2801003.962 S2TE01 Fl. 172 5 passada esta fase depois de iniciado o processo administrativo, o Recorrente não pode, no recurso, alegar matéria não impugnada. Caso contrário, terse ia a análise inicial de defesa na fase recursal, o que causaria enorme contradição, pois não haveria quem analisasse em fase de recurso os argumentos levantados apenas em etapa recursal. Este colegiado até tem entendido que a aplicação do princípio da preclusão não pode ser levado às últimas conseqüências, por força do princípio da verdade material; contudo tal entendimento tem sido aplicado quanto a preclusão da apresentação de provas, e não quanto a preclusão de matéria não impugnada. Neste sentido já decidiu este colegiado; in verbis: Processo n. 1.3707.001104/200549 Recurso n. 161.587 Voluntário Acórdão n. 280200.296 – 2ª Turma Especial Sessão de 11 de maio de 2010 Matéria IRPF Ex(s).: 2001 Recorrente CELIA CARDOZO ZUZART Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO. Resta preclusa a matéria questionada apenas na fase recursal, não debatida na primeira instância e considerada como tal não impugnada na decisão recorrida. Recurso Voluntário Não Conhecido. Seguindo, verificase que o contribuinte alega que o valor compensado em sua declaração a título de carnêleão referese, na verdade, a valores de imposto de renda retidos na fonte por pessoa jurídica. Tratarseia, então, de erro material no preenchimento da declaração. Ocorre que, ainda que se levasse em conta o preenchimento equivocado de sua declaração o contribuinte não declarou em tempo algum os rendimentos advindos de aluguel, fonte de rendimentos que originou a retenção na fonte, quer de pessoa física ou jurídica. Por esta razão o imposto de renda retido na fonte não pode ser deduzido na declaração, uma vez que os referidos rendimentos sequer foram oferecidos à tributação. Neste sentido, adoto integralmente o entendimento da DRJ(fls. 143 e 144 dos autos): Fl. 172DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10166.000383/201148 Acórdão n.º 2801003.962 S2TE01 Fl. 173 6 O contribuinte alega que o valor compensado em sua declaração a título de carnêleão referese, na verdade, a valores de imposto de renda retidos na fonte por pessoa jurídica, sob o código 3208. As DARF anexadas aos autos e a DIRF de folhas 127 comprovam a retenção de R$ 432,00, relativas a rendimento no valor de R$ 15.800,00, sob o código 3208 (aluguéis ou royalties pagos a pessoa física), pago pela pessoa jurídica de CNPJ 36.773.828/000120. Na declaração de ajuste do contribuinte (fls. 91/99) verificase que foram declarados rendimentos recebidos de pessoa jurídica das fontes pagadoras Instituto Nacional do Seguro Social (R$ 21.736,24) e HSBC Fundo de Pensão (R$ 29.629,76). O rendimento de aluguel pago por pessoa jurídica não foi informado pelo contribuinte no campo correspondente. Em relação à dedução do imposto de renda retido na fonte, o Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000 de 26/03/1999, dispõe: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (...) IV – o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; §2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos artigos. 7º, §§1ºe 2º, e 8º, §1º(Lei nº7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). Conforme legislação acima transcrita, somente o imposto retido na fonte correspondente a rendimentos incluídos na base de cálculo pode ser deduzido na declaração de ajuste. Conforme já consignado nesse voto, os rendimentos de aluguel recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 15.800,00, não foram incluídos na declaração de rendimentos do contribuinte. Ainda que tenha alegado erro de preenchimento em relação aos valores declarados como carnê leão, o contribuinte sequer alegou ou trouxe elementos que demonstrassem que os rendimentos de aluguel de pessoa jurídica tenham sido declarados como rendimentos de aluguel de pessoa física. Considerando o exercício de atividade profissional pelo contribuinte (motivadora da dedução mensal de livrocaixa), não se pode concluir que os valores de aluguel estejam incluídos naqueles declarados como recebidos de pessoa física sem que sejam apresentados quaisquer elementos de prova. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 10166.000383/201148 Acórdão n.º 2801003.962 S2TE01 Fl. 174 7 Em resumo, como os rendimentos não foram oferecidos à tributação, o imposto de renda retido na fonte não pode ser deduzido na declaração. Desta feita, é forçoso reconhecer que o contribuinte não declarou em sua DIRPF os valores recebidos à título de aluguel e por tal razão o IRRF referente à estes rendimentos não poderia ser deduzido quando de sua declaração. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 174DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 10768.016556/2002-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001
RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO.
O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido, podendo ser suprido pela Declaração de Informação de Retenções (DIRF).
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. RECEITAS. SNIRPJ.
Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80).
EXAME DO DIREITO CREDITÓRIO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE.
O instituto da decadência é aplicável apenas aos casos de lançamento ou constituição do crédito tributário. Inexiste previsão legal estipulando prazo para o fisco proceder ao exame da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1301-001.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. O documento hábil para comprovar a retenção de tributo sofrida pela fonte pagadora é o informe de rendimentos por esta fornecido, podendo ser suprido pela Declaração de Informação de Retenções (DIRF). PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IRRF. RECEITAS. SNIRPJ. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). EXAME DO DIREITO CREDITÓRIO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. O instituto da decadência é aplicável apenas aos casos de lançamento ou constituição do crédito tributário. Inexiste previsão legal estipulando prazo para o fisco proceder ao exame da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 65 56 /2 00 2- 70 Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.016556/200270 Acórdão n.º 1301001.746 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório que consta da decisão recorrida. I) Da introdução Versa o presente processo sobre manifestação de inconformidade contra ato da DERAT/RJO (fls. 396), que reconheceu parcialmente o direito creditório, nos montantes originais de R$ 57.864,73 (ano de 1998); zero (ano de 1999) e R$ 3.067.335,42 (ano de 2000) e R$ 3.445.737,55 (ano de 2001), homologandose, por conseguinte, as compensações efetuadas no limite do crédito. II) Da diligência solicitada à DEFIC/RJO Cabe registrar que o saldo credor declarado na DCOMP, apresentada em 2002, totalizou o valor original de R$ 15.332.000,00, relativamente aos saldos negativos apurados nos anoscalendário de 1998, 1999, 2000 e 2001, tendo a interessada pleiteado este crédito nos presentes autos. Neste sentido, com o objetivo de verificar se os créditos pleiteados atendiam aos requisitos legais de liquidez e certeza foi solicitada à DEFIC/RJO a realização de diligência fiscal no domicílio da interessada, a fim de que averiguasse, em sua escrita fiscal e contábil, se: a) as receitas que geraram as retenções de imposto na fonte foram oferecidas à tributação, e os respectivos comprovantes de retenção; b) Darf referentes aos recolhimentos do IRPJ estimativa efetuado nos anos calendário de 1999 e 2000, constantes da DIPJ/2000 E DIPJ/2001, informadas às fls. 180 e69; c) Se os valores em questão foram objeto de compensação e, em caso positivo, especificar o tributo/contribuição compensados e a correspondente data. III) Do parecer conclusivo e despacho decisório Apreciando as solicitações, foi elaborado o Parecer Conclusivo n° 336/2009 (fls. 387/395), que corroborou o Despacho Decisório de fls. 396, da DERAT/RJ, onde se reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado contra a Fazenda Nacional, sendo as compensações homologadas no limite deste crédito. O fundamento da sua decisão foi baseado nas seguintes razões: a) Quanto aos anoscalendário pleiteados, observase nas Fichas relativas ao cálculo do imposto de renda sobre o Lucro Real, que a interessada optou por exercer a faculdade de deduzir o IRRF que lhe foi anteriormente retido, apurando crédito de saldo negativo de IRPJ. Entretanto, os valores dos créditos indicados merecem as seguintes considerações, de acordo com a legislação de regência; Quanto ao anocalendário de 1998, verificase na DIPJ (fls. 347/353) que a interessada informou na linha 13, Ficha 13 o valor do IRRF de R$ 694.326,69, que, conforme a informação da interessada, constante às fls. 279, corresponderiam a um valor originalmente retido de R$ 1.169.433,03, do qual foi utilizado o valor de R$ 442.098,85; Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 Entretanto, somente foi encontrado entre as DIRF apresentadas (ano de 1998) o valor de R$ 1.150.974,09, sendo que o valor de R$ 651.010,51 corresponde à retenção do código 0916, que é retenção exclusiva na fonte, não dando ensejo à dedução posterior; Assim, somente restaria como retenção na fonte dedutível do Imposto de Renda Anual o valor de R$ 499.963,58 que, após a subtração do valor de R$ 442.098,85, ficaria reduzido ao valor de R$ 57.864,73, já que é necessário que fique caracterizada a liquidez e certeza que são exigidas para o reconhecimento do direito creditório; Quanto ao anocalendário de 1999, verificase através da DIPJ que a interessada informou na linha 13, Ficha 13 o valor de IRRF de R$ 3.278.563,05. Entretanto, somente foram encontrados entre as DIRF os valores de R$ 3.219.005,01, já que os demais valores não se encontram amparados por DIRF; Outrossim, registrase que o valor apresentado como sendo relativo à retenção do recebimento de juros sobre o capital próprio, corresponde a um total de R$ 2.291.491,81, referente a recebimentos de R$ 15.276.612,06. Entretanto, somente foram oferecidos à tributação R$ 14.518.427,71, o que corresponde a 95,037% do valor efetivamente registrado nas DIRF correspondentes; Assim, adotandose a regra da proporcionalidade, caberia considerar a retenção relativa aos créditos oferecidos à tributação de R$ 2.177.764,16, reduzindo o valor citado acima para R$ 3.105.277,36; Conforme pode ser verificado da planilha apresentada às fls. 04, foi utilizado um valor maior que o acima citado para a compensação na DIPJ. Com o apoio do NEO SAPO (fls. 383/386) foi apurado o saldo devedor de R$ 78.058,50 para o período de apuração de fevereiro do ano de 2000, não restando saldo negativo referente ao ano de 1999 a restituir/compensar; Quanto ao anocalendário de 2000, verificase na DIPJ/2001 (fls. 361/365) que a interessada informou na linha 13 Ficha 12 A o valor do IRRF de R$ 2.575.904,58. Entretanto, somente foram encontrados nas DIRF apresentadas relativas ao ano de 2000 (fls. 323/330), os valores de R$ 2.509.944,80, já que os demais valores não se encontram registrados em DIRF e amparados pelas informações prestadas, o que caracteriza a ausência de certeza e liquidez que são exigidas para o reconhecimento do direito creditório; Também em relação ao ano de 2000, foi apresentado, a título de juros sobre o capital próprio, na alínea 35 da ficha 6 A, o valor de R$ 24.352.423,56, que deveria corresponder a um recolhimento no valor de R$ 3.652.863,53, que não foi lançado em nenhuma das DCTF do referido anocalendário e, tampouco foi objeto de qualquer pagamento no referido período; Assim, considerando que o referido valor tenha sido objeto de compensação sem processo com o IRRF sobre os recebimentos realizados a título de juros sobre o capital próprio, como faculta a legislação, não se pode considerar os valores lançados como IRRF juros sobre o capital próprio recebidos para fins de determinação do saldo negativo do ano calendário de 2000, devendo não ser considerado tais valores de IRRF em relação ao anocalendário de 2000; Além do valor acima indicado como retenção na fonte, há o valor correspondente à estimativa, relativo à compensação sem processo do débito de R$ 3.304.752,21, referente ao mês de fevereiro de 2000, para o qual restou o saldo devedor de R$ 78.058,50. Assim, restaria o saldo negativo de R$ 3.067.335,42, Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.016556/200270 Acórdão n.º 1301001.746 S1C3T1 Fl. 13 5 referente ao valor efetivamente compensado, subtraído do valor apurado de imposto sobre o lucro real para o ano de 2000; Quanto ao anocalendário de 2001, verificase na DIPJ que a interessada, na linha 13, ficha ,12 informou o valor do IRRF de R$ 6.882.310,85. Entretanto, somente foram encontrados entre as DIRF apresentadas, relativas ao ano de 2001, o valor de R$ 3.445.737,78, já que os demais valores não se encontram registrados em DIRF e, amparados pelas informações prestadas, o que caracteriza ausência de liquidez e certeza; Consequentemente, os créditos relativos aos saldos negativos de IRPJ, relativamente à retenção do imposto sobre o valor referente ao recebimento de rendimento de receitas financeiras a que faz jus a interessada totalizam, em valores originais, R$ 57.864,73 para o ano de 1998; zero para o ano de 1999; R$ 3.067.335,42 para o ano de 2000 e R$ 3.445.737,55 para o ano de 2001; Cumpre destacar que a DCOMP de fls. 287/294 retificou, em 09/08/2004, a DCOMP de fls. 01. IV) Da impugnação Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 07/08/2009 (fls. 409), apresentou a interessada, em 04/09/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 427/448, instruída com os documentos de fls. 449/808, argumentando, em síntese, que: • Nos anos de 1998 a 2002, apurou saldo negativo de IRPJ nos valores, respectivamente, de R$ 694.326,69; R$ 3.278.563,05; R$ 5.721.298,50 e R$ 6.882.310,85; I Do saldo negativo apurado em 31/12/1998 • O IRRF informado pela interessada em sua DIPJ veio a ser comprovado mediante a entrega dos respectivos comprovantes de rendimentos, conforme abaixo se segue: IRRF s/ juros de empréstimos CIMOB Companhia Imob. R$ 651.310,64; IRRF s/ fundo de investimentos ICATU FIEX INDEX R$ 63.776,11; IRRF s/ fundo de investimentos ICATU IIFIF R$ 121,69; IRRF s/ fundo de investimentos ICATU XVI FIF R$ 21.648,33; IRRF s/ renda fixa BANCO ICATU S/A R$ 351.554,56; IRRF s/ SWAP BANCO ICATU S/A R$ 66.652,71 e IRRF s/ renda fixa BANCO ICATU S/A R$ 14.368,99 (Total R$ 1.169.433,03). • A DERAT entendeu que dos R$ 1.169.433,03 informados pela interessada a título de IRRF, apenas R$ 1.150.974,09 teriam tido sua efetividade comprovada por constarem das DIRF apresentadas pelas respectivas fontes pagadoras, as quais foram juntadas às fls. 302/310; Ao compulsar as referidas DIRF, a interessada verificou uma diferença apurada pela DERAT no valor de R$ 18.458,94. Como se verifica, o valor do IRF informado nas DIRF apresentadas por algumas das fontes pagadoras divergiram daqueles constantes dos informes de rendimentos por elas entregues à interessada; Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 • Eventuais equívocos cometidos pelas fontes pagadoras no cumprimento de suas obrigações tributárias não são oponíveis aos beneficiários, razão por que o valor do IRRF constante dos informes de rendimentos deve prevalecer sobre aquele informado nas DIRF por elas entregues; • No que se refere ao IRRF no montante de R$ 14.368,99 incidente sobre rendimentos de renda fixa pagos pelo Banco Icatu S/A, a interessada esclarece que, embora o respectivo informe indique a empresa ATLÂNTICA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S/A como beneficiária, ela se submeteu à cisão em outubro de 1997 (ainda sob a denominação de ATLÂNTICA REALTY PARTICIPAÇÕES S/A) e o ativo gerador dos referidos rendimentos foi aportado pelos seus sócios em 14/11/1997, ao capital da interessada (documento 3), razão por que os rendimentos do respectivo IRRF por ele produzidos, a partir daquela data, pertenciam à interessada e não à ATLÂNTICA EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS; • Além de ter argüido a não comprovação de parte do IRRF informado pela interessada, a DERAT argumenta que o montante de R$ 651.010,51 (comprovado em DIRF) não poderia ser por ela compensado por referirse à retenção exclusiva de fonte, já que a fonte pagadora, no preenchimento dos respectivos informes de rendimentos e DIRF, teria atribuído ao referido rendimento a natureza de prêmio obtido em concursos e sorteios; • Todavia, a interessada esclarece que foi equivocada a informação prestada pela CIMOB no preenchimento da respectiva DIRF e informe de rendimento, como por ela reconhecido em carta (documento 4), uma vez que o referido rendimento corresponde a juros incidentes sobre mútuo contraído da interessada para financiar empreendimentos imobiliários; Esclarece que em razão do decurso de mais de onze após a ocorrência do fato gerador, não mais é possível à CIMOB a retificação da respectiva DIRF; • O referido mútuo também gerou receitas tributáveis nos anos de 1999 a 2001, declarados pela CIMOB nos informes de rendimentos daqueles anos sob o código de receita n° 0924, relativo à FICART" e demais rendimentos do capital, o que evidencia o equívoco cometido em 1998 (documento 5); • De resto, os rendimentos percebidos em 1998 em razão do mútuo com ela celebrado foram incluídos entre os rendimentos tributáveis na sua DIPJ daquele ano e nos de 1999 a 2001; • Assim, na hipótese de não se admitir a retificação da informação relativa à natureza dos referidos rendimentos, devem eles ser excluídos do lucro real da interessada, o que acarretará a redução do montante devido a título de IRPJ e, consequentemente, o aumento do valor do saldo negativo; • Diante do exposto, deve ser restabelecido o crédito correspondente ao saldo negativo apurado pela interessada em 31/12/1998, conforme informado na respectiva DIPJ. Tal crédito atualizado até outubro de 2002 totaliza R$ 1.173.550,97, conforme demonstrado na planilha constante de fls. 03; II Do Saldo Negativo apurado em 31/12/1999 • O valor do IRRF para o ano de 1999 foi composto das seguintes parcelas: IRRF s/juros de empréstimos CIMOB Companhia Imob. R$ 62.874,42; IRRF s/ SWAP Banco Safra R$ 135.901,17; IRRF s/ fundo de investimentos Icatu DI institucional FIF R$ 1.948,42; IRRF s/ fundo de investimentos Icatu DI Private FAQ FIF R$ 4.267,20; IRRF s/ fundo de investimentos Icatu II FIF R$ 82,22; IRRF s/ Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.016556/200270 Acórdão n.º 1301001.746 S1C3T1 Fl. 14 7 fundo de investimentos Icatu XVI FIF R$ 1.934,79; IRRF s/ renda fixa Banco Icatu S/A R$ 622.970,74; IRRF s/ SWAP Banco Icatu S/A R$ 58.563,51; IRRF s/SWAP Banco Icatu S/A R$ 38,20; IRRF s/ resgate de debentures Banco Fininvest S/A R$ 100.576,93; IRRF s/ fundos de investimentos Fininvest Trust Rec. S/A R$ 5,18; (ITABORAÍ) IRRF s/ renda fixa (ITABORAI) Icatu DI Private R$ 50.407,38; IRRF s/ SWAP (ITABORAI) Banco Icatu S/A R$ 15.502,45; IRRF s/ JCP Banco Icatu S/A R$ 2.102.491,81; IRRF s/JCP Banco Icatu S/A R$ 824,72; IRRF s/JCP Talamazon Celular R$ 193,50; IRRF s/JCP Telma Celular R$ 15,62; IRRF s/JCP Teleceará Celular R$ 15,55; IRRF s/ JCP Telaima Celular R$ 72.088,11; IRRF s/ títulos Vanguarda R$ 1.230,03. Não identificado Stage Empreendim. R$ 46.631,10. Total 3.278.563,05. A DERAT entendeu que dos R$ 3.278.53 informados pela interessada a título de IRRF apenas R$ 3.219.005,01 teriam tído sua efetividade comprovada pela indicação nas DIRF apresentadas pelas respectivas fontes pagadoras, as quais foram juntadas às fls. 311/322; Após compulsar os referidos documentos, a interessada verificou que a diferença apurada pela DERAT no valor de R$ 59.558,04 em razão de não guardar correspondência com as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras (CIMOB, ICATU, DI PRIVATE, FAQ, FIF, BANCO ICATU, TELEAMAZON, TELMA,TELEPARÁ e TELAIMA); • Todavia, a efetividade da maior parte do referido crédito já havia sido comprovada pela interessada a partir da juntada dos respectivos informes de rendimentos em resposta aos termos de intimação; • Esclarece que incorporou em 06/12/1999 a empresa ITABORAÍ PARTICIPAÇÕES S/A (documento 7), sendo a data base contábil da incorporação 30/11/1999. Em razão disso, em que pese o Banco Icatu S/A e ICATU DI Private FAQ FIF terem emitido informes de rendimentos atribuindo à ITABORAÍ rendimentos gerados após a data da incorporação (dezembro de 1999), tais rendimentos e o respectivo crédito de IRRF pertencem na verdade à interessada, que sucedeu Itaboraí em todos os direitos e obrigações; • Por conta da referida incorporação, também foi transferido à interessada o crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ registrado na contabilidade de Itaboraí, no valor de R$ 3.928.867,83, gerado entre outros valores, a partir do IRRF no montante de R$ 15.502,45, incidente sobre a operação de Swap realizada pelo Banco Icatu S/A; • No que se refere ao JCP pagos pelas empresas do ramo de telecomunicações (Teleamazon, Telma, Telepará e Telaima) a interessada esclarece que, na ausência de informes de rendimentos por elas emitidos, buscou obter dados relativos ao referido pagamento junto à Cia Brasileira de Liquidação e Custódia; De resto, a interessada esclarece que a fonte pagadora Vanguarda, ao preencher o informe de rendimentos relativo ao pagamento JCP à interessada, informou, por equívoco, ela própria, e não a interessada, como beneficiária dos referidos rendimentos. Ou seja, o informe de rendimentos enviados à interessada demonstra que a Vanguarda pagou o JCP a ela própria, o que, por não ser crível, evidencia o equívoco por ela cometido; Além disso, a interessada esclarece que, em 1999, a sua participação no capital da Vanguarda era de 100% e que o balanço da referida empresa indica o Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 pagamento de JCP no ano de 1999 no montante de R$ 480.587,39, constante do informe de rendimento por ela emitido; • Ressaltase que o valor dos JCP oferecidos à tributação na DIPJ do ano de 1999 (R$ 14.518.427,71), inclui o valor dos rendimentos pagos pela Vanguarda; Além de ter arguido a não comprovação de parte do IRRF informado pela interessada, a DERAT argumenta que, como a interessada somente teria informado na DIPJ receita de JCP no montante de R$ 14.518.427,71, apenas poderia aproveitar crédito de IRRF decorrentes de recebimentos de JCP no montante de R$ 2.177.764,16 (15% de 14.518.427,71); • A DERAT conclui, a partir das DIRF que, do total de IRRF nelas confirmado, a parcela de R$ 2.291.491,81 teria origem em IRRF incidente sobre JCP, daí ter glosado o montante de R$ 113.727,65, por exceder a 15% dos JCP oferecidos à tributação naquele ano; • Tal entendimento se baseia em um equívoco sobre a origem do IRRF informado pela interessada na DIPJ do ano de 1999, já que desconsidera parte do crédito oriundo de receitas financeiras e inclui outros relativos à tributação naquele ano; • De fato, o montante de IRRF incidente sobre JCP glosado pela DERAT corresponde à diferença entre aquele incidente sobre JCP pago pela ITUAÇU PARTICIPAÇÕES não considerado pela interessada em 1999 (R$ 189.000,00), aquele incidente sobre JCP pago pelas teles (Teleamazonia, Telepará e Ttelaíma). Não obstante, uma vez comprovada que apenas a parcela de R$ 2.175.269,31 do total do IRRF informado pela interessada em sua DIPJ incidiu sobre rendimentos de JCP, valor esse que é inferior a 15% do valor da receita de JCP lá tributada, não há razão para a manutenção da glosa proposta pela DERAT; • Assim, relativamente ao ano de 1999, a glosa imposta pela DERAT somente poderia compreender a parcela do IRRF não comprovada por informes de rendimentos emitidos pelas respectivas fontes pagadoras, no montante de R$ 46.631,10, restando um saldo negativo de R$ 3.231.931,05; • A interessada utilizouse da parcela de R$ 3.304.752,21 do saldo negativo de 1999 para quitar o IRPJ estimado devido em fevereiro de 2000. • Mesmo após a exclusão da parcela do IRRF não comprovado por informes de rendimentos ou DIRF, o saldo negativo de 31/12/1999, atualizado até fevereiro de 2000 seria de R$ 3.358.300,49, suficiente para lastrear a compensação efetuada com o IRPJ estimado e gerar uma sobra de crédito no montante de R$ 53.548,28; • Tal sobra, atualizada até outubro de 2002, totalizaria R$ 78.180,48; • O valor líquido da receita relativa ao JCP pago pela ITUAÇU no montante de R$ 1.260.000,00, sobre a qual incidiu o IRRF no montante de R$ 189.000,00, compôs o valor da receita de JCP tributada na DIPJ relativa ao ano de 2000, sem que o respectivo IRRF tivesse sido por ela apropriado; • Embora o saldo negativo de 1999 deva ser reduzido pela exclusão da parcela do IRRF não comprovada a partir dos informes de rendimento, o saldo negativo apurado em 31/12/2000 deve ser aumentado pela inclusão do IRRF incidente sobre o JCP pago pela ITABORAÍ PARTICIPAÇÕES; III Do saldo negativo apurado em 31/12/2000 Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.016556/200270 Acórdão n.º 1301001.746 S1C3T1 Fl. 15 9 • A DERAT entendeu que o saldo negativo apurado pela interessada em 31/12/1999 seria de apenas R$ 3.105.255,36, o qual atualizado até fevereiro de 2000, resultaría em crédito de apenas R$ 3.180.398,62, daí ter reduzido em R$ 78.058,50 o pago por estimativa em 2000; • Além das considerações feitas pela interessada, que demonstra que o saldo negativo por ela apurado em 31/12/1999, mesmo após a exclusão de IRRF não lastreado em informes de rendimentos ou DIRF era suficiente para lastrear a totalidade da compensação efetuada em fevereiro de 2000, deve ser ressaltado que a DERAT não mais poderia questionar a referida compensação, uma vez que a mesma já teria sido tacitamente homologada pelo decurso de mais de cinco anos desde a sua efetivação; • Assim, ainda que o saldo negativo de 31/12/1999 fosse insuficiente para quitar a totalidade do IRPJ estimado de fevereiro de 2000, a DERAT teria de aceitar a referida compensação na sua integralidade; A DERAT entendeu que dos R$ 2.575.904,58 informados apenas R$ 2.509.944,80 teriam tido sua efetividade comprovada pela indicação nas DIRF apresentadas pelas respectivas fontes pagadoras, as quais foram juntadas às fls. 323/330 dos autos do processo em epígrafe; • Após compulsar os referidos documentos, a interessada verificou que a diferença apurada pela DERAT R$ 65.959,78). Em relação a tais valores, contudo, a interessada ora anexa documentos que comprovam o recebimento do JCP líquido do respectivo IRRF; • A DERAT ainda argumenta que o montante comprovado do IRRF não poderia compor o saldo negativo apurado em 31/12/2000 porque já teria sido utilizado pela interessada para quitar o débito do IRRF incidente sobre valores por ela pagos a título de JCP naquele ano; • Tal entendimento baseiase unicamente na constatação de que a interessada informou na linha 35 da ficha 6 A da DIPJ ter pago JCP no montante de R$ 24.352.423,56, daí a DERAT ter presumido que ela utilizou o crédito de IRRF para quitar o referido débito como seria facultado pela legislação; • E defeso à DERAT presumir a compensação pela interessada do IRRF incidente sobre os rendimentos por ela auferidos em 2000 com o IRRF por ela devido na condição de fonte pagadora, incidente sobre o JCP pago naquele ano; • Do total do IRRF informado pela interessada na DIPJ apenas a parcela de R$ 1.466.397,36 incidiu sobre JCP por ela recebido, sendo que, desse montante a DERAT apenas confirmou a efetividade de R$ 1.450.158,20. Assim, nem se a interessada quisesse ela não poderia utilizar a parcela do IRRF incidente sobre rendimentos de outra natureza (R$ 1.109.507,22) para compensar o IRRF devido na qualidade de fonte pagadora, incidente sobre valores por ela pagos a título de JCP; Além disso, sendo uma faculdade da pessoa jurídica e não uma obrigação imposta pela lei, a utilização da parcela do IRRF incidente sobre o JCP recebido para compensar aquele devido quando do pagamento do JCP não poderia ter sido presumida pela DERAT, já que seria possível a sua não ocorrência; Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 • O IRRF incidente sobre o JCP devido pela interessada é maior que o crédito de IRRF incidente sobre o JCP por ela recebido e, não obstante tal constatação, a interessada não ter efetuado qualquer pagamento a título de IRRF em 2000; • Tal fato somente poderia conduzir à conclusão de que tal débito está em aberto, mas não que ele teria sido compensado com o crédito de IRRF incidente sobre o JCP por ela recebido; • Em razão do decurso de mais de cinco anos desde a data do pagamento do JCP o IRRF sobre ele incidente não mais poderia ser exigido da interessada em face da decadência; • A interessada incluiu entre as receitas de JCP tributadas em 2000 (R$ 10.862.090,34) o valor líquido do JCP deliberado por ITUAÇU PARTICIPAÇÕES em 1999 e pago em 2000, no montante de R$ 1.071.000,00. Assim, o saldo negativo de 2000 deve ser aumentado pela inclusão do IRRF incidente sobre JCP pago pela ITABORAÍ PARTICIPAÇÕES (160.650,00 = 15% de R$ 1.071.000,00); • Ressalta que o reconhecimento da referida receita não trouxe nenhuma desvantagem para o fisco, mas sim ganho, já que foi apurado prejuízo fiscal em 1999 e lucro em 2000; IV Do saldo negativo apurado em 31/12/2001 • Na DIPJ relativa ao ano de 2001 a interessada informou ter sofrido retenções de IRRF no montante de R$ 6.882.310,85, o qual se convolou em saldo negativo de IRPJ em razão de ter apurado prejuízo fiscal naquele períodobase. A DERAT entendeu que dos R$ 6.882.310,85 informados pela interessada a título de IRRF, apenas R$ 3.445.737,78 teriam tido sua efetividade comprovada pela indicação nas DIRF apresentadas pelas respectivas fontes pagadoras, as quais foram juntadas às fls. 331/341 dos autos; • Após compulsar os referidos documentos, a interessada verificou que a diferença apurada pela DERAT decorre da glosa no valor total de R$ 3.436.573,07. • Desse total do IRRF glosado pela DERAT, aquele relativos a juros de empréstimos e aplicações financeiras, bem como o JCP pago pelo Unibanco estão lastreados por informes de rendimentos fornecidos pelas respectivas fontes pagadoras; • Neste particular, a interessada esclarece que, em 19/02/2001, incorporou a empresa Serra do Cocai Participações S/A, sendo a data base contábil da incorporação 31/01/2001; Em razão disso, em que pese o Banco Icatu ter emitido informe atribuindo à Serra do Cocai rendimentos gerados após a data de incorporação (janeiro de 2001), tais rendimentos (e respectivo crédito de IRRF), pertencem na verdade à interessada, que sucedeu a Serra do Cocai em todos os direitos e obrigações; Também esclarece que, em 28/05/2001, incorporou o acervo, resultante da cisão de Ituaçu, o qual continha o investimento administrado por BBA ICATU INVESTIMENTOS DVTM. "Em razão disso, em que pese a BBA ICATU ter emitido informes de rendimentos atribuídos à ITUAÇU rendimentos gerados após a data da cisão, tais rendimentos pertencem na verdade à interessada que incorporou o ativo que gerou os referidos rendimentos; Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.016556/200270 Acórdão n.º 1301001.746 S1C3T1 Fl. 16 11 • Em relação ao IRRF incidente sobre os demais valores, a interessada anexa documentos que comprovam o recebimento do JCP líquido do respectivo IRRF, devendo ser restabelecido o valor do saldo negativo apurado pela interessada em 31/12/2001. A DRJ/RIO DE JANEIRO decidiu a matéria consolidada no Acórdão 12 29.670, de 31/03/2010 (fls. 827), julgando procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 IMPOSTO RETIDO NA FONTE SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A restituição/compensação de imposto retido na fonte sobre aplicações financeiras resgatadas condicionase à demonstração efetiva da existência de créditos líquidos e certos da pessoa jurídica contra a Fazenda Pública, conforme preceitua o Código Tributário Nacional (art. 170) e da observância de requisito formal no pedido, que deve ser formulado sob a forma de restituição/compensação de saldo negativo ou saldo credor do IRPJ, em consonância com o tratamento que lhe dispensa a legislação aplicável à espécie (arts. 770, § 2o e 773, inciso I, do RIR/1999), a qual exige que os rendimentos que deram origem ao imposto devem integrar o lucro real e que o imposto na fonte deve ser considerado como antecipação do IRPJ devido no encerramento dos períodos de apuração. Comprovadas as retenções com a documentação hábil e idônea e sendo o saldo negativo demonstrado pela interessada, inexiste óbice à concessão do crédito, desde que inserido nesta situação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. GLOSA DE RETENÇÃO NA FONTE. O sujeito passivo tributado com base no Lucro Real somente poderá deduzir do IRPJ devido os valores do imposto retidos na fonte, nas hipóteses em que as receitas auferidas, sobre as quais incidiriam as retenções, forem computadas para determinação do lucro real. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. INCORPORAÇÃO DE EMPRESAS. O direito de utilização de saldos negativos de IRPJ apontados nas DIPJ de encerramento do exercício estendese aos valores transferidos de empresas incorporadas. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. LIMITE DO CRÉDITO. Reconhecido o direito creditório em litígio, cabe à autoridade administrativa homologar as compensações declaradas até o limite do crédito consignado na declaração apresentada pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 12 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. As argumentação trazidas são as mesmas da inicial (impugnação), aduzindo fundamentos a respeito do quanto decidido em primeira instância. Passo a análise. Compulsando os autos do presente processo constato que restou a esta instância julgadora decidir sobre as seguintes matérias. 1) ANO CALENDÁRIO DE 1998 Compulsando os autos do presente processo, aferese para este ano calendário que a contribuinte informa em sua DIPJ o valor de IRRFonte no montante de R$ 1.169.433,03. A autoridade administrativa confirma, via DIRF e Informes de Rendimentos o valor total de R$ 1.150.974,09 e, deste, diminuiu o valor de R$ 651.010,51 declarado no código 0916 (prêmios obtidos em concursos e sorteios) que tratase de retenção exclusiva na fonte, restaria como retenção na fonte dedutível do Imposto de Renda Anual, o valor de R$ 499.963,58 deduzindo, ainda, o valor de R$ 442.098,85 utilizado para compensação das estimativas, resulta, afinal,.como saldo negativo R$ 57.864,73 (Despacho de fls. 387/392). Além destes valores a DRJ (primeira instância) aceita o valor de R$ 18.140,81. Saldo não comprovado R$ 39.723,92. Neste ponto, a discussão resumese aos rendimentos de prêmios obtidos em sorteio no valor de R$ 651.010,51, cuja fonte pagadora (CIMOB) declara em simples correspondência, tratarse de juros sobre mútuo e não de prêmios conforme consta no informe de rendimentos declarado pela própria. Ressaltese que tal rendimento não consta em DIRF apresentada. A recorrente, ainda, requer, caso se confirme a glosa, que o valor seja excluído do lucro real, o que aumentaria o SNIRPJ. Pois bem. O ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.016556/200270 Acórdão n.º 1301001.746 S1C3T1 Fl. 17 13 Este é o posicionamento da jurisprudência administrativa, representada por exemplo na ementa a seguir transcrita: Acórdão nº 1301000.872, em 10 de abril de 2012: “SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. A divergência verificada entre os registros de retenção na fonte apontados pela contribuinte em sua DCOMP e os respectivos registros de dados mantidos pela Fazenda Pública podem/devem ser elididos pela apresentação dos respectivos documentos emitidos pela fonte pagadora que comprovem a efetivação da retenção (Informe de rendimentos). A ausência de comprovação pela contribuinte, apesar de reiteradamente intimada para tanto, atua contra ela, fazendo prevalecer, assim, a incerteza do crédito apontado, e a impossibilidade de admissão da compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.” A respeito da matéria, devese ainda invocar a Súmula nº 80 editada por este Conselho: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. No caso, mister é que a recorrente faça prova cabal de que as receitas foram oferecidas à tributação e que o imposto de renda foi efetivamente retido pela fonte pagadora, fazendo prova deste fato com a apresentação do Informe/Comprovante de Rendimentos respectivo, documento que pode ser suprido pela DIRF apresentada pelas fontes pagadoras. Desta forma, a recorrente não trouxe ao litígio documentação hábil capaz de atribuir a liquidez e certeza ao crédito ora pleiteado; simples correspondência da fonte pagadora com informação oposta à sua própria declaração no informe de rendimentos não é atributo suficiente para tal. Por esta razão, inadmissível o reconhecimento de qualquer crédito além do valor já reconhecido na decisão de primeira instância comprovado nas DIRF e Comprovantes de Rendimentos entregues pelas fontes pagadoras/clientes da recorrente, na qualidade de beneficiária. Com relação a apuração do lucro real a obrigação e competência é exclusiva da contribuinte, ficando a cargo da autoridade tributária a competência do controle da legalidade atinente. 2) ANO CALENDÁRIO DE 1999 Para este ano calendário a contribuinte informou em sua DIPJ, linha 13, Ficha 13, o valor de IRRF de R$ 3.278.563,05, sendo que, deste total informado, apenas foi confirmado/encontrado entre as DIRFs apresentadas o valor de R$ 3.219.005,01. A discussão pendente, neste ponto, é com relação ao saldo negativo de 1999 reconhecido pela DECISÃO no total de R$ 3.232.836,77, correspondente ao IRF incidentes Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 14 sobre aplicações financeiras acrescido do IRF incidente sobre JCP comprovado pela fiscalização. No que se refere aos JCP pagos pelas empresas do ramo de telecomunicações (Teleamazon, Telma, Telepará e Telaima: a) a RECORRENTE esclareceu, em sua manifestação de inconformidade, que, na ausência de informes de rendimentos por elas emitidos, buscou obter dados relativos ao referido pagamento junto à Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), tendo esta, em correspondência datada de 14/11/2000, discriminando por créditos de IRF utilizados pela RECORRENTE (tal documento também já havia sido disponibilizado pela RECORRENTE às autoridades fiscais em momento anterior ao do Despacho Decisório). Constatase com relação ao valor declarado relativo a retenção do recebimento de juros sobre capital próprio, que o mesmo corresponde a um total R$ 2.291.491,81 referentes a recebimentos no valor de R$ 15.276.612,06, entretanto, somente foram oferecidos à tributação o montante de R$ 14.518.427,71, o que corresponde a 95,037% do valor efetivamente registrado nas DIRFs correspondentes. Assim, a autoridade Tributária adotando a regra da proporcionalidade considerou a retenção, relativa aos créditos oferecidos à tributação o valor de R$ 2.177.764,16, reduzindo o valor citado acima (R$ 3.219.005,01), para R$ 3.105.277,36. De qualquer forma, para este ano calendário (1999), não há como ser reconhecido nenhum saldo negativo, como bem explicita o voto combatido, a saber: "Entretanto, cumpre ressaltar que os valores constantes na correspondência de fls. 596, não se encontram vinculados aos documentos legalmente admitidos para que seja demonstrada a liquidez e certeza do crédito, já que nem o informe de rendimentos nem as DIRF foram apresentadas pelas fontes pagadoras, respectivamente, à interessada e ao Fisco. Verificase, contudo, que mesmo após o reconhecimento do IRRF + JCP para o anocalendário de 1999 no valor de R$ 3.232.836,77 ao invés de R$ 3.105.277,36, compensou a interessada na DIPJ 2001/2000 o valor de R$ 3.304.752,21, não restando, desta forma, qualquer crédito a seu favor. Ao contrário, analisandose os valores originais, notase que não há como ser reconhecido, para o anocalendário de 1999 saldo negativo a favor da interessada." Desta forma vale os mesmos argumentos precedentes (item anterior) com relação ao ônus da prova (comprovante de rendimentos e/ou DIRF) e/ou prova cabal de que as receitas foram oferecidas à tributação.. 3) ANO CALENDÁRIO DE 2000 Para este ano calendário a contribuinte informou em sua DIPJ um IRPJ devido no montante de R$ 159.358,29, retenções de IRF no montante de R$ 2.575.904,58 e pagamento de estimativa no montante de R$ 3.304.752,21, disso resultando em um saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 5.721.298,00 (= 2.575.904,58 + R$ 3.304.752,21 R$ 159.358,29). A Administração Tributária compulsando as DIRFs apresentadas convalidou o IRRF no montante de R$ 2.509.944,80 (e não o declarado no valor de R$ 2.575.904,58). Da diferença apurada (R$ 65.959,78), a DRJ analisando os informes de rendimentos apresentados convalida o valor de R$ 50.133,87. Remanesce sem comprovação o IRRF no valor de R$ 15.825,91. Neste ponto, em síntese, alega a recorrente: Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.016556/200270 Acórdão n.º 1301001.746 S1C3T1 Fl. 18 15 Conforme esclarecido pela RECORRENTE em respostas a termos de intimação que precederam o Despacho Decisório em epígrafe, a estimativa foi compensada com o saldo negativo apurado em 31.12.1999, atualizado até março de 2000 (SELIC acumulada de 3,91 %). Como visto, a DERAT entendeu que o saldo negativo apurado pela RECORRENTE em 31.12.1999 seria de apenas R$ 3.105.277,36, o qual, atualizado até março de 2000, resultaria em crédito de apenas R$ 3.180.398, 62 (conforme demonstrativo de fls. 385), daí ter reduzido em R$ 78.058,50 (= R$ 3.304.752,21 R$ 3.180.398,62) o valor do IRPJ pago por estimativa em 2000. Além das considerações feitas pela RECORRENTE na seção anterior, que demonstram que o valor do saldo negativo de 1999 reconhecido pela DECISÃO (R$ 3.232.836,77), era suficiente para lastrear a totalidade da compensação efetuada em março de 2000 ( relativa ao IRPJ estimado de fevereiro de 2000), deve ser ressaltado que a DERAT não mais pode questionar a referida compensação, uma vez que a mesma já teria sido tacitamente homologada pelo decurso de mais de cinco anos desde a sua efetivação. Assim, ainda que o saldo negativo de 31.12.1999 fosse insuficiente para quitar a totalidade do IRPJ estimado de fevereiro de 2000, a DERAT teria de aceitar a referida compensação na sua integralidade Neste particular, a DECISÃO alega que a referida compensação não teria sido tacitamente homologada porque o pedido de compensação protocolizado pela RECORRENTE em 29.10.2002 teria sido retificado em 11.08.2004, de forma que a homologação tácita somente ocorreria se o despacho da DERAT não tivesse ocorrido até 11.08.2009, tendo a RECORRENTE sido dele cientificada em 08.09.2009. Todavia, a RECORRENTE jamais alegou que a DCOMP formalizada em 29.10.2002 (objeto do processo em epígrafe), já teria sido tacitamente homologada, o que realmente não ocorreu. 0 que a RECORRENTE argumenta é que a compensação efetuada em março de 2000 (relativa à quitação do IR estimado de fevereiro de 2000 com o saldo negativo de 1999), formalizada por meio de pedido de compensação específico e não analisado no presente processo, não poderia ser mais questionada por ter sido tacitamente homologada. Assim, independentemente da demonstração de que o saldo negativo de 1999 é suficiente para lastrear a totalidade da compensação efetuada em março de 2000, a fiscalização está obrigada a reconhecer que a estimativa de fevereiro de 2000 foi integralmente quitada e, portanto, que o crédito a ela relativo compõe o saldo negativo de 2000. (...) A DERAT ainda argumentou que o montante comprovado do IRF não poderia compor o saldo negativo apurado em 31.12.2000 porque já teria sido utilizado pela RECORRENTE para quitar débito de IRF incidente sobre valores por ela pagos a título de JCP naquele ano. 0 entendimento da DERAT baseouse unicamente na constatação de que a RECORRENTE informou na linha 35 da ficha 6A da DIPJ ter pagado JCP no montante de R$ 24.352.423,56, bem como de que ela não efetuou o recolhimento do IRF sobre ele incidente, no montante de R$ 3.652.862,53, daí a DERAT ter Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 16 presumido que ela utilizou o crédito de IRF para quitar o referido débito, como seria facultado pela legislação. Em sua manifestação de inconformidade , a RECORRENTE ressaltou que é defeso à DERAT, à falta que qualquer prova de tal fato, presumir a compensação pela RECORRENTE, do IRF incidente sobre os rendimentos por ela auferidos em 2000 com o IRF por ela devido na condição de fonte pagadora, incidente sobre o JCP pago naquele ano. A DECISÃO acolheu a argumentação da RECORRENTE no sentido de não ser possível à DERAT presumir a utilização do IRF incidente sobre JCP recebido pela RECORRENTE para quitar o IRF incidente sobre JCP por ela pago. Não obstante, a DECISÃO entendeu que a RECORRENTE teria a obrigação de comprovar as despesas que deram origem ao resultado do exercício de 2000, sob pena de não se ter a comprovação da liquidez e certeza do saldo negativo apurado. Ainda, neste ponto, afirma que: “Embora a exigência de comprovação dos pagamentos antecipados de IRPJ possa ser feita no prazo de análise do pedido de restituição ou compensação de saldo negativo, o questionamento do valor do IRPJ apurado pelo próprio contribuinte, por configurar novo lançamento (de ofício), somente pode ser efetuado no prazo de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º. do CTN.” Por fim, anexa ao recurso voluntário, cópia da ata da assembléia que deliberou o pagamento do referido JCP, bem como cópia do Livro Razão em que registrada a obrigação de pagar o referido JCP, já líquido do respectivo IRF como prova da efetividade da despesa com JCP deduzida em 2000 e, conclui: Assim, a contabilização regular das despesas incorridas pelo contribuinte, calcada em contratos e/ou documentos comerciais e fiscais hábeis, faz prova a seu favor, sendo do fisco o ônus de provar a inveracidade dos fatos contabilizados (§ 2o. do art. 9o do DL n ° 1.598/77. De resto, como adiantado na seção anterior, a RECORRENTE incluiu entre as receitas de JCP tributadas em 2000 (R$ 10.862.090,34) o valor líquido do JCP deliberado por ITUAÇU PARTICIPAÇÕES em 1999 e pago em 2000, no montante de R$ 1.071.000,00. Assim, o saldo negativo de 2000 deve ser aumentado pela inclusão do IRF incidente sobre JCP pago pela ITABORAI PARTICIPAÇÕES (R$ 160.650,00 = 15% de R$ 1.071.000,00). Com relação a homologação tácita é incontroverso que a compensação, no âmbito do direito tributário, somente pode ocorrer com créditos líquidos e certos, a teor do art. 170 do Código Tributário Nacional. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. No caso em exame, o direito creditório se origina da declaração DIPJ/2000. Já a declaração de compensação (DCOMP), que oferece dito direito creditório em compensação, foi entregue em 2004 (retificadora). Pela tese da recorrente, o fisco teria o prazo de 5 anos a contar da compensação efetuada em março/2002 para examinar a certeza e liquidez do direito creditório, Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10768.016556/200270 Acórdão n.º 1301001.746 S1C3T1 Fl. 19 17 Como se vê, não há como prosperar a tese do recorrente, seja ela por uma decorrência lógica ou, ainda, porque, no caso de compensação, o prazo para a homologação tácita ocorre após o prazo de cinco anos da entrega da declaração de compensação (§ 5º do art. 74, Lei 9.430, de 1996 e alterações). Não obstante a controvérsia estabelecida, pareceme claro que não existe na legislação tributária expressa disposição legal a respeito do prazo para o fisco examinar a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. O que existe, e deve ser fielmente respeitado, é o prazo de 5 anos para o fisco proceder ao lançamento/constituição do crédito tributário, hipótese definitivamente não verificada nos presentes autos. Assim, face a inexistência de previsão legal, concluo pela não ocorrência da decadência do fisco proceder na conferência das parcelas que compõem o saldo negativo do IRPJ informadas pelo contribuinte na declaração DIPJ/2000. Com relação à comprovação das despesas a título de juros sobre capital próprio e retenção do respectivo imposto de renda na fonte, a recorrente anexa ao recurso voluntário cópia da Ata da Reunião de Diretoria deliberando o pagamento de juros a título de remuneração do capital próprio no total bruto de R$ 24.352.423,56 que após a retenção do imposto de renda corresponderá a um valor líquido de R$ 20.699.560,03, a ser pago nos meses de janeiro a dezembro de 2001. Anexa, ainda, cópia do Livro Razão contendo o lançamento da "Provisão de JCP a Distribuir em 2001". Como visto acima, conclui a peça recursal, que a despesa com o JCP pago pela recorrente não poderia mais ser glosada, pelo que não se justifica a diminuição do SNIRPJ do período. Matéria esta já analisada no tópico acima. Afirma, ainda, que "a contabilização regular das despesas incorridas pelo contribuinte, calcada em contratos e/ou documentos comerciais e fiscais hábeis, faz prova a seu favor, sendo do fisco o ônus de provar a inveracidade dos fatos contabilizados ( § 2o do art . 9o do DL n ° 1.598/77." Por fim, requer que o saldo negativo do AC/2000 deve ser aumentado pela inclusão do IRF incidente sobre o JCP pago pela ITUAÇU PARTICIPAÇÕES no valor de R$ 160.650,00 ( 15% de R$ 1.071.000,00). Desta forma, a recorrente não trouxe ao litígio documentação hábil capaz de atribuir a liquidez e certeza ao crédito ora pleiteado; simples cópia da "Ata de Reunião" e do Razão não é atributo suficiente para tal, pois, no caso, faltalhe o suporte documental, como a própria recorrente afirma no parágrafo precedente deverá haver o suporte em contratos e/ou documentos comerciais e fiscais hábeis. Por esta razão, mais uma vez, inadmissível o reconhecimento de qualquer crédito além do valor já reconhecido na decisão de primeira instância comprovado nas DIRF e Comprovantes de Rendimentos entregues pelas fontes pagadoras/clientes da recorrente, na qualidade de beneficiária. 4) ANO CALENDÁRIO DE 2001 Para este ano calendário a contribuinte informou em sua DIPJ retenções (IRRF) no montante de R$ 6.882.310,85 (por ter apurado prejuízo este valor é o próprio Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 18 SNIRPJ). A Administração Tributária (DERAT) confirmou em DIRF o valor de R$ 3.445.737,78. Da diferença apurada (glosa: R$ 3.436.573,07) a DRJ, analisando os informes de rendimentos fornecidos pelas respectivas fontes pagadoras acostados à impugnação, convalida os valores no montante de R$ 3.427.940,26, remanescendo, portanto, o valor de R$ 8.632,81 sem comprovação e, que se mantém a glosa. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância, na íntegra. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 13656.000515/2003-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CANCELAMENTO.
É nula a autuação lavrada sob o fundamento "Proc jud não comprovado", quando o contribuinte apresenta provas de que é parte da demanda judicial considerada pela fiscalização como inexistente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3102-002.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento e José Paulo Puiatti votaram pelas conclusões.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, José Paulo Puiatti e Nanci Gama.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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PIS Recorrente CORSO CIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CANCELAMENTO. É nula a autuação lavrada sob o fundamento "Proc jud não comprovado", quando o contribuinte apresenta provas de que é parte da demanda judicial considerada pela fiscalização como inexistente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento e José Paulo Puiatti votaram pelas conclusões. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram, ainda, da sessão de julgamento os conselheiros José Fernandes do Nascimento, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, José Paulo Puiatti e Nanci Gama. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da DRJ em Juiz de Fora que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, por entender que é cabível o lançamento para prevenir a decadência do direito da Fazenda Pública exigir a contribuição, mormente se houve a compensação desses valores e o direito creditório e a forma AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 00 05 15 /2 00 3- 06 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 2 de sua utilização, estavam sendo discutidos judicialmente. Por outro lado, entendeu que uma vez que a Justiça reconheceu o direito ao crédito bem como o de compensálo com tributos da mesma espécie, reconhecese a legitimidade do procedimento do contribuinte. Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados com riqueza de detalhes, adoto o relatório da decisão recorrida, transcrevendoo abaixo na íntegra: Foi lavrado pela Auditoria Interna de DCTF, em 13/06/2003, Auto de Infração para exigir a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referente aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 1998, no valor de R$ 253.485,85, que acrescido de multa e juros totalizou o crédito tributário de R$ 681.418.67. Inconformado o contribuinte apresentou sua impugnação de fis.01/17, alegando, em síntese, que já teria decaído o direito da Fazenda Pública exigir a contribuição incidente sobre fatos geradores ocorridos entre janeiro a junho de 1998, de conformidade com art. 150, § 4o , do CTN. Além disso, afirmou que ingressou na Justiça pleiteando a compensação dos valores do PIS pagos indevidamente, nos termos dos DecretosLei 2.445/88 e 2.449/88, com parcelas vencidas e vincendas da Cofins, CSLL e do próprio PIS. A Sexta Turma do Tribunal Regional Federal deu provimento parcial ao processo de n° 97.06161155, '''para autorizar a compensação do PIS com PIS, Cofins e CSLL, com aplicação da correção monetária segundo os índices oficiais utilizados pela Receita Federal para correção dos seus créditos e, para afastar a incidência dos juros de mora e da laxa SELIC, por serem incabíveis em sede de compensação de créditos fiscais" "Sendo assim, a determinação que imputa multa moratória de 75 % (setenta e cinco por cento) do valor decorrente da obrigação tributária principal extrapola os limites constitucionais permissivos a este ataque, empregando este comando sancionatório com nítidos fins confiscatórios” Alega ainda que "em obediência a tal principio (proporcionalidade), a multa relativa à falta de pagamento de multa de mora não poderia ser capitulada em 75% sobre o valor do imposto, ainda mais quando o valor correto foi declarado em DCTF, demonstrandose o lastro da compensação fundada em autorização judicial conforme demonstrado." E mais, que inexiste fundamento legal definindo a SELIC como taxa prevista para aplicação em débitos tributários, uma vez que "está prevista apenas em resoluções e circulares de Banco Centrar. Como "não existe lei instituindo a utilização da taxa SELIC para cálculo de juros de créditos tributários, não sendo crível considerar válida apenas a permissão em Lei tributária para utilização da mesma ..." "Vale ainda salientar que a expressão 'se a lei não dispuser de modo diverso' (art. 161 CTN), somente deve ser compreendida como possibilidade da legislação estabelecer taxa menor do que Fl. 259DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13656.000515/200306 Acórdão n.º 3102002.285 S3C1T2 Fl. 13 3 a prevista no CTN, nunca podendo ultrapassar o percentual de 1% ao mês. " Requer, por fim, o cancelamento do Auto de Infração já que entende ter ocorrido a decadência para o período de janeiro a junho de 1998, ou considerálo insubsistente "pela ausência de valores a serem exigidos pelo fisco Federal" A DRJ em Juiz de Fora julgou a parcialmente procedente a impugnação apresentada, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 Ementa: É procedente o lançamento para prevenir a decadência do direito da Fazenda Pública exigir a contribuição, mormente se houve a compensação desses valores e o direito creditório e a forma de sua utilização, estavam sendo discutidos judicialmente. Uma vez que a Justiça reconheceu o direito ao crédito bem como o de compensálo com tributos da mesma espécie, reconhecese a legitimidade do procedimento do contribuinte. Lançamento Procedente em Parte Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho basicamente reafirmando as alegações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente autuação decorreu, exclusivamente, da suposta falta de comprovação da existência dos processos judiciais suspendendo a exigibilidade dos créditos lançado, informados pelo contribuinte em DCTF. Ocorre que tal alegação não procede. Com efeito, a decisão recorrida confirma expressamente a existência das referidos processos judiciais. Tanto é verdade que foi exatamente este o pressuposto fixado no acórdão para concluir que é procedente o lançamento para prevenir a decadência do direito da Fazenda Pública exigir a contribuição, mormente se houve a compensação desses valores e o direito creditório e a forma de sua utilização, estavam sendo discutidos judicialmente. Com efeito, a autoridade julgadora é categórica ao afirmar o seguinte: As compensações efetuadas pela empresa estavam amparadas por Liminar em Mandado de Segurança expedido em Fl. 260DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA 4 28/11/1997, (processo originário n° 97.06161155, transformado em 2000.03.99.0441074) e decisões prolatadas posteriormente (fls. 37/61). Às fls.60, concluindo seu voto a Desembargadora Federal Marli Ferreira determinou: "Diante disso, dou parcial provimento à remessa oficial, para autorizar a compensação nos termos da sentença (compensação do PIS com PIS, COFINS e CSLL), com aplicação da correção monetária segundo os índices oficiais utilizados pela Receita Federal para correção dos seus créditos e, para afastar a incidência dos juros de mora e da taxa SELIC, por serem incabíveis em sede de compensação de créditos fiscais A despeito da apresentação pelo contribuinte de provas que afastam a fundamentação legal do AI (proc jud não comprovado), bem como o seu próprio reconhecimento pela decisão recorrida, a DRJ preferiu manter a exigência com base em fatos diversos, sustentando que o presente auto de infração teria sido lavrado apenas para prevenir decadência (mesmo não existindo qualquer indicativo na fundamentação legal neste sentido), e por conta disso, apenas afastar as multas e homologar as compensações até o limite do direito creditório reconhecido pelo poder Judiciário. Ao assim proceder, incorreu em flagrante nulidade, na medida em que realizou autuação nova, vez que baseada em fundamento legal igualmente novo, o que extrapola a sua competência. Afinal, como o fundamento da autuação foi apenas a não confirmação da existência de medida judicial válida, a apresentação de provas em sentido contrário (ou seja, que demonstram que existem as ações judiciais indicadas em DCTF, que a ora Recorrente figura em seu polo ativo e que a matéria que nela se discute é a exigência em questão) é suficiente para afastar a autuação, nos termos prescritos pelo art. 53 da Lei nº 9.784/99 c/c o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72. Nesse sentido já decidiu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais como se verifica do trecho do voto da Relatora no Ac. 930301.287: Ora, tendo o Fisco motivado seu ato na não comprovação do processo judicial e a realidade demonstrada no processo desmentir o motivo indicado, claro está que o auto de infração deve ser anulado pela própria Administração, a teor do que determina o art. 53 da Lei nº 9.784/99, combinado com o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72. Da mesma forma, como exposto na decisão recorrida, o lançamento de ofício deveria ter considerado decisão transitada em julgado favorável ao contribuinte. No mais, o recurso interposto, deveria trazer contestação a todos os itens expostos na decisão guerreada, e não somente quanto à liquidez dos créditos utilizados pela contribuinte na compensação, matéria, inclusive afeta à fiscalização, se tivessem sido observados todos os requisitos legais do lançamento. Pelo exposto, suscitei, de ofício, a nulidade do presente processo, em face de ter o contribuinte apresentado provas que afastam a veracidade da fundamentação fática que o originou (“ocorrência: Proc jud não comprovado"), bem como em razão de estar plenamente evidenciado que a decisão recorrida alterou o fundamento legal do Auto de Infração pra mantê lo, ainda que em parte. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13656.000515/200306 Acórdão n.º 3102002.285 S3C1T2 Fl. 14 5 Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, julgando totalmente improcedente o presente auto de infração, seja em face de ter o contribuinte apresentado provas que afastam a veracidade da fundamentação fática que o originou (“ocorrência: Proc jud não comprovado"), seja porque não se trata de auto para prevenir decadência. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/01/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10410.725332/2012-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.604
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COOPERATIVA DE COLONIZAÇÃO AGROPECUÁRIA EINDUSTRIAL PINDORAMA LTDA.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COOPERATIVA DE COLONIZAÇÃO AGROPECUÁRIA EINDUSTRIAL PINDORAMA LTDA. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt e Antonio Lopo Martinez.
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt e Antonio Lopo Martinez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 10 .7 25 33 2/ 20 12 -7 4 Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10410.725332/201274 Resolução nº 2202000.604 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor da contribuinte, COOPERATIVA DE COLONIZAÇÃO AGROPECUÁRIA E INDUSTRIAL PINDORAMA LTDA, por meio da Notificação de Lançamento nº 04401/00025/2012 de fls. 03/07, emitida em 26.11.2012, a contribuinte identificada no preâmbulo foi intimada a recolher o crédito tributário, no montante de R$10.190.679,09, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), exercício de 2007, acrescido de multa lançada (75%) e juros de mora, tendo como objeto o imóvel denominado “Cooperativa de Col. Agrop. e Ind. Pindorama LTDA”, cadastrado na RFB sob o nº 4.367.9048, com área declarada de 32.309,2 ha, localizado no Município de Coruripe/AL. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2007 incidentes em malha valor, iniciou se com o Termo de Intimação Fiscal nº 04401/00014/2012 de fls. 12/14, para a contribuinte apresentar os seguintes documentos de prova: 1º Para comprovar as áreas ocupadas com benfeitorias declaradas: Laudo elaborado por Engenheiro Civil ou Agrônomo, acompanhado de ART registrada no CREA, que identifique as benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural existentes no imóvel em 01.01.2007, nos termos da alínea “a” do inciso IV, do §1ª do artigo 10 de Lei nº 9.393/96 e artigo 17 do Decreto nº 4.382/02 (RITR); que contenham os seguintes elementos: Para edificações e instalações (casas, silos, currais, galpões, construções): discriminação das áreas efetivamente ocupadas pelas edificações e construções; Para as demais benfeitorias que não sejam edificações e instalações (estradas, açudes, etc): levantamento topográfico que permita a localização e determinação das áreas efetivamente ocupadas. Alternativamente, outros documentos que permitam detalhar as dimensões e localizações das áreas ocupadas com benfeitorias, conforme acima especificado, poderão ser apresentados; 2º Para comprovar o VTN declarado: Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua emitido por engenheiro agrônomo/florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT com grau de fundamentação e de precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica – ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados do mercado. Alternativamente, o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1º de janeiro de 2007, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do VTN, com base nas informações do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1º de janeiro de 2007 no valor de R$: • Pastagem/pecuária R$ 10.000,00; Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10410.725332/201274 Resolução nº 2202000.604 S2C2T2 Fl. 4 3 • Florestas R$ 10.000,00; • Cultura/Lavoura R$ 13.000,00; • Campos R$ 8.000,00; • Outras R$ 10.000,00. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, a contribuinte apresentou as correspondências de fls. 16, 20, 24, 25/26 e 42, acompanhadas dos documentos de fls. 17/19, 21, 27/39 e 43/115. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2007, a fiscalização resolveu glosar, parcialmente, a área ocupada com benfeitorias, reduzida de 2.235,0 ha para 1.358,4 ha, glosou o valor benfeitorias de R$18.792.564,00, além de alterar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$7.536.536,00 (R$233,26/ha) para o arbitrado de R$175.367.121,02 (R$5.427,78/ha), com base em valor constante do Laudo de Avaliação apresentado pela contribuinte, com consequente redução do Grau de Utilização, aumento do VTN tributável e da alíquota aplicada e disto resultando imposto suplementar de R$4.481.192,16, conforme demonstrado às fls. 06. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 04/05 e 07. Cientificada do lançamento, em 04.12.2012, às fls. 116, ingressou a contribuinte, em 03.01.2013, às fls. 119, com sua impugnação de fls. 119/136, instruída com os documentos de fls. 137/1.037, alegando e solicitando o seguinte, em síntese: Considera que a fiscalização observou apenas parcialmente o Laudo de Avaliação, desconsiderando a realidade fática do imóvel ao não considerar a área de pastagem nele informada; Entende que o lançamento não pode prevalecer, seja pela ilegitimidade da sociedade empresária para figurar no pólo passivo, seja em razão da inexistência de crédito tributário em face da imunidade do imóvel, seja em razão de erros materiais quanto à apuração do ITR, comprovados por Laudo Técnico, motivos pelos quais, roga se que seja a Notificação de Lançamento anulada; Informa que é uma Cooperativa formada por 1.155 pessoas físicas, as quais por intermédio da agricultura familiar fornecem matéria prima à Cooperativa, destinadas à industrialização e comercialização conjunta, para obter melhores resultados; Esclarece que os cooperados entregam à Cooperativa, cana de açúcar e frutas produzidas na região, como: maracujá, abacaxi, acerola, goiaba e outras, que são transformadas em produtos industrializados e posteriormente comercializados; Destaca que a atividade agrícola dos Cooperados é em grande parte financiada pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf); Informa que a área do imóvel de 32.309,2 ha é dividida em 1.491 pequenas glebas rurais, conforme mapa anexo, as quais são Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10410.725332/201274 Resolução nº 2202000.604 S2C2T2 Fl. 5 4 distribuídas por 1.155 cooperados, que tem a posse direta e cultivam a terra, com suporte técnico da Cooperativa; Entende que, embora o lançamento tenha sido realizado em nome da Cooperativa, verifica se que ela é parte ilegítima, uma vez que, como provado, a posse do imóvel é exercida diretamente pelos seus 1.155 cooperados, sendo, portanto, estes os sujeitos passivos do ITR; Cita e transcreve o art. 29 do CTN e o art. 1º da Lei nº 9.393/1996 para dizer que o ITR incidirá sobre a propriedade, o domínio útil ou a posse, sendo o sujeito passivo aquele que realizar o fato gerador nos termos do art. 4º da Lei nº 9.393/1996; Considera que a escolha do sujeito passivo da obrigação tributária não é ato discricionário da Administração Pública, e esta deve recair sobre o sujeito passivo que possua maior relação direta ou pessoal com o imóvel, ou seja, preferencialmente, deve recair sobre quem detém a posse e cita Decisões Judiciais para referendar sua tese; Salienta que embora seja a proprietária do imóvel, certo é que não é detentora da posse, já que o imóvel é dividido em 1.491 pequenas glebas rurais e distribuído por 1.155 famílias, que exploram atividade agrícola e por isso deve ser reconhecida a sua ilegitimidade passiva; Entende que, ainda que não prevaleça a sua ilegitimidade passiva, existe erro material no lançamento, isso porque o imóvel de 32.309,2 ha é dividido em 1.491 pequenas glebas, com área máxima de 30,0 ha por lote e sendo assim não poderia ser considerado como um todo unitário para o cálculo do ITR, estando, assim, em desconformidade com a realidade material; Salienta que a fiscalização ao considerar o imóvel como um todo aplicou a alíquota de 3,00%, destinada a imóveis com área maior que 5.000,0 ha, quando, em verdade, tais pequenas glebas rurais (igual ou inferior a 30,0 ha) são imunes do ITR, consoante previsão do art. 153, § 4º, II, da Constituição da República e do art. 2º, parágrafo único, III, da Lei nº 9.393/1996; Entende que a imunidade se aplica ao caso, uma vez que o imóvel é dividido em pequenas glebas rurais de até 30,0 ha cada, conforme mapa anexo, elaborado por Engenheiro Agrônomo, de acordo com as normas da ABNT, as quais são exploradas diretamente pelos cooperados em regime de agricultura familiar, conforme conta da relação dos cooperados e contratos do Pronaf, em anexo; Considera que em respeito ao princípio da legalidade que norteia os atos da Administração Pública, do qual decorre o princípio da verdade material, cabe ao Fisco sempre perseguir a verdade real dos fatos que deram origem ao lançamento e, por isso, havendo erro, por parte da fiscalização, é necessário o cancelamento do lançamento e cita Decisões Administrativas para embasar seus argumentos; Entende que houve erro material quanto ao lançamento, porque a fiscalização considerou as áreas de benfeitorias e o VTN constantes do Laudo apresentado e deixou de considerar, na apuração do ITR, a área Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10410.725332/201274 Resolução nº 2202000.604 S2C2T2 Fl. 6 5 de pastagens que integra a distribuição da área utilizada pela atividade rural apurado pelo citado Laudo; Apresenta quadro com os dados da Distribuição das áreas utilizadas pela atividade rural constantes do Laudo, da autuação e da declaração, para salientar que a fiscalização ao não adotar a informação do Laudo quanto a área de pastagens apurou um GU de 78,2%, que acarreta uma alíquota de 3,00%, e se adotado os dados do Laudo o GU é de 87,4% e alíquota de 0,45%; Ressalta que, em observância ao princípio da verdade material, nas hipóteses em que ocorra erro por parte da fiscalização, na consideração dos dados do imóvel, é necessário que haja o cancelamento do lançamento e par tanto é suficiente a apresentação de Laudo de Avaliação, de acordo com a ABNT, para comprovar a real situação do imóvel; Requer a produção de prova pericial, para que seja aferida, por profissionais tecnicamente habilitados, a realidade fática do imóvel, indicando perito e formulando quesitos, protestando pela apresentação de eventuais quesitos suplementares; Pelo o exposto, requer: i) a nulidade do lançamento em face de sua ilegitimidade passiva, para figurar no pólo passivo da obrigação tributária; ii) a nulidade do lançamento em razão da imunidade das pequenas glebas rurais ao ITR, prevista no art. 2º da Lei nº 9.393/1996; iii) a nulidade do lançamento porquanto a apuração do ITR não considerou a existência de áreas de pastagens, comprovadas por meio de Laudo Técnico de Avaliação, o que implica em lançamento que não corresponde com a realidade fática do imóvel; iv) se não se tratar de hipótese de nulidade, requer a improcedência do lançamento por não espelhar o real fato gerador da obrigação tributária; v) o deferimento de prova pericial, para que sejam devidamente respondidos pelo perito nomeado os quesitos formulados. Requer, outrossim, que o tributo, em conformidade com o art. 151, III, do CTN, permaneça com a exigibilidade suspensa até o julgamento final da impugnação. A DRJ a partir da analise dos argumentos do interessado, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10410.725332/201274 Resolução nº 2202000.604 S2C2T2 Fl. 7 6 Improcedente a arguição de nulidade quando a Notificação de Lançamento contém os requisitos contidos no art. 11 do Decreto nº 70.235/72 e ausentes as hipóteses do art. 59, do mesmo Decreto. DO FATO GERADOR DO ITR E DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA O ITR tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. São contribuintes do ITR o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem benefício de ordem, de qualquer deles. DA IMUNIDADE DA PEQUENA GLEBA RURAL Para que o ITR não incida sobre a pequena gleba rural, além de sua dimensão estar enquadrada nessa definição, em face de sua localização, o seu proprietário deve comprovar que não possui outro imóvel. DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, portanto cabe ser mantida as informações declaradas na DITR quanto à distribuição das áreas do imóvel, que não são objeto da lide. DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO A revisão de ofício de dados informados pelo contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DA ÁREA DE PASTAGEM A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil. DA PROVA PERICIAL A perícia técnica destina se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. DAS MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. DA ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS, DO VALOR DAS BENFEITORIAS E DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) ARBITRADO Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10410.725332/201274 Resolução nº 2202000.604 S2C2T2 Fl. 8 7 Considera se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito com o resultado, o interessado interpõe recurso voluntário, reiterando basicamente as mesmas razões da impugnação. É o relatório. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10410.725332/201274 Resolução nº 2202000.604 S2C2T2 Fl. 9 8 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Ante de apreciar as questões suscitadas pelo recorrente, cabe levantar uma questão prejudicial vinculada a decadência. Do exame dos autos verificase que a ciência do auto de infração, que no caso concreto foi em 04/12/2012. Urge recordar que estamos diante do exercício de 2007, com fato gerador em 01/01/2007. De acordo com o entendimento firmado pelo o Superior Tribunal de Justiça – STJ, relativamente à decadência do direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário, a regra do art. 150, §4º , do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurs o Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10410.725332/201274 Resolução nº 2202000.604 S2C2T2 Fl. 10 9 encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Documento: 6162167 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como essa decisão foi submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, ela deve obrigatoriamente ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Desta forma, este Colegiado deve aplicar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4º , do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. No caso, verificase conforme declarado que teria ocorrido um pagamento antecipado de ITR na forma de imposto a pagar apurado da Declaração do ITR do exercício de 2007 no valor de R$ 29.074,82 (fl. 04), quantia inclusive considerada pela autoridade lançadora, que a deduziu do imposto devido apurado na autuação (fl. 07). Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10410.725332/201274 Resolução nº 2202000.604 S2C2T2 Fl. 11 10 Caso tenha ocorrido o pagamento antecipado, e não tendo havido a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, devese iniciar a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, que, no caso do ITR, ocorre em 1º de janeiro de cada ano, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Para o exercício 2007, ele se iniciou em 01/01/2007 e terminou em 01/01/2011. Como a ciência efetiva do lançamento se deu apenas em 04/12/2012 , o crédito tributário já teria sido fulminado pela decadência. Diante dos fatos, bem como para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido mais uma vez em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: Que a autoridade fiscal confirme se ocorreu algum pagamento referente ao ITR do exercício de 2007, relativo ao imóvel de que trata o presente lançamento e quando o mesmo ocorreu, dandose vista a recorrente, com prazo de 20(vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10410.725332/201274 Resolução nº 2202000.604 S2C2T2 Fl. 12 11 Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 27/12/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10283.909703/2009-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005
DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM.
Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3202-001.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 08/05/2001 a 12/12/2005 DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO PENDENTE DE NOVA DECISÃO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. RETORNO DOS AUTOS À UNIDADE DE ORIGEM. Em situações em que se indeferiu a compensação em face da inexistência do crédito que se pretendia compensar, uma vez ultrapassada a questão jurídica que impossibilitava a apreciação do montante do direito creditório, a unidade de origem deve proceder a uma nova análise do pedido de compensação, após verificar a existência, a suficiência e a disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Participou do julgamento o Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, pela recorrente, o advogado Marcelo Reinecken, OAB/DF nº. 14874. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 97 03 /2 00 9- 76 Fl. 383DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório A interessada apresentou pedido eletrônico de compensação de débitos próprios com crédito oriundo de pagamento a maior de Imposto de Importação – II e de Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com origem no período de 08/05/2001 a 12/12/2005. A compensação não foi homologada, ao fundamento de que o DARF a indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Alegado pela contribuinte o cometimento de um equívoco no preenchimento do DARF, os autos foram baixados em diligência pela DRJ, quando se constatou que o presente processo é conexo ao de nº 10283.007613/200604, por meio do qual se requereu a restituição do crédito que se pretende compensar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o argumento de inexistência do direito creditório objeto do processo nº 10283.007613/200604. No prazo legal, a contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas razões de defesa não serão relatadas em vista do que se passa a expor no voto. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP objetivando a compensação de débito próprio com crédito oriundo de pagamento indevido de II e de IPI vinculado que são objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604. Como o direito à restituição foi negado, também aqui negouse o direito à compensação. Contudo, nesta mesma sessão de julgamento consideraramse indevidas as razões adotadas pela DRF de origem, e mantidas pela instância de piso, para denegar o pedido de restituição, motivo pelo qual determinouse que os autos do processo administrativo n.º 10283.007613/200604 devem retornar à DRF para que, ultrapassada a questão decidida no julgamento, estime os valores a serem restituídos. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a DRF de origem, após a análise do direito creditório objeto do processo administrativo n.º 10283.007613/200604, profira nova decisão quanto ao pedido de compensação. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10283.909703/200976 Acórdão n.º 3202001.563 S3C2T2 Fl. 384 3 É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 385DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 19515.003380/2008-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2202-000.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PAULO NAVARRO DE OLIVEIRA JUNIOR.
RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Marcio de Lacerda Martins Martins e Heitor de Souza Lima Junior.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Heitor de Souza Lima Junior (Suplente Convocado).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por PAULO NAVARRO DE OLIVEIRA JUNIOR. RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Marcio de Lacerda Martins Martins e Heitor de Souza Lima Junior. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Heitor de Souza Lima Junior (Suplente Convocado).
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RESOLVEM os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Marcio de Lacerda Martins Martins e Heitor de Souza Lima Junior. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Heitor de Souza Lima Junior (Suplente Convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 38 0/ 20 08 -2 8 Fl. 519DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003380/200828 Resolução nº 2202000.561 S2C2T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Em desfavor do contribuinte, PAULO NAVARRO DE OLIVEIRA JUNIOR, foi lavrado o Auto de Infração, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, ano calendário 2003, sendo: Imposto R$ 273.254,58 Juros de mora R$ 162,723,10 Multa proporcional (passível de redução) R$ 204.940,93 No termo de Constatação Fiscal de fls. 284 a 286, que faz parte do Auto de Infração, a fiscalização esclarece que restou não comprovada, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos/créditos bancários, conforme relação, sendo lavrado o presente auto de infração por meio do qual foi apurada omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Notase, da análise cuidadosa do processo, que os depósitos bancários em análise foram sido obtidas as informações mediantes emissão RMFs de Requisição de informação sobre a movimentação financeira do fiscalizado de fls. 17 a 34. É isto que interessa relatar até o momento. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003380/200828 Resolução nº 2202000.561 S2C2T2 Fl. 4 3 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Ante de apreciar o recurso cabe discutir se o referido processo estaria sujeito a sobrestamento. Após análise pormenorizada dos autos entendo que cabe aqui sobrestamento de julgado feito de ofício pelo relator, nos termos do art. 62A e parágrafos do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que está em Repercussão Geral o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001 (RE 601314), bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Recurso extraordinário em que se discute, à luz dos artigos 5º, X, XII, XXXVI, LIV, LV; 145, § 1º; e 150, III, a, da Constituição Federal, a constitucionalidade, ou não, do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais utilização de dados da CPMF e obtenção de informações junto às instituições através da RMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE Fl. 521DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003380/200828 Resolução nº 2202000.561 S2C2T2 Fl. 5 4 SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: D ESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura ? Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro D IAS T OFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA ? PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA ? SIGILO DADOS BANCÁRIOS ? FISCO ? Fl. 522DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003380/200828 Resolução nº 2202000.561 S2C2T2 Fl. 6 5 AFASTAMENTO ? ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 ? SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): "ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO ? UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS ? IMPOSTO DE RENDA ? QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO ? PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 ? APLICAÇÃO IMEDIATA ? RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN ? PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO ? RECURSO ESPECIAL PROVIDO." Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR Fl. 523DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.003380/200828 Resolução nº 2202000.561 S2C2T2 Fl. 7 6 AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal ?discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. Diante de todo o exposto, proponho o SOBRESTAMENTO do julgamento do presente Recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. Observandose que após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 524DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 17883.000071/2007-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos estes autos.
Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o presente julgado, nos termos do artigo 62-A, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, conforme o relatório e voto proferidos pelo relator.
(Assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Resolvem os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o presente julgado, nos termos do artigo 62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, conforme o relatório e voto proferidos pelo relator. (Assinado digitalmente) PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plinio Rodrigues Lima, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RELATÓRIO Adotando os termos do relatório apresentado pela r. decisão de origem, destaco: Trata o presente processo administrativo fiscal de autos de infração lavrados contra o contribuinte em epígrafe em 30/04/2007. Foi constituído crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ (fls. 257 a 261), de Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI (fls. 268 a 272), Contribuição para o Programa de Integração RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 78 83 .0 00 07 1/ 20 07 -0 0 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 17883.000071/200700 Resolução nº 1301000.130 S1C3T1 Fl. 3 2 Social — PIS (fls. 280 a 284), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL (fls. 291 a 295), de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 303 a 307) e Contribuição para Seguridade Social — INSS (fls. 315 a 319), no que tange aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2002 e 2003, em decorrência de auditoria levada a efeito na escrita fiscal do contribuinte, optante pelo SIMPLES. 2. Consta no "Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo" (fl. 05) que os autos de infração lavrados, depois de formalizados, totalizaram o montante a pagar de R$ 362.461,08, incluídos os valores devidos a título de tributo, de multa de ofício e de juros de mora, calculados até 30/03/2007. 3. A autoridade fiscal relaciona e pormenoriza as infrações apuradas no corpo dos autos de infração e no Termo de Constatação Fiscal (fls. 230 e 231), onde relata o resultado da auditoria fiscal. 4. A autoridade fiscal afirma que o contribuinte, optante pelo SIMPLES, foi intimado em 14/03/2005 a apresentar seus extratos bancários, conforme Termo de Início de Ação Fiscal, e novamente intimado em 31/03/2005 por meio do Termo de Constatação Fiscal e Intimação. 5. Em decorrência do não atendimento às intimações ora referidas, foi lavrada a Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira de fls. 11 e 12 (RMF), relativa às instituições bancárias Banco Bradesco S/A e Caixa Econômica Federal. 6. Relata a autoridade autuante que o contribuinte foi intimado em 28/02/2007 e em 09/04/2007, agora para apresentar documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores com os depósitos e créditos ocorridos nas contas correntes n° 2682 (Banco Bradesco) e n° 1295.1 (Caixa Econômica Federal), de acordo com o Anexo 1— Movimentação Financeira. 7. Assegura ainda que foram anexados os extratos bancários e as planilhas com as parcelas depositadas para que o autuado apresentasse a resposta solicitada e os elementos que justificassem as origens dos numerários que transitaram na conta corrente bancária. 8. Tendo em vista que o contribuinte não apresentou qualquer justificativa, lavrou os presentes autos de infração com base no art. 42 da Lei 9.430/1996. A receita apurada foi explicitada no Anexo II— Movimentação Financeira Não Justificada x Valores Declarados. 9. A segunda infração apurada decorre da infração anterior, pois foi apurada pela insuficiência dos recolhimentos efetuados pela autuada, a titulo de SIMPLES, tendo em vista a mudança de percentual com relação à receita bruta acumulada. 10. O contribuinte, que tomou ciência dos autos de infração citados em 30/04/2007, apresentou impugnação em 29/05/2007, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 332 a 411). Alega o contribuinte que o repasse de dados de suas contas bancárias pelas instituições financeiras configura quebra do sigilo bancário da empresa. Diz Fl. 504DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 17883.000071/200700 Resolução nº 1301000.130 S1C3T1 Fl. 4 3 ainda que esta ação viola o direito à privacidade e à inviolabilidade de dados, assim como à repartição de poderes. 11. Portanto, é inconstitucional a Lei Complementar n° 105/2001, que possibilitou o Fisco ter acesso direto aos dados bancários dos contribuintes sem a intervenção prévia do Poder Judiciário. 12. Argumenta que o indeferimento do seu primeiro pedido de prorrogação do prazo para atendimento à intimação fiscal, a desproporcionalidade entre a duração da ação fiscal e o prazo concedido ao contribuinte para prestar os esclarecimentos solicitados pela fiscalização e a lavratura de autos de infração antes do término do prazo concedido ao impugnante na última intimação fiscal representam cerceamento do direito de defesa. 13. Entende que os lançamentos são ilegais, visto que foram efetuados somente com base em extratos bancários. 14. Por último, defende que a multa de oficio aplicada é inconstitucional, já que fere o art. 150, inciso VI, da Constituição Federal que proíbe o confisco. Apreciando as razões da contribuinteimpugnante, concluiu a d. DRJ de origem pela PROCEDÊNCIA PARCIAL do lançamento, em acórdão que assim, inclusive, é apresentado em sua ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso dos tributos submetidos à sistemática do lançamento por homologação, extinguese em cinco anos a contar dos respectivos fatos geradores o direito do fisco de proceder ao lançamento de oficio. CERCEAMENTO. PROCEDIMENTO FISCAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. IMPUGNAÇÃO. INÍCIO DO CONTENCIOSO. A ação fiscal tendente a apurar e constituir o crédito tributário é um procedimento administrativo que tem caráter inquisitório. O sujeito passivo pode exercer seu direito ao contraditório e a ampla defesa na impugnação ao lançamento, quando se instaura o contencioso administrativo fiscal. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. A autoridade fiscal pode requisitar de instituições financeiras, mediante RMF, dados bancários dos contribuintes para exame, quando há procedimento fiscal em curso e o exame desses dados pelo Fisco se revela indispensável. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SIMPLES. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa fisica ou jurídica, depois de intimado, não Fl. 505DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 17883.000071/200700 Resolução nº 1301000.130 S1C3T1 Fl. 5 4 comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO. SIMPLES. Cobrase por intermédio de lançamento de oficio as diferenças apuradas durante a fiscalização e relativas a recolhimentos ou valores declarados a menor em face de utilização de alíquota inferior a efetivamente aplicável. MULTA DE OFÍCIO. O art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996 dispõe que nos casos de lançamento de oficio, deve ser aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou a diferença de tributo nos casos de falta de pagamento. Lançamento Procedente em Parte Regularmente intimada a contribuinte no dia 26/06/2009, foi por ela então interposto o seu Recurso Voluntário no dia 23/07/2009, redargüindo todos os temas e fundamentos da impugnação anteriormente apresentada, e, com isso, pretendendo a reforma integral das disposições da r. decisão de origem. Em rápida síntese, esse é o relatório. VOTO Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator. A questão tratada nos autos, conforme aqui então devidamente apontado, refere se à efetivação de lançamentos fiscais contra a contribuinte, em decorrência da suposta omissão de receita verificada a partir da constatação da inexistência de inclusão em sua contabilidade de diversos créditos recebidos em suas contas bancárias, conforme informações obtidas a partir da emissão de RMF’s – Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, expedidos contra diversos bancos, nos termos determinados pelas disposições do Art. 6o da Lei Complementar no 105/2001. Em que pese todas as matérias discutidas nos autos, verificase que, antes de sua regular apreciação, surge como de relevante destaque a discussão a respeito da validade do procedimento adotado para a informação das referidas informações, tema que, indubitavelmente, tangencia a constitucionalidade das disposições da apontada norma de regência. Apesar de não se mostrar admissível, per se, a discussão em sede administrativa – a respeito da (in)constitucionalidade de específicos atos legislativos, conforme, inclusive, expressamente contido nas disposições da Súmula CARF no 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”), verificase que, recentemente, a matéria fora destacada como de “Repercussão Geral” pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, quando, em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Fl. 506DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 17883.000071/200700 Resolução nº 1301000.130 S1C3T1 Fl. 6 5 Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, fora reconhecida a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 543B, do Código de Processo Civil. Observese a ementa da decisão: RE 601314 REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Classe: RE Procedência: SÃO PAULO Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI Partes RECTE.(S) MARCIO HOLCMAN ADV.(A/S) RICARDO LACAZ MARTINS RECDO.(A/S) UNIÃO ADV.(A/S) PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Matéria: DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO | Garantias Constitucionais | Proteção da Intimidade e Sigilo de Dados EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 20/11/2009 ATA Nº 26/2009 DJE nº 218, divulgado em 19/11/2009 A partir dessas informações, verificase que a discussão travada nestes autos possui inteira relação com a matéria contida e discutida nos autos do mencionado RE 601314, atraindo, assim, especificamente, a aplicação das disposições contidas no Art. 62A do Regimento Interno deste CARF que, inclusive, assim expressamente aponta: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O art. 543B do CPC, por sua vez, assim especificamente aponta a respeito do procedimento a ser observado ao tratamento dos feitos respectivos: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 1o Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Fl. 507DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 17883.000071/200700 Resolução nº 1301000.130 S1C3T1 Fl. 7 6 § 2o Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 3o Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 4o Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). § 5o O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. (Incluído pela Lei nº 11.418, de 2006). Da leitura dessas disposições, verificase que, a rigor, para que a decisão que reconhece a “repercussão geral” pelo Supremo Tribunal Federal possa acarretar a imediata suspensão do julgamento de todos os processos que tratem da mesma matéria neste Conselho, necessária seria, a princípio, que fosse expressamente determinada também pelo relator a suspensão de todos os demais processos que tratassem da mesma matéria, o que, a rigor, efetivamente não se verifica no caso apontado.. Ocorre que, considerando que a expressa disposição do caput do dispositivo colhido do codex processual indica a possibilidade/necessidade de regulamentação do procedimento de reconhecimento da repercussão geral e da suspensão dos demais recursos pelo Regimento Interno daquele próprio Supremo Tribunal Federal, que, por sua vez, em relação ao procedimento a ser observado em relação aos recursos que tiverem reconhecida a repercussão geral, assim especificamente aponta: Art. 322 . O Tribunal recusará recurso extraordinário cuja questão constitucional não oferecer repercussão geral, nos termos deste capítulo. Parágrafo único. Para efeito da repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões que, relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, ultrapassem os interesses subjetivos das partes. (...) Art. 325. O(A) Relator(a) juntará cópia das manifestações aos autos, quando não se tratar de processo informatizado, e, uma vez definida a existência da repercussão geral, julgará o recurso ou pedirá dia para seu julgamento, após vista ao Procurador Geral, se necessária; negada a existência, formalizará e subscreverá decisão de recusa do recurso. Parágrafo único. O teor da decisão preliminar sobre a existência da repercussão geral, que deve integrar a decisão monocrática ou o acórdão, constará sempre das publicações dos julgamentos no Diário Oficial, com menção clara à matéria do recurso. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 17883.000071/200700 Resolução nº 1301000.130 S1C3T1 Fl. 8 7 Art. 325A . Reconhecida a repercussão geral, serão distribuídos ou redistribuí dos ao Relator do recurso paradigma, por prevenção, os processos relacionados ao mesmo tema. A partir dessas disposições, colhidas do Regimento Interno do Colendo STF, verificase que aquela Corte, como regra, não promove a suspensão de seus próprios feitos, sendo a ‘prevenção’ do Ministro Relator a conseqüência própria e direta, decorrente do simples reconhecimento da apontada repercussão geral. Nesses termos, interpretando as disposições do Art. 62A do RICARF em consonância com as disposições do Art. 543B do CPC e, ainda, com as disposições próprias do Regimento Interno do Colendo STF, verificase que o simples e direto reconhecimento da repercussão geral do Recurso Extraordinário específico já impõe, per se, a impossibilidade de julgamento de todos os demais recursos existentes na Corte e, eventualmente, posteriormente recebidos, sendo, portanto, forçosa a conclusão de que, o simples reconhecimento da repercussão geral já seja perfeitamente suficiente para a aplicação daquelas disposições, e, portanto, a necessidade de sobrestamento do feito, nos termos ali então especificamente apontados. Diante dessas considerações, tendo vem vista que, conforme apontado, sendo a matéria discutidas nestes autos (regularidade da quebra de sigilo bancário promovida pelos agentes da Receita Federal com espeque nas disposições do Art. 6o da LC 105/2001) aquela mesma contida na discussão apontada do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI) aqui supra referenciado, perfeitamente aplicáveis se verificam, no caso, as disposições do Art. 62A do RICARF, importando, portanto, na necessidade de sobrestamento do feito até a ulterior apreciação do assunto por aquela suprema Corte, com a imposição, inclusive, da ulterior obrigatoriedade de reprodução de seus termos, conforme aqui, então, especificamente apontado. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de reconhecer, no caso, a perfeita aplicabilidade das disposições contidas no Art. 62A do Regimento Interno deste CARF ao presente caso, tendo em vista o reconhecimento da repercussão geral da matéria reconhecida pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL nos autos do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI), determinando, assim, o sobrestamento do feito até a ulterior decisão a ser proferida naqueles autos, a ser aqui, então, ao final, especificamente reproduzida. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 509DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 26/06/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.000114/2009-70
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. SÚMULA CARF N° 4.
Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 2801-004.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 60.000,00, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva que dava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. São dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SELIC. SÚMULA CARF N° 4. Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 60.000,00, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva que dava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 01 14 /2 00 9- 70 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11080.000114/200970 Acórdão n.º 2801004.019 S2TE01 Fl. 154 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 7a Turma da DRJ/POA (Fls. 84 a 87), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: O contribuinte supra identificado foi notificado a recolher Imposto de Renda Suplementar conforme Notificação de Lançamento n° 2005/610450522014091 decorrente da glosa de dedução de pensão alimentícia. O interessado foi intimado a apresentar a decisão judicial ou acordo homologado judicialmente fixando o valor da pensão alimentícia judicial e respectivos comprovantes de pagamentos e, não o fazendo, teve a respectiva dedução glosada na Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2005, anocalendário 2004. O notificado apresentou impugnação tempestiva em 08/01/2009 alegando inconformidade com o lançamento fiscal decorrente da glosa de pensão alimentícia que, segundo ele seria indevida pelas razões que seguem: 1° Conforme processo de separação, as partes decidiram que Fernando Vico da Cunha pagaria à Rejane Flores da Cunha a quantia de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) anuais, mesmo sem a conclusão do processo de separação, vista a impossibilidade da mesma dispor de recursos para sobreviver e manter o filho do casal; 2o Que declarou o pagamento da pensão em sua Declaração de Ajuste Anual e a Sra. Rejane informou tal pagamento como rendimento tributado, efetuando o pagamento do imposto devido, cumprindo sua obrigação perante o fisco; 3o Que o valor glosado em sua declaração já foi tributado na declaração do cônjuge, não havendo necessidade da notificação. Pelo exposto requer o cancelamento da notificação. Passo adiante, a 7a Turma da DRJ/POA entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: GLOSA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA A dedução de despesas na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física está condicionada ã comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. As pensões alimentícias que não decorrem de decisão ou acordo judicial são passíveis de glosa. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11080.000114/200970 Acórdão n.º 2801004.019 S2TE01 Fl. 155 3 Cientificado em 15/02/2011 (Fls.93), o Recorrente interpondo Recurso Voluntário em 17/03/2011 (fls. 94 a 106), argumentando em síntese: (...) II DA NECESSIDADE DE REFORMA DA DECISÃO RECORRIDA a) Dos Princípios da Administração Pública que devem ser observados no Processo Administrativo MORALIDADE E RAZOABILIDADE 7. A Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, elenca alguns Princípios que devem ser observados,... (...) 10. A Razoabilidade objetiva considerar se determinada decisão, atribuída ao Poder Público, de integrar discricionariamente uma norma, contribuirá efetivamente para um satisfatório atendimento dos interesses públicos. (...) (...) 11. O Principio da Proporcionalidade, como já referido, é intimamente conectado ao da Razoabilidade, pois para se alcançar a razoabilidade exigese proporcionalidade entre os meios de que se utiliza a Administração Pública e os fins que ela deve atingir. E essa proporcionalidade deve ser medida não pelos critérios pessoais do administrador, todavia segundo padrões comuns na sociedade em que se vive, tampouco pode ser avaliada diante dos termos frios da lei, mas frente ao caso concreto. 12. No mesmo andar, o Principio da Moralidade exige que o comportamento da Administração Pública não ofenda a moral, ou seja, de modo mais amplo, não fira os bons costumes, as regras de boa administração, os princípios de justiça e equidade, a idéia comum de honestidade, etc.. 16. Neste contexto, fere a moralidade a conduta do Fisco de NÃO ACEITAR A DEDUÇÃO EFETIVADA PELO RECORRENTE, relativamente aos valores pagos à Sra. Rejane a titulo de pensão alimentícia, E AO MESMO TEMPO TRIBUTAR A TOTALIDADE DO VALOR RECEBIDO POR ELA! O Fisco, ao aplicar de forma restritiva a norma à situação analisada, afirmando impossível a dedução levada a efeito pelo Recorrente, optou pela severidade na interpretação legislativa e deixou de lado a razoabilidade, que indica deva ser mais ampla a análise do caso concreto e torna clara a aceitação da dedução realizada pelo Recorrente pela única e concreta razão de que este mesmo valor foi integralmente tributado na Declaração da Sra. Rejane. (...) b) Do Enriquecimento ilícito do Fisco . Fl. 175DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11080.000114/200970 Acórdão n.º 2801004.019 S2TE01 Fl. 156 4 25. Diferentemente da atuação Estatal, o procedimento adotado pelo Recorrente destacase por estrito respeito ao Principio da Boafé, pois mesmo não sendo necessário, ofereceu ao Fisco a informação de que pagou à Sra. Rejane determinado valor, o que possibilitou fosse esse numerário tributado. Ademais, não se acarretou nenhum prejuízo ao erário, pelo contrário, a ação do Recorrente e da Sra. Rejane acabou por auxiliar na tributação de valores que poderiam não ter sofrido o mesmo grau de exigência fiscal. Explicase. 26. Depreendese da Declaração de Ajuste Anual do Recorrente, modo cristalino, que o montante de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais), pago para a Sra. Rejane, foram deduzidos da sua declaração do imposto de renda da pessoa física (DIRPF). Por outro lado, na Declaração de Ajuste Anual da Sra. Rejane, o montante de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) recebido a título de pensão alimentícia foi INTEGRALMENTE tributado pelo IRPF. (...) 29. Com referido, os R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) foram integralmente tributados, gerando um IRPF a pagar de R$ 25.338,10 (vinte e cinco mil trezentos e trinta e oito reais e dez centavos). Isso não se discute! 30. Ocorre, que se o Fisco tributou a integralidade do valor recebido pela Sra. Rejane, é porque concorda que a natureza desse montante é de pensão alimentícia. Ora, se é pensão alimentícia, e tributa, qual a razão de não aceitar a dedução desses valores na Declaração do Recorrente? Talvez porque entenda que parte desses valores não se refere a pensão alimentícia. 31. Porém, se o Fisco considerar que uma porção desse montante não é pensão alimentícia, concluise que a declaração da Sra. Rejane não está correta, portanto não poderia ter sido aceita pelo Fisco. 32. Portanto, é com total nitidez que se afirma que o Fisco somente aceitou os valores oferecidos na Declaração da Sra. Rejane, porque isso aumentaria a sua arrecadação, em evidente enriquecimento ilícito derivado da falta absoluta de moralidade administrativa. (...) 34. Resta inequívoco, pois, que além de estarem alcançados pela boafé, o agir do Recorrente e da Sra. Rejane trouxe vantagem financeira para o Fisco, uma vez que o valor pago pelo Recorrente à Sra. Rejane foi INTEGRALMENTE TRIBUTADO, sem qualquer dedução!!! (...) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11080.000114/200970 Acórdão n.º 2801004.019 S2TE01 Fl. 157 5 40. Assim sendo, por qualquer ângulo que se observe a questão, seja pela boafé do Recorrente ao informar a totalidade dos pagamentos que efetuou, seja pela natureza da verba paga à Sra. Rejane, inequívoco que o Fisco acabou por obter vantagem financeira, o que corre de encontro aos princípios que regem a Administração Pública. c) Da Observância do Principio da BoaFé 41. A boafé constitui um principio geral, aplicável ao direito, e pode ser definido com um principio geral de Direito, segundo o qual todos devem comportarse de acordo com um padrão ético de confiança e lealdade. Gera deveres secundários de conduta, que impõem às partes comportamentos necessários, ainda que não previstos expressamente em lei, mas que devem ser obedecidos a fim de permitir a realização das justas expectativas surgidas em razão da relação entre elas. (...) 46. O Recorrente e a Sra. Rejane, ao informarem em suas respectivas Declarações de Ajuste Anual de Imposto de Renda, que um pagou e outro recebeu valores a titulo de pensão alimentícia agiram com extrema boafé. 47. Era desnecessária a informação em ambas as declarações, uma vez que, como afirmando na impugnação, o Recorrente acordou com a Sra. Rejane, mesmo antes do encerramento do processo de separação, que pagaria uma pensão alimentícia no valor de R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais) anuais. No entanto, objetivando clareza e honestidade, alias como sempre foi sua característica pessoal, o Recorrente entendeu por bem em apresentar ao Fisco o quantum que estava pagando relativamente a pensão alimentícia. Em 07/12/2012 (Fls. 138 a 141), o Recorrente entrou com uma Manifestação de inconformidade, alegando em síntese: (...) I DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL QUE DEMONSTRA A CORREÇÃO DA DEDUÇÃO 2. O lançamento realizado contra o Recorrente não merece subsistir, pois, conforme restou comprovado à fl. 15 dos autos do presente processo administrativo, o procedimento realizado foi lastreado em decisão judicial que determinou o pagamento de "alimentos provisionais". 3. Conforme informado, há decisão judicial fixando o pagamento mensal de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a título de alimentos provisionais pelo Recorrente em favor de seu filho, podendo tal assertiva ser facilmente verificada nas cópias da ação judicial , novamente juntadas aos autos. (...) Fl. 177DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11080.000114/200970 Acórdão n.º 2801004.019 S2TE01 Fl. 158 6 II DA IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO PRECEDENTES DO CARF 7. A título argumentativo cumpre referir, ainda, que o Recorrente não pode se conformar quanto à aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício cobrada conjuntamente com o tributo, pois não há base legal que autorize a referida exação, sendo, inclusive, tal exigência rechaçada por este Colendo Tribunal . (...) 13. Sendo assim, somente incidirão juros de mora sobre a multa de ofício quando esta for lançada de modo isolado, vez que os dispositivos que tratam sobre a aplicação das multas definem diferentes regimes para quando estas duas parcelas (tributo e multa de ofício) são exigidas em conjunto. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, cumpre ressaltar que resta em litígio somente a glosa de pensão alimentícia no valor de R$ 120.000,00. Entendeu a DRJ que o contribuinte não comprovou a obrigação de pagar a pensão alimentícia à senhora Rejane Flores da Cunha mediante apresentação de sentença que determine ou homologue o pagamento de pensão. Quanto a dedução da pensão alimentícia, de acordo com a legislação, somente são dedutíveis as importâncias pagas a titulo de pensão alimentícia decorrentes de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente. Assim estabelece a legislação: art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR199, aprovado pelo Decreto 3.000/99 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita a incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a titulo de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei n°9.250, de 1995, art. 4°, inciso II). Fl. 178DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11080.000114/200970 Acórdão n.º 2801004.019 S2TE01 Fl. 159 7 Neste ponto, alertado pela DRJ da necessidade de provar que a pensão não decorreu de sua mera liberalidade, mas sim de obrigação judicial, o contribuinte apontou que já constavam dos autos determinação judicial de alimentos provisionais (fls. 15 a 17), na qual ficou estabelecida que o ora recorrente deveria pagar à sra. Rejane Flores da Cunha alimentos provisionais no valor de R$5.000,00 mensais.. Por oportuno esclareço que consta das fls. 9 à 12 Recibo de Entrega da Declaração de Ajuste Anual Simplificada da sra. Rejane Flores da Cunha, que comprova que houve o pagamento dos alimentos pelo recorrente. Entendo, então, que estão presentes os dois requisitos para que seja possível a dedução de valores pagos à título de pensão alimentícia, quais sejam: a obrigatoriedade da prestação dos alimentos por força de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente, bem como a comprovação do efetivo pagamento. Assim, ante a existência de prova de que o pagamento no valor de R$60.000,00 se deu em decorrência de determinação judicial de alimentos provisionais, deve ser restabelecida a dedução no supracitado valor. Ao contrário do que alega o recorrente não houve lançamento de juros de mora sobre a multa de ofício cobrada conjuntamente com o tributo. In casu, o que ocorreu foi a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício corrigidos pela taxa SELIC após o lançamento. Assim o foi porque tais juros incidem sobre todos os débitos tributários enquanto inadimplidos. Tudo isso de acordo com o que determina a Súmula CARF de nº 4, a seguir colacionada: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Do exposto verificase que passam a incidir os juros de mora sobre a multa de ofício após o vencimento de seu prazo para pagamento Não há, portanto, qualquer reparo à ser feito ao lançamento neste ponto, tendo em vista que à época deste não foram lançados juros moratórios sobre a multa de ofício, passando estes a incidir somente após o inadimplemento do recorrente. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 60.000,00. Assinado digitalmente Relator Carlos César Quadros Pierre Fl. 179DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 11080.000114/200970 Acórdão n.º 2801004.019 S2TE01 Fl. 160 8 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 20/ 03/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
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Numero do processo: 19515.720013/2013-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.333
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Trata-se de autos de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, lavrados em 07/01/2013, relativos aos períodos de apuração janeiro/2008 a dezembro/2008, que constituíram crédito tributário no montante total de R$ 21.423.748,26 (Cofins – R$ 17.602.214,81 e PIS – R$ 3.821.533,45), somados o principal, multa de ofício e juros de mora. Conforme Termo de Verificação Fisca (TVF), os valores lançados decorrem da constatação das seguintes irregularidades em relação à apuração do PIS e da Cofins: a) exclusão do ICMS sobre vendas da base de cálculo das contribuições, em contrariedade às disposições das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003; Fl. 952DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.720013/2013-50 Resolução nº 3202-000.333 S3-C2T2 Fl. 953 2 b) considerou como receitas financeiras os valores referentes a deságio na aquisição de créditos. Tais valores, compõem a base de cálculo das contribuições, e devem ser apurados no momento da aquisição, nos termos da Solução de Consulta da 8ª Região Fiscal nº 143, de 4 de junho de 2012; c) considerou como receitas financeiras os valores referentes venda de energia elétrica na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). Tais valores compõem a receita operacional, e, portanto, integram a base de cálculo das contribuições; d) glosa de créditos referentes à aquisições de aparas de papel e papelão, cuja utilização foi vedada pelo art. 47 da Lei nº 11.196, de 2005. As irregularidades constatadas estão assim consolidadas no Termo de Verificação: 3 DO LANÇAMENTO 3.1 Em razão dos fatos acima descritos, esta fiscalização efetua os lançamentos de ofício dos fatos geradores acima especificados conforme tabela IX abaixo: Cientificada da autuação em 08/01/2013, a contribuinte interpôs impugnação por via postal em 06/02/2013. Alega a interessada, inicialmente, a nulidade do procedimento fiscal, tendo em vista que a auditoria deixou de considerar na apuração das contribuições créditos decorrentes de aquisições à que a contribuinte teria direito segundo entendimento das instâncias de julgamento administrativas, em especial do CARF. Aduz que as informações do Dacon, utilizadas para subsidiar o lançamento, indicam valores superiores ao efetivamente devido, tendo em vista esses créditos que a contribuinte deixou de utilizar. Entende que ao revisar os valores declarados, a autoridade fiscal tem o poder/dever de apurar corretamente o crédito tributário, inclusive mediante o aproveitamento dos créditos a que teria direito, em observância às disposições do art. 149 do Código Tributário Nacional, e dos princípios constitucionais da legalidade e moralidade. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.720013/2013-50 Resolução nº 3202-000.333 S3-C2T2 Fl. 954 3 Em relação à exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições, alega: Sobre o deságio na compra de créditos alega: Quanto às receitas de energia elétrica alega: Fl. 954DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.720013/2013-50 Resolução nº 3202-000.333 S3-C2T2 Fl. 955 4 Sobre a glosa dos créditos relativos às aquisições de aparas de papel, alega: Fl. 955DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.720013/2013-50 Resolução nº 3202-000.333 S3-C2T2 Fl. 956 5 Passa a discorrer sobre a sistemática não cumulativa de apuração das contribuições. Assinala a dificuldade de realizar a apuração das contribuições em razão da complexidade da legislação pertinente e da ausência de suporte do Fisco Federal. Reafirma que a autoridade fiscal não procedeu ao seu poder/dever de fiscalização quando da revisão dos valores declarados. Reclama ter havido ofensa ao princípio da verdade material, tendo em vista que a análise foi efetuada com base em amostragem, ou planilhas solicitadas à contribuinte, e que não foram produzidas as provas das irregularidades constatadas. Afirma que a auditoria assim realizada também não pode constatar a existência dos créditos não utilizados. Acerca dos créditos relativos à aquisição de insumos e bens que não foram por ela utilizados na apuração declarada, argúi que o conceito restritivo de insumos estabelecidos pelas Instruções Normativas nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004, pautaram-se no conceito de insumos estabelecido para o Imposto sobre Produtos Industrializados, o qual não se revela aplicável aos fatos geradores do PIS e da Cofins. Demais disso, como a legislação do IPI não é mencionada pelas leis instituidoras das contribuições, tal restrição pelas INs são ilegais. Cita jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que ilustram seu entendimento. Conclui que todos os custos e despesas relativos aos Fl. 956DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.720013/2013-50 Resolução nº 3202-000.333 S3-C2T2 Fl. 957 6 produtos e serviços tomados e ligados aos fatos geradores das contribuições geram direito a crédito passível de aproveitamento na sistemática não cumulativa.” A DRJ-Campinas julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegá-los,comprová-los efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas documentais devem ser apresentadas no momento da impugnação, sob pena de preclusão, excetuado fundado motivo para não tê-lo feito naquela oportunidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano-calendário: 2008 BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS integra a base de cálculo da Cofins e do PIS. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO A base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, consoante disposições das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Fl. 957DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.720013/2013-50 Resolução nº 3202-000.333 S3-C2T2 Fl. 958 7 CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES DE APARAS DE PAPEL. REVENDA. INSUMOS. No âmbito da apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e a Cofins, não geram direito a crédito as aquisições efetuadas sem a incidência das referidas contribuições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2008 BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS integra a base de cálculo da Cofins e do PIS. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a COFINS é o valor do faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, consoante disposições das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÕES DE APARAS DE PAPEL. REVENDA. INSUMOS. No âmbito da apuração não cumulativa das contribuições para o PIS e a Cofins, não geram direito a crédito as aquisições efetuadas sem a incidência das referidas contribuições. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado, constantes à efls. 937/947. Ao final, requereu que este Colegiado: Fl. 958DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.720013/2013-50 Resolução nº 3202-000.333 S3-C2T2 Fl. 959 8 É o Relatório. Voto No momento deste julgamento, chega ao meu conhecimento, via email remetido pela SECAM/2ªCAM/3ªSEJUL, petição assinada pelo patrono da recorrente, o advogado Marcos Vinicius Costa, OAB/SP nº.251.830, datada de 23/02/2015, informando que a contribuinte teria aderido ao parcelamento de que trata a Lei nº. 12.996, de 12/06/2014. Anexos à petição foram juntados diversos Comprovantes de Arrecadação, os quais dizem respeito aos códigos de receitas 4720, 4737, 4743 e 4750, referentes aos períodos de apuração de agosto a novembro/2014. Requereu a recorrente a suspensão desse processo administrativo até que a empresa possa indicar para consolidação o débito aqui objeto de autuação. Pela análise perfunctória dos Recibos de Pedido de Parcelamento juntados à referida petição, os parcelamentos requeridos dizem respeito a débitos previdenciários, e foram formulados perante a PGFN, o que, a princípio, deixa evidente que em nada se relacionariam com o objeto destes autos, que tratam de lançamento de ofício, por meio de Auto de Infração, referente à COFINS e à contribuição para o PIS/PASEP, relativo ao ano calendário de 2008. Entretanto, para melhor análise da questão, entendo devam os autos retornar ao órgão preparador, para que este informe, por meio de relatório circunstanciado conclusivo, o seguinte: a) se os débitos de que tratam estes autos relacionam-se, de algum modo, com os débitos objeto dos pedidos de parcelamento informados pela recorrente; b) se os débitos de que tratam estes autos foram objeto de pedido de parcelamento pela contribuinte, total ou parcialmente; Fl. 959DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 19515.720013/2013-50 Resolução nº 3202-000.333 S3-C2T2 Fl. 960 9 c) caso a resposta anterior seja afirmativa, se tal parcelamento foi deferido pela Receita Federal; d) se a contribuinte apresentou algum pedido de desistência do recurso; e e) se houve algum pagamento dos valores exigidos por meio dos Autos de Infração objeto destes autos. Deve ser oportunizado à Fiscalização fornecer outras informações as quais entender pertinentes. Do resultado da diligência deve ser dada ciência à contribuinte para, querendo, manifestar-se, salientado-se que sua manifestação deve-se dar acerca do resultado da diligência, não sendo o momento para revolver questões já trazidas no recurso voluntário, tampouco constituir aditamento ao recurso. Após, devem os autos retornar a este Colegiado, para julgamento. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 960DF CARF MF Impresso em 26/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 26/03/2015 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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