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Numero do processo: 14120.000303/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449.
REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A
à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE
A empresa adquirente fica sub-rogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
INCONSTITUCIONALIDADE
A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98.
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA
FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA.
Os relatórios de Co-Responsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.554
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior que entendeu não incidir contribuição sobre a parcela paga aos segurados
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2008 AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. INCONSTITUCIONALIDADE Fl. 165DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS E VÍNCULOS. SUBSÍDIO PARA FUTURA AÇÃO EXECUTÓRIA. Os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos são partes integrantes dos processos de lançamento e autuação e se destinam a esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, a fim de subsidiarem futuras ações executórias de cobrança. Esses relatórios não são suficientes para se atribuir responsabilidade pessoal. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior que entendeu não incidir contribuição sobre a parcela paga aos segurados. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 08/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Manoel Coelho Arruda Junior Ausência Momentânea : Eduardo Augusto Marcondes de Freitas Fl. 166DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000303/200917 Acórdão n.º 230201.554 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 24/11/2009, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 30/11/2009, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 11/2006 a 11/2008, as aquisições de produto rural de produtor rural pessoa física, conforme planilha de fls. 09 a 50. Após a impugnação, Acórdão de fls. 131/136, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso, argüindo em síntese: a) que a multa aplicada é abusiva, inconstitucional e confiscatória, não podendo ultrapassar a 2%, conforme Código de Defesa do Consumidor; b) a limitação dos juros em 12%; c) que os sócios não podem ser responsabilizados, que um é o contador e os outros não estavam na gerência quando da autuação. Requer a reforma do Acórdão para excluir os sócios e declarar as multas abusivas e confiscatórias, reduzindoas ao mínimo legal. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, sendo que conheço do mesmo e passo ao seu exame. Da Preliminar Quanto à solicitada exclusão dos sócios gerentes, cabe esclarecer que a relação de coresponsáveis, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o parágrafo 3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização dos sócios somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; No Discriminativo Relação de Vínculos à folha 04, do processo, constam todos os responsáveis pela recorrente por período de autuação, sendo que os Srs. Rosinei Fl. 168DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000303/200917 Acórdão n.º 230201.554 S2C3T2 Fl. 3 5 Spiess Camargo, Agnaldo Inácio do Carmo e Marco Antonio Stopassoli, nominados pela recorrente, respondiam pela empresa à época da ocorrência dos fatos geradores e o Sr. João Lemos Sandy está devidamente identificado como o contador da autuada, conforme determinado pela Instrução Normativa retrocitada. Do Mérito O auto de infração referese ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja a falta de informação em GFIP de todos os valores relativos à aquisição de produto rural de pessoas físicas, no período de 11/2006 a 11/2008. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos a aquisição de produto rural de pessoa física, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. O recorrente não questiona o mérito da autuação, mas quanto à falta de informação em GFIP da aquisição de produtos rurais adquiridos de produtor rural pessoa física, que são fato gerador de contribuição previdenciária, uma vez que o adquirente fica subrogado nas obrigações do produtor pessoa física, conforme artigo 30, inciso IV da Lei n.º 8212/91, é de se fazer menção a que recentemente o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal – STF, julgou o Recurso Extraordinário n.º 363852, declarando inconstitucional a exação tributária do artigo 1º da Lei n.º 8540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VIII, 25, I e II e artigo 30, IV da Lei n.º 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n.º 9.528/97. Entretanto, o julgado ressalva “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n.º 20/98, venha a instituir a contribuição...”. Desta forma, a presente autuação, que se refere às competências de 11/2006 a 11/2008, é relativa a fatos geradores ocorridos quando já estava em vigor a Emenda Constitucional n.º 20, de 15/12/12998, que incluiu a receita e o faturamento como base de incidência contributiva previdenciária. Portanto, a recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal pela inconstitucionalidade formal dos artigos 25, incisos I e II e 30, inciso IV da Lei n.º 8.212/91, não se aplica ao presente processo. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Sobre a questão peço licença e reproduzo o voto da ilustre Conselheira Ana Maria Bandeira, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que já abordou a questão, cujos fundamentos passo a adotar: É sabido que está em julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário nº 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO – PRESSUPOSTO ESPECÍFICO – VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO – ANÁLISE – CONCLUSÃO – Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adora entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR – Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações (g.n.) Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei nº 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional nº 20/1998. Ou seja, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não estava albergada na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97. Tal inconstitucionalidade residiria no fato de que seria necessária lei complementar para a instituição da contribuição incidente sobre a comercialização da produção do empregador rural pessoa física. Esta exigência decorreria do art. 195, §4º, da Carta Magna Até a edição da Emenda Constitucional nº 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável. Assim, a Lei nº 8.540/1992 ao instituir contribuições sobre receita bruta sobre a comercialização da produção dos produtores rurais pessoas físicas levou ao questionamento sobre sua constitucionalidade, culminando com a decisão plenária do STF no julgamento do RE 363.852. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000303/200917 Acórdão n.º 230201.554 S2C3T2 Fl. 4 7 No entanto, a Emenda Constitucional nº 20/98 deu nova redação ao art. 195, inciso I da CF/88, a qual passou a dispor que: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998 Como se vê, a partir da EC nº 20/1998, a própria Constituição Federal passa a admitir a receita como base tributável para as contribuições previdenciárias. Assim, há que se destacar que a Lei nº 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Cumpre enfatizar que o fundamento jurídico adotado pelo Relator no julgamento do RE 363.852 demonstra que apenas foi abordada a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei 8.212/91 conferida pela Lei 8.540/92, não havendo apreciação da constitucionalidade da redação atual do art. 25 da Lei de Custeio, conferida pela Lei 10.256/01 e, segundo o Ministro Marco Aurélio, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC 20/98 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física, ao menos no que tange à necessidade de Lei Complementar para sua instituição, conforme se depreende do trecho abaixo transcrito: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 ...conheço e dou provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. (g.n.) Asseverese que a contribuição lançada com fulcro no dispositivo com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001 já teve a constitucionalidade confirmada pelo Judiciário conforme se depreende da decisão abaixo colacionada: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (Apelação nº 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 01ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) No presente caso, a contribuição cuja omissão em GFIP levou à lavratura do presente Auto de Infração, referese a período posterior à edição da Lei nº 10.256/2001, portanto, sob a vigência da mesma. Além disso, no anexo Relatório de Fundamentos Legais do Débito que ampararam o lançamento da obrigação principal correspondente, cujo recurso também foi objeto de análise por parte desta conselheira, verificase que a contribuição foi lançada com fundamento nos dispositivos já na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Assim, a meu ver, não há que se sobrestar os presentes autos em razão de não estarmos diante recurso que se enquadre no § 1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Portanto, entendo correta a autuação. Quanto às argüições acerca de juros e aplicação da multa com base no Código de Defesa do Consumidor – CDC, deixo de me manifestar, pois não fazem parte da autuação, que trata exclusivamente de descumprimento de obrigação acessória com aplicação Fl. 172DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000303/200917 Acórdão n.º 230201.554 S2C3T2 Fl. 5 9 de multa punitiva, como já exposto em parágrafos anteriores.Não há que se falar na multa constante do CDC, porque não é matéria pertinente, uma vez que não estamos tratando de relação com o consumidor, mas com o contribuinte que descumpriu obrigação “de fazer” descrita em lei, para com o fisco. Também são totalmente inócuas as alegações quanto aos juros, já que não foram aplicados, não fazendo parte do auto de infração. Quanto à alegação de que o Contencioso Administrativo deve apreciar a inconstitucionalidade das leis, ressaltase que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Fl. 173DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida, à época, no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, não cabendo a argüição da recorrente de que a autuação se baseou em artigo revogado, posto que quando da autuação o artigo de lei estava vigente: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000303/200917 Acórdão n.º 230201.554 S2C3T2 Fl. 6 11 § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Deverá ser considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Todavia, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 175DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 176DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/02/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10183.720093/2006-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2005
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL.
GLOSA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL AO IBAMA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao Ibama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de preservação permanente. Aplicação do art. 17-O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000.
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO.
Cabe ao contribuinte interessado apresentar a documentação comprobatória da existência das áreas que pretende excluir da tributação pelo ITR (como é o caso da área de preservação permanente). Sem provas que atestem de forma irrefutável a existência e o alcance das referidas áreas, não há como aceitar as informações prestadas em DITR.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE.
O arbitramento do VTN é procedimento devidamente previsto em lei (art. 14 da Lei nº 9.393/96), e por isso devem ser utilizados os parâmetros legais lá mencionados, pelas autoridades fiscais, toda vez que o VTN declarado pelo contribuinte não for merecedor de fé. Cabe ao contribuinte a apresentação de
laudo que refute os valores apurados por meio do SIPT, laudo este que deve preencher os requisitos legais mínimos para que possa ser acolhido.
ITR PLANO
DE MANEJO FLORESTAL COMPROVAÇÃO DE SUA EXISTÊNCIA E CUMPRIMENTO
Para fins de apuração do ITR, considera-se como área de exploração extrativa aquela que comprovadamente tenha um plano de manejo sustentado, e cujo cronograma esteja comprovadamente sendo cumprido ao longo do exercício a que se refere a DITR. Sem tal comprovação, não há como acolher a área de exploração extrativa declarada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-001.932
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
parcial provimento ao recurso para reconhecer a área de preservação permanente de 249,9 ha.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. GLOSA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL AO IBAMA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao Ibama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de preservação permanente. Aplicação do art. 17-O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000. ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. Cabe ao contribuinte interessado apresentar a documentação comprobatória da existência das áreas que pretende excluir da tributação pelo ITR (como é o caso da área de preservação permanente). Sem provas que atestem de forma irrefutável a existência e o alcance das referidas áreas, não há como aceitar as informações prestadas em DITR. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. O arbitramento do VTN é procedimento devidamente previsto em lei (art. 14 da Lei nº 9.393/96), e por isso devem ser utilizados os parâmetros legais lá mencionados, pelas autoridades fiscais, toda vez que o VTN declarado pelo contribuinte não for merecedor de fé. Cabe ao contribuinte a apresentação de laudo que refute os valores apurados por meio do SIPT, laudo este que deve preencher os requisitos legais mínimos para que possa ser acolhido. ITR PLANO DE MANEJO FLORESTAL COMPROVAÇÃO DE SUA EXISTÊNCIA E CUMPRIMENTO Para fins de apuração do ITR, considera-se como área de exploração extrativa aquela que comprovadamente tenha um plano de manejo sustentado, e cujo cronograma esteja comprovadamente sendo cumprido ao longo do exercício a que se refere a DITR. Sem tal comprovação, não há como acolher a área de exploração extrativa declarada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2232; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 1 1 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.720093/200649 Recurso nº 343.248 Voluntário Acórdão nº 210201.932 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Matéria ITR Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal e Arbitramento do VTN. Recorrente AGROPECUÁRIA CÉU ABERTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. GLOSA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL AO IBAMA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao Ibama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de preservação permanente. Aplicação do art. 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000. ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. Cabe ao contribuinte interessado apresentar a documentação comprobatória da existência das áreas que pretende excluir da tributação pelo ITR (como é o caso da área de preservação permanente). Sem provas que atestem de forma irrefutável a existência e o alcance das referidas áreas, não há como aceitar as informações prestadas em DITR. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. O arbitramento do VTN é procedimento devidamente previsto em lei (art. 14 da Lei nº 9.393/96), e por isso devem ser utilizados os parâmetros legais lá mencionados, pelas autoridades fiscais, toda vez que o VTN declarado pelo contribuinte não for merecedor de fé. Cabe ao contribuinte a apresentação de laudo que refute os valores apurados por meio do SIPT, laudo este que deve preencher os requisitos legais mínimos para que possa ser acolhido. Fl. 605DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 210201.932 S2C1T2 Fl. 2 2 ITR PLANO DE MANEJO FLORESTAL COMPROVAÇÃO DE SUA EXISTÊNCIA E CUMPRIMENTO Para fins de apuração do ITR, considerase como área de exploração extrativa aquela que comprovadamente tenha um plano de manejo sustentado, e cujo cronograma esteja comprovadamente sendo cumprido ao longo do exercício a que se refere a DITR. Sem tal comprovação, não há como acolher a área de exploração extrativa declarada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer a área de preservação permanente de 249,9 ha. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 27/04/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra AGROPECUÁRIA CÉU ABERTO LTDA, foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 01/05, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativo ao imóvel denominado Fazenda Céu Aberto, com área total de 33.748,8 ha (NIRF 1.595.7055), exercício 2005, no valor de R$ 2.346.920,70, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/08/2006. As infrações imputadas à contribuinte foram glosa total das áreas de preservação permanente e de reserva legal, por falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN), com utilização de dados extraídos do Sistema de Preços de Terras (SIPT), conforme quadro a seguir: Fl. 606DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 210201.932 S2C1T2 Fl. 3 3 ITR 2005 Declarado Apurado no Auto de Infração 02Área de Preservação Permanente 249,9 ha 0,00 ha 03Área de Utilização Limitada 28.999,0 ha 0,0 ha 16Valor da Terra Nua R$ 1.482.448,00 R$ 6.216.191,47 Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 101/122, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente em parte o lançamento, para reconhecer uma área de reserva legal de 14.374,5 ha, conforme Acórdão DRJ/CGE nº 0414.003, de 23/05/2008, fls. 164/173. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 24/07/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 181, a contribuinte apresentou, em 25/08/2008, recurso voluntário, fls. 182/198, onde requer o que se segue: A) Seja reconhecida a área de RESERVA LEGAL devidamente comprovada por foto satélite e atestado pelo Eng°. Agrônomo Sr. Benedito Milleo Junior (CREA n. 13062DPr), conforme estabelecido na NBR14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, em sua totalidade de 27.999,8925 hectares (80,0)% das matrículas que passaram a compor a NIRF: 1.595.7055, conforme o Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais, neste momento apresentando o ADA retificador (protocolizado) em 20/03/2001, excluindoa da base de cálculo do ITR2005; B) Seja reconhecida a área de PRESERVAÇÃO PERMANENTE devidamente comprovada por foto satélite e atestado pelo Engº. Agrônomo Sr. Benedito Milleo Junior (CREA n. I3062DPr), conforme estabelecido na NBR14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, em sua totalidade de 3.002,8155 hectares (8,90)% das matrículas que passaram a compor a NIRF:1.595.7055, conforme o Laudo de Avaliação de imóveis Rurais, neste momento apresentando o ADA retificador (protocolizado) em 20/03/2.001, excluindoa da base de cálculo do 1TR2005; C) Seja acolhido O LAUDO DE AVALIAÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS, assinado pelo Eng°. Agrônomo Sr. Benedito Milleo Junior (CREA n. 13062DPr), apresentado, atribuindo em todo o seu conteúdo, porque cumpre os requisitos mínimos estabelecidos pela NBR 146533 da ABNT, excluindoa da base de cálculo do ITR2005; D) seja acolhido o valor da terra nua VTN indicado no laudo de avaliação apresentado, ou seja de R$ 51,90 (cinquenta e um reais e noventa centavos), porque a ele cumpre os requisitos mínimos estabelecidos pela NBR 146533 da ABNT, o não aceitando o valor aqui atribuído pelo VTN, contido no laudo, deverá então acolher o valor da terra nua declarado, vez que a Receita Federal não dispõe de tabela de preço elaborada com atendimento da legislação reguladora que lhe autorize impugnar o valor declarado pela contribuinte, motivando a inexistência de valor a ser contestado, excluindoa da base de cálculo do ITR 2005; Fl. 607DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 210201.932 S2C1T2 Fl. 4 4 E) seja reconhecida a área em DESCANSO, em sua totalidade de 6.749,9604 hectares, conforme o PLANO DE MANEJO FLORESTAL EM RENDIMENTO SUSTENTADO, aprovado pelo IBAMASUPES/MT, averbado as margens da matrículas, conforme atestado pelo Eng°. Agrônomo Sr. Benedito Milleo Junior (CREA n. 13062DPr), conforme estabelecido na NBR 14.65304 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART sob. n.0350175, registrado no CREA/MT, excluindoa da base de cálculo do ITR2005; É o Relatório. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 210201.932 S2C1T2 Fl. 5 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. De pronto, cumpre destacar que esta Turma já julgou três processos de interesse desta contribuinte, sendo que naqueles casos o crédito tributário se referia ao mesmo imóvel, contudo, relativos aos exercícios de 2002, 2003 e 2004. Para os exercícios de 2002 e 2003 negouse, por maioria, provimento aos recursos e no exercício 2004 deuse, por unanimidade de votos, parcial provimento ao recurso, para reconhecer uma área de preservação permanente de 249,9 ha. (Acórdãos nºs 210201.512, de 24/08/2011, 210201.511, de 24/08/2011, e 210201.575, de 28/09/2011, todos da relatoria da Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti). No presente caso, cuidase do exercício 2005, que em tudo se assemelha ao exercício 2004, com a única diferença que para o exercício que ora se aprecia não houve glosa da área de exploração extrativa de 6.497,9 ha. Assim, adoto as mesmas razões de decidir e peço vênia para transcrever o voto proferido pela Conselheira relatora (Acórdão nº 210201.575, de 28/09/2011, da relatoria da Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti): Conforme relatado, tratase de lançamento efetuado para a exigência de ITR relativo ao Exercício 2004 em razão da glosa das áreas de preservação permanente, reserva legal e exploração extrativa, além de arbitramento do VTN atribuído ao imóvel pela Recorrente. Antes de entrar no mérito de cada uma destas glosas, é necessário analisar a alegação da Recorrente de que não seria obrigatória a prévia apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) como condição para a fruição da isenção do ITR sobre as áreas de preservação permanente e reserva legal. A lei nº. 9.393/96, em seu art. 10, § 1º exclui da área a ser tributada as Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 609DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 210201.932 S2C1T2 Fl. 6 6 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. (...). Já a Lei nº 10.165/2000 determinou que art. 17O da Lei nº 6.938/81 passasse a vigorar com a seguinte redação: "Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) "§ 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (NR) "§ 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do Ibama." (NR) "§ 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais)." (NR) "§ 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei." (NR) "§ 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis."(NR) A referida norma, como se vê, passou a determinar a obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de reserva legal e utilização limitada. Desde então, esta obrigação consta inclusive do Decreto nº 4.382/02, que versa sobre a exigência do ITR, que assim dispõe: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1); (...) Fl. 610DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 210201.932 S2C1T2 Fl. 7 7 § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...) No caso em exame, os fatos geradores objeto do lançamento ocorreram em 2004, quando a referida norma já estava em vigor, razão pela qual a apresentação do ADA seria uma condição para que o Recorrente pudesse se beneficiar da redução desta área da base de cálculo do ITR. Por certo que a apresentação do ADA não é a única condição para que tais deduções sejam aceitas, mas é uma condição que se impõe. Assim, há que se analisar não só se o contribuinte apresentou o referido documento ao Ibama, mas também se preenche de fato os requisitos da lei para se beneficiar das deduções da base de cálculo do ITR. Quanto à área de preservação permanente, a Recorrente declarou originalmente na DITR 2004 que esta seria de 249,9 hectares. Trouxe, em sede de Impugnação, cópia de ADA apresentado no ano de 2000, do qual também não constava a referida área. Em sede de Recurso, a Recorrente pretende que seja considerada uma área total de 3.002,8155 hectares de preservação permanente. Anexou ao seu recurso um outro ADA, apresentado ao Ibama em 20.03.2001 (fls. 214), e do qual constava como sendo esta a área de preservação permanente em sua propriedade. Afirma que a existência destas áreas é corroborada pelo Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais anexado ao recurso e também com base na LAU. O referido laudo foi acostado aos autos às fls. 111/120, e dele consta que a área de preservação permanente seria de 3.002,8155, a mesma que consta do ADA apresentado em 2001. Considerandose que a lei não estabelece um prazo para a apresentação do ADA ao Ibama, e considerando que a glosa desta área se deveu exclusivamente à falta de ADA que a comprovasse, deve ser acolhida a área de preservação permanente (já que constante do ADA apresentado em 2001). Porém, deve esta ser acolhida no limite daquilo que foi declarado pela própria Recorrente, por ter sido este o objeto da glosa aqui em exame (249,9 hectares). Por isso, deve ser considerada como comprovada a existência da área de preservação permanente de 249,9 hectares. No que diz respeito à glosa da área declarada pela Recorrente como sendo de reserva legal, o lançamento a desconsiderou por Fl. 611DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 210201.932 S2C1T2 Fl. 8 8 completo, reduzindoa de 22.999,2 para zero. O que motivou o lançamento, à época, foi a falta de apresentação do ADA tempestivamente protocolado no Ibama, a despeito da Recorrente ter demonstrado que 50% de sua propriedade teria sido averbada como Reserva Legal à margem do Registro de Imóveis. Em sede de Impugnação, a Recorrente trouxe aos autos o ADA, apresentado ao Ibama em 23.03.2000, e no qual foi declarada uma área de 14.374,5 hectares como sendo de reserva legal. Com a apresentação do referido Ato, a decisão de primeira instancia reputou como comprovada a área de reserva legal de 14.374,5 hectares. No Recurso Voluntário, a Recorrente insiste que a totalidade da área declarada como sendo de reserva legal (22.999,2 hectares) deverá ser reconhecida, por existir de fato (devese ressaltar que a área total da reserva legal então existente seria de 27.999,8925, superior ao montante originalmente declarado). Além disso, trouxe um ADA apresentado em 20.03.2001 (fls. 143), do qual consta uma área de reserva legal de 26.999,8. Aqui, da mesma forma que ocorreu em relação à área de preservação permanente, a área declarada pela própria Recorrente como sendo de reserva legal no ano de 2000 (ADA originalmente apresentado) foi de 14.374,5. No ano seguinte (2001), a área foi majorada para 26.999,0 hectares, valor este que a Recorrente pretende seja reconhecido. Com a apresentação deste novo ADA, teria sido suprida uma exigência legal para que a Recorrente pudesse excluir a referida área da tributação pelo ITR. No entanto, a exemplo do que foi dito em relação à área de preservação permanente, a apresentação do ADA não é o único requisito para que possa a Recorrente se beneficiar da exclusão da referida área quando da apuração do ITR devido. Caberia a ela ter trazido provas mais robustas no sentido da existência da referida área e de sua real extensão. Devese destacar que o valor constante da DITR 2004 não é o mesmo declarado no primeiro ou no segundo ADA apresentados, e também não é o mesmo que a Recorrente pretende ver reconhecido em suas razões de recurso. Sendo assim, deve ser mantida a glosa da área declarada pela Recorrente como sendo de reserva legal. Outro item do inconformismo da Recorrente diz respeito ao arbitramento do VTN de seu imóvel, com base nos dados do SIPT. Neste aspecto, o lançamento decorreu da falta de apresentação de provas quanto à correção do VTN declarado, o qual foi alterado de 1.482.448,00 para 4.746.093,74 – o que implicou em majoração significativa do hectare declarado pelo Recorrente (de R$ 43,92 para R$ 140,62). Fl. 612DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 210201.932 S2C1T2 Fl. 9 9 Pois bem, nos casos em que a autoridade fiscal discorda do valor do VTN declarado por um determinado contribuinte, existe previsão legal específica para que o arbitramento ocorra – tratase do art. 14 da Lei nº 9.393/96, que assim determina: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. (grifamos) Tal sistema (SIPT), por seu turno, foi instituído pela Portaria SRF nº 447/2002, que assim dispôs: Portaria SRF nº 447, de 28 de março de 2002 DOU de 3.4.2002 Aprova o Sistema de Preços de Terras O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL no uso da atribuição que lhe confere o art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997, resolve: Art. 1º Fica aprovado o Sistema de Preços de Terras (SIPT) em atendimento ao disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, que tem como objetivo fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural (ITR). Art. 2º O acesso ao SIPT darseá por intermédio da Rede Serpro, somente a usuário devidamente habilitado, que será feito mediante identificação, fornecimento de senha e especificação do nível de acesso autorizado, segundo as rotinas e modelos constantes na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997. Parágrafo único. A definição e a classificação dos perfis de usuários, os critérios para a sua habilitação e as transações autorizadas para cada perfil, relativos ao controle de acesso lógico do SIPT, serão estabelecidos em ato da Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis). Art. 3º A alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades Fl. 613DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 210201.932 S2C1T2 Fl. 10 10 correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR, será efetuada pela Cofis e pelas Superintendências Regionais da Receita Federal. Art. 4º A CoordenaçãoGeral de Tecnologia e Segurança da Informação providenciará a implantação do SIPT até 15 de abril de 2002. Art. 5º Esta Portaria entra em vigor nesta data. EVERARDO MACIEL Segundo as informações constantes da Notificação de Lançamento, foi assim que se deu a apuração do valor do VTN para fins de lançamento do ITR no caso que aqui se examina. Nos termos da legislação supra citada, vêse que na falta de outro parâmetro para aferir o valor do imóvel da Recorrente – e entendendo que não mereciam fé os valores por ela declarados em DITR, seria lícita a utilização do SIPT. Este sistema (SIPT) foi criado justamente para balizar o arbitramento a ser efetuado em casos como o que ora se analisa. Desde que obedecidos os critérios mencionados na lei e na IN acima transcritas, abrese – com a Impugnação ao lançamento – a chance para o contribuinte se defender, ocasião em que serão rebatidos os critérios utilizados pela autoridade fiscal, de forma a comprovar (se for o caso) que o arbitramento estava equivocado, e que o valor declarado em DITR seria merecedor de fé. No caso dos autos, a Recorrente afirma que o valor tomado pela fiscalização não poderia prevalecer porque o Estado do Mato Grosso não dispunha do SIPT por falta de informações completas para sua apuração. Em sede de Recurso Voluntário, traz também aos autos uma novo laudo, o qual não havia ainda sido apresentado. Este laudo aponta como VTN médio por hectare para o imóvel em questão o valor de R$ 45,06. No entanto, os parâmetros utilizados pelo engenheiro signatário do laudo são valores de terra nua vigentes em diversos municípios, e não só Aripuanã, sendo a maior parte deles decorrentes de declaração de um mesmo corretor de imóveis. Além disso, tais valores (salvo um deles que foi objeto de efetiva negociação no ano de 2004, e outro relativo a 2002) correspondem a dados obtidos em agosto de 2008 – data da elaboração do laudo – e por isso não podem ser tomados como parâmetro para valorar o VTN da propriedade da Recorrente no ano de 2004 (objeto do lançamento). Assim, não merece acolhida o VTN constante do referido laudo. Por fim, há que se analisar a parcela do lançamento que se refere à glosa da área declarada como sendo de exploração extrativa. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 210201.932 S2C1T2 Fl. 11 11 Neste ponto, o lançamento se deu pela falta de apresentação de documentação que comprovasse a existência do plano e o cumprimento de seu cronograma. Em sua defesa, o Recorrente alega, desde a Impugnação, que estaria devidamente averbado nas matrículas do seu imóvel que a área era de utilização extrativa, mediante autorização do Ibama. A decisão recorrida, porém, manteve o lançamento pelos mesmos fundamentos expostos no Auto de Infração, sob a alegação de que a Recorrente não demonstrara a existência do plano de manejo e nem as autorizações do Ibama ou o cronograma de suas atividades. Já em sede de Recurso, a Recorrente afirma que a área de exploração extrativa estaria em descanso, e deveria por isso mesmo ser reconhecida. A área de exploração extrativa importa para o cálculo do ITR por afetar diretamente a apuração do grau de utilização do imóvel. As regras para sua caracterização estão inseridas no art. 10 da Lei nº 9.393/96, que assim dispõe: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) V área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: (...) c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental; (...) VI Grau de Utilização GU, a relação percentual entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável. (...) § 5º Na hipótese de que trata a alínea "c" do inciso V do § 1º, será considerada a área total objeto de plano de manejo sustentado, desde que aprovado pelo órgão competente, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. Como se vê, para fins de apuração do ITR, considerase como área de exploração extrativa aquela que comprovadamente tenha um plano de manejo sustentado, e cujo cronograma esteja comprovadamente sendo cumprido. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.720093/200649 Acórdão n.º 210201.932 S2C1T2 Fl. 12 12 No caso em exame, a Recorrente afirma que as averbações no Registro de Imóveis comprovariam a efetividade da existência do plano de manejo, bem como o seu cumprimento. No entanto, as averbações em questão somente servem para demonstrar que a área deverá ser objeto de exploração mediante plano de manejo, mas não servem para atestar a existência deste plano, e muito menos o cumprimento de seu cronograma. Não há, nos autos, cópia do referido plano e nem dos termos de responsabilidade de floresta manejada, documentos estes que poderiam facilmente ter sido trazidos aos autos. Sendo assim, entendo que a Recorrente deixou de comprovar a efetividade do plano de manejo, bem como de seu cumprimento, nos termos que constam de sua DITR. Tal prova caberia certamente à ela, maior interessada na desconstituição do lançamento em exame. Não o tendo feito, não há como acolher suas alegações, devendo esta parcela do lançamento também ser mantida por seus próprios fundamentos. Diante de todo o exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso, para reconhecer a existência da área de preservação permanente de 249,9 hectares. Considerando a semelhança entre os processos relativos aos exercícios 2004 e 2005, devese para o presente caso reconhecer a área de preservação permanente de 249,9 ha, lembrando que para o referido exercício não houve glosa da área exploração extrativa. Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer a área de preservação permanente de 249,9 ha. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 616DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 11060.001201/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2004 a 28/02/2005
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS RECURSO INTEMPESTIVO NÃO
CONHECIDO
É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente, conforme descrito no art. 56 do Decreto 70.235/1972.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-002.267
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório A presente NFLD, lavrado sob n. 37.225.0416, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados e contribuintes individuais no período de 03/2004 a 02/2005. O lançamento compreendem fato geradores lançados com base na NFLD 35.814.8502, consolidada em 29/05/2006, que foi tornado nula em 23/10/2006, por ter sido o débito lançado anteriormente à cientificação do MPF. Apesar na NFLD declarada nula envolver o período de 03/2004 a 04/2006, na NFLD ora sob análise só foram lançadas contribuições referentes ao período de 03/2004 a 02/2005, posto que as demais competências estavam lançadas no Débito Confessado em GFIP n. 36.592.8909. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 05/05/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 31 a 60. A Decisão de 1ª instância confirmou a procedência do lançamento, fls. 106 a 113. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 115 a 141 . Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. E uma entidade beneficente, sem fins lucrativos, de caráter assistencial, pois presta em sintonia com seus atos constitutivo, serviços a pessoas carentes sem nenhuma remuneração, possuindo relevantes gastos com este público, e possui certificado de utilidade pública estadual e municipal. 2. Sabese que, embora o órgão julgador administrativo não tenha competência para afastar texto ou significado de norma, possua alçada para declarar qual a interpretação que entende como correta. Não existe norma vetando autoridades administrativas de julgarem inconstitucionalidades. 3. Em se tratando de questionamento acerca de imunidade, que é classificada pela própria constituição como limitação ao poder de tributar, só pode ela ser regulamentada por via de lei complementar, como determina o art. 146 da Carta. Há entendimento do STF, acerca da possibilidade de leis ordinárias ou meros decretos virem a reduzir ou limitar o alcance das imunidades., tachando inclusive como inconstitucionais ditos mandamentos. 4. Equivocouse a decisão recorrida ao entender pela constitucionalidade da exigência dos requisitos específicos quanto a constituição e ao funcionamento das entidades beneficentes de assistência social previsto no art. 55 da lei 8212/91. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11060.001201/201016 Acórdão n.º 240102.267 S2C4T1 Fl. 2 3 5. Os únicos requisitos a serem exigidos para o gozo da imunidade são aqueles do CTN, e tudo quanto o extravasar os termo dessa lei complementar será inexigível ante a Constituição. 6. Como o recorrente possui contabilidade clara e limpa, bem como não distribui lucro, inequivocadamente reúne ele todas as condições impostas pelo preceito legal em referência, art. 14 do CTN. 7. Ilegalidade de incidência sobre verbas não salariais: auxílio doença, salário maternidade, férias, terço de férias e aviso prévio indenizado, posto que ditos valores não correspondem a nenhuma retribuição pelo trabalho. 8. Não é concebível, ainda, que imponham ou e agravem penalidades administrativas pelo só fato do exercício constitucional da ampla defesa administrativa, ainda mais, quando, segundo a lei complementar, a exigibilidade se encontra suspensa. 9. Requer seja julgada improcedente a autuação, e por consequência insubsistente o lançamento, ou sucessivamente, sejam declarados indevidas as exigências relativas às contribuições sociais (previdenciária parte da empresa, AT e terceiros) de verbas que não integram a folha de salários, bem assim, seja reduzida a multa impingida. A DRFB encaminhou o processo para julgamento. É o Relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto intempestivamente. De acordo com o recibo de cientificação pessoal, redigido pelo próprio responsável pela associação, o mesmo foi cientificado, recebendo cópia do acordão, no dia 25 de abril de 2011, conforme documento acostado a fl. 114, cuja assinatura é a mesma da procuração da empresa, fl. 143. Assim, considerandose o dia 25 de abril como data da cientificação, e que o prazo para interposição do recurso era de 30 dias, bem como que na contagem é excluído o dia de início, o prazo venceria em 25 de maio de 2011. A notificada interpôs o recurso no dia 30 de maio de 2011, fl. 115 a 140, portanto fora do prazo normativo. Assim, dispõe o art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Dos Recursos Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729/03) Contudo, considerando a data da lavratura do Auto de infração de obrigação principal a norma que rege a matéria é o Decreto 70.235/1972, que dispõe em seu artigo 56 acerca do prazo para interposição de recurso. Art. 54. O julgamento compete: III Em instância única, ao Coordenador do Sistema de Tributação, quanto às consultas relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal e formuladas: (...) Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. (grifo nosso) Em sendo intempestivo o recurso, e não tendo sido demonstrado nos autos nenhum fato que impedisse o requerente de interpor recurso na data estabelecida, julgo por não conhecer do mesmo. CONCLUSÃO Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11060.001201/201016 Acórdão n.º 240102.267 S2C4T1 Fl. 3 5 Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude da intempestividade do mesmo. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, Assinado digitalmente em 05/03/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001781/2003-68
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue May 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995, 1996, 1997
Ementa:
NULIDADE. DO ACÓRDÃO — COBRANÇA EM DESPACHO
Embora o processo seja de compensação, o despacho decisório decretou ser cobrável determinado montante. A questão se tornara controvertida diante do deduzido no despacho decisório e sua irresignação firmada na manifestação de inconformidade. Ao se furtar o acórdão de origem da apreciação da questão, conforma-se a nulidade daquela. Entretanto, na conformidade do art.
59, § .3", do Decreto 70.235/72, deixa-se de declarar a nulidade, urna vez que se reconhece nesta instância ser indevida a referida cobrança, corno comprovado nos autos..
DECADÊNCIA — COMPENSAÇÃO - ADESÃO À ANISTIA DA MP 38/02 Não se pode ignorar que os pagamentos de IRP.1 dos anos-calendário de 1995 a 1997 só se convolaram em pagamentos a maior, a partir do pagamento feito em 2002, mediante adesão da contribuinte à anistia da MP .38/02. Na interpretação do ad, 168, I, do CTN não se pode abstrair dessa realidade jurídica.
Não obstante os pagamentos de IRPI daqueles anos-calendário terem-se dado em momento próprio, como sua caracterização como pagamentos a maior "nascem" a partir da adesão e pagamento conforme a anistia da MP .38/02, é a partir de então que se inicia o termo a giro do prazo decadencial do direito à
repetição ou compensação da contribuinte. Protocolizada a declaração de compensação em 14 de maio de 200.3 e emergidos os pagamentos a maior em 2002, não há concreção da decadência do direito da contribuinte.
Como a questão do quantum creditaram não foi apreciada no despacho decisório, ao órgão de origem compete apreciar o valor do direito creditório postulado, que não se põe nos limites desta lide.
Numero da decisão: 1103-000.195
Decisão: ACORDAM os membros do colegiada por maioria de votos, DAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Gervásio Nicolau Recktenvald, quanto ao prazo decadencial para a compensação do direito creditório.
Nome do relator: MARCOS TAKATA
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1995, 1996, 1997 Ementa: NULIDADE. DO ACÓRDÃO — COBRANÇA EM DESPACHO Embora o processo seja de compensação, o despacho decisório decretou ser cobrável determinado montante. A questão se tornara controvertida diante do deduzido no despacho decisório e sua irresignação firmada na manifestação de inconformidade. Ao se furtar o acórdão de origem da apreciação da questão, conforma-se a nulidade daquela. Entretanto, na conformidade do art. 59, § .3", do Decreto 70.235/72, deixa-se de declarar a nulidade, urna vez que se reconhece nesta instância ser indevida a referida cobrança, corno comprovado nos autos.. DECADÊNCIA — COMPENSAÇÃO - ADESÃO À ANISTIA DA MP 38/02 Não se pode ignorar que os pagamentos de IRP.1 dos anos-calendário de 1995 a 1997 só se convolaram em pagamentos a maior, a partir do pagamento feito em 2002, mediante adesão da contribuinte à anistia da MP .38/02. Na interpretação do ad, 168, I, do CTN não se pode abstrair dessa realidade jurídica. Não obstante os pagamentos de IRPI daqueles anos-calendário terem-se dado em momento próprio, como sua caracterização como pagamentos a maior "nascem" a partir da adesão e pagamento conforme a anistia da MP .38/02, é a partir de então que se inicia o termo a giro do prazo decadencial do direito à repetição ou compensação da contribuinte. Protocolizada a declaração de compensação em 14 de maio de 200.3 e emergidos os pagamentos a maior em 2002, não há concreção da decadência do direito da contribuinte. Como a questão do quantum creditaram não foi apreciada no despacho decisório, ao órgão de origem compete apreciar o valor do direito creditório postulado, que não se põe nos limites desta lide.
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Recorrida I(Y TURMA DA DRI/SPOI Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1995, 1996, 1997 Ementa: NULIDADE. DO ACÓRDÃO — COBRANÇA EM DESPACHO Embora o processo seja de compensação, o despacho decisório decretou ser cobrável determinado montante. A questão se tornara controvertida diante do deduzido no despacho decisório e sua irresignação firmada na manifestação de inconformidade. Ao se furtar o acórdão de origem da apreciação da questão, conforma-se a nulidade daquela. Entretanto, na conformidade do art. 59, § .3", do Decreto 70.235/72, deixa-se de declarar a nulidade, urna vez que se reconhece nesta instância ser indevida a referida cobrança, corno comprovado nos autos.. DECADÊNCIA — COMPENSAÇÃO - ADESÃO À ANISTIA DA MP 38/02 Não se pode ignorar que os pagamentos de IRP.1 dos anos-calendário de 1995 a 1997 só se convolaram em pagamentos a maior, a partir do pagamento feito em 2002, mediante adesão da contribuinte à anistia da MP .38/02. Na interpretação do ad, 168, I, do CTN não se pode abstrair dessa realidade jurídica. Não obstante os pagamentos de IRPI daqueles anos-calendário terem-se dado em momento próprio, como sua caracterização como pagamentos a maior "nascem" a partir da adesão e pagamento conforme a anistia da MP .38/02, é a partir de então que se inicia o termo a giro do prazo decadencial do direito à repetição ou compensação da contribuinte. Protocolizada a declaração de compensação em 14 de maio de 200.3 e emergidos os pagamentos a maior em 2002, não há concreção da decadência do direito da contribuinte. Como a questão do quantum creditaram não foi apreciada no despacho decisório, ao órgão de origem compete apreciar o valor do direito creditório postulado, que não se põe nos limites desta lide. ))?,n \\:\s, Processo n" 16327 001781/2003-68 SI-C 1 13 Acónião a" 1103-00.195 Fl 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiada por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Gervásio Nicolau Recktenvald, quanto ao prazo decadencial para a compensação do direito credito 'o.ii , ALOYSIO J le b ' - E eib. 111 DA SILVA — Presidente M fr VOS TAKATA — Relator 1 l EDITADO EM: 0 7 sj ij L 2010 . Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percinio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Gomes Barroso, Marcos Shigueo 1Takata (Relator), Gervásio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva.. i : , i ! 1 Processo n" 16327 001781/2003-68 SI-C1T3 Acórdão n." 1103-00195 Fl. 3 Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO E DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Trata o presente processo de Declaração de Compensação de débitos de IRP,J com créditos de IRPJ estimativa recolhidos durante os anos-calendário de 1995, 1996 e 1997, conforme relação de pagamentos (fl. 3). Em despacho decisório exarado em 29/03/2005 (fis, 10 a 14) a autoridade administrativa decidiu não homologar a compensação efetuada, alegando, em síntese: a) Considerando-se terem ocorrido os pagamentos no período de 29/03/1997 a 30/04/1998 (recolhimentos indevidos/a maior pleiteados como direito creditório), consumou-se o escoamento do prazo previsto no inciso 1 do art. 168 do CTN antes da protocolização do pedido analisado (ocorrida em 14/05/2003), resultando extinto o direito de repeticão do indébito ou débito do fisco sob análise; b) Dessa forma, decidiu-se não reconhecer o direito creditório postulado no montante de R$ 346,164,25, tendo em vista o transcurso do prazo previsto no inciso 1 do art. 168 do CTN, e que, em relação aos débitos mencionados no demonstrativo de débitos compensados de fls. 1 e 2 e reproduzidos na proposta de fi, 13, deve-se promover sua cobrança. Devidamente notificada em 1 0/04/2005, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, protocolizada em 29/04/2005 (fia 19 a 35), alegando em síntese o seguinte: a) A recorrente ingressara com mandado de segurança, diante do indeferimento de liminar em ação cautelar inominada, Fora concedida liminar no mandado de segurança, confirmada pela 2" Seção do TRF da 3" Região, Após o advento da Lei 8..682/93, a recorrente distribuiu, por dependência à Ação Cautelar Inominada ri° 9.3.0014692-0, a Ação Declaratória Negativa de Débito Fiscal, postulando o seu direito de deduzir do seu lucro real, no exercício de 1993 (ano-calendário de 1992) a parcela da correção monetária de que trata o art, 3" da Lei 8.200/91, sem as condições estipuladas no art. 11 da Lei 8.682/93, bem corno o direito de deduzir as quotas de depreciação, amortização e exaustão, ou o valor da baixa de bens, sem a restrição contida no art. 4" da Lei 8200/91, Referida ação foi julgada procedente e os autos foram remetidos para o TRF da 3" região para reexame necessário; b) Foi lavrado auto de infração de IRPJ, com exigibilidade suspensa, a fim de prevenir a decadência; c) Diante do entendimento do STF sobre a constitucionalidade da Lei 8.200/91, a recorrente aderiu, em julho de 2002, à anistia veiculada pela Medida Provisória 38/02, que previa a possibilidade de pagamento dos tributos cujos fatos geradores tivessem ocorrido até 30/04/2002 e que eram objeto de ações judiciais propostas até essa data, sem multa e com juros de acordo com a taxa Selic, computados somente a partir de 10/02/1999; 3 Pwcesso n" I 6327 001781/2003-68 S I-C1T3 Acórdào n 11034)0..195 F I 4 d) A recorrente efetuou o pagamento do crédito tributário exigido no auto dc infração e requereu a desistência das ações judiciais propostas. Em razão deste pagamento, a requerente, antes amparada com uma decisão judicial que afastava as restrições contidas no art, 3" da Lei 8200/91, foi obrigada a proceder de acordo com o referido dispositivo legal, deparando-se, assim, com uma nova situação jurídica; e) Anteriormente à anistia, o procedimento adotado pela recorrente de deduzir 100% do diferencial IPC/STNF em um único exercício (vale dizer, no ano-calendário de 1992) era legítimo, pois estava amparado pot uma norma individual e concreta que lhe autorizava a agir nessa conformidade.. Da mesma fbrma, os recolhimentos de IRP1 feitos nos anos-calendário posteriores sem as exclusões permitidas pela Lei 8.200/91, com a redação dada pela Lei 8,682/93, não eram consistentes com pagamentos indevidos ou maior que o devido. Somente com o acordo feito com o fisco, por intermédio cio que foi estabelecido pela Medida Provisória (MP) 38/2002, estabeleceu-se para a recorrente uma nova situação jurídica; f) A recorrente recompôs as bases de cálculo do IRPI, excluindo a diferença da correção monetária IPC/BTNF na proporção de 25% em 1993 e 15% em 1994 a 1998; g) Ao realizar tal recalculo, a recorrente apurou crédito decorrente do pagamento a maior de IRPJ entre 1993 e 1998, surgindo, desde então, o direito de postular a restituição dos valores recolhidos indevidamente; h) Em face do pagamento feito conforme a MP 38/02, e como nos anos- calendário seguintes a 1992 a recorrente havia recolhido o IRPJ sem a exclusão da diferença de correção monetária IPC/BINF (pois havia procedido à dedução integral no ano-calendário de 1992, objeto do pagamento pela MP 38/02), houve a apuração de pagamento a maior de IRPJ nos anos-calendário seguintes a 1992, já que, com a anistia, a recorrente passou a poder apurar o IRPI devido nos termos da Lei 8.200/91, com a redação dada pela Lei 8.682/93; i) Dos R$ 138,530,41 que seriam devidos a título de IRRF (código 8035), a recorrente, em 7/03/03 (data de vencimento do imposto em análise), pagou o valor correspondente a .R$ 90,352,03, conforme comprova a guia anexada aos autos; j) O direito ao crédito em questão surgiu no exato momento em que a recorrente aderiu à anistia e pagou o débito tributário do IRPI constituído no auto de infração em julho de 2002; k) Os pagamentos efetuados pela recorrente somente se tornaram indevidos com a adesão à anistia. Até então, eram pagamentos feitos em perfeita confbrmidade com o que estabelecia a norma individual e concreta à qual estava submetida tanto a recorrente, quanto a União, que era a decisão judicial; 1) O prazo de que dispõe a requerente para postular a restituição ou compensação do indébito se expira apenas em julho de 2007, conforme o art. 900 do RIR199; m) Nos termos do art. 150, § 4" c/c o art. 168, I, ambos do CIN, não ocorreu a decadência e tampouco a prescrição para postular a restituição ou compensação dos valores recolhidos a maior de 1RPI, visto que a "declaração de compensação" da recorrente foi protocolizada dentro do prazo de 5 anos contados da data da extinção dos seus créditos. 4 PI ()cesso n" 16327. 001781/2003-68 SI-C 1 T3 Acórdão n " 1103-00..195 F I . 5 DA DECISÃO DA MU E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 2/10/2006, a 10" Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, por unanimidade de votos, acordou indeferir a solicitação da recorrente, nos termos do voto abaixo sintetizados: a) Primeiramente, foi ressaltado que a autoridade administrativa, em nenhum momento, manifestou-se sobre o mérito do direito creditório. Mesmo porque, apenas na manifestação de inconformidade foi explicitada a origem dos créditos. Desta forma, verificou-se que a matéria controvertida no presente processo gira em tomo do prazo para pleitear o reconhecimento de direito creditório; b) Da conjunção dos arts: 165, 1, e 168, copal e 1, do CTN, tem-se que, conquanto a cobrança de tributo indevido confira ao contribuinte direito a sua restituição, tal direito se extingue ao cabo de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário; c) Como os créditos resultam de valores pagos entre 29/03/96 e 23/04/98, consumou-se o prazo decadencial de cinco anos para repetição do indébito, conforme o art. 168, 1, do CTN, porquanto a declaração de compensação só foi protocolizada em 14/05/2003; d) A desistência da ação judicial e a adesão à anistia não têm o condão de alterar o fato de que a extinção daqueles créditos tributários de IRRI foi efetuada por pagamento. Os créditos tributários relativos aos anos de 1995 a 1997 não foram extintos condicionalmente pelos recolhimentos efetuados. Aliás, seria até ilógico pensar na possibilidade de uma extinção provisória de um crédito tributário. Se, eventualmente a recorrente entendesse que não deveria extinguir tais créditos, poderia ter efetuado o depósito dos montantes integrais, a fim de suspender a exigibilidade do crédito. No entanto, a recorrente optou por recolher os montantes devidos, desta forma extinguindo os referidos créditos, nos termos do art. 156, 1, do CTN; e) Dessa forma não há reparos a fazer no despacho decisório; f) Por fim, quanto à alegação de que parte do crédito de IRRF (código 8035) estaria quitado (Darf a ils, 279), deve ser observado que tal recolhimento será objeto de auditoria de cálculos e confirmação de recolhimento, e o valor poderá ser considerado por ocasião da cobrança. Devidamente cientificada em 21/11/2006, a recorrente, inconformada com o r. acórdão a quo, interpôs recurso voluntário em 20/12/2006, no qual basicamente reitera as alegações apresentadas em sua manifestação de inconformidade. Adicionalmente, requerer a nulidade do acórdão recorrido, por não enfrentar a questão da inexistência do débito veiculado no despacho decisório, correspondente a R$ 90.352,0.3, e, ainda, caso não sejam admitidos os argumentos aduzidos no recurso, que lhe seja concedido o direito de utilizar, de forma extemporânea, o saldo devedor de correção monetária 1PC/BTNF no seu LALUR. É o relatório. 5 Processo n" 16327 001781/2003-68 S -CIT3 Acórdão n " 1103 -0(L 195 F [ 6 Voto Conselheiro MARCOS 'TAKATA, Relatar O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de a.dmissibilidade. Dele, pois, conheço. Liminarmente, insta acentuar que não se insere nos limites objetivos da lide a questão do gualdam creditaram (quanto de crédito) da recorrente, que, se houver ., deve ser objeto de apreciação pela órgão de origem — inclusive porque o an (que) e o quantwn creditorum, havendo, não foram analisados pela DEM', ressalvada a preliminar de mérito de inexistência do crédito pela decadência, Principio com o exame da preliminar de nulidade do decisório a gila. A recorrente articula a nulidade do decisório de origem por se tintar à apreciação do pagamento parcial do débito de R$ 90.352,03, incorporado no despacho cio órgão de origem como montante a ser cobrável juntamente com o valor de R$ 48.178,38, o qual foi objeto da declaração de compensação não homologada. A somatória desses valores compõe a 11" linha do quadro de débito (fl. 13) elaborado no despacho decisório que decidiu não homologar a compensação e promover a cobrança dos débitos levantados no referido despacho (fi. 14).. No r. acórdão de origem é consignado que o recolhimento do valor de R$ 90..352,03 será objeto de auditoria de cálculos e confirmação de recolhimento e que o valor poderá ser considerado por ocasião da cdbrança, Nesse passo, reconheço que assiste razão à recorrente sobre a preliminar posta, Com efeito, a questão se tornara controvertida diante do deduzido no despacho decisório e sua irresignação firmada na manifestação de inconformidade. Por outro lado, não se pode esquecer o que preceitua o art. 59, § 3 0, do Decreto 70.235/72 com a redação da Lei 8.748/93, e que materializa o princípio da economia processual: Art. 59. Seio nulos- ) § 1" A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência 2". Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei n" 8 748, de 199.3) Compulsando os autos, vejo que na declaração de compensação é indicado o valor original do tributo de .R$ 138,530,41, devido sob o código 8053, relativo ao período de 6 PI ()cesso 15327. 001781/2003-68 S1-CI T3 Acórdão n " 1103-00195 Fl 7 apuração de 1"/0.3/2003 (11, 2), E, conforme a cópia do DARF de fi. 279, acostada aos autos pela recorrente junto com a manifestação de inconformidade, figura o pagamento de 90,352,03, sob o código 8053, referente ao período de apuração de 1"/03/2003. Outrossim, na conformidade do art. 59, § 3", do PAF, deixo de decretar a nulidade do acórdão de origem, para reconhecer ser indevida a cobrança do valor de R$ 90.352,03, incorporado no montante expresso na 11' linha do quadro constante do despacho decisório., Passo ao exame do mérito remanescente. Como se viu no relatório, a recorrente havia deduzido integralmente o prejuízo inflacionário, ou melhor, a despesa da correção monetária da diferença 1PC/BTNF no ano-calendário de 1992, ao abrigo de decisão judicial.. Em face disso, para prevenir a decadência, havia sido lançado o IR.P.1 decorrente da inobservância do art. 3", 1, da Lei 8.200/91 com a redação da Lei 8.682/93, segundo o qual tal despesa só seria excluível a partir de 1993, à razão de 25% nesse ano, e à razão de 15% nos anos-calendário de 1994 a 1998. Por força da adesão da recorrente à anistia da MP 38/02, ela desistira da ação judicial em que discutia a constitucionalidade da Lei 8,200/91 e procedeu ao pagamento do débito lançado, na forma da MP 38/02. Desse pagamento feito conforme a MP 38/02, emergiu a caracterização de pagamentos a maior dos anos-calendário de 1993 a 1998. No caso dos autos, cuida-se de pagamentos a maior emergentes nos anos-calendário de 1995 a 1998.. Que se trata, no caso em dissídio, de pagamentos a maior relativos aos anos- calendário de 1995 a 1998 não resulta dúvida. Que os pagamentos de 1RP1 desses anos- calendário se deram em seu momento próprio, igualmente não sobra dúvida. Mas não se pode ignorar que os pagamentos de IRPJ dos anos-calendário de 1995 a 1998 só se convolaram em pagamentos a maior a partir do pagamento feito em 2002, mediante a adesão da recorrente à anistia da MP 38/02. É dizer, diante da relação jurídico-processual instalada antes da adesão da recorrente à anistia da MP 38/02, não havia pagamentos a maior. E, enquanto vigente essa relação jurídica, vale dizer, o abrigo judicial à pretensão da recorrente, tal relação prevalece sobre outra, a que decorre do art. 3", 1, da Lei 8.200/91, Com a adesão à anistia e pagamento do débito lançado do ano-calendário de 1992, aquela relação jurídica que dava suporte à pretensão da recorrente deixou de existir, Tornou-se prevalente a relação jurídica decorrente do art. 3", I, da Lei 8.200/91, Noutras palavras, a partir de então, nova relação .juridica se tornou prevalecente e com caráter de definitividade„ E. foi à guisa disso que se configuraram pagamentos a maior. Só então nasceram os pagamentos a maior. Não vejo como se possa abstrair essa realidade jurídica, na interpretação do art. 168, 1, do CIN. Tenho muito claro para mim que se os pagamentos a maior "nascem" a partir da nova relação jurídica instalada em caráter definitivo, ou seja, a partir da adesão e pagamento 7 Processo n I 6327 001781/2003-68 SI -CIT3 Acórdão n " 1103-00..195 Fl 8 conforme à anistia da MP 38/02. Logo, é a partir de então que se inicia o termo a quo do prazo decadencial do direito à repetição ou compensação da recorrente. Diverso senso seria dar com uma das mãos e tirar com a outra. Por conseguinte, tendo sido protocolizaria a declaração de compensação em 14/05/2003, e emergidos os pagamentos a maior em 2002, não há concreção da decadência do direito da recorrente.. De outra parte, noto que o valor cio direito creditório objetivado na declaração de compensação é diverso do apresentado na manifestação de inconformidade e no recurso. De todo modo, como a questão do quanium creditorian não se põe nos limites do feito — sequer foi apreciada pela DEINP — deixo de verter juízo sobre tanto. Por essa mesma razão não enfrento aqui a questão do termo inicial da incidência dos juros à taxa Selic sobre o direito creditório original. Sob essa ordem de considerações e juízo dou provimento ao recurso para reconheceu o pagamento de R$ 90,352,03, sob o código 8053, apurado em 1 0/03/2003, incluído no despacho decisório, e a não consumação da decadência do direito creditório correspondente a pagamentos a maior relativos aos anos-calendário de 1995 a 1997. Ao órgão de origem compete apreciar o valor do direito creditório postulado. É o meu voto. OS TAKATA 8 Pi ()cesso n" 16327 00 I 781/2003-68 SI-C1 T3 Acórdão n 1103-00195 11 9 1 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art.. 81, § .3', do anexo II, do Regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009 Brasília, JOSÉ ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da 1" Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: } apenas COm ciência; com Recurso Especial; [ com Embargos de Declaração; [ 9
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Numero do processo: 19515.003162/2005-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS — NULIDADE — IMPROCEDÊNCIA — Não há
que se falar em nulidade do auto de infração quando o mesmo possui todos os elementos necessários à compreensão inequívoca da exigência e dos fatos que o motivaram, encontrando-se ainda, com o correto enquadramento legal da infração fiscal.
NORMAS PROCESSUAIS - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL
- NULIDADE DO LANÇAMENTO — Estando o procedimento fiscal
autorizado pela Administração Tributária, com emissão do respectivo Mandado de Procedimento Fiscal, cuja validade das prorrogações cobre o período em que o contribuinte esteve sob procedimento de fiscalização, não hi que se falar em nulidade do lançamento.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE — IMPROCEDÊNCIA — Improcede a argüição de nulidade do auto de infração,
quando a infração imputada ao contribuinte encontra-se minuciosamente descrita em quadro demonstrativo detalhado que instrui a peça básica, atendendo plenamente as disposições do Decreto n° 70.235/72.
SÚMULA CARF N° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1101-000.726
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: José Sérgio Gomes
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NORMAS PROCESSUAIS - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - NULIDADE DO LANÇAMENTO — Estando o procedimento fiscal autorizado pela Administração Tributária, com emissão do respectivo Mandado de Procedimento Fiscal, cuja validade das prorrogações cobre o período em que o contribuinte esteve sob procedimento de fiscalização, não hi que se falar em nulidade do lançamento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE — IMPROCEDÊNCIA — Improcede a argüição de nulidade do auto de infração, quando a infração imputada ao contribuinte encontra-se minuciosamente descrita em quadro demonstrativo detalhado que instrui a peça básica, atendendo plenamente as disposições do Decreto n° 70.235/72. SÚMULA CARF N° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário VALMAR FONSEC ZES - Presidente. t> elator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Benedicto Celso Benicio Júnior, José Ricardo da Silva (Vice-Presidente) e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário interposto por EMPÓRIO CHIAPPETTA LTDA., (fls. 141/153, v. 1), contra decisão da 3a Turma da DRJ/SPOI, consubstanciada no Acórdão n° 16-16.338, de 13 de fevereiro de 2008 (fl. 121/128, v. 1), que julgou improcedente sua Impugnação. Consta dos autos que foram lavrados autos de infração para constituir créditos tributários referente ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) (fls. 60/74), por considerar que a manutenção, no passivo, de obrigação já paga ou não comprovada resultaria em omissão de receitas, o que infringiria os seguintes dispositivos legais: - IRPJ: artigo 24 da Lei n° 9.249/1995, artigo 40 da Lei n° 9.430/1996 e artigos 249, inciso II, 251, caput e parágrafo único, 279, 281, inciso Ill, e 288 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR, Decreto n° 3.000/1999); - PIS: artigos 1°e 3 0 da Lei Complementar n° 7/1970, artigo 24, § 2°, da Lei n° 9.249/1995, artigos 2°, inciso I, 8 0, inciso I, e 9 0 da Lei n° 9.715/1998 e artigos 2° e 3° da Lei n°9.718/1998; - COFINS: artigo 1° da Lei Complementar n° 70/1991, artigo 24, § 2°, da Lei n° 9.249/1995 e artigos 2°, 3 0 e 8° da Lei n° 9.718/1998, com as alterações da Medida Provisória n° 1.807/1999 e suas reedições e da Medida Provisória n° 1.858/1999 e suas reedições; - CSLL: artigo 2°, caput e parágrafos, da Lei n° 7.689/1988, artigos 19 e 24 da Lei n° 9,249/1995, artigo 1° da Lei n° 9.316/1996, artigo 28 da Lei no 9.430/1996 e artigo 6° da Medida Provisória n° 1.858/1999 e reedições. Inconformada, apresentou Impugnação (fls. 80/90, v. 1), onde, em apertada . .. sintese, argumentou que: 2 Process() n°19515.00316212005-41 AcOrdio n.° 1101-00.726 Si-C1T1 F 1. 2 a) em preliminar, afirma que, nos termos do disposto no art. 7°, da Portaria SRF 3007, de 26 de novembro de 2011, para o cumprimento do Mandado de procedimentos Fiscais, são necessários a observância de requisitos essenciais, como, por exemplo, a identificação e controle do MPF, que deverá ser composto por 17 dígitos; b) com simples observação dos autos, constata-se que o número de identificação nos respectivos 4 autos de infração ora questionados, se deram pela única identificação de MPF 0819000/01428/05, ou seja, a numeração numérica foi composta de 14 dígitos, enquanto o exigido são 17; c) no Auto de Infração Principal e aos Autos de Infrações Reflexos não há em seu corpo a discriminação de qualquer numeração dada a estes lançamentos tributários, sequer menção de data e hora, além da descrição correta dos fatos, contrariando frontalmente os ditames do art. 10°, do Decreto 70.235/72; d) cita doutrina de Leandro Paulsen e René Bergmann Avila, que asseveram ser nulo o auto de infração que não obedece a estes critérios, que são essenciais e indispensáveis para a formalidade do ato; e) o Auto de Infração Principal não observou o detalhamento correto referente descrição dos fatos a ele atribuído, já que somente constou "Omissão de Receitas. Passivo Fictício. Omissão de Receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga, conforme explicitado no Termo de Constatação e Intimação, lavrado em 26.10.2005 e no Termo de Verificação e Esclarecimento, lavrado nesta data, que são partes integrantes do presente Auto de Iqfração"; o Termo de Verificação e Esclarecimento, da Unidade DEFIC/São Paulo/SP, número de MPF 08.1.90.00-2005-01428-9, faz parte integrante do presente Auto de Infração. Portanto, o Termo de Constatação e Intimação, lavrado em 26/10/2005, onde o Impugnante presume que encontra-se a correta apuração e descrição dos fatos, não foi juntada ao Auto de Infração Principal. Porém, verificado, somente uma "breve" menção ensej adora de sua existência no Termo de Verificação e Esclarecimento; g) insuficiente a descrição dos fatos no Auto de Infração, fica patente o cerceamento do direito de defesa do ora Impugnante, caracterizando o descumprimento de requisito essencial exigido pela Lei do Processo Administrativo Fiscal, Decreto 70.235/72, em seu art. 10, inciso III; h) cita acórdãos proferidos pela ceara administrativa, que reforçam o que ora se defende, Ac. 201.67797 e 2002-05692; i) o art. 9°, do Decreto 70.235/72, dispõe que "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notcaçõ es de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar 3 i ) instruidos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis a comprovação do ilicito"; arremata que o §1, do dispositivo em comento, preceitua que "quando, na apuração dos fatos, for verificada a prática de infrações a dispositivos legais relativos a um imposto, que implique a exigência de outros impostos da mesma natureza ou de contribuições, e a comprovação de ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, as exigências relativas ao mesmo sujeito passivo serão objeto de um só processo, contendo todas as notificações de lançamentos e autos de infração;° k) citando, novamente entendimento da doutrina de Leandro Paulsen e René Bergmann Avila, na falta de documentação instrutória do ora Auto de Infração relativa a inadequação dos fatos nele imputados, além de acarretar o cerceamento de defesa, impede o Impugnante de conhecer por completo a acusação a ele attibuida; I) se irregular está o Auto de Infração Principal relativo ao lançamento por apuração de passivo fictício referente ao lRPJ, também o são os Autos de infrações Reflexos ao Principal, quais sejam, COFINS, PIS e CSLL, conforme se extrai de decisão proferida no acórdão 108-07-882; m) argüiu a inconstitucionalidade da base de calculo do PIS e da COFINS, pois o art. 3 0, da Lei 9.718/98, alterou o conceito de faturamento, que é a base de calculo da COFINS, o que fez, em conseqüência, a incidir o tributo sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas, e não apenas sobre as receitas obtidas com a venda de mercadorias e serviços; n) receita bruta é "totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; o) o texto da Lei equiparava faturamento a receita bruta operacional, fazendo com que a incidência das contribuições passassem a alcançar não só bens e serviços, bem como outras receitas, como indenizações, royalties e ganhos em bolsas de valores; 13s) a base de cálculo alongada entre os períodos de 1998 e 2002 para o PIS, 1998 e 2003 para a COFINS fez com que a aliquota, que antes era de 2%, passasse a ser 3%; q) o STF, por maioria de votos, no RE 357.950-9 RS, considerou inconstitucional o §1°, do art. 30, da Lei 9.718/98, sessão de julgamento de 09.11.2005; r) o dispositivo foi derrubado após debates sobre a possibilidade de sua convalidação, isto porque, a 9.718/98 foi publicada antes da EC 20. Contudo, a maioria dos ministros do STF entenderam que a norma não estaria de acordo com a redação original do art. 195, I, da CF, apesar de sua constitucionalidade não ter sido atacada; s) assim, foi observado que o texto da EC 20, ao criar a hipótese de incidência sobre a "receita ou o faturamento", acabaria por "constitucionalizar a norma", Contudo, esta tese isolada, somente foi defendida pelo ministro Eros Grau, que ficou vencido; 4 Processo n°19515.003162/2005-41 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-00.726 Fl. 3 t) desta forma, o STF cristalizou a tese de que uma ementa constitucional não possui o condão de constitucionalizar uma lei que, antes de sua entrada, feria o texto magno; u) fica evidente que a base de calculo utilizada nos autos de infrações reflexos referentes ao PIS e COFINS são inconstitucionais, devendo os referidos Autos de Infrações serem considerados nulos de pleno direito. A 3' Turma da DIU/SP01, ao apreciar o mérito, julgou improcedente sua Impugnação, conforme se extrai da ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 NULIDADE. DATA E HORA DE LAVRATURA. NUMERAÇÃO DO LANÇAME1VTO E DO MPE A falta de indicação de data e hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento, uma vez suprido o lapso pela informação da data da ciência e não configurado qualquer prejuízo à defesa. Não há exigência legal para a numeração de lançamentos e a numeração do Mandado de Procedimento Fiscal foi feita de acordo com a prescrição normativa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não procede a argüição de insuficiência na descrição dos fatos que motivaram o lançamento, porquanto cientificado o contribuinte de todos os termos lavrados no curso da ação fiscal, que explicitam os fatos que caracterizam o ilícito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2001 DECORRÊNCIA. A decisão relativa ao lançamento principal se aplica, no que couber, eis exigências de PIS, COFINS e CSLL, devido à estreita relação de causa e efeito existente entre eles. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. irrelevante para a solução do litígio a existência de decisão judicial que considerou inconstitucional a norma que ampliou o conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de lançamentos decorrentes de presunção legal de omissão de receita da atividade da pessoa jurídica. Lançamento Procedente 5 Cientificada da decisão de primeira instancia (fls. 131), e com ela não se conformando, apresentou Recurso Voluntário a este Egrégio Conselho, utilizando-se dos mesmos argumentos lançados em sua peça impugnatória. E o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo da Silva 0 recurso interposto pela interessada restringe-se tão-somente a questões preliminares, as quais serão apreciadas na mesma ordem da peça de defesa. A primeira preliminar de nulidade suscitada pela recorrente diz respeito ao fato de constar no autos a identificação numérica do MPF com apenas 14 dígitos, quando deveriam ser 17. Sem maiores delongas, rejeito de pronto a preliminar levantada, pois o primeiro documento constante nos autos do presente processo exatamente o MPF do qual a contribuinte tomou ciEncia do inicio da ação fiscal, onde consta a seguinte identificação: "MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - FISCALIZAÇÃO N° 08.1.90.00 -2005 - 01428-9". Como pode se observar, a identificação numérica do mesmo possui 17 algarismos de acordo com o que estabelece a Portaria SRF n° 3007/2001. A segunda preliminar de nulidade arguida, a qual diz respeito a falta de especificação da hora e data da lavratura, tanto no Termo de Verificação e Esclarecimento como do Auto de Infração Principal e também dos Autos de Infração Reflexos, motivo pelo qual a recorrente afirma que a ação fiscal deixou de cumprir os princípios basilares do direito administrativo e tão menos a respectiva lei, devendo ser considerado nulo de pleno direito. Também não tem razão a recorrente, pois consta no auto de infração de IRPJ (fls. 60), a data da lavratura em 21/11/2005, as 10:30 horas, dados esses que constam também dos autos de infração de PIS (fls. 64), COFINS (fls. 68), CSLL (fls. 72), bem como no Termo de Encerramento da Ação Fiscal. Ainda que o citado auto de infração não consignasse a data e a hora da sua lavratura, ditas irregularidades não seriam capazes de ensejar a nulidade do mesmo, caso não provocassem qualquer prejuízo a recorrente. A esse respeito, os artigos 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72, são claros e determinam que importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influirem na solução do litígio. Assim, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração. A terceira preliminar de nulidade diz respeito a falta do correto detalhamento referente A descrição dos fatos a ele atribuído, onde consta "Omissão de Receitas. Passivo Fictício. Omissão de Receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigação já paga, conforme explicitado no Termo de Constatação e Intimação, lavrado em 26.10.2005 e 1 6 Processo n°19515.003162/2005-41 Acórdão n.° 1101-00.726 SI-CIT1 Fl. 4 no Termo de Verificação e Esclarecimento, lavrado nesta data, que são partes integrantes do presente Auto de Infração". Sem o menor fundamento legal tal alegação, pois o Decreto n.° 70.235/72, em seu artigo 9 0, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: exigência do crédito tributário sera formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo." Com nova redação dada pelo art. 1' da Lei n.° 8.748/93: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados ern autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruidos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." 0 auto de infração, bem como a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vicio na forma, o ato pode invalidar-se. Do exame das peças que compõem o presente lançamento, tais como intimações, planilhas, demonstrativos etc., que fazem parte integrante do auto de infração, demonstram claramente a irregularidade fiscal praticada, qual seja, a falta de comprovação das contas componente do passivo circulante no balanço realizado pela interessada. Referidos demonstrativos foram elaborados justamente para facilitar o entendimento por parte do contribuinte. No caso dos presentes autos, a autoridade fiscal tomou as providências necessárias para demonstrar com muita fidedignidade as irregularidades apuradas, inexistindo qualquer reparo a ser feito, tanto no auto de infração e seus anexos, quanto na decisão recorrida. Verifica-se, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos previstos no Processo Administrativo Fiscal, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, na fase de instrução do processo, em resposta as intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Dessa maneira, se revela totalmente improficua sua alegação de nulidade, porque a apuração da infração foi feita com estrita observância das normas legais, não se vislumbrando qualquer possibilidade de acolher a nulidade levantada pela suplicante. Com relação a inconstitucionalidade de norma legal alegada pela recorrente, cabe citar a Portaria CARF n° 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de 01/12/2010, DOU de 07/12/2010 e 09/12/2010 que aprovou a Súmula CARF n° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao mérito, a recorrente não apresentou qualquer manifestação suscetível de apreciação, motivo pelo qual sou pela manutenção integral da exigência. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. i âtor B
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Numero do processo: 10640.004181/2008-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindo-se o dia do início (data da ciência) e incluindo-se o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, torna-se definitiva a decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2101-001.333
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindose o dia do início (data da ciência) e incluindose o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, tornase definitiva a decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) _______________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) _________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Fl. 135DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE S OUZA MURPHY 2 Relatório Em desfavor de MARIA ELIZABETH SACCHETTO, professora universitária, foi emitida a Notificação de Lançamento às fls. 11, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar no valor de R$ 1.740,00 (mil, setecentos e quarenta reais), que, com juros de mora calculados até 29.08.2008 e multa proporcional perfaz um valor total exigido de R$ 3.824,17 (três mil oitocentos e vinte e quatro reais e dezessete centavos). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 12) a Fiscalização informa ter apurado: 1. Dedução indevida do imposto, efetuada a titulo de Doação Estatuto da Criança e do Adolescente, no valor de R$90,00, tendo em vista ser relativo a doações efetuadas para entidades não permitidas pela legislação vigente; 2. Dedução Indevida do imposto, a título de Despesas Médicas, no valor de R$ 6.000,00 relativo a pagamentos declarados para LUNA PETERMANN DA SILVEIRA (R$3.000,00) e GERALDO TANUS CHERP (R$3.000,00), por falta de comprovação do efetivo pagamento e do efetivo recebimento dos serviços. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 2004/606378135211106 a contribuinte apresentou recibos para comprovação dos valores especificados, que não foram considerados suficientes para comprovação da dedução pleiteada. Foi então a contribuinte intimada para comprovação da efetividade da entrega dos recursos e recebimentos dos serviços, através do Termo de Intimação Fiscal 163/2008, de 20/05/2008 (recebido 27/05/2008), não atendido. Em 30 de setembro de 2008, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 7), na qual pede a exclusão total da cobrança apontada na Notificação de Lançamento, pois as deduções de despesas médicas praticadas, a seu ver, foram devidamente comprovadas pelo documentos apresentados nos autos. A 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, mediante o Acórdão n.º 0932.351, de 12 de novembro de 2010, julgou improcedente a Impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Falece competência à autoridade administrativa para se manifestar quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE S OUZA MURPHY Processo nº 10640.004181/200827 Acórdão n.º 210101.333 S2C1T1 Fl. 128 3 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o lançamento relativo a matéria não impugnada (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 17), devendo, por conseguinte, ser procedida a cobrança imediata do crédito tributário correspondente. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Firmase plena convicção de que resta indevida a dedução de despesas médicas pleiteada pelo contribuinte, quando esse não demonstra os efetivos pagamentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela objeto da decisão, à. exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão em 7 de dezembro de 2010, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 7 de janeiro de 2011. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é intempestivo e não pode ser conhecido. A contribuinte tomou ciência do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora em 7 de dezembro de 2010, conforme comprova o carimbo de entrega dos Correios no Aviso de Recebimento – AR às fls. 104. Compulsandose os autos, verificase que a contribuinte protocolizou Recurso Voluntário na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora no dia 7 de janeiro de 2011, conforme atesta o funcionário da referida unidade (fls. 105 e 125). O Recurso Voluntário pode ser interposto pelo contribuinte no prazo de trinta dias contados da ciência da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, nos termos do artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, a seguir transcrito: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE S OUZA MURPHY 4 A contagem dos prazos no Processo Administrativo Fiscal está disciplinada no artigo 5.º do mesmo diploma legal, que assim dispõe, ipsis litteris: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No presente caso, iniciouse a contagem do prazo em 8 de dezembro de 2010, quartafeira, dia seguinte ao do recebimento da Decisão de primeira instância (7 de dezembro de 2010). Tendo em vista que não consta ter havido expediente anormal nas repartições federais em Juiz de Fora na data, a contagem dos trinta dias iniciou em 8 de dezembro de 2010 e encerrouse em 6 de janeiro de 2011, uma quintafeira, também dia de expediente normal. Vale salientar que os prazos recursais são peremptórios e preclusivos, razão pela qual, decorrendo o lapso temporal previsto em lei sem que ocorra a interposição do Recurso Voluntário, extinguese, tal como sucedeu na hipótese, o direito do interessado de deduzilo. Impõese, portanto, a conclusão de que a decisão a quo tornouse definitiva, nos termos do artigo 42 do Decreto n.º 70.235, de 1972, verbis: "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...].” Constatada a sua intempestividade, o Recurso Voluntário não preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele não conheço, deixando, destarte, de analisar o mérito. (assinado digitalmente) __________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 138DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 08/ 11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por CELIA MARIA DE S OUZA MURPHY
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Numero do processo: 10120.010418/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2006, 2007
AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA.
Reputa-se válido o auto de infração que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, os quais incluem a completa descrição dos fatos, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa, principalmente quando decorre de investigação ampla e exaustiva, na qual tenha sido proporcionado à empresa
várias oportunidades para manifestação.
INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária, em regra, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE
RECEITAS. AUSÊNCIA DE DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO.
Reputa-se correto o lançamento decorrente de presunção de omissão de receitas quando são computados na base de cálculo do tributo devido apenas os depósitos bancários cuja origem não restou comprovada, tendo sido excluídos aqueles que representam estornos ou meras transferências de valores de uma para outra conta da própria empresa.
RETIFICAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. PERDA DE ESPONTANEIDADE.
Não é possível o refazimento da contabilidade após o início da ação fiscal, em vista da perda da espontaneidade, nos termos do art. 138 do CTN.
INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. TIPOS PENAIS. OBJETOS DIFERENTES.
Inexiste dependência entre processo criminal e tributário, visto que o primeiro se refere a tipo previsto na legislação penal, de jurisdição exclusiva do Poder Judiciário, e o segundo decorre da constatação de infrações tipificadas em lei tributária, constituindo-se, portanto, em objetos diversos com implicações e sanções diferentes.
CONFISCO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de
inconstitucionalidade de lei tributária.
PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
A perícia é cabível nas situações em que a averiguação de fatos depende de conhecimentos especializados, sendo desnecessária, portanto, quando tais fatos podem ser comprovados documentalmente, mediante a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais. Além disso, considera-se não
formulado o pedido de perícia quando não cumpridos os requisitos
estipulados no inciso IV do art. 16 do PAF.
DEMAIS TRIBUTOS. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Recurso Voluntário desprovido.
Numero da decisão: 1402-000.978
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS PELA
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AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, os quais incluem a completa descrição dos fatos, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa, principalmente quando decorre de investigação ampla e exaustiva, na qual tenha sido proporcionado à empresa várias oportunidades para manifestação. INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária, em regra, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DE DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Reputase correto o lançamento decorrente de presunção de omissão de receitas quando são computados na base de cálculo do tributo devido apenas os depósitos bancários cuja origem não restou comprovada, tendo sido excluídos aqueles que representam estornos ou meras transferências de valores de uma para outra conta da própria empresa. RETIFICAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. PERDA DE ESPONTANEIDADE. Não é possível o refazimento da contabilidade após o início da ação fiscal, em vista da perda da espontaneidade, nos termos do art. 138 do CTN. Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.010418/201001 Acórdão n.º 1402000.978 S1C4T2 Fl. 2 2 INFRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. TIPOS PENAIS. OBJETOS DIFERENTES. Inexiste dependência entre processo criminal e tributário, visto que o primeiro se refere a tipo previsto na legislação penal, de jurisdição exclusiva do Poder Judiciário, e o segundo decorre da constatação de infrações tipificadas em lei tributária, constituindose, portanto, em objetos diversos com implicações e sanções diferentes. CONFISCO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão integrante da estrutura administrativa da União, não é competente para enfrentar argüições acerca de inconstitucionalidade de lei tributária. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A perícia é cabível nas situações em que a averiguação de fatos depende de conhecimentos especializados, sendo desnecessária, portanto, quando tais fatos podem ser comprovados documentalmente, mediante a apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais. Além disso, considerase não formulado o pedido de perícia quando não cumpridos os requisitos estipulados no inciso IV do art. 16 do PAF. DEMAIS TRIBUTOS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Recurso Voluntário desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.010418/201001 Acórdão n.º 1402000.978 S1C4T2 Fl. 3 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de Autos de Infração para exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, acrescidos de mula de 75% e juros, referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário 2006 e 2007 (fls. 1268/1327). Adoto o relatório preciso elaborado pela decisão da DRJ (fls. 1704 e ss.): "Segundo a descrição dos fatos dos autos de infração, o procedimento fiscal foi aberto com o objetivo de verificar a correta tributação das receitas auferidas pela empresa, no período de 2006 e 2007, visto que, do confronto das informações constantes das Declarações de Informações EconômicoFiscais – DIPJ apresentadas pela contribuinte com aquelas contidas nas Declarações da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira DCPMF entregues pelas instituições financeiras à RFB, constatouse que a empresa efetuou, nesse interstício, movimentação financeira incompatível com a receita declarada. Tendo sido emitido o Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0120100.2010.00395, iniciouse ação fiscal na empresa, tendo esta sido intimada a apresentar, entre outros, os dados constantes de sua ficha cadastral e extratos de movimentação financeira de todas suas contas bancárias junto ao Banco Bradesco S/A (2006 e 2007) e Banco Industrial e Comercial S/A (2007), bem como seus livros contábeis e fiscais. Entretanto, a impugnante não atendeu ao solicitado. Em vista da omissão da contribuinte, foi emitida a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF correspondente, a qual foi atendida em sua totalidade. A partir dos extratos da movimentação de contacorrente apresentados pelas instituições financeiras, a Fiscalização excluiu os depósitos que representavam estornos ou meras transferências de valores de uma para outra conta da própria empresa, apurou a relação dos valores depositados em cada conta bancária, e solicitou a comprovação de sua origem por meio dos Termos de Intimação n° 001 e 007. Porém, a empresa não atendeu aos referidos Termos e tampouco aos Termos de Reintimação Fiscal n° 002 e 003. Em 30/09/2010, a empresa apresentou os Livros Diário e Razão referentes aos anoscalendário 2006 e 2007. De sua análise, a Fiscalização constatou que as contas bancárias n° 38530, 48526, 67008, 67016, 67032, 67040, 67261 e 51608, mantidas junto ao Banco Bradesco S/A, agência 3550, não foram contabilizadas. Passou, então, a autoridade autuante a examinar as contas bancárias contabilizadas juntamente com os extratos bancários fornecidos pelas respectivas instituições financeiras. Em relação ao Bradesco S/A, foi constatado que a grande maioria dos créditos Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.010418/201001 Acórdão n.º 1402000.978 S1C4T2 Fl. 4 4 lançados nos extratos bancários possui o histórico "Liquidação de Cobrança Valor Disponível", os quais foram lançados na contabilidade da fiscalizada mediante o débito das correspondentes contas de Banco em contrapartida à conta de passivo em nome da Sociedade de Educação e Cultura de Goiás Ltda ("2.2.01.02.01" em 2006 e "2.1.01.35.01" em 2007). Ainda segundo a descrição dos fatos, a contribuinte procedia, posteriormente, a vários lançamentos contrários, porém em valores menores. A empresa fiscalizada apresentou, ainda, cópia de contrato de factoring firmado com a Sociedade de Educação e Cultura de Goiás Ltda Faculdade Padrão, CNPJ 02.684.686/000455, em que ficou ajustado que a contratante transferiria à contratada (fiscalizada) seus ativos financeiros em operação de factoring mediante o desconto a uma taxa de deságio registrada no borderô de remessa dos títulos negociados, ficando o produto líquido em poder da fiscalizada à disposição da contratante, devendo ser pago tão logo fosse por essa solicitado. Registra, ainda, a autoridade lançadora, que a Faculdade Padrão já havia sido objeto de ação fiscal anterior (...). Entretanto, os demais depósitos bancários nas contas correntes contabilizadas, com histórico diverso de "Liquidação de Cobrança Valor Disponível", permaneceram com origem desconhecida. Por conseguinte, por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 006, a interessada foi intimada a comprovar sua origem, permanecendo inerte mais uma vez. No tocante à movimentação no Banco Industrial e Comercial S/A (Agência 18, Conta n° 1141006547), houve apenas um depósito no valor de R$ 3.515.000,00 no dia 05/09/2007, cujo histórico no lançamento contábil é "VI Ref Coligada Padrão". Intimada, a empresa não comprovou sua origem. Ressalta, ainda, a Fiscalização que, por meio dos Termos de Intimação n° 005 (22/11/2010), 006 (07/12/2010) e 007 (15/12/2010), a empresa foi intimada/reintimada a comprovar a origem dos depósitos bancários não esclarecidos pela fiscalização, porém, não atendeu ao solicitado. Diante do exposto, e considerando que, de acordo com as DIPJ transmitidas, a pessoa jurídica encontravase submetida ao lucro real trimestral, a Fiscalização consolidou, na planilha "Demonstrativo de Depósitos com Origem Não Comprovada", os valores depositados em contas bancárias da autuada cuja origem não foi comprovada, e procedeu à autuação, nos seguintes termos: a) Exigência dos tributos devidos em decorrência da presunção de omissão de receitas, apurada com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96; b) Glosa da compensação indevida de prejuízo fiscal, efetuada nos 2º e 3º trimestres de 2007, em vista da reversão do prejuízo decorrente da apuração de omissão de receita. A empresa autuada foi cientificada da exigência pessoalmente em 24/01/2011, conforme assinaturas em campo próprio dos autos de infração, tendo apresentado Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.010418/201001 Acórdão n.º 1402000.978 S1C4T2 Fl. 5 5 em 23/02/2011 a petição impugnativa acostada às fls. 1.365 a 1.374 (e repetida às fls. seguintes), contrapondose ao feito com os argumentos a seguir sumariados: Introdução. Informa a interessada que a empresa IDÔNEA FINANCEIRA S/A, originariamente registrada como IDÔNEA FACTORING LTDA., fora registrada na Junta Comercial do Estado de Goiás em 21 de novembro de 2005, não tendo realizado no exercício de seu registro nenhum ato econômico, exceto aqueles necessários à sua constituição e integralização de seu capital. Aduz também que sua movimentação econômica, realizada em consonância com sua contabilidade, a qual foi autenticada no órgão próprio (Junta Comercial) e chancelada por profissional devidamente qualificado, teve início somente a partir de 17/08/2006, quando iniciou, por força de contrato, a realização de todas as operações financeiras da empresa Sociedade de Educação e Cultura de Goiânia Faculdade Padrão. Acrescenta que as contas bancárias movimentadas no Bradesco de números 68322, 58521, 71072 e 71056, tiveram como objetivo o recebimento de valores em nome da Sociedade de Educação e Cultura de Goiânia Faculdade Padrão, realizando também pagamentos em nome daquela instituição. Por fim, informa que a empresa foi vítima de fraude, tendo efetuado denúnciacrime contra o então sócio da Sociedade de Educação e Cultura de Goiás Faculdade Padrão, Sr. João Rodrigues de Paula, o qual, além de praticar desvios devidamente comprovados, tentou transferir para seu patrimônio particular todo o capital, o domínio da entidade Sociedade de Educação e Cultura de Goiânia Ltda, pertencente ao acionista majoritário da empresa Idônea Financeira SA, ora defendente, bem como as demais entidades por ele mantidas. Ressalta que o inquérito policial está em fase de conclusão e que deve ser encaminhado em breve para a autoridade judicial, para prosseguimento das apurações e responsabilizações devidas. Cerceamento de Defesa. Alega a requerente que, apesar de todas as explicações feitas às autoridades fiscais federais quanto à inoportuna ação fiscal deflagrada nas empresas vinculadas ao Sr. Alex Marcório Santiago, estas lideradas pela Faculdade Padrão, não conseguiu dilatar o prazo para a demonstração de sua situação fiscal. Afirma, ainda, que o resultado a que chegou a autoridade fiscal é fruto de claro cerceamento de defesa, praticado pelo fisco, pois este não teria oportunizado à empresa a liberdade plena para a apresentação documental, uma vez que tais procedimentos fiscais foram realizados em momento em que a empresa ainda não readquirira o comando pleno de seu acervo documental. Nesse sentido, aduz que: Conforme estabelecem os normativos fiscais, (...), a empresa não poderá realizar qualquer prática contábil ou fiscal, no sentido de corrigir as irregularidades existentes enquanto não concluídos os procedimentos fiscais em andamento. Diversas notas fiscais foram desviadas e não encaminhadas à contabilidade para registro, infinidade de valores foram desviados para contas diversas daquelas indicadas para os Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.010418/201001 Acórdão n.º 1402000.978 S1C4T2 Fl. 6 6 recebimentos por parte da entidade, diversos gastos foram realizados fora do objeto da entidade e diversos foram realizados sem o devido registro contábil e fiscal. Quisera, ter havido tempo Sr Delegado, já havíamos realizado todos os ajustes necessários na contabilidade e nos controles fiscais de nossas empresas, para adequar nossas informações ao fato real. Porém, antes mesmo da apuração final de todos os desvios praticados contra nossa entidade, abrese seguidamente ações fiscais pela Receita Federal para apurar as irregularidades praticadas pelas empresas envolvidas na tentativa de golpe, por um bem arquitetado plano montado por quadrilha já identificada e denunciada, inibindo assim, o início da adequação contábil e fiscal de forma espontânea. Do Lançamento. Consigna a interessada que o presente lançamento teve nascimento em fatos praticados fora do alcance dos responsáveis pela administração da entidade e que os fatos que o originaram foram caracterizados principalmente pela movimentação paralela de valores pertencentes à entidade. Discorre que a autuada não conhecia o volume de movimentos realizados e que, para tal, seria necessária uma recomposição total de seu movimento, o que somente seria realizado a partir do encerramento do procedimento fiscal. Por conseguinte, afirma que o lançamento indevido de auto com base em movimentação financeira não lançada contabilmente é inoportuno e extrapola a realidade econômica da defendente. Por fim, alega a ocorrência de duplicidade de lançamento, asseverando que: Por outro lado, senhor julgador, como ficou demonstrado anteriormente, a empresa movimentou somente valores pertencentes à sociedade de Educação e Cultura de Goiânia Faculdades Padrão, como pode comprovar em documento anexo que os valores movimentados nas contas levantadas são créditos da OVG (Organização da Voluntárias de Goiás) pertencentes a Sociedade de Cultura de Goiás, que foram recebidos pela empresa Idônea, esta por sua vez, já fora devidamente fiscalizada, tendo sido desconsiderado seu convênio com o PROUNI e feito o lançamento tributário, via auto de infração, com base na receita aferida pela fiscalização. Se a receita da Faculdade Padrão já fora objeto de lançamento tributário para o IR, CSLL, PIS e COFINS, com base em sua receita e esta fora realizada pela ora defendente, lançar o tributo contra a IDÔNEA FINANCEIRA S/A é duplicar o lançamento já realizado em ação fiscal específica naquela entidade. Da Motivação. Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.010418/201001 Acórdão n.º 1402000.978 S1C4T2 Fl. 7 7 Admite a empresa a existência de movimentação realizada sem figurar em sua contabilidade e repisa que, após o conhecimento da movimentação financeira feita à margem de seus controles contábeis e o encerramento do procedimento fiscal, a entidade providenciaria a regularização de toda a movimentação contábil e fiscal, realizando as retificações devidas em seus registros contábeis e declarações oferecidas ao fisco federal, o que já havia sido iniciado com a contratação de profissional contábil especializado. Do Procedimento Fiscal. Defende a impugnante que a coleta genérica de documentos ou investigação sem prévia notificação é ato arbitrário e passível de invalidação e que a conclusão do fiscal sobre a leitura do conjunto probatório formado sem a participação do fiscalizado não deve ser contemplado. (...) Do Fato Gerador e da Base de Cálculo. Alega a requerente que os valores demonstrados pela autoridade lançadora, que tramitaram em contas diversas daquelas costumeiramente utilizadas pela entidade, foram realizadas por meio de procedimentos de fraude, devidamente demonstrados pela entidade fiscalizada durante a ação fiscal e por ela denunciados às autoridade policiais, antes mesmo da abertura do procedimento fiscal que apurou o débito ora contestado. Assim, argumenta que não foi a auditoria da Receita Federal do Brasil que denunciou o desvio de valores de sua contabilidade e que, por isso, não é possível que esta se antecipe aos julgamentos criminais em andamento e considere a denunciante, vítima de crimes, como criminosa em processo outro, o qual tem a mesma temática do primeiro. De outro lado, diz a empresa que é improcedente o procedimento fiscal realizado em empresa que não tem domínio pleno de sua movimentação, que é o seu caso, pois a desigualdade de direitos e obrigações é clara e evidente, devendo a autoridade lançadora postergar a finalização da auditoria quando constatada a apuração de irregularidades por autoridades policiais e/ou judiciais. Afirma a impugnante, ainda, que o faturamento da empresa encontrase devidamente lançado em sua contabilidade como Receitas e que os valores apurados pela autoridade fiscal não podem ser considerados faturamento, porque a empresa somente opera com valores de terceiros, e estes já foram objeto de lançamento tributário pela mesma autoridade fiscal em procedimento fiscal na Faculdade Padrão. Nesse sentido, aduz que: (...) o valor movimentado à margem contábil, com certeza refere se a receitas de alunos de cursos da faculdade padrão, recebidos pela defendente e provavelmente desviados por meio de procedimentos criminosos. Constatase, ainda, que a Faculdade Padrão, já fora objeto de ação fiscal, e sua receita fora aferida para efeito de lançamento fiscal, o que duplicaria sua tributação caso prevaleça este lançamento. Da Análise do Procedimento. Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.010418/201001 Acórdão n.º 1402000.978 S1C4T2 Fl. 8 8 Registra a autuada que, no longo período em que esteve sob ação fiscal, manteve com a autoridade tributária relação harmoniosa, e, se deixou de apresentar alguns documentos e informações, foi por estrita falta de condições. Assevera que jamais a empresa restringiu a liberdade da Fiscalização e que o resultado final é fruto da livre interpretação do agente da fiscalização, porém, com convicções anteriormente formadas por meio de relatórios de denúncias anônimas. Das Conclusões. Na perspectiva da impugnante, caso o ato administrativo se configure com vícios que impossibilitem o entendimento do autuado ou contenham situações caracterizadoras de interpretações que levem à prática de injustiça pelo agente público, este deverá ser declarado nulo ou ter seu conteúdo retificado para se ajustar aos ditames da justiça fiscal. Além disso, assevera que não pode o Estado cobrar tributo que provoque o empobrecimento do contribuinte e avance sobre a composição econômica da empresa/entidade, em respeito ao princípio do nãoconfisco. Dos Pedidos. Ante o exposto, requer: a) Que seja reconhecida a tempestividade da impugnação; b) Que sejam reconhecidas como legítimas as argüições de nulidade dos lançamentos; c) Que, caso não seja reconhecida a improcedência dos valores lançados, sejam os autos submetidos à perícia contábil, com fim de determinar: c.1) Se os registros contábeis apresentados pela empresa representam a realidade patrimonial, bem como as variações nele ocorridas no período auditado, e se os mesmos foram realizados em observância aos princípios fundamentais de contabilidade, após sua retificação em andamento; c.2) Se os valores declarados como devidos a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS correspondem ao realmente devido em função dos fatos geradores ocorridos; d) Que seja declarada a suspensão da exigibilidade dos débitos constituídos por meio dos autos de infração sob análise, para que os mesmos não venham a se constituir em obstáculos à emissão de Certidão Positiva de Débitos, com efeitos de negativa." A 2ª Turma da DRJ/BSB, analisando as razões levantadas na impugnação, julgou o lançamento procedente, conforme acórdão de fls. 1701/1720. Consoante autoridades julgadoras de 1ª instância, no tocante às preliminares de nulidade, o auto de infração estaria em perfeita atenção aos arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72 e a coleta de documentos, bem como a fiscalização foram devidamente cientificadas à contribuinte, conforme Termo de Início do Procedimento Fiscal às fls. 3 e 4, que teve tempo hábil para se manifestar. Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.010418/201001 Acórdão n.º 1402000.978 S1C4T2 Fl. 9 9 Ademais, consignou que, à contribuinte compete a obrigação principal, por força do art. 121 do CTN, sendo responsável, portanto, pelo adimplemento das obrigações tributárias decorrentes da movimentação financeira em suas contascorrentes. Acrescenta que a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme art. 136 do CTN. Afirma que não há como acolher a alegação de que os valores dos depósitos bancários não contabilizados não podem integrar a base de cálculo do tributo devido, pois tal fato é justamente uma das hipóteses previstas pela legislação como infração. Nesse passo, também descabe a pretensão da interessada de refazer sua contabilidade, já que ela não pode mais se beneficiar da espontaneidade, disposta no art. 138 do CTN. Também esclareceu que, em relação à movimentação referente aos valores objeto de contrato firmado com a Faculdade Padrão, não houve lançamento algum, uma vez que a autoridade autuante considerou tais depósitos como de origem comprovada, afastando as alegações de bis in idem. Sobre as alegações da contribuinte de que houve duplicidade de lançamento e de que as receitas tributadas pertencem a terceiros, a decisão, afirma, em síntese, que a contribuinte não logrou comprovar a origem dos depósitos bancários e tampouco que tais valores foram efetivamente oferecidos à tributação. O acórdão esclareceu, ainda, que inexiste dependência entre processo criminal e tributário, visto que o primeiro se refere a tipo previsto na legislação penal, de jurisdição exclusiva do Poder Judiciário, e o segundo decorre da constatação de infrações tipificadas em lei tributária, constituindose, portanto, em objetos diversos com implicações e sanções diferentes. Finalmente, o acórdão informa que os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar argüições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados e que, no caso concreto, a perícia é desnecessária, pois todas as matérias objeto da autuação podem ser contestadas mediante a comprovação por meio de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais, o que não foi feito pela interessada. Em face do referido acórdão, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 1743/1755), repisando os argumentos de sua peça Impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.010418/201001 Acórdão n.º 1402000.978 S1C4T2 Fl. 10 10 O recurso voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. A Recorrente nos conta que “diversas notas fiscais foram desviadas e não encaminhadas à contabilidade para registro, infinidade de valores foram desviados para conta diversas daquelas indicadas para os recebimento por parte da entidade, diversos gastos foram realizados fora do objeto da entidade e diversos foram realizados sem o devido registro contábil e fiscal no âmbito das empresas vinculadas às Faculdades Padrão”. Ou seja, a defesa admite a ocorrência dos fatos que fundamentaram a autuação, mas entende que, como foram práticas executadas por um terceiro, mediante fraude e sem o seu conhecimento, não deveria/poderia responder por tais atos. Alega, ainda, cerceamento do direito de defesa pelo fato de ter a fiscalização sido realizada “em momento em que a entidade ainda não havia readquirido o comando pleno de seu acervo documental”. Acrescenta que a entidade tem como objeto social administrar recursos de terceiros, a saber, Sociedade de Educação e Cultura de Goiânia – Faculdades Padrão. Logo, como a sociedade em comento já fora autuada, lançar tributos contra a Recorrente seria duplicar o lançamento já realizado em outra ação fiscal. A defesa conta que houve coleta de documentos e investigação sem prévia notificação. Também afirma que não poderia ser condenada ao pagamento do crédito tributário lançado, antes do resultado dos processos criminais em andamento. Finalmente, socorrese novamente do princípio do não confisco, requer perícia contábil e a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários discutidos. Do breve resumo, verificase que a Recorrente não trouxe argumentos novos em sua peça recursal. E, em sendo assim, não merece reparo a decisão de primeira instância. Conforme art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações à legislação tributária, em regra, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Portanto, nada obstante as alegações da Recorrente de que teria sido vítima de fraude e de que todas as práticas foram executadas por um terceiro sem o seu conhecimento, a Recorrente é responsável pelos créditos tributários lançados. Pelas mesmas razões, as autoridades fiscais não tinham o dever de aguardar o resultado dos processos criminais e tampouco a recomposição da contabilidade pela Recorrente. Durante todo procedimento fiscal a Recorrente teve oportunidade de fazer prova dos depósitos bancários de origem não comprovada, bem como do oferecimento de tais recursos à tributação. Como não conseguiu produzir essa prova, correto o lançamento perpetrado pela fiscalização. Reputase correto o lançamento decorrente da presunção de omissão de receitas quando são computados na base de cálculo do tributo devido apenas os depósitos Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.010418/201001 Acórdão n.º 1402000.978 S1C4T2 Fl. 11 11 bancários cuja origem não restou comprovada, tendo sido excluídos aqueles que representam estornos ou meras transferências de valores de uma para outra conta da própria empresa, como ocorreu no presente caso. Com efeito, não há qualquer ilegalidade no procedimento fiscal levado à cabo e não merecem ser acatadas as alegações da Recorrente nesse sentido. Sobre as demais argüições, vale transcrever os irreparáveis fundamentos da decisão de primeira instância: ... A contribuinte foi devidamente cientificada do início da ação fiscal, via postal, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal, de fls. 3 e 4, conforme preceitua o art. 7º, inciso I, do Decreto nº 70.235/72 (PAF), ocasião em que foi intimada a apresentar, entre outros, os dados constantes de sua ficha cadastral e extratos de movimentação financeira de todas suas contas bancárias junto ao Banco Bradesco S/A (2006 e 2007) e Banco Industrial e Comercial S/A (2007), bem como seus livros contábeis e fiscais. Entretanto, a impugnante não atendeu ao solicitado. A partir dos extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras em decorrência da emissão de RMF, a Fiscalização apurou a relação dos valores depositados em cada conta bancária, e solicitou a comprovação de sua origem por meio dos Termos de Intimação n° 001 e 007. Porém, a empresa não atendeu aos referidos Termos e tampouco aos Termos de Reintimação Fiscal n° 002 e 003. Ainda, em vista da constatação de depósitos bancários nas contas correntes contabilizadas com histórico diverso de "Liquidação de Cobrança Valor Disponível", cuja origem permanecera desconhecida, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal n° 006 (fl. 6 e seguintes); porém, a empresa mantevese silente mais uma vez. Da mesma forma, no tocante à movimentação no Banco Industrial e Comercial S/A, a empresa foi intimada a comprovar a origem do depósito no valor de R$ 3.515.000,00 no dia 05/09/2007, cujo histórico no lançamento contábil é "VI Ref Coligada Padrão", porém, novamente permaneceu inerte. Além disso, ressalta a Fiscalização que, por meio dos Termos de Intimação n° 005 (22/11/2010), 006 (07/12/2010) e 007 (15/12/2010), a empresa foi intimada/reintimada a comprovar o origem dos depósitos bancários ainda não esclarecidos, porém, não atendeu ao solicitado. Como se pode observar, ao contrário do que alega a impugnante, a Fiscalização realizou trabalho de investigação amplo e exaustivo, e proporcionou à empresa várias Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.010418/201001 Acórdão n.º 1402000.978 S1C4T2 Fl. 12 12 oportunidades para manifestarse no decorrer da fase inquisitória. ... DO MÉRITO. LANÇAMENTO. ... As planilhas elaboradas pela Fiscalização, às fls. 1.262 e 1.263, demonstram com precisão as bases de cálculo apuradas na constituição dos créditos tributários pelos lançamentos de ofício, constituídas pelo somatório dos depósitos bancários cuja origem não restou comprovada. Demais disso, como mencionado, a empresa admite a existência de movimentação realizada sem figurar em sua contabilidade e afirma que, após o conhecimento da movimentação financeira feita à margem de seus controles contábeis e o encerramento do procedimento fiscal, a entidade providenciaria a regularização de toda a movimentação contábil e fiscal, realizando as retificações devidas em seus registros contábeis e declarações oferecidas ao fisco federal. Ocorre que não há como acolher tal alegação, de que os valores dos depósitos bancários não contabilizados não podem integrar a base de cálculo do tributo devido, pois tal fato é justamente uma das hipóteses previstas pela legislação como infração. Em verdade, com tal argumentação, a impugnante descreve precisamente a hipótese de incidência prevista para a omissão de receitas, razão pela qual, não por acaso, a autoridade tributária identificou a infração, apurou o montante tributável e efetuou o lançamento fiscal, com fulcro no art. 142 do CTN. Também não há que se acatar a pretensão da interessada de refazer a contabilidade, já que ela não pode mais se beneficiar da espontaneidade, disposta no art. 138 do CTN (...). Sob outro prisma, afirma a impugnante que o faturamento da empresa encontrase devidamente lançado em sua contabilidade como Receitas e que os valores apurados pela autoridade fiscal não podem ser considerados faturamento, porque a empresa somente opera com valores de terceiros, e estes já foram objeto de lançamento tributário pela mesma autoridade fiscal em procedimento fiscal na Faculdade Padrão. Porém, o que se verifica da análise dos autos é que, em relação à movimentação referente aos valores objeto de Contrato com a Faculdade Padrão, não houve lançamento algum, uma vez que a autoridade autuante considerou tais depósitos como de origem comprovada. O que ocorreu, de fato, foi a apuração de tributos devidos em decorrência de omissão de outras receitas, não Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.010418/201001 Acórdão n.º 1402000.978 S1C4T2 Fl. 13 13 comprovadas pela interessada no curso da ação fiscal e tampouco no momento da impugnação. Ou seja, não há duplicidade de lançamento alguma no caso em tela. ... Nessa mesma linha de raciocínio, de possível duplicidade de lançamento, a empresa contradita, ainda, a exigência alegando que o valor movimentado à margem contábil com certeza refere se a receitas de alunos de cursos da Faculdade Padrão, recebidos pela defendente e provavelmente desviados por meio de procedimentos criminosos. Entretanto, a impugnante não apresentou nenhum elemento de prova sequer, seja quando da autuação, seja no momento da impugnação, para alicerçar a argumentação vertida na peça de defesa. ... Ou seja, em que pese a alegação ampla da impugnante de que os valores constituem créditos da OVG, segundo documento fornecido pela própria requerente todos os valores movimentados por essa entidade transitariam, ao menos a partir de 31/08/2007, pelo Banco Industrial e Comercial S.A; estariam, portanto, excetuadas dessa argumentação os créditos referentes às contas mantidas junto ao Banco Bradesco. Contudo, como o objeto de referidos convênios consiste na execução do Programa Bolsa Universitária e o encaminhamento, à Universidade, da relação dos beneficiários e repasse do numerário equivalente ao número de bolsas concedidas, entre outros, é de se concluir que tal movimentação, em princípio, deveria resultar em uma quantidade expressiva de créditos. Ocorre, entretanto, que, consoante já mencionado, no que tange ao Banco Industrial e Comercial S.A, somente foi computada na base de cálculo dos tributos exigidos o valor de um único depósito no montante de R$ 3.515.000,00, efetuado em setembro de 2007 e cujo histórico no lançamento contábil é “VI Ref. Coligada Padrão”. Não há como aceitar, portanto, tal argumentação, visto que, além de o histórico contábil ser diverso, não há correspondência entre os valores envolvidos. Ainda que se admitisse que tal valor possa ser decorrente de um único depósito relativo ao somatório das notas fiscais de serviço emitidas pela Sociedade de Educação e Cultura de Goiás Ltda em benefício da Organização das Voluntárias de Goiás – OVG (cópias às fls. 1.474 a 1.496), o que não se verifica em vista desse resultado ser superior ao montante do depósito, nesta fase processual não bastaria à impugnante comprovar a origem dos depósitos bancários, mas também comprovar que tais valores foram efetivamente oferecidos à tributação. Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.010418/201001 Acórdão n.º 1402000.978 S1C4T2 Fl. 14 14 Isso porque o art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabelece uma hipótese de presunção legal constituída no decorrer da ação fiscal, a qual inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte produzir prova em contrário para afastar a presunção de omissão de receitas. Dessa forma, em não sendo apresentados os documentos que comprovem a origem dos depósitos bancários, o fato indiciário se constitui plenamente, não mais suportando contestação em contrário. ... Passo seguinte, defende que, como a autoria da denúncia do desvio dos valores não teria sido da Fiscalização, mas da própria empresa, não pode o julgamento administrativo anteciparse aos julgamentos criminais em andamento, e considerar a impugnante, que foi vítima dos crimes, como criminosa no presente processo. Porém, devese esclarecer que os julgamentos em andamento, no Poder Judiciário, dizem respeito a ilícitos criminais, previstos na legislação penal. Por sua vez, as infrações discutidas nos presentes autos encontramse tipificadas em lei tributária. Seus objetos são, portanto, diversos, bem como diferentes são as responsabilidades atribuídas aos ilícitos. O contribuinte tem obrigações dispostas na legislação tributária, e, caso sua conduta seja contrária ao direito, a norma prevê a aplicação de sanções. A título de exemplo, no caso em tela, o sujeito passivo incorreu na prática de atos caracterizados como infração, a presunção de omissão de receitas do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o que ensejou a exigência ora em análise. A infração tributária cometida, por sua vez, pode guardar repercussão na esfera penal, caso a conduta também esteja tipificada na legislação criminal, por exemplo, na Lei nº 8.137/90, que trata dos crimes contra a ordem tributária. No caso concreto, as denúncias aludidas pela interessada referemse a tipo previsto na legislação penal, crime de estelionato, jurisdição exclusiva do Poder Judiciário, cujo resultado não tem nenhuma repercussão nas infrações tributárias analisadas no presente processo. Demais disso, cumpre registrar que a contribuinte não está sendo considerada como criminosa no presente processo administrativo fiscal. O objeto dos presentes autos consiste tão somente na exigência do crédito tributário devido em decorrência da presunção de omissão de receita, que ocorre independentemente da intenção e da prática de crime. Isso posto, não cabem ser acatadas as argumentações da impugnante. ... Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10120.010418/201001 Acórdão n.º 1402000.978 S1C4T2 Fl. 15 15 PERÍCIA. Em relação à solicitação da impugnante para realizar perícia, esclareçase que esta é cabível para a averiguação de fatos que dependem de conhecimentos especializados para serem demonstrados, sendo desnecessária quando os fatos puderem ser comprovados documentalmente, como no caso de apresentação de livros e documentos contábeis e fiscais. ... SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Cumpre esclarecer à impugnante que o crédito tributário constituído nos lançamentos de ofício discutidos nos presentes autos encontramse com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, inciso III, do CTN. Destarte, cabe esclarecer, no que tocam às alegações de infração ao princípio constitucional do nãoconfisco, que descabe tal análise pelo julgador administrativo, conforme preconiza o enunciado da Súmula nº. 2 deste Conselho: Súmula CARF Nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Posto isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para manter integralmente o auto de infração. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720107/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2003
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO.
As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do
Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2102-001.833
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alves Moreira, OAB-MG nº 52.583, patrono do recorrente.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. Recurso não conhecido.
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AUSÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. As Turmas de Julgamento do CARF têm competência para julgar e processar os recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72. Nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Fez sustentação oral o Dr. Ricardo Alves Moreira, OABMG nº 52.583, patrono do recorrente. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 23/02/2012 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte MECOMINAS MECANIZAÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA, CNPJ/MF nº 19.814.193/000142, já qualificado neste processo, foi lavrada, em 22/10/2007, notificação de lançamento, com ciência postal em 29/10/2007, decorrente da revisão da DITR do imóvel NIRF 4.684.0834, com área de 15.000,0 hectares, denominado de Fazenda Taboleiro I, no município de Riachão das Neves (BA), referente ao exercício 2003. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 543.198,00 MULTA DE OFÍCIO R$ 411.148,50 A autuação resumiuse a majorar o VTN declarado de R$ 2.000,00 (R$ 0,1333 por hectare) para o arbitrado de R$ 3.917.700,00 (R$ 261,18 por hectare), com base no SIPT, pois o contribuinte, regularmente intimado, não apresentou laudo técnico de avaliação do imóvel. Encontrase juntado aos autos um pedido de prorrogação do prazo de interposição da impugnação, datado de 26 de novembro de 2007, por mais 30 dias, no qual o peticionante informava que estaria com dificuldades para juntar a documentação que aparelharia a impugnação, havendo diversas inconsistências em sua DITR. Em 26/12/2007 (fl. 44), o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, apresentando laudo técnico, que apurou um VTN de R$ 29,03 por hectare, agregando informações sobre área de descanso (1.450 hectares) e sobre o rebanho. Nessa peça impugnatória apenas faz breve menção às dificuldades para instrumentalizar sua defesa, o que teria levado ao pedido de prorrogação de prazo para apresentar a impugnação, não recepcionado pela DRFBBelo Horizonte (MG), porém enviado via sedex para a DRFBFeira de Santana (BA). Considerando a intempestividade da impugnação, a autoridade preparadora não processou a impugnação, obstando seu envio à DRJ, e apreciou as razões do contribuinte deduzidas na peça impugnatória perempta, rejeitandoas e mantendo incólume o lançamento, asseverando que não haveria mais qualquer recurso na via administrativa. Notificado da decisão acima em 17/04/2009, sextafeira, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/05/2009, defendendo a higidez do laudo técnico apresentado e da declaração do médico veterinário, provas suficientes para contraditar a pauta fiscal presumida do SIPT, e, se assim não compreender esse CARF, devese reconhecer que a autuação tem claros efeitos confiscatórios, ao aplicar a alíquota de 20% sobre o valor da terra nua, o que terá o condão de expropriar o bem em um prazo de 05 anos, o que não pode ser aceito frente a atual ordem constitucional. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.720107/200718 Acórdão n.º 210201.833 S2C1T2 Fl. 2 3 Os créditos tributários foram inscritos na dívida ativa da União. Irresignado com o não processamento de seu recurso voluntário pela autoridade preparadora, o contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2009.33.03.0020283, autuado junto à Vara Federal da Subseção Judiciária de Barreiras (BA), tendo o douto magistrado federal sentenciante concedido a segurança, determinando o processamento do recurso voluntário, já que somente o CARF teria competência para fazer o juízo de admissibilidade do apelo a si dirigido. Cancelada a inscrição da dívida, vieram os autos a este CARF para processamento e julgamento do recurso interposto. Da tribuna, em sustentação oral, o advogado do recorrente pugna pelo reconhecimento da nulidade da autuação, em decorrência da discrepância dos valores do VTN no SIPT, nos três exercícios em apreciação nesta sessão, do mesmo imóvel, na mesma localidade, bem como a nulidade do processamento da impugnação por autoridade incompetente. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Antes de tudo, passase a fazer o juízo de admissibilidade dos recursos interpostos nestes autos, como determinado na sentença prolatada no mandado de segurança nº 2009.33.03.0020283, autuado junto à Vara Federal da Subseção Judiciária de Barreiras (BA), que concedeu a segurança para tanto. Andou bem a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Feira de Santana (BA) em não processar a impugnação para a Turma de Julgamento da DRJ, pois patentemente intempestiva a peça defensiva, sendo que o contribuinte apenas fez menção à dificuldade em instrumentalizar sua impugnação, o que teria levado a um pedido de prorrogação de prazo, o que sequer se encontra previsto no Decreto nº 70.235/72. A leitura combinada dos arts. 14 (A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento) e 15 (A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência) do Decreto nº 70.235/72 deixa claro que somente a impugnação tempestiva instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, transformandoo em processo administrativo fiscal. Obviamente que o contribuinte, mesmo em uma impugnação intempestiva, pode defender a tempestividade dela, e, nesse caso, a impugnação deve ser processada e julgada pela Turma de Julgamento da DRJ, como entender de direito. Entretanto, nestes autos, não há na impugnação qualquer preliminar de defesa da tempestividade da impugnação, não se podendo aceitar que o relato sobre a complexidade de um Laudo com os requisitos da ABNT ou a dificuldade em contratar um profissional para o mister, como se viu na peça impugnatória, possa ser encarado como preliminar a defender a tempestividade da impugnação. O pedido de dilação do prazo não tem previsão no Decreto nº Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 70.235/72, e caberia ao contribuinte fazer sua defesa no prazo de 30 dias da impugnação, efetuando os aditamentos posteriores, quando deveria comprovar que a prova adicional estava albergada pelos permissivos do art. 16, § 4º, “a” a “c”, do Decreto nº 70.235/72 (Art. 16. A impugnação mencionará: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos), o que não ocorreu nestes autos. Assim, na forma do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 15/96, abaixo transcrito, escorreito o não processamento da impugnação pela autoridade preparadora da DRFBFeira de Santana (BA): Ato Declaratório Normativo Cosit nº 15, de 12/07/96: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 151, inciso III do Código Tributário Nacional – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e 21 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, com a redação do art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Apesar do não processamento da impugnação, a autoridade preparadora entendeu por bem apreciar ela mesma a inconformidade do contribuinte, com respeito ao princípio de petição e de autotutela da administração, rejeitando, ao final, a inconformidade. Assim, incabível o pedido de nulidade pugnado pela tribuna pelo Advogado do recorrente, porque se a peça impugnatória não podia ser processada, como acima se demonstrou, deveria ser apreciada pela autoridade preparadora, como de fato ocorreu. Já no Recurso Voluntário, o recorrente sequer se insurge contra o fato de sua peça impugnatória não ter sido processada dentro do rito do processo administrativo fiscal, passando a combater diretamente as matérias de mérito da autuação, em face do decidido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Feira de Santana (BA). Somente o fez na tribuna, nesta sessão de julgamento, porém, como acima explicitado, inviável a declaração de nulidade pela apreciação da petição extemporânea denominada impugnação, pois a autoridade preparadora trilhou a orientação do ADN COSIT nº 15/96 e, dentro do poder de autotutela dos atos da administração, reviu de ofício o lançamento, mantendoo intocado. Indo mais além, na forma dos arts. 25, caput (O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete:), I (em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal) e II (em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial), e 37 (O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno), ambos do Decreto nº 70.235/72, combinado com o Fl. 192DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10530.720107/200718 Acórdão n.º 210201.833 S2C1T2 Fl. 3 5 art. 1º do Regimento Interno do CARF (O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil), compete às Turmas de Julgamento do CARF o julgamento dos recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo a decisão de primeira instância aquela prolatada pelas Turmas de Julgamento da DRJ, na forma do art. 25, I, do Decreto nº 70.235/72, acima transcrito. E, nestes autos, não há qualquer decisão de Turma de Julgamento da DRJ, sendo impossível conhecer do recurso interposto, que vergasta decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil e não de Turma de Julgamento da DRJ. Com as considerações acima, fica prejudicada qualquer apreciação de mérito trazida no recurso voluntário. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso interposto, pois não se instaurou o contencioso administrativo pela impugnação tempestiva, não havendo nos autos decisão da Turma de Julgamento de DRJ. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 193DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002678/2004-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial -ITR.
Exercício: 2000.
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE ADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N° 41 DO CARF.
Tratando-se de fato gerador do ITR ocorrido no ano de 2000, é consolidado o entendimento no sentido da desnecessidade de apresentação do ADA para a comprovação da Área de Preservação Permanente, nos termos da súmula n° 41 do CARF.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.170
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por maioria de votos, em conhecer do recurso em relação à Area de preservação permanente, Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Gustavo Lian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam A Conselheira-Relatora, ressalvando sua posição pessoal, consignará as razões pelas quais o recurso foi conhecido, dispensando-se assim a designação de conselheiro-redator de voto vencedor. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial -ITR. Exercício: 2000. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DE ADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N° 41 DO CARF. Tratando-se de fato gerador do ITR ocorrido no ano de 2000, é consolidado o entendimento no sentido da desnecessidade de apresentação do ADA para a comprovação da Área de Preservação Permanente, nos termos da súmula n° 41 do CARF. Recurso especial negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-09-14T15:15:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-09-14T15:15:23Z; Last-Modified: 2011-09-14T15:15:23Z; dcterms:modified: 2011-09-14T15:15:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:96def5fb-f89c-45da-b2fa-9f6a91220879; Last-Save-Date: 2011-09-14T15:15:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-09-14T15:15:23Z; meta:save-date: 2011-09-14T15:15:23Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-09-14T15:15:23Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-09-14T15:15:23Z; created: 2011-09-14T15:15:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2011-09-14T15:15:23Z; pdf:charsPerPage: 1349; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-09-14T15:15:23Z | Conteúdo => CSRF-T2 H 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n" 10950.002678/2004-83 Recurso n0 337.998 Especial do Procurador Acórdão n" 9202-01.170 — 2" Turma Sessão de 19 de outubro de 2010 Matéria 1TR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PARTICIPAÇÕES E AGROPECUARIAS M.M S/A. ASSUNTO: Imposto sobre a Propriedade Teifitorial-ITR. Exercício: 2000. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE DE. APRESENTAÇÃO DE ADA. APLICAÇÃO DA SÚMULA N° 41 DO CARE. Tratando-se de fato gerador do ITR ocorrido no ano de 2000, é consolidado o entendimento no sentido da desnecessidade de apresentação do ADA para a comprovação da Area de Preservação Permanente, nos termos da súmula n° 41 do CARE. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por maioria de votos, em conhecer do recurso em relação à Area de preservação permanente, Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Gustavo Lian Haddad e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam A Conselheira-Relatora, ressalvando sua posição pessoal, consignará as raz6es pelas quais o recurso foi conhecido, dispensando-se assim a designação de conselheiro-redator de voto vencedor. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. mann - Relatora Susy G Carlos Alb eitas B a let° — Presidente K . Piocesso n' 10950.002678/2004-83 CSRF-T-2 Acórd5o n° 92024)1.170 Fl 2 07 DEL 'i!O 10 Participaram, do presente jul gamento, os Conselheiros Carlos Alberto Fr citas Barreto (Presidente), Sus y Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Alla ge, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior., Rycardo Henri que Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, Relatório Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional., Conforme o Termo de Verificação Fiscal constante de fls, 65/68 dos autos, a fiscalização teve em mira o exercício de 2000. Tratando-se da Area de Preserva ção Permanente, tem-se que o contribuinte não comprovou a protocoliza ção do requerimento do ADA, tempestivamente, junto ao MAMA. Glosou-se, assim, a Area declarada como de preservação permanente (42,5 ha). Alterou-se, também, o valor do VIN declarado.. No que tange As Areas de pasta gens e rebanhos, o contribuinte não apresentou documentos que comprovassem a efetiva utiliza ção da respectiva parte do imóvel. O contribuinte apresentou impu gnação As fls, 73/94 dos autos, A Delegacia da Receita Federal de Jul gamento, As fls. 135/150 dos autos, rejeitou as preliminares argüidas e julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Teri itorial Rural- ITR Exercicio.. 2000, Ementa- Cerceamento de Delesa. A alegação do cerceamento do direitc) de delésa na ,fase do lançamento do ci édito tributário é incabivel, pois, o direito do contraditório é exelcido quando da impugnação cia autuação, momenta este em que, de fato, se install, a a fase Ilegalidade/ 1)7C011.S EDITADO EM: 2 Processo n° 10950 002678/2004-83 CSRF-T2 Acórdiio n.' 9262-01.170 Fl 3 Em processo administiativo é defeso apreciar argüições de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade dos atos públicos, por !rotor-se de matéria reseivada ao Poder Judiciário. Áreas isentas- Prayer-wig-fa Permanente Para ser considerada isenta a área de reserva legal, além de estar devidaniente averbada na matricula rio imóvel, deve ser reconhecida mediante Ato Deciaratório Ambiental-ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis- IBAMA dentro do prazo legal, que é de seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do 1TR, e tern como requisito básico a refezida averbagão. Da mesma forma a área de preservação permanente necessita do ADA para a sua isenção, além do laudo técnico especifico que demonstre em quais artigos da legislação pertinente se enquadram as pretensos áreas. Sub-rogação. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fino gerador seja a propriedade, o domínio útil, ou a posse de bens imóveis, e beni assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, se não constar do titulo a prova da sua quitação, sub-rogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes PRODUTOS VEGETAIS Para ser considerada a área como utilizada com Produtos Vegetais é necessária a apresentação de docuntentos comprobatórias de prorhição, tais como; laudo técnico elaborado por profissional habilitado, notas fiscais de aquisição de sementes, comprovantes do plantio, notas .fiscais da comercialização da produção, compatível coin a dimensão da área pretendida, entre outros. Valor da Terra Nua- VTN. O lançamento que tenha alterado o 1/TN declarado, utilizando valores de tora constantes do Sistema de Pregos de Terras da Secretaria da Receita Federal- SIFT, nos termos da legislação é passível de modificação, somente, se na contestação foram oferecidos de elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados enz laudo técnico, elaborado em consonáncia com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas- ABNT. Multa de Oficio- „Imps de Mora- Taxa Selic. A multa de oficio e os juros de mora, com utilização da Taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia- SELIG, estão previstos em leis e não cabe aos órgãos julgadores administrativos apreciarem argüições de inconstimcionalidade de tais normas, e aplicação obrigatória pela autoridade tributária. Pi mess° n" 0950 00267g12004-83 CSRF-1 2 Acó, (15o n° 9202-01.170 N. 4 Lançamento Procedente. O contribuinte, então, interpôs recurso voluntário (fls. 155/170. A antiga Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: Assunto. Imposto sobre ci Propriedade Territorial Rural- ITR, Exercício. 2000 AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ISENÇÃO A circa de preservação permanente goza de isenção de IIR conforme dispõe o art. 11, inciso I, da Lei n° 8847/94 ATO DECLARATORIO AMBIENTAL , ADA. DESNECESSIDADE A area de preservação permanente não esta sujeita a prévia comprovação por parte do declarante, por meio do Ato Declaratõrio Ambiental, conform disposto no art. 30 da MP n° 2 166/2001, que alterou o art. 10 da Lei n° 9.393/96, cuja aplicação dfato pretérito a sua edição encontra respaldo no art. 106, "c" do CTN VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela .fiscalização se o contribuinte não apresentar- elementos de convicção que justifiquem reconhecer wilor menor. RECURSO VOLUNTÁRIO PROPIDO EM PARTE, A Procuradoria da Fazenda Nacional, então, interpôs o presente recurso especial, COM base em divergência jurisprudencial (fls. 200/211). Sustentou a imprescindibilidade de comprovação da Area de Preservação Permanente, por meio da apresentação do Ato Declaratório Ambiental, requerido tempestivamente perante o IBAMA. O contribuinte apresentou suas contra-razões As fls. 222/229 dos autos. Negou-se seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte (fls. 240). E o Relatório. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestiva. Quanto á. comprovação da divergência jurisprudencial suscitada pela recorrente, relativa à comprovação da Area de Preservação Permanente, deixo consignado meu 0- 4 Pt occsso e 10950 002078/200 4 -83 CSRF-T2 Acôrd5o fl .° 9202-01A70 Fl 5 entendimento de que o recurso nao deveria ser conhecido, por ausência de preenchimento de tal requisito de admissibilidade. Coin efeito, o recurso interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional teve como fundamento divergência jurisprudencial relativa à exigência de apresentação tempestiva do ADA para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e da área de reserva legal. Tem-se que o auto de infração refere-se ao exercício de 2000. A súmula n° 41 do CARF dispõe que: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo1BAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo cm linos geradores ocorridos at6 o exercício de 2000". Conforme se depreende do atual Regimento Interno do CARF, tem-se que: Seção II Do Recurso Especial Art, 67 Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposta contra decisão que der ci lei tributária interpretação divergente da que 11w !either dado outra câmara, turma de ccimara, 'Lama especial ou a própria CSRF. § 2 0 Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique minutia de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciagdo de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância §' 10. 0 acórdão cuja tese, na data de interposiçãO do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma especifica do paradigma indicado. CAPÍTULO DAS SUMULAS Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em sámula de observância obrigatória pelos membros do CARF 1° Compete ao Pleno da CSRF a edição (apreciar propo.sta) de enunciado de stimula quando se tratar de matéria que, por via natureza, fOr submetida a duas ou mais tutmas da CSRF § .2° As turmas daCS'RF poderão aprovar enunciado de sárnida que Irate de matéria concernente á sua atribuição § 3° As sánntlas serão aprovadas por 2/3 (dois terços) da totalidade dos conselheiros do respectivo colegiada 5 Process() n" 10950.002678/2004-8.3 CSRF-12 Ac6s.dio o." 9202-01,170 FL 6 § 4 0 As sUmfdas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Can são de adoção obrigatório pelos membros do CARE Desta forma, diante dos dispositivos acima, e existindo súmula a respaldar a decisão recorrida, verifica-se que inexiste a divergência jurisprudencial suscitada pela recorrente. A minha posição pessoal é que se não cabe recurso especial contra decisão que aplique súmula da jurisprudência administrativa no âmbito deste tribunal, também não se pode admitir recurso especial contra decisão que tenha sido proferida no mesmo sentido de súmula consolidada, ainda que tal súmula assome posteriormente â decisão combatida, já clue, além de a súmula constituir-se ern expressão do entendimento pacifico do tribunal, também é de observância obrigatória pelos membros do CARF. Contudo, tendo em vista que se tem entendido, nesta 2 a . Turma da CSRF que em casos que tais deve ser admitido o recurso considerando a data da sua interposição, pois a época, ainda não havia a súmula.. Portanto, curvando-me a. posição majoritária do colegiado, admito o Recurso. Refere-se, o recurso especial, A questão concernente â comprovação da Area de preservação permanente, que se sustenta deva-se fazer por meio da apresentação do Ato Declaratório do IBAMA ou pela apresentação do protocolo do seu pedido dentro do prazo de seis meses da entrega da DITR. Tratando-se, a autuação, do exercicio de 2000, a questão já se encontra consolidada, nos termos da súmula n° 41 do CARF: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000". Diante do exposto, nego provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo-se a decisão recorrida em todos os seus termos. IP II Susy Go Ho aim
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Numero do processo: 10970.000256/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2005
DESPESAS FINANCEIRAS COM ENGARGOS DE JUROS. CONTRATO
DE MÚTUO. DEDUTIBILIDADE. Operações de mútuo realizadas de
maneira regular, pautadas em contratos firmados entre as partes, conforme anexados aos autos, impõem a devida dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes ao pagamento dos juros sobre os mútuos contratados.
DESPESA. DEDUTIBILIDADE. RELAÇÃO COM A PRODUÇÃO OU COMERCIALIZAÇÃO.
Em razão do disposto no art. 13 da Lei n° 9.249/95, além de necessárias e usuais, as despesas com arrendamento mercantil, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com aeronaves, devem estar intrinsecamente relacionadas à produção ou comercialização de bens e serviços, caso contrário devem ser adicionadas ao
lucro liquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social.
MULTA ISOLADA.
A multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL independe da aplicação, ou não, da multa de ofício por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos ao término do período de apuração anual.
Numero da decisão: 1202-000.686
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário quanto ao item 01 do auto de infração, Glosa de Juros, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner (relatora). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Geraldo Valentim Neto. Em relação ao item 02 do auto de infração, Glosa de Despesas com Aeronave, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. No que concerne ao item
03, Multa Isolada, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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CONTRATO DE MÚTUO. DEDUTIBILIDADE. Operações de mútuo realizadas de maneira regular, pautadas em contratos firmados entre as partes, conforme anexados aos autos, impõem a devida dedutibilidade das despesas financeiras correspondentes ao pagamento dos juros sobre os mútuos contratados. DESPESA. DEDUTIBILIDADE. RELAÇÃO COM A PRODUÇÃO OU COMERCIALIZAÇÃO. Em razão do disposto no art. 13 da Lei n° 9.249/95, além de necessárias e usuais, as despesas com arrendamento mercantil, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com aeronaves, devem estar intrinsecamente relacionadas à produção ou comercialização de bens e serviços, caso contrário devem ser adicionadas ao lucro liquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social. MULTA ISOLADA. 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Em relação ao item 02 do auto de infração, Glosa de Despesas com Fl. 3433DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.376 2 Aeronave, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. No que concerne ao item 03, Multa Isolada, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora (assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Carlos Alberto Donassolo, Nereida Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Viviane Vidal Wagner. Fl. 3434DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.377 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que manteve o lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, decorrente de: I glosa das despesas com encargos de amortização, no ano calendário 2004, cumulado com aplicação de multa isolada no período de fevereiro de 2004 a novembro de 2005, tendo em vista a insuficiência de recolhimento dos referidos tributos, apurados com base em balancetes mensais de suspensão/redução; II glosa das despesas com encargos de juros, no ano calendário 2003, cumulado com aplicação de multa isolada no período de julho a dezembro de 2003, tendo em vista a insuficiência de recolhimento do IRPJ apurado com base em balancetes mensais de suspensão/redução; III glosa das despesas com aeronaves objeto de arrendamento mercantil, nos anos calendário 2003, 2004 e 2005, cumulado com aplicação de multa isolada no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, tendo em vista a insuficiência de recolhimento do IRPJ e CSLL apurados com base em balancetes mensais de suspensão/redução. Conforme detalhado pela autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal (fls.31423173) sobre as infrações apuradas, extraise que: I Da glosa das despesas com encargos de amortização de ativo prêmio pago na subscrição de debêntures incorporado em processo de cisão parcial: foram glosadas as deduções do lucro líquido a título de despesas com encargos de amortização, no período de fevereiro de 2004 e novembro de 2005, correspondentes ao saldo residual do prêmio relativo a debêntures emitidas por TRANSARCOM S/A, empresa posteriormente incorporada pelo contribuinte; no ano calendário de 2005, a partir do mês de dezembro, a empresa fiscalizada reconheceu a sua indedutibilidade, adicionandoas as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; II Da glosa das despesas com encargos de juros incorridos em função de contratos celebrados em 07/07/2003 entre Arcom S/A e Arcom Participações Ltda., denominados "Instrumento Particular de Cessão e Transferência de Divida com Anuência do Credor": entre 02/12/2002 e 01/07/2003, o contribuinte captou recursos junto a seus maiores acionistas, senhores Dilson Pereira da Silva, Edson Pereira da Silva e Edilson Pereira da Silva, mediante contratos de mútuo que previam taxa de juros de 2% a.m., posteriormente alterada para 2,5% a.m., pelo prazo de 360 dias; Fl. 3435DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.378 4 em 07/07/2003, de acordo com os Instrumentos de Cessão e Transferência de Dívida (cláusulas 1, 2 e 2.1 fls. 458, 460 e 462), o contribuinte cedeu à ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, com anuência dos credores, as dívidas relativas aos contratos referidos, incluindo o principal e encargos com juros, no montante de R$ 144.509.714,43; em contrapartida, o contribuinte comprometeuse a pagar à ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, na data da assinatura dos instrumentos, o montante de R$ 144.509.714,43 (cláusula 3 fls. 458, 460 e 462), ou alternativamente, liquidar a dívida no prazo de 360 dias contados da assinatura dos mesmos, podendo ocorrer pagamentos parciais antes do final do prazo estabelecido (cláusula 4 — fls. 458, 460 e 462). No caso de pagamento a prazo, ficou estabelecido que o contribuinte pagaria a título de juros o percentual equivalente à taxa Selic sobre o saldo a pagar existente no final de cada mês ou proporcional aos dias incorridos no mês (cláusula 5 — fls. 458, 460 e 462); na mesma oportunidade, foi estabelecida a obrigatoriedade de ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA pagar diretamente aos credores Dilson Pereira da Silva, Edson Pereira da Silva e Edilson Pereira da Silva, segundo as condições estabelecidas nos contratos de mútuo originais, ficando os mesmos prorrogados por mais 360 dias (o prazo original era de 360 dias) e a taxa de juros estabelecida na cláusula 2 reduzida para 0% (a taxa de juros vigente era de 2,5%), contados da assinatura dos instrumentos de cessão e transferência de dívida (cláusula 6 — fls. 458, 460 e 462); o contribuinte incorreu em despesas com encargos de juros no montante de R$ 8.853.234,52, no período de agosto a dezembro de 2003, deduzindoas na apuração do lucro real ao final do exercício; em 15/12/2003, o contribuinte e ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA celebraram três novos contratos denominados "Instrumento Particular de Assunção, Cessão e Transferência de Divida com Anuência do Credor" (fls. 498 a 508), onde ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, desta vez, cede ao contribuinte as dívidas contraídas em decorrência de contratos de mútuo firmados com os credores acionistas, num total de R$ 109.023.237,00, equivalente ao montante principal, deduzidas as importâncias amortizadas por ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, no período de agosto a dezembro de 2003; em contrapartida, ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA comprometeuse a pagar ao contribuinte, na data da assinatura dos instrumentos (cláusula 03 — fls. 498, 502 e 506), o montante de R$ 109.023.237,00, ou alternativamente, liquidar suas obrigações de pagamento perante o contribuinte, mediante a dação em pagamento de mercadorias de seu estoque (cláusula 3.1.1). intimado dessa operação (fls. 13/16), o contribuinte informou (fl. 34) que os R$ 109.023.237,00 foram quitados pela ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA da seguinte forma: (i) R$ 98.733.906,46 foram utilizados para quitação de um empréstimo que mantinha junto à ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA (ii) R$ 10.289.330,54 foram utilizados na quitação de notas da ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA contra o contribuinte (notas fiscais nos 63, 65, 69, 72, e 75); no dia 17/12/2003, deliberouse em Assembleia Geral Extraordinária o aumento do capital social do contribuinte em montante equivalente ao das dívidas com seus acionistas; Fl. 3436DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.379 5 em procedimento de fiscalização, inferiuse que, nas operações de cessão e transferência de dívidas com anuência de credores, realizadas em 07/07/2003 e 15/12/2003, entre o contribuinte e ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, apenas uma pequena parte dos compromissos assumidos foi efetivamente movimentada, sendo que em relação a uma parcela significativa houve mera apropriação contábil; concluiu a autoridade fiscal que as despesas relativas aos dispêndios com encargos de juros decorrentes do contrato de cessão e transferência de dívidas, celebrados entre o contribuinte e ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, em 07/07/2003, são destituídos de causas econômicas reais e não encontram amparo em nenhum propósito negocial, ao contrário, mostramse uma opção mais onerosa para o contribuinte, não se constituindo em custos ou despesas operacionais dedutíveis, na forma exigida pelos arts. 277 e 299 do RIR/99; diante disso, foram glosadas as deduções do lucro líquido a título de despesas com encargos financeiros no montante de R$ 8.853.234,52, referente aos valores pagos pelo contribuinte à empresa ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, no período de agosto a dezembro de 2003, a título de juros sobre os contratos de mútuo originalmente celebrados com os acionistas do contribuinte e, posteriormente, renegociados com a participação da ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, por serem despesas desnecessárias. III Da glosa das despesas com aeronaves: utilizando o critério do número de voos, a autoridade fiscal apurou, com base nos elementos apresentados pelo contribuinte e pela INFRAERO, que 57,21% dos voos realizados pela aeronave PRDPS e 57,95% dos voos realizados pela aeronave PRLIA, destinaramse exclusivamente ao atendimento dos interesses pessoais dos acionistas do contribuinte, eis que realizados com destino a localidades que não guardam nenhuma relação com suas atividades operacionais, em dias não úteis e fora do horário comercial; o contribuinte não logrou demonstrar a conexão das aeronaves arrendadas com a atividade de comércio atacadista, limitandose a meras alegações e não apresentando documentos comprobatórios da vinculação dos voos à sua atividade empresarial; além do disposto no art. 299 do RIR/99, a Lei n° 9.249/95, em seu art. 13, incisos II e III, acrescenta mais uma condição restritiva, a de que os gastos estejam intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; as disposições constantes do art. 25 da Instrução Normativa SRF n° 11/96 representam o entendimento firmado pela Administração Tributária sobre quais os bens considerados intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços, em regulamentação ao contido no art. 13, II e III, da Lei n° 9.249/1995; diante disso, foram glosadas as deduções do lucro líquido a título de despesas com a utilização das aeronaves, referente às parcelas do arrendamento mercantil, aos dispêndios com a remuneração dos pilotos, aos gastos com hangaragem, manutenção, reparos e conservação dos aviões, seguros e combustíveis, bem como as tarifas pagas à Empresa Brasileira de InfraEstrutura Aeroportuária — INFRAERO e as taxas pagas à Agência Nacional de Aviação Civil — ANAC. Embora comprovadas por documentação apresentada durante a fiscalização, tais despesas foram consideradas indedutíveis para fins de apuração do lucro liquido tributável, porque tidas pela fiscalização como não necessárias à manutenção das Fl. 3437DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.380 6 atividades operacionais do contribuinte, nos termos dos arts. 277 e 299 do RIR/99 e do art. 13, II e III, da Lei n° 9.249/1995. IV – Da multa isolada tendo em vista a insuficiência de recolhimento de IRPJ e CSLL apurados com base em balancetes mensais de suspensão/redução, os respectivos lançamentos foram cumulados com aplicação de multa isolada, em decorrência da glosa das despesas com encargos de amortização (período de fevereiro de 2004 a novembro de 2005), da glosa das despesas com encargos de juros (período de julho a dezembro de 2003) e glosa das despesas com aeronaves objeto de arrendamento mercantil (anos calendário 2003, 2004 e 2005). Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou impugnação em que, em suma: I – alegou ilegalidade da cumulação da multa isolada com a multa de ofício, pela impossibilidade de incidência de duas multas sobre a mesma base de cálculo; II renunciou ao direito de defesa quanto à glosa das despesas relativas aos encargos de amortização das debêntures, comprovando, mediante DARFs, o pagamento do IRPJ e da CSLL respectivos, mas não se conformou com a cobrança de multa isolada, cumulada com multa de oficio, imposta sobre a glosa de IRPJ e CSLL referente às despesas de amortização das debêntures, especialmente nos meses de janeiro a novembro de 2005, porque não estaria configurada a hipótese prevista no artigo 44, inciso II, alínea "h" da Lei n° 9.430/96. Aduziu que a adição ao lucro líquido tributável, efetuada em dezembro de 2005, teria sido suficiente para a quitação integral dos tributos apurados em 2005 e correspondentes às despesas com os encargos de amortização, entendendo que, diante da postergação do pagamento das parcelas mensais, quitadas em uma única parcela no mês de dezembro de 2005, não estaria caracterizada a ausência de recolhimento a ensejar a cobrança de multa isolada; III – quanto à glosa das despesas financeiras com encargos de juros III.1 sobre os contratos de mútuo e das posteriores operações de cessão e transferência das dividas para a ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA: Alegou que as operações de mútuo questionadas pela fiscalização jamais acarretaram qualquer prejuízo ao Erário e que a renúncia dos acionistas aos valores correspondentes aos juros incidentes em uma das etapas das operações de mútuo fora um ato de gestão financeira, praticado com o único propósito de atenuar a insuficiência de caixa registrada pelo contribuinte, tudo dentro da liberdade de contratar, que rege as transações privadas e está expressamente consagrada pelo art. 421 do Código Civil Brasileiro; III.2 sobre a regularidade das operações relacionadas aos contratos de mútuo: Alegou existência de contrato escrito, adequação da taxa de juros e correto oferecimento à tributação do valor correspondente aos juros recebidos, mediante a apresentação de todos os instrumentos contratuais pertinentes, nos termos do Parecer Normativo n° 138, de 1975, da antiga CST; Fl. 3438DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.381 7 IV – Quanto à glosa das despesas com a utilização de aeronaves IV.1 sobre o critério adequado à apuração da parcela das despesas relacionadas às atividades operacionais do contribuinte: Criticou o critério utilizado pela autoridade fiscal que analisou dados sobre o número de voos feito por cada um dos aviões e, identificando os trajetos que tinham como destino as fazendas de propriedade de um dos acionistas do contribuinte, e elaborou cálculos com o objetivo de medir a proporção entre a utilização dos aviões para finalidades privativas e para fins empresariais, concluindo pela indedutibilidade da totalidade das despesas relacionadas às aeronaves utilizadas. Segundo ela, os cálculos efetuados pela autoridade fiscal são viciados, porque partem de critérios não adequados à realização da proporção pretendida, pois foram considerados apenas o número de voos realizados, sem levar em conta as distâncias voadas ou o tempo gasto em cada uma das viagens. Esse critério teria sido arbitrariamente escolhido, não havendo qualquer justificativa para a sua adição, nem do ponto de vista da legalidade nem do ponto de vista da razoabilidade. IV.2 sobre a não comprovada vinculação entre as aeronaves e as atividades operacionais do contribuinte: Alegando a necessidade, normalidade e usualidade de parte das despesas, reconheceu parcialmente os débitos do IRPJ e da CSLL lançados, correspondentes à adição ao lucro real e à base de cálculo da CSLL da parte das despesas glosadas que, segundo seus cálculos, realmente podem ser consideradas dissociadas de sua atividade operacional. Nos cálculos efetuados após a autuação, o contribuinte apurou e alocou todas as horas voadas, não contempladas nos demonstrativos da Infraero, considerando a distância entre as localidades e o tempo médio consumido em cada viagem. Alegou que, no regular desempenho de suas atividades empresariais, seus dirigentes precisam se locomover constantemente entre as filiais localizadas nos Estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, além de ser distribuidora exclusiva da empresa norteamerica Energizer Inc., representando a companhia em 16 Estados da Federação brasileira. Justificou a utilização das aeronaves no desenvolvimento de suas atividades empresariais, permitindo a realização de necessárias visitas aos seus clientes, viabilizando visitas a instituições financeiras com as quais são negociadas operações financeiras que fogem à alçada das agências bancárias de Uberlândia, além de permitir o transporte dos executivos aos aeroportos de São Paulo e Belo Horizonte, para embarcar em vôos comerciais regulares para diversas outras localidades. Alegou, ao final, que “o que torna uma despesa dedutível para fins de apuração do lucro liquido tributável não é a sua essencialidade para a sobrevivência da empresa, mas sim a sua necessidade”. IV.3 Subsidiariamente, sobre a ausência de fundamento legal para a glosa das despesas em relação à CSLL: Alegou que, como a legislação do IRPJ é apenas subsidiariamente aplicável à CSLL, no que diz respeito à dedutibilidade das despesas para a identificação da base de cálculo, as regras instituídas para o IRPJ não se aplicam à CSLL, devendo ser excluídas da base de cálculo da CSLL todas as despesas relacionadas à manutenção das aeronaves e demais gastos a elas relacionados, porque não elencadas na lista de despesas indedutíveis da base de cálculo da contribuição. Fl. 3439DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.382 8 O relator da decisão a quo delimitou a lide, a partir da impugnação, aos seguintes temas: (i) glosa de despesas com encargos de juros, (ii) glosa de despesas com utilização de aeronaves na parte em que a interessada alega estar vinculada à atividade da empresa, e (iii) multa isolada. O lançamento foi julgado procedente na DRJ/Juiz de Fora pelos fundamentos a seguir. Quanto às despesas de juros: a glosa incidiu tãosomente sobre os juros incorridos a partir de 07/07/2003, data em que a contribuinte cedeu à Arcom Participações Ltda. a divida que mantinha junto aos três acionistas, porque, no mesmo contrato de cessão de divida, a contribuinte aceitou pagar juros à cessionária calculados pela taxa SELIC (cláusula 5), enquanto seus três acionistas aceitaram não receber nada a titulo de juros (taxa de 0%) da Arcom Participações Ltda. (cláusula 6), embora também acionistas desta. Diante disso, questionaram os julgadores quanto à falta de oferecimento do beneficio de renúncia aos juros ao contribuinte. Se o único propósito era atenuar a insuficiência de caixa registrada pela contribuinte, tal propósito seria ainda mais prestigiado se nos contratos de cessão de divida celebrados em 07/07/2003 tivesse sido estipulado que a contribuinte, ao invés de pagar juros à Arcom Participações Ltda. com base na taxa SELIC, deixasse de pagar os citados juros, já que esta também não iria pagar juros aos credores, controladores das duas empresas; Sobre as despesas com utilização de aeronaves: o art. 13 da Lei n° 9.249/95 restringiu o direito de dedutibilidade de despesas, para fins de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. No caso das despesas com arrendamento mercantil, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis e imóveis, exceto quando intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços. No caso, a fiscalizada, apesar de intimada para tanto, não logrou êxito em comprovar que as despesas com utilização de aeronaves cumpriram os requisitos estabelecidos no art. 13 da Lei n° 9.249/95. Da mesma forma, nenhum elemento que pudesse realizar essa comprovação foi trazida na fase de impugnação ao lançamento. Em relação ao critério adotado pela autoridade (número de vôos) para levantar o percentual de utilização das aeronaves, tal discussão revelase desnecessária pois, mesmo se utilizado o critério proposto pela defendente (horas de vôos), permanece o fato de que cabe ao contribuinte provar, mediante documentação hábil e idônea, que as despesas encontramse intrinsecamente relacionadas com a produção ou comercialização de bens e serviços. Por fim, em relação à CSLL, não há muito a acrescentar a não ser que o caput do art. 13 da Lei n° 9.249/95 veda expressamente a dedução, da base de cálculo da contribuição, das despesas não intrinsecamente relacionadas à produção ou comercialização de bens e serviços. Como a impugnante não logrou êxito em provar que as despesas com aeronaves, incluindo aquelas com remuneração dos pilotos, hangaragem, manutenção, reparos, conservação, seguros e combustíveis, tarifas pagas à INFRAERO e taxas pagas à ANAC, atendem a esta exigência, correta o lançamento; Concluiu que a multa de oficio aplicável em razão da falta de pagamento do imposto ou contribuição devidos (art. 44, I ou II, conforme o caso) tem fundamentação jurídica distinta da multa isolada aplicável em virtude da falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 3440DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.383 9 Anocalendário: 2003, 2004, 2005 DESPESA. NECESSIDADE. As despesas que se revelarem desnecessárias ou inusuais à consecução dos objetivos sociais da pessoa jurídica devem ser adicionadas ao lucro liquido para fins de determinação do lucro real. DESPESA. RELAÇÃO COM A PRODUÇÃO OU COMERCIALIZAÇÃO. Além de necessárias e usuais, por força do art. 13 da Lei n° 9.249/95 as despesas com arrendamento mercantil, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis e imóveis, devem estar intrinsecamente relacionadas à produção ou comercialização de bens e serviços, caso contrário devem ser adicionadas ao lucro liquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social. MULTA ISOLADA. A multa isolada aplicável na hipótese de falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL é autônoma e, portanto, independe da aplicação, ou não, da multa de oficio por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos ao término do período de apuração anual. Cientificado, na pessoa de seu procurador, da decisão de primeira instância, em 09/03/2009 (fl. 3342), o contribuinte apresentou, em 07/04/2009, recurso voluntário (fls.3345), em que, basicamente, repisa as razões da impugnação, aduzindo, em suma: (i) Sobre a multa isolada decorrente da glosa das despesas de encargos de amortização, questiona a imposição (a) no período de fevereiro de 2004 a novembro de 2005 por impossibilidade de incidência de duas multas sobre a mesma base de cálculo e (b) no período de janeiro a novembro de 2005, porque não se configurou a hipótese prevista no artigo 44, inciso II, alínea "b" da Lei n° 9.430/96. Isso porque, em relação a esse período, a Recorrente não deixou de recolher os valores correspondentes às estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. Houve apenas uma postergação do pagamento das parcelas mensais, pois a adição ao lucro líquido tributável realizada em dezembro de 2005 teria sido suficiente para a quitação integral dos tributos apurados nesse período e correspondentes às despesas com os encargos de amortização (fls. 3026/3027). Aponta omissão da decisão recorrida na questão, violando o dever de motivação das decisões administrativas, nos termos do art. 93, X, da Constituição Federal; (ii) Sobre a glosa das despesas financeiras com encargos de juros, considera ter demonstrado as justificativas econômicas e financeiras para a sequência de transações implementada por ele, seus acionistas e a ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA., pela narrativa apresentada, a qual atesta a bilateralidade das negociações realizadas e deve ser suficiente para afastar a afirmação da autoridade fiscal, ratificada pelo acórdão recorrido, segundo a qual as operações de contratação e transferência dos mútuos teria sido mero artifício para a criação de despesas dedutíveis. Alega que pretendia, com a primeira operação (cessão da dívida em 07/07/2003), obter o alargamento do prazo inicialmente contratado, assim como a decisão de reduzir os juros a zero foi apenas um ato de gestão, considerando a saúde financeira do grupo. A retomada da dívida, em dezembro de 2003 (segunda operação), também foi vantajosa por propiciar a extinção do mútuo devido aos seus acionistas através de uma dação em pagamento das mercadorias constantes do seu estoque. Para os acionistas credores, a renúncia ao recebimento de juros foi compensada pela troca de devedores, estando a nova devedora em melhores condições Fl. 3441DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.384 10 de solvência do que a devedora original, bem como a extinção das obrigações através de um aumento da participação societária no seu capital social gerava expectativa de aumento nos dividendos a receber, após suportarem uma perda patrimonial em prol da saúde financeira das empresas do grupo. (iii) Questiona a indedutibilidade da totalidade das despesas relacionadas às aeronaves utilizadas, que incluiu despesas relacionadas às suas atividades operacionais. Aduz que efetuou cálculo por critério que elege como o mais correto e recolheu os tributos IRPJ e CSLL em montante que entende devido, no que tange às despesas incorridas com a manutenção das aeronaves em voos feitos em beneficio pessoal dos acionistas, defendendo a manutenção de parte das despesas deduzidas que se relacionam diretamente com as atividades operacionais. Pede, ao final, o conhecimento e provimento do recurso voluntário, in verbis, para: (i) reconhecer a suficiência dos pagamentos realizados pela Recorrente, dentro do prazo legal para impugnação, relativos ao IRPJ e à CSLL decorrentes da glosa das despesas referentes à amortização do prêmio das debêntures; e (ii) afastar a imposição cumulada da multa isolada em relação ao IRPJ e à CSLL, e, especificamente na parte referente à glosa das despesas com a amortização do prêmio das debêntures, afastar a multa isolada referente aos meses de janeiro a novembro de 2005; e (iii) cancelar integralmente a autuação fiscal no que tange à glosa das despesas financeiras com encargos de juros; e (iv) reconhecer a suficiência dos pagamentos realizados pela Recorrente, dentro do prazo legal para apresentação da presente impugnação, relativos ao IRPJ e CSLL decorrentes da glosa das despesas referentes à utilização de aeronaves, exclusivamente na parte não vinculada à atividade operacional da Recorrente; e (v) cancelar a autuação fiscal no que tange à glosa das despesas referentes à utilização de aeronaves, na parte relativa às despesas comprovadamente atreladas à atividade empresarial da Recorrente, ou, subsidiariamente, cancelar a atuação fiscal relativamente à glosa dessas despesas para fins de apuração da base de calculo da CSLL. Este o relatório. Fl. 3442DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.385 11 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Conheço do recurso diante da tempestividade e demais pressupostos recursais. Inicialmente, quanto ao primeiro item do pedido, cabe registrar que não compete a este órgão julgador manifestarse sobre eventuais pagamentos efetuados após o lançamento, em relação à parcela do auto de infração sobre a qual não diverge o contribuinte. Os órgãos julgadores estão limitados à apreciação da lide. Compete à unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte o controle do crédito tributário e a eventual exclusão das parcelas pagas durante a fase de julgamento. Considerando que o litígio restringese a parte da autuação, conforme bem delimitado pela decisão recorrida, cabe analisar em segunda instância as duas espécies de glosas sobre as quais se insurge o Recorrente, além da multa isolada cumulada com a multa de oficio, incluindo a parcela referente à multa isolada calculada a partir da glosa das despesas de amortização das debêntures. A análise das razões meritórias será iniciada pelas glosas de despesas, cuja autuação se deu, basicamente, pela conclusão de impossibilidade de caracterização como custos ou despesas operacionais dedutíveis, nos termos exigidos pelos arts. 277 e 299 do RIR/99. Estabeleceu o legislador que a apuração do lucro operacional decorre da apuração do resultado das atividades que constituem objeto da pessoa jurídica (art. 277), sendo dedutíveis na determinação do lucro real apenas as despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora de receitas, desde que pagas ou incorridas e que sejam usuais e normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (art. 299), não havendo espaço para liberalidades de qualquer natureza. Da glosa de despesas com encargos de juros À luz daqueles dispositivos, foram glosadas as despesas com encargos de juros decorrentes dos contratos de cessão de dívidas (“instrumento particular de cessão e transferência de dívida com anuência do credor”) celebrados, em 07/07/2003, entre o contribuinte (cedente), ora Recorrente, e ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA (cessionária). A existência de contratos escritos, assim como a usualidade da taxa de juros adotada, para fins de dedutibilidade das despesas de juros, consoante orientação do Parecer Normativo CST n° 138, de 1975, não foi objeto de questionamento por parte da autoridade lançadora, não fazendo parte da lide. Fl. 3443DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.386 12 Conforme relatado, a Recorrente, inicialmente, havia contraído empréstimos com três de seus maiores acionistas e apropriado, a título de despesas financeiras, os juros de 2,5% incorridos mensalmente até 07/07/2003. Nesta data, foram celebrados com ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA contratos de cessão daquelas dívidas contraídas perante os acionistas, com encargos de juros equivalentes à taxa Selic, caso não houvesse pagamento imediato do principal acrescido dos juros incorridos até aquela data. Enquanto a Recorrente se comprometeu sob juros Selic, no mesmo contrato, os credores aceitaram não receber nada a título de juros (taxa zero) da nova devedora (ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA). Entre julho e dezembro de 2003, a Recorrente apropriou contabilmente as despesas financeiras relativas aos encargos com juros incorridos à taxa Selic. Em 15/12/2003, a Recorrente reassumiu as dívidas, tendo como contrapartida, pela ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA, o pagamento do montante integral em moeda corrente ou, alternativamente, mediante dação em pagamento de mercadorias integrantes de seu estoque. O valor do empréstimo junto aos credores acionistas, no montante atualizado de R$ 98.733.906,46, foi quitado na oportunidade, juntamente com diversas notas fiscais emitidas pela ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA em face da Recorrente. Logo em seguida, houve o aumento do capital social da Recorrente em montante equivalente ao das dívidas contraídas com seus acionistas. Fechouse, assim, o ciclo, sem que houvesse praticamente circulação de moeda, mas apenas registros contábeis dos valores mais relevantes. Como se nota, os credores acionistas, no curto prazo de cinco meses desde a cessão da dívida, finalmente aumentaram o capital social da Recorrente. Essa situação, por si só, indica a não usualidade ou normalidade das operações. Ainda mais em se constatando que os três acionistas credores detinham a quase totalidade do capital social da Recorrente (conforme se extrai da lista de presença de acionistas anexada à ata da assembleia geral extraordinária realizada em 17/12/2003, às fls. 9697) e eram também os únicos sócios da empresa ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA (conforme se extrai do instrumento de alteração do contrato social de 07/06/2003, às fls.183185). Tratase aqui, indubitavelmente, de operação entre pessoas jurídicas sob controle comum, cuja bilateralidade restou prejudicada, pois as mesmas partes respondiam pelo crédito e pelo débito. Os credores acionistas exigiam juros à taxa de 2,5% a.m. da Recorrente, mas passaram a exigir zero de juros da nova devedora. Enquanto isso, a Recorrente deixou de pagar juros à taxa de 2,5% a.m. de seus acionistas para pagar juros equivalentes à taxa Selic à sua nova credora, quando poderia, perfeitamente, como bem colocado pelo relator a quo, ter renegociado diretamente com os credores originais, sem precisar engendrar formalmente todas aquelas operações. A mera redução da taxa de juros não é suficiente para abonar a operação. Ademais, foi constatado pela autoridade fiscal no TVF (fl.3163) o elevado grau de endividamento contraído pela Recorrente: no período de dezembro de 2002 a julho de 2003 da ordem de R$ 292.374.378,56, considerando o capital social no montante de R$ 14.836.500,00 em dezembro de 2002 (fls. 69), e no montante de R$ 18.575.000,00 em abril de 2003 (fls. 83). Fl. 3444DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.387 13 O alto grau de endividamento vem reforçar a ideia de que uma negociação direta para melhoria nas condições de pagamento deveria ter sido travada diretamente com os credores acionistas, todavia, “optou” a Recorrente por envolver outra pessoa para negociar com aqueles credores, enquanto “se conformava” com a redução dos juros e a dilação do prazo de pagamento. A meu ver, não faz qualquer sentido a alegação de que a dificuldade de caixa para pagar os juros originais (devidos aos seus próprios acionistas) pudesse ser suprida pelo pagamento de juros menores a outra pessoa jurídica, especialmente quando se tem controladores comuns. Cito trecho do voto condutor do acórdão recorrido que reflete o meu entendimento, in verbis: Se o único propósito era atenuar a insuficiência de caixa registrada pela contribuinte, tal propósito seria ainda mais prestigiado se nos contratos de cessão de divida celebrados em 07/07/2003 tivesse sido estipulado que a contribuinte, ao invés de pagar juros à Arcom Participações Ltda. com base na taxa SELIC, deixasse de pagar os citados juros, já que esta também não iria pagar juros aos credores, controladores das duas empresas. De fato, para os investidores, a alternativa de conceder empréstimo à pessoa jurídica em lugar de fazer importe visando aumentar o capital social traz algumas vantagens. Além de garantir a remuneração do investimento independentemente do resultado financeiro e permitir o retorno do valor investido sem as formalidades de uma redução de capital, as despesas financeiras a título de juros podem ser dedutíveis na apuração da receita tributável da mutuária. Evidentemente, a dedutibilidade dos juros na apuração do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ deve observar certos parâmetros legais, os quais exigem o relacionamento íntimo com a atividade da empresa e com a manutenção da respectiva fonte produtora para que a despesa seja considerada indispensável (art. 299 do RIR/99). Assim, são consideradas necessárias as despesas decorrentes de transações ou operações demandadas pela atividade operacional da pessoa jurídica. No presente caso, a desnecessidade das despesas financeiras correspondentes à dívida decorrente dos contratos de mútuo com os credores acionistas da Recorrente restou evidente pelo repasse da dívida a pessoa ligada (ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA) sem qualquer encargo financeiro a ser devido aos mesmos credores, os quais, não por coincidência, eram controladores comuns de ambas as empresas. Não seria de se esperar que pessoas absolutamente independentes contratassem operações de mútuo da forma como foram contratadas. Vale referir que o Primeiro Conselho de Contribuintes já decidiu por diversas vezes no sentido de que são consideradas não necessárias aquelas correspondentes a empréstimos repassados a empresa interligada sem qualquer encargo financeiro (Acórdãos 10807360/2003, 10321142/2003, 10313446/93 e 10179646/90). Fl. 3445DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.388 14 Ademais, em se tratando de empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, as quais giram sob controle comum, há que se analisar os benefícios econômicos eventualmente gerados sob a ótica global. Sob qualquer ângulo que se olhe, as transações realizadas entre o contribuinte, ora Recorrente e ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA não representaram qualquer ganho para o grupo, gerando apenas um pretenso direito à dedução dos juros acordados. Nesse caso, faltou justificativa econômica à operação, uma vez que resultados positivos e negativos de sociedades pertencentes ao mesmo grupo econômico tendem a se anular quando da análise global de seus resultados. A participação da ARCOM PARTICIPAÇÕES LTDA nas transações não teve qualquer outra função que não a de gerar despesas de juros na contabilidade da Recorrente. Por fim, a alegação de que não houve prejuízo à Administração Tributária deve ser afastada, tendo em conta, justamente, a redução indevida do lucro real pela apropriação de juros que, dadas as circunstâncias, não deveria ter sido apropriado, por desnecessários, em evidente afronta aos arts. 277 e 299 do RIR/99. Cabe referir que, considerando a acusação fiscal, suportada pela minuciosa descrição dos fatos, a apontar para a desnecessidade das despesas de juros decorrentes daquele contrato no período glosado, eventual imputação de simulação à operação, em nada alteraria a natureza do lançamento. Situação semelhante já foi analisada pelo Conselho de Contribuintes, tendo ficado consignado que a imputação da simulação do contrato é irrelevante para a caracterização da desnecessidade da despesa, como se vê abaixo: IRPJ. CUSTOS E DESPESAS OPERACIONAIS. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE CONTRATOS FUTUROS DE TAXAS DE CÂMBIO DE CRUZEIROS REAIS POR DÓLAR COMERCIAL. RESSARCIMENTO POR DESISTÊNCIA DE CONTRATO. Quanto uma empresa assina 150 contratos de promessa de compra e venda de dólar comercial, com empresas que não tem qualquer posição naquela moeda e nem tem capacidade econômica e nem financeira (microempresas, empresas de pequeno médio porte) e empresas não identificadas e, ainda, desiste da compra ou venda do dólar comercial e paga o ressarcimento (multa contratual) por desistência de contrato, estas operações não preenchem os requisitos de necessidade, normalidade e usualidade para serem apropriados como custos ou despesas operacionais, independentemente da imputação da simulação de contratos.(Data da Sessão: 21/05/2002; Relator(a): Kazuki Shiobara; Nº Acórdão: 10193826) Nesse sentido, voto no sentido de manter hígido o lançamento nessa parte. Da glosa de despesas com a utilização de aeronaves A partir da vigência da Lei nº 9.249, de 26/12/95, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, além de observar o disposto no art. 299 c/c art. 277, ambos do RIR/99, as despesas com a utilização de aeronaves objeto de arrendamento mercantil depende da relação dessas despesas com a produção ou Fl. 3446DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.389 15 comercialização dos bens ou serviços, nos termos do art. 13 da referida lei, expressamente mencionado no auto de infração sob análise, que dispõe: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; (destaquei) Assim, a par de serem necessárias à atividade da empresa ou à manutenção da respectiva fonte produtora de suas receitas, as despesas com arrendamento mercantil, depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis, como é o caso dos autos, devem estar intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços. A Administração Tributária regulamentou a Lei n° 9.249/95, através da Instrução Normativa SRF nº 11, de 22 de fevereiro de 1996, definindo quais seriam os bens relacionados ou não com a produção e a comercialização, para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. A referida norma infralegal traz, nos limites de sua competência regulamentar, os parâmetros de definição dos bens móveis ou imóveis que podem ser considerados intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços do interessado, dispondo, ipsis litteris: Art. 25. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro é vedada a dedução: I das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; II de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer Fl. 3447DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.390 16 outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços. Parágrafo único. Consideramse intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização: a) Os bens móveis e imóveis utilizados no desempenho das atividades de contabilidade ; b) Os bens imóveis utilizados como estabelecimento da administração; c) os bens móveis utilizados nas atividades operacionais, instalados em estabelecimento da empresa; d) os veículos do tipo caminhão, caminhoneta de cabine simples ou utilitário, utilizados no transporte de mercadorias e produtos adquiridos para revenda, de matériaprima, produtos intermediários e de embalagem aplicados na produção; e) os veículos do tipo caminhão, caminhoneta de cabine simples ou utilitário, as bicicletas e motocicletas utilizados pelos cobradores, compradores e vendedores nas atividades de cobrança, compra e venda; f) os veículos do tipo caminhão, caminhoneta de cabine simples ou utilitário, as bicicletas e motocicletas utilizados nas entregas de mercadorias e produtos vendidos; g) os veículos de transporte coletivo de empregados; h) os bens móveis e imóveis utilizados em pesquisa e desenvolvimento de produtos ou processos; i) os bens móveis e imóveis próprios, locados pela pessoa jurídica que tenha a locação como objeto de sua atividade; j) os bens móveis e imóveis objeto de arrendamento mercantil nos termos da Lei nº 6.099, de 1974, pela pessoa jurídica arrendadora; l) os veículos utilizados na prestação de serviços de vigilância móvel, pela pessoa jurídica que tenha por objeto essa espécie de atividade. (destaquei) Cabe ao contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que não apenas suportem os lançamentos contábeis decorrentes, mas que justifiquem e atestem a dedutibilidade das despesas intrinsecamente relacionadas à produção ou comercialização de bens e serviços, nos termos da legislação de regência, incluindo a IN SRF nº 11/96. Em que pese este órgão julgador não estar vinculado a tal espécie normativa, no caso sob análise, diante de sua patente legalidade, deve ser tomada como parâmetro interpretativo na busca da solução do litígio, estendendo a leitura dos itens referentes a veículos terrestres de modo a englobar as aeronaves objeto do presente recurso. Ainda assim, por exclusão, a única hipótese na qual poderia a Recorrente lograr êxito em comprovar o alegado Fl. 3448DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.391 17 seria a hipótese prevista na alínea e do parágrafo único (“veículos... utilizados pelos cobradores, compradores e vendedores nas atividades de cobrança, compra e venda”). Conforme consta do TVF (fl.3166), o contribuinte, através do Termo de Intimação Fiscal n.° 4, lavrado em 12/05/2008, foi devidamente intimado, em relação às aeronaves de matrículas PRDPS e PRLIA, objeto de arrendamento mercantil, dentre outros esclarecimentos, a: Vincular os gastos relacionados às referidas aeronaves à atividade operacional da pessoa jurídica e à manutenção da fonte produtora, demonstrando a sua usualidade, normalidade e necessidade, mediante a apresentação de roteiros de negócios, demonstrativos de contratos de vendas firmados, pedidos de produtos, etc, efetivados nas viagens com utilização das mesmas; (destaquei) Em resposta à intimação, a Recorrente limitouse a justificar a utilização das aeronaves no desempenho de suas operações comerciais em todo o território nacional, informando manter aproximadamente 150.000 clientes, 1.500 funcionários, além de 2.600 fornecedores, estes, em sua grande maioria, localizados fora de sua cidade sede Uberlândia – MG, e, ainda, manter filiais em diversos Estados da Federação. Informa que a relação de fornecedores demonstra claramente a necessidade de constante locomoção dos dirigentes e funcionários da Recorrente para negociar preços, prazos, e condições de entrega e alega, literalmente, que: O volume de seus negócios, fruto de expressiva atuação no mercado atacadista, e a complexa logística de suas operações, exigem deslocamento constante de seus executivos, tornando indispensável a utilização de aeronaves, sem as quais seria impossível obter uma administração dinâmica, ágil e eficiente. [...] No caso da Intimada, as referidas aeronaves são constantemente utilizadas para apoio ás atividades da empresa, especialmente nas visitas a clientes e fornecedores situados em outras localidades, ás sedes de instituições financeiras situadas em São Paulo e Belo Horizonte — através das quais negocia operações financeiras fora da alçada das agências em Uberlândia aos escritórios de advocacia e consultoria situados em São Paulo e Brasilia, e também como no atendimento de sinistros e acidentes ocorridos com sua frota rodoviária, no transporte de clientes interessados em conhecer suas instalações e produtos, e em manter reuniões para fechamento de novos contratos. São utilizados ainda para deslocamento de executivos aos aeroportos de São Paulo e Belo Horizonte, de onde partem para outras localidades através de conexões com linhas regulares. Para atender esse item da intimação, a Intima da apresenta um relatório elaborado a partir das informações contidas nos Demonstrativos das Tarifas a Cobrar de Clientes fornecidos pela lnfraero, que indicam os planos de vôo, mas não registram os Fl. 3449DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.392 18 respectivos trechos de retorno dos vôos feitos a partir de aeródromos não tarifados, em função disso a empresa inclui o tempo de retorno destes vôos. Em face da ausência desses dados nos demonstrativos da lnfraero, a Intimada procedeu à apuração das horas efetivamente voadas e à alocação dessas horas em relação aos respectivos destinos, levando em conta a distância entre as localidades, o tempo médio consumido em cada viagem, e a característica da aeronave e consolidou todas essas informações no relatório anexado." A transcrição da resposta à intimação é relevante para demonstrar que a Recorrente se preocupou em justificar a utilização das aeronaves, mas não apresentou qualquer documentação referente a “roteiros de negócios, demonstrativos de contratos de vendas firmados, pedidos de produtos, etc, efetivados nas viagens”, conforme solicitado na intimação. Nesse momento, diante da ausência de provas, a autoridade fiscal poderia ter encerrado o procedimento de fiscalização, mas, ao contrário, diligentemente, empenhou esforços para demonstrar que a utilização das aeronaves, de fato, não se restringia às atividades operacionais, conforme alegado pelo contribuinte. Vale transcrever o detalhado relato da autoridade fiscal, constante do Termo de Verificação Fiscal (fls.3142 e ss), sobre a apuração da infração: o contribuinte alegou utilizar aeronaves em apoio às atividades operacionais da empresa, especificamente nas visitas a clientes e fornecedores situados em outras localidades, às sedes de instituições financeiras e em atendimento de sinistros e acidentes ocorridos com sua frota rodoviária (fls. 30 e 31) e apresentou relação com os nomes de 3.103 cidades atendidas pela empresa (fls. 688 a 711) e 553 municípios onde estão localizados seus fornecedores (fls. 633 a 687); dados extraídos dos relatórios fornecidos pela Empresa Brasileira de InfraEstrutura Aeroportuária — INFRAERO, relativos aos planos de vôo registrados para as aeronaves de matrículas PRDPS e PRLIA (fls. 1.334 a 1.389), objeto de arrendamento pelo contribuinte, consolidados na planilha de fls. 3.308 a 3.055 onde é indicada a quantidade absoluta e percentual dos vôos das aeronaves por localidade/aeródromo de destino, realizados no período de 01/01/2003 a 31/12/2005, demonstram que os vôos efetuados no referido período destinaramse a apenas 42 localidades distintas. Atestam ainda (fls. 3.038 a 3.040) que de um total de 215 vôos realizados pela aeronave de matricula PRDPS, 121 (56,28%) destinaramse a Fazenda São José do Parnaíba em TupaciguaraMG e 2 (0,93%) destinaramse a Fazenda Santa Escolástica em Pedra PretaMT, perfazendo 123 vôos (57,21%), e que de um total de 566 vôos realizados pela aeronave de matricula PRLIA, 148 (26,15%) destinaramse a Fazenda São José do Parnaíba em TupaciguaraMG, 178 (31,45%) destinaramse a Fazenda F5 em TupaciguaraMG e 2 (0,35%) destinaramse a Fazenda Santa Escolástica em Pedra PretaMT, perfazendo 328 vôos (57,95%); Fl. 3450DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.393 19 as fazendas em questão são de propriedade de Dilson Pereira da Silva, acionista da empresa sob ação fiscal, e não constam das relações de clientes e fornecedores apresentadas pelo contribuinte; análise mais apurada dos deslocamentos das aeronaves destinados às referidas localidades (Fazenda São José do Parnaíba, Fazenda F5 e Fazenda Santa Escolástica), evidenciam um total de 451 vôos, sendo 209 vôos (46,34%) realizados em fins de semana/feriados, 108 vôos (23,95%) realizados as sextas feiras, véspera de fins de semana, 33 vôos (7,32%) realizados as segundasfeiras e 101 vôos (22,39%) realizados nos demais dias úteis (fls. 3.041 a 3.056). Dos 242 vôos realizados em dias úteis, tendo como referência as fazendas acima citadas, 153 (63,22%) foram realizados no período compreendido entre as 16:00 hs e 8:00 hs; diante disso, concluiu que 57,21% dos vôos realizados pela aeronave PRDPS e 57,95% dos vôos realizados pela aeronave PRLIA, destinaramse exclusivamente ao atendimento dos interesses pessoais dos acionistas do contribuinte, eis que realizados com destino a localidades que não guardam nenhuma relação com suas atividades operacionais, em dias não úteis e fora do horário comercial.” Segundo o relatório, como o contribuinte não logrou demonstrar a conexão das aeronaves arrendadas com a atividade desenvolvida pela empresa (comércio atacadista de vasta gama de mercadorias), com a fonte e lucros da empresa, mas limitouse a fazer meras alegações, não apresentando documentos comprobatórios da vinculação dos voos à sua atividade empresarial, conforme determina a IN SRF nº 11/96, foram glosadas as despesas pertinentes à utilização das referidas aeronaves, nos termos dos arts. 277 e 299 do RIR/99 e do art. 13, II e III, da Lei n° 9.249/95. Observase que, diante dos elementos apresentados pelo contribuinte, em resposta à intimação e pela INFRAERO, foi utilizado um critério – número de trechos voados, para aferir o grau de vinculação da utilização de aeronaves com o objeto social da empresa – comércio atacadista de mercadorias. Insurgese a Recorrente contra o critério adotado pela fiscalização, o qual não teria levado em conta as distâncias voadas e o tempo gasto em cada viagem, defendendo sua substituição pelo critério do tempo de voo. Em seus cálculos, por este critério, apurou um percentual de utilização das aeronaves para fins particulares bem inferior ao apurado pelo auditor, e recolheu os tributos devidos no montante por ela apurado. Entendo que o critério adotado pela fiscalização, longe de arbitrário, representa uma demonstração lógica da realidade dos fatos, tendo sido suficientemente clara a justificativa de sua utilização quando se analisa os dados apresentados. Independentemente do tempo de voo, verificase que a maior parte deles (quase 60%) originouse ou destinouse a áreas rurais de propriedade de um de seus principais acionistas, sem qualquer relação com as localidades dos fornecedores ou clientes da Recorrente. Fl. 3451DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.394 20 Ademais, o critério indica que os voos se destinaram a apenas 42 localidades, quando a Recorrente informou que realiza negócios em mais de três mil municípios e tem fornecedores espalhados em mais de quinhentos deles. Notese que autoridade fiscal, ao apurar que 57,21% dos voos realizados pela aeronave PRDPS e 57,95% dos voos realizados pela aeronave PRLIA destinaramse exclusivamente ao atendimento dos interesses pessoais dos acionistas do contribuinte, em momento algum atestou que o restante dos voos teria sido realizado para finalidades operacionais. Ao contrário do que constou da decisão citada como paradigma pela Recorrente (Acórdão n° 10706.215, de 2001), no caso em tela, não houve prova cabal de que as viagens se realizaram em benefício da empresa. Diante de robusta prova, caberia ao contribuinte desconstituíla através de elementos comprobatórios da vinculação das operações aéreas às suas atividades operacionais, especialmente a utilização das aeronaves por cobradores, compradores e vendedores nas atividades de cobrança, compra e venda, o que não ocorreu. Sendo ônus do contribuinte comprovar a adequação das despesas às suas finalidades sociais, para fins de dedutibilidade do lucro real e da base de cálculo da CSLL, não restou demonstrado nos autos a comprovação da vinculação do uso das aeronaves com a sua atividade operacional de comercialização de bens, não sendo cumpridos os requisitos estabelecidos no art. 13 da Lei n° 9.249/95. O procedimento da fiscalização de ter despendido esforços para coletar inúmeras informações a respeito de planos de voo, dados da Infraero, trajetos e itinerários percorridos pelas aeronaves para, em seguida, declarar a indedutibilidade da totalidade das despesas incorridas pela Recorrente a esse título, ao contrário do que entende a Recorrente, em nada descaracteriza a situação verificada nos autos – de falta de comprovação da vinculação daquelas com a atividade operacional da empresa. Pelo contrário, em meu sentir, o trabalho fiscal demonstra de forma substanciosa que, ainda que desejasse, a Recorrente não teria como comprovar a vinculação da maior parte das despesas efetuadas com as aeronaves, haja vista as evidências coletadas em sentido contrário. Resta analisar o pedido subsidiário da Recorrente de desconsideração da adição das referidas despesas na base de cálculo da CSLL porquanto, consoante seu entendimento, não contempladas na legislação específica que traz um rol taxativo das despesas que são consideradas indedutíveis, independentemente de sua classificação como necessária e usual, nos termos do art. 13 da Lei n° 9.249/95. Neste ponto, não merece prosperar o argumento, haja vista que, se até a edição da referida lei, contavase apenas com o art. 47 da Lei nº 4.506/64 (fundamento legal do art. 299 do RIR/99), a partir dela não resta a menor dúvida de que, em relação a certas despesas, as características de necessidade e usualidade/normalidade não bastam para fins de apuração tanto do lucro real quanto da base de cálculo da CSLL. Incluemse nessa toada as despesas com arrendamento mercantil, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis e imóveis, ressalvadas as hipóteses de intrínseca relação com a produção ou comercialização dos bens e serviços. Fl. 3452DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.395 21 Assim, também neste item devem ser mantidos os lançamentos de IRPJ e CSLL. Da multa isolada Sobre o tema, são dois os questionamentos da Recorrente. Em relação à multa isolada lançada de ofício para o período de janeiro a novembro de 2005, aduz que não se configurou a hipótese prevista no artigo 44, inciso II, alínea "b" da Lei n° 9.430/96, já que, em relação a esse período, a Recorrente não deixou de recolher os valores correspondentes às estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. Segundo ela, houve apenas a postergação do pagamento das parcelas mensais, pois a adição ao lucro líquido tributável, realizada em dezembro de 2005 (referente ao reconhecimento da indedutibilidade da despesa de amortização) teria sido suficiente para a quitação integral dos tributos apurados nesse período e correspondentes às despesas com os encargos de amortização. Equivocase a Recorrente. A regra da postergação de pagamento deve ser observada nas autuações decorrentes de inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, quando constatado que o imposto foi pago em período de apuração posterior ao em que seria devido, nos termos do art. 273 do RIR/99. Assim, tratandose de apuração mensal de base de cálculo por estimativa ou através de balancetes de suspensão ou redução, não cabe aplicar ao caso, ainda que analogicamente, a teoria da postergação do pagamento, já que ficou caracterizada a falta de recolhimento, nos prazos exigidos, das antecipações devidas em decorrência da opção pela tributação anual do lucro real. Ademais, no caso das multas isoladas devidas no período de janeiro a novembro de 2005, aplicamse, basicamente as mesmas razões da não caracterização de concomitância ou duplicidade de exigências sobre uma mesma base de cálculo, independentemente do resultado apurado ao final do exercício. O lançamento de multas isoladas cumuladas com as multas de ofícios sobre as glosas de despesas teve por fundamento legal o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996, cuja redação original rezava, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:[...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Fl. 3453DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.396 22 A tese da concomitância, logo, bis in idem, em relação aos lançamentos de multa isolada e multa de ofício referentes ao mesmo anocalendário, alegada pela recorrente, embora adotada por boa parte dos membros deste Conselho, a meu ver, não merece ser reconhecida. Respeitando as opiniões em contrário, entendo que a legislação é expressa. Sendo a opção pela sistemática das estimativas mensais concedida ao contribuinte como uma faculdade pela Lei nº 9.430/96, em seu art. 2º, uma vez optante, ele estará sujeito às regras daquela sistemática. Assim, nos casos de ausência de recolhimento das estimativas mensais, a Lei nº 9.430/96, art. 44, prevê a incidência de multa isolada sobre o valor apurado no mês. A alíquota de 50%, prevista na nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, aplicase retroativamente por inserir uma penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:[...] II – de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:[...] b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. A sistemática de recolhimento por estimativas, de caráter facultativo, não tem o condão de equiparar os recolhimentos com uma antecipação do tributo, já que o fato gerador do imposto e da contribuição social apurado anualmente, de natureza complexiva, apenas irá se configurar em 31 de dezembro do anocalendário em referência. O legislador instituiu a opção como alternativa à regra de apuração trimestral, mas estipulou que esta traria consequências, na medida em que a falta de recolhimento representaria um ato ilícito, caracterizado pelo descumprimento de um dever. A regra é clara: o descumprimento do dever de antecipação deve ser sancionado na forma da lei, independentemente do valor do imposto ou contribuição calculada ao final do exercício, ou mesmo da existência de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. Fica ressalvada, apenas, a hipótese de apresentação de balancetes de suspensão ou redução que demonstrem que o valor pago já seria maior do que o devido. Distinguese a multa isolada, esta devida nos casos em que for detectada a falta de recolhimento do tributo estimado a cada mês, da multa de ofício incidente sobre o montante do tributo calculado após o encerramento do período de apuração. São distintos tributo e multa pela sua própria natureza jurídica. Enquanto um decorre de ato lícito – fato gerador –, o outro decorre da realização de um ato ilícito, comissivo ou omissivo, como é o caso em análise. Entendo que não há que se confundir a base de cálculo da multa isolada e a base de cálculo de eventual multa de ofício, já que, em caso de opção pela sistemática das Fl. 3454DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.397 23 estimativas, o tributo não é apurado trimestralmente ou anualmente, sendo sua base de cálculo a estimativa mensal calculada a partir da receita bruta. A multa de ofício, por sua vez, incide sobre o imposto ou contribuição devidos ao final do período de apuração. A falta de recolhimento gera uma infração específica. Pretender equiparar as bases de cálculo da multa isolada e da multa de ofício não parece conforme ao sentido da lei. Reforçando essa distinção, temse a nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, que alterou o percentual da multa isolada de 75% para 50%. Ademais, para acolher a tese da recorrente, seria necessário afastar regra legal expressa, o que não estaria incluído na função de julgamento na esfera administrativa, pela impossibilidade de manifestação sobre eventual inconstitucionalidade da legislação tributária, consoante a regra prevista no art. 26A do Decreto nº 70.235,de 6.03.1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009, e reproduzida no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. Acrescentese que o julgamento da ilegalidade de uma norma sob o argumento de desproporcionalidade necessariamente atrai a apreciação de sua compatibilidade com o texto constitucional, fazendo incidir, na hipótese, o teor da Súmula CARF nº 2. Em razão de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Voto Vencedor Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Redator Designado para redigir o voto vencedor em relação à matéria “glosa de despesas com encargos de juros”, registro, de início, a excelência do voto da ilustre Conselheira Relatora Viviane Vidal Wagner com relação às demais matérias enfrentadas nesse julgamento. Em linhas gerais, para o que importa ao presente voto, a D. Autoridade Fiscal desconsiderou a dedução, na apuração do IRPJ, dos valores correspondentes aos juros devidos em razão de contratos de mútuo celebrados pela Recorrente e seus acionistas e, posteriormente, negociados com a Arcom Participações Ltda. Em síntese, a operação de mútuo se realizou da seguinte forma: entre dezembro de 2002 e julho de 2003, a Recorrente celebrou com seus acionistas, Edson Pereira da Silva, Edílson Pereira da Silva e Dílson Pereira da Silva, contratos de mútuo, nos quais fixouse o prazo de 360 dias para pagamentos e convencionouse uma taxa de juros de 2,5 % ao mês. Assim, em decorrência desses contratos de mútuo, a Recorrente passou à condição de devedora de seus acionistas. Fl. 3455DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.398 24 Em 7 de julho de 2003, a Arcom Participações Ltda. assumiu a dívida da Recorrente perante os seus acionistas mediante contratos de cessão de dívidas. Assim, ficou acordado que a Arcom Participações Ltda. assumiria a dívida da Recorrente para com seus acionistas e, em contrapartida, a Recorrente pagaria à Arcom Participações Ltda. o montante correspondente ao valor do mútuo, atualizado à taxa de 2,5% ao mês até a data da cessão, e a partir de então pagaria juros mensais calculados à taxa SELIC até a data do efetivo pagamento. Concomitantemente a esta operação, os credores que passaram a ser da Arcom Participações Ltda. aceitaram a redução dos juros para zero e a prorrogação do vencimento dos mútuos por mais 360 dias. Posteriormente, em 15 de dezembro de 2003 foram celebrados novos contratos de cessão de dívidas através dos quais a Arcom Participações Ltda. cedeu à Recorrente os contratos de mútuo outrora recebidos. Por conta dessa nova transação, a Recorrente voltou à condição de devedora de seus acionistas e referida dívida foi convertida em capital social, após a emissão de novas ações subscritas com esses créditos. Ao contrário do que entendeu a fiscalização, a operação realizada pela Recorrente teve suas justificativas econômicas, quais sejam: (i) primeiramente do ponto de vista da Recorrente a primeira operação de cessão de dívida para a Arcom Participações Ltda. representou aumento do prazo para liquidação das obrigações com a redução da taxa de juros que passaram a ser calculados à taxa SELIC, (ii) do ponto de vista da Arcom Participações Ltda., esta teve vantagem econômica no sentido de que assumiu a dívida perante os acionistas da Recorrente e recebeu como troca da assunção o valor dos mútuos, acrescidos da taxa SELIC; ou seja, passou à condição de devedora de um valor inferior àquele que lhe devia a Recorrente. Dessa forma, inegável a vantagem econômica nessa primeira etapa da operação. A segunda etapa também foi vantajosa, na medida em que possibilitou a extinção do mútuo devido aos seus sócios através de uma dação em pagamentos das mercadorias de seu estoque. Dessa forma, não poderia a fiscalização interferir na administração da pessoa jurídica de forma a alegar e se pronunciar sobre o que deveria ou não ser feito na referida gestão. A operação só não foi propriamente vantajosa para os acionistas mutuantes mas devese levar em consideração que os acionistas frequentemente abrem mão de vantagens econômicas para buscar uma estabilização da situação financeira das pessoas jurídicas nas quais possuem ações. Assim, através da operação acima relatada comprovase a bilateralidade das negociações realizadas, afastando a afirmação da D. Autoridade Fiscal e do acórdão recorrido, segundo o qual as operações de contratação e transferência dos mútuos teriam sido mero artifício para a criação de despesas dedutíveis. Outrossim, vale ressaltar que todas as transações mencionadas se comprovaram mediante a apresentação dos instrumentos contratuais pertinentes, como se observa a título de exemplo às fls. 366/393 e 411/421. Cumpre ressaltar, a esse respeito, que o Parecer Normativo CST nº 138/1975 estabelece que será possível a dedutibilidade das despesas incorridas com o pagamento de juros sobre empréstimos contratados desde que haja cláusula expressa em contrato. Vejamos: Fl. 3456DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.399 25 “São admitidos como despesas operacionais os juros abonados aos empréstimos e saldos credores de contas correntes de sócio, acionista, dirigente, administrador ou participante nos lucros de pessoa jurídica, desde que haja contrato escrito com cláusula expressa. As taxas percentuais ajustadas não poderão ser superiores às comumentes utilizadas no mercado financeiro, e nem às relativas aos empréstimos menos onerosos obtidos pela pessoa jurídica. Disciplinamento idêntico, aplicável aos empréstimos realizados entre pessoas jurídicas associadas ou interdependentes.” Sendo assim, e nos termos do referido Parecer Normativo, os mútuos efetuados pela Recorrente, por estarem corretamente previstos em contratos, já possibilitariam a dedução dos juros correspondentes. Quanto ao ajuste às taxas do mercado, não resta dúvidas de que foi cumprido, visto que a taxa de juros utilizada foi a SELIC. Além disso, todas as etapas da operação foram comprovadas documentalmente, o que atesta a regularidade das operações de mútuo celebradas pela Recorrente, que não causaram nenhum prejuízo ao erário público, ao passo que os tributos incidentes foram recolhidos adequadamente. Dessa forma, deve ser afastada a conclusão da D. Autoridade Fiscal quanto à indedutibilidade das despesas financeiras correspondentes ao pagamentos dos juros sobre os mútuos contratados. Oportuno se faz transcrever o raciocínio exposto pelo Conselheiro Raul Pimentel no julgamento do Recurso nº 128.659 pela 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. Naquela oportunidade, o ilustre Conselheiro não concordou com a D. Autoridade Fiscal quanto às irregularidades em operações de cessão de dívidas nos seguintes termos: “No meu entender, os conjuntos de provas contidos nos presentes autos, juntados pela própria fiscalização, apresentam se suficientes para afastar, de logo, a existência de gesto de liberalidade, uma vez que se trata de operações normalmente praticadas na atividade financeira, com transferências de direitos e obrigações e todas respaldadas em documentação adequada ao tipo de transação que representam. Por sua vez, esta Câmara já expressou o seu entendimento, através do Acórdão 10193.145, de que para a caracterização de irregularidade ou liberalidade na cessão de créditos, há necessidade de prova inequívoca de que as operações realizadas fogem aos padrões normais que seriam realizadas com terceiros, sendo insuficiente para descaracterizar as operações a simples suspeita da autoridade fiscal. Portanto, se a assunção de direitos e obrigações pela incorporada operouse por contrato prévio, juridicamente perfeito e sobre os quais o fisco jamais lançou suspeita de irregularidade, existência de fraude ou dolo nas operações nele contratadas, não cabe a glosa das despesas decorrentes da liquidação daqueles valores pela simples suspeita de existência de ato de mera liberalidade.” Fl. 3457DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.400 26 Referido julgado recebeu a seguinte ementa: DESPESA DECORRENTE DE ASSUNÇÃO DE OBRIGAÇÕES POR EMPRESA INCORPORADA — AUSÊNCIA DE PROVA DE ATO DE USURALIDADE: Se a assunção de direitos e obrigações pela incorporada operouse por contrato prévio, sobre os quais o fisco jamais lançou suspeita de irregularidade, existência de fraude ou dolo nas operações contratadas, não cabe a glosa das despesas decorrentes da liquidação daqueles valores pela simples suspeita de existência de ato de mera liberalidade. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADES CONTROLADAS — AUMENTO DE CAPITAL NA INCORPORADA VISANDO O EQUILÍBRIO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO PERDA DE CAPITAL — AMORTIZAÇÃO DE AGIO: Não há impedimento legal na subscrição e aumento de capital de empresa controlada que venha a ser incorporada posteriormente pela controladora, mormente se no há sinais de existência de irregularidade nas operações ou existência inequívoca de ato de liberalidade. Por outro lado, o ágio anteriormente registrado pela controladora e baixado em razão da liquidação do investimento é dedutível na apuração do lucro real e na determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, atendidas as disposições contidas nos artigos 375 e 376 do RIR194. PROVISÃO PARA PERDA EM INVESTIMENTO EM RAZÃO DE AJUSTE A VALOR DE MERCADO — FALTA DE COMPROVAÇÃO: Temse por justificada a glosa da provisão para perda em investimento em razão de ajuste a valor de mercado se tal valor deixa de ser comprovado, ocorrendo a postergação no recolhimento dos tributos devidos quando a provisão é revertida no exercício seguinte, impondose o seu ajuste na formação do lucro real daquele exercício. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS: Uma vez alterados os valores dos prejuízos fiscais compensáveis remanescentes de decisão de primeiro grau, impõese sua retificação em razão do que está sendo decido em julgamento de segunda instância, considerados eventuais recolhimentos sobre os excessos de compensação. LANÇAMENTOS REFLEXOS — CSLL — PIS/REPIQUE: O julgamento do lançamento principal do IRPJ faz coisa julgada, na mesma instância de julgamento, nos lançamento decorrentes, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Ademais, transcrevo outra ementa no mesmo sentido. Vejamos: “IRPJ/CSLL/PIS/COFINS/IRRF SUPRIMENTOS DE NUMERÁRIOS Só resta elidida a presunção legal "juris tantum" com as comprovações da origem e da efetiva entrega de numerário à pessoa jurídica. IRPJ CSlL IRrF Se os valores Fl. 3458DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10970.000256/200869 Acórdão n.º 1202000.686 S1C2T2 Fl. 3.401 27 do mútuo foram entregues à pessoa jurídica e lhe beneficiaram, correta a dedução dos juros correspondentes, não se configurando hipótese de pagamento sem causa. JUROS DE MORA SELIC Correta a exigência dos juros moratórios computados à taxa Selic, pois conforme a legislação de regência, não se lhe podendo afastar no âmbito de um julgamento administrativo. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10807255 do Processo 11075001125200199, Data: 28/01/2003). Assim, estando comprovadas através de contratos todas as operações realizadas pela Recorrente e diante da possibilidade de dedução de encargos de juros na apuração do IRPJ, inclusive nos termos da legislação e do posicionamento deste E. CARF, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de dedução dos referidos encargos decorrentes dos contratos de mútuo realizados. É como voto. (assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 3459DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 27/04/201 2 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 25/04/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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